A inclusão do deficiente físico no mercado de trabalho

Resumo:Desde as mais remotas civilizações, os deficientes físicos são postos a margem da sociedade, sendo recente leis que protegessem esse segmento social e permitissem sua inclusão no mercado de trabalho. A inclusão do portador de deficiência no mercado de trabalho vem crescendo constantemente, em 2009, 288,6 mil vínculos empregatícios criados naquele ano foram declarados como para pessoas com deficiência; em 2010, 306,0 mil vínculos foram declarados como pessoas com deficiência, sendo este aumento da magnitude de 6% no número de deficientes físicos com empregos formais. As leis que tratam de inclusão social dos deficientes remetem ao início da década de 1990, tendo desdobramentos importantes posteriores, sendo a lei de cotas a mais utilizada para garantir esse direito fundamental do portador de deficiência – direito ao trabalho digno e aplicação do principio da isonomia – esses, tão caro a Constituição Federal de 1998. Embora tenha havido avanços na legislação brasileira para com o portador de deficiência, ainda precisa avançar em campos tais como fiscalização do cumprimento dessas leis
Sumário: Introdução. 1. O deficiente físico. 1.1. Evolução histórica e social da população deficiente. 1.2. Conceito de inclusão. 1.3. Conceito de pessoa com necessidade especial (NPE.) 1.4. Conceito de pessoa com deficiência. 1.5. Tipos de deficiência. 1.5.1. Deficiência Física. 1.5.2. Deficiência Auditiva. 1.5.3. Deficiência Visual. 1.5.4. Deficiência Mental. 1.5.5. Deficiência Multipla. 1.6. A comprovação da deficiência. 1.7. Dignidade da pessoa humana. 2. O deficiente físico e o mercado de trabalho. 2.1. O mercado de trabalho. 2.2. A situação do deficiente físico inserido no mercado de trabalho. 3. O deficiente físico e a legislação brasileira. 3.1. Motivos para a proteção social dos deficientes. 3.2. Legislação brasileira para o deficiente. 3.2.1 Constituição Federal de 1988. 3.2.2 A Lei 7.853/1989. 3.2.3 A Lei de Cotas (Lei 8.213/1991). 3.2.4 Outras Leis e Decretos. 3.3. Caso especial: vigilância a saúde dos trabalhadores com deficiência. 3.4. O Brasil e a legislação internacional. Conclusão. Bibliografia. INTRODUÇÃO A Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes preparada pela Assembléia Geral das Nações Unidas no ano de 1975[2] define o deficiente físico como uma pessoa incapaz de assegurar, por si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual ou social normal, em decorrência de uma deficiência, congênita ou não, em suas capacidades físicas. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) existem cerca de 610 milhões de pessoa portadoras de algum tipo de deficiência no mundo hoje, dos quais cerca de 390 milhões (63,3%) fazem parte da população economicamente ativa[3]. No Brasil, por sua vez, segundo dados do Censo de 2000, há por volta de 24,6 milhões de pessoas com deficiência (visual, auditiva, física ou múltipla), o que representa cerca de 15% da população brasileira. Por ser um número representativo da população em geral, motivou o presente trabalho de conclusão, o qual visa apresentar um panorama da inserção do portador de deficiência física no mercado de trabalho no Brasil. Para realizar o trabalho aqui apresentado, fez-se uma extensa e exaustiva revisão da literatura por meio de pesquisa documental bibliográfica. Neste trabalho de revisão da literatura buscaram-se os principais e mais destacados artigos, livros, papers e leis disponíveis. Tendo como resultado o presente estudo sobre a inserção do deficiente físico no mercado de trabalho brasileiro. No primeiro capítulo, denominado O Deficiente Físico, inicialmente define-se o conceito de deficiente físico conforme resolução n° 2.542/75 da ONU, e a partir da definição da população em estudo, traça-se uma evolução histórica do tratamento social dado a essa população, visando ter uma perspectiva temporal. A seguir, trabalha-se o conceito de inclusão o qual sugere uma ação que combate a exclusão social, isto é, uma situação bem comum entre os deficientes físicos, em função de inúmeros problemas, tais como acessibilidade, transporte público, entre outras dificuldades diárias. Na sequência se discute a relação entre os conceitos de Deficiente Físico, Pessoa com necessidade Especial e Pessoa com Deficiência.

Dá-se destaque para a maneira como esses três conceitos são utilizados para caracterizar a população em estudo. Também se conceitua os tipos de deficiência admitidos na legislação brasileira, por meio do Decreto n° 3.298, de 20 de dezembro de 1999, as quais são: (1) deficiência física, (2) deficiência auditiva, (3) deficiência visual, (4) deficiência mental e (5) deficiência múltipla. A seguir, se analisa a forma que se dá a comprovação da deficiência de acordo com o Ministério do Trabalho e do Emprego. E por fim, destaca-se a importância da dignidade da pessoa humana para a compreensão da inclusão do portador de deficiência física no mercado de trabalho. O próximo capítulo - O Deficiente Físico e o Mercado de Trabalho - traça um perfil da situação do deficiente inserido no mercado de trabalho. Para tanto, inicia-se descrevendo o funcionamento das relações sociais dentro de um sistema de mercado. Partindo dessas relações, começa-se a analisar como elas se dão dentro de um mercado de trabalho, onde o bem transacionado é a mão-de-obra. Para avançar um pouco mais nessa discussão, se trabalha o tema do modo de produção capitalista no qual a sociedade atual vive. A seguir, se examina o Estado de Direito Democrático e sua relação com a inclusão social de deficientes físicos, e como a evolução do primeiro conceito se relacionou e influenciou de maneira positiva a inclusão de portadores de deficiência. Por fim, traça-se, conforme o Relatório Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego, o perfil dos deficientes brasileiros já inseridos no mercado de trabalho, a composição dos trabalhadores com necessidades especiais por tipo de deficiência, a remuneração média dos trabalhadores deficientes e a diferença salarial entre os sexos. No último capítulo se analisa o deficiente físico e a legislação brasileira. O processo de exclusão, historicamente infligido às pessoas com deficiência, pode ser amenizado através da execução de políticas afirmativas e, especialmente, pela conscientização acerca das potencialidades desses indivíduos. Para tanto, várias leis foram criadas visando à inclusão dos cidadãos com deficiência. Para se ter um conhecimento mais abrangente em relação às leis trabalhistas direcionadas à população em estudo, selecionou-se, neste capítulo as leis mais significativas para a inclusão do deficiente na sociedade brasileira. Primeiramente, se destaca a relação da Constituição federal de 1988 e sua relação com os fundamentos da cidadania e da dignidade humana (art. 1°, II e III) e, por conseguinte, seus desdobramentos para cidadãos com deficiência. Destaca-se também, a responsabilidade, inscrita na CF/88, da União, dos Estados e Distrito Federal para com a proteção e integração das pessoas com deficiência e a questão da Acessibilidade contemplada na Carta Magna brasileira. Ainda no capítulo final, se examina a Lei 7.853/1989, a qual estabelece normas gerais dos direitos das pessoas com deficiência; as competências dos órgãos da administração pública em relação às pessoas com deficiência; as normas de funcionalidade das edificações e vias públicas; as competências da CORDE; entre outros assuntos de especial interessa para os portadores de deficiência física. A lei de cotas (Lei 8.213/1991) é objeto de especial interesse neste estudo, recebendo a devida atenção uma vez que é a principal lei de ação afirmativa do estado de inclusão do deficiente físico no mercado de trabalho. Destaca-se os principais artigos da lei, as discussões em torno deles e as posteriores leis que vieram a regulá-la. Ainda, se destaca outras leis de interesse da população deficiente e a legislação internacional ratificada pelo Brasil. Este trabalho de conclusão visa expor o estado atual do deficiente físico brasileiro e sua relação com o mercado de trabalho. Para alcançar esse objetivo, fez-se uso da legislação vigente e dos estudos de especialistas na área de deficiência física. Não se teve o intuito de exaurir a discussão em relação ao deficiente e o mercado de trabalho, mas sim levantar novas questões e trazer essa fatia importante da população brasileira (cerca de 15%, segundo dados do IBGE) para o centro do debate acadêmico. Apesar de ser recente a legislação sobre os deficientes físicos, percebe-se que a inclusão se materializou por meio dessa legislação afirmativa – aumento de 6% no número de deficientes físicos com empregos formais, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego entre os anos de 2009 e 2010. Esse avanço é pequeno em magnitude, porém de grande importância social e que abre perspectivas de maiores melhorias, como se verá a seguir. 1 O DEFICIENTE FÍSICO Segundo a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes elaborada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1975[4], o deficiente físico é caracterizado como uma pessoa incapaz de assegurar, por si

em que todos contribuíam para a manutenção dos heróis de guerra e de suas famílias.surgindo assim o modelo de caracterização da deficiência como questão médica e educacional. e a proteção assistencialista e piedosa. ela trouxe as ideias de capitalismo mercantil e de divisão social do trabalho e seus posteriores desdobramentos – como a Revolução Industrial . ora como desígnios divinos. Por constituírem importante fração da população mundial e brasileira. por forte influência de Aristóteles. Vários inventos se forjaram com o intuito de propiciar meios de trabalho e locomoção aos portadores de deficiência. estimulavam o ingresso dos deficientes visuais nas funções religiosas. primeiramente precisam-se entender sua evolução histórica e social. total ou parcialmente. alterna-se a concepção de deficiência ora como noções teológicas de possessão pelo demônio. por exemplo. Por fim. muletas. bastões. camas. onde deveriam aprender.3%) fazem parte da população economicamente ativa[5]. O povo guerreiro espartano via as crianças como propriedade do Estado. de outro. No entanto. tais como a cadeira de rodas. Já.mesma. congênita ou não. Após a Revolução Francesa e até o Século XIX foi um período de inovações para a inclusão do deficiente físico. Conforme estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) há. de um lado. Se fossem consideradas “fracas” ou “disformes” eram jogadas do alto do Taigeto (Taygetos). a sobreviver. tais como deficiente físico. as necessidades de uma vida individual ou social normal. tipos de deficiência. Os hindus. os que preenchiam os pré-requisitos estabelecidos pelo Estado. encontrase várias referências acerca das pessoas portadoras de deficiência. mantido segregado e com vínculo permanente com a instituição). Pessoa com Necessidade Especial (PNE) e Pessoa com Deficiência (PCD) para ter-se uma melhor compreensão da população em estudo 1. Na antiguidade remota e entre os povos primitivos. protegiam seus doentes e deficientes em sistema parecido com a Previdência Social dos dias de hoje. os Hebreus. no Oriente. receberam dois tipos de tratamento quando se observa a História Antiga e Medieval: a rejeição e eliminação sumária. Na cidade grega de Esparta a orientação era no sentido da exterminar as crianças “mal-constituídas”. 610 milhões de indivíduos com deficiência. além de definir alguns conceitos essenciais. dos quais cerca de 390 milhões (63. cerca de 15% da população brasileira. no mundo hoje. com base na Lei de Moisés. já sob a influência do Cristianismo.povos com uma vida em sociedade regrada por ampla legislação. eram. direcionando os portadores de deficiência a viver em conventos e hospícios ou até mesmo o ensino especial (criou-se nesse momento histórico o modelo do paradigma da institucionalização do indivíduo. a partir dos doze anos de idade. em decorrência de uma deficiência. os atenienses. macas. e ao conselho de Anciãos da cidade-Estado cabia a função examinar as crianças após o nascer. os exterminavam por considerá-los grave empecilho à sobrevivência do grupo. Já os escolhidos. veículos adaptados. gregos e romanos . coletes. inclusão.[6] A Bíblia contém registros de tratamento discriminatório às pessoas portadoras de qualquer tipo de deficiência. o trato dos portadores de deficiência teve dois aspectos: 1) ou. enviados para o campo. as pessoas com deficiência. . móveis.6 milhões de pessoas com deficiência (visual. auditiva. próteses.tais como os hebreus. criação do Código Braille por Louis Braille para deficientes visuais. ou (2) os protegiam e sustentavam para buscar a simpatia dos deuses. já dados do Censo de 2000 afirmam que no Brasil há cerca de 24. em suas capacidades físicas. via de regra. Durante o período conhecido como Idade Média. bengalas.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA E SOCIAL DA POPULAÇÃO DEFICIENTE Para melhor entender a condição atual de exclusão em que se encontra a pessoa portadora de deficiência é importante atentar para a sua progressão histórica e social ao longo do tempo. física ou múltipla). completamente sozinhos. Nas civilizações clássicas . faz-se necessário o estudo dos deficientes. abismo de dois mil e quatrocentos metros de altitude.

o que Otto Marques da Silva chamou de nascimento da defesa dos direitos das minorias: “Na década de 60. E a partir de então.[10] Mesmo que já tivesse ratificado a Convenção 159 da OIT em 1991[11]. A égide do princípio é que "todos são iguais perante a lei.298/99[14]. Sena e Delgado relacionam o conceito de democracia contemporânea e inclusão social: “A sociedade democrática é – e tem de ser – uma sociedade includente. então. baseada na educação inclusiva. a Carta Magna de 1824 considerava as pessoas com deficiência como incapazes. a Guerra do Vietnã foi responsável por um número crescente de deficientes físicos. e cultural. em nenhum momento essa definição pressupõe que o ser incluído precisa ser igual ou semelhante aos demais aos quais se agregou. esporte. à estrutura e à dinâmica do sistema político. foi somente com a regulamentação da Lei 7. social. os deficientes conseguiram conquistar um espaço na Constituição de 1988. 93. essa incorporação tem de se materializar por meio de políticas públicas e normas jurídicas. assegurando-se a igualdade de oportunidades baseada no princípio de isonomia. 1. não só naquele país. Porém. os princípios de não discriminação e igualdade de oportunidades. na acessibilidade (logradouros públicos e privados. visando dar apoio e suporte ao portador de deficiência para a vida em comunidade.. Entretanto. na saúde e assistência social adequadas. pois é constituída de indivíduos diferentes entre si. pelo exercício e dinâmica de suas meras forças de mercado. logo. deve-se igualar os desiguais levando em conta suas diferenças. aproximando-o em condições e padrões na vida das demais pessoas”[8]. O legislador visou assegurar um direito fundamental ao indivíduo. transportes adaptados). 5º da Constituição Federal de 1988. Na lei brasileira.[9] Após enpreenderem uma longa batalha. todos eles com o sentido de algo ou alguém inserido entre outras coisas ou pessoas[15]. mas também nos EUA. o Brasil ainda não havia elaborado uma normativa hábil a preparar o portador de deficiência para a inclusão. até então em vigor. Reconheceu-se que a sociedade é caracterizada pela diversidade. em face de ser o capitalismo incapaz. lazer e cultura. na década de 60. No livro Dignidade Humana e Inclusão Social.213/91[12].2 CONCEITO DE INCLUSÃO De acordo com o Novo Dicionário da Língua Portuguesa Aurélio.No Século XX. Surgem então os movimentos de defesa dos direitos das minorias. A incorporação de todas as pessoas. poder e riqueza. independente de sua origem. A lei passou a ser o arranjo ideal para inserir o portador de deficiência na sociedade. mas também pela necessidade de propiciar uma atividade remunerada e uma vida social digna aos soldados mutilados. No plano da vida econômica e da vida social. que é o da igualdade entre os homens. as duas Guerras Mundiais impulsionaram o desenvolvimento que se chamou de reabilitação científica[7]. dez anos depois. sem distinção de qualquer natureza". o verbo incluir apresenta vários significados. não só pela carência de mão-de-obra surgida no período pós guerra. A Constituição de 1988 rompeu com o modelo assistencialista. O primeiro passo dado nesta direção foi o estabelecimento da reserva de vagas no art. da Lei nº 8. de avanços e recuos. Assim. inúmeras leis vieram estimular sua inclusão. baseados em conceitos amplos de inclusão social. . ainda que desempenhando papéis distintos. é nuclear à ideia e à prática da Democracia. que se concretizaram. Surgindo. de realizar semelhante processo inclusivo. em nosso ordenamento jurídico. não tinham direitos. no trabalho produtivo.853/89[13] e a instituição da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e o Decreto 3. inscrito no art. econômico.

quando ocorrem associações de duas ou mais deficiências. o deficiente se sente valorizado e aceito na sociedade em que vive. mental ou sensorial – teve diversas formas ao longo dos anos. adaptações. Nessa medida. lazer e trabalho). com necessidade de equipamentos. De acordo com a Lei n.213/91. justa e solidária. 5%. Trata-se de uma garantia no emprego e não uma forma de estabilidade. considera-se deficiência a perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica. idosos ou minorias raciais entre outras que não têm acesso a várias oportunidades. habilidades acadêmicas. bem como promover o bem estar de todos. concretizando. II – de 201 a 500. aquele cujo funcionamento intelectual é significativamente inferior à média. 4%. acarretando o comprometimento da função física. a lei exige a inclusão de deficientes no mercado de trabalho. Acrescente-se que a dispensa do empregado deficiente ou reabilitado. redução do campo visual ou ambas as situações. por já ter corrido tempo suficiente para a sua consolidação. observando proporção: I – de 100 a 200 empregados. meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida.[19] 1. idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. Em relação à questão trabalhista. Negar a alguém emprego ou trabalho. (3) o deficiente visual. Já a incapacidade. Em outras palavras. 8. 2%. raça.4 CONCEITO DE PESSOA COM DEFICIÊNCIA (PCD) Por que se adota o termo pessoa portadora de deficiência ou pessoa com deficiência? O nome usado para se referir às pessoas que tem algum tipo de limitação – física. é redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social. também dependendo do grau de deficiência. punível com reclusão de um a quatro anos e multa (art.298/99[22]. Esta última geralmente associada a pessoas de classe social mais baixa. utilização da comunidade. acometido de perda parcial ou total das possibilidades auditivas sonoras. saúde e segurança.3 CONCEITO DE PESSOA COM NECESSIDADE ESPECIAL (PNE) Segundo o artigo 3º do Decreto 3298 de dezembro de 1999[20]. cor. (1) o portador de alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano. sem preconceitos de origem. nível educacional mínimo.”[16] A Inclusão social sugere uma ação que combate a exclusão social. cuidado pessoal. constitui crime. (5) a deficiência múltipla. a ordem jurídica trabalhista de cada sociedade e de cada Estado pode cumprir. fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade dentro do padrão considerado normal para o ser humano.Na sociedade contemporânea a vasta maioria das pessoas vive de rendimentos propiciados por seu trabalho. conforme afirma Sassaki: . em boa medida. em seu artigo 93. sexo. O artigo 4º do referido decreto enumera as categorias em que se enquadram os portadores de deficiência física. (4) o deficiente mental. habilidades sociais. aquele que possui diminuição da acuidade visual. (2) o deficiente auditivo. conforme estabelece o artigo III do Decreto nº 3. somente pode ocorrer após a contratação de substituto de condição semelhante. II). 8º. portadoras de deficiência física e mental. a inclusão social visa oferecer aos mais necessitados oportunidades de participarem da distribuição de renda do País. dentro de um sistema que beneficie a todos e não somente uma camada da sociedade[17]. 3. IV – 1001 ou mais. 3%. IV da CF). estabelece cotas compulsórias de vagas a serem respeitadas pelas empresas do setor privado com mais de cem empregados. Dessa forma. se bem estruturada. sem justa causa e por motivo derivado de sua deficiência. III – de 501 a 1000. o qual regulamenta a lei 7853/1989[21]. a função decisiva de realizar social e economicamente a democracia. seu objetivo de permanente inclusão das correspondentes populações.[18] Um dos objetivos fundamentais da República Federativa é construir uma sociedade livre. A deficiência permanente é aquela que não permite recuperação ou alteração apesar do aparecimento de novos tratamentos. sendo esta manifestação presente desde antes dos dezoito anos de idade e associada a limitações em duas ou mais áreas de habilidades adaptativas (comunicação.[23] 1.

. Paraparesia – perda parcial das funções motoras dos membros inferiores. que se aplica na legislação ordinária. de 8 de outubro de 2001. a pessoa tenha dificuldades de inserção social. até que a Constituição de 1988.1. mental. Hemiparesia – perda parcial das funções motoras de um hemisfério do corpo (direito ou esquerdo). Monoparesia . Tetraparesia – perda parcial das funções motoras dos membros inferiores e superiores. seguem-se algumas definições: Amputação – perda total ou parcial de um determinado membro ou segmento de membro. Ambas conceituam deficiência. amputação ou ausência de membro. Para melhor entendimento.]. “incapazes”.5 TIPOS DE DEFICIÊNCIA De acordo como o Artigo 4º do Decreto nº 3.[25] 1. que são a Convenção nº 159/83 da OIT e a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Pessoas Portadoras de Deficiência. paraparesia. Deficiência Física A deficiência física caracteriza-se pela alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano. paralisia cerebral. . tetraplegia. Ostomia – intervenção cirúrgica que cria um ostoma (abertura. (2) deficiência auditiva. Triplegia – perda total das funções motoras em três membros.[26] é considerada pessoa com deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: (1) deficiência física. o que tem sido motivo para que se use.5.[. tetraparesia.956. 1. que foi promulgada pelo Decreto nº 3. Monoplegia – perda total das funções motoras de um só membro (inferior ou superior). visto que as deficiências não se portam.. Triparesia – perda parcial das funções motoras em três membros. hoje. [.“Utilizavam-se expressões como “inválidos”. apresentando-se sob a forma de paraplegia. hemiparesia. em razão dessa incapacitação. acarretando o comprometimento da função física. Todas elas demonstram uma transformação de tratamento que vai da invalidez e incapacidade à tentativa de nominar a característica peculiar da pessoa. a forma “pessoa com deficiência”[24] No Brasil há duas normas internacionais devidamente ratificadas. estão com a pessoa ou na pessoa. incorporou a expressão “pessoa portadora de deficiência”. também conhecida como Convenção da Guatemala. para fins de proteção legal. sem estigmatizá-la. exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções[27]. hemiplegia. monoplegia. (4) deficiência mental e (5) deficiência múltipla. que incapacite a pessoa para o exercício de atividades normais da vida e que. “excepcionais” e “pessoas deficientes”. triparesia. o que lhes confere status de leis nacionais.perda parcial das funções motoras de um só membro (inferior ou superior). Hemiplegia – perda total das funções motoras de um hemisfério do corpo (direito ou esquerdo). (3) deficiência visual. como uma limitação física.] Igualmente se abandona a expressão “pessoa portadora de deficiência” com uma concordância em nível internacional. sensorial ou múltipla.298. também. Paraplegia – perda total das funções motoras dos membros inferiores. Adotase. a expressão “pessoas com necessidades especiais” ou “pessoa especial”. triplegia. membros com deformidade congênita ou adquirida.. monoparesia. ostio) na parede abdominal para adaptação de bolsa de fezes e/ou urina. de 20 de dezembro de 1999. por influência do Movimento Internacional de Pessoas com Deficiência.. Tetraplegia – perda total das funções motoras dos membros inferiores e superiores. mais recentemente.

de 25 a 40 decibéis (db). Ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores.5 Deficiência Múltipla A deficiencia multipla. (3) surdez acentuada . é caracterizada pela associação de duas ou mais deficiências. 2.298/99. e.05 no melhor olho. com manifestação antes dos 18 anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas. a inclusão das pessoas com baixa visão a partir da edição do Decreto nº 5. g) lazer. e) saúde e segurança. ou ocorrência simultânea de ambas as situações[29].de 71 a 90 db. com a melhor correção óptica. 1. tendo como conseqüência alterações psicomotoras. (5) surdez profunda .Paralisia Cerebral – lesão de uma ou mais áreas do sistema nervoso central. variando de graus e níveis na seguinte forma: (1) surdez leve . 1. f) habilidades acadêmicas. percepção das cores e intolerância à luminosidade.05 no melhor olho.3 Deficiência Visual É definida pela acuidade visual igual ou menor que 20/200 no melhor olho. por sua vez. dependendo da patologia causadora da perda visual.de 56 a 70 db. Nanismo – deficiência acentuada no crescimento.296/04[30]. e h) trabalho. tais como: a) comunicação. Cegueira – na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0. mesmo usando óculos comuns. As pessoas com baixa visão são aquelas que. ou implantes de lentes intra-oculares. anacusia – ausência de audição[28].5. não conseguem ter uma visão nítida.6 A COMPROVAÇÃO DA DEFICIÊNCIA . com a melhor correção óptica. Baixa Visão – significa acuidade visual entre 0. Ressalta-se. As pessoas com baixa visão podem ter sensibilidade ao contraste.3 e 0.de 41 a 55 db. ainda.5. ou campo visual inferior a 20º (tabela de Snellen). podendo ou não causar deficiência mental. conceitua-se como deficiência mental o funcionamento intelectual significativamente inferior à média.296/04[31]. 1. 1.acima de 91 db.4 Deficiência Mental De acordo com o Decreto nº 3. após a melhor correção.2 Deficiência Auditiva É caracterizada pela perda parcial ou total das possibilidades auditivas sonoras.5. c) habilidades sociais. alterado pelo Decreto nº 5. Podendo ainda ser distinguida como: 1. lentes de contato. Os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60°.5. b) cuidado pessoal. (4) surdez severa . 1. d) utilização dos recursos da comunidade. (2) surdez moderada . por último.

