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Introdução ao e-learning

Ficha Técnica
Título: Autor: Editor: Finanças Empresariais Paulo Correia Companhia Própria – Formação e Consultoria, Lda. Edifício World Trade Center, Avenida do Brasil, n.º 1 - 2.º, 1749 – 008 LISBOA Tel: 217 923 811; Fax: 217 923 812/ 3701 www.companhiapropria.pt info@companhiapropria.pt rdidacticos@companhiapropria.pt Entidades Promotoras e Apoios:

Companhia Própria – Formação e Consultoria Lda e Programa Operacional Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS), co-financiado pelo Estado Português e pela União Europeia, através do Fundo Social Europeu. Ministério da Segurança Social e do Trabalho. Ana Pinheiro e Luís Ferreira SBI Consulting – Consultoria de Gestão, SA Avenida 5 de Outubro, n.º 10 – 8.º andar, 1050 – 056 LISBOA Tel: 213 505 128; Fax: 213 143 492 www.sbi-consulting.com geral@ sbi-consulting.com

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Revisão, Projecto Gráfico, Design e Paginação: e-Ventos CDACE Pólo Tecnológico de Lisboa, Lote 1 – Edifício CID Estradado Paço do Lumiar, 1600 – 546 LISBOA Tel: 217 101 141; Fax: 217 101 103 info@e-Ventos.pt © Companhia Própria – Formação & Consultoria, Lda, 2004, 1.ª edição

GOVERNO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

Manual subsidiado pelo Fundo Social Europeu e pelo Estado Português

Todas as marcas ou nomes de empresa referidos neste manual servem única e exclusivamente propósitos pedagógicos e nunca devem ser considerados infracção à propriedade intelectual de qualquer dos proprietários.

Finanças Empresariais Índice ÍNDICE ENQUADRAMENTO ÁREA PROFISSIONAL CURSO / SAÍDA PROFISSIONAL NÍVEL DE FORMAÇÃO / QUALIFICAÇÃO COMPONENTE DE FORMAÇÃO UNIDADES DE FORMAÇÃO E DURAÇÃO CONTEÚDOS TEMÁTICOS OBJECTIVOS GLOBAIS CONJUNTO DE INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS CONTEXTUALIZAÇÃO DA SAÍDA PROFISSIONAL 1 FUNÇÃO FINANCEIRA 2 FONTES DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA 3 PREPARAÇÃO PARA ANÁLISE 4 MÉTODO DOS RÁCIOS 5 RENDIBILIDADE E RISCO 6 EQUILÍBRIO FINANCEIRO 7 FUSÕES E AQUISIÇÕES 8 AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 2 4 4 4 5 5 6 6 8 9 9 10 11 23 37 44 54 78 92 100 Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda 2 .

Lda 3 .Finanças Empresariais 9 EXERCÍCIOS 10 BIBLIOGRAFIA 110 123 Companhia Própria – Formação & Consultoria.

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Assim.Finanças Empresariais Enquadramento O presente manual tem como propósito primeiro o acompanhamento do curso de formação profissional em Técnicos Financeiros. permite a qualquer interessado nos conceitos e técnicas relacionados com a gestão financeira das empresas e organizações em geral. sendo de primordial importância na gestão empresarial moderna. CURSO / SAÍDA PROFISSIONAL O objectivo deste curso consiste em proporcionar aos participantes conhecimentos e ferramentas de gestão financeira que lhes permita garantir a fiabilidade e no futuro a prática de funções de natureza financeira nas empresa e organizações. pretende propiciar a mais ampla compreensão dos fenómenos. um desafio que se coloca em crescendo a todos os profissionais directamente envolvidos em funções financeiras e aos empresários. gestores funcionais e técnicos. um guia fiável e de acesso célere a um conjunto de metodologias a considerar na gestão financeira de um negócio ou actividade. Companhia Própria – Formação & Consultoria. ÁREA PROFISSIONAL Este manual enquadra-se na área profissional de Organização e Gestão de Empresas. empresários. financeira ou estratégica. embora aborde algumas matérias básicas e outras de forma superficial. no seu sentido amplo. o manual de Técnicos Financeiros. sensibilizando-os para a importância e o papel das funções desta natureza nas empresas e organizações. Por outro lado. Lda 4 . Em síntese. para facilitar o uso dos instrumentos e técnicas. permite uma introdução simples aos conceitos e técnicas fundamentais para o exercício de funções financeiras e de gestão. Este manual foi especialmente concebido para todos os executivos. seja ela corrente. e visa familiarizar os alunos com os conceitos e técnicas de gestão financeira. É particularmente atraente para todos os profissionais que têm um forte relacionamento com a gestão. quadros dirigentes. que desenvolvem a sua actividade nas diversas áreas funcionais da empresa e de qualquer sector de actividade.

indivíduos com qualificações de nível IV e V. Deve ser colocado como pré-requisito o domínio dos conceitos básicos de Finanças Empresariais. Lda 5 . curso superior de qualquer área. A sua natureza fortemente prática complementa a formação de recém licenciados em outras áreas científicas. ou para qualquer empresário. COMPONENTE DE FORMAÇÃO Através deste manual poderão ser leccionados cursos como: Técnicos Financeiros Gestão Financeira Finanças para não Financeiros Análise Financeira Gestão de Tesouraria Companhia Própria – Formação & Consultoria.Finanças Empresariais Este curso destina-se essencialmente a profissionais especialistas nas áreas de Contabilidade e Finanças. No que respeita à empregabilidade. Controller. Todos os participantes poderão reunir competências no âmbito desta área e obter saídas profissionais a desempenhar funções de Gestor Financeiro. o formando do curso poderá desempenhar funções de gestão financeira em empresas e organizações ou desenvolver a actividade de consultoria financeira em qualquer organização. NÍVEL DE FORMAÇÃO / QUALIFICAÇÃO Poderão frequentar as acções de formação apoiadas neste manual. entre outras. Técnico de Tesouraria. que desenvolvem ou venham a desenvolver a sua actividade em áreas financeiras das empresas. O curso está orientado em conteúdos e metodologia especialmente para Gestores e Quadros de Pequenas e Médias Empresas bem como para Profissionais Liberais. poderá constituir um interessante complemento para outros campos da gestão. Apesar de o curso incidir no domínio financeiro. cumprindo no entanto um conjunto de pré-requisitos em termos de conhecimentos de gestão de empresas. Consultor Financeiro. e algumas noções de informática ao nível do utilizador de ferramentas do Microsoft Office. independentemente da área vocacional.

Fontes de informação financeira Princípios contabilísticos geralmente aceites.Finanças Empresariais Avaliação de Empresas A Formação a decorrer. A demonstração dos resultados líquidos. CONTEÚDOS TEMÁTICOS Função Financeira As tarefas da função financeira. Equilíbrio Financeiro (5 horas) . A demonstração dos fluxos de caixa. Fusões e Aquisições (2 horas) . Fluxos e ciclos da empresa. O balanço. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda 6 . Limites da função financeira. Objectivos da função financeira. Fontes de informação para decisão financeira (5 horas) . Rendibilidade e Risco (20 horas) . Método dos rácios (5 horas) . UNIDADES DE FORMAÇÃO E DURAÇÃO Função Financeira (2 horas). pretende criar competências ao nível da percepção do conjunto de instrumentos básicos para o controlo e domínio da função financeira nas empresas e organizações. tendo este manual como auxiliar. Avaliação de Empresas (5 horas) .

Risco económico. Interligação entre as rendibilidades económica e financeira. Rácios de rendibilidade. Rendibilidade e risco Os principais indicadores económicos. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Limitações dos rácios . Fundo de maneio. A demonstração de resultados funcional. Tesouraria líquida. O risco global da empresa. Rácios de funcionamento. Meios libertos. Método dos rácios Rácios de alavanca financeira e risco. Lda 7 . Fundo de maneio necessário . Equilíbrio financeiro Equilíbrio financeiro mínimo. Custo – volume – resultado. O risco financeiro. Fusões e aquisições Criação de valor.Finanças Empresariais Preparação para análise Balanço funcional. Rácios de liquidez.

Finanças Empresariais Tipos de aquisição e sinergia. Fornecer instrumentos de análise financeira. Avaliação de empresas O processo de avaliação. Aplicar métricas de rendibilidade e de risco. Avaliação patrimonial. Apurar a análise financeira da empresa. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Dominar os seus conceitos e técnicas básicos. Valor residual. seleccionar os instrumentos à sua disposição e aplicando os métodos e técnicas melhor adequados. Limitações. Identificar e interpretar as principais fontes de informação de apoio à análise e decisão financeira. Avaliar e interpretar a situação económico-financeira da empresa. OBJECTIVOS GLOBAIS No final da formação. Due diligence. Abordagem e negociação inicial. Utilizar dados contabilísticos na preparação da informação para análise financeira. reconhecer as condições de equilíbrio financeiro. Estimativa do custo de capital. Avaliação por comparação com o mercado. O justo valor de mercado. Lda 8 . Avaliação pelos fluxos de caixa actualizados. o formando deve estar apto a: Compreender a importância da função financeira.

Esta ilação poderá ser: . . efectuada através de: Testes. ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS Propõe-se que seja sempre privilegiado o método interrogativo ao método expositivo. efectuada através de: Trabalhos de Grupo.Finanças Empresariais Desenvolver o espírito crítico na utilização dos instrumentos de análise financeira. Participação. Conhecimentos Adquiridos. no âmbito de processos de Fusões e Aquisições. Conhecimentos integrados no seu desempenho profissional. Companhia Própria – Formação & Consultoria.Qualitativa. Aplicar os principais métodos de avaliação de empresas. Respostas (Método Interrogativo). nomeadamente. Lda 9 .Quantitativa. CONJUNTO DE INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO Os critérios de avaliação mais significativos para esta formação são: Assiduidade e Pontualidade. Assertividade. de forma a envolver todos os participantes na formação. Interesse demonstrado. Resolução da Totalidade de Actividades / Exercícios. Trabalhos práticos individuais.

mais vastas. designadamente para a revitalização do tecido empresarial.Finanças Empresariais Entendemos o método expositivo como aquele em que a comunicação é unidireccional e não se motiva a participação dos estudantes Entendemos o método interrogativo como aquele em que existe uma troca de perguntas e respostas entre a audiência e o formador. gestão e avaliação financeira de empresas serão sempre um precioso complemento no desempenho de funções mais genéricas e abrangentes. São recomendados. qualquer empresa ou organismo. etc. Os técnicos financeiros.As empresas de consultoria. preferencialmente) e informática na óptica do utilizador. instituições internacionais. desenvolve operações de natureza financeira. Na realidade. Gestão Empresarial e Contabilidade. quer escritos. Por esta razão. os conceitos e metodologias cobertos pelo manual são intrínsecos ao desempenho de funções de gestão. também implicam o domínio das matérias versadas neste manual. pelo que será potencialmente empregadora de técnicos financeiros. Em última instância. autarquias. sempre que possível. extravasa o campo específico da contabilidade e gestão de tesouraria. com as quais normalmente está conotada. . ou a actividade independente. Lda 10 . a título de consultor ou técnico oficial de contas. A natureza do trabalho dos técnicos financeiros. as valias associadas à análise. sobretudo de gestão financeira e estratégica. Companhia Própria – Formação & Consultoria. O Manual de Técnicos Financeiros tem um perfil conducente ao desenvolvimento de competências nas áreas específicas da Gestão e Análise Financeira. por exemplo. com o domínio de pelo menos uma língua estrangeira (inglês. CONTEXTUALIZAÇÃO DA SAÍDA PROFISSIONAL A competitividade e os desafios da modernidade exigem quadros bem preparados. deverão complementar os seus conhecimentos sobre finanças empresariais. com relevo para as folhas de cálculo e internet. nacionais e internacionais. exercícios. quer recorrendo a ao uso de folhas de cálculo. funcionalismo público nacional e comunitário. com ou sem fins lucrativos. As principais entidades empregadoras dos técnicos financeiros serão todas as empresas e Instituições públicas e privadas. banca. seguros.

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assim. sua importância e impacto nas necessidades financeiras das empresas e enquadramento nos ciclos económicos e financeiros. imperativo o estudo e análise aturados como suporte à tomada de decisões económicas e financeiras. Começa por esclarecer alguns conceitos correntes. olhando aos seus efeitos e consequências. donde resulta o desenvolvimento da função financeira. serão apresentados os fluxos e ciclos económicos e financeiros da empresa e sua distinção. têm ocasionado novas e crescentes exigências. Lda 11 . um papel de enorme relevância. à medida que melhora o acesso aos mercados e que se vão multiplicando os instrumentos e produtos financeiros colocados à disposição da empresa na sua busca pelos recursos necessários. obrigando a maiores cuidados para a sustentação das performances económicas. Após evidenciar os principais objectivos e limitações da função financeira. Também a concorrência. Por fim. iremos percorrer as principais políticas de gestão da empresa. casos da função financeira.Finanças Empresariais 1 Função Financeira Noções fundamentais ENQUADRAMENTO Este capítulo inicial aborda a Função Financeira. análise financeira e gestão financeira. cuja compreensão e distinção é vital para o entendimento da importância e enquadramento das matérias que lhes estão subjacentes. INTRODUÇÃO A função financeira das empresas assume. sendo a sua importância e implicações crescentes. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Tornou-se. nos dias de hoje. ainda que em diferentes graus de sofisticação. os processos de mudança económica e social e os sistemas de informação.

No entanto. Sendo esta a visão do financeiro. Neste sentido. Lda 12 . as entradas acumuladas excedam as saídas acumuladas. garantindo a rendibilidade da empresa. Procura dotar os responsáveis das organizações de informação económica e financeira. ou assegurar liquidez são tarefas que obrigam a grandes tensões devido ao intenso envolvimento e conhecimento das dificuldades. que importa garantir. Companhia Própria – Formação & Consultoria. adequada para a tomada de decisões de gestão. que determina que. gestão e controlo dos recursos e fluxos económicos e financeiros. toda e qualquer actividade levada a cabo numa organização é originadora de fluxos de entradas e saídas de fundos. a preocupação é que em qualquer momento se verifique a seguinte condição: Saldo inicial + Entradas previstas ≥ Saídas previstas + Saldo final desejado Esta simples regra de equilíbrio conduz a uma outra.Finanças Empresariais Por este motivo. e porque a empresa é vista como uma contínua corrente de fluxos monetários. fundamental. pois os atributos e operações associadas à função financeira têm evoluído no sentido desta assumir uma maior relevância no seio de todas as funções empresariais. Entradas previstas ≥ Saídas previstas AS TAREFAS DA FUNÇÃO FINANCEIRA A função financeira comporta todas as acções de análise. planeamento. começaremos por abordar os principais conceitos que lhes estão associados. a sua principal motivação passa por assegurar o permanente equilíbrio entre aqueles fluxos ao longo da actividade da empresa. gerir os fluxos financeiros. Dispor de situação de tesouraria. nem sempre foi assim. no médio prazo. em concordância com os objectivos das empresas respectivas. e à noção clara dos efeitos e consequências das medidas e atitudes com incidência sobre as disponibilidades da empresa. FUNÇÃO FINANCEIRA Na perspectiva financeira.

envolvendo não só objectivos de tesouraria.Finanças Empresariais Inicialmente. ou o que hoje se designa de gestão de tesouraria. A gestão dos fluxos financeiros. A manutenção do equilíbrio financeiro da empresa. A aplicação optimizada dos excedentes financeiros. a ser mais activo em termos da gestão. ampliada com a necessidade de optimização das decisões de financiamento. a função financeira passou a ser responsável pela obtenção atempada e ao menor custo possível dos fundos necessários ao funcionamento e desenvolvimento da empresa. Tratava-se de efectuar uma gestão de disponibilidades. O papel financeiro passou assim. A análise do risco e da rendibilidade da empresa. passando a ser sua responsabilidade a análise e o controlo da rendibilidade actual e previsional de todas as aplicações de fundos. A obtenção de fundos ao menor custo. as tarefas de uma moderna gestão financeira podem ser esquematizadas da seguinte forma: Companhia Própria – Formação & Consultoria. As suas preocupações incidiam então na manutenção de um nível de disponibilidades tal que garantisse o normal funcionamento da empresa. entretanto. operacionais. Lda 13 . mas também de rendibilidade e equilíbrio financeiro. bem como pela adequada aplicação de excedentes de fundos. Das diversas operações que comporta. procurando cobrar com rapidez e graduando os pagamentos aos fornecedores e outros credores. ou seja. Esta perspectiva elementar da função financeira foi. a gestão dos recebimentos e pagamentos decorrentes das demais actividades da empresa. de forma a garantir a melhor rendibilidade possível dos mesmos. a função financeira evoluiu para a gestão financeira moderna. Por fim. Neste enquadramento. cabe destacar: A preparação e execução das decisões financeiras. Extravasando o campo das decisões operacionais. A adequação dos recursos financeiros. a função financeira identificava-se com a tesouraria. e fruto da crescente complexidade dos contextos em que as empresas operam. no âmbito da qual a função financeira é envolvida nas decisões de investimento e na elaboração do plano de médio prazo da empresa.

e desenvolvida sobre o plano financeiro. centrada sobre o financiamento estrutural da empresa. procurando o seu equilíbrio numa perspectiva de curto prazo. créditos de fornecedores e demais credores correntes. na prática. que procura garantir retorno aos detentores do capital. que para além da referida gestão de disponibilidades. ponderando a constituição das reservas necessárias ao desenvolvimento da empresa. Decisões operacionais. A política de distribuição de resultados. Companhia Própria – Formação & Consultoria. que visa assegurar a disponibilidade dos fundos necessários à empresa. baseia-se no orçamento de tesouraria. em fluxos de entradas e saídas de fundos. compreende também a gestão de políticas da empresa com impacto no crédito concedido a clientes. A gestão de débitos de curto prazo. documento base no qual é traduzido. o equilíbrio financeiro previsional. documento que representa em recebimentos e pagamentos previsionais o orçamento global da empresa.Finanças Empresariais ESTRATÉGIA FINANCEIRA (a médio e longo prazo) -Política de investimentos -Política de financiamento -Política de distribuição de resultados GESTÃO FINANCEIRA DECISÕES OPERACIONAIS (a curto prazo ou gestão de tesouraria) -Gestão do activo circulante -Gestão dos débitos de curto prazo Vejamos agora o que. nível de existências e aplicação de excedentes de tesouraria. ou gestão de tesouraria. Lda 14 . representa cada uma destas tarefas: Estratégia financeira. Testando-se assim. A política de financiamento. Estas tarefas incidem sobre: A política de investimentos. bem como o enquadramento legal e fiscal de ambos. Estas tarefas incidem sobre: A gestão do activo circulante. o plano da empresa a médio e longo prazo. para além da cobertura de défices de tesouraria. em consonância com a sua política de investimentos e desenvolvimento futuro. que envolve a análise de rendibilidade e risco num horizonte temporal alargado.

Salvaguardar a adequação das fontes de financiamento minimizando os riscos. Lda 15 . levam à consideração de áreas autónomas dentro da função financeira dada a sua especialidade. A prossecução deste objectivo. prevalece o objectivo global de maximização do valor da empresa. Estabelecer as condições com vista à optimização e rendibilização dos excedentes. evidenciam-se como objectivos os seguintes: Assegurar o equilíbrio dos fluxos económicos e financeiros. credores ou outras entidades. No entanto. A rendibilidade traduz a capacidade de uma empresa para gerar lucros. Providenciar informação para possibilitar o alerta aos responsáveis dos diversos níveis. accionistas. e face às acções e decisões de investimento ou de gestão corrente. Garantir e gerir os recursos nas melhores condições. e em termos mais práticos. ou fluxos positivos. face à necessidade em obter as mais diversas e variadas informações económicas e financeiras credíveis sobre a situação da empresa para os gestores. Este conceito não é mais do que o valor actual dos fluxos que futuramente a empresa poderá vir a conferir aos seus titulares.Finanças Empresariais OBJECTIVOS DA FUNÇÃO FINANCEIRA Os objectivos das empresas face à crescente complexidade das funções e decisões financeiras. Companhia Própria – Formação & Consultoria. No âmbito da função financeira. O risco reflecte a variabilidade desses lucros ou fluxos. e pese embora a necessidade de maior especialização técnica. Elaborar estudos consequentes ao conhecimento atempado da situação económica e financeira da empresa. obriga ao estudo aturado da repercussão das decisões financeiras na empresa em duas vertentes distintas e complementares – a rendibilidade e o risco.

de uma empresa. a sua tecnologia e o seu mercado. é um todo em que cada actividade é interdependente das restantes e que obriga a um esforço global e objectivo e um posicionamento estratégico. devemos encarar os aspectos fundamentais da função financeira. combinando o seu produto. A empresa. Os recursos humanos. enquanto condições indispensáveis. as finanças de uma empresa serão seguramente causa de insucesso. descodificando a sua estrutura de custos na busca de base de diferenciação. para que possa ser transformada em vantagem competitiva. per si. que efectuar uma correcta análise financeira e gerir uma empresa em termos financeiros implica ver e analisar para além dos meros fluxos desta natureza. qualquer que seja a sua dimensão. Companhia Própria – Formação & Consultoria. verdadeiros imperativos. garante de desenvolvimento. ou mesmo sobrevivência. verdadeira fonte de criação de valor da empresa. as decisões de gestão são mais abrangentes e latas que as simples decisões de natureza financeira. é certo que. A posição concorrencial da empresa. uma boa gestão financeira não é. Como a natureza dos desafios e dificuldades com que as empresas se deparam não é exclusivamente financeira. quando mal geridas. Ainda que estas últimas detenham um peso relevante na realidade da empresa a curto e médio prazo. contudo. como a rendibilidade e equilíbrio financeiro. A análise da carteira de negócios. externas e internas. Assim sendo. Isto implica o estudo de todas as variáveis. Sem esquecer. A cadeia de valor. Por outro lado. Lda 16 . A sua vantagem competitiva.Finanças Empresariais LIMITES DA FUNÇÃO FINANCEIRA Estando as empresas em permanente interacção com o meio que as envolve. numa organização. a sua estrutura e atractividade. relevantes para a definição estratégica: O sector em que a empresa se encontra inserida.

EXTRA-EXPLORAÇÂO Desinvestimentos Empréstimos obtidos Curto Prazo Suprimentos Aumento Capital (-) Pagamentos diversos Pagamentos prestação capital Empréstimos concedidos Investimentos Companhia Própria – Formação & Consultoria. E os fluxos financeiros. que decorrem da tesouraria de exploração e aqueles relacionados com as demais operações.OPERAÇÔES DE EXPLORAÇÂO TESOURARIA DA EMPRESA (DISPONIBILIDADES) FLUXOS FINANCEIROS . ou de extra-exploração. de resto. FLUXOS FINANCEIROS .P. aos serviços prestados e aos investimentos realizados. o financiamento extra-exploração.OPER. que estão associados aos bens produzidos e comercializados. Explor. nomeadamente. atesta a seguinte representação gráfica dos fluxos económicos e financeiros: Equilíbrio Financeiro a Curto Prazo Fluxos Reais ou económicos EMPRESA Fluxos Financeiros Equilíbrio Financeiro a Médio e Longo Prazos ou Equilíbrio Financeiro Estrutural Os fluxos financeiros podem ser classificados enquanto fluxos de exploração ou fluxos autónomos. Proveitos Recebimentos Créditos Recebimentos Antecipados (-) Pagamentos Créditos Pagamentos antecipados Reembolso de empréstimos C. no seio da empresa distintas categorias de fluxos: Os fluxos reais ou económicos.Finanças Empresariais FLUXOS E CICLOS DA EMPRESA É possível identificar. Como. Lda 17 .

Lda 18 . Os fluxos cíclicos poderão ser esquematizados da seguinte forma: FORNECEDORES Reembolsos e juros PAGAMENTOS EXISTÊNCIAS BANCOS ESTADO PRODUÇÃO TESOURARIA EMPRÉSTIMOS RECEBIMENTOS Fluxos Financeiros Fluxos Económicos CLIENTES Companhia Própria – Formação & Consultoria. de curto médio e longo prazos. com o ajustamento dos fluxos financeiros. que compreendem aqueles derivados dos fluxos económicos. imediatos ou diferidos e os fluxos resultantes das operações financeiras. sempre. o recurso às fontes de financiamento. que podem ser directos ou indirectos. Visando. Acíclicos. o equilíbrio a curto e a médio e longo prazos. precisamente. são os fluxos económicos e financeiros ligados ao ciclo de exploração.Finanças Empresariais Um dos objectivos fundamentais da função financeira tem que ver. como as opções de investimento. são os fluxos derivados de decisões estratégicas relacionadas com o equilíbrio estrutural da empresa. Uma outra forma corrente de classificação dos fluxos reparte-os entre fluxos cíclicos e fluxos acíclicos: Cíclicos.

Ciclo das operações financeiras. CICLOS DAS OPERAÇÕES DA EMPRESA Os ciclos da empresa podem classificar-se em: Ciclo de investimento. de investimento ou financeiro. Sejam eles. económicos e financeiros estão directamente relacionados com os ciclos das operações da empresa. Companhia Própria – Formação & Consultoria. em participações financeiras ou em fundo de maneio necessário. novos investimentos em capital fixo. CICLO DAS OPERAÇÕES DE INVESTIMENTO O ciclo das operações de investimento engloba todas as decisões e actividades referentes à análise e selecção de investimentos e desinvestimentos.Finanças Empresariais Por outro lado. como o operacional. Lda 19 . Ciclo de exploração ou operacional. os fluxos acíclicos podem ser representados da seguinte forma: Reembolsos e juros ACCIONISTAS BANCOS / ESTADO FORNECEDORES IMOBILIZADO CAPITAL DIVIDENDOS EMPRÉSTIMOS SUBSÍDIOS PAGAMENTOS TESOURARIA Proveitos e cedências de activos Participações financeiras Desinvestimentos ACTIVOS IMOBILIZADOS OUTRAS EMPRESAS Tomadas de participação Fluxos Financeiros Fluxos Económicos Estes fluxos. que não são mais do que a resultante financeira das decisões tomadas na empresa a diferentes níveis.

ou seja. DESIN VEST IM EN TO O PERAÇÃO FINA NCEIRA EM PRÉSTIM O S E REEM BO LSO S OPERA ÇÃ O FIN ANCEIRA REA LIZA ÇÃO D O CA PITAL. recorrendo aos sócios ou accionistas ou a entidades de crédito. podem ser representados da seguinte forma: O PERAÇÃO DE INVESTIM EN TO REALIZAÇÃO D O CAPITA L. a sobrevivência da empresa. quer seja através dos custos financeiros associados às fontes seleccionadas. visando o equilíbrio estrutural da tesouraria. Graficamente. Podem assim ser repartidas em: Ciclo de decisões de operações de capital. Ciclo das operações de tesouraria. Lda 20 . simplesmente. cuja principal preocupação passa por garantir a cobertura financeira a curto prazo. As implicações da forma em como a empresa é financiada são diversas. EN TREGA S EM ESPÉCIE BALAN ÇO ACTIVO IM OBILIZA DO CAPITA IS PRÓPRIOS CAPITA IS ALHEIOS ESTÁ VEIS DISPONIBILID ADES O PERAÇÃO DE INVESTIM EN TO OU LIQU IDA ÇÃ O.Finanças Empresariais CICLO DAS OPERAÇÕES FINANCEIRAS O ciclo das operações financeiras corresponde às decisões financeiras tomadas em função das opções económicas (ciclo de investimento). EN TRA GA S EM NU M ERÁRIO Companhia Própria – Formação & Consultoria. por forma a salvaguardar a independência ou. ou por intermédio da provocação de desequilíbrios financeiros. podendo afectar o desempenho da empresa. a selecção das fontes de financiamento mais adequadas. reflectindo uma composição e níveis inadequados dos capitais permanentes. bem como às resultantes das necessidades de financiamento do ciclo de exploração.

) C iclo • A rm azenagem dos m ateriais • Início do ciclo fabril (ciclo de produção ou ciclo de transform ação das m atérias-prim as) • D uração do ciclo de produção (produtos em vias de fabrico e produtos sem i-acabados) De • Term o do ciclo de transform ação 8obtenção dos produtos acabados) • A rm azenagem dos produtos acabados • V enda dos produtos acabados E xploração • C rédito concedido aos clientes ou crédito com ercial (em conta corrente ou titulados através de letras a receber) • R ecebim entos (efectivo) dos créditos com erciais C iclo E conóm ico Financeiro De E xploração Companhia Própria – Formação & Consultoria. Assim. É por esta razão que o ciclo económico de exploração não coincide com o ciclo das operações financeiras de exploração. só terminando com os recebimentos efectivos das vendas dos produtos acabados. sobretudo pelo efeito do crédito concedido a clientes e obtido dos fornecedores. por outro lado. obtém normalmente um recurso por via do crédito concedido por fornecedores. a necessidade de financiar o crédito concedido a clientes e o nível de existências. subsidiárias. provocando. etc. Lda 21 . passando pela formação dos proveitos (vendas).Finanças Empresariais CICLO DAS OPERAÇÕES DE EXPLORAÇÃO O ciclo das operações de exploração estende-se desde a aquisição dos materiais destinados ao ciclo de produção. •A quisição dos m ateriais (m atérias-prim as.

numa perspectiva de curto prazo? Companhia Própria – Formação & Consultoria.Finanças Empresariais EXERCÍCIO 1. EXERCÍCIO 1.3 Quais as principais políticas da empresa que se enquadram no âmbito da função financeira. numa perspectiva de médio e longo prazo? EXERCÍCIO 1. Lda 22 .2 Quais as principais políticas da empresa que se enquadram no âmbito da função financeira.1 Comente a seguinte afirmação: “ A função financeira é a mais importante das áreas de uma empresa organização”.

Finanças Empresariais 2 Fontes de Informação Financeira Instrumentos base da análise financeira ENQUADRAMENTO A fundamentação das decisões financeiras obriga à avaliação e interpretação da situação económica e financeira da empresa. tendo em conta o nome da empresa e os diferentes interesses e perspectivas de análise de cada agente. o certo é que não são os únicos a manifestar preocupações desta índole. Que. a saber: o Balanço. serem analisadas à luz de instrumentos e técnicas comuns. como já vimos. Estando os gestores obrigados a acompanhar e a controlar a evolução da empresa e dos seus planos. Muitos outros agentes. a Demonstração de Resultados e a Demonstração de Fluxos de Caixa. Importa pois. sendo que todas elas incidem sobre um reduzido número de documentos base. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Este facto condiciona o gestor no sentido em que deve gerir esta realidade. a rendibilidade dos capitais. Lda 23 . conhecer em pormenor as informações constantes destes documentos para. investidores. pois só assim poderão tomar conhecimento da situação actual e tentar antecipar o futuro. credores. a capacidade de crescimento e o risco. trabalhadores. como fornecedores. Estado e clientes. incide sobre aspectos como o equilíbrio financeiro. mostram um interesse crescente na situação da empresa. posteriormente.

os princípios contabilísticos adoptados em Portugal e o conteúdo do Balanço. resultantes da aplicação de princípios contabilísticos adequados: Relevância. A sua principal qualidade é que seja compreensível aos utilizadores. Lda 24 . mediante a adopção de procedimentos de contabilização consistentes. tendo uma duração ilimitada. entendida como a capacidade de influenciar a tomada de decisão. Companhia Própria – Formação & Consultoria. terá de ser referida em anexo. Fiabilidade. PRINCÍPIOS CONTABILÍSTICOS GERALMENTE ACEITES 1. devendo igualmente satisfazer as seguintes características. 2. Demonstração de Resultados e Demonstração de Fluxos de Caixa. ou seja. Da consistência As políticas contabilísticas de uma empresa perpetuam-se de um exercício para o outro. O timing de relato é de enorme importância. enriquecer a análise ou sustentar a avaliação. CARACTERÍSTICAS DA INFORMAÇÃO FINANCEIRA As demonstrações financeiras devem evidenciar uma imagem verdadeira da posição financeira e do resultado da empresa. Da continuidade A empresa é uma entidade que desenvolve a sua actividade de modo contínuo. liberta de erros materiais e assente na substância e realidade financeira. Sendo a sua preparação da responsabilidade dos gestores. devem permitir a identificação da eficiência da gestão de recursos económicos a todos quantos os interessados nesta informação. Comparabilidade.Finanças Empresariais Este capítulo tem por objectivo apresentar as características que a informação financeira deve ter para efeitos de análise financeira. Não tem como objectivos a respectiva liquidação ou a redução significativa do volume das suas operações. por via da aplicação dos princípios de normalização contabilística. Se houver alguma alteração materialmente relevante. entre diferentes empresas. e ao longo da vida da empresa.

dos custos e perdas e de proveitos e ganhos (demonstração de resultados). Lda 25 . Da prudência Possibilidade de integração nas contas dum grau de precaução mediante a realização de estimativas exigidas em condições de incerteza sem. no entanto. Do custo histórico Os registos contabilísticos devem basear-se em custos de aquisição ou de produção. em valores nominais ou constantes. Da não compensação Separação dos elementos das rubricas do activo e do passivo (balanço). Da especialização (ou do acréscimo) Reconhecimento dos proveitos e dos custos quando obtidos ou incorridos. permitir a criação de reservas ocultas ou provisões excessivas ou a deliberada quantificação de activos e proveitos por defeito ou de passivos e custos por excesso. não as subjugando à sua forma legal.Finanças Empresariais 3. não havendo lugar a encontro de saldos. 7. Companhia Própria – Formação & Consultoria. 5. 8. Da substância sobre a forma Contabilização das operações de acordo com a substância e a realidade financeira. 4. independentemente do seu recebimento ou pagamento. Devem ser incluídos nas demonstrações financeiras dos períodos a que respeitam. 6. Da materialidade As demonstrações financeiras devem evidenciar todos os elementos que sejam relevantes e que possam afectar avaliações ou decisões pelos utentes interessados.

dos fluxos financeiros de exploração e dos fluxos financeiros autónomos. O BALANÇO O Balanço contabilístico expressa a situação patrimonial da empresa – económica e financeira. assim. No Passivo. internos ou externos à empresa (dívidas). Da correspondência de Balanços Sucessivos O balanço de abertura de exercício tem de apresentar os mesmos saldos que o balanço de encerramento do exercício anterior. os resultados acumulados (lucros e prejuízos). O Passivo. 10.Finanças Empresariais 9. as obrigações assumidas para com terceiros. Os Capitais Próprios. Companhia Própria – Formação & Consultoria. e o passivo ou capital alheio e que corresponde ao conjunto de obrigações. Da Recuperação do Custo das Existências As existências finais não devem apresentar-se no Balanço por um valor que não possa ser recuperado com a sua alienação. O Balanço integra os activos. as participações e as reservas constituídas. No Activo surgem todos os bens e direitos da empresa. constituídos pelo conjunto dos bens e direitos. denominados activo total. o capital próprio. Está. Nos Capitais Próprios. numa determinada data. dividido em três grandes naturezas: O Activo. deriva dos fluxos reais. Tem por base critérios de legalidade. É um elemento de visualização estático. o capital social. constituído pelas entradas dos sócios ou accionistas e pelos resultados obtidos. Lda 26 .

Esta é a equação fundamental da contabilidade: Activo Total = Capital Próprio + Capital Alheio Aplicações de Fundos = Origens de Fundos Companhia Própria – Formação & Consultoria. recursos ou financiamentos. em cada momento. como origens de fundos. conjuntamente com o capital alheio ou passivo. Assim. numa óptica financeira. Representação gráfica do balanço financeiro: APLICAÇÕES DE FUNDOS OU INVESTIMENTOS ORIGENS DE FUNDOS OU FINANCIAMENTO A equação fundamental do balanço determina. cuja obrigatoriedade de pagamento aparece inscrita no Passivo. e o capital próprio.Finanças Empresariais Representação gráfica do balanço contabilístico: CAPITAL PRÓPRIO ou ACTIVO SITUAÇÃO LÍQUIDA CAPITAL ALHEIO OU PASSIVO O balanço financeiro considera o activo total como aplicações de fundos ou investimentos. Lda 27 . que o activo total ou o total das aplicações de fundos iguala a soma do capital próprio com o capital alheio ou o total das origens de fundos. o Activo corresponde às Aplicações de Fundos ou ao investimento feito na empresa. reservas e resultados) e Capitais Alheios. Estes bens e direitos são financiados por Capitais Próprios (capital social.

sendo o activo inferior ao passivo. empréstimos concedidos a empresas de grupo ou a terceiros). Grau de Liquidez é a aptidão reconhecida a um activo para se transformar em meios monetários – dinheiro ou equivalente. Imobilizações Corpóreas – são igualmente aplicações com carácter permanente mas. São activos que a empresa não pretende transformar em liquidez mas que utiliza para o exercício da sua actividade (terrenos. A sua liquidez não é imediata. Lda 28 . edifícios. Os investimentos ou aplicações de fundos. a empresa está tecnicamente falida ou insolvente. etc. Companhia Própria – Formação & Consultoria. desta vez. por um período superior a um ano. em activos tangíveis. isto é os capitais próprios investidos assumem valor negativo. licenças.).Finanças Empresariais Dado que as empresas tendem a financiar-se com capitais próprios e alheios é normal que o activo exceda os capitais alheios. Investimentos Financeiros – são aplicações em activos de carácter permanente e de natureza financeira (acções. repartem-se por duas grandes categorias: Activo Fixo. O Activo Fixo compreende: Imobilizado Imobilizações Incorpóreas – aplicações de carácter permanente. Se tal não se verificar. de liquidez reduzida. Activo Circulante. Detendo um grau de liquidez notoriamente superior aos dos grupos anteriores. títulos diversos. A ordem por que se inscrevem as diferentes rubricas homogéneas é pré-determinada pelo POC e resulta para o escalonamento do activo do grau crescente de liquidez das aplicações de fundos. num período. de maior liquidez. trespasses. correspondendo ao activo total. O 1º MEMBRO DO BALANÇO O 1º membro do Balanço corresponde ao Activo. sendo inclusivamente algo duvidosa (despesas de constituição. apenas se consideram aqui os valores cuja liquidação não se perspective no período de um ano (carácter permanente!). equipamento). obrigações. em activos intangíveis.

subsidiárias e de consumo. bem como contemplar regularizações e adiantamentos por conta de compras. Estado ou subscritores de capital. As contas são apresentadas por ordem crescente de exigibilidade. de fundos ou recursos. mas que são proveitos do exercício). Devem encontrar-se deduzidos das respectivas provisões para depreciação. subprodutos. deduzidas das respectivas provisões. O Activo Circulante é decomposto em: Existências . e respeitantes às entidades anteriormente referidas. ou tesouraria. empresas do grupo. Companhia Própria – Formação & Consultoria. resíduos e refugos.são todos os bens armazenáveis: mercadorias. O 2º MEMBRO DO BALANÇO É constituído pelo financiamento. sempre que o preço esteja previamente fixado. São deduzidas. produtos acabados e intermédios. adiantamentos a fornecedores de imobilizado. Respeitam a clientes. deduzidas igualmente das respectivas provisões. Lda 29 . produtos e trabalhos em curso. desperdícios. segundo os mesmos princípios de clareza e homogeneidade. origens correspondendo ao capital próprio e passivo. Títulos Negociáveis – aplicações financeiras de curto prazo. Dívidas de Terceiros a Médio e Longo Prazo – dívidas com liquidação a mais de um ano da data do balanço. Depósitos Bancários e Caixa – é o dinheiro em caixa ou à ordem em instituições de crédito.Finanças Empresariais Amortizações e reintegrações – quantificação da perda observada pelas imobilizações por via da respectiva utilização e/ou desvalorização. matériasprimas. Dívidas de Terceiros a Curto Prazo – dívidas com liquidação a menos de um ano. bem como os meios quase líquidos (depósitos a prazo). Acréscimos e Diferimentos – despesas com custo diferido (feitas no exercício mas que correspondem a custos dos exercícios seguintes) e acréscimos de proveitos (antecipação de receitas a ocorrer em períodos posteriores.

Assim. Prestações suplementares – reforços ao capital inicial. os capitais próprios surgirem em primeiro lugar. Refira-se por exemplo os impostos sobre o rendimento. o 2º membro é composto por: Capitais Próprios Capital social – é o capital disponibilizado pelos sócios ou accionistas. Acréscimos e diferimentos – despesas diferidas (custos do exercício com realização de despesa em exercícios seguintes) e receitas com proveito diferido (receitas do exercício cujo proveito respeita a exercícios posteriores). Quanto menor o prazo. Lda 30 . Dívidas a terceiros de curto prazo – com liquidação a menos de 1 ano da data do balanço. num período. Dividendos antecipados. maior a exigibilidade. certas ou incertas. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Reservas. de montante incerto. São despesas futuras. Passivo Provisões para Riscos e Encargos – integram custos que correspondem a despesas potenciais de exercícios posteriores. Resultados líquidos do exercício. Resultados transitados de exercícios anteriores. Dívidas a terceiros de médio e longo prazo – com liquidação a mais de 1 ano.Finanças Empresariais O Grau de Exigibilidade baseia-se nos diferentes prazos de vencimento dos créditos obtidos e informa da sua crescente exigibilidade. daí. a partir da data do balanço. Prémios de emissão de acções.

São duas as formas consagradas no POC: Por natureza. por seu lado. complementa esta perspectiva. A demonstração de resultados permite avaliar o desempenho económico. de elaboração da Demonstração de Resultados A DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS POR NATUREZA A demonstração de resultados por natureza agrega os proveitos e custos em grupos de idêntica natureza. ou seja. Por funções. a demonstração de resultados. Deste modo são apurados os seguintes valores em função das principais naturezas de resultados: O Resultado Operacional é o que advém da diferença entre proveitos e custos operacionais: Resultados Operacionais Operacionais = Proveitos Operacionais – Custos O Resultado Financeiro obtém-se pela subtracção dos custos aos proveitos financeiros: Resultados Financeiros = Proveitos Financeiros – Custos Financeiros Companhia Própria – Formação & Consultoria.Finanças Empresariais A DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS LÍQUIDOS Se nos referimos ao Balanço como sendo o documento que apresenta a situação financeira da empresa numa determinada data. usualmente entre dois balanços. dos capitais investidos. a rendibilidade das vendas. e a eficiência económica. Ao fazer a síntese dos custos e dos proveitos. evidenciando a formação dos resultados num determinado período. dá-nos indicação da proveniência e composição do resultado apurado em cada exercício. Lda 31 . homogeneamente agrupados.

Lda 32 . diferenças de câmbio extraordinárias e outras.Finanças Empresariais O Resultado Corrente é a adição do resultado operacional com o financeiro: Resultados Financeiros Correntes = Resultados Operacionais + Resultados A diferença entre proveitos e ganhos em alienação de imobilizações. e custos extraordinários. . corresponde ao Resultado Extraordinário: Resultados Extraordinários = Proveitos e Ganhos Ext. O Resultado Antes de imposto resulta da adição dos resultados extraordinários aos resultados correntes: Resultado Antes de Imposto = Resultados Correntes + Resultados Extr. como dívidas incobráveis ou perdas com alienação de imobilizações. Resultado Líquido do Exercício = Resultado Antes de Impostos Imposto Companhia Própria – Formação & Consultoria.Custos e Perdas Extr. O Resultado Líquido do exercício é sempre considerado após a aplicação do imposto sobre o rendimento.

de acordo com a estrutura clássica das funções da empresa – produção. A demonstração por natureza é. não é possível a utilização da demonstração de resultados por funções na análise e gestão financeira. os esquemas de contabilidade preconizados no POC não possibilitam a obtenção deste documento.Finanças Empresariais Exemplo de demonstração financeira por natureza: A DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS POR FUNÇÕES Neste caso. os custos e os proveitos são agrupados por funções. a mais utilizada. Lda 33 . etc. por isto. No entanto. pelo que. na ausência de contabilidade analítica. Companhia Própria – Formação & Consultoria. distribuição administrativa e financeira.

Lda 34 . permite-nos tomar conhecimento do modo como as empresas geram e utilizam o dinheiro num determinado período. de acordo com os três ciclos de actividades da empresa: Ciclo Operacional. de publicação obrigatória para algumas empresas desde 2003. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Ciclo de Financiamento.Finanças Empresariais Exemplo de demonstração financeira por funções: A DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA Este documento. como vimos no capítulo anterior. Ciclo de Investimento. Os fluxos de caixa são classificados.

ignora o modo de ajustamento dos principais fluxos financeiros. avaliando activos e contrapondo-lhe dívidas e compromissos. Lda 35 .Finanças Empresariais A Demonstração de Fluxos de Caixa pode ser elaborada através de duas metodologias: Método Directo. a óptica contabilística. em cada momento. Estas diferenças conceptuais advêm do facto de a contabilidade ter por objectivo apurar e demonstrar o crescimento do capital da empresa – resultado líquido – em termos históricos. Para desenvolver o fluxo de caixa pelo método directo. porque o princípio adoptado é. Nem sempre reflectem valores actuais. a partir dos resultados líquidos da empresa são efectuados os ajustamentos necessários aos resultados. isto é manifestamente insuficiente. no âmbito do qual. Sendo. EQUILÍBRIO E LIMITAÇÕES DOS DOCUMENTOS DE CONTABILIDADE Já concluímos que toda e qualquer análise ou controlo de natureza financeira tem de recorrer a um conjunto de documentos concebidos numa óptica distinta. sendo revelados os principais componentes dos recebimentos e pagamentos. na perspectiva duma análise e gestão financeira. A título indicativo. portanto. Porquanto. Método Indirecto. fontes limitadas para um correcto conhecimento da realidade e uma gestão eficaz da empresa. não facultando o conhecimento e verificação das condições de equilíbrio e normal funcionamento da empresa. Companhia Própria – Formação & Consultoria. pois. Qualquer dos métodos pretende demonstrar a forma como a empresa gerou os valores em Caixa e equivalentes. podemos referir algumas das principais limitações dos documentos contabilísticos e que são: Apesar de o registo da desvalorização do imobilizado ser uma prática contabilística corrente. O método indirecto pode ser efectuado a partir das informações contabilísticas tradicionais – balanço e demonstração de resultados. o do registo pelo custo histórico. de modo a que do conjunto resulte o fluxo das actividades operacionais. já a sua revalorização tende a ser ignorada. de modo a que todos os movimentos por “caixa e equivalentes tenham uma classificação própria de identificação. medindo o património líquido. por regra. será necessária uma organização contabilística própria.

pressupostos. o activo humano.Finanças Empresariais Algumas das contas contabilizam estimativas. normalmente fiscais.3 Qual a contribuição da contabilidade analítica para a análise da demonstração de resultados? Companhia Própria – Formação & Consultoria. a carteira de clientes fidelizados. O significado económico e financeiro das peças contabilísticas é muitas vezes mitigado por imperativos de outra ordem. sempre dúbios (caso das provisões). EXERCÍCIO 2. São omitidas muitas rubricas devido à sua difícil valorização. o valor da imagem. assentes em A adopção de diferentes critérios valorimétricos provoca normalmente diferenciações entre empresas. Os resultados englobam certas componentes que não correspondem a fluxos financeiros. EXERCÍCIO 2. A título de exemplo.2 Os acréscimos e diferimentos são uma conta do Activo ou do Passivo? Justifique. cujo caso mais evidente são as amortizações. etc… EXERCÍCIO 2. Lda 36 .1 O que entende por grau de exigibilidade? De que forma afecta o balanço.

Finanças Empresariais 3 Preparação para Análise Arrumação e ajustamento das peças contabilísticas ENQUADRAMENTO Vimos. recorrendo a técnicas apropriadas. no capítulo anterior. Efectivamente. Companhia Própria – Formação & Consultoria. torna-se necessário efectuar a sua preparação numa perspectiva essencialmente financeira. Lda 37 . Só então poderá iniciar-se. Assim. com vista à melhor e mais adequada interpretação da situação das empresas. extrair informações relevantes sobre a situação financeira da empresa. passando-os de uma perspectiva contabilística formal para uma perspectiva puramente financeira. de forma a destacar os elementos que permitam. que os balanços e demonstrações de resultados são os documentos contabilísticos de base para a análise financeira. a análise financeira. Neste capítulo serão tratadas as técnicas de ajustamento das peças contabilísticas e os procedimentos para transformar o balanço contabilístico no balanço funcional. e dadas as suas conhecidas limitações. No entanto. verdadeiramente. a tarefa de preparação dos elementos para análise financeira evolve a transformação dos documentos de síntese obtidos. os mesmos deverão ser alvo duma preparação específica para uma análise financeira mais adequada.

e numa óptica de exigibilidade para o capital próprio e passivo. Como vimos.Finanças Empresariais BALANÇO FUNCIONAL O Balanço contabilístico e fiscal. este mapa está estruturado do seguinte modo: ACTIVO Direitos de Propriedade e de Crédito sobre Terceiros CAPITAIS PRÓPRIOS Património Líquido CAPITAIS ALHEIOS Obrigações e Deveres para com Terceiros APLICAÇÕES ORIGENS Activo Fixo Imobilizações CAPITAIS PRÓPRIOS DÍVIDAS A MÉDIO E LONGO PRAZO (+ 1 ano) ACTIVO CIRCULANTE Existências Dívidas de Terceiros Disponibilidades DÍVIDAS A CURTO PRAZO ( . que foi apresentado no capítulo anterior. é também denominado por patrimonial e assenta na óptica jurídica da contabilidade. para os membros do activo. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda 38 .1 ano) Esta última representação passa pela organização da suas rubricas numa óptica de liquidez.

que envolve a obtenção de fundos estáveis para o financiamento dos activos permanentes. a imagem da empresa em determinada data. é. Recapitulemos o significado dos três ciclos: Ciclo de Investimento Engloba todas as decisões e actividades relacionadas com a análise e selecção de investimentos e desinvestimentos a efectuar. Ciclo de Exploração Corresponde a todas as decisões e actividades correntes da empresa que estão na base do valor gerado pela mesma. mercadorias ou serviços. financeiro. operacional e estratégico. o ciclo das operações de capital. as aplicações e recursos relacionados com os ciclos financeiros da empresa. Transpondo a associação dos ciclos da empresa ao balanço contabilístico de uma forma gráfica. que. ou seja. independentemente sua natureza jurídica. Surge assim o conceito de Balanço Funcional. teremos: Companhia Própria – Formação & Consultoria. Daqui se infere que serão as operações deste ciclo a determinar o volume das imobilizações existentes. para terminarem na comercialização de produtos. Pode ser dividido em dois sub-ciclos. considerada limitada. que incide sobre a análise comparativa de períodos sequenciais. Do aprovisionamento de matérias. ou balanço financeiro ajustado. O Balanço Funcional. Como já vimos. o ciclo financeiro corresponde ao resultado financeiro das políticas da empresa adoptadas aos diferentes níveis. tem por objectivo reproduzir.Finanças Empresariais Dada a necessidade de se conhecer o equilíbrio funcional das origens e aplicações da empresa. mercadorias e produtos. e o ciclo das operações de tesouraria. que visa a cobertura financeira de curto prazo através da gestão optimizada das disponibilidades. a perspectiva da análise patrimonial tradicional. Ciclo das Operações Financeiras Neste ciclo são consideradas todas as decisões e actividades relacionadas com a obtenção dos fundos necessários para a realização dos investimentos (ciclo de investimento) e garantia das necessidades de financiamento do ciclo de exploração. Lda 39 . nos permite aferir da condição de equilíbrio funcional das origens e aplicações da empresa. passando pela produção. partindo do balanço contabilístico e considerando o ciclo financeiro da empresa introduzido no primeiro capítulo. actualmente.

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Ciclo

Aplicações

Recursos Recursos próprios ou recursos alheios estáveis Recursos cíclicos Tesouraria passiva

Ciclo

Investimento

Aplicações de investimento ou Activo Fixo Necessidades cíclicas Tesouraria activa

Operações de capital

Exploração
Operações de tesouraria

Exploração Operações de tesouraria

Em termos práticos, a apresentação mais comum do balanço funcional é a seguinte:
Balanço Funcional
Descrição Capital Próprio Passivo médio/longo prazo CAPITAIS PERMANENTES Activo Fixo FUNDO DE MANEIO Clientes Existências Outros Devedores de Exploração APLICAÇÕES CÍCLICAS Fornecedores EOEP Outros Credores de Exploração ORIGENS CÍCLICAS FUNDO DE MANEIO NECESSÁRIO TESOURARIA LÍQUIDA 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

DO BALANÇO CONTABILÍSTICO AO FUNCIONAL
Partindo da contabilidade e para efeito de análise mais dinâmica, o nosso novo balanço funcional sintético deve enquadrar as rubricas, que a seguir se descriminam, para melhor compreensão.

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Activo fixo O activo fixo compreende, como já foi referido, os activos com permanência superior a um ano, como as imobilizações corpóreas e incorpóreas, os investimentos financeiros e as dívidas de médio e longo prazo. Sempre que se perspectivar uma permanência superior a um ano para as contas de empréstimos a outras empresas do mesmo grupo ou a accionistas e sócios, estas devem ser consideradas neste agrupamento. Também as dívidas de terceiros não resultantes da exploração devem ser consideradas no activo fixo, pressupondo-se a sua origem em decisões de carácter estratégico ou estritamente financeiro. Uma prática comum, é a de abater aos capitais próprios o valor das imobilizações incorpóreas, uma vez que é geralmente difícil transformá-las em liquidez imediata, sobretudo quando resultam de custos capitalizados.

Necessidades cíclicas As necessidades ou aplicações cíclicas englobam as contas que resultam das decisões do ciclo de exploração e que implicam necessidades de financiamento. Decompõem-se do seguinte modo: Relativamente às Existências deve-se começar por garantir sua a comparabilidade ao longo do horizonte temporal da análise, verificando a consistência dos critérios de valorização aplicados. Todo o stock existente deve ser considerado, se possível por via da verificação física. No caso de serem identificados aprovisionamentos estratégicos, ou os chamados monos, ambos devem ser expurgados e levados a Activo Fixo. A sua apresentação deve ser feita de acordo com a decomposição preconizada pelo POC. No seguimento do ajustamento dos aprovisionamentos estratégicos, também os Adiantamentos por conta de compras respectivos devem ser considerados no Activo Fixo, sendo deduzidos às existências. O tratamento das contas de Clientes para análise financeira implica, para além da sua subdivisão em conformidade com o POC, a consideração das letras descontadas não vencidas, pois continuam a dizer respeito a necessidades de financiamento de exploração, sendo relevantes para o apuramento do verdadeiro valor de crédito concedido a clientes.

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Tesouraria activa Na tesouraria activa devem ser considerados todos os activos líquidos ou quase líquidos, nomeadamente, os Depósitos Bancários, Caixa, Títulos Negociáveis, Despesas de Custo Diferido, Diferimento de Receitas e Outros Devedores. No que aos ajustamentos diz respeito, sobressai a consideração neste agrupamento da conta de Subscritores de Capital, que se pressupõe relativa a capital subscrito realizável a curto prazo. No entanto, dado que não representa uma origem real de fundos, aquando da análise de rendibilidade o seu valor deverá ser deduzido aos capitais próprios. Capitais Permanentes São constituídos pelos capitais próprios e pelo capital alheio estável. Capitais próprios Os capitais próprios a considerar no balanço funcional devem reportar-se aos fundos colocados à disposição da empresa, pelo que devem ser expurgados de contas que não constituam uma origem real de fundos, como por exemplo as Partes de capital por realizar e os Resultados a ser distribuídos. Capital alheio estável As dívidas de médio e longo prazo fazem parte dos capitais que estão permanentemente à disposição da empresa. Por vezes também existem dívidas de curto prazo com carácter de estabilidade, no sentido em que se renovam, que também devem ser consideradas enquanto capital alheio estável, é o caso de alguns empréstimos bancários ou empréstimos obrigacionistas. Claro está que não nos referimos às resultantes do ciclo de exploração, essas são recursos cíclicos, como veremos de seguida. Recursos cíclicos Os Recursos cíclicos, ou Origens cíclicas, agrupam as contas referentes as recursos financeiros gerados por decisões relacionadas com o ciclo de exploração da empresa. Como por exemplo: Adiantamentos por conta de vendas; Fornecedores, nas suas várias subrubricas: fornecedores c/c, facturas em recepção e conferência e títulos a pagar;

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plena de subjectividade. e nem sempre fácil de obter: classificação dos custos em variáveis e fixos. 200... Daí que muitas vezes se trabalhe com um nível de detalhe mais reduzido. Lda 43 . será particularmente difícil apurar os custos directos e indirectos de cada actividade a partir da tradicional imputação contabilística.. Companhia Própria – Formação & Consultoria. É o caso das rendas de locação financeira (as imediatas) e as letras descontadas não vencidas. particularmente útil no estudo da rendibilidade de exploração. Sempre que se verificar a existência de qualquer dívida em atraso ou mora. a mesma deve ser classificada como Tesouraria Passiva. onde figuram as dívidas ao Estado.. A Tesouraria passiva representa o passivo imediato ou quase imediato. quanto maior for o nível de detalhe obtido mais facilitado resultará o controlo de gestão. Tesouraria passiva É o Passivo Imediato ou quase resultante de decisões de financiamento.Finanças Empresariais Estado e outros entes públicos. Procura-se então trabalhar com uma demonstração de estrutura semelhante à exposta: Rubricas + = = + = + = = Vendas Custos Variáveis Margem de Contribuição Custos Fixos Resultados Operacionais Resultados Financeiros Resultados Correntes Resultados Extraordinários Resultados Antes de Im postos Impostos sobre o Rendimento Resultado Líquido 200. 200. resultantes de impostos que não o IRC. como veremos mais adiante. Neste sentido. que constituem efectivas fontes de financiamento da actividade da empresa. No caso da inexistência de contabilidade analítica.. Esta conta constitui um recurso em função dos prazos de pagamento legalmente fixados. sendo crucial o conhecimento das suas origens e evolução. resultante de decisões de financiamento extra-exploração.. A DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS FUNCIONAL O acompanhamento dos custos é um dos aspectos fundamentais da gestão da empresa. Esta classificação será.

104 Introdução ao e-learning .

responsáveis pela gestão. na medida em que permitem sintetizar volumes abundantes de informação e estabelecer uma base de comparação do seu desempenho económico e financeiro das empresas e a sua evolução no tempo. etc. serão aqueles que foram definidos pelos interessados. em função do seu objectivo e campo de análise. As realidades e os fenómenos a acompanhar e estudar podem ser de natureza diversa – financeira.. Por isso. muito embora não encerrem em si as respostas que procuramos. ponderando o seu conhecimento sobre o sector e a empresa em causa. TIPOS DE RÁCIOS São inúmeras as relações que se podem construir. técnica. Lda 44 . que estabelecem relações entre contas e agrupamentos de contas do Balanço e da Demonstração dos Resultados. a informação disponível. bancos. etc. económico-financeira. obtendo-se por esta via maior eficiência para a realização de comparações entre períodos diferentes e/ou diferentes empresas. Companhia Própria – Formação & Consultoria. pois estas extravasam o campo quantitativo de análise para a perspectiva qualitativa da gestão. analistas financeiros. Constituem um importante instrumento de apoio à análise e gestão de empresas. ajudam-nos a questionar diversos aspectos e realidades da empresa. económica. Sendo utilizados pelos diversos agentes. sociedades financeiras entre outros. os rácios ideais.Finanças Empresariais 4 Método dos Rácios Uma técnica base ENQUADRAMENTO Os rácios são medidas relativas.

as margens e a capacidade de autofinanciamento. que apreciam aspectos como a estrutura financeira. na próxima secção. Assim. é usual classificar os rácios de acordo com a natureza dos fenómenos que estes pretendem revelar: Rácios financeiros. o prazo médio de pagamentos ou a duração média de existências. Companhia Própria – Formação & Consultoria. e que abordam aspectos centrais em termos de análise e gestão. As centrais de balanços e outras bases de dados existentes permitem-nos apurar rácios sectoriais. dos quais podemos mencionar o prazo médio de recebimentos. No fundo. debruçar-nos sobre alguns rácios. Rácios económico-financeiros. como a rendibilidade de capitais. Os determinados a partir de orçamentos ou previsões são orçamentais. capacidade de endividamento e solvabilidade da empresa. são exemplos o rendimento do equipamento e a produtividade da mão-deobra. Rácios de funcionamento. Vamos. que evidenciam aspectos relacionados com a situação da empresa. que abordam áreas como a produção e a actividade da empresa. como a estrutura de custos e de proveitos. Rácios técnicos. que agregam fenómenos mistos. Rácios económicos. Outra classificação comum dos rácios prende-se com as fontes de informação nas quais se baseiam. sendo por isso muito utilizados no âmbito da análise de crédito. os resultantes de documentos contabilísticos históricos são designados de rácios efectivos ou reais. Lda 45 . que traduzem a gestão do ciclo de exploração em termos financeiros. incidem sobre as dívidas que a empresa contraiu e o seu impacto na sua actividade.Finanças Empresariais Ainda assim. RÁCIOS DE ALAVANCA FINANCEIRA E RISCO Identificam o risco em que se incorre caso se conceda crédito à empresa. normalmente expressos em unidades físicas. a rotação do activo e a rotação das vendas. tidos como os mais comuns.

o activo não tem capacidade para responder pelas dívidas a pagar. apurando-se o nível endividamento estrutural: Companhia Própria – Formação & Consultoria. Os dois rácios apresentados são complementares.Finanças Empresariais Endividamento Determina o nível da utilização de capital alheio por parte da empresa no financiamento da sua actividade. Tal como os rácios anteriores revela o grau de independência da empresa em relação aos seus credores. O grau de autonomia varia em consequência da variação do Capital Alheio e/ou do Capital Próprio. revelando autonomia para com os seus credores. Para valores inferiores a um. Rácio de Endividamento = Passivo Activo Autonomia Financeira Mostra em que proporção a empresa utiliza os meios próprios que estão á sua disposição. que pondera os capitais alheios pelos capitais próprios: Debt to equity = Passivo Capital Próprio Um procedimento usual é considerar apenas as responsabilidades a médio e longo prazo. Autonomia Financeira = Capitais Próprios Activo Solvabilidade Traduz a capacidade da empresa em fazer face aos compromissos a médio e longo prazo. Lda 46 . Solvabilidade = Activo Passivo Outra métrica muito comum do endividamento é o rácio Debt to Equity. Para valores elevados poder-se-á afirmar que a empresa tem uma boa solvabilidade.

a tesouraria da empresa sofre maior ou menor pressão causada por um peso elevado de endividamento de curto prazo. Cobertura dos Encargos Fin. mas também as Amortizações e Provisões. estes rácios são bastante utilizados pelos analistas de crédito. Serviço da Dívida Período de Recuperação da dívida Este indicador constitui uma estimativa do número de anos que a empresa levará para poder liquidar as suas dívidas. Cobertura do Serv. aproximando-se assim dos fluxos libertos pela exploração. Lda 47 . = Resultados Operacionais Encargos Financeiros Numa perspectiva ligeiramente diferente surge o rácio de Cobertura do Serviço da Dívida que considera para além dos encargos financeiros o próprio reembolso do financiamento. Mais uma vez. Período de Recuperação da Dívida = Empréstimos em Dívida Autofinanciamento Companhia Própria – Formação & Consultoria. por exemplo. Estrutura de Endividamento = Capitais Alheios MLP Capitais Alheios Cobertura dos Encargos Financeiros São métricas do grau com que as operações da empresa conseguem cobrir os encargos associados ao seu financiamento.Finanças Empresariais Rácio de Endividamento a MLP = Passivo Médio e Longo Prazo Activo Para podermos aferir. Assim. sendo. + Prov. recorre-se ao rácio de Estrutura do Endividamento. por isso. não do nível de endividamento. da Dívida = Res. + Amort. essencialmente um elemento de antevisão. podemos verificar se. Oper. Este rácio também pode ser calculado considerando não só os Resultados Operacionais. mas da sua forma.

Operacionais = R. dívidas de curto prazo. Oper. das existências nos capitais circulantes. Lda 48 .Finanças Empresariais O autofinanciamento corresponde à soma dos Resultados Líquidos com as Amortizações e reforço de Provisões do exercício. que pondera aquilo que a empresa transforma em dinheiro no prazo de 1 ano (disponibilidades. pelo facto de corresponderem a diferenças. Rácio de Liquidez Geral = Activo de Curto Prazo Passivo de Curto Prazo Liquidez Reduzida A Liquidez Reduzida é um rácio complementar do anterior. Operacionais RÁCIOS DE LIQUIDEZ A liquidez da empresa depende não só da relação entre os montantes dos capitais circulantes e do exigível a curto prazo. medidas muito pouco efectivas para comparações entre vários períodos ou empresas. títulos. Variabilidade dos R. (n) – R. também frequentemente designado de Rácio de Tesouraria. portanto. sendo. mas também dos prazos de disponibilização dos primeiros e de exigibilidade dos segundos. (n-1) Média R. normalmente elevado. daí que se recorram aos seguintes rácios para avaliar a liquidez duma empresa. Companhia Própria – Formação & Consultoria. pois sempre que aqueles se mostrem bastante reduzidos. existências) pelas responsabilidades que a empresa terá de assumir nesse mesmo período. e que expurga o peso. Conceitos como o Fundo de Maneio Necessário e Tesouraria Líquida apresentam uma limitação básica. o risco será tanto maior quanto maior for a variabilidade dos resultados. Um indicador complementar aos rácios de cobertura da dívida e serviço da dívida é o rácio da Variabilidade dos Resultados Operacionais. Oper. Liquidez Geral A Liquidez Geral é a designação de um rácio muito utilizado.

Lda 49 . a Liquidez Imediata dá-nos a cobertura do passivo circulante pelas Disponibilidades. obtemos diferentes noções de rendibilidade das vendas: Margem de Contribuição das Vendas Margem de Contrib. Rácio de Liquidez Imediata = Disponibilidades Passivo de Curto Prazo RÁCIOS DE RENDIBILIDADE São vários os indicadores que estabelecem relações entre os resultados e as vendas ou os capitais próprios. Operacional das Vendas = Resultado Operacional Vendas Companhia Própria – Formação & Consultoria.Existências Passivo de Curto Prazo A comparação destes dois rácios permite ponderar a influência da política de stocks na liquidez da empresa. De realçar que um valor muito elevado deste rácio não se coaduna com uma gestão financeira eficiente. RENDIBILIDADE DAS VENDAS A análise deste primeiro rácio permite-nos conhecer a margem que as vendas estão a produzir e como tem evoluído essa margem. claro que quanto mais elevado é o valor do rácio maior é a contribuição de cada unidade vendida para a formação do resultado. Em função de diferentes numeradores. Vendas = Margem de Contribuição Vendas Rendibilidade Operacional das Vendas Rend. Liquidez Imediata Por fim.Finanças Empresariais Rácio de Liquidez Reduzida= Activo Circulante .

Rend. Rendibilidade do Activo = Resultado Operacional Activo Uma ligeira variação deste rácio. independentemente da sua origem. Avalia a totalidade dos capitais afectos à empresa. quando comparado com o custo do capital alheio verificar-se-á de que forma o endividamento influência a rendibilidade dos capitais próprios. maior é a capacidade de autofinanciamento e portanto mais forte e rapidamente pode melhorar a solvabilidade da empresa. Rendibilidade do Activo A Rendibilidade do Activo é utilizada quando se pretende isolar a noção de eficiência das políticas financeiras adoptadas pela empresa e que estão presentes no rácio de Rendibilidade dos Capitais Próprios. Companhia Própria – Formação & Consultoria. o indicador de eficiência privilegiado por investidores. bem como face ao custo normalmente associado às fontes de financiamento. Lda 50 . por excelência. permite-nos obter um melhor termo de comparação entre empresas e relativamente às técnicas de análise de projecto de investimentos. sócios e accionistas. dos Capitais Próprios = Resultado Líquido Capital Próprio Quanto mais elevado o valor deste rácio. Assim. uma vez que o valor do indicador é independente da estrutura de financiamento. Líquida das Vendas = Resultado Líquido Vendas RENDIBILIDADE DOS CAPITAIS PRÓPRIOS Este rácio é. O seu valor é directamente comparável às taxas de rendimento de outras oportunidades de investimento.Finanças Empresariais Rendibilidade Líquida das Vendas Rend. que considera os resultados operacionais depois de impostos.

das políticas de gestão de stocks. obriga a cuidados redobrados. e porque os modelos de negócio e seu funcionamento variam de forma significativa consoante o seu sector específico. Rotação do Activo Indica o grau de utilização dos activos. de forma integrada. Rotação do Activo = Vendas Activo Rotação das Existências É mais um indicador de eficiência da gestão. só fazendo sentido dentro do mesmo modelo de negócio ou sector. essencialmente. No entanto. o funcionamento no limiar da capacidade instalada. analisar a eficiência da gestão quanto às decisões sobre os recursos aplicados. o deficiente aproveitamento da mesma. Rotação das Existências = Vendas Existências Médias Duração Média das Existências Companhia Própria – Formação & Consultoria. no sentido de não desvirtuar a análise pela existência de valores anormais ou de intempestivas decisões de curto prazo. ou de rotação. Lda 51 . e quando de valor reduzido.Finanças Empresariais Rendibilidade do Activo * = Resultado Operacional x (1 – t) Activo RÁCIOS DE FUNCIONAMENTO São indicadores que permitem. se muito elevado. a comparabilidade destes indicadores é limitada. pois valores elevados podem estar relacionados com correntes rupturas de stocks. rácios expressos em dias. Podendo indiciar. neste caso. Por outro lado. pelo que deveremos considerar sempre que possível valores médios. São.

o Prazo Médio de Pagamentos (PMP) traduz o grau de financiamento dos fornecedores. maioritariamente. naturalmente. Prazo Médio de Recebimentos = Saldo médio Clientes (Vendas + Prest. são utilizados outros dois indicadores. não nos podemos esquecer que em muitos casos. as empresas que vendem. mas também na elaboração de projecções financeiras. bem como a eficiência nas cobranças ou a celeridade com que estes regularizam as suas contas. No entanto. Prazo Médio de Recebimentos Este rácio traduz o poder negocial da empresa junto dos seus clientes. Valores elevados são. Este conjunto de indicadores é de extrema importância. Pelo peso significativo que detêm sobre a liquidez da empresa. mas em dias do ciclo de exploração. bem como as dificuldades de pagamento da empresa e/ou poder negocial dos fornecedores.) * (1+IVA) X 365 Prazo Médio de Pagamentos Por contrapondo com o rácio anterior. para grandes superfícies. Serv. estes resultam de práticas instaladas no sector. o Prazo Médio de Recebimento e o Prazo Médio de Pagamentos. não em termos de rotação. desfavoráveis para a empresa. é conveniente seguir o seu comportamento através da análise periódica da sua variação. Prazo Médio de Pagamentos = Saldo médio Fornecedores Compras * (1+IVA) X 365 Companhia Própria – Formação & Consultoria. daí a importância do enquadramento da empresa no seu contexto específico.Finanças Empresariais Outra forma de avaliar esta perspectiva. Veja-se. Lda 52 . passa pelo rácio de Duração Média das Existências: Duração média das Existências = Existências médias Custo dos Stocks X 365 Ainda no âmbito da análise do ciclo de exploração da empresa. a título de exemplo. pois será natural que não exista capacidade financeira para suportar o respectivo impacto. não só no contexto da análise financeira. Antes de se conceder maior nível de crédito aos clientes é necessário analisar as consequências dessas acções sobre a liquidez da empresa.

pois estes não encerram em si as respostas que procuramos. As diferentes práticas contabilísticas entre empresas. Os documentos contabilísticos a partir dos quais se determinam muitos dos rácios centrais.Finanças Empresariais LIMITAÇÕES DO RÁCIOS Já alertámos para o facto de ser obrigatório efectuar uma utilização cuidada dos rácios e sua interpretação. não reflectindo a inflação. merecem destaque os seguintes aspectos: Os rácios descuram os factores qualitativos. de provisão e de capitalização de custos. nomeadamente ao nível das políticas de valorização. por si só. Se não formos prudentes. como a qualidade dos técnicos. de amortização. a sua leitura individualizada. podem ser significativamente “viciados” pela gestão de curto prazo. nada nos permite concluir. Companhia Própria – Formação & Consultoria. dificultam a comparação de diferentes entidades ou a consideração de indicadores sectoriais. corremos o risco de chegar a conclusões erróneas ou. Neste sentido. pelo menos. sendo comuns as situações em que diferentes indivíduos chegam a valores distintos de um mesmo rácios para uma única realidade. Qualquer rácio deve ser interpretado no contexto em que se insere o fenómeno em causa. não sustentadas e de pouco significado para a análise e gestão. A comparação entre diferentes períodos é penalizada pelo facto de a contabilidade privilegiar os custos históricos. baseando-se em aspectos meramente quantitativos. a capacidade e motivação dos gestores. A própria forma de cálculo dos rácios não está harmonizada. Lda 53 .

Lda 54 . A SITUAÇÃO ECONÓMICA E A RENDIBILIDADE DE EXPLORAÇÃO O estudo da situação económica tem como objectivo fornecer conceitos e técnicas que permitam a análise económica da empresa através do estudo da sua rendibilidade. procurando assim determinar em que medida os recursos Companhia Própria – Formação & Consultoria.Finanças Empresariais 5 Rendibilidade e Risco Perspectivas operacional e financeira ENQUADRAMENTO A análise da situação económica e financeira da empresa pressupõe que os documentos contabilísticos se encontrem certificados e arrumados. Neste capítulo teremos a oportunidade de analisar detalhadamente a rendibilidade de exploração e a rendibilidade dos capitais investidos. de que forma o risco global da empresa pode ser quantificado em níveis de risco económico e risco financeiro. os elementos de base são constituídos pelas demonstrações financeiras. essencialmente. No entanto a análise financeira é baseada. Veremos também como a rendibilidade da empresa é afectada pelos mecanismos de alavanca e. e a forma como se relacionam. de acordo com os princípios de preparação das peças contabilísticas estudadas nos capítulos anteriores. no Balanço e a análise económica principalmente na Demonstração de Resultados. Tanto na análise económica como na financeira.

O estudo da rendibilidade (económica) de exploração atende aos factores que intervêm na sua actividade normal. pelo menos. não se considerando os resultados de outras actividades nem os montantes dos capitais investidos. obriga à agregação dos resultados consoante o objectivo a atingir. Lda 55 . pretende-se medir a eficiência da utilização quer dos meios financeiros postos à disposição quer dos recursos económicas utilizados na sua exploração. a empresa tem viabilidade. por esta ordem de prioridade. Surge assim o estudo da rendibilidade dos capitais investidos e o estudo da rendibilidade de exploração. RE = Proveitos de exploração . o nível de rendibilidade da empresa deve ser o suficiente para. através da agregação de rubricas da Demonstração de Resultados podemos obter um conjunto variado de indicadores: RESULTADOS DE EXPLORAÇÃO (RE) Este indicador serve o objectivo de medir a capacidade da empresa para gerar resultados provenientes da exploração. crescimento e satisfação dos interesses das pessoas e entidades com que se relaciona ou que nela participam. Assim. o respectivo nível de endividamento. em termos de exploração. a análise da rendibilidade de exploração não tem em consideração a situação financeira da empresa e.Custos de exploração Quando este resultado é positivo diz-se que. Os objectivos da empresa podem ser resumidos à sobrevivência. Companhia Própria – Formação & Consultoria. ou da sua actividade normal.Finanças Empresariais postos à disposição da empresa são (ou não) eficientemente utilizados de forma a atingir os seus objectivos. OS PRINCIPAIS INDICADORES ECONÓMICOS O estudo da situação económica e a necessidade de medir a eficiência da empresa a diferentes níveis. assegurar a manutenção do capital e o reembolso e remuneração dos capitais alheios utilizados. consequentemente. Assim. Assim. Ao analisar-se a rendibilidade da empresa.

Esta medida determina a capacidade da empresa.Finanças Empresariais RESULTADO ECONÓMICO (RAJI) O Resultado Económico ou Resultado Antes de Juros e Impostos . após ter remunerado os seus sócios ou accionistas. RL = RAI – Imposto sobre o rendimento RESULTADOS LÍQUIDOS RETIDOS (RLR) Os Resultados Líquidos Retidos serão equivalentes ao Resultado Líquido sempre que a empresa decidir não distribuir dividendos pelos seus sócios ou accionistas. RAJI = RE + Outros proveitos – Outros custos RESULTADO ANTES DE IMPOSTOS (RAI) O RAI permite determinar os efeitos da situação financeira da empresa sobre os resultados das suas actividades. Lda 56 . sempre que o objectivo for o de medir a capacidade da empresa em gerar meios. excluindo os efeitos da situação financeira e fiscal. RLR = RL – Dividendos MEIOS LIBERTOS Como no apuramento dos resultados são considerados custos que não correspondem a pagamentos. chegamos aos resultados líquidos da empresa. através do autofinanciamento. RAI = RAJI + Proveitos financeiros – Custos financeiros RESULTADO LÍQUIDO (RL) Ao considerarmos os efeitos da fiscalidade. Companhia Própria – Formação & Consultoria. caso das amortizações e das provisões. em reter resultados que contribuam para o seu autofinanciamento.RAJI – obtém-se adicionando ao Resultado de Exploração os resultados obtidos nas restantes actividades. surge a necessidade de agregar de forma diferente as rubricas da demonstração de resultados. que nos permitem aferir da sua capacidade para remunerar o capital próprio investido e garantir o seu desenvolvimento. Determinam-se então os Meios Libertos.

Dividendos Os MLLR permitem o crescimento das aplicações de fundos sem que a empresa tenha de recorrer a capitais alheios ou pressionar a tesouraria. MEIOS LIBERTOS LÍQUIDOS (MLL) Correspondem ao nível dos meios libertos para manter a integridade do seu capital e de remunerar os capitais próprios. Lda 57 . Companhia Própria – Formação & Consultoria. o crescimento da empresa e a amortização do capital alheio e de dívidas ao Estado. bem como a devida remuneração dos capitais investidos (dividendos – capitais próprios. relativamente aos MLB. Por esta razão. MLLR = MLL . MEIOS LIBERTOS LÍQUIDOS RETIDOS (MLLR) Por fim.Finanças Empresariais São vários os conceitos de meios libertos: MEIOS LIBERTOS BRUTOS (MLB) Correspondem aos resultados económicos gerados na empresa adicionados dos custos suportados no exercício mas que não originaram pagamentos (custos não desembolsáveis). MLL = RL + Amortizações + Provisões Consideram. sendo por isso usualmente designado de AUTOFINANCIAMENTO. custos financeiros – capitais alheios). MLB = RE + Amortizações + Provisões A dimensão dos MLB permite avaliar a capacidade da empresa para assegurar a manutenção do capital. os resultados financeiros e o imposto sobre o rendimento. este conceito de meios libertos afere a capacidade da empresa em se autofinanciar. constituem a fonte de financiamento privilegiada pelas empresas no seu crescimento.

estudados no capítulo anterior. antes devemos proceder à análise comparativa de exercícios sucessivos.Finanças Empresariais COMPARAÇÃO DA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS O estudo da formação de resultados e dos seus factores principais incide. como a existência de diferentes políticas de constituição de amortizações e provisões. Por exemplo. os indicadores até agora referidos são importantes. mas a sua interpretação deverá ser complementada com outros indicadores relativos – os rácios. pelo que as demonstrações de resultados. é conveniente que a análise não seja influenciada por factores extra-exploração. No entanto. No entanto. essencialmente sobre a Demonstração de Resultados. Lda 58 . deverão ser complementadas com informação mais detalhada sobre a estrutura e evolução dos custos. Com esta medida procura-se determinar o peso relativo de cada rubrica ao longo de vários exercícios. Todos os indicadores anteriormente apresentados assumem valores absolutos. tendo em vista a explicação das variações detectadas no período em análise e medir a sua contribuição para a formação de resultados. não podemos basear a análise da situação económica da empresa numa só demonstração de resultados. Caso se pretenda analisar a evolução histórica e/ou previsional da empresa. como já vimos. utilizamos os conceitos de meios libertos relacionados com os proveitos de exploração. Para comparar a rendibilidade: MLB / Proveitos de exploração Para comparar o efeito das políticas adoptadas: MLL / Proveitos de exploração Para comparar o autofinanciamento gerado: MLL / Proveitos de exploração Companhia Própria – Formação & Consultoria. políticas financeiras e de distribuição de resultados e de diferentes incidências fiscais. existe um primeiro conjunto de rácios que se podem obter directamente da demonstração de resultados por natureza. comparando-se as diversas rubricas de custos com os proveitos de exploração – corresponde à determinação do peso de cada rubrica relativamente aos proveitos de exploração da empresa. Para se comparar a rendibilidade conseguida por várias empresas. Neste sentido. por natureza e por funções.

até porque estes podem ser de natureza mista. p – preço de venda unitário. a aplicação prática da teoria CVR implica a assumpção de pressupostos com pouca aderência à realidade. ou seja. Os primeiros são directamente proporcionais ao nível de actividade. cv – custo variável unitário. ou MB = xV Companhia Própria – Formação & Consultoria. No contexto da teoria CVR a rendibilidade da empresa. e sua evolução. Q – nível de actividade expresso em quantidade.Finanças Empresariais CUSTO – VOLUME – RESULTADO (CVR) A teoria do Custo-Volume-Resultado (CVR) analisa a rendibilidade da empresa numa óptica distinta da dos indicadores anteriormente apresentados. admite-se que todas as mercadorias adquiridas ou produtos fabricados são vendidos. para além da resistência oferecida pela dificuldade classificação dos custos em variáveis e fixos. Apesar de ser conceptualmente simples e intuitiva. e representam o custo suportado pela empresa para dispor de uma determinada capacidade instalada. Os segundos assumem-se constantes durante o período em análise. CF – custos fixos de exploração totais. Assume a inexistência de stocks. São dois os pressupostos principais da teoria CVR: Classificação de todos os custos de exploração em custos variáveis ou fixos. Donde: CV – custo variável total = Q x cv C – custo total = Q x p + CF V – volume de vendas = Q x p – coeficiente de absorção de custos fixos = MB / V MB – margem bruta = (p – cv) x Q. traduzindo o custo suportado pela utilização da capacidade instalada. Assim. Lda 59 . com base nestas assunções. é-nos possível analisar os resultados da empresa com base em simples relações entre reduzido número de variáveis. são explicadas pela natureza dos seus custos e pelas alterações do nível de actividade.

Lda 60 .Finanças Empresariais RE – resultado de exploração = (p – cv) x Q – V Vejamos agora as principais aplicações da teoria do CVR.custos fixos totais. Companhia Própria – Formação & Consultoria. pelo que será menor o seu risco económico. assegurar senão o cumprimento do seu objectivo de sobrevivência ou de manutenção da integridade do seu capital. também designado de ponto morto ou limiar de rendibilidade. o ponto crítico pode ser definido como o montante de vendas que gera uma margem de contribuição igual ao montante dos encargos fixos. e dado a empresa não apresenta lucros nem prejuízos económicos de exploração. sendo os seus meios libertos brutos equivalentes ao valor das amortizações e provisões do exercício. Quanto mais reduzido for o ponto crítico de uma empresa. a saber: o ponto crítico. ou de estrutura. e como o lucro é função não só do preço mas também das quantidades vendidas. é o ponto a partir do qual a empresa começa a ter resultados de exploração positivos. Neste ponto. De outra forma. não poderá.custo variável unitário. PONTO CRÍTICO O Ponto Crítico ou break even point. É uma importante medida de risco económico. A determinação do ponto crítico pode ser efectuada em termos de quantidades ou em termos de volume: Ponto crítico em quantidades: Q0 = CF p − cv Ponto crítico em volume: V0 = CF p − cv p Em que: cv . CF . mais facilmente o mesmo se torna alcançável. No nível de actividade correspondente ao ponto crítico o resultado de exploração de uma empresa é nulo. em princípio. a margem de segurança e o grau económico de alavanca.

Lda 61 . no ponto crítico Representação gráfica do ponto crítico: Vendas / Custos Anuais Zona de Lucro Vendas Totais Custos Totais Zona de Prejuízo Ponto Crítico Custos Variáveis Custos Fixos Nível de actividade MARGEM DE SEGURANÇA (MS) A Margem de Segurança (MS) decorre do conceito de ponto crítico. p . no ponto crítico Qo – Quantidades totais. e exprime o distanciamento do nível de actividade alcançado pela empresa relativamente a este.preço de venda unitário. V . A margem de segurança exprime-se em valor e em quantidade: ⎛ Vendas ⎞ MS = ⎜ − 1⎟ ⎜ V ⎟ 0 ⎝ ⎠ ⎞ ⎛Q MS = ⎜ ⎟ ⎜ Q − 1⎟ ⎠ ⎝ 0 Companhia Própria – Formação & Consultoria.Finanças Empresariais CV .custos variáveis totais. Desta forma. possibilita a determinação de um valor que evidencia o nível de segurança da empresa para trabalhar acima de uma rendibilidade de exploração nula.Vendas totais. Vo – Vendas totais.

pelo o custo total unitário resulta menor. quanto maior for o seu valor menor será o risco económico. Este efeito é quantificável através do Grau Económico de Alavanca. significa que a empresa poderá reduzir o seu volume de vendas em 30% sem apresentar prejuízo. uma vez cobertos – quando a empresa alcança o ponto crítico. O Grau Económico de Alavanca pode ser definido como a variação percentual ocorrida no Resultado de Exploração. pois situar-se-ia no ponto crítico. COEFICIENTE DE NÃO ABSORÇÃO DOS CUSTOS VARÁVEIS Relacionado com o quociente de margem bruta surge o coeficiente de não absorção dos custos variáveis ( ) que corresponde à proporção das vendas disponível para cobrir os custos fixos. a contribuição marginal para o lucro de cada venda adicional é superior. Sendo a margem de segurança a métrica de afastamento do ponto crítico. que nos dá a medida em que um dada variação das quantidades vendidas afecta os resultados de exploração. ∆RE ∆ % Re sultados GEA= RE = ∆Q ∆ %Quantidade s Q Companhia Própria – Formação & Consultoria. corresponde ao fenómeno traduzido por variações mais que proporcionais do lucro relativamente a variações das vendas.Finanças Empresariais A sua interpretação deve ser efectuada da seguinte forma: se a margem de segurança for igual a 30%. ou “leverage económico”. Lda 62 . Isto é. que resulta de uma variação percentual das quantidades vendidas. α= MB Vendas EFEITO E GRAU ECONÓMICO DE ALAVANCA (GEA) O efeito económico de alavanca. o volume de custos fixos é repartido por um maior número de unidades vendidas. depois de suportados os custos variáveis. pelo que. Este efeito resulta do facto de os custos fixos permanecerem inalteráveis.

os proveitos de exploração não serem suficientes para cobrirem os custos de exploração (fixos e variáveis). O conceito de risco económico traduz a probabilidade de o Resultado de Exploração ser inadequado aos objectivos da empresa ou até mesmo negativo. ou de outra forma. Companhia Própria – Formação & Consultoria. a empresa situarse num nível de actividade inferior ao ponto crítico. consideremos que o GEA de uma empresa é de 3 – uma variação de 100% nas quantidades terá uma amplitude de 300% no resultado de exploração. Assim. e determinados os valores assumidos pelo grau económico de alavanca. a leitura do GEA traduz o impacto que uma variação de 100% nas quantidades vendidas provocará na variação do resultado de exploração. Lda 63 . nomeadamente. o GEA depende também do nível de custos fixos e do coeficiente de não absorção dos custos variáveis. Porém. a algumas aplicações da teoria do CVR.Finanças Empresariais Pelo que. social ou política. ponto crítico e margem de segurança em cada um dos anos do período em analisem poder-se-á afirmar que: Quanto maior for o grau económico de alavanca. O GEA será tanto mais elevado quanto mais próximo do ponto crítico se situar o nível de actividade da empresa. desenvolvendo a expressão chegamos a: GEA= Q × ( p − cv ) RE Assim. O facto de uma empresa apresentar um Resultado de Exploração insuficiente pode ser devido a factores de ordem interna (de natureza comercial. RISCO ECONÓMICO Na análise financeira deverá existir preocupação pela análise do risco quer económico quer financeiro. Como exemplo. produtiva tecnológica ou e estratégia) ou a factores exógenos. mais elevado será o risco económico. visto que os resultados da empresa serão mais sensíveis a pequenas descidas do volume de vendas. isto é. O risco económico de uma empresa pode ser avaliado de uma forma concreta recorrendo. nomeadamente de ordem sectorial.

pois permite quantificar a probabilidade de o resultado de exploração atingir determinado nível se algum termo do segundo membro da expressão variar. visto a empresa funcionar muito próximo do ponto crítico. Assim. nas quantidades vendidas e nos custos sobre o Resultado de Exploração. procedemos ao estudo da rendibilidade de exploração em que apenas atendíamos aos factores que intervêm na actividade normal de exploração. isolada ou simultânea (previamente fixada). podendo a qualquer momento entrar na zona de prejuízos. A RENDIBILIDADE DOS CAPITAIS INVESTIDOS Nos pontos anteriores. Interessa agora proceder ao estudo da rendibilidade dos capitais investidos. que o montante global dos capitais utilizados e respectiva origem (Capitais Alheios / Capitais Próprios). maior será o risco económico. a probabilização de algum ou alguns elementos da expressão. maior será o seu risco económico. comportam níveis mais elevados ou mais reduzidos de risco económico. que poderão ser encontradas em decisões e acções internas à empresa ou em imposições directas ou indirectas de factores externos. o que em períodos de recessão poderá ser muito difícil ou mesmo improvável. Lda 64 . Companhia Própria – Formação & Consultoria. Quanto mais baixa for a Margem de Segurança. em que se terá em consideração que o Resultado Económico (RAJI) obtido em todas as actividades/operações desenvolvidas. pois a empresa terá de desenvolver um maior esforço para o conseguir alcançar. como o preço unitário. pelo que se deverá atender a eventuais alterações verificadas nestes elementos e respectivas razões justificativas. pode ser um método para averiguar o risco económico. custo variável unitário e custos fixos.Finanças Empresariais Quanto mais elevado for o ponto crítico. nos preços de venda. caso se pretenda averiguar qual a influência de uma variação percentual. Também quaisquer variações significativas ao nível dos diversos parâmetros do CVR. Por outro lado. que possibilitam a construção de cenários essenciais às tomadas de decisão na gestão da empresa. a análise de sensibilidade é igualmente um método que permite avaliar o risco económico. Para a avaliação do risco económico são utilizadas muitas estatísticas. RE = Q x (p – cv) – CF.

com o estudo da Rendibilidade dos Capitais investidos é possível analisar as relações que se estabelecem entre esta e a Rendibilidade de Exploração. mais apetecível será a empresa para novos investidores. como é do nosso conhecimento.Finanças Empresariais Finalmente. Mede a eficácia com que a empresa utiliza os capitais dos sócios ou accionistas. da mesma forma que maior será a capacidade da empresa para sustentar o seu desenvolvimento através do autofinanciamento. uma variante do anterior que corrige a apreciação de algumas políticas empresariais: RCP ' = MLL CP Por outro lado convirá desagregar o rácio de rendibilidade financeira com vista a avaliar os principais factores influentes na rendibilidade. permitindo assim definirem-se outros conceitos como o de risco global da empresa. É assim possível subdividir a rendibilidade dos capitais investidos em rendibilidade Financeira – ligada aos capitais próprios investidos. Poderá fazer sentido determinar também o seguinte rácio. a rendibilidade dos capitais investidos (ALT) determinase comparando o lucro gerado pela empresa durante o período e o capital utilizado. pelo que. quanto maior for o seu valor. Lda 65 . podem ser de dois tipos: próprias ou alheias. RCP = RL CP O valor de rendibilidade financeira representa a taxa máxima de remuneração obtida pelos capitais próprios aplicados na empresa. RENDIBILIDADE FINANCEIRA É normalmente designada de Rendibilidade dos Capitais Próprios (RCP). entendendo-se este como o conjunto de meios utilizados pela empresa no desenvolvimento da sua actividade. Este conjunto de meios identifica-se com as origens de fundos que. e Rendibilidade Económica – directamente relacionada com a totalidade dos meios utilizados pela empresa. De uma forma geral. Companhia Própria – Formação & Consultoria. É uma taxa directamente comparável com o rendimento proporcionado por investimentos alternativos.

RENDIBILIDADE ECONÓMICA Com o cálculo da rendibilidade económica procura medir-se o rendimento do conjunto de meios utilizados pela empresa para a prossecução da sua actividade. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Para além da rendibilidade dos capitais próprios. para aumentar a rendibilidade dos capitais próprios. ou simultaneamente. RL V V ALT pela rotação do activo total.Finanças Empresariais Assim se multiplicarmos o numerador e o denominador do rácio de rendibilidade dos capitais próprios pelo volume de vendas e aplicações totais. e pelo nível de financiamento do total das aplicações pelos capitais próprios. podemos também calcular a rendibilidade dos capitais permanentes através do cálculo do rácio: RCPermanen tes = RL + Cfinanceir os CPermanent es que comparada com a rendibilidade dos capitais próprios permite avaliar a importância dos capitais alheios de médio e longo prazo na formação da rendibilidade da empresa. CP ALT Deste modo. RL V ALT RL V CP × × = × × CP V ALT V ALT ALT O que demonstra que a rendibilidade dos capitais próprios é condicionada pela: margem de lucro. sobre os rácios considerados. poderá actuar-se sobre cada um. termos. Lda 66 .

margem bruta e resultado de exploração. Assim. representa a remuneração dos capitais investidos independentemente da sua proveniência (capitais próprios ou alheios).Finanças Empresariais A Rendibilidade Económica do Activo (ROI . teremos: A rendibilidade económica do activo pode-se decompor de forma a termos várias informações acerca da performance da empresa. sendo a sua maximização um dos objectivos da gestão financeira. Obtém-se através do seguinte rácio: ROI = RAJI ALT Se à semelhança do que se fez no desenvolvimento da rendibilidade financeira. RAJI V V ALT pela rotação do activo total.Retum on Investiment). Este desenvolvimento poderá igualmente ser efectuado tendo em consideração os conceitos base já definidos da teoria do CVR. poderemos isolar para além da rotação dos capitais Companhia Própria – Formação & Consultoria. multiplicarmos o numerador e o denominador deste rácio pelo volume de vendas. sobre as quais será possível vir a actuar com vista a melhorar a sua rendibilidade: Fórmula decomposta: ROI = RE RAJI V RAJI V × × = × ALT ALT V RE V O que demonstra que a rendibilidade económica é igual ao produto da margem económica (ou margem líquida corrigida) pela rotação das aplicações totais. margem económica. permitindo-nos assim uma outra perspectiva da análise de rendibilidade económica. se multiplicarmos o numerador e o denominador do rácio de rendibilidade económica pelos proveitos de exploração. Lda 67 .

o efeito dos custos fixos.Finanças Empresariais totais. Assim. MB PE Rotação do activo líquido total. já evidenciada em desenvolvimento anterior. PE ALT Efeito dos custos fixos. possibilitando a identificação de um conjunto de indicadores da performance da empresa. Lda 68 . teremos: ROI = RL CP RAJI × × CP ALT RL O que demonstra que a rendibilidade económica é igual ao produto de: Companhia Própria – Formação & Consultoria. o que passa pela análise do chamado “efeito financeiro de alavanca” ou “leverage financeiro”. se multiplicarmos a rendibilidade económica pelos capitais próprios e pelo resultado líquido. INTERLIGAÇÃO ENTRE AS RENDIBILIDADES ECONÓMICA E FINANCEIRA O EFEITO FINANCEIRO DE ALAVANCA Finalmente convirá evidenciar a relação existente entre a rendibilidade económica e a rendibilidade financeira. ou margem de contribuição. sobre os quais será possível vir a actuar com vista a melhorar a sua rendibilidade. RE MB RAJI RE Efeitos dos resultados extraordinários. Deste modo teremos: ROI = RAJI PE MB RE MB RE RAJI PE × × × = × × × ALT PE MB RE ALT MB RE ALT O que demonstra que a rendibilidade económica é igual ao produto de: Margem Bruta.

No entanto. Nestas circunstâncias é possível afirmar que a rendibilidade financeira só aumentará enquanto a rendibilidade económica for superior ao custo dos capitais alheios. o que pode ser conseguido actuando sobre o coeficiente de alavanca. como a seguir se mostra. chegaremos a RCP = ROI × CP + CA RL × CP RAJI Uma melhoria da rendibilidade financeira poderá pois ser conseguida através de uma utilização mais adequada dos capitais alheios. o efeito de alavanca continua a funcionar mas em sentido inverso. Quando a rendibilidade económica é inferior ao custo dos capitais emprestados. com o aumento do recurso aos capitais alheios. Companhia Própria – Formação & Consultoria. o que significa que a rendibilidade dos capitais próprio diminuirá. Lda 69 . Modelo Aditivo de alavanca financeira O efeito financeiro de alavanca ou “leverage financeiro” pode também ser apresentado de outra forma.Finanças Empresariais Rendibilidade financeira. Assim teremos que: RCP = ROI Alavanca pelo que desenvolvendo. RL CP Coeficiente de alavanca. CP RAJI × ALT RL Esta relação permite-nos avaliar as possibilidades de melhorar a rendibilidade dos capitais próprios. para um dado nível de rendibilidade económica. o que conduz à diminuição do segundo termo do factor de alavanca. nomeadamente dos empréstimos de médio e longo prazo. diminui a autonomia financeira da empresa e aumentará necessariamente o peso dos encargos financeiros.

em termos de capitais próprios e capitais alheios. Lda 70 . A rendibilidade económica das aplicações toma a designação de ROI (return on investment). ROI Composição das origens de fundos.i. (ROI − i ) Companhia Própria – Formação & Consultoria. CP – Capitais próprios RCP – Rendibilidade dos capitais próprios RL – Resultados líquidos P – Passivo P ⎡ ⎤ × (ROI − i )⎥ × (1 − t ) RCP = ⎢ ROI + CP ⎣ ⎦ O que demonstra que a rendibilidade dos capitais próprios é influenciada pela: Rendibilidade económica das aplicações. interessa pois verificar qual a melhor composição das origens de fundos que financiam as aplicações. que representa a remuneração dos capitais investidos independentemente da sua proveniência (capitais próprios ou alheios).Finanças Empresariais A rendibilidade económica das aplicações é dada pelo quociente entre o RAJI e o valor das aplicações totais (ALT). Obtém-se através do seguinte rácio: ROI = RAJI ALT donde ROI x ALT = RAJI Sendo a maximização da rendibilidade dos capitais próprios um dos objectivos fundamentais da gestão financeira. P CP Spread entre o ROI e o custo dos capitais alheios . Relacionando a rendibilidade dos capitais investidos (ROI) com a rendibilidade dos capitais próprios (RCP). vamos então determinar qual a composição óptima das origens de fundos.

Finanças Empresariais Nível de incidência fiscal. Quando o valor do ROI for inferior ao custo médio dos capitais alheios. Lda 71 . Se a rendibilidade económica (ROI) for superior ao custo médio dos capitais alheios (i). (1 − t ) Assim. 3. Nesta análise não se entra em linha de conta com o risco financeiro que é directamente influenciado pelo peso dos capitais alheios no conjunto das origens de fundos. Quanto o valor do ROI iguala o custo médio dos capitais alheios. pode concluir-se o seguinte: 1. quanto maior o valor do passivo. obtendo a seguinte expressão: RCP = MB PE RE RAJI ALT RAI RL × × × × × × PE ALT MB RE CP RAJI RAJI Rendibilidade económica Efeito alavanca O que demonstra que a rendibilidade dos capitais próprios é influenciada pela: Companhia Própria – Formação & Consultoria. então quanto maior for o peso relativo do passivo (P) face aos capitais próprios (CP). assumindo os resultados líquidos um valor negativo tanto maior. sabendo que: RCP = ROI × CP + CA RL × CP RAJI Podemos multiplicar o numerador e denominador pelo RAI. Maior peso do passivo determina um maior valor de encargos financeiros. maior a rendibilidade do activo líquido total. 2. a rendibilidade dos capitais investidos é igual à rendibilidade dos capitais próprios deduzida de efeito fiscal. Assim. A interligação entre a rendibilidade financeira e económica poderá ser igualmente analisada à luz dos pressupostos da teoria do CVR.

Lda 72 . Efeito dos resultados extra-exploração. MB PE Rotação do activo. Esse efeito financeiro de alavanca pode ser quantificado através do cálculo do grau financeiro de alavanca (GFA) ou grau de “leverage” financeiro (GLF) e que se define como: ∆RL ∆RAI (1 − t ) ∆RAI RE RAI = RAI = * = GFA= RL = ∆RE ∆RE ∆RE RAI RE RE RE assume-se a não relevância dos outros custos e outros proveitos. RAI RAJI Efeito fiscal. Companhia Própria – Formação & Consultoria.Finanças Empresariais Margem Bruta. ALT CP Efeito financeiro. Estrutura financeira. PE ALT RE MB RAJI RE Efeito dos custos fixos. ou efeito dos custos variáveis. RL RAI GRAU FINANCEIRO DE ALAVANCA Observámos no ponto anterior a existência do efeito financeiro de alavanca.

Companhia Própria – Formação & Consultoria. de remunerar os sócios ou accionistas pelos seus capitais investidos. Assim. sobre o risco que os credores correm em financiar a empresa. o que conduziria a um RAI e Resultados Líquidos negativos. Desse modo.Finanças Empresariais GFA= RE RAI Visto que RE – RAI = Resultados financeiros. o efeito financeiro de alavanca verificar-se-á sempre que os resultados financeiros sejam negativos. ver-se-ia na impossibilidade também. Lda 73 . O RISCO FINANCEIRO O conceito de risco financeiro assume vários significados que de qualquer modo se encontram relacionados. a análise deste indicador e o estudo da evolução dos meios libertos são elementos importantes para a determinação do risco financeiro. Assim. isto é. os Meios Libertos Brutos deverão não só permitir a cobertura dos resultados financeiros. O risco financeiro será tanto mais elevado quanto maiores forem o efeito e o grau de “leverage” financeiro. pois poderá suceder que não consigam recuperar os seus créditos devido ao facto de os Meios Libertos Brutos serem demasiado fracos para que isso se possa verificar. quando o resultado financeiros negativo superar o valor do resultado de exploração. Podendo apresentar mesmo um valor absoluto negativo. Por outro lado. como também assegurar o reembolso dos empréstimos e a remuneração do capital próprio. O grau financeiro de alavanca será igual a 1 quando não existirem resultados financeiros e tanto mais elevado quanto mais negativos estes forem. Nesta situação a empresa para além de não conseguir remunerar os Capitais Alheios ao valor contratado. o risco financeiro pode ser entendido como a probabilidade da empresa não conseguir cobrir todos os seus resultados financeiros através do Resultado Económico (RAJI) apurado. o conceito de risco financeiro poderá ser interpretado no sentido da empresa demonstrar solvabilidade.

apenas factores de natureza económica. o efeito e o grau de alavanca financeiro relacionam o resultado de exploração com os resultados antes de impostos. Estão em causa. Por outro lado. ocasionando. tendo pois como factor essencial a existência e o nível dos resultados financeiros que dependem da estrutura financeira da empresa. como a situação financeira de pode contrapor à rendibilidade de exploração. O RISCO GLOBAL DA EMPRESA O conceito de risco global traduz a probabilidade de os resultados da empresa se situarem a um nível inadequado ao cumprimento dos seus objectivos essenciais. que se define como: GCA= GEA × GFA = V − CV MB = RAI RAI Tal permite-nos relacionar directamente as variações do nível de actividade da empresa com as variações dos resultados líquidos. resultados líquidos inadequados face a um bom resultado económico. Assim sendo. pode analisar-se em que medida uma dada variação das quantidades vendidas afecta os resultados líquidos.Finanças Empresariais EFEITO E GRAU COMBINADO DE ALAVANCA O efeito e o grau económico de alavanca fazem-se sentir ao nível de exploração normal da empresa. Este indicador permite-nos verificar até que ponto a estrutura financeira da empresa se encontra dependente da situação económica e. os graus financeiro e económico de alavanca estão interligados podendo essa relação ser expressa através do Grau Combinado de Alavanca (GCA). portanto. Companhia Própria – Formação & Consultoria. porventura. por outro lado. Deste modo. devido à interdependência entre a situação económica e a situação financeira. Lda 74 . desde que os resultados financeiros se mantenham inalterados e as rubricas outros custos e outros proveitos se anulem entre si. permitindo relacionar as variações do nível de actividade e dos custos com as variações do resultado de exploração.

O risco global será tanto mais elevado quanto maiores forem os seus custos fixos. a liquidez e a rendibilidade da empresa. no reforço de stocks. Lda 75 . o grau económico de alavanca. A RENDIBILIDADE . A utilização do Grau Combinado de alavanca auxiliará nesta avaliação. elemento informativo importante para a compreensão das relações entre o autofinanciamento. sendo este tanto maior. refira-se a probabilização da expressão dos resultados líquidos e suas componentes. o grau financeiro de alavanca e o nível de incidência fiscal. na distribuição de dividendos. Outros métodos poderão utilizados para a definição quantificada do risco global. dos níveis de risco económico e do risco financeiro. quanto maior for o nível de rendibilidade. deve-se analisar a Demonstração de Fluxos de Caixa. Para melhor aferir de como a empresa gera e utiliza a sua liquidez. na aquisição de imobilizado.Finanças Empresariais O risco global de uma empresa pode ser avaliado perla consideração. Como exemplo. O AUTOFINANCIAMENTO E A LIQUIDEZ Os Meios Libertos Líquidos Retidos (MLLR) constituem o autofinanciamento da empresa e destinam-se a assegurar o seu crescimento. o ponto crítico. em simultâneo. A rendibilidade de exploração constitui a essência do autofinanciamento. os encargos financeiros. A rendibilidade é um factor que determina o autofinanciamento da empresa. O autofinanciamento não tem uma contrapartida imediata no nível das disponibilidades da empresa. com base na redução do endividamento e no aumento dos capitais próprios. através da realização de investimentos em capital fixo e em capital circulante e a reforçar a autonomia financeira. pois pode ser utilizado no aumento do crédito a clientes. ainda. Companhia Própria – Formação & Consultoria. no pagamento de empréstimos e de outros passivos ou.

com um preço de venda unitário de 5€ e um custo variável unitário de 3. 25.250€. Lda. Lda 76 . justificando o desempenho das mesmas à luz da teoria CVR..000 100. 2.000 40% Companhia Própria – Formação & Consultoria.8€. no valor de. Comente os resultados obtidos por cada empresa.. e a BBB.000€. Os custos variáveis foram de 6. respectivamente. 1. 3.000 200.250€ para a AAA. Lda.2 Suponha uma empresa com custos fixos totais no valor de 50.1 Considere duas empresas. A empresa seria rentável se vendesse 20.000 350. Lda. e de 18. Determine a quantidade correspondente ao ponto crítico de vendas. EXERCÍCIO 5.000 25.Finanças Empresariais EXERCÍCIO 5. a AAA. Ambas apresentaram no último ano o mesmo volume de negócios e o mesmo resultado de exploração.3 Admita uma empresa com os seguintes elementos: Origens de fundos Passivo Capitais próprios Total RAJI Custos financeiros ISR 150. Lda.000 unidades? 4. considerando que as vendas crescerão cerca de 20% e 40%.000€ e 2. respectivamente. A empresa seria rentável se vendesse 250. 1. Determine o resultado de exploração de cada empresa no ano corrente.750€ para a BBB. 2.000€? EXERCÍCIO 5. Represente graficamente o ponto crítico de vendas da empresa.

Lda 77 .000€.000 50. Concorda com o financiamento desta operação? Companhia Própria – Formação & Consultoria. Especifique os factores que contribuem para a variação da rendibilidade da empresa. comentando o sentido e razões da sua variação.000 160. a uma taxa de juro de 25% para suportar a operação. recorrendo a um financiamento bancário. Considere agora que foi decidido recorrer a um financiamento bancário. calcule a rendibilidade esperada para a empresa.Determine a rendibilidade económica e a rendibilidade financeira da empresa. Sabendo que a composição do capital próprio da empresa é a seguinte: Capitais próprios Capital social Reservas Resultados transitados Total 10.000 40% 1.667 26.667 40. a uma taxa de juro de 22% para libertar capitais próprios para os accionista no montante de 60.Finanças Empresariais 1.667 2. no valor de 50. 2.000 40.4 Admita uma empresa com os seguintes elementos: Origens de fundos Passivo Capitais próprios Total RAJI Custos financeiros ISR 120. EXERCÍCIO 5.Determine a rendibilidade financeira da empresa 2.000€. Calcule de novo as duas medidas de rendibilidade.000 E considerando que a empresa pretende distribuir os resultados transitados pelos seus sócios.000 25.

assente na preocupação em manter o equilíbrio funcional entre os recursos e as aplicações nos ciclos financeiros da empresa. relacionada com a solvabilidade da empresa é complementada por uma segunda.Finanças Empresariais 6 Equilíbrio Financeiro Abordagens Tradicional e Renovada ENQUADRAMENTO Para além das decisões sobre a actividade corrente da empresa que afectam os resultados operacionais. ou seja a ponderação de capitais próprios e capitais alheios no financiamento da actividade. quanto maior a rendibilidade do activo face ao custo do capital alheio melhor será o equilíbrio a prazo. associado um custo inferior ao dos capitais próprios. o que apontaria para o financiamento preferencial via capitais alheios. A estabilidade da empresa é assegurada por uma estrutura financeira equilibrada e por uma rendibilidade do investimento maior que o custo do capital alheio. Esta primeira noção de equilíbrio financeiro. normalmente. É do entendimento geral que quanto maior o capital próprio face ao capital alheio maior será o equilíbrio. quanto mais capital alheio de médio e longo prazo maior será o equilíbrio. Análise da rendibilidade e do efeito alavanca. o gestor tem que decidir sobre o financiamento dos activos e determinar a estrutura financeira. Aos capitais alheios está. não fosse o acréscimo do risco financeiro associado a um maior grau de endividamento. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda 78 . no entanto existem outras perspectivas a considerar: Análise do endividamento e da estrutura financeira.

Esta análise assume a designação de análise estática porque tem por base o estudo do balanço. com um financiamento exigível a curto prazo. Quer isto dizer que as aplicações com um grau de liquidez mais fraco. das necessidades de fundo de maneio. Na prática. Será esta a temática a desenvolver no presente capítulo. Em termos práticos. igual ao grau de exigibilidade das origens. No mesmo sentido. sendo que quanto maior os capitais permanentes face ao activo fixo maior será o equilíbrio. os capitais utilizados por uma empresa para financiar uma imobilização. A ABORDAGEM TRADICIONAL DO EQUILÍBRIO FINANCEIRO A abordagem tradicional do equilíbrio financeiro tem por objectivo avaliar as condições de solvabilidade e estrutura financeira da empresa. EQUILÍBRIO FINANCEIRO MÍNIMO O equilíbrio financeiro define-se pela compatibilização entre o grau de liquidez das aplicações e o grau de exigibilidade das origens. para princípios de equilíbrio assentes em conceitos mais recentes como as Necessidades de Fundo de Maneio e a Tesouraria. consiste no estudo da capacidade da empresa para satisfazer as suas obrigações quando estas atingirem a sua maturidade. o qual proporciona uma representação estática da situação patrimonial da empresa num determinando momento. pelo menos. não devem ser financiadas por origens com um grau de exigibilidade mais forte. devem permanecer à sua disposição durante um tempo que corresponda pelo menos à duração dessa aplicação. Lda 79 .Finanças Empresariais Nesta perspectiva é efectuada a análise do fundo de maneio e da liquidez. Assim. e por conseguinte. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Veremos que a análise estática é contrária ao princípio da continuidade da empresa. ou a capacidade de obter dinheiro a fim de satisfazer os compromissos de curto prazo. uma existência ou outro activo. É analisada a liquidez da empresa. porque o nível do Fundo de Maneio está dependente da natureza e do volume da actividade. porquanto o equilíbrio de curto prazo é determinado por um activo circulante superior ao passivo circulante. A regra do “Equilíbrio Financeiro Mínimo” é verificada quando o grau de liquidez das aplicações é. significa que não se deve financiar a aquisição de imobilizado. O conceito de equilíbrio financeiro tem evoluído desde a tradicional abordagem do Fundo de Maneio.

poderá fazer-se com recurso a financiamentos de curto prazo. Esta margem é a garantia de equilíbrio financeiro. Representa uma margem de segurança. pelo que se diz que uma empresa está em equilíbrio financeiro quando o valor dos capitais permanentes é igual ou superior ao valor do activo fixo. e considerando que ao longo da vida da empresa. Lda 80 . e segundo o princípio tradicional do equilíbrio financeiro. pode-se afirmar que a estrutura financeira da empresa está equilibrada quando a calendarização das origens e das aplicações de fundos permite que. existam meios financeiros disponíveis para liquidar as responsabilidades que se vão vencendo.Finanças Empresariais a aquisição de bens e serviços destinados a ser incorporados no processo de produção da empresa. A representação desta regra em termos gráficos virá como na figura seguinte: Activo Fixo Financiamento a médio e longo prazo Financiamento de curto prazo Capitais Permanentes Activo Circulante Passivo de Curto Prazo Deste modo. Em jeito de conclusão. FUNDO DE MANEIO O Fundo de Maneio está intimamente ligado à solvabilidade da empresa. o equilíbrio financeiro mínimo traduz-se pela igualdade entre o activo circulante e os débitos de curto prazo. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Assim. em cada momento. designadamente a médio e longo prazo. ou entre o activo fixo e os capitais permanentes. esta terá de liquidar as origens de fundos que se vão tornando exigíveis com as aplicações de fundos que se tornam disponíveis. correspondente ao excedente de capitais permanentes sobre o activo fixo. uma empresa encontra-se em equilíbrio financeiro quando há adequação entre o nível de exigibilidade das origens e o grau de liquidez das aplicações. e tem como objectivo evitar a existência de rupturas de tesouraria.

mas apenas do modo de financiamento desse activo circulante. Assim. Activo Fixo Capitais Permanentes Activo Circulante Passivo de Curto Prazo Já a empresa representada na figura seguinte encontra-se em desequilíbrio financeiro por o valor dos capitais permanentes é inferior ao valor do activo fixo. Lda 81 . O balanço seguinte apresenta uma empresa em equilíbrio financeiro porque o valor dos capitais permanentes é superior ao valor do activo fixo. A existência de fundo de maneio não decorre da existência de activos circulantes. por natureza. Activo Fixo Capitais Permanentes Activo Circulante Passivo de Curto Prazo Companhia Própria – Formação & Consultoria. as variações de Fundo de Maneio são explicadas por decisões que afectam quer o activo fixo quer os capitais permanentes. estável. cujo grau de exigibilidade é fraco.Finanças Empresariais O Fundo de Maneio pode ser definido de duas formas: A parte dos capitais permanentes que não é absorvida no financiamento do activo fixo e que consequentemente está aplicada na cobertura das necessidades de financiamento do ciclo de exploração. que é. que está a financiar aplicações cujo grau de liquidez é elevado. O fundo de maneio exprime a parcela das origens. Só as decisões de investimento e respectivo financiamento poderão afectar o valor do Fundo de Maneio.

Finanças Empresariais Assim. a determinação do Fundo de Maneio pode ser efectuada por duas vias. e dada a igualdade entre o activo total e a soma dos capitais permanentes e passivo de curto prazo. Equilíbrio financeiro . Lda 82 . tal como descreve a figura seguinte: Activo Fixo Capitais Permanentes Fundo de Maneio Fundo de Maneio Activo Circulante Passivo de Curto Prazo Posto isto.FM negativo Activo Fixo Capitais Permanentes Activo Fixo Capitais Permanentes FM > 0 FM < 0 Activo Circulante Passivo de Curto Prazo Activo Circulante Passivo de Curto Prazo Companhia Própria – Formação & Consultoria.FM positivo Desequilíbrio financeiro . estamos em condições de enunciar o princípio de equilíbrio financeiro tradicional com base no conceito de Fundo de Maneio. donde resulta que: “Uma empresa está em equilíbrio quando o seu Fundo de Maneio é positivo”.

000 3. uma vez que qualquer perturbação no normal funcionamento da empresa poderia comprometer a igualdade/equilíbrio entre o activo circulante e os débitos de curto prazo.000 Neste caso. o empréstimo de curto prazo contraído terá de ser reembolsado.000 => FM>0 No entanto.000 21.000 5.000 – 12. a regra de equilíbrio financeiro mínimo. Próprio + Passivo 13. Consideremos o seguinte balanço: Balanço Activo Activo Fixo Activo Circulante Clientes Disponibilidades Activo total 12.000 Capital Próprio e Passivo Capital Próprio Passivo de curto prazo Empréstimo bancário Fornecedores Total Cap. resulta manifestamente insuficiente. se assumirmos que.000 = 1. a empresa encontra-se em equilíbrio financeiro. estas igualdades não garantem a inexistência de rupturas de tesouraria durante a exploração da empresa. já de si precária. Lda 83 . isto sucede porque existem elementos circulantes cuja rotação de transformação em disponibilidades é mais lenta que a exigibilidade (vencimento) das dívidas a curto prazo. e de acordo com a abordagem tradicional. Isto é. passados doze meses.000 6. Ao não ter em conta a velocidade de rotação do activo circulante.000 21.000 3. uma vez que os seus Capitais Permanentes são superiores ao Activo Fixo. o seu Fundo de Maneio é positivo.Finanças Empresariais LIMITAÇÃO DO EQUILÍBRIO FINANCEIRO TRADICIONAL A regra do equilíbrio financeiro mínimo não permite assegurar o equilíbrio financeiro da empresa. o seguinte: Companhia Própria – Formação & Consultoria. sendo o balanço da empresa no momento imediatamente anterior ao vencimento. Vejamos um exemplo que retrata o facto da abordagem tradicional do princípio financeiro ignorar o carácter cíclico ou renovável de alguns activos circulantes e passivos de curto prazo. Fundo de Maneio = Capitais Permanente – Activo Fixo = 13. De facto.

Corresponde ao nível de fundos necessário para financiar o excedente das aplicações relativas às origens associadas à actividade comercial e produtiva. Isto resulta do facto da abordagem tradicional do equilíbrio financeiro ignorar o carácter renovável e alguns activos circulantes – como o saldo de clientes – os quais são equiparáveis a aplicações permanentes de fundos. na análise financeira.000 4.000 Verificamos que a empresa não dispõe de fundos suficientes para liquidar o empréstimo bancário. FUNDO DE MANEIO NECESSÁRIO O Fundo de Maneio Necessário é um conceito dinâmico e próprio de uma certa e determinada empresa (não é comparável).000 3.000 6. sobretudo na parte que respeita à exploração. Esta empresa que aparentava uma situação de equilíbrio. uma vez que se verificava a adequação entre o nível de exigibilidade das origens e o grau de liquidez das aplicações. pois os activos e os passivos normais dependem em muito de factores externos à empresa. condição tradicional do equilíbrio financeiro.000 5. dificilmente influenciáveis pelos seus gestores.000 22. Lda 84 . acabaria por se deparar com um problema de insolvência. A ABORDAGEM RENOVADA DO FUNDO DE MANEIO Em virtude das limitações da abordagem tradicional de equilíbrio financeiro. Isto. Será também um conceito conjuntural. cuja constante rotação lhes confere um carácter estável e conduz à sua permanência. uma vez que os disponíveis são insuficientes para fazer face ao vencimento do empréstimo de curto prazo. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Próprio + Passivo 14.000 22.Finanças Empresariais Balanço Activo Activo Fixo Activo Circulante Clientes Disponibilidades Activo total 12.000 Capital Próprio e Passivo Capital Próprio Passivo de curto prazo Empréstimo bancário Fornecedores Total Cap. foi desenvolvida uma nova perspectiva de análise do equilíbrio financeiro. assente em conceitos como o Fundo de Maneio Necessário e a Tesouraria Líquida. apesar da grande importância que continua a ter a comparação entre liquidez das aplicações e exigibilidade das origens de fundos.

Aplicações Cíclicas de Exploração Existências. Origens Cíclicas de Exploração Crédito obtido de fornecedores. resultante das políticas praticadas a níveis diversos como o crédito concedido a clientes. Lda 85 . Adiantamentos de clientes. início de actividade. EOEP e acréscimos e diferimentos de exploração. sendo o diferencial entre as Necessidades de Fundo de Maneio normais e as reais. EOEP e acréscimos e diferimentos de exploração. Tal como o activo fixo. o nível médio de stocks. Adiantamentos a fornecedores. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Crédito concedido a clientes. dedicada à Os prazos associados ao seu ciclo de exploração são os seguintes. líquido de provisões. explicado pelo poder negocial de cada agente ou por outros factores de carácter temporário ou extraordinário. crítica para o desempenho da actividade da empresa. Existirá um nível normal. Consideremos uma empresa em comercialização de um produto único. o crédito obtido de fornecedores.Finanças Empresariais O Fundo de Maneio Necessário pode ser estimado com base na seguinte fórmula: FMN = Aplicações Cíclicas de Exploração – Origens Cíclicas de Exploração Sendo as parcelas correspondentes a. o Fundo de Maneio Necessário é também uma necessidade permanente de fundos. Estes desvios constituem também uma forma de avaliar a gestão da empresa.

Assim sendo. Só a partir do dia 25 haverá lugar ao primeiro recebimento. sendo o custo do produto de 1.000 = 17. Com o início da sua actividade a empresa começa por constituir stocks. cujos recebimentos são efectuados a pronto.500. Existências: 10 dias * 1. no valor de 32. Lda 86 .500 = 22. o Fundo de Maneio Necessário normal é negativo.000 = 10. Crédito a clientes: 15 dias * 1. Por outro lado. TESOURARIA LÍQUIDA A Tesouraria Líquida corresponde ao valor das aplicações circulantes de carácter não cíclico líquido do valor das origens de curto prazo com carácter não cíclico. Tal. Em determinadas actividades. sendo o exemplo mais comum para ilustrar estas situações.000. significa que o Fundo de Maneio Necessário representa uma origem permanente de fundos.000. efectuando a sua primeira venda no dia 10. A Tesouraria Líquida pode ser calculada com base na seguinte fórmula: Tesouraria Líquida = Tesouraria Activa – Tesouraria Passiva Os elementos que integram a Tesouraria Líquida são: Companhia Própria – Formação & Consultoria. sendo os pagamentos efectuados de acordo com prazos alargados.500.Finanças Empresariais 0 Armazenagem 10 Crédito a Clientes 25 Crédito de Fornecedores 15 dias O preço de venda da empresa é de 1. período após o qual efectuará o primeiro pagamento. Crédito de Fornecedores: 15 dias * 1. e não uma aplicação permanente como temos vindo a assumir. conclui-se que até então a empresa esteve a investir em existências e em crédito concedido aos clientes. O Fundo de Maneio Necessário corresponde assim à diferença entre as necessidades e as origens permanentes resultantes do ciclo de exploração. o caso dos hipermercados. obteve um financiamento por parte dos seus fornecedores de 15 dias.000.000 = 15.500-15.500. Estas situações são claramente favoráveis para a empresa.

Finanças Empresariais Tesouraria Activa. Tesouraria Líquida = Capitais Permanentes – (Activo Fixo + Fundo de Maneio Necessário) Um método de cálculo alternativo.Fundo de Maneio Necessário Tesouraria Activa Tesouraria Passiva = Tesouraria Líquida Companhia Própria – Formação & Consultoria. os títulos negociáveis. a relação fundamental de tesouraria também resulta da igualdade dos dois membros do balanço. e os créditos a terceiros sem carácter cíclico ou renovável. Lda 87 . RELAÇÃO FUNDAMENTAL DE TESOURARIA A relação fundamental de tesouraria assenta no princípio de que a tesouraria líquida é igual à diferença entre os capitais empregues para financiar a actividade e as necessidades resultantes dessa actividade. que inclui os empréstimos bancários de curto prazo. Activo Fixo Capitais Permanentes Fundo de Maneio Aplicações Cíclicas Origens Cíclicas . e os créditos de terceiros sem carácter cíclico ou renovável. vindo a relação fundamental de tesouraria expressa da seguinte forma: Tesouraria Líquida = Fundo de Maneio – Fundo de Maneio Necessário Tal como o Fundo de Maneio. Tesouraria Passiva. que inclui as disponibilidades. passa pela noção de Fundo de Maneio.

Finanças Empresariais PRINCIPIO DO EQUILÍBRIO FINANCEIRO – ABORDAGEM RENOVADA Com base neste novo conceito. Representação gráfica do equilíbrio financeiro renovado: Activo Fixo Capitais Permanentes Fundo Maneio Necessário Companhia Própria – Formação & Consultoria. uma empresa encontra-se em equilíbrio financeiro quando os capitais permanentes são suficientes para financiar as necessidades permanentes resultantes da actividade. sendo estas compostas pelo activo fixo e o fundo de maneio necessário. podemos enunciar o princípio de equilíbrio financeiro renovado da seguinte forma “Uma empresa está em equilíbrio financeiro quando a Tesouraria Líquida é positiva”. Activo Fixo Capitais Permanentes Fundo Maneio Necessário Tesouraria Líquida < 0 O princípio do equilíbrio financeiro renovado estipula que. Lda 88 . O balanço funcional abaixo representa uma empresa em equilíbrio financeiro porque a Tesouraria Líquida é positiva. Activo Fixo Capitais Permanentes Fundo Maneio Necessário Tesouraria Líquida > 0 O balanço funcional abaixo representa uma empresa em desequilíbrio financeiro porque a Tesouraria Líquida é negativa. Tesouraria Líquida.

(b) TL < 0. Lda (-) 89 . sobressai a dependência da empresa face ao sistema bancário e o risco de taxa de juro a que está sujeita. com FM > 0 e NFM > 0 Nesta situação a empresa financia parte das suas necessidades cíclicas de exploração de cariz permanente com operações de tesouraria. Companhia Própria – Formação & Consultoria. como retrata a figura seguinte: NECESSIDADES EM FUNDO DE MANEIO (+) (+) FUNDO DE MANEIO (a) TL < 0 (b) TL < 0 (c) TL > 0 (-) (e) TL > 0 (d) TL > 0 (f) TL < 0 (a) TL < 0. agravada por uma acrescida dependência de operações financeiras de tesouraria. Só através de uma análise estática comparativa. podem ser tipificadas seis 6 estruturas financeiras. aferindo a evolução temporal desta situação. das Necessidades de Fundo de Maneio e da Tesouraria Líquida.Finanças Empresariais ESTRUTURAS FINANCEIRAS Em função da conjugação dos diferentes sinais do Fundo de Maneio. com FM < 0 e NFM > 0 Denota uma deficiente estruturação ao nível dos capitais estáveis. se conseguiria concluir sobre um efectivo desequilíbrio financeiro. Não se tratando de um verdadeiro problema de solvabilidade.

com FM > 0 e NFM < 0 Esta será a situação financeira mais favorável. com FM < 0 e NFM < 0 Semelhante à situação anterior. pois um rápido vencimento das NFM obrigaria à libertação de aplicações de tesouraria antes do previsto. significar um maior risco financeiro. (e) TL > 0. embora possa significar um de excesso de FM. garante de inexistência de dificuldades financeiras. É o quadro típico de actividades com ciclos de exploração curtos. (f) TL < 0. todavia.Finanças Empresariais (c) TL > 0. esta situação financeira poderá. o que indiciaria um nível de actividade excessivo face à capacidade financeira da empresa. com FM < 0 e NFM < 0 Esta é uma situação financeira à qual está associado um nível de risco elevado. com FM > 0 e NFM > 0 É uma situação indicadora de equilíbrio financeiro. Companhia Própria – Formação & Consultoria. como é o caso da grande distribuição. dado que FM < 0. face ao desequilíbrio financeiro que traduz. (d) TL > 0. As NFM<0 podem resultar de ciclos de exploração curtos. mas sim a optimização dos seus recursos. o que está em causa não é a solvabilidade da empresa. Neste caso. Lda 90 . Não é. face às NFM negativas. no entanto. com margem de segurança.

analise o equilíbrio financeiro da empresa. EXERCÍCIO 6.000 Todos os créditos se vencem a 45 dias e que as existências são as suficientes para garantir as vendas pelo mesmo período.000 Passivo de curto prazo Fornecedores Empréstimos bancários EOEP Acréscimos e Diferimentos Total Cap. Activo Activo Fixo Activo Circulante Existências Clientes Outros devedores Disponibilidades Acréscimos e Diferimentos Activo total 18.000 8.500 2.000 vencem-se. que os débitos a curto prazo no valor de 38. por si só. suficiente para caracterizar a situação de equilíbrio financeiro”. na totalidade.750 3.000 EXERCÍCIO 6. Calcule o fundo de Maneio e comente os resultados à luz do princípio tradicional de equilíbrio financeiro.Finanças Empresariais EXERCÍCIO 6.2 Considere o seguinte balanço.750 750 750 30.3 Comente a seguinte afirmação: “O sinal do Fundo de Maneio é. a 30 dias. Lda 91 .000 10. Próprio + Passivo 11. Companhia Própria – Formação & Consultoria.250 3.750 Capital Próprio e Passivo Capital Próprio Passivo médio/longo prazo 4.1 Considere que o activo circulante de uma empresa é constituído pelas seguintes rubricas: Existências Créditos de curto prazo Disponibilidades 20. Sabendo. por outro lado.250 3.750 9.750 450 300 30.

apesar de distintos do ponto de vista jurídico e de gestão. podendo assumir duas modalidades distintas: Fusão por incorporação . 1999 Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda 92 . ou mais sociedades. Não há lugar à constituição de nenhuma nova sociedade (A + B) = A. IAPMEI. que se designa sociedade incorporante. 1 Texto elaborado com base no livro “ABC das Fusões e Aquisições”. para a sociedade A. Lisboa. Fusão e Aquisição. A AQUISIÇÃO de uma empresa pode respeitar à aquisição de capital. CARVALHO DAS NEVES & ASSOCIADOS. Uma FUSÃO consiste na reunião de duas ou mais sociedades numa só. surgem normalmente associados.através da transferência global do património da sociedade B. atribuindo-se aos sócios e accionistas da sociedade C as respectivas partes de capital em função do valor negociado para cada uma das empresas fundidas (A + B = C).Finanças Empresariais 7 Fusões e Aquisições Principais conceitos1 ENQUADRAMENTO Estes dois conceitos. Fusão por concentração – É constituída uma nova sociedade C. para são transferidos os patrimónios das empresas A e B. Esta operação pode incidir sobre a totalidade (de controlo) ou apenas parte (minoritária) do capital de uma empresa.

a avaliação propriamente dita e a negociação do preço da empresa alvo. passada. actual e perspectivas futuras. normalmente. Os riscos destas operações de turnaround são muito elevados. levantando-se a questão sobre o nível de conhecimento sobre a real situação da empresa. está subjacente a estas operações (trata-se de uma generalização). CRIAÇÃO DE VALOR A decisão estratégica de adquirir uma empresa visa. por hipótese).Finanças Empresariais Esta associação entre fusões e aquisições resulta da noção de controlo da empresa que. Fase 4 – Avaliação da empresa alvo – Envolver o diagnóstico. Fase 6 – Auditoria da pós-aquisição – Análise e reavaliação do processo de aquisição. deve estimar com ponderação os custos de reestruturação. Lda 93 . Gestão ineficiente – apesar de o adquirente se julgar detentor da capacidade e know-how necessários para a gerir de forma eficiente. Tal verifica-se quando: Subavaliação – algo que poderá suscitar muitas dúvidas. Fase 5 – Integração da empresa adquirida – A empresa alvo passa a ser gerida pelos novos detentores de capital. que vêm nesta via o meio indicado para prosseguir os seus objectivos de crescimento. Fase 3 – Abordagem inicial – Tenta-se aferir da receptividade dos sócios ou accionistas da empresa alvo à operação. É definido o perfil da empresa alvo. ao fim de algum tempo (2 anos. Fase 2 – Pesquisa e selecção – Identificação de empresas em conformidade com o perfil delineado. O PROCESSO DE AQUISIÇÃO São várias as fases a que está sujeito o processo de aquisição de uma empresa: Fase 1 – Estratégia empresarial – As F&A são determinadas pelas decisões estratégicas das empresas adquirentes. É concretizada a oferta de compra. de uma forma ou de outra a criação de valor. Companhia Própria – Formação & Consultoria.

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Sinergias potenciais – estas sinergias podem resultar de economias de escala a diferentes níveis, produção, distribuição, marketing e financeira. Por exemplo, a marca de uma empresa pode ser usada para lançar produtos da outra empresa.

TIPOS DE AQUISIÇÃO E SINERGIA As estratégias de aquisição de empresas são classificadas da seguinte forma: Aquisições horizontais: são as aquisições de empresas concorrentes, ao nível do mercado, do produto ou da tecnologia. Entre as principais vantagens destacam-se o reforço do poder negocial, as economias de escala, a economia de custos, o alargamento da oferta e do mercado potencial. Aquisições verticais: A montante ou a jusante. São operações que envolvem empresas situadas em diferentes níveis da cadeia de valor do negócio da empresa adquirente. Visam sobretudo a economia de custos, a garantia de qualidade dos produtos ou dos fornecimentos de matériaprima. Aquisição de diversificação: Podem ser de dois tipos: Diversificação pura – a empresa alvo não tem qualquer espécie de ligação com a empresa adquirente. Diversificação concêntrica – existem elos de ligação, sobretudo ao nível do marketing ou tecnologia;

Formas de sinergia: Sinergia por transferência – Os recursos e competências da sociedade adquirente são transferidos para a sociedade adquirida, melhorando o desempenho desta. Sinergia por partilha – Desenvolve-se um processo interacção e aprendizagem mútua, com benefícios de parte a parte. É o caso das economias de escala. Sinergia por conluio – Sinergias resultantes do reforço do poder negocial perante o mercado. É caso da compra de quota de mercado, através de aquisições horizontais. São múltiplos os exemplos passíveis de serem mencionados, as concentrações verificadas nos últimos tempos na indústria farmacêutica serão um deles.

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ABORDAGEM E NEGOCIAÇÃO INICIAL Não sendo uma fase do processo de aquisição mais importante do que as restantes, porque todas elas são relevantes, a abordagem e negociação inicial será certamente aquela que mais dúvidas e incertezas colocará aos potenciais envolvidos. É suposto que a sociedade adquirente chegue a esta fase certa daquilo que quer, e que isso corresponde ao que efectivamente necessita. As duas fases anteriores de Planeamento Estratégico e Pesquisa e Selecção têm esse objectivo. Devem agora procurar conhecer melhor o seu alvo potencial. Para tal terão de recolher o máximo de elementos sobre a empresa alvo, sobre os seus gestores e sócios ou accionistas. As questões que não devem ficar sem resposta são as seguintes: O que é que se pretende obter da empresa alvo? Quais as alternativas à compra desta empresa alvo? Qual o valor da empresa? Tem dados suficientes para fazer uma oferta de valor? Existem potenciais concorrentes à aquisição? Qual o preço que estão dispostos a suportar pela empresa alvo? Quais as alternativas do vendedor? Coloque-se na sua posição. Durante todo o processo de negociação decorre o estudo mútuo continuado do comportamento, atitude psicológica e identidade de cada parte, assim como dos seus objectivos, de modo a orientar a negociação para a satisfação conjunta dos objectivos. ATITUDE “JU-JITSU” NA NEGOCIAÇÃO A negociação não deve ser encarada como uma arena de conflito! Não se trata de ver quem fica com a fatia maior do bolo. A negociação de aquisição de uma empresa não deve ser reduzida a esta dimensão. Deve aproveitar-se o processo de negociação para criar relações e procurar fontes de criação de sinergia entre as duas empresas. Há que estimular a reflexão sobre o processo de criação de valor, conduzindo a negociação para uma plataforma de parceria em vez de rivalidade.

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A utilização de interrogações, dúvidas que levem o seu interlocutor a encontrar soluções, criar-lhe-á flexibilidade na negociação e maior facilidade de movimentação sobre possíveis soluções futuras. Lembre-se que o preço não será o único alvo da negociação. Este processo é habitualmente ilustrado, de forma muito feliz, pelo caso das duas irmãs que disputam a última laranja que tinham em casa. Há falta de consenso, a mãe acaba por dividir a laranja ao meio! Assunto resolvido. Talvez não da melhor forma! Caso se tivesse verificado uma atitude “JUJITSU” na negociação, rapidamente teriam, as irmãs, concluído que partilhavam de interesses distintos, mas compatíveis, sobre a mesma laranja. Enquanto uma queria a laranja para sumo, a outra pretendia aproveitar a casca para fazer um bolo… SITUAÇÕES DE IMPASSE Ocorrem quando se torna impossível reconciliar as diferenças de perspectiva sobre o preço ou sobre qualquer outro aspecto considerado fundamental pelas partes. Prosseguindo uma estratégia de negociação integrativa devem partilhar-se as bases e os pressupostos das avaliações. Muitas vezes as diferenças residem na valorização de activos passíveis de serem excluídos do negócio. PREÇOS COM EARN-OUT O earn-out é um método de compensação do vendedor pelo valor da empresa observável no futuro. Pode ser utilizado na resolução de situações de impasse. Esta abordagem será eficiente se houver entendimento e confiança mútuas. É uma relação win-win. UMA NEGOCIAÇÃO EFICAZ Para desenvolver uma negociação integrativa sugere-se as seguintes áreas de reflexão comum: Identificar os interesses comuns - ambas as empresas podem chegar à conclusão que querem a mesma solução para vários problemas e que estão em condições de trabalhar em conjunto para criar valor; Reconhecer as diferenças de interesse - as diferenças de interesse podem ser uma forma de realizar valor com facilidade; Redefinir da situação - A negociação cooperante permite que as partes reformulem os conflitos aparentes e inventem novas formas de actuação que satisfaçam os interesses de ambas as partes.

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Lda 97 . Diagnóstico interno – análise dos seus pontos fortes e fracos. presente e futuro da empresa alvo.” Este processo abrangente passa por: Diagnóstico externo – análise das oportunidades e ameaças. Auditoria legal. procura verificar se estes reflectem de forma verdadeira e apropriada o valor contabilístico. e analisa as oportunidades e riscos potenciais de qualquer outra natureza. para a laboração do plano de integração da empresa.Finanças Empresariais SINAIS DE PERIGO NA NEGOCIAÇÃO Omissão de questões chave ou análise de áreas chave. Respostas vagas e pouco claras. Não utilização de especialistas em áreas cruciais. O due diligence tem uma contribuição elementar para o processo de avaliação e. documentos e locais ou activos. associados ao passado. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Limitação no acesso a pessoas. Auditoria financeira e fiscal. DUE DILIGENCE “É o processo de pesquisa informação relevante sobre todos os activos e passivos da empresa alvo. Informação incompleta e incorrecta. posteriormente. Necessidade de exigir maior empenho e informação antes de prosseguir com as negociações – falta de cooperação. Atrasos nas respostas.

Não utilização do princípio da especialização dos exercícios (evitando reflectir custos do próprio ano). os resultados líquidos aparecem sobreavaliados e o passivo subavaliado. Lda 98 . Dificuldade em estabelecer comparações com transacções equiparáveis. Sobrevalorização de imobilizado e capital próprio (reavaliações livres). PARTICULARIDADES DAS EMPRESAS EM SITUAÇÃO DIFÍCIL Tendem a procurar encobrir a sua verdadeira situação financeira. não aplicando os princípios contabilísticos normalmente aceites. Não existe o “gestor” (acumulação dos poderes de propriedade e de gestão). Não regularização das existências obsoletas. Desrespeito do princípio da especialização do exercício.Finanças Empresariais PARTICULARIDADES DAS PME Demonstrações financeiras de menor credibilidade (não certificadas e visando a minimização da carga fiscal). Sobrevalorização de existências (produtos em curso e acabados para minimizar os custos das vendas. Companhia Própria – Formação & Consultoria. A política de remuneração não se rege pelo mercado. despesas de manutenção). Ao contabilizar o custo pelo pagamento e deixando de pagar custos financeiros. Excesso de valor nas contas de clientes (não efectuam provisões para cobrança duvidosa). Falta de informação e estatísticas sobre os negócios e mercados. Forma jurídica (mistura entre actividades da empresa e do empresário em nome pessoal). nomeadamente: Capitalização de custos do exercício (investigação e desenvolvimento.

2 O que entende por “Aquisição horizontal”? EXERCÍCIO 7. EXERCÍCIO 7.Finanças Empresariais EXERCÍCIO 7. EXERCÍCIO 7. Companhia Própria – Formação & Consultoria. identifique exemplos de sinergias potenciais em operações de fusão ou aquisição de empresas.5 Indique três aspectos particulares a serem ressalvados numa due diligence sobre uma PME alvo.1 Em grupos de três elementos.6 Indique três aspectos particulares a serem ressalvados numa due diligence sobre uma empresa alvo em situação financeira duvidosa.3 O que entende por due diligence? Que trabalhos implica? EXERCÍCIO 7.4 Que indícios poderão sinalizar o perigo das negociações em curso no âmbito duma operação de aquisição? EXERCÍCIO 7. Lda 99 .

em redor do qual actuarão as forças do mercado. exequível no caso de empresas com capital aberto com acções negociadas em bolsa e amplo volume de informação disponível. mas sim numa estimativa de base. e sem empresas de capital aberto comparáveis. ao contrário do que possa parecer. um intervalo. O PROCESSO DE AVALIAÇÃO O Valor de uma empresa é muito subjectivo. dentro dos quais se situam diversos valores aceitáveis. não resultam na fixação de um preço ou valor específico para a empresa. Lda 100 . Companhia Própria – Formação & Consultoria. De entre os vários métodos que irão ser abordados. dentre os quais o principal é a estimativa do custo médio ponderado do capital.Finanças Empresariais 8 Avaliação de Empresas Principais modelos ENQUADRAMENTO A avaliação da uma empresa permite definir intervalos de negociação. o método do fluxo de caixa descontado será um dos mais utilizados por profissionais do mercado e académicos. cada qual com as suas percepções sobre o potencial do mesmo. no caso de empresas com capital fechado. Contudo. Tanto o comprador como o vendedor deverão efectuar a sua própria avaliação do negócio. As técnicas estabelecidas. O modelo propõe uma metodologia de estimação do valor de uma empresa. o processo pode apresentar desafios adicionais.

à semelhança de qualquer empresa. em função do comprador. pelo menos para empresas em actividade. não apenas económicos das pessoas. variáveis que. Por exemplo. é perfeitamente quantificável e passível de avaliação desde que definidas correctamente as técnicas apropriadas e as informações relevantes. Lda 101 . O JUSTO VALOR DE MERCADO O valor de mercado só existe depois de efectuada a transacção. impedem uma fiável quantificação e avaliação económica. considerado justo entre as partes. possui dois tipos de utilidade. assim. Afectividade.). E a utilidade subjectiva. os recursos humanos. Por valor de mercado entende-se o valor mais provável por que uma empresa seria transaccionada num mercado competitivo e aberto. ou continuidade: Companhia Própria – Formação & Consultoria. Assimetria de informação.Finanças Empresariais Assim. que decorre dos desejos e interesses. adquirentes para desvalorizar a empresa alvo. no entanto. por isso. etc. Tendência dos subavaliando-a. A empresa pode ser sobreavaliada por falta de informação adequada (importância da due diligence). Este aspecto é menos bem compreendido pelos empresários. pelo que será função de factores internos e externos à empresa (factores externos como a concorrência. As técnicas de avaliação são apenas uma forma de estimar o valor de mercado da empresa. a regulamentação e as tendências da indústria. As divergências nos resultados da avaliação podem. Os gestores da empresa alvo têm tendência a atribuir mais valor à empresa do que ela realmente vale (sobretudo nas PME). relativa a utilidade do bem em si mesmo. Ajustamento ao comprador potencial. a imagem da empresa. o valor para fusão será diferente de o valor para partilha de quotas ou acções. É comum a utilização de outras noções de valor. Tendência da empresa alvo para ajustar a estimativa do valor casuisticamente. decorrer dos seguintes aspectos: Diferentes objectivos de avaliação. estas não serão tão relevantes quanto o valor de mercado. e internos a qualidade dos produtos. é natural que a cada avaliador corresponda um valor diferente. Todo o activo. a utilidade intrínseca.

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O valor contabilístico da empresa é o valor do capital próprio. O valor de reposição da empresa considera os activos e passivos avaliados ao preço de substituição, sendo o valor do capital próprio apurado pela diferença. O valor de liquidação traduz o preço de venda dos activos em leilão deduzido da dívida. Apresentam-se, de seguida, as técnicas mais utilizadas na prática, com particular atenção para o modelo de fluxos de caixa descontados.

AVALIAÇÃO PATRIMONIAL
O valor patrimonial (ou contabilístico) é a metodologia mais expedita de valorização de uma empresa. Incide sobre a reformulação do balanço, no qual os activos e passivos da empresa, incluindo os não contabilizados, são avaliados individualmente, em função dos critérios mais adequados, em conformidade com a “Directriz Contabilística nº 13 - Conceito de justo valor”. A contabilização dos activos e passivos a valores históricos, não tendo em linha de conta factores como a inflação e a obsolescência, e a existência de activos intangíveis valiosos como, por exemplo, o valor das marcas, os relacionamentos, os recursos humanos, a reputação, etc., constituem factores que limitam a aplicabilidade deste modelo. A diferença entre o preço de transacção e o valor dos activos e passivos avaliados, quando o primeiro é superior, é designada por goodwill ou trespasse - representa o excedente de preço relativamente ao justo valor dos activos e passivos. O valor da empresa nesta abordagem pode ser feito de duas maneiras: • • Somando-se o valor do capital próprio (o valor patrimonial líquido); Somando-se os activos totais e subtraindo-se os passivos circulantes mais o exigível a longo prazo.

Funciona como um ponto de partida a avaliação da empresa.

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AVALIAÇÃO POR COMPARAÇÃO COM O MERCADO
Esta metodologia assume que a activos semelhantes devem correspondem preços semelhantes. Assim, o método de avaliação por comparação com o mercado estima o valor da empresa recorrendo à comparação com transacções efectuadas no mercado de empresas comparáveis ou com empresas similares cotadas em bolsa. Como a principal dificuldade passa pela definição do que será comparável, é comum recorrer-se a rácios sobre empresas concorrentes ou médias de empresas com um conjunto de características semelhantes às da empresa que está a ser avaliada. O uso de indicadores ajusta diferenças de escala entre as empresas. De entre os rácios mais utilizados, destacam-se os seguintes:

PRICE EARNINGS RATIO (PER)

PER =
em que:

P VM = RPA RL

PER – Price Earnings Ratio (rácio do preço lucro); P – Preço de cotação ou valor da transacção por acção; RPA – Resultados líquidos por acção. Pode calcular-se na base da totalidade do capital: VM – valor da transacção efectuada no mercado ou, no caso de empresa cotada, capitalização bolsista; RL – Resultados líquidos.
PRICE BOOK VALUE (PBV)

PBV =

P VM = CPu CP

em que: CPu é o valor contabilístico do capital próprio a dividir pelo número de acções.

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Caso se pretenda calcular o rácio pela totalidade em vez de ser por acção usa-se o valor da transacção (VM) e o valor do capital próprio contabilístico (CP).
PRICE SALES RATIO (PS)

PS =

P VM = VNu VN

em que: VN é o valor das vendas e prestação de serviços; VNu é o volume de negócios por acção.
Na prática não existem duas empresas perfeitamente comparáveis, pelo que os comparativos de mercado devem ser utilizados com prudência e por especialistas.

AVALIAÇÃO PELOS FLUXOS DE CAIXA ACTUALIZADOS
São vários os métodos de avaliação pelos fluxos de caixa. Todos eles assentes no pressuposto de que o valor de um negócio depende dos benefícios futuros que irá produzir, descontados para um valor presente, a uma determinada taxa de desconto que, se pretende, reflicta os riscos inerentes aos fluxos estimados. Assim, a empresa é avaliada não em função da sua situação actual ou passada mas, fundamentalmente, em função da sua capacidade para gerar fluxos monetários no futuro. O que diferencia cada um dos métodos de avaliação pelos fluxos de caixa actualizados é precisamente o tipo de fluxo de caixa utilizado e a respectiva taxa de custo de capital. O método mais utilizado na prática ainda é o método do custo médio. No entanto, a utilização do Valor Actual Líquido Ajustado tem vindo a generalizarse. O VALA utiliza o princípio da separação das decisões de investimento e financiamento, sendo os fluxos de caixa actualizados ao custo de capital da empresa não endividada (kunlevered). No âmbito do presente manual iremos desenvolver apenas o método do custo médio, dada a preferência que recolhe dos profissionais e académicos.

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traduz os fundos disponíveis para remunerar a totalidade do capital investido na empresa. ou Free Cash Flow to the Firm (FCFF). Lda 105 . ou em fundo de maneio. portanto.CAPM) e o modelo de Gordon. A – amortizações.Índice de risco do investimento a ser avaliado Companhia Própria – Formação & Consultoria.o modelo dos activos financeiros em equilíbrio (Capital Asset Pricing Model . próprio e alheio. os meios gerados pelas operações durante o ano. ∆NFM . t – taxa de imposto sobre os lucros. O modelo do CAPM: Ke = Rf + β(Rm − Rf ) em que: Rm – Rendibilidade de mercado Rf – Rendibilidade do activo sem risco β . líquidos de impostos e ignorando o modo como a empresa está a ser financiada: FCFF = RO × (1 − t ) + A − ∆NFM − I em que: RO – resultados operacionais.Investimento em capital circulante. A este valor serão posteriormente acrescidos os activos extra-exploração para obtermos o valor da empresa. Dos vários modelos existentes para o cálculo do custo do capital próprio. Representa. ESTIMATIVA DO CUSTO DE CAPITAL Custo de capital próprio O custo de capital próprio representa a rendibilidade exigida pelos accionistas de modo a compensar o risco económico e financeiro.Finanças Empresariais FLUXO DE CAIXA OPERACIONAL O Fluxo de Caixa Operacional (FCO). I – Investimento em capital fixo. VALOR DO NEGÓCIO A actualização dos fluxos de caixa operacionais à taxa de desconto apropriada é equivalente ao valor do negócio. iremos abordar os mais correntes .

que pode ser obtido pela sua actualização a uma taxa de risco adequada ou pelo seu preço de mercado. Lda 106 . Custo médio de capital O custo médio ponderado do capital (Km). No entanto.Finanças Empresariais (Rm – Rf) – Prémio de risco de mercado O modelo de Gordon: ke = D1 +g P0 em que: D1 – dividendo por acção estimado para o primeiro ano P0 – o preço ou valor de cada acção no momento da avaliação g – a taxa de crescimento dos dividendos e lucros Custo de capital alheio O custo de capital alheio equivale à taxa de juro que a empresa estaria em condições de negociar no mercado. t designa a taxa marginal de imposto sobre lucros. ACTIVOS EXTRA-EXPLORAÇÃO Os activos extra-exploração devem ser considerados ao seu valor de mercado. Ke designa o custo de capital próprio. kd designa o custo da dívida financeira antes e impostos. pode calcular-se do seguinte modo: k CA CP =k × + k × (1 − t )× d m e CT CT em que: CT representa o capital total da empresa. são utilizadas aproximações com base em taxas históricas ou médias. ou seja o total dos capitais próprios (CP) e capitais alheios (CA). resultados Companhia Própria – Formação & Consultoria. ou weighted average cost of capital (WACC). e porque nem sempre se obtém esta informação. Esta classe de activos engloba normalmente disponibilidades e aplicações financeiras de curto prazo.

também frequentemente designado de valor residual. A fórmula de cálculo do valor residual. ou fluxos provenientes de investimentos em outras HORIZONTE TEMPORAL A definição do horizonte temporal da avaliação é de extrema importância. é a seguinte: VCT = VALOR DA EMPRESA FCFFT +1 km − g O valor dos activos na posse da empresa alvo é então determinado da seguinte forma: Companhia Própria – Formação & Consultoria. assumindo que as variáveis determinantes do valor estabilizam ou evoluem de acordo com uma determinada taxa de crescimento (g). O valor de continuidade. correspondente ao período para o qual são estimados os fluxos de caixa em cada momento. normalmente. Pelo que a sua determinação reveste-se de grande importância. O período de continuidade. sendo usual assumir a perpetuidade do negócio. pois.Finanças Empresariais extraordinários actividades. é determinado como uma perpetuidade do fluxo de caixa a partir do horizonte temporal (FCFFt+1 ou FCOt+1). é estimado um valor de continuidade. na hipótese de vida infinita e taxa de crescimento constante dos fluxos de caixa. A distribuição dos fluxos é normalmente considerada em dois períodos distintos: O horizonte previsional. Lda 107 . assumindo tratar-se de uma fase de relativa estabilidade. VALOR DE CONTINUIDADE Assumindo-se a perpetuidade da empresa. à maior parte do valor estimado para a empresa. a parcela do valor de continuidade corresponde. podendo influir significativamente no resultado da avaliação. Neste caso os fluxos de caixa não são explicitamente determinados. Deverá corresponder a um período de crescimento.

Este fluxo deve ser líquido de impostos e outros custos específicos. o que. é expectável que uma empresa em dificuldades financeiras tenha fluxos de caixa negativos. empresas em dificuldades financeiras. empresas com patentes.Valor de mercado da dívida financeira = Valor dos capitais próprios LIMITAÇÕES O método do fluxo de caixa descontado apresenta limitações em algumas situações: pequenas e médias empresas. Para chegarmos ao valor do capital próprio basta subtrair o valor de mercado da dívida financeira ao valor da empresa. resultaria na inadequação deste método. que se pressupõe financiada por capitais próprios e dívida.Finanças Empresariais VE = ∑ i =1 n (1 + k m ) FCFFi i +∑ i =1 n (1 + k m ) CFEE i i + (1 + k m )i VC i Em que: FCFF representa o fluxo de caixa operacional. VALOR DOS CAPITAIS PRÓPRIOS Até aqui vimos como obter a valorização da empresa. a manter-se esta tendência para o futuro. CFEE representa o fluxo de caixa obtido pelos activos não afectos à exploração em consequência da alienação ou fruição dos mesmos. Nesta situação seria recomendável a avaliação pelo valor de liquidação ou o recurso a modelos de avaliação de opções. empresas cíclicas. Assim sendo: + Valor do Negócio + Valor de mercado dos activos extra-exploração = Valor da Empresa . VC representa o valor de continuidade. Por exemplo. empresas com activos não-utilizados. Km representa o custo médio ponderado do capital. Lda 108 . empresas em processo de reestruturação e empresas envolvidas em aquisições. Companhia Própria – Formação & Consultoria.

993 642 3. geralmente.928 5.256 1. dispondo de históricos reduzidos e menos fiáveis.424 5.A.432 4. Têm.227 1. S. uma estrutura de capital mais simples. pretende-se que: a) b) Determine o custo médio ponderado do capital da empresa.767 88 730 Ano 3 10..140 14. Ano 1 Vendas CMVMC Amortizações RAJI Investimento em Fundo de Maneio Investimento em Capital Fixo 10.168 3.220 5.256 934 3.600 Prevendo-se que a partir do ano 5 a empresa entre numa fase de maturidade (de crescimento nulo).796 0 642 Custo do capital próprio: Custo médio da dívida: Taxa de imposto sobre lucros: Autonomia financeira objectivo: Valor de mercado dos activos extra-exploração: Capital investido na exploração no início do ano 1: Valor de mercado da dívida financeira: 15.1 Considere os seguintes elementos previsionais relativos à empresa XPTO.226 3. Os pequenos negócios têm normalmente dados contabilísticos não auditados ou revistos. Determine o valor da empresa e o valor dos capitais próprios.300 13.548 1. expressos em milhares de euros.460 3.416 117 876 Ano 4 9.738 58 876 Ano 5 9.0% 9.Finanças Empresariais Também no caso das pequenas e médias empresas a aplicação deste método deve ser feita de forma cuidada. dadas as particularidades inerentes a empresas desta natureza.0% 60.220 5. a compra e venda de pequenas empresas é frequentemente determinada por outras razões que não as estritamente financeiras. Por outro lado. Lda 109 .0% 7. EXERCÍCIO 8.796 58 876 Ano 2 10.0% 30. nem sempre as motivações que movem os empresários são as mais racionais. Companhia Própria – Formação & Consultoria.

Finanças Empresariais 9 Exercícios EXERCÍCIO 1. numa perspectiva de médio e longo prazo? Apresente as suas conclusões numa folha A4. EXERCÍCIO 1. quando mal geridas. Lda 110 . Tópico de resposta: É apenas mais uma. em separado. Tópico de resposta: Política de investimento. condição necessária mas não suficiente.1 Comente a seguinte afirmação: “ A função financeira é a mais importante das áreas de uma empresa organização”. as finanças de uma empresa serão seguramente causa de insucesso. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Política de financiamento.2 Quais as principais políticas da empresa que se enquadram no âmbito da função financeira. Sendo certo que. Política de distribuição de resultados.

3 Quais as principais políticas da empresa que se enquadram no âmbito da função financeira. num período. Lda 111 . EXERCÍCIO 2. podendo estar representadas no activo ou no passivo.1 O que entende por grau de exigibilidade? De que forma afecta o balanço. Quanto menor o prazo. em função da natureza dos seus valores. Política de gestão dos débitos de curto prazo.Finanças Empresariais EXERCÍCIO 1. Companhia Própria – Formação & Consultoria. são apresentadas por ordem crescente de exigibilidade. As da situação líquida e passivo. Tópico de resposta: O Grau de Exigibilidade baseia-se nos diferentes prazos de vencimento dos créditos obtidos e informa da sua crescente exigibilidade. maior a exigibilidade. Tópico de resposta: Os acréscimos e diferimentos são uma conta de saldo credor e/ou devedor. EXERCÍCIO 2.2 Os acréscimos e diferimentos são uma conta do Activo ou do Passivo? Justifique. daí os capitais próprios surgirem em primeiro lugar. numa perspectiva de curto prazo? Tópico de resposta: Política de gestão do activo circulante.

mas que são proveitos do exercício). EXERCÍCIO 2.000€ e 2. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda.3 Qual a contribuição da contabilidade analítica para a análise da demonstração de resultados? Tópico de resposta: A existência de contabilidade analítica permite a imputação.000€ consegue resultados de 6. inviabilizando a utilização da demonstração de resultados por funções na análise e gestão financeira. enquanto a BBB só consegue 4. no valor de.000€. Determine o resultado de exploração de cada empresa no ano corrente.750€ para a BBB. Ambas apresentaram no último ano o mesmo volume de negócios e o mesmo resultado de exploração.. EXERCÍCIO 5. respectivamente.250€. e de 18. RESOLUÇÃO 1) A empresa AAA com um volume de vendas de 30.. Comente os resultados obtidos por cada empresa.750€ vendendo 35. considerando que as vendas crescerão cerca de 20% e 40%. justificando o desempenho das mesmas à luz da teoria CVR. As despesas diferidas (custos do exercício com realização de despesa em exercícios seguintes) e receitas com proveito diferido (receitas do exercício cujo proveito respeita a exercícios posteriores). Lda 112 . A sua inexistência impossibilita a identificação dos custos directos e indirectos de cada função. são contas do Activo. Lda. a AAA. dos custos e proveitos a cada função da empresa.1 Considere duas empresas. fidedigna. 4.250€ para a AAA. Lda.000€.Finanças Empresariais As despesas com custo diferido (feitas no exercício mas que correspondem a custos dos exercícios seguintes) e acréscimos de proveitos (antecipação de receitas a ocorrer em períodos posteriores. são contas do passivo. Lda. 25. e a BBB. Os custos variáveis foram de 6. respectivamente. 3.

000 40.000 50. Determine a quantidade correspondente ao ponto crítico de vendas.000 300.000 CT 88. 5.8 Q 10.000 316.000 RE -38.000 266.000 200.0 3.000 22. neste caso em valor (208.000 126.333 190.000 50.000 20. A empresa seria rentável se vendesse 250.000 41. está assegurada uma rendibilidade de exploração positiva.000 50.000 -2. 4) Sim.000 150.333€).000 100.000 50.000 CF 50.000€? Resolução: Custos fixos totais Preço de venda unitário Custo variável unitário 50.000 278.000 50. Companhia Própria – Formação & Consultoria.000 164.8€. o que implica que idênticos crescimentos das vendas originam aumentos nos resultados de exploração mais elevados no empresa AAA do que na BBB.000 3) Não.000 70. A empresa BBB adoptou uma estratégia de perdas mais reduzidas e de ganhos reduzidos.000 208.000 CV 38.000 30.000 -14.000 76.000 158.000 V 50.000 228.000 152.000€.333 250.2 Suponha uma empresa com custos fixos totais no valor de 50. mas para a empresa BBB realizar o mesmo lucro que AAA terá que vender muito mais. com um preço de venda unitário de 5€ e um custo variável unitário de 3.000 5.000 202.Finanças Empresariais 2) A explicação desta situação resulta do facto de o coeficiente de não absorção dos custos variáveis de AAA ser muito superior ao de BBB. acima do ponto crítico.000 34.000 114.000 unidades? 8. A empresa seria rentável se vendesse 20. 7. Represente graficamente o ponto crítico de vendas da empresa. A empresa AAA adoptou uma estrutura de exploração com maiores riscos que é vantajosa em períodos de crescimento económico.000 50.000 208. Lda 113 .000 60.000 350.000 -26. na zona abaixo do ponto crítico a actividade não é rentável.000 0 10. que sendo mais arriscada. 6. EXERCÍCIO 5. é vantajosa em situações de conjuntura económica desfavorável.333 240.000 50.667 50.

no valor de 50. Considere agora que foi decidido recorrer a um financiamento bancário.400 29% 27% Companhia Própria – Formação & Consultoria.000 200. a uma taxa de juro de 22% para libertar capitais próprios para os accionistas no montante de 60.Determine a rendibilidade económica e a rendibilidade financeira da empresa.000 40% 1. Calcule de novo as duas medidas de rendibilidade.000 350.000€.000 36.3 Admita uma empresa com os seguintes elementos: Origens de fundos Passivo Capitais próprios Total RAJI Custos financeiros ISR 150.Finanças Empresariais EXERCÍCIO 5. comentando o sentido e razões da sua variação. Origens de fundos Passivo Capitais próprios Total Custos financeiros RL Rendibilidade económica Rendibilidade financeira 200.000 25. RL Rendibilidade económica Rendibilidade financeira 45. 2.000 100.000€.000 140.000 29% 23% 2. Resolução: 1.000 38.000 340. Lda 114 .

000 50.000 160. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Especifique os factores que contribuem para a variação da rendibilidade da empresa.000 40. Concorda com o financiamento desta operação? Resolução: 1.667 26.4 Admita uma empresa com os seguintes elementos: Origens de fundos Passivo Capitais próprios Total RAJI Custos financeiros ISR 120. calcule a rendibilidade esperada para a empresa.000 E considerando que a empresa pretende distribuir os resultados transitados pelos seus sócios.000 40% 1. Sabendo que a composição do capital próprio da empresa é a seguinte: Capitais próprios Capital social Reservas Resultados transitados Total 10.000 25.667 2. Lda 115 .667 40. EXERCÍCIO 5.Determine a rendibilidade financeira da empresa 2. a uma taxa de juro de 25% para suportar a operação.Finanças Empresariais A rendibilidade económica é superior ao custo médio dos capitais alheios e o crescimento do passivo no conjunto das origens de fundos. permitem melhorar a rendibilidade financeira. recorrendo a um financiamento bancário.

Finanças Empresariais RL Rendibilidade económic Rendibilidade financeira 15.000 31.667 2. Lda 116 .00 10% 60% 2.667 11.667 13.000 31% 38% P ⎤ ⎡ RCP = ⎢ ROI + × (ROI − i )⎥ × (1 − t ) CP ⎦ ⎣ Rendibilidade financeira ROI P/CP ROI .333 160.000 26.000 31% 83% 83% 31% 11.667 40. havendo duas razões combinadas para justificar tal desempenho: por um lado o spread (ROI-i) aumentou.667 Origens de fundos Passivo Capitais próprios Total Custos financeiros tot RL Rendibilidade económic Rendibilidade financeira Decomposta ROI P/CP ROI .00 10% 60% Como se verifica a rendibilidade dos capitais próprios aumentou significativamente.i Ef fiscal 38% 31% 3.667 26.667 25% 26.i Ef fiscal 146. Capitais próprios Capital social Reservas Resultados transitados Total Financiamento Financiamento Custo financiamento Diminuição CP 10. o que foi potenciado Companhia Própria – Formação & Consultoria.

000 8. Resolução: Activo Circulante: 38. neste caso em 15 dias. os aumentos das aplicações devem ser financiados com capitais alheios. por outro lado. uma vez que não conseguirá solver as suas responsabilidades dentro do prazo de exigibilidade das mesmas. Sabendo. na totalidade. perante uma diferença positiva entre o ROI e o i. que os débitos a curto prazo no valor de 38. já que o prazo de disponibilidade das aplicações é superior. Companhia Própria – Formação & Consultoria. a empresa será confrontada com uma situação de ruptura da tesouraria. Tal como se justificava. Lda 117 . EXERCÍCIO 6.000 10.000 vencem-se. Calcule o fundo de Maneio e comente os resultados à luz do princípio tradicional de equilíbrio financeiro.1 Considere que o activo circulante de uma empresa é constituído pelas seguintes rubricas: Existências Créditos de curto prazo Disponibilidades 20.000 Todos os créditos se vencem a 45 dias e que as existências são as suficientes para garantir as vendas pelo mesmo período. EXERCÍCIO 6. analise o equilíbrio financeiro da empresa.000 – 30 dias Apesar de o activo circulante igualar o passivo circulante.2 Considere o seguinte balanço. a 30 dias.000 – 45 dias Passivo Circulante: 38.Finanças Empresariais pelo crescimento do peso do passivo relativamente aos capitais próprios.

250 3. EXERCÍCIO 6. Contudo. designadamente o facto de ignorar que alguns activos circulantes e alguns passivos de curto prazo têm um carácter cíclico ou renovável. suficiente para caracterizar a situação de equilíbrio financeiro”.000 18. por si só. Próprio + Passivo 11. este resultado deve ser interpretado à luz das limitações da abordagem tradicional do equilíbrio financeiro.3 Comente a seguinte afirmação: “O sinal do Fundo de Maneio é.000 Resolução: Fundo de Maneio Capital Próprio Passivo médio/longo prazo CAPITAIS PERMANENTES Activo Fixo FUNDO DE MANEIO 11.500 2. visto que tem que ser conjugado com as condições de gestão dos activos circulantes e dos passivos de curto prazo. Companhia Própria – Formação & Consultoria.Finanças Empresariais Activo Activo Fixo Activo Circulante Existências Clientes Outros devedores Disponibilidades Acréscimos e Diferimentos Activo total 18. é insuficiente para caracterizar a situação de equilíbrio financeiro.750 Segundo o seu fundo de maneio a empresa encontra-se em desequilíbrio financeiro porque o seu Fundo de Maneio é negativo.250 3. Tópico de Resposta O sinal do Fundo de Maneio.750 Capital Próprio e Passivo Capital Próprio Passivo médio/longo prazo 4.750 15.750 750 750 30.000 Passivo de curto prazo Fornecedores Empréstimos bancários EOEP Acréscimos e Diferimentos Total Cap.250 3.750 -3. Lda 118 .750 450 300 30.750 9. por si só. equiparando-se como tal a necessidades e origens permanentes de fundos.750 3.

a marca de uma empresa pode ser usada para lançar produtos da outra empresa. Lda 119 . as economias de escala. EXERCÍCIO 7. a gestão financeira comum pode gerar menos custos financeiros por redução do risco e por aumento de poder negocial com a banca. o alargamento da oferta e do mercado potencial. Passa pela realização de: um diagnóstico externo.1 Em grupos de três elementos.3 O que entende por due diligence? Que trabalhos implica? Tópico para resposta: Processo de pesquisa informação relevante sobre todos os activos e passivos da empresa alvo.Finanças Empresariais EXERCÍCIO 7. identifique exemplos de sinergias potenciais em operações de fusão ou aquisição de empresas.2 O que entende por “Aquisição horizontal”? Tópico para resposta: São as aquisições de empresas concorrentes. Tópico para resposta: Por exemplo. EXERCÍCIO 7. a centralização de compras pode aumentar o poder de negociação com os fornecedores. a economia de custos. um diagnóstico interno. Entre as principais vantagens destacam-se o reforço do poder negocial. ao nível do mercado.4 Que indícios poderão sinalizar o perigo das negociações em curso no âmbito duma operação de aquisição? Tópico para resposta: Companhia Própria – Formação & Consultoria. do produto ou da tecnologia. etc. EXERCÍCIO 7. uma auditoria financeira e fiscal e uma auditoria legal.

Excesso de valor nas contas de clientes (não efectuam provisões para cobrança duvidosa). despesas de manutenção).6 Indique três aspectos particulares a serem ressalvados numa due diligence sobre uma empresa alvo em situação financeira duvidosa. Sobrevalorização de imobilizado e capital próprio (reavaliações livres). Necessidade de exigir maior empenho e informação antes de prosseguir com as negociações – falta de cooperação. Respostas vagas e pouco claras. Informação incompleta e incorrecta. Atrasos nas respostas. Lda 120 . Limitação no acesso a pessoas. Desrespeito do princípio da especialização do exercício. A política de remuneração não se rege pelo mercado. nomeadamente: Capitalização de custos do exercício (investigação e desenvolvimento. Falta de informação e estatísticas sobre os negócios e mercados.1 Companhia Própria – Formação & Consultoria.5 Indique três aspectos particulares a serem ressalvados numa due diligence sobre uma PME alvo. documentos e locais ou activos.Finanças Empresariais Omissão de questões chave ou análise de áreas chave. Não utilização do princípio da especialização dos exercícios (evitando reflectir custos do próprio ano). não aplicando os princípios contabilísticos normalmente aceites. Tópico para resposta: Demonstrações financeiras de menor credibilidade (não certificadas e visando a minimização da carga fiscal). Sobrevalorização de existências (produtos em curso e acabados para minimizar os custos das vendas. Não utilização de especialistas em áreas cruciais. EXERCÍCIO 7. Não regularização das existências obsoletas. EXERCÍCIO 8. Forma jurídica (mistura entre actividades da empresa e do empresário em nome pessoal). EXERCÍCIO 7. Dificuldade em estabelecer comparações com transacções equiparáveis. Tópico para resposta: Tendem a procurar encobrir a sua verdadeira situação financeira. Não existe o “gestor” (acumulação dos poderes de propriedade e de gestão).

. pretende-se que: a) b) Determine o custo médio ponderado do capital da empresa.5% b) Companhia Própria – Formação & Consultoria. Resolução: a) WACC= 11.256 934 3.Finanças Empresariais Considere os seguintes elementos previsionais relativos à empresa XPTO.548 1.432 4.168 3.460 3.300 13.424 5.796 0 642 Custo do capital próprio: Custo médio da dívida: Taxa de imposto sobre lucros: Autonomia financeira objectivo: Valor de mercado dos activos extra-exploração: Capital investido na exploração no início do ano 1: Valor de mercado da dívida financeira: 15.993 642 3.0% 60. Ano 1 Vendas CMVMC Amortizações RAJI Investimento em Fundo de Maneio Investimento em Capital Fixo 10.416 117 876 Ano 4 9.796 58 876 Ano 2 10.A.140 14.738 58 876 Ano 5 9.928 5.256 1.0% 7.767 88 730 Ano 3 10. S. Lda 121 .220 5.600 Prevendo-se que a partir do ano 5 a empresa entre numa fase de maturidade (de crescimento nulo).220 5. expressos em milhares de euros.226 3. Determine o valor da empresa e o valor dos capitais próprios.227 1.0% 9.0% 30.

046 Ano 3 2.637 1.657 1.300 31.600 16.592 0.226 818 3.460 993 2.Finanças Empresariais Discounted Cash Flow RAJI (1-t) Amortizações Investimento (Cap.616 934 934 2.407 Companhia Própria – Formação & Consultoria.616 Ano 5 2.859 Ano 4 2.066 0.007 14.449 0.657 23. Fixo + F.8967 2.891 Ano 2 2.Maneio) FCFF Valor de continuidade (FCFF n=5 / WACC) Factor de desconto Valor do FCFF descontado Valor de continuidade descontado Valor do Negócio Valor de mercado dos activos extra-exploração Valor da Empresa Valor de Mercado da dívida financeira Valor dos Capitais Ano 1 2.657 642 642 2.692 23. Lda 122 .8041 2.168 934 2.372 0.061 0.7210 2.6465 1.707 7.540 13.5797 1.391 1.

104 Introdução ao e-learning .

Lda 123 .. Editorial Presença.. Mcgraw-Hill Portugal. ANTÓNIO. 1998 Companhia Própria – Formação & Consultoria. e MEYERS. 15ª Edição. Lisboa. 5ª edição.. IAPMEI.Finanças Empresariais 10 Bibliografia APCRI. C. J. Princípios de gestão financeira. e outros. et al. J. 1999 ESTEVES. Caldeira. Editorial Verbo. Lisboa. McGraw-Hill. 1998 CARVALHO DAS NEVES & ASSOCIADOS. IAPMEI. C. NUNES. João Pedro. Gestão Financeira – Dominar a Tesouraria. António Rosa. 6ª ed. 2004 NEVES. Avaliação de Empresas e Negócios. ABC de Fusões e Aquisições. Instrumentos Fundamentais de Gestão Financeira. Lisboa. e FELÍCIO. Lisboa. LUÍS. 2002 BREALEY. Miguel Almeida.. J. 1999 BASTARDO. R. Carlos e GOMES. Análise Financeira – Métodos e Técnicas. António Gomes. S. ABC do Capital de Risco. FERREIRA.. 1995 BORGES. Elementos de Contabilidade Geral. 1996 MENEZES. 1996 MOTA. Texto Editora. 3ª Ed. Lisboa. Finanças Empresariais – Teoria e Prática.. Publisher Team. O Financiamento e as Aplicações Financeiras das Empresas. Lisboa. 6ª edição. J. 2004. Lisboa. Texto Editora. 2002 SAIAS. H. Princípios de finanças empresariais. IAPMEI. NEVES.

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