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C) METODOLOGIA DAS ARTES MARCIAIS

AUTOR

JOSÉ PEREIRA DE MELO

Introdução A disciplina Metodologia das Artes Marciais compõe o rol de disciplinas que são ofertadas aos alunos do curso de graduação em Educação Física na modalidade a distância, tendo o propósito de discutir as questões históricas e filosóficas das Artes Marciais e sua aplicação na educação física escolar. Não se trata de abordar as manifestações que integram as artes marciais no sentido da especialização de gestos, mas proporcionar um debate pedagógico para que todos se percebam capazes de vivenciar e construir, considerando-se as capacidades de cada um, os gestos que configuram as diversas formas de artes marciais. Em linhas gerais, buscaremos nesta disciplina fazer com que os alunos compreendam os fundamentos básicos sobre a pluralidade do patrimônio sociocultural de outros povos e nações, pois das artes marciais selecionadas para estudo apenas a capoeira pode ser considerada manifestação cultural do povo brasileiro, ao contrário das demais. Assim, selecionamos para estudo o karatê, a capoeira, o aikidô, e o judô; por considerá-los bastante evidentes na cultura brasileira e terem expressivos números de praticantes. Tal escolha não inviabiliza a incursão por outras formas de artes marciais, pois o aluno terá liberdade para relacionar os conteúdos aprendidos com outras formas de manifestações corporais. Os conteúdos desta disciplina buscam capacitar o graduando de educação física a refletir criticamente sobre a função do ensino das artes marciais nas aulas de Educação Física. Para o pleno atendimento de tal perspectiva as discussões serão mediadas por estratégias teórico/ práticas, para as quais você graduando terá como suportes didáticos a leitura de textos, análise de vídeos, participação em fóruns de discussão, visitas a grupos de praticantes das modalidades selecionadas para estudo, bem como serão estimulados a elaborar plano de ensino para o trabalho pedagógico com a infância e adolescência sobre as artes marciais. Para tanto, a disciplina está composta em quatro unidades de ensino, a saber: na Unidade 1, intitulada “das artes marciais às lutas” fazemos uma incursão histórica e conceitual sobre os termos “lutas” e “artes marciais”, bem como apresentamos alguns apontamentos para seu tratamento pedagógico como conteúdo da educação física. Nas Unidades 2, 3 e 4 discutimos o ensino do karatê, da capoeira e do judô, respectivamente, centrando-se as discussões nos aspectos históricos; no princípios fundamentais de cada modalidade e nas suas possibilidades pedagógicas para a educação física escolar.

Metodologia das artes marciais Introdução
Metodologia das
artes marciais
Introdução

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Metodologia das artes marciais Palavra do professor autor Orientações para o estudo
Metodologia das
artes marciais
Palavra do professor
autor
Orientações para o
estudo

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Palavra do professor autor Prezado aluno, O caderno didático sobre as Artes Marciais foi elaborado tendo como princípio fundamental a idéia de tratá-las como conteúdo da educação física escolar, haja vista que você integra o corpo discente de um curso de licenciatura, cuja inserção profissional será a escola. Nesta, encontraremos diferentes motivos para que os alunos envolvam-se nas suas práticas, não necessariamente pautados na idéia de aprender os gestos de uma luta/artes marciais para participar de competições esportivas. Tal fato inclui não só a discussão das questões mais técnicas que compõem as modalidades de artes marciais, selecionadas para compor o presente caderno, mas buscamos também articular uma discussão pedagógica que possibilite você visualizar as artes marciais como prática para todos e não somente para as pessoas mais habilidosas. Assim, tentamos elaborar um material didático capaz de atingir a todos, tanto os mais aptos, quanto os que se consideram menos hábeis nesse tipo de atividade. O caderno foi preparado especialmente para você e vai orientá- lo na condução das atividades didáticas para o conteúdo relacionado às artes marciais nas aulas de educação física escolar. A partir de materiais específicos, preparados como referenciais para auxiliar o processo de aprendizagem, você terá a oportunidade de ler, refletir, realizar atividades individuais e em grupo, bem como participar de encontros vivenciais nos trabalhos de campo que serão exigidos nas diferentes unidades da disciplina. Para tanto, nas atividades sugeridas recorremos à pesquisa na internet, visita às escolas e/ou grupos de artes marciais, vídeos e outros ambientes para ampliar o entendimento dos conteúdos e promovermos uma bem sucedida caminhada pedagógica na disciplina Metodologia das Artes Marciais. Leia com atenção as orientações do caderno e aproveite ao máximo a oportunidade. Desejamos sucesso na sua trajetória para entender as artes marciais como um conteúdo possível de ser desenvolvido nas escolas.

Orientações para o estudo O caderno didático está organizado com texto, imagens e atividades que devem ser realizadas por todos os alunos, tendo o ambiente virtual como prolongamento do material impresso. Primeiramente leia

o texto de cada unidade. Depois, realize as atividades dispostas tanto na coluna indexal como as que estão postadas no ambiente. Se algum problema de entendimento em relação ao conteúdo deste caderno ou sobre como fazer as atividades recorra ao tutor. Bom estudo.

Ementa História e Filosofia das Artes Marciais. Fundamentos básicos sobre a pluralidade do patrimônio sociocultural de outros povos e nações. Vivência das artes marciais dentro do contexto escolar. Perceber, relacionar e desenvolver as capacidades físicas e habilidades motoras presentes nas artes marciais.

Objetivos de ensino-aprendizagem

1. Discutir os pressupostos teórico-metodológicos das Artes

Marciais como conteúdo da Educação Física escolar;

2. Refletir criticamente sobre a função do ensino das artes

marciais nas aulas de Educação Física e as atitudes esperadas dos alunos; 3. Elaborar plano de ensino para o trabalho pedagógico com as artes marciais da infância à adolescência.

Unidade 1 Das artes marciais às lutas

Síntese: a primeira unidade apresenta os aspectos históricos e conceituais das artes marciais e aborda questões de ordem pedagógica, para compreendê-las como conteúdo da educação física escolar.

Aspectos históricos e conceituais das artes marciais Formas de autodefesa são, provavelmente, tão antigas quanto à espécie humana. Na história da humanidade registra-se que o homem sempre expressou gestos motores para mostrar superioridade frente às exigências do meio, seja por sobrevivência, por superação de inimigos ou para manutenção do espaço territorial. Os diversos momentos da

Metodologia das artes marciais Unidade 1 Das artes marciais às lutas
Metodologia das
artes marciais
Unidade 1
Das artes marciais
às lutas
artes marciais Unidade 1 Das artes marciais às lutas Atividade 1: Entre no ambiente virtual e

Atividade 1:

Entre no ambiente virtual e participe do fórum: O que significa artes marciais e qual sua relação com a educação física escolar?

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Metodologia das artes marciais Unidade 1 Das artes marciais às lutas
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artes marciais
Unidade 1
Das artes marciais
às lutas
artes marciais Unidade 1 Das artes marciais às lutas Pesquise no site: HTTP:// pt.wikipedia.org/

Pesquise no site: HTTP:// pt.wikipedia.org/ wiki/Artes_Marciais a variedade de artes marciais existentes no mundo (por país), bem como onde se concentra a maioria delas. Escolha uma das artes marciais e reflita sobre a possibilidade da sua prática nas escolas da sua região.

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evolução do homem podem evidenciar, de certa forma, uma transição no aperfeiçoamento dos gestos e sua organização no sentido de regulamentá- los em formas mais bem elaboradas até caracterizar o que denominamos de artes marciais na atualidade. O termo arte marcial é uma referência ao deus Greco-romano da guerra, Marte, que segundo a mitologia ensinou sua arte aos homens. Vale salientar que arte marcial é um termo de origem ocidental, mas existem outros termos (orientais) correlatos como: “Wu shu” na China e “Bushi do” no Japão. “Bushi do” significa caminho do guerreiro, pois em japonês “bushi” significa guerreiro, e “do” significa caminho. No sentido mais amplo, Artes Marciais são sistemas de práticas

e tradições para treinamento de combate, que serviam para treinamento

dos exércitos, preparando-os fisicamente e mentalmente para combates com armas e/ou sem armas. Lembramos que as artes marciais que não utilizam armas são mais recentes, pois com o tempo os governantes proibiram o uso de armas pelo povo, com o objetivo de prevenir rebeliões ou levante armado contra o governo, restringindo o uso de armas somente

aos militares, fato que forçou de certa forma, a busca ou a criação de uma arte marcial sem armas pela população. A história das artes marciais é muito controversa, existindo muitas correntes que explicam suas origens, algumas interligadas com a própria história da humanidade. Segundo Severino (1988, p. 17), “[ ] as origens da história se perdem entre mitos e lendas, do mesmo modo

a história das artes marciais é Mitológica, tornando-se com o tempo um

conhecimento mais preciso”. Uma das versões mais aceitas, e que explicam a criação de várias artes marciais no Oriente, por exemplo, é a do monge indiano Bodhidharma que viajou em peregrinação pela China. Ao chegar ao mosteiro, percebeu vários monges debilitados fisicamente, que não aguentavam as longas jornadas de meditação, chegando a desmaiar. Assim, Bodhidharma ensinou técnicas de yoga e exercícios de uma arte marcial que não se tem conhecimento, mas que ajudou a fortalecer o corpo dos monges, além de tornar-se uma forma de defesa para monges, pois os mosteiros eram frequentemente saqueados. Desta forma, surgiu o estilo shaolin, estilo este que imitava os animais como o tigre, a serpente. Com a destruição do mosteiro, vários monges migraram por toda Ásia, o que contribuiu para o surgimento de várias artes marciais. Essas artes, como karate, jiu-jitsu, aikido, entre outras, sofreram inúmeras modificações em virtudes de aspectos culturais, religiosos e geográficos. Diante da história das artes marciais um aspecto é incontestável:

o seu desenvolvimento deu-se no Oriente. Tal afirmação sustenta-se pelo

fato de que a maioria das artes marciais teve suas origens em países orientais, como Japão e China, por exemplo. É bom notar, também, da existência de grande quantidade de formas diversificadas de artes marciais em todo Oriente. Muitas artes marciais serviram de base para criação de outras, pois se fundiam e/ou abstraiam técnicas, surgindo assim um novo estilo ou arte marcial, como por exemplo, o judô que retirou as técnicas mais lesivas do antigo jiu-jutsu, nascendo assim, o caminho suave (Judô). A capacidade de o homem reinventar novas formas de artes marciais a partir das já existentes é presenciada até os dias atuais, fato que explica suas constantes buscas pelo aperfeiçoamento de gestos e pela necessidade de ampliar seus repertórios de movimentos. Como você deve ter observado no mundo inteiro muitos são os praticantes de artes marciais, cujos objetivos das práticas são tidos como forma de autoconhecimento, autocontrole, disciplina, defesa pessoal, combate ao estresse, desenvolvimento físico, mental, entre outras finalidades. Evidenciamos, dessa forma, que na atualidade houve uma mudança dos objetivos pelos quais inicialmente as artes marciais se destinavam, devendo assumir na contemporaneidade um papel importante na sociedade: o de formar cidadãos por meio da real filosofia pela qual é pautada cada arte marcial, conforme inicialmente foi concebida.

As artes marciais como conteúdo da educação física escolar A exemplo de muitas práticas corporais produzidas nos

diferentes grupos sociais e nas distintas nações, as artes marciais também foram formalizadas para servirem de conteúdos da Educação Física na Educação Básica. No entanto, observa-se que os princípios filosóficos norteadores de algumas artes marciais não são observados no seu ensino na educação escolarizada, bem como se tem na vida cotidiana a proliferação de grupos de jovens valendo-se de gestos de determinada arte marcial para expressar atitudes de violências e/ou provocar vandalismo, numa apropriação equivocada dos seus princípios orientadores, como ocorre com

o jiujitsu, por exemplo. Vê-se na Educação Física escolar uma valorização

do aprendizado dos gestos técnicos pelo fato de a maioria das artes marciais terem se tornado um esporte, em detrimento de um ensino mais amplo que englobe os princípios filosóficos, o contexto sócio-histórico da sua criação, a prática propriamente dita e a atitude que devem emergir das vivências nas aulas de Educação Física. As Artes Marciais, como conteúdo da Educação Física Escolar,

Metodologia das artes marciais Unidade 1 Das artes marciais às lutas
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Das artes marciais
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artes marciais Unidade 1 Das artes marciais às lutas Catalogue jogos populares e brincadeiras que remetem

Catalogue jogos populares e brincadeiras que remetem às lutas e postem no fórum de discussão sobre as artes marciais como conteúdos da educação física escolar, pensando sua aplicação em diferentes níveis de ensino.

pensando sua aplicação em diferentes níveis de ensino. Faça uma pesquisa na internet e catalogue o

Faça uma pesquisa na internet e catalogue o maior número possível de artes marciais, identificando suas origens e objetivos.

