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Uma mensagem insultuosa, apesar de poder ser dirigida ao Sr. Passos de Coelho ou a qualquer líder português, é dirigida, no fim de contas, ao sistema ou à lógica do sistema em si. Se José Seguro ou Paulo Portas fossem primeiro-ministro, mensagens equivalentes veriam de igual modo a luz do dia. Tanto assim que os partidos encabeçados por essas três personagens assinaram todos o acordo que justifica as medidas hoje contestadas. Tal indicia que o problema não está na pessoa do Passos de Coelho mas sim na lógica do sistema, senão mesmo, no próprio sistema económico. A questão fundamental é a de que apresenta-se perante esses ou perante qualquer líder político duas escolhas muito singelas e concretas que agora passaremos a apresentar:

1) Por um lado, eles podem privilegiar a lógica jus-economicista de respeitar os compromissos financeiros que Portugal assumiu (designadamente pagar os juros e o capital que foram previamente convencionados por Portugal). Esta solução é, devemos precisar, a mais confortável e a menos arriscada: não desafia interesses bancários, não compromete a reputação internacional de Portugal (precise-se que bancos comerciais, o Banco de Portugal, o BCE e o FMI estão inter-ligados nos interesses) nem tão pouco põe em causa a vida ou a reputação internacional de um membro do executivo português (razão pela qual Socrates, que pediu a ajuda conforme ao que se queria, pôde depois tornar-se consultor de uma farmacêutica para a integra da América do Sul e sem o que nunca o teria sido - http://www.publico.pt/politica/noticia/socrates-e-consultor-de-farmaceutica-para-a-

2) Ou, por outro lado, podem procurar privilegiar, contra tudo e todos, aquela que é a lógica político-democrática de respeitar, preservar e proteger os interesses dos que lhes concederam legitimidade e lhes elegeram: ou seja, o "povo" português. Esta escolha acabou por ser aquela que fora finalmente consagrada pelo executivo argentino - http://www.bbc.co.uk/news/ business-21610884. Não deixa de ser uma escolha de veras delicada uma vez que, não somente

pode colocar em causa a reputação internacional de Portugal, a reputação e até mesmo a integridade física dos membros do executivo português (ver, por exemplo, Chavez ou Berlusconi: http://

integridade

económica geral do Estado Português (chakais e inteligentcia económica activa em Portugal), como exige uma alternativa viável e sustentável à actual dependência externa de financiamento.

e

até

a

Relativamente a esta última escolha - que é, creio eu, aquela que é procurada - temos duas soluções possíveis e alternativas para a poder conseguir: ou o povo aprende a reconfortar o seu

executivo e instiga-o a ser corajoso (geralmente isto acontece num país com um povo ciente e bem formado que se coloca atrás de um líder recentemente eleito/nomeado - ver Islândia: http://

+austeridade.shtml), ou o povo edifica, paralelamente ao sistema vigente, o seu próprio sistema com vista a autonomizar-se e a tornar-se independente das variáveis e pressões económicas, tanto internas como externas. Sobre esta solução muito tenho escrito sendo que, invariavelmente, coloco o tom na questão fundamental de assegurar os bens mais básicos como água, comida e electricidade, com ou sem um sistema monetário local. Não podendo nós antecipar ou se quer dominar as vontades dos agentes políticos, a segunda solução parece-me a mais fiável. Até porque, em sua sede, as pessoas são livres de erguer o sistema que desejam, da forma que decidirem, e não aquele que um poder central acha por bem ditar e impor.