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PLANETA LOUCO

PLANETA LOUCO
HUMANIDADE DESUMANA
NOVA CONSTITUIÇÃO
DO PLANETA TERRA

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ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

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PLANETA LOUCO

ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

PLANETA LOUCO
HUMANIDADE DESUMANA
NOVA CONSTITUIÇÃO
DO PLANETA TERRA

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ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

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PLANETA LOUCO

ÍNDICE

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ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

CENÁRIO

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PLANETA LOUCO

1 Bem-Estar da Humanidade 21
2 Nova Constituição do Planeta Terra 25
PRINCÍPIOS
3 Princípio da Diversidade Emocional 29
4 Princípio da Formação Integral 31
5 Princípio da Interdependência Global 33
6 Princípio da Segurança Geral 35
7 Princípio do Caminho Duplo 37
8 Princípio do Conhecimento Livre 39
9 Princípio do Crescimento Mútuo 41
10 Princípio do Limite do Poder 43
11 Princípio da Representatividade Total 45
12 Princípio da Defesa de Todos 47
13 Princípio da Promoção Social 49
14 Princípio da Independência Geral 51
15 Princípio da Unidade Básica 53
16 Princípio da Justiça Universal 55
17 Princípio da Conservação das Espécies 57
18 Princípio da Cultura dos Povos 59
19 Princípio da Internacionalidade Livre 61
20 Princípio da Promoção da Paz 63
21 Princípio da Transparência Pública 65
22 Princípio da Libertação Partidária 67
23 Princípio da Expressão da Maioria 69
24 Princípio da Mídia Independente 71
25 Princípio da Ação Simplificada 73
26 Princípio da Alegria Vital 75
27 Princípio da Amplitude de Visibilidade 77
BANDEIRAS
28 Bandeira da Verdade 81
29 Bandeira do Respeito 83
30 Bandeira da Valorização 85
31 Bandeira da Liberdade 87
32 Bandeira da Iniciativa 89
33 Bandeira da Participação 91
34 Bandeira da Solidariedade 93
35 Bandeira da Igualdade 95
36 Bandeira da Alegria 97

8
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

37 Bandeira daEmocionalidade 99
38 Bandeira doBem-Estar 101
39 Bandeira doCaminho 103
40 Bandeira doFuturo 105
41 Bandeira doEquilíbrio 107
42 Bandeira daResponsabilidade 109
43 Bandeira daJustiça 111
COMPROMISSOS
44 Compromisso com o Futuro 115
45 Compromisso com a Fauna e Flora 117
46 Compromisso com os Recursos Naturais 119
47 Compromisso com os Mares e Oceanos 121
48 Compromisso com a Água 123
49 Compromisso com a Energia 125
50 Compromisso com o Desenvolvimento 127
51 Compromisso com a Promoção Humana 129
52 Compromisso com a Informação 131
53 Compromisso com a Paz 133
DESAFIOS
54 Desafio da Pobreza 137
55 Desafio da Cultura 139
56 Desafio da Representatividade 141
57 Desafio do Comércio Internacional 143
58 Desafio da Paz 145
59 Desafio da Preparação 147
60 Desafio do Terrorismo 149
61 Desafio dos Direitos Humanos 151
62 Desafio do Meio Ambiente 153
63 Desafio dos Limites da Ciência 155
64 Desafio da Justiça Universal 157
DIREITOS
65 Direito de Participação 161
66 Direito de Preparação 163
67 Direito de Bem-Estar 165
68 Direito de Representação 167
69 Direito de Justiça 169

SISTEMAS

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PLANETA LOUCO

70 Gestão do Planeta Terra 173


71 Equilíbrio – Justiça Universal 175
72 Equilíbrio – Força Universal 177
73 Vínculo – Congresso Universal 179
74 Vínculo – Informações 181
75 Vínculo – Relacionamento 183
76 Ações – Participação 185
77 Ações – Preparação 187
78 Ações – Bem-Estar 189
79 Ações – Esportes 191
80 Ações – Cultura 193
81 Ações – Promoção Humana 195
82 Suporte – Financeiro 197
83 Suporte – Humano 199
84 Suporte – Tecnológico 201
FINAL
85 Humanidade Humana 205

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ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

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PLANETA LOUCO

PREFÁCIO

12
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

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PLANETA LOUCO

0.PARA ONDE CAMINHA


A HUMANIDADE?

Os homens não se entendem mais. Disputam


o poder a qualquer preço. Vale tudo. A
humanidade é desumana? O planeta é louco?

O livro “Planeta Louco, Humanidade Desumana,


Nova Constituição do Planeta Terra” é uma resposta
ácida ao quadro atual.
É uma crítica contundente aos resultados
deprimentes em que a humanidade se encontra.
Expõe uma proposta nova para a construção da
humanidade, baseando-se nos direitos de participação,
preparação, bem-estar, representatividade e justiça.
Propõe o fim das nações unidas e a criação do
Planeta Terra com participação livre de todos os povos
autônomos, sem privilégios, proteções e
favorecimentos.
Propõe o extermínio de todas as armas de
destruição em massa e o fim das forças militares
nacionais substituídas por uma força internacional.
Propõe a criação do Poder Representante, o
término dos partidos políticos e o sistema de
aprovação da maioria através de pesquisas de opinião.
Propõe o desenvolvimento da humanidade, com
o objetivo de integrar todas as pessoas na vida
econômica, social e política.

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ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Propõe a liberdade do mercado internacional


sem subsídios ou barreiras protecionistas.
Propõe a criação da Justiça Universal.
Propõe o término dos conflitos bélicos,
principalmente entre Israel e a Palestina.
Propõe a base para a construção de uma
sociedade justa, equilibrada, e essencialmente,
humana.
Enfim, propõe o debate sobre a humanidade
desumana.
Os excluídos tendem a aumentar ampliando os
desequilíbrios sociais, econômicos e políticos.
A prepotência norte-americana tende a se
exacerbar.
Os direitos internacionais estão vulneráveis.
A comprovação das mentiras em relação ao
Iraque abala a credibilidade dos donos do mundo.
Todos estes elementos forçam a humanidade a
repensar seus princípios, valores, compromissos,
desafios, direitos.
Por estes motivos, propõe-se a discussão de
uma Nova Constituição para o Planeta Terra, avaliando
o futuro da humanidade.
A primeira estratégia é impactar a mídia.
O livro “Planeta Louco, Humanidade Desumana,
Nova Constituição do Planeta Terra” faz uma crítica
contundente à invasão do Iraque, acusando os países
da coalizão de terem cometido crime de guerra.
Acusa os países ricos de terem provocado os
grandes desequilíbrios sociais, econômicos e políticos.

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PLANETA LOUCO

Acusa os norte-americanos de terem


desenvolvido motivações egoístas, individualistas,
responsáveis pela desumanidade do sistema.
Chama Bush, Blair, Sharon de senhores da
guerra.
Levanta suspeita sobre os motivos do ataque às
Torres Gêmeas. Para o autor, apenas os especialistas
em demolição de grandes edifícios poderiam ter
calculado o ponto nevrálgico das torres. O principal
beneficiário do ataque foi a indústria militar.
Levanta dúvidas sobre a capacidade do grupo de
Bin Laden, a partir das cavernas do Afeganistão
conseguir arquitetar e realizar a operação. Se tivesse
realmente sido o grupo de Bin Laden, outros ataques
de igual proporção deveriam ter sido repetidos.
Acusa a coalizão de mentir sobre o real interesse
sobre a invasão ao Iraque. Não foram encontradas as
tais armas de destruição em massa. O Iraque não
possuía programa nuclear. Os iraquianos não
receberam de braços abertos os pretensos libertadores
como alardeou o presidente Bush.
Aponta a parcialidade das nações unidas em
relação aos Estados Unidos, agindo como seu clube
particular.
Aponta o descumprimento dos direitos humanos
em relação aos estrangeiros dentro dos Estados
Unidos, em relação aos prisioneiros da Guerra do
Afeganistão, em Guantânamo, em relação aos árabes,
entre os mulçumanos.
Denuncia a quebra dos princípios estabelecidos
na Carta das Nações e na Declaração dos Direitos
Humanos.

16
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

A segunda estratégia é provocar o debate.


O modelo de desenvolvimento é seletivo,
exclusivista e terrivelmente injusto. Todos habitantes
do Planeta Terra possuem os mesmos direitos e
deveres. A humanidade não pode competir entre si,
excluindo os perdedores ou os menos preparados.
A terceira estratégia é estimular novas idéias e
propostas.
O caminho proposto tem a intenção de
promover o surgimento de novas idéias, novas
propostas, novas soluções.

O Editor

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PLANETA LOUCO

CENÁRIO

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ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

19
PLANETA LOUCO

1. QUESTIONAMENTOS SOBRE O
BEM-ESTAR DA HUMANIDADE

É impossível esgotar qualquer tema. É


possível abrir caminhos e visualizar novos
horizontes.

Este livro tem o propósito de criticar, analisar e


propor alternativas para o bem-estar da humanidade.
O conceito básico é apresentar um sistema de
equilíbrio dinâmico, capaz de levar em consideração as
forças interativas.
A primeira constatação é a forte tendência
egoísta dos povos, nações, governos.
Ao invés do pressuposto inicial se concentrar
sobre o bem-estar da humanidade, cada povo deseja
unicamente a manutenção e ampliação de seus
interesses.
Os estados públicos são organizações
complexas, voltadas exclusivamente para seus
próprios umbigos.
A maioria enxerga o mundo a partir de sua
ótica.
É muito difícil superar estas barreiras inatas.
Predomina em todo ser vivente uma força
extraordinária no sentido da autopreservação.
A maioria que buscou a superação da visão
parcial acabou sacrificada ou desterrada.

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ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Todos os sistemas encontram-se em


permanente e contínuo processo de expansão.
É impossível represar ou conservar a dinâmica
da vida.
Mais que a idade física, construímos a idade
histórica. Isto quer dizer que uma pessoa com 30
anos, aqui e agora, é bem diferente que qualquer
pessoa com a mesma idade no ano passado, ou
mesmo ontem.
A humanidade inteira é herdeira da idade
histórica, sem qualquer limitação. A única qualificação
é estar vivo.
A nossa herança histórica não nós é concedida
sem qualquer responsabilidade.
Somos também causa e efeito da perspectiva
histórica.
O futuro está na mão da humanidade.
Todo tempo que virá à nossa frente vai pagar ou
colher as sementes que estamos semeando.
E a história perdura. Nós somos passageiros de
um vôo com início e fim.
O que podemos fazer para melhorar a vida de
todos os viventes do planeta terra?
Este é um eterno e importante desafio.
Podemos continuar praticando o jogo da defesa
tribal, estimulando as supremacias dos vencedores
sobre os perdedores, dos ricos sobre os pobres, dos
poderosos sobre os fracos, dos donos do mundo sobre
os vassalos.

21
PLANETA LOUCO

Podemos propor melhoria da qualidade de vida


de toda a humanidade mesmo vizinhando o mundo da
utopia.
Podemos limitar exageros cometidos em nome
da maioria.
Podemos desenvolver sistemas de
relacionamento mais equilibrados e harmônicos.
Podemos contribuir para o estabelecimento da
paz e bem-estar de todos.
Podemos reduzir as injustiças, respeitar as
liberdades, libertar os talentos.
Podemos permanecer de braços cruzados.
Podemos sentir medo de ameaças e retaliações
por parte dos poderosos.
Podemos ousar, falar, ver, ouvir, participar,
contribuir, somar, protestar.
Muita coisa depende de quem se considera o
proprietário do planeta terra. O raciocínio exposto
define o planeta como o local da prática de vida de
toda humanidade presente e futura, como tem sido da
humanidade passada.
Alguns consideram as guerras essenciais para o
desenvolvimento.
No entanto, o conceito de extermínio da nossa
própria raça é um contra senso perante a nossa
capacidade de pensar, raciocinar, analisar, criticar,
descobrir, inventar, e se relacionar.
Nosso vôo não é tão longo como todos desejam.
A ampulheta da vida está se esvaindo sem qualquer
possibilidade de interrupção. Pelo menos até este
momento.

22
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Dentro deste cenário, apresentamos 25


princípios a título de análise dos alicerces do nosso
relacionamento global.
A proposta é essencialmente questionar.
As definições servem como início de respostas. A
quantidade de princípios é absolutamente livre.
Visualizamos 15 valores. Eles abordam itens
essenciais de comportamento humano.
Procuram estabelecer quais são os principais
valores que cada ser humano deve manifestar neste
processo de relacionamento.
Os 11 compromissos procuram delinear o rumo
da perspectiva histórica a ser cumprida pela
humanidade.
Esta é a parte de análise e crítica.
A segunda parte é um plano de propostas para a
Nova Constituição do Planeta Terra abordando os
direitos individuais, coletivos e globais.
O conjunto tem a pretensão de propor e aprovar
por maioria a configuração de uma nova constituição,
adequada aos desafios de nossa herança e perspectiva
histórica.
O pressuposto básico é que podemos melhorar a
qualidade de vida da humanidade.
Podemos definir condutas equilibradas de gestão
pública, estruturadas nas responsabilidades dinâmicas
que alcançam os universos econômicos, sociais,
políticos.
Podemos sonhar com a paz entre os homens de
boa vontade.

23
PLANETA LOUCO

2. NOVA CONSTITUIÇÃO DO
PLANETA TERRA

A falta de credibilidade e o comprometimento


tendencioso corrompem os princípios, valores
e crenças.

A Carta das Nações aconteceu sob a motivação


da Segunda Guerra mundial. Os herdeiros daquela
situação dominaram as regras, os conselhos, as
diretrizes até hoje.
Neste ínterim, o mundo mudou muito.
São novos desafios, novos objetivos, novos
equilíbrios.
O ataque perpetrado contra o Iraque, sem
qualquer justificativa plausível, a não ser a mera
suposição da existência e desenvolvimento de armas
de destruição em massa, sem mesmo o consenso
internacional, revela a fragilidade e a brutalidade
possíveis de serem repetidas pelos pretensos
defensores da liberdade, da democracia, dos direitos
individuais e coletivos.
O ataque unilateral, prepotente e abusivo
causou mortes, destruição, ruínas e principalmente,
mais medo em todo mundo. Em qualquer país decente,
esta situação conduziria os autores aos mais pesados
ônus carcerários. Não foi auto defesa. Foi pura
pirataria, grotesca e descarada.
Dos 6 bilhões de viventes do planeta Terra,
apenas 2 bilhões pertence ao mercado de consumo.
Portanto, a maioria absoluta vive em condições

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ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

subumanas, escrava da sorte e das mazelas dos


grandes.
Precisamos de uma nova constituição. Feita por
todos. Que preserve o equilíbrio das representações,
reduzindo as possibilidades de loucuras
espalhafatosas.
Precisamos de uma nova constituição sem
prerrogativas permanentes. A situação de uns poucos,
unilateralmente, determinarem os desígnios de todos,
é absolutamente insustentável.
Os atuais Conselhos de Segurança preservam os
direitos e poderes dos que mandam, imperam e
escravizam em nome de uma democracia inexistente.
Não é tão complicado construir esta nova
Constituição. Cada país deve avaliar temas
relacionados com os direitos individuais, os direitos
coletivos, os direitos das nações, e posteriormente, em
uma Assembléia Universal, definirem conjuntamente
os princípios, os valores, as crenças que garantam o
equilíbrio e o desenvolvimento de todos os 6 bilhões de
habitantes deste planeta.
Como é que se faz isto?
Divulgando a idéia.
Pensando em voz alta. Criticando. Ponderando.
Apresentando caminhos.
Existem muitos referenciais. Desde a Carta das
Nações Unidas até a Declaração Universal dos Direitos
Humanos. Desde a nova constituição européia até os
direitos dos excluídos, brutalizados, injustiçados.
É importante repensar os princípios, valores e
diretrizes sob a aura da harmonia, do bem-estar, da
paz comum, ampla e geral.
25
PLANETA LOUCO

PRINCÍPIOS

26
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

3.PRINCÍPIO
27
PLANETA LOUCO

DA DIVERSIDADE EMOCIONAL

As pessoas são únicas e diferentes. A


diversidade emocional distingue a raça
humana.

O fantástico potencial de criar, pensar, inovar,


revolucionar revela inconteste a nossa diversidade.
Este processo é um estímulo contínuo e
permanente ao prazer de viver.
A percepção da diversidade quebra pré-
conceitos, barreiras, distâncias, separações. Quem é
melhor? Quem é pior? Quem é completo? Quem basta
a si, isoladamente? Quem é perfeito? Quem é
imperfeito?
Cumprir regras, obedecer a parâmetros,
manifestar concordâncias nem sempre se coaduna com
a diversidade emocional de cada vivente. Vamos e
voltamos da realização para a frustração em um
segundo. Por que somos emocionais? Por que somos
complexos?
As teorias e práticas de segurança tendem a
coibir as individualidades como se isto permitisse
controlar a emoção das pessoas. Lógico, conseguem
controlar os comportamentos externos supondo
valores normalmente dúbios. Como é que se censura a
emoção das pessoas?
Quem está do lado mal? Quem está do lado
bom?
Hoje, quem tem o poder de explodir mais
bombas, define estes códigos. Ou, falando claro,
28
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

impõem as regras, ditam o jogo. Para os discordantes


só resta a eliminação. Pior: sem bom senso e sem
capacidade de compreensão. Tal como na idade média,
que se queimavam bruxos e bruxas nas fogueiras, em
praça pública. Guantânamo é prova da luminescência
dos mandantes. Tem diferença da fogueira?
Aonde conduz este processo de intimidação? Ao
extermínio da diversidade? À censura ampla e
irrestrita? Até onde se pode pensar? Até onde se pode
emocionar? Até onde se pode contrapor?
Senhores e senhoras, faz parte da natureza
humana a ecodiversidade emocional. A questão é
como devemos lidar com as potencialidades de criar,
de pensar, de agir, de se expressar.
Até onde a ciência avançou, é impossível
configurar a expressão de humanidade.
Que liberdade devemos nos conceder? Até onde
podemos imaginar ou sonhar?
Aceitar a diversidade emocional não dói, não
machuca, não traumatiza. O que causa estranheza são
as ações emanadas dos que desejam homogeneizar
fatores totalmente heterogêneos.
A maioria das intransigências está afeta ao jogo
de impor comportamentos. Não se pode pensar o
absurdo e o irreal. Por quê?
A diversidade emocional pressupõe os
contrastes da vida de qualquer pessoa. A não
admissibilidade desta realidade é no mínimo, estranha
e falsa.

4.PRINCÍPIO

29
PLANETA LOUCO

DA FORMAÇÃO INTEGRAL

O desafio de preparar o cidadão para a vida


em sociedade reposiciona o papel do gestor
comunitário.

A missão de qualquer agrupamento humano do


planeta terra é preparar seus indivíduos para a vida
em comunidade, levando em consideração o processo
dinâmico de nossa existência e sua atualização
permanente.
Não é suficiente ensinar a ler, calcular,
conhecer. Todos precisam estar inseridos no tecido
social, participando para a melhoria de qualidade de
vida.
Além dos aspectos formais a maior
responsabilidade abrange a vivência de valores,
princípios, crenças direcionados para estimular a
criatividade, o pensamento crítico, e essencialmente, a
alegria de viver.
Quantas nações levam em consideração o
planejamento estratégico para os próximos 50 anos?
Quantas nações preparam integralmente seus
habitantes para a vida social, econômica, política e
cultural?
Salvo as diferenciações econômicas, entre ricos
e pobres, nenhuma nação pode se excluir de capacitar
seu povo para o relacionamento entre pessoas vizinhas
de local, região, nação, planeta.
Não se trata de alterar a tradição e cultura, ou
prescindir da diversidade emocional de todos.

30
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

O ponto essencial é o intercâmbio de modelos,


vivências e acertos.
Não se pode ausentar da responsabilidade em
preparar os habitantes do mundo inteiro para a vida
participativa e associativa. O que é feito hoje neste
sentido? Com certeza absoluta, muito pouco.
Não basta se condoer com a miserabilidade
passando restos de alimentação. Não basta transferir
esmolas. Não basta chorar a desgraça alheia. Urge
preparar, principalmente os menos favorecidos, para
participar da vida em sociedade onde e em que nível
ela ocorra. E os menos favorecidos precisam caminhar
com suas próprias pernas e dignidade. Um faz o pão,
outro cultiva a terra, outro recolhe o lixo, outro
constrói e todos participam.
Participar da sociedade é direito primordial de
todo vivente humano. Quando este direito vai ser
respeitado e valorizado?
A maioria dos habitantes do planeta terra está
hoje excluída do direito de participar da sociedade.
Existe verdade mais contundente que esta?
O que fazemos para transfazer este quadro?
Eliminamos os miseráveis?
Em regra geral todo poder é exclusivista e
individualista. Pensa primeiro em si, depois no seu
grupo, depois nos seus interesses, depois na sua
proteção, e apenas aparentemente, faz o jogo de cena
de que está preocupado com os pobres e
despedaçados. Não resolve ficar falando. É
fundamental agir para o bem de todos.

5.PRINCÍPIO
DA INTERDEPENDÊNCIA
31
PLANETA LOUCO

GLOBAL

Para usufruir a existência com qualidade,


todos interdependem de todos.

Cada vez mais dependemos uns dos outros.


Enquanto os fluxos de produtos e serviços ultrapassam
todas as fronteiras, os fluxos de renda tratam de
compensar o jogo dos líderes de mercado.
Uns usam o máximo de tecnologia e
competência gestora. Outros, ainda são primários.
A grande dificuldade da interdependência global
é o fluxo de renda. No Brasil, 1% dos mais ricos ganha
mais que 40% dos pobres.
O trabalho dos pobres vale menos? Quem pode
auxiliar a melhoria de fluxo de troca dos menos
favorecidos? Os governos públicos, interessados em
ampliar suas arrecadações, suas influências políticas,
suas manobras de poder?
Como se promove o desenvolvimento? Quais são
os limites éticos da interdependência global? Até onde
posso explorar ou ser explorado? Quem vai recolher o
lixo dos ricos? Quem vai preservar os paraísos dos
ricos?
O processo de interdependência envolve um
sistema de participação na vida da sociedade.
É essencial que todas as pessoas, sem distinção,
participem ativamente de suas comunidades locais,
regionais, nacionais, internacionais.
Alguma formiguinha fica fora do formigueiro?
Alguma abelhinha fica fora de sua colméia? Não

32
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

conseguimos, ao menos, avaliar o exemplo destes


animais associativos?
Quando a humanidade vai descobrir e aceitar
que todos interdependem de todos? Como se preserva
o direito de participação do menos preparado?
Quase todas as nações desenvolveram
legislações para equilibrar os direitos dos deficientes
físicos. Poucas conseguem equilibrar os direitos de
participação dos deficientes em preparação.
Quem é responsável em preparar a sociedade
para a vida participativa? Todos nós? O terceiro setor?
O Estado?
Até onde queremos ficar cegos e não ver a
realidade que nos cerca?
Até onde queremos garantir nosso conforto ao
preço da exploração dos limpadores dos lixos que
produzimos?
De um lado, estão os donos do mundo. Do
outro, os lixeiros do mundo. Acontece que estes
somam 4 bilhões de viventes. Simplesmente, a
maioria. Isto é prova de normalidade.
Mesmo os países mais ricos semeiam pobreza.
Alguns forçam a competição estressando e
enlouquecendo os despreparados. Tudo em nome da
vitória acima de todos os valores, e a qualquer preço.
Na verdade, instituíram valores do absurdo.
Afinal, devem sobreviver unicamente os ratos mais
resistentes.
Não era Hitler quem defendia a raça pura, a raça
superiora?

6.PRINCÍPIO

33
PLANETA LOUCO

DA SEGURANÇA GERAL

A maior segurança é a que preserva a


dignidade e valorização de cada habitante do
planeta.

A insegurança é decorrente de desequilíbrios


sociais. E essas desventuras estão espalhadas pelo
mundo inteiro. A distância entre ricos e pobres,
poderosos e fracos, ditadores e escravos estimula
reações de equilíbrio. Ou contra reações.
Quando se esgota a capacidade de diálogo,
quando uma parte vê exclusivamente seus benefícios,
quando os pressupostos ultrapassam a barreira do
bom senso, da lógica e do respeito mútuo, a semente
da discórdia prospera.
É um absurdo a política de focinheira, de
prisões, de ameaças, de pressões exigindo que todos
adotem comportamentos puritanos, à semelhança dos
ditames interpostos pela desacreditada coalizão. É um
absurdo a fiscalização de pensamentos, expressões,
liberdades. É um absurdo o jogo sem escrúpulos
praticado pelos donos do poder.
Houve momentos em que Sadam e Bin Laden
estavam “convenientes”, apenas para referir-se aos
temas mais evidentes. Mais à frente, a conveniência se
esvaiu pelo ralo dos interesses. Essa duplicidade de
comportamento, essa falha gritante de personalidade,
afronta qualquer modelo de segurança desejado.
Vivemos uma realidade esdrúxula quando os
censores eliminam as liberdades criando a fantasia do
direito preventivo de assassinar, arruinar, exterminar.
34
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Argumentação de defesa: a segurança do mundo. Uma


segurança construída por bombas, ameaças,
bloqueios, detectores, prisões sumárias, restrições,
pressuposições, fantasias.
Assistimos calados e atônitos o caminho trilhado
pela barbárie. O princípio do raciocínio de segurança,
criando e estimulando o universo do terror, separando
os povos em bons e maus, segregando culturas,
religiões, tradições em nome do xerife da vida, é
terrivelmente sarcástico com o respeito e dignidade
aos humanos.
Segurança se constrói com o bem-estar de todos
viventes que disputam a oportunidade em participar da
sociedade.
Não basta a segurança de uns. Não basta a
segurança do meu reino. Não basta o enriquecimento
de poucos. Não basta o apoderamento pirata dos rios
Tigre e Eufrates, berço da civilização.
É necessário trabalhar para que todos
participem da sociedade sob qualquer dimensão que se
queira. A proteção de guetos, de grupos, ou mesmo de
país tem que levar em consideração a
interdependência da humanidade.
Se a política isolacionista de Israel for mantida,
é mais conveniente propor uma mudança para
qualquer outro planeta que vagueia pelo universo.
O triste é que outras sociedades parecem
almejar os mesmos princípios segregacionistas. Nesta
altura vale perguntar: qual era a intenção de Hitler?

7.PRINCÍPIO
DO CAMINHO DUPLO

35
PLANETA LOUCO

As mesmas coisas que valem para um lado


valem também para o outro.