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é um conceito que engloba diferentes manifestações que existem nesta

categoria das práticas corporais, na qual se inclui o karatê, o judô, o taikidô, o taichichuan, a capoeira, entre outras, cujo objetivo é possibilitar aos alunos o acesso aos aspectos histórico-sociais e à construção do gesto das artes marciais possíveis de serem realizados na escola. Tal perspectiva pedagógica pode ser orientada para que sejam ofertadas aos alunos vivências recreativas a fim de que esses criem gosto pelas artes marciais, bem como aprendam a respeitar os limites impostos pelos gestos que as compõem e a integridade física pessoal e coletiva. Tal fato não inviabiliza as vivências competitivas, nem as aulas voltadas para a prática esportiva de espetáculo, mas em princípio deve ficar claro que o ensino das artes marciais, como conteúdo de educação física, pauta-se em princípios filosóficos voltados para o respeito à vida que podem promover o autoconhecimento, a autoestima, a disciplina e o bem viver. Vale ressaltar que em algumas literaturas relativas ao ensino de educação física, como por exemplo: Parâmetros Curriculares, Coletivo de Autores (2001), Darido (2008), entre outros, encontramos o termo luta para caracterizar as manifestações oriundas do que denominamos de artes marciais. Esclarecemos, no entanto, que preferimos utilizar essa última denominação por considerá-la mais abrangente e mais arraigada aos princípios educacionais mais amplos. Ademais, o termo lutas muitas vezes vem carregado da idéia de disputa e de superação do mais fraco, bem como denota algum sentido vinculado às atitudes de violência, aspecto distante dos preceitos iniciais da maioria dos tipos de artes marciais. Nos parâmetros curriculares nacionais para a educação física, por exemplo, encontramos o conteúdo lutas assim caracterizado:

As lutas são disputas em que o(s) oponente(s) deve(m) ser subjugado(s), com técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão, imobilização ou exclusão de um determinado espaço na combinação de ações de ataque e defesa. Caracterizam-se por uma regulamentação específica a fim de punir atitudes de violência e de deslealdade. Podem ser citados como exemplos de lutas desde as brincadeiras de cabo-de-guerra e braço-de- ferro até as práticas mais complexas da capoeira, do judô e do caratê (BRASIL, 1998, p. 70).

Em todo caso deixamos claro que, independente do termo

utilizado para caracterizar tais manifestações corporais como conteúdo da educação física na escola, nas quais a defesa pessoal e as combinações de ataque e defesa estão presentes, vale lembrar que o mais importante

é garantir a educação por meio das artes marciais, como no Japão,

por exemplo, onde tais artes são chamadas de Bu-Dô, ou "um caminho

educacional através das lutas".

Podemos defender, então, como enfatizam os parâmetros curriculares nacionais, que o ensino de Educação Física, deve ter em mente que além do ensino dos fundamentos técnicos de cada arte marcial possível

de ser ensinado na escola, deve ressaltar questões específicas relacionadas às questões sócio-históricas e fomentar nos alunos a aprendizagem e o desenvolvimento dos gestos, a saber:

Aspectos histórico-sociais das lutas:

* compreensão do ato de lutar: por que lutar, com quem lutar, contra quem ou contra o quê lutar;

* compreensão e vivência de lutas dentro do contexto escolar

(lutas x violência);

* vivência de momentos para a apreciação e reflexão sobre as

lutas e a mídia;

* análise sobre os dados da realidade das relações positivas e

negativas com relação à prática das lutas e a violência na adolescência (luta como defesa pessoal e não “arrumar briga”). Construção do gesto nas lutas:

* vivência de situações que envolvam perceber, relacionar e

desenvolver as capacidades físicas e habilidades motoras presentes nas lutas praticadas na atualidade (capoeira, caratê, judô etc.); *vivência de situações em que seja necessário compreender e utilizar as técnicas para resoluções de problemas em situações de luta (técnica e tática individual aplicadas aos fundamentos de ataque e defesa); * vivência de atividades que envolvam as lutas, dentro do contexto escolar, de forma recreativa e competitiva (BRASIL, 1998, p. 97). Dessa forma, quando pensarmos nas artes marciais como conteúdo da educação física escolar, devemos assumir o compromisso de ir além dos gestos técnicos e promovermos situações de aprendizagem que possibilitem aos alunos refletirem sobre os inúmeros elementos que constituem as diferentes formas de artes marciais, principalmente garantindo uma discussão inicial sobre os seus princípios filosóficos, pois na sociedade contemporânea em que a violência tem-se tornado lugar comum, nada melhor do que trabalhar tal conhecimento de forma a garantir a sustentabilidade social e a própria integridade física das pessoas.

Metodologia das artes marciais Unidade 1 Das artes marciais às lutas
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Metodologia das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê
Metodologia das
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Unidade 2
O ensino do karatê

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Unidade 2 O ensino do karatê

Síntese: a segunda unidade apresenta uma visão panorâmica da história do karatê, destacando seus fundamentos e o ensino desta arte marcial no espaço escolar como conteúdo da educação física.

Aspectos históricos do karatê

O karatê é uma arte marcial praticada por muitas pessoas em

todo mundo, principalmente no Brasil, onde é sempre crescente o número de adeptos. A origem dessa arte ainda é uma incógnita, pois existem várias correntes que buscam explicar suas origens históricas, como por exemplo, na Índia com Vajramushti e/ou na China com o Shaolin Kenpo.

Porém, um fato é inegável: o desenvolvimento do karatê se deu no Japão, principalmente em Okinawa. Existem vários estilos de karatê, os quais dependem da região

do Japão em que são praticados, bem como da utilização ou não de armas,

como bastão, tonfa (bastão em L), sai (espécie de punhal com três pontas), entre outros. Porém, o estilo mais praticado atualmente é shotokan, o qual consiste em técnicas que utilizam grandes bases de sustentação do corpo e tem como fundador Gishin Funakoshi, que é considerado pai do karatê moderno. Gishin Funakoshi nasceu em Shuri, na ilha de Okinawa, em 1868; filho único foi levado para a casa de seus avós maternos os quais

o educaram, aprendendo poesia clássica chinesa. Aos 11 anos de idade

iniciou seus estudos nas artes marciais, com o mestre Asato, no duro sistema Naha-te (força e contração) o que foi muito bom, pois Funakoshi tinha o físico pouco desenvolvido. Com o mestre Itosu foi iniciado no sistema Shuri-te (velocidade

e elasticidade), o que deu mais habilidade

a Funakoshi. Dessa forma, ele reestruturou

esses sistemas de lutas, buscando as técnicas mais eficientes de cada estilo, criando assim

o estilo shotokan, processo semelhante ao do

judô. Gishin Funakoshi faleceu no dia 26 de abril de 1957, deixando um legado de princípios

filosóficos e orientações práticas que persistem até hoje e orientam os praticantes de karatê em todos os continentes.

O próprio nome karatê foi dado por Funakoshi, no qual kara

significa “vazio” e te, “mãos”, ou seja, mãos vazias. No entanto, esse não

Foto 1: Gishin Funakoshi. Fonte: FUNAKOSHI (2000, p. 6).

e te, “mãos”, ou seja, mãos vazias. No entanto, esse não F oto 1: Gishin Funakoshi.

é o verdadeiro sentido, mas sim o de esvaziar-se de todos os contravalores que Funakoshi abominava como vaidade, cobiça, violência, entre outros. Assim, o karatê não é somente um método de luta, mas sim uma filosofia de vida. Dessa forma, Funakoshi acrescentou o termo Do na palavra karatê, ficando karate-Do. O Do significa caminho, ou seja, caminho este que o karateca vai trilhar em toda sua vida.

O karatê-do é uma arte de defesa pessoal de mãos vazias, na qual braços e pernas são treinados sistematicamente e um inimigo, atacando de surpresa, pode ser controlado por uma demonstração de força igual à que faz uso de armas reais.

é uma prática através da qual o karateka domina todos

] [

os movimentos do corpo, como flexões, saltos e o balanço, aprendendo a movimentar os membros e o corpo para trás e para frente, para a esquerda e para a direita, para cima e para baixo, de um modo livre e uniforme (NAKAYAMA, 2001, p.11).

É relevante destacar que com o aumento de praticantes e com a própria popularidade desta arte marcial, muitas interpretações equivocadas surgiram, bem como seu princípio filosófico inicial. Pautado no respeito ao próximo, no controle da agressividade e no conhecimento

dos próprios limites, passou a ser re-configurado para atender os interesses de novos praticantes em vários países e, principalmente, torná-lo uma modalidade esportiva. Segundo Nakayama (2001, p. 9), um dos primeiros equívocos

foi confundi-lo com o chamado boxe de estilo

chinês”, o qual é caracterizado pelas técnicas do kung-fu e apresenta alguns estilos de golpes divergentes do karatê. Outro equívoco refere- se ao modo como as pessoas veem o karatê sendo praticado. Comenta o supracitado autor:

Há também pessoas que passaram a vê-lo como um mero espetáculo, no qual dois homens se atacam selvagemente, ou em que os competidores se golpeiam como se estivessem numa espécie de luta na qual são usados os pés, ou em que um homem se exibe quebrando tijolos ou outros objetos duros com a cabeça, com as mãos ou com os pés (NAKAYAMA, 2001, p. 9).

relacionado ao karatê “[

]

Quanto às questões relativas à sua inserção no esporte, esclarecemos que historicamente esse tem sido o caminho das práticas corporais originárias de contextos sócio-históricos desvinculados do mundo dos espetáculos esportivos. È claro que para se transformar qualquer prática corporal em esporte, os valores e aspectos motores que os compõem devem passar por novas interpretações e assumir novos códigos gestuais para atender aos preceitos competitivos que, em linhas gerais, passam a

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vigorar na prática propriamente dita. Sendo que muitas vezes em nome do esporte e da competição esquece-se de passar aos praticantes de karatê os verdadeiros princípios filosóficos que inicialmente orientaram suas práticas e devem continuar a orientar os novos praticantes, pois como enfatiza Nakayama,

É lamentável que o karatê seja praticado apenas como uma técnica de luta. As técnicas básicas foram desenvolvidas e aperfeiçoadas através de longos anos de estudo e de prática; mas, para se fazer um uso eficaz dessas técnicas, é preciso reconhecer o aspecto espiritual dessa arte de defesa pessoal e dar-lhe a devida importância (2001, p.9).

Pensar sobre a possibilidade do ensino de karatê nas aulas de Educação Física na escola é considerar, em primeira instância, que ele é uma arte de defesa pessoal, cuja história inicial remete-nos para a própria sobrevivência, cujos cenários de lutas foram as guerras e as exibições performáticas, utilizando-se tijolos, telhas, madeiras, entre outros objetos. No entanto, após a Segunda Guerra Mundial, Funakoshi reestruturou o karatê, perspectivando outra possibilidade de prática vinculada ao princípio da participação, na qual era estimulada, principalmente, a busca da qualidade de vida. Testemunhas constatam que, nesta época, Funakoshi abominava o espírito competitivo. Gostaríamos de deixar claro que não somos contra a transformação do karatê ou de qualquer prática corporal em esporte, até porque o momento histórico é outro e os interesses dos praticantes são diversos, mas não podemos esquecer que o próprio Funakoshi

observou repetidas vezes que o propósito máximo das

práticas dessa arte marcial é o cultivo de um espírito sublime, de um espírito de humildade. E, ao mesmo tempo, desenvolver uma força capaz de destruir um animal selvagem enfurecido com um único Golpe (NAKAYAMA, 2001, p. 9).

] [

só é possível tornar-se um

verdadeiro adepto do karatê-do quando se atinge a perfeição nesses dois aspectos: o espiritual e o físico” (NAKAYAMA, 2001, p. 9). Nessa breve incursão histórica do karatê percebe-se que seus preceitos iniciais assumem na atualidade, em muitos casos, o sentido competitivo vinculado às boas performances e às vitórias.

Esclarece, ainda, o fato de que “[

]

No karatê como esporte são realizadas competições com o propósito de determinar a habilidade dos participantes. Isso precisa ser enfatizado, porque também aqui há motivos para

se lastimar. Há uma tendência a dar demasiada ênfase em vencer as competições, negligenciando a prática de técnicas fundamentais, preferindo, em vez disso, praticar o jiyu kumite na primeira oportunidade (NAKAYAMA, 2001, p. 10).

No momento em que se opta por iniciar a prática pelo jiyu kumite pulam-se etapas e não se estrutura uma base adequada para o

aprendizado mais satisfatório de técnicas mais sofisticadas que compõem

o repertório dessa arte. Importante destacar que não defendemos a idéia de banir o

aspecto competitivo do ensino do karatê nas aulas de Educação Física, mas

o

objetivo maior é situá-lo de forma pedagógica para garantir aos alunos

o

acesso a um conhecimento fundado nos princípios filosóficos em que o

autoconhecimento, o autocontrole, a melhoria do condicionamento físico,

a defesa pessoal (em último caso), entre outros aspectos que representam

o verdadeiro sentido do karatê-Do. Por isso, optamos neste caderno visualizar seu ensino não como treinamento, mas como possibilidade pedagógica para que todos possam praticá-lo, independentemente do nível das suas habilidades.

Os fundamentos do karatê Antes de iniciarmos nossa incursão pedagógica pelos fundamentos do karatê, convém esclarecermos que sua prática, seja de

treinamento ou de iniciação, é realizada num local específico denominado de dojo, cujo significado remete-nos para um espaço de iluminação, nome bastante propício para quem está procurando o caminho do autocontrole, do autoconhecimento e do equilíbrio físico e emocional. O Dojo de Karatê possui regras (lemas = "kun") que são preceitos práticos (influência Confuncionista) que devem guiar o karateca na sua busca de autocontrole. O verdadeiro karateca não se esquece dos lemas que devem ser estimulados no momento em que ele entra no dojo, bem como quando

o leva consigo ao início e ao término de cada sessão de prática. Tais ensinamentos ou lemas podem ser assim expressos:

1 – Esforçar-se para a formação do caráter;

2 – Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão;

3 – Criar o intuito de esforço;

4 – Respeitar acima de tudo;

5 – Conter o espírito de agressão.

Como falamos anteriormente, o praticante de karatê-do utiliza

as diversas partes do corpo como instrumento de luta, enfatizando-se

toda parte que possa ser eficaz na defesa ou ataque é usada”

que “[

]

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Metodologia das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê
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artes marciais
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O ensino do karatê
das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê Visite o site HTTP:// www.geocities. com/karate_shoto-

Visite o site HTTP:// www.geocities.

com/karate_shoto-

kan_br/dojokun.htm e identifique e leia as características de cada lema para participarmos do nosso fórum sobre as regras do Dojo.

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(NAKAYAMA, 2001, p. 14). Sobre os elementos motores relacionados ao karatê-do que podem ser ensinados na escola, nas aulas de educação física, podemos identificar três fundamentos, a saber: kihon, kata e kumite.

O Kihon

O kihon significa exercício. É composto pelas técnicas básicas de bloqueio, soco, golpe e chute.

Praticar Karate é experienciar um constante estado de observância interior e o Kihon obedece na íntegra a essa mesma

premissa. Traduzido do japonês, a palavra Kihon significa “base”, apresentando-se assim como uma parte essencial do trabalho da maioria das Artes Marciais japoneses, não fugindo o Karatê

a essa “regra”. O Kihon é a principal base, o trampolim para

se alcançar um bom nível técnico. Para concretizar resultados,

e por forma a que o desenvolvimento técnico e a atitude do

praticante em relação a esta componente do treino sejam progressivos, há que treinar com o máximo de concentração,

força e dedicação. O Kihon, quando executado de forma correta,

é sem dúvida uma fundação sólida para toda a aprendizagem

futura. O Kihon transporta e encerra em si características essenciais para definir não só a qualidade do trabalho como outras que auxiliam o praticante a assimilar as particularidades do seu estilo, através da aprendizagem e execução sistemática de técnicas básicas, enquanto se movimenta e se familiariza com andamentos, defesas e ataques (http://adautokarate. com/pagina.php?titulo=kihon). Acesso em: 15/11/2008.

Importante considerar o processo inicial de aprendizagem, pois em primeira instância devemos considerar que

Os movimentos do Karatê são muito complexos, necessitando-se de muitos anos de treinamento árduo, dedicação, disciplina e muita força de vontade para buscar cada vez mais a perfeição. Basicamente, um movimento é composto da base, que é posição das pernas e a forma de distribuir o peso do corpo sobre elas e um movimento dos braços, que pode ser uma defesa, um ataque ou os dois combinados. Existe uma infinidade de variações para cada tipo de posição ou movimento, estas ilustrações são apenas um exemplo, não tendo a pretensão de transmitir um conhecimento que só pode ser adquirido através de treinamento real (http://www.meusite.pro.br/karate/ basdefes.htm). Acesso em: 15/11/2008.

A postura ou bases karatê,

] [

técnicas sejam executadas com rapidez, com perfeição, força

e suavidade, a postura tem que ser firme e estável. Em todas as ocasiões, a parte superior do corpo tem de ser mantida perpendicular ao chão e nivelada com os quadris (NAKAYAMA, 2001, p. 28).

refere-se sempre à parte inferior do corpo. Para que as

Metodologia das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê
Metodologia das
artes marciais
Unidade 2
O ensino do karatê

1 – Pesquise sobre

outras formas de bloqueio no karatê

e busque filmes no youtube que, pelo menos, mostrem três técnicas que você encontrou;

2 – Em www.youtube.

com/watch?

v=lcKxFVVXJa0,

assista ao vídeo sobre a defesa Gedan Barai. Em seguida tente praticar a série da defesa.

BASES

Barai. Em seguida tente praticar a série da defesa. BASES Z E N K U T

ZENKUTSO DACHI

KOKUTSO DACHI KIBA DACHI
KOKUTSO DACHI
KIBA DACHI

SHIZENTAI

NEKOASHI DACHI

Figura 1: postura ou bases do karatê

Bloqueio

O bloqueio consiste na defesa propriamente dita, utilizando-a

contra os chutes e socos do adversário. Segundo Nakayama (2001, p. 54),

“[

técnicas defensivas. Há muitas técnicas para bloqueio de chutes, e essas fazem uso das pernas e dos pés, bem como das mãos e braços”. Existe a orientação para que o praticante de karatê fique atento para usar o bloqueio no momento que inicia a ação (ataque)

do oponente, sendo “[

ataque” (NAKAYAMA, 2001, p. 54).

Em linhas gerais, o bloqueio tem os seguintes objetivos: a)

o ataque

de um braço ou perna pode ser bloqueado levemente, só com a força necessária para desviá-lo” (NAKAYAMA, 2001, p.54); c) bloquear e atacar; d) desequilibrar o adversário; e e) recuar, após o bloqueio o praticante pode recompor-se e assumir uma posição segura como preparativo de um contra-ataque. Existem inúmeros tipos de bloqueios no karatê, cada um com propósitos bem definidos, os quais visam à proteção das superiores, medianas e inferiores do corpo. Sem a pretensão de transitar pelos vários tipos de bloqueios, mesmo porque não daríamos conta nesta disciplina e não é o propósito deste caderno apresentar um acervo metodológico que sistematize um treinamento sobre karatê, optamos por apresentar três formas de bloqueios que consideramos básicos para o aluno se aproprie desse fundamento do karatê.

absolutamente necessário que se antecipe o

o karatê distingue-se do boxe e de outras artes de luta em suas

]

]

desestimular o prosseguimento do ataque; b) aparar, “[

]

O primeiro, denominado de Gedan Barai, consiste em bloquear um ataque de cima para baixo, tendo o intuito de proteger golpes ou chutes direcionados a região do abdômen ou virilha. Para tanto, utiliza-se o punho numa ação de cima para baixo, conforme mostra a Figura 2.

numa ação de cima para baixo, conforme mostra a Figura 2. Figura 2: técnica de defesa

Figura 2: técnica de defesa Gedan Barai. Fonte: www.ikkf.org/vd4q99-3.gif.

115

Metodologia das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê
Metodologia das
artes marciais
Unidade 2
O ensino do karatê

116

das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê 116 Figura 3: técnica de defesa Jodan

Figura 3: técnica de defesa Jodan Age-uke. Fonte: www.ikkf.org/vd4q99-4.gif.

A segunda forma de bloqueio escolhida, a qual tem o propósito de proteger ataques

dirigidos a cabeça, é conhecida pelo nome de Jodan Age-uke (FIG. 3),

] um bloqueio

básico usado contra ataques dirigidos para cima do plexo solar. Bloqueio de

baixo para cima, com força, com o lado externo do antebraço” (NAKAYAMA,

2001, p. 57). Observa-se na Figura 3 que no bloqueio Jodan Age-uke, “[

os braços são cruzados à altura do queixo, com o braço que bloqueia do lado de fora e o braço que recua do lado de dentro” (NAKAYAMA, 2001, p.

57).

O bloqueio Chudan Ude Uke Soto-uke, terceiro tipo por nós

selecionado, “[

golpe dirigido para o peito ou face” (NAKAYAMA, 2001, p. 58), no qual se busca desviar o braço do oponente para a lateral, utilizando-se a borda externa do

punho, conforme mostra a Figura 4. Como frisamos anteriormente, não temos o propósito de apresentar aqui todos os tipos de defesa do karatê, mas exemplificar alguns que possam ser trabalhados nas aulas de Educação Física, tendo-se o objetivo de estimular os alunos no sentido de aprender algumas técnicas de defesa pessoal, bem como acessá-los a um conhecimento básico sobre as inúmeras possibilidades existentes de bloqueio no karatê.

sendo considerada “[

]

existentes de bloqueio no karatê. sendo considerada “[ ] Figura 4: técnica de defesa Chudan Ude

Figura 4: técnica de defesa Chudan Ude Uke Soto-uke. Fonte: Nakayama (2001, p. 58).

]

é usado contra um

O Soco

O fundamento soco consiste no uso das mãos e braços, sendo as mãos utilizadas de duas maneiras: de forma aberta ou fechada. Segundo Nakayama (2001) existem no karatê seis possibilidades para o uso do

punho e onze tipos de mão aberta. Dos tipos de punho existentes o mais utilizado é o Seiken (frente do punho), no

os nós dos dedos indicador e médio

são usados para golpear o alvo. O punho tem de ser mantido tenso e inflexível, o dorso da mão e o pulso formando uma linha reta” (NAKAYAMA, 2001, p. 16). Utiliza-se o Seiken principalmente no empurrão do oponente.

qual “[

o Seiken principalmente no empurrão do oponente. qual “[ Figura 5: técnica do soco Seiken Fonte:

Figura 5: técnica do soco Seiken Fonte: karate.snowcron.com/ pictures/seiken.gif.

]

“Toda a força do braço tem que estar concentrada e afluir em linha reta até

“Toda a força do braço tem que estar concentrada e afluir em linha reta até os nós dos dedos” (NAKAYAMA, 2001, p.16).

Figura 6: técnica do soco Seiken Fonte: www.connkyokushin.com/

/oyama-seiken.jpg.

Em relação ao uso das mãos, observa-se que

é mais frequente o uso dos tipos de mãos abertas, das quais a mão em espada, denominada de Shuto, é mais usual.

Figura 7: mão em espada (Shuto). Fonte: www.pagina.netc.pt/~mz38144a/karate/image/shuto.jpg.

Fonte: www.pagina.netc.pt/~mz38144a/karate/image/shuto.jpg. A mão em espada (Shuto) é representada “[ e comprimidos

A mão em espada (Shuto) é

representada “[

e comprimidos entre si, a borda externa da

palma da mão é usada como uma espada, ou para impedir o ataque ou atacar. Entre os alvos estão as têmporas, a artéria carótida e as costelas” (NAKAYAMA, 2001, p.16).

com os dedos estendidos

]

(NAKAYAMA, 2001, p.16). com os dedos estendidos ] Figura 8: praticante de karatê demonstrando o Shuto.

Figura 8: praticante de karatê demonstrando o Shuto. Fonte: www. ubu.no.sapo.pt/Kokutsudachi%20Shuto%20Uke02.jpg.

No âmbito do fundamento soco ainda podemos englobar os

golpes, os quais são muito variados e exigem movimentos mais elaborados

e mais perfeitos. Dessa forma, não os trataremos neste caderno, mas

nada inviabiliza que você se interesse em buscar conhecer as diversas técnicas de golpes para ampliar seu conhecimento sobre a prática do karatê.

para ampliar seu conhecimento sobre a prática do karatê. Figura 9: praticante de karatê no do

Figura 9: praticante de karatê no do Shuto. Fonte: www. cjdragao.do.sapo.pt/shuto_uchi.jpg.

Metodologia das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê
Metodologia das
artes marciais
Unidade 2
O ensino do karatê
das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê Visite o site: http:// pagina.netc. pt/~mz38144a/

Visite o site: http:// pagina.netc.

pt/~mz38144a/

karate/karate6.htm

e descubra os diversos tipos de socos existentes no karatê.

117

Metodologia das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê
Metodologia das
artes marciais
Unidade 2
O ensino do karatê

118

O Chute

O chute é caracterizado pelo uso de pés e pernas nas ações

realizadas pelos praticantes, sendo “[

as técnicas que fazem uso das mãos; na verdade, o chute é mais potente do que o soco” (NAKAYAMA, 2001, p. 84). Nesse fundamento é muito importante a atenção do praticante sobre sua postura para manter-se equilibrado.

O bom equilíbrio é de importância fundamental, não só por que todo peso do corpo é suportado por uma perna, mas também por causa do contrachoque do impacto. Ter a sola do pé que dá suporte completa e firmemente plantada no chão e tensão suficiente no tornozelo são absolutamente essenciais para a manutenção do equilíbrio (NAKAYAMMA, 2001, p.84).

tão importante no karatê quanto

]

Aexemplo dos outros fundamentos o chute também é evidenciado

de diversas formas, sendo que o Mae-geri, o Yoko-geri e o Mawashi-geri são os mais básicos.

O Mae-geri é um chute frontal, na qual busca atingir a face, o

peito, o abdômen ou virilha do oponente utilizando-se da planta do pé, os dedos ou o dorso do pé, conforme mostra-nos a Figura 10.

os dedos ou o dorso do pé, conforme mostra-nos a Figura 10. Figura 10: praticante de

Figura 10: praticante de karatê demonstrando o chute Mae-geri. Fonte: www. shotokan.net.nz/images/Mae_Geri.jpg.

O Yoko-geri é um chute lateral, pois é realizado com a parte superior do corpo voltada para a frente, no qual o pé pode ser usado como espada contra um alvo lateral. O chute pode rápido, de baixo para cima, ou um chute de estocada. È claro que a situação vai determinar seu uso.

estocada. È claro que a situação vai determinar seu uso. Figura 11: praticante de karatê executando

Figura 11: praticante de karatê executando o chute Yoko-geri. Fonte: www.jundokan-karatedo-austria.at/Artikel07/23.

Em relação ao Mawashi-geri, a ação do praticante de karatê é caracterizada por chute circular, no qual

] [

um alvo de frente ou levemente de lado, chute com a perna da frente ou com a de trás. Movimente a perna traçando um arco de fora para dentro, usando a mobilidade do joelho. O trajeto da perna deve ser quase paralelo ao chão (idem, p. 88).

os quadris têm que ser girados com força e rapidez. Contra

os quadris têm que ser girados com força e rapidez. Contra Figura 12: praticante de karatê
os quadris têm que ser girados com força e rapidez. Contra Figura 12: praticante de karatê

Figura 12: praticante de karatê executando o chute Mawashi-geri. Fonte: www.planetkarate.free.fr/techniques/attaques/42

ao chutar, a pessoa

deve ter a sensação de que está colocando todo o corpo no chute. Use plenamente os quadris, mas recue a perna que dá o chute rapidamente e assuma a posição para a técnica seguinte”.

Segundo Nakayama (2001, p. 84), “[

]

O Kata

A combinação lógica das técnicas de bloqueio, soco, golpe e chute, em certas sequências determinadas compõem o que no karatê denomina-se de Kata. Desde os tempos antigos, os Kata constituem o núcleo do karatê, tendo sido desenvolvidos e aperfeiçoados pelos antigos mestres através do treinamento e da experiência.

É através desses exercícios formais que o karateka pode aprender a arte da autodefesa, possibilitando-lhe passar por uma situação perigosa com naturalidade e desembaraço, mas o grau de habilidade é fator determinante, desenvolver seu físico, já que ele tem que ser executado com vigor e decisão. A execução de cada Kata faz acompanhada de uma predeterminada linha de atuação (embusen).

Metodologia das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê
Metodologia das
artes marciais
Unidade 2
O ensino do karatê
das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê 1 – Pesquise sobre outras formas de

1 – Pesquise sobre

outras formas de chutes no karatê e busque no youtube filmes que mostrem três técnicas por você encontradas.

2 - Em grupo, tentem

praticar alguns tipos de chutes.

119

Metodologia das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê
Metodologia das
artes marciais
Unidade 2
O ensino do karatê

120

As características de cada Kata são:

1. Para cada kata, o número de movimentos é fixado, (vinte,

quarenta, etc.) eles têm que ser executados na ordem correta.

2. O primeiro movimento e o último movimento de cada Kata

têm de ser executados no mesmo ponto da linha de atuação,

ela tem formas variadas, dependendo do Kata, como linha reta, forma de T, forma de I, e assim por diante.

3. Há Kata que precisam ser aprendidos e outros que são

opcionais.

4. Para executar dinamicamente um Kata, três regras devem

ser lembradas e observadas: 1. o uso correto da força; 2. a velocidade do movimento, lento ou rápido; 3. a expansão

e contração do corpo. A beleza, a força e o ritmo do Kata dependem desses três fatores.

5. No início e término do kata, a pessoa faz uma inclinação.

Isso faz parte do kata. Ao fazer sucessivos exercícios de kata, incline-se no começo e ao terminar o último kata (NAKAYAMA, 2001a, p. 94).

Pode-se dizer que o kata é uma luta imaginária contra vários adversários, na qual se utiliza o kihon, mas com uma sequência fixa, ou seja; pré-determinada.

Como os kata contêm todos os elementos essenciais para se exercitar todo o corpo, eles são ideais para esse propósito. Praticado sozinho ou em grupo, qualquer um pode seguir este caminho de acordo com seu nível de capacitação e independentemente da idade (NAKAYAMA, p. 94. 2001).

Existem vários kata, os quais segundo M. Nakayma podem

ser divididos em dois grupos, a saber: o primeiro composto pelo kata considerados simples, mas que englobam beleza, grandeza, dignidade,

é sugerido pelo vôo da andorinha e

é apropriado para a aquisição de reflexos rápidos e de movimentos ágeis” (NAKAYAMA, p. 94, 2001). Tal classificação evidencia uma progressão que vai da prática do mais simples para o mais complexo. Para ilustrar nossa aprendizagem, bem como visualizarmos sua prática como conteúdo da educação física na escola, escolhemos o kata Heian 1, sendo o mais simples e mais fácil de se aprender. O Heian 1 é

as técnicas de bloqueio

entre outros aspectos; o segundo “[

]

composto por 21 movimentos vinculados “[

]

superior contra o ataque à cabeça e o bloqueio com a mão em espada contra o ataque ao meio do corpo” (NAKAYAMA, p. 95, 2001). Conforme Nakayma observa,

como este é o primeiro kata a ser aprendido, é importante treiná-lo em movimentos com os pés e seguindo a linha de

atuação. Em particular, objetive o domínio da posição frontal

e dorsal, enquanto de familiariza com os aspectos essenciais

do soco direto, de arremesso. A linha de atuação é em forma de I e o tempo necessário é de cerca de quarenta segundos. (NAKAYAMA, p. 95, 2001).

[

]

Figura 13: técnicas do kata Heian 1. Fonte: http://www.meusite.pro.br/karate/hshodan.htm. O Kumite O Kumite é

Figura 13: técnicas do kata Heian 1. Fonte: http://www.meusite.pro.br/karate/hshodan.htm.

O Kumite

O Kumite é caracterizado pelo emprego das técnicas do kata, demonstradas ao mesmo tempo por dois praticantes. Na verdade, o Kumite é o fundamento que treina os exercícios de luta ou a luta propriamente dita, uma espécie de disputa. Segundo Nakayma, o Kumite se divide em três tipos: o Kumite básico, o Ippon kumite e o Jiyu Kumite.

O Kumite básico é para cultivar as técnicas básicas, tendo

em mente o nível de habilidade de cada estudante. O

Ippon Kumite é para desenvolver as técnicas de ataque

e de defesa, o treino dos movimentos corporais e o

aprendizado do maai (distanciamento). No Jiyu Kumite não há precordenação de técnicas. Os parceiros têm permissão para usar livremente suas capacidades físicas e mentais, mas o estudante tem de controlar rigorosamente os seus socos, golpes e chutes (2001, p. 112).

Importante registrar que mesmo com a proliferação de inúmeros

campeonatos e competições de karatê, devemos entender que “[

kumite não é algo para ser praticado no lugar do kata, que constitui, como

o

]

Metodologia das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê
Metodologia das
artes marciais
Unidade 2
O ensino do karatê
das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê 1 – Pesquise sobre os tipos de

1 – Pesquise sobre

os tipos de kumite e

apresente um relatório sobre o que você encontrou;

2 – Visite uma escola

de karatê e entreviste praticantes sobre o kumite;

3 – Procure identificar

no filme Koro Obi as formas de lutas (disputas) que são usadas, levando-se em consideração a relação dos tipos de kumite que você encontrou.

121

Metodologia das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê
Metodologia das
artes marciais
Unidade 2
O ensino do karatê

Acesse o seguinte endereço: HTTP:// www.geocities. com/faixa_preta/ e identifique a ordem de faixa para cada estilo, de acordo com o país.

122

sempre foi, o mais importante e essencial dos treinamentos” (NAKAYAMA, p. 113, 2001). Para ilustrar este tópico citamos os seguintes tipos de Kumite, os quais expressam objetivos específicos, conforme apresenta Nakayma (2001): Gohon Kumite, Ippon Kumite Básico, Jiyu Ippon Kumite e Jiyu Kumite.

Ippon Kumite Básico, Jiyu Ippon Kumite e Jiyu Kumite. Figura 14: algumas técnicas utilizadas no Gohon

Figura 14: algumas técnicas utilizadas no Gohon Kumite. Fonte: Nakyama, 2001, p. 114.

Percebe-se nesta incursão pedagógica pelos fundamentos do karatê como é simples e ao mesmo tempo complexo seu universo

de técnicas, as quais podem ser inseridas nas aulas de Educação Física escolar sem a pretensão inicial de formarmos atletas para competições, mas acessar aos alunos a um conhecimento de grande valor pedagógico.

É claro que alguns alunos podem ser despertados para o treinamento

propriamente dito, mas nas aulas de Educação Física o objetivo maior é

possibilitar o acesso a todos os alunos, independente das suas habilidades. Para concluir esta seção, convém esclarecer que no caso do treinamento, à medida que o praticante aprimora as técnicas do karatê, ele vai ascendendo no sistema de graduação (faixa) existente no karatê. Assim, o praticante irá treinar os fundamentos de acordo com seu nível de faixa, a qual mostra o nível de aprendizado técnico em que se encontra

o praticante. No estilo Shotokan, por exemplo, a ordem das faixas é a

seguinte: Branca (7º kyu), Amarela (6º kyu), Vermelha (5º kyu), Laranja(4º kyu) , Verde(3º kyu), Roxa(2º kyu), Marrom(1º kyu), Preta 1º Dan, Preta 2º Dan, Preta 3º Dan, Preta 4º Dan, Preta 5º Dan, Preta 6º Dan, Preta 7º Dan,

Preta 8º Dan e Preta 9º Dan.

O ensino de karatê na escola Muitos professores de Educação Física colocam em seu planejamento anual o ensino das artes marciais ou lutas, pois estas são conteúdos da Educação Física. No entanto, existe um grande problema:

nem todos os professores sabem como ministrar as aulas de lutas. Assim, para orientar o início dos trabalhos na escola, apresentamos algumas situações práticas para auxiliar os professores no planejamento de futuras aulas.

Para esse modelo atender a Educação Física escolar, devemos

reconhecer os diferentes níveis de ensino como Educação Física infantil, ensino fundamental e ensino médio e, desta forma, programar as aulas para atender às necessidades de cada nível de ensino. Na educação infantil, e no ensino fundamental (até o 5º ano) na Educação Física, conteúdos vinculados às lutas devem ser trabalhados de forma lúdica, em que os fundamentos da luta sejam vivenciados de forma recreativa.

Sugestão de atividade para iniciação ao Karatê Atividade 1 - “Tica-arco”: nessa brincadeira um aluno fica com o arco envolto no corpo e tenta ticar os demais colegas. Um ponto importante nessa brincadeira é que os alunos que estão fugindo, nunca poderão dar as costas, e tentar se esquivar do tica. O objetivo dessa brincadeira é trabalhar a esquiva que é um fundamento do karatê. Atividade 2 - “Prendedor nas costa”: essa brincadeira consiste em colocar prendedores de roupas nas costas, os quais cada aluno vai tentar tirar os prendedores das costa dos colegas, tentando tirar o máximo possível, além de defender o seu prendedor. O objetivo é defender as costas contra ataque de diversos oponentes. Atividade 3 - “Tira fita”: Nessa brincadeira são colocadas duas

fitas na cintura dos alunos. A atividade deve ser feita em duplas e um colega tentará tirar as fitas do outro, e o outro deve defender ou contra-atacar.

O objetivo dessa brincadeira é treinar defesa e ataque, principalmente do

nível inferior (abdômen). Atividade 4 - “Tira prendedor no peito”: Essa brincadeira é feita colocando-se dois prendedores na camisa (na altura do peito), em que um colega tentará tirar o prendedor do outro, também deve ser feita em dupla. A atividade tem o objetivo de treinar defesa alta e ataque alto. No ensino fundamental (do 6º ano ao 9º ano), e no ensino médio,

os conteúdos das lutas podem ser desenvolvidos de forma mais específica, em que o trabalho com os gestos técnicos do karatê podem ter início.

Sugestão de aula de karatê Pode-se iniciar com uma aula teórica, explicando o contexto da

criação das artes marciais, bem como os diferentes tipos de artes marciais

e as diferenças entre elas. Para isso o professor pode fazer uso de vídeos para mostrar, por exemplo, a diferença entre o judô e o karatê.

Atividades práticas Pode-se iniciar com uma das brincadeiras citadas acima como

Metodologia das artes marciais Unidade 2 O ensino do karatê
Metodologia das
artes marciais
Unidade 2
O ensino do karatê

1 – Em grupo de

5 componentes,

escolham um fundamento e um kata básico e elabore um

planejamento para ser executado nas aulas de Educação Física escolar (ensino fundamental ou médio);

2 – Faça um relatório

sobre a aplicação da

aula na escola.

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Metodologia das artes marciais Unidade 3 O ensino da capoeira
Metodologia das
artes marciais
Unidade 3
O ensino da
capoeira
das artes marciais Unidade 3 O ensino da capoeira Castro Alves chamou a atenção da sociedade

Castro Alves chamou a atenção da sociedade sobre a questão em seu poema “Navio Negreiro”. Leia-o e interprete-o, acessando o site:

http://www.

culturabrasil.pro.br/

navionegreiro.htm

124

forma de aquecimento e, posteriormente, o professor faria um breve alongamento. O professor iniciaria os fundamentos através do kihon (exercício

em que o aluno executa só) com ataque de soco no rosto (oi-zuki jodan)

e sua respectiva defesa (jodan age-uke); com ataque de chute a barriga

(mae-geri guedan) e sua respectiva defesa; com ataque de soco no peito (oi-zuki chudan) e a defesa shoto-uke (defesa com a mão espalmada ou com a mão em espada). Lembramos que será utilizada a base zenkutsu- dachi (base avançada ou com o peso do corpo na perna da frente). Após o kihon, o professor pode executar o kumite, ou seja, aplicar

o que executou anteriormente em dupla (sanbom kumite). O professor

iniciará o aprendizado dos alunos do kata, explicando, inicialmente, o quê

é o kata. O primeiro kata (heian shodan) é o kata que deve ser trabalhado, pois é o mais fácil de ensinar. O professor pode fazer um trabalho em grupo para mostrar a aplicação dos movimentos do heian shodan.

Unidade 3 O ensino da capoeira

Síntese: a terceira unidade apresenta uma visão panorâmica sobre

a

origem da capoeira, seus fundamentos, seus processos normativos

e

as possibilidades de avaliação do processo ensino-aprendizagem e

conceituais das artes marciais, e aborda questões de ordem pedagógica para compreendê-las como conteúdo da Educação Física escolar.

Aspectos históricos da capoeira A história da capoeira tem em sua origem no século XVI, período em que o Brasil ainda era colônia do reino de Portugal. O tráfico dos negros africanos, pelos navios negreiros, sustentava a mão de obra no Brasil Colonial, utilizada na economia da monocultura da cana de açúcar (REGO, 1968). Um regime escravocrata, em que os negros africanos, tidos como objetos de propriedade do colono, foram ultrajados e torturados pelos colonizadores. Como forma de reação a essa estrutura social, a

capoeira surgiu como uma resistência física e cultural dos negros africanos, construída em terras brasileiras. Nesse sentido, podemos compreender

tentativa de reconstituição

a construção da capoeira como uma “[

das estratégias cotidianas de que se serviam homens e mulheres para a conquista de sua liberdade” (REIS, p.180, 2000).

]

A partir da fuga dos cativeiros, os negros construíram espaços sociais de resistência, como foi o caso dos quilombos, do qual o mais famoso foi o Quilombo dos Palmares, localizado na Serra da Barriga, entre os Estados de Alagoas e Pernambuco, que chegou a congregar mais de 20.000 pessoas, além dos negros fugidos, índios e brancos marginalizados. Sob a liderança de Ganga Zumba e Zumbi, os negros do resistiram por

65 anos (1630 – 1695) às investidas das milícias dos colonizadores (SILVA, 2003). No princípio da República, no Brasil, a construção social do discurso em torno da capoeira continuou marcada por uma escrita histórica e social permeada pela exclusão e pelo preconceito social, pela repressão de seus praticantes, pela ilegalidade da expressão dessa capoeira. Formalmente proibida pelo “Código Penal da República dos Estados Unidos do Brasil”, a capoeira foi enquadrada como prática de vadiagem. O Capítulo XIII, do Decreto nº 487 de outubro de 1890, instituía:

XIII, do Decreto nº 487 de outubro de 1890, instituía: Figura 15: Zumbi dos Palmares (1655

Figura 15: Zumbi dos Palmares (1655 a 1695) Fonte: http://200.252.29.138/ a l e a c / t c h e / w p - c o n t e n t /

uploads/2007/11/zumbi.jpg

Dos Vadios e Capoeiras Art. 402. Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidos pela denominação de capoeiragem; andar em correrias com armas ou instrumentos capazes de produzir uma lesão corporal, provocando tumulto ou desordens, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal:

Pena – De prisão celular de dois a seis meses Parágrafo único. É considerada circunstância agravante pertencer o capoeira a algum bando ou malta. Aos chefes ou cabeças se imporá a pena em dobro. Art. 404. Se nesse exercício de capoeiragem perpetuar homicídio, provocar lesão corporal, ultrajar o poder público e particular, e perturbar a ordem, a tranqüilidade e a segurança pública ou for encontrado com armas, incorrerá cumulativamente nas penas cominadas para tais crimes (VIEIRA, 1998, p. 93-94).

Essa tentativa de uma nova política de controle social, a partir de decretos e leis sancionadas pelo Estado, denunciava, por outro lado, a própria continuidade de manifestação da capoeira na sociedade, sua permanência social mesmo que de maneira ilegal. É interessante ver como a busca de controle e da disciplina por parte dessa lei possibilitou a criação de novas formas de expressão: a incorporação de outros modos de uso da capoeira. De maneira pontual, podemos exemplificar a flexibilização do sistema cultural da capoeira a partir de sua divulgação enquanto

Metodologia das artes marciais Unidade 3 O ensino da capoeira
Metodologia das
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Unidade 3
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brincadeira e não como luta; e mesmo com a criação de novos elementos nesse campo cultural e simbólico, como por exemplo, o surgimento do toque de Cavalaria em que no berimbau o tocador imita o galope dos cavalos, utilizado no século XIX para o deslocamento da polícia, que cumpria a ação repressiva do Estado. Esse toque do berimbau alertava aos capoeiristas a eminente aproximação dos policiais, provocando a dispersão da roda.

Somente a partir da década de 1930, a partir do processo de modernização cultural difundido pelo governo de Getúlio Vargas é que a capoeira passou a ser aceita socialmente. Esse momento histórico foi marcante para a construção do universo da capoeira, pois originou uma cisão no domínio da capoeira que passou a ser expressa a partir de técnicas corporais diferentes: Capoeira Angola e a Capoeira Regional (VIEIRA, 1998). Enfatizando o processo de modernização cultural, Getúlio Vargas vinculou à capoeira o status de esporte nacional. Do ponto de vista político, essa estratégia fazia parte de um processo de valorização da cultura nacional, oficializando a prática da capoeira em terras brasileiras. O re-ordenamento social da capoeira provocou movimentos de reorganização dessa tradição, na construção de um novo imaginário em torno da capoeira, incluindo rupturas e fragmentações. Da perseguição do Estado, passou-se à sua valorização cultural e à divulgação enquanto esporte nacional.

cultural e à divulgação enquanto esporte nacional. Figura 16: encontro entre Mestre Bimba e o Presidente

Figura 16: encontro entre Mestre Bimba e o Presidente Getúlio Vargas, 1953. Fonte: www.abadamg.com.br/SiteWeb/imagens/estaticos/bimba_getuliovargas.jpg

Segundo Vieira (1998), os angoleiros, praticantes da Capoeira Angola, representados por mestre Pastinha, aspiravam dar continuidade à prática da capoeira tradicional, num movimento de negação da mestiçagem, porém sofreram com os processos da modernização cultural na Era Vargas. Nesse período, houve uma maior aceitação e adaptação aos ideais ascéticos e eugênicos na construção da capoeira regional, estruturada por mestre Bimba, refletindo em uma maior sistematização:

treinamento, disciplina e eficiência e mestiçagem na prática da capoeira regional.

eficiência e mestiçagem na prática da capoeira regional. Figura 17: Mestre Pastinha Fonte:

Figura 17: Mestre Pastinha Fonte: http://www.quilombodospalmares.org.br/images/espacos/capoeira/mestre_pastinha.jpg

De maneira sintética, poderíamos observar diferenças no uso do corpo na Capoeira Angola e Regional, de maneira sintética a partir dos seguintes elementos:

Capoeira Angola: original, tradicional, jogo baixo, jogo lento, recreativa e maliciosa, envolta em religiosidade e misticismo, integrada à cultura negra, praticada pelas camadas sociais marginalizadas; Capoeira Regional: descaracterizada; moderna, jogo alto, jogo rápido, agressiva e sem malícia, secularizada e isenta de símbolos religiosos, expressão da dominação branca, praticadas pelos estratos sociais médios e superiores (VIEIRA, 1998, p. 87-

88).

Contemporaneamente ainda existem grupos de capoeira que têm dado continuidade às propostas divulgadas ou pelo Mestre Pastinha ou pelo Mestre Bimba, ou seja, grupos que trabalham ou com a capoeira angola ou com a capoeira regional. No entanto, constatamos vários grupos de capoeira que têm estabelecido o diálogo entre essas duas linguagens corporais, vivenciando a diversidade de gestualidade, seja no dia-a-dia do grupo, seja nas rodas de capoeira. Segundo Reis (2000), os dois estilos representam movimentos, estratégias de reconhecimento e aceitação social do negro. Estratégias articuladas por caminhos diferentes. Enquanto a Angola busca a afirmação social do negro a partir da negação da mestiçagem, numa tentativa de manter a “proposta de pureza” da capoeira, valorizando a especificidade do negro, a Regional busca a afirmação do negro a partir da “proposta de mestiçagem”, a partir da inserção de outras manifestações e códigos na capoeira, norteada pela busca de eficiência.

Metodologia das artes marciais Unidade 3 O ensino da capoeira
Metodologia das
artes marciais
Unidade 3
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capoeira

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É importante destacarmos que essas cisões nem sempre significam singularidades, mas às vezes preconceitos, construções excludentes, afirmações de legitimidade e originalidade, etc. No entanto, não é como fratura que observamos o quadro acima apresentado, mas como uma possibilidade de estarmos identificando formas de uso do corpo, evidenciando a diversidade de linguagens corporais na capoeira.

Princípios fundamentais da capoeira De maneira geral, a configuração da capoeira como prática

cultural

] [

é dada pelos seguintes elementos: a roda, os toques musicais do berimbau, as músicas, a ginga e os movimentos corporais dos estilos conhecidos, a capoeira Regional e a capoeira Angola (REIS, 2000, p.165).

se organiza em forma de sistema, cuja articulação interna

A roda de capoeira caracteriza-se como um espaço social, marcado pela dinâmica e imprevisibilidade do jogo de corpo, na comunicação do gesto. Nesse espaço, o jogo de capoeira estabelece-se na tensão e oposição entre dois camaradas. O gesto flui no espaço/tempo revelando a energia e a criatividade dos movimentos. A ginga, movimentação básica da capoeira, é realizada no ritmo do toque do berimbau, que além de determinar o estilo, se Angola ou Regional, encaminha o andamento do jogo, conforme suas variações. Cada

toque de berimbau determina um jogo diferente, um uso singular do corpo.

O espaço é desenhado pela intencionalidade do gesto. Nessa estrutura,

os cânticos de capoeira estão relacionados ao toque do berimbau a ao encadeamento do jogo. Na imagem ao lado mostra-se o berimbau, instrumento que rege o ritmo

ao lado mostra-se o berimbau, instrumento que rege o ritmo Figura 18: berimbau. e, portanto, jogo

Figura 18: berimbau.

e, portanto, jogo de corpo nas rodas de capoeira. Para a produção da sonoridade do berimbau, utiliza-se uma vaqueta para fazer vibrar o arame do berimbau e um

dobrão ou uma pedra para segurar o arame

e

dar os acordes. Para compor o ritmo,

utiliza-se também do caxixi, um pequeno

cesto preenchido com sementes. Nessa produção simbólica, relacionada à gestualidade do corpo

na capoeira, predomina a movimentação para baixo, em direção a terra:

o “baixo corporal”, enfatizando os movimentos do quadril e dos pés. A

movimentação do quadril evidencia-se na ginga, movimento básico no jogo

da capoeira, marcando a busca de um equilíbrio dinâmico, potencializando

a execução de golpes e contra golpes, a maioria executada com os pés. Na

gestualidade da capoeira, percebemos uma simbologia na qual dialogam, simultaneamente, elementos sagrados e profanos, permeada pela tradição afro-brasileira. Na capoeira, os corpos movimentam-se preenchendo os espaços vazios deixado pelo outro, o espaço se constrói no movimento

do outro e pelo outro (REIS, 2000, p.178). Na capoeira não se joga contra

o outro, mas com o outro. Sem essa relação não se constrói o espaço da capoeira.

Sobre a musicalidade nas rodas de capoeira, faz-se presente uma diversidade de estruturas musicais, geralmente cantadas nas formas de:

ladainhas, quadras e cantos corridos. Em síntese, podemos compreender

essas estruturas dos cânticos entoados nas rodas de capoeira da seguinte

maneira:

As ladainhas, que têm um ritmo mais lento, são próprias à capoeira de Angola. Nelas, sem a interferência do coro (composto por todos presentes à roda), um jogador canta, relembrando histórias dos capoeiristas famosos, relatando situações vividas no cotidiano ou lançando desafios a seu contendor. Para finalizar

as ladainhas, o capoeirista solista canta alguns versos, os quais só então serão repetidos pelo coro. As quadras são cantadas tanto na Angola quanto na Regional

e consistem em cantigas que versam sobre assuntos diversos,

ditos aleatoriamente, o mesmo ocorrendo com os cantos corridos. Enquanto as quadras contem estrofes de quatro e seis

versos (o solista canta os versos e depois o coro os repete), os cantos corridos são próprios para o jogo mais rápido pois são compostos, em geral, por dois versos (o solista canta o verso e

o coro responde com outro). Porém, tanto nas quadras, quanto

nos cantos corridos, a participação do coro é sempre obrigatória (REIS, 2000, p. 168).

Do ponto de vista simbólico, os cânticos nas rodas de capoeira cumprem algumas funções; há sentido e significados nas canções entoadas, como por exemplo: função ritual, elemento mantedor das tradições e espaço dinâmico de constante repensar dessa mesma história. A função ritual é manifestada na participação de todos os capoeiristas presentes no espaço da roda, tocando os instrumentos, cantando e batendo palmas. O conteúdo cantado manifesta o elemento mantenedor das tradições, sendo um espaço de constante repensar da história inscrita no ethos, na conduta, na capoeira e na própria inserção do negro na sociedade (VIEIRA, 1998). Como uma possibilidade de exemplificação desse argumento sobre os cânticos nas rodas de capoeira, apresentamos a seguinte antiga de domínio popular, muito difundida nas rodas de capoeira, tendo sua

Metodologia das artes marciais Unidade 3 O ensino da capoeira
Metodologia das
artes marciais
Unidade 3
O ensino da
capoeira
das artes marciais Unidade 3 O ensino da capoeira Assista a execução de um toque de

Assista a execução de um toque de berimbau, considerado como o hino da capoeira regional, tocado pelo mestre Bimba:

http://www.

youtube.com/

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Metodologia das artes marciais Unidade 3 O ensino da capoeira
Metodologia das
artes marciais
Unidade 3
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estrutura em quadra, podendo ser cantada tanto na Angola como na Regional. Os trechos em negrito representam o refrão da cantiga, em que todas as pessoas presentes na roda confirmam a narrativa cantada em versos e em coro:

Que navio é esse que chegou agora

É o navio negreiro com escravos de Angola Tem gente de Cabida, Banguela e Luanda

Eles vinham acorrentados para trabalhar nessas “bandas” Que navio é esse que chegou agora

É o navio negreiro com escravos de Angola Acorrentados no porão do navio Muitos morreram de banzo e de frio Que navio é esse que chegou agora

É o navio negreiro com escravos de Angola Aqui chegando não perderam a sua fé

Criaram o samba, a capoeira e o candomblé Que navio é esse que chegou agora

É o navio negreiro com escravos de Angola

Nesses versos, podemos perceber que se canta um momento da história dos negros no Brasil, que aqui desembarcavam transportados nos navios negreiros, vindo de diferentes regiões da África. Devido aos maus tratos e às péssimas condições de higiene, durante a travessia muitos morreriam antes de desembarcarem. Sofrimento que continuou em terras tupiniquins, a partir de relações de poder estabelecidas naquela época, marcada pela escravidão do negro no Brasil, cerceados em sua liberdade. Em meio à dor e sofrimento, do acoite e da senzala, os negros produziram diferentes formas de resistência em terras brasileiras, tanto no plano do lúdico, do espiritual, como da luta pela liberdade, criando o samba a capoeira e o candomblé. A tradição oral é marcante, fazendo-se presente tanto na forma como são passados os movimentos, como também no que se refere às

narrativas históricas e sociais, nos dizendo da produção simbólica inscrita na capoeira. É enquanto cultura, a partir da diversidade de produção de símbolos e significados, que compreendemos a construção histórica e social

da capoeira. Na capoeira, “[

o corpo gira, invertendo e desinvertendo a

hierarquia corporal” (REIS, 2000, p. 184). Essa possibilidade de movimentar- se pode problematizar a experiência do corpo, que cria linguagens e desafia

o espaço e o tempo do gesto. Por estas considerações, apontamos para

]

a necessidade de se considerar o ethos da capoeira, como possibilidade

de afirmação de identidades mais afetivas, coletivas e solidárias. Novos modos de ser, novos estilos de existência e de convivência a partir da convivência da roda. Elementos que podem ser refletidos a partir de diferentes sentidos atribuídos ao jogo da capoeira, havendo possibilidades de leituras sociológicas, históricas, filosóficas, pedagógicas, entre outras. A seguir propomos possibilidades da abordagem do conhecimento da capoeira nas aulas de Educação Física, componente curricular no espaço escolar.

Como uma síntese da multiplicidade como se apresenta a capoeira, Dias Gomes expressou a seguinte compreensão:

É luta de bailarinos. É dança de gladiadores. É duelo de camaradas. É jogo, é bailado, é disputa – simbiose perfeita de força e ritmo, poesia e agilidade. Única em que os movimentos são comandados pela música e pelo canto. A submissão da força ao ritmo. Da violência à melodia. A sublimação dos antagonismos. Na capoeira os contendores não são adversários, são “camaradas”. Não lutam, fingem lutar. Procuram – genialmente – dar a visão artística de um combate. Acima do espírito de competição, há neles um sentido de beleza. O capoeira é um artista um jogador e um poeta. (http://www.ceca-riovermelho.org/images/multimidia.htm)

Processos normativos e avaliação do processo ensino-aprendizagem Considerando a capoeira como conteúdo da cultura de movimento

a ser tratado nas aulas de Educação Física escolar, propomos a seguir uma

possibilidade de tratamento pedagógico, norteado pela articulação entre conteúdo escolar e a sistematização desse conhecimento nas aulas de Educação Física, considerando o 3º e 4º ciclo do ensino fundamental.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998), na intervenção pedagógica da Educação Física é importante evidenciarmos as dimensões dos conteúdos, no sentido de alimentar a construção desse conhecimento, enfatizando uma perspectiva crítica no

processo de ensino e aprendizagem. São três suas dimensões, conceitual, procedimental e atitudinal, compreendidas de forma articulada para a construção do conhecimento nas aulas de Educação Física, a partir da diversidade dos conteúdos a serem abordados. Compreendemos que essa

interação dialógica

operacionalização pedagógica possa favorecer a “[

professor-aluno-conhecimento-realidade” (NÓBREGA, 2005, p. 89).

]

Dimensões dos conteúdos A Figura 19 é uma representação didática das dimensões dos conteúdos. Nesse esquema didático, tendo a capoeira como conteúdo

Metodologia das artes marciais Unidade 3 O ensino da capoeira
Metodologia das
artes marciais
Unidade 3
O ensino da
capoeira
das artes marciais Unidade 3 O ensino da capoeira Navegue pela rede da internet e descubra

Navegue pela

rede da internet e descubra mais sobre a capoeira: http:// www.portalcapoeira. com/Sites/list/

allalpha/Galeria-

de-Sites-Portal-

Capoeira+Sites-

Parceiros-do-Portal-

Capoeira/0/

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Metodologia das
artes marciais
Unidade 3
O ensino da
capoeira

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a ser trabalhado nas aulas de Educação

Física, torna-se importante destacar as dimensões conceituais, procedimentais

e atitudinais articuladas a capoeira.

Abaixo segue uma exemplificação mais detalhada de como trabalhar esse conteúdos a partir dessas dimensões. De maneira didática podemos compreender essas dimensões, relacionadas a todos os momentos pedagógicos na abordagem dos conteúdos de

ensino; em síntese, a dimensão conceitual relaciona-se aos conceitos, fatos e princípios, sendo que a dimensão

procedimental está ligada às questões do fazer, ou seja, da linguagem do corpo em movimento, e por fim, a dimensão atitudinal articula-se com

as questões referentes às normas, valores e atitudes. Em se tratando da

abordagem da capoeira, enquanto conteúdo a ser trabalhado nas aulas de Educação Física, identificamos alguns apontamentos a partir da estrutura apresentada. Do ponto de vista dimensão conceitual, podemos estar desenvolvendo questões referentes à história social da capoeira:

evidenciando sua produção simbólica; identificando os mestres da tradição da capoeira; os grupos de capoeira da cidade, do bairro e da comunidade onde a escola está situada, identificando, por exemplo, singularidades a partir das diferentes possibilidades de movimentação do corpo na capoeira (Angola e/ou Regional). No que se refere à dimensão procedimental, torna-se importante enfocar a linguagem do corpo em movimento, a partir da vivência da diversidade de movimentação do corpo na capoeira (Angola e/ou

Regional). Destacamos também a possibilidade de explorar no processo de ensino-aprendizagem a musicalidade e o ritmo da capoeira, apresentado

e experimentando os ritmos e sonoridades dos diferentes instrumentos

que compõem a orquestra musical da capoeira (berimbaus; atabaque; pandeiro; agogô; reco-reco). Com relação à dimensão atitudinal, compreendemos a importância de se pensar a articulação entre as diferentes formas de organização do conhecimento, sejam eles científicos, educacionais, ou da tradição, a partir do diálogo entre esses saberes. Nessa dimensão do conteúdo, torna-se importante perceber e problematizar a postura dos alunos diante do conhecimento que está sendo trabalho, (des) construindo

Figura 19: representação didática das dimensões dos conteúdos.

que está sendo trabalho, (des) construindo Figura 19: representação didática das dimensões dos conteúdos.
que está sendo trabalho, (des) construindo Figura 19: representação didática das dimensões dos conteúdos.
que está sendo trabalho, (des) construindo Figura 19: representação didática das dimensões dos conteúdos.

preconceitos em torno da capoeira, no sentido de afirmá-la enquanto construção da cultura, numa atitude de valorização da diversidade cultural. Percebemos que essa estrutura, apresentada em torno das dimensões do conteúdo, articula-se a uma perspectiva crítica de tratamento pedagógico do conteúdo a ser abordado nas aulas de Educação Física. Nesse sentido, passamos a algumas sugestões de sistematização desse conhecimento tendo como referência o terceiro e quarto ciclos, ou seja, do sexto ao nono ano do Ensino Fundamental. Considerando o terceiro ciclo (6º e 7º ano), a ênfase na intervenção pedagógica norteia-se pela iniciação à sistematização do conhecimento. Em particular, considerando a abordagem do conteúdo da capoeira, podemos pensar em uma perspectiva que possibilite a leitura da realidade, a partir, por exemplo, da realização de um levantamento inicial sobre o conhecimento dos alunos em torno da capoeira; da identificação de grupos de capoeira na comunidade. Esse levantamento pode ser realizado a partir de diferentes instrumentos, como questionários, entrevistas, entre outros. Ainda nesse tempo, e espaço pedagógico, poderíamos estar privilegiando as questões em torno da linguagem do corpo, apresentando a história da capoeira e considerações em torno da sua construção social. Enfatizar, nas vivências, o elemento lúdico (HUIZINGA, 1990; CALLOIS, 1990), a partir da movimentação do corpo dos diferentes ritmos da capoeira, reconhecendo a gestualidade construída na história da capoeira, bem como abrindo espaço para a criação de novas possibilidades de movimentação, num diálogo com a diversidade de experiências corporais dos alunos. Torna-se importante, portanto, explorar a criatividade dos alunos a partir, por exemplo, das possibilidades de variação dos movimentos básicos da capoeira (ginga, cocorinha, esquiva, meia-lua-de-frente, armada, queixada, entre outros). É importante a identificação dos movimentos enquanto sistematização de uma determinada técnica corporal, que está sempre aberta à construção de novas gestualidades no jogo da capoeira. Ampliando a sistematização do conhecimento, durante o quarto ciclo de ensino (8º e 9º ano), podemos centrar a abordagem da capoeira no que se refere à linguagem do corpo. Como possibilidade de ampliação do conhecimento sobre capoeira, podemos proceder em torno da identificação das diferentes técnicas corporais da capoeira, da compreensão de seus símbolos, ou seja, do significado da roda, dos instrumentos, dos cânticos, entre outros. Nesse momento, podemos identificar também a relação da capoeira com a produção cultural em geral, a partir de romances,

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artes marciais
Unidade 3
O ensino da
capoeira
das artes marciais Unidade 3 O ensino da capoeira Visualize alguns desses movimentos em: www.youtube.com/

Visualize alguns desses movimentos em:

www.youtube.com/

watch?v=hn4dog1wzXE.

desses movimentos em: www.youtube.com/ watch?v=hn4dog1wzXE. Assista a trechos de vídeos, relacionados à capoeira, e

Assista a trechos de vídeos, relacionados à capoeira, e identifique: os estilos de capoeira, se Angola ou Regional; a estrutura das músicas entoadas (ladainha, quadra, canto corrido)

das músicas entoadas (ladainha, quadra, canto corrido) Com base nos vídeos 1 e 2 planeje uma

Com base nos vídeos 1 e 2 planeje uma aula de educação física com a capoeira como conteúdo. Experimente se deslocar no espaço utilizando as diferentes direções (frente, atrás, esquerda, direita, diagonal) no ritmo da música. Faça uma síntese de 10 a 15 linhas e poste no ambiente.

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Metodologia das artes marciais Unidade 4 O ensino do Judô
Metodologia das
artes marciais
Unidade 4
O ensino do Judô

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filmes, bem como sua influência na música popular brasileira. Quanto a sua musicalidade, poderíamos desenvolver oficinas de construção dos instrumentos (por exemplo, do berimbau), como também referentes à

diversidade de ritmos a partir de seus instrumentos. Torna-se importante também a ampliação no que se refere à movimentação do corpo no jogo da capoeira, apresentando novos movimentos de ataque, defesa, floreio

e desequilibrante, mantendo a possibilidade de construção de novas gestualidades a partir da variação dos movimentos apresentados.

Unidade 4 O ensino do Judô

Síntese: a quarta e última unidade apresenta uma visão panorâmica sobre

os aspectos históricos do judô, discute seu ensino e mostra as possibilidades

pedagógicas para sua prática na escola, como conteúdo da educação física

escolar.

Aspectos históricos do judô Dos gladiadores da antiguidade para os atletas profissionais de hoje, as artes marciais passaram por um processo de evolução e transformação lenta, mas profunda. As artes marciais como forma de jogo,

muitas vezes sem regras definidas, com objetivos únicos de sobrevivência,

e dominação de um povo sobre outro, foram se transformando em

práticas esportivas contemporâneas, as quais segundo Nóbrega apud Olivier (2000) são sustentadas nas tradições populares. As artes marciais com características de esporte, com regras e universalizadas pelo mundo estiveram presentes, na I Olimpíada da era moderna na Grécia em 1896. Os jogos Olímpicos de 1924, por exemplo, refletiram a crescente universalização das artes marciais. Segundo Monteiro (1998), 52 países participaram das competições de luta livre, esgrima, boxe e luta greco- romana. O judô, na época, era uma modalidade recém criada e recém chegada ao Ocidente. Ao analisar a criação e a evolução do judô, Robert (1976) destaca como momento histórico importante na era Meiji, período do reinado de Matsu Hito (1867-1912), imperador japonês responsável pela abertura do Japão à civilização ocidental. A ocidentalização do Japão, de certa forma, trouxe muitas novidades culturais e provocou mudanças de hábitos e costumes no povo japonês. Em poucos anos, o país adotou as ciências, as artes e as técnicas

da Europa. O entusiasmo foi extraordinário. Tudo o que era considerado tradicional foi relegado e as artes marciais foram abandonadas e desprezadas. Somente os grandes especialistas do jiu-jitsu sobreviveram, passando a dar aulas para um grupo especial do exército e da polícia. A abertura gerou um relaxamento dos costumes orientais e a tradição ética desapareceu, esfacelando de vez as artes marciais. Tudo teria ficado no esquecimento se um homem não tivesse levantado a questão para a retomada das práticas da tradição. Assim, no

final do século XIX um jovem japonês, chamado Jigoro Kano, adepto do Jiu- jitsu, preocupado com esta situação, resolveu estudar um novo método de luta, no qual o aspecto educativo, as preocupações com a integridade física e o acesso democrático estivessem presentes.Aesta nova modalidade de arte marcial ele denominou de ‘Judô’, o qual significa caminho suave, meio da não resistência. Os alunos de Jigoro Kano, após anos de treinamento, ganharam o mundo com a missão de divulgar o Judô nos cinco

continentes. Após meio século de existência,

o judô já havia conquistado adeptos em todo o mundo. A modalidade, criada por Jigoro Kano, sofreu uma grande transformação ideológica, a esportivização, caracterizada por uma necessidade de se elaborar regras, estabelecer condições de igualdade física entre os competidores e fomentar nos praticantes a valorização do campeão, em detrimento aos outros praticantes. O judô, como prática esportiva, teve seu marco inicial na década de 1950, quando o interesse pelas competições internacionais aumentou. Em 1956 foi realizado o 1° campeonato mundial, mas somente em 1964, nas Olimpíadas de Tóquio, é que o judô se tornou um esporte olímpico. Esta transformação gerou alguns conflitos ideológicos entre os tradicionalistas professores orientais e os professores de Educação Física europeus que militavam no judô. A principal divergência ocorreu quando foram criadas as categorias de peso, com o objetivo de estabelecer uma condição de igualdade física entre os competidores. A reação dos professores tradicionalistas foi imediata. Para eles a divisão por peso, igualava o judô ao boxe, à luta livre e à luta greco-romana, além de enterrar o ‘verdadeiro judô’ criado por Jigoro Kano. A grande novidade que o judô trouxe para o mundo das artes

A grande novidade que o judô trouxe para o mundo das artes Figura 20: Jigoro Kano

Figura 20: Jigoro Kano Fonte: www.academiaalianca.com. br/judo/Kano_Jigoro.jpg.

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Metodologia das artes marciais Unidade 4 O ensino do Judô Visite o site http://www. academiaalianca. com.br/judo/

Visite o site http://www. academiaalianca. com.br/judo/ judo_p02.html e pesquise sobre a vida de Jigoro Kano, bem como sobre o surgimento do judô. Poste no ambiente virtual suas impressões sobre o criador do judô e sobre os princípios filosóficos idealizados por ele para a prática do judô.

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marciais foi a capacidade de atenuar o combate e de se preocupar com a integridade física dos seus competidores. Ao analisar este aspecto, Monteiro (1998) acrescenta que o rápido encantamento e aceitação conquistada pelo judô no mundo ocidental deveram-se muito ao valor educativo e à dimensão moral que os professores transmitiam a todos os praticantes. No Brasil, de acordo com Robert (1976), os primeiros indícios da prática do judô foram registrados na região norte, no início do século XX. A sua consolidação aconteceu no interior de São Paulo, onde até hoje é o centro mais evoluído do país em relação à prática desta arte marcial. Antes da fundação da Confederação Brasileira de Judô (C.B.J.), ocorrido no ano de 1961, a prática do judô era normatizada pela Confederação de Pugilismo. Na atualidade, o judô brasileiro é uma potência olímpica, com 15 medalhas conquistadas, bem como apresenta inúmeros praticantes em todos os estados da federação, distribuídos num grande número de escolas por todo o país.

Cronologia do Judô

- 1882 - Jigoro - Kano (Japão) - Luta;

- Década de 1920 – Chegada ao Brasil;

- Anos de 1950 – Esportivização – Competições internacionais;

- 1964 – Esporte Olímpico;

- Anos de 1980 – Inserção escolar / Brasil – potência olímpica.

Judô - potência olímpica

- Segunda modalidade olímpica brasileira em número de

medalhas (15);

- sete vezes consecutivas no pódio olímpico desde 1984;

- dois campeões olímpicos – três campeões mundiais;

- Judô paraolímpico (cegos e deficientes visuais) – mesma

tradição;

- Antônio Tenório – tetra-campeão paraolímpico.

Desde o seu surgimento, os praticantes do judô pautam-se nos

seus três princípios fundamentais, concebidos por Jigoro Kano, a saber:

a) JU = suavidade, flexibilidade;

b) SEIRYOKU-ZENYO = máxima eficiência com mínimo esforço;

c) JITA-KYOEI = bem estar e benefícios mútuos.

O ensino do judô Ancorado na abordagem desenvolvimentista, que nos mostra uma caracterização dos estágios de desenvolvimento motor em função

da faixa etária e tomando por referência o que diz Tani, apud Franchini (2001), sobre o ensino das habilidades motoras, vamos considerar três

aspectos principais no ensino das habilidades motoras específicas do judô:

a estrutura das habilidades motoras do judô; as fases de aprendizagem;

e a fase de desenvolvimento motor que se encontra o indivíduo que irá aprender a habilidade. De acordo com Schimidt, a estrutura de uma habilidade motora

é classificada conforme três fatores importantes:

a) Quanto ao processamento de informações - Uma habilidade

motora será considerada fechada quando em sua execução não

existirem interferências exteriores. O estímulo sempre aguarda

a iniciativa do executante. Será considerada aberta, quando

envolver ações mutáveis no tempo e no espaço. Durante a sua execução, exige que o executante se adapte às variáveis da tarefa motora. b) Quanto ao movimento observável - As habilidades serão cíclicas ou contínuas, quando não possuírem um ponto bem definido de início e término da tarefa motora; discretas, quando possuem bem definido o ponto de início e término da tarefa; seriadas, quando há uma combinação de duas ou mais habilidades discretas interligadas. De acordo com Franchini (2001), podemos classificar como discreta, a habilidade de

executar uma projeção, e como seriada, as ações desenvolvidas durante uma luta de judô.

c) Quanto à tomada de decisão e controle motor - Esse aspecto

considera o grau de importância da tomada de decisão e controle motor para que a tarefa seja executada com sucesso, isto é, o grau de importância do aspecto cognitivo e do aspecto motor. Nesse aspecto, o autor considera o judô uma atividade intermediária, já que a tomada de decisão e o aspecto motor são imprescindíveis para o sucesso na luta (apud FRANCHINI,

2001).

Observe que o judô apresenta uma particularidade; apesar de ser uma modalidade individual, é impossível de se aprender só e, também, de se praticar isoladamente. Apresenta fundamentos técnicos que se diferenciam muito entre si em vários aspectos. Isso exige do professor além de um conhecimento técnico específico, um consistente domínio a cerca das estruturas de suas habilidades motoras específicas.

O Judô é praticado sobre esteiras especiais chamadas tatames

que podem ser de palha de arroz, cobertas por lona de algodão ou podem ser sintéticas fabricadas a partir de polímeros de borracha. Os praticantes (judocas) usam uma vestimenta de algodão branco ou azul (kimono ou judogi), composto por casaco, calça e uma faixa. A cor da faixa indica a graduação do judoka. Fonte: (http://www.liseju.org.br/?page_id=7).

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das artes marciais Unidade 4 O ensino do Judô 138 Figura 21: Tatame. Fonte: www.mmashop.com.br/

Figura 21: Tatame. Fonte: www.mmashop.com.br/

/1924/41313.jpg

As fases de aprendizagem determinam

o tipo de instrução que deve ser apresentado ao indivíduo. De acordo com Schimidt, são propostas três fases de aprendizagem:

a) Inicial ou cognitiva - Nesta fase o indivíduo não consegue

direcionar a sua atenção para os estímulos mais importantes da tarefa, ele tende a estar atento a muitos estímulos ao

mesmo tempo. É preciso que o professor saiba tornar a tarefa empolgante para os alunos, que seu objetivo principal esteja presente em todos os elementos da tarefa, porém de forma sutil.

b) Fase intermediária ou associativa - Ocorre uma evolução na

consistência do movimento, juntamente com a capacidade de

realizá-lo com algumas adaptações. É o momento apropriado para estimular o aluno a realizar tarefas que com certeza ele já domina. O prazer em saber que é possível realizá-las estimulará

o aluno a ele próprio combinar e variar elementos dentro de uma ou mais tarefas motoras.

c) Fase final ou autônoma - Permite o processo paralelo, isto é,

a execução ou atenção à outra atividade que não o movimento,

nesta fase o movimento já foi internalizado. Agora se pode dizer

que a tarefa foi aprendida, que o aluno está apto para prosseguir

o seu desenvolvimento. O professor precisa ter meios próprios para avaliar se realmente esta etapa foi vencida, pois um equívoco aqui pode gerar confusões no aluno posteriormente, em outra tarefa motora (apud FRANCHINI, 2001).

Ao escrever sobre a metodologia e os princípios filosóficos do

judô, Deliberador (1996) sugere uma proposta metodológica específica, denominada de ‘A metodologia da participação’, a qual se apresenta fundamentada nos princípios filosóficos do judô, no conhecimento interdisciplinar e nas teorias de desenvolvimento humano.

O autor nos lembra que Jigoro Kano, criador do judô, alicerçou

todo o seu trabalho em dois princípios filosóficos: o Seryoko-Zenyô e o Jitakôei.

O Seryoko-Zenyô preconiza que o ser humano deve concentrar

todos os seus esforços na promoção do seu desenvolvimento moral, intelectual, físico e técnico. O Jitakyôei recomenda que o indivíduo utilize todas as suas capacidades para promover o progresso e o bem- estar de todos. Caracteriza-se, também, por prever um desenvolvimento corporal e formação moral como um processo contínuo de interação com

a comunidade. No momento em que Jigoro-Kano fala de desenvolvimento moral e interação com a comunidade em seus princípios filosóficos, ele se

aproxima do referencial sócio-educativo de Paes (2002), que afirma serem princípios essenciais da educação, o sentido de cooperação, emancipação

e convivência. Tendo Jigoro Kano se baseado nestes princípios filosóficos quando criou o judô, em 1882, podemos dizer que passados 126 anos, estes princípios continuam atuais e, cada vez mais, representam um ideal de educação desejado, e, ao mesmo tempo, tão distante da prática

diária. A respeito desse ideal, Deliberador (1996, p. 67) afirma que “[ ]

o conhecimento pedagógico servirá para que ele possa, de maneira fácil e

coerente, levar o iniciante a viver o processo e usufruir intensamente os seus benefícios [ Segundo o mesmo autor, a proposta pedagógica de uma metodologia específica voltada para o ensino do judô tem os seguintes

objetivos:

Desenvolvimento da totalidade corporal e adequação das atividades específicas do judô ao estágio de maturação em que o ser humano se encontra, de modo a incorporar no seu dia-a-dia os princípios e valores implícitos na filosofia do judô (DELIBERADOR, 1996, p.74).

A proposta de Deliberador está dividida em oito estágios sequenciais, tendo cada estágio as suas características próprias, a saber:

1) Estágio da sociabilização - é a fase da descoberta, de si mesmo, do outro e do mundo em volta. Cabe ao professor conhecer as características do momento e oferecer atividades que estimulem a espontaneidade e a interação entre os alunos. Princípios metodológicos: a tônica principal é cativar o aluno, tornando as aulas agradáveis. Atividades que estimulem representações

e história do judô com uma linguagem acessível são recomendadas neste estágio.

2) Estágio da ampliação do vocabulário motor - nesta fase, a

principal característica é a hiperatividade dos alunos, o desejo de competir

e as descobertas de novos movimentos. Princípios metodológicos: criar as condições ótimas para a ampliação de seu vocabulário motor, a partir de atividades lúdicas que envolvam elementos específicos do judô, deve ser a tônica das aulas. A competição já pode ser apresentada, mas sem nenhuma responsabilidade com o resultado. O importante é que ele aprenda a conhecer e superar os seus próprios limites a partir de uma decisão pessoal. 3) Estágio da pré-adolescência - aliberação dos hormônios sexuais e as transformações sociais geram mudanças significativas no

Metodologia das artes marciais Unidade 4 O ensino do Judô
Metodologia das
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das artes marciais Unidade 4 O ensino do Judô É possível o ensino de judô na

É possível o ensino de judô na escola pública? Justifique sua opinião.

