ABILIO TERRA JUNIOR

PRINCÍPIO E FIM

PRINCÍPIO E FIM

1 – Perda 2 – Desconhecido 3 – Ser 4 – Focalizando 5 – Naturalmente 6 – Confluência 7 – Tragédia Remota 8 – Na Semente 9 – A Sombra e a Luz 10 – A Casa 11 – Pacífico Retorno 12 – Delito Supremo 13 – Imagens e Sombras 14 – Ouvinte Enternecido 15 – A Trilha dos Peregrinos 16 – As Mulheres 17 – No Último Ato 18 – À Noite 19 – A Moça 20 – Devastação 21 – Bicho – do – Mato 22 – Tempos Modernos 23 – O Espírito do Natal 24 – Empurrando o Dia 25 – No Ônibus/Poeta - menino 26 – Na Tarde de Domingo Chuvosa 27 – Doce Missão 28 – Haicais/Tankas 29 – Variações sobre um Mesmo Tema

30 – Medos em Pêlos 31 – Lua 32 – Salvar Nossos Momentos 33 – No Rodopio do Desejo 34 – A Tesoura Diária 35 – Da Janela 36 - Na Antiga Torre 37 – A Espera 38 – Poema 39 – Praça Sete 40 – Princípio e Fim 41 – Amor Puro 42 – O Tempo 43 – Da Janela II 44 – Ararinha Azul 45 – Ao Cair da Tarde 46 – No Vazio e no Nada 47 – Amplitude de Mim 48 – Destino 49 – A Mercê do Meu Alento 50 – Elucubrações Silenciosas 51 – No Fundo das Entranhas 52 – Num Átimo 53 – Das Colinas de Golã 54 – Doce Vida 55 – A Criação 56 – O Anjo 57 – Anônimo Pensante

(4) Perda A margarida desfolhou-se e o periquito voou. a lua iluminou a noite.. de impotentes ante golpes. a andorinha exibiu-se em suaves figuras aéreas com suas colegas. . perseguindo um gato.sobrevivente. perda. alarmada.. contra o ser vivente: inocente ou delinqüente . a cachorrinha correu. A oferenda à natureza cresce nestes dias de investidas. libera gases venenosos que matam. Ofertamos preces de esperança. o frio invadiu nossa privacidade. o céu acinzentou-se.. voltou a clarear.. pena. em que o óleo cobre rios e pássaros. aleijam. danos.

aqui. ali. Saiu pelo espaço vazio da porta. agitando suas asas apoiadas no ar. leve e solta. seguiu seu caminho por mim desconhecido: flanando.. veloz.(5) Desconhecido Entrando na sala. se chocou. sozinha. a borboleta errou. ..

Prometeu.. lembrando o esplendor perdido. para João. ali. o poeta. sensual. Odin.(6) Ser Eu sou o que sou: dizia o lobo para o cordeiro. Arthur. para o contribuinte. o facínora. engasgando. para Ishtar. Lilith. para a musa. para o dragão. no exato disparo. acordando no castelo invisível de Avalon. volteando seu ventre. a serpente. fremente. para Merlin. naquele prédio imponente. pousando em sonho inspirado. para sua vítima. sorridente. . cruzando-se em um poente.. para seu fígado. consciente. Cristo.. para Melquisedeque.. sempre presente. em ocultas penumbras míticas. lá nos píncaros do último céu. distante. salivando. regenerado e dorido. Salomé. para Baldur. Nicolau.

.. encovados.. contrafeito.... permite ataques dos basbaques. O jeito sem jeito. . Sorrisos torpes. passam. A bela de olhos verdes não é tão fatal.... nunca se vai.(7) Focalizando Silhueta perene – oculta a maré insuspeita das humanas falhas. se perdem.. nem tão banal...

na relva a gota desliza mansamente perseguindo a centopéia. o duende se esconde atrás da folhagem. ela olha indignada para cima e resmunga um palavrão. a serpente passa rente à moça. o pardal acerta a folha aberta do livro que a moça lê. o odor do fauno o denuncia à ninfa que corre e desaparece entre as árvores. . segue o seu caminho de todos os dias inocente do medo que desperta entre os humanos. a fada se dirige ao cimo da montanha respondendo um chamado. que não a vê.(8) Naturalmente A ondina pula de pedra em pedra na correnteza que desce a encosta. a coruja observa a lagarta verde que laboriosamente deglute a folha.

ofegante. as folhas. após alimentar a família. é hora de voltar para o lar. repousa.(9) a loba procura o seu filhote que está ali por perto. o bem-te-vi é tão belo quanto o seu canto. a onça. doce lar. . uma leve brisa balança a relva.

esbelta. as árvores e as lembranças de um tempo distante. . a cidade cresceu pelas montanhas.(10) Confluência A avó tricotando. sobre a casa. jabuticabeiras. executadas na portentosa empresa. largas avenidas interligam companhias de línguas diversas pela Web. na cadeira de balanço. muitos papéis . a neta. a neta passa veloz. espaços. becos. ereta. vôos. o gato observando. satélites.confluência do tempo mangueiras. enfeitavam o quintal onde hoje se ergue volumoso prédio. tricotando. agora. dá ordens.impressos ou interpretados. capitais nominais ou realizados. .

