LEI 12767/2012 – PROTESTO DE CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA O que é um protesto de título?

Protesto de título é o ato público, formal e solene, realizado pelo tabelião, com a finalidade de provar a inadimplência e o descumprimento de obrigação constante de título de crédito ou de outros documentos de dívida. Regulamentação: o protesto é regulado pela Lei n. 9.492/97. Quem é o responsável pelo protesto? O tabelião de protesto. Quais são as vantagens do credor realizar o protesto? Existem inúmeros efeitos que decorrem do protesto, no entanto, as duas principais vantagens para o credor são as seguintes: a) Serve como meio de provar que o devedor está inadimplente; b) Funciona como uma forma de coerção para que o devedor cumpra sua obrigação sem que seja necessária uma ação judicial (como o protesto lavrado gera um abalo no crédito do devedor, que é inscrito nos cadastros de inadimplentes, a doutrina afirma que o receio de ter um título protestado serve como um meio de cobrança extrajudicial do débito; ao ser intimado do protesto, o devedor encontra uma forma de quitar seu débito). Qual é o procedimento do protesto? 1) O credor (ou outra pessoa que esteja portando o documento) leva o título até o tabelionato de protesto e faz a apresentação, pedindo que haja o protesto e informando os dados e endereço do devedor; 2) O tabelião de protesto examina os caracteres formais do título; 3) Se o título não apresentar vícios formais, o tabelião realiza a intimação do suposto devedor no endereço apresentado pelo credor (art. 14 da Lei de Protesto); 4) A intimação é realizada para que o apontado devedor, no prazo de 3 dias, pague ou providencie a sustação do protesto antes de ele ser lavrado; Após a intimação, poderão ocorrer quatro situações: 4.1) o devedor pagar (art. 19); 4.2) o apresentante desistir do protesto e retirar o título (art. 16); 4.3) o protesto ser sustado judicialmente (art. 17); 4.4) o devedor ficar inerte ou não conseguir sustar o protesto. 5) Se ocorrer as situações 4.1, 4.2 ou 4.3: o título não será protestado; 6) Se ocorrer a situação 4.4: o título será protestado (será lavrado e registrado o protesto).

certa e exigível. tornando-se sujeito passivo de uma obrigação tributária principal (pagar o tributo). Protesto extrajudicial de certidão de dívida ativa (CDA) Como a Lei n. a obrigação tributária transforma-se em crédito tributário. 585. trata-se de um sistema informatizado). Com o lançamento. 9. Voltando ao tema principal. iniciou-se uma intensa discussão acerca da possibilidade e conveniência do protesto da certidão de dívida ativa da Fazenda Pública. a Fazenda Pública pode ajuizar uma execução fiscal contra o devedor. a dúvida que havia na doutrina e jurisprudência era a seguinte: A Fazenda Pública poderia levar a CDA para ser protestada? .Qual é o objeto do protesto? O que pode ser protestado? Segundo o art. tornou-se proprietário de um bem imóvel). Dessa inscrição extrai-se a CDA – Certidão de Dívida Ativa. VII. A inscrição será feita por meio do termo de inscrição na dívida ativa e é realizado no “Livro da Dívida Ativa” (atualmente. Antes de prosseguirmos. fez uma doação. vamos relembrar o que é uma CDA: Imagine que determinado contribuinte realizou o fato gerador do tributo (exs: adquiriu renda. que é um título executivo extrajudicial (art. 1º da Lei n. 1º. que o protesto fosse realizado não apenas sobre títulos como também com relação a outros documentos de dívida. O lançamento confere exigibilidade à obrigação tributária. 9.492/97 inovou o tratamento jurídico sobre o tema e permitiu. O Fisco irá realizar o lançamento calculando o montante do tributo devido e notificando o contribuinte para pagar. Assim. em seu art. conclui-se que podem ser levados a protesto: a) Títulos de crédito b) Outros documentos de dívida O que é um documento de dívida? Documento de dívida é todo e qualquer meio de prova escrita que comprove a existência de uma obrigação líquida. esse crédito tributário será inscrito na dívida ativa. do CPC).492/97: Art. Se o sujeito passivo não adimplir o débito. Com a CDA. 1º Protesto é o ato formal e solene pelo qual se prova a inadimplência e o descumprimento de obrigação originada em títulos e outros documentos de dívida. por óbvio.

