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000 Cursos Grátis Pelo Sistema de Ensino a Distancia – SED CNPJ º 21.221.528/0001-60 Registro Civil das Pessoas Jurídicas nº 333 do Livro A-l das Fls. 173/173 vº, Fundada em 01 de Janeiro de 1980, Registrada em 27 de Outubro de 1984 Presidente Nacional Reverendo Pr. Gilson Aristeu de Oliveira Coordenador Geral Pr. Antony Steff Gilson de Oliveira APOSTILA Nº. 30/300.000 MIL CURSOS GRATIS EM 76 PAGINAS. Apostila 30 Estudo Teológico Sobre Pacto UMA BREVE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO PACTO Parte I Este artigo se propõe a estudar os elementos básicos da doutrina do pacto dentro da perspectiva da teologia bíblica. Para esse fim, o presente estudo é composto de uma breve análise histórica da doutrina do pacto, seguida de uma análise bíblica. As duas partes, ainda que relacionadas pelo tema, não são, necessariamente, interdependentes. A parte histórica visa dar ao leitor uma perspectiva quanto ao surgimento e controvérsias atuais em torno da doutrina, tendo como ponto focal a Confissão de Fé de Westminster (CFW). A análise bíblica visa dar as linhas gerais da teologia do pacto, tornando essa doutrina mais conhecida do público evangélico brasileiro. Ainda que a doutrina do pacto seja a base da teologia calvinista, e, portanto, a teologia oficial das igrejas de confissão reformada, seu desconhecimento por grande parte dos reformados é ainda muito grande. Não tenho neste artigo nenhuma pretensão de originalidade. Como veremos no corpo do texto, principalmente na análise histórica, a doutrina do pacto é antiga e amplamente debatida, abrindo pouco espaço para a originalidade. Entre os vários autores contemporâneos que tratam da doutrina do pacto e formam o arcabouço de idéias expostas neste artigo estão G. Van Groningen, O. Palmer Robertson e William Dumbrell.(1) O leitor poderá notar que este artigo provê as linhas básicas da teologia bíblica proposta em artigos anteriores de Fides Reformata, como "Pregação no Antigo Testamento: É Mesmo Necessária?" e "Salmo 133: Interpretando o Texto numa Perspectiva Bíblico-Teológica."(2) I. Histórico A Confissão de Fé de Westminster, de meados do século XVII, trata da doutrina do pacto no seu capítulo VII:

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DO PACTO DE DEUS COM O HOMEM I. Tão grande é a distância entre Deus e a criatura, que, embora as criaturas racionais lhe devam obediência como seu Criador, nunca poderiam fruir nada dele, como bem-aventurança e recompensa, senão por alguma voluntária condescendência da parte de Deus, a qual agradou-lhe expressar por meio de um pacto. II. O primeiro pacto feito com o homem era um pacto de obras; nesse pacto foi a vida prometida a Adão e, nele, à sua posteridade, sob a condição de perfeita e pessoal obediência. III. Tendo-se o homem tornado, pela sua queda, incapaz de ter vida por meio deste pacto, o Senhor dignou-se a fazer um segundo pacto, geralmente chamado o pacto da graça; neste pacto da graça ele livremente oferece aos pecadores a vida e a salvação através de Jesus Cristo, exigindo deles a fé, para que sejam salvos, e prometendo o seu Santo Espírito a todos os que estão ordenados para a vida, a fim de dispô-los e habilitá-los a crer.(3) O texto fala de dois pactos feitos com o ser humano. O primeiro foi feito com Adão antes da queda e é chamado de pacto de obras. No segundo, feito depois da queda, a salvação e a vida são oferecidas a "todos os que estão ordenados para a vida." Este é chamado de pacto da graça. Esses dois pactos estão "centralizados em torno do primeiro Adão e do segundo Adão, que é Cristo."(4) A teologia esposada na CFW é conhecida como teologia pactual ("covenant theology"), um sistema teológico em que o conceito de pacto serve como estrutura básica.(5) Segundo Paul Helm, "de acordo com a teologia pactual, todas as relações de Deus com o homem são pactuais, de caráter federal."