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LIÇÃO 1: DIREITO EMPRESARIAL

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UNINORTE SICACED® - Sistema de Produção e Gerenciamento de Ensino Baseado em Internet EDDP499 - DIREITO EMPRESARIAL (MANHÃ - 10h00 ÀS 11h40) LIÇÃO 1: DIREITO EMPRESARIAL

DIOGO DE SOUZA MENDES

Tuesday, 5 March 2013, 11:25

1.1 Considerações Iniciais

Até a vigência do Código civil de 2002, que entrou em vigor no dia 11 de janeiro de 2003, o Direito Comercial era disciplinado pela Parte Primeira do Código Comercial e algumas legislações esparsas. O objeto desse Direito era o comerciante.

Comerciante, era aquele que praticava atos de comércio em caráter habitual, profissional e oneroso intermediando relações entre o produtor e o consumidor.

Com o passar dos tempos à definição de comerciante ficou precária para conceituar os vários tipos de atividade econômica que surgiam dentro da sociedade e que buscavam igual lucro como o do comércio. O termo comercial, comércio e comerciante passou a ser substituído por expressões mais abrangentes, como empresarial, empresa empresário.

Dividiam-se as empresas em dois grupos: empresas comerciais e empresas civis. E o critério para se distinguir uma da outra era a atividade desempenhada por elas. Praticavam-se atos de comércio (mediação de operações com mercadorias, através de revenda, locação, distribuição, etc.) tínhamos a empresa comercial, caso contrario, tínhamos a atividade empresaria civil, abrangendo hoje a prestação de serviços e a produção primaria, por exemplo.

Com a entrada em vigor do Código Civil, a Parte Primeira do Código Comercial é revogada, passando o Direito Comercial a ser disciplinado pelo novo código no Livro II, destinado ao Direito de Empresa, bem como os títulos de créditos. Unificando, em parte o Direito Civil e o Direito Comercial, fundamentado na teoria da empresa, consagra-se a figura do empresário substituindo a do antigo comerciante, por ser mais abrangente e englobar não só aqueles que praticam atos de comércio bem como os que desenvolvem atividades de produção ou circulação de bem ou serviço, almejando lucro.

Desta forma, a expressão “Direito Empresarial” é muito mais adequada do que Direito Comercial, pois a disciplina engloba tanto a intermediação de mercadorias como a produção e a prestação de serviços.

1.2 Conceito de Direito Empresarial

O Direito Empresarial é o ramo do Direito Privado que tem por objeto regulamentar a atividade econômica daqueles que atuam na circulação ou produção de bens, bem como na prestação de serviços. É um conjunto de normas referentes ao empresário. São princípios e normas referentes à atividade do dono da empresa, ou seja, o empresário em forma societária ou em forma individual.

1.3 Fonte do Direito Empresarial

Fonte é o lugar onde se origina alguma coisa. Em sentido jurídico, entende-se como fonte o lugar do nascimento das normas que regulam a vida jurídica.

Sabe-se que o Direito Comercial nasceu dos usos e costumes que, posteriormente, em 1850, foram reunidas às leis, pelo legislador, e colocadas em um livro, que recebeu o nome de Código Comercial. Depois, começaram a surgir algumas leis complementares como, a Lei nº 5.474/64 que regulamenta a duplicata.

As fontes do Direito Empresarial são primárias ou secundárias. As primárias, também conhecidas como diretas ou imediatas, são o Código Civil e as leis especiais. As fontes secundárias, tidas como fontes indiretas ou mediatas são: a doutrina, a jurisprudência, a analogia, os princípios gerais do direito e os costumes.

1.4 Conceito de Empresa

O professor Fábio Ulhoa define a empresa como sendo:

A atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviço. Sendo uma atividade, a empresa não tem natureza jurídica para ser sujeito de direito nem de coisa. Em outros termos não se confunde com o empresário nem com o estabelecimento empresarial (coisa).

Já Mônica Gusmão preleciona que:

A empresa é a atividade economicamente organizada, exercida pelo empresário (pessoa física ou jurídica), que reúne capital, trabalho, tecnologia e insumo para a produção e circulação de bens ou prestação de serviços com intuito de lucro. A empresa é atividade do empresário e não se confunde com o seu estabelecimento, com a pessoa jurídica ou seus sócios.

Portanto, a empresa não é a reunião de bens materiais, o espaço físico que compõe o estabelecimento, mas, é a atividade desenvolvida pelo empresário, voltada para a produção ou circulação de bens ou serviços, gerados a partir da organização dos fatores de produção (força de trabalho, matéria-prima, capital e tecnologia), almejando sempre o lucro.

1.5 Empresário

O art.966 do CC dispõe:

Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços.

Parágrafo único: Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda que com concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento da empresa.

Podemos entender desse conceito que o empresário é a pessoa que toma a iniciativa de organizar uma atividade econômica de produção ou circulação de bens ou serviços. Essa pessoa pode ser tanto a física, que emprega seu dinheiro e organiza a empresa individualmente, como a jurídica, nascida da união de esforços de seus integrantes. O empresário exerce uma atividade empresarial continuada por ser ele um profissional, ou seja, vive de sua profissão.

Assim, não é empresário quem realiza negócio esporadicamente mesmo que presente o fim especulativo. De outro modo, não será empresário quem exerce habitualmente uma atividade, mas que não tem fins lucrativos.

Destaque-se ainda que, para configuração do conceito de empresário, a atividade econômica exercida deve ser organizada, ou seja, suficientemente estruturada para que possa atingir o resultado “produção ou circulação de bens ou de serviços”.

Não pode o resultado da atividade do empresário depender diretamente de sua atuação pessoal, devendo decorrer a partir do funcionamento de toda a estrutura montada por ele. Por está razão é excluída da qualificação de empresário, nos termos do parágrafo único do art. 966 do CC, aquele que exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, mesmo que trabalhe com o concurso de auxiliares ou colaboradores (secretária, atendentes, técnicos de enfermagem, estagiários). Por exemplo: o advogado, aquele médico que atende em seu consultório, o escritor, não são empresários, porque o resultado da atividade desses profissionais depende de sua atuação pessoal. Não podendo a atividade exercida por esses profissionais ser transferida a um funcionário, mesmo que estes tenham. Por exemplo, tanto um médico como um advogado, necessariamente precisa de uma auxiliar (secretária), mas esta não vai poder substituí-lo no exercício dessa atividade.

Porém, deve ser observada a parte final do parágrafo único: “salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa”. O elemento de empresa deve ser entendido como uma estruturação da atividade, de tal maneira que o resultado da mesma deixe de depender diretamente do trabalho daquele que, agora sim, poderia chamar-se empresário. Exemplo: se um artesão treina uma equipe de 6, 7 ou 8 pessoas para produzir artesanato, passa a ser empresário; o próprio médico quando amplia sua estrutura de trabalho, tornando- se dono de uma grande clínica ou um hospital, contratando outros médicos para trabalhar para ele, onde o cliente chega ao local procurando o serviço e não aquele médico, também é considerado empresário. Teremos aí o elemento de empresa. Ou seja, elemento da empresa consiste em inserir a atividade especifica numa organização empresarial, onde essa atividade possa ser desenvolvida, também, por outra pessoa.

1.6 Obrigações dos Empresários e Livros Empresariais

Impõe a lei aos empresários, exceto aos microempresários e aos empresários de pequeno porte algumas obrigações a saber:

Inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais da respectiva sede, antes do início de sua atividade, assim como as alterações contratuais subseqüentes, no prazo de 30 dias, após à assinatura do ato, dentro desse prazo o registro terá efeito a partir da data da assinatura do documento, caso contrário só produzirá efeito a partir da data de sua concessão. Exemplificando: se uma sociedade limitada resolve admitir um novo sócio, deverá haver uma alteração no seu contrato social, para a inclusão do mesmo na sociedade, essa alteração deverá ser entregue ao protocolo da Junta Comercial dentro do prazo de 30 dias, para que o efeito do registro se produza a partir da data de assinatura do documento. Ou seja, o sócio será considerado participante da sociedade desde a data da alteração contratual, embora o arquivamento possua data posterior. Porém, se esse prazo não for respeitado, o arquivamento só produzirá efeitos a partir do ato administrativo concessivo do registro, proferido pelo funcionário da Junta. Neste caso, o novo sócio só será legalmente considerado, a partir da data do arquivamento, mesmo que posterior à data que havia contratado com a sociedade. A Junta tem competência para apreciar a observância das formalidades do ato exigida pala lei.empresários de pequeno porte algumas obrigações a saber: Manter a escrituração regular de seus negócios. A

Manter a escrituração regular de seus negócios. A escrituração consiste em registrar os atos e fatos relevantes pela lei, em livros próprios, para o devido funcionamento da empresa. O exercício regular da atividade empresarial deve contar com a ajuda do profissional de contabilidade, pois a lei exige um sistema de contabilidade, mecanizado ou não com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva. Tem a escrituração três funções; gerencial, servindo de instrumento para a tomada de decisões administrativas, financeiras e comerciais; documental, sendo um suporte de apresentação das condições da empresa para terceiros interessados como bancos, sócios investidores, etc.: fiscal servindo de prova para o cumprimento das obrigações legais e as de natureza puramente fiscais.a observância das formalidades do ato exigida pala lei. Levantamento anual do balanço patrimonial (indicação do

Levantamento anual do balanço patrimonial (indicação do ativo e passivo empresarial) e o de resultado econômico ( indicação lucros e prejuízos). O balanço patrimonial deverá exprimir, com fidelidade e clareza, a situação real da empresa e, terão por base a escrituração mercantil elaborada ao longo do exercício, e lançada pelo contador no livro Diário, ou, em se tratando de fichas soltas, no livro denominado Balancetes Diários e Balanços.das obrigações legais e as de natureza puramente fiscais. Ter sempre guardado, em boas condições, toda

Ter sempre guardado, em boas condições, toda a escrituração, correspondências e demais papéis concernentes à sua atividade, até que acorra a prescrição ou a decadência dos mesmo.pelo contador no livro Diário, ou, em se tratando de fichas soltas, no livro denominado Balancetes

1.6.1 Livros Empresariais

Os livros empresariais representam os registros escritos das atividades do empresário e dividem-se em:

Livro Obrigatórios: Diário : Diário

Livro Facultativos: Caixa : Caixa

Conta Corrente Estoque Obrigações a pagar e a receber

Livros especiais: Livro de Registro de Duplicata : Livro de Registro de Duplicata

Livro de Registro de Empregado Livro de Atlas da Assembléia dos Cotistas Livro de Balancetes Diários e Balanços dos estabelecimentos bancário

O empresário que não possuir os livros obrigatórios incorre em crime falimentar e inviabiliza a recuperação judicial. Os livros facultativos não integram o acervo obrigatório da contabilidade da empresa.

Por disposição legal o Diário é obrigatório, sem prejuízo dos outros livros exigidos. É também admitida a substituição do Diário por fixas, no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica (art.1180 do CC). O empresário individual ou a sociedade empresária que adotar o sistema de fichas de lançamentos poderá substituir o livro Diário pelo livro de Balancetes Diários e Balanços (art.1185 do CC).

No Diário deverão ser lançadas, dia a dia, todas as operações relativas ao exercício da empresa, podendo ser lançadas por escrita direta ou reprodução (art.1184 do CC). Também devem fazer parte do Diário o balanço patrimonial e o balanço de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por contadores habilitados e pelo empresário ou pela sociedade empresária (art.1184, §2º do CC).

A escrituração, nos termos da lei, deve ser feita em idioma e moeda nacional de forma cronológica, de dia mês e no, sem intervalo em branco, entre linha borrões rasuras ementas ou transporte para as margens (art.1183 do CC).

1.7 Atividade Empresarial Irregular

A falta do registro do empresário no órgão competente, Junta Comercial, torna a atividade do empresário irregular. Sendo desta forma impedido de usufruir dos benefícios dedicados aos empresários regulares. Ou seja, a lei com o intuito de coibir essa prática atribui algumas sanções para o empresário irregular, que são:

A responsabilidade ilimitada dos sócios na sociedade irregular pelas obrigações da sociedade, ou seja, responde com o seu patrimônio particular por essas obrigações contraídas em nome da sociedade.algumas sanções para o empresário irregular, que são: Não terá legitimidade ativa para o pedido de

Não terá legitimidade ativa para o pedido de falência de outro empresário(LF art.por essas obrigações contraídas em nome da sociedade. 97,1º). Poderá ter sua falência requerida e decretada,

97,1º).

Poderá ter sua falência requerida e decretada, que será necessariamente fraudulenta, porque seus livros não podem ser usados como meio de prova (Art. 186, VI, da Lei de Falências);o pedido de falência de outro empresário(LF art. 97,1º). Não poderá requere recuperação judicial (LF art.57,V)

Não poderá requere recuperação judicial (LF art.57,V)como meio de prova (Art. 186, VI, da Lei de Falências); Não poderá participar de licitações

Não poderá participar de licitações por falta da inscrição no CNPJ e da ausência de matrícula no INSS.usados como meio de prova (Art. 186, VI, da Lei de Falências); Não poderá requere recuperação

1.8 Espécies de Empresários

Como já visto, empresário é quem exerce atividade econômica voltada para a produção ou circulação de bens ou serviços, entre esses deve-se distinguir as pessoas físicas, consideradas empresário individual e as pessoas jurídicas, ou seja, as sociedades empresárias. Desta forma temos duas espécies de empresário: o empresário individual e o empresário na forma de sociedade empresária. Ambos serão tratados em capítulos próprios.