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A Semana de Arte Moderna

O QUE FOI?

A Semana de Arte Moderna aconteceu durante os dias 13, 15 e 17 de


fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. Cada dia da
Semana foi dedicado a um tema: pintura e escultura, poesia e literatura
e por fim, música. Apesar de ser conhecida como a Semana da Arte
Moderna, as exposições aconteceram somente nesses três dias:

No dia 13, Graça Aranha proferiu a conferência "A emoção estética na


arte", na qual elogiou os trabalhos expostos, investiu contra o
academicismo, criticou a Academia Brasileira de Letras e proclamou os
artistas da Semana como personagens atuantes na "libertação da arte".

No dia 15, Oswald de Andrade leu alguns de seus poemas e Mário de Andrade fez
uma palestra intitulada "A escrava não é Isaura", onde se referia ao "belo horrível" e
evocava a necessidade do abrasileiramento da língua e da volta ao nativismo.

Na noite do dia 17, houve a apresentação de Villa-Lobos. A Semana


prestigiou e promoveu o talento do artista, transformando-o, pela boa
acolhida do grande público, na figura máxima do período nacionalista
do qual se insere a produção musical modernista.

A Semana de 1922 representa o marco do lançamento público do Modernismo


Brasileiro, uma vez que os artistas que lá exibiam suas obras tinham como objetivos a
ruptura com as tradições acadêmicas, a atualização das artes e da literatura brasileiras
em relação aos movimentos de vanguarda europeus e o encontro de uma linguagem
autenticamente nacional. A idéia era atualizar culturalmente o Brasil, trazendo as
influências estrangeiras, colocando-o ao lado dos países que já haviam atingido sua
independência no plano das idéias, das artes plásticas, da música e da literatura. A
partir dela, iniciou-se uma década de polêmicas, provocações, invenções, brigas
estéticas, enfim, uma farra que parecia inesgotável, levando Mário de Andrade a
afirmar que os oito anos que se seguiram à "festa" do Teatro Municipal foram "a
maior orgia intelectual que a história artística registra".

Agora que foi explicado o que foi o evento, seus objetivos, é provável que se pense:
Mas, como surgiu a idéia de montar uma Semana de Arte Moderna? Mário de
Andrade deixa bem claro, que não foi dele: "Por mim não sei quem foi, nunca soube,
só posso garantir que não fui eu". Porém, com a ajuda de registros do livro de

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memórias de Di Cavalcanti chamado "Viagem de Minha Vida - Testamento da
Alvorada", ele assinala que foi ele o idealizador da Semana de Arte Moderna, tendo
como um modelo a Semana de Deauville, na França. Assim ele sugeriu a Paulo Prado
a realização de "uma semana de escândalos literários e artísticos de meter estribos na
burguesiazinha paulistana". Analisando agora o evento, há que se dizer que o público
não teve a mesma reação frente aos diferente tipos de arte. As artes plásticas foram as
que tiveram melhor repercussão.

Semana de Arte Moderna

Cronologia

Alguns Fatos Importantes que Antecederam a Semana de Arte Moderna de 1922

1911 — Oswald de Andrade funda o periódico "O Pirralho"

1912 — Oswald chega ao Brasil trazendo da Europa o conhecimento de novas formas


de expressão artística, como as de Paul Fort e as sugeridas pelo "Manifesto Futurista"
do poeta italiano Marinetti. Surgem as primeiras colagens de Braque e Picasso,
possíveis origens do cubismo

1913 — Exposição do pintor Lasar Segall em Campinas (São Paulo)

1914 — O francês Marcel Duchamp lança os ready-mades

1915 — O poeta Ronald de Carvalho participa no Rio da fundação da revista


"Orfeu", dirigida em Portugal por Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro

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1917 — Exposição de Anita Malfatti. O escritor Monteiro Lobato escreve o artigo
"Paranóia ou Mistificação?", onde critica vigorosamente as inovações na pintura de
Anita e se envolve em uma polêmica com os principais artistas do movimento
modernista

1918 — É lançado o "Manifesto Dadá"

1919 — Surgimento do Fascismo na Itália e adesão de Marinetti

1920 — Oswald de Andrade e Menotti del Picchia fundam a revista "Papel e Tinta".
Graça Aranha publica "Estética da Vida". Victor Brecheret expõe as maquetes do
monumento às Bandeiras (SP). Exposição de Anita Malfatti e John Graz.

1921 — Oswald de Andrade publica "Meu Poeta Futurista" e Mário de Andrade


responde com "Futurista?!". Mário publica o artigo "Mestres do Passado"

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A SEMANA

13.fev.1922 — A Semana de Arte Moderna é inaugurada no Teatro Municipal de São


Paulo com palestra do escritor Graça Aranha, ilustrada por comentários musicais e
poemas de Guilherme de Almeida. O primeiro dia corre sem tropeços. Depois da
longa e erudita fala de Aranha, um conjunto de câmara ocupa o palco para executar
obras de Villa-Lobos. Após o intervalo, Ronald de Carvalho discursa sobre pintura e
escultura modernas. A platéia começa a se manifestar. Diante dos zurros do público,
Ronald de Carvalho devolve: "Cada um fala com a voz que Deus lhe deu." O gran
finale surge na forma de um recital de música comandado pelo maestro Ernani Braga

15.fev.1922 — A noite que celebrizou a semana começa com um discurso de Menotti


del Picchia sobre romancistas contemporâneos, acompanhado por leitura de poesias e
números de dança. É aplaudido. Mas, quando é anunciado Oswald de Andrade,
começam as vaias e insultos na platéia, que só param quando sobe ao palco a
aclamada pianista Guiomar Novaes. Heitor Villa-Lobos se apresenta no palco do
Municipal apoiado em um guarda-chuva e calçando chinelos

17.fev.1922 — A última noite da programação é totalmente dedicada à música de


Villa-Lobos. As vaias continuam até que a maioria pede silêncio para ouvir Villa-
Lobos. Os instrumentistas tentam executar as peças incluídas no programa apesar do
barulho feito pelos espectadores e levam o recital até o fim

Logo após os bulhentos espetáculos do Teatro Municipal, é lançada a revista


"Klaxon", que divulga as produções da nova escola. Calcados no êxito conseguido
com as agitadas noites de fevereiro, os jovens artistas conseguem espaço e estímulo
para, ainda em 1922, dar continuidade ao seu trabalho. Mário de Andrade lança
"Paulicéia Desvairada", o livro de poesias no qual todos os procedimentos poéticos
mais arrojados eram expostos e reunidos pela primeira vez. Oswald de Andrade lança
"Os Condenados".

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INFLUÊNCIAS EXTERNAS

O Modernismo é uma designação ampla da tendência vanguardista de romper com


padrões rígidos e caminhar para uma criação mais livre, verificada
internacionalmente nas artes e na literatura a partir do fim do século XIX e início do
XX. Trata-se de uma reação ao academismo, parnasianismo, romantismo, realismo,
naturalismo e simbolismo.

Desde o início do século, o panorama nacional era de identificação e ecletismo. Além


de propor uma renovação, o que tem clara influência dos princípios modernizadores
estrangeiros, os idealizadores da Semana de 22 defendem a criação de uma arte
vinculada à realidade brasileira. Expressam um espírito revolucionário que rejeita a
arte do século XIX e as influências estrangeiras do passado, e defende a absorção de
algumas tendências estéticas internacionais para que elas se mesclem com as nossas
culturas populares e indígenas.

Em 1917, Anita Malfatti realiza a que é considerada de fato a primeira exposição de


arte moderna brasileira. Recém-chegada da Europa, ela expõe telas influenciadas pelo
cubismo, expressionismo e futurismo que causam escândalo, entre elas A Mulher de
Cabelos Verdes.

cubismo

O Cubismo foi um movimento em princípio das artes plásticas, sobretudo da pintura,


que, a partir da primeira década do século XX, rompe com a perspectiva adotada pela
arte ocidental desde a Renascença.

Ao pintar, os artistas achatam os objetos e com isso eliminam a ilusão de


tridimensionalidade. Mostram, porém, vários ângulos da figura ao mesmo tempo.
Eles retratam formas geométricas, como cones, cubos, esferas e cilindros, que fazem
parte da estrutura de figuras humanas, instrumentos musicais, garrafas e todos os
outros objetos que pintam. Por isso, o movimento ganha ironicamente o nome de
Cubismo.

O movimento surge em Paris, em 1907, com o espanhol Pablo Picasso (1881-1973),


um dos expoentes da pintura do século XX. O cubismo é influenciado pelo pós-
impressionista francês Paul Cézanne (1839-1906), que começa a representar a

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natureza a partir de formas semelhantes às geométricas. O outro representante do
movimento é o ex-fauvista francês Georges Braque (1882-1963), que, assim como
Picasso, foi influenciado pela arte africana.

No Brasil, o cubismo só repercute após a Semana de Arte Moderna de 1922. Pintar


como os cubistas é considerado apenas um exercício técnico. Não há, portanto,
cubistas brasileiros, mas em quase todos os modernistas se vêem influências do
movimento. É o caso de Tarsila do Amaral (1897-1973), Anita Malfatti (1896-1964)
e Di Cavalcanti (1886-1976). No campo da literatura o expoente é o francês
Guillaume Apollinaire (1886-1918).

expressionismo

O Expressionismo é o movimento artístico e literário que se caracteriza pela


expressão de intensas emoções. As obras não têm preocupação com a beleza
tradicional e exibem um enfoque pessimista da vida, marcado pela angústia, pela dor,
pela inadequação do artista diante da realidade e muitas vezes pela necessidade de
denunciar problemas sociais.

Iniciado no fim do século XIX por artistas plásticos da Alemanha, o movimento tem
seu auge entre 1910 e 1920 e se expande para a literatura, música, teatro e cinema.
Em função da 1ª Guerra Mundial (1914-1918) e das limitações provocadas pela
língua alemã, tem maior expressão entre os povos germânico, eslavo e nórdico. No
entanto, manifesta-se com ênfase também na França por meio do fauvismo.

Nas artes plásticas propõe ruptura com o academismo e o impressionismo. É uma


forma de "recriar" o mundo, em vez de simplesmente captá-lo ou moldá-lo de acordo
com as leis da arte tradicional. As principais características são: distanciamento da
pintura acadêmica, ruptura com a ilusão de tridimensionalidade, resgate das artes
primitivas e uso arbitrário de cores fortes.

O principal precursor do movimento é o holandês Vicent Van Gogh (1853-1890),


seguido por outros expoentes, o norueguês Edvard Munch (1863-1944), os alemães
Ernst Kirchner (1880-1938), Emil Nolde (1867-1956) e August Macke (1887-1914),
o russo Vassili Kandinsky (1866-1944) e o suíço Paul Klee (1879-1940).

Na América Latina, o expressionismo é principalmente uma via de protesto político.


No Brasil, os artistas mais importantes são Cândido Portinari (1903-1962), que retrata
o êxodo do nordeste, Anita Malfatti (1896-1964) e Lasar Segall (1891-1957).

A última grande manifestação de protesto expressionista é Guernica (1937), do


espanhol Pablo Picasso (1881-1973).

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O movimento na literatura origina-se da insatisfação com os limites do realismo-
naturalista. O irlandês James Joyce (1822-1941), com Ulisses, o inglês T.S. Eliot
(1888-1965) e os austríacos Franz Kafka (1883-1924) e Georg Trakl (1887-1914)
estão entre os principais autores que usam técnicas expressionistas.

futurismo

O Futurismo foi o movimento artístico e literário iniciado oficialmente em 1909 com


a publicação do Manifesto Futurista do poeta italiano Filippo Marinetti (1876-1944)
no jornal frânces Le Figaro. Trata-se do primeiro grande movimento artístico de
vanguarda do século XX (o fauvismo se restringe às artes plásticas).

O movimento tem grande repercussão, principalmente na França e na Itália, onde


muitos artistas, entre eles Marinetti, se identificam com o fascismo nascente. A
violência concreta da 1ª Guerra Mundial (1914-1918) é uma prova de que a violência
, defendida pelos futuristas, não é solução para o mundo e o movimento entra em
decadência. Seu espírito de destruição influencia a concepção do movimento dadá.

No Brasil, o futurismo colabora para o desencadeamento do modernismo, que


dominou as artes a partir da Semana de Arte Moderna de 1922. Os modernistas usam
algumas das técnicas e discutem as idéias do futurismo, mas rejeitam o rótulo,
identificado com o fascista Marinetti.

Nas artes plásticas o movimento começa com o objetivo de criar obras com o mesmo
ritmo e o mesmo espírito da sociedade industrial. Para refletir velocidade na pintura,
os artistas recorrem à repetição dos traços das figuras. Para mostrar vários
acontecimentos ao mesmo tempo, adaptam técnicas do cubismo, que naquela época
predominava na França.

Na escultura, os futuristas fazem trabalhos experimentais com materiais perecíveis,


como vidro e papel. O grande expoente é o pintor e escultor italiano Umberto
Boccioni (1882-1916). Preocupados com a interação entre as artes, alguns pintores e
escultores se aproximam da música e do teatro. O pintor italiano Luigi Russolo
(1885-1947), por exemplo, cria instrumentos musicais e os utiliza em apresentações
públicas. Na Rússia, o futurismo caracteriza as obras dos pintores Larionov (1881-
1964) e Gontcharova (1881-1962).

Na literatura o texto futurista é marcado pela destruição da sintaxe, dos conectivos e


da pontuação, substituída por símbolos matemáticos e musicais. A idéia de Marinetti,
mais atuante como teórico do que como poeta, influenciam o poeta cubista francês

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Guillaume Apollinaire (1886-1918) e os fundadores do futurismo russo, entre eles o
expoente Vladimir Mayakovsky (1894-1930).

Sempre a serviço de causas políticas, a poesia futurista se desenvolve na Itália, onde a


primeira antologia (coleção de trechos escolhidos em prosa e/ou verso) sai em 1912,
e, principalmente na Rússia, onde é na literatura que o futurismo se torna mais
importante. Outro poeta de destaque no país é Viktor Khlebnikov (1885-1922).

surrealismo

O Surrealismo é um movimento artístico literário que surge na França nos anos 20,
reunindo artistas anteriormente ligados ao Dadá. Fortemente influenciado pelas
teorias psicanalíticas de Sigmund Freud (1856-1939), o surrealismo enfatiza o papel
do inconsciente na atividade criativa. A arte deve se libertar das exigências da lógica
e ir além da consciência cotidiana, expressar o inconsciente e os sonhos, livre de
controle da razão e de preocupações estéticas ou morais. O principal teórico e líder do
movimento é o poeta, escritor, crítico e psiquiatra francês André Breton (1896-1966),
que em 1924 publica o primeiro Manifesto Surrealista. A palavra surrealismo havia
sido criada em 1917 pelo poeta Apollinaire Guillaume (1886-1918), ligado ao
cubismo, para identificar expressões artísticas que se esboçavam. A palavra é adotada
pelos surrealistas por refletir a idéia de algo além do realismo.

No manifesto e nos textos teóricos posteriores, os surrealistas rejeitam a ditadura da


razão e os valores burgueses como pátria, família, religião, trabalho e honra. Humor,
sonho e a contra-lógica são recursos a serem utilizados para libertar o homem da
existência utilitária. As idéias de bom gosto e decoro devem ser subvertidas.

Nos anos 30, o movimento internacionalizou-se e influenciou várias outras


tendências, conquistando adeptos em países da Europa e nas Américas. Em 1969,
após sucessivas crises, o grupo se dissolve. No Brasil, o surrealismo é uma das muitas
influências captadas pelo modernismo.

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ESCULTURAS

Victor Brecheret foi sim o destaque na Semana de Arte Moderna, só que além dele
mais dois outros artistas apresentaram suas obras no Municipal: Wilhelm Haarberg e
Hildegardo Leão Velloso. A intenção principal dos escultores na Semana foi romper
com as tendências da Academia, ou seja, assim como nos outros campos artísticos:
inovar.

Velloso, ao que tudo indica, entrou para o grupo de expositores de última hora, já que
no catálogo da Semana não há nenhuma referência ao artista carioca. A falta de dados
faz com que os estudiosos não saibam ao certo o número de obras apresentadas pelo
escultor e quais eram suas tendências artísticas exatas.

Nascido em São Paulo, Velloso era de uma família de influências. Conheceu a


escultura através dos irmãos Bernadelli com quem estudou não só escultura, mas
também modelagem. O escultor fez inúmeros bustos entre eles os de Aureliano Leal,
Jackson de Figueiredo, Rui Barbosa entre outros. Foi também premiado num
concurso internacional com a maquete do Monumento ao General Urquiza.

Em 1950, tornou-se livre-docente da Cadeira de Escultura da antiga Escola Nacional


de Belas Artes.

MÚSICA

Com forte influência européia e o nacionalismo iniciado por Alberto Nepomuceno,


Heitor Villa-Lobos traz para a Semana de Arte a música erudita modernista. Villa-
lobos procurava, desde 1915 em seus concertos, provocar rupturas com as formas
harmônicas convencionais.

Em sua apresentação, trouxe composições de 1914 a 1921 que misturavam a música


romântica e a moderna. No romantismo, a música descritiva, permeada por temas,
tendo como principal influência Carlos Gomes. No Modernismo procurava o oposto,
a música em sua essência e sem conceitos.

A novidade confundia os críticos, alguns elogiavam e outros criticavam, o que se via


era uma confusão que misturava conceitos e preconceitos. Encontravam-se perdidos
em como classificar aquele novo estilo musical.

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Villa-Lobos pela primeira vez realiza a mistura do erudito com o popular brasileiro,
influenciado pelo francês Darius Milhaud. Mistura adotada, posteriormente, pela
literatura e as artes plásticas.

A obra de Villa-Lobos não foi a única apresentada durante a Semana. Obras dos
compositores franceses Claude Debussy e Eric Satie foram interpretadas,
respectivamente, por Guiomar Novaes e Ernani Braga. Braga também interpretou
uma obra de Villa-Lobos: A fiandeira.

PROGRAMAÇÃO MUSICAL DURANTE A SEMANA

2. Trio Segundo: violino, violoncelo e


1. Sonata II de violoncelo e piano -
piano - (1916)
(1916)
a) Allegro moderato;
a) Allegro moderato;
b) Andantino calmo (Berceuse-Barcarola);
b) Andante;
c) Scherzo-Spiritoso;
c) Scherzo;
d) Molto allegro e finale.
d) Allegro Vivace sostenuto e finale.
Paulina d'Ambrósio, Alfredo Gomes e
Alfredo Gomes e Lucília Villa-Lobos.
Fructuoso de Lima Vianna.

3. Solos de piano: Ernani Braga:

a) (1917): "Valsa mística" (da Simples 4. Otteto - (Três danças africanas):


Coletânea);
a) "Farrapos" - ("Danças dos moços") -
b) (1919): Rodante (da Simples 1914;
Coletânea);
b) "Kankukus" - ("Danças dos velhos") -
c) (1921): A fiandeira. 1915;

c) "Kankikis" - ("Danças dos meninos") -


1916.

Violinos:Paulina d'Ambrósio e George


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Marinuzzi.

Alto:Orlando Frederico.

Violoncelos:Alfredo Gomes, Basso,


Alfredo Carazza.

Flauta: Pedro de Vieira;Clarino:Antão


Soares.

Piano: Fructuoso de Lima Vianna.

5. Solos de piano: Guiomar Novaes:


6. Canto e piano
a) E. R. Blanchet: Au jardin du vieux
Frederico Nascimento Filho e Lucíllia
Serail (Andrinople).
Villa Lobos
b) H. Villa Lobos: O Ginête do
1919 - a) Festim Pagão.
Pierrozinho.
1920 - b) Solidão.
c) C. Debussy: La soirée dans granade.
1917 - c) Cascavel.
d) C. Debussy: Minstrels.

8. Trio Terceiro - violino, violoncelo e


piano - (1918)
7. Quarteto Terceiro (cordas 1916)
a) Allegro con moto;
a) Allegro giusto.
b) Moderato;
b) Scherzo satirico (pipocas e patócas).
c) Allegretto spiritoso;
c) Adagio.
d) Allegro animato.
d) Allegro con fuoco e finale.
Paulina d'Ambrósio, Alfredo Gomes e
Violinos: Paulina d'Ambrósio - George Lucília Villa-Lobos.
Marinuzzi.

Alto: Orlando Frederico.

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Violoncelo: Alfredo Gomes.

9. Canto e piano: Mario Emma e Lucília


Villa Lobos. 10) Sonata Segunda - violino e piano -
(1914)
Historietas de Ronald de Carvalho
(1920) a) Allegro non troppo;

a) "Lune d'octobre"; b) Largo;

b) "Voilà la vie"; c) Allegro rondó - Prestissimo finale.

c) "Jois sans retard, car vite s'ecoule la Paulina d'Ambrósio e Fructuoso Vianna
vie".

12) Quarteto Simbólico - Impressões da


11. Solos de piano: Ernani Braga:
vida mundana) - flauta, saxofônico,
a) "Camponesa Cantadeira" - (da Suite celesta e harpa ou piano.
Floral) - 1916.
Com femininas em coro oculto - (1921)
b) "Num berço encantado" - (da Simples
a) Allegro non troppo;
Coletânea) - 1919.
b) Andatino;
c) Dança infernal - 1920.
c) Allegro, finale.

Pedro Vieira, Antão Soares, Ernani


Braga e Fructuoso de Lima Vianna.

HEITOR VILLA-LOBOS (1887-1959)

"Não escrevo dissonante para ser moderno. De maneira nenhuma. O que escrevo é
conseqüência cósmica dos estudos que fiz, da síntese a que cheguei para espelhar
uma natureza como a do Brasil. Prossegui, confrontando esses meus estudos com
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obras estrangeiras, e procurei um ponto de apoio para firmar o personalismo e a
inalterabilidade das minhas idéias".

Heitor Villa-Lobos

Nasceu no Rio de Janeiro. Sua iniciação musical veio do pai, Raul Villa-Lobos, que
tocava violoncelo e clarineta. Suas principais influências começam a ser Bach e
também as rodas de música em que acompanhava o pai, onde seresteiros e cantadores
apresentavam a música nordestina. O convívio com este tipo de música desperta em
Heitor Villa-Lobos o gosto pela arte popular, vivida com maior intensidade mais
tarde.

No entanto este gosto pela música popular, não agradava seus pais, quando Villa-
Lobos resolve acompanhar mais de perto aqueles cantadores, foi proibido pelos pais.
Com a insistente idéia da mãe em ter um filho médico, aos 16 anos, ele se matricula
em um curso preparatório para o vestibular de medicina. No entanto, logo desiste e
foge para a casa de uma tia, onde poderia ter maior liberdade para freqüentar os
chorões e poder também tocar em pequenas orquestras.

Com a morte do pai, Villa-Lobos passa a enfrentar uma situação financeira difícil, já
que apesar de ser de uma família de posses, seu pai não costumava guardar dinheiro.
Sua mãe passa a ter que trabalhar e o músico, passa a vender os livros da biblioteca
do pai, numa maneira de levantar dinheiro.

Na mesma época, conhece durante o carnaval o pianista polonês Arthur Rubinstein.


Villa-Lobos com uma cobra de verdade enrolada no pescoço e Rubinstein vestido de
mulher acabam o carnaval da delegacia.

Mais tarde, Villa-Lobos resolve viajar pelo Brasil. Este contato com diferentes
culturas brasileiras permitiu que o músico entendesse melhor a arte popular. É nesta
fase que Villa-Lobos compõe Amazonas e Uirapuru.

Em 1913, regressa ao Rio de Janeiro onde começa a compor com maior assiduidade
obras como: Cânticos Sertanejos, Brinquedo de Roda, Sonata Fantasia nº1 e as
óperas Aglaia e Elisa.

Em 1922, participou da Semana e exerce importante papel durante o evento, numa


série de três espetáculos. Em que apresentou as seguintes obras: Segunda Sonata,
Segundo Trio, Valsa Mística, Rondante, A Fiandeira, Danças Africanas, O Ginete do
Pieorrozinho, Festim Pagão, Solidão, Cascavel, Terceiro Quarteto, Terceiro Trio,
Historietas, Camponesa Cantadeira e Num Berço Encantado.

Em 1923, Villa-Lobos vai para a Europa com o objetivo de apresentar suas obras ao
público europeu, retorna ao Brasil em 1930 com uma produção musical significativa
e o reconhecimento internacional.

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Villa-Lobos passa a exercer a função de educador e divulgador da música. Criou a
Orquestra Villa-Lobos e a Academia Brasileira de Música. Além de ter sido
Secretário da Educação Musical durante o Governo de Getúlio Vargas.

O Movimento Antropofágico

O Movimento Antropofágico, de 1928, liderado por Oswald de Andrade é uma


resposta às questões colocadas pela Semana de Arte Moderna de 1922. Para ele, a
renovação da arte nasceria a partir da retomada dos valores indígenas, da liberação do
instinto e da valorização da inocência.

O Movimento Antropofágico é um desdobramento mais radical do Pau Brasil e uma


retomada do Movimento Tropicalista, da década de 1960.

O objetivo de Oswald de Andrade era a de “uma atitude brasileira de devoração ritual


dos valores europeus, a fim de superar a civilização patriarcal e capitalista, com suas
normas rígidas no plano social e os seus recalques impostos, no plano psicológico”
(Antonio Candido).

A Semana de 22 marcou uma revolução no modo de ver e pensar o Brasil. Na


verdade a idéia era por fim a maneira de falar difícil e não dizer nada, ou seja,
eliminar o velho da vida intelectual brasileira. “A língua sem arcaísmos, sem
erudição. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos”
(Oswald de Andrade).

O manifesto antropofágico colocou em questão o capitalismo do terceiro mundo: a


dependência. Denunciou o bacharelismo das camadas cultas que copiavam os países
capitalistas hegemônicos.

Após a Revolução de 30, o autor radicaliza e passa a defender uma arte social.

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O QUE É ANTROPOFAGIA

Publicado na Folha de S.Paulo, sexta-feira, 2 de outubro de 1998

O "Manifesto Antropófago", de 1928, é a resposta do escritor Oswald de Andrade às


questões postas pela Semana de Arte Moderna (1922). Para ele, a renovação da arte
brasileira nasceria da retomada dos valores indígenas.

A iniciativa não era inédita. Após a Independência, o romantismo já havia usado esse
"índio mitológico" (Peri, Moema) para construir uma identidade nacional, oposta à
dos europeus.

Oswald retoma essa temática, mas rejeita a xenofobia de outros modernistas. A


civilização européia não deveria ser rejeitada, mas sim absorvida e superada. A
antropofagia é o símbolo dessa tese: o europeu deve ser devorado. Após a Revolução
de 1930, Oswald radicaliza sua posição e passa a defender uma arte social.

O Movimento Antropofágico hoje

Desde que Oswald de Andrade escreveu o manifesto muita coisa mudou no Brasil,
tanto na política quando culturalmente. O movimento antropofágico ainda não perdeu
sua atualidade quando se vê no ponto da denúncia e da vontade de exigir um
remanejamento das idéias mais avançadas que combinem com o nosso meio social e
político. Ainda, a estrutura social que a antropofagia reflete não mudou seus aspectos
fundamentais, a industrialização capitalista das últimas décadas, aumenta ainda mais
a desigualdade em nosso país, trazendo de um lado a sofisticação e modernização e
de outro a marginalidade urbana.

Apesar das mudanças e da evolução do país em vários aspectos, o Brasil que Oswald
de Andrade escreveu o Manifesto Antropofágico é ainda o mesmo Brasil de hoje:
dependente. Dessa forma podemos dizer que o manifesto antropofágico é um
movimento que instalou-se de maneira forte e duradoura na cultura brasileira.

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Tarsila do Amaral

“Quero ser a pintora da minha terra”

Tarsila é uma das principais artistas modernistas. Ela nasceu em 1o de setembro de


1886, em Capivari. Filha de Lydia Dias do Amaral e José Estanislau do Amaral Filho,
Tarsila estudou até 1902 em São Paulo, quando embarcou para estudar em Barcelona,
na Espanha. A primeira viagem a Paris, em 1904 foi fundamental para sua formação
artística. em 1906, Tarsila se casa com André Teixeira Pinto, primo de sua mãe, com
quem teve sua única filha Dulce. Mas foi em 1917 que começou seus estudos, com o
acadêmico Pedro Alexandrino. Anos mais tarde Tarsila volta a Europa para estudar.

De volta ao Brasil em 1922, Tarsila manteve contato com Mário de Andrade,


Oswaldo de Andrade, Anita Malfatti e Menotti Del Picchia, formando o grupo dos
cinco, responsável pelo início do modernismo no Brasil. No ano seguinte casa-se pela
segunda vez, desta, com Oswaldo de Andrade.

Em 1928, Tarsila pintou sua mais conhecida obra, “Abaporu”, que significa “o
homem que come carne”, feito de presente de aniversário para seu atual marido. A
artista também foi escritora. Mesmo no fim de sua vida com câncer e presa à uma
cadeira de roda por problemas na coluna, Tarsila mantinha-se entretida estudando
grego e recitando poesia.

Obras:

Abaporu A Lua

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Glossário

Academismo: movimento em que as academias de arte impõem padrões rígidos à


produção artística. Essas associações surgem na Itália em meados do século XVI, nos
moldes das sociedades de sábios e artistas do início do Renascimento. Seu nome tem
origem no jardim de Atenas, chamado de Academia, onde o filósofo grego Platão
(428 a.C.?-348 a.C.?) dava aulas. A pintura, a escultura e o desenho devem ser
baseados na imitação de obras-primas do passado e no estudo idealizado do nu. O
desenho é considerado mais importante do que a cor.

Dadá: movimento artístico literário de essência anárquica que pretende contestar


todos os valores, destruir as formas de arte institucionalizada e romper os limites
entre as várias modalidades artísticas preexistentes. Preocupa-se em politizar a arte e
inseri-la no dia-a-dia.É fundado em 1916 por poetas, pintores e intelectuais de várias
nacionalidades exilados na Suíça durante a 1ª Guerra Mundial (1914-1918).

Fauvismo: É o primeiro movimento de vanguarda do século XX. Restrito às artes


plásticas, caracteriza-se pela rejeição da perspectiva linear, pelo uso arbitrário de
cores puras e contrastantes, e pelas formas simplificadas e pouco semelhantes às da
natureza. Começa oficialmente em 1905. Seu objetivo não é retratar fielmente o
mundo, a meta é causar impacto, exprimindo sensações e emoções. O fauvismo não
se caracteriza pela postura ideológica de esquerda de grande parte do expressionismo
alemão, os fauves concentram-se nos problemas estéticos e abrem as portas para a
abstração.

Impressionismo: tendência das artes plásticas que tem seu apogeu na pintura entre
1870 e 1880, na França, e um pouco mais tarde, perto do fim do século influencia a
música. É o marco inicial da arte moderna por ser o início do caminho rumo à
abstração. Embora mantenha temas do realismo e do naturalismo aborda-os de
maneira diferente. De acordo com a historiografia moderna, a grande revolução do
impressionismo não é temática, mas sim estética.

Naturalismo: tendência artística e literária que surge na França na segunda metade


do século XIX. Baseia-se na filosofia de que só as leis da natureza são válidas para
explicar o mundo e de que o homem está sujeito a um condicionamento biológico e
social inevitável. As obras dedicam-se a retratar a realidade contemporânea de forma
ainda mais objetiva e fiel do que no Realismo. Por isso, apesar de realismo e
naturalismo serem tendências que se misturam e que se influenciam quanto à
captação objetiva da realidade, o segundo é uma radicalização do primeiro.

Parnasianismo: escola literária ou estilo de época que se desenvolve na poesia a


partir de 1850. O nome do movimento vem de Parnaso, região mitológica grega onde
moravam os poetas. Caracteriza-se pela sacralidade da forma, pelo respeito às regras
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de versificação, pelo preciosismo rítmico e vocabular, pela rima e pela preferência
por estruturas fixas, como os sonetos. Os temas preferidos são os fatos históricos,
objetos e paisagens.

Realismo: tendência artística e literária que se manifesta na Europa na segunda


metade do século XIX e repercute na mesma época nas Américas. Caracteriza-se pela
intenção de uma abordagem racional e objetiva da realidade e pelo interesse por
temas sociais. O engajamento ideológico faz com que muitas vezes a forma e as
situações descritas sejam exageradas ou até distorcidas para reforçar a denúncia
social. Considera que a arte deve estar a serviço de transformações sociais. Sua
radicalização rumo à objetividade sem conteúdo ideológico leva ao Naturalismo.
Muitas vezes realismo e naturalismo se confundem.

Renascimento: explosão de criações artísticas, literárias e científicas, inspiradas na


Antiguidade Clássica greco-romana, e por isso chamada Renascimento. Marca a
Europa de 1330 a 1530, tendo como centro irradiador a Itália. O homem renascentista
acredita que tudo se explica pela razão e pela ciência, e crê no potencial individual do
homem. Choca-se, assim, com os dogmas e proibições da Igreja Católica, critica o
mundo medieval e enfrenta e Inquisição. A escultura e a pintura redescobrem o corpo
humano e a arquitetura retoma as linhas clássicas.

Romantismo: tendência que se manifesta nas artes e na literatura do final do século


XVIII até o final do século XIX. Nasce na Alemanha, Inglaterra e Itália, mas é na
França que ganha força e de lá espalha-se pela Europa e pelas Américas. Caracteriza-
se por defender a liberdade de criação, privilegiar a emoção, a subjetividade e a
emoção. As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade
cristã, o misticismo, a natureza, os temas nacionais e o passado, sobretudo a Idade
Média.

Simbolismo: movimento surgido na França, que se desenvolve nas artes plásticas, na


literatura e no teatro no fim do século XIX. Caracteriza-se pelo subjetivismo,
individualismo e misticismo. Rejeita a abordagem da realidade e a valorização do
social. Palavras e personagens têm significado simbólicos.

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MANIFESTO ANTROPOFAGO Só não há determinismo, onde há
mistério. Mas que temos nós com
isso?

Só a antropofagia nos une. Contra as histórias do homem, que


Socialmente. Economicamente. começam no Cabo Finisterra. O
Filosoficamente. mundo não datado. Não rubricado.
Sem Napoleão. Sem César.
Única lei do mundo. Expressão
mascarada de todos os A fixação do progresso por meio de
individualismos, de todos os catálogos e aparelhos de televisão. Só
coletivismos. De todas as a maquinaria. E os transfusores de
religiões. De todos os tratados de sangue.
paz.
Contra as sublimações antagônicas.
Tupy, or not tupy that is the Trazidas nas caravelas.
question.
Contra a verdade dos povos
Contra todas as catequeses. E missionários, definida pela sagacidade
contra a mãe dos Gracos. de um antropólogo, o Visconde de
Cairu: - É a mentira muitas vezes
Só me interessa o que não é meu. repetida.
Lei do homem. Lei do
antropófago. Mas não foram cruzados que vieram.
Foram fugitivos de uma civilização
Estamos fatigados de todos os que estamos comendo, porque somos
maridos católicos suspeitosos fortes e vingativos como o Jabuti.
postos em drama. Freud acabou
com o enigma mulher e com Se Deus é a consciência do Universo
outros sustos da psicologia Incriado, Guaraci é a mãe dos
impressa. viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.

O que atrapalhava a verdade era a Não tivemos especulação. Mas


roupa, o impermeável entre o tínhamos adivinhação. Tínhamos
mundo interior e o mundo Política que é a ciência da
exterior. A reação contra o homem distribuição. E um sistema social-
vestido. O cinema americano planetário.
informará.
As migrações. A fuga dos estados
Filhos do sol, mãe dos viventes. tediosos. Contra as escleroses urbanas.
Encontrados e amados Contra os Conservatórios, e o tédio
ferozmente, com toda a hipocrisia especulativo.
da saudade, pelos imigrados,
pelos traficados e pelos touristes. De William James a Voronoff. A
No país da cobra grande. transfiguração do Tabu em totem.
Antropofagia.
Foi porque nunca tivemos
gramáticas, nem coleções de O pater famílias e a criação da Moral
velhos vegetais. E nunca da Cegonha: Ignorância real da coisas
soubemos o que era urbano, + falta de imaginação + sentimento de
suburbano, fronteiriço e autoridade ante a pro-curiosa (sic). 19
continental. Preguiçosos no mapa-
múndi do Brasil. É preciso partir de um profundo