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Escola Secundária de Miraflores 2008

/ 2009 Psicologia B – 12º R


Mónica Isabel Duarte Viegas N.º 7783 2º
Modulo

Preparação para o Teste de Psicologia

Projecto 5
1. O que é a mente?
2. O que são e quais são os processos mentais?
3. Como se relacionam e integram os diferentes
processos mentais?
4. O que é pensar?

1. A mente é o sistema com que construímos o


mundo, é um conjunto de processos mentais que
permite estabelecer um contacto com o mundo e
que possui algumas características e
particularidades fundamentais, é o lugar da
totalidade da actividade psíquica, englobando
operações conscientes e inconscientes.
A mente é individual, porque é formada e
construída em conjunto com a formação do
sujeito, a realidade é captada de diferentes formas
por diferentes pessoas, mas que se reproduz em
algo visível, em algo externo, que é o
comportamento, o que faz da mente algo
subjectivo.
Mas a mente não se limita a captar a informação
correspondente á realidade e formar uma
representação com ela, essa representação tem
necessariamente que ter um significado, o que
atribui um aspecto dinâmico á mente, já que cada
um faz mais do que recolher ou recuperar a
informação sobre as relações, os objectos e as
outras pessoas, cada um interpreta a cada
momento essas mesmas informações.
Também é possível localizar a mente no cérebro,
este é encarado como o núcleo processador da

“ Escuto e Esqueço; Vejo e Recordo; Faço e Entendo” I


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mente, os estudos sobre o funcionamento do
cérebro reforçam a concepção em que sobressai o
aspecto activo, transformador e total do
funcionamento da mente, em que podemos
salientar a plasticidade cerebral.
Por isso a mente transforma-se também
fisicamente, muda as suas possibilidades e
capacidades, as suas rotinas e padrões de
activação, na experiência. A mente é plástica
constitui-se na acção e é a cada momento
transformada pela experiência.
A mente tem uma dimensão biológica, já que o ser
humano para além de trazer consigo inúmeras
potencialidades, traz também necessidades, como
de alimentação, repouso, abrigo e protecção,
estimulação sensorial adequada, e estas
necessidades estão presentes no funcionamento
mental, já que temos de ser capazes de
providenciar respostas ás nossas necessidades e
isso irá orientar as nossas acções e
comportamentos.
Mas o ser humano para além das necessidades
biológicas possui também necessidades sociais e
culturais, já que somos predispostos a estabelecer
contacto com os outros seres humanos e tomar
parte em relações socioculturais, por isso a mente
tem uma dimensão sociocultural.

2. Os processos mentais são processos ligados ao


saber, ao sentir e ao fazer. Que são os processos
cognitivos, que são um conjunto de processos que
nos ajudam a saber sobre nós, sobre os outros e
sobre o mundo, ou seja, são processos que nos
ajudam a saber a realidade. Os processos
emocionais são um conjunto de processos ligados

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aquilo que sentimos nas variadas experiencias que
vamos tendo e por fim, os processos conativos
que são um conjunto de processos que estão
ligados ao fazer e ao agir, ás formas como
realizamos actividades no mundo, como essas
acções se relacionam connosco e com o mundo.

3. Os processos cognitivos, emocionais e conativos


são distintos, mas inseparáveis. Estes estão
profundamente interconectados e que interagem
profundamente no funcionamento metal dos seres
humanos, eles funcionam em conjunto, é
impossível sentir o mundo sem aprender alguma
coisa, somos incapazes de não fazer algo quando
sabemos.
Porque a mente não é uma colecção de processos,
mas uma manifestação total.

4. Um pensamento não se limita aos raciocínios e


aos quadros lógicos que o estruturam, mas que
está intimamente ligado com as intenções, os
significados, as necessidades, os desejos.
Pensar é ter uma mente que funciona e o
pensamento exprime, precisamente, o
funcionamento total da mente, logo o pensamento
é uma operação da mente que é contínua e que
abrange quase todos os nossos processos
mentais.

Projecto 6
1. O que é a cognição?
2. O que são processos cognitivos?
3. Define percepção.
a) Descreve o processo perceptivo

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b) Que relação existe entre percepção e
representação?
c) Como se processa a interpretação da
realidade, no processo perceptivo?
d) Quais as leis da percepção ou da
organização perceptiva?

1. Podemos definir cognição, em primeiro lugar,


designa o conjunto de actos e dos processos de
conhecimento, o conjunto de mecanismos pelos
quais um organismo adquire, trata, conserva,
pondera e explora informação (processo); em
segundo lugar, designa o resultado mental desse
mecanismo, os conhecimentos (produto); aborda
as grandes funções psicológicas que asseguram
ao organismo os ganhos de informação
necessários às suas trocas activas com o meio, a
saber, a percepção, a aprendizagem e a memória.

2. Processos cognitivos são processos complexos que


implicam um conjunto de estruturas que recebe,
filtram, organizam, modelam, retêm os dados
provenientes do meio e são constituídos por três
processos: percepção, aprendizagem e a memória.