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comportamento do aluno, as brincadeiras vão perdendo o interesse. Ocorre um aumento na agressividade, uma desejada autonomia começa

a povoar seus pensamentos. A formação do judoca nesta fase deve

ajudá-lo a perceber a importância de seu papel na sociedade, a ter mais responsabilidade com tudo o que ele se propõe a fazer, neste ponto a competição tem muito a contribuir com o processo, pois o sucesso na competição só virá se for fruto de um esforço e de responsabilidade com

os treinamentos. Princípios metodológicos: a principal preocupação, neste

estágio é o aperfeiçoamento técnico e a participação competitiva, com

o objetivo de avaliar como anda o treinamento, corrigir as falhas e

adquirir mais confiança. As características de especialização precoce se

confirmam, com os princípios metodológicos sugeridos pelo autor. Priorizar

a competição, neste estágio, significa antecipar em pelo menos três anos

a possibilidade de escolha pela participação efetiva em competições. A

realidade das competições de nível nacional, a partir dos 09 anos, até o ano 2001, pode ser apontada como um dos fatores que estimularam esse quadro de especialização precoce. 4) Estágio da adolescência - é o auge da ação hormonal, o período do chamado ‘estirão’ e também de muita confusão, muita dúvida a respeito do que se quer e do que querem que o adolescente faça daqui por

diante. As habilidades motoras específicas do judô já foram internalizadas,

o jovem passa a acreditar em seu potencial, ocorre uma melhoria na auto-

estima e a decisão de seu futuro como judoca. Princípios metodológicos: na adolescência, com a formação técnica já consolidada, a prioridade passa a ser as atividades dentro do judô que fortaleçam o seu organismo. 5) Estágio do adulto jovem - a maturação biológica está consolidada, o jovem começa a conquistar novos espaços na sociedade, há uma ampliação na sua vida cultural econômica, afetiva e esportiva. O judô deve contribuir para que ele encontre na sua prática um bem estar pessoal capaz de oferecer a outros ajuda e cooperação. Princípios metodológicos: a especialização técnica e tática aliada a um forte trabalho de resistência e força muscular são os objetivos deste estágio. 6) Estágio adulto - é o ápice da sua forma física, o indivíduo aqui é o responsável por qualquer decisão de ordem econômica cultural social e esportiva que venha tomar. No judô, é o momento de vivenciar mais intensamente os princípios filosóficos que orientam a sua e prática, e também de se consolidar como grande atleta, espelho para os mais jovens.

Princípios metodológicos: A orientação para este estágio é aperfeiçoar o aspecto tático de uma luta de judô, sem perder de vista a preocupação em manter a condição física conquistada. 7) Estágio adulto sênior - ocorre o início da perda de algumas valências físicas. A prática do judô irá contribuir na medida em que esta retarda o envelhecimento, e neste momento se constitui em uma forma prazerosa de se exercitar, melhorando, dessa maneira, a sua qualidade de vida.

Princípios metodológicos: a prática do judô neste estágio deve

estar pautada, no prazer de compartilhar com os outros as experiências e conhecimentos adquiridos durante os anos de experiência vividos dentro da modalidade. 8) Estágio da terceira idade - a maior disponibilidade de tempo

e a experiência adquirida levam o indivíduo a ser mais detalhista e a aproveitar mais intensamente os momentos agradáveis da vida. O judô faz

a pessoa sentir-se útil à sociedade, afastando a sombra da solidão e do isolamento, além de ajudar organicamente, prevenindo o aparecimento de doenças e da letargia. Princípios metodológicos: é papel de o professor enaltecer

o fato de uma pessoa, com idade superior a 60 anos, sentir prazer ao

praticar judô. É inteligente utilizar o exemplo deste indivíduo, como agente motivador para outros alunos. Destacar os benefícios que uma prática de judô, fundamentada em conhecimentos filosóficos, técnicos e adequados aos interesses e possibilidades de cada um, pode trazer aos seus praticantes. Foi com essa forma de pensar que Deliberador (1996) idealizou a sua metodologia da participação.

O ensino do judô na escola A prática do judô dentro das escolas está inserida na realidade das reflexões sobre as propostas metodológicas da Educação Física contemporânea; por consequência, sofre influência de todas as abordagens pedagógicas, especialmente a desenvolvimentista e a construtivista. A inclusão do judô como conteúdo nas aulas de Educação Física vem resgatar um dos objetivos de Jigoro Kano, ao criar o judô, que era:

difundir nas escolas entre as crianças e os jovens a modalidade por ele criada. Kano é considerado o pai da Educação Física japonesa, foi o primeiro japonês a fazer parte do Comitê Olímpico Internacional (COI) e, no início do século XX, implantou o judô em todas as escolas públicas do Japão.

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das artes marciais Unidade 4 O ensino do Judô Elabore um texto comparando a estrutura da

Elabore um texto comparando a estrutura da ‘Metodologia da Participação’ de Deliberador (1996) com outras propostas metodológicas de ensino do esporte de outros autores (pelo menos 2), apontando as convergências e as divergências,além de colocar a sua opinião sobre as três estruturas estudadas.

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Ao comentar sobre a preocupação do criador do judô, com os objetivos que a prática do judô deveria seguir, Deliberador cita uma afinação de Jigoro Kano a esse respeito:

O judô é o caminho para o uso ideal da força mental e física. Esse treino, através da prática da defesa e do ataque, aperfeiçoa o corpo e a mente, tratando também os aspectos morais e éticos. Assim pelo aperfeiçoamento próprio, tornar-se útil à humanidade é o objetivo capital do judô (1996, p. 72).

Desta forma, podemos imaginar o ensino do judô com base nos seguintes fundamentos:

Ukemis – técnicas de amortecimento de quedas – São os primeiros ensinamentos das primeiras aulas. Elas têm por objetivo dar segurança e confiança ao iniciante antes do aprendizado das projeções. Existem 4 formas básicas de ukemis, dependendo do sentido e da forma realizada:

1 - Ushiro-ukemi – é realizado com as costas no tatame, pode

ser executado de várias formas: deitado, de cócoras, em pé e também rolando por cima de um dos ombros.

2 - Yoko-ukemi – é realizado sempre lateralmente, com apenas

um lado do corpo em contato com o tatame. Pode ser executado de várias formas: deitado, de cócoras, ajoelhado e em pé.

3 - Mae-ukemi – é realizado para frente, podendo ser executado

de várias formas: caindo para frente, sustentando o corpo apenas com ante-braço e os joelhos; da mesma forma partindo da posição de pé e realizando apenas uma cambalhota. 4 - Zempôkaiten – ukemi – é também conhecido como o ‘rolamento do judô’, é um rolamento para frente por cima de um dos ombros, pode ser executado de várias formas: partindo da posição ajoelhada; de pé andando; correndo, com obstáculos verticais e horizontais.

andando; correndo, com obstáculos verticais e horizontais. Figura 22: rolamento do judô. Fonte:

Figura 22: rolamento do judô. Fonte: www.aikidomadrid.cl/IMAGENES/ukemi.jpg

Sugestão de atividades

1 Adaptação ao tatame – diversas são as possibilidades de

deslocamentos ( deitado em decúbito frontal, depois em decúbito dorsal, rolando para os lados, abraçando os joelhos, batendo no tatame com uma mão, depois com a outra, com as duas simultaneamente, batendo as mãos

e as pernas ao mesmo tempo). 2 Tica - gelo – quando alguém for ticado ficará congelado até realizar um ukemi, retornando para a brincadeira. 3 Tica - ajuda – o tica ficará ajoelhado podendo se deslocar fazendo rolamentos diversos, mas sem ficar de pé. Ele deverá tentar derrubar os demais agarrando as pernas ou em qualquer parte do quimono. Aquele que for derrubado fará um ukemi e, em seguida, ajudará a derrubar os outros, até que fique apenas um.

Ossae – Waza – técnicas de imobilização São técnicas de controle no solo. O objetivo é conseguir dominar

e controlar o adversário de forma que ele esteja em decúbito frontal, por pelo menos 10 segundos.

ele esteja em decúbito frontal, por pelo menos 10 segundos. Figuras 23 e 24: técnicas ossae

Figuras 23 e 24: técnicas ossae - waza. Fonte: arquivo do autor.

23 e 24: técnicas ossae - waza. Fonte: arquivo do autor. Sugestão de atividades 1 -

Sugestão de atividades

1 - Disputa pela bola – formam-se duplas, um componente da

dupla agachado agarra uma bola de basquete, enquanto o outro tentará por 30 segundos conseguir a posse da bola, acabando o tempo invertem-se

os papéis.

2 - Barriga para cima – em dupla, um membro da dupla ficará

com a barriga voltada para o solo, o seu oponente tentará por 30 segundos colocá-lo de barriga para cima e controlá-lo por 10segundos, depois se invertem os papéis.

Nague – Waza – técnicas de projeção São as técnicas de arremesso, só deverão ser ensinadas após

a aquisição das habilidades dos ukemis. O objetivo principal é conseguir arremessar o oponente com as costas no tatame, demonstrando técnica velocidade, força e controle.

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Metodologia das artes marciais Referências Partindo da idéia central das atividades práticas propostas anteriormente,

Partindo da idéia central das atividades práticas propostas anteriormente, tente criar uma atividade para cada fundamento do judô (Ukemis,Ossae-waza e Nague-waza), não esquecendo o aspecto lúdico, a intencionalidade técnica e a possibilidade de variações a partir do que for apresentado pelos alunos.

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a partir do que for apresentado pelos alunos. 144 Figura 25: técnicas de projeção Nague –

Figura 25: técnicas de projeção Nague – Waza Fonte: www.ligarsdejudo.com.br/kata/nage_n1.gif

Sugestão de atividades

1 - Queda de braço do judoca – formam-se duplas, de pé

posicionados lado a lado com os pés encostados e segurando uma das mãos (direito com direito ou esquerdo com esquerdo). O objetivo é derrubar

o oponente utilizando apenas um braço e a transferência do centro de

gravidade, quando alguém vencer inverte-se o lado e repete-se a atividade.

2 - Sumô – forma-se um círculo com faixas ou outra forma

que delimite um círculo. A disputa ocorre dentro do círculo. O objetivo

é conseguir empurrar o oponente para fora do círculo e/ou derrubá-

lo. Para um maior dinamismo faz-se cada confronto em melhor de três, oportunizando a todos mais de uma participação.

de três, oportunizando a todos mais de uma participação. Figuras 26 e 27: demonstração de uso

Figuras 26 e 27: demonstração de uso da projeção. Fonte: Fonte: arquivo do autor.

de uso da projeção. Fonte: Fonte: arquivo do autor. Referências BABTISTA, C.F.S. Judô : da escola

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Glossário Aikidô – é uma arte integrativa de origem japonesa fundada por Morihei Ueshiba na década de 1940. Foi resultado de um amplo estudo, pesquisa e treinamento de diversas artes marciais japonesas. Apesar de ser considerada uma arte marcial pela maioria dos praticantes, o próprio

fundador denominou o Aikido como sendo uma Arte da Paz (www.aikidobr. com.br/aikido/). Artes marciais – conjunto de práticas corporais caracterizadas por técnicas de ataque e defesa, utilizando-se das mãos vazias e/ou instrumentos. Berimbau – instrumento rítmico utilizado na prática da capoeira. Dojo – local específico para a prática do karatê. Educação física escolar – componente curricular da Educação Básica que tem o objetivo de acessar os alunos aos conhecimentos pedagógicos advindos da cultura de movimento, dentre estes, as artes marciais.

Jiu-jitsu – segundo alguns historiadores o Jiu-jitsu ou “arte suave”, nasceu na Índia e era praticado por monges budistas. Preocupados com a auto defesa, os monges desenvolveram uma técnica baseada nos princípios do equilíbrio, do sistema de articulação do corpo e das alavancas, evitando o uso da força e de armas. (http://www.cbjj.com.br/hjj.htm). Kihon – no karatê significa exercício, sendo composto pela combinação dos fundamentos bloqueio, soco, golpe e chute. Tatame – Espaço onde se pratica o judô, geralmente constituído por colchões preenchidos com um tipo especial de palha. Toque de cavalaria - O Toque de cavalaria é um toque de aviso e não para ser usado em jogo de capoeira, antigamente, quando os capoeristas eram perseguidos, criou-se o Esquadrão de Cavalaria de Guarda Nacional que teve, numa determinada época, como incumbência maior, combatê-los. Daí originou o Toque de Cavalaria. Um capoerista ficava com um berimbau em uma colina ou numa esquina, um pouco distante de onde formava-se

a roda de capoeira e, quando a Cavalaria da Guarda Nacional aproximava-

se, o capoerista que estava vigiando dava início ao Toque do mesmo nome, avisando aos camaradas que fugiam ou então se preparavam para enfrentá- los em violentas batalhas. (http://www.google.com.br).

Currículo do professor autor

José Pereira de Melo é doutor em Educação Física pela UNICAMP, professor do Departamento de Educação Física e do Programa de Pós-graduação em Educação da UFRN, coordenador do Grupo de Pesquisa Corpo e Cultura de Movimento – GEPEC – Natal/RN, autor do livro Desenvolvimento da consciência corporal: uma experiência da educação física na idade pré- escolar, publicado pela editora da Unicamp e autor de vários capítulos de livros que abordam a Educação Física Escolar, a Pedagogia do Esporte

e os Estudos do Corpo na Educação. Atualmente coordena o Núcleo de

Formação Continuada para Professores de Arte e Educação Física – Paidéia.

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