7% do total de vínculos empregatícios – percebe-se que foi mantido esse peso relativo de trabalhadores com deficiência. art. 288.Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego[32] a condição de pessoa com deficiência pode ser comprovada de duas formas. ela tem dignidade. deverá especificar o tipo de deficiência e ter autorização expressa do empregado para utilização do mesmo pela empresa. implicando.”[34] Sarlet nos afirma que Kant constrói sua concepção de dignidade da pessoa humana a partir da natureza racional do ser humano. de acordo com as definições estabelecidas na Convenção nº 159 da OIT. O laudo médico pode ser emitido por médico do trabalho da empresa ou outro médico. Decreto nº 3.6 mil foram declarados como pessoas com deficiência. Em 2010. . 2 O DEFICIENTE FÍSICO E O MERCADO DE TRABALHO A inclusão do portador de deficiência no mercado de trabalho vem crescendo constantemente. um complexo de direitos e deveres fundamentais que assegurem a pessoa tanto contra todo e qualquer ato de cunho degradante e desumano. um limite inclusive para os atores estatais. 1. quebra de preconceitos. em 2009. de tal sorte a assegurar o papel do ser humano como sujeito de direitos[37]. depois de concluído o processo de reabilitação profissional. mas quando uma coisa está acima de todo o preço. Este laudo. neste sentido. constituindo-se no fundamento da dignidade da natureza humana. atestando enquadramento legal do empregado para integrar a cota. o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) emite este certificado indicando a atividade para qual o trabalhador foi capacitado profissionalmente[33].0 mil foram declarados como pessoas com deficiência.296/04. por exemplo. Parte I. do total de 41. além de propiciar e promover sua participação ativa e co-responsável nos destinos da própria existência e da vida em comunhão com os demais seres humanos. dos 44.”[36]. Porém.7 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Ingo Wolfgang Sarlet define dignidade da pessoa humana como: “a qualidade intrínseca e distintiva reconhecida em cada ser humano que o faz merecedor do mesmo respeito e consideração por parte do Estado e da comunidade. 70 do Decreto nº 5.1 milhões de vínculos ativos em 31 de dezembro desse ano. a individualidade e autonomia da pessoa contra qualquer tipo de interferência por parte do Estado e de terceiros. “no reino dos fins tudo tem ou um preço ou uma dignidade. representando 0. 1. Protegendo. ainda é preciso progredir ainda mais em aspectos tais como da cultura corporativa[39].298/99. como venham a lhe garantir as condições existenciais mínimas para uma vida saudável. isto é. 306. por meio de laudo médico ou por meio Certificado de Reabilitação Profissional. constituem uma das principais exigências da dignidade da pessoa humana. pode pôr-se em vez dela qualquer outra como equivalente. segundo dados do Ministério do Trabalho e do Emprego[38] (MTE). Portanto. a dignidade da pessoa humana constitui uma barreira absoluta e instransponível. representando 0. O Certificado de Reabilitação Profissional. compreendida como a capacidade de determinar a si mesmo e agir em conformidade com a representação de certas leis. mediante o devido respeito aos demais seres que integram a rede da vida.[35] Ainda segundo Kant. O reconhecimento e a garantia de direitos de liberdade . tornando pública a sua condição. Quando uma coisa tem preço. 3º e 4º. como o da baixa produtividade do trabalho deste tipo de profissional. é um atributo apenas encontrado nos seres racionais. arts. por sua vez.2 milhões de vínculos de emprego ativos em 31 de dezembro.7% do total de vínculos empregatícios. assim. representando um aumento de 6% no número de deficientes físicos com empregos formais. O autor sinaliza que a autonomia da vontade. e portanto não permite equivalente. com as alterações dadas pelo art. por sua vez. afirmando a qualidade peculiar e insubstituível da pessoa humana.e dos direitos fundamentais de um modo geral .

O seu estudo procura perceber e prever os fenômenos de interação entre estes dois grupos tendo em conta a situação econômica e social do país. matérias-primas.lei da oferta . a igualdade e liberdade afiguram-se como efetivamente existentes. que tem em vista o lucro. O termo capital geralmente tem diferentes significados. isto é. Pode-se dizer que quando existe a formação de excesso de profissionais – oferta de trabalhadores . como mercado de trabalho e sua dinâmica. que podem substituir a mão de obra[43]. para avançar nesta discussão é necessário definir alguns conceitos. ou seja. se a procura se mantiver a mesma. O uso do capital na produção introduz a divisão do trabalho. não há um equilíbrio entre a oferta e a procura – a oferta é maior do que a procura ocorre o que se chama. além de se basear nas diferenças individuais de aptidões. capaz de reproduzir bens e serviços.e falta de procura desses profissionais – demanda por trabalhadores -. qualquer diferença peculiar em aptidões e recursos. o trabalho. estes recebem um salário em troca de sua força de trabalho[45]. o qual pode estar associado ao aumento no número de máquinas. No entanto. relaciona aqueles que procuram emprego e aqueles que oferecem emprego num sistema típico de mercado como visto acima. sobre as quais se baseiam os padrões modernos de vida. maior será o preço do bem ou serviço. Todavia. 2. não seriam exeqüíveis se a produção ainda se processasse individualmente ou por núcleos familiares. já a segunda – a lei da oferta .1 O MERCADO DE TRABALHO As relações econômicas do sistema de mercado capitalista são regidas. Situação na qual existem insuficientes postos de trabalho para absorver os profissionais. a dificuldades práticas das firmas na contratação e as questões relativas ao setor de recursos humanos. A primeira . no caso. cria e acentua essas diferenças. de saturação de mercado. O modo de produção que caracteriza a sociedade atual é o modo de produção capitalista[44]. tais como máquinas. uma vez que no . Outro desequilíbrio entre oferta e procura no mercado de trabalho é quando a oferta de postos de trabalho é maior do que a procura por trabalho por parte dos trabalhadores. Conforme Paulani[46]. Pois a especialização. os bens de produção ou de capital. a indústria progride e inova rapidamente e o mercado de trabalho não consegue suprir as novas vagas geradas. O modo de produção vigente recebe o nome de capitalismo. As economias de produção em massa. terras. A produção massificada deve-se principalmente a divisão do trabalho. o perfil dos trabalhadores portadores de deficiência. região ou cidade. porque esse capital é essencialmente propriedade privada de alguém: o capitalista. basicamente. com a máxima vantagem.sendo caracterizada pelo seguinte mecanismo: quanto maior a oferta de um bem ou serviço. Esta é uma situação que ocorre quando. O mercado de trabalho. também há os desajustes entre a oferta e a quantidade que caracterizam todos os tipos mercados.entre outros.[41] Em relação ao mercado de trabalho. à especialização de funções que permite a cada pessoa usar. segundo Blanchard[42] (2006). inclusive na linguagem comum é entendido como certa soma de dinheiro. O mecanismo de ajuste dos preços em função da oferta e da demanda se dá no mercado[40]. A diminuição da procura por profissionais com dada qualificação que estão sendo substituídos pela demanda de outra profissão ou qualificação em que ainda não há oferta suficiente acaba também gerando desemprego. como demonstra Marx. por exemplo. o conceito de capital aqui utilizado é o conjunto (estoque) de bens econômicos heterogêneos. mantida a oferta constante. É pela propriedade dos meios de produção que o capitalista se apropria de parte da renda gerada nas atividades econômicas.diz que: quanto maior for à procura por determinado bem ou serviço. o qual pode ser caracterizado por um sistema de organização econômica baseado na propriedade privada dos meios de produção. pela lei da oferta e a lei da procura. onde se negocia para determinar os preços e quantidades de um bem. instrumentos. Podendo ser definido como um sistema econômico e social baseado na propriedade privada dos meios de produção. do qual os trabalhadores não participam. no plano das relações materiais essas diferenças parecem inexistir. fábricas. além de contribuir para aumentar a produtividade do trabalho. por sua vez. menor será o preço desse bem ou serviço.

1 milhões de vínculos ativos em 31 de dezembro desse ano. De um lado. em determinadas circunstancias. no ordenamento jurídico. faz-se necessário o estudo dos diversos segmentos de indivíduos que o compõe. muitas empresas ainda encontram dificuldades na sua implantação. mesmo que este algo seja uma mercadoria que.mundo das trocas e do mercado. a .2 milhões de vínculos de emprego ativos em 31 de dezembro. mas não pode abrir mão de seu autocentramento. a seguir analisam-se as relações de trabalho dando ênfase no deficiente. em princípio.7% do total de vínculos empregatícios – percebe-se que foi mantido esse peso relativo de trabalhadores com deficiência. mas não se sente organicamente a ela ligado. no Brasil há cerca de 24. O personagem principal dessa sociedade é evidentemente o indivíduo. Em 2010. Ele precisa dela para seus fins particulares. 288. de atração e repulsa.6 mil foram declarados como pessoas com deficiência. podemos depreender. cerca de 15% da população brasileira. dos quais cerca de 390 milhões (63. a propriedade se mostra uma instituição efetivamente universal. Dada as relações sociais que se dão no mercado de trabalho. representando 0. Foi somente com a regulamentação da Lei 7.0 mil foram declarados como pessoas com deficiência. auditiva. é uma relação contraditória. que o “Estado democrático” é proposto para "assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais. e seu funcionamento dentro da nova engrenagem é caracterizado por um duplo posicionamento. Conforme dados do Censo de 2000.2 A SITUAÇÃO DO DEFICIENTE FÍSICO INSERIDO NO MERCADO DE TRABALHO A inclusão do portador de deficiência no mercado de trabalho vem crescendo constantemente.853/89. como força de trabalho. pela própria complexidade da nova ordem social que ele protagoniza sua relação com seu outro. Sua participação na sociedade é apenas formal: ele faz parte dela. a prática da inclusão social[50] teve seu início tardiamente no Brasil. 2. Em 2009. que é a sociedade. representando um aumento de 6% no número de deficientes físicos com empregos formais. de necessidade e indiferença. conforme dados do Ministério do Trabalho e do Emprego[48] (MTE). 610 milhões de indivíduos com deficiência. a liberdade. 306. Da mesma forma.298/99 e a Lei de Cotas que se concretizaram. de necessidade e repulsa. física ou múltipla). da instituição da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – Decreto 3.7% do total de vínculos empregatícios. os princípios de não discriminação e igualdade de oportunidades. baseados em conceitos amplos de inclusão social e. todos possuem algo de seu para vender. visto que. A despeito destes números e estatísticas. todos são igualmente donos de mercadorias e livres para efetuar ou não as trocas possíveis. do total de 41. por isso. É determinado por ela. Analisando o preâmbulo do texto constitucional brasileiro. no mundo hoje. pode não ser desejada por ninguém. mas a forma dessa determinação o faz cultivar a sensação contrária da pura e total autodeterminação[47]. representando 0.3%) fazem parte da população economicamente ativa[49]. dos 44.6 milhões de pessoas com deficiência (visual. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) há.