3. A percepção é um processo cognitivo que através


dele contactamos com o mundo, que se
caracteriza pelo facto de exigir a presença de um
objecto, da realidade a conhecer. É um processo
activo de organização e interpretação das
informações sensoriais. Difere da sensação, na
medida, em que é uma actividade cognitiva, pela
qual conferimos sentido, significado, á informação
sensorial.

a) Os psicólogos dividem a forma como captamos a


realidade em duas fases ou dois processos
distintos, que são, a sensação e a percepção. A
sensação diz respeito ao modo como os nossos
órgãos sensoriais captam os estímulos externos e
a percepção diz respeito ao processamento
posterior dessa informação, este processo vai
resultar em representações ou construções
mentais dos estímulos. Ambos os processos
permitem efectuar uma ligação entre o mundo
físico e o universo psicológico.
A percepção começa nos órgãos receptores que
são sensíveis a estímulos específicos. Ao processo
de detenção e recepção dos estímulos nos órgãos

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dos sentidos dá-se o nome de sensação. A maior
parte das entradas sensoriais percebem-se como
uma sensação identificada com um estímulo
específico, que é traduzido em impulso nervoso
que são conduzidos ao sistema nervoso central e
processados pelo cérebro.
A percepção é sempre uma apreensão subjectiva
do mundo envolvente e por isso não se limita ao
registo de informação sensorial, implica também a
atribuição de sentido, são por isso fruto de um
trabalho complexo de análise e síntese,
destacando o seu carácter activo e mediatizado
pelos conhecimentos, experiencias, expectativas e
interesses do sujeito.

b) As percepções não são simples cópias do mundo á


nossa volta, toda a informação sensorial que é
captada pelos sentidos são enviadas para
diferentes áreas do cérebro, onde são
representadas.
Há todo um processo biológico complexo em que
os estímulos visuais são transformados. Os
estímulos luminosos que sensibilizam a nossa
retina, são codificados em impulsos nervosos, que
são transmitidos pelos nervos ópticos, ás áreas
visuais do córtex, que os processam como
representações, ou seja, há uma construção de
uma representação mental ou uma imagem da
realidade.
Por isso, é no cérebro que se vão estruturar e
organizar as representações do mundo, é no
cérebro que se dá sentido ao que sentimos pelos
sentidos.
c) A visão que temos do mundo não é uma
reprodução, mas sim uma interpretação, isto é,
fazemos uma correcção mental, e de modo
automático, ao conteúdo da nossa percepção de
modo a manter a regularidade do mundo externo.
As características que a percepção apresenta
facilitam a adaptação ao meio, dando consistência
ao mundo que nos rodeia e fazemos isso pelas
constâncias perceptivas, que são: constância do
tamanho, que consiste em percepcionar um
objecto sempre do mesmo tamanho, mesmo que
esteja longe e logo mais pequeno ou esteja perto
e logo maior; a constância da forma, recorrendo a
memórias armazenadas ou a aprendizagens já
adquiridas, nós conseguimos reconhecer os
objectos ou as pessoas mesmo que por um jogo
de perspectiva, de luzes ou de cores, a forma que
os objectos têm não for o mesmo que aprendemos
a considera-los; a constância do brilho e da cor,
que consiste em manter o brilho e a cor

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constantes mesmo quando as circunstâncias
físicas nos dão uma informação diferente.

d) Os princípios podem ser divididos em percepção e


organizativos. Nos princípios de percepção
englobamos a figura - fundo, em que temos que
separar o objecto que pretendemos percepcionar
do fundo em que se encontra; a Pregnância ou Boa
Forma, em que na boa forma podemos incluir a
simétricas, regulares e continuas.
Nos princípios organizativos podemos incluir a
proximidade, similaridade, continuidade,
fechamento e simetria.

Projecto 10
Bloco A
1. Em que consistem as emoções?
2. Como se distinguem as emoções dos
sentimentos e dos afectos?

Bloco B
3. Qual é a função das emoções?
4. Como se classificam as emoções?
5. As emoções são universais ou especificas de
uma determinada cultura?

Bloco C
6. Quais são as bases biológicas e neuronais da
emoção?
7. Segundo António Damásio, o que é um
marcador somático?

Bloco A
1. As emoções são o primeiro modo de comunicação
e de relação do bebé com o mundo que o rodeia.
Mesmo quando uma criança já está na posse da
linguagem e de outros meios mais elaborados de
interacção, a criança em estado de grande
ansiedade, recorre às emoções para assegurar

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uma comunicação expressiva de um determinado
modo.
Têm por isso um valor adaptativo porque sinalizam
um determinado estado, sendo um código de
comunicação menos preciso, mas muito rápido e
poderoso.
Podemos caracterizar as emoções pelo tempo,
todas têm uma determinada duração, ou seja, têm
um princípio e um fim; pela intensidade que é
variável de emoção para emoção, se uma emoção
for vivida com uma forte intensidade, têm um
efeito muito grande na nossa vida mental; todas
as emoções se reflectem em alterações corporais;
tem sempre uma causa e direccionam-se a um
objecto, surgem a propósito de acontecimentos,
pessoas, situações, recordações ou ideias; tem
uma grande versatilidade, aparecem e
desaparecem muito rapidamente; são
caracterizadas pela polaridade podem ser
negativas ou positivas e esta qualidade tem uma
variação de intensidade; são reacções a
experiencias especificas e não é determinada
pelos factos, mas pela interpretação dos factos.
Em suma, as emoções são processos
desencadeados por acontecimentos, pessoas,
situações, que será alvo de uma avaliação
cognitiva que nem sempre é consciente.

2. Tal como as emoções, os afectos estão


relacionados com a relação que estabelecemos,
em que somos afectados pelos outros e afectamos
os outros. Os afectos exprimem-se através das
emoções, mas sendo organizados pelas
experiências emocionais que se repetem, são por
isso construídos ao longo tempo, remetendo-nos,

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portanto, para o passado, estruturam a nossa vida
mental, enquanto as emoções concretizam-se no
presente, são experimentadas como um estado
intenso, são mais momentâneas do que
prolongadas.
Os sentimentos são estados privados, observáveis
apenas quando a pessoa conscientemente os
expressa, prolongam-se no tempo e são de menor
intensidade de expressão, não são associados a
uma causa imediata.
Enquanto as emoções são inconscientes e
incontroláveis, que provocam uma reacção
imediata, os sentimentos têm que ter a
consciência presente.

Bloco B
3. As emoções têm diferentes componentes, tem
uma componente cognitiva, uma pessoa tem de
ter conhecimentos dos factos para que se
despolete a emoção, tem uma componente
avaliativa porque nós apenas reagimos, porque
fazemos uma avaliação da situação em função dos
seus interesses, valores e objectivos, uma
componente fisiológica uma série de reacções
corporais que as emoções fazem surgir, uma
componente expressiva, já que toda a emoção se
expressa por uma série de manifestações públicas,
uma componente comportamental em que o
estado emocional desencadeia um conjunto de
comportamentos que podem ir desde uma
manifestação verbal até uma acção propriamente
dita e por fim uma componente subjectiva que diz
respeito ao estado afectivo sentido, e por isso o
mais difícil de estudar.

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A função das emoções é baseando-se nestes
componentes, impulsionar um comportamento,
quer por uma necessidade de sobrevivência, quer
pela manipulação que se possa conseguir sobre os
outros o que não deixa de ser necessário para
lutar pelo lugar na sociedade, é pelas emoções
que se impulsionam a fuga, a protecção, a
segurança, mas tem também um poderoso
carácter comunicativo com os outros, é pelas
emoções que chamamos a atenção dos outros
para as nossas necessidades, que fazemos com
que os outros nos façam aquilo que necessitamos
que nos façam etc.

4. As emoções foram sofrendo diferentes


perspectivas ao longo do tempo. Uma perspectiva
evolutiva, que foi desenvolvida por Charles Darwin
(1809 – 1882), que acreditava que as emoções das
espécies. Acaba por distinguir seis emoções
primárias ou universais: a alegria, a tristeza, a
surpresa, a cólera, o desgosto e o medo e
considerava que as emoções desempenharam um
papel adaptativo fundamental na história da
espécie humana, sendo principalmente
determinantes na nossa capacidade de
sobrevivência.
Nos finais da década de 60, surge Paul Ekman que
procurou testar uma hipótese que defendia: que
indivíduos de culturas distintas sentiriam
diferentes emoções, acabou por concluir que
estava enganado, concluiu que há emoções que
são universais, independentemente dos processos
de socialização, de aprendizagem e de cultura em
que se observam.

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Na perspectiva fisiológica que foi desenvolvida por
um psicólogo e médico, William James, diz que
face a uma situação de perigo, eu não fujo porque
tenho medo, eu tenho medo porque fujo. Para ele
a emoção não é algo inconsciente, a emoção é
tomada de consciência de todas as alterações
fisiológicas que surgem e dai é que surge a
emoção, logo resultam das percepções do estado
do corpo, os estímulos produzem alterações
orgânicas que, por sua vez, geram as emoções.
Foi muito contestado por Wundt e Titchner que
afirmavam que as alterações orgânicas são a
consequência e não a causa dos nossos estados
emocionais.
Na perspectiva cognitivista, há uma relação
estreita entre aquilo que pensamos com aquilo
que sentimos.
A emoção é determinada pelo modo como
representamos a situação e pela avaliação pessoal
que lhe damos e esta interpretação depende dos
meus quadros cognitivos, da minha história
pessoal, do meu contexto de vida.
Esta perspectiva foi contraposta pelo facto de
haver emoções que não têm na base o
pensamento.
Na perspectiva culturalista, os defensores desta
perspectiva defendem que as emoções são
comportamentos aprendidos no processo de
socialização. A cada cultura correspondem
diferentes emoções e diferentes formas de as
exprimir e variáveis no espaço e no tempo.
Podemos então, por esta diferentes perspectivas,
compreender e destacar as diferentes categorias
de emoções e podemos destacar duas categorias:
as emoções primárias ou universais comuns a

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qualquer pessoa independentemente da sua
cultura e do processo de socialização que teve, foi
proposta por Charles Darwin e comprovada por
Paul Ekman e temos também emoções
secundárias ou sociais, em que já são próprias de
uma determinada cultura que resultam dos
processos de socialização criados, proposto por
uma perspectiva culturalista e cognitivista já que
este tipos de emoções, já prevê uma
aprendizagem e uma avaliação segundo a sua
história pessoal e da situação especifica e
enquadrada num contexto cultural.

5. Há emoções que são universais como as emoções


primárias, que são inatas, uma espécie de
equipamento básico de reacção ao meio, de forma
mais ou menos automática, como a alegria, a
tristeza, a surpresa, a raiva, o desgosto e o medo.
E estas emoções são evolutivas, compartilhadas
por indivíduos de todas as culturas e associadas a
padrões neuronais e fisiológicos específicos e são
por isso universais.
Mas também há emoções que são secundárias que
são influencias do processo de socialização e dos
padrões culturais interiorizados e aqui a
universalidade não se verifica, cada padrão
cultural irá transmitir influencias especificas e
cada individuo será um processo de socialização
especifico.

Bloco C
6. A emoção assenta em duas estruturas biológicas
que são a amígdala e o córtex orbitofrontal.

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As emoções são conjuntos complicados de
respostas químicas e neurais que formam um
padrão que tem por finalidade ajudar o organismo
a manter a vida, o processo biologicamente
determinados, dependentes de dispositivos
cerebrais estabelecidos de forma inata e
sedimentados por uma longa história
evolucionária, mas não é apenas o corpo
responsável pelas emoções, também estas
variadas respostas emocionais são responsáveis
por modificações profundas, tanto no corpo como
no cérebro.
Embora se destaque como estruturas
particularmente importantes, a amígdala e o
córtex orbitofrontal, é sempre importante ter
presente que a emoção requere a participação
coordenada de diversos componentes do sistema
nervoso e não apenas de algumas estruturas
especificas.
A amígdala é um complexo de massa cinzenta, em
forma de amêndoa, localizada no interior de cada
um dos hemisférios cerebrais, próximo do lobo
temporal, é considerada um centro fundamental,
ainda que não o único, do controlo das reacções
emocionais e das condutas agressivas; integra o
sistema límbico e mantêm inúmeras conexões
com outras estruturas cerebrais. Todas as
emoções primárias são comandadas pela
amígdala, que processa o significado emocional
dos estímulos e gera reacções emocionais e
comportamentais imediatas, muitas vezes
reagimos sem saber primeiro contra ao certo
estamos a reagir, este facto deve-se ao tálamo
estar directamente ligado á amígdala é como que
um “caminho de emergência”, em que numa

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situação de emergência, os centros do sistema
límbico assumem o controlo do resto do cérebro,
este tipo de emoção foi chamado, por DeLux de
“emoção pré – cognitiva”.
A amígdala é indispensável para o reconhecimento
do medo, nas expressões faciais dos outros, para o
condicionamento em relação ao medo e para a
expressão do medo e da ira. O sistema neural das
emoções enviam mensagens para outras regiões
do cérebro e para quase todo o corpo, estas
mensagens podem ser enviadas por duas vias,
pela corrente sanguínea sob a forma de moléculas
que actuam nos receptores das células, a outra via
consiste pelos neurónios e usam sinais
electroquímicos que actuam sobre outros
neurónios e sobre as fibras musculares, que
podem por sua vez libertar substâncias químicas,
todas estas substâncias provocam modificações
globais do estado do organismo.
Mas as emoções secundárias são controladas pelo
córtex orbitofrontal, que é a parte da região pré –
frontal, ligada ao sistema límbico, particularmente
importante no planeamento e na coordenação de
comportamentos destinados a atingir objectivos;
contribui para o auto – regulação ao antecipar e
avaliar o valor potencial da recompensa ou do
prejuízo de um comportamento; influi nas
respostas emocionais às diferentes situações
sociais.
E é nesta ligação entre os lobos frontais e o
sistema límbico, especialmente entre a amígdala e
o córtex orbitofrontal, permite que os seres
humanos antecipem as suas reacções emocionais
a diferentes situações, o que nos ajuda a auto –
regular o nosso comportamento.

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7. Segundo António Damásio, os marcadores


somáticos são o uso de um sentimento criado a
partir de emoções secundárias e que são ligadas
por aprendizagem a certos acontecimentos com
determinadas consequências, quando se
estabelece uma ligação de um marcador somático
a uma situação ela soará como um alarme positivo
ou negativo, ou seja, será uma situação para
avançar ou para evitar.
Em suma, se uma determinada acção conduziu, no
passado, a experiencia psicossomáticas
desagradáveis, estaremos motivados a evita-las e,
por conseguinte, a ponderar estratégias de
actuação.

Projecto 11
1. Define conação / processos conativos.
2. O que é que existe entre o desejo e a acção?
Exemplifica.
3. Define motivação, descrevendo o ciclo
motivacional.
a) Distingue motivação intrínseca de
motivação extrínseca. Dá exemplos.
4. Relaciona motivação e volição, salientando
como é que a vontade intervém na
concretização de um comportamento.
5. O que é a intencionalidade?
6. O que são tendências de comportamento?
7. Explica a importância do esforço de
realização na vida quotidiana das pessoas.
8. Quais são os níveis de realização propostos
na hierarquia necessidades de Maslow
(pirâmide de Maslow)?

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1. A conação é um conjunto de processos que se
ligam á execução de uma acção ou
comportamento, que movem o ser humano num
determinado sentido, está inerente aos
comportamentos que envolvem esforço, desejo,
vontade, em que há tendência consciente para
agir, para actuar.
Seguindo esta ordem de ideias, podemos ligar
conação com a motivação, o empenho, a vontade
e o desejo que move os indivíduos em direcção, a
um fim ou objectivo que, ao dar sentido á sua
acção faz com que esta tenha significado para ele.
O conjunto de processos que formam a conação
são os processos conativos e ligam-se á dimensão
do fazer, das maneiras como regulamos os nossos
comportamentos e acções, procura compreender
porque fazemos determinadas coisas, porque
agimos de determinados modos, o que nos move
no nosso envolvimento no mundo e nas nossas
relações com os outros.
Para alguns autores, a conação referir-se-ia á
experiencia da aspiração e ao facto da actividade
mental ser dirigida a algo, visa um propósito um
fim, mas ao longo do tempo, a conação foi
colocada de parte como algo desinteressante, o
interesse pela conação surge pelo interesse de
uma mente que é vista como construindo e
construindo-se na relação entre o ser humano e o
seu mundo.

2. Entre o desejo e a acção, podemos encontrar, de


certa forma a conação, já que a conação é o
conjunto de processos que ligam a vontade á
execução de um comportamento, move o ser
humano.

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Por isso entre o desejo e a acção encontramos
motivos, vontade, intenções, tendências,
encontramos também o fazer: encarar o desejo,
encontrar os motivos, dá azo á vontade e
perseverar no trabalho com as intenções e
tendências a darem também a forma á acção e ao
modo como se desenrola.

3. Motivação é, á primeira vista, o estado interno de


um organismo que o leva a agir numa
determinada direcção.
Mas para se entender a motivação temos que ter
em conta as variáveis cognitivas e as do meio
social, e por isso a motivação é um processo que
interagem necessidade, incentivos e aspirações.
A necessidade de querer fazer alguma coisa em
conjunto com incentivos que recebemos do
exterior, quer pelas pessoas que circulam á nossa
volta como ás condições do meio, irão reunir-se
com as aspirações que criamos de nós próprios,
como que uma imagem que criamos daquilo que
queremos ser no futuro e este conjunto que nos
impulsiona em frente é neste conjunto que reside
a motivação.
Mas também tem sido estudadas as ligações entre
as motivações e as atitudes, as relações entre as
motivações e o modo como os indivíduos se vêem
os si mesmos (auto conceito), como se valorizam a
si mesmos (auto-estima) e como percebem a sai
competência pessoal (auto eficácia), para
mencionar apenas alguns. É importante
compreender que tanto as atitudes que se pode
ter relativamente a pessoas, objectos, modos de
estar ou de fazer, como a auto estima, auto
eficácia e auto conceito influenciam a nossa

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motivação para determinados objectivos e
decisões, assim como são influenciadas pelos
resultados das motivações que temos.
Em suma, as motivações são como que
personalizadas, entendidas em função de cada um
de nós, da nossa história pessoal, do modo como
pensamos os outros e o mundo, dos nossos
projectos de vida.

a) A motivação intrínseca é aquela que vem de nós


mesmos e motivação extrínseca é aquela que vem
de algo exterior a nós
Por exemplo, estudar é importante para mim
porque me faz sentir que estou a crescer e a
evoluir como pessoa o que é uma motivação
intrínseca, mas progredir nos estudos e tirar um
curso superior significa ter uma melhor qualidade
de vida para proporcionar á minha família o que já
é uma motivação extrínseca.
Por fim acredito que terminando um curso superior
tendo uma profissão para a qual me preparei para
ela, com empenho e vontade, me sentirei mais
realizada, já que trabalharei por paixão (motivação
intrínseca) e não por um salário e que este bem –
estar se reflectirá na relação que estabeleço com
a minha família e com todos os que me rodeiam
(motivação extrínseca) e dessa forma terei reunido
as duas motivações.

4. A motivação e a volição relacionam-se por um


anteceder uma da outra, são como que um
processo contínuo, da motivação trazemos a
necessidade de fazer algo, aproveitando os
incentivos que temos do exterior e impulsionamos
o nosso comportamento no sentido de alcançar

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um dia a imagem a que aspiramos para nós, mas
este é o ponto de partida, seguindo a motivação
temos a volição, que está envolvida nos processos
em que levamos a cabo as acções implicados
pelos nossos objectivos e decisões.
Para que as nossas motivações avancem é
necessário empenho, estar ligado com a intenção
e a acção que executamos, temos que persistir,
manter a vontade, poucas coisas acontecem num
dia, normalmente as coisas prolongam-se no
tempo e o que num dia existe uma vontade
enorme ao fim de um mês isso pode já não se
verificar, por isso é necessário manter a vontade
presente, dia após dia, de forma popular
chamamos “força de vontade”.
5. Pode-se dar dois sentidos a intencionalidade por
um lado refere-se ao conteúdo do funcionamento
mental, ou seja, aquilo que sabemos e que
sentimos, nós sabemos que um determinado
comportamento positivo ou negativo vai
desencadear determinadas consequências e que
essas consequências nos farão sentir alguma
coisa, ao qual vamos atribuir um significado.
Outro sentido é a intenção, que se refere ao
pretendido ou a qual é o propósito de uma
determinada acção ou comportamento. Aquilo que
percebemos e sentimos, a forma como reagimos a
algo ou como nos relacionamos com os outros á
nossa volta, não são arbitrárias, são organizadas
pelos sentidos, eles dirigem-se a algo. Quando
pretendemos atingir determinados objectivos,
vamos ter que elaborar uma série de
comportamentos que serão feitos e ordenados
tendo como base o significado que construímos.

“ Escuto e Esqueço; Vejo e Recordo; Faço e Entendo”


XVIII
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Estes significados vão sendo construídos a partir
do nosso envolvimento no mundo e das
experiencias que temos ao longo da vida eles não
são independentes dos contextos em que surgem,
nem do que sabemos, nem do que sentimos, nem
das intenções que orientam esse mesmo
envolvimento.

6. Ao adquirimos experiencias em que lhes


atribuímos diferentes significados e os significados
que vamos atribuindo aos outros e aos contextos
em que estamos inseridos, vão-nos determinando
o nosso comportamento, vai-se criando um padrão
que sabemos ser enquadrado nas situações e
aceite pelas pessoas que nos envolvem.
A estes padrões de comportamento que foram
sendo apropriados em relações significativas, isto
é, com significado, podemos entende-los como
tendências de comportamento.
As tendências de comportamento são o que
tendemos a fazer, o modo como tendemos a agir
para alcançar determinados fins ou em
determinadas situações, elas são construídas
relacionalmente e através da integração da acção.
Numa experiencia com um contexto e com um
significado

7. Na vida quotidiana das pessoas, as situações não


surgem apenas como objectivos a tingir, nem
sempre o mais importante é o objectivo a atingir,
o mais importante é o percurso que transpomos
para atingi-lo, o objectivo é aquilo que nos
impulsiona, que nos motiva, mas é pelo caminho
que percorremos que crescemos e que nos
formamos.

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É necessário valorizar o envolvimento, o estar e o
vivenciar, o valorizar os passos que damos na
procura dos nossos desejos, encontrar todas as
outras coisas que estes nos dão para além do que
queremos conseguir rapidamente.
A relação que podemos estabelecer entre a
valorização do percurso e o esforço de realização
está no desejo, o desejo de aprender e de ensinar,
o desejo daquilo que retiramos do percurso, o
desejo de saber o que virá no passo seguinte, mas
para alcançar este desejo é necessário esforço e
empenho, e o esforço de realização é
precisamente o empenho que pomos nas coisas
que queremos alcançar, do empenho que
conseguimos manter.

8. A pirâmide distribui-se em cinco níveis, em que na


base se apresentam os de origem fisiológica,
comer, dormir, sexo e excreção, são os mais
básico, depois surge a segurança, não só corporal,
mas de emprego, de casa, de família, de saúde,
depois passamos ás necessidades de carácter
amoroso e de relacionamento, como a amizade,
família ou intimidade sexual, passamos para a
estima, auto – estima, respeito por si e pelos
outros como o respeito que temos dos outros e por
fim passamos ao ultimo patamar o de auto –
realização onde Maslow insere a moralidade,
criatividade, espontaneidade, solução de
problemas, ausência de preconceitos e aceitação
dos factos. Neste último patamar Maslow
considera que a pessoa tem que ser coerente com
aquilo que é na realidade.

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Para Maslow uma pessoa só passaria para o
patamar seguinte se os patamares inferiores
estivessem totalmente satisfeitos.

Projecto 12
1. Relaciona pensamento e acção.
2. Distingue pensamento convergente de
divergente
3. Relaciona pensamento, imaginação e
criatividade.

4. O pensamento é uma operação da mente contínua


e que abrange quase todos os nossos processos
mentais, mas a mente opera sobre as nossas
acções e por isso o pensamento é dependente
desta.
O pensamento é a capacidade de conhecer,
relacionar-se e agir num mundo que se torna seu,
que alcança significado.
É algo que surge pela relação entre o ser humano
e o seu mundo, que inclui cognições, emoções e
acções, mas a relação entre o ser humano e o ser
mundo é mutuamente transformadora o que
significa que o pensamento é gerador pelas
acções que actuam no mundo e respectivas
consequências, fazem alterar o significado
atribuído, alteram igualmente a maneira como os
processos mentais actuam, mas também as
acções são produtos dos nossos pensamentos e a
forma como vemos o mundo.
Por isso a ligação entre pensamento e acção é
intimamente dinâmica, de uma chegamos á outra
e da outra alteramos a primeira.

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5. O pensamento convergente caracteriza-se pela
síntese de informação e de conhecimento
orientados para a solução de um problema. É um
pensamento dominado pela lógica e pela
objectividade, em que dominam o raciocínio
hipotético – dedutivos. Este tipo de pensamento
está associado á resolução de problemas,
corresponde á aplicação das regras lógicas e do
conhecimento numa direcção para encontrar a
solução correcta, ou seja, é um pensamento que
utiliza informação específica e já pré – adquirida
que é dirigida á solução de um problema, através
de um raciocínio hipotético – dedutivo, em que se
aplica uma lei universal a um caso particular.
O pensamento divergente caracteriza-se por um
processo de exploração em várias direcções, por
um divergir de ideias de modo a contemplar vários
aspectos, face a um problema surgem várias
soluções originais. Implica a exploração cognitiva
de várias soluções diferentes e inovadoras para o
mesmo problema.
Neste tipo de pensamento domina a intuição sobre
as operações mentais de tipo lógico – dedutivo
que caracteriza o pensamento convergente. É um
pensamento associado á criatividade, ou seja, é
um tipo de pensamento que utiliza o raciocínio
indutivo para resolver um problema, isto é, parte
de casos particulares e elabora uma lei geral,
expande os casos particulares, encontrando
diferentes soluções para um mesmo problema.

6. A imaginação permite que o pensamento vá para


além dos limites da realidade percebida, o que
abre novas oportunidades em termos da
apropriação dos significados, permite-lhe prever

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experiencias e formas de sentir, antecipar acções
e encontrar alternativas para elas.
É pela imaginação que encontramos alternativas
para o saber, para as formas de sentir, é possível
antecipar as intenções próprias ou dos outros.
A criatividade necessita da imaginação, Howard
Gardner define um indivíduo criativo como “uma
pessoa que resolve regularmente problemas ou
define novas questões numa área inicialmente
considerada nova, mas que mais tarde se integra
num dado sistema cultural”.
A pessoa não pode ser criativa em tudo, as
pessoas são criativas numa determinada área. E
alguns estudos demonstram que um ambiente
social estimulante, que encoraje a diferença e a
fantasia que estimule a autonomia e a liberdade
de escolha, cria condições para que uma pessoa
possa desenvolvr uma actividade criativa.
A criatividade com a imaginação ajuda ao
pensamento, principalmente ao pensamento
divergente, porque permite pela imaginação criar
cenários que não existem, criar significados que
ainda não existem, prever experiencias e criar de
forma criativa resolução para problemas que é um
dos propósitos do pensamento.

Projecto 13
1. O que é a identidade?
a) Como se caracteriza?
2. Como se constrói a identidade?
a) Quais são os momentos mais importantes
desse processo?
b) É um processo fixo? Justifica?

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XXIII
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c) Qual é o papel dos outros na construção
da identidade?
3. Que tipos de identidades existem?
a) Define cada uma delas.
4. Relaciona história de vida e identidade
pessoal.

1. A identidade é o conjunto das percepções,


sentimentos e representações que uma pessoa
tem de si própria, que lhe permitem reconhecer e
ser reconhecido social mente, é o que é essencial
numa pessoa, o eu contínuo, o conceito interno e
subjectivo do sujeito como indivíduo. É o conceito
de si, é a forma como nós nos definimos o que nos
permite dizer “eu sou eu”. É o sentimento
intrínseco de ser o mesmo, permitindo que
reconheça-mos como sujeitos unos e únicos, como
actores das nossas experiencias passadas,
presentes e futuras.
É um conceito muito complexo e difícil de
caracterizar porque afirma, por um lado, a
semelhança e por outro lado, a diferença, já que,
temos características comuns aos outros e
características que nos distinguem dos outros.
Se por um lado esta assegura a continuidade do
que somos, por outro lado, constrói-se ao longo da
vida, o que implica mudança.
A complexidade ainda se acentua mais pelo facto
de cada um de nós desempenhar diferentes
papeis e ao mesmo tempo, mantemos coerência
interna.
a) Podemos caracterizar a identidade através dos
seus principais elementos: Continuidade,
reconhecemo-nos os mesmos ao longo do
tempo; Estabilidade, temos para nós e para os

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outros uma representação mais ou menos bem
estruturada; Unicidade, o comportamento com
determinadas características reflecte a ideia de
unicidade; Diversidade, somos várias
personagens numa só; Realização, realizamo-
nos enquanto identidade pela acção; auto –
estima, remete a uma visão positiva de mim
próprio.

2. O conceito de identidade está, intimamente ligado


ao conceito de alteridade, porque o processo de
construção da identidade passa sempre pelo
diálogo entre o Universo interior e exterior, entre
mim e o outro.
A identidade constrói-se ao longo do tempo,
actualizando-se permanentemente até á morte e é
pelo processo de socialização que o indivíduo
constrói a sua identidade ao longo de toda a vida.
Ainda antes do bebe nascer já a construção da
identidade de um individuo começou a ser de
certa forma construída, pela fantasia dos pais, que
escolhem o nome, fazem projectos para o seu
futuro, conversam com o bebe.

a) Embora o processo de construção da


identidade seja continua, há momentos mais
importantes do que outros.
A primeira fase é na infância pela relação
afectiva que o individuo estabelece com a mãe,
que passa por uma comunicação intima entre o
corpo da mãe e do bebe, que este vai
desenvolvendo a percepção do próprio corpo.
O psicanalista René Spitz considerou que as
relações precoces eram fundamentais na
construção do sentimento de identidade. Entre

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um e os dois anos de idade, há uma construção
da imagem de si: a criança reconhece-se no
espelho e que vai relacionar com aquilo que
sente interiormente, na fusão de corpo e
interioridade marca o inicio do sentimento de
identidade propriamente dito.
Uma segunda fase, pode situar-se por volta dos
seis anos, quando entra na escola; surge a
pertença a grupos, para além de lhe fornecer
vários modelos de identificação, levam-na a
reconhecer os outros, a colocar-se no seu lugar,
vai tomando consciência das diferenças e
adapta o comportamento aos diferentes
papéis. A outra grande fase é quando entra na
puberdade, vai desencadear uma grande
alteração na identidade da criança.
A oposição dos adolescentes face aos pais
exprime uma diferenciação relativamente á sua
identidade anterior, criam novas referencias
identitárias ligadas a grupos específicos e a
uma cultura juvenil.
O processo neste ponto é de identificação /
diferenciação é vivenciado de forma
contraditória através de atitudes de
conformismo e / ou rebeldia. Pelo conformismo
há uma identificação com pessoas sem
questionar ou criticar é uma forma de
identificação e como forma de superar
inseguranças, por outro lado manifesta rebeldia
porque se afirma pela negação relativamente
aos outros.
Segundo Erikson, o jovem atinge a “identidade
realizada”.

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XXVI
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b) Durante muito tempo pensou-se que o
processo de construção de identidade
terminaria no fim da adolescência, sendo por
isso um processo fixo, esta ideia não era
contraria pelo facto de a mesma pessoa
assumir várias identidades, que correspondem
a diferentes papéis sociais.
Mas não é um processo fixo, porque constata-
se que os adultos passam por todo um
conjunto de situações ao longo da vida que
afectam a identidade pessoal nas suas
diferentes expressões corporal e sexual, de
auto – estima, etc.
Em muitas situações vão ocorrer situações de
crise de identidade o que leva Erikson a afirmar
que “a identidade não está nunca fixada,
acabada, instalada”.

c) A identidade se constitui como a integração de


todas as experiencias do sujeito, de toda a sua
história de vida. No processo de construção da
identidade está sempre envolvida a dimensão
biológica – o corpo – e a dimensão relacional –
a nossa identidade constrói-se na relação com
os outros, em todas as fases da nossa vida.
Um sujeito constrói a sua identidade por
semelhança, por ser amado, aceite pelo seu
meio, ao mesmo tempo que procura
diferenciar-se e “apresentar-se” como ser
único.
Forja-se através da dinâmica de dois processos
contrários de ancoragem e de afastamento,
uma parte do sujeito é, pois, marcada por
autonomia e singularidade, uma outra sujeita-
se a modelos e quadros relacionais e culturais.

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XXVII
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É deste carácter paradoxal, desta perpétua
tentativa de gestão de contrários num processo
não contraditórios, que nasce o sentimento de
identidade, ou de ser, através do qual todo o
sujeito experimenta que é um eu separado dos
outros.

3. Há três tipos de identidade, porque apesar de se


falar de identidade no singular, é um conceito
complexo que se manifesta pela identidade
pessoal, identidade social e identidade cultural.

a) A identidade pessoal, envolve a percepção


subjectiva que o sujeito tem da sua
individualidade e que apesar dos diferentes
papéis que correspondem a uma identidade
específica, não estava em causa a unicidade do
sujeito.
A identidade social define-se como a
consciência social que temos de nós próprios e
que resulta da interacção que constantemente
estabelecemos com o meio social em que
estamos inseridos, mas este conceito é
dinâmico, não se limitando a uma catalogação:
resulta do conjunto de interacções que
estabelece com os outros ao longo da vida. Aos
papéis desempenhados correspondem
expectativas e representações sociais que
integram uma dada identidade.
A identidade cultural permite que o sujeito se
reconheça através dos valores que partilha
com a sua comunidade.
Mas os três tipos de identidade não são nem
separados nem somados, são três
componentes de um mesmo sujeito. A

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XXVIII
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identidade de uma pessoa é uma totalidade
dinâmica onde todas estas dimensões
interagem.

4. A relação entre a pessoa e o seu contexto


desenvolve-se ao longo do tempo, numa dimensão
temporal.
A forma como o se humano, desde que nasce se
relaciona com o meio e com os outros muda-o, por
outro lado, cada um de nós muda o mundo a cada
momento, a cada interacção com os outros e com
as coisas que nos rodeiam.
É nesta relação entre nós, seres humanos, e o
mundo que de desenrolam histórias de vida que
constituem a nossa identidade pessoal.

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XXIX