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SECRETARIA REGIONAL DE EDUCAÇÃO E CULTURA

DIRECÇÃO REGIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL E REABILITAÇÃO


DIRECÇÃO de SERVIÇOS de EDUCAÇÃO e APOIO PSICOPEDAGÓGICO
SERVIÇO TÉCNICO de APOIO PSICOPEDAGÓGICO
CENTRO de APOIO PSICOPEDAGÓGICO do FUNCHAL

Luísa Cabral 08 de Maio 2008


• Desenvolvimento Sócio-Emocional,
NEE e Alterações de Comportamento

• Perturbação de Hiperactividade com


Défice de Atenção

Luísa Cabral 08 de Maio 2008


Desenvolvimento Sócio-Emocional, NEE e Alterações de
Comportamento
Desenvolvimento Cognitivo
Através da interacção com os outros (observação, modelagem e discussão) a
criança adquire novas competências e abordagens de resolução de problemas.

Desenvolvimento Motor
As interacções precoces são promovidas pelas capacidades motoras da crianças.
Paralelamente, a competência social influencia as competências motoras,
nomeadamente no tipo de actividades que as crianças escolhem, sobretudo em
idade pré-escolar, que são actividades com componentes sociais.

Comunicação
No contexto da comunicação, a criança deve ser capaz de estar atenta, iniciar,
responder, envolver-se em turnos de comunicação, planear e organizar os
comportamentos sociais e integrá-los em contextos sociais, ao mesmo tempo
que interacções sociais competentes requerem um mínimo de competência
comunicativa.
Desenvolvimento Sócio-Emocional, NEE e Alterações de Comportamento
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Desenvolvimento Sócio-Emocional
I. Temperamento
1. Nível de Actividade
1.1.Em que medida a criança é activa?
1.2. Há momentos em que a criança é particularmente activa?

Ambiente
Selecção de Actividades
Tamanho do Grupo
Voz
Pistas Visuais
Desenvolvimento Sócio-Emocional, NEE e Alterações de Comportamento
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Desenvolvimento Sócio-Emocional
I. Temperamento
2. Reactividade
2.1.Níveis de afecto e energia exibidos em resposta a pessoas,
situações e objectos?
2.2. Quais as respostas mais frequentemente usadas?
2.3. Qual a resposta à frustração?

Modificação do tipo e quantidade de input sensorial


Tolerância à frustração e expressão de sentimentos e afectos
Desenvolvimento Sócio-Emocional, NEE e Alterações de Comportamento
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Promover expressões afectivas:

Aumentar o nível de actividade da criança tem tendência a aumentar


expressões afectivas

Aumentar a mobilidade de forma à criança ter acesso a brinquedos e materiais

Promover o contacto ocular, vocalizações, verbalizações e outras formas de


comunicar que permitam à criança expressar interesse e alegria.
Desenvolvimento Sócio-Emocional, NEE e Alterações de Comportamento
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Desenvolvimento Sócio-Emocional
II. Competência Social
1. Interacções sociais com o adulto
1.1. Com que frequência a criança inicia a interacção com o adulto?
1.2. Quantos comportamentos interactivos a criança é capaz de manter?
1.3. Como reage aos pedidos do adulto, à imposição de limites ou ao controlo
por ele exercido?

Imitar, modelar e modificar sequencias de jogo


Posicionamento
Relação de Confiança
Desenvolvimento Sócio-Emocional, NEE e Alterações de Comportamento
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Desenvolvimento Sócio-Emocional
II. Competência Social
1. Interacção com o par em situação diádica
1.1. Como reage à presença do par?
1.2. Qual o nível de jogo revelado pela criança?
1.3. Como lida com o conflito?
2. Interacção com os pares em grupo
1.1. A criança participa no grupo?
1.2. Necessita de suporte do adulto para se manter envolvida no grupo?
1.3. Como é que as outras crianças reagem à criança?
Selecção de Brinquedos e situações de jogo
Composição do grupo (idade, nível de desenvolvimento, tipo de deficiência,
características de temperamento e estilos de jogo)

Mediação do adulto
Estabelecer limites (no ambiente físico; verbalmente)
Time-out
Mediação dos pares
Desenvolvimento Sócio-Emocional, NEE e Alterações de Comportamento
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Desenvolvimento Sócio-Emocional

II. Convenções Sociais


1. A criança revela consciência de
comportamentos socialmente aceitáveis em
contextos específicos?

2. A criança revela comportamentos desaptativos


ou socialmente inapropriados?
Desenvolvimento Sócio-Emocional, NEE e Alterações de Comportamento
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Estratégias de Gestão de Comportamento

Reduzir o aborrecimento
Reestruturar o tempo
Planear transições
Preparar a criança
Intervir ao nível da criança
Formular questões e comentários apropriadamente
Fornecer escolhas limitadas
Usar regras do tipo “SeKentãoK”
Ouvir com atenção
Reforço positivo
Elogio
Modelar comportamentos
Dar instruções simples
Utilizar técnicas de extinção
Utilizar técnicas de substituição
Modificar o ambiente
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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PHDA

Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção


Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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A PDAH é uma perturbação de origem neurobiológica caracterizada por:

• Grau de desatenção inapropriado para a idade

• Com, ou sem, hiperactividade e impulsividade

• Presente em diferentes contextos (casa, escola, trabalho)

• Perturba o desempenho pessoal (social, académico, laboral)

• Não é atribuída a outra perturbação do desenvolvimento ou do foro da


pedopsiquiatria
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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EPIDEMIOLOGIA

• Prevalência: 1,7-16% da população

3-7% das crianças idade escolar

Portugal: 35 a 50 mil

• Distribuição por sexos: 2-8 H: 1 M


Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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PHDA –
fenótipo
diferente para
rapazes e
raparigas
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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ETIOLOGIA

Factores genéticos

– História familiar

• Risco superior 3 a 5 vezes se um progenitor afectado

• Actualmente, a carga genética parece ser a causa primária,

talvez a única causa para a PDAH.


Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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ETIOLOGIA
• Factores ambientais ou sociais
– Baixo peso
– Prematuridade
– Toxinas (benzodiazepinas, chumbo, marijuana, álcool, fumo do tabaco)
– Disfunção familiar ou marital
– Classes sócio-culturais menos favorecidas
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

•Idade (início da locomoção; pré-escolar; escolar; adolescência; adulta)


• Ambientes (casa e escola;
ambientes estruturados e não estruturados;
pequenos ou grandes grupos;
situações que exijam baixos ou altos desempenhos
da criança; etc.)
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
FALTA DE ATENÇÃO
• não prestam atenção aos detalhes
• dificuldade em manter a atenção durante as tarefas ou jogos
• parecem não ouvir o que se lhes diz
• não seguem instruções e não terminam as tarefas e actividades propostas
• dificuldade na organização de tarefas e de actividades
• evitam, não gostam ou são relutantes em iniciar tarefas que requeiram concentração
(trabalhos escolares)
• perdem objectos importantes ou imprescindíveis a um adequado desempenho em
tarefas ou em jogos
• distraem-se facilmente com estímulos desinteressantes e irrelevantes
• esquecem-se de executar as tarefas diárias comuns
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

IMPULSIVIDADE
• facultam respostas a perguntas que não foram completadas
• podem ter dificuldade em esperar pela sua vez
• interrompem ou intrometem-se nas actividades dos outros
(interrompem conversas ou jogos)
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

HIPERACTIVIDADE
• mexem as mãos e os pés e não se mantêm sentados
• levantam-se na sala de aula ou em outras situações em que é exigida a posição
de sentado
• correm, saltam e trepam de uma forma excessiva, em situações inapropriadas
• têm dificuldade em participar em jogos ou em actividades de uma forma calma
• parecem ter uma energia inesgotável e estão sempre na disposição de mudar
• falam demasiado
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

OUTRAS MANIFESTAÇÕES
• Perturbações do sono (> 50%)
• Má interacção com os pares
• Perturbações da linguagem
• Aumento do risco de lesões acidentais
• Enurese
•K
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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Desatento
Desatento Desorganizado
Baixa auto-estima Esquecido
Dificuldades de Oposição e
Relação desafio
Irrequieto Oposição
Desatento
Dificuldades em
aprender
Irrequieto Dificuldades de
Agressivo relacionamento
Oposição
“Birras”
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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DIAGNÓSTICO
• EXCLUSIVAMENTE CLÍNICO

• Avaliação cuidadosa
– História e exame físico

– Exame neurológico

– Entrevista: Avaliação familiar e escolar

– Instrumentos específicos (escalas)

– DSM-IV-TR (2002)
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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DIAGNÓSTICO
DSM-IV-TR => cinco condições:

• Presença de seis manifestações de desatenção ou de seis


manifestações de hiperactividade/impulsividade, que tenham
persistido pelo menos seis meses, provocando alterações
comportamentais, inconsistentes com o nível de desenvolvimento

• Início de alguns sintomas que causem problemas antes dos sete


anos de idade
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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DIAGNÓSTICO

 Presença de algumas alterações significativas do comportamento em


dois ou mais ambientes (casa, escola, relações intrapessoais (auto-
estima, humor) e relações interpessoais (amigos e actividades sociais))
 Evidência clínica clara de compromisso significativo nas
actividades sociais, académicas ou ocupacionais
 Os sintomas não ocorrem exclusivamente durante a evolução de
perturbações globais do desenvolvimento ou autísticas, de
esquizofrenia ou de outra doença psicótica, ou de outras doenças
mentais (perturbação do humor, perturbação de ansiedade, doença
dissociativa ou da personalidade)
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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PDAH: SUBTIPOS

• Tipo desatento – 28-31%

• Hiperactivo/impulsivo – 7-9%

• Tipo misto – 60-65%


Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

• Hiperactividade/irrequietude adequada à idade

• Hipertiroidismo

• Intoxicação pelo chumbo

• Anemia ferropénica
• ...
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

• Perturbações da aprendizagem
• Perturbação de oposição
• Perturbação do comportamento
• Deficiência mental com hiperactividade
• Défices sensoriais
• Perturbação de Asperger
• Perturbações de tiques
• ...
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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INTERVENÇÃO

 Deve ser multimodal, compreensivo e envolver a


criança, a família e a escola.
 Definir objectivos, prioridades e tratar comorbilidades.
 Os objectivos do tratamento devem ser realistas,
tangíveis e mensuráveis.
 O Plano Terapêutico e de Intervenção deve ser
específico para cada criança.
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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INTERVENÇÃO
OBJECTIVOS GERAIS:
• Melhorar as relações sociais (pais, colegas, professores).
• Diminuir comportamentos disruptivos.
• Melhorar competências académicas (eficácia, precisão, realização).
• Promover a independência, o auto-controle e a assertividade.
• Melhorar a auto-estima e permitir um desenvolvimento emocional mais
harmonioso.
• Segurança.
• Impedir a evolução para comportamentos anti-sociais e marginalidade
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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PHDA - Intervenção
CRIANÇA
Auto-Controlo e Auto-Regulação
Skills Estudo/organizacionais
Funções Executivas
Treino Competências Sociais

FAMÍLIA
Treino Parental
ESCOLA
Grupos Entre-ajuda
Intervenção Comportamental
Terapia Familiar
Modificação Contextos
Alterações Curriculares e Instrucionais
PROGRAMAS DE COMPETÊNCIAS
SOCIAIS

“K ajudar as crianças e adolescentes a desenvolverem


capacidades pessoais e relacionais, permitindo a cada
individuo reflectir sobre o modo de se relacionar com os
outros, encontrando alternativas adequadas à situação.”
(Matos M et al., 1990)
CONTEÚDOS:

COMPETÊNCIAS SOCIAIS
BÁSICAS
(ex: fazer perguntas, dizer obrigado,
dar um elogio, ouvir,&)

COMPETÊNCIAS SOCIAIS
COMPETÊNCIAS
AVANÇADAS
ALTERNATIVAS À ÁREAS
( ex: pedir ajuda, pedir desculpa,
AGRESSIVIDADE
seguir instruções,&)
( ex: ajudar os outros, usar auto-
controlo,&)

COMPETÊNCIAS PARA LIDAR


COM OS SENTIMENTOS
( ex: conhecer os sentimentos, expressar
os sentimentos, compreender os
sentimentos dos outros,&)
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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INTERVENÇÃO
ADPTAÇÕES NA SALA DE AULA:

• Espaço físico:
– Mesas destinadas a trabalhos mais estruturados
afastadas de estímulos distrácteis
– Pistas visuais que associem o espaço físico ao tipo
de trabalho a executar

• Programar as actividades
– Sentar a criança perto do Professor
– Dividir as tarefas
– Apresentar apenas o material necessário para a
tarefa
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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INTERVENÇÃO
ADPTAÇÕES NA SALA DE AULA:

• Programar as transições entre tarefas


– Escolher os períodos do dia de maior atenção da criança para
actividades mais estruturadas
– Instruções de fim de tarefa assertivas
• Dar instruções de forma concisa e objectiva
– Estabelecer contacto visual, pedir para repetir a instrução.
• Regras e rotinas claras e com suporte visual
• Pistas não verbais para redireccionar um comportamento ou a atenção
• Aumentar o nº de adultos responsáveis na sala
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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INTERVENÇÃO

INTERVENÇÃO COMPORTAMENTAL NA SALA DE AULA:

• Eliminar antecedentes que precedem comportamentos disruptivos ou de


desatenção
• Reforço positivo de comportamentos adequados (recompensa imediata,
consistente)
• Interacções mais frequentes e específicas
• Consequências negativas para comportamentos indesejados (reprimenda
verbal dada em privado de forma breve, clara e calma, estabelecer contacto
visual, imediatamente após comportamento disruptivo).
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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INTERVENÇÃO
RECOMENDAÇÕES PARA OS PROFESSORES:
• Dê instruções claras e breves.
• Utilize consequências de forma mais frequente e imediata.
• Procure manter níveis elevados de motivação para aprender.
• Lembre-se que comportamentos apropriados devem ser recompensados
antes de implementar castigos.
• Aprenda a antecipar problemas, planeie antecipadamente em particular os
momentos de transição.
• Estruture a sala de aula.
• Divida as tarefas.
• Certifique-se que o aluno compreendeu a instrução.
• Compreenda as dificuldades do aluno e integre-as na sala de aula.
• Encontre um tutor/amigo.
OBRIGADA PELA VOSSA ATENÇÃO!!!
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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INTERVENÇÃO
TREINO PARENTAL
• Intervenção comportamental eficaz na redução dos sintomas e nos
comportamentos de oposição
• Estratégias para a resolução de problemas de controle de comportamentos
disruptivos
• Informação teórica sobre PHDA
• Carácter bidireccional do comportamento
• Conhecer e compreender os interesses da criança e o seu tempo de
atenção
• Promover oportunidades de aprendizagem
Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção
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INTERVENÇÃO
TREINO DE COMPETÊNCIAS PARENTAIS
• Definição de PHDA e Perturbação de oposição.
• Comportamento da criança e métodos educativos.
• Atenção dos pais como reforço positivo.
• Como usar o reforço positivo para a obediência.
• Comunicar assertivamente/ dar instruções mais eficazes.
• Dar escolhas e seleccionar consequências.
• Sistemas de reforço positivo e sua utilização.
• Usar o time-out.