Ao possuir a prerrogativa de assegurar um rol de direitos fundamentais.965 empresas cumpriam a cota. como um conjunto de estratégias políticas. a sua aplicação torna-se essencial e determinante uma vez que “Não se pode interpretar o princípio da igualdade como um princípio estático. garante a justiça social como um mecanismo corretor das desigualdades – possibilitando aos indivíduos o direito da igualdade não apenas como possibilidade formal. A lei de cotas[58]. um acréscimo equivalente a 150%. J. Conforme a Relação Anual de Informações Sociais[62] de 2008. o . principalmente. grupos sociais excluídos. a idéia de democracia contém e implica. L. L. que permeava o discurso dos textos constitucionais anteriores[52].. em 2004 havia 14.]. Segundo Canotillo[53] o postulado substancial da igualdade é um dos elementos fundamentais para a realização plena da democracia econômica e social. o mesmo aconteceu com as empresas. em última análise. E mais. indiferente à eliminação das desigualdades. o desenvolvimento. onde deve predominar o interesse da maioria. mediante tratamento preferencial daqueles que historicamente têm sido os perdedores da disputa pelos bens escassos de nossa sociedade. devido ao preconceito que sofrem. A organização Democrática da Sociedade.782. Sendo assim. também sobre a ordem jurídica. como também a do Estado Social de Direito”[57]. e MORAIS. característica da doutrina liberal dos séculos XVII e XVIII. a uma adaptação melhorada das condições sociais de existência”[55]. o bem-estar. L. empenhando-se na defesa e garantia da liberdade.segurança. encontram-se em posição de desvantagem na disputa pelas oportunidades sociais. por meio dos direitos fundamentais. pode representar uma ação afirmativa assumida pelo poder público e pela sociedade civil. da justiça e da solidariedade. Segundo esse estudo. Por tipo de deficiência. em 2004 1. Como indicam os dados da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN)[61] extraídos da Delegacia Regional do Trabalho do Estado de São Paulo. e o princípio da democracia econômica como um princípio dinâmico. assegurando ao homem uma autonomia face aos poderes públicos.”[54] Segundo STRECK.2 mil trabalhadores portadores de necessidades especiais estão ativos no mercado de trabalho no Brasil. de[56]. o seu teor vai além do seu aspecto material de concretização de uma dignidade do homem e começa a atuar simbolicamente como incentivo a participação pública quando o democrático adjetiva o Estado. tem um conteúdo transformador da realidade. B. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. como o Estado Social de Direito. o que estende os valores democráticos sobre todos os seus elementos constitutivos do Estado e. em 2005 esse indicador aumentou para 35. promover a igualdade de oportunidades sociais. pluralista e sem preconceitos"[51]. assim. Assim. por conseguinte. Ou por outro prisma. a aparente redução das disparidades econômicas e sociais à unidade formal do sistema legal. J. que o liberalismo e a democracia se misturam. de “o Estado Democrático de Direito. a questão da solução do problema das condições materiais de existência beneficiando.239 deficientes empregados.004 corporações. Portanto. em 2005 eram 4. possibilitando. L. cuja finalidade é. o texto preambular representa um robusto conteúdo determinador da interpretação constitucional. Por fim. Entendo a ação afirmativa conforme SELL[59] a caracteriza. principalmente através de Constituição. por exemplo. e MORAIS. por conseguinte. necessariamente. como é postulado como um princípio do Estado Democrático de Direito por STRECK. e também por intermédio do respeito a dignidade da pessoa humana. a doutrina moderna afirma que o Estado não pode mais tomar para si a mesma postura neutra. L. não se restringindo. B. A igualdade material postulada pelo princípio da igualdade é também a igualdade real veiculada pelo princípio da democracia econômica e social. impositivo de uma igualdade material [. um aumento de cerca de 100%. todavia. 323. é com ideia de Estado de Direito. Sem discutir sua força normativa. isto é.. são políticas de discriminação positiva dispensada aos segmentos populacionais que. o Estado Democrático de Direito possuiria a qualidade fundamental de extrapolar “não só a formulação do estado Liberal de Direito. Os percentuais estabelecidos pelo Decreto 3298[60] possibilitaram e ainda hoje possibilita a transformação do panorama da inclusão econômica das pessoas com deficiência física. garante um sistema de direitos fundamentais individuais e coletivos. L. também como articulação de uma sociedade justa.

habitação e reabilitação.47 para os homens e de R$ 994.61% visuais.476.09%.24% dos trabalhadores com deficiência.via de regra.33%. Entre os deficientes físicos. o primeiro que advoga que o tratamento jurídico é suficiente para sanar esta questão. Os dados do Relatório do Ministério do Trabalho e Emprego de 2008 mostram ainda que a remuneração média dos trabalhadores deficientes é de R$ 1.37% e os portadores de deficiências múltiplas. com 67.65% auditivos. o percentual médio de participação masculina é de 61. e os visuais. Percebe-se que a maior diferença entre os rendimentos recebidos por homens e por mulheres ocorreu nos vínculos declarados como portadores de deficiência auditiva (64.86%.. seguida dos deficientes múltiplos (40.29%). Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (TEM) "Esse rendimento mais alto dos deficientes se dá por conta de remunerações mais elevadas em todos os graus de escolaridade. superior à média dos rendimentos do total de vínculos formais (R$1.66). os homens têm a maior incidência em todos os tipos de trabalhadores com deficiência. mas por não haver uma integração eficiente desses três pontos (qualificação profissional. Ministério do Trabalho e Emprego[63]. 66. mas sim de remoção das barreiras que impedem a sua inserção no mercado de trabalho.494. 24.46% múltiplos. Os portadores de deficiência não necessitam de medidas preferenciais. Fonte: Relação Anual de Informações Sociais de 2008.[65] .78% dos deficientes com vínculo trabalhista. expressa pelos rendimentos de R$ 1.] a verdade parece estar na combinação dos dois argumentos. Na situação de Reabilitados foram declarados 11. No emprego de medidas que tenham como objetivo incluir os portadores de deficiência pode-se identificar dois grupos. para as mulheres. com participação de cerca de 65%.88% mentais e 70. e de R$ 1.48%). 1.717. comparativamente aos outros trabalhadores"[64].. e um segundo grupo que defendem o tratamento econômico. cuja média é de R$ 2.levantamento da RAIS 2008 demonstra que os deficientes físicos representam 55.162. A seguir estão os deficientes auditivos. Os deficientes mentais representam 3. 73. decorrente dos rendimentos de R$ 2. como: camelôs distribuidores de propaganda nos semáforos etc. estímulos financeiros) no Brasil.48 pelas mulheres. Para Romita: “[. uma grande parte dos portadores de deficiência são pedintes de rua e trabalham na economia informal.507. estando. com 3.65%. Segundo a Relação Anual de Informações sociais de 2008 do Ministério do Trabalho e Emprego.78. Vencer as barreiras físicas e o preconceito são condições prévias e indispensáveis para fazer com que os profissionais portadores de deficiência física possam exercer suas funções com equiparação de oportunidades.. Esse comportamento pode ser devido à forte influência da remuneração dos deficientes auditivos.397.64 recebidos pelos homens. único valor acima da média de rendimentos entre todos os tipos de deficiência. fora do mercado formal de trabalho e sem a proteção do sistema de seguridade social”.