. sabe que não há proteção nem para ele e os seus: não ouvira o adivinho interpretando os seus sonhos..(11) Tragédia Remota Na espessa floresta cinzenta a espada cumpre sua meta cruzes voláteis sibilam no ar imagens imprecisas de anjos sussurram tentativas de salvamento. a terra tórrida a água circunda o fogo penetra fundas entranhas o ar alteia o fumo para o alto passa a procissão dos pestilentos. apontando com seu descarnado dedo um a um. o príncipe observa da torre do castelo o sinistro cenário. tocando sino. os elegíveis ao desterro dos esquecidos. comanda.. com o seu longo manto e sua foice afiada. se flagelando uns aos outros: a morte. há muito tempo.

e aquela tragédia se perde em nossa memória. ...(12) Só o sacrifício de uma virgem ao ogro – segundo a tradição – pode salvar da fatalidade aquele feudo distante: clamando aos deuses! O céu suspenso aguarda a decisão.

aprisionando-o: décadas. . ciclos.(13) Na Semente Penetrando na semente sentiu-se em um novo mundo. em que o seu amálgama incandescente apresentava-se presente . incrustado desde sempre arrastara-o para o profundo mundo soturno do pugilato interior . séculos? Se perdera nos lúgubres corredores negros vermelhos amarelos que circulavam como veias descendo subindo levando-o de roldão até o imenso portão que rangia ao se abrir deixando-o cair no lago negro e pastoso dos condenados.em toda sua torpeza e beleza.

Chegando ao castelo das incógnitas tentava responder às sutis perguntas dos preceptores e se enredava mais e mais nos abstratos conceitos do bem e do mal que jamais entenderia e se perguntava se alguém jamais entendera. Só então deixou-se levar pelo seu instinto fiel que o socorreu dando-lhe a mão nobremente permitindo-lhe sentir a palpitante vida que nele ainda havia.(14) Saíra ofegante tropeçando em sua dor pelos restos estorricados da mata dos erros. .

...dentro e fora da semente paralelamente. um lindo céu coberto de brancas nuvens luminoso e promissor: sabia que seguiria as suas trilhas .(15) descortinava vales e montes que percorreria.

Nesse tom lusco-fusco da perdição rodopiam céleres caindo na maldição da inconsciência – estigma da sombra e da luz. .(16) A Sombra e a Luz A sombra busca a tragédia. Ela está perdida na forma nos dogmas nos hábitos e preconceitos. Ela fecha a armadilha e não permite que a luz se expanda e viva como a luz deve viver – livre – Ela cerceia todas as saídas possibilidades e alternativas para a luz e no redemoinho sem fim se abraça na luz e impede que seja ela mesma – a luz – Nessa espiral rumo às profundezas a luz não é mais a luz a sombra não é mais a sombra.

Na terra do espelho tosses crônicas pesadelos repetidos olhares fixos à espreita da vizinha lânguida volúpia. . Místicas práticas solitárias em busca da verdade.(17) A Casa Casa dos sonhos suspensos dos tempos perdidos dos alvitres omissos da quebra na espinha. Legenda de um tempo que se foi.

abstratas filosofias tudo negam. com fibra vence sua batalha! . nos observando. nos deparamos com a luz divina. em seu destino. Aparecida – N. subitamente topamos com tranqüila tarde que nada nos pede nem promete.(18) Pacífico Retorno Nas procelas. infância perturbada violada corrompida juventude suicida destruída escondida usurpada do seu maior bem. Na corredeira. A sorridente bancária nos salva a pátria. repentina. muita luta interna. na ribanceira. Na tormenta. Sra. sem pão. deslizando: branco piso traços negros se cruzam. nos salve! Perdidos estamos. A vendedora da lotérica vestibulanda de medicina obstinada luta idealizando seu grande prêmio no futuro positiva acreditando em sua vida. meditação.

. recompensado.(19) Tarde morna tranqüila sinto-me refeito. sinto pacífico retorno a mim mesmo como se nada devesse a quem quer que seja.. 13/10/00 . ondulando a tarde se escoa.

. menos nas horas de folga.mão contra a maré singra mar interior.(20) Delito Supremo Se compromete. ousa vislumbrar o íntimo de si de outros afunda na contra .. bombas de profundidade lançados da superficial. petardos. saciedade.. desvia de torpedos. Cada segundo de luta dos exércitos escaravelhos cortinas que mudam do negro para amarelo rompe a prostração o peso do controle o olho que olha e julga julgador feroz fantasiado de cortês não levanta a voz mantêm a finura.

. quem dera que a espera compensasse ou sanasse a insensatez que sempre se fez se por acaso se nota um descaso àqueles usos permitidos jamais abolidos.(21) Sucede que a primazia é da malícia obstruindo a fluidez.

nem percebem a perda de tempo oportunidades libertações. Não aceitam inovações. Palavrório vazio não querem romper o círculo de concreto. . de sombras.(22) Imagens e Sombras Imagens do espelho: verdades ocultas que nunca aparecem no mundo de cá. Sombras arcaicas lutam entre si desde o passado nunca aprendem não sabem ouvir nem deduzir apenas repetem herdadas posturas.

.(23) Nas janelas vazias de utopias olham nada vêem além do quadrado mundo rotundo.

. quando sua vida começara nem tão boa fora ainda assim deixara alguns traços de sons imagens que agora voltavam lhe embalavam em direção a um teatro onde três lindas jovens cantavam em perfeita harmonia ali ficou perambulando enternecido emocionado em tons esmaecidos no escuro de um canto invisível.(24) Ouvinte Enternecido Levantou-se da penumbra amortecido ouvindo doces vozes qual passarinhos contavam em suas melodias compassadas sonoras delicadas belas histórias que lhe tocavam o coração a memória há tanto esquecida de um tempo tão distante séculos...

(25) A Trilha dos Peregrinos No inóspito mundo ela surgiu enfrentando choques tamanhos difíceis de suportar marcantes usurpada foi na juventude seguiu seu caminho mesmo marcada com seu par tentou lutou prosseguiu juntos encontraram novos caminhos descobriram emoções sentimentos em planaltos áridos montanhas tortuosas respirando a vida descoberta filho filha novos horizontes ensino poemas .

O mundo abarca todo o universo grande mistério além da nossa mente. .(26) a trilha dos peregrinos seguem no longo diapasão desde o passado almas voam pousam caminham forças internas fé compreensão nos mundos prático teórico anjos ao lado resguardam com seus escudos deuses santas santos em seus mundos também aqui estão é só fechar os olhos e sentir.

(27) As Mulheres Mulheres: mistério fascínio atração em todos os tempos um sorriso um gesto montanhas becos curvas olhar que diz refuga amplia presença permanência origem natural sabe os códigos ao embalo das ondas da avó lua da mãe terra de Vênus renascida na concha amparada por Netuno sussurros das antigas feiticeiras filtros do amor certeza do dever receber gerar doar conquistar sutilmente artimanhas tramas dar sentir prazer nascer morrer. .

Pigmeus entre a mata no coração o centro de onde brota a vida. A história é mestra no cume nevado no fundo do mar civilizações perdidas. Hordas de gigantes abissínios. Multidão humana atravessa os séculos na areia do deserto o camelo elegante escombros de templos.(28) No Último Ato Pensamentos seguem acontecimentos murcha o sentimento paredão na mente explosão matança lá e cá. .

(29) A morte transforma no vale de Dante atravessamos. . Qual é nossa origem e nosso destino na nave mãe? Salvos no último ato por deuses antepassados medonhos estranhos abstratos.

(30) À Noite Noite suave tranqüila esconde a lua crescente em nuvem discóide andorinhas e pardais se recolheram a jovem também se prepara se ajeita buscando a melhor forma do seu corpo no lençol macio no travesseiro que acolhe seus longos cabelos seu lindo rosto cansado afogueado após a briga com o namorado e um dia penoso com tanto trabalho professores loquazes amolece e se entrega ao sono sorrateiro .

(31) sonha em azul e verde com a terra refeita mares límpidos árvores sem medo animais confiantes ares potentes gente sorridente e um novo namorado com um coração apaixonado sensível equilibrado. .

(32) A Moça Dois anjos faziam seus relatórios observando um cão vadio procurando um osso a fumaça se espalhava entre os carros e as fábricas a moça se encolhia protegendo os seios do frio naquela neblina que tudo mesclava vultos horizontes promessas o olhar do homem a acompanhava com ternura e desejo se desviava da poça d’água esperava o carro passar chegava ao trabalho na rotina daquela segunda-feira como tantas outras. .

(33) Devastação A torrente de lava sinuosa descreve seu trajeto brilhante na escuridão gigantes batem seus martelos no ferro amolecido dentro do vulcão o povo corre sirenes anunciam a devastação ambulâncias cheias de corpos vivos e mortos lembram guerras dos homens fumaça cheiro forte de enxofre árvores são cinzas a aldeia lá em baixo deserta muitos param de amar ou até de matar a ilha balança a montanha dá estertores e vomita num grito horrendo chamas com pedras derretidas engolfadas em cinzas nuvens cobrem o espaço .

.(34) a noite vem depressa os gigantes se levantam sacodem o monte que treme com a ilha e o fundo do mar a onda que vem imensa assombra as almas nada escapará à natureza não há impunidade do fundo de cima o mesmo tormento que trará paz às almas sôfregas que tudo esperam.

(35) Bicho – do .Mato Sozinha distante de todos não se reconhecia não sabia beijar nem amar não saia de dentro de si lutando contra a sociedade também não sabia mentir. Difícil ser humano ser bicho-do-mato na cidade demonstrar suas emoções ser um entre tantos e tantas desenvolver suas peculiaridades seus gostos aversões atrações escolher o que quer definir seu caminho manter-se coeso em seu interior sem se dispersar de si mesmo equilibrar-se entre si e o outro e os outros no meio dessa multidão heterogênea e díspar perdida e camuflada e no entanto guardando a experiência da espécie. .

Trunfos aos competidores da global economia. Homens traziam trabalhos baratos ganhos com tormentos nunca ouviam prognósticos de melhores dias. Corrida acelerada rumo ao novo milênio. Tempos amorosos jaziam nas memórias dos casais talvez esperando melhores dias de verões em litorais. salvo utopias. Um mundo de gente indigente ou emergente. .(36) Tempos Modernos Tráfegos tensos imensos bêbados corriam trêfegos tropeçavam caiam sem vez de viés na pista poluída. Suas lidas severas bridas com as mulheres ombro a ombro sonâmbulos erravam em suas casas em ciosas noites penosas.

(37) O Espírito do Natal Papai Noel se arrumou saiu pelos céus com seu trenó puxado pelas renas ia de país em país de cidade em cidade nevadas ensolaradas pequenas grandes ricas pobres atendendo aos pedidos das crianças de todas as cores que sorriam felizes brincavam com seus brinquedos e cresciam pouco a pouco até se tornarem adultos com almas puras corações generosos tocados sempre pelo espírito do Natal. .

.(38) Empurrando o Dia Empurrando o dia frágeis almas desamparadas no vácuo rolam soltas hemisférios nebulosos repete-se a esmagadora pressão no interior do globo rochas golpeadas pelas ondas nas enchentes marés na escuridão do quarto o tempo chega e sai nirvana rompido pelo sobressalto nenhuma certeza até o instinto vacila perante a destruição sucessiva.

a ruiva com ar de espanhola fatal se sentou. a negra de olhar e expressão atenta aos poucos percebia a sua beleza diferente das claras pensava que ela seria a representante da primeira raça – de onde tudo começou depois postergada pelos nômades invasores. Sempre via pequenos detalhes que aos outros passavam despercebidos e guardava aquelas lembranças que batiam lá dentro de vez em quando em um infantil retorno à meninice como se nunca tivesse deixado de ser criança .menino Observava os finos pêlos do braço o olhar de peixe-morto depois aceso de novo baixinha. em pé no ônibus.(39) No Ônibus/ Poeta . depois desceu.

.(40) aquele sentimento de que tudo estava rodeado de uma auréola de prazer magia fábula sei lá. quem sabe? Pelo menos ele os entendera.... loucura? Possivelmente era louco em um mundo são/insano pois em seu mundo infantil tudo fazia sentido e em seu mundo adulto tentava encontrar sentido mas não achava criara seu próprio mundo particular que ninguém entendera talvez Narizinho Emília Pedrinho tia Nastácia Dona Benta o Visconde de Sabugosa Rabicó o entenderiam..

Música ao vivo com chuva dá para aliviar a tensão a loura de olhos azuis explica os quadros expostos. . das situações difíceis que nunca se resolvem. Ele viaja em sua imaginação potente naquele ambiente com paredes meio vermelhas ao lado da esposa.(41) Na Tarde de Domingo Chuvosa Casinhas no alto da montanha cansaço bate nos ombros: da vida. Ele é um burguês com certeza depois de três cervejas na tarde de domingo chuvosa ao som de Djavan e bossa nova intercalado com conversas íntimas que lhe auscultam responsabilidades de pai de família arfante levantando a bandeira branca. Mulheres alegres gostam das músicas o cantor sorri e se esmera.

do “Amaranto”) Levado pela música no espaço sentimento ouvia o fogo brotar em sutis movimentos círculos sonoros o conduziam ao segredo do si mesmo. Saberia olhar as almas artistas que conduziam suas fibras nas suas moduladas vozes vibráteis pulsáteis? Os semblantes jovens sorriam suaves na doce missão de salvar seu coração de si mesmo. .(42) Doce Missão (dedicado às jovens cantoras Flávia. Lúcia e Marina.

O peixe saltita sobre a água espumosa arde o sol devagar o silêncio aumenta mais pequenas ondas alegres. .(43) Haicais/Tankas Árvore frondosa está no meio do bosque sopra vento frio segue o lobo caminhando junto com o seu filhote.

filme dirigido por Wim Wenders. A trapezista linda comove o anjo Berlim recebe um mortal. Baseado em “Asas do Desejo”. . Operário no ar cimenta emoções o pedestre desvia.(44) Olhos dos poetas nos poemas dos colegas ao vencedor louros. Paz na alameda silêncio das esfinges besouro recicla a vida.

. rente a porta ouve o clarim soar astuto estribilho veste a farda no Natal dois mil.(45) Variações Sobre um Mesmo Tema Só. No Natal dois mil vestem fardas Maomé Moisés Jesus aguardam.

.(46) Lua Marés refluem fluem circulam musas noturnas entregas seivas internas flores perfumes sementes despertas ardores regras humores músicas poemas nascem uivos de lobos cães ciclos natureza.

.(47) Medos em Pêlos Saltimbancos tonéis nababescas volúpias tempos romanos Neros saturninos mistérios dinásticos ossos catacumbas medos em pêlos.

Entrego minha pele molhada hesito antes de dar a mão e te levanto do leito cansada ajoelhas palpitantes teus seios pendentes encostas em mim teu ventre ardente.(48) Salvar Nossos Momentos Queria encontrar aquele alento para salvar nossos momentos ouvir tua voz silente nua cruzar minha boca além estontear minha alma sonora deixar entrever tua pupila em gozos embriagantes. .

(49) No Rodopio do Desejo Mergulho frente à montanha rompida abraçado aos pilares redondos entrevejo o ponto zero sobre a marca direta do nascente admiro tanta beleza perfumes estonteantes tonteiam volteando ela se mostra interna penugens em torno da nua carne além o ventre expansivo conduz aos crescentes montes inebriantes pontiagudos mais além o cume da lindeza em queixo faces lábios fundos olhos caminham ao mistério cabelos misturados ao conjunto permaneço presente no enlace faces ventres pés o tempo esvai o espaço circula descobertas intensas rodopio do desejo encanto paixão. .

.(50) A Tesoura Diária Desperta prossegue a lida língua renhida trabalha na medida tesoura diária corta panos desenganos supre corpos colossais esbeltos governamentais citadinos espectrais orbitais sensuais globais heterogêneos.

. Abóbada azul escura perfurada completa.(51) Da Janela Cachorro late ressoa o eco do outro lado da cidade. Eco? Ou outro cachorro na cumplicidade? Lua quase cheia estrelas espraiadas prédios casas no enorme côncavo pirilâmpico.

(52) Na Antiga Torre Na viciada torre entre pândegos e morcegos consumia a própria vida em cada vela acesa apagada no amarfanhar do tempo omisso ante cósmicos demiurgos cegos rompantes inundados de vis serpentes obscura janela azuis mares horizontes despercebidos tonalidades mordazes subir descer escadas infindáveis só perante o destino homérico solícito espera gueixas olvidáveis espreme o germe noturno entre dedos sucumbe perante tantos enredos serpentinos de mente inconsciente no sarsório quente do lajedo perante o mundo cego eis o homem. .

(53) A Espera Pachorrenta úmida rua despencam grandes galhos verde – claros árvores em alameda casa antiga . . Sentimentos desatentos morena passa com requebro até no rabo-de-cavalo. Bairro antigo elegante casas sossegadas jardins verdes com grades.museu de todos lados cantos de pássaros alegram ar chuvoso céu nublado.

Estanca o tempo no negro momento absurdo obscuro só.(54) Poema Na sibilina fonte a musa deixa fluir de si a torrente tépida em cascatas à nascente manhã engolfada na busca da poesia perpétua em que se debate o poeta. Do nada surge o lamento puro sentimento morte nascimento jacto de luz poema. perscruta o nada lento míope síncope. .

Ritual de amor celebra natureza. doa beleza com curvo céu .(55) Praça Sete Circula tanta gente em torno obelisco aponta o céu.vencedor de longitudes. .fértil. Símbolo do distante passado: íntima união entre terra opulenta .

(56) Princípio e Fim Dança de médicos e pacientes no plantão noturno até o de braço enfaixado se embalança ao som inaudível inverossímil deitado na maca se anima e sorri lembra antiga namorada de pernas finas doutora clara o examina mulher olha ciumenta no neurônio explode dose homeopática percorre meandros despercebidos desce solene às fúnebres catacumbas oriundas de distantes plagas perturba sua índole mal vinda nos furibundos grotões subterrâneos pelo canal gélido segue no barco conduzido por seco teso semblante o som perdura no túnel sem fim sucedâneo de trágicos facínoras percebe sua doença imensa ao fundo uma luz distante inalcançável – alquebra-se ao fado em perfil sinistro – respira doses agônicas em rítmicos espasmos tertúlias do universo o penetram emerge e submerge perante sombrio deus envolto em veste milenar. . com um só olho – seu lobo. seu corvo princípio e fim se entrecruzam no monte onde menires perfilados escondem o mistério.

(57) Amor Puro (baseado em “Hotel de Um Milhão de Dólares”. . filme dirigido por Wim Wenders) Ama tanto se despede vôo em parábola janelas com vida. É tarde se descobrem em amor puro que pouco dura.

Ritmo sincopado ladainha silente sonoro dolente dorme. Cônscio. . O tempo constrói cada frase do espaço transidas eras das pedreiras romanas suor exangue com meu sangue centenas de escravos contritos nos montes lapidados em açoites nas naus borrascosas. Modorra – acordo atento em meus passos sorrio na contraluz desse dia escrevo no minuto antigo órbitas em augúrio perpassam silente espero a onda que bate acorda a quimera sonâmbula. me deixo levar no ar balouço entre folhas que dançam ao sopro da terra.(58) O Tempo Perde-se enternece-se emudece-se. Tempo presente no breve momento que adentra minha alma em fogo que afaga sigo – acordo. me esqueço – prossegue o tempo. embora ausente de mim passo ao longo do meu vácuo.

(59) Da Janela II Olhos ciclopes brilhantes me apontam. Nuvem fauno só. Nevoenta lua nova. .

.(60) Ararinha Azul (o IBAMA constatou a extinção da ararinha azul. O último espécime desapareceu) Ararinha azul no azul no azul ararinha no azul azul ponto no infinito no azul no azul ararinha azul para sempre.

Lobinha – cachorrinha destila afeto pula com minúsculas molas nas patas.(61) Ao Cair da Tarde Nuvens esfumaçam em cinzas azuladas copa se agita – velozes folhas balançam lembram gigante tremulante ao som de guizos flautas ciganas. Toca o distante jazz no outro hemisfério nostalgia antiga circunda meu olhar distante em um filme “noir”. . Pelo ar gotículas de água se embatem tentam alcançar em caminhos nervosos o barro o asfalto.

Na mente vazia de silvo e bramido tenta se erguer ao gosto do chá. Incréus solidéus com queixos em pontas no quintal do seu breu noturno. Losango espiral cai e gira no espaço rumo ao asteróide. envoltas na lida da pedra escorrida. com brotos de bambus. . Na ponta do dedo passa emoção. Corpúsculos passeiam entre colunas giram em torno do corpo virtual no ritmo bactéria silente e amplo. Supremas madeixas estreitas cheirosas conduzem ao céu.(62) No Vazio e no Nada No vazio e no nada sentencia.

assim permaneço . Cerne do ser – sou círculo inteiro. Mundo profundo é enigma de mim: aí me ancoro longe das vagas das águas impetuosas céticas ansiosas. semblante arcano. potente. Medo soletro na escala vital na pia batismal da idade madura.(63) Amplitude de Mim Gruta escura com lago no fundo: mergulho na água salobra rochas misteriosas pouco amistosas sigo profunda rota grave ao silêncio abissal transcendente além da mente. inconveniente. Amplitude de mim. Giro em todas idades perenes. não sou eu. com nova estatura. Abarco um mundo. célere.

e quem tem vida interior jamais padecerá de solidão” (palavras do escritor e musicólogo Artur da Távola) Corre com o destino no caminho aberto. A tropa sobe a encosta perfilada. com garras tenazes.o baque é muito forte pode perder-se para sempre volta-se e vê o tigre com dentes de sabre que se destaca dentre as rochas redondas. “Parsifal”) “Música é vida interior. pontudas. deserto . Não sabe se lança-se .só encostas abruptas o observam iradas assombradas. Sente alívio por ser ele mesmo . De quem será a vitória? Atritos entre a tropa e sua alma? Vê no alto do monte a taça brilhante percorre os meandros de caminhos entre os montes no fundo da alma sente vastidão profunda infinda.(64) Destino (ao som de Richard Strauss – “Uma Vida Heróica” e Richard Wagner – “O Holandês Voador”.em seu caminho solitário sabe que a glória o alcança em seu ser desnudo. . abutres entre galhos e troncos poderosos.

(65)

Nuvens aproximam-se, refrigeram sua cabeça rosto peito. A luta é de sempre - permuta entre dor felicidade no ponto em que avança ou se perde. Se lança no abismo sem fim da sua alma tudo é trevas vento veloz dentro de si a glória espera - na gruta em que um dia nasceu há uma luz no fundo mais profundo, depois das trevas. Vaga no espaço levado pelos ventos possantes almas passam ao largo, seguindo as nuvens aves claras e escuras circulam, mergulham no espaço, demônios espreitam com suas garras e armas duendes correm, ninfas se deitam. Sente a dor pungente da sua mente - que perscruta passeia dentro de si em ritmo de emoção sensação. No ostracismo prossegue seu destino sem fim sabe que bem no íntimo resta resposta, busca. Seu coração tilinta bem fundo, na vida sua e infinita. Vislumbra a taça no último instante - antes que tudo termine voando no espaço sabe que não há morte, vida. Encontra-se consigo no fundo do abismo. Sente que a luz permeia as trevas, se enleva antes do baque que o leva ao mistério - supremo enigma - seu destino se cumpre fechando antigo círculo.

(66)

A Mercê do Meu Alento

Estou no momento a mercê do meu alento em tropeços e trombadas passeio a esmo as fidalgas profecias consoante minha sina perduram nas esquinas, porventura em neblinas - não se perdem nem prometem. Degluto o ralo instante com passo cambiante e prefiro o raro entrecho de novos silos perfeitos símbolos conduzem a corrente nessa variável quermesse em que sisudo percorro a tarde fria com gente passante. Levanto a anchova que discrimina e envolve, nunca volto – persigo o mote que não se repete, simples vida com crescentes novas pluviosas destemida vence a índole e a ferida. Sou só eu entre palavras letras planetas escalpelo minha alma ama de mim hirto avanço passo a passo no crepúsculo luminoso – abre nuvens em ventos e luas vadias – inspira o raio perpétuo honesto.

(67)

Sangue e suor são meus – olhos infindos. Deus meu! Não percebo a constante inspiração – o volume da vida no orbe além da urbe – acomete o cintilar do seio púbere. Tranças cipós em três instantes norteiam minha conquista no vale desértico mutante.

estudos de cruzes e rosas.ausente de cabeça para baixo vejo o mundo numa fresta que longe vai .sinistro me sinto bebo o absinto mental.passa pela Ilha da Fantasia. espero o computador sair das suas neuroses congênitas herdadas do Bill Gates (ele sabe de tudo que acontece na Web!). . o bom senso aqui está .ou não? Penso repenso e nem sempre cogito o meu ocidente segue linhas que esbarram no horizonte. das profundas. depois retorna aos Horizontes outrora Belos meros acidentes geográficos .o vazio a lembrança cenas antigas futuras .(68) Elucubrações Silenciosas Junto ao afeto canino ouço batidas de tambores africanos. o meu oriente faz circunvoluções além da mente e perde-se em elucubrações em um espaço com tantas dimensões: umas originam outras tantas.pela doidice. Tenho que calar meu bico . A mente torta desentorta . a noite com pequenas luzes folhas prédios casas ruas gritos risadas silêncio no quarto .escrevinhador com pulso firme.procuro o silêncio da mente.presente . a mente vai e volta em intermináveis meandros que se perdem em si mesmos . Frente à janela gradeada. O verso queda lerdo .

decresce. que nasce como o bebê – estrela de 2001. Desanimo ao ver o lúgubre esboço do quadro transeunte . sou íntimo do negror. Lido com a vida à espera de um momento pleno da contraluz. minha alma se entreabre estreita. Estupor – a corrente ágil transmuta inocência.(69) No Fundo das Entranhas Bate o compasso no fundo das entranhas o coração ressoa pelo céu e penetra minha alma alquebra na onda fragmento assombra o lívido momento da luz que desce. Me permito da janela vislumbrar ausência. só sem sentir o relance do salto difuso. tanta dor – rolo pela encosta sem rumo.flutua no espaço negro com cores sombrosas. . Cultuo o princípio perene.

. perdida entre estrelas.estanca a cada golpe do mundo vil perdido na morte. meras figuras diuturnas.(70) Peço perdão ao poder nas pedras plantas céus. Nada fiz nada faço. No meu cerne sereno pressinto perda da luz infantil . silencio contrito. quimeras. marcaram meu mundo – frente ao descrente impacto da vida que segue longínqua. Oh.

Lábios gulosos procuram vias no alto embaixo .as vezes se encontram. Aberta lisa recebe meu estro. Lá.(71) Num Átimo A mão silente escreve exaure os fluídos mentais na madrugada fria úmida. vizinhos amigos. bem lá no fundo nada sabemos perdidos no mundo vazio. desliza na úmida acolhida abraçam polpas dobras sestrosas. Somos todos circunstanciais .brota o ovo germinal.na passagem frente aos portais. outro pé.gozo frondoso! . Unidos resgatamos o sentido num átimo . Silvos gemidos repetidos células suadas se multiplicam o pé. No fim no centro do mundo . atravesso incólume o desterro.

trazendo sabedoria esquecida. evangelhos apócrifos que abalam cânones? Ou um gigante filisteu com um só olho no meio da testa? Ou um futuro rei com uma funda na mão pronto para lutar. defender seu povo (sob o Deus poderoso e patriarcal) de todos os inimigos vizinhos? Ou Madalena. onde brotam bocas de escuras grutas: Antigos manuscritos. rica. até três séculos após. enrolados dentro de grandes potes de barro. com sua irmã e seu irmão. sábia.(72) Das Colinas de Golã Quem surge das colinas de Golã? Das suas reentrâncias rodeadas de rochas. ser substituído por outro (criado pelas Bulas dos Concílios)? . do essênio que mudou o curso da consciência com seu exemplo. seguidora.

valsas. Sou assim imperturbável impenetrável acompanho as palavras breves soltas leves na brisa fresca que sopra das melodiosas frases do piano de Chopin . mazurkas. Emoção reflete todo o ser qual diapasão nas notas delicadas dedilhadas em cada instante contam segredos da alma solitária pungente dolente sinto o compasso do mestre presente. baladas .polonaises.(73) Doce Vida Ó doce vida misteriosa ambígua entre brancas nuvens meu peito suspira ansioso ao encontro da ave azulada que desliza intocada em curvas amplas e mergulha sem medo encolhendo suas asas no espaço e passa pelo rochedo inclina-se na água.som suave toca de leve meu sentir respiro mais solto em pleno gosto de ouvir sigo cada linha crescente no ritmo candente. Minha alma a acompanha em seus movimentos e sabe ser livre naqueles breves momentos e esquece o impassível ser que nela habita cansado exaurido das tormentas que batem em sua porta desde longínquos tempos. prelúdios. noturnos. .

vamos.vou ao fundo e retorno. a mim. nos encontramos e conversamos pulando brincando esquecendo a seriedade da vida enredada em nó. ela me pergunta das minhas dores anseios desesperos enleios . Danço com a música. No ritmo tranqüilo a melodia suave e nobre pergunta e responde a ela. . voltamos. quem me dera correr tão rápido a ponto de singrar doce lago.(74) Mais rápida a vida passa e permite a entrada da voz silente que canta qual canoro oriente entremeada com o balé que brinca e se entrega e permite que eu me sinta saltitante dentro de mim .e mais enérgico agora.suave penetra em mim joga-me de encontro à uma emoção sublime que encontra a certeza do ser escondido lá dentro. somos assim nós dois em um só .

Sigo o meu instinto . Não sei que eu sou eu .tudo reluz em esplendor! Vivo a plenitude da vida! Sou um elo da Grande Corrente Deus. fogo. O anjo expulsa o homem e a mulher do Paraíso. deuses. A mulher dá a maçã ao homem (na árvore.não me conheço. a serpente). na Igreja de São Francisco de Assis (Pampulha . Uma luz surge . bem visível).base da vida. água. Deus cria a mulher (com o homem dormindo). faço parte Dela .é Deus que ilumina a escuridão da minha inconsciência.(75) A Criação Inspirado nas esculturas de Ceschiatti sobre "A Criação". terra. .Belo Horizonte): Deus cria o homem (o Deus antropomórfico. plantas.sou uno com a Natureza. animais. ar. anjos. Sou feliz .

(começa a história.(76) Surge a mulher: abro os meus olhos .lá está ela tão bela! Que lindas formas! O meu coração bate mais forte! Ela me atrai. competição.)! .. mas somos . somos tão diferentes. quero me integrar a ela.completos em nossa inocência). O amor palpita em nós desde o primeiro instante! Ela é tão inocente quanto eu (não sabemos ainda que somos inocentes.. a pré-história. massacres. com o instinto vital deixar que o intelecto racional lógico avance e nos abra as portas para um novo mundo: ciência. A mulher me oferece a maçã: (a serpente observa) vamos dar o grande passo inescrutável.. religião. ciclos. tempo.. história.. espaço.. guerras. declínio. imponderável romper com a Natureza. progresso.

nossa mãe. eu e a minha companheira descemos a estreita trilha. aquele? Qual conduz ao abismo? Qual leva ao cume da montanha? A dúvida nos persegue até a morte.(77) O anjo nos aponta o portal acabou a felicidade perene de ser um ser integral da Natureza . de Deus . vida . (não são ambos o mesmo?) Abraçados.. já em dúvida sobre qual o caminho a seguir: esse..não são ambas a mesma?) . (Morte.nosso pai. adentramos a floresta escura.

provoco mudanças naquele instante premente. outro ali.me lembro. das prisões. sublime viagem.(78) O Anjo Vôo pelo espaço entre os astros. inconsistente. O horizonte se incendeia na tarde que se despede. Rolo com os animais na relva .meus irmãos – deliciosa sensação. incoerente. Combates antigos em tantos séculos . O Poder por mim perpassa: O cumpro segundo Seus propósitos . estava presente. . nem de gênio .dou um toque aqui. Sinto gosto pela vida. Sorrio com gosto: danço com ela. Nem mão de Midas. Desperto os homens das convenções.

preterida. incontinente conjugava o verbo ausente e deplorava mais e mais haver aceito a conseqüência da marcante presença de tanta vida espalhando-se. consciente dos murmúrios dos eternos insetos. frente a frente. sonoro. medos esquerdos. correntes. bem urdida. antigos eleitos. Santa bonança enlevava a concórdia aos píncaros sonâmbulos. espremido em lunar banquete. porém envolvido com suave bacante. aguerrida. em repente comovente. pela ilha esquecida. o anônimo pensante. . evolutiva. nem tanto ausente. ululava. a seu ver. geradas em mentes conseqüentes aos atos marcados por burlas insondáveis. perfeitos. seqüência da vida – nobre conquista – anterior à sua desdita. Surpreso.luz da aurora embora não a visse surreal. espectros em folguedos.(79) Anônimo Pensante Estava à meia . carcaças de baratas. bem ao fundo das tormentas insaciáveis. pela contínua. ao lado do oceano. embates de miasmas.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful