A conquista dos direitos civis, políticos, sociais e humanos no Brasil

“Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes” – Constituição Federal Brasileira de 1988.

Podemos resumir que a cidadania “é o conjunto de direitos, e deveres ao qual um indivíduo está sujeito em relação à sociedade em que vive” (wikipedia). No que se refere aos direitos, seriam três tipos: Direito político: direito de se eleger a cargos políticos e eleger quem quiser, etc; Direito civil: direito de se locomover dentro de seus país, direito a vida, a liberdade, etc; Direito social: Tipo mais moderno, agrupa os direitos a previdência social, a educação, a um sistema de saúde, etc; Por mais óbvio que este artigo e os direitos do cidadão possam aparecer hoje para quem o ler, principalmente os nascidos nas últimas 3 décadas, para as pessoas mais velhas – seus pais, tios e avós – ao menos para uma pequena parcela, as coisas eram diferentes. Antes deles – seus bisavós e tataravós – as coisas foram mais desiguais ainda, principalmente para as mulheres e se este seu antepassado era índio ou negro. Para introduzir o tema sobre cidadania, podemos olhar algo que deveria ter começado a ocorrer há um pouco mais de 1 século, ao menos à partir de 1888, de acordo com a intenção da lei áurea. Podemos deduzir que alguns senhores liberaram seus escravos antes desta data e outros provavelmente não liberaram seus escravos mesmo depois de saberem sobre lei. Para qualquer um dos dois casos, os homens da lei ainda não estava preparados, por conta de séculos de escravidão, a ver os homens e mulheres negros e índios como iguais. Educação e Cidadania A construção de uma sociedade igualitária, que defenda os direitos e deveres de todos e equiparem todos as pessoas, independente de cor, etnia, gênero ou sexo, partido político, religião, não se dá simplesmente por imposição de leis, de “cima para baixo”, votadas e aplaudidas nas câmaras e senado, se no final, na aplicação, a lei “não pega”. Podemos ver, abaixo, um caso tipico de lei que “não pegou” na sua época e demandou muitas lutas até ser considerava óbvia no senso comum. “As conseqüências da escravidão não atingiram apenas os negros. Do ponto de vista que aqui nos interessa – a formação do cidadão –, a escravidão afetou tanto o escravo como o senhor. Se o escravo não desenvolvia a consciência de seus direitos civis, o senhor tampouco o fazia. O senhor não admitia os direitos dos escravos e exigia privilégios para si próprio. Se um estava abaixo da lei, o outro se considerava acima. A libertação dos escravos não trouxe consigo a igualdade efetiva. Essa igualdade era afirmada nas leis mais negada na prática” CARVALHO, José Murilo de, Cidadania no Brasil, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, p. 53. “(…) nos países em que a cidadania se desenvolveu com mais rapidez, inclusive na Inglaterra, por uma razão ou outra a educação popular foi introduzida. Foi ela que permitiu às pessoas tomarem conhecimento de seus direitos e se organizarem pata lutar por eles. A ausência de uma população educada tem sido sempre um dos principais obstáculos à construção da cidadania civil e política.” CARVALHO, José Murilo de, Cidadania no Brasil, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, p. 11.

era analfabeta e vivia em áreas rurais. Também estabeleceu o direito de votar a todos os cidadãos do sexo masculino maiores de 21 anos. enquanto os negros passaram séculos sem esse direito. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao91.htm >. por conta de anos e anos de escravidão. exceto mendigos. os analfabetos.htm >. o direito de ser cidadão é impedido também porque estes terem se tornado mendigos ou ladrões. José Murilo de. impedindo que ex-escravos tivessem alfabetização. Igualdade e Fraternidade“. Analisando os dois trechos acima.planalto.“No final do século XIX. 2) todos os filhos de pai e mãe brasileiros. nascidos no exterior. “Após a proclamação da República. a população que vivia no campo estava submetida à influência dos senhores de terras. “A Constituição de 1891 retirou do Estado a obrigação de fornecer educação primária população. pois não era obrigação do governo dar-lhes educação. uma maldade sentida no corpo. 3) todos os filhos de pai brasileiro que estivessem morando fora. Enquanto os escravos eram libertos. 4) todos os estrangeiros que viessem a estabelecer residência permanente. e os escravos.” Disponível em: < HTTP://www. Os ricos fazendeiros. o Brasil mantinha intocável sua estrutura deficitária que impossibilitou o desenvolvimento do país no século que se seguiu. Acesso em: 29 de outubro de 2008. Isso só mudou com a implementação de incentivo a imigração. A ignorância sempre foi um caminho para a maldade.gov. É importante ressaltar que os direitos de cidadão brasileiro eram suspensos em caso de ‘incapacidade física ou moral’ e por ‘condenação criminal.” Disponível em: < HTTP://www. impediam que os ex-escravos estudassem. detentores de poderes políticos e os chamados ‘coronéis’. os fazendeiros – muitos que não aceitavam assalariar ex-escravos – passaram a aceitar imigrantes brancos assalariados. sem licença do Poder Executivo federal’. mesmo ilegítimos. a desigualdade se mantinha. o que podemos ver é: todos os imigrantes – maioria brancos – vinham para o Brasil como cidadãos brasileiros. O fim do tráfico negreiro da África para o Brasil em 1850 só serviu para a demonstração do poder da Grã-Bretanha sobre o Império do Brasil. Além disso. Para muitos. 2008. E ainda para piorar. em 1889. mas nunca contra eles. naturalmente. pois dentro do país o tráfico se manteve. . Enquanto a França lutava por “Liberdade. O que podemos notar com os trechos acima: Que um processo de democracia deve estar estrututurado sobre a educação. entendiam que a lei poderia ser criada por eles. ‘As mulheres não votavam. 6) todos os estrangeiros naturalizados. Acesso em: 29 de outubro de 2008. incluindo muitos dos grandes proprietários de terras. p. com a venda de escravos de regiões em declínio econômico para as regiões em ascensão.gov. e com os negros da época. ou enquanto durassem seus efeitos’ e eram perdidos ‘por naturalização em país estrangeiro’ ou ‘aceitação de emprego ou pensão de Governo estrangeiro. a grande maioria da população brasileira (cerca de 85%). 5) todos os estrangeiros que viessem a casar e/ou ter filhos com brasileiros e residissem no Brasil . de desmandos e de controle político em suas regiões.planalto.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao91. (e consequentemente) poder de voto. Cidadania no Brasil. a Constituição de 1891 definiu o cidadão brasileiro como: 1) todas as pessoas nascidas nos Brasil. os soldados e os membros das ordens religiosas. principalmente da Europa. 29-30. não eram considerados cidadãos’. e os ingleses viam a necessidade de uma sociedade alfabetizada para manter o seu poder. mas como muitos não eram nascidos no Brasil. Muitas fazendas neste período possuiam escolas para seus trabalhadores.” CARVALHO. As políticas econômicas apenas ajudram a piorar a situação das classes menos desfavorecidas.

quando a seta aponta para a sociedade. movimentos sociais começam a se fortalecer e a participar mais freqüentemente das iniciativas do Estado. O rei Luis XIV (1643-1715). estamos olhando uma relação onde o “controle” se dá pelo povo: democracia representativa ou participativa (cidadania ativa). possibilitando. Neste ano. fez a seguinte afirmação: “L’etat c’est moi”. ocorre a proclamação da República. Com os “currais eleitorais” (grupos de eleitores que eram obrigados a votar em um candidato específico pelo fazendeiro). quando olhamos para a seta que vai em direção ao Estado. assim uma democracia plena no país. Trabalhando com uma visão reducionista. na teoria. dentre outros problemas. com apoio popular. temos alguns movimentos por parte do povo e por parte do governo de 1917 a 1937. Neste período temos democracia e ditadura. de duas formas: Neste esquema acima. algo semelhante a uma ditadura. podemos resumir a relação do povo com o seu governo (sociedade e Estado. principalmente. até 1889. mas sim por uma pessoa ou um grupo de pessoas: regimes totalitários ou absolutistas (cidadania passiva). No Brasil. temos um controle que não se dá pelo povo. onde a educação passava a ser cada vez mais difundida para as classes mais pobres. essa relação – controle do povo por uma pessoa se deu. Neste momento temos um novo golpe militar.As cidadanias “ativa” e “passiva“. onde o controle da presidência passava pelas mãos de militares. Neste sentido. para um governo provisório. chamado “voto de cabestro”. O Brasil teve um século de república bastante conturbado. “O Estado sou eu”. Olhando a tebla das páginas 26-27. Um outro fenômeno. No outro caso. da França. . Desde então. respectivamente). o rei se auto declarava senhor absoluto da França (controle do povo por um indivíduo). mas mesmo assim. ou seja. impossibilitava a plena democracia no país. não possibilitavam uma estrtuturação da democracia como a entendemos hoje (citando. a presidência do país se revezava entre os candidatos de dois estados ricos da época: Minas Gerais e São Paulo. Entretanto. vários fenômenos surgiram e impossibilitavam a democracia no país. O primeiro foi a “República da Espada” (1889-1894). Esse período é chamado de “República do Café-com-Leite” (1894-1930). os anos da ditadura militar na segunda matade do século XX).

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