Assistimos diariamente demonstrações de força


onde os mais preparados têm prevalência sobre os
menos preparados. Uns podem desenvolver e dispor
da bomba atômica. Outros não podem.
O precedente abre um universo de
favorecimento, totalmente injusto. O correto seria
nenhum país dispor de artefatos nucleares.
A lógica, no entanto, é crucial: quem possui não
quer em hipótese alguma se desfazer. Pior: limitam
todos os demais a não conquistarem os mesmos
trunfos.
É muito fácil ver as relações a partir do jogo do
poder, do jogo da ameaça, do jogo dos interesses.
O princípio do caminho duplo é universal: tudo o
que é válido para você, é válido para mim.
O princípio vai contra prerrogativas, vantagens
especiais, deferências econômicas, benefícios
exagerados.
Se eu devo respeitar qualquer povo, você
também deve respeitar meu povo, minha cultura,
minhas características.
A essência da nova ordem internacional é o
equilíbrio entre as partes. Não inclui buscar a
igualdade pela igualdade.
Inclui preservar o equilíbrio entre as
desigualdades. Inclui o respeito e valorização das
liberdades mútuas.

36
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Infelizmente o mundo moderno tornou-se


violentamente díspar. Os maiores preservam suas
vontades e desígnios através de um processo absurdo
de imposição. Os menores simplesmente são obrigados
a cumprir o caminho traçado pelos poderosos.
Não há nenhuma alternativa.
O jogo econômico procura essencialmente
estabelecer diferenças de inferioridade. E
conseqüentemente, procura determinar a reação dos
oponentes.
Funciona como uma escravidão velada.
Por que o caminho duplo e não o caminho do
mais forte, do mais preparado, do mais poderoso?
A resposta é irônica: porque não somos ratos.
Ou será que somos?
Confesso que a dúvida persiste.
Imagine uma raça de viventes que não
consegue viver em harmonia e que precisa eliminar-se
mutuamente para crescer.
Imagine uma raça diferente, que só se contenta
com o jugo de seu semelhante.
Imagine uma raça denominada ironicamente de
homo sapiens.
Conseguiu imaginar?
Apague tudo. Nada existe. Estamos sonhando de
olhos abertos.
Ainda bem.

8.PRINCÍPIO
DO CONHECIMENTO LIVRE

37
PLANETA LOUCO

Todos perdem com a limitação do


conhecimento. Conhecer é o impulso vital da
espécie humana.

O conhecimento é uma moeda valiosa,


preservado pelos grandes como arma estratégica de
domínio global. O interesse que se evidencia como
legítimo, é tirar proveito sobre os demais.
O questionamento principal refere-se ao
propósito deste proveito, normalmente impensável e
indescritível. As aeronaves invisíveis são criadas para
defender a sociedade ou exterminar a mesma
sociedade? As bombas de fragmentação consideram a
humanidade como amiga ou inimiga?
Ninguém é santo. A disputa por vantagens faz
parte da nossa eterna competição. O conceito de
competir para destruir a própria espécie humana
revela uma capacidade hedionda de seus autores.
Por que o conhecimento não pode ser livre? É
preciso remunerar o autor? Por que não se estabelece
a taxa universal de libertação do conhecimento?
Infelizmente a sua não liberdade esconde
interesses dúbios, próprios dos piores criminosos,
legalizados e protegidos pelas casas brancas,
detentoras de todo o poder de destruição e extermínio.
Quando vamos conseguir libertar o
conhecimento para promover a melhoria de qualidade
de vida da nossa espécie humana?

38
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Mesmo que os mandatários superiores deste


planeta não queiram, caminhamos para a libertação
definitiva do conhecimento.
Os consumidores deste planeta estão
começando a buscar produtos e serviços que não
causem dano ao meio ambiente e ao desenvolvimento
social de todos.
Os consumidores deste planeta identificam
claramente os senhores da guerra e do extermínio, e
reconhecem suas intenções egoístas e indecentes.
Não está no momento de repensarmos os
princípios que regem as relações entre as nações deste
planeta?
Até quando vamos suportar o vandalismo que
protege as bombas nucleares, bombas de
fragmentação, satélites espiões, assassinatos
legitimados pelo poder, invasões e destruições de
nações supostamente consideradas do mal?
Que conhecimento permitiu o desenvolvimento
das armas químicas? O conhecimento dos esfarrapados
e famintos?
Que conhecimento está sendo urdido nos
esconderijos dos antropófagos que comandam os
desígnios de bilhões de fantoches humanos?
Que bombas estão sendo criadas e planejadas
para melhorar a qualidade de vida de todos?
Infelizmente a pergunta é inocente. Por lógica,
as bombas são feitas para destruir.
Quem tem o sagrado direito de destruir, de
assassinar, de arruinar vidas e mais vidas?

39
PLANETA LOUCO

9.PRINCÍPIO
DO CRESCIMENTO MÚTUO

O crescimento é a forma mais inteligente de


melhorar a qualidade de vida do mundo
inteiro.

Quanto mais o mundo crescer, melhor será a


vida das pessoas. Não se pode limitar a capacidade de
evoluir. Integramos este processo desde os primórdios
da nossa civilização. Descobrimos que a vida é
dinâmica e contínua. No entanto, quem está em
primeiro lugar quer manter a hegemonia conquistada a
todo preço.
Infelizmente impera ainda o arcaico conceito das
civilizações escravas, apelidadas ironicamente de
terceiro mundo. Vale a regra do tudo para mim, nada
para você.
É fundamental promover o crescimento de
todos, principalmente os menos favorecidos.
Quando a riqueza circulante aumenta, mais
pobres passam a viver melhor, enquanto os ricos
participam de um bolo maior. É elementar meu caro
Watson.
Por que os países rejeitam este princípio? É o tal
do egoísmo? Ou como inquiria Wilhelm Reich, todo ser
humano se considera o único deus do mundo?
O outro lado da moeda é muito difícil de ser
vivido. Mesmo assim, a sociedade internacional
começa a cobrar compromissos sociais e ecológicos de
todas as empresas.

40
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Muitos pensam que a justiça está em cobrar


cada vez mais dos ricos. Na verdade a justiça está em
promover o crescimento mútuo, liberando o caminho
para o exercício do talento, da criatividade, da
inteligência, da oportunidade, da participação.
Na idade média, os senhores feudais cultivavam
súditos. Hoje, os donos do mundo cultivam os mesmos
súditos.
Há uma diferença: valem muito menos.
O eterno jogo do bem contra o mal contínua. O
mal predomina temporariamente. A história está
repleta de exemplos.
Uma das causas do fim da escravidão foi a
expansão do mercado econômico. Novamente a
mesma causa entra em cena.
A proposta é simples e fácil: transformar 4
bilhões de viventes humanos em potenciais
consumidores, integrados à sociedade.
Utopia? Impossível?
Se ninguém tentar, e se até lá a nossa espécie
não se autodestruir, os viventes do futuro vão escrever
belas histórias dos séculos vinte e vinte e um.
Era uma vez um povo orgulhoso e poderoso,
capaz de subjugar os fracos e despreparados. Esse
povo, extremamente superior, fazia o que bem queria.
Os outros reclamavam.
Não adiantava. Imperava a lei do mais forte.
Esse povo dominava a arte de matar, de
piratear, de destruir.
E assim, ninguém vivia feliz.

41
PLANETA LOUCO

10.PRINCÍPIO
DO LIMITE DO PODER

A simples possibilidade do poder manobrar e


controlar a maioria obriga nova conceituação.

O poder descobriu que para mandar mais, e


fazer o que bem entender, precisa controlar a maioria,
mesmo que isto custe pesadas concessões, acordos
estapafúrdios, alterações antes inimagináveis.
Configuram-se dois momentos diversos: a
conquista do poder através do voto, e o exercício do
poder através das santas conveniências.
Para conquistar o poder vale tudo,
principalmente mentir, mentir e mentir. Para exercer o
poder também vale tudo, principalmente comprar,
comprar e comprar.
Os eleitos pelo poder não são os mesmos.
Durante a fase de conseguir seu voto, são
simplesmente perfeitos, puros, honestos, autênticos.
O exercício do poder vem acompanhado de um
feitiço extraordinariamente forte: a pessoa se
transmuta.
O problema essencial está em os eleitores
conquistarem a garantia de que elegeram a mesma
pessoa, os mesmos princípios, os mesmos valores, os
mesmos compromissos realizados na fase de
campanha.
O contra feitiço obriga um repensar do exercício
do poder.

42
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

A destruição das torres em 11 de setembro de


2001 prova como um fator emocional permite a
condução da maioria, mesmo que isto represente a
eliminação dos direitos de liberdade, a eliminação de
princípios internacionais, incluindo a prerrogativa de
apontar culpados sem prova, bastando uma simples
suspeita.
O poder está sendo exercido para beneficiar o
povo norte-americano e a humanidade? Ou o poder
está sendo exercido para beneficiar interesses
econômicos e imperialistas?
O Afeganistão entrou pelo cano do petróleo?
O Iraque está sendo destruído, pirateado,
saqueado em nome da liberdade do povo iraquiano?
São perguntas.
As respostas contrastam violentamente com o
exercício do poder.
No mundo de hoje existe a possibilidade de
surgir um novo Hitler? Que invade territórios alheios
matando pessoas sem qualquer julgamento ou
possibilidade de defesa? Que destrói impiedosamente
lares, famílias, cidades, tradições?
Que aprisionam pessoas como se fossem
animais bravios e as tratam acima de todas as leis e
direitos estabelecidos até hoje?
Que sob suspeita, prende qualquer pessoa,
mantendo-a incomunicável pelo prazo desejado?
Que autoriza os serviços secretos exterminarem
pessoas inconvenientes?

11.PRINCÍPIO DA
REPRESENTATIVIDADE TOTAL
43
PLANETA LOUCO

Todos devem estar proporcionalmente


representados, sem exceções ou exclusões.

Os habitantes do planeta Terra devem possuir


os mesmos direitos e deveres. Não existem
justificativas para vantagens ou benefícios especiais.
Infelizmente a palavra competir é compreendida
ainda como dominar. E na acepção mais adequada,
escravizar ou subjugar. Esse poder sempre será
rejeitado, em qualquer tempo e momento, por pura
questão de lógica. E justiça.
O mundo não está representado
adequadamente. O mesmo poderio conquistado na
pós-segunda guerra mundial perdura como se o
cenário permanecesse absolutamente igual.
Vivemos outros tempos, outros desafios, outros
compromissos, outras responsabilidades.
As democracias, estruturadas a partir dos
princípios oriundos da Revolução Francesa, não se
atualizaram.
Falta o Poder Representante composto por
indivíduos com o papel específico de zelar pelo
crescimento contínuo e permanente de suas bases.
Erroneamente confunde-se o atual poder
legislativo, aquele que faz as leis, com essa
representatividade.
Este poder, em regra geral, não possui
compromisso a não ser praticar a política da simpatia e
demagogia com o intuito de se reeleger.

44
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Todo vivente deste planeta terra deve ser


representado em nível superior. Para existir
legitimidade no processo, é necessário que o
representado tenha pleno e total acesso ao seu
representante.
Hoje, na falsa democracia, elegemos os
representantes para participar das benesses palacianas
e só vamos relembrar de suas atribuições nas
próximas eleições.
O mundo não pode ser tratado como um grande
rebanho de idiotas que segue a direção traçada
previamente pelos donos do poder.
Desde a metade do século passado vivemos sob
o jugo imperialista. Ninguém vê, ninguém fala,
ninguém ouve. Cada um procura seu próprio espaço,
desde que as bombas não caiam ao seu lado.
A humanidade vem usufruindo o poder como
forma de dominar seu próprio povo, impondo um
marketing terrível de condução e sugestionamento,
protegidos pelos pretensos direitos humanos, pela
desacreditada Cartas das Nações Unidas, pela hipócrita
democracia.
Qual é a justificativa para 5 países
permanecerem indefinidamente com direito a veto,
perdurando uma pós-segunda guerra mundial,
totalmente em descompasso com as novas realidades
mundiais?
Esses países representam todos os 6 bilhões de
habitantes deste planeta?

12.PRINCÍPIO
DA DEFESA DE TODOS

45
PLANETA LOUCO

A importância das nações não pode ser


medida pelo poder de destruição que
possuem.

Alemanha, Itália e Japão são provas de que as


nações podem viver sem forças armadas. Basta existir
uma força única, internacional, para prevenir e evitar
conflitos.
Não existe qualquer lógica no processo
armamentista liderado pelos Estados Unidos.
A desproporção representa hoje, a maior
ameaça para a humanidade.
Tanto no ataque ao Afeganistão como ao Iraque
o mundo assistiu a capacidade destruidora exercida do
outro lado do mundo.
É inconteste que os norte-americanos podem
atacar e destruir quem desejar. Revelaram algumas
tecnologias modernas de destruição em massa.
Criaram a mãe das bombas. Louvam-se na capacidade
de realizar ataques cirúrgicos com bom nível de
precisão. Desenvolveram o famoso escudo
internacional antimíssil.
Se por acaso, houver erro de alvo, não é
necessário explicar nada para o mundo. Todos
permanecem calados e atônitos.
Restam dois caminhos: o do armamento
desenfreado e total, ou o do desarmamento global,
substituído por uma força multinacional, com
parâmetros rígidos e pré-definidos para entrar em
ação.

46
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Ainda, o aparente receio dos países poderosos é


um hipotético ataque nuclear, de danos irreparáveis
para a humanidade, o meio-ambiente, e
principalmente, o relacionamento harmonioso e
inteligente.
Para qualquer estrategista internacional,
significa que a posse de artefatos com alta tecnologia é
o único meio de autoproteção.
Será que os donos do mundo pensam que as
demais nações do planeta não compreendem o cenário
internacional?
O que é mais importante para os senhores da
guerra: proteger ou eliminar?
Quais são os interesses que correm soltos por
trás de tudo isto?
Como o contribuinte aceita ser esfoliado em
seus direitos primordiais, quando o jogo armamentista
virou um grande negócio para poucos?
Até que ponto a Coréia do Norte, o Irã e a Síria
acreditam na possibilidade de não serem varridos
deste planeta? Ou entendem plenamente as ameaças?
Será que outras nações sentem o mesmo
temor? Ou terror?
Quem consegue viver em paz com tanto poder
em mãos santas e, pretensamente, voltadas para a
preservação do bem da humanidade?
Quem vive em paz?
Quem vive com medo?

13.PRINCÍPIO
DA PROMOÇÃO SOCIAL

47
PLANETA LOUCO

A função essencial dos governos é a melhoria


de qualidade de vida de seus povos.

As nações guerreiras atendem o princípio da


promoção social? Em seus reinos não existem pessoas
despreparadas, pobres, desempregadas?
Quem se beneficia com as guerras? Os
fabricantes de armas? Onde eles se protegem?
Se as armas de destruição em massa são
proibidas nos países do mal, por que elas são
fabricadas pelos donos do mundo, dentro de seus
próprios limites, sob a tutela do estado? Por que tanta
arma? É para proteger ou exterminar?
Onde é o reino da hipocrisia?
Infelizmente as armas de destruição em massa
estão em poder dos donos do mundo.
Quem garante a sanidade dos senhores da
guerra? Eles próprios? Em causa própria?
O mundo inteiro acredita e não vê, não ouve,
não fala.
A necessidade de um condutor, comandante,
líder, ou mesmo governante é essencial para o
desenvolvimento de qualquer povo, nação ou estado.
Muitos, no entanto, lideram em favor pessoal e
de seu grupo de apoio. Esses desvios denunciam o
tamanho exagerado do estado em relação às
verdadeiras causas que devem ser promovidas.
De toda riqueza produzida anualmente no Brasil,
uma terça parte é o custo governamental. Até quando
48
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

o povo brasileiro vai suportar este exagero? Quando


todos se descobrirem mais pobres, esfarrapados,
famintos?
As intervenções são fáceis quando dependem do
dinheiro alheio. Se nos países menos desenvolvidos
predomina a corrupção, nos países de primeiro mundo
predomina o favorecimento por informações
privilegiadas, nivelando ambos os procedimentos. Qual
é mais ético? Qual é mais aceitável? Como é possível
evitar estas situações?
Cada povo deve desenvolver seus mecanismos
de equilíbrio. No entanto, cabe ao governante o papel
essencial de promover a melhoria de qualidade de
vida, zelando para que todos possam participar da
sociedade, levando em conta a diversidade emocional,
a responsabilidade social, a formação integral, a
cultura, o bem-estar, e as oportunidades de futuro.
Cabe aos governantes o papel de promover os
menos preparados, os pobres, os excluídos.
Não existe justificativa para um governante
fazer guerras por todo lado quando seu povo sofre
dificuldades.
Se os governantes cuidassem de melhorar a
qualidade de vida de seus povos, restaria menos
tempo para as conquistas e domínios pelo mundo
afora.
Por simples lógica, ao invés de gastarem
fortunas e fortunas na promoção de guerras, calculem
quanto se poderia melhorar o mundo inteiro.
Parece que a causa da guerra é mais nobre.

14.PRINCÍPIO

49
PLANETA LOUCO

DA INDEPENDÊNCIA
GERAL

Qualquer dependência interfere com a


liberdade individual. É essencial dispor de
alternativas.

A quantidade de habitantes que diariamente


tomam remédios, de forma dependente, sem
possibilidade de alternativas, é um exemplo que se
contrapõe com os direitos fundamentais.
Este fenômeno abrange todo mundo. Ricos e
pobres. Doentes reais, doentes convenientes e
hipocondríacos.
Ganhar dinheiro sobre a desgraça alheia,
obrigando compras contínuas e permanentes, pode
revelar uma prática criminosa contra a humanidade.
São restritas e claras as necessidades de dependência.
Infelizmente, é fácil conhecer diversas pessoas que
dependem de remédios para viver.
Qual é a dimensão desta verdade? Não seria
conveniente estudar e testar os casos de dependência?
Será que as tecnologias atuais não conseguem libertar
a saúde das pessoas? Ou será que este universo
representa um grande enigma?
Para participar eficazmente da construção da
sociedade, todas as pessoas precisam estar de bem
consigo próprias.
O que se pretende discutir é a prática econômica
abusiva, no sentido de transformar o consumidor em
um comprador contumaz e dependente.

50
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Por que o exemplo da saúde? Porque ela


permite a ação velada de ameaças. Está em jogo a
continuidade da vida. Até que ponto pode se eliminar
as opções de escolha?
Por seu lado, os donos do mundo jogam
espetacularmente este jogo.
Antes da invasão do Iraque, a coalizão foi clara:
ou é amigo ou inimigo dos Estados Unidos. Se inimigo,
agüente as conseqüências.
Qual foi a opção de liberdade?
Imagine este posicionamento por parte do país
que defende a liberdade como o ponto máximo da
democracia.
Por que o povo norte-americano permitiu o uso
indevido de seus princípios, até então, fundamentais?
Pela mídia? Pela aventura? Pelo clima de terror?
Grave é o aprisionamento do espírito norte-
americano de liberdade.
Será que a estátua da liberdade não sente
vergonha?
Claro que não. É estátua. Nada mais que isso.
O que se pode esperar? Tudo.
Os princípios não podem ser corrompidos. Por
isso devem ser gerais e não específicos. Devem
predominar sobre o tempo e as circunstâncias.
Liberdade requer o direito de escolha. Sem
ameaças, sem retaliações, sem contra respostas.
Será que o exercício do domínio deturpa o
princípio da liberdade?

51
PLANETA LOUCO

15.PRINCÍPIO
DA UNIDADE BÁSICA

Todo habitante do planeta precisa de um


refúgio, digno e seguro.

Todos, homens e mulheres, desejam participar


da sociedade. Suas contribuições se transformam em
rendimentos, e depois em produtos e serviços.
A unidade familiar clássica, pai, mãe, filhos, está
herdando novas configurações?
Os pais e mães, de forma independente,
exercem atividades incompatíveis com a dedicação
clássica ao lar?
As crianças precisam da pré-escola e de um
sistema educacional integral capaz de prepará-las para
a vida em sociedade?
Quem cuida disto? Que papel cabe aos pais?
Como ficam os conceitos tradicionais de família?
Muitas sociedades já desenvolvem soluções
compatíveis com esta nova realidade. A maioria, no
entanto, resiste a essas tendências.
Pouco a pouco, a habitação clássica (área social,
íntima e serviços) ganha novos contornos, forçada pela
tendência da individualização.
Mesmo assim, as pessoas necessitam de um
local próprio para alicerçar sua estabilidade emocional.
Pode funcionar como mini castelos dos reinados
independentes de cada um dos 6 bilhões de viventes
deste planeta. Todos diversos uns dos outros.

52
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Tende ao fim a família clássica e tradicional?


A tendência mostra unidades básicas,
independentes?
Estas unidades estão inseridas ou não em um
círculo de amigos, conhecidos ou mesmo parentes?
Estas novas formatações são consideradas tal
como a realidade?
Os códigos de comportamento estão adequados?
Devemos analisar novas alternativas, novos
caminhos, novos valores?
Em que fase desta transição o mundo se
encontra? Quais são as resistências?
Qual é o conceito de família?
A direção a ser perseguida é o bem-estar, físico
e emocional, de cada habitante do planeta,
favorecendo sua realização individual e coletiva.
Para onde estamos indo?
Os princípios servem de alicerce para o
desenvolvimento de novos parâmetros de
relacionamento local, regional, nacional e
internacional. Eles independem de fatos
circunstanciais.
A unidade básica precisa ser claramente definida
e configurada.
A partir dela se estabelecem os direitos
individuais e coletivos, ao nível nacional e
internacional.
É fundamental preservar a qualidade de vida de
todos humanos, independente de local, credo, cor, e
qualquer tipo de limitação ou exclusão.

53
PLANETA LOUCO

16.PRINCÍPIO
DA JUSTIÇA UNIVERSAL

Os crimes contra a humanidade precisam ser


julgados com transparência, independência,
autonomia.

Se cada habitante do planeta considerar-se no


direito de fazer a justiça por suas próprias mãos, onde
vamos parar?
Após o bom senso e a capacidade de propor e
aceitar acordos, é fundamental dispor de um sistema
intermediador voltado para a manutenção da paz, da
promoção social, do bem-estar comum, do
relacionamento pleno, salvaguardando as liberdades
individuais e coletivas.
O uso da força máxima só pode ocorrer após as
decisões judiciais. Do contrário, vamos continuar
assistindo os desmandos cometidos como a recente
invasão do Iraque.
Quais foram os alicerces jurídicos da invasão?
Quais foram os fatos comprovados autorizando o uso
da força bruta, da destruição em massa, do
assassinato cirúrgico?
Até quando os donos do mundo podem alegar
razões de ordem própria, justificando seus delitos
contra a humanidade?
Até quando esses senhores da guerra e
extermínio, em nome de uma política prevencionista,
podem despejar toneladas e toneladas de bombas de
destruição em massa onde desejarem?

54
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Até quando os métodos de espionagem e


sabotagem acima de todo e qualquer limite podem ir?
Até onde os olhos do mundo não conseguem
enxergar?
Como se decide o impasse entre palestinos e
judeus, definitivamente, de forma clara para o mundo
inteiro? Permitindo o jogo das bombas de destruição
contra os homens que se destroem?
Até quando o mundo pode permanecer omisso,
calado, cego, surdo?
Como se compreende Guantânamo? Onde se
escondem as liberdades fundamentais de todo ser
humano?
A justiça internacional, independente, livre,
autônoma, é um instituto de maturidade e inteligência.
Definitivamente os crimes contra a humanidade
precisam ser julgados e sentenciados. Nenhum homem
pode sobrepor-se ao interesse comum do planeta
terra.
Não cabe aos donos do mundo o poder para
determinar os desígnios de todos seus viventes.
Os juízes internacionais deverão julgar os
processos sob a luz da Nova Constituição do Planeta
Terra.
Não se pode limitar ou comandar o poder
judiciário através dos mandatários, benefícios
econômicos, interesses particulares.
A Justiça Universal deve ser absolutamente
independente, autônoma e essencialmente,
transparente. Suas decisões devem predominar sob
qualquer pretexto.

55
PLANETA LOUCO

17.PRINCÍPIO
DA CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES

Ao invés de destruir, o mínimo que a


humanidade deve fazer, é conservar o que
existe.

O nosso planeta vem sofrendo transformações


contínuas e permanentes durante os séculos.
Algumas intervenções aceleram o extermínio
das espécies existentes, incluindo obviamente a
espécie humana.
As responsabilidades não podem ser mais
ditadas pelos interesses dos donos do mundo ou
mesquinhamente, por interesses econômicos.
A responsabilidade é da humanidade, todos nós,
conjuntamente.
De vez por todas, o mundo precisa instituir o
sistema de defesa do meio-ambiente em sua
integralidade. E todos, ricos e pobres, poderosos e
fracos, preparados e despreparados, devem respeitar
os princípios que beneficiam todo o planeta terra, sem
unilateralidade ou jogos de favorecimento.
Infelizmente assistimos o domínio da
mesquinhez, como se o restante do planeta fosse um
mero quintal dos donos do mundo.
Qual é a inteligência perdida atrás de benefícios
exclusivos, particulares, de um aqui e agora como se o
todo pudesse ser disputado por vaidades de deuses?

56
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Se a vantagem de uma minoria prejudica o


bem-estar da humanidade, qual é a ousadia para
subverter o bom senso?
Enquanto isto, o mundo não vê, não ouve, não
fala.
O que é necessário para conviver
harmonicamente com o ambiente integral?
Precisamos ampliar as visões pequenas, de um
mundo do tamanho do umbigo de cada nação.
Habitamos o mesmo planeta. Dependemos de uma
faixa estreita de oxigênio, de temperatura, de pressão.
Temos capacidade para ampliar as faixas
existentes, ou como vândalos, damos prioridade aos
interesses particulares?
Quando o interesse de um povo pode se
sobrepor aos interesses de todos os povos? Quando
este povo é dono do maior arsenal de armas de
destruição em massa?
Está provado que os habitantes do planeta terra
são terrivelmente egoístas.
Cuidam de seus benefícios diretos e imediatos.
Transformam suas vidas na eterna corrida do
ouro.
Será que existem esperanças?
Será que o planeta tem capacidade para viver
solidário?
Será que conseguimos conviver?
Será que não somos capazes de melhorar a
qualidade de vida da humanidade?

57
PLANETA LOUCO

18.PRINCÍPIO
DA CULTURA
DOS POVOS

A manifestação de sensibilidade é um fator


essencial para transfazer a humanidade.

As expressões de cultura de cada povo, local,


região, nação aprimoram a convivência entre todos
humanos.
Através da música, teatro, dança, poesia,
humor, pintura, escultura, literatura, e manifestações
similares, as pessoas percebem-se umas às outras,
descobrindo suas leituras, potencialidades,
interpretações. E exprimem seus valores, crenças,
sonhos, expectativas.
Enquanto a educação formal treina a capacidade
de análise e interação com o funcionamento racional
da sociedade, a cultura desenvolve a alma dos povos,
contribuindo com o afloramento da sensibilidade.
O ser humano é essencialmente emocional,
muito mais que racional. Esta dimensão produz um
encadeamento fantástico de reações de vida e alegria.
Que importância tem a cultura dos iraquianos,
dos afegãos, dos judeus, dos palestinos, dos sírios? É
possível apreciar o trabalho produzido pelos artistas
destes povos? Onde? Quem canta, quem dança, quem
representa, quem alegra, quem chora?
O que os gestores fazem para facilitar e
valorizar as expressões de cultura?

58
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Que cultura é essa que se restringe aos salões,


teatros, palácios, museus, elites?
Que cultura é essa convertida em dólar,
investimentos, coleções milionárias apreciadas por
menos de 1% da humanidade?
Por que as criações da humanidade artista não
alcançam a maioria?
É fundamental libertar a cultura dos povos. É
fundamental abrir as portas da sensibilidade.
É fundamental atingir todas as pessoas,
facilitando, promovendo, acessando a arte da vida, o
talento, a criatividade, a interpretação.
A cultura é também a linguagem universal.
Independente de qualquer código vocal, nível de
preparação, barreiras ou limites de qualquer ordem,
todo ser humano, de todo credo, cor, forma, se
emociona com a expressão de criatividade através da
cultura e da arte.
O mundo ainda não descobriu a importância da
cultura no processo de engrandecimento de todos.
Infelizmente, mantém a cultura fechada no cofre
da elite. Longe dos povos.
O direito de expressão cultural e artístico é um
direito fundamental.
A cultura age silenciosamente fora das salas de
aula, no meio da vida, no caminho de todos.
A cultura é essencialmente dinâmica. Extravasa
os espíritos, ultrapassa paredes, trasfaz a humanidade.
Vale sublinhar: é fundamental libertar a cultura
dos povos.

59
PLANETA LOUCO

19.PRINCÍPIO DA
INTERNACIONALIDADE LIVRE

O Planeta Terra abriga toda humanidade. E a


humanidade criou os estrangeiros da própria
terra.

Parece que a natureza humana se compraz com


a mesquinhez e o egoísmo, esquecendo as origens,
limitações, e contingências de nossa vida limitada.
Os nascidos neste planeta são estrangeiros da
própria terra. E como estrangeiros, incomodam o bem-
estar conquistado, interferem no conforto dos feudos,
tal como na idade média. Todos são obrigados a se
restringir às suas origens de nascimento.
É necessário questionar, avaliar, pensar e
repensar o direito de internacionalidade da
humanidade.
O ir-e-vir temporário deve definitivamente ser
livre e responsável. Basta se identificar, comprovar
residência e capacidade de independência. Todos
podem avaliar os parâmetros válidos para todos, sem
discriminações.
Ou será que é melhor obrigar que cada filho da
terra permaneça limitado onde nasceu?
Será que uma nação pode estabelecer
exigências superiores para os que desejam entrar em
seu território, e ao mesmo tempo, exigir que os seus
cidadãos tenham passe livre em todo mundo?
Quem inventa as disparidades?

60
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Quem é livre? Quem é vassalo? Quem é


superior? Quem é inferior?
Como um mesmo dólar pode ser melhor que o
outro? Nas mãos dos donos do mundo, vale. Nas mãos
dos estrangeiros, vale sob condições supervisionadas.
Ou não vale.
São incongruências assim que nos obriga pensar
se a humanidade é uma praga.
Pode se supor que todas as pessoas tenham
más intenções. Ou pode se supor que as pessoas são
fantasticamente criativas, inteligentes, emocionais,
sensíveis, e até, humanas. É a tal relatividade de
Einstein. Na primeira suposição, o mundo é inimigo e
deve ser eliminado. Na segunda, existem algumas
esperanças para um convívio harmônico, inteligente,
sensível.
É justo que esta decisão fique exclusivamente
com os donos do mundo?
Ou todos os 6 bilhões de humanos podem
participar livremente da decisão?
Ou quem tem a capacidade de extermínio em
massa pode ditar as regras?
A humanidade precisa de tempo para pensar. E
analisar. E discutir. E decidir o caminho a seguir.
Será que é possível viver em paz?
Ou a regra é matai-vos uns aos outros?
Não existe mais tempo para segregações ou
privilégios.
Definitivamente a terra é livre e pertence à
humanidade.

61
PLANETA LOUCO

20.PRINCÍPIO
DA PROMOÇÃO DA PAZ

Viver em paz. Buscar sempre a harmonia.


Respeitar a autodeterminação dos povos.

A Carta das Nações Unidas de 26 de junho de


1945 tem como seu principal propósito a manutenção
da paz.
Tudo o que as nações se comprometeram não
valeu nada para a coalizão que invadiu o Iraque.
Não houve aprovação no Conselho de
Segurança. O Iraque não agrediu ninguém em uma
situação distinta da ocorrida em 1991. As armas de
destruição em massa não foram encontradas nem
antes nem depois.
Não é possível concordar com um princípio e
posteriormente passar por cima dos
comprometimentos perante a humanidade.
Da mesma forma, é inaceitável o conflito entre
judeus e palestinos.
Estas situações absurdas geram descrenças
profundas.
A justificativa foi a guerra contra o terrorismo. A
partir deste pressuposto, vale tudo inclusive destruir,
assassinar, acabar com a vida de inocentes
despejando toneladas e toneladas de armas de
destruição em massa.

62
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Não é suficiente declarar-se a favor da


manutenção da paz.
É necessário promover a paz sob todas as
agressões, até o limite de insanidades.
Simplesmente a coalizão tomou a parte pelo
todo, envolvendo o mundo em sua aventura hedionda
e criminosa.
Seria muito mais fácil o povo do Iraque destituir
seus gestores públicos para melhorar a qualidade de
vida que uma força intervencionista exibir um show
tétrico e dantesco em nome da mentira.
A coalizão não se mostrou interessada na
manutenção da paz da humanidade.
O interesse é evidente: criar fatos para a mídia
interna, expandir as fronteiras econômicas, ocupar
posições estratégicas, e provavelmente, gastar o
armamento quase vencido.
Como é que fica a manutenção da paz? É
interessante promover a paz?
Quais seriam suas implicações?
Pode um estado membro das Nações Unidas
desrespeitar de forma flagrante, pública e notória
compromissos assinados perante toda humanidade?
Pode os demais países permanecer calados e
omissos? Quem zela pelos interesses da humanidade?
Que tribunal está julgando este
descomprometimento?
Quem paga pelas vidas e danos materiais?
Ninguém vê.
Ninguém fala.

63
PLANETA LOUCO

Ninguém ouve.

21.PRINCÍPIO DA
TRANSPARÊNCIA
PÚBLICA

Toda pessoa que trabalha publicamente em


prol da humanidade precisa ser totalmente
transparente.

A principal vulnerabilidade do poder público é o


benefício concedido para grupos de interesse através
da utilização de informações privilegiadas.
O exemplo mais gritante é a reconstrução do
Iraque feita por empresas vinculadas aos mandatários
norte-americanos.
As pessoas eleitas, diretas ou indiretamente,
para a gestão pública trabalham para desenvolver os
povos e a humanidade.
A proteção possível, o manuseio de recursos em
causa própria, o uso indevido do poder, a corrupção, o
jogo de ameaças, destoa da função pública.
Enquanto o poder se dispuser a esses tipos de
benefícios, a humanidade vai certamente estar
vulnerável a toda ordem de desequilíbrios, disputas,
guerras.
O poder exercido em nome de uma comunidade,
de qualquer tipo ou tamanho, deve beneficiar a
maioria. Qualquer governo que usa o poder concedido
para outros fins, compromete a estabilidade entre os
povos.

64
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Que mecanismos de transparência devem ser


adotados?
Como é possível eleger pessoas desvinculadas
de interesses pessoais?
Até que ponto estes jogos de bastidores
contribuem para o bem-estar da humanidade? Devem
ficar como estão? São lícitos?
Que poder os eleitores possuem quando aqueles
que exercem atividades em causa desta coletividade,
promovem interesses diversos?
Se a corrupção é o benefício econômico em
causa própria, como se compreende a utilização de
informações privilegiadas de forma flagrante tais como
as praticadas no Iraque?
Infelizmente, boa parte dos gestores públicos
negocia interesses imediatos e futuros. As trocas
possíveis são fantásticas. Será que estes gestores
estão voltados para a promoção de suas comunidades
ou a promoção de seus poderes?
Quantos gestores vendem seus próprios países
em causa própria? Isto é traição?
Como se justifica o apoio militar, através da
cessão de armamentos de destruição em massa,
realizados na guerra do Iraque contra o Irã?
E o apoio a grupos mercenários, entre eles o
próprio Bin Laden?
Será que os norte-americanos ainda não
repetem as mesmas práticas, criando seus próprios
inimigos de amanhã?

65
PLANETA LOUCO

Que transparência pode esperar, se os grandes


do mundo prestam exemplos desestimulantes para a
humanidade?
Como está, certamente não é possível.

22.PRINCÍPIO
DA LIBERTAÇÃO
PARTIDÁRIA

Os partidos políticos exercem um poder


paralelo, distanciando o eleitor de seus
eleitos.

O sistema partidário distorce a força do eleitor


permitindo composições e loteamentos altamente
vulneráveis sob o ponto de vista da promoção dos
interesses da comunidade representada.
Os eleitos são pessoas com quem os eleitores se
identificam ou por posicionamento, personalidade,
princípios, referências, ou mesmo por carisma.
Após a vitória, os eleitos se amoldam aos
interesses partidários muitas vezes distintos dos
objetivos de seus eleitores.
A fidelidade partidária não expressa o conteúdo
do voto. Ao contrário, prende o eleito nos interesses
negociados e acertados por sua cúpula.
A maioria dos eleitos precisa apenas saber dizer
amém ao sistema.
É assim no partido republicano ou democrata
norte-americano. O jogo de limitação é tão forte que
qualquer presidente obrigatoriamente precisa
pertencer a um destes dois partidos.

66
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

É isto que se chama de democracia, liberdade de


expressão, vontade popular? Como fica o conceito do
governo do povo?
Este comportamento vem sendo mantido desde
o século 19. Os eleitos substituíram os nobres na
época dos imperadores.
Infelizmente, os partidos não permitem a
expressão verdadeira da vontade popular.
Ao invés de independentes, cortejam os donos
do poder negociando interesses.
Até quando vamos prosseguir com esta
deformação histórica?
Será que os congressos não seriam muito mais
dinâmicos se os eleitos estivessem preocupados
exclusivamente com a melhoria de qualidade de seus
eleitores?
Será que os eleitores têm consciência do jogo de
cena a que os partidos obrigam aos eleitos?
Que benefícios os partidos prestam para a
melhoria da representatividade popular, se forçam
seus eleitos manifestarem a posição partidária?
Não seria mais decente se os eleitores
elegessem apenas partidos?
Será que não está no momento de revisar,
analisar, criticar, discutir o papel dos partidos e o
quanto pode interferir na decisão do eleito?
Este sistema preserva a gestão exercida em prol
da comunidade ou protege os grandes beneficiários do
poder?
A libertação partidária é um princípio essencial
para a representatividade popular. Os eleitos para o

67
PLANETA LOUCO

poder legislativo devem obrigação aos seus eleitores e


não a seus partidos.

23.PRINCÍPIO
DA EXPRESSÃO
DA MAIORIA

Cada vez a minoria se organiza melhor. Cada


vez a maioria só faz jogo de cena.

O mundo moderno favorece as minorias. Basta


se organizar, implantar uma estrutura operacional,
criar ações estratégicas e a partir deste ponto,
conquistar direitos, vantagens, benefícios.
É assim que funciona a todo vapor o império das
minorias sobre as maiorias.
Trata-se de mais uma distorção grave da
representatividade de qualquer povo, comunidade ou
nação.
Se você se sente injustiçado, organize-se com
pessoas que lutam pelas mesmas causas. Pode
demorar um pouco. Organizado, a sua probabilidade
de ser atendido é muito maior.
O jogo é chorar, espernear, gritar, aparecer,
criar fatos marcantes, promover greves e por aí afora.
A maioria por sua vez, simplesmente age em
boa-fé, acreditando que o sistema defende o bem
comum.
Para que se expor? Para que se organizar? Para
que fazer passeatas?

68
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Será que não está no momento de levar em


consideração as pesquisas de opinião pública? Hoje, a
tecnologia permite pesquisas transparentes, corretas,
e de uma representatividade ímpar.
Por que os gestores e eleitos públicos não
podem ser avaliados através de pesquisas de opinião
nacional ou mesmo internacionais?
Por que não perguntam para o mundo se os
norte-americanos devem ou não sair do Iraque?
Por que não perguntam para os próprios norte-
americanos, ingleses, ou espanhóis, se o fato de não
tiver encontrado armas de destruição em massa no
Iraque, foi uma mentira dos atuais gestores?
Por que as respostas das pesquisas de opinião
pública não valem como expressão de verdade da
maioria?
Qual é a justificativa para propor um
referendum popular, se as pesquisas de opinião
cumprem perfeitamente os mesmos objetivos, com
muito menos dispêndio?
Definitivamente, os gestores e eleitos públicos
devem atender a vontade da maioria.
Os fabricantes de arma constituem minoria.
Quanto eles interferem no jogo de interesses ditados
pelos donos do mundo?
Quem contrapõe estes interesses?
Hoje, as minorias desequilibram a
representatividade da humanidade.
Enquanto isso, a maioria paga a conta,
suportando o ônus.

69
PLANETA LOUCO

É essencial que os governos atentem para a voz


da maioria.
Não se podem limitar as minorias. No entanto,
não se pode subverter a ordem dos fatores.

24.PRINCÍPIO
DA MÍDIA
INDEPENDENTE

A mídia, livre e independente, tem sido fator


essencial para a promoção do bem comum.

A mídia tem sido o grande espelho de


transparência daquilo que ocorre nos palácios dos
poderes do mundo.
Alguns fatos transparecem límpidos. Outros
ainda mostram-se distorcidos.
É claro que os donos do mundo sabem desta
divisão de poder, por isso participam ativamente da
sustentação econômica da mídia tanto de forma
aparente, clara, pública como de forma velada.
Quando não existem mecanismos para exercer
controle sobre o poder da mídia, partem para todo tipo
de ofensiva, limitando ou confundindo as expressões
de realidade.
A guerra do Iraque conviveu com a mídia até
um limite. Quando alguns órgãos de imprensa árabe
começaram a revelar fatos indesejados, mandaram
fechar seus escritórios em Bagdá.
A mídia não pode basear-se em inverdades,
enganando quem quer que seja.

70
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

No entanto, não pode ser calada, comprada,


manuseada. Infelizmente falta muito para a sua
independência.
Esta deficiência denota ainda a possibilidade do
jogo escuso praticado sob a égide do poder, qualquer
que seja.
Ainda o poder continua respondendo as
perguntas do jeito que melhor lhe interessa.
É normal instruir um homem público para fugir
de determinadas perguntas ou sair de um embaraço
pela tangente.
Qual é o motivo? Risco de denegrir a imagem
pública. Respostas inconvenientes podem causar perda
de votos, poder, ou controle do jogo.
A mídia precisa ser muito mais livre,
independente, instigadora.
Em hipótese alguma pode ser cerceada. Deve
sempre ser responsável, coerente e verdadeira.
Muitas perguntas permanecem sem respostas.
Se não existem armas de destruição no Iraque,
se o poder do Sadam comprovadamente era
insignificante, como se justifica a invasão ao Iraque?
Se não houve consenso no Conselho de
Segurança, qual é a base legal para invadir qualquer
país do mundo?
Quem causa terror: os donos das armas de
destruição em massa ou os homens que se explodem
por suas crenças?
O aparelhamento tecnológico da mídia tem
surpreendido os gestores e eleitos públicos. Estão
aprendendo a falar e mostrar pouco. Procuram falar

71
PLANETA LOUCO

apenas para jornalistas confiáveis. Infelizmente,


muitos confiáveis aceitam o jogo de cena.

25.PRINCÍPIO
DA AÇÃO SIMPLIFICADA

O conflito de legislações, a multiplicidade de


exigências, dificulta a expressão de
humanidade.

É comum restar legislações, por superposições


ou mesmo por redações conflitantes.
É comum uma decisão depender de dois ou mais
sistemas.
A estratégia de complicar para confundir ou
dificultar os caminhos têm predominado nas relações
nacionais e internacionais.
Se o Conselho de Segurança não determina uma
decisão, apela-se para a Assembléia Geral mesmo que
isto redunde em uma medida mais frágil.
Será que tanta duplicidade facilita ou complica a
vida em sociedade?
Todo sistema deveria vir acompanhado de uma
ação automática de simplificação ou limpeza de
contraposições restantes. O emaranhado de burocracia
dificulta o exercício da justiça equilibrada.
Quem ousa desfazer esses nós? Quem tem
direito ao veto? Quem se beneficia com tanta

72
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

confusão? Por que as decisões não podem ser mais


claras, transparentes, eficazes, definitivas, rápidas?
Boa parte do jogo democrático acontece sob o
manto da complicação. Uma área, após estudos,
análises, controvérsias e debates, decide um caminho.
A área seguinte desfaz tudo e apresenta nova
proposta.
A área seguinte veta, aprovando uma decisão
final sem pé nem cabeça.
Quem fica para trás, perde a vez.
Isto força a produção sem fim de emendas,
alterações, ajustes.
Por que não simplificar?
Será que viver em democracia é necessário
tanto e tanto malabarismo?
Quando o exercício do governo do povo deve
estar voltado essencialmente para a promoção do
bem-estar de todos?
A impressão que se tem é que o jogo montado
está voltado para a promoção dos donos do poder e
nada mais.
É triste descobrir a indústria de artifícios que
acoberta interesses particulares.
O pior é quando os próprios componentes do
Conselho de Segurança desenvolvem novas leituras
para justificar atos em total desacordo com os
parâmetros assinados, aprovados, aceitos e
vivenciados por todos, como o caso específico da
invasão do Iraque.

73
PLANETA LOUCO

O mundo não vê. O mundo não fala. O mundo


não ouve.
O princípio do enganai-vos uns aos outros assim
como eu vos engano está em pleno vigor.
O que a humanidade pode ou consegue fazer?
Pode ver, ouvir, falar.

26.PRINCÍPIO
DA ALEGRIA VITAL

A alegria diferencia a humanidade. É o


sentimento de bem-estar. Possível para
todos.

Parece estranho falar em alegria perante um


mundo conturbado e extraordinariamente egoísta.
Parece estranho falar em humanidade quando
uns exterminam outros, nossos semelhantes.
Parece estranho evocar princípios, valores,
compromissos quando os que primeiro deveriam dar o
bom exemplo, são os primeiros a lançar bombas de
destruição em massa, alegando o direito de defesa
preventiva, mesmo sob suposições mentirosas.
O que está errado? Por que a guerra? Por que o
ódio? Por que tantas disputas intermináveis? De onde
vem o mal? Por que a vingança?
As explicações podem ser várias e complexas.
Todas, no entanto, provam a nossa desinteligência e
capacidade de destruição mútua.
Podemos aprender a compreensão.

74
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Podemos descobrir o valor, o talento, a


criatividade de cada pessoa.
Podemos acessar a alegria vital adotando um
posicionamento característico da humanidade.
Podemos usufruir o prazer de viver com
dignidade, respeito, liberdade, participação,
solidariedade. Sem exclusões. Sem pré-conceitos. Sem
limitações vazias.
Trata-se de uma simples escolha.
De outro lado, podemos exercer nosso espírito
bélico, nossa territorialidade exclusivista, nossa visão
de deuses. E um querer o azar do outro. E o mais forte
dominar o mais fraco. E o mais rico sobrepujar o
pobre. E o mais preparado servir-se do despreparado.
O que é preciso fazer para a humanidade
acordar?
Quanta desgraça precisa ser cometida para nos
envergonharmos dos horrores das guerras, dos
assassinatos, das destruições, das barbaridades?
A maioria da humanidade é solidária.
A maioria da humanidade quer a paz.
A maioria da humanidade deseja viver em
alegria.
É necessário destituir e julgar os senhores da
guerra.
É necessário limitar o poder público concedido
aos gestores e eleitos.
É necessário exigir o compromisso com a
promoção humana e a paz.

75
PLANETA LOUCO

É necessário reavaliar os códigos de


comportamento, os valores, os princípios, as crenças,
as responsabilidades públicas, definindo diretrizes e
parâmetros para as expressões livres, independentes e
alegres de nossa humanidade.
A paz é possível.
Depende de cada um.

27.PRINCÍPIO
DA AMPLITUDE
DE VISIBILIDADE

Sempre existe um lado a mais para ser


descoberto, interpretado, compreendido.

A capacitação individual e a transformação


pessoal devem estar sempre direcionadas para a
construção do relacionamento inter-humano, criando
um mundo ao alcance de todos, sem distanciamentos
ou exclusões.
A interdependência completa cada pessoa.
Ninguém consegue viver isolado dos demais. Ao
contrário, somos essencialmente sociais.
Esta proximidade requer o exercício do diálogo
contínuo, permanente e aberto.
Sempre existe a possibilidade de um novo ponto
de vista, uma nova abordagem, uma nova
compreensão.
É fundamental que a humanidade se abra e se
desarme para ampliar sua visibilidade sobre a natureza
humana.

76
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

A multilateralidade contrapõe-se com a


unilateralidade. Somos indivíduos compondo um
fantástico tecido social.
É fundamental compreender e aceitar a
diversidade emocional dos seres humanos.
Se o princípio estiver direcionado para a
promoção da qualidade de vida de todos, vamos
desenvolver a harmonia.
Se o princípio estiver orientado para a promoção
de minha sociedade, ganhando mais que a sua,
obtendo um favorecimento maior, vamos desenvolver
a desarmonia.
Este último caminho tem orientado os donos do
mundo. Recordam uma dualidade ultrapassada. Deste
lado estamos nós, os bons. Do outro lado, estão os
relapsos, os maus.
No mundo destes senhores existem dois tipos de
seres: os não-terroristas e os terroristas.
Qualquer pensador conhece o caminho do
sofisma alternativo.
O mundo é multilateral, muito mais expressivo
que qualquer dualidade forçada.
Ou você é amigo ou inimigo dos Estados Unidos.
Por favor, escolha. Em que lado você quer ficar? Do
lado de lá os homens se explodem. Do lado de cá,
explodimos quem for inimigo.
O raciocínio é vicioso e absurdo.
Como então, o mundo inteiro não fala, não vê,
não ouve?

77
PLANETA LOUCO

Felizmente a sociedade humana norte-


americana é muito maior que estes senhores da
guerra.
O mundo precisa construir novamente outra
estátua da liberdade.
A atual é falsa.
A unilateralidade não permite a visibilidade de
outras amplitudes.
Quem acorda o guardião da liberdade?

BANDEIRAS

78
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

79
PLANETA LOUCO

28.BANDEIRA
DA VERDADE

A verdade é o fundamento da humanidade.


Cabe aos gestores e eleitos públicos viver
com total transparência.

Mentir, enganar, iludir é uma prática habitual de


alguns líderes da humanidade.
Se os bastidores viessem a público, certamente
restariam poucos dirigentes.
Juraram que o Iraque tinha armas de destruição
em massa e que por este motivo, representava uma
séria ameaça para a humanidade.
Juraram que o Iraque estava desenvolvendo um
programa de armas nucleares, conforme informações
secretas.
Juraram que o povo iraquiano odiava seu líder e
que faria festa no momento da libertação realizada
pelas forças do bem.

80
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Falaram a verdade ou proferiram mentiras


fantásticas, enganando toda a humanidade?
Se um dirigente é capaz de tanta astúcia para
iludibriar o mundo inteiro, imagine o sentimento que
estrutura a personalidade destes senhores da guerra.
Consideram-se, no íntimo, imperadores,
ditadores, donos do céu e da terra, proprietários de
todas as vontades, todos os princípios, todos os seres.
Fazem o que bem quiserem desde que
suportados pelas forças convenientes de seus próprios
regimes.
Não vale nada a voz da humanidade.
Quais são os verdadeiros interesses que
justificam tantas e tantas mentiras?
Quais são os benefícios que não podem ser
percebidos pela humanidade?
Definitivamente, a verdade é essencial para o
exercício da gestão pública em qualquer lugar, região
ou nação do planeta terra.
Qualquer mentira, de qualquer tamanho, de
qualquer alcance é condição suficiente para destituir
qualquer gestor ou eleito público.
O que é necessário fazer para que a bandeira da
verdade permaneça hasteada entre todos os povos e
nações?
Quais são as exigências que devem ser
atendidas por qualquer dirigente público?
Os eleitos exercem o cargo em confiança
concedida por seus eleitores. Essa confiança obriga o
exercício pleno e integral de viver, se expressar e agir
em verdade.

81
PLANETA LOUCO

Não se pode mentir, falsear, produzir jogos de


cena, faltar com a verdade.
Todo poder deve ser limitado, transitório,
controlado, supervisionado, e acompanhado por todos
através de total transparência.
O poder infinito, livre e supremo conduz a
humanidade para desastres, desavenças, guerras.

29.BANDEIRA
DO RESPEITO

A integridade, liberdade, direito de


diversidade emocional de qualquer ser
humano precisam ser respeitadas.

Não se podem corromper valores comprando


traições a peso de ouro à semelhança dos atos
praticados pelos donos do mundo.
Custam alguns milhões de dólares qualquer
informação sobre seus pretensos inimigos, sem
qualquer julgamento, direito de defesa, ou mesmo
inocência.
Trata-se de uma prática condenável, do tempo
do velho oeste. É o famoso vivo ou morto proclamado
pelo xerife.
Se não existe respeito a pessoas que um dia
lideraram uma nação, calcule a consideração para
qualquer humano comum.
A humanidade não vale.

82
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Valem aqueles que vendem suas almas para


cortejar os donos do mundo.
Valem as corrupções de valores e princípios,
sem qualquer arrependimento.
Valem as trocas de interesses e favores, desde
que a vontade dos poderosos seja preservada,
bajulada, elogiada para todos os cantos.
Valem milhões e milhões de dólares desde que
se atendam ordens superiores.
Infelizmente é vergonhoso assistir tanto
desrespeito com a humanidade.
Os exemplos dados são estarrecedores.
Compra-se. Compra-se e compra-se.
E ninguém fala, ninguém vê, ninguém ouve.
Impera o temor da força, da ira, da vingança
infinita dos senhores do mundo.
Quem concedeu o direito de cometer tantas e
tantas disparidades, protegidas pela impunidade do
poder de destruição em massa, do controle das
mentes e corações, da fiscalização e supervisão
através das avançadas lentes dos satélites espiões, de
escutas e espionagens praticadas pelos mercenários da
humanidade infiltrados entre todos os povos?
Foi você? Fui eu? Foi ele? Foram os traidores?
Foram os vendidos?
Qual é a dignidade do ser humano se ela própria
pode ser comprada?
E a sua dignidade, quanto vale? Faça um leilão.
Os donos do mundo cobrem qualquer oferta.
Caçam humanos transfeitos em demônios.

83
PLANETA LOUCO

Felizmente não conseguem apagar a chama de


respeito, de liberdade, de integridade que sobrevive
nas assombrações.
E que de vez em quando voltam à realidade
assustando os senhores da guerra.
A humanidade clama por respeito.
Os próprios humanos não podem tratar seus
semelhantes como se fossem lixos. Você levanta a
bandeira do respeito?

30.BANDEIRA
DA VALORIZAÇÃO

Todo ser humano esconde um potencial


fantástico dentro de si. Sem valorização, os
talentos não brilham.

Qual é o valor de um pobre coitado, de um


palestino, de um africano, de um afegão, de um
iraquiano, de um iraniano, de um mulçumano?
Qual é o talento desta gente?
Qual é a cotação de um norte-americano?
A valorização da humanidade depende da raça
ou tribo a que cada um pertence.
Já enfrentamos drama semelhante quando se
argüiu a superioridade da raça ariana. De toda lição,
restou a superioridade de uns poucos sobre a maioria.
Ficamos iguais. Alguns diriam que retrocedemos
um pouco mais.

84
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Outros continuam lutando pela liberdade, pela


igualdade, pela mesma valorização.
E do universo de desvalorizados, se alguém
brilhar, pode ficar tranqüilo: os donos do mundo
contratam.
Parece irônico este quadro?
Não é. É a realidade.
Dói?
Depende do analgésico utilizado.
E os franceses brigaram por igualdade, liberdade
e fraternidade.
E estes ideais fizeram os norte-americanos
descobrirem o valor de um povo que clama por
independência. Os negros choraram. E seus grilhões
começaram a se abrir.
Qual é mesmo o valor de um pobre coitado do
mundo? É o valor da sua fome? É o valor da sua
sobrevivência? Esse coitado precisa do que? De dó, de
compaixão, de comiseração?
Claro, dê um quilo de alimento e vire o rosto
para o outro lado, muito mais bonito. Invente um
programa de auxílio aos desvalorizados e despeje
comida dos aviões de guerra.
Como é que se mata tanto desvalorizado? Qual
é o humanocida recomendado? Bombas de
fragmentação? Bombas anti-bunkers? Ou algum
superpoderoso raticida, talvez transgênico?
Os hipermercados deveriam vender vergonha.
Ou a humanidade inteira deveria ser vacinada contra a
desvalorização de seus próprios semelhantes.

85
PLANETA LOUCO

Quem inventa esta vacina?


E os líderes continuam defendendo os direitos
humanos. Mesmo com 4 bilhões de humanos vivendo
na lata do lixo.
Qual é o nome do planeta mais fantástico do
sistema solar? Quem acertar, ganha como prêmio o
Nobel da Humanidade.
Quando a humanidade vai aprender a virar
humanidade? Você já sabe o valor dos pobres coitados
dos iraquianos, dos palestinos, dos africanos?

31.BANDEIRA
DA LIBERDADE

A liberdade está presa nos pré-conceitos, no


excesso de convenções, nos limites do
dinheiro, nos muros de lamentações.

Nunca a humanidade precisou romper as grades


da liberdade como nestes tempos.
Aprendemos temer uns aos outros.
Tememos os homens bombas e as bombas que
fragmentam homens.
Tememos os que roubam e matam e os que
vigiam e espionam.
Tememos a fome dos pobres e o alimento
transmutado dos ricos.
Tememos o vôo dos aviões e as mesquitas de
orações.
Onde mora a liberdade? Quem pode pensar?
86
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Quem pode falar?


Quem pode ver?
Quem pode ouvir?
A mídia sucumbe frente ao poder econômico.
Que mal tem ganhar dinheiro vendendo a
própria humanidade?
Se liberdade é o direito de ir-e-vir, ainda não
conquistamos nem a internacionalidade livre.
Se liberdade é o direito de expressar-se
livremente, e mais que isso, intercomunicar-se falando
e ouvindo, ouvindo e falando, por que calam a voz da
mídia árabe?
O que ela não pode falar?
O que ela não pode contar?
Se a liberdade é o direito de propor idéias, por
que tanto temor em escutar o clamor que vem da lata
do lixo dos 4 bilhões de humanos, fora do mercado de
consumo?
Se liberdade é o direito de mostrar a diversidade
emocional, por que tantas barreiras, segregações,
limitações, pré-conceitos?
A liberdade parece ser relativa.
Os donos do mundo podem tudo. Inclusive
invadir qualquer povo, desde que represente uma
hipotética ameaça à estabilidade conquistada.
Os perdedores do mundo podem nada. A não
ser vestirem a canga dos senhores do universo. E
seguirem seus ditames, adotarem suas culturas,
viverem seus costumes.

87
PLANETA LOUCO

Os pássaros, fora das gaiolas, são livres?


E os homens, fora das grades, são livres?
O grande sonho da humanidade é controlar deus
e o mundo. Todos precisam ser rigorosamente
fiscalizados, vistoriados, e só podem viver os que
conseguem certificação de adequação aos princípios
dos donos do mundo. Quem não tem esta ISO,
infelizmente está perdido.
A humanidade aprendeu a enjaular-se. Quando
ela vai aprender a libertar-se?

32.BANDEIRA
DA INICIATIVA

É fundamental tomar a iniciativa e promover o


desenvolvimento da humanidade. Podemos
viver em equilíbrio, liberdade, respeito,
harmonia.

A iniciativa é um dom de toda humanidade.


Construímos um mundo moderno e avançado.
Será que não reunimos condições para
promover o bem-estar, o desenvolvimento, a alegria, a
realização e essencialmente a integração de todos,
edificando um mundo solidário e humano?
É uma missão impossível?
Imagine o potencial do mundo unificando a
contribuição de todos. Existe tanto para ser feito,
construído, realizado. Mesmo assim, os donos do
mundo impõem bloqueios econômicos aos países

88
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

segregados. Trata-se do poder de castigo, concedido


unanimemente pelas Nações Unidas.
Foi o governo Fidel ou o povo de Cuba
sentenciado a viver isolado do mundo?
Quem foi condenado: o governo Sadam ou o
povo do Iraque, obrigado a permanecer em miséria
mesmo dono de muito petróleo?
Que justiça é esta que decepa toda e qualquer
iniciativa de crescimento dos povos?
Não seria mais justo, mais humano, mais
sensato propor uma simples alteração de governo?
Entre o restabelecimento do Iraque e seu
petróleo, qual foi o lado que norte-americanos e
ingleses, patrulheiros das pretensas más intenções
deste país desgraçado, pendeu?
O jogo do poder é terrível: quando o vassalo
atende uma exigência, a seguinte é muito mais difícil.
E assim, indefinidamente. Fica quase impossível se
libertar do torniquete da morte. Veja a situação entre
Israel e a Palestina.
Que senso de justiça coube aos norte-
americanos e ingleses no processo de desenvolvimento
do Iraque?
Apenas um: fazer chover toneladas de bombas.
O povo de Cuba não tem direito a participar da
sociedade internacional?
O poder exagerado é profundamente
discriminador. Leva em consideração apenas e tão
somente a sua unilateralidade.
Cabe aos demais uma simples escolha: ficar
entre os bons ou entre os maus.

89
PLANETA LOUCO

As atitudes dos donos do mundo têm


demonstrado claramente o poder de cercear liberdades
e iniciativas.
Interessam-se unicamente por suas próprias
causas.
O que justifica a mesquinhez praticada pelos
grandes?
Reservar o poder para si próprio?
Ganhar mais que todos e tudo?
Sugar a humanidade?

33.BANDEIRA
DA PARTICIPAÇÃO

É essencial que todo ser humano, sem


exclusão, participe da vida social, econômica
e política da humanidade.

Como é possível sobreviver sem participar


ativamente da construção da sociedade?
Como é possível participar sem treinamento e
formação adequados?
O que deve ser feito com os 4 bilhões de seres
humanos que vivem alijados do mercado de consumo?
Devem ser exterminados pelas bombas de
fragmentação?
Como é que se ameniza a dor de consciência dos
que tem alimento de sobra em suas mesas?
Promovendo campanhas de mata fome? Sugerindo
doações de sobras e restos?

90
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Que humanidade é essa, que estimula o jogo da


sobrevivência do mais forte, como se o planeta fosse
obrigado a conviver lado a lado, tendo como lixo os
próprios semelhantes?
É a nossa humanidade desumana, desigual,
desproporcional, injusta, terrivelmente doentia.
Tem solução? O que é possível fazer?
O desafio é mais grave do que se pode imaginar.
O mundo moderno está estimulando a revolução
dos esfomeados, que de um momento para outro,
serão obrigados a invadir as cidades, os mercados, os
universos, as casas, os palácios.
Os despreparados sabem pensar, sabem sentir,
sabem se emocionar, sabem se explodir.
São humanos tanto quanto os donos do
universo.
A única diferença é que estão condenados ao
mundo do mal pelos xerifes do velho oeste, exímios no
gatilho.
Quando a humanidade vai acordar? Quando
faltar segurança?
O que falta para o direito de participação
começar a ser definitivamente atendido? Boa vontade
de todos? Inteligência? Capacidade de planejamento?
Um auxiliar o outro?
Falta essencialmente exercermos a nossa
humanidade.
Falta transparência. Falta respeito.
Falta verdade. Falta liberdade.
Falta iniciativa. Falta solidariedade.

91
PLANETA LOUCO

Falta vergonha. Falta dignidade.


Os povos mais preparados reúnem condição de
sobra para contribuir ativamente para a geração de
harmonia e bem-estar.
Os avanços da ciência e tecnologia que fazem
bombas de alta precisão podem muito bem criar
oportunidades de vida. Ou não podem?
A voz da maioria precisa soar forte e uníssona.
É exigir demais viver em humanidade?

34.BANDEIRA
DA SOLIDARIEDADE

O espírito de solidariedade é essencial para a


construção de uma sociedade mais justa,
equilibrada e humana.

A interdependência, ou dependência recíproca,


estrutura-se na força da união.
Este é o conceito que caracteriza um povo, uma
nação e a humanidade.
Exceto os povos originais, como os indígenas,
todos os demais são heterogêneos.
Há uma miscigenação fantástica. Ao contrário de
prejudicar, esta mistura enriquece os relacionamentos.
A proximidade de culturas diversas amplia a
sensibilidade e a riqueza destes povos.
Definitivamente, mais que qualquer
nacionalidade, somos do planeta terra, a grande nação
da humanidade.
92
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

As barreiras interpostas como entre judeus e


palestinos não fazem o menor sentido.
A luta por um espaço, por uma propriedade, por
um conjunto de fatores históricos não pode ultrapassar
a dimensão da humanidade.
É importante cultivar o sentimento de habitante
do planeta terra.
É importante criar uma bandeira física, similar a
de cada país, para ser desfraldada em conjunto.
É importante valorizar o espírito de humanidade,
de internacionalidade, de habitante do planeta terra.
Toda nação congrega diferenças e nem por isso,
seus povos promovem sua autodestruição.
Muito mais que nações unidas, somos o planeta
terra. Nenhum povo pode viver isolado ou
independente da grande comunidade humana. Este é o
nível principal de gestão pública. Seu gestor deve ser
escolhido por toda humanidade, de forma
transparente, democrática e independente.
Não se concebe mais a promoção de desuniões
sem pé nem cabeça, promovendo guerras,
assassinatos em massa, corridas armamentistas
desenfreadas em busca de poder total.
A gestão pública da humanidade
obrigatoriamente tem a missão de revolucionar a atual
estrutura das nações unidas.
Não pode mais ser o clube dos cinco, com
direitos e regalias superiores a todos os demais. Não
pode mais permitir a promoção institucional dos
interesses dos donos do mundo, nem guerras, nem
disputas irracionais, nem loucuras e fanfarrices
estapafúrdias.
93
PLANETA LOUCO

A grande solidariedade se faz entre os mais de 6


bilhões de habitantes deste planeta.
Vivemos a mesma história, construímos o
mesmo futuro, enfrentamos os mesmos desafios,
lutamos por ideais semelhantes.
Aonde vamos invadindo, matando, eliminando,
exterminando a nossa própria espécie?
É necessário hastear a bandeira da humanidade.

35.BANDEIRA
DA IGUALDADE

Todos devem ser tratados em igualdade de


condição. O que é válido para um, é válido
para outro.

A igualdade é o conceito mais ultrajado.


O que é válido para os donos do mundo, não
vale para o resto da humanidade. As leis e regras
precisam valer para todos em absoluta igualdade.
Os habitantes dos países líderes podem transitar
por todo planeta. Os demais, não podem.
Predomina fortemente o culto de classes sociais
identificadas pelos padrões externos de riqueza.
Quanto maior for o poder econômico de uma pessoa,
sua valorização cresce. Quanto mais esfarrapado vale
menos.
A comparação pelo fator dinheiro é
extremamente limitada. Subverte os valores.
Inferioriza a humanidade. Aprofunda a desigualdade.

94
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Não se pode ir contra o talento e a capacidade


individual em realizar mais que outro. Essa diversidade
econômica auxilia o desenvolvimento da humanidade.
Independente de mais dinheiro ou menos, mais
poder ou menos, mais importância ou menos, a missão
da humanidade é promover a melhoria de qualidade de
vida de todos, através da participação individual na
construção do tecido social.
O objetivo a ser alcançado é o bem-estar da
humanidade.
Depois que todo ser humano garantir condições
básicas para seu relacionamento e vida social, ser
mais ou menos rico não causará desequilíbrio entre as
pessoas.
Existe um fator estrutural preponderante:
quanto mais estiver preparado, maior é a possibilidade
de sucesso de cada habitante.
Entre um rico e um pobre, quem dispõe de
melhores condições de preparo?
Entre um rico e um pobre, quem reúne maior
probabilidade de vencer na vida?
O grande desafio a ser equacionado é o
desequilíbrio produzido pelas desigualdades. Isto afeta
a segurança e o bem-estar de todos.
Quem são os bons? Quem são os maus? Quem
são os vencedores? Quem são os perdedores?
A maioria dos que sofrem restrições econômicas
e principalmente emocionais tem mais chance de
pertencer ao time dos perdedores.
A igualdade começa na preparação e educação.

95
PLANETA LOUCO

A igualdade começa no respeito e consideração


à diversidade emocional de cada pessoa.
A igualdade começa na essência da humanidade.
Somos iguais na condição de ser humano. Isto
não se contrapõe às lideranças, aos talentos
individuais, às vitórias conquistadas. Contrapõe-se ao
respeito e valorização a cada pessoa, independente de
sua riqueza externa.

36.BANDEIRA
DA ALEGRIA

A capacidade de sentir e viver em alegria é a


diferença mais marcante de humanidade.

Que motivos a humanidade tem para viver em


alegria?
O choro das mães que assistem a morte de seus
filhos? A orquestra das bombas caindo de todo lado?
As ruínas da humanidade, deixando as feridas à vista
de todos? O petróleo canalizado para o reino dos
poderosos? Os muros da vergonha, novamente
isolando a humanidade da própria humanidade? O
medo dos homens bombas estimulando os mísseis da
morte dos senhores da guerra?
Guernica, pintada por Picasso, deveria ser
exposta em todas as esquinas, todos os mundos.
Será que ninguém mais se escandaliza com os
horrores da guerra, com a insanidade das bombas,
com a política olho por olho, dente por dente dos
donos do mundo?

96
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Que alegria Israel procura?


Que alegria a coalizão promete para o Iraque, o
Afeganistão, o Irã, a Síria, a Coréia do Norte?
Certamente a alegria de grandes shows ao estilo
da Broadway ou Las Vegas.
Quem consegue hastear a bandeira da alegria?
Cabe à humanidade exigir esta prova dos
gestores e eleitos públicos.
É uma prova simples que toda criança saberia
completar.
Para viver em alegria é essencial exercer a
humanidade em sua plenitude.
Respeitando os direitos. Mostrando-se
verdadeiro. Provando dignidade e maturidade.
Cumprindo as promessas e os documentos assinados.
Na Declaração Universal dos Direitos Humanos,
os artigos 4 e 5 parecem claros:
“Ninguém será mantido em escravidão ou
servidão; a escravidão e o tráfico de escravos estão
proibidos em todas as suas formas”.
“Ninguém será submetido a tortura, nem a
tratamento ou castigo cruel, desumano ou
degradante”.
Como se explica Guantânamo?
Sem explicação.
O pior é que a sociedade norte-americana não
vê, não ouve, não fala. Como Guantânamo está em
Cuba, a legislação do país não pode abranger outra
nação.

97
PLANETA LOUCO

Será que os grandes não percebem que o


mundo inteiro enxerga essas desumanidades?
Como as nações unidas podem exigir dos
Estados Unidos o cumprimento dos termos assinados,
se os próprios mandam e desmandam à vontade?
Qual é a credibilidade das Nações Unidas
propriedade dos donos do mundo?
Nem as próprias declarações são cumpridas.
Imaginem a alegria dos senhores da guerra.

37.BANDEIRA
DA EMOCIONALIDADE

A capacidade de sentir e viver a emoção da


vida, e chorar, e sorrir, e se alegrar, e se
encantar, prova a espetacular dimensão de
humanidade.

Além de racional, o ser humano é


essencialmente emocional.
Ao contrário dos que proclamam a frieza como
demonstração de maturidade e equilíbrio, a emoção
revela a sensibilidade para as realidades tangíveis e
intangíveis. Ou físicas e espirituais.
A emoção permite o fantástico relacionamento
entre a humanidade.
Os gestores e eleitos públicos precisam se
mostrar excepcionalmente sensíveis aos princípios,
valores e expectativas da humanidade.

98
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Qual é a cultura de sensibilidade dos donos do


mundo? Quais são os valores e princípios que orientam
suas ações?
Infelizmente a resposta é contundente e clara:
acima de tudo, dominar o mundo e todos seus povos,
porque eles, coitados, não aprenderam a viver.
Como é que se faz isto?
Simples: ameaçando ou bombardeando.
Basta avaliar as negociações internacionais.
A regra é transparente: quem pode mais chora
menos.
Afinal, quem manda é os donos do mundo, os
senhores da guerra e da vontade de todos os povos.
Qual é a lógica da ganância dos donos das
nações unidas?
Tirar o sangue, o couro, o petróleo, o ouro, a
honra, o orgulho, o respeito e tudo o que puderem.
É admirável o posicionamento dos norte-
americanos que empunharam a bandeira da liberdade
contra o poderio inglês, no século dezesseis, e hoje,
empunham suas armas de destruição em massa contra
o mundo.
É admirável a invasão do Iraque sob a frágil
doutrina do direito preventivo de ataque, corrompendo
todos os princípios e códigos internacionais de respeito
à autonomia dos povos.
É admirável o campo de concentração de
Guantânamo.
É admirável o apoio inconteste ao governo da
guerra de Israel.

99
PLANETA LOUCO

É admirável o pré-julgamento dos povos do mal


com base em suposições falsas e mentirosas.
Ninguém vê. Ninguém fala. Ninguém ouve.
É fácil fazer de conta que isto não tem nada a
ver comigo.
É problema dos norte-americanos, ingleses,
espanhóis, australianos, poloneses.
Eles que resolvam.
Que humanidade é essa?

38.BANDEIRA
DO BEM-ESTAR

Viver bem é, ao mesmo tempo, tão simples e


tão distante. Uns querem tudo para si e os
seus. A maioria quer o bem-estar da
humanidade.

Imagine se os povos se desarmassem, depondo


e destruindo suas armas.
Imaginem se antes ou depois da agressão, as
pessoas conseguissem dialogar, ponderar e analisar as
diferenças, e depois, sinalizar os caminhos comuns.
Imagine se a busca do ouro pelo ouro se
transformasse na procura das potencialidades
humanas, muito mais valiosas que qualquer diamante,
petróleo ou riqueza.
Utopia?

100
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Os poderosos vão continuar desdenhando os


fracos até a total submissão. Desejam que as vozes se
calem, que os povos aceitem as ordens superiores,
que os loucos parem de se explodir.
Utopia?
A violência tem sido a expressão de inteligência
dos povos. Seria melhor construir o coliseu
internacional da guerra para os poderosos se
digladiarem com os fracos, esmagando-os perante a
humanidade.
A maioria não quer nada disto. Quer
simplesmente viver bem, em paz, harmonia, equilíbrio.
Por que aqueles que usurpam o poder
subvertem o desejo da maioria?
Que mecanismo aciona as bombas despejadas
contra povos indefesos, fracos, que enfrentam os
poderosos com tacape?
O planeta precisa de uma nova constituição.
Respeitada por todos. Não vilipendiada pelas nações
unidas, propriedade dos donos do mundo.
Utopia ou não, precisamos levantar a bandeira
da humanidade justa, digna, solidária, livre e
autônoma.
Utopia ou não, precisamos salvaguardar o
desejo de paz da maioria.
Utopia ou não, precisamos restabelecer os
princípios, valores, compromissos de todos com a
humanidade.
Criar, produzir, desenvolver armas para destruir
o ser humano é um grande absurdo. O poder de
autodestruição demonstra uma inferioridade terrível.

101
PLANETA LOUCO

Falamos e não conseguimos ser ouvido. Falam e


não conseguimos ouvir. O único entendimento possível
é o extermínio de irmãos de raça. Oficializado e
legitimado pelo poder do dinheiro que produz armas de
destruição em massa.
Onde estão as armas de destruição em massa?
Elas não se escondem nos países pobres.
Vergonhosa e hipocritamente são fabricadas
pelos donos do mundo.
Da boca para fora, pregam a paz.
Nos bastidores, exterminam a humanidade.

39.BANDEIRA
DO CAMINHO

A missão dos líderes é conduzir a humanidade


por um caminho melhor, preservando o
entendimento e a capacidade de consenso.

Quem fabrica as armas de destruição em


massa?
Resposta óbvia e transparente: os donos do
mundo.
Por que fabricam estes armamentos? Para impor
respeito? Para autodefesa? Ou para exterminar a
humanidade? Quem ganha com a guerra, a discórdia,
a falta de consenso?
Os fabricantes de arma e conseqüentemente, os
donos do mundo.

102
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Será que as armas são produzidas apenas para


ficar no estoque?
Elas são feitas para matar.
Por que a humanidade aceita a sua fabricação?
Pela simples possibilidade de uns dominar os
outros.
Por que a maioria concorda?
A maioria não concorda.
Se não concorda, como funciona este jogo?
A maioria é enganada.
Quem engana?
Os gestores e eleitos públicos.
Após 11 de setembro de 2001, o mundo inteiro
sabe que Bin Laden, a partir das cavernas do
Afeganistão, foi o autor deste episódio. Em função
disto, é procurado vivo ou morto.
Pense um pouco.
Para destruir as torres gêmeas seria preciso
dominar toda tecnologia de implosão. Seria preciso
executar um plano perfeito. Os autores se implodiram
nesta barbárie. Certamente o FBI e a CIA viraram de
ponta cabeça todos os especialistas de implosão do
mundo. Mesmo assim não encontraram nenhuma
prova contundente.
Supõem que o terror foi responsável deste
episódio dantesco. Passou a guerra do Afeganistão e a
do Iraque. E o Bin Laden continua morando nas
cavernas. Neste tempo não foi capaz de nenhuma
outra reação similar, capaz de justificar a existência de

103
PLANETA LOUCO

inteligência lógica. Apoderou-se da arma da ameaça.


Esta tem sido sua única vantagem.
Agora pense mais um pouco.
Quem foi o maior beneficiário da destruição das
torres? Será que foi a indústria de armas? Quanto foi e
está sendo o faturamento deste setor? Será que os
líderes públicos estão reféns ou jogam junto?
A humanidade merece esclarecimentos claros,
comprovados, transparentes.
O direito de ataque preventivo é uma aberração.
Baseia-se em puras suspeitas e incriminações levianas.
Como tem sido o caso do Iraque.

40.BANDEIRA
DO FUTURO

O direito de futuro é o bem mais precioso da


humanidade. Permite novas realizações,
novas oportunidades, novas esperanças.

Qual é o futuro da humanidade? Brilhante ou


cinzento? Manchado de sangue ou pintado de azul?
Cheio de dor ou alegria?
O que você está fazendo agora pode melhorar o
futuro?
Por que os donos do poder continuam fabricando
as armas de destruição em massa? Por que segregam
os despreparados?

104
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

As atitudes dos gestores e eleitos públicos


devem obrigatoriamente contemplar o projeto de
futuro.
Cada candidato deve apresentar seu plano de
gestão respondendo os principais desafios que
interferem em suas responsabilidades.
Deve iniciar em uma leitura do cenário
retrospectivo e projetivo. Deve identificar, analisar e
avaliar os problemas existentes. Deve propor as
soluções. Deve avaliar a necessidade e origem de
recursos. Deve demonstrar o fluxo de entradas e
saídas.
Nenhum executivo pode administrar sem um
plano de negócios. Nenhum gestor público poderia
representar a comunidade sem um plano de gestão.
Os acidentes de percurso devem estar previstos
no desempenho de qualquer função.
A nossa existência é dinâmica e altamente
complexa.
Que gestor ou eleito público exerce sua
atividade com base em um plano claro e objetivo de
gestão?
Hoje, o conceito é que o poder permite tudo. E
os donos do poder exacerbam esta assertiva.
Fazem e desfazem.
Subvertem princípios e valores para justificarem
suas ações.
Como é que se justifica a invasão do Iraque?
Como é que se explica Guantânamo?

105
PLANETA LOUCO

Como é que se garante a liberdade, a dignidade,


a autonomia, a possibilidade de participação de cada
vivente na construção da sociedade?
Por que tanta pobreza e fome?
Por que os recursos destinados para a
destruição não são destinados para a construção de
uma humanidade melhor e mais justa?
Por que o homem é o demônio de si próprio?
Por que uns querem muito mais que outros?
Ou por que o futuro a Deus pertence?
Não há justificativa para qualquer comodismo.
Nossas ações de hoje são as sementes de
amanhã.
O que vamos colher?

41.BANDEIRA
DO EQUILÍBRIO

A humanidade precisa de equilíbrio. As


distorções provocam destruições, injustiças,
abusos e prepotências.

A ação de equilíbrio deve independer do gestor


ou eleito público.
Os sistemas atuais promovem o jogo do poder.
Quanto mais poder, maior é a oportunidade de
benefícios e vantagens para seus donos.
106
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Nas democracias, o executivo controla o


legislativo e o judiciário. Nos impérios, a oposição
sempre é sufocada.
Mesmo o poder sendo concedido pela sociedade,
na maioria o voto é uma farsa. O eleitor apenas
concede o direito a alguém para mandar sobre todas
as vontades por um determinado tempo.
Se o mandante for bem sucedido, ótimo. Em
geral, os resultados não passam de engodo.
Nos Estados Unidos, a gestão Bush
desequilibrou todas as contas, levando o déficit para
estratosfera. Mesmo assim, a maioria republicana reza
a ladainha do amém.
Percebam que a nação mais desenvolvida é uma
aula de exemplos. Recomenda-se que não sejam
seguidos.
Trata-se da democracia ditatorial.
Totalmente absurda e extemporânea.
Responsável por crimes gritantes contra a
humanidade.
Com que direito internacional a coalizão arruinou
e exterminou o povo do Iraque?
Por que não se permitiu o término do trabalho
dos inspetores de armas?
O Iraque invadiu novamente o Kuwait, atirou
alguma bomba em algum vizinho, corrompeu alguma
norma internacional?
Por que não se respeitou o Conselho de
Segurança?

107
PLANETA LOUCO

Por que despejaram toneladas e toneladas de


bombas sobre inocentes? Isto é prova de equilíbrio ou
desequilíbrio?
O rompimento da regra do Conselho de
Segurança gerou o disparate protagonizado pela
coalizão.
Todo aquele que infringir uma regra ou um
compromisso deve ser responsabilizado.
A impunidade para com os donos do poder é a
maior agressão contra a humanidade, seus princípios e
valores.
Quem reúne condições de credibilidade? Os
países que lideraram a invasão? As nações unidas? Os
países que calaram? Os que sofrem as dores do ataque
unilateral, injusto, indecente?
Ninguém pode afrontar a humanidade.
A história está repleta de provas a este respeito.

42.BANDEIRA
DA RESPONSABILIDADE

Todo ser humano precisa responder por seus


atos perante a sociedade. No entanto, todo
gestor e eleito público devem responder
duplamente.

A bandeira da responsabilidade é válida para


todos. As pessoas públicas criaram proteções para si
próprias, permanecendo acima da lei.

108
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Trata-se de uma inversão fantástica.


É muito difícil em qualquer lugar do mundo
cobrar a responsabilidade dos mandatários de poder.
Quando deveria ser totalmente ao contrário.
O mandatário é um concessionário temporário
de poder. Seu papel essencial é promover a melhoria
de qualidade de vida da sociedade que o elegeu,
preservando sua inserção na humanidade.
Se existe alguma prova de irresponsabilidade ou
desmando, qualquer cidadão deveria ter o direito de
demandar contra tais práticas.
Por que ninguém consegue cobrar as
responsabilidades pela invasão do Iraque?
Por que ninguém consegue interpor recursos
contra o Estado de Israel pelas invasões, destruições e
mortes realizadas dentro do território Palestino?
Existe uma diferença gravíssima de autoria.
De um lado os terroristas se implodem de forma
anônima, através de auto-imolação.
De outro lado, o governo, conhecido e
identificado, assassina, destrói, invade protegido pela
impunidade de suas armas e poderio.
Se o Arafat ordenasse estes ataques terroristas,
cabia provar, julgar e sentenciar sua responsabilidade.
Por que isto não é feito?
Porque é uma mera suposição política.
Em que estes desmandos diferem da ação de
um assassino em série, um estuprador, um ladrão
sanguinário?
Um é marginal.

109
PLANETA LOUCO

O outro é principal. Grande ironia.


Uma Nação têm o direito de assassinar, destruir,
bombardear em nome da maioria de sua sociedade?
Tem apenas o direito de autodefesa.
Só pode executar uma decisão após seu
julgamento e sentenciamento.
A verdade gritante é que o poder tem cometido
todas as espécies de irresponsabilidades,
permanecendo absolutamente impune.
Quando se prova uma anomalia, os mandatários
editam as famosas anistias.
Ninguém vê, ninguém fala, ninguém ouve.
Certamente a cobrança das responsabilidades
públicas forçaria a construção de uma gigantesca
penitenciária internacional.
Por sinal, muito famosa.

43.BANDEIRA
DA JUSTIÇA

A humanidade precisa de uma justiça ampla,


irrestrita, igual, independente e transparente.
Onde esconderam a justiça?
A lei é feita para a obediência cega do pobre e
despreparado?
Por que os ricos, poderosos e preparados ficam
acima da lei?
Quantos dos 6 bilhões de residentes do planeta
terra têm acesso à justiça?

110
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

A justiça não deveria estar ao alcance de todos,


em igualdade de condições?
O primeiro cliente da justiça é a própria justiça.
Há um excesso de leis, exageros, conflitos. A lei
obrigatoriamente precisa ser simples e fácil. Os
processos devem ser ágeis, adequados à realidade.
É essencial ampliar o Fórum da Humanidade
aproximando-o das pessoas.
Não se justifica um local, um endereço, um
ponto. A justiça deve ser visível e estar muito próxima
das comunidades, o máximo possível.
O mundo possui infra-estrutura suficiente para
facilitar os processos, principalmente a Internet. Da
mesma forma que as pessoas acessam os bancos a
partir de qualquer computador, deveria ser o acesso à
justiça.
Por que os conflitos ultrapassam as barreiras da
justiça? Ela não apresenta a credibilidade suficiente?
Ela não responde na velocidade que o fato exige?
O que poderia ser feito para a humanidade
contar definitivamente com a proteção da justiça?
Como a justiça pode ser totalmente
independente, livre, igual, irrestrita e transparente?
Não existem alternativas. A justiça precisa
participar dos desafios em tempo real. É ela quem
confere a essência do equilíbrio para a humanidade.
De outro lado, o sistema de punição mostra-se
totalmente ultrapassado. Que resultado tem sido
alcançado com a reclusão dos condenados?

111
PLANETA LOUCO

Sem uma possibilidade concreta de reintegração


à sociedade, a humanidade se mostra terrivelmente
hipócrita.
Sem a eliminação de prisões desumanas, não há
a menor possibilidade de justiça.
Enquanto isso, ninguém vê, ninguém fala,
ninguém ouve.
É muito difícil transformar a realidade. É mais
difícil compreender a humanidade.
A lei só tem sentido se for observada por todos
em igualdade de condição.
É necessário um aparato judicial moderno,
completo, competente.
Quem pode almejar o futuro sem uma justiça
justa?
Enquanto isso, vamos nos exterminando uns aos
outros. Parece que ninguém se incomoda.

112
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

COMPROMISSOS

113
PLANETA LOUCO

44.COMPROMISSO
COM O FUTURO

É fundamental comprometer-se com o futuro,


suas inter-relações, interdependências,
preservando o equilíbrio e o desenvolvimento.

Tudo que está sendo realizado hoje tem reflexos


no futuro. Os limites estão sendo alcançados
rapidamente.

114
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

A capacidade de transformação do meio-


ambiente, com interferências em seu equilíbrio auto
sustentado, põe em risco a continuidade do patrimônio
de biodiversidade atual.
Qual é a responsabilidade que devemos assumir
com o futuro?
Quais são os compromissos a serem firmados
entre toda humanidade?
Como é possível garantir a conscientização e
respeito de todo planeta?
O planeta terra é o nosso habitáculo, a nossa
nave espacial, o nosso castelo de vida. Até quando
suporta nossas agressões?
Temos o direito de exaurir os recursos
existentes, transferindo os problemas para as futuras
gerações?
Os donos do mundo estão comprometidos com
esta causa? Ou estão interessados em seus próprios
interesses momentâneos?
Cada segundo que a humanidade demora em
reagir, o problema fica mais difícil de ser solucionado.
Com tantos desafios importantes, os donos do
mundo têm a ousadia em apoiar, incentivar e consumir
armas de destruição em massa, cada vez mais
poderosas e sofisticadas.
E pior que isto, tem a arrogância em incentivar
distúrbios, temores, destruições, guerras, assassinatos
em massa.
Como o governo de Israel enxerga seu futuro?
Que tipo de esperança e exemplo ele pretende
transferir para os filhos de seus filhos?

115
PLANETA LOUCO

Que relacionamento ele espera cultivar?


Que inteligência, se é que existe, está por trás
de toda esta parafernália voltada para a guerra sem
fim?
Qual é o futuro do Iraque? E do Afeganistão? E
da Síria? E do Irã? E da Coréia do Norte?
O que seus povos podem esperar da
humanidade? Bom senso?
Qual é o futuro da África? Quando seus povos
vão conquistar a independência econômica e o
desenvolvimento?
Quando vão deixar de ser explorados,
escravizados, espoliados?
Precisamos de novos princípios, novos valores,
novos compromissos, novas atitudes, novos
relacionamentos, novos comportamentos.
Onde estão as pessoas de boa vontade?
Por favor, apareçam.

45.COMPROMISSO
COM A FAUNA E FLORA

A biodiversidade da fauna e flora busca


permanentemente o equilíbrio. As
intervenções do homem são complexas e,
geralmente, provocam desequilíbrios.

Inseridos no meio ambiente, a fauna e a flora


enfrentam competições desiguais com a expansão
territorial.

116
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

A autêntica cobertura vegetal é cada vez menor.


A vida selvagem vem sendo exprimida, ampliando o
desequilíbrio e a extinção de espécies.
De que forma a humanidade deve considerar e
tratar sua fauna e flora?
As intervenções, mesmo repletas de boa
intenção, competência técnica e profissional, após um
tempo provocam desajustes irreparáveis, obrigando
participações contínuas.
Qual deve ser nossa responsabilidade com a
fauna e flora? Até que ponto o equilíbrio deve ficar sob
a coordenação das intervenções humanas?
Os parques são responsabilidades das nações,
da humanidade ou de ambos?
Como a humanidade deve participar da definição
de responsabilidades?
Como devem ser equacionados os conflitos de
desenvolvimento e conservação?
Em que bases devem ser sustentadas as escalas
de prioridades?
Com uma imensidão de desafios, os donos do
mundo ainda continuam fabricando armas de
destruição em massa, e investindo milhões e milhões
em aventuras bélicas.
Primeiro destroem sem dó e piedade.
Depois, sem remorso e vergonha, propõem ao
mundo a reconstrução dos danos.
A contradição de comportamento é notória.

117
PLANETA LOUCO

Da mesma forma que a coalizão destruiu o


Iraque, ela deveria arcar com todos os ônus, além de
pagar pesados custos por perdas e danos.
Se toda guerra for uma brincadeira dos donos
do mundo, ninguém vai conseguir estancar a barbárie.
Se do contrário, coubesse a Israel a reposição
econômica dos danos causados aos Palestinos, eles
pensariam dez vezes antes de qualquer ação
disparatada.
Provocar a destruição e depois, pedir para todos
se irmanarem na reconstrução é um comportamento
decente, responsável, adequado aos princípios e
valores?
O que obriga os demais paises ao pagamento do
pecado cometido por outrem?
Jogo de pressão e ameaça?
Jogo de interesses?
Caridade com o próximo?
Espírito de humanidade?
Será que habitamos o reino da loucura?

46.COMPROMISSO
COM OS RECURSOS
NATURAIS

Os recursos não renováveis só deveriam ser


extraídos após estudos de impacto ambiental.
Alguns estão próximos do esgotamento.

A humanidade vem exaurindo os recursos


naturais à mercê dos interesses dos donos do mundo.

118
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Tiramos do planeta tudo que é possível sem a


menor responsabilidade pelas conseqüências.
Ao invés de uma humanidade inteligente,
sensata, equilibrada, somos uma humanidade
exploradora, mesquinha, e altamente egoísta.
Por estratégia, deveríamos nos concentrar em
todos os recursos renováveis. Os não renováveis
devem obedecer aos estudos de equilíbrio, garantindo
a redução de efeitos colaterais.
É muito difícil confrontar os interesses
econômicos dos poderosos. Em hipótese alguma a
parte pode predominar sobre o todo.
É necessário interromper a cadeia de destruição
em benefício passageiro de uns poucos, prejudicando
toda humanidade e seu futuro.
Os absurdos interpostos pelo governo norte-
americano em defesa dos lucros de uma minoria não
podem afetar o equilíbrio do planeta, prejudicando a
maioria.
Quem faz cumprir o interesse principal da
humanidade?
Todos que estiverem comprometidos com a
extração racional e equilibrada dos recursos naturais.
Infelizmente não dispomos de opções. Ou
preservamos o planeta para o futuro. Ou precisaremos
enfrentar os desequilíbrios gerados.
Para os senhores da guerra, fica difícil propor
sensatez. Ou capacidade de visão. Ou responsabilidade
pelos atos cometidos.
A decisão de invadir, destruir, exterminar e
ocupar o Iraque foi unilateral.

119
PLANETA LOUCO

O mundo assistiu ao show da tecnologia de


morte em massa confortável através da mídia.
A alegação era que o Iraque dispunha de armas
de destruição em massa e representava uma séria
ameaça para o bem-estar do planeta.
O Conselho de Segurança foi contra o ataque. O
mundo foi contra. A maioria rejeitou a invasão.
Que compromisso, que responsabilidade estes
senhores da guerra demonstraram para a
humanidade?
Eles defendem os interesses do planeta ou os
seus próprios?
Mesmo sabendo que as tais armas não existiam,
por que enganaram todo mundo?
O Iraque estava sob bloqueio econômico e
supervisão direta dos Estados Unidos e Reino Unido.
Os inspetores não encontraram nada.
Qual é a verdade?

47.COMPROMISSO
COM OS MARES
E OCEANOS

Os produtos da água podem garantir a


existência da humanidade. De outro lado, as
agressões a esse meio-ambiente podem
comprometer o futuro.

Os mares e oceanos são patrimônios da


humanidade.

120
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Sua gestão cabe ao planeta terra, em igualdade


de condições para todos os seus viventes.
Em função de novas tecnologias, novos meios de
locomoção, novos sistemas de controle, os donos do
mundo ampliam seus limites e alcances marítimos,
reservando para seu usufruto, um bem comum de toda
humanidade.
O espaço marítimo precisa ser reconfigurado
pelo que ele representa para o equilíbrio do planeta.
Hoje esta área está transformada em importante
campo de guerra, permitindo, como exemplo, o
lançamento de míssil mar-terra carregando ogivas
nucleares.
A conversão de um espaço de vida para um
espaço de morte revela os princípios nada amistosos
dos senhores da guerra.
O que está por trás da militarização dos oceanos
e mares?
Quem controla o que não é visto pelos olhos
humanos?
Os donos do mundo?
Como fica o resto da humanidade?
De braços cruzados?
Existem limites para os donos do mundo?
Somos donos ou escravos do próprio planeta?
Por trás da aparente diplomacia, quais são as
verdadeiras intenções?
Dominar, controlar, ser dono de tudo o que
existe?

121
PLANETA LOUCO

A humanidade enfrenta sérios impasses


conceituais.
O equilíbrio internacional está desfeito. Os
imperadores de hoje são incomparavelmente mais
sanguinários, mais desumanos, mais déspotas.
A ação silenciosa e sorrateira testemunha a
dimensão do comportamento dos que apregoam
enganosamente liberdade, direitos humanos, respeito,
dignidade.
É muito difícil acordar e perceber a traição por
quem jurava ser seu melhor amigo.
Que princípios, valores, compromissos orientam
os donos do mundo?
Até que invadir o Iraque não faria muita
diferença. No entanto, matar, arruinar e exterminar
inocentes alegando o direito de defesa preventiva e
criando a fantasia da existência das armas de
destruição em massa, sem conceder oportunidade para
o bom senso e equilíbrio, revela um crime hediondo
contra a humanidade.
Ou a realidade é diferente?

48.COMPROMISSO
COM A ÁGUA

A água potável está secando. Desperdício, uso


inadequado, poluição e agressão ao meio
ambiente são causas do problema. A água é
essencial. São necessárias atitudes e ações
responsáveis.

122
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

A falta de água testemunha o descaso da


humanidade.
Enquanto tem, usa-se à vontade e de qualquer
jeito.
Quando falta, a primeira atitude é apontar
culpados e inocentes.
Por que a humanidade continua sendo tão
individualista, tão mesquinha, tão egoísta?
Qual é o mecanismo desta ânsia exploradora até
a exaustão?
Por que é tão difícil dividir, compartilhar, agir
responsavelmente com o meio-ambiente e a própria
humanidade?
Enquanto predominar o eu primeiro acima de
tudo e todas as coisas, as esperanças começam a se
escassear.
Imagine esta filosofia praticada ampla e
largamente pelos donos do mundo.
Não há sobras para a humanidade. Apenas o lixo
e algumas migalhas.
O que é possível fazer para não faltar água no
futuro?
Igual os famosos alertas dos norte-americanos
contra a possibilidade de um ataque terrorista, a
humanidade está em perigo máximo contra os
desmandos dos poderosos, a falta de água, a geração
de lixo tóxico e não reciclável, o egoísmo, assassinatos
de inocentes oficializados por nações que se
comprometeram com a liberdade e os direitos
humanos, a hipocrisia dos judeus perseguidos e

123
PLANETA LOUCO

perseguidores, os desequilíbrios cometidos contra a


natureza.
Por que é tão necessária e emergente uma nova
constituição para o nosso planeta, formulada sem
privilégios?
Porque está em jogo a nossa sobrevivência e
dignidade.
Porque é possível melhorar, com inteligência,
criatividade, equilíbrio e bom senso, a qualidade de
vida de todos.
Porque a vida da humanidade corre sérios
riscos.
A questão da água afeta as previsões de bem-
estar e futuro. Podemos continuar da mesma forma.
Destruindo. Usando tudo até a exaustão.
Exterminando sem dó e piedade. Praticando a política
do mais forte e poderoso. Vivenciando a filosofia do eu
sempre em primeiro lugar, e os demais que se virem.
Pregando belos princípios, porém, na realidade,
praticando tudo ao contrário. Tal como a declaração
universal dos direitos humanos. Ou a Carta das Nações
Unidas. Ambas inócuas.

49.COMPROMISSO
COM A ENERGIA

A vulnerabilidade das fontes de energia, sua


monopolização e manuseio de preços
dependem de uma redefinição da política de
bens essenciais voltados para a promoção de
qualidade de vida.

124
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

A maior parte da energia atualmente utilizada


no planeta é poluente e prejudicial ao equilíbrio do
sistema.
A energia fóssil, persistindo o mesmo nível de
consumo, está no fim. Não é suficiente para mais meio
século.
Significa que em aproximadamente cem anos a
humanidade vai conseguir bater o seu recorde de
capacidade de exaurir um recurso natural.
A energia nuclear produz um lixo altamente
comprometedor para o meio ambiente.
A não ser que a humanidade desenvolva novas
fontes de energia, o petróleo que passa pelo
Afeganistão e o do Iraque deve recompensar a sede
exploratória norte-americana.
O que está por trás de tudo isto?
Qual é o dinheiro que o petróleo produz?
Quem ganha com este jogo?
Qual é o verdadeiro motivo da invasão ao
Iraque, uma vez que encontraram unicamente as
armas de destruição em massa utilizadas amplamente
pela coalizão?
A quantidade de bombas lançadas sobre o
Iraque, em um espaço curto de tempo, superou todas
as demais guerras até agora presenciadas pela
humanidade.
Todo este esforço, toda parafernália montada,
fez parte de um grande show. A mídia mundial
acompanhou o mais perto possível a cena da
destruição.

125
PLANETA LOUCO

A expectativa era avaliar a capacidade de


resistência do Iraque.
Se qualquer ação contra o terrorismo justificar o
nível de terror empregado pela coalizão, o mundo fica
sem saber quem é mais terrorista.
Neste campeonato insano, concorrem os
melhores do mundo: Bush, Blair, Sharon. Como
oponentes, escolheram Sadam e Bin Laden.
Não difere das lutas arranjadas.
Os poderosos lutam de longe, despejando
toneladas e toneladas de armas de destruição em
massa.
Os fracos se explodem, imolando-se junto com
suas bombas de efeito moral.
Ninguém vê. Ninguém ouve. Ninguém fala.
Tantos foram mortos e destruídos, sem qualquer
direito humano, sem qualquer respeito à Carta das
Nações, sem mesmo saber o porquê. Do outro lado,
estava em jogo o domínio da energia. Provavelmente a
que mata a humanidade.
Quantos iraquianos morreram?

50.COMPROMISSO
COM
O DESENVOLVIMENTO

Todo gestor público deve estar comprometido


com o desenvolvimento e a melhoria de
qualidade de sua comunidade e da
humanidade. É essencial cada pessoa sentir-
se de bem com a vida.

126
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

A humanidade tem competência e condições


para melhorar a qualidade de vida de todos.
O caminho é a promoção do desenvolvimento
através da integração da humanidade no tecido
participativo social.
As pessoas precisam ter vez e oportunidade
para construir a sociedade.
Os gestores públicos têm o papel fundamental
de preparar e capacitar as comunidades. Hoje, a maior
parte encontra-se excluída do mercado de consumo.
Todas as pessoas precisam dispor de um
trabalho digno e justo.
Como é que se faz isto?
Dinamizando a economia. Crescendo. Ampliando
oportunidades. Estimulando o fluxo de trocas.
Investindo com seriedade e determinação.
A sociedade norte-americana superou a grande
recessão de 1929 através da promoção do
desenvolvimento.
A proposta ortodoxa da redução do tamanho da
economia, proposto pelos organismos mundiais,
incrimina pesadamente o subdesenvolvimento.
O produto interno do Brasil já chegou perto de
900 bilhões de dólares ano. Hoje está na metade disto,
450 bilhões.
Antes o governo cobrava aproximadamente 25%
do PIB em impostos, ou 225 bilhões. Hoje, ele cobra
37%, ou 166,5 bilhões. A máquina estatal trabalha
amarrada. A economia tende ao estrangulamento.

127
PLANETA LOUCO

Qual é o desafio?
Fazer a economia voltar aos 900 bilhões,
reduzindo a carga tributária. Este exemplo serve para
a maior parte dos países.
Os gestores públicos deveriam estar
comprometidos com o desenvolvimento.
Claro que existem milhões e milhões de
desculpas e justificativas. Uma delas é óbvia: os donos
do mundo mantêm a humanidade sob sua escravidão.
A outra é mais óbvia ainda: a humanidade aceita esta
servidão.
O cenário internacional não suporta mais as
disparidades existentes.
É fundamental ampliar o mercado de consumo.
Esta linguagem o mundo entende.
É fundamental integrar as pessoas à sociedade.
Motivo principal: trata-se da melhor política de
segurança.
Se a humanidade estiver de bem com a vida,
não vai existir justificativa para nenhuma guerra
ilógica ou desequilibrada.

51.COMPROMISSO
COM A PROMOÇÃO
HUMANA

Qualquer ser humano possui um potencial


fantástico para ser desenvolvido.
Independente de sua força individual, a
comunidade exerce um papel primordial para
revelar este potencial.

128
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Incentivar o desenvolvimento dos talentos


individuais é a forma mais promissora para promover o
enriquecimento de qualquer povo.
As pessoas sentem-se muito melhor, as
comunidades comemoram as realizações, e todos
participam ativamente do crescimento de todos.
Os donos do mundo querem a competição entre
humanos.
De um lado os vencedores e de outro, os
perdedores. De um lado os bons, de outro, os maus.
De um lado os mocinhos, de outro, os bandidos.
Desta forma, converteram a humanidade em um
bang-bang do velho oeste. Bandido é para ser
enforcado e morto. Mocinho é para pagar imposto de
renda.
A competição é contra os desafios que afligem a
humanidade. Somos o mesmo povo do planeta terra.
Ao invés de nos exterminarmos mutuamente,
não é mais inteligente, sensato, equilibrado nos
unirmos para promover o bem-estar de todos?
A deturpação de desafio é o erro que está
implantado na essência das nações.
O jogo não é uma passar a outra para trás,
tirando proveito pessoal.
O jogo é vencer a desumanidade, o convívio
com o macro ambiente, as exclusões, as injustiças.
Os donos do mundo pregam o genocídio.
As nações unidas é um mero clube particular,
com poucos donos e o resto do mundo colocado de
joelhos prometendo eterno louvor.

129
PLANETA LOUCO

Os que imploram com mais veemência são


agraciados com alguns prêmios.
Pondere a compra norte-americana do
Paquistão, na guerra do Afeganistão. O jogo foi
definido por duas moedas: um montão de dólares e
um montão de ameaças.
O que o Paquistão fez? Aceitou os dólares.
Era isso que o povo paquistanês queria? Não.
Mas o povo nunca mandou nada em nenhum
lugar do mundo. Nem nos Estados Unidos da América.
O povo é todos e ninguém ao mesmo tempo. É
controlado pela mídia, pelos líderes e pelas minorias.
Tem o direito do voto e depois, o direito de
permanecer calado até a próxima eleição.
Tem o direito de pagar imposto.
Tem o direito de elogiar os donos do poder.
Tem o direito de não ver, não ouvir, não falar.
Tem o direito de não causar problemas para a
sociedade.

52.COMPROMISSO
COM A INFORMAÇÃO

A credibilidade da informação pública precisa


ser resgatada. A auto-informação favorece o
benefício de distorções absurdas. Na
realidade, quanto menos a humanidade
souber, melhor.

130
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Quando os senhores da guerra transmitem uma


informação para o mundo, ela significa apenas o que
eles desejam.
Neste momento não existe ética ou qualquer
pudor em favor da fidelidade do fato real. A mídia faz
eco para este tipo de informação.
Com o tempo, todos ficam sabendo que o Iraque
não tinha nenhum projeto de arma de destruição em
massa, que a ameaça de artefatos nucleares foi
simplesmente inventada, que as perigosas armas
químicas não passavam de ficção, que o vínculo com
supostos terroristas fazia parte do jogo, que os mísseis
não tinham nenhum compromisso com os alvos
cirúrgicos mesmo caindo sobre crianças inocentes.
Hoje, os líderes públicos simplesmente jogam
com a informação.
Como ninguém questiona, ninguém reclama,
ninguém apela para a responsabilidade de enganar a
humanidade, todos aceitam a farsa.
O que importa é o cenário. As bandeiras de
fundo. A roupa do porta-voz. Uma visão geral da
platéia. A quantidade de microfones. A parafernália de
televisões e jornalistas. E essencialmente, o momento
e a hora em que a mensagem está sendo transmitida.
Qualquer gestor público, mais que qualquer
pessoa, tem o dever da verdade.
Por que a informação é um grande jogo de
mídia?
Simplesmente porque o poder foi apoderado.
Quando deveria ser uma concessão em nome da
comunidade.

131
PLANETA LOUCO

É pesado aceitar que em pleno século vinte e


um a maioria dos gestores públicos ainda usurpa o
poder da mesma forma que os imperadores, os
senhores feudais, os donos de tudo e todos.
O que acontece com um executivo de qualquer
empresa que de um momento para outro, começa a
deformar os fatos visando seu próprio benefício?
Em dois tempos está fora.
O que acontece com os gestores públicos
quando fazem a mesma coisa?
Nada.
Ficam impunes.
Até que ponto a humanidade vai continuar
concordando com este comportamento? Ou aceitando
tais inverdades como verdadeiras? Ou interpretando o
cenário ao invés do fato?
As informações públicas deveriam ser
transmitidas mostrando simultaneamente os
resultados de poderosos detectores de mentira.
A simples comprovação de má intenção deveria
ser suficiente para destituir qualquer gestor público.

53.COMPROMISSO
COM A PAZ

A paz deve ser preservada sob todas as


condições. Não existe sentido algum
promover a guerra, invadir outros povos,
exterminar inimigos. O homem não pode
matar o próprio homem, impunemente.

132
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Definitivamente não existem razões para


justificar a barbárie de qualquer guerra.
Se os povos não conseguirem resolver seus
conflitos, o tribunal internacional da humanidade deve
decidir a questão.
Se mesmo assim prosseguir o não
entendimento, a força internacional em defesa da paz
deve agir com vigor e determinação.
Da mesma forma, não existem razões para a
produção de armas de destruição.
A paz não pode ser uma simples intenção.
Precisa ser um compromisso de respeito à própria
humanidade.
Não pode mais ser uma balela. Deve predominar
acima dos interesses particulares.
Palestinos e judeus, protestantes e católicos,
paquistaneses e indianos, talebans e norte-
americanos, iraquianos e norte-americanos, sudaneses
e norte-americanos, sírios e norte-americanos,
iranianos e norte-americanos, coreanos do norte e
norte-americanos, cubanos e norte-americanos,
chechenos e russos, e todos demais contendores
devem encontrar soluções de bom senso, equilíbrio e
respeito aos direitos mútuos.
Todas as comunidades têm pleno direito em
pleitear a defesa de seus interesses.
A humanidade, de forma responsável, madura e
inteligente, deve encontrar a melhor solução para cada
desavença.

133
PLANETA LOUCO

Não existe sentido na formação de exércitos.


Nenhum país pode invadir ou agredir o outro.
Os trilhões e trilhões de dólares investidos em
armas de destruição devem ser direcionados para a
promoção do bem-estar da humanidade.
A indústria da morte, produzida pelos senhores
da guerra, é o maior contra senso de todos.
Existe droga pior que produzir e possuir
toneladas e toneladas de armas de destruição em
massa?
Até quando é preciso investir em sistemas de
extermínio da humanidade?
Qual é o conceito de humanidade para as nações
que se preparam dia e noite para usufruírem o poder
de matar, arruinar, destruir, invadir outros povos do
planeta terra?
Os que estas nações semeiam para o futuro?
Qual é a cultura, qual é o nível de humanidade,
dos povos guerreiros?
No que acreditam os senhores da guerra?
Nas bombas?
Os bárbaros sentem inveja.

134
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

DESAFIOS

135
PLANETA LOUCO

54.DESAFIO
DA POBREZA

O principal desafio da humanidade é vencer a


pobreza. A revolução industrial iniciou o

136
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

empobrecimento da maioria e o
enriquecimento da minoria.

O grande desafio é integrar as pessoas na


sociedade.
O efeito da revolução industrial proporcionou a
mais espetacular inversão de valores, permitindo a
minoria rica e a maioria pobre.
Esse desequilíbrio afronta contra a dignidade
humana. Provou o egoísmo. Provou o jogo de defesa
dos interesses. Provou a desagregação dos habitantes
do planeta terra.
As nações viraram reinos. Umas de fantasia e
outras, de realidade. O raciocínio é ambíguo. Serve
para qualquer lado.
Quando a maioria sente-se sufocada, sem
espaço, sem alternativa, sem possibilidade de
crescimento, sem expectativa de futuro, resta para a
minoria um único caminho.
Criar reinos prisões.
Igual o processo de emparedamento de Israel.
Igual a assepsia norte-americana em relação aos
estrangeiros. Iguais segregações tecnológicas, vigiadas
24 horas por sistemas de controle de sofisticados
satélites.
Não é necessário entender de planejamento.
Basta a matemática: a essência da equação é a
igualdade.
Os reinos ricos serão obrigados a matar
humanos até a desintegração de sua própria
sociedade.

137
PLANETA LOUCO

Este fenômeno já é perceptível.


O primeiro processo é o extermínio de humanos
do outro lado do mundo.
O segundo processo é a disputa interna pelo
poder entre os poderosos.
O terceiro processo é a própria autodestruição.
Definitivamente, a pobreza não se resolve com
esmolas ou restos. A pobreza se resolve integrando os
humanos na humanidade.
A regra atual não faz sentido.
As nações unidas nada mais são do que o teatro
dos donos do mundo.
Os gestores públicos mentem, iludem, enganam.
Prometem que não vão invadir e invadem. Juram que
vão defender os direitos humanos e criam
Guantânamo. Falam em paz, mas fazem a guerra.
Criticam os terroristas, no entanto despejam suas
armas de destruição em massa contra o mundo.
Defendem a liberdade e aprisionam meros suspeitos
sem direito a defesa. Criaram o Conselho de
Segurança até o ponto da própria conveniência.
Existem esperanças?
O que se faz com humanos pobres, pobres
humanos?

55.DESAFIO
DA CULTURA

A humanidade nunca esteve tão carente de


sensibilidade. A percepção de novas

138
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

realidades é essencial para a construção de


uma sociedade moderna e essencialmente,
humana.

Como é que se desenvolve a alma da


humanidade?
Como é que se desperta a capacidade de
ultrapassar os limites do fato e da foto?
Como é mesmo que se vive?
A descoberta do outro não se ensina. Cada
humano descobre por si só esta realidade.
O desafio da cultura é fundamental para o
usufruto da vida.
No entanto, a cultura está cada vez mais
distante da humanidade.
Atinge os súditos dos donos do poder, em belos
castelos, sofisticadas galerias, museus inatingíveis.
Dos 6 bilhões de humanos, os 4 bilhões pobres
ficam nas tradições e fantasias de tempos mais justos,
tudo chamado de cultura popular.
Dos 2 bilhões de encastelados, um percentual
muito pequeno tem acesso aos universos da cultura.
A humanidade precisa de artistas para
revolucionar a sensibilidade do mundo.
Os artistas precisam se despertar do sonho dos
salões reluzentes. Será que fazem arte para a minoria
da minoria rica?
Essa cultura farisaica, distante do povo, está
fazendo os grandes artistas do mundo se revolverem
em suas covas.

139
PLANETA LOUCO

A hipocrisia do mundo alcança níveis de um “non


sense” contrastante.
Na verdade, a cultura está sendo usada pelos
donos do mundo para esconder atrás das cortinas o
jogo de interesses mesquinhos e ignominiosos.
Qual é a sensibilidade para com a cultura dos
afegãos?
Nenhuma. Eles não são iguais, não pensam da
mesma forma, não cultuam os mesmos valores e
princípios norte-americanos.
Qual é a sensibilidade para com a cultura dos
iraquianos?
Nenhuma. Os iraquianos vivem sem liberdade,
sufocados pelas armas dos seus invasores.
A tradição velha, entre os Rios Tigre e Eufrates,
contrasta com os padrões dos donos do mundo.
Parece absurdo.
Se não é, qual é a justificativa para despejar
toneladas e toneladas de armas de destruição em
massa sobre o povo sofrido do Iraque?
Se não é, calcule só a arrogância dos senhores
da guerra que esperavam ser recebidos de braços
abertos pelo povo iraquiano.
Insensibilidade? Pode ser.

56.DESAFIO
DA
REPRESENTATIVIDADE

A representação de cada ser humano precisa


ser efetiva, real, acessível. Não basta poder
140
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

escolher simplesmente a alternativa mais


conveniente.

O voto é insuficiente.
Os candidatos ao poder prometem o que podem
e o que não podem. Estudam a melhor adequação de
roupa, impostação de voz, posicionamento perante a
massa.
Na seqüência, tomam conta do poder,
mandando e desmandando sobre seus súditos.
É essencial o estabelecimento do Poder
Representante. A função é promover o
desenvolvimento das comunidades representadas. O
objetivo é que os recursos públicos sejam aplicados
em prol da melhoria de qualidade de vida.
O Poder Legislativo, exceto durante a elaboração
ou revisão de uma constituição, não tem o menor
sentido.
As leis devem ser formuladas por técnicos e
especialistas na matéria. Podem ser propostas por
qualquer cidadão, qualquer comunidade, quaisquer
pessoas.
Os representantes debatem os temas com suas
comunidades e depois, discutem as diversidades de
opiniões, posições, interesses, prioridades.
Está no momento da humanidade conquistar o
seu direito de representatividade.
Os gestores públicos administram em nome de
suas comunidades. Devem desenvolver o plano de
gestão, definindo prioridades, estratégias, resultados a
serem alcançados.

141
PLANETA LOUCO

No momento que deixarem de contar com a


aprovação da maioria simples, metade mais um,
deverão automaticamente ser substituídos. Estas
consultas devem ser feitas por institutos de pesquisas
de opinião, de forma simples, objetiva, clara,
transparente.
O gestor é um concessionário de poder. Deve
aplicar os recursos de forma a propiciar resultados
eficazes e palpáveis.
Uma nação, território, estado é propriedade do
conjunto de seus habitantes. O compromisso essencial
é gerar o bem-estar para todos.
Hoje, a maioria dos governos administra de
forma distante de sua população.
Até quando a humanidade aceita votar de tempo
em tempo, permanecendo no interregno com mera
espectadora?
A prioridade é a integração de todos na
construção de suas comunidades. Todas as pessoas
possuem o direito e o dever de participar da vida em
sociedade.
Por que não interessa o direito de
representação?
Porque reduz o poder e obriga resultados
concretos.

57.DESAFIO
DO COMÉRCIO
INTERNACIONAL

142
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

O comércio internacional deve ser livre, sem


barreiras. Deve ser regulado por padrões de
qualidade e exigências técnicas.

O mercado internacional é dominado pelos


interesses e ameaças dos donos do mundo.
Da forma que está, privilegia os grandes e
desfavorece os pequenos.
Obedece a mesma disparidade interposta para a
humanidade após a revolução industrial.
Quem pode mais, chora menos.
Quem não pode, fica sem nada.
A forma atual amplia o distanciamento entre
ricos e pobres.
Os países estão sendo obrigados a trabalhar em
bloco para competir com as economias poderosas,
capazes de impor condições de favorecimento
unilateral.
Cabe aos empresários apresentarem as
melhores respostas aos consumidores.
A liberação do mercado favorece a dinamização
e democratização da riqueza.
As condições devem ser iguais para ambos os
lados.
Se os norte-americanos quisessem ficar cada
vez mais ricos permitindo que os demais países
também pudessem se desenvolver, o mundo já estaria
em um patamar muito mais avançado.

143
PLANETA LOUCO

O grande entrave é que eles desejam o


enriquecimento próprio contra o empobrecimento de
todos os demais.
Essa desigualdade não tem mais sentido.
É uma política de extrema mesquinhez.
De outro lado, o mercado reúne condições para
ser extraordinariamente maior e mais dinâmico.
O seu papel principal é promover o
desenvolvimento harmônico de toda humanidade.
É fundamental ampliar o mercado consumidor.
O desafio é inserir os 6 bilhões de habitantes do
planeta terra no mercado de consumo.
O atual PIB internacional tem capacidade de
duplicar e até triplicar.
Faz muita diferença ao invés de salvaguardar
apenas os interesses nacionais, também priorizar os
interesses de toda humanidade.
Basta um pouco de inteligência e bom senso
para considerar a importância da liberação do mercado
internacional.
A humanidade é uma sociedade
interdependente. Cada um depende do outro.
Se cada nação pensar exclusivamente em seus
interesses, e a partir deste pressuposto, proteger seus
negócios em função da capacidade de impor, o futuro
da humanidade fica altamente comprometido.
Todos os povos têm direito ao desenvolvimento.

58.DESAFIO
DA PAZ

144
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

A paz precisa ser o fator determinante de


humanidade. É fundamental o desarmamento.
É fundamental parar de produzir armas de
destruição em massa. É fundamental viver em
paz.

Na proporção em que os países armam suas


forças militares, promovem a guerra.
Na proporção que desenvolvem armas
sofisticadas, amplia a insegurança de toda
humanidade.
A lógica da guerra é avassaladora. Basta fabricar
armas e mais armas de destruição em massa. Ao
contrário da paz, isto sempre vai favorecer a guerra.
Chegamos ao absurdo de produzir armamento
para exterminar a própria humanidade.
O desafio da paz exige um comportamento
contrário a tudo isto.
A capacidade de viver em harmonia, a
capacidade de discutir, avaliar e encontrar uma saída
para os mais complexos problemas, a capacidade de
promover o entendimento é fator determinante de
humanidade.
Da mesma forma que o cigarro prejudica a
saúde, e por isso, é amplamente rejeitado, as armas
acabam com a saúde. E também a vida.
É um grande paradoxo fabricar armas e falar em
paz.

145
PLANETA LOUCO

A indústria de armas é um processo sem fim. O


objetivo é sempre desenvolver uma arma mais
poderosa e impactante que os potenciais inimigos.
Outro problema grave é gastar o estoque
produzido durante seu tempo de validade.
Pelo menos satisfaz a consciência dos bilhões e
bilhões investidos.
Se o estoque foi gasto, é absolutamente
necessário trabalhar para sua reposição. Isso nunca
acaba.
O outro lado é obrigado a se armar para
equilibrar as forças.
O que motivou a Coréia do Norte a desenvolver
sua tecnologia? A ameaça de ser invadida pelos norte-
americanos.
Onde está o bom senso nesta história? Simples.
Nos interesses bilionários que sustentam a indústria de
armas.
Que poder esta gente tem? Um fantástico poder.
Qual é o marketing que eles exercem? O
marketing de quanto pior, melhor. Quanta ironia. Tudo
para exterminar a própria humanidade, sem dó nem
piedade.
Cada vez a guerra tecnológica dói menos. Basta
apertar um botão para despejar toneladas e toneladas
de armas de destruição em massa sobre os iraquianos
indefesos.
Enquanto isso, ninguém vê, ninguém fala,
ninguém ouve.

146
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

59.DESAFIO
DA PREPARAÇÃO

A humanidade precisa preparar seus


habitantes para participar e integrar-se à
própria humanidade. Esta responsabilidade é
de todos que habitam o planeta terra.

Preparar uma pessoa para participar da vida em


sociedade, de forma ativa e plena, é um dos principais
desafios que a humanidade precisa enfrentar com
muito mais determinação.
Não é suficiente transferir conhecimentos.
Aplicar índices de escolaridade. Avaliar a média dos
resultados.
O desafio está em preparar a todos, sem
exclusões, limitações, barreiras, pré-conceitos, para
construir a vida em sociedade, em nível econômico,
político, social e cultural.
Existem alguns impasses importantes.
O primeiro é como vivenciar os valores,
princípios e compromissos da vida em comunidade.
Trata-se de um alcance superior aos processos
convencionais de avaliação de aprendizado.
O segundo é como identificar as funções que
serão necessárias nos próximos 50 anos.
O terceiro é como sintonizar as vocações
individuais com a demanda da sociedade.

147
PLANETA LOUCO

O quarto é como interligar a preparação com a


participação ativa promovendo o desenvolvimento de
todos.
O quinto é como estabelecer um processo de
atualização contínua e permanente.
A ineficiência dos atuais sistemas está provada
pelos acentuados índices de desemprego, maior nos
países subdesenvolvidos.
No entanto, a insatisfação com as funções
exercidas ou o conformismo imposto pela competição,
acentua o distanciamento das atuais soluções.
Toda e qualquer pessoa que não acerta na sua
integração social, ou por deficiências próprias, ou por
limitações do sistema, amplia o conflito de
humanidade.
A corrida ao ouro valorizada pelos norte-
americanos como a essência da vida é limitante. Uns
vencem. Outros perdem. Os perdedores devem ser
eliminados.
É importante competir. No entanto, é essencial
viver, expressar alegria, participar, descobrindo
constantemente os potenciais fantásticos de cada ser
humano.
Não se pode aceitar o jogo do extermínio.
Desumano. Cruel. Perverso.
É preciso acreditar na humanidade.
É preciso integrar cada pessoa.
É preciso avançar o sentido de alegria.
É preciso viver a paz.
E a vida.

148
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

60.DESAFIO
DO TERRORISMO

O terror é viver preparado para o desastre, a


catástrofe, o assalto, a surpresa, suspeitando
de tudo e todos ao mesmo tempo. Acaba com
a bondade, a solidariedade, a confiança, a
credibilidade.

Os donos do mundo forçam a humanidade a


aceitar a inconseqüência do terror.
Os terroristas são loucos, sem cultura.
No entanto, usam suas próprias vidas para
tentar dizer alguma coisa para a humanidade.
Que motivo seria tão forte para que você doasse
sua vida em prol da causa defendida? Falta de
liberdade? Falta de respeito? Falta de consideração?
Falta de espaço para viver? Falta de dignidade? Falta
de justiça? Falta de verdade? Falta de princípios e
valores? Falta de autenticidade?
Se fosse um, dois ou três que se auto explodisse
seria plausível imaginar loucura. São muitos e muitos
que se imolam.
Para os donos do mundo, não interessa
compreender, analisar, avaliar os pontos de vista
diversos.
Interessa promover a guerra e o extermínio.
Interessa preservar o clima de medo. Porque o temor
faz as pessoas acreditarem no primeiro que fala mais
alto.

149
PLANETA LOUCO

O jogo do medo ativa o mecanismo de


sobrevivência agarrando o primeiro suporte que
aparece.
Não importa se é bom, se está bem
intencionado, se é equilibrado e justo, se está
procurando o bem-estar ou o mal-estar de todos.
Usar o medo como jogo político para dominar
uma nação é inaceitável. É como um golpe baixo, sem
que o juiz perceba.
Um ponto é evidente: terror não se combate
com terror e toneladas e toneladas de armas de
extermínio em massa.
A humanidade precisa exercer suas habilidades
de compreensão, negociação, bom senso, equilíbrio,
procura de justiça.
Existem muitas incongruências.
Se o alvo era o terror liderado por Bin Laden,
por que envolver todos os afegãos?
O Afeganistão de hoje é melhor, igual ou pior do
governado pelos talebans?
Se as nações unidas defendem a autonomia dos
povos, por que não esgotaram todas as possibilidades
de diálogo antes de partir para a agressão?
Qual era a acusação dos norte-americanos?
Suspeitavam que o ataque de 11 de setembro
houvesse sido cometido pelos terroristas do Bin Laden,
lá das cavernas do Afeganistão.
Sempre foi uma suspeita e nunca uma prova
cabal.
Valeu a credibilidade do acusador.

150
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

61.DESAFIO
DOS DIREITOS
HUMANOS

Só existem os direitos dos donos do mundo.


Eles fazem o que bem entendem. Passam por
cima de todos. Prendem quem quiser,
torturam, fazem pessoas desaparecerem. O
que são mesmo os tais direitos humanos?

Para os donos do mundo, a declaração universal


dos direitos humanos está no papel. E deve ficar aí. Foi
feita para os outros se orientarem.
No entanto, eles podem prender qualquer
suspeito de terrorismo, sem mais nem menos.
Podem manter os presos incomunicáveis por um
bom tempo.
Podem esconder qualquer pessoa enviando para
suas prisões inferno.
Podem mandar matar quem desejar.
Podem manter presos de guerra como animais.
Podem jogar bombas de destruição em massa em
qualquer local do planeta. Podem financiar grupos
mercenários desde que lutem a favor deles.
Podem comprar quem quiser, oferecendo
prêmios fantásticos por suspeitos, vivos ou mortos,
sem qualquer julgamento.
Podem limitar da forma que desejarem a
entrada de estrangeiros em seu país.

151
PLANETA LOUCO

Podem obrigar o bloqueio econômico aos


inimigos. Podem ameaçar quem quiser.
Podem congelar e tomar recursos depositados
em bancos.
Podem ordenar ações criminosas realizadas
pelos seus agentes secretos em qualquer local do
mundo.
Podem escutar, espionar, controlar por satélite a
vida de qualquer cidadão.
Tudo isto, é claro, desde que haja uma mera
suspeita.
Trata-se de um grande e complicado desafio
para ser solucionado pela humanidade.
Até que ponto a sociedade norte-americana está
comprometida com as decisões realizadas por seu
governo ditatorial?
Quem manda no governo norte-americano: seus
próprios cidadãos ou os fabricantes de armas de
destruição em massa, ou os donos do petróleo, ou os
interesses dos milhões de dólares de uma minoria
poderosa?
É este pessoal que defende a liberdade, a
dignidade, o respeito, a justiça, os direitos humanos?
O exemplo percebido pelo mundo é
extraordinário. Veja a invasão ao Iraque. O campo de
concentração de Guantânamo, muito melhor e mais
sofisticado que todos que já existiram. O apoio
irrestrito às matanças, invasões, destruições
promovidas pelo governo Israelense. As ameaças para
a Coréia do Norte, Irã, Síria.
É exemplo de sobra. Precisa mais?

152
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

62.DESAFIO
DO MEIO-AMBIENTE

Até quando o planeta terra vai suportar a


destruição promovida pela humanidade? Será
que é necessário atingir o último limite para o
mundo exigir uma reação?

O meio-ambiente possui uma significativa


capacidade de recompor os desequilíbrios.
A ganância desenfreada, a falta de escrúpulos, e
a ausência de responsabilidade pelo futuro provocam
constantemente os mecanismos da natureza.
A emissão de dióxido de carbono pelos países
donos do mundo está comprometendo a camada de
ozônio.
As mudanças climáticas refletem compensações
críticas.
As destruições de florestas debilitam os
equilíbrios existentes.
O lixo não reciclável entope rios e mares.
Produtos químicos, altamente agressivos, são
despejados acidental ou incidentalmente na natureza.
Algumas metrópoles enfrentam problemas de
qualidade de ar.
Boa parte dos rios está morta. Viraram esgotos
a céu aberto.
Diversas espécies da biodiversidade estão em
extinção.

153
PLANETA LOUCO

Enquanto isso, os donos do mundo continuam


defendendo unicamente seus interesses econômicos de
curto prazo.
Falta responsabilidade com o futuro. Falta
consciência. Falta bom senso. Falta inteligência.
A inversão de valores e princípios, além de
prejudicar o meio-ambiente, deteriora dia a dia a vida
da humanidade.
As tendências são drásticas: é mais fácil crescer
a quantidade de pobres e despreparados.
O que é a humanidade? Um brinquedo? Um
jogo? Homens transvertidos de ratos?
O que impede a prática do bom senso,
equilíbrio, inteligência?
Se os quadros macros estão se deteriorando
rapidamente, não é sensato rever os caminhos,
estratégias, soluções?
Quem fala para os donos do mundo acordar
enquanto é tempo?
O desafio do meio-ambiente cresce
silenciosamente. Muita gente protesta, grita,
esperneia. Não adianta. O jogo de interesses ainda
predomina. Os ricos não se cansam de ficar ricos.
Que adianta toda riqueza do mundo se a
natureza entrar em processo de autodestruição?
Os donos do universo vão precisar se esconder
ou fugir deste planeta. Os de fora, famintos,
esfarrapados, esfoliados vão querer entrar em seus
mundos por uma simples questão de sobrevivência.
Triste é saber que todos poderiam estar vivendo muito
bem, em paz, harmonia, consenso. É a realidade.

154
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

63.DESAFIO
DOS LIMITES
DA CIÊNCIA

O limite da ciência é a promoção da qualidade


de vida humana. Os produtores de
conhecimento e os cientistas devem
contribuir fortemente para que a humanidade
encontre sua própria humanidade.

Alguns avanços da ciência chocam a opinião


pública.
Alguns cientistas procuram desenvolver
experiências que ultrapassam os limites aceitáveis,
principalmente considerando as curvas normais de
comportamento humano.
Outros são cientistas mercenários. Pesquisam e
desenvolvem o que o dinheiro é capaz de pagar.
Outros não estão preocupados com o bem-estar
da humanidade. Querem recursos e condições de
trabalho.
Na verdade o mundo científico tem um
compromisso importante com a melhoria de qualidade
de vida dos humanos.
Este objetivo não pode sofrer limitações ou
jogos de interesses.
Como deve ser estabelecido o desafio sobre os
limites da ciência? O que é ético? Quem é capaz de
aprisionar o desenvolvimento intelectual, a pesquisa, a
descoberta de qualquer cientista?

155
PLANETA LOUCO

Quem pode dizer claramente até onde ele pode


pensar, testar e experimentar?
Os conhecimentos existentes estão em processo
dinâmico de explosão.
Nos 20 últimos anos do século vinte, a ciência
avançou muito mais que tudo o que se sabia até 1980.
Cada ano é significativo o agregado de novos
conhecimentos, novas descobertas, novas pesquisas,
novas sabedorias.
O essencial é canalizar esta usina produtora de
conhecimento para a promoção da qualidade de vida
humana.
Certamente reunimos condições para transfazer
a humanidade.
O potencial de conhecimento, quanto mais se
avança, mais se amplia.
Os cientistas, os pensadores, os pesquisadores
precisam estar envolvidos na solução dos desafios da
humanidade.
Devem exercer um papel preponderante no
processo de desenvolvimento e crescimento da
humanidade.
Devem trabalhar para a paz, não para a guerra.
Como é possível integrar a capacidade de
produção de conhecimento para a geração bem-estar
de todos?
Por que os gestores públicos não se servem
muito mais dos conhecimentos e avanços científicos?
Por que o mundo não compõe um grande
Conselho Científico para melhorar a qualidade de vida?

156
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

64.DESAFIO
DA JUSTIÇA UNIVERSAL

A humanidade deve estabelecer um código de


conduta, baseado em princípios, valores,
compromissos, desafios, válido para todos os
povos.

O mundo precisa de uma justiça universal para


preservar a paz e o bem-estar entre todos.
Ninguém pode, por conta própria, invadir o país
de ninguém.
Ninguém pode falhar com os direitos
internacionais dos habitantes do planeta terra.
Ninguém pode manter prisioneiros de guerra em
campos de concentração como o de Guantânamo.
Ninguém pode poluir o meio-ambiente em nome
de seus próprios benefícios, em detrimento da maioria
dos habitantes do planeta.
Ninguém pode restringir o acesso de um
estrangeiro em seu país alegando mera suspeita de
potencialidade de terror.
Ninguém pode prender um ser humano sem
julgamento ou total direito de defesa.
Não pode existir um dono, um mandante, um
privilegiado, um favorecido. Cabem aos países,
territórios, comunidades indicar juízes para este
tribunal.

157
PLANETA LOUCO

O que ocorreria com o Afeganistão e o Iraque se


este tribunal fosse efetivo? A maior probabilidade é
que ambas as ações de extermínio em massa não
tivessem vingado.
O que aconteceria com o impasse entre a
Palestina e Israel? Haveria uma solução pacífica,
ordeira, inteligente, sem ninguém precisar matar um
ao outro.
Como seria possível assegurar a lisura,
independência e transparência deste tribunal?
Como seria possível tornar este tribunal
acessível a toda humanidade?
Como seria possível implementar decisões
velozes, atendendo a dinâmica dos fatos ocorridos?
Este tribunal da justiça universal deve respeitar
e considerar as diversidades emocionais e culturais dos
povos. Uma de suas principais atribuições seria a de
servir de exemplo para todas as comunidades do
planeta.
Deve ser o guardião da justiça, do equilíbrio, do
respeito, da dignidade, da liberdade, da paz, da
valorização de cada ser humano, do bem-estar de toda
humanidade.
O planeta terra não é um clube com sócios e
participantes à semelhança das nações unidas dos
donos do poder.
Todos os povos, todas as nações, todos
habitantes devem participar em igualdade
proporcional, justa e equilibrada.
É uma justiça para 6 bilhões de humanos. Sem
privilégios. Sem regalias. Sem donos.

158
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

DIREITOS

159
PLANETA LOUCO

160
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

65.DIREITO
DE PARTICIPAÇÃO

Todo ser humano tem o direito de participar


da sociedade, integrando-se à sua
conformação através de atividades
econômicas, sociais e políticas, no interesse
de promover a melhoria de qualidade de vida
de todos.

O Direito de Participação é o alicerce da


humanidade.
Liberdade, dignidade, respeito, valorização,
integridade, independência são princípios consagrados.
No entanto, o direito de participar da sociedade,
integrando-se a ela através de atividades econômicas,
sociais e políticas constitui a mais importante
conquista da humanidade, em função da exclusão
social, econômica e política promovida pelos efeitos da
revolução industrial.
De nada adianta a liberdade se o ser humano
não consegue participar da sociedade. Este mesmo
raciocínio é válido para os princípios consagrados.
Cabe aos gestores públicos, em nome e junto
com suas comunidades, planejar, coordenar e realizar
a grande tarefa da integração social.
Nenhum ser humano pode ficar de lado, sem
trabalho, relacionamento, representatividade.
161
PLANETA LOUCO

A situação atual da humanidade é gravíssima.


Dos 6 bilhões de habitantes do planeta, 2 estão
no mercado de consumo. A maioria está de fora.
Sem participar da sociedade, não tem sentido
algum falar em dignidade, valorização, integridade ou
mesmo, liberdade.
Cada pessoa deve participar do fluxo de renda,
realizando tarefas voltadas para a promoção humana.
Cabem aos fatores que operam com produtos e
serviços abarcarem todas as pessoas.
O papel dos gestores públicos é incentivar o
desenvolvimento da iniciativa privada.
Todos que não conseguirem participação através
da iniciativa privada, deverão exercer seu direito de
participação realizando tarefas coordenadas pelos
gestores públicos.
Todos que compõem a população
economicamente ativa devem participar do
desenvolvimento e construção da humanidade.
O primeiro objetivo é integrar o ser humano.
O universo de excluídos não nos permite
compreender a humanidade.
A falta de equilíbrio é a causa dos grandes
distúrbios que afetam os relacionamentos locais,
regionais, nacionais e internacionais.
Não há utopia nesta proposta. A não ser que
haja o direito de extermínio de 4 bilhões de humanos.
O problema precisa ser enfrentado e resolvido.
As alternativas são drásticas: ou os ricos se
emparedam, se encastelam, se aprisionam em suas

162
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

ilhas de fantasia, ou os pobres vão precisar encontrar


um jeito para sobreviver.

66.DIREITO
DE PREPARAÇÃO

Todo ser humano tem o direito de receber


preparação competente, contínua e adequada
para participar da sociedade, integrando-a
nos níveis econômicos, sociais e políticos.

Um simples pássaro prepara o seu filhote para


integrar-se de forma independente à vida.
Com muito mais propriedade, a lição de vida da
humanidade deve, no mínimo, atender os princípios
essenciais da existência.
Todo ser humano precisa ser preparado para
viver em liberdade, com independência, dignidade,
respeito, valorização, integridade, participando
ativamente da promoção de melhoria de qualidade de
vida de todos.
O direito de preparação completa o direito de
participação. São interdependentes.
É fundamental preparar um ser humano
completo, com alto índice de flexibilidade, mesmo
dominando com perfeição determinada especialidade.
Cada ser humano deve sentir-se capaz para
integrar o ambiente social, superando os desafios,
pensando de forma criativa, avaliando e criticando os
pressupostos, com o objetivo de ampliar o sentido e
prazer de humanidade.

163
PLANETA LOUCO

A diversidade emocional do ser humano requer


um processo dinâmico, múltiplo, aberto, livre, voltado
para a revelação dos talentos individuais.
O direito de receber preparação para participar
da vida em humanidade é prioritário.
Cabe aos gestores públicos junto com suas
comunidades proverem qualidade, estrutura,
tecnologia, recursos para atender o direito de
preparação.
Não se podem preparar seres humanos para
exterminar seus semelhantes.
Definitivamente, independente de local, região,
território ou nação, somos habitantes do planeta terra,
muito mais que cidadão deste ou daquele país.
A compreensão e estudo do planeta devem
predominar sobre visões unilaterais, exclusivas,
particulares.
Como se preparam os princípios, valores e
compromissos da humanidade?
Como se preparam a emocionalidade e
diversidade das pessoas?
Não é suficiente transferir conhecimento e
treinar especialidades.
É preciso preparar cada ser humano para a
liberdade, a dignidade, o respeito, a valorização, a
integridade, a independência, a criatividade, e
essencialmente, para a participação.
Os seres humanos possuem a especial
propriedade da sensibilidade.
Viver em humanidade significa muito mais que
simplesmente vencer economicamente.

164
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

67.DIREITO
DE BEM-ESTAR

Todo ser humano tem o direito de bem-estar


físico e moral, abrangendo sua morada, sua
alimentação, sua liberdade de ir e vir, sua
integridade, sua expressão de opinião, sua
alegria, sua credibilidade e confiança nos
princípios, valores e compromissos da
humanidade.

O direito de bem-estar depende dos direitos


fundamentais de participação e preparação.
Abrange o bem-estar físico e moral capaz de
garantir liberdade, respeito, valorização, integridade,
dignidade a todo e qualquer ser humano.
Como é possível viver em humanidade sem um
refúgio digno e justo? Passando fome? Sendo tratado
como escória humana? Sem segurança? Sem
consideração? Sem oportunidade para participar da
vida em sociedade?
Não é possível.
Que humanidade é essa que consegue tratar a
maioria de seus caninos e felinos, e por paradoxo,
segrega seus próprios semelhantes?
A esmola ou caridade é uma agressão à
dignidade humana.
Todos têm o direito e dever de participar do
crescimento da humanidade.

165
PLANETA LOUCO

Que mais precisa um ser humano senão a


preservação da sua condição de humanidade?
Será que ele precisa do resto dos ricos?
Ou ele precisa de preparação, de oportunidade,
de promoção humana, de reconhecimento, de
valorização, de alegria?
A caridade e esmola têm sido nada mais que o
remédio da dor de consciência pelo pecado da
exclusão.
Dói pensar que você tem tudo e outro vive na
miséria. Dói pensar que você está protegido e outro é
tratado como indigente, sujo, maltrapilho, ignorante.
Dói pensar em sua obesidade quando outro morre de
fome.
O ser humano não ganha nada com sua
comiseração.
Ganha com seu respeito, sua valorização, sua
preparação, sua participação ativa na vida em
sociedade.
O direito de bem-estar é função de toda
humanidade.
A revolução industrial deu partida para a corrida
ao ouro, premiando o esforço individual.
Para ter mais graça, transformou a humanidade
no maior jogo de competição, com vencedores e
perdedores.
Aos primeiros, tudo. Aos fracos, a miséria.
Os vencedores não conseguem pensar nos
desequilíbrios. Só pensam em seus benefícios.
O que é humanidade?

166
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

68.DIREITO
DE REPRESENTAÇÃO

Todo ser humano tem o direito de ser


representado perante a gestão do
desenvolvimento da humanidade. É essencial
possuir acesso livre e direto ao seu
representante, escolhido pela maioria de sua
comunidade de base.

O direito de representação constitui o Poder


Representante.
A essência da vida em humanidade é promover
a melhoria de qualidade de vida de todos.
Os gestores são concessionários temporários de
poder. Permanecem na atividade enquanto estiverem
superando a média de satisfação pública.
Nenhum eleito público é dono do poder por um
período determinado. Ele permanece em poder,
representando sua comunidade, estado, nação.
Foi escolhido para melhorar a vida das pessoas.
Os sistemas predominantes preservam o império
para os vitoriosos.
O povo é um mero coadjuvante, convocado de
tempo em tempo para escolher o candidato.
Esta encenação leva o nome de democracia, ou
o governo do povo, para o povo, pelo povo.
O papel do povo é pagar impostos e apostar na
boa intenção de seus eleitos.

167
PLANETA LOUCO

No poder, o vitorioso compõe rapidamente os


jogos de interesses.
Todos são obrigados a obedecerem as regras
que se escondem por baixo do jogo público. Incluem
vantagens especiais, direcionamento de benefícios,
informações privilegiadas, composições, indicações,
nomeações, e assim em diante.
O que sobra para a promoção do bem-estar do
povo?
Alguns jogos de mídia, mostrando a versão
oficial.
No país mais poderoso do mundo, mais de 30
milhões de pessoas são consideradas pobres.
Enquanto isso gastam fortunas promovendo guerras.
Claro que todos entendem que o importante é
manter o poder, mesmo que humanidade sofra um
pouco.
Que humanidade é essa?
Esse cenário é otimista perante os 4 bilhões de
humanos que estão fora do mercado de consumo.
O planeta terra tem dono?
É propriedade dos Estados Unidos e seus
aliados? Ou pertence à humanidade?
Se for propriedade dos norte-americanos, o
resto do mundo deve falar amém.
Existem algumas esperanças que a humanidade
passe a considerar o ser humano como seu principal
foco.
E não o poder pelo poder absoluto.
As esperanças estão no limite.

168
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

69.DIREITO
DE JUSTIÇA

Todo ser humano tem o direito de justiça


fazendo valer os princípios, valores,
compromissos, direitos e deveres assumidos
pela comunidade, em total concordância com
a promoção de qualidade de vida da
humanidade.

As constituições não podem ser alteradas,


emendadas, remendadas conforme o surgimento de
novas e novas exigências.
Logicamente poderão e deverão ser
aperfeiçoadas e de tempo em tempo, devem ser
revisadas ou até, refeitas.
Algumas constituições se mantêm válidas por
um período importante.
Quanto mais embasada em princípios, valores,
compromissos, menor será sua necessidade de
alteração.
Quanto mais circunstancial, sua vitalidade será
muito menor.
Quanto mais simples, melhor.
O fator fundamental de uma constituição é
permitir o crescimento harmônico de todos.
O direito de justiça deve ser preservado sob
toda e qualquer circunstância.

169
PLANETA LOUCO

Não se podem permitir aberrações semelhantes


às determinações dos norte-americanos.
Prisioneiros de guerra, sem exceção, nunca
poderão ser tratados em condições desumanas como
no campo de concentração de Guantânamo.
Nenhuma pessoa pode ser presa incomunicável,
sem direito a defesa, como a consideração dos
mesmos senhores para com os estrangeiros.
Nenhum país pode ser invadido, seja por quem
for. Cabem, no entanto, todos os mecanismos de
defesa para que o próprio povo deste país consiga a
observância de leis nacionais e internacionais.
Nenhum país pode segregar outro, impondo um
regime de bloqueio econômico que impeça o seu
desenvolvimento humano.
Nenhum país pode incriminar outro alegando
suspeição, semelhante às alegações norte-americanas
em relação ao Afeganistão, Iraque, Síria, Irã, Coréia
do Norte.
Nenhum país poderá fabricar armas de
destruição em massa e as existentes, deverão ser
rapidamente eliminadas.
A segurança do mundo deverá ser feita por uma
força internacional, independente, autônoma, voltada
exclusivamente para garantir a paz.
Esta força só poderá agir após o
pronunciamento da justiça universal.
A justiça universal precisa ser rápida,
competente, justa.
Devem ser previstas todas as condições para
garantir a imparcialidade e transparência da justiça.

170
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

SISTEMAS

171
PLANETA LOUCO

172
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

70.GESTÃO
DO PLANETA TERRA

A gestão do Planeta Terra tem a missão de


melhorar a qualidade de vida de todos. O
sistema gestor deve ser composto por uma
área de Equilíbrio, uma área de Vínculo, uma
área de Ação e uma área de Recursos.

A administração do Planeta Terra engloba todos


os povos autônomos e independentes.
O órgão principal é o Conselho de Gestão da
Humanidade composto por um conselheiro de cada
povo autônomo.
Deve-se reunir de tempo em tempo, exemplo a
cada quatro meses, para aprovar tanto o que foi
realizada como o que acontecerá no próximo período.
Aprova o Plano de Gestão. Aprova Resultados.
Zela pela transparência e verdade da gestão.
Tanto o Gestor Principal como seu Vice devem
ser eleitos, direta ou indiretamente, por períodos
determinados.
A função a ser exercida tem o fim de promover
a melhoria de qualidade de vida de todos os humanos,
em nível internacional, sem interferência nas gestões
autônomas.
Cabe ao Gestor avaliar os principais desafios e
estabelecer as estratégias para suas soluções.
Coordena os gestores de cada uma das quatro
áreas propostas.

173
PLANETA LOUCO

Atualmente as nações unidas realizam tarefas


de interferência nos países, caso do Iraque,
Afeganistão e diversos países Africanos.
Este tipo de comportamento não pode mais se
repetir. A autonomia e cultura dos povos devem ser
respeitadas, valorizadas, reconhecidas.
A ação fundamental é zelar pela humanidade e
cada um de seus mais de 6 bilhões de habitantes.
Deve participar de atividades locais sempre sob
a coordenação dos povos autônomos.
Deve estimular o crescimento, a geração de
empregos, o comércio internacional, o
desenvolvimento, a liberdade, a dignidade, o respeito,
a valorização, a integridade de todos.
Cabe ao Gestor de Equilíbrio preservar a
harmonia e paz.
Cabe ao Gestor de Vínculo conhecer
profundamente os anseios, as expectativas, as
esperanças de todos os habitantes do planeta.
Cabe ao Gestor de Ação desenvolver as áreas
específicas para a promoção da qualidade de vida.
Cabe ao Gestor de Recursos coordenar e
dinamizar as fontes de entradas capazes de atender os
objetivos definidos no Plano de Gestão.
O ideal é que a Gestão da Humanidade se
posicione o mais próximo de todos, tanto virtual como
fisicamente.
Cabe à Gestão do Planeta Terra zelar pelo
espírito de humanidade, valorizando as diversidades
emocionais e suas culturas específicas.
Habitamos o mesmo planeta.

174
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

71.EQUILÍBRIO –
FORÇA UNIVERSAL

Todos os povos autônomos do planeta devem


compor a Força Universal especialmente
direcionada para a promoção da paz, a
preservação da ordem, a solução de
desencontros e a manutenção de equilíbrio
entre interesses diferentes.

A primeira grande tarefa é a identificação e


destruição de todas as armas de destruição em massa
existentes.
Não há sentido em promover a indústria para
matarem humanos.
Todos os recursos aplicados atualmente nesta
área deverão ser destinados para a promoção da
qualidade de vida da humanidade.
A Força Universal deve intervir em nível
profissional em casos de absoluta emergência, após a
decisão da Justiça Universal.
Seu lema principal é o respeito e valorização da
integridade de todo ser humano.
Suas intervenções devem se diferenciar pela
inteligência, estratégia, habilidade de negociação e
presença.
Os integrantes da Força Universal advirão de
todos os povos autônomos em nível proporcional às
suas populações.

175
PLANETA LOUCO

A idéia básica, através da composição de todos


os habitantes do planeta, é corrigir o pressuposto de
que um deve mandar sobre o outro.
O novo caminho é a harmonia entre os povos,
concentrando-se nos imensos desafios já existentes,
como por exemplo, o da pobreza.
Não tem sentido estabelecerem inimizades entre
humanos.
A humanidade deve lutar para integrar todos na
vida em sociedade.
Trata-se da maior campanha jamais realizada
em toda face da Terra.
Existem muitos e muitos obstáculos: desarmar
os espíritos, transferir a indústria de armamentos para
produtos estratégicos benéficos para a humanidade,
apaziguar desejos exagerados de poder, desfazer
muros e paredes entre humanos, integrar culturas e
povos.
A Força Universal deve atuar nos casos de
catástrofes que assolam a humanidade.
Deve ser uma força solidária com a humanidade.
Deve transmitir a sensibilidade de segurança.
Jamais deve agir por ameaças, por pressões, por
arrogância, por prepotência.
Deve se constituir em um orgulho para todos os
humanos.
Deve zelar pelo bem-estar da humanidade.
Deve servir de exemplo para todos os povos
autônomos se espelharem em suas ações e
comportamentos.

176
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

72.EQUILÍBRIO –
JUSTIÇA UNIVERSAL

Definitivamente o Planeta Terra precisa


preservar o equilíbrio entre todos através da
Justiça Universal, veloz, competente, séria,
transparente, imparcial.

Nenhum povo tem o direito de invadir, atacar ou


assassinar pessoas de outros povos.
Nenhum gestor público tem o direito de eliminar
seus inimigos através de sentenças sumárias, injustas
e arrogantes.
Nenhum líder pode incentivar inimizades entre
povos, principalmente seus vizinhos.
Nenhum país pode, através de seus serviços
secretos, intervir na autonomia de outros povos,
promovendo espionagem, assassinatos, distúrbios.
Nenhum habitante do Planeta Terra pode ser
desrespeitado em seus direitos fundamentais e
essenciais.
Todos estes casos, impunes até este momento,
serão abordados de outra forma.
A Justiça Universal será formada por juízes de
cada povo autônomo.
A grande diferença é a sua transparência e
imparcialidade.
Deve estar o mais acessível de todos. Deve
facilitar e simplificar a apresentação de causas.

177
PLANETA LOUCO

Ao invés de apenas deixar que as partes se


defendam através de seus advogados, deverá
implantar mais uma fonte de informação: a perícia
técnica, independente, sem qualquer interveniência
entre as partes.
Um lado alega e apresenta suas provas. O outro
lado contrapõe. É fundamental uma terceira visão,
independente do interesse da causa, para que os
juízes disponham de elementos suficientes para
proferirem suas sentenças.
Não é possível fazer justiça sobre a habilidade
dos advogados.
É essencial que a justiça promova a comunhão
de espíritos entre humanos, desfazendo erros,
corrigindo comportamentos, e acima de tudo,
preservando a paz e harmonia.
É muito importante a qualidade desta justiça
universal. Sem este fator, sua credibilidade fica
vulnerável.
Mesmo assim, deve agir com total transparência
e imparcialidade.
Os casos devem permanecer à disposição para
análises e reanálises.
A justiça é o principal componente da
humanidade quanto à valorização do relacionamento
entre povos e pessoas.
Mais que punitiva e defensora do equilíbrio, deve
formar a humanidade quanto ao respeito mútuo, à
igualdade, às diversidades emocionais.
A humanidade precisa de justiça para ser
humanidade.

178
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

73.VÍNCULO –
CONGRESSO UNIVERSAL

O Planeta Terra pertence à humanidade. Não


tem um dono. São bilhões de donos,
legitimamente representados no Congresso
Universal. Os representantes não vão
defender interesses dos gestores públicos, e
sim, interesses de suas comunidades.

O Congresso Universal se reúne uma semana


por mês.
Nas outras semanas do mês, o representante
permanece em contato com seus eleitores.
A sua função, junto com a comunidade, é
melhorar a qualidade de vida de sua comunidade
inserida dentro do universo da humanidade.
O representante deve ser eleito por seu povo
autônomo e, após a eleição, garantir a acessibilidade e
proximidade dos eleitores.
É sua obrigação apresentar mensalmente o
relatório dos avanços conseguidos.
Semestralmente deve ser avaliado através de
pesquisas de opinião pública.
No momento que a satisfação pelo seu papel de
representante for inferior à maioria simples, concede a
representação para o segundo eleito.
Cabe aos representantes avaliar os desafios da
humanidade, identificar soluções aplicadas em outros
povos, representar as necessidades de suas
179
PLANETA LOUCO

comunidades, propor caminhos para os gestores locais


e nacionais, contribuindo sempre para o
desenvolvimento da humanidade.
Todo e qualquer eleito exerce um cargo em
confiança de seus eleitores.
Por isso, se perder a maioria de credibilidade
junto aos seus eleitores, não faz sentido continuar sua
representação.
A representação exercida garante o vínculo com
a humanidade. Vai contrapor a visão da parte com o
conjunto.
Acima dos interesses particulares de cada povo
autônomo estão os da humanidade.
Esta percepção de desafio torna a humanidade
essencialmente humana.
Os direitos de participação, preparação, bem-
estar, representação e justiça devem ser cumpridos de
acordo com o Plano de Gestão apresentado pelo gestor
do planeta.
O desequilíbrio produzido em mais de cento e
vinte anos requer um tempo razoável para ser
corrigido.
É importante iniciar as ações para resgatar a
humanidade de sua atual pobreza, exclusão e
injustiça.
Definitivamente o mundo precisa ser melhor do
que este.
Definitivamente o planeta precisa tomar
consciência do significado de humanidade.
Todos anseiam por justiça e paz.

180
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

74.VÍNCULO –
INFORMAÇÕES

Os gestores do Planeta Terra devem


conseguir ouvir, compreender, entender,
perceber a voz e a alma da humanidade. É
fundamental levantar todas as informações
que permitam a promoção de melhoria de
qualidade de vida para a humanidade.

É importante estar antenado para os anseios,


expectativas, sonhos, esperanças de todos os seres
humanos.
É importante sentir como vive o humano mais
pobre, mais injustiçado, mais desgraçado.
E depois, parar, pensar, arregaçar as mangas, e
começar a trabalhar em prol da humanidade.
Os gestores atuais procuram manter um
distanciamento seguro de seus eleitores.
Na nova configuração de gestão para o Planeta
Terra, o gestor em hipótese alguma pode perder a
sensibilidade da humanidade que lhe concedeu em
confiança a missão de conduzi-la para um ambiente
mais digno, justo, equilibrado e essencialmente,
humano.
Através de toda tecnologia de pesquisas e
levantamento de informações sobre o “modus vivendi”
é possível acompanhar perfeitamente as ações e seus
resultados.

181
PLANETA LOUCO

Um grande engano é imaginar um tempo para


planejar o que será feito. E só depois, começar a
implementar as ações.
A vida é extremamente dinâmica. Por isso,
requer um planejamento espetacularmente dinâmico.
E ações competentes.
Imagine um paciente em estado gravíssimo. A
equipe médica dispõe de pouco tempo para identificar
o problema, avaliar a situação, planejar a solução. Se
ela demorar, o paciente corre o risco de morrer.
A humanidade está em uma situação muito
similar.
As pessoas estão morrendo de fome.
Outras precisam respirar liberdade, dignidade,
respeito, valorização.
Outras clamam por justiça.
Outras desejam uma oportunidade para
participar da vida em sociedade.
Outras precisam sonhar com um futuro melhor,
mais humano.
O que não pode perdurar é o atual quadro de
cada por si e Deus por todos. Não tem sentido vencer
a própria humanidade, exterminando a si próprio.
Não tem sentido a vitória de uns poucos
relegando a maioria à miséria.
Não tem sentido esta competição autofágica.
Precisamos vencer desafios muito mais
importantes e significativos. Do contrário, será
necessário construir “bunkers” para os sobreviventes
da catástrofe da humanidade.

182
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

75.VÍNCULO –
RELACIONAMENTO

É fundamental preservar a acessibilidade e


proximidade de todos os seres humanos com
seus eleitos. Cada pergunta deve ser
respondida. Cada ação deve ser explicada.
Cada angústia deve ser atenuada. Vivemos a
era do conhecimento e da hiper comunicação.

Cada ser humano pode cobrar qualquer ação


através de seu representante ou diretamente ao
gestor.
Pode denunciar qualquer abuso ou malversação.
Pode alertar sobre os problemas que está
percebendo.
Quando se transfere para um eleito a confiança
de implementar um plano de gestão, o eleitor não
pode se isentar de responsabilidade.
Ele é solidário com o que está ocorrendo.
Ninguém pode sentir-se ameaçado, pressionado,
influenciado para não ouvir, não ver, não falar.
Pelo contrário, a expressão de humanidade se
produz através do relacionamento entre todos.
Pouco a pouco os espaços para interesses
particulares, sem considerar o interesse da
humanidade, ficarão reduzidos ao devido tamanho.

183
PLANETA LOUCO

É fundamental admitir e construir uma


humanidade madura, aberta, livre, equilibrada,
criativa.
O direito de pensar e expressar-se livremente,
por mais absurdo que seja, faz parte do processo de
relacionamento.
O que não faz parte é quando um lado exige que
o outro concorde ou aja conforme os seus padrões.
Todos precisam ser solidariamente responsáveis
em suas ações.
No entanto, todos precisam respeitar o direito
de expressão livre de cada habitante do planeta. Nem
existem formas para se bloquear esta liberdade.
Hoje as pessoas pensam, mas não podem falar.
Os desequilíbrios começam a surgir quando
iniciam os atritos de relacionamento.
É fundamental compreender a diversidade
emocional e cultural.
É fundamental respeitar e valorizar a história
vivida por cada um.
É fundamental contribuir para o afloramento das
potencialidades fantásticas de qualquer ser humano,
inclusive o mais desgraçado de todos.
Antes da invasão ao Iraque a humanidade
deveria ter a liberdade de conversar e perguntar tudo
o que era necessário, sem pré-conceitos, sem
imposições, sem ameaças.
A história de ou você está do lado dos Estados
Unidos ou contra é um exemplo terrível de limitação,
censura, retrocesso.

184
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

76.AÇÕES –
PARTICIPAÇÃO

A oportunidade de participar ativamente da


vida em humanidade, contribuindo para a
melhoria de qualidade de todos, é o principal
desafio na luta contra as exclusões.

A realidade atual é drástica.


A maioria está excluída da vida em sociedade.
Sobrevive por milagre, provando a capacidade
humana de resistir às desgraças.
Persistindo o atual quadro, as tendências são
muito mais impactantes.
Os mais preparados conquistaram a humanidade
dos vencedores, desterrando os demais para a
humanidade dos perdedores.
E agora, o que se faz com essa maioria?
Extermina? Desumaniza? Segrega?
Claramente a humanidade expressa sua faceta
mais doentia e perversa.
Os mais preparados não aceitam abrir mão do
status adquirido. Sonham com suas ilhas de fantasia.
A questão não é assim tão grave?

185
PLANETA LOUCO

Quando se diagnostica uma doença em situação


crítica, de nada adianta explicar ou justificar porque se
chegou a tal ponto.
Ela é flagrante.
A questão essencial é combater essa doença
imediatamente a fim de evitar seu alastramento,
criando uma situação muito mais calamitosa.
Essa analogia é permitida para se compreender
a atitude que os humanos devem assumir neste
momento.
Uma linha deve atuar diretamente sobre a ferida
exposta. A outra, mais importante, deve atuar sobre a
análise de princípios, valores, compromissos, direitos,
sistemas.
Algum ser humano tem possibilidade de existir
com dignidade, respeito, valorização, integridade se
estiver alheio à própria humanidade?
Ou a raça humana se subdivide em humanidade
para os vencedores e desumanidade para os
perdedores?
Como se estabelecem os limites entre um lado e
outro?
Por mais paradoxo, os habitantes do planeta
terra precisam parar de disputar a humanidade,
matando-se uns aos outros.
Todos precisam se integrar à humanidade.
Todos precisam participar. Sem mágica.
E a solução não vai ser possível do dia para a
noite. É lenta e gradual.

186
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Faz parte da ação mais importante da gestão do


nosso planeta.
Precisamos conviver em harmonia e equilíbrio.
Precisamos resgatar a alegria e a esperança.
Precisamos tornar a humanidade humana.

77.AÇÕES –
PREPARAÇÃO

É essencial preparar as pessoas para


participar integralmente da vida em
humanidade. É necessário repensar os atuais
modelos. É fundamental abranger todos os
habitantes.

A dinâmica sala de aula e professor se mantém


mais de século conservando tradições e os mesmos
modelos.
No quadro atual da humanidade é necessário
promover uma grande revolução no sistema
educacional.
Os objetivos devem ser atingidos em menor
tempo com respostas muito mais adequadas.
A capacidade deve ser estendida para todos.
Os recursos, tecnologias e treinamentos
permitem processos significativos de evolução.
A informação está muito mais acessível e fácil.
Como deve ser a preparação de um humano
para a vida em humanidade?

187
PLANETA LOUCO

Que capacidade deve adquirir e exercitar para


participar da vida econômica, social e política?
Qual é o nível de flexibilidade e especialização?
Esses questionamentos procuram avaliar a
eficácia do sistema.
O modelo atual é uma cópia da corrida ao ouro.
Estimula o vencedor. Exclui o perdedor.
As classificações apontam o bom e mau aluno.
No meio do caminho, todos passam por filtros
classificatórios.
Resultado: configura as elites e sentencia os
despreparados.
Que humanidade é essa?
A preparação não pode ser classificatória.
Ou ela é capaz de preparar para as pessoas se
integrarem à vida econômica, social e política, ou ela é
uma loteria. Premia uns poucos, segrega a maioria.
O desafio não está em preparar os bons.
O desafio está em preparar todos para a vida
em sociedade.
O modelo precisa ser totalmente diferente.
É difícil realizar alterações. Não existe saída.
Todos humanos têm direito à preparação.
Outra incongruência é obrigar os alunos a
cumprirem etapas em massa.
A preparação deve se amoldar à velocidade de
cada um em absorver os conteúdos. Não pode impor
limites ou degraus pré-determinados.

188
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

A tarefa é um a um. Não se trata de tentar


preparar um grupo, exigindo que todos atinjam as
médias esperadas.
O modelo é sofrível. Qual é a solução?
Ela precisa ser pensada, desenvolvida, criada,
implantada. Os atuais resultados comprovam esta
necessidade.

78.AÇÕES –
BEM-ESTAR

O bem-estar físico e moral, abrangendo a


morada, alimentação, liberdade de ir e vir,
integridade, expressão de opinião, alegria,
credibilidade e confiança nos princípios,
valores e compromissos da humanidade
requer ações determinadas e importantes.

Ao invés de um modelo de desenvolvimento


solidário, priorizando o conjunto da humanidade, a
revolução industrial deu a grande largada para o
modelo de auto-enriquecimento, priorizando a
iniciativa e o vencedor.
Cada um passou a cuidar de seus interesses
sem se preocupar se eles eram ou não mais essenciais
que o conjunto da sociedade.
Os norte-americanos capitalizaram este espírito
de corrida ao ouro.
Adaptaram os princípios, valores e
compromissos à célebre liberdade de iniciativa.
Ou seja: vale quase tudo para ficar rico.
189
PLANETA LOUCO

As chances são teoricamente iguais para todos.


Quem não ficou rico, é porque não aproveitou as
oportunidades da vida.
Tudo estava indo de vento em popa.
Os Estados Unidos serviam de guardiões da
liberdade, da dignidade, dos direitos humanos.
No entanto, o ataque de 11 de setembro de
2001, revelou outras facetas nunca vistas.
A liberdade era relativa.
A dignidade só valia para os cidadãos acima de
qualquer suspeita.
Unicamente os direitos humanos dos norte-
americanos seriam preservados.
Invadiram o Iraque por mera suspeição.
Alegaram as tais armas de destruição em
massa.
Por ironia, despejaram toneladas e toneladas de
armas de destruição em massa. Assassinaram
inocentes. Destruíram propriedades.
E esperavam ser recebidos de braços abertos
pelos iraquianos.
Na verdade, os guardiões do mundo cometeram
os mais pesados crimes contra a humanidade.
Moral da história: o mundo despertou de seu
sono profundo em função do barulho realizado.
Dos 6 bilhões de humanos, 4 estão fora do
mercado de consumo.
Qual é o futuro dos que estão fora?

190
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Serão exterminados, mesmo já sendo os


excluídos?
É impossível concordar com tanta tirania.
Definitivamente, a humanidade tem o direito do
bem-estar. Este desafio é hoje o principal inimigo de
todos.
O planeta ainda pertence à humanidade.

79.AÇÕES –
ESPORTES

O esporte permite a expressão de talento do


mundo pobre e segregado. Prova o fantástico
potencial de cada indivíduo dos humanos. Nas
maratonas, os quenianos costumam chegar à
frente. Na vida econômica, social e política,
disputam no mundo dos pobres.

As competições esportivas baseiam-se na


alternância dos vencedores. Os perdedores podem
vencer.
As vitórias são passageiras e momentâneas.
De vez em quando, alguém consegue
permanecer em vitória. Logo seus índices são
superados.
Os jogos esportivos fazem parte da vida
humana, desde os primórdios.
A regra do poder passageiro é extraordinária.

191
PLANETA LOUCO

Mesmo desejando, ninguém consegue se


apoderar do primeiro lugar. O segredo? Não existem
barreiras.
No mundo econômico, social e político, os que
se apoderam do primeiro lugar estabelecem,
imediatamente, barreiras protetoras. E a partir deste
ponto, procuram dinamitar todos oponentes potenciais.
O instinto de posse predomina.
Eu cheguei primeiro e agora me pertence. Tomei
posse. É meu. Começa o jogo do mais forte e
poderoso. Os fortes demarcam seus territórios
proibindo a entrada dos fracos.
Como são fortes, entram em todos os demais
territórios no momento que bem desejarem.
Que espécie animal é esta?
Todos concordam com a regra do mais forte?
São obrigados a concordar, senão morrem?
Os humanos pensam, sentem, avaliam,
percebem, descobrem, inventam e mesmo assim,
voltam à antropofagia.
Será que não aprendem praticar a humanidade?
Mesmo absolutamente interdependentes não
conseguem viver em comunidade, respeitando-se uns
aos outros?
Essa comparação com o universo esportivo é
provocante.
As competições esportivas devem alcançar todos
os povos, todas as idades, todos os espíritos.
É possível conviver em harmonia e equilíbrio.

192
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

O planeta terra é a nossa casa.


Nossa competição é contra a fome, a exclusão, a
desumanidade, a injustiça.
É fundamental criticar, analisar, avaliar e propor
princípios, valores, compromissos, direitos, sistemas.
Cabe à humanidade decidir se a humanidade
interessa.
Ao mesmo tempo, é fácil e dificílimo.

80.AÇÕES –
CULTURA

É essencial que a cultura alcance a


humanidade. Em todas as suas formas. Todos
humanos, sem exceção, conseguem ver, ouvir
e perceber as expressões de sensibilidade.
Mesmo que uns não gostem de nada. Na
verdade, isto já é parte do processo. A cultura
precisa atingir todos: incluídos e excluídos.

A manifestação de sensibilidade através da


cultura, em todos os seus âmbitos, representa uma
das maiores forças transformadoras de humanidade.
Expressa criatividade, alegria, inteligência.
É a linguagem universal acessível a todos,
letrados e iletrados, fortes e fracos, vencedores e
perdedores. Sem barreira de língua, tradição, história,
local.

193
PLANETA LOUCO

A sensibilidade é a base da emocionalidade


humana. Somos seres racionais, profundamente
emocionais. E o relacionamento inter-humano se
processa no campo das emoções.
Hoje, a cultura continua encastelada para gáudio
da elite.
Cabe à nova gestão do planeta a abertura de
todas as portas e acessos.
Cabe a descoberta de novos talentos e valores.
Cabe mostrar a cultura de todos os povos
autônomos.
O primeiro grande tema deste desafio é
posicionar o homem na humanidade.
É estabelecer o seu papel no planeta.
É desenvolver liberdade, respeito, valorização,
verdade, dignidade, integridade, criatividade.
É falar de humanidade para humanidade,
ampliando a missão de melhorar a qualidade de vida
de todos.
É descrever o entendimento e nossa
interdependência. A cultura e a arte atendem estes
parâmetros.
Dança, teatro, música, pintura, escultura,
literatura, humor, imagens, tradições, histórias,
lendas, fantasias, projeções, criatividades precisam
estar em todos os lugares, próximo de todos.
A riqueza cultural do planeta terra pode e deve
contagiar a humanidade.
Os valores culturais constituem a base do
desenvolvimento humano.

194
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

A vivência da sensibilidade permite a descoberta


do outro.
E é isto que a humanidade hoje mais precisa:
perceber que somos mais de 6 bilhões, capazes de
criar, melhorar, agir, se comunicar, se interagir
buscando a participação de todos na vida econômica,
social e política.
A ação de cultura não pode ser acessória.
Ela é fundamental.

81.AÇÕES –
PROMOÇÃO HUMANA

Promover o desenvolvimento da humanidade.


Despertar talentos. Incluir todos na
construção da sociedade. Conviver em
equilíbrio com o meio-ambiente. Incentivar
princípios, valores e compromissos com a vida
no planeta. Fazer valer o espírito de
humanidade.

A ação de promoção humana abrange a


constituição da nação humana do Planeta Terra,
composta por todos os povos autônomos, sem
exceção.
Inclui a criação de bandeira, hino, marcas,
temas.
Não é um clube ou uma organização liderada
por qualquer país.
É a confederação de todos os povos que habitam
o Planeta Terra.
195
PLANETA LOUCO

A tarefa principal é a promoção dos valores de


humanidade. Deve despertar e desenvolver o espírito
de solidariedade pela causa humana.
Infelizmente a sociedade competitiva reduziu a
humanidade à minoria, provocando um dos maiores
desastres de todos os tempos.
A maioria ficou excluída da vida econômica,
social e política.
Forçosamente esta situação provoca um grande
desequilíbrio, deteriorando relacionamentos, meio-
ambiente, princípios, valores, compromissos.
O pior e mais terrível efeito é quando a
humanidade assiste impávida a maior nação do mundo
invadindo um povo qualquer, no caso os iraquianos,
sob mera suspeita.
Antes da invasão, precedeu uma chuva
desumana de bombas e bombas de destruição em
massa.
O pior e mais terrível é quando os senhores da
guerra prometem segurança semeando o terror.
Que povo do mundo não tem medo de um
ataque avassalador similar ao do Afeganistão e
Iraque? Como se sentem os habitantes que vivem na
Síria, no Irã, na Coréia do Norte?
Que credibilidade possui os líderes da coalizão,
que se serviram das mais fantasiosas mentiras para
justificar seus assassinatos em massa?
Qual foi a reação do clube das nações unidas,
liderado pelos donos do mundo?
Ninguém viu, ninguém falou, ninguém ouviu.

196
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Quem concedeu aos senhores Bush, Blair, Aznar


a autoridade para invadirem um povo autônomo,
quando a própria carta das nações regulava o espírito
expansionista?
Nem o próprio Conselho de Segurança aprovou
a brutalidade.
O mundo saiu às ruas em protesto.
Eles se tornaram surdos e insensíveis. São
facínoras?

82.SUPORTE –
FINANCEIRO

Os recursos destinados atualmente para as


áreas militares, devem ser transferidos para a
gestão do Planeta Terra. Não existe nenhum
sentido em fabricar armas para extermínio
humano.

O efeito da invasão ao Iraque é a percepção


mundial de que todas as armas de destruição em
massa devem ser eliminadas.
O argumento usado para justificar a destruição
do Iraque cabe com igual propriedade para todos os
países que possuem armas deste tipo.
Como conseqüência direta acaba-se
definitivamente com a fabricação de qualquer tipo de
arma para matarem humanos.

197
PLANETA LOUCO

Todos estes recursos devem ser canalizados


para construírem a humanidade mais justa, equilibrada
e sensata.
Além destes recursos, cada povo autônomo deve
contribuir com um percentual idêntico aplicado sobre
seu produto interno bruto.
A missão é melhorar a qualidade de vida de
todos. O desafio é incluir toda a humanidade na vida
econômica, social e política.
É necessário promover o desenvolvimento e
crescimento de todos os povos.
É necessário planejar as funções e ocupações,
ampliando a economia mundial.
É necessário trabalhar para o bem-estar de toda
humanidade, sem exceções, exclusões, segregações e
muros entre povos.
Ao invés de destruir, a gestão do planeta vai se
concentrar em construir. Ao invés de agressões, a
humanidade vai se obrigar ao entendimento.
As diferenças devem ser acertadas com
equilíbrio, maturidade e inteligência.
Qualquer direito que um povo conquistar, todos
os povos do mundo passam a exercer o mesmo direito.
Acabam-se os privilégios, regalias, mordomias,
escravaturas.
Todos passam a visualizar o futuro com muito
mais humanidade.
A verdade e transparência, obrigatoriamente,
devem imperar.

198
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

É fundamental viver com respeito, dignidade,


valorização, liberdade, integridade, autonomia. Todos
estes fatores devem promover a alegria vital.
Utopia? Sonho? Fantasia?
Nada disso. A humanidade não dispõe de
alternativa. O modelo em prática desde o início da
revolução industrial está esgotado.
É necessária uma nova solução, capaz de dar
sentido à vida em humanidade.
Ou alguém defende a teoria que devemos nos
matar uns aos outros?

83.SUPORTE –
HUMANO

A nova gestão do Planeta Terra deve


incentivar a participação de todos no processo
de inclusão da humanidade na vida
econômica, social e política. Além de seu
trabalho normal, muitos podem contribuir
para a melhoria de qualidade de vida.

Somos mais de 6 bilhões.


Todos que puderem participar por vontade
própria, com liberdade de tempo, período e tarefa,
deverão compor a maior força de voluntariado jamais
existente.
Essa força deve ser treinada, preparada e
coordenada para a otimização dos resultados.
Deve ser inteiramente voluntária.

199
PLANETA LOUCO

As demonstrações públicas, em todo mundo,


contra a invasão do Iraque refletem a consciência das
pessoas sobre os problemas que o mundo enfrenta.
Recomenda-se que todos que participam de uma
atividade econômica, consigam uma hora livre por
semana para trabalharem em prol da humanidade.
Este suporte é fundamental para realizar ações
importantes para um mundo melhor e mais humano.
Se um ajudar o crescimento do outro, mais
rapidamente as pessoas vão conseguir se inserir no
tecido da sociedade.
Fica definitivamente fora de qualquer propósito
dar esmola ou conceder benefícios em função da
pobreza.
O que está em jogo é o resgate da dignidade de
cada ser humano.
A tarefa é encontrar um meio de vida econômico
justo, decente, humano, para cada pessoa.
As pessoas precisam ser preparadas, treinadas,
adaptadas para se integrarem à vida normal de todos.
Os resultados devem ser medidos pelo número
de pessoas integradas.
E nunca pelo número de pessoas assistidas.
A assistência cabe exclusivamente para as
pessoas com restrições físicas ou mentais.
Mesmo assim, o ponto essencial é auxiliar a
pessoa conquistar sua própria dignidade e orgulho.
A humanidade deve se esforçar para eliminar
todos os pobres, em qualquer canto do planeta.

200
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

A humanidade deve lutar para acabar com todo


tipo de exclusão.
A humanidade deve trabalhar para gerar mais e
mais desenvolvimento.
Essa nova guinada interessa a todos, muito mais
que a preservação de seus exércitos.
Os mercados vão ficar maiores e mais
dinâmicos.
Quem é contra este propósito?
Foi esta mesma motivação que conseguiu
deflagrar a escravidão do mundo.

84.SUPORTE –
TECNOLÓGICO

Os produtores de conhecimento e tecnologia


podem transfazer a sociedade, se existir
empenho na promoção de qualidade de vida
de todos. Existem milhões de soluções
paradas em laboratórios e universidades.

Semelhante à ação humana, o suporte


tecnológico deve contribuir significativamente para a
melhoria do planeta.
Cabe aos produtores de conhecimento e
tecnologia proporcionarem contribuições importantes
para o crescimento da humanidade.
Muitos estudos permanecem engavetados.
A ação de suporte tecnológico, sob a
coordenação da gestão do Planeta Terra, tem o papel

201
PLANETA LOUCO

de implementar soluções, pensadas em qualquer


canto, no local onde elas possam ser mais
interessantes e produtivas.
Cabe às universidades prepararem profissionais
comprometidos com o desenvolvimento equilibrado da
humanidade.
Todos os produtos e serviços precisam ser
corretos em nível social e ambiental.
A ação tecnológica pode disseminar experiências
vencedoras, resolvendo os desafios de uma forma
muito mais rápida e eficaz.
O predomínio da visão do conjunto da
humanidade torna-se essencial na situação crítica que
o mundo se encontra.
A humanidade inteira tem um compromisso
importante com o futuro dela própria.
A guerra definitivamente não faz mais sentido. É
uma aberração. É um escândalo da humanidade.
Onde já se viu um ser humano fazer de tudo
para exterminar ou manter temeroso o outro?
Qual é o benefício desta atitude? Beneficiar o
mais forte à custa dos demais?
Onde está a lógica da birra entre Israel e
Palestina?
Qual é o ganho da ação disparatada sobre o
Iraque?
A percepção de existência de outros interesses,
como o petróleo e o poder estratégico no Oriente
Médio, desmerece ainda mais a ousadia criminosa da
invasão.

202
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

A humanidade não é um brinquedo na mão dos


senhores da guerra. Eles saíram dos trilhos da
humanidade.
Com base em suposições, assassinaram,
destruíram, arruinaram tudo sob os céus do Iraque.
Quem foi terrorista? Quem lançou milhões de
armas de destruição em massa? Quem invadiu? Quem
mantém a ocupação? Quem se apoderou do Iraque?
Quem bebe seu sangue e óleo?
Foram os pobres coitados dos iraquianos?
É um absurdo.

FINAL

203
PLANETA LOUCO

204
ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

85.HUMANIDADE HUMANA

Com tanto conhecimento acumulado, com


tanto avanço tecnológico, com tantas
inovações, não há como compreender que a
maioria dos habitantes deste planeta vive fora
do mercado de consumo.

É muito difícil propor uma nova constituição


para o Planeta Terra.
Imaginem as forças existentes, que não
desejam em hipótese alguma perder suas conquistas.
Imaginem os interesses que certamente vão se
agigantar.
Imaginem as alterações sobre conceitos até
então tidos como dogmas.

205
PLANETA LOUCO

O que ninguém pode deixar de fazer, em


hipótese alguma, é falar, reclamar, propor, levantar
dúvidas, discutir idéias, mostrar alternativas de
caminhos.
Este trabalho tem duas propostas essenciais.
Primeiro, criticar.
Neste sentido, os resultados favorecem as
justificativas. Os desequilíbrios estão se acentuando.
Não é possível admitir que a maioria dos humanos viva
em desgraça.
Segundo, propor.
É muito fácil criticar e não propor. O exercício da
proposição é como a tarefa de um arquiteto ao
estudar, pensar e projetar como poderia ser sua nova
obra.
Os pontos abordados tiveram muito mais o
papel de questionar, discutir, avaliar. Em hipótese
alguma, a intenção é esgotar o raciocínio ou sustentar
as abordagens a título de teimosia.
Podemos dar quantas voltas forem necessárias,
no entanto, o quadro da nossa humanidade é
preocupante.
No final dos anos mil e oitocentos encontramos
um sinal tentador. A iniciativa privada poderia
transformar qualquer um, de pobretão, em grande
milionário.
Todos começaram a pensar e criar soluções
interessantes. Algumas mágicas, voltadas para curar
mal-estar ou mesmo simples dores de cabeça. Foi
assim que se transformaram nas cocas-colas do
mundo.

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ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Na primeira metade dos anos mil e novecentos,


a humanidade experimentou duas grandes guerras,
motivadas por interesses expansionistas.
Alguns povos viveram suas guerras internas,
matando-se mutuamente.
Como reflexo destes traumas, constituíram as
nações unidas em substituição à liga das nações.
Coube aos vencedores a liderança do processo.
Dispunham de credibilidade.
Na segunda metade dos anos mil e novecentos,
a tecnologia transformou o mundo.
As empresas viraram transnacionais.
Os mercados ficaram pequenos.
Hoje, vivemos o mercado global.
Os ricos ficaram muito mais ricos.
Os pobres não conseguem se desvencilhar de
suas amarras. Não encontram o caminho do
desenvolvimento.
As diferenças são patentes e gritantes.
Os fatos ocorridos em 11 de setembro de 2001
transverteram o mundo.
As diferenças, patentes e gritantes, explodiram.
Os princípios, valores e compromissos perderam
a validade.
A invasão ao Iraque, sob a justificativa da
existência de armas de destruição em massa,
transformou-se em farsa.

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PLANETA LOUCO

As nações unidas, junto com seus líderes, estão


ruindo por falta de credibilidade. É uma implosão
muito mais impactante do que as torres gêmeas.
As verdades vieram para a tona.
Definitivamente os interesses passam longe da
promoção da humanidade.
Não é possível nem mais disfarçar.
O jogo são os ganhos próprios, implacáveis, sem
dó e piedade.
O mundo protestou, saiu às ruas, encheu as
praças.
Os donos do mundo não conseguem mais ouvir.
Perderam a sensibilidade.
Qualquer especialista pode atestar que isto é
comum nos casos de supervalorização própria.
O eu mais poderoso do mundo perdeu a
amplitude de visão.
Perdeu também a capacidade de ouvir.
Nem mais o som dos homens que se explodem,
auto imolando-se, consegue vibrar os tímpanos
enrijecidos.
Perdeu ainda a capacidade de falar.
O som é sempre igual. Eu em primeiro lugar. Eu
melhor. Eu vencedor. Eu superior.
Neste cenário, a proposta de uma nova
constituição para o Planeta Terra é oportuna.
Ainda existem esperanças para transformar a
humanidade em humana.

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ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

Se houverem avanços, serão passo a passo.


Pouco a pouco.
É essencial reverter a curva da tendência auto
destrutiva da própria humanidade.
Os excluídos já são a maioria absoluta.
O sonho da riqueza através da iniciativa privada
revelou todo egoísmo doentio da nossa humanidade
desumana.
Nenhuma doença é tão grave ou
comprometedora quanto esta tal desumanidade.
Nenhuma bomba é tão agressiva. Nenhuma realidade
é tão avassaladora.
Será que ninguém vê, ninguém ouve, ninguém
fala?
Qual é o caminho da humanidade?
Quais são as tendências?
Não importam quais são.
Se ninguém começar a agir enquanto temos
tempo, nunca serão revertidas.
Um fato é certo: as bombas que caíram
impunemente sobre o Iraque despertaram o mundo.
O efeito é silencioso.
Caíram no Oriente Médio.
Estão despedaçando toda humanidade.
Quem provocou a história, nunca esperaria o
retorno do bumerangue.
O que é possível fazer?

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PLANETA LOUCO

Parar, pensar, grudar os cacos com cola tudo,


rezar, e quem sabe, dar chance para novos tempos.
Precisamos reconstruir a casa da humanidade.
É necessário deixá-la mais humana.
Se a idéia não lhe agrada, critique.
Se lhe parece promissora, passe para frente.

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ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

participam do mercado de
consumo. O resto vegeta.
De um lado estão os ricos,
preparados, poderosos.
De outro, os pobres,
explorados, escravizados.
O

O planeta Terra é a casa


da humanidade. Mais que
o meio-ambiente é
fundamental cuidar do
meio-humano
esfarrapado. A maioria
dos habitantes do planeta planeta dos excluídos é
é pobre. Dos mais de 6 duas vezes maior que o
bilhões de viventes da planeta dos incluídos. Este
raça humana, apenas 2 quadro lamentável obriga

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PLANETA LOUCO

a humanidade a repensar- municipal, estadual,


se. Se nada for feito, os nacional e internacional.
desequilíbrios deverão se
aprofundar muito mais.
Este livro propõe a
realização de uma nova
constituição para o
Planeta Terra. Expõe
princípios, bandeiras,
compromissos, desafios.
Propõe direitos e um novo
sistema gestor. O
propósito básico é
questionar, avaliar,
discutir, pensar.
Orquiza, José Roberto, 52
anos, é formado em
filosofia pura, estudou
ciências econômicas e se
especializou em análise
empresarial. Atua como
consultor de marketing.
Publicou 3 livros: Jogo da
Vitória pela Editora Juruá,
Dez Lições de Sucesso
pela Editora Posigraf e
Fato ou Boato, Você
Decide, pela Ieditora. Foi
seminarista durante 10
anos, depois atuou como
repórter jornalista,
analista financeiro,
publicitário, diretor de
marketing. Participou de
diversas campanhas
políticas em nível
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ORQUIZA, JOSÉ ROBERTO

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