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História da Igreja católica no Brasil Dados cronológicos 1

Do século XVI-XXI

ANO

ACONTECIMENTO HISTÓRICO

 
 

1ª Fase: Pré Colônia

 

07/06/1494

Papa Alexandre VI escreve a Bula Papal “Inter Caetera Divinae” que formula a criação do Tratado de Tordesilhas entre Espanha e Portugal

 

2ª Fase: Colonização portuguesa

 
 

Pedro Álvares Cabral, português descobre o Brasil. A Igreja Católica Apostólica Romana chega ao país no descobrimento e lança profundas raízes na sociedade a partir da colonização.

1500

No domingo de Pascoela foi celebrada a primeira missa no Brasil. Porto Seguro em Coroa Vermelha, celebrada pelo frei franciscano Henrique de Coimbra, acolitado pelos outros padres. Ao todo iam na armada 8 franciscanos e 9 seculares. Ali havia na praia uns duzentos índios sentados a olhar. (Relato da Carta batistério de Pero Vaz de Caminha).

1502-1503

Foram batizados os primeiros indígenas pelo capelão da nave de Gonçalo Coelho.

 

04/07/1514

Papa Leão publica a Bula Dum Fidei Constantiam. Promulga o dever da Coroa de propagar a fé cristã nos territórios recém descobertos ou ainda por descobrir, mas também, o direito de prover dioceses, igrejas e benefícios com homens que pareçam idôneos. O Estado controla a atividade eclesiástica na colônia por meio do padroado. Arca com o sustento da Igreja e impede a entrada no país de outros cultos, em troca de reconhecimento e obediência. O Estado nomeia e remunera párocos e bispos e concede licença para construir igrejas. Confirma e executa as sentenças dos tribunais da Inquisição. Em contrapartida, controla o comportamento do clero, pela Mesa de Consciência e Ordens, órgão auxiliar do Conselho Ultramarino.

1515

Fundaram-se feitorias em Porto Seguro, Itamaracá, Iguaraçu e S. Vicente e os cura que acompanharam os brancos, procuravam batizar os indígenas dos arredores.

1516

Os franciscanos são os primeiros missionários a iniciarem a Evangelização em terras brasileiras.

1530

Frades franciscanos acompanham a excursão de Martim Afonso de Sousa na expedição a S. Vicente.

 

Em 22 de janeiro é erigida a primeira cidade do Brasil; a Vila de São Vicente no litoral Paulista. Os responsáveis pela evangelização e a catequização dos indígenas foram os

1532

frades franciscanos. Nesse mesmo ano é erigida a primeira paróquia de Nossa Senhora da Assunção, de S. Vicente. Organizada pelo seu donatário Martim Afonso de Sousa. O primeiro vigário foi o Padre Gonçalo Monteiro, sacerdote de grandes qualidades.

 

Alguns franciscanos que se dirigiam para Índia e no Porto de Salvador batizaram duas filhas do célebre Caramuru Diogo Álvares Correia; de origem portuguesa, o contato com os índios lhe rendeu esse codinome. Diogo facilitou a instalação da sede

1534

administrativa portuguesa na Bahia e a presença missionária franciscana. O Caramuru foi casado com a filha do chefe indígena, a bela “Paraguaçu”. Ocorre nesse período a

divisão do Brasil em capitanias hereditárias.

Para garantir o controle do território

brasileiro, o rei de Portugal, D. João III, reparte o Brasil em 15 lotes.

 

1537

Papa Paulo III e a defesa dos direitos dos índios. Interveio decididamente em favor daqueles que exigiam tratamento mais liberal e justo para os indígenas da América.

1543

A primeira Casa da Misericórdia foi fundada em Santos, por Brás Cubas, para socorrer os marinheiros que ali aportavam.

29/03/1549

Chega

dos

seis

Jesuítas

no

Porto

de

Salvador/BA.

O

papel

mais

relevante

na

1 Pesquisa de cunho acadêmico realizado pelo aluno de 4º de teologia, Rafael Batatinha de Castro. Seminário Maria Mater Ecclesiae do Brasil/SP.

 

evangelização do Brasil no séc. XVI pertenceu sem dúvida à Companhia de Jesus D. João III, ao criar o governo geral do Brasil, confiou aos jesuítas à evangelização desses povos. Na armada do governador Tomé de Sousa seguiram os padres Manuel da Nobrega (superior), Leonardo Nunes, João de Azpilcueta Navarro e Antônio Pires e os Irmãos Vicente Rodrigues e Diogo Jacome, que mais tarde se ordenaram.

 

Em março chega de Portugal uma nova leva de missionários: quatro padres jesuítas,

1550

acompanhados de 7 meninos órfãos de Lisboa, que irão ajudar na evangelização das crianças indígenas.

 

Criação da Diocese de São Salvador pela Bula Papal “Super specula militantes

1551

ecclesiae” do Papa Júlio III. Dom Pedro Fernandes Sardinha se torna o primeiro bispo do Brasil. Padre Manuel de Nobrega acolhe o bispo no colégio Jesuíta de Salvador.

09/07/1553

Stº. Inácio tinha enviado a patente nomeando o P. Nóbrega provincial do Brasil e de outras regiões além. Foi a 6ª província da Companhia de Jesus.

25/01/1554

Anchieta funda o Colégio de São Paulo de Piratininga em um ponto mais avançado do planalto, sobre uma colina situada no encontro dos rios Anhangabaú e Tamanduateí. Se dá início o povoamento da Vila de São Paulo. A situação não estava nada boa na Vila de São Paulo, no entanto a pequena vila formada em torno do colégio dos padres ia crescendo cada vez mais assim como outros aldeamentos indígenas eram criados pelos jesuítas nas vizinhanças. Aldeamentos que viriam a ser a origem e dar o nome de atuais bairros paulistanos, como São Miguel Paulista, Pinheiros, Penha e Santo Amaro, e de cidades da Região Metropolitana de São Paulo, como Guarulhos, Barueri e Carapicuíba.

1555

Villegaignon, calvinista francês, conquistou a baía da Guanabara e realizou o primeiro culto calvinista no Brasil. Entusiasmado, Calvino enviou para o Brasil o pastor Jean de Lery, que realizou cultos e atos religiosos calvinistas durante os cinco anos de ocupação francesa.

1558

D. Pedro Leitão foi confirmado como o segundo bispo da Bahia. Sucedendo D. Pedro Fernandes Sardinha, que morrerá de uma forma trágica.

 

Estácio de Sá funda a vila de São Sebastião do Rio de Janeiro. Trata-se de uma estratégia

1565

para afirmar a presença portuguesa na região e neutralizar a ameaça dos franceses.

Seu

território continuou sujeito à jurisdição espiritual do Bispo da Bahia.

 

1569

Primeiro sínodo diocesano no tempo de D. Pedro Leitão e nele se redigiram constituições

diocesanos. Surgi o primeiro seminário, mas duraria só até aos inícios do séc. XVII.

 

1572

A

América portuguesa é dividida em dois governos gerais: Bahia e Rio de Janeiro.

 

19/07/1575

Papa Gregório XIII com a Bula

“In superemminenti militantis Ecclesiae”, cria a Prelazia

do Rio de Janeiro.

 

O

primeiro Administrador do Rio de Janeiro

foi Pe. Doutor Bartolomeu Simões Pereira,

1576

de nomeação régia. Escolheram-se para o cargo homens cultos, mas a sua ação foi pouco

pacifica por falta do caráter dos costumes criaram-lhes frequentes problemas.

 
 

Início da União Ibérica. Com a interrupção da dinastia de Avis, Portugal e suas colônias passam ao domínio da Espanha, comandada pelo rei Felipe II. Início do século XVII Movimento das bandeiras Grupos de colonos realizam expedições pelo interior do território brasileiro em busca de riquezas e de mão de obra indígena, o que é chamado de movimento das bandeiras, patrocinado pela coroa portuguesa. Até então, a ocupação das

1580

terras era restrita ao litoral, mas essas expedições ampliaram o povoamento para o interior. Os padres Jesuítas seguem os desbravadores para construírem pequenas reduções para proteger os indígenas.

Os Carmelitas Calçados chegam a Pernambuco vindos de Lisboa. Logo se entregaram ao trabalho com muito zelo, pois viviam então o verdadeiro espírito da Ordem, devido à reforma de Fr. Baltazar Limpo enquanto provincial.

1581

Os beneditinos chegaram ao Brasil estabelecendo o seu primeiro mosteiro em Salvador da Bahia. O bispo deu-lhes a ermida de S. Sebastião e terrenos próximos. Três anos depois foi elevado a abadia, sendo a primeira Abadia de toda América, tornando-se seu primeiro abade o fundador, Fr. Antônio Ventura de Laterão.

1584

Os franciscanos se organizam em bases sólidas em terras de Santa Cruz. No capítulo

 

provincial realizado em Lisboa é constituída a Custódia de Santo Antônio do Brasil. Foram enviados 7 religiosos com Fr. Melchior de Santa Catarina como Custódio.

1586

Os Carmelitas estabeleceram-se na cidade da Bahia. No Mesmo ano os Beneditinos fundam um Mosteiro no Rio de Janeiro.

 

Os franciscanos fundam o convento de S. Francisco em Salvador da Bahia, então capital do Brasil. Até o fim do século outros conventos foram surgindo em várias localidades:

1587

Iguaraçu, Vitória do Espírito Santo, Rio de Janeiro, etc. Estabelecem missões entre os indígenas. Surgiram também as primeiras vocações brasileiras.

 

Segundo monastério beneditino do Brasil é fundado no Rio de Janeiro. Monges vindos

1590

da Bahia, o Mosteiro beneditino do Rio de Janeiro foi construído a pedido dos próprios habitantes da recém-fundada cidade de São Sebastião.

1592

Terceiro monastério beneditino do Brasil é erigido em Olinda.

1596

Quarto monastério beneditino do Brasil é fundado na Paraíba

1598

Frei Mauro Teixeira, religioso paulista de São Vicente, levantou uma modesta igreja dedicada a São Bento. O terreno escolhido era dos melhores da povoação, localizando-se no alto do morro, entre o rio Anhangabaú e o rio Tamanduateí, onde antes havia estado à casa do cacique Tibiriçá.

 

Fundação do Forte de São Luís.

O francês Daniel de La Touche funda o Forte de São

1612

Luís (onde hoje está São Luís do Maranhão). A ocupação francesa quer conquistar parte do território americano para criar a França Equinocial e para aproveitar a crescente

economia da cana-de-açúcar.

 
 

Expulsão dos franceses pelos portugueses. Essa batalha ocorreu na cidade de Icatu e foi um confronto militar importante para acelerar a expulsão definitiva dos franceses do Maranhão. Conta-se que, nessa batalha contra os franceses, os portugueses estavam em

1615

desvantagem quanto ao número de soldados. Pediram ajuda a Nossa Senhora e foram atendidos. O 3º Capitão-Mor Diogo Machado da Costa - da Coroa Portuguesa, pediu aos padres Jesuítas que elaborassem uma bela Igreja, a igreja foi denominada Nossa Senhora da Vitória. Hoje Catedral Metropolitana de S. Luís do Maranhão.

 

Invasão de Salvador.

Sentindo-se prejudicada em seus negócios no Atlântico por causa do

domínio espanhol sobre Portugal, a Companhia das Índias Orientais invade Salvador. Os holandeses Calvinistas saquearam as Igrejas de Salvador, e lançaram nas águas do mar

1624

baía todas as imagens sacras (daí o nome de Bahia de todos os Santos). Os holandeses invadem o Mosteiro de São Bento e o torna seu fortificado. Em menos de um ano, a cidade é retomada por uma esquadra de mais de 50 navios espanhóis e portugueses,

acabando com o domínio holandês na região.

 

1626

Os Padres Jesuítas chegam no noroeste do Rio Grande do Sul, liderados pelo padre Roque Gonzáles de Santa Cruz, e iniciaram o processo de evangelização dos índios Guarani, na margem oriental do Rio Uruguai. Na primeira fase, surgem 18 reduções, onde jesuítas e índios conviviam no mesmo local. Esses povoados não conseguiram estruturar-se devido à invasão dos bandeirantes paulistas, que viam para o Sul em busca de mão-de-obra escrava. No mesmo ano os Padres Jesuítas chegam no Belém do Pará, transformaram-se com o tempo em grandes colégios e em centros de expansão missionária para inúmeras aldeias indígenas espalhadas pelo Amazonas. Antônio Vieira, apesar de seus triunfos oratórios e políticos, em defesa da liberdade dos indígenas, foi expulso pelos colonos do Pará, acusado e preso pela Inquisição.

 

Invasão de Pernambuco. Holandeses Calvinistas invadem o Brasil novamente, desta vez tomando as cidades de Recife e Olinda. Entre 1637 e 1644, Maurício de Nassau-Siegen governa Pernambuco. Ele restabelece a produção açucareira, promove o desenvolvimento urbano no local e permite a tolerância religiosa da Igreja Católica. A ocupação é

1630

encerrada de vez em 1654, com o Tratado de Taborda e o pagamento de indenização aos

holandeses. Nesse período

dos 33 jesuítas de Pernambuco, mais de 20 foram capturados,

maltratados e levados para a Holanda; cerca de 10 faleceram em consequência dessa guerra. No séc. XVII, quando da descoberta das minas e do povoamento do sertão, os jesuítas passavam periodicamente por esses locais em missão volante.

 

Fim da União Ibérica. O domínio da Espanha sobre Portugal termina. Os portugueses

1640

ganham um novo rei, D. João IV (que até então era o duque de Bragança). Inicia-se a

dinastia de Bragança, com duração até o fim da monarquia em Portugal, em 1910.

 
 

Os portugueses fundaram a Colônia do Sacramento, tendo como objetivo participar do

comércio.

Nesse período os Jesuítas iniciam a organização das sete reduções jesuítico-

guarani no Rio Grande do Sul, conhecidas por Sete povos das Missões. São elas:

 

1680

São Francisco de Borja, fundada em 1682 São Nicolau, fundada em 1687. São Luiz Gonzaga, fundada em 1687. São Miguel Arcanjo, fundada em 1687. São Lourenço Mártir, fundada em 1690. São João Batista, fundada em 1697. Santo Ângelo Custódio, fundada em 1706.

 
 

Descoberta de ouro em Minas Gerais. Os colonos do movimento das bandeiras (os bandeirantes), em suas expedições pelo interior do território brasileiro atrás de riquezas e

1693

escravos indígenas, fazem as primeiras descobertas de ouro em Minas Gerais. Iniciam-se a exploração mineral e o povoamento da região, que no século XVIII foi a maior fonte de

riquezas da coroa portuguesa.

 
 

Destruição do Quilombo dos Palmares. Formado por aldeias habitadas por escravos fugidos e negros livres isolados da administração portuguesa, o Quilombo dos Palmares é destruído no fim do século XVII. Até então, os quilombolas se relacionavam comercialmente com vilas e colonos; a coroa portuguesa havia tentado eliminar o conglomerado de aldeias diversas vezes, para garantir o controle sobre seu território. Em

1695

1695, morre o líder do quilombo, Zumbi, dando início à destruição do local pelas forças

portuguesas. Quem foi Zumbi?

Embora tenha nascido livre, foi capturado quando tinha

por volta de sete anos de idade. Entregue a um padre católico, recebeu o batismo e ganhou o nome de Francisco. Aprendeu a língua portuguesa e a religião católica, chegando a ajudar o padre na celebração da missa. Porém, aos 15 anos de idade, voltou para viver no quilombo.

1696

É criada a Vila Leal de Nossa Senhora do Carmo, MG, a corrida do ouro a torna uma das cidades mais importantes das colônias portuguesas. Padres jesuítas foram os primeiros a chegarem nesse território para iniciar o trabalho de evangelização com os índios e

escravos, abrindo um colégio.

 
 

As Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, elaboradas por bispos em uma

1707

reunião em Salvador, a hierarquia da Igreja conquista mais autonomia. As constituições uniformizam o culto, a educação, a formação do clero e a atividade missionária.

1711

Primeiras vilas de Minas Gerais. Vila Rica, Mariana e Vila Real de Sabará simbolizam o

crescimento demográfico na região das minas.

 

1717

Aparição de Nossa Senhora Aparecida. A imagem da Imaculada Conceição de Maria pareceu a três pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves nas águas do Rio Paraíba. Tal evento milagroso mudaria para sempre de forma profícua o catolicismo

e a devoção popular mariana no território brasileiro.

 

1737

Fundação da fortaleza do Rio Grande do Sul. Tem início a colonização portuguesa no Rio Grande do Sul. No mesmo ano são criadas o Fundo Comarcas/ Vigararia. Antes da chegada portuguesa os Padres jesuítas já se encontravam na aldeia de Caibi, próximo à

atual Porto Alegre.

 
 

Tratado de Madri.

 

Portugal e Espanha assinam um importante tratado que redefine as

fronteiras de seus domínios coloniais na América. Portugal perdia sua posição no Rio do Prata, a Colônia do Sacramento e em troca ganhava os Sete Povos das Missões, no atual

1750

RS. Também, fica estabelecido que os habitantes dos Sete Povos (índios Guarani) seriam levados para o lado argentino e paraguaio do território missioneiro, do outro lado do rio Uruguai, deixando para os portugueses tudo o que tinham nas reduções (estâncias, ranchos, invernadas, rebanhos, plantações de erva-mate, etc.).

   

Um atentado à vida do rei José, deu a Pombal o pretexto para tirar poderes da nobreza e expulsar os jesuítas, que tinham amizade com os conspiradores. Os envolvidos, suas famílias e servos, foram torturados e mortos. A época ficou conhecida como o Terror

1758

Pombalino. O marquês tornou-se o ditador de Portugal e as pessoas se calaram, ao ver que inimigos e críticos eram castigados com penas perpétuas, exílio e morte. O ministro defendia o absolutismo como forma de governo, isto é, todos os poderes concentrados nas mãos do rei.

 

Expulsão e supressão da Companhia de Jesus. Aparece nesta altura da história dos jesuítas o Marquês de Pombal. Ab-roga todo o poder temporal exercido pelos

1760

 

missionários nas aldeias indígenas. Para esconder os fracassos da execução do Tratado de Limites da Colônia do Sacramento, culpou os jesuítas desencadeando contra eles uma propaganda terrível.

   

A

capital do Brasil é transferida de Salvador para o Rio de Janeiro, o que demonstra o

aumento da importância da Região Sudeste para os interesses de Portugal.

Com o intuito

1763

de controlar a Região Sul, estabelecendo-se uma outra sede administrativa ao Norte Nordeste, em Belém, na capitania do Grão-Pará e Maranhão, abrangendo a região amazônica até a Bahia. Iniciou-se o estabelecimento dos limites territoriais com a América Espanhola, a partir do Tratado de Madri de 1750. Foi o momento em que o domínio jesuítico entrou em questão, conduzindo ao embate direto da própria ordem com a Coroa Portuguesa. A partir de então, a sorte das ordens religiosas viu-se ameaçada, entre elas os beneditinos, com proibições referentes à aceitação de noviços, publicadas em 1764 e 1769.

   

Consequências do Tratado de Madri.

Acontece o abandono dos Sete Povos pelos índios

Guarani e a expulsão dos jesuítas, do território espanhol, a região entrou em decadência e em 1801 foi ocupada definitivamente pela Coroa portuguesa. Suas belas construções,

1767

plantações de erva-mate e algodão ficaram abandonadas e o gado passou a ser disputado por aventureiros portugueses e espanhóis, que também saquearam o resto das construções. Os povos foram se dispersando e aos poucos começaram a perder os modos e costumes de sua cultura.

   

Tratado de Santo Iidefonso. Portugal e Espanha assinam um acordo pelo qual os territórios da Ilha de Santa Catarina (atual Florianópolis) ocupados pelos espanhóis e terras do que hoje é o Rio Grande do Sul seriam devolvidos a Portugal. Em troca, a Espanha teria o controle da Colônia do Sacramento e da região dos Sete Povos das

1777

Missões. Com o tratado, Portugal é prejudicado e perde todo o controle sobre a região da

bacia do Rio da Prata.

 

Neste mesmo ano ocorreu a morte de D. José I e sobe ao poder

de Dona Maria I, o

Marquês de Pombal foi processado e condenado. Só escapou à prisão e à morte por respeito à sua idade e achaques.

   

Inconfidência Mineira.

Colonos de Minas Gerais planejam uma revolta contra a coroa

1789

portuguesa. Sentindo-se oprimidos pela política tributária de Portugal, eles são influenciados pelos ideais da independência americana. Diversos participantes da Inconfidência Mineira denunciam o levante ao governo da capitania, que prende e deporta alguns conspiradores. O principal deles, José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, é o único inconfidente executado pelo crime.

1808

 

Chegada da família real portuguesa. Com a invasão de Portugal (aliado político e econômico da Inglaterra) por tropas francesas de Napoleão I, o príncipe regente D. João transfere a corte portuguesa para o Rio de Janeiro. A cidade se torna capital do império português e de suas posses ultramarinas. Isso gera diversas transformações no Brasil, como a assinatura da Carta de Abertura dos Portos do Brasil às Nações Amigas e a

criação da Imprensa Régia e de outras estruturas e serviços públicos.

 
   

O

Papa Pio VII restaurou a Companhia de Jesus. Alguma influência exerceu no ânimo do

1814

Papa a amizade de um jesuíta brasileiro, o Pe. José de Campos Lara, que profetizara sua eleição papal.

 

3ª Fase: Independência

 

Independência do Brasil.

Forças políticas portuguesas exigem que D. Pedro retorne a

1822

Portugal, mas ele se recusa a sair do Brasil. O príncipe regente convoca uma Assembleia Constituinte e, no dia 7 de setembro, declara a independência brasileira. Em dezembro, é

coroado D. Pedro I, imperador do Brasil.

 

1824

D. Pedro I, vendo a necessidade de repovoamento do Sul do Brasil, acolhe no Brasil os primeiros imigrantes alemães e em segundo momentos os imigrantes italianos.

 

Ordenação do 1º padre Negro na história do Brasil. Nesse período o país vivia o sistema

1851

escravagista. A diocese de Mariana/MG ordena Francisco Paulo Victor, era filho da escrava Lourença Maria de Jesus, da cidade de Campanha/MG.

1858

Chegada dos padres jesuítas alemães em S. Leopoldo e outras vilas do interior do Rio Grande do Sul.

1862

Chega um grupo de padres jesuítas italianos para atender a Serra e os Pampas gaúchos.

 

Os padres jesuítas do Nordeste fundam o Colégio S. Francisco Xavier do Recife, o

1867

mesmo em 1873 é fechado por causa das perseguições da Maçonaria, pois os padres apoiavam o bispo D. Vidal, nas questões religiosas.

 

A

Santa Sé em 1860 publica um decreto condenando a maçonaria. Bispos brasileiros,

1875

como o de Belém, dom Macedo Costa, e o de Olinda, D. Vital de Oliveira, acatam as novas diretrizes e expulsam os maçons das irmandades. Isso não é aceito pelo governo, muito ligado à maçonaria, e os bispos são condenados à prisão em 1875.

13/05/1888

Lei Áurea e o fim da escravidão do Brasil. A Imperatriz Católica Princesa Isabel sanciona a Lei Áurea Lei Imperial nº 3.353. Através do arcebispo Dom José Pereira da Silva Barros, capelão-mor de Dom Pedro II, conhecido como o “bispo abolicionista”, a Igreja Católica passou a ser um dos elementos centrais que levaram à abolição da escravatura 2 . Dom José que foi abolicionista declarado há décadas e camareiro secreto dos Papas Pio

XI

e Leão XIII, anunciou que a abolição da escravidão no Brasil seria um bom presente

ao

Papa 3 .

 

4ª Fase: Período da República, Regime Militar e Sistema Democrático

07/01/1890

Proclamação da República. É decretada a separação entre Igreja e Estado. A República acaba com o padroado, reconhece o caráter leigo do Estado e garante a liberdade religiosa. Em regime de pluralismo religioso e sem a tutela do Estado, as associações e paróquias passam a editar jornais e revistas para combater a circulação de ideias anarquistas, comunistas e protestantes.

1894

Beato Antônio Conselheiro e a República. Com a Proclamação da República o sistema político brasileiro voltava seu olhar para as três grandes cidades econômicas do país; São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em quanto isso as demais regiões do país se encontravam em completo abandono. No Nordeste padres seculares (Pe. Cícero e P. José Maria Ibiapina) desdobram seus trabalhos para socorrer a população flagelada e explorada pelos coronéis. A origem dos beatos encontra-se nas atividades ligadas ao Padre José Maria Ibiapina, (Guarabira/ Paraíba) que seguindo a orientação do catolicismo

de

seu tempo, procura melhor comunicação entre clero e fiéis. Ao Padre Ibiapina deve-se

a criação de inúmeras ‘casas de caridade’ mescla de orfanato e escola que se

multiplicaram a partir da segunda metade do século XIX.

1897

Fim da guerra de Canudos. A cidade do Belo Monte/BA é reduzida a pó, morre nesse massacre 25 mil nordestinos católicos pelo governo Republicano Positivista.

 

Posse do território do Amapá.

Após conflitos com franceses, holandeses e portugueses, o

1900

Brasil tem a posse do território do Amapá concedida pela Comissão de Arbitragem de

Genebra.

 

1911

Os jesuítas portugueses voltam ao território norte do Brasil, formando assim a Missão Portuguesa. Fundam logo o Colégio Antônio Vieira para atender a região do Amapá.

2 Revista do Instituto Archeológico e Geográphico Pernambucano, 41-44/1891, pg. 267 3 VASCONCELOS, Sylvana Maria Brandão de - Ventre livre, mãe escrava: a reforma social de 1871.

 

Projeto desenvolvimentista e nacionalista de Getúlio Vargas influencia a Igreja no sentido

1930

de

valorização da identidade cultural brasileira. Assim, a Igreja expande sua base social

para além das elites, abrindo-se para as camadas médias e populares.

 

A

Constituição prevê uma colaboração entre Igreja e Estado. São atendidas as

reivindicações católicas, como o ensino religioso facultativo na escola pública e a

1934

presença do nome de Deus na Constituição. Nessa época, o instrumento de ação política

da

Igreja é a Liga Eleitoral Católica (LEC), que recomenda os candidatos que se

comprometem a defender os interesses do catolicismo.

1937

Os

Círculos Operários Católicos, favorecidos pelo governo para conter a influência da

esquerda.

1952

É

criada a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil CNBB, que coordena a ação da

Igreja no país.

1955

Criação da Conferência Geral do Episcopado Latino-americano CELAM. O Rio de Janeiro organiza o 36º Congresso Eucarístico Internacional, convocado pelo papa Pio XII teve como objetivo o estudo concreto, com soluções práticas, dos aspectos mais fundamentais e urgentes da problemática religiosa da América Latina, sob o prisma da atuação apostólica dos católicos. D. Helder Pessoa Câmara bispo-auxiliar foi o mentor da organização do Congresso, nesse período era secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Durante o congresso é eleito como Vice-presidente do Conselho Episcopal Latino Americano (Celam).

 

A

Juventude Universitária Católica (JUC), influenciada pela Revolução Cubana, declara

1960

sua opção pelo socialismo. Pressões de setores conservadores da Igreja levam os militantes da JUC a criar um movimento de esquerda, a Ação Popular (AP). Na época, a Igreja está dividida quanto às propostas de reformas de base do presidente João Goulart.

 

Dom Eugênio Sales em parceria com a Cáritas Brasileira elabora a Campanha da

Fraternidade. Realizada pela primeira vez na quaresma de 1962, em Natal no Rio Grande

do

Norte, com adesão de outras três Dioceses e apoio financeiro dos Bispos norte-

americanos. No ano seguinte, 16 Dioceses do Nordeste realizaram a campanha. Não teve

1962

êxito financeiro, mas foi o embrião de um projeto anual dos Organismos Nacionais da CNBB e das Igrejas Particulares no Brasil, realizado à luz e na perspectiva das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral (Evangelizadora) da Igreja em nosso País.

Em 11 de outubro de 1962 o Papa João XXIII inaugura a abertura da Sessão Conciliar do Vaticano II. Nesse concílio participaram 204 bispos brasileiros.

 

É lançada a nível nacional a Campanha da Fraternidade pela CNBB, com o tema: “Igreja em Renovação”; tendo como lema: “Lembre-se: Você também é Igreja”.

1964

O

Regime Militar foi instaurado pelo golpe de 1º de abril de 1964. A Igreja católica entra

em conflito com o regime Militar. A Igreja católica se aproxima das realidades mais

oprimidas pelo regime Militar.

 

Regime da Ditadura Militar. O Ato Institucional nº 5 (AI-5), há uma ruptura total diante da violenta repressão - prisões, torturas e assassinatos de estudantes, operários e padres e

1968

perseguições aos bispos. Na época, a Igreja atua em setores populares, com as comunidades eclesiais de base. Inspiradas na Teologia da Libertação, elas vinculam o compromisso cristão e a luta por justiça social.

 

A

Igreja católica Latino-Americana agindo sobre o influxo do espírito de Medellín (II

CELAM -1968), vai de encontro aos abusos contra a ordem jurídica e os direitos humanos realizados pelo Regime Militar, levam a Igreja a se engajar na luta pela redemocratização, ao lado de instituições da sociedade civil.

A

Teologia da Libertação ganha força no contexto social e eclesiológico da Igreja. No

1970

Brasil a primeira participação católica no lançamento da Teologia da Libertação foi à publicação da Teologia da Revolução, em 1970, pelo teólogo belga radicado no Brasil José Comblin. Em 1971, Gustavo Gutiérrez publicou Teologia da Libertação.

Somente em 1972, Leonardo Boff surge no cenário teológico com a publicação de Jesus Cristo Libertador.

1971

Chega ao Brasil o movimento da Renovação Carismática Católica. Com o objetivo refrear a ação da Teologia da Libertação. Teve origem na cidade de Campinas, SP, através dos padres Haroldo Joseph Rahm e Eduardo Dougherty. A RCC como é conhecida possui como origem ao movimento pentecostal católico dos Estados Unidos.

 

O

cardeal de São Paulo o Arcebispo de São Paulo D. Paulo Evaristo Arns, criou a

1972

Comissão Justiça e Paz de São Paulo (CJP-SP) e, nos anos de violenta repressão, as vitimas de violência dos direitos humanos recorriam com frequência à sede da Igreja de São Paulo à procura de sua ajuda e de seu auxílio.

 

Com a redemocratização da sociedade brasileira e com algumas de seus ensinamentos fortemente criticados pela Santa Sé, a Teologia da Libertação perde parte de sua influência. Nesse período cresce o vigor da Renovação Carismática Católica, surgida nos EUA. Em oposição à politização da Teologia da Libertação, o movimento busca uma renovação em práticas tradicionais do catolicismo pela ênfase numa experiência mais pessoal com Deus.

1980

Primeira visita do Papa ao Brasil. O Papa João Paulo II beatificou o jesuíta José de Anchieta, que chegou ao Brasil, em 1553, para catequizar os habitantes do país e fundou a cidade de São Paulo; na oportunidade o Papa consagrou a Basílica de Nossa Senhora

Aparecida com padroeira do Brasil. A Basílica é o quarto santuário mariano mais visitado

do

mundo. O Papa participou do X Congresso Eucarístico Nacional, realizado entre 30 de

junho a 12 de julho 1980, em Fortaleza, no Ceará. Ele foi recebido pelo general João Batista Figueiredo, último presidente brasileiro no período da ditadura militar.

 

Diretas Já. Partidos políticos de oposição ao governo e lideranças políticas, Igreja Católica, civis, estudantis e jornalísticas se unem para reivindicar eleições diretas para presidente. Amparado pela proposta de emenda constitucional apresentada pelo deputado

1984

Dante de Oliveira, o movimento é a primeira manifestação política popular do processo de redemocratização do Brasil. Apesar da mobilização, a emenda é derrotada no Congresso e as eleições presidenciais novamente são realizadas no Colégio Eleitoral.

1991

Segunda visita do Papa ao Brasil. O Papa João Paulo II foi recebido pelo presidente Fernando Collor de Mello. Em Salvador, capital baiana, ele visitou irmã Dulce, que estava com a saúde debilitada. A religiosa ficou conhecida por se dedicar às crianças carentes da Bahia.

 

A

terceira visita do Papa ao Brasil. O Papa foi recebido pelo então presidente Fernando

Henrique Cardoso e participou do II Encontro Mundial do Papa com as Famílias,

1997

realizado na cidade do Rio de Janeiro. Ele ficou por quatro dias na cidade. Em seus discursos, João Paulo II condenou o divórcio, o aborto e os métodos contraceptivos. Ele abençoou o Rio Janeiro aos pés do Cristo Redentor.

 

Jubileu dos 500 anos do Descobrimento do Brasil são, também, 500 anos de Presença da Igreja Católica. Para celebrar os 500 anos de evangelização no Brasil, os bispos da Igreja

2000

católica se reuniram de 26 de abril a 3 de mail de 2000, em Porto Seguro, Bahia, lugar onde, há cinco séculos, foi celebrada a Primeira Missa na Terra da Santa Cruz. A CNBB trazia como tema desse encontro: “Brasil: 500 anos de diálogo e esperança”.

 

Papa Bento XVI vem ao Brasil para celebrar a missa inaugural da V Conferência Geral

do

Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em Aparecida. Celebra e canoniza S. Frei

2007

Galvão, o primeiro Santo brasileiro. Ele foi recebido pelo Presidente Luís Inácio Lula da Silva.

 

Promulga o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e a Santa Sé

2008

relativo ao Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, firmado na Cidade do Vaticano, em 13 de novembro. Em 11 de fevereiro de 2010 foi ortgado como Decreto Executivo da presidência de n. DEC 7.107/2010.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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FRÖHLICH, Roland. Curso básico de história da Igreja. São Paulo: Paulus, 1987.

HERNÁNDEZ, Maria H. Oliveira. A administração dos bens temporais: Mosteiro de São Bento da Bahia. Salvador: EDUFBA, 2009.

LEITE, Serafim. História da Companhia de Jesus no Brasil. Lisboa: Portugalia, 1938.

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Portal de notícia ZENIT: http://www.zenit.org/pt/articles/quadro-dos-bispos-do-concilio-vaticano-ii . Acessado em 02 de março de 2013, às 11h AM.