Esse dado é grave e ajuda a dificultar. a inclusão deste grupo social no mercado de trabalho que atualmente preceitua um alto nível de exigência no que diz respeito à qualificação profissional. assim como proporcionar ao portador de deficiência qualificação e incorporação no mercado de trabalho"[68]. II. em caráter permanente. 3 O DEFICIENTE FÍSICO E A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA O conceito de pessoa portadora de deficiência que guiou a escolha das normas aqui presentes é o mesmo adotado pela própria legislação. tem como uma de suas diretrizes (art. Estados. ainda mais. De acordo com levantamento realizado pela Febraban. 8. Estas se dão por meio de ações civis públicas que poderão ser propostas pelo Ministério Público. 2º. 5º. É considerada. para ter um conhecimento mais abrangente em relação às leis trabalhistas direcionadas à população em estudo. "promover medidas que visem à criação de empregos que privilegiem atividades econômicas de absorção de mão-de-obra de pessoas portadoras de deficiência. que gere incapacidade para o desempenho de atividades dentro do padrão considerado normal para o ser humano[71]. decorrentes da Constituição e das leis. várias leis foram criadas visando à inclusão dos cidadãos com deficiência. de modo a assegurar a plena integração da pessoa portadora de deficiência no contexto socioeconômico e cultural. Entre esses fatores. a política Nacional para integração de pessoas portadoras de deficiência no mercado de trabalho e na sociedade em geral é disciplinada pelo Decreto n. II e III). União. § 2º. O Decreto nº 914/93. portadora de deficiência a pessoa que apresenta. 3º). deve ser minimizado por meio da execução de políticas afirmativas e. visual. fundação ou sociedade de economia mista que inclua.1 MOTIVOS PARA A PROTEÇÃO SOCIAL DOS DEFICIENTES . social e econômico. Lei n. b) estabelecimento de mecanismos e instrumentos legais e operacionais que assegurem às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos que. sobretudo. fisiológica ou anatômica. observando os seguintes princípios: a) desenvolvimento de ação conjunta do Estado e da sociedade civil.298/99 do Poder Executivo Federal[69]. a proteção de pessoa portadora de deficiência (art. por associações constituídas há mais de um ano. o principal é a educação. empresa pública.Além de uma legislação específica que incentive a inclusão desse estrato social. o qual instituiu a Política Nacional para a Integração da Pessoa portadora de Deficiência. resumidamente. 5º. historicamente imposto às pessoas com deficiência. 1º). No âmbito da União. c) respeito às pessoas portadoras de deficiência. I. mental. perda ou anormalidade de sua estrutura ou função psicológica. que devem receber igualdade de oportunidades na sociedade por reconhecimento dos direitos que lhes são assegurados. é assegurado o direito da pessoa portadora de deficiência se inscrever em concurso público para provimento de cargos cujas atribuições lhe sejam compatíveis e reservado até 20% das vagas oferecidas no concurso (art. para as instituições e empresas com vistas a contratar tal público é necessário investir em programas de capacitação e/ou tornar-se menos rígidas em relação ao grau de instrução destes. é importante destacar outros fatores importantes para que a inclusão do deficiente físico no mercado de trabalho efetivamente ocorra. Atualmente.853/89[67] prevê a adoção de legislação específica que discipline reserva de mercado de trabalho aos portadores de deficiência física (art. 5º). pela conscientização acerca das potencialidades desses indivíduos. por autarquia. propiciam o seu bem-estar pessoal. selecionou-se as leis mais significativas para a inclusão do deficiente na sociedade brasileira. auditiva. Este decreto compreende o conjunto de orientações normativas que objetivam assegurar o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiência (art. 3. A pessoa nessa condição é normalmente classificada em uma das seguintes categorias de deficiências reconhecidas pela legislação[72]: física. O processo de exclusão.112/90)[70]. 3. entre suas finalidades institucionais. Por conseguinte. Municípios e Distrito Federal. múltipla. A Lei nº 7. aproximadamente 80% da população com deficiência possui até 7 anos de estudos[66]. Como foi dito anteriormente. sem privilégios ou paternalismos (art. d) e a proteção dos seus interesses coletivos ou difusos.

2 A Lei 7.2. em complementação quanto aos procedimentos sobre a fiscalização do trabalho. devem primar pelo respeito ao princípio constitucional do valor social do trabalho e da livre iniciativa. Todos são igualitariamente responsáveis pela efetiva compensação de que se cuida. A acessibilidade está contemplada na Constituição Federal em dois artigos: . As empresas. justa e solidária ( conf.. a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência. II e III). Segundo o Ministério do Trabalho: “A obrigação. Lei nº 8. verificou-se nitidamente que a maioria pode ser opressiva. elas não foram suficientes[73]. E. Os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais estão assegurados no art. “A administração pública direta. há que se exigir do Estado a construção de uma sociedade livre. não se esgota nas ações do Estado.298/1999. de trabalhar e de estudar é o ponto de partida da inclusão de qualquer cidadão. suas necessidades e peculiaridades. “A lei disporá sobre a adaptação dos logradouros. as minorias. 3. dos edifícios de uso público e dos veículos de transporte coletivo atualmente existentes..a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão” (art. § 2º. por sua vez. sem preconceitos de origem. conforme disposto no artigo 227. 7º.”[76] 3.853/1989. a partir da Revolução Francesa de 1789.853/1989 . também. a Instrução Normativa nº 20/2001 do Ministério do Trabalho e Emprego. 3º. sem distinção de qualquer natureza” e garante o direito de ir e vir dos cidadãos (inciso XV). foi apenas após a Segunda Guerra Mundial que a afirmação da cidadania se completou. indireta ou fundacional. o fundamento primeiro das políticas em favor de quaisquer minorias[74]. inserido no contexto de ação afirmativa que busca a igualdade ou equiparação de oportunidades para um grupo em relação ao contexto social mais amplo.227. Esse artigo traduz um mecanismo compensatório. cor. define a competência da União. que proíbe qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador com deficiência. de qualquer dos poderes da União. ao seguinte: . sobretudo.” . raça. impessoalidade. Estados e Distrito Federal para legislar concorrentemente. Constituição Federal). XIV. obedecerá aos princípios de legalidade. a ponto de conduzir legitimamente ao poder o nazismo ou fascismo. uma vez que se constatou que a simples declaração formal das liberdades nos documentos e nas legislações era pouco eficiente face à grande exclusão econômica da maioria da população.Ainda que as conquistas. publicidade e. 24. 3º. art. do Distrito Federal e dos Municípios. “A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo. o direito de ir e vir. a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência.2.2 LEGISLAÇÃO BRASILEIRA PARA O DEFICIENTE A reserva de cargos para pessoas com deficiência aparece em vários dispositivos legais. dos Estados. Em outras palavras. percebeu-se a necessidade de valorizar a vontade da maioria. Lei nº 7. considerando um de seus objetivos primordiais a promoção do bem de todos.213/1991 da Previdência Social (Lei de Cotas) e disciplinada pelo Decreto nº 3. XXXI. 244.art. através de políticas públicas compensatórias e eficazes[75]. Quanto às pessoas com deficiência.1º. sexo. para que se efetive em face das pessoas com deficiência. no entanto. Dispõe no art. para que se implementem a cidadania. VIII). idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. § 2º. tais como Constituição Federal de 1988. moralidade.” 3. sobre a proteção e integração das pessoas com deficiência. tenham possibilitado a consolidação do conceito de cidadania.1 Constituição Federal de 1988 A Constituição Federal de 1988 acolheu como fundamentos da República brasileira a cidadania e a dignidade da pessoa humana (art. Sendo este. e. respeitando-se.37. No entanto. conforme o Ministério do Trabalho.art. 5º que “todos são iguais perante a lei. IV). O art.

as competências da CORDE. Esta lei estabelece cotas de contratação para empresas privadas com mais de cem funcionários. 3.00 para cada funcionário não contratado. Na área da formação profissional e do trabalho.213/1991) Em 24 de julho de 1991 entrou em vigor. disciplina a atuação do Ministério Público e define crimes cometidos contra as pessoas com deficiência. espaços e equipamentos urbanos. deficiência permanente e incapacidade. algumas questões se destacam: . Por tratar dos benefícios da Previdência Social. ela obriga toda empresa a ter em seu quadro de funcionários 2% portadores de necessidades especiais quando atingir o número de 100 empregados. dispõe sobre a Política Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência na sociedade. sanitários. edifícios até o detalhamento de como deve ser o ambiente de trabalho para acolher todos os trabalhadores com deficiência ou não. além disso. as rampas de acesso com até 8% de inclinação.3 A Lei de Cotas (Lei 8. Por outro lado. 31). esta lei propõe a adoção de legislação específica que discipline a reserva de mercado de trabalho para as pessoas com deficiência nas entidades da administração pública e do setor privado. institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas e. largura das portas e áreas de circulação adequadas para cadeiras de rodas. Em seu art. De fundamental importância para os trabalhadores reabilitados e pessoas com deficiência. a Lei 8. e. houve questionamentos sobre a quem caberia a competência da fiscalização do seu cumprimento. muito se avançou e isso é inegável. vestiários e bebedouros. aliás. desde a entrada nas empresas. que versa sobre: Acessibilidade a edificações.A primeira é a necessidade de se fazer uma lei para que pessoas com necessidades especiais possam mostrar suas capacidades. Também conhecida como Lei de Cotas. sinalização tátil. .105.853/1989[77] estabelece normas gerais dos direitos das pessoas com deficiência. mobiliário. a empresa será multada em R$ 1. Esta lei foi criada com o objetivo de fomentar a oportunidade de trabalho para os deficientes. essa lei é considerada o principal mecanismo de inserção no mercado de trabalho.213/91 define as regras das cotas para deficientes no mercado de trabalho. adquira nível suficiente de desenvolvimento profissional para ingresso e reingresso no mercado de trabalho e participe da vida comunitária (art.A Lei 7. São exemplos das disposições da NBR 9050/2004: a vaga reservada com o símbolo internacional de acessibilidade na entrada das empresas. encontramse normatizados. uma lei que define o que empresas privadas e públicas devem fazer em relação ao espaço que se deve reservar aos deficientes.298. 3º traz os conceitos de deficiência. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) elaborou em 2004 a segunda edição da Norma Brasileira NBR 9050. há regras. Assim. em nível nacional. sem especificar o percentual de vagas. as normas de funcionalidade das edificações e vias públicas. 3% de 201 a 500.853/89. A Lei nº 8. competências e habilidades. por meio da Secretaria Especial de Direitos Humanos – Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE)–. visual e auditiva. No caso de descumprimento. A habilitação e a reabilitação profissionais são consideradas enquanto processo orientado a possibilitar que a pessoa com deficiência.213[79]. De 1991 para cá. ou seja. O Decreto 3298 de 20 de dezembro de1999 regulamenta a lei 7. tipos de piso. 4% de 501 a 1000 e a partir daí 5%. dentre outros. sendo que a questão só foi disciplinada com a edição do Decreto nº 3. pela primeira vez. a partir da identificação de suas potencialidades laborativas. Traz a conceituação de deficiência e fixa os parâmetros de avaliação de todos os tipos de deficiência. O Decreto dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e consolida normas de proteção. a NBR 9050[78].2. às competências dos órgãos da administração pública em relação às pessoas com deficiência. dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social. Assim. porém. adequação de mobiliários.

470[81].213/1991. Extinta a relação trabalhista e. Em resumo. apenas e tão somente para o cumprimento das cotas e não porque são pessoas com capacidades e habilidades como outro ser humano qualquer. edifícios. A contratação de pessoa com deficiência como aprendiz não acarreta a suspensão do benefício de prestação continuada.A segunda é que as empresas preferem contratar deficientes físicos. e trata da acessibilidade ao meio físico. avaliar e controlar as empresas no que diz respeito à inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. A referida Lei traz alterações substanciais nas regras do Benefício da Prestação Continuada e da Pensão para as pessoas com deficiência. bem como estabelece a competência do MTE para fiscalizar.2. Um novo momento da Lei de Cotas se inaugurou. à comunicação e informação e ajudas técnicas Já a Lei 10. limitado a dois anos o recebimento concomitante da remuneração e do benefício.048 de 08 de novembro de 2000[82] dá prioridade de atendimento às pessoas com deficiência em repartições públicas e bancos. a qual contempla demandas antigas do movimento das pessoas com deficiência. Esta lei trata do atendimento prioritário às pessoas portadoras de deficiência. 93. Em 31 de agosto de 2011. a partir da identificação de suas potencialidades laborativas. Com essas mudanças passa-se a haver de fato incentivo ao trabalho das pessoas. de 26 de janeiro de 2001[83] determina que o auditor fiscal do trabalho verificará.”[80] As três modalidades de inserção laboral estão definidas no art. se as empresas estão cumprindo a cota. que disciplina a Lei nº 8. encerrado o prazo de pagamento do seguro desemprego. 35 como sendo a colocação competitiva. quando for o caso. Essa Lei estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. abaixo transcrito: “A habilitação e a reabilitação profissionais são consideradas enquanto processo orientado a possibilitar que a pessoa com deficiência. às gestantes. colocação seletiva e o trabalho por conta própria. determina que a empresa com 100 ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% a 5% de seus cargos com beneficiários da Previdência Social reabilitados ou com pessoa portadora de deficiência habilitada. A Instrução Normativa n° 20. será reduzida em 30% (trinta por cento).. . Todos os países conscientes e civilizados se preocupam com a situação das pessoas com deficiência. 31). da acessibilidade nos meios de transporte. O benefício de prestação continuada será suspenso quando a pessoa com deficiência exercer atividade remunerada. meios de transporte e comunicação.098 de 19 de dezembro de 2000 estabelece as normas de supressão de barreiras e obstáculos às pessoas com deficiência em espaços públicos.4 Outras Leis e Decretos A Lei 10. especificamente aqueles com bastante mobilidade. devendo ser integralmente restabelecida em face da extinção da relação de trabalho ou da atividade. O art. a lei prevê que a parte individual da pensão do dependente com deficiência intelectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz. também. assim declarado judicialmente. sem necessidade de realização de perícia médica ou reavaliação da deficiência e do grau de incapacidade para esse fim. adquira nível suficiente de desenvolvimento profissional para ingresso e reingresso no mercado de trabalho e participe da vida comunitária (art. poderá ser requerida a continuidade do pagamento do benefício suspenso. A Lei é conhecida como a Lei de Cotas em decorrência do seu art. aos meios de transporte. aos idosos com idade igual ou superior a 60 anos. a Presidenta Dilma sancionou a Lei 12. 3. 36. a Lei 12. -A terceira é o fato concreto de que as empresas contratam deficientes. até então excluídas do mercado de trabalho em razão de medo de perda de benefício assistencial ou de pensão previdenciária. mediante fiscalização direta ou indireta. e não tendo o beneficiário adquirido direito a qualquer benefício previdenciário. para justamente fazerem poucas adaptações no local de trabalho. lactantes e pessoas acompanhadas por crianças de colo e. que exerça atividade remunerada.470.

as palavras "emprego" e "profissão" incluem o acesso à formação profissional. saúde. de suas dificuldades naturais. A Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência de 2006[88]. em seu art. Caso isso não ocorra. Trata-se de um instrumento de extrema importância e que foi ratificado pelo Brasil como Decreto Legislativo nº 186. saudável e adequado para todos os trabalhadores. mediante ofício. e facilitar sua inserção ou sua reinserção na sociedade”. publicado no Diário Oficial da União em 20 de agosto de 2008.Já o Decreto 5296 de 04 de dezembro de 2004[84] regulamenta as Leis 10. na qual. Convenção 159 da Organização Internacional do Trabalho: a OIT recomenda aos países membros que considerem o “objetivo da readaptação profissional. durante inspeção nos ambientes de trabalho. se estão sendo cumpridas as disposições contidas no Código Sanitário Estadual e as Normas de Saúde e Segurança no Trabalho da Portaria nº 3214/1978 do MTE. E. indistintamente. O Decreto nº 5. constatarem que o número de funcionários da empresa é de 100 ou mais trabalhadores. no sentido de adotar medidas positivas que visam a superação. por parte dos deficientes.150[87]. educação. sempre que possível. que.” 3. observando que o total de trabalhadores daquela empresa no Brasil inclui matriz e filiais. Os profissionais das vigilâncias sanitárias estaduais. habilitação e reabilitação.4 O BRASIL E A LEGISLAÇÃO INTERNACIONAL Em 1968 o Brasil ratificou.126/2005 e assegura em seu art. estabelece direitos quanto à acessibilidade. o qual. Redefine as deficiências físicas. tendo em vista que o ambiente de trabalho deve ser seguro. conquistem e desenvolvam o seu trabalho. inicia um processo judicial. 1º. que tratam de atendimento e acessibilidade para pessoas com deficiência. ou outras legislações pertinentes à saúde do trabalhador nos níveis federal. deve corresponder à sua própria escolha e trazer qualidade de vida sustentável”. quando for o caso.048. e monitoramento da implementação dessa Convenção. ao estipulado na Lei de Cotas. à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) – atualmente Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) – ou às suas Gerências Regionais. municipais e dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador deverão verificar nas empresas que tenham trabalhadores com deficiência como é a qualidade dessa inserção laboral. 3.3 CASO ESPECIAL: VIGILÂNCIA A SAÚDE DOS TRABALHADORES COM DEFICIÊNCIA Quando os profissionais dos serviços de saúde. constatando a irregularidade. ao emprego e às diferentes profissões. firma Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a empresa.Também deve ser avaliado o cumprimento da NBR 9050 da ABNT sobre acessibilidade.098 e 10. a Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) – órgão ligado à ONU – sobre a discriminação em matéria de emprego e profissão. É importante atentar. estadual e municipal.904/2006[85] regulamenta a Lei nº 11. A OIT também determina que “pessoas com deficiência desfrutem com eqüidade das oportunidades de acesso. ainda. CONCLUSÃO . que é permitir que pessoas portadoras de deficiência consigam e mantenham um emprego conveniente e progridam profissionalmente. trabalho e emprego. O Brasil assumiu compromisso internacional com a OIT. visual e auditiva – o que vale para a cota. se não houver acordo. em seus diversos artigos. entre outros. por meio do Decreto nº 62. deverão perguntar se a mesma emprega pessoas com deficiência. relatando a situação para fins de fiscalização[86]. o profissional deverá informar o fato. Um outro canal que pode ser acionado para relatar que uma empresa não está cumprindo a Lei de Cotas é o Ministério Público do Trabalho. 1º: “a pessoa com deficiência visual usuária de cão-guia tem o direito de ingressar e permanecer com o animal em todos os locais públicos ou privados de uso coletivo. bem como às condições de emprego. bem como outras legislações referenciadas neste estudo.

no trabalho produtivo. 93. 288.2 milhões de vínculos de emprego ativos em 31 de dezembro.0 mil foram declarados como pessoas com deficiência.965 empresas cumpriam a cota. a Instrução Normativa nº 20/2001 do Ministério do Trabalho e Emprego. congênita ou não. em complementação quanto aos procedimentos sobre a fiscalização do trabalho. as necessidades de uma vida individual ou social normal. historicamente foi colocada à margem da sociedade.7% do total de vínculos empregatícios. via de regra. Lei nº 7. esporte. os princípios de não discriminação e igualdade de oportunidades.213/1991 – Lei de Cotas -. Políticas afirmativas direcionadas às pessoas portadoras de deficiência aparece em vários dispositivos legais. o qual vê a lei como um arranjo ideal para inserir o portador de deficiência na sociedade. a primeira lei que produz efeitos jurídicos e prepara o portador de deficiência para a inclusão. percebe-se que ela vem crescendo constantemente. esta norma deveria estar baseada na educação inclusiva. Segundo esse estudo. porém mesmo assim vêem-se importantes avanços nessa legislação. baseados em conceitos amplos de inclusão social. entre . em 2005 eram 4. começou os avanços dos direitos sociais dessa parcela da população. dos 44. Porém. visando dar apoio e suporte ao portador de deficiência para a vida em comunidade. representando um aumento de 6% no número de deficientes físicos com empregos formais.239 deficientes empregados em 2004. No Brasil.Este trabalho de conclusão de curso versou sobre a inserção do deficiente físico no mercado de trabalho no Brasil. além disso. Quando se atenta para a inclusão do portador de deficiência no mercado de trabalho com dados factuais.782 . havia 14.004 corporações. total ou parcialmente. Os percentuais estabelecidos pelo Decreto 3298[91] possibilitaram e ainda hoje possibilita a transformação do panorama da inclusão econômica das pessoas com deficiência física. esse indicador aumentou para 35. Lei nº 8. deficiente físico é uma pessoa incapaz de assegurar. foi somente com a regulamentação da Lei 7. representando 0. do total de 41. em 2004 1. ressalta-se que de uma perspectiva histórica. os deficientes tiveram dois tipos de tratamento: a rejeição e a eliminação sumária ou a proteção assistencialista e piedosa. por sim mesma. Embora já tivesse ratificado a Convenção 159 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1991[90]. a conquista de direitos por parte da população deficiente física é recente. No entanto.853/1989. somente nos anos 60. ao estabelecer cotas de contratação de deficientes físicos para empresas privadas com mais de cem funcionários. Como indicam os dados da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN)[92] extraídos da Delegacia Regional do Trabalho do Estado de São Paulo. que se concretizaram. isto é. Para tanto. na acessibilidade (logradouros públicos e privados. em 2009. o Brasil ainda não havia elaborado uma normativa hábil a preparar o portador de deficiência para a inclusão.7% do total de vínculos empregatícios – percebe-se que foi mantido esse peso relativo de trabalhadores com deficiência. dispõe sobre o Plano de Benefícios da Previdência Social. como o da baixa produtividade do trabalho deste tipo de profissional.213/1991 da Previdência Social (Lei de Cotas) e disciplinada pelo Decreto nº 3.um acréscimo equivalente a 150%.6 mil foram declarados como pessoas com deficiência. quebra de preconceitos. Entretanto. a Constituição Federal de 1988 rompeu com o modelo assistencialista até então vigente. representando 0. da Lei nº 8. e. transportes adaptados). Segundo dados do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE).853/89 e a instituição da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e o Decreto 3. na saúde e assistência social adequadas.298/99. aproximando-o em condições e padrões de vida das demais pessoas. lazer e cultura. Sendo a Lei n° 8. em suas capacidades físicas. tais como Constituição Federal de 1988. A população alvo do presente estudo. Desde as mais remotas civilizações até a Revolução Francesa. O primeiro passo dado nesta direção foi o estabelecimento da reserva de vagas no art.298/1999. assegurando-se a igualdade de oportunidades baseada no princípio da isonomia. Antes de mais nada. Em 2010. dez anos depois.1 milhões de vínculos ativos em 31 de dezembro desse ano. segundo Otto Marques da Silva. A partir da Revolução Francesa e da Revolução Industrial do século XIX. utilizou-se o conceito de deficiente físico definido pela Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes elaborada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1975[89]. o mesmo aconteceu com as empresas.Lei de Cotas. um aumento de cerca de 100%. em decorrência de uma deficiência.213/91 . 306. surge o movimento de defesa dos direitos das minorias. e. em nosso ordenamento jurídico. já em 2005. ainda é preciso avançar mais em aspectos tais como da cultura corporativa.

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[81] BRASIL. Acesso em: 02 nov. art. Diário Oficial da União. Lei nº. Dispõe sobre os planos de benefícios da Previdência Social e dá outras providências. SIT. de 8 de novembro de 2000. que dispõe sobre o Plano de Custeio da Previdência Social.gov. Brasília: MTE. de 26 de janeiro de 2001. 5.pdf> Acesso em: 02 nov. 1. 2. e acrescenta os §§ 4o e 5o ao art. de 9-8-2001. Lei nº.213. consolida as normas de proteção.pdf> Acesso em: 02 nov. 8. A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. 20 e 21 e acrescenta o art. 2011. A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. [75] BRASIL. [80] BRASIL. de 20-12-1999. 1990. Ministério do Trabalho e do Emprego. Lei nº 8. das autarquias e das fundações públicas federais. Lei n °.060.744. Dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civil da União. institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas.br/cartilha_trabalho.pdf> Acesso em: 02 nov. Diário Oficial da União. A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. [78] ABNT .213. de 2011. 25 jul 1991. SIT. 2. Altera os arts.470. altera os arts.acessibilidade. [73] BRASIL. aprovada pela Portaria no 1. [70] BRASIL. art. para alterar regras do benefício de prestação continuada da pessoa com deficiência.12-17. Ministério do Trabalho e do Emprego.org. 21 e 24 da Lei no 8. Decreto nº. de 5-6-2002. de 2012-2002. que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica. 2. Diário Oficial da União. Brasília. 968 da Lei no 10. promulgada pelo Decreto no 3. Disponível em: <http://www. 1999. 2007.direitoshumanos. de 2011. [82] BRASIL. para incluir o filho ou o irmão que tenha deficiência intelectual ou mental como dependente e determinar o pagamento do salário-maternidade devido à empregada do microempreendedor individual diretamente pela Previdência Social. desde que pertencente a família de baixa renda. 16. 3o. p.Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. [83] BRASIL.853. com redação dada pela Portaria no 1.048. p.Código Civil.Lei Orgânica de Assistência Social.048. I.742. de 10 de janeiro de 2002 . art. para estabelecer alíquota diferenciada de contribuição para o microempreendedor individual e do segurado facultativo sem renda própria que se dedique exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência. I. de 8-12-1995. Disponível em: http://www. Disponível em: <http://www. [71] Cf. 11. 20. Diário Oficial da União.br/cartilha_trabalho. art. Brasília: MTE. 1 de ago. registro. de 24 de outubro de 1989. SIT. Acessibilidade a edificações. [76] BRASIL.112. altera os arts. 72 e 77 da Lei no 8. [79] Brasil.org. de 2 de dezembro de 2004. 4o do Decreto no 3.org. 2011. e definições constantes do Anexo da Portaria no 298. 7. 10.acessibilidade. 8. de 8 de novembro de 2000. de 24 de julho de 1991. de 30 de junho de 2004. 10. de 24 de julho de 1991. 1. NBR 9050. 12. Lei nº. a qual estende o benefício que prevê aos portadores de ostomia e pessoas com insuficiência renal crônica. II. 2. Dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica. do Decreto no 1. mobiliário.296. disciplina a atuação do Ministério Público. de 31 de agosto de 2011. A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. de 10-4-2001. ed. 12 de dez.298. espaços e equipamentos urbanos. define crimes. p.12. de 24 de julho de 1991. e quinto parágrafo da Política Nacional de Saúde da Pessoa Portadora de Deficiência. p. Diário Oficial da União. Lei nº. [84] BRASIL. Instrução Normativa nº.005. 21 de dez. 29 jan 2001. ed.098. Diário Oficial da União. e dá outras providências.956. de 24 de julho de 1991. de 8-10-2001.br/cartilha_trabalho. Regulamenta as leis nº.br/pessoas-com-deficiencia-1/normas-da-abnt. 2007. Disponível em: <http://www. art.acessibilidade. 2007. promulgada pelo Decreto no 129. da Organização Internacional do Trabalho. de 2011. e nº.acessibilidade. SIT. da Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência. [72] Cf. Republicação em 14 ago 1998.213.12. alteração e baixa do microempreendedor individual.br/cartilha_trabalho. que dispõe sobre o Plano de Benefícios da Previdência Social. Republicação em 14 ago 1998. II. ed. da Portaria Interministerial no 3. Dispõe sobre os planos de benefícios da Previdência Social e dá outras providências. de 19 de .org.

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