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DIREITO PENAL I BIBLIOGRAFIA : DAMÁSIO, Bittencourt. Manual de Direito Penal. Vol. 1. SÃO PAULO

DIREITO PENAL I

BIBLIOGRAFIA : DAMÁSIO, Bittencourt. Manual de Direito Penal. Vol. 1. SÃO PAULO :

MIRABETTI.

 

No primeiro período da história o homem atribuiam aos Deuses os infortúnios da vida.

O

homem adorava aos deuses e os infortúnios da vida eram compensados com ofertas

aos Deuses. As infrações cometidas pelo homem eram punidas as vezes com a morte de toda família. Os homens acreditavam que o mal cometido por um membro da família sobrecaia sobre todos os seus membros. Lei de Talião : O homem passou acreditar que os crimes cometidos por um homem deveriam ter punição da mesma forma que o crime cometido. A evolução do Direito foi gradativa e lenta.

Na idade média, após o Iluminismo o Direito avançou de maneira mais humana. Por meio de Cesari Beccaria, Dos Delitos e das Penas, surgiram os principíos básicos do Direito Penal, principalmente em relação a pena. No Brasil, logo após sua descoberta, os portugueses encontraram nos grupos indígenas o Direito costumeiro. Não haviam regras pré – definidas de forma geral e organizada. Cada grupo indígena adotava os seus próprios princípios. No Brasil todo o Direito iniciou com as idéias importadas. Começando pelas Ordenações Filipinas (código extremamente rígido que possuía inclusive a pena de morte).

Por volta de 1822 (Proclamação da Independência) se estabeleceu a primeira Constituição Brasileira que exigia a criação de um Código penal. Em 1830 surgiu então o Código Criminal do Império; tendo adotado a Pena de Morte; existia uma proteção especial para os menores de 14 anos e uma série de atenuantes.

Em 1890 surgiu o Código Penal Evolui em relação ao anterior abolindo a pena de Morte e deu caráter mais humano a Pena. Contudo, os crimes não eram bem sistematizados neste código sofrendo várias críticas.

Consolidação das Leis Penais Substituiu o Código penal de 1890 e em 1942 foi finalmente constituído o Código penal que vigora até os dias atuais.

O Código Penal atual necessita de um avanço para alcançar uma série de comportamentos da sociedade civil atual que não são contempladas, pois, o código reflete a realidade da época, não tendo acompanhado a evolução da sociedade. Em 1969 aprovou-se um novo Código Penal que mesmo antes de entrar em vigor ele foi revogado.

Várias tentativas foram feitas para alterar o Código. Em 1984 foi aprovado a lei 7.209 que alterou substancialmente a parte especial do Código. A prisão preventiva compulsória foi afastada do Código. Os crimes em que a pena máxima fosse igual ou inferior a um ano como exemplo, seriam transformadas em sanções diversas, tal como a prestação pecuniária e não mais a perda de liberdade. Miséria, distribuição de renda, problemas sociais, são produtores de marginalidade. E

o Estado ao invés de buscar soluções para tais problemas procura cada vez mais criar Leis e novos métodos para coibirem, para reprimirem a criminalidade.

Conceito de Direito Penal : A vida em sociedade é que passa a exigir a criação de regras para regular a vida desta mesma sociedade. Daí surge o Direito Positivo, o

Direito Penal como a reunião das normas jurídicas pelas quais o Estado proíbe determinadas condutas

Direito Penal como a reunião das normas jurídicas pelas quais o Estado proíbe determinadas condutas sob a ameaça de sanção penal, estabelece ainda os princípios de ( ) No Direito Brasileiro os loucos são considerados ininputáveis, não há Lei privativa de liberdade que os possa imputar.

A finalidade do Direito Penal é a proteção do indivíduo. O homicídio é o crime mais grave que existe no Direito penal. A vida é o patrimônio mais importante para o Direito Brasileiro. (Tão importante que nem mesmo com o consentimento da pessoa a morte é permitida).

Fontes do Direito Penal Subdividem-se em Fontes Materiais e Fontes Formais.

Fonte Material De onde se origina, onde o Direito Penal é produzido. De acordo com a CF é princípio que somente a União pode legislar em matéria Penal.

Fontes Formais Através do qual o Direito se manifesta, se exterioriza.

Fontes Formais Diretas estabelecer penas.

somente a Lei pode

Princípio da reserva legal

Fontes Formais Indiretas Os princípios gerais do direito, os costumes, a doutrina, a jurisprudência.

O costume não pode servir de base para incriminar o indivíduo o costume não cria crime, mas pode impedir inúmeras situações delituosas. O costume pode servir para afastar as condutas que possam ser consideradas delituosas. Determinam uma série de conceitos que variam de lugar para lugar, de região para região. Ex.: Lesão corporal : a sociedade indígena tem o costume de furar os lábios ou a orelha, para os indígenas tal fato não é tratado como lesão corporal. Já um pai de família de um centro urbano pode vir estar cometendo um delito. O conceito de honra, geralmente os costumes que determinam estes conceitos.

O Direito Penal se relaciona com vários ramos de outras ciências : Filosofia do Direito (estabelece princípios lógicos que determinam várias institutos do Direito Penal, como por ex.: delinqüencia, imputabilidade, irresponsabilidade, dolo) , Teoria Geral do Direito (Várias regras determinadas pela Teoria Geral do Direito são aplicadas no Direito Penal.) Sociologia Jurídica (O Direito resolve comportamentos sociais e assim sendo a Sociologia está diretamente ligada ao Direito Penal), Direito Constitucional (Vários artigos da Constituição tratam do Direito Penal, Ex.: o artigo que determina que somente a União pode legislar em matéria penal), Direito Administrativo (Decorre de pessoas vinculadas a administração pública).

O Direito Processual Penal é um ramo autônomo do Direito Penal, é aquele que se prevê as regras de como a ação penal deve ser desenvolver, como a sentença de ser

prolatada. O Direito Processual Civil é aplicado subsidiariamente ao Direito Penal,

São através de suas regras que o Direito

naquilo que não está previsto no Direito Penal

se realiza. A infração pode imputar ao indivíduo uma sanção civil ou uma sanção penal. Um mesmo fato pode gerar ao indivíduo conseqüências civis ou criminais ou civis e criminais. Vários conceitos aplicáveis ao Direito Civil são aplicáveis ao Direito Penal. Ex.: No caso de homicídio o indivíduo responderá criminalmente pelo crime cometido e civilmente numa ação de indenização pelos danos causados a família da vítima.

Aplicação Legal do Código Penal Princípio da Reserva Legal : Art. 1º : Não há crime sem lei anterior que o defina, e não há pena sem prévia cominação legal. Por

esse princípio para que uma conduta seja considerada delituosa tem que existir Lei anterior que

esse princípio para que uma conduta seja considerada delituosa tem que existir Lei anterior que o defina. Desse princípio da reserva legal fica assegurado que uma conduta seja considerada crime, tem que estar prevista na Lei como tal, é o princípio da anterioridade da Lei uma conduta só é considerada como crime se estiver em Lei que o defina anteriormente, se estiver tipificada em Lei (Lei anterior ao fato).

A Lei que define os crimes tem de ser clara, objetiva, para não dar sentido contraditório ou gerar dúvidas em sua interpretação, a descrição da lei com relação a conduta tem que ser a mais completa para que não dificulte sua compreensão. Toda sanção penal possui parâmetros mínimos e máximos para que não fique ao arbítrio do Juiz ou dos julgadores. Existem critérios para que os juizes dêem a sentença, para fixe a pena, não podendo ultrapassar o máximo e nem tão pouco reduzir excessivamente.

Desse princípio da Reserva legal decorrem outros :

1. Intervenção Mínima : O Direito Penal não pode cuidar das coisas de menor valor. A conduta só é contrária a Lei quando estiver prevista na norma. Podem existir muitas situações que ferem um sentimento moral e as vezes legal mas que não chega a constituir crime. Ex.: Dívida. Um indivíduo com um carro desgovernado invade uma casa e derruba o muro; isso não será considerado crime, mas o mesmo responderá apenas pelos danos causados a propriedade.

2. Princípio da Proporcionalidade É aquele em que a sanção deve corresponder ao desvalor da ação. Ex.: Se um indivíduo comete um crime a sanção será a prisão de 6

a 20 anos, se ele pratica lesão corporal a pena é de 3 meses a um ano, porque a

morte é um fato muito mais sério que a lesão. A sanção deve ser proporcional ao delito cometido. Estabelece uma proporção entre o desvalor da ação e a respectiva sanção penal.

3. Princípio da Humanidade A sanção Penal não deve só se basear na retribuição pela agressão praticada mas também deve constituir numa ajuda social visando a recuperação do condenado.

4. Princípio da Culpabilidade Estabelece que ao fixar a Pena o Juiz não pode se basear unicamente no dolo ou na culpa do infrator devendo a Pena ser fixada em razão da própria ação cometida, e não por defeito de caráter do agente (mau caratismo). Pode ocorrer que um cidadão, mau caráter, cometer um crime em legítima defesa, e pode um cidadão de bem, reconhecidamente de bom caráter, cometer um homicídio com requintes de violência. O que não está no processo não está no mundo. O juiz deve se ater aos autos do processo.

Art. 5º da CRFB Estabelece um elenco enorme de princípios que devem ser observados na aplicação do direito penal.

Privação da Liberdade Ninguém será privado de sua liberdade e de seus bens sem

o devido processo legal.

A Lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça a direito.

Aos litigantes em processo judicial ou administrativo e aos acusados de forma geral são assegurados o contraditórios e ampla defesa, todos os meios e recursos a elas inerentes. Nenhuma pessoa pode ser condenada sem a ampla defesa e o contraditório.

Não será considerado julgado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. (Presunção de inocência).

Ninguém será preso se não em flagrante delito.

 A Lei só pode ser aplicada pelo juiz com jurisdição → atribuição e competência.

A Lei só pode ser aplicada pelo juiz com jurisdição atribuição e competência.

Norma Penal É uma Norma de Direito onde o estado manifesta sua vontade definindo a proibição de certas condutas sob a ameaça de sanção. Estas Normas Penais podem também estabelecer princípios gerais do direito e dispor sobre a aplicação e limite das penas.

Norma Penal É a conduta proibida. A conduta de forma positiva é a vontade do estado; na Lei existe a forma positiva e na norma penal a prática proibitiva sob pena de sanção. A lei descreve a conduta positiva : matar, subtrair, lesionar. A vontade do Estado é exatamente o contrário, por isso a norma penal é a norma de direito através da qual o estado manifesta a proibição da prática de determinadas condutas sob ameaça da sanção penal.

A Lei Penal não é só o Código Penal, existem muitas outras leis que são penais. Existem leis de ordem puramente penal e existem outras leis que as vezes são basicamente de ordem civil mas que contêm regras de direito penal.

Ex.: Lei de Entorpecentes : lei eminentemente penal mas com alguns princípios da lei civil. Lei de alimentos : é parte do Direito Civil e com alguns dispositivos penais. Lei de Imprensa, Lei das contravenções penais.

O Código Penal é apenas uma das leis penais, inúmeros são os diplomas que contêm regras de direito penal.

A Lei Penal é a mais importante de um ordenamento jurídico porque protege os valores de maior importância. Protege os bens mais importantes do indivíduo e as agressões aos bens jurídicos mais importantes. A norma penal é composta de duas partes :

1.

Comando Principal ou preceito primário

2.

Sanção ou preceito secundário.

Comando Principal é a descrição da conduta criminosa feita pela Lei.

A sanção é a pena aplicável ao infrator do preceito primário.

Ex.:

Art. 121 Matar alguém Comando principal. Pena 6 a 20 anos Comando secundário Sanção

A lei Penal apresenta algumas características :

1. Imperativa Todos que a contrariam seus preceitos primários são submetidos a sanção nela prevista.

2. Geral Porque destina-se a todos, mesmo aos ininputáveis, que são sujeitos a medidas de segurança.

3. Impessoal Não se refere a pessoas determinadas.

4. Exclusiva Porque somente ela pode definir crimes e as respectivas sanções.

5. Regula fatos futuros Porque a Lei só aplica a fatos futuros. Só se aplica a fatos pretéritos quando beneficiar o réu.

CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS PENAIS.

