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PEF – 2506 - Projeto de Estruturas Marítimas ESFORÇOS NA PLATAFORMA FIXA

1. Introdução

O principal esforço agente em uma plataforma fixa é aquele advindo do movimento do meio fluido. Devido à complexidade do movimento das partículas d’água, mesmo sem a presença da estrutura, a solução do problema do cálculo dos esforços na tubulação da jaqueta se faz através de coeficiente empíricos. Na figura 1 são mostradas as variáveis importantes na determinação das forças no tubo sujeito à ação de uma onda. As principais grandezas a serem consideradas são:

onda – H, T, L localização – d

onda e corrente – u,

du ( para tubos verticais)

dt

tubo – D, k (rugosidade) água - ρ, ν (viscosidade cinemática, 0,011cm 2 /seg para t=18°C)

cinemática, ≅ 0,011cm 2 /seg para t=18 ° C) Figura 1 Grandezas a considerar no cômputo

Figura 1 Grandezas a considerar no cômputo de esforços hidrodinâmicos

2.

Equação de Morison – Cilindro Vertical

Morison propôs a seguinte formulação para cilindro perpendicular ao fluxo do

fluido:

f

ou para cilindro:

f

onde:

=

f

i

+

f

D

f

= +

i

=

C

M

f

ρ

D

=

π D

C

2

4

M

α

⋅ α

x

x +

+ C D

C

D

1

2

u

u

(1)

ρ

D

u

u

(2)

f i – força inercial por unidade de comprimento. Tem o sentido de α x e é variável

ao longo da altura, pela própria variação de α x

f D – força de arraste por unidade de comprimento. Também variável ao longo da altura.

C

M – coeficiente de inércia

C

D – coeficiente de arraste

ρ - densidade d’água (1,025 ton/m 3 para água salgada) D – diâmetro do tubo

u – velocidade horizontal das partículas do fluido, nesse ponto.Ignora-se em seu cálculo a presença do tubo. Esta velocidade é a composição da onda e corrente marinha α x – aceleração horizontal das partículas do fluido

Para tubos muito grandes a hipótese de “ignorar a presença do tubo no cômputo de u e αααα x ” torna-se menos real. Portanto, a equação de Morison deve possuir um limite para sua utilização.

Recomenda-se utilizar esta equação para ondas onde

D

L

A

< 0,05

onde:

L A – comprimento da onda, considerando-a como sendo de 1 a ordem de Stokes. Para seu cômputo usar a figura 4 do capítulo sobre Teorias de Onda.

Supondo conhecidos coeficientes C D e C M e usemos a equação (2) para um pilar colocado a x=0, sob uma onda de Airy, vem (ver capítulo sobre Teorias de Onda):

u =

HgT

2 L

α

x

=

 

H

 
 

η =

2

cos

cosh (2

π

(

z

+

d

)

⋅ cosh (2 π ( z + d ) L )

L

)

g

cosh (2

π

d

cosh (2 π d H π ⋅ cosh (2 π L ) ( z

H

π

cosh (2

π

L

)

(

z

+

d

)

)

L

)

L

cosh (2

π

d

L cosh (2 π d L )

L

)

2

π

t

T

cos 2

π

t

T

t

sin 2

π

T

(4)

(5)

(6)

introduzindo essas equações em (2) vem

f

D

=

C

D

2 π D  π cos h ( 2 π ( z + d /
2
π
D
π
cos h
(
2
π
(
z
+
d / L
)
)
2
π
t
f
=
C
ρ
g
H
sen
(7)
i
M
4
L cos h
(
2
π d / L
)
T
 
2
(
1
2
g T
cos h
2
π
(
z
+
d / L
)
)
2
π
t
π
t
2
ρ g D H
cos
⋅ cos
  2
2
2
 
cos h
(
2
π
d / L
)
4L
T
 
T
 

(8)

As forças f i e f D variam com t e z . A força f D é máxima para t=0 (crista) e f i para t=T/4 (entre crista e cavado). Ver figura 5 do capítulo sobre Teorias de Onda Para o projeto estrutural de um cilindro isolado (torre, etc.), mais importante que o conhecimento da distribuição de forças é o conhecimento da força total e o momento agente na linha do fundo (figura 2).

M F Figura 2 – Esforços na linha do fundo
M
F
Figura 2 – Esforços na linha do fundo

Integrando as equações (7) e (8) vem:

F

=

n

d

f dz

i

+

n

d

f

D

d

z

= F

i

+

F

D

M =

n

d

(

)

z + d f dz +

i

n

d

Podemos escrever:

F

i

=

(

)

2 + d f

D

dz =M +M

i

C

M

ρ

g

π D

2

4

H K

i

F

D

= C

D

1 ρ g D H
2

2

K

D

D

M

i

= C

M

ρ

g

2

π K

H

D

4

i

d

S

i

=

F d S

i

M

D

= C

D

1

ρ
2

g D H

2

K

D

d S

D

=

F

D

i

d S

D

(9)

(10)

(11)

(12)

(13)

(14)

Se usarmos a teoria de Airy e integrando –d a zero (isto é,ignorando a altura

da onda) vem:

onde

S

D

=

K

i

=

1

2

1

tan

h

2

π

L

d

sin

2 t

2π

T

t

2 t

π

 

K D

=

4

n

cos

π  T 
π
T

cos

T

S

=

1

+

1

cos h

(

2

π

d / L

)

 

1

i

+

1

(2

1

π

d / L) sinh(2

+

1

cos h

π

d / L)

(

4

π

d / L

)

 

2

2n

n

2

=

1

(

4

π

1

+

d / L

)

(

sin h 4

4 d/L

π

π

d / L

)

     

2

(

sinh 4

π

d / L

)

(15)

(16)

(17)

(18)

(19)

O valor de F MAX (e, portanto M MAX ), isto é, (F i +F D ) MAX , a priori não tem uma

posição fixa para ocorrer. Para tubos de alto D, onde as forças de inércia predominam,

existe maior chance de F MAX ocorrer perto de t=T/4 . No caso de plataformas, onde D é

pequeno, e portanto F D predomina, F MAX deve ocorrer na crista, no caso geral

3.

Escolha de C D e C M

A

obtenção

de

C D

e

C M

experimentalmente e de forma inversa:

- faz-se incidir uma onda sobre um pilar

tem

sido

feita,

ao

longo

do

tempo

- a partir da medição da força total no pilar e aplicação da equação de Morison em posições da onda conveniente calcular-se f i e f D e portanto C M e C D Isto é feito para várias ondas, pilares, etc. de forma a cobrir uma gama de parâmetros. Importante notar que os valores de C M e C D estão ligados à teoria de onda escolhida.

Sarpkaya usou, ao invés do procedimento acima, um fluxo oscilatório d’água incidente no pilar. Através de seus experimentos apresentou as curvas mostradas da

figura 3 a 6,

R

e

u D

=

ν

;

K =

u

MAX

T

D

.

- Na figura 3 apresenta-se o valor de C d como função de R e (n o de Reynolds) e K (n o de Keulegan – Carpenter), para cilindros sem rugosidade.

- Na figura 4 idem para C M .

Para cilindros com rugosidade as curvas da figura 3 e 4 sofreriam alterações, gerando infinitas curvas, pois aí os coeficientes C d e C M são função de R e , K e k/D

-

Na figura 5 apresenta-se o valor de C d como função de R e (n o de Reynolds) e k/D (rugosidade relativa), para um valor fixo de K=50. Como pode ser visto na figura 3, esta curva pode ser usada entre 30<K<60 com boa precisão, ou numa faixa maior caso possa-se trabalhar com precisão menor.

Figura 3 – Cilindros lisos Figura 4 – Cilindros lisos

Figura 3 – Cilindros lisos

Figura 3 – Cilindros lisos Figura 4 – Cilindros lisos

Figura 4 – Cilindros lisos

Figura 5 Figura 6

Figura 5

Figura 5 Figura 6

Figura 6

-

Na figura 6 idem para C M .

As seguintes conclusões são de interesse:

- Da observação da figura 3 conclui-se que acima de certo n o de R e C d não depende muito de K. Isto também acontece para C M (figura 4)

- Da observação das figuras 5 e 6 observa-se que valores baixos de n o de R e , C d e C M independem da rugosidade (“região sub crítica”), pois não há “turbulência”.

- Há uma região de transição, a partir da qual C d e C M independem do n o R e .

A velocidade do fluido varia instante a instante e, em princípio, o valor instantâneo do n o de R e deve ser usado, para calcular os coeficientes C d e C M e aplicação da equação de Morison. No entanto, em geral, a imprecisão com que C d e C M foram determinados, não justifica tal procedimento e usa-se um R e constante em todo o processo, igual a R e =u MAX D / ν . Para projeto, na falta de melhores dados, usar o cilindro sem rugosidade (smooth) ou com k/D = 1/100 .

4. Forças Transversais

Em adição às forças de arraste e inércia que ocorrem na direção do fluxo da onda ou corrente marinha, forças transversais podem ocorrer (figura 7), perpendiculares ao fluxo.

u

FL

u F L
u F L

Figura 7 – Força transversal

São resultantes dos vórtices gerados pela passagem do fluido e variam de um lado para outro do tubo, causando uma oscilação lateral do tubo. Esta força tem uma freqüência de oscilação duas ou mais vezes a freqüência da onda (figura 8).

FL 200 FL Posição da Onda 100 0 f L - frequência de FL -100
FL
200
FL
Posição da Onda
100
0
f L - frequência de FL
-100
f
- frequência da onda
-200
π

Figura 8 – Posição relativa entre F L e a onda (exemplo para f L =2.f)

A frequência da força F L é dada na figura 9, por Sarpkaya.

da força F L é dada na figura 9, por Sarpkaya. K = u MAX ⋅

K =

u

MAX

T

D

⋅ D MAX R = u e ν f = f f R L
⋅ D
MAX
R
= u
e
ν
f
=
f
f
R
L

Figura 9 – Freqüência em F L

Na figura 9 tem-se :

u MAX – velocidade máxima da partícula f L – freqüência da força F L f – freqüência da onda (1/T)

Pode-se considerar que um pico de máximo F L ocorre na crista (i.e., juntamente com F D máximo), figura 10.

FL

FL η Ex: f r = 4
FL
η
Ex: f r = 4

Figura 10 – F L MAX na crista

A força F L MAX é dada por:

F

L

MAX

=

C

L

1

2

ρ D u

2

MAX

(20)

Os valores de C L podem ser tirados da Figura 11 dada por Sarpkaya

Figura 11 – Valores de C L Para K<3, não existe F L , devido

Figura 11 – Valores de C L

Para K<3, não existe F L , devido à inexistência de turbulência.