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IFRS – CAMPUS BENTO GONÇALVES/FELIZ

ADMINISTRAÇÃO – TEORIA ECONOMICA


INTRODUÇÃO À TEORIA ECONOMICA

O que é? Para que serve, ou qual sua importância? Quais os elementos, tipos, fases? Como se
faz?

TEORIA –

Dicionário Aurélio:

[Do gr. theoría, ‘ação de contemplar, examinar’; ‘estudo’; ‘deputação solene que as cidades gregas
mandavam às festas dos deuses’; ‘festa solene’, ‘pompa’, ‘procissão’, pelo lat. tard. theoria, mas
conforme a prosódia grega.]
Substantivo feminino
1.Conhecimento especulativo, meramente racional.
2.Conjunto de princípios fundamentais duma arte ou duma ciência.
3.Doutrina ou sistema fundado nesses princípios.
4.Opiniões sistematizadas.
8.Na Grécia antiga, embaixada sagrada que um Estado enviava para o representar nos grandes
jogos esportivos, consultar um oráculo, levar oferendas, etc.

ECONOMIA -

[Do gr. oikonomía, pelo lat. oeconomia.]


Substantivo feminino
1.Ciência que trata dos fenômenos relativos a produção, distribuição e consumo de bens; teoria
econômica.
2.Sistema produtivo de um país ou região:
3.Ant. A arte de bem administrar uma casa (v. economia doméstica).
4.Contenção ou moderação nos gastos; poupança:

Segundo Oliveira (1976), o termo economia vem do grego e é composto de oikos e nemein, que
quer dizer governo (cuidado) da casa, dos bens de família, do patrimônio familiar.

Dentre algumas definições encontradas para Economia Política (ou, Social, Nacional, Humana,
Industrial, etc.), destacou-se:

- “A Economia Política tem por objeto o estudo das relações tendentes a satisfazer necessidades
materiais, e do bem-estar, dos homens que vivem em sociedade”. Oliveira (1976, p.9).

- Ciência que faz conhecer os meios pelos quais as riquezas se formam, se distribuem e se
consomem.

- A ciência que estabelece os princípios que regem a produção, circulação, distribuição e consumo
da riqueza na sociedade civilizada. Oliveira (1976, p.10).

Discordância entre ciência e arte: a ciência diz como é e o que é o objeto (modo indicativo, com
base nos fenômenos); a arte diz como se faz (modo imperativo, de decisão para confirmar ou
mudar uma direção).

PROF. MSC. ROSANE MARIA NEVES – CRA 1411


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NECESSIDADE –

- É o sentimento de privação de um bem externo que se tende a possuir.

- É toda sensação de falta de que se ressente um organismo, seja para voltar ao seu estado de
equilíbrio ou para aumentar suas condições de funcionamento regular. Oliveira (1976, p.11)

A atividade animal (comportamento) se apresenta em quatro fases:

1. Necessidade 2.Desejo 3.Esforço 4. Satisfação

Se a satisfação desta necessidade exige auxílio do mundo externo, é de domínio da Economia


Política.

POLÍTICA –

“A política é a arte, a análise, a capacidade de exercer a função do poder em vantagem de todos.”


Meneghetti (2004, p.20)

Bens são tudo aquilo que possa servir para satisfazer uma necessidade (pão, ar, lenha, água,
amizade). E, os bens econômicos são os que só podem ser conseguidos por meio do trabalho.

Riqueza é toda coisa útil, material, limitada e permutável, capaz de satisfazer a uma ou mais
necessidades do homem.

Valor é o grau de apreciabilidade das coisas úteis. Valor de uso é a aptidão que tem de satisfazer
as necessidades de cada um; e valor de troca é a aptidão de permuta.

A investigação científica no campo da Economia procura testar pela evidência a estabilidade do


comportamento humano, segundo uma hipótese formulada. Como é possível predizer o
comportamento humano? (Vasconcelos, 2003, p.5).

TEORIA ECONÔMICA: leis que explicam o comportamento humano e fazem parte do conjunto de
conhecimentos. Por isso, muitas vezes é sinônimo de “arte de pensar”.

O comportamento humano apresenta caráter estável pela simples determinação da maior chance
associada à tendência das ações da maioria das pessoas da coletividade que se está estudando.

CIÊNCIA ECONÔMICA

ECONOMIA é uma ciência social que estuda a administração dos recursos escassos entre usos
alternativos e fins competitivos. (Vasconcelos, 2003, p.8).

Embora cada ciência observe e analise a realidade do aspecto material do seu objeto, segundo sua
própria lógica formal, as visões sobre o mesmo objeto acabam se inter-relacionando.

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A.ECONOMICO

A. SOCIAL
A.POLÍTICO

REALIDADE –
ASPECTO MATERIAL
DO OBJETO
A.DEMOGRÁFICO
A.HISTÓRICO

A.GEOGRÁFICO

Economia e política – natural e secular, dado pelo papel da política – arte de governar ou exercício
de poder.

Economia e história – a pesquisa empírica sobre os fatos econômicos é levada avante com base
no registro histórico das informações sobre a realidade que se propõe a analisar.

Economia e geografia – os acidentes geográficos interferem no desempenho das atividades


econômicas e, inúmeras vezes, as divisões regionais são utilizadas para estudar as questões
ligadas aos diferenciais de distribuição de renda, de recursos produtivos, de localização de
empresas, dos efeitos da poluição sobre o meio ambiente, do equilíbrio dado pelos custos de
transporte, das economias de aglomeração urbana, entre outras. (Vasconcelos, 2003, p.9).

Economia e sociologia – as políticas salariais ou de gastos sociais (educação, saúde, transportes,


alimentação e outros) são exemplos que influenciam na dinâmica da mobilidade social.

Economia, matemática e estatística – faz uso da lógica da matemática e das probabilidades


estatísticas.

Além destas: Economia e biologia – que exerce atividade econômica é um ser vivo, objeto das
ciências biológicas. A alimentação e o trabalho são interdependentes. É evidente a influência da
nutrição sobre o rendimento do trabalho. (Oliveira, 1976, p.17)

LEI DA ESCASSEZ

Tudo se resume a produzir o máximo de bens e serviços com os recursos escassos disponíveis a
cada sociedade.

Situação gerada pela razão de produzir bens com recursos limitados, a fim de satisfazer as
ilimitadas ‘necessidades’ humanas.

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Um bem é demandado porque é útil – tem capacidade de satisfazer uma necessidade humana.

Necessidade humana – qualquer manifestação de desejo que envolva a escolha de um bem


econômico capaz de contribuir para a sobrevivência ou para a realização social do indivíduo.

(...) No mundo de hoje todos desejam ou pensam que necessitam de geladeiras, esgotos, carros,
televisão, rádios, educação, cinemas, livros, roupas, cigarros, relógios. (Vasconcelos, 2003, p.11).

“Economia é a ciência social que se ocupa da administração dos recursos escassos entre usos
alternativos e fins competitivos, ou que “Economia é o estudo da organização social, pela qual os
homens satisfazem suas necessidades de bens e serviços escassos”.

PROBLEMAS ECONÔMICOS BÁSICOS

O que e quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir?

Pleno emprego – uma situação em que os recursos disponíveis estão sendo plenamente utilizados
na produção de bens e serviços, garantindo o equilíbrio econômico das atividades produtivas.

O desejo dos indivíduos determinará a magnitude da demanda, e a produção das empresas


determinará a magnitude da oferta. O equilíbrio entre a demanda e a oferta será sempre atingido
pela flutuação do preço.

Os problemas básicos da economia podem ser resolvidos pela CONCORRÊNCIA DOS


MERCADOS E PELO MECANISMO DOS PREÇOS. O consumidor tentará maximizar o seu bem-
estar e o produtor, o lucro.

- Que bens serão produzidos será decidido pela demanda dos consumidores no mercado. O
dinheiro pago ao vendedor será redistribuído em forma de renda como salários, juros ou dividendos
aos consumidores. Assim, fecha-se o circulo. O consumidor sempre procurará maximizar a
utilidade ou a satisfação. (Vasconcelos, 2003, p.16).

- Quanto produzir será determinado pela atuação dos consumidores e dos produtores no mercado
com ajustamentos dados pelo sistema de preço.

- Como produzir é determinado pela concorrência entre os produtores. O método de fabricação


eficiente ou mais barato deslocará o ineficiente e o mais caro, podendo assim o concorrente
sempre sobreviver no mercado produtor. O objetivo do produtor será sempre o de maximizar
lucros.

- Para quem produzir será determinado pela oferta e demanda no mercado de fatores de produção:
por salários, juros, aluguéis e lucros, que, em conjunto, formam a renda individual, relativa a cada
serviço e ao conjunto de serviços. A produção destina-se a quem tem renda para pagar, e o preço
é o instrumento de exclusão. (Vasconcelos, 2003, p.17).

O mercado é a solução civilizada mais barata, logo, a mais eficiente, para realizar trocas, que, em
última instância, são a essência do problema econômico.

O sistema de mercado descrito acima apresenta falhas de funcionamento que impedem de atingir
suas metas, quais sejam:

- eficiente alocação de recursos;

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- distribuição justa da renda (não confundir com igualdade, que não existe);

- estabilidade dos preços (baixíssima inflação); e

- crescimento econômico.

Duas são as falhas:

- imperfeições na concorrência dos mercados, caracterizada pela presença de poucos produtores


(monopólio ou oligopólio e sindicatos), que transformam os mercados impessoais em pessoais para
deles tirar vantagens econômicas, pela cobrança de preços muito acima dos custos de produção;

- efeitos externos que o mercado é incapaz de internalizar no cômputo dos seus benefícios e/ou
custos (ex. poluição das fábricas sobre as famílias).

As imperfeições de concorrência levam à má distribuição de renda e de bem-estar, e somente a


atuação do ESTADO pode corrigir isso, regulamentando a ação dos oligopólios ou investindo nas
áreas sociais para reduzir os focos de pobreza. (Vasconcelos, 2003, p.18).

ECONOMIA CAPITALISTA

O capitalismo caracteriza-se por um sistema de organização econômica baseado na propriedade


privada dos meios de produção, isto é, os bens de produção ou de capital.

Capital – conjunto (estoque) de bens econômicos heterogêneos, tais como máquinas,


instrumentos, fábricas, terras, matérias-primas, capaz de reproduzir bens e serviços.

Exemplo: camponês que habita cabana distante da fonte de água (...) – mãos, balde, adutora.
Precisou destinar tempo e poupar recursos para a ampliação do seu estoque de capital.

(...) Aquilo que a comunidade está disposta a poupar, ou seja, aquilo que ela está disposta a se
abster de consumir no presente e esperar pelo consumo futuro, constitui os recursos que a
comunidade pode, no momento, destinar à formação de novo capital. (Vasconcelos, 2003, p.19).

Propriedade privada – é pela propriedade privada do capital que o capitalismo se apropria de parte
da renda gerada nas atividades econômicas. Dessa forma fica garantido o estímulo à criatividade e
à concorrência.

Capital tangível – é o capital na sua forma física (equipamentos, edificações e outros);

Capital intangível – conjunto de capital representado por documentos (incluindo-se patentes dos
processos tecnológicos).

No sistema capitalista são os indivíduos que recebem os juros, os dividendos, os lucros, os


aluguéis e os direitos de exploração (royalties) dos bens de capital e das patentes. (assumindo
também os riscos?).

Divisão do trabalho – especialização de funções, na produção massificada, que permite a cada


pessoa usar, com a máxima vantagem, qualquer diferença peculiar em aptidões e recursos. Tal
simplificação presta-se à mecanização – uso mais intensivo de capital por trabalhador, enquanto
evita a duplicidade antieconômica de instrumentos e poupa o tempo perdido de passar de uma
tarefa pra outra. Em contrapartida o trabalhador recebe salário que o habilita a comprar
mercadorias de qualquer natureza.

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Moeda – é uma das maiores invenções da humanidade e tem na economia quatro funções
básicas: meio de troca (deve manter seu poder de compra, facilmente reconhecida, divisível e
transportável), reserva de valor, unidade de conta e padrão para pagamentos diferidos no tempo.

As unidades monetárias – real, dólar, peso, euro, libra, e outras – foram introduzidas pelas
economias modernas para simplificar o problema de existência de muitos preços.

ECONOMIA CENTRALIZADA

Aqui os problemas básicos da economia – quê, quanto, como e para quem – são determinados
pelos órgãos planejadores centrais e não pelo sistema de preços como nas economias de
mercado.

O órgão planejador (governo) fixa as metas a serem cumpridas, transmite-as aos órgãos regionais,
e estes, diretamente às unidades produtoras da atividade econômica. (Vasconcelos, 2003, p.21).

Se o governo achar que determinada indústria é vital para a economia do país, essa indústria
prosperará, apesar de apresentar relativa ineficiência de produção e, conseqüentemente, prejuízos.

Os meios de produção – máquinas, edifícios, matérias-primas, instrumentos, tratores e caminhões,


terras, minas, bancos – são considerados como pertencentes a todo o povo, isto é, propriedade
coletiva. Exceto os de propriedade privada de pequenas atividades artesanais e camponesas.

Os meios de sobrevivência como roupas, automóveis, eletrodomésticos, móveis pertencem aos


indivíduos, e as residências ao Estado.

A TEORIA ECONÔMICA constitui-se de um corpo de conhecimento da realidade, passível de uma


divisão:

- Microeconomia (teoria dos preços) – por meio da ação conjunta da demanda e da oferta.

- Macroeconomia (equilíbrio da renda nacional) – condições de equilíbrio estável entre a renda e a


despesa nacionais.

- Desenvolvimento econômico – processo de acumulação dos recursos escassos e da geração de


tecnologia capazes de aumentar a produção de bens e serviços para a sociedade.

- Economia internacional – condições de equilíbrio do comércio externo (importações e


exportações), além dos fluxos de capital.

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