1. Norma Penal incriminadora A norma penal incriminadora é a que descreve a conduta criminosa e estabelece a pena. Estão no código penal em quase todos os artigos da parte especial, a partir do artigo 121.

2. Norma Penal não incriminadora → A norma penal não incriminadora se subdividem em norma

2. Norma

Penal

não

incriminadora

A

norma

penal

não

incriminadora

se

subdividem em norma penal explicativa e norma penal permissiva.

Art. 23 Não há crime quando o réu pratica um ato por legítima defesa, em estado de necessidade, no cumprimento do dever, são normas permissivas. Ex.: Art. 128 Aborto não é crime praticado pelo médico quando para salvar a vida da gestante.

As normas explicativas é quando fornece elementos para esclarecer o conteúdo das outras normas. Ex.: Art. 150 crime de violação de domicílio : entrar ou permanecer clandestino ou astuciosamente ou contra vontade expressa ou tácita a quem de direito em casa alheia ou em suas dependências. § 4º : A expressão casa compreende qualquer compartimento habitado, aposento ocupado de habitação coletiva, compartimento não aberto ao público onde alguém exerce profissão ou atividade . § 5º : Não se compreende instalação casa, hospedaria, estalagem, taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero. Os dois parágrafos explicam o que significa casa para efeito do art. 150. Art. 327 Considera-se funcionário público para efeitos penais quem embora transitoriamente embora sem remuneração exerce cargo, emprego ou função pública. Art. 63 Explica o que seja reincidência.

As normas não incriminadoras estabelecem princípios gerais e dispõem sob formas e meios de aplicação da pena, vários dispositivos que definem como o juiz deve aplicar as penas, o que deve ser considerado, quais os agravantes, quais os atenuantes.

Existem também algumas normas penais classificadas como gerais ou especiais, ordinárias ou excepcionais :

Gerais vigoram em todo território nacional.

Especiais Aquelas que se destinam a determinadas regiões.

Ordinárias são aquelas que vigoram em qualquer situação.

Excepcionais aplicáveis em situação emergencial, em tempo determinado.

Extraordinárias em tempo determinado, situações determinadas. (Ex.: estado de sítio, calamidade.)

Norma Penal em Branco : Existem algumas normas penais que encontram-se incompletas e dependem de outra norma jurídica para completar o seu conteúdo. Pode estar prevista na própria Lei ou em outro diploma legal. Ex.: Existe na Lei Penal : Deixar o médico de comunicar as doenças de notificação compulsória. Quais são as doenças de notificação compulsória ? Existe um Decreto Federal que completa a norma penal descrevendo quais são estas doenças. Crimes previstos na lei de entorpecentes, Art. 16 substâncias que causam dependência física ou psíquica um decreto federal determina quais são estas substâncias. Art. 12 Ter em depósito ou vender substância entorpecente que provocam dependência química ou psíquica. Estas normas são completadas por outras.

Norma Penal em Branco Contextual : Quando é completada por um próprio dispositivo da lei penal. Ex.: É crime trazer consigo documento particular. Considera- se documento particular todos aqueles tratados em outros artigos já previstos no próprio código.

Extratividade = Ultratividade e Retroatividade quando a Lei sofre modificações diz-se que a Lei é extrativa, é a extratividade da Lei que ora se movimento retroagindo, ora permanecendo válida mesmo após ter sido revogada. A ultratividade

da Lei diz quando a Lei mesmo revogada se aplica a fatos ocorridos anteriormente. E

da Lei diz quando a Lei mesmo revogada se aplica a fatos ocorridos anteriormente. E a Retroatividade é quando Lei nova surge retroagindo para alcançar o fato ocorrido anteriormente. Portanto, estas situações ocorrem quando depois da ocorrência de determinados fatos Leis diferentes surgem

 

Retroatividade da Lei Benigna Ultratividade da Lei mais Benigna Novatio Legis Incriminadora Abolitio Criminis Novatio Legis in Pejus Novatio Legis in Melius

Retroatividade quando a Lei retroage para beneficiar.

Ultratividade quando a Lei posterior prejudica o réu ficará prevalecendo a lei anterior.

A retroatividade é o fenômeno pelo qual a norma jurídica é aplicável antes do início de sua vigência. E a ultratividade é a aplicação dela mesmo após a sua revogação.

Art. 2º - Ninguém poderá ser punido por fato que lei posterior deixar de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da sentença

condenatória. § Único – A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória

transitado em julgado. A retroatividade aplica-se mesmo que o fato já esteja julgado, mesmo com sentença condenatória. Se o reú já esteja cumprindo a sua pena e surge uma lei que o favoreça reduzindo sua pena, a este poderá ser aplicado esta nova lei mais benéfica.

Extratividade é a capacidade que a Lei tem de retroagir para atingir um fato ou ainda mesmo revogada continuar sendo aplicada.

Novatio Legis Incriminadora : Abolitio Criminis. Nova Lei que cria tipo penal :

Exclusão do crime A Lei nova descaracteriza situações que antes era previsto como crime. A Lei nova afasta conduta que antes era previsto como crime.

Novatio Legisl em Pejus : Novatio Legis In Melius. É quando a nova Lei é prejudicial ao agente e não pode ser aplicada. Decorre do princípio da reserva legal.

Abolitio Criminilis se aplica a qualquer tempo antes de terminada a execução da pena, atinge todos os efeitos do crime; pessoa voltará a condição de primário, bom antecedentes, só não afasta conseqüências de ordem civil.

Novatio Legis In Melius Aplica-se o princípio da irretroatividade da lei. Se várias Leis surgirem em meio a um processo judicial será aplicada a Lei mais benéfica, a mais benévola.

Quando Lei Excepcional, a de prazo determinado, esta permanece prevalecendo até mesmo após a sua revogação. Art. 3º - C.P. A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante a sua vigência.

Teorias do Tempo do Crime :

1.

Atividade.

2.

Resultado.

3. Mista. Várias situações surgem e torna-se necessário se determinar o tempo para os efeitos

3. Mista.

Várias situações surgem e torna-se necessário se determinar o tempo para os efeitos penais. O crime se considera onde o resultado dele se consumar. O tempo do crime vai determinar a competência, a anistia, a prescrição, entre outros. Essas teorias são resultados da doutrina penal. A teoria Penal estuda e apresenta estas três teorias para explicar tempo do crime.

Ex.: Uma pessoa com 17 anos e 11 meses : Imputável ou não ? Se o tempo do crime, ou o fato ocorrido foi quando ele ainda não tinha 18 anos ele será considerado ininputável.

Atividade Momento do crime ou da conduta. Ação ou omissão.

Resultado Afirma que o tempo do crime é quando ele se consumou. Quando ocorre o resultado. (no crime de homicídio : a morte)

Mista Considera o tempo do crime tanto o momento da conduta quanto o resultado.

Encontra-se no artigo 4º da Lei Penal estabelecendo como a teoria da atividade :

Art. 4º CP Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.

Lei Penal no Espaço.

1.

Territorialidade

2.

Nacionalidade

3.

Proteção

4.

Competência Universal

5.

Representação

Com relação a Lei Penal no espaço destina-se a determinar os conflitos das Leis entre os países diferentes e a sua aplicação.

Em princípio a territorialidade é aplicada na Lei Penal Brasileira. Aplica-se aos fatos ocorridos dentro do território brasileiro.

Territorialidade A Lei é aplicável nos fatos ocorridos num determinado País, no Brasil, Lei Penal Nacional.

Nacionalidade A Lei aplicada deve ser a lei de origem do autor do fato, não se considerando o local onde tenha ocorrido o fato leve em conta a nacionalidade do agente.

Proteção Aplica-se a Lei do País ao fato que atinge um bem jurídico nacional. Sem levar em conta a nacionalidade ou o local onde foi aplicado. Ex.: Um estrangeiro falsifica a moeda nacional, este crime será julgado pelas leis brasileiras.

Competência Universal O autor de um crime deve ser julgado e punido pela Lei do País onde for encontrado.

Representação Aplica-se a Lei do País quando por deficiência legislativa ou desinteresse de outro que devia reprimir o crime este não o faz dizendo respeito aos crimes cometidos em aeronaves ou embarcações.

Art. 5º - CP → Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízos de convenções, tratados e

Art. 5º - CP Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízos de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional. Todo crime praticado no território nacional deve ser apurado e punido segundo a Lei brasileira, sem desconsiderar os tratados internacionais, convenções e princípios gerais. Basicamente é a aplicação ao princípio de territorialidade.

Conceito de Território para aplicação da Lei Brasileira : Território em sentido material abrange o solo e o subsolo sem interrupção e com limites reconhecidos, as águas interiores, o mar territorial, a plataforma continental e o espaço aéreo.

Lei 8.617 Art. 2º - Estende-se ao mar territorial ao espaço aéreo sobrejacente, e ao solo e sub - solo.

Mar, toda a área do subsolo do mar territorial e o espaço aéreo sobrejacente.

Mar territorial 12 milhas marítimas a dentro do oceano considerando como território brasileiro. Manteve-se as 200 milhas brasileiras somente para efeitos econômicos.

Em auto mar a Lei aplicável é a bandeira, desde que não alcance também o mar territorial de outro país ou espaço aéreo.

Para determinar este espaço aéreo existem também três teorias :

1. Teoria absoluta liberdade do ar : todo espaço aéreo não deve ser de domínio de nenhum país, devendo ser usado por todos os países. 2. Soberania até os prédio mais elevados ou ao alcance das baterias anti – aéreas.

3. Teoria sobre a soberania coluna atmosférica sobre o país sobrejacente : uma linha imaginária sobre as 12 milhas. É a teoria aplicada pelo Direito Brasileiro.

Exceções as Teorias : Extraterritorialidade

Art. 5º, §1º Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território

nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do

governo

embarcações

respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto mar.

mercantes

como

as

brasileiro

onde

quer

que

se

ou

encontrem, bem

de

propriedade

as aeronaves

e

brasileiras,

privada,

que

se

achem,

Art. 7º, caput : Ficam sujeitos à lei brasileira embora cometidos no estrangeiro :

extraterritorialidade incondicionada porque não prevê a Lei nenhuma condição para que sejam punidos pela Lei Brasileira : I – Os crimes : a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estados, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de

economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; c) contra a

administração pública, por quem está a seu serviço; d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil.

O parágrafo 2º Trata-se de extraterritorialidade condicionada, porque determina as condições para aplicação da Lei : §2º - Nos casos do Inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições : a) entrar o agente em território nacional; b) ser fato punível também no país em que foi praticado; c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; d) não Ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; e) não Ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável.

  PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO :  A sentença condenatória estrangeira para efeitos reicindência, não
 

PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO :

A sentença condenatória estrangeira para efeitos reicindência, não exigirá maiores formalidades, bastando que seja apresentada ao Juiz uma certidão traduzida. Para efeitos civis, esta sentença penal estrangeira terá de ser homologada pelo STF.

Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo

mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada quando idênticas.

No caso da pena : se forem da mesma espécie elas se compensam e se forem de espécies diferentes servem para amenizar. Não pode haver 2 penas para o mesmo crime.

O LUGAR DO CRIME aplica-se as mesmas teorias da atividade, do resultado ou da mista.

Art. 6º - CP Considera-se praticado o crime lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. Adotou a teoria mista ou da biovidade.

 

INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL a busca pelo sentido das palavras. Usa-se de vários recursos a fim de que se encontre o verdadeiro sentido da Lei. Existem critérios para se interpretar as Leis.

 

Antes

do

Iluminismo

a

interpretação

das

leis

eram

feita

de

acordo

com

o

 

entendimento

de

cada

um,

sem

critérios,

sem

princípios,

ensejando

arbítrio

dos

julgadores.

A

partir

desta

fase

do

Iluminismo

foram

desenvolvendo

sistemas

de

interpretação.

Interpretação é buscar o verdadeiro sentido da lei o intérprete é o mediador entre o que está escrito na Lei e a vontade dela existem ciências que cuidam da interpretação hermenêutica ou exegese, ciências ou métodos que se preocupam com a interpretação das Leis.

Hermenêuta ou Exegeta Pessoas que estudam a interpretação da leis.

Espécies Quanto ao sujeito : autêntica, doutrinária, judicial e jurisprudencial.

Quanto ao sujeito que realiza a interpretação :

Autêntica : Realizada pelo próprio órgão de elaboração da lei. A própria Lei dá a interpretação, somente a Lei ou quem a realiza pode realizar a interpretação. Ex.:

quando a Lei conceitua o que é funcionário público, quando conceitua o que é réu reincidente, quando conceitua o que é casa para efeitos penais trata-se de interpretação autêntica contextual conceitos textuais quando está na própria Lei.

Doutrinária : Feita pelos doutores, pelos jurisconcultos, é a mais simples, são as obras que interpretam as Leis, os códigos. Ex.: Paulo Dourado Gusmão, Paulo Náder, Damásio, Sérgio Cavalieri Filho, entre outros.

Judicial : É a interpretação elaborada pelos juizes quando da aplicação da ao caso concreto.

Jurisprudencial : É a emanada dos tribunais através de suas decisões constantes sob determinado assunto legal. Quando os tribunais apreciando um determinado tema e decidem de uma mesma forma a questão reiteradas vezes , passam a constituir as súmulas. As decisões do tribunais de forma constante sobre determinado tema.

A única interpretação que possui caráter obrigatório é a autêntica, a que emana do texto

A única interpretação que possui caráter obrigatório é a autêntica, a que emana do texto da Lei. As demais não possuem efeito vinculante, as posições do supremo através de súmulas não possuem ainda caráter obrigatório.

Quanto ao meio empregado :

Gramatical : É feita através de recurso do próprio vernáculo, da própria função gramatical, do sentido gramatical da palavra. Muitas palavras no Direito penal podem ter sentidos diferentes. Ex.: Invenção : Inventar é criar alguma coisa, e em direito penal, invenção é achar. , Citação : citar é mencionar alguém, em direito penal, tem o sentido de comunicar para responder, Fútil : Insignificante, em vão, em direito penal, motivo fútil é a desproporção entre a provocação e a reação, tornando o crime muito mais grave.

Interpretação Lógica : É feito recorrendo-se ao sistema do código, o que pretende o legislador regular com àquela Lei, o conjunto da norma instituída. Ex.: Artigos que definem as formas qualificadas. É necessário se analisar todo o conteúdo anterior ao capítulo. Art. 223 Se dá violência resulta lesão corporal de natureza grave : Pena — reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. O artigo lido separadamente não tem significado. Mas este artigo vai se referir a todos os demais dispositivos : Art. 224 – Presume-se a violência, se a vítima : a) não é maior de 14 (catorze) anos; b) é alienada ou débil mental, e o agente conhecia esta circunstância; c) não pode, por qualquer outra causa, oferecer resistência.

Teleológica : Visa o fim pretendido pela Lei. Muitas das vezes quando não se consegue interpretar pelo meio gramatical ou lógico, torna-se necessário identificar o que o legislador quis ao constituir uma determinada norma Vis – legis : O fim. Busca-se até mesmo a exposição de motivos do legislador.

Quanto ao Resultado :

Declarativa : Ocorre quando o texto da Lei não é ampliado e nem restringido

buscando-se apenas o significado oculto do termo ou expressão utilizado pela Lei. Em várias passagens o C.P. afirma que : quando o crime é praticado por duas ou

mais pessoas

Duas ou mais pessoas são várias pessoas ? Em princípio duas

pessoas são várias pessoas, mas no Direito Penal não o é, quando a lei diz duas pessoas ela diz expressamente duas pessoas, portanto, entende-se que várias

pessoas serão mais de 3 pessoas.

Restritiva : Ocorre quando tem que se reduzir o alcance da Lei para encontrar o seu exato sentido. Tem várias disposições no Código Penal que generalizam e outros dispositivos tratam destas normas generalizadas pelo C.P.

Ex.:

Art. 332 : (tráfico de influência, abrangente, geral.) Art. 357, exploração de prestígio especifica alguns tipos de funcionário público.

Art. 28, Inciso II não diz que tipo de embriaguez (alcoólatra, patalógico, fortuita) – é abrangente, geral. Art. 26 Define como ininputável o doente mental. A embriaguez do Art. 28 pode-se deduzir àquela que não decorre de condições patalógicas.

 Extensiva : Ocorre quando se precisa ampliar o sentido ou o alcance da Lei.

Extensiva : Ocorre quando se precisa ampliar o sentido ou o alcance da Lei. Ex.:

Bigamia Poligamia : O CP condena pelo crime de bigamia, assim o sendo, deduz- se que também o fará no caso de Poligamia. Art. 235 — Contrair alguém, sendo casado, novo casamento. A Lei não fala em poligamia.

Interpretação Progressiva As transformações sociais, políticas, científicas para obter o alcance da Lei. Ex.: o perigo de vida em 1940 tinha um alcance, nos dias atuais é menor e mais raro. Doença mental, conceitos de honra, sedução.

Interpretação Analógica : Parte de algumas situações definidas para alcançar a generalidade, para alcançar situações semelhantes. Ex.: Art. 121 Matar alguém :

Inciso I : mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; Inciso III com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum.

ELEMENTOS DE INTERPRETAÇÃO Pode-se recorrer a vários elementos para se buscar o sentido da Lei, a vontade da Lei : sistemático, rubrica, legislação comparada, conceitos extras jurídicos, história da Lei.

1. Sistemático Lógico, buscar dentro do sistema da Lei, na forma da Lei. A lei é dividida em Títulos, Capítulos, Seções, parágrafos. A forma de interpretação sistemática recorre-se a este sistema.

2. Rubrica : Nome do delito : é importante a rubrica para entender o alcance do tipo penal. Ex.; Art. 152 Abusar da condição de sócio ou empregado de estabelecimento comercial ou industrial para, no todo ou em parte, desviar, sonegar, subtrair ou suprimir correspondência, ou revelar a estranhos o seu conteúdo. Fala em suprimir correspondência : pela rubrica o crime só será tipificado para correspondência comercial. Para correspondência particular temos o Art. 153 — Divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou de correspondência confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa produzir dano a outrem.

3. Legislação Comparada : Exame da legislação da Lei pátria com a de outros países que a influenciaram possibilitando melhor interpretação do feito legal. Ex.: O código civil brasileiro possui muita influência do código civil francês. O código de processo Civil foi muito influenciado pelo Código Civil Alemão.

4. Extras Jurídicos : Podem ser científicos, filosóficos, políticos, técnicos e que serão utilizados para descobrir a vontade exata da Lei. Ex.: O conceito de veneno : química. O conceito de doente Mental : Psiquiatria. O conceito de asfixia : pela medicina.

5. História da Lei : Todos os elementos que foram usados no processo de elaboração da lei para levar o interprete desde o processo de sua elaboração, justificativas, emendas, material legislativo.

Toda lei de maior alcance vem acompanhada de justificativas ou exposições de motivo. No ante – projeto segue sempre com tais exposições e submetidos a votação e as alterações do texto original. Estas servem de auxílio na interpretação da lei.

CONCEITO DE CRIME Não há no código nenhuma conceituação de crime, ao elaborar o código penal preferiu o legislador que esse encargo ficasse para a doutrina. Os doutrinadores resolveram estabelecer critérios. Não há como se definir de uma única maneira o crime e passou a ser definido pelo seu aspecto externo, ou seja, o efeito que o crime externamente apresenta, denominando-se como conceito formal e analisando a

natureza do fenômeno decorrente do crime, a natureza do bem jurídico afetado, estabeleceram um conceito

natureza do fenômeno decorrente do crime, a natureza do bem jurídico afetado, estabeleceram um conceito que denominaram conceito material, e partindo dos elementos que se compõem o crime partiram para um conceito que foi denominado analítico

Aspecto Formal Pode o crime ser definido como toda ação ou omissão proibida pela Lei sob ameaça de sanção. Este conceito é um conceito superficial

Conceito Material É aquele que busca definir o crime tendo em vista o bem protegido pela Lei. A conduta humana que lesa ou expõe a perigo um bem jurídico protegido pela Lei Penal.

Conceito Analítico Baseado nos elementos que se compõem o crime, em princípio conceituava-se o crime como toda conduta anti – jurídica, típica, culpável e punível. Com evolução do estudo do direito e tendo em vista outras teorias a respeito da ação, esse conceito foi se modificando, porque chegaram a conclusão de que alguns desses elementos em princípio não eram realmente elementos, mas sim, questões que estavam ligadas ao crime mas que não chegavam a alterar a essência do crime. Ex.: O elemento punível : para o doutrinador não existiria crime sem punibilidade, no entanto, várias situações existem em que o crime ocorre e não há possibilidade de aplicar a pulnibilidade.

Punibilidade : Várias situações se apresentam em que o crime ocorre, contudo, não haverá possibilidade de se atribuir uma sanção : Ex.: Um crime de furto praticado por um filho contra o pai. Art.181 É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em prejuízo : I – do cônjuge, na constância da sociedade conjugal; II – de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural. Portanto, embora neste caso o crime de furto estaria tipificado, perfeito, a conduta anti – jurídica, prevista no artigo 155, só que não vai se aplicar a pena porque existe uma escusa absolutória prevista no art. 181.

Causas de extinção da punibilidade : Existem várias situações além dessas em que o crime se apresenta perfeito e a pena não é aplicável, são as causas de extinção da punibilidade : Art. 107 : Extingue-se a punibilidade : I – pela morte do agente; II – pela anistia, graça ou indulto; III - pela retroatividade de lei que não mais considera crime o fato como criminoso; IV – pela prescrição, decadência ou perempção; V – pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação privada; VI – pela retratação do agente, nos casos em que a lei admite; VII – pelo casamento do agente com a vítima, nos crimes contra os costumes, definidos no capítulos I, II, e III do Título VI da parte especial deste código; (

Punibilidade, portanto, não é elemento do crime é um pressuposto da aplicação da pena. A possibilidade de aplicar-se a pena.

Culpável Culpabilidade A culpabilidade dizia-se também que era elemento do crime, tal como, na punibilidade, em várias situações o crime se aperfeiçoa com todos os seus elementos e a culpabilidade afasta o juízo de reprovação, e portanto, não estará o autor da ação a sanção penal. Ex.: São várias as situações previstas no Código, uma delas é a coação moral irresistível, quando uma pessoa pratica uma conduta mediante uma coação moral irresistível ela não está praticando a conduta livremente, estará com sua vontade viciada. Ela pratica a conduta com todas as suas conseqüências só que não poderá ser submetida a sanção penal em razão do vício que incide sobre sua vontade.

Conclusão : Punibilidade e culpabilidade não poderão ser tidas como elementos do crime, ficando o

Conclusão : Punibilidade e culpabilidade não poderão ser tidas como elementos do crime, ficando o conceito na sua forma analítica como sendo o fato sendo o fato típico e anti – jurídico.

Definição de culpabilidade : A culpabilidade consiste na reprovabilidade ou sensurabilidade de conduta, é um juízo de reprovação. Juízo de reprovação sobre o comportamento do indivíduo.

CARACTERÍSTICAS DO CRIME Para que exista um crime é necessário que o indivíduo pratique uma conduta (ação ou omissão), sendo necessário que a conduta seja típica, ou seja, que esteja descrita como infração penal na lei. E por fim, tem que ser anti – jurídica, que é contrário ao direito, não estando amparada por causa excludente de antijurisdicidade. Ex.: Causas de exclusão de ilicitude : Art. 23 do CP : Não há crime quando o agente pratica o fato : I – em estado de necessidade; II – em legítima defesa; III – em estrito cumprimento do dever legal ou no exercício regular do direito.

As características do crime sob o aspecto analítico são a tipicidade e a anti – jurisdicidade.

Tipicidade é quando há uma adequação perfeita entre um fato concreto e a descrição contida na Lei. Ex.: Expor ou abandonar recém – nascido para ocultar desonra própria. A conduta para ser típica ela tem que se enquadrar perfeitamente na descrição da lei.

Fato Típico É o comportamento humano (positivo ou negativo) que em regra provoca um resultado e é previsto como infração penal. Comportamento humano, ação ou omissão que em regra provoca um resultado e que está descrito na lei. Nem sempre um crime produz resultado, por ex., um crime de tentativa de homicídio ele não produz resultado e não deixa de ser crime. Em regra o fato típico produz resultado mas não é indispensável esse resultado para a existência do crime.

Fato Anti – Jurídico É o que contraria o ordenamento jurídico. Qualquer fato que contraria o ordenamento, a lei. A anti – jurisdicidade sob o aspecto penal é a contrariedade entre o fato típico praticado e o ordenamento jurídico. O fato típico só encontramos na Lei Penal.

REQUISITOS, ELEMENTOS E CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME

Requisitos Genéricos do crime são a tipicidade e a anti – jurisdicidade.

Requisitos específicos do crime são os elementos, elementares ou circunstanciais.

Elementos Objetivos : Descrição Objetivo : A descrição objetiva do tipo.

Elementos O verbo constitui o elementos principal de qualquer tipo penal, porque ele descreve a conduta, tanto positiva, quanto negativa, é o núcleo do tipo porque é nele que se está a determinação do comportamento do autor.

Além do verbo são considerados também considerados elementos do tipo as partes que integram a relação jurídica, o sujeito ativo que é o autor, aquele que realiza o comportamento, e sujeito passivo que é o titular do bem jurídico violado pelo comportamento.

∑ Existem outros elementos que se apresentam junto ao crime que são denominados : elementos

Existem outros elementos que se apresentam junto ao crime que são denominados :

elementos subjetivos e normativos.

Subjetivos Consistem exatamente na motivação, podem ser o dolo, através do comportamento visando um fim, ou dolo eventual que quando o indivíduo age embora não querendo o resultado age no sentido de obtê-lo.

Normativos São elementos que não estão diretamente declarados no tipo penal, mas quer dizer do fim que levou aquele indivíduo a praticar aquele comportamento. Ex.:

Quando uma pessoa rapta uma pessoa para praticar fim, atos sexual, ato libidinoso, ele comete um determinado crime, e quando o faz para obter vantagem econômica o crime já passa a ser de seqüestro ou cárcere privado de acordo com sua natureza.

CIRCUNSTÂNCIAS DO CRIME São dados que estão à volta do crime. Dados que circundam o crime, aqueles que estão agregados a figura típica fundamental do crime, que tem a finalidade de aumentar ou diminuir, suas conseqüências jurídicas principalmente no que se refere a pena.

Circunstâncias agravantes e atenuantes : Circunstâncias agravantes são aquelas que interferem para elevar a pena e atenuantes as que tornam a pena atenuada, reduzidas. Todo crime praticado por pessoa menor de 21 anos ou maior de 70 pode ser atenuada. A reincidência é uma circunstância agravante do crime a quem já tenha sido condenado por outro.

TIPO PENAL O Tipo Penal é a descrição concreta da conduta proibida, ou seja, do conteúdo ou da matéria da norma. Quando se fala em tipo penal é a norma penal incriminadora.

Conduta Típica : A conduta típica é aquela que se adequa, que se aperfeiçoa a descrição da lei, ao dispositivo contido na lei.

Elementos do Fato Típico : São elementos do Fato Típico, a conduta, o resultado, a relação de causalidade ou nexo causal e tipicidade. Para que uma fato seja típico tem de apresentar todos esses elementos: que dá conduta advenha um resultado, e por fim a tipicidade.

Para informar o que seja ação (conduta) no Direito Penal : Teoria Causalista, Finalista, Social da ação.

Causalista ou Naturalista Só o comportamento humano, quando a pessoa age já está tipificando o crime cometido. Nesta teoria não se questiona a motivação do crime. Ex.: O indivíduo desfere um soco em outro e a pessoa cai e bate com a cabeça num meio fio e vem a falecer. Por esta teoria o crime já estaria tipificado como homicídio, ao invés de ser classificado como lesão corporal seguido de morte, que são diferentes no que diz respeito as sanções.

Finalista : É a que questiona no comportamento do indivíduo o resultado por ele

pretendido. A motivação, é muito mais importante o resultado pretendido pelo indivíduo do que a própria conduta. Ex.: uma arma de fogo e um pedaço de pau. Pode um pessoa com um pedaço de pau desejar matar uma pessoa e outra com uma arma apenas feri-la.

Teoria Social : O comportamento social da ação é determinado pela reprovação social que a conduta social representa. Ex.: Só irá existir um crime se aquele fato receber reprovação social.

CONDUTA → Segundo a teoria finalista pode-se conceituar conduta como sendo a ação ou omissão

CONDUTA Segundo a teoria finalista pode-se conceituar conduta como sendo a ação ou omissão humana consciente e dirigida a determinada finalidade. Só o homem pode praticar conduta criminosa. Pessoa Jurídica não pratica crimes, embora alguns preceitos atuais, consideram alguns crimes ambientais àqueles cometidos por pessoa jurídica, que estão sujeitos a prestação pecuniária.

A conduta para que ela seja elemento do fato típico ela tem que provocar uma conseqüência, é necessário que ela produza fatos externos. A conduta exige também um ato de vontade dirigida a um fim e a manifestação dessa vontade, e que constituem seus elementos.

O ato voluntário para haver conduta é preciso que o ato seja voluntário. Basta que o indivíduo haja com voluntariedade. Não configura conduta o ato involuntário. Não constitui ato voluntário aquele de corrente de coação física irresistível.

Conduta Positiva Quando o indivíduo age , atua. Ação é igual a comissão. Crime Comissivo : crime praticado mediante ação, comportamento positivo. Crime Omissivo :

é aquele decorrente de uma conduta negativa, de uma omissão. Crime Comissivo por omissão : apresenta um resultado decorrente de uma conduta positiva, mas que se verificou em razão de abstenção de comportamento. Ex.: A mãe que tem o dever de amamentar o filho, se o filho vier a morrer de inanição, a mãe estará cometendo um crime comissivo por omissão, ela tinha o dever jurídico de agir e se omitiu da responsabilidade.

Normalmente a conduta se traduz de uma conduta positiva, é o ato de agir, fazer, crimes comissivos (matar, subtrair, causar prejuízos, causar lesão, constranger, seduzir); e crimes omissivos são aqueles que o indivíduo age abstendo-se de fazer, de um comportamento que lhe era exigido, (omissão de socorro, ocultar, deixar de fazer, deixar de comunicar, omitir um dado comportamento.

Crimes comissivos por omissão, quando o indivíduo se abstêm de um comportamento que lhe era exigido e dessa abstenção produz um resultado que normalmente advêm de um comportamento positivo, como por ex.: o funcionário da rede ferroviária que é responsável por virar a chave que muda as linhas de trem, se por acaso ele não o fizer poderá acarretar um grave acidente. Outro exemplo é a mão que deixa o filho morrer por inanição, deixando de amamentá-lo. Nesses crimes por comissivos por omissão o dever de agir pode decorrer de várias maneiras, várias situações inclusive aquelas em que o indivíduo atua como agente garantidor do não resultado, aquele que embora não obrigado ou imposto pela lei, ele assume essa posição sem nenhuma determinação legal. Ex.: Grupo de escoteiros, o indivíduo responsável por um time de futebol amador.

Não importa em conduta voluntária atos resultantes de atos reflexos (involuntários), e

não será considerado conduta voluntária. Outros exemplos : sono, hipnose, sob efeito de

embriaguez completa. Podem ser considerados em alguns casos como casos fortuitos.

OBJETO JURÍDICO

Para que exista crime é necessário que algum bem jurídico seja atingido por ele. É tudo aquilo contra o que se dirija a conduta criminosa. E o objeto do delito pode ser classificado como objeto material e objeto jurídico.

O objeto jurídico consiste num bem ou interesse protegido pela lei. Bem é tudo o que interessa ao homem, tudo que satisfaz a necessidade do homem e o interesse é o valor que este bem tem para o homem. Esse bem não precisa ser só de natureza material, pode ser de ordem moral, espiritual. Ex.: No crime de lesão corporal o objeto é a

integridade física, no crime de homicídio é a vida. No crime de furto é o

integridade física, no crime de homicídio é a vida. No crime de furto é o patrimônio, no crime de roubo é o patrimônio e a integridade física lesada. Nosso código é composto de vários títulos, capítulos, etc. e a ordem dos mesmos são determinadas em função dos objetos jurídicos do crime, de acordo com a gravidade, a importância. Ex. O crime que abre a parte especial é justamente o crime contra a vida, que o bem maior.

Objeto material do crime é a pessoa ou a coisa sobre a qual recai a conduta criminosa. (Ex.: A coisa alheia no crime de furto, no homicídio é a pessoa humana, lesão corporal é a pessoa. Exame de corpo e delito, é tudo aquilo que está relacionado ao crime e que pode servir de prova sobre a existência do crime. Ex.: Roupas, objetos, natureza dos ferimentos, instrumentos usados na pratica do crime.

SUJEITOS DO CRIME

Sujeito Ativo do crime é a pessoa que pratica a conduta descrita na lei. Só pode ser

o

homem autor de crime; só o homem pode ser sujeito ativo de crime. Impossível

portanto, que pessoas jurídicas ou entes que não sejam humanos sejam sujeitos ativos de crime. O homem pode praticar e normalmente age desse jeito, o crime é praticado por uma só pessoa. Mas nada impede que, várias pessoas, duas ou mais pessoas se reunam para praticar crimes, inclusive existem crimes em que a pluralidade de sujeitos ativos é indispensável, é elemento do tipo, como por ex.: no crime de rixa, no crime de

bando ou quadrilha. Sempre quando o crime é praticado por várias pessoas, ou duas ou mais pessoas praticam um crime diz-se que são co-autores ou participes. Num crime de furto, com 3 pessoas, por ex., ingressem numa casa, estes são co-autores do crime. Se 2 deles entram na casa e 1 fica de fora vigiando, então os 2 que invadiram são co-autores

e o que não invadiu mas participa da conduta criminosa, ele é participe, e sua responsabilidade é igual a do co-autor.

Capacidade geral para praticar crime existe em todos os homens, é toda pessoa natural independente de sua idade, capacidade psíquica. Obviamente que posterior ao crime é que irá se apurar se o agente é ininputável ou não. Várias denominações recebem o sujeito ativo, e essa denominações mudam de acordo com a evolução do fato até o julgamento final ou até mesmo quando ele se encontra condenado e cumprindo pena : o sujeito ativo de um crime é o agente que

praticou o crime, depois que o ocorre o crime ele passa a condição de indiciado. Iniciada

a ação penal com o oferecimento da denúncia pelo promotor, o sujeito passa a

denunciado; recebida a denúncia, e começando a ação passa a ser denominado acusado ou réu, podendo levar essa designação até ao final do processo, e após a sentença vem as denominações : sentenciado, condenado, e depois, caso recorra da sentença,

apelante ou apelado, após a decisão definitiva, recluso se condenado ou detento. Na linguagem jurídica não se refere ao denunciado como criminoso. Na linguagem jurídica estes termos delinqüente, criminoso, assassino, não estão corretos.

Capacidade Penal do Sujeito Ativo : traduz-se num conjunto de condições que se exige para que uma pessoa possa tornar-se titular de Direitos e Obrigações no Direito Penal.

Incapacidade Penal : é aquela de corrente por atos praticados por entes inanimados e por animais, não existindo capacidade penal também por parte dos mortos, mesmo as pessoas jurídicas, ainda que existam nos crimes ambientais uma sanção prevista a pessoa jurídica, mas por ser a sanção de natureza pecuniária alguns doutrinadores não a

entendem como sanção penal, portanto, em princípio pessoa jurídica não pode ser sujeito ativo em

entendem como sanção penal, portanto, em princípio pessoa jurídica não pode ser sujeito ativo em crime. Segundo a doutrina existem alguns crimes que exigem alguma qualidade especial do sujeito ativo e podem ser denominados de crimes próprios e de mão própria. Então em princípio os crimes são comuns, qualquer pessoas pode praticá-los, mas alguns crimes exige uma determinada qualidade do sujeito ativo, e dependendo dessa qualidade os crimes são próprios ou de mão própria.

O Crime Próprio é quando ele pode ser praticado por determinada categoria de

pessoa Ex.: O crime de infanticídio, que é : Art. 123 : Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após. Notificação de doença compulsória, “Deixar o médico de comunicar”, Funcionário Público no crime de peculato,

somente o funcionário público pode praticar este

“apropiar-se o funcionário público crime previsto no artigo descrito.

O Crime de Mão Própria são aqueles que somente podem ser praticados por determinada pessoa, a pessoa tem que ser determinada, ela não pode pedir que outra venha agir em seu nome. Ex.: Prestar testemunho falso, o médico que dá atestado falso, o perito que elabora um laudo pericial falso.

,

Sujeito Passivo é o titular do bem jurídico lesado ou ameaçado pela conduta criminosa. O que sofre as conseqüências do fato criminoso. O sujeito passivo não precisa ser necessariamente uma única pessoa, podendo ser cometido contra duas ou mais pessoas. (Ex.: assalto a bancos, assalto a um estabelecimento comercial). O roubo quando resulta em morte : latrocínio, que no caso é um crime só. Qualquer infração ocorrida ofende os interesses do Estado, porque ele é o principal agente garantidor da segurança e da paz pública. O estado é sujeito passivo constante dos crimes. Mas não impede que em determinados crimes não o Estado figure como Sujeito Passivo Eventual, quando um bem jurídico seu protegido pela lei é violado.

Crime Vago : Porque não há determinado o sujeito passivo. Diz que o sujeito passivo

é a coletividade. (Ex.: Ato obsceno, crimes contra o respeito aos mortos, violar sepultura, vilipêndio do cadáver, o necrófilo. Existem alguns crimes também que exigem uma qualidade especial do sujeito passivo, como por ex., os crimes de estupro só pode ser praticado contra mulher, o crime de rapto, só pode ser praticado contra mulher, o crime contra recém nascido só pode ser praticado contra recém nascido. A pessoa jurídica não pode ser sujeito ativo do crime, mas pode ser sujeito passivo de alguns crimes. Pode a pessoa jurídica ser sujeito passivo de crime contra a honra, pode- se praticar crime de difamação contra pessoa jurídica. Está previsto, por ex., na lei de Imprensa a possibilidade de se praticar crime contra a pessoa jurídica.

de se praticar crime contra a pessoa jurídica. TIPO SUBJETIVO E OBJETIVO Tipos Objetivos é o

TIPO SUBJETIVO E OBJETIVO

Tipos Objetivos é o composto de elementos objetivos, portanto, na descrição do tipo penal : ele contêm a descrição da conduta que normalmente vem através de um verbo, tem-se o sujeito ativo, passivo, objeto material e outros elementos que naquela hipótese são exigidos. Ex.: Não existe nenhuma condição especial, ou seja, “matar alguém”, não há descrição especial para conduta.

Tipos Subjetivos Alguns crimes contêm os elementos denominados normativos e se referem a situações que exigem certa valoração especial do agente, porque além dos elementos objetivos normais contêm ainda elementos que exigem essa auferição, essa

valoração “indevidamente” . Além da conduta objetiva e necessário que a pessoa saiba que aquela

valoração

“indevidamente”. Além da conduta objetiva e necessário que a pessoa saiba que aquela conduta é indevida, é injusta. Ex.: Devassar indevidamente correspondência alheia. É indispensável para a realização desse crime que a pessoa saiba que ela está devassando indevidamente a correspondência do outro.

Além dessa carga subjetiva de elementos normativos e do dolo e da culpa que em todo crime tem que existir, ou seja, qualquer conduta tem que estar coberta do dolo ou da culpa para que ela seja considerada relevante. Alguns crimes exigem uma especial finalidade no atuar do agente, para que o crime se aperfeiçoe, costuma se dizer que são os elementos subjetivos do injusto. Ex.: Art. 219 do CP : Raptar mulher honesta mediante violência, grave ameaça ou fraude, para fim libidinoso.

Além de elementos subjetivos normal que é o dolo e culpa,. exige essas especiais finalidades elementos subjetivos do injusto.

por

parte

do

agente,

em

vários

crimes

as

palavras

“injustamente”,

INFRAÇÃO PENAL

O Direito Penal estabelece exatamente na sua parte especial, os tipos penais que descreve as infrações penais: no código penal, cuida-se de um tipo de infração penal que são exatamente os crimes, mas existem outros tipos de infração penal : contravenção penal. (Ex.: o jogo, portar armas, dirigir sem habilitação). Não se pode afirmar que contravenção penal é delito, que alguém está praticando crime de contravenção penal, pois, são inteiramente diferentes. Infração Penal é o gênero, e a espécie é o crime ou delito e contravenção Penal. Infração Penal é : podem ser : crime ou delito e contravenção penal; não existem diferenças de conceitos entre crime e contravenção penal porque ambas as condutas constituem uma ameaça ou violação do direito a uma pessoa. A única coisa que as difere e a sanção penal, para determinados crimes as sanções penais para o crime são mais rigorosas do que para as contravenções penais. Não há, portanto, conceitualmente nenhuma distinção entre crime e contravenção a não quanto a gravidade dela e a natureza da sanção penal. Contravenção penal são as que violam bem jurídico de menor valoração, e são apenados de maneira menos rigorosa que aos crimes.

Aos crimes normalmente são dirigidas as sanções que consistem em pena :

Reclusão, detenção e multa. Sendo que a multa será sempre cumulativa ou substitutiva. Não há crime nenhum em que a sanção penal consista unicamente em multa, não há nenhuma previsão na lei em que o crime cuja a sanção seja tão somente a pena de multa, pena pecuniária. No entanto, em várias situações encontra-se a sanção de pena de reclusão e multa. Existem algumas hipóteses em que o juiz pode substituir a pena de reclusão. Ex. Art. 155, §2º - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel : ( §2º

)

- Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a

pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa. Todas as penas inferiores a 6 meses o juiz pode substituir a pena privativa de liberdade por multa.

Na contravenção penal : a sanção poderá ser prisão simples e/ou multa. Não há pena de reclusão ou de detenção para as contravenções penais. As contravenções penais também são conhecidas como crime anão, crime pequeno

CRIME INSTANTÂNEO E CRIME PERMANENTE

Crime instantâneo é aquele que uma vez consumado está encerrado. (Ex.: Lesão corporal, homicídio, furto,

Crime instantâneo é aquele que uma vez consumado está encerrado. (Ex.: Lesão corporal, homicídio, furto, roubo). Não há necessidade do resultado ter que ocorrer concomitantemente com a conduta, a instantaneidade não é a de que a conduta praticada o resultado venha logo sem seguida, quando se consumar ele estará encerrado, não irá se prolongar, como por ex.: uma pessoa atira na outra, não é necessário que ela morra no momento do tiro, pode vir a morrer depois. A grande maioria dos crimes que exigem resultado são considerados crimes instantâneos. Crime Permanente é aquele que a consumação se alonga no tempo, a consumação se protai no tempo, se estende, continua Ex.: Extorsão mediante seqüestro, desde o momento em que a pessoa foi tirado de sua liberdade o crime já se consumou e vai se prolongando até o término do caso ou com a recuperação da liberdade ou solução do caso; outro exemplo violação de domicílio, desde o instante que a pessoa ingressa em casa alheia e desde o instante que é pedido para que ela saia, enquanto este fato não ocorrer o crime está se consumando. Esta distinção entre crime permanente e instantâneo é importante porque é ela que vai determinar quando o autor do crime está em situação de flagrante delito.

CRIMES SIMPLES E COMPLEXO

Crime Simples é aquele em que o tipo penal é único e ofende apenas a um bem jurídico. A maioria dos crimes são dessa origem. (Ex.: matar alguém, caluniar, difamar, injuriar)

Crimes Complexos são aqueles que contêm dois ou mais tipos numa única figura penal, ou então numa só figura típica consta um tipo simples acrescido de fatos ou circunstâncias que em si mesmo não são típicos. Ex. crimes de roubo (subtrair coisa alheia, mediante violência que é lesão corporal, e ameaça que é constrangimento legal, o crime de estupro; é constranger alguém mediante violência ou grave ameaça, para manter conjunção carnal, essa conjunção em si é o fato que não constitui tipo penal, mas praticado mediante violência ou grave ameaça é um crime complexo.

CRIMES COMISSIVOS são aqueles praticados através uma conduta positiva, através de um atuar, fazer. São a grande maioria dos crimes previsto no CP. Ex.:

Homicídio, Furto, Roubo, todos os crimes que o verbo, o comando do tipo, determina uma ação positiva.

CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS E IMPRÓPRIOS

Crimes Omissivos Próprios ou Omissivos Puros são aqueles que têm sua descrição objetiva com uma conduta negativa. Não fazendo o que a lei determina. É exatamente uma abstenção de comportamento que manda que o indivíduo aja. Transgressão do dever de agir. Ex.: Quando o tipo penal tem um verbo : Ocultar, Deixar, Omitir.

Cremes Omissivos Impróprios São aqueles em que a omissão consistem na transgressão do dever jurídico de impedir o resultado. Nesse tipo de crime a omissão decorre do dever jurídico de agir para impedir o resultado. O médico tem o dever jurídico de atender, de prestar assistência. Outro exemplo é o de “agente garantidor” é o sujeito que tem por obrigação evitar o resultado.

DO RESULTADO JURÍDICO E NATURALÍSTICO

O resultado naturalístico é aquele que produz uma modificação no mundo externo. Ex.: Um furto,

O resultado naturalístico é aquele que produz uma modificação no mundo externo. Ex.: Um furto, um roubo, um homicídio, lesão corporal, o resultado produziu uma modificação.

Existem crimes que não prescindem de resultado naturalístico, que não há necessidade dessa modificação externa para que o resultado se verifique e o crime se consuma. Como o fato típico depende do resultado a lei deve de se adequar e a doutrina criou o resultado jurídico que consiste justamente na ameaça ao bem jurídico. Passa a Lei a satisfazer-se simplesmente com a ameaça ao bem jurídico para que o resultado se aperfeiçoe.

 

O resultado naturalístico pode ser físico, fisiológico e psicológico.

1.

Físico : Furto, Roubo, Dano.

2.

Fisiológico : Lesão, Morte.

3.

Psicológico : É o medo no crime de ameaça, é o sentimento moral nos crimes contra a honra.

CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES QUANTO AO RESULTADO

1. Materiais : Quando para a sua consumação a lei exige a verificação do resultado pretendido pelo agente, que consiste na lesão do bem. Todos em que o agente visa o resultado esse resultado advém. Ex.: Homicídio, Roubo, Furto, Aborto.

2. Formais : É aquele que, embora exigindo a lei a vontade do agente se dirija a produção do resultado, que é a lesão do bem, não é necessário para a consumação que esse resultado se verifique. Ex.: Crime de ameaça, a pessoa ameaçada de morte. Crime de corrupção passiva : Art. 317 : “solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumí-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem”

3. Mera Conduta : É aquele sem resultado, o tipo objetivo não descreve resultado e nem é necessário ocorrer. Satisfaz nesse caso a Lei com a simples conduta. Ex.:

Crimes de invasão de domicílio, Prática Obscena, Crime de

Outra forma de classificação de crime quanto o resultado é o Crime de dano e de Perigo.

CRIME DE DANO ë aquele que se consuma com a efetiva lesão do bem jurídico visado. Ex.: O homicídio, a morte, Lesão corporal a lesão, no crime de furto a coisa subtraída.

CRIME DE PERIGO Ocorre quando o crime se consuma com a simples situação de

perigo criado para o bem jurídico. O bem jurídico ameaçado de sofrer uma lesão. Ex. :

Não

Subdividem-se em individual e comum.

CRIME DE PERIGO INDIVIDUAL É quando essa ameaça da de lesão é dirigida a uma pessoa ou a um número de pessoas ou grupo determinadas. Ex.: Art. 130 à 136.

CRIME DE PERIGO COMUM É quando visam o interesse jurídico de pessoas indeterminadas. Ex.: A partir do Art. 250.

RELAÇÃO DE CAUSALIDADE CAUSA : Absolutamente independente Em relação a conduta do su- jeito. Relativamente

RELAÇÃO DE CAUSALIDADE

CAUSA :

Absolutamente independente Em relação a conduta do su- jeito.

Relativamente independente Em relação a conduta do su- Jeito.

pré – existente concomitante

Art. 13, caput.

superveniente

Pré – existente

Resultado

Concomitante imputável, Art.13, caput

Superveniente

Art.13, §1º

Nexo Causal É o terceiro elemento do fato típico; para compreendermos o que seja nexo causal devemos partir do comportamento humano, da conduta, decorrente dela o resultado. Nexo causal é a relação que existe entre a conduta e o resultado. É o liame que liga a conduta ao resultado. Quando ocorre um fato a primeira coisa que se deve saber é a causa do fato, mas a causa não é o motivo, mas o que provocou o resultado. Por Ex.: Se uma pessoa é encontrada morta, temos de identificar o que provocou a morte e a partir dessa a identificação passa a investigação de quem produziu àquela causa, o autor do crime.

Causa é a ligação que existe entre um fato numa sucessão de acontecimentos que pode ser entendida pelo homem. Várias teorias existem a respeito para determinar-se “causa” :

1. Teoria da causalidade adequada : Por essa teoria entende-se que causa é toda condição mais adequada para produzir o resultado.

2. Teoria da Eficiência : Causa é a condição mais eficaz na produção do evento.

3. Teoria da relevância jurídica : É tudo o que concorre para o evento ajustado à figura penal ou adequado ao tipo.

4. Teoria da equivalência das condições : Todas as condições que concorrem para o evento são causas deste. Essa teoria da equivalência das condições é a mesma da teoria da conditio sine Qua nom.

O nosso C.P. (Código Penal) adotou a teoria da equivalência das condições. Conditio Sine Qua Nom. Art. 13 : “O resultado de que depende a existência do crime somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. Adotando-se, portanto, a teoria da “conditio sine qua nom” , teríamos que, tudo o que contribuiu para o resultado deve ser considerado causa dele. Análise do elemento subjetivo : Elemento subjetivo — o dolo ou culpa — quando esses elementos se interrompem, pode-se chamar de interrupção do nexo causal. Ex.:

Um indivíduo deseja matar uma pessoa, procura por um amigo que consciente da vontade do indivíduo o ajuda de alguma forma a obter a arma que será usada no crime. Nesse caso, há cumplicidade. Diferente seria se esse mesmo indivíduo procurasse uma loja e nela adquire o instrumento causador do crime, neste caso, o vendedor não concorre para o evento e seu resultado. Diz-se que é causa do evento quando não se pode tirar determinada situação sem prejuízo para o resultado final do fato.

Aprimorando-se a teoria da conditio sine qua nom ficou estabelecido que as causas anteriores somente

Aprimorando-se a teoria da conditio sine qua nom ficou estabelecido que as causas anteriores somente serão consideradas quando cobertas dos elementos subjetivos dolo ou culpa. O raciocínio que se faz é hipotético, excluindo-se aquilo que não é indispensável para produzir o resultado, aquilo que puder ser eliminado não é considerado “causa de”.

Causa e com causa A com causa dentro desse processo onde concorrem várias causas, a com causa é a que preponderaria sobre as demais. No direito atual não existe causa que prepondere sobre a outra, todas que concorrem são consideradas com a mesma importância.

Numa primeira análise do art. 13, o resultado que depende a existência do crime somente é imputável a quem der a causa, disso decorre que essa relação de causalidade só existe nos crimes materiais, nos crimes que dependem de resultado. Se não existir o resultado naturalístico não irá existir uma relação entre a causa e o efeito. Nos crimes formais e de mera conduta, com a simples conduta já fica estabelecido a causalidade. Portanto, a causa é o comportamento humano. Ex.: Quando uma pessoa ofende alguém ou pratica um ato obsceno, basta que a pessoa atue, a causalidade é o comportamento. Nos crimes omissivos próprios, ou puros, não existe relação de causalidade, porque da omissão não resulta nenhum resultado. A causa dos crimes omissivos estão exatamente, quando o indivíduo tinha de agir e não o fez, uma simples abstenção de comportamento do indivíduo a causa já decorre. A lei exige um comportamento positivo, no momento em que o indivíduo não o cumpre, a causalidade já está determinada.

O § 2º do art. 13 estabelece o seguinte : A omissão é penalmente relevante quando o o omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem :

a) tenha por lei ou obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. Todas essas hipóteses cuidam dos crimes comissivos por omissão. Ex.: A mãe, o pai, o tutor, o curador, pessoas que tem o dever jurídico de cuidar dos filhos, dos tutelados, etc. Bem como, nas hipóteses do agente garantidor.

Quando duas ou mais causas concorrem para o resultado, sendo necessário a

análise partir de uma das causas. Ex.: Um indivíduo próximo a morte por ingestão de veneno, mas em meio ao fato um outro indivíduo desfere sobre ele vários tiros. Trata-se, portanto, de uma causa absolutamente independente e pré-existente a conduta do

agente. Nesse caso a situação do agente responderá pelo resultado, e o que deu o veneno responderá por tentativa de homicídio; a causa determinante da morte foram os tiros, o que consumou o fato. Houve nesse caso a antecipação do resultado; mudou o tempo ou a forma com que o crime ocorreu.

Absolutamente independente são aqueles que estão absolutamente sem relação com

a conduta do sujeito, e relativamente são aqueles que decorrem, que estão ligados a conduta do sujeito de forma relativa. Ex.: Um indivíduo é ferido com um golpe de faca na cabeça, é levado para o hospital, e atendido. Fica internado, e por um infortúnio o teto desaba sobre ele e vem a morrer.

Exemplo de conduta pré – existente absolutamente independente da conduta do sujeito : João dispara sobre José um tiro, e este vem a falecer posteriormente, não em conseqüência do tiro, mas em razão da ingestão de veneno que fora dado como causa morte.

Exemplo

de

causa

concomitantemente

(ao

mesmo

tempo)

absolutamente

independente

:

José

fere

João

no

mesmo

momento

em

que

o

sujeito

morrer

exclusivamente de colapso cardíaco, não tendo o disparo contribuído em nada para a morte do

exclusivamente de colapso cardíaco, não tendo o disparo contribuído em nada para a morte do indivíduo.

Quando a causa é absolutamente independente da conduta do sujeito o problema é resolvido pelo caput do art. 13 : Há exclusão da causalidade de corrente da conduta, nos exemplos a causa da morte não tem ligação alguma com o comportamento do agente, em face disso ele não responde pelo resultado morte, mas sim, pelos atos praticados antes de sua produção; se a causa pré – existente, concomitante ou superveniente, produz por si mesmo o resultado, não se ligando de forma alguma com a conduta em relação ao evento, ela é uma não causa, uma não causa do resultado.

Exemplo de causa pré – existente relativamente independente em relação a conduta do sujeito : João golpeia José que é hemofílico, que vem a falecer em

conseqüência dos ferimentos a par da contribuição da sua particular condição fisiológica;

o estado anterior do sujeito, pré – existente, é o que determinou a causa morte.

Exemplo de causa concomitante relativamente independente : João desfere um tiro em José no exato instante em que José sofre um colapso cardíaco, ficando provado que a lesão contribuiu para o êxito do resultado.

Causa superveniente relativamente independente : Num trecho do percurso, um ônibus acaba colidindo com um poste depois de deixar os passageiros, um deles, já fora do ônibus e ileso sofre com a queda de um fio de alta tensão provocando-lhe a morte com a descarga elétrica. Aplica-se o §1º do art. 13 : A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou. No caso se o motorista tivesse agido com culpa e provocado qualquer lesão ao passageiro enquanto estes estivessem dentro do ônibus responderia pela morte, contudo, neste caso, os passageiros já haviam deixado o ônibus ilesos, portanto, não respondendo pela causa morte.

Damásio : Nos dois primeiros exemplos as causas hemofilia e colapso cardíaco não excluem a linha de desdobramento físico desenvolvido pelas ações; de modo que os agentes respondem pelo resultado morte. Não é para ser aplicado o caput do art. 13 uma vez que trata, a contrario senso, das causas absolutamente independentes, naqueles exemplos não se pode dizer que as causas de forma exclusiva produziram o resultado. No terceiro caso o agente não responde pela morte do passageiro, mas somente pelos atos anteriores se previstos como infração penal; e aí que se aplica o disposto no § 1º do art.13, vez-se que as causas pré – existentes e concomitantes quando relativamente independentes não excluem do resultado; as causas supervenientes quando absolutamente independentes faz com que a ação anterior não seja “conditio sine qua nom” do resultado. Por ilação do próprio art. 13, caput, quando relativamente independente, sendo que por si só produziu resultado, exclui a imputação, respondendo o agente pela prática dos atos anteriores.

Quando a causa superveniente decorre de desdobramento físico necessário ou não :

o

indivíduo sofre uma lesão na rua e é conduzido para um hospital; lá tem de submeter a

uma cirurgia para reparação; sofre na cirurgia um choque anafilático e morrer. Nesse caso o agente irá responder pelo resultado morte, porque a cirurgia era necessária para corrigir o ferimento decorrente da agressão. Há uma ligação imediata ao fato.

CRIME CONSUMADO E CRIME TENTADO

CONSUMAÇÃO : O crime consumado ocorre quando todos os elementos descritos no tipo foram satisfeitos,

CONSUMAÇÃO : O crime consumado ocorre quando todos os elementos descritos no tipo foram satisfeitos, quando nele reúnem todos os elementos de sua definição legal (art. 14, I, do C.P.). Ex.: No crime de homicídio ele consuma com a morte, no crime de estelionato com o prejuízo à outrem, nos crimes de mera conduta com a prática da ação proibida.

Ocorre também que existem alguns crimes que a conseqüência extrapola o que seria necessário para o crime se consumar; isto significa exaurimento do crime, ou seja, o crime produz o seus efeitos além daquele necessário para a sua consumação. Ex.: o crime do art. 159 do C.P. se consuma com o seqüestro da vítima, a obtenção eventual do resgate é mero exaurimento de um crime que já estava consumado. O crime de corrupção passiva — quando o funcionário público solicita alguma vantagem para praticar ato no exercício da função — quando o funcionário faz a solicitação, o crime já está consumado; o recebimento da vantagem é exaurimento do crime. São aqueles crimes acompanhados dos verbos solicitar, exigir, etc.

O momento consumativo varia de crime para crime : nos crimes permanentes a consumação começa quando a pessoa é tirada de sua liberdade e vai até o momento em que a pessoa é posta em liberdade. Nos crimes materiais é por produção do efeito naturalístico; nos crimes formais com a prática da conduta, nos crimes culposos com o resultado, nos crimes omissivos eles se consumam quando a pessoa deixa de agir.

Crimes Habituais Crimes habituais são os que exigem habitualidade, com reiteração seguida da conduta; como no crime de exercício ilegal da medicina ou no crime de manutenção de casa de prostituição.

TENTATIVA : O crime percorre um caminho, as etapas ou as fases do crime são

denominadas iter criminis, que se divide em duas fases : interna e externa.

Fase interna : Cogitação

Fase Externa : Atos preparatórios, atos de execução e consumação.

Cogitação O autor do crime não chega a produzir nada materialmente com relação ao crime; cogitar é imaginar, pensar. Esta fase é ininputável. Apenas a cogitação quando exteriorizada, como no caso da ameaça pode ser considerada punível.

Atos Preparatórios Quando a pessoa inicia a reunião das condições e dos meios para a prática do crime. Também os atos preparatórios, em princípio, não são puníveis. Os atos preparatórios são considerados equívocos, não concludentes, não claros sobre a finalidade da ação.

Atos de Execução Os atos de execução é quando o autor inicia o ataque ao bem jurídico protegido pela lei; esse ataque ao bem jurídico não precisa ser direto, basta ser colocado em perigo o bem jurídico para que seja considerado ato de execução. A tentativa do crime começa com o ato de execução. Ex.: No furto : Imagina-se que duas pessoas ingressem numa residência com a idéia de furtar; enquanto estão no interior da residência sem tocar em nenhum objeto, caracteriza-se apenas como invasão de domicílio, não tendo executado o furto.

TENTATIVA : Realização incompleta do tipo penal. Quando iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à sua vontade, pois, o indivíduo não age na tentativa do crime, na tentativa do homicídio, na tentativa do furto; ele age no sentido de matar, de agredir, de furtar, etc. Sendo que em meio a sua ação surge alguma interferência que impede o autor de consumar o crime. Não existe dolo tentado.

Com relação a tipicidade → Não existe tipo próprio de crime tentado; salvo raríssimas situações

Com relação a tipicidade Não existe tipo próprio de crime tentado; salvo raríssimas situações previstas na lei. Ex.: quando preso tenta fugir com uso de violência (evadir ou tentar evadir). É direito de todo preso buscara a liberdade, exceto se usar a força, a violência; a busca da liberdade é um direito. No C.P. existe a definição do crime consumado. Como se faz para classificar uma tentativa de homicídio ou roubo ? Usa-se o artigo 121, referente ao crime de homicídio, combinado com o art. 14, Inciso II. Na tentativa de furto, artigo 155, na forma do artigo 14, Inciso II, e assim por diante. E a pena ? É a mesma pena para o crime consumado reduzida de 1 a 2 terços, constante no parágrafo único do art. 14. Valendo para sua definição o grau de lesão provocado pelo crime; quanto mais o autor se aproxima da consumação menor será a dedução.

Concurso de Agentes : quando há concurso de agentes, se com relação a um ficou

o crime na fase tentada e com relação ao outro o crime se consumou, mesmo aquele que

não conseguiu ou desistiu de levar até o fim o crime, responderá também pelo crime consumado.

A Tentativa pode ser Perfeita ou Imperfeita.

Tentativa Perfeita : Também denominada de crime falho. Ocorre quando o agente pratica todos os atos de execução mas o resultado não ocorre. Ex.: Um indivíduo atira em outra pessoa para matar e posteriormente a vítima é socorrida e salva.

Tentativa Imperfeita : Quando o autor iniciado os atos de execução, alguma situação externa o impede de prosseguir na execução. Ex.: O indivíduo vai atirar em alguém para matar e é impedido por outro ou um motivo qualquer.

Crimes unissubsistentes : crimes unissubsistentes são os que, na prática

costumam ser realizados com um só ato, como a injúria verbal; esses crimes não admitem tentativa.

Normalmente nos crimes complexos, eles costumam se consumar quando todos os crimes de que eles se compõem também estejam consumados.

Desistência Voluntária (Art. 15, C.P. ) O agente que voluntariamente desiste de

prosseguir na execução só responde pelos atos já praticados. Antes de consumado o crime o agente desiste por sua própria vontade respondendo apenas pelos atos praticados até o momento em que desistiu da execução. Se um indivíduo desiste do crime mas o co-autor ou partícipe o consuma, o que desistiu vai responder pelo crime consumado, pois, a desistência voluntária depende de que o crime não se consuma.

Arrependimento Eficaz Quando o agente pratica todos os atos de execução,

esgotados os atos, o próprio agente toma providências para que o resultado não se

produza. Ex.: age com arrependimento eficaz quem ministra o antídoto que neutraliza em tempo o veneno dado anteriormente a vítima. O arrependimento eficaz se relaciona com

a tentativa perfeita. Da mesma forma esse arrependimento tem de ser voluntário, e o agente também responde pelos atos praticados até o momento do arrependimento.

Arrependimento Posterior Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça

à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da

queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços (art. 16, do C.P.). Ex.: Crime de estelionato, de furto. No arrependimento posterior o crime já está consumado.

 Crime Impossível : Não se pune a tentativa quando, pr ineficácia absoluta do meio

Crime Impossível : Não se pune a tentativa quando, pr ineficácia absoluta do meio

ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime (art. 17 do C.P.). Ineficácia absoluta do meio é quando o meio usado para a prática do crime é ineficaz. Ex.: o indivíduo usa de uma arma que não possui munição, ou com as cápsulas deflagadas. Impropriedade absoluta do objeto : atirar num cadáver, pensando tratar-se de pessoa viva. Furtar dinheiro do bolso de quem não tem dinheiro.

Caso Fortuito e Força Maior O caso fortuito é a força maior não constituem

conduta voluntária, e se não constituem conduta não podem ser considerados elementos do fato típico. Caso fortuito são todos as ações que fogem ao controle do agente. Pode- se entender como caso fortuito, um simples espirro, quando um veículo quebra a barra de direção, ou fura um pneu, provocando acidente. Força maior é quando uma força maior é exercida sobre o comportamento do sujeito fazendo com que ele aja ou deixe de agir. Ex.: na coação física irresistível, um indivíduo pode segurar uma outra e força-la perfurar alguém mediante sua força superior, pode um indivíduo amarra alguém impedindo-o de agir.

TIPICIDADE → É quando o fato se adequa ao tipo penal, a descrição contida na lei.

A tipicidade exige que o fato preencha inteiramente a descrição da lei, não basta apenas

os

e

elementos

objetivos,

tendo

de

satisfazer

os

elementos

objetivos,

subjetivos

normativos.

→ A tipicidade pode ser direta e indireta. A tipicidade é direta quando existe uma adequação típica direta, quando fato se enquadra no tipo penal sem necessidade de

perfeito

enquadramento o tipo penal tem que ser completado, combinado com alguma outra norma geral, ocorre, como p.ex., na tentativa ou no concurso de agentes (artigo 29, C.P.).

recorrer

a

outra

norma;

e

indireta

quando

que,

para

que

ocorra

esse

→ Tipo Penal é a lei descrevendo a conduta proibida. O tipo penal tem 2 funções

primordiais : a primeira é a garantia, porque assegura o princípio da legalidade; só

existirá

a

crime

se

a

conduta

se

adequar

a

descrição

do

tipo;

a

segunda

é

antijuridicidade; em princípio, toda conduta típica será anti – jurídica, pois, nem toda conduta anti – jurídica são típicas, mas em princípio todas as condutas típicas são anti – jurídicas. Ex.: Um indivíduo assiste a um fato em que outro desfere vários tiros me alguém. De início está-se diante de um homicídio previsto no art. 121; contudo, se no curso das investigações constatar-se de que o autor dos disparos teria agido amparado por um estado de legítima defesa, ou estado de necessidade, estrito cumprimento do dever legal, a conduta típica deixará de ser anti jurídica, porque são excludentes da antijuridicidade.

→ Existem algumas espécies de tipo penal : tipos abertos, fechados, normais, anormais,

em que a diferença de lês são que, nos tipos fechados, a conduta é mais fácil de se determinar como típica, p.ex., matar alguém, subtrair coisa alheia ou móvel, contudo, quando o tipo passa a exigir alguma situação especial, como p.ex., definir mulher

honesta, os crimes culposos também são tipos abertos, porque a conduta é lícita, só deixando de ser se do resultado advir algum dano.

ATIPICIDADE → Quando o fato não se ajusta a descrição prevista na lei; é a

ausência de tipicidade, inadequação típica. A atipicidade pode ser absoluta ou

relativa, a atipicidade, ou inadequação típica absoluta é quando o fato, mesmo que imoral ou ilícito não se encontra enquadrado na lei. Ex.: Prostituição não é crime, fugir ou evadir da cadeia sem violência ou apoio de terceiros não é crime, prática da pederastia,

dano culposo. A inadequação típica relativa é quando aparentemente a conduta preenche o tipo penal;

dano culposo. A inadequação típica relativa é quando aparentemente a conduta preenche o tipo penal; mas que falta-lhe um detalhe para que a tipicidade se torne perfeita.

Requisitos genéricos do crime, são a tipicidade e a antijuridicidade, todo crime tem

que ter a tipicidade e antijuridicidade, se não existirem um ou outro, obviamente a conduta será excluída como crime.

Requisitos específicos do crime, são os elementos do crime (subjetivos, objetivos e

normativos),

elementares são as que estão em torno do crime, do comportamento criminoso.

Circundam o crime influindo na sanção penal.

e

elementares

ou

circunstâncias

elementares.

As

circunstâncias

Estas circunstâncias podem ou não existirem. Se existirem podem influenciar para mais ou para menos na pena a ser aplicada. Se, p.ex., Art. 121 : Matar alguém : Pena –

reclusão, de 6(seis) a 20 anos. Se não existir nenhuma circunstância elementar o crime continuará sendo o do art. 121, contudo, se o crime é cometido, contra o pai, o crime será

do art.

121

de homicídio, mas surgirá

um agravante

previsto no Art.

61

:

São

circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o

muitas

crime

:

e)

contra

ascendente,

descendente,

irmão

ou

cônjuge.

Existem

circunstâncias que agravam e outras que atenuam a pena; no caso de atenuação temos, como, p.ex., o homicídio cometido por alguém em decorrência de um tumulto que ele não praticou, ou um indivíduo que comete um crime por relevante valor social.

Circunstâncias → São dados objetivos e subjetivos que fazem parte do fato natural,

agravando ou diminuindo a gravidade do crime sem modificar-lhe a essência.

As circunstâncias do crime se dividem em judiciais e legais, e as legais se

subdividem em genéricas e específicas : As circunstâncias estão previstas no art. 59, várias situações em que o juiz quando for aplicar a pena deve obrigatoriamente analisar tais situações. A partir destas que o juiz irá aplicar a sanção penal. As circunstâncias legais genéricas são as que estão previstas na parte geral do código; aplicam-se a todos os crimes em que aquela situação existir, consistem em caso de aumento ou diminuição de pena, agravantes e atenuantes. Ex.: Art. 16, diminuição de pena, arrependimento posterior; a redução prevista no art. 14, no art. 21. As agravantes e as atenuantes também são genéricas e estão previstas no art. 61, no art. 62, nos art. 65 e 66.

As circunstâncias legais específicas estão na parte especial do código e são aplicadas

aos crimes onde estão especificadas. Podem ser qualificadoras e também causa de aumento ou diminuição da pena, previstas na parte especial e aplicáveis a determinados crimes. O art. 155, caput. Tipo fundamental, não havendo nenhuma circunstância que interfira o crime será de furto simples; mas, se este furto ocorrer durante a noite, o parágrafo primeiro prevê uma circunstância que é causa de aumento de pena, no parágrafo segundo é de diminuição de pena; furto privilegiado, no parágrafo terceiro uma

nova

com

explicativa,

e

no

parágrafo

quarto,

cuida

do

furto

qualificado,

furto

circunstâncias de qualificação.

A diferença de qualificadora para causa de aumento de pena : sempre que a lei falar

em aumento ou diminuição de pena, ela usa a fração : A pena será aumentada de 1/3, de 1 a 2/3, ou será reduzida de 1 a 2/3, e para as qualificadoras usa números determinados, inteiros, de 1 à 4 anos, de 6 à 12 anos.

CONFLITO APARENTE DE NORMAS → Existem algumas teorias que procuram resolver esta questão. O princípio

CONFLITO APARENTE DE NORMAS → Existem algumas teorias que procuram

resolver esta questão. O princípio da especialidade, a subsidiaridade, consunção

(absorção) e alternatividade. Para que haja esse conflito é necessário que haja um só fato criando esse conflito e depois, duas ou mais normas que poderão aparentemente identificar aquele fato como crime.

Princípio da Especialidade → Ocorre quando a norma geral é derrogada pela

norma especial. Alguns crimes existem em que os elementos são especiais em relação a

outro. Ex.: Matar alguém, crime de homicídio; mas se se mata alguém após o parto, o crime já é de infanticídio. O crime cometido previsto no art. 134 é especial em relação ao do art. 133. Os crimes de calúnia, art. 138; se o crime for cometido por meio da imprensa,

nº 5.250, Lei de

Imprensa.

Princípio da Subsidiariedade → Consiste na anulação da lei subsidiária pela

norma principal. O crime subsidiário é aquele que se situa como um fato reserva ao fato principal. Art. 132 do C.P., perigo a vida ou a saúde de outrem. No crime de estupro, não se praticando o estupro, pode ocorrer de ficar caracterizado o constrangimento ilegal.

Princípio da Consunção ou Absorção → Consiste na anulação da norma que já

está integrando outra. Nesse caso a norma de menor importância e absorvida pela de maior importância. Uma conduta mostra-se como etapa para a realização de outra conduta. EX.: As lesões corporais são consumidas pelo homicídio, o crime consumado absorve o crime tentado, o dano absorve o perigo.

Princípio da Alternatividade → São aqueles tipos penais que descrevem duas

ou mais formas de conduta, e o indivíduo responderá por um só crime. Ex.: O indivíduo que instiga e também auxilia o suicídio, come um só crime. O art. 12 da Lei 6368, Lei de Entorpecentes, descreve diversas condutas que constituem crime : importar, exportar, transportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor a venda, etc., são diversas condutas que conduzem a um só crime, tráfico de entorpecentes.

já não será o aplicado

(1)

pelo art.

138 do C.P.,

mas o art.

20

da Lei

(2)

(3)

(4)

DOLO E CULPA

Para que ocorre um crime não basta que a conduta seja adequada a descrição

contida na Lei, indispensável é que o agente atue com uma carga de subjetividade para que o crime exista; não existe em nosso direito responsabilidade objetiva, que é aquela que não perquire dos motivos, da razão, não se indaga do elemento objetivo. E os elementos subjetivos do crime são o dolo e a culpa.

Um indivíduo efetua disparos de arma de fogo contra alguém : em princípio temos um

crime. Contudo, primeiro deve ser verificado se ocorreu a antijuridicidade, se a conduta não está protegida por alguma causa excludente de antijuridicidade e depois o que levou o agente a proceder daquela maneira. Se ele agiu com consciência, com vontade dirigida aquele ato, se agiu sem cautela para provocar os disparos, se foi um ato acidental, caso fortuito ou força maior. Portanto, se o agente agiu com vontade direcionada ao resultado, trata-se de um crime doloso, se agiu por falta de cautela, por falta de cuidado objetivo no seu procedimento será crime culposo, se agiu de uma forma acidental, fortuito ou de força maior, não haverá ilícito penal.

Quando se fala em culpa, é a culpa lato sensu, no sentido mais amplo da palavra,

abrange o dolo e a culpa estrito sensu. A culpa lato sensu é aquele conceito de que a pessoa agiu com responsabilidade penal. Ela se divide em dolo e culpa estrito sensu.

Art. 18 do C.P., Incisos I e II : Existem três teorias que procuram explicar o dolo. A

teoria da vontade, da representação e do consentimento. O C.P. no Brasil adotou a teoria

da vontade que significa que o crime resulta de uma ação consciente, e o agente

da vontade que significa que o crime resulta de uma ação consciente, e o agente age com vontade direcionada a um fato a um resultado. A teoria da representação afirma que o dolo é a simples previsão do resultado e a teoria do consentimento é aquela em que o indivíduo, embora não agindo com vontade ele pode agir assumindo as conseqüências que aquela conduta pode provocar.

No art. 18, I, Crime Doloso : “doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu

o risco de produzi-lo”. Este inciso descreve o que seja dolo direto ou eventual. Dolo

Direto,

as

quando

o

agente

quis

o

resultado,

e

Dolo

Eventual,

ou

assumiu

conseqüências com aquela conduta.

Dolo Direto : Diz-se que o dolo é direto quando o indivíduo age com consciência e

vontade dirigida a um fim. Dolo Eventual : O indivíduo age, não quer o resultado, mas com sua conduta assume o risco de produzir o resultado. Embora aparentemente diferentes, mas para o C.P. possuem o mesmo peso na aplicação da pena. (Ex.: Dolo eventual, a prática de pegas de carro, a roleta russa.)

Dolo Indireto : É aquele que não é definido, não é preciso, nesse pode estar o dolo

alternativo, que é quando um indivíduo age, pratica a conduta e sua vontade não está dirigida a um só fim, podem ocorrer dois ou mais resultados, mas qualquer resultado que ocorra ele se satisfaz. Tanto faz um resultado quanto outro.

Dolo de Dano ou Dolo de Perigo : O dolo de dano ocorre quando o agente age com

a vontade de causar uma lesão ou ameaça, e o dolo de perigo quando o indivíduo age com a vontade de expor alguém a uma situação de perigo.

Crime Culposo : O parágrafo único do art. 18, tem-se uma descrição do crime

culposo : praticamente todos os crimes descritos na lei penal são crimes dolosos em princípio; só existirá modalidade culposa desses crimes quando expressamente a norma declarar o crime culposo. Ex.: No crime de homicídio existe : parágrafo 3º, diz que o

crime for culposo, se o homicídio for culposo; no art. 129, parágrafo 6º - se as lesões

concorre

forem

culposas.

Art.

312

Peculato,

parágrafo

:

se

o

funcionário

culposamente para o crime. Art. 250, parágrafo 2º : se culposo o incêndio, a pena é de

detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. Art. 180, Receptação

transportar, conduzir, ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa – fé, a adquira, receba ou oculte. No parágrafo 3º : adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso.

O artigo 18, Inciso II : Não há no C.P. uma definição do que seja culpa, no art. 18,

inciso II, diz que é quando o agente age com imprudência, negligência ou imperícia. O conceito é extraído da doutrina, e todos mencionam : crime culposo é a conduta

e

voluntária

: adquirir, receber,

que

produz

resultado

antijurídico

não

querido

mas

previsível

excepcionalmente previstos que com a devida atenção podia ser evitado.

A primeira coisa para se determinar um crime culposo é sobre o atuar do agente; a

conduta no crime culposo não enseja numa manifestação ilícita; normalmente a conduta do crime culposo é lícita, ela só terá alguma repercussão quando dela advir um resultado por imprudência, negligência ou imperícia. E para isso deve-se determinar como a pessoa age com negligência, imprudência ou imperícia.

Cuidado objetivo necessário : É aquele que toda pessoa normal, coerente, deve ter

em todos os atos de sua vida. Quando a pessoa falta com esse cuidado objetivo dará ensejo há uma das modalidades de culpa.

Elementos do crime culposo são : a conduta, a falta do dever de cuidado

objetivo ou necessário, o resultado lesivo e involuntário, a previsibilidade e a

tipicidade. previsibilidade e o sentimento comum, todos prevêem que tal fato pode vir a ocorrer

tipicidade.

previsibilidade e o sentimento comum, todos prevêem que tal fato pode vir a ocorrer e o agente não o prevê. E a tipicidade é que sua conduta seja adequada ao tipo penal.

Não há crime de dano na forma culposa; no art. 163, não existe dano na forma

culposa.

MODALIDADE DE CULPA : Imprudência, Negligência ou Imperícia.

a

A

pessoa

quando

age

com

culpa

não

quer

produzir

resultado;

1. Imprudência : A imprudência ocorre quando o agente age sem cautela, de forma afoita, precipitada, indo além do que devia ou necessário, o indivíduo procede mais do que o normal. Ex.: O indivíduo deve dirigir de forma moderada, correndo, estará numa velocidade além do que devia. Um indivíduo pega um objeto pesado e joga pela janela atingindo alguém que passa, ele responderá culposamente. 2. Negligência : Na negligência o indivíduo age com indiferença, com inércia, e nas

situações que devia agir com cautela não o faz por displicência ou preguiça mental, faz menos do que devia, ele omite, deixa de tomar o cuidado que devia. Ex.: O indivíduo que deixa uma arma ao alcance de uma criança. O dever de cuidado que tem o pai e a mãe,

o agente garantidor.

3. Imperícia : Age com imperícia quem não tem capacidade, falta de conhecimentos técnicos no exercício de determinada arte ou profissão, não levando o agente em conta o

que sabe ou deve saber. Só determinadas pessoas é que podem praticar esse crime. Ex.: o médico, o engenheiro, estas categorias de profissionais podem agir com imperícia. O motorista profissional que ultrapassa um sinal e atropela alguém, age com imprudência

e

imperícia.

CULPA CONCIENTE E CULPA INCONSCIENTE

A culpa inconsciente ocorre quando o agente não prevê o resultado que é

previsível; é a culpa normal.

A culpa consciente ocorre quando o agente prevê o resultado, mas acredita

sinceramente que não ocorrerá; a culpa consciente por vezes é difícil de se definir, ela e

o dolo eventual estão muito próximas. No dolo eventual previu o resultado e foi a frente

assumindo o risco, e na culpa consciente prevê o resultado mas acredita que tem condições de agir sem que o resultado viesse acontecer. Ex.: O indivíduo caçando com um amigo, este se coloca entre a caça no momento em que o indivíduo vai atirar, mesmo assim o indivíduo atira na caça acreditando que não irá atingir a seu amigo.

A culpa pode ser grave ou lata, culpa leve e levíssima. A determinação desses

graus de culpa está exatamente na falta de cuidado que quanto maior for a inobservância desse cuidado mais grave será a culpa, e quanto mais forem previsíveis os resultados também mais graves será a culpa. Ex.: Um indivíduo que dirige em alta velocidade numa rua movimentada e um outro que dirige da mesma forma numa pista sem movimento.

Quanto um crime admite uma forma culposa }

conduta típica em

princípio é antijurídica, contudo, ocorre alguns casos em que essa antijuridicidade é

afastada,

antijurídicos que não são típicos, possuem uma carga enorme de antijuridicidade mas não são típicos e assim não são considerados penalmente, são indiferentes penais.

fatos

CAUSAS

DE EXCLUSÃO

DA ANTIJURIDICIDADE

:

Toda

são

as

causas

excludentes

da

antijuridicidade.

Existem

também

As causas que excluem a antijuridicidade podem ser legais e supralegais. As legais estão previstas na lei penal e as supra – legais são as que, embora não previstas na lei, o

senso comum não as reprova, certos comportamentos, certas condutas, aplicando-se regras informadas pelo costume, pela

senso comum não as reprova, certos comportamentos, certas condutas, aplicando-se regras informadas pelo costume, pela analogia e pelos princípios gerais do direito.

Existem muitas situações em que não estão contidas na Lei, não se esgotam nas que

estão na lei, são permissivas, são normas que autorizam o indivíduo agir. No artigo 23 existem 4 tipos de causas de exclusão de antijuridicidade, encontra-se também em alguns crimes outras causas próprias. Os costumes, a analogia e os princípios gerais do direito, não podem influenciar no direito para criar condutas criminosas, mas podem ampliar as situações de excludentes de antijuridicidade. Existem muitas situações que não estão previstas na lei mas que são reconhecidas socialmente e assim são causas supralegais, além da lei. Ex.: O pai que abre indevidamente correspondência de um filho; furar orelha pra colocar brinco; o pai que ministra remédio para o filho sem consulta médica.

:

As

causas

excludentes

de

antijuridicidade

podem

também

ser

denominadas

excludentes de criminalidade, excludente de ilicitude, descriminantes, eximentes.

Art. 23, causas de excludentes de ilicitude gerais e legais : Não há crime quando

o

agente

pratica

o

fato

em

estado

de

necessidade,

legítima

defesa,

no

estrito

cumprimento do dever legal ou no exercício regular do direito. São 3 incisos, mas são 4 as formas de exclusão de ilicitude. No último inciso encontramos duas formas.

Art. 128, Legais e Especiais : Não se pune o aborto praticado por médico se não há

outro meio de salvar a vida da gestante. No inciso II – se a gravidez resultar de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou quando incapaz, de seu

representante legal.

O Art. 146, parágrafo 3º : Não se compreende na disposição desse artigo a

intervenção médico ou cirúrgica sem consentimento do paciente ou seu representante legal, seja justificado por eminente perigo de vida ou coação exercida para impedir o suicídio.

O Art. 181 : É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título

em prejuízo : do cônjuge na constância da sociedade conjugal, de ascendente ou

descendente, seja de parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural. Essa disposição do art. 181 se aplicam a todos os crimes contra o patrimônio (do art. 155 ao art. 180).

de

O

ESTADO

DE

NECESSIDADE

:

O

art.

24

Considera-se

em

estado

necessidade quem pratica o fato para salvar do perigo atual que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício nas circunstâncias não era razoável exigir-se. Ocorre quando o indivíduo nas circunstâncias tem que sacrificar um bem alheio para proteger o seu direito. Essa circunstância não pode ser futura, mas atual ou prestes a acontecer. Ex.: O caso do avião que caiu nos Andes; um tumulto generalizado num estádio lotado. A pessoa pode dirigir um carro em estado de necessidade. O parágrafo 1º : Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. Ex.: Policiais, bombeiros, salva – vidas. O parágrafo 2º : Quando o bem sacrificado naquelas circunstâncias não era necessário, a pena poderá ser reduzida de 1 à 2/3; na circunstância em que a pessoa tinha o dever de enfrentar o perigo e não o fez.