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PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU “FUNDAMENTOS DA QUÍMICA” GUIA DE ESTUDO – 03 MÓDULO - I Revisão:
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
“FUNDAMENTOS DA QUÍMICA”
GUIA DE ESTUDO – 03
MÓDULO - I
Revisão: Fernanda Silveira Pinheiro
Coordenação Pedagógica
Instituto Prominas
Site: www.institutoprominas.com.br
Email: prominas@institutoprominas.com.br
Telefone: (0xx31) 3801-4230
Horário de Atendimento: 08 às 18 h (Segunda a Sexta-feira)
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e
Editoração

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SUMÁRIO

UNIDADE 1: INTRODUÇÃO

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UNIDADE 2: TÓPICOS EM SEGURANÇA QUÍMICA

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UNIDADE 3: A ESTRUTURA DA MATÉRIA

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UNIDADE 4: TEORIAS DAS LIGAÇÕES QUÍMICAS

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UNIDADE 5: INTRODUÇÃO ÀS TRANSFORMAÇÕES QUÍMICAS

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UNIDADE 6: A ENERGIA NAS TRANSFORMAÇÕES QUÍMICAS

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UNIDADE 7: A VELOCIDADE NAS TRANSFORMAÇÕES QUÍMICAS

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UNIDADE 8: EQUILÍBRIO QUÍMICO

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UNIDADE 9: QUÍMICA LIMPA: PRINCÍPIOS E PRESSUPOTOS

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REFERÊNCIAS

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UNIDADE 1: INTRODUÇÃO

O campo de atuação da Química compreende o estudo de todos os materiais existentes, suas propriedades, bem como as transformações sofridas por eles. A quantidade e complexidade de materiais que existe torna esse estudo interessante e vasto.

Para tanto, a Química apóia-se em três pilares: teoria, linguagem e os

fenômenos. Baseando-se numa linguagem científica atualizada, desenvolveremos

o estudo teórico e fenomenológico que fundamentam a Química como ciência.

Propõe-se neste Guia de Estudos a utilização de um discurso científico da Química consonante com o discurso de temas cotidianos e atuais. Cada tópico abordado pretende ser contextualizado de maneira a trazer uma abordagem que discuta temas atuais ligados ao desenvolvimento tecnológico e ao meio ambiente. A observação do mundo a nossa volta pode e deve trazer inquietações e dúvidas, muitas das quais serão respondidas através do estudo dos fenômenos químicos e é função desse estudo a transposição do mundo macroscópico, observável para o mundo microscópico, dos átomos e moléculas que formam toda

a diversidade de substâncias químicas que conhecemos. O desenvolvimento e a fundamentação do aprendizado dos aspectos de Química Geral dar-se-ão de maneira a cumprir os objetivos de promover uma abordagem conceitual dos princípios fundamentais da Química e suas aplicações, ao utilizar exemplo de compostos orgânicos e inorgânicos; enfatizar a interface da Química com as diversas áreas do conhecimento e também introduzir o trabalho em laboratório de química.

As atividades experimentais apresentadas foram elencadas de forma a possibilitar a observação e interpretação de fenômenos químicos através da realização de experimentos representativos que correlacionam o aspecto conceitual à vida cotidiana de uma maneira estimulante.

Boa parte desses experimentos é de execução simples e utiliza materiais de fácil obtenção o que dá a possibilidade da realização dos mesmos em sala de aula, desde que sejam tomados os cuidados apropriados.

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Outro importante assunto discutido e indissociável da execução de práticas, diz respeito a aspectos de procedimentos, usos, armazenagem, transporte e descarte de substâncias químicas. Esse conjunto de critérios corretos de trabalho em laboratório químico constitui o objeto de estudo de segurança química, tópico pelo qual iniciamos nosso caminho pelo mundo da ciência Química.

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UNIDADE 2: TÓPICOS EM SEGURANÇA QUÍMICA

Entende-se por segurança química todo o conjunto de procedimentos corretos que possibilite o uso, armazenamento, transporte e descarte de substâncias químicas. Os principais problemas relacionados à segurança química são: número e quantidade cada vez maior de substâncias utilizadas, procedimentos incorretos de uso, armazenamento e disposição de resíduos, procedimentos de aquisição descontrolados, carência de profissionais do conhecimento para equacionar esses problemas, falta de cobrança de uma atuação responsável. A toda substância química está associado um risco inerente que é característico da substância e relacionado com as propriedades químicas e físicas da mesma. Entretanto, as condições de trabalho com cada substância química (risco efetivo) podem ser tais que minimizem as possibilidades de dano. Pode-se perceber que, se a manipulação dos compostos químicos for realizada seguindo as regras de segurança e utilizando os equipamentos de

proteção individual (EPI’s) indicados, haverá redução dos riscos. Hoje, é possível

o trabalho seguro com qualquer tipo de substância e/ou processo em laboratórios

químicos graças a modernização desses processos, a tecnologia de exaustão e ventilação e a uma maior sensibilização dos próprios profissionais que trabalham nesta área. Antes de iniciar atividades práticas no laboratório, é imprescindível buscar informações sobre os reagentes e solventes que serão utilizados. É importante saber: toxicidade, inflamabilidade, reatividade, formas de armazenagem, descarte

e ações em caso de derrame acidental. Quanto ao manuseio de vidraria em laboratórios, alguns cuidados devem ser observados. As vidrarias de laboratório são uma mistura sintética de óxidos de Al, Na, K, Mg, Fe etc, acrescidos de mais ou menos 12% de B 2 O 3 (formam o chamado vidro borosilicato). Assim apresentam boas resistências químicas, mecânicas e térmicas, não excluindo, entretanto, alguns cuidados como:

Não submeter o vidro a forças excessivas nas operações de montagem, utilizando sempre para essas práticas os devidos equipamentos de

sempre para essas práticas os devidos equipamentos de Site: www.institutoprominas.com.br Email:

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proteção (luvas e óculos) e envolvendo o tubo num tecido para maior proteção;

Sempre usar tela de amianto em aquecimento no bico de Bunsen;e envolvendo o tubo num tecido para maior proteção; O aquecimento de líquido deve ser feito

O aquecimento de líquido deve ser feito em chapas de aquecimento elétrico ou em banho-maria;usar tela de amianto em aquecimento no bico de Bunsen; Nunca despejar água sobre ácido; Nunca

Nunca despejar água sobre ácido;feito em chapas de aquecimento elétrico ou em banho-maria; Nunca pipetar com a boca, sempre utilizar

Nunca pipetar com a boca, sempre utilizar pipetadores (pêras).ou em banho-maria; Nunca despejar água sobre ácido; Na execução de práticas experimentais em laboratório

Na execução de práticas experimentais em laboratório pode-se ainda recomendar:

Jamais ingerir qualquer tipo de alimento ou bebida nas dependências do laboratório;

É expressamente proibido fumar no laboratório;

Ao término dos trabalhos, guardar todo o material utilizado; Uso obrigatório de avental; Trabalhar utilizando corretamente os Equipamentos de Proteção

Individual (E.P.I.), sempre os tirando ao sair do laboratório;

A manipulação de substâncias inflamáveis deve ser realizada longe

de fontes de aquecimento; Substâncias voláteis devem ser manipuladas exclusivamente em capelas; Usar obrigatoriamente pipetadores (pêras) quando for necessário o manuseio de pipetas; Sempre ler com atenção os rótulos de todos os solventes e reagentes utilizados no trabalho; Rotular corretamente todo o material que necessitar ser armazenado; Observar a compatibilidade para armazenamento de produtos químicos. É importante observar atentamente as informações contidas nos rótulos dos produtos utilizados, bem como, rotular corretamente frascos que porventura venham a ser utilizados para armazenamento de produtos químicos. O rótulo

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deve conter o nome do produto, as datas de armazenagem e de validade e o nome do responsável pelo produto.

Em caso de resíduos que serão encaminhados para tratamento, os frascos deverão ser rotulados conforme modelo apresentado na figura 1.

FRASCO

RESÍDUOS PERIGOSOS

COLOCAR SOMENTE RESÍDUOS DE

FRASCO RESÍDUOS PERIGOSOS COLOCAR SOMENTE RESÍDUOS DE MANUSEIE COM CUIDADO MANTENHA ESTE FRASCO SEMPRE BEM FECHADO

MANUSEIE COM CUIDADO MANTENHA ESTE FRASCO SEMPRE BEM FECHADO

NÃO ENCHA ATÉ A CAPACIDADE MÁXIMA

pH:

Data do início do uso desta embalagem:

Data do término do uso desta embalagem:

Laboratório/Departamento:

Figura 1 – Modelo de rótulo para resíduos de produtos químicos.

Todo resíduo encaminhado para tratamento deve estar acompanhado de uma ficha de resíduos, preenchida com dados como nome do usuário, composição e quantidade do resíduo e a data de descarte. As substâncias inflamáveis devem ser manipuladas em locais distantes das fontes de aquecimento.

Em caso de acidentes com substâncias químicas, procure atendimento médico, imediatamente. Use as recomendações de primeiros socorros afixadas no laboratório ou contidas nas Fichas de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ’s) que acompanham cada produto que chega ao laboratório e devem ser arquivada em pasta própria. Algumas recomendações em caso de acidentes são apresentadas a seguir:

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Tabela 1 – Recomendações em caso de acidentes.

   

ATITUDES

ACIDENTE

RECOMENDADAS

 

Derramamento de agentes cáusticos e corrosivos

Remover

roupas

contaminadas.

Lavar

abundantemente

com

 

água

corrente

a

região

atingida.

 

Inalação de agentes químicos irritantes e/ou tóxicos.

Remover

acidentado

do

local,

mantendo-o

aquecido.

BUSCAR

 

ATENDIMENTO

 

MÉDICO.

Ingestão de substância tóxica e/ou irritante

Lavar vigorosamente a boca com água. BUSCAR ATENDIMENTO MÉDICO.

Vazamento de gás

Fechar imediatamente a entrada principal de gás ou a válvula no caso de cilindros.

Princípio de incêndio

Fechar entrada principal de gás do laboratório. Interromper entrada de energia elétrica desligando chave geral. COMUNICAR IMEDIATAMENTE AO

CORPO

DE

BOMBEIROS.

PROPOSTA DE ATIVIDADE EXPERIMENTAL

Objetivo: Ressaltar a importância do uso de jaleco (ou guarda pó) de

algodão.

Procedimento: Acondicionar em um béquer um pequeno pedaço de

algodão e em outro béquer um pequeno pedaço de poliéster. Adicionar

lentamente cerca de 15mL de um ácido forte. Observar a diferente

reatividade dos materiais.

Questão para discussão: A diferente decomposição dos materiais que

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UNIDADE 3: A ESTRUTURA DA MATÉRIA

A idéia de átomo surgiu na Grécia antiga. Registros mostram que o filósofo Leucipo (490 – 460 a.C.) afirmava que a matéria poderia ser dividida em partículas cada vez menores e que esta divisão teria um limite. Seu discípulo Demócrito (460 – 370 a.C.) defendeu a idéia de seu mestre e anunciou que a menor partícula de qualquer classe de matéria era indivisível sendo denominada átomo (que em grego significa “indivisível”). Assim, a matéria seria constituída de átomos e espaços vazios.

Outro filósofo grego que defendia idéias sobre a constituição da matéria foi Aristóteles (384 – 322 a.C.). Para ele a matéria seria contínua, negando assim a existência de átomos e espaços vazios.

As idéias concernentes à constituição da matéria permaneceram por muito tempo no campo filosófico. A partir do Renascimento, no século XVI, o atomismo foi retomado até que em 1808 foi proposta a teoria atômica de Dalton (considerado o primeiro modelo atômico).

Atualmente, o estudo do mundo atômico considera a interação da radiação com a matéria que fornece informações relevantes sobre a natureza dos átomos e das moléculas. As evidências que apontaram esse caminho de desenvolvimento de estudo são baseadas em uma série de dados experimentais obtidos por diferentes pesquisadores desde a metade do século XIX. A teoria quântica que passou a explicar vários fenômenos relacionados à estrutura da matéria desenvolveu-se a partir da apresentação da hipótese da quantização da energia proposta por Planck.

Outra descoberta importante que merece destaque no estudo dessa teoria é o efeito fotoelétrico que deu a Einstein, rendendo a esse pesquisador o prêmio Nobel, em 1921. O efeito fotoelétrico consiste na emissão de elétrons de uma superfície devido à incidência de radiação eletromagnética. Assim, a energia de qualquer partícula está relacionada com a sua massa pela equação:

E = mc 2

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Essa equação foi demonstrada por Einstein, onde c é a velocidade da luz no vácuo (2,998x10 8 m/s). Einstein propôs ainda que a propagação da radiação eletromagnética se dá sob a forma de pacotes de energia ou fótons. Então, se a energia do fóton é tal que seja capaz de arrancar o elétron, o fóton é absorvido e o elétron ejetado. O valor da energia de cada fóton é dado pela expressão de Planck

E=h

energia de cada fóton é dado pela expressão de Planck E=h Temos então, a relação da

Temos então, a relação da energia de uma onda com sua freqüência e conseqüentemente com seu comprimento de onda. Em 1924, o físico francês Louis de Broglie atentou para o seguinte fato: da combinação das expressões de Einstein e Planck, uma relação é obtida entre a massa de um fóton de energia eletromagnética e sua freqüência ou comprimento de onda. De Broglie tentou associar a natureza dualista da luz ao comportamento do elétron. Mais tarde, essa hipótese foi demonstrada experimentalmente, sustentando que é possível conseguir a difração dos elétrons.

O Princípio da Incerteza deixa claro a impossibilidade de determinar a exata trajetória do elétron a partir da energia e da velocidade. Por este motivo, buscou-se, então, trabalhar com a provável região, onde é possível encontrá-lo.

Erwin Schröndinger (1887 - 1961) baseado nestes dois princípios criou o conceito de Orbital. Temos assim, que o orbital atômico é a região onde é mais provável encontrar um elétron no átomo.

Todo esse referencial teórico serviu de base para o desenvolvimento da teoria atômica. Dentre os modelos para o átomo propostos destacamos o modelo de J. J. Thomson que supõe a existência de elétrons carregados negativamente e inserido em uma “distribuição esférica contínua de carga positiva.” Entretanto,

O modelo de Thomson não fornecia concordância quantitativa com os espectros observados. A demonstração da inadequação desse modelo foi obtida por Rutherford. Ele mostrou que uma carga positiva estava concentrada em uma região muito pequena (o núcleo) no centro do átomo (ALMEIDA, SANTOS- 2001).

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A concordância entre o modelo atômico e os dados espectroscópicos do

ponto de vista quantitativo foi apresentada por Niels Bohr. Esse modelo pode explicar a estabilidade do átomo através de postulados que descreviam a energia total do elétron como constante desde que esse elétron se encontrasse em uma das órbitas permitidas. A cada uma dessas órbitas permitidas estaria associado um número inteiro denominado número quântico. Bohr postulou, ainda, que era possível fornecer energia ao elétron no átomo provocando sua excitação e conseqüente mudança para outra órbita (ou nível de energia) de maior energia. Esse elétron, posteriormente, voltaria a sua órbita de origem perdendo a energia recebida por vezes sob a forma de luz. Apesar da inovação, essa base teórica só se mostrava aplicável para átomos que apresentavam apenas um elétron.

Surge então uma nova teoria – mecânica quântica – que consegue explicar o comportamento das partículas em sistemas mais complexos. As proposições da mecânica quântica baseiam-se na resolução de equações matemáticas que envolvem conceitos de cálculo diferencial e integral e álgebra matricial, desenvolvidas independentemente por Schöringer e Heisenberg.

A equação de Schöringer, independente do tempo, pode ser dada por:

Ô

de Schöringer, independente do tempo, pode ser dada por: Ô = o Que envolve a função

= o

independente do tempo, pode ser dada por: Ô = o Que envolve a função de onda

Que envolve

a

função

de

onda “

sistema “o” e um operador matemático “Ô”.

”, uma propriedade observável doonda “ sistema “o” e um operador matemático “Ô”. A mecânica quântica é hoje a teoria

A mecânica quântica é hoje a teoria utilizada para descrever quaisquer

fenômenos relacionados à estrutura da matéria e a aplicação dessa teoria aos diversos sistemas físicos e químicos, implica no desenvolvimento de novos métodos para resolver a equação de Schöringer.

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PROPOSTA DE ATIVIDADE EXPERIMENTAL

Objetivo: Observar as ondas eletromagnéticas emitidas sob a forma de luz ao provocar excitação em elétrons de alguns elementos presentes em sais.

Comentário: O teste de chama é uma técnica de análise qualitativa que permite identificar cátions. Nesta prática vamos identificar alguns cátions a partir da cor observada ao levá-los à chama.

Procedimento: Recolher uma pequena amostra (separadamente) de sais que contenham cátions dos metais cálcio, bário, lítio, cobre, magnésio e sódio, levando-as à chama de uma lamparina, bico de gás ou fogão. A cada identificação, lave o fio com esponja de aço, seque-o e proceda à identificação do outro sal. O composto de sódio deve ser identificado por último.

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UNIDADE 4: TEORIAS DAS LIGAÇÕES QUÍMICAS

Entende-se por ligação química a interação entre dois átomos ou entre dois grupos de átomos. Essa interação está relacionada ao rearranjo da estrutura eletrônica dos átomos envolvidos na formação da nova molécula e, portanto, a natureza dessa interação é dependente do rearranjo eletrônico na nova molécula e ainda influencia nas propriedades macroscópicas das substâncias.

As propriedades periódicas – energia ou potencial de ionização e afinidade eletrônica – fornecem explicações para a natureza das ligações químicas. A energia ou potencial de ionização é a energia necessária para arrancar um elétron de um átomo no estado gasoso. A afinidade eletrônica diz respeito a energia liberada quando um átomo, também, no estado gasoso recebe um elétron.

Assim, temos elementos com tendência a doar elétrons, ou seja, que apresentam valores baixos para suas energias de ionização e elementos que recebem elétrons com facilidade, o que corresponde a dizer que possuem baixos valores de afinidade eletrônica.

Discutiremos sob esse ponto de vista os três tipos de ligações químicas que estão presentes na maioria das moléculas: a ligação iônica, a ligação covalente e a ligação metálica.

LIGAÇÃO IÔNICA

A observação das propriedades periódicas, anteriormente citadas – energia ou potencial de ionização e afinidade eletrônica – mostra que alguns elementos têm maior facilidade de doar elétrons, enquanto outros têm mais facilidade de recebê-los. Ao receber elétrons, um elemento, inicialmente neutro, torna-se uma partícula negativamente carregada, denominada ânion. O processo inverso, de doação de elétrons por um elemento o transforma em uma partícula positivamente carregada, o cátion.

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Cátions e ânions, assim formados, interagem entre si devido às forças de atração dando origem a uma ligação química, a ligação iônica. As forças de atração entre essas partículas, eletricamente carregadas, são dadas por:

F

partículas, eletricamente carregadas, são dadas por: F q 1 .q 2 / r 2 Onde q

q 1 .q 2 / r 2

Onde q 1 e q 2 correspondem às cargas das partículas envolvidas e r é a distância entre essas partículas (Lei de Coloumb).

Existe energia associada à aproximação dessas partículas (íons) na forma gasosa relacionada à aproximação que resultará na ligação iônica, a energia de rede. Assim, como a previsão da Lei de Coloumb, a energia de rede também é inversamente proporcional à distância entre as partículas envolvidas na formação do sólido iônico. Então, quanto menor é a distância entre os íons, menor é a energia de rede. Matematicamente, essa separação tenderia a zero e o sistema iônico ao colapso. Isto leva à suposição da existência de forças de repulsão entre íons de cargas opostas muito próximas. A repulsão entre partículas de cargas opostas pode ser explicada pela superposição das distribuições eletrônicas dos íons.

As substâncias que têm sua formação explicada por ligação iônica apresentam propriedades que são justificadas em termos da teoria do arranjo eletrônico de seus átomos.

Mortimer e Machado discorrem que:

As propriedades dos compostos iônicos refletem características associadas ao modelo de um arranjo tridimensional de partículas carregadas. As substâncias iônicas têm, normalmente, temperaturas de

fusão e de ebulição elevadas. Dessa maneira, todas as substâncias iônicas são sólidas a temperatura e pressão ambientes. Vários são solúveis em água (solvente polar), mas essa não é uma característica

Eles são insolúveis em solventes

orgânicos (solventes apolares), como aguarrás e benzeno (C 6 H 6 ). Não conduzem corrente elétrica no estado sólido, mas o fazem em solução aquosa ou quando fundidos. Todas essas propriedades estão relacionadas à alta energia requerida para deslocar íons de suas posições muito estáveis no retículo cristalino e a mobilidade que os íons (partículas carregadas) adquirem em solução ou no estado líquido (MORTIMER e MACHADO, 2003).

universal dos sólidos iônicos (

).

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Em um composto iônico, ânions e cátions interagem baseados na atração eletrostática descrita pela Lei de Coloumb, formando um sólido iônico organizado em uma estrutura chamada retículo cristalino que é o resultado dessas interações.

Todo o conjunto de explicações teóricas supracitado é capaz de justificar o comportamento de quase todos os sistemas iônicos. As exceções, de acordo com Duarte, encontram justificativa se consideramos que:

Na natureza os átomos se unem e, em função da eletronegatividade que eles apresentam, podem atrair elétrons mais ou menos para si. Esta capacidade de atrair mais ou menos para si os elétrons está correlacionada com o seu potencial de ionização e com a afinidade eletrônica (Huheey, 1983). De acordo com a definição de Mulliken, a eletronegatividade é dada por c= ½ (PI/AE). Quando a transferência de elétrons pode ser considerada como uma aproximação válida face a diferença de eletronegatividade dos átomos, podemos tratar o sistema

como sendo uma interação entre íons (

No entanto, há sempre uma

interação devida ao fato de que os elétrons sempre têm uma pequena probabilidade de ser encontrados nas vizinhanças do átomo menos eletronegativo; é o que chamamos de covalência. (DUARTE, 2001)

).

Em geral as ligações iônicas acontecem entre metais e não metais e as ligações covalentes entre dois ametais.

LIGAÇÃO COVALENTE

Quando um composto é formado por dois átomos iguais a probabilidade de se encontrar o elétron em qualquer dos dois átomos é igual. Dizemos então que os elétrons estão sendo compartilhados. O compartilhamento ocorre com os elétrons da última camada ou elétrons de valência, pois são eles que por possuírem maior energia se encontram disponíveis. Os compostos assim formados são denominados covalentes ou moleculares.

Duarte cita que:

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Dois átomos iguais se unem para compartilhar seus elétrons de valência porque a matéria formada apresenta geralmente maior potencial de ionização e menor afinidade eletrônica, ou seja, torna-se mais estável em relação a tendência dos elétrons de escaparem do sistema. (DUARTE, 2001)

Os compostos formados por ligações covalentes apresentam temperatura de fusão e temperatura de ebulição mais baixas que as apresentadas pelos compostos iônicos, com exceção das macromoléculas como o diamante e o grafite. Podem ser sólidos, líquidos ou gasosos e são maus condutores de calor e corrente (com exceção da grafite).

A exceção observada nos isótopos do carbono diamante e grafite pode ser explicada por suas estruturas. No diamante, todas as ligações entre os átomos de carbono são iguais formando um retículo cristalino. Na grafite, os carbonos se distribuem em planos de átomos, restando espaço entre esses planos para locomoção dos elétrons, o que explica a condutividade desse composto.

dos elétrons, o que explica a condutividade desse composto. Figura 2 – Estruturas do diamante e

Figura 2 – Estruturas do diamante e do grafite.

As substâncias covalentes (ou moleculares) podem ainda ser classificadas em termos de sua polaridade. Quando a eletronegatividade entre os átomos que formam a substância é diferente, há um acúmulo de carga negativa ao redor do átomo mais eletronegativo. Tem-se assim, uma molécula polar. Para átomos iguais, temos as moléculas apolares.

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LIGAÇÃO METÁLICA

Os metais representam cerca de ¾ dos elementos existentes na tabela periódica. Os compostos por eles formados podem ser constituídos por um único elemento ou por mais de um elemento quando é então denominado liga metálica.

O modelo que melhor explica a ligação metálica e as propriedades apresentadas pelas substâncias assim formadas é o modelo do “mar de elétrons” que propõe a existência de íons positivos imersos num gás de elétrons e distribuídos em uma rede cristalina. Logo, esses íons não se ligam efetivamente a nenhum núcleo.

Em comparação com as substâncias covalentes podemos apontar uma diferença relevante: nas substâncias covalentes, os elétrons compartilhados encontram-se localizados, o que confere um caráter direcional às ligações. Já nas substâncias metálicas, os elétrons estão dispersos não se observados esse caráter direcional para a ligação.

Assim, as ligações metálicas apresentam a mesma intensidade em qualquer direção permitindo o deslizamento de um plano de átomos sobre outro sem prejudicar as ligações entre os elétrons desses planos. Por isso, os metais são dúcteis e maleáveis.

Os metais são geralmente sólidos, com exceção do mercúrio que é líquido à temperatura ambiente. São insolúveis em solventes polares e em solventes apolares, podendo, entretanto sofrer ataque por ácidos fortes.

INTERAÇÕES INTERMOLECULARES

A repulsão ou atração que ocorre devido a aproximação de moléculas ou

íons recebe o nome de interação molecular quando não há quebra ou formação de ligações químicas.

A natureza dessas interações está intimamente ligada às propriedades

termodinâmicas do sistema em questão e são indicativos do comportamento

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macroscópico das substâncias. Desta forma, o estado de agregação das

partículas de um material e a volatilidade são exemplos de observações que têm

sua explicação baseada nas interações moleculares das substâncias. Entretanto,

os sistemas biológicos merecem uma atenção especial no que diz respeito às

interações:

As moléculas da via (DNA, RNA, proteínas, etc.) são mantidas em suas

estruturas tridimensionais através de interações intra e intermoleculares. Uma vez

que a estrutura tridimensional molecular é responsável pela atividade biológica

específica destas moléculas, percebe-se então a importância do entendimento de

tais interações (ROCHA, 2001).

As interações intermoleculares mais comuns são as iônicas, as interações

dipolo-dipolo, as dipolo-permanente, dipolo-induzido e as ligações de hidrogênio.

Nas interações iônicas, observam-se o sistema de interações eletrostáticas

entre cátions e ânions podendo, portanto, ser de natureza atrativa ou repulsiva.

PROPOSTA DE ATIVIDADE EXPERIMENTAL

Objetivo: Diferenciar características de compostos iônicos e compostos

moleculares.

Procedimento: Em recipientes diferentes, colocar as substâncias: sal de cozinha, açúcar, enxofre, sulfato de cobre e sulfato de alumínio. Coloque cada um deles, separadamente, em um recipiente e os aqueça com cuidado em fogareiro ou bico de gás. Sabendo que os compostos iônicos apresentam elevado ponto de fusão, classifique cada uma das substâncias utilizadas. Obs.: Devido à produção de vapores tóxicos, o enxofre deve ser aquecido em capela. Caso contrário, não trabalhe com essa substância. Enxofre pode ser encontrado em casas de artigos religiosos, já o sulfato de cobre e o sulfato de alumínio em casas de artigos para piscinas.

Questões para discussão: As diferentes temperaturas de fusão ou de decomposição dos materiais propostos e a relação dessas temperaturas com as ligações e interações presentes nas substâncias. A formação de substâncias tóxicas pelo enxofre (por exemplo, SO 2 ).

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UNIDADE 5: INTRODUÇÃO ÀS TRANSFORMAÇÕES QUÍMICAS

Transformações químicas são todos os fenômenos que ocasionam a formação de uma nova substância. Toda transformação química é denominada reação química. Para reconhecermos que um fenômeno qualquer é uma reação química, podemos observar certas evidências.

Essas evidências são formas simples que podem envolver os seguintes fenômenos: a formação de gases, a liberação de eletricidade ou luz, a mudança de cor, a liberação ou absorção de energia na forma de calor, a formação de sólido, etc. Esses fenômenos, entretanto, não são garantia de que tenha ocorrido uma reação química. A maneira mais segura de obter informações sobre a natureza de uma transformação é a separação dos materiais obtidos e a determinação de algumas de suas propriedades. Sendo essas propriedades diferentes das observadas nos materiais no estado inicial, pode-se afirmar com certeza que ocorreu uma reação química.

Equações químicas são as expressões utilizadas para representar as reações. As substâncias participantes são representadas por suas fórmulas. Os reagentes são colocados no primeiro membro e são separados por seta dos produtos que ficam no segundo membro.

A equação química não é um mero conjunto de fórmulas, mas ponto de partida e de chegada de uma certa forma por meio da qual a química pode falar ao mundo.(MORTIMER; MACHADO, 2003)

A Lei de Lavoisier (ou Lei da Conservação da Massa) garante que em uma reação, a massa é conservada, isto é, os átomos presentes nos reagentes têm que ser os mesmos e estar em mesma quantidade nos produtos. Assim sendo, é importante observar o chamado “balanceamento da reação” que garante que essas quantidades sejam mantidas. Para isso, altera-se, quando necessário, os coeficientes da equação química.

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As leis ponderais são aquelas relacionadas às massas das substâncias

que participam de uma reação química: a dos reagentes – estado inicial – e a dos

produtos – estado final do sistema.

Foi a partir dessas leis, propostas no final do século XVIII e o início do

século XIX, que a Química Moderna se desenvolveu. Abandonou-se a alquimia

para desenvolver-se a química propriamente dita, uma ciência experimental. Elas

permitiram o desenvolvimento de um corpo teórico organizado, fundamentado em

observações experimentais que serviriam de base conceitual para a construção

do conhecimento que se tem na atualidade.

Uma maneira de enunciar as Leis Ponderais é apresentada a seguir:

Lei de Lavoisier – Num sistema fechado, a massa total dos regentes é igual à massa total dos produtos formados.

Lei de Proust – Toda substância apresenta uma proporção constante, em massa, na sua composição, e a proporção na qual as substâncias reagem e se formam é constante.

Lei de Gay-Lussac - Os volumes de todas as substâncias gasosas envolvidas num processo químico, desde que medidos nas mesmas condições de temperatura e pressão, estão entre si numa relação de números inteiros e simples.

CÁLCULO ESTEQUIOMÉTRICO

A aplicação das leis ponderais nos permite o desenvolvimento dos cálculos

das quantidades envolvidas nas transformações químicas. A esses cálculos

damos o nome de estequiometria. A palavra estequiometria é de origem grega,

composta por stoicheia que significa parte mais simples e metreim que significa

medida.

Os cálculos são realizados, levando-se em conta os coeficientes da

equação representativa da transformação química que traduzem as quantidades

em mol das substâncias participantes do processo.

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Como regra geral, para o desenvolvimento de qualquer cálculo estequiométrico, podemos seguir os passos: escrever a equação química que representa a reação, acertar os coeficientes da equação (balanceamento) e relacionar as quantidades em mol das substâncias envolvidas.

Essa seqüência de procedimentos para execução dos cálculos estequiométricos pode revelar a existência de alguma espécie em excesso, bem como de uma espécie limitante. Denominamos reagente excesso a espécie que no desenrolar dos cálculos estequiométricos encontra-se em quantidade superior à quantidade teórica esperada. Na prática, por vezes, esse acréscimo superior de substância em uma reação pode estar relacionado à pureza da substância ou a reatividade desta. Assim, trabalhar com quantidade maior que a prevista, teoricamente implica em garantir a ocorrência da reação no que depender do participante em excesso. Por outro lado, o reagente que se encontra em quantidade igual ou inferior a prevista, teoricamente é chamado reagente limitante, pois a quantidade de produto formado depende do limite estabelecido pela quantidade desse reagente.

Exemplos de cálculo estequiométrico:

Exemplo 1: O carbeto de silício (SiC) possui uma estrutura idêntica a do diamante e, por isso, apresenta elevada dureza, sendo utilizado, por exemplo, na confecção do esmeril para afiar facas e no corte de vidros. Uma forma de obtenção do carbeto de silício se dá por meio da reação de aquecimento de coque com areia, conforme expressa a equação a seguir:

3 C + SiO 2 = SiC + 2 CO Qual a massa de carbeto de silício, em kg, que se forma a partir da utilização de 1kg de carbono presente no coque?

Resolução - Da equação química temos que:

3 mols de C (coque) formam 1 mol de SiC (carbeto de silício), em massa 36g (3C)----------------- 40g (SiC) 1000g (1kg)------------- x x= 111,11g de SiC, aproximadamente.

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Exemplo 2: O sulfato de cálcio (CaSO4) é matéria-prima do giz e pode ser obtido pela reação entre soluções aquosas de cloreto de cálcio e de sulfato de sódio (conforme reação abaixo). Sabendo disso, calcule a massa de sulfato de cálcio obtida pela reação de 2 mols de cloreto de cálcio com excesso de sulfato de sódio, considerando-se que o rendimento da reação é igual a 75 %.

CaCl 2 (aq) + Na 2 SO 4 (aq) = CaSO 4 (s) + 2NaCl(aq) 1 mol de CaCl 2 -------------------1 mol de CaSO 4 , assim:

2 mols de CaCl 2 ------------------2 mols de CaSO 4 Em massa:

111g de CaCl 2 -----------------------136g de CaSO 4 222g de CaCl 2 --------------------x g de CaSO 4 x = 272g de CaSO 4 (em uma reação com 100% de rendimento).

Considerando 75% de rendimento:

272g ------------100%

x--------------75%

x= 204g de CaSO 4 são produzidos nessas condições.

23

UNIDADE 6: A ENERGIA NAS TRANSFORMAÇÕES QUÍMICAS

A energia é definida como a capacidade de realizar trabalho, definição que

remete às máquinas térmicas, capazes de transformar a energia que lhes é fornecida em energia de movimento. Sabemos, entretanto que as tantas formas de energia existentes abrem espaço para muitas outras aplicações.

Amaral e Mortimer discutem que:

todas as formas de energia que conhecemos dependem direta ou

indiretamente, da energia luminosa que recebemos do sol (

usada no transporte e na produção da maioria dos materiais provém dos combustíveis fósseis que em última análise originaram-se também por fotossíntese (AMARAL e MORTIMER, 1998).

Mesmo a energia

( )

).

Os processos que envolvem as relações de energia nas transformações químicas são estudados em Termoquímica. Os conceitos básicos que orientam esse estudo esclarecem o que é calor e o que é temperatura.

A temperatura pode ser entendida como uma medida da agitação térmica

de um sistema, é uma propriedade intensiva dos sistemas, isto é, independente da massa que nos dá a idéia de fluxo de energia. A temperatura está associada à energia cinética das espécies químicas que compõem um sistema. Já o calor, como fluxo de energia, é uma quantidade que escoa de um corpo ou ponto do sistema de maior temperatura para um de menor temperatura sendo, portanto, diretamente proporcional à diferença de temperatura entre os dois sistemas envolvidos na transferência. Assim, um corpo não possui calor, ele armazena energia interna que pode ser transferida sobre a forma de calor.

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A ENTALPIA COMO FUNÇÃO

A entalpia como função foi introduzida por Gibbs, em 1875. Convencionou-

se que os processos seriam classificados como endotérmicos quando envolvessem absorção de calor e exotérmicos quando envolvessem liberação de calor.

A entalpia é então uma função que informa sobre o calor absorvido ou

liberado por um sistema químico a pressão constante. Nessas condições, a entalpia diz respeito à energia interna e ao trabalho associado ao sistema.

A medida termoquímica realizada é a variação de entalpia, dada por:

H =realizada é a variação de entalpia, dada por: U + p V ou H = H

realizada é a variação de entalpia, dada por: H = U + p V ou H

U + p

realizada é a variação de entalpia, dada por: H = U + p V ou H

V ou

H = H final –H inicial. final –H inicial.

sistema. p V

corresponde ao trabalho de variação do volume, H final é a função entalpia após a transferência de calor e H inicial a função entalpia antes da transferência de calor.

Sendo

que

entalpia antes da transferência de calor. Sendo que U é a variação de energia interna do

U

é

a

variação

de

energia

interna

do

de calor. Sendo que U é a variação de energia interna do A variação de entalpia

A variação de entalpia é uma propriedade extensiva do sistema, isto é,

depende da massa das substâncias reagentes e também é uma função de estado, pois depende exclusivamente dos estados final e inicial dos reagentes e não das etapas pelas quais o processo de transformação se completa (Lei de Hess).

Como a entalpia é uma propriedade, estabeleceu-se uma escala de referência na qual atribuiu-se uma entalpia padrão (H f ) para cada substância. Por convenção, qualquer substância elementar apresenta entalpia padrão zero. Uma tabela com valores de entalpia padrão é fornecida a seguir:

25

Tabela 1 – Valores de entalpia padrão para algumas substâncias a 25°C e 1 atm de pressão.

 

Substância

(H f )/kJ.mol -1

Substância

(H f )

CO (g)

-110

HCl (g)

-92,3

CO 2(g)

-394

NH 3(g)

-46,0

C

2 H 5 OH (l)

-278

NaCl (s)

-413

H

2 O (l)

-286

NaOH (s)

-426,8

Os valores de entalpia padrão de formação possibilitam o cálculo da variação de entalpia para uma transformação química qualquer. Para tanto, calcula-se a partir de tabelas como a anterior os valores da entalpia relacionada aos produtos (H final ) e desses subtrai-se os valores da energia dos reagentes(H inicial ), levando em conta as quantidades em mol com as quais as substâncias participam do processo reacional. É importante observar o estado físico ou alotrópico da substância, pois esses são fatores determinantes para a valoração da entalpia das substâncias. A representação gráfica dos processos endotérmicos e dos processos exotérmicos mostra a relação entre a entalpia dos reagentes e dos produtos no decorrer de uma reação química. De acordo com a liberação ou absorção de energia no processo, ora os reagentes, ora os produtos possuirão maior valor energético.

26

PROPOSTA DE ATIVIDADE

Tabela 1 – Valor energético aproximado de alguns alimentos:

Alimento

Energia (kJ/g)

vegetais verdes

1,0

cerveja

1,3

frutas cítricas

1,5

leite integral

2,2

iogurte

3,0

frango grelhado

6,0

bife grelhado

14,0

sorvete

11,0

pão

10,0

arroz

15,0

batata frita

24,0

manteiga

30,0

açúcar comum

17,0

Tabela 2 – Energia consumida aproximada para alguns exercícios.

 

Tipo de exercício

Energia (kJ/hora)

caminhada

1100

voleibol

1400

tênis

1900

corrida

1900

futebol

2200

A) A partir das tabelas dadas, monte para você um cardápio para um dia de alimentação, calcule a energia absorvida e proponha uma atividade física para consumir parte desta energia.

B) Quem possui mais energia, reagentes ou produtos:

Nas reações endotérmicas. Nas reações exotérmicas.

27

UNIDADE 7: A VELOCIDADE NAS TRANSFORMAÇÕES QUÍMICAS

O controle da velocidade com que as transformações químicas acontecem

é de extrema importância, sobretudo em termos de produção industrial. Em boa parte dos casos é interessante acelerar os processos de obtenção de produtos industriais, isto é, otimizar a produção. Existem também casos onde o foco de

interesse é desacelerar o processo reacional como, por exemplo, nos processos corrosivos.

O estado físico dos reagentes, bem como a temperatura de ocorrência da

reação, a pressão do sistema (quando o sistema apresentar constituintes gasosos) e a concentração dos reagentes são fatores dos quais a velocidade de

uma transformação química é dependente, sendo, portanto, fatores de controle da velocidade reacional de um sistema.

O acompanhamento da variação das propriedades e das concentrações

das espécies envolvidas em uma transformação química fornece a medida da velocidade desta transformação que corresponde à variação da composição do sistema em função do tempo.

LEIS DE VELOCIDADE

A velocidade de uma transformação química é comumente dada pela

variação da concentração de uma das substâncias participantes do processo reacional. Desta forma, a velocidade pode ser expressa em termos do decréscimo da concentração de cada um dos reagentes com o tempo ou como o aumento da concentração de um dos produtos formados com o tempo. As expressões de velocidade relacionam-se entre si através da estequiometria da reação. Exemplo: Reação de decomposição do calcário

CaCO 3

Exemplo: Reação de decomposição do calcário CaCO 3 CaO + CO 2 Site: www.institutoprominas.com.br Email:

CaO + CO 2

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Qualquer das expressões, tanto as que se relacionam aos reagentes, quanto as que se relacionam aos produtos podem ser usadas para exprimir a velocidade da transformação:

-d [CaCO 3 ] = d[CaO] = d[CO 2 ]

dt

dt

dt

A lei de velocidade pode ter a forma,

-d [CaCO 3 ]

dt

dt A lei de velocidade pode ter a forma, -d [CaCO 3 ] dt = k

= k[CaCO 3 ] [CaO] [CO 2 ]

-d [CaCO 3 ] dt = k [CaCO 3 ] [CaO] [CO 2 ] Onde k

Onde k corresponde à constante de velocidade ou velocidade específica da reação, , e também são constantes relativas ao constituinte que

acompanham, ou seja, é a ordem de reação em relação ao calcário (CaCO 3 ), ,

a ordem de ração em relação à cal (CaO) e a ordem de reação em relação ao gás carbônico (CO 2 ). A soma dessas três constantes fornece a ordem total da reação. Os valores da ordem de reação para qualquer componente de uma transformação química correspondem aos coeficientes estequiométricos que seguem a espécie em questão, somente quando se trata de reações elementares (que acontecem em uma única etapa), assim, para determinar a ordem de uma reação, não que ocorra em duas ou mais etapas, é necessário um estudo prático mais elaborado. Nos tópicos seguintes, desenvolveremos com mais detalhes o estudo das reações de primeira ordem e de segunda ordem.

o estudo das reações de primeira ordem e de segunda ordem. Reações de primeira ordem: Suponhamos
o estudo das reações de primeira ordem e de segunda ordem. Reações de primeira ordem: Suponhamos
o estudo das reações de primeira ordem e de segunda ordem. Reações de primeira ordem: Suponhamos
o estudo das reações de primeira ordem e de segunda ordem. Reações de primeira ordem: Suponhamos
o estudo das reações de primeira ordem e de segunda ordem. Reações de primeira ordem: Suponhamos

Reações de primeira ordem:

Suponhamos uma reação de primeira ordem em que a concentração de uma das espécies reagentes é dada por c. A lei de velocidade para esta reação pode ser dada por:

- dc

dt

= kc

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que pode ser expressa como: dc/c = -kdt. Integrando essa relação, temos:

ln c= -kt + C

sendo C, a constante de integração. No início da transformação, quando t=0, podemos expressar a constante de integração por ln a = C e reescrever a equação acima como:

ln c/a = -kt

que corresponde a:

c = ae -kt Essa última equação mostra que a concentração do reagente em questão decresce exponencialmente com o tempo. As equações acima expressam a lei de velocidade de uma transformação química e podem ser representadas graficamente. Se a curva apresentada pelos pontos de um gráfico plotado a partir da equação “ ln c/a = -kt” for uma reta, a reação química é classificada como de primeira ordem. Nesse caso a constante de velocidade é dada pelo oposto do coeficiente angular da reta. Essa mesma equação permite ainda calcular o tempo de meia vida de uma espécie química. A expressão tempo de meia vida ( ) corresponde ao tempo necessário para que a concentração inicial de um dado reagente decresça para metade de seu valor. Considerando “a” como a concentração inicial, temos que a concentração c= ½ a. Então:

inicial, temos que a concentração c= ½ a. Então: = ln 2 / k = 0,693/
inicial, temos que a concentração c= ½ a. Então: = ln 2 / k = 0,693/

= ln 2 / k = 0,693/k.

O tempo de meia vida possibilita outra alternativa à determinação da ordem de uma reação. Basta calcular esse valor (tempo de meia vida) para várias

30

concentrações iniciais de um dos reagentes. Se a meia vida for independente da concentração inicial, a reação é de primeira ordem.

Reações de segunda ordem:

Quando lidamos com uma transformação química de segunda ordem, a lei de velocidade será dada por:

Como

chegamos a:

nas

transformações

de

-dc

dt

= k c 2

primeira

ordem,

-dc = k dt

c 2

A integração dessa equação nos leva a:

1/c = kt + C

separamos

as

variáveis

e

A constante de integração C pode ser calculada para o tempo de início da reação,

isto é, t= 0 e c=a, onde temos:

1/c = 1/a + kt,

que corresponde à Lei de velocidade na forma integrada para reações de segunda ordem. A representação gráfica dessa classe de reações também apresenta uma reta, entretanto o gráfico é construído tomando-se o inverso da concentração do reagente em estudo em função do tempo. O coeficiente angular da reta fornece a constante de velocidade da reação.

31

Por se tratar de uma reação de segunda ordem o tempo de meia vida ( ), apesar de definido da mesma maneira que anteriormente, depende da concentração inicial do reagente em questão.

depende da concentração inicial do reagente em questão. = -1/ k a, sendo “a”, a concentração
depende da concentração inicial do reagente em questão. = -1/ k a, sendo “a”, a concentração

= -1/ka,

sendo “a”, a concentração inicial do reagente escolhido para cálculo da velocidade da reação.

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PROPOSTA DE ATIVIDADE PRÁTICA

Investigando a decomposição do peróxido de hidrogênio

Objetivos:

o

Avaliar do ponto de vista da velocidade a transformação química de decomposição do peróxido de hidrogênio em diferentes concentrações;

o

Observar o efeito de um catalisador sobre a velocidade de uma transformação química.

Procedimentos: Montar a aparelhagem da reação, conectando um frasco quitasato a um frasco coletor cheio de água. Para isto, coloque uma mangueira ligando a saída do quitasato (devidamente tampado) a uma proveta colocada de cabeça para baixo dentro de um recipiente com água (ver esquema abaixo). Em seguida adicione 3mL de água oxigenada 10 volumes ao quitasato e tampe imediatamente. Comece a cronometrar a reação. Aguarde 5 minutos e observe se houve alteração do volume de gás no frasco coletor. Adicione uma ponta de espátula (ou uma colher de café) de cloreto de ferro III ao quitasato, agite e tampe imediatamente. Após 5 minutos faça a leitura de gás no tubo coletor. Repita esse procedimento com o peróxido de hidrogênio a 20 volumes. Anote os resultados em uma tabela.

Quitasato
Quitasato

Proveta

Recipiente com água

Montagem para execução da atividade.

33

UNIDADE 8: EQUILÍBRIO QUÍMICO

Em um sistema que apresente reações reversíveis, podemos dizer que o mesmo se encontra em um estado de equilíbrio químico quando as velocidades das reações direta e inversa forem iguais. Assim, reagentes e produtos coexistem no sistema, ainda que nenhuma alteração visual esteja sendo observada. Na reação hipotética:

v d v

AA + bB cC + dD v i
AA + bB
cC + dD
v i

A igualdade das velocidades de reação no estado de equilíbrio significa que a concentração das substâncias participantes da reação, apesar de não serem iguais, permanecem constantes.

Guldberg e Waage foram os primeiros a formular uma expressão para a constante de equilíbrio, baseada nas velocidades v d e v i que é dada por:

v d = K 1 [A] a . [B] b - velocidade da reação direta. V i = K 2 [C] c . [D] d – velocidade da reação inversa. No equilíbrio

v d = v i

K 1 [A] a . [B] b = K 2 [C] c . [D] d K 1 /K 2 (K c ) = [C] c . [D] d [A] a . [B] b sendo K c a constante de equilíbrio calculada a partir das concentrações das espécies químicas em equilíbrio e seus respectivos coeficientes estequiométricos. Para fins de cálculo da constante de equilíbrio, utilizando as concentrações das espécies em reação, deve-se considerar que essas concentrações deverão ser expressas em mol/L para espécies em solução e em atmosferas para espécies gasosas. Os sólidos, líquidos e solventes puros têm concentração unitária.

34

Segundo Harris, existe uma relação direta entre a constante de equilíbrio e a termodinâmica da transformação química em estudo.

O calor absorvido ou liberado pela reação (entalpia) e o grau de desordem dos reagentes e produtos (entropia) contribuem independentemente para o grau em que a reação é favorecida ou desfavorecida. (HARRIS, 2001).

Essas duas propriedades, entalpia e entropia se relacionam com a energia livre de Gibbs através da equação:

com a energia livre de Gibbs através da equação: G° = H° - T S° Uma

G° =

com a energia livre de Gibbs através da equação: G° = H° - T S° Uma

H° - T

energia livre de Gibbs através da equação: G° = H° - T S° Uma reação química

Uma reação química é espontânea se apresentar energia livre negativa ( G°<0). A constante de equilíbrio depende da energia livre de Gibbs pela seguinte relação:

depende da energia livre de Gibbs pela seguinte relação: K = e - G° / RT

K = e -

livre de Gibbs pela seguinte relação: K = e - G° / RT Onde R é

G° / RT

Onde R é a constante dos gases (8,3145J/K.mol) e T é a temperatura do sistema em Kelvin. São várias as situações cotidianas que apresentam reações reversíveis e, portanto, constituem sistemas em equilíbrio: a formação da chuva ácida e sua ação em minerais, a coexistência de CO 2 no estado gasoso e aquoso em uma garrafa de água gaseificada fechada, a formação do ozônio, controle de acidez no solo, etc. Em todos esses casos os efeitos de alterações externas podem ser explicados pelo Princípio de Lê Châtelier que diz respeito ao chamado deslocamento de equilíbrio e pode ser enunciado como: ao se aplicar uma força sobre um sistema em equilíbrio, esse é deslocado, entretanto o próprio sistema tende a se reajustar e restabelecer o estado de equilíbrio. A variação sofrida pelo sistema é parcialmente compensada. De acordo com o Princípio de Lê Châtelier haverá um deslocamento na reação buscando essa compensação. Para sistemas em que os participantes se apresentem no estado gasoso, o deslocamento de equilíbrio é avaliado em

35

termos da variação da pressão. Assim, um aumento da pressão do sistema levará a um deslocamento de equilíbrio no sentido da reação que apresentar o menor volume, o que corresponde ao menor valor da soma dos coeficientes estequiométricos das substâncias participantes. A diminuição da pressão leva a um deslocamento no sentido do maior volume. Um aumento de temperatura faz com que o sistema se reajuste no sentido de consumir esse aumento, deslocando o equilíbrio no sentido da reação endotérmica, isto é, no sentido de absorção de calor. Para em uma situação de diminuição de temperatura, o deslocamento será no sentido da reação exotérmica. A concentração constitui outro fator de variação, explicado pelo Princípio de Lê Châtelier. Quando variamos a concentração de uma das espécies envolvidas em uma reação, teremos um deslocamento no sentido de consumir essa concentração se a mesma for aumentada ou no sentido de aumentar a concentração da espécie que teve esse fator diminuído. Um caso especial do aumento de concentração em uma reação que se encontra em equilíbrio químico é o efeito do íon comum, muito importante para estudos de solubilidade de sais. Vejamos o seguinte exemplo:

Agora vamos variar o problema pela adição de uma segunda fonte de Cl. O que acontecerá com a concentração de Hg 2 2+ numa solução contendo

NaCl a 0,030 M saturada com Hg 2 Cl 2 (

Lê Châtelier é chamada de efeito do íon comum. Um sal será menos solúvel se um de seus íons constituintes ainda estiver presente na solução (HARRIS, 2001).

aplicação do Princípio de

).Essa

36

PROPOSTA DE ATIVIDADE PRÁTICA

Objetivo: Verificar efeitos visuais do deslocamento de equilíbrio.

Estudo do equilíbrio no composto Complexo [Co(H 2 O) 4 Cl 2 ]

O complexo cloreto de hexaquocobalto participa de uma reação de

equilíbrio relacionada à entalpia. Nesta prática, observaremos esse

fenômeno.

Procedimento:

o

Colocar em um tubo de ensaio 2mL da solução de cloreto de hexaquocobalto;

o

Acrescentar cerca de 0,5mL de HCl concentrado (observar a alteração). Se necessário acrescentar mais algumas gotas, gotejar com pipeta de 1 ou 2 mL.

o

Acrescentar água destilada até observar nova alteração;

o

Aquecer o tubo em “banho Maria”, anotar as observações;

o

Resfriar o tubo e novamente anotar as observações.

Reação:

37

UNIDADE 9: QUÍMICA LIMPA: PRINCÍPIOS E PRESSUPOTOS

A Química é uma ciência fascinante que apresenta um cabedal de possibilidades para o desenvolvimento de tecnologia, métodos e produtos que facilitam e tornam nossa Cida mais confortável. Contudo os resíduos gerados, e até mesmo a má utilização dos conhecimentos químicos, levam ao surgimento de problemas de pequeno, médio e grande impacto negativo sobre as pessoas e o meio ambiente. Dados do final do século passado mostram que as variadas atividades da indústria química movimentaram mais de US$1,59 trilhões, só em vendas. O Japão, juntamente com os Estados Unidos e países da Europa ocidental, respondem por 66% dessas vendas. No Brasil, a indústria química representa o segundo maior setor da indústria de transformação, alcançando um faturamento anual de cerca de US$ 42,6 bilhões. Ainda assim, o Brasil, hoje, importa mais do que exporta produtos químicos apresentando déficit comercial nesse setor. O volume de produção de bens e serviço dá uma idéia da importância e da necessidade de cuidados no que diz respeito ao gerenciamento da produção nesse segmento da indústria, bem como da geração de resíduos. Galembeck e outros apresentam um apanhado da evolução recente da indústria química e apontam que:

Hoje, a indústria química investe intensamente em equipamentos de controle, em novos sistemas gerenciais e em processos tecnológicos visando à redução dos riscos de acidentes. No Brasil, a Abiquim

implantou os seguintes programas de redução de riscos, que têm tido

bastante sucesso: programa de Atuação Responsável (

Sistema de Avaliação da Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Qualidade

e pró-Química: sistema que opera 24 horas por dia para fornecer

SASSMAQ-

)

( )

informações sobre procedimentos com relação aos produtos químicos em situação de emergência (GALEMBECK et all, 2007).

38

O desenvolvimento crescente da indústria química no Brasil e no mundo fomentou a conscientização crescente da sociedade quanto aos cuidados necessários para que os processos agressivos ao homem e ao meio ambiente sejam controlados. São muitos os movimentos internacionais e nacionais e as agências que desenvolvem e implantam programas que visam minimizar os impactos negativos oriundos da indústria química. Nessa perspectiva, surge o conceito de Química Verde ou Química Limpa que corresponde a uma nova postura de trabalho que adota atitudes para reduzir, prevenir e em alguns casos até mesmo eliminar a produção de resíduos no processo de fabricação. Isso implica muitas vezes na reutilização de resíduos ou substituição de uma substância ou matéria-prima tóxica por outra que tenha a mesma finalidade e menor toxicidade. A implantação e aplicação da Química Limpa cumprem, também, o papel de fator de economia para a indústria já que trabalha, também, com a redução da quantidade de matéria-prima empregada, o que significa economia de capital de produção e de tratamento de resíduos. Para tanto, a Química Limpa baseia-se em doze princípios:

Prevenção: é melhor prevenir a formação de resíduos do que tratá-los depois de gerados; Economia de átomos: Os métodos sintéticos devem ser projetados de modo a maximizar a incorporação de todos os materiais de partida (reagentes) empregados no produto final; Menor toxicidade nas sínteses químicas: Sempre que possível, os métodos sintéticos devem empregar e gerar substâncias que apresentem pouca ou nenhuma toxicidade ao ser humano e ao ambiente; Planejando produtos seguros: Os produtos químicos devem ser planejados de modo a desempenhar a função desejada e ao mesmo tempo diminuir a toxicidade; Solvente e auxiliares seguros: A utilização de substâncias auxiliares (solventes, agentes de separação, secantes, etc) devem ser evitadas e serem inócuas, quando usadas;

39

Busca da eficiência de energia: As necessidades energéticas de um processo químico devem ser identificadas a partir de seus impactos ambientais e econômicos e serem minimizadas. Se possível, os métodos sintéticos devem ser conduzidos à pressão e temperatura ambientes; Uso de matérias-primas renováveis: A fonte de matéria-prima deve ser renovável, sempre que viável, tanto técnica, quanto economicamente; Redução de derivados: A preparação de derivados desnecessários (grupos bloqueadores, proteção/desproteção, modificação temporária de processos físico-químicos) deve ser minimizada ou se possível evitadas, porque essas etapas requerem reagentes adicionais e podem gerar resíduos; Catálise: Reagentes catalíticos (tão seletivos quanto possível) são superiores aos reagentes estequiométricos; Planejamento para degradação: Os produtos químicos devem ser projetados de modo que, ao final de sua utilidade, se fragmentem em produtos de degradação inócuos e não persistam no ambiente; Análise em tempo real para prevenção da poluição: As metodologias analíticas devem ser desenvolvidas para permitir o monitoramento em tempo real e o controle preventivo da formação de substâncias tóxicas; Química intrinsecamente segura para a prevenção de acidentes: As substâncias, bem como a maneira como uma substância é empregada em um processo químico, devem ser escolhidas de modo a minimizar o potencial de acidentes químicos, incluindo vazamentos, explosões e incêndios.

São vários os países que desenvolvem seus trabalhos em indústria química adotando esses princípios.

40

 

Legenda

1 América do 1-
1 América do 1-

1 América do

1-

Norte

2 2- Europa

2 2-

Europa

3 3- Ásia

3 3-

Ásia

4 4- Mistos

4 4-

Mistos

5-

Oceania

5 América do 6-

5 América do

6-

6 Sul.

6 Sul.

Figura 3: Contribuições à Química Limpa pelos continentes.

Em Química na prática, adota-se uma série de procedimentos que seguem os doze princípios da Química Limpa como, por exemplo, análise in loco (ou monitoramento) de parâmetros ambientais, como solo, água e ar, procedimentos analíticos, sem emprego de reagentes (técnicas eletroanalíticas), sínteses que adotam a economia de átomos, processos químicos catalisados, etc. O desenvolvimento de trabalhos que utilizam esses métodos oferece como retorno procedimentos mais corretos do ponto de vista de geração de resíduos, gasto de reagentes e, portanto, é ecologicamente mais correto.

41

REFERÊNCIAS

AMARAL Luís Otávio; MORTIMER, Eduardo Fleury. Calor e temperatura no ensino de Química. Química Nova na Escola, N.7, p. 30-34, MAI 1998.

BARROS, Haroldo L.C. Quimica Inorganica : uma introdução. Belo Horizonte:

UFMG/UFOP, 1992.

CASTELLAN, Gilbert. W. Fundamentos de Físico-Química, 1ª ed, Rio de Janeiro:

LTC. 1993.

DUARTE, Hélio A. Ligações químicas: iônica, covalente e metálica.Química Nova na Escola. N.4, p.14-23, MAI 2001.

DUPONT, Jairton. Economia de átomos, Engenharia Molecular e Catálise Organometálica Bifásica: conceitos moleculares para tecnologias limpas. Química Nova. São Paulo, N. 6, vol 23, p.825-831, NOV/DEZ 2000.

GALEMBECK, Fernando; SANTOS, Ádamo César Mastrângelo; SCHUMACHER, Heloísa Cajon, rippel, Márcia Maria, RUSSETO, Renato. Indústria Química:

evolução, recente, problemas e oportunidades. Química Nova, N. 6, vol 30, p.1413-1419, NOV/DEZ 2007.

HARRIS, Daniel C. Análise Química Quantitativa, 5 ed. Rio de Janeiro: Livros

Técnicos e Científicos, 2001.VOGEL, A. Análise Química Quantitativa. 5ed. Rio

MORTIMER, Eduardo; MACHADO, Andréa Horta. Assessoria Pedagógica –

Química para o Ensino Médio. 1 ed. São Paulo. 2003.

ROCHA, Willian. Interações Intermoleculares. Química Nova na Escola, N. 4, p.

31-36, MAI 2001.