ganhe algum tempo sem perder a disponibilidade sobre seus bens para reorganizar suas finanças e quitar seus débitos (princípio da preservação da empresa). 3) O princípio constitucional da eficiência (art. é possível o ajuizamento. j. além do fato de que as muitas Fazendas Públicas possuem cadastros de devedores. 3) Não haveria interesse jurídico em se realizar o protesto da CDA considerando que. Logo. extrajudicial. DJe 25/05/2011). Ademais. nos termos do art. o protesto é menos drástico. Min. 2) Não há abuso de direito da Fazenda Pública porque a execução fiscal também gera a publicidade do inadimplemento – às vezes até mais ampla que o protesto – considerando que é possível a consulta do processo pelo nome das partes nos sítios do Poder Judiciário na internet. CF/88) e a LRF exigem que o administrador público valha-se dos mais efetivos e céleres e menos custosos meios de cobrança dos créditos fiscais.492/97 (Ermínio Ararildo Darold). 9. sendo que o protesto extrajudicial reúne todas essas características. Rel. o que configuraria constrangimento desnecessário ao devedor (Hugo de Brito Machado). 1ª Turma. mesmo com a CDA protestada. 37. desde logo. Desse modo. 1º da Lei n. os títulos de crédito também podem ser executados desde logo e. trata-se de um documento de dívida.NÃO SIM 1) Haveria violação ao princípio da 1) Havia sim previsão legal porque a legalidade por ausência de previsão CDA constitui-se em título executivo legal. sendo mais rápido e barato que a execução fiscal. Arnaldo Esteves Lima. 17/05/2011. por ser título executivo. 2) O protesto da CDA seria abuso de direito da Fazenda Pública uma vez que o protesto confere ampla publicidade ao inadimplemento. pois permite que o empresário.522/2002) (Emanoel Macabu Moraes). como o CADIN (Lei nº 10. da execução fiscal (STJ AgRg no Ag 1316190/PR. não se questiona que . mesmo assim.

devendo ser buscado mecanismos para se aprimorar esses cadastros e não deixar de utilizá-los pelo risco de haver incorreções. 202. c) torna economicamente viável para a Fazenda Pública a cobrança extrajudicial de valores considerados ínfimos para fins de execução fiscal. o que poderia gerar protestos indevidos e condenações por danos morais (Carlos Henrique Abrão). as instituições financeiras têm obtido elevadíssimo grau de recuperação de seus créditos. na maioria das vezes não estão atualizados. diariamente. 2001. 4) Com a informatização. SERASA etc. d) revela-se de grande coercibilidade porque permite a inscrição do devedor nos serviços de proteção do crédito (SPC. não é jurídica. como atualmente já existe o CADIN e outros cadastros de pessoas inscritas na dívida ativa. a maioria das Fazendas Públicas possui um cadastro atualizado. não se pode trabalhar com a presunção de que o Estado é sempre ineficiente. 235) considerando que. 4) Os cadastros das Fazendas Públicas. dos serviços do tabelionato de protesto. satisfatoriamente. p. Parece-me. apontam milhares de títulos em clarividente e sintomática opção pela cobrança extrajudicial. além de refutarem.). CC). III.podem ser protestados. caso haja algum erro a condenação em danos morais será possível mesmo que a CDA não seja levada a protesto. que os argumentos favoráveis ao protesto da CDA são muito mais extensos e consistentes. as alegações contrárias. portanto. portanto. Não estranhamente. Ademais. Vale mencionar ainda outras vantagens adicionais do protesto da CDA: a) interrompe o prazo prescricional (art. b) dispensa o devedor dos gastos com honorários advocatícios e custas processuais (que são maiores que as cartorárias). . mas sim social (BUENO. A necessidade do protesto da CDA. A cada dia. certamente o é sob o ponto de vista da efetividade na arrecadação dos créditos fiscais com os quais a União. mais credores vêm se utilizando. Trata-se de completa inversão do princípio da supremacia do interesse público. se não é juridicamente indispensável tal providência. Além disso. com destaque para os bancos que. Estados e Municípios auferem recursos que são aplicados nos programas e políticas públicas que atendem aos cidadãos. com extrema eficiência. É ilógico não incentivar que a Fazenda Pública se utilize desse eficiente instrumento em franca desvantagem em relação aos credores particulares.