(6) O termo federal vem do latim foedus, que significa pacto. Isto fez com que o sistema de exposição da teologia da CFW fosse chamado de teologia federal. Para delimitarmos o assunto do nosso artigo, em ambas as suas partes, a histórica e a bíblica, nos concentraremos no primeiro pacto, chamado pela CFW de pacto de obras. Em outro artigo estudaremos o segundo pacto, o chamado pacto da graça. A história da doutrina do pacto de obras é longa e controvertida. O reconhecimento de um pacto antes da queda já aparece nos escritos de Agostinho, o bispo de Hipona, no quarto século: "O primeiro pacto, que foi feito com o primeiro homem, é este: No dia em que dela comerdes, certamente morrerás. " (7) Agostinho, discutindo a questão dos pactos bíblicos, afirma que "muitas coisas são chamadas de pactos de Deus além daqueles dois grandes, o novo e o velho... " (8) Porém, ainda que reconhecida desde cedo por teólogos como Agostinho, a doutrina do pacto de obras só foi desenvolvida bem mais tarde, pelos reformadores do século XVI. A nomenclatura pacto de obras, adotada pela CFW, não foi consensualmente aceita pelos reformadores e primeiros reformados. Uma nomenclatura diversa surgiu logo no princípio (por ex., pacto natural, pacto da criação, pacto edênico). Mais adiante, na elaboração do conceito bíblico de Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 2

Observando. embora relacionadas. Desta forma. é grandemente exagerada. visto que a Teologia Federal tem suas raízes em Bullinger e não em Calvino. Já mencionamos anteriormente que o sistema teológico que envolve a teologia do pacto de obras é o sistema que ficou conhecido como teologia federal. a sua origem como sistema teológico é motivo de controvérsia nos dias atuais. Quatro nomes.(15) Karlberg. da criação. sendo portanto posterior a Calvino. Assim como a questão do nome da doutrina foi controvertida no princípio. conforme vissem o pacto de Deus como bilateral ou unilateral. nessa perspectiva. Este reducionismo até mesmo levou muitos a se referirem à Confissão de Fé de Westminster como uma declaração teológica calvinista. avaliando as conclusões de McCoy e Baker. afirma: A argumentação de que existiam duas escolas distintas dentro do Protestantismo Reformado primitivo. Zacarias Ursino (1534–1583). é difícil de sustentar a afirmação de McCoy e Baker com respeito a um pacto de obras nesse autor. Ela é uma confissão Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 3 . da humanidade.(12) Ainda segundo McCoy e Baker. dentro da tradição reformada — federalismo e calvinismo." Essa leitura incorreta os leva a concluir: "Tornou-se comum entre os historiadores reduzir o pensamento reformado dos séculos XVI e XVII ao calvinismo.pacto."(13) Portanto. A exposição de Bullinger gira em torno do pacto como o "tema de toda a Escritura".(14) McCoy e Baker seguem uma linha de historiadores que nega o pensamento da CFW como sendo um desenvolvimento da teologia de Calvino. Bullinger trabalha sua teologia em torno de um pacto de obras. Baseados nessa observação os autores supra mencionados entendem que Bullinger deve ser tratado como o "pai" da teologia pactual. são mais diretamente associados com a teologia federal: Henrique Bullinger (1504-1575). a obra de Bullinger. Alguns vão mais longe e chegam a afirmar que a teologia de Calvino contradiz a idéia de um pacto de obras. Gaspar Oleviano (1536-1587) e João Cocceius (1603-1669).(9) É preciso ser cauteloso quanto a esse tipo de conclusão. a questão do nome será considerada. Alguns historiadores apontam que o desenvolvimento da teologia federal propriamente dita é do século XVII. no entanto. "Bullinger concluiu seu tratado com uma seção em que argúi que o cristianismo começou com Adão quando a aliança foi primeiramente feita com os seres humanos.(11) Segundo os historiadores McCoy e Baker. a obra do reformador suíço é o "primeiro trabalho que organiza o entendimento de Deus. dois anos antes da primeira publicação da obra de Calvino. Vejamos como se desenvolveu essa leitura. da história humana e da sociedade em torno do pacto". e sua teologia deve ser chamada de pactual. O primeiro deles publicou sua obra De testamento seu foedere Dei unico et aeterno (Uma Breve Exposição do Único e Eterno Testamento ou Pacto de Deus)(10) em 1534. entre muitos. Isso reflete uma leitura equivocada da obra de Calvino e do desenvolvimento posterior da sua teologia feito pelos reformados. Chegam a afirmar que designar a CFW como calvinista é um erro histórico. não podemos concordar com nossos autores [McCoy e Baker] quando afirmam que "as diferenças entre Bullinger e Calvino formam a base para duas linhas distintas. as Institutas da Religião Cristã (1536).

da obra de Calvino. a crítica de Kendall fica totalmente prejudicada quando.(21) A acusação de Kendall. Torrance e R. porque Cristo morreu indiscriminadamente por todas as pessoas. Lloyd-Jones na Capela de Westminster. o autor demonstra um conhecimento questionável da teologia de Calvino. mas também no ensino de outros teólogos que foram influenciados por Calvino e desenvolveram essa teologia. T.(19) Calvino. O fato é que o que veio a ser conhecido como teologia calvinista não tem base somente nos ensinos de Calvino. Kendall. Beza não podia indicar Cristo diretamente às pessoas porque (segundo ele) Cristo não morrera por todos. exatamente por terem sido influenciados por Calvino. As teologias de Ursino. que estes "tinham marca insculpida pela Palavra de Deus para que fossem provas e selos de seus concertos". ao afirmar que Calvino cria numa "expiação universal". com relação a Adão e Noé e os sinais dos sacramentos (a árvore da vida e o arco-íris). Ainda que Calvino não tenha. portanto. ainda que cada um deles defenda leituras diferentes sobre o que é a teologia do período pós-reforma. M. Cocceius e Bullinger não se encontram em oposição ao pensamento de Calvino e da CFW.(20) Um exemplo dessas tentativas de provar uma discontinuidade entre Calvino e teólogos posteriores ocorreu na literatura reformada em português. em última análise. em Londres.Reformada. Nas Institutas da Religião Cristã. Ao discutir a questão da segurança da salvação e a diferença dos pontos de vista de Calvino e Beza.(22) Kendall tem uma interpretação singular. Há alguns anos atrás (1990) foi publicado no Brasil um ensaio de R. Calvino afirma. portanto. Weir. modificaram a teologia de Calvino profundamente e levaram essa teologia modificada a ser sancionada pela Assembléia de Westminster. no mesmo artigo. No entanto. Alguns chegam ao extremo de dizer que Calvino desconhecia o conceito de pacto e. Ainda que usando uma terminologia variada (foedus naturale = pacto natural. esta é uma corrente minoritária.(16) Outros teólogos (e historiadores) modernos tentam provar que essa linha de pensamento de McCoy e Baker é uma leitura correta.(17) T. Calvino lhes indicava diretamente a Cristo. a teologia da CFW não pode estar associada ao nome do reformador. a teologia expressa por esses teólogos tem muitos pontos de contato e tem sido legitimamente chamada de calvinismo. Entre eles encontramos D. Kendall afirma: Ele [Calvino] apontava Cristo às pessoas pela mesma razão que Beza não podia fazê-lo: a questão da "extensão" da expiação. ainda que de forma incipiente. que a teologia do pacto de obras é um ensino presente nos escritos de João Calvino.(18) No entanto. T. Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 4 . muito mais um produto da tradição federal do que do elemento calvinista" (página 24). foedus creationis = pacto da criação). F. considera a presença de um pacto antes da queda. é à CFW como uma visão distorcida da teologia de Calvino. porém. quase solitária. Oleviano. Percebe-se. Cristo morreu apenas para os eleitos. Kendall. o sucessor de D. por exemplo. no qual o autor quis demonstrar que os reformados da Inglaterra. e não como um desenvolvimento da mesma. especialmente Beza (que não era inglês mas exerceu sua influência naquele país) e Perkins.

(28) Na área da teologia bíblica foi o teólogo liberal Walter Eichrodt. a descrição sistemática da teologia era uma característica essencial daquele período da história. P."(25) No entanto. No meio acadêmico reformado também houve um despertamento quanto ao estudo da teologia do pacto. portanto. A necessidade de argumentação lógica era fundamental naquele momento de profundas mