NEGÓCIO EDUCAÇÃO

Por Mariana Branco

PARA UM TRANSPORTE ESCOLAR SEGURO A
irresponsabilidade do motorista, a falta de um auxiliar (ajudante) e, ainda, de equipamentos de segurança estão entre os principais problemas relacionados ao transporte escolar. É o que explica a pedagoga Yara Regina Gonçalves Dias, consultora em segurança com MBA em Gestão Estratégica de Segurança Empresarial. Ela detalha o assunto a seguir e apresenta orientações preciosas que precisam ser observadas tanto pela escola como pelos pais. Gestão Educacional: Quais são as responsabilidades da escola particular em relação ao transporte escolar terceirizado? Yara Regina Gonçalves Dias: A responsabilidade em determinadas circunstâncias não está restrita ao que acontece no ambiente escolar, visto que no caso do transporte escolar ela também propiciou o serviço, ainda que este tenha sido terceirizado, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor. No caso do transporDivulgação

te escolar, assim como nas saídas pedagógicas, há responsabilidade solidária caso algum acidente aconteça, pois tanto a escola quanto o transportador respondem da mesma forma pelo dano causado. No caso de acidentes envolvendo alunos há possibilidade de responsabilização tanto do transportador quanto da instituição de ensino.

Gestão Educacional: Mesmo sendo um serviço de transporte terceirizado, a quais fatores a escola deve estar atenta na hora de indicá-lo? Yara Regina: A instituição de ensino deve fazer investigação social do mesFaça o checklist

mo. Deve manter cadastro completo, atualizado e com foto dos transportadores que prestam serviços. É interessante que o veículo seja equipado com um DVR (Digital Video Recorder), cuja finalidade é a gravação das imagens no interior e exterior do veículo. Estes dispositivos são dotados de GPS, gravador de imagens, controlador de velocidade, informação de rota e áudio, e podem ser com ou sem 3G. No caso da versão com 3G, a visualização e acesso ao painel de controle do equipamento para verificação de dados pode ser feita em tempo real, via web, por meio de senha de acesso (veja também o checklist).

Conheça as regras que devem ser observadas por motoristas autônomos, empresas privadas ou mesmo pelas instituições de ensino. Deve-se verificar: Se o veículo passa por inspeção semestral para verificação de equipamentos obrigatórios de segurança; Se o veículo usado pelo transportador possui equipamento registrador instantâneo inalterável de velocidade e tempo (tacógrafo); Se tem registro como veículo de passageiros; Se o número de cintos de segurança é igual ao número de passageiros que o automóvel tem capacidade para transportar; Se o condutor transporta as crianças com os cintos afivelados, do início ao término do trajeto; Se o número de crianças transportadas está correto, pois não se pode transportar mais pessoas do que o veículo comporta; Se há cadeirinhas ou assentos de elevação para crianças menores; Se o estado de conservação do automóvel (como pneus, vidros e lataria) está adequado; Se o veículo apresenta faixa pintada na lateral e traseira na cor amarela, com “Escolar” escrito em preto e placas vermelhas indicando que está cadastrado no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) como veículo de uso comercial; Se há radiotransmissor ou telefone celular para comunicação do motorista com a escola; Se o transportador mantém uma lista com nomes e telefones para que ele avise aos pais caso haja algum atraso ou emergência.

Segundo a consultora em segurança, em caso de acidentes envolvendo alunos, tanto o transportador quanto a escola podem ser responsabilizados

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GESTÃO Educacional® julho de 2012

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Gestão Educacional: Quando é indicado que a escola ofereça serviço próprio de transporte escolar? Yara Regina: Em minha opinião, não há necessidade de transporte próprio. O acompanhamento rigoroso da instituição ao trabalho do transportador – verificando a forma com que este está trabalhando, juntamente com as verificações de segurança contidas na legislação de trânsito – já bastam. Recomendo que a instituição de ensino, ao autorizar o transportador a pegar alunos na escola, combine com este que ele deverá afixar na lataria do veículo o nome da instituição e um telefone para contato. Dessa forma, caso o transportador cometa alguma irregularidade no trânsito, há como a pessoa que presenciou ligar e informar a escola para que esta tome as devidas providências. Gestão Educacional: Qual o papel do motorista e a quais regras de segurança ele deve obedecer? Yara Regina: Ele deve seguir o que está estabelecido na legislação de trânsito brasileira. Ocorre que hoje vemos muitos motoristas de condução de escolares não agindo de maneira condizente com a função, pois desrespeitam normas básicas de trânsito, como ao fazer conversões proibidas e usar telefone celular enquanto dirigem. Gestão Educacional: É fundamental que o motorista tenha sempre um ajudante? Yara Regina: Sim, pois não há como dirigir e prestar atenção o tempo todo aos menores que estão sendo conduzidos no veículo. Também não há como descer do automóvel e deixar estes passageiros sozinhos. Quando o motorista tem um ajudante, este é quem conduzirá o menor até a porta de casa ou da escola, não precisando para isto que o motorista se ausente do veículo. O ajudante é quem “fiscalizará” as crianças transportadas o tempo todo verificando se permanecem sentadas e com cintos afivelados em todo o trajeto, e se colocam mãos, cabeça ou até o corpo para fora do automóvel em movimento. +Na web
Acesse o canal Extras do site gestaoeducacional.com.br e veja aspectos da legislação que precisam ser observados pela escola.

OS ATRIBUTOS DO ATUAL EMPREENDEDOR

É

muito comum educadores se tornarem donos de escolas. Mas, até que ponto eles atendem ao perfil para se tornarem empreendedores? De acordo o palestrante comportamental e professor de pós-graduação Dalmir Sant’Anna, também autor dos livros Oportunidades e Menos pode ser Mais (ambos pela Gráfica e Editora Odorizzi), há três itens essenciais necessários ao empreendedor atual: comprometimento, paixão pelo que se faz e planejamento, os quais ele explica com uma metáfora: A metáfora do portão Quando apresento palestras sobre este tema, gosto de ilustrar que, diante de cada pessoa há um enorme portão. Somente saberá o que existe do outro lado aquele empreendedor que romper o estágio de letargia e comodismo: • Comprometimento: é o desejo de aproximação do portão e a vontade de abri-lo, pois na prática ocorre um envolvimento e uma identificação de adesão aos objetivos que se deseja alcançar. • Paixão pelo que se faz: é a chave que estará permitindo a abertura daquele portão. Uma pessoa empreendedora precisa gostar, amar e ser diariamente apaixonada pelo que faz, abrindo novos horizontes de descobertas e novas perspectivas de crescimento. • Planejamento: consiste em investir tempo e atenção para avaliar com profundidade os riscos e ameaças do seu próprio negócio. Ainda é preciso que o dono de escola avalie com prudência se é realmente viável investir recursos financeiros, ao se questionar: “Aonde quero chegar?”. A pessoa responsável por uma instituição de ensino não pode responder esta pergunta apenas com racionalidade, mas também com base em seus sonhos e vontade de querer chegar a algum lugar com prudência, felicidade e responsabilidade.

Divulgação

Dalmir Sant’Anna: “Uma pessoa empreendedora precisa gostar, amar e ser diariamente apaixonada pelo que faz”

Na próxima edição:
A importância de se realizar alianças estratégicas e valorizar mais a gestão de pessoas.

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