SEGUNDA TURMA.Qual era o entendimento do STJ? A despeito dos inúmeros argumentos favoráveis. PROCESSUAL CIVIL. Segunda Turma. Conselho Nacional de Justiça O CNJ. PROTESTO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 2. Agravo regimental não provido. condenação em danos morais caso ele seja levado a efeito. necessariamente. Precedentes. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA. Leis estaduais Diversos Estados aprovaram leis permitindo expressamente o protesto de certidões de dívida ativa. Rel. Como exemplos. entende que não deve haver. PRECEDENTES. recomendou aos tribunais estaduais a edição de ato normativo para regulamentar a possibilidade de protesto de CDA (102ª sessão plenária do CNJ realizada em 06. 1. julgado em 17/05/2011. DJe 25/05/2011) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CDA. A CDA. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. 1. 162. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem afirmado a ausência de interesse em levar a protesto a Certidão da Dívida Ativa. DJe 15/12/2008 RDDT vol. p. o STJ possui julgados no sentido de que não haveria sentido em se realizar o protesto de CDA. CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA . dispensa o protesto. Agravo regimental não provido. EXECUÇÃO FISCAL. julgado em 18/11/2008.876/2012 (Espírito Santo). cito Lei Estadual nº 13. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO.04.2010). Correto. considerando que esta já goza de presunção de certeza e liquidez: TRIBUTÁRIO. DESNECESSIDADE. julgado em 05/08/2010. DESNECESSIDADE. segundo a qual o Ente Público sequer teria interesse para promover o citado protesto. reconhecendo as vantagens do protesto.160/08 (São Paulo) e a Lei Estadual n. Ministra Eliana Calmon. (AgRg no Ag 1172684/PR. PRIMEIRA TURMA. . o entendimento da Corte de origem. 109. AUSÊNCIA DE INTERESSE MUNICIPAL. Rel. de sorte que não haveria prejuízo ao ente público: REsp 1093601/RJ. 9.CDA. DJe 03/09/2010) Vale ressaltar que o STJ. apesar de reputar que o protesto da CDA não é juridicamente necessário. título que já goza de presunção de certeza e liquidez e confere publicidade à inscrição do débito na dívida ativa. portanto. Rel. além de já gozar da presunção de certeza e liquidez. 2. PROTESTO. (AgRg no Ag 1316190/PR.

do Distrito Federal.. 3ª ed.99....... o STJ reveja seu entendimento e se sensibilize da necessidade e importância jurídica e social do protesto das certidões de dívida ativa....086. 1º ..767/2012 Foi publicada ontem a Lei n... Parágrafo único...32. 9.... São Paulo: Juarez de Oliveira. de 10 de setembro de 1997. a Procuradoria-Geral Federal (PGF)..89% dos valores........492. permitindo expressamente o protesto de certidões da dívida ativa... c) 2... passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art.56 enviados a protesto. Lei n..257 pagas. 9. ou seja... A Lei n. 12..... 2004. agora existe expressa previsão do protesto de CDA na Lei n. b) 5.. os números são os seguintes: a) 8. Bibliografia ABRÃO. 2012) informa que. celebrou convênio com o Instituto de Estudos de Títulos e Protestos do Brasil (IEPTB).. O Procurador Federal Fábio Munhoz (MUNHOZ....767/2012 que alterou a Lei de Protesto (Lei n. órgão da AdvocaciaGeral da União que representa judicial e extrajudicialmente autarquias e fundações públicas federais. Incluem-se entre os títulos sujeitos a protesto as certidões de dívida ativa da União..174 CDAs enviadas a protesto. por meio do qual se permite que a PGF encaminhe a protesto as certidões de dívida ativa das autarquias e fundações públicas federais sem o pagamento dos emolumentos prévios. R$ 20..065. 37.663.492/97 de forma que se espera que. 12. .. enviadas a protesto desde outubro de 2010 até junho de 2012.084 efetivamente protestadas.. Os resultados dessas experiências têm sido impressionantes com uma altíssima capacidade de recuperação de créditos em curto espaço de tempo e com um mínimo de custo.. d) Em valores.... reunindo todas as CDAs referentes a tributos de responsabilidade da PGFN. dos Municípios e das respectivas autarquias e fundações públicas. Do protesto.. f) R$ 6.078.Procuradoria-Geral Federal Em agosto de 2010. Confira: Art.201. das quais 2.. com a inovação legislativa.. o que equivale a 96..80% em três dias.. Carlos Henrique.” Desse modo....492/97).....484. 9. que são cobrados apenas dos devedores... dos Estados.. 25.. medida racional de recuperação de créditos e de desopilação do Poder Judiciário.....013 em três dias. e) Recuperados R$ 7.

pdf. Protesto Cambial. 3ª ed. Fabio. MUNHOZ. Ermínio Ararildo.767/2012 prevê expressamente a possibilidade de protesto das certidões de dívida ativa (CDA. Disponível em: http://www. Artigo elaborado em 29/12/2012 Como citar este texto: CAVALCANTE. O Protesto de Certidões de Dívida Ativa. Márcio André Lopes. Acesso em: 29 dez..com. Protesto Notarial. Títulos de Crédito e Documentos de Dívida. Curitiba: Juruá.com. O protesto de títulos e outros documentos de dívida. MACHADO. Acesso em: 27 jul 2011. Protesto de certidão de dívida ativa. Acesso em: dd mm aa . Disponível em: http://www. Rio de Janeiro: Lumen Juris. Porto Alegre: Sérgio Antonio Fabris Editor. MORAES.br. Lei 12.dizerodireito. Macabu Emanoel. 2012. Brasilia-DF: 20 nov. Hugo de Brito..br/artigos/148. DAROLD.BUENO. A Lei n. Disponivel em: . 2009. Sérgio Luiz. 2ª ed. Conteúdo Jurídico.idtl. 2012. 2011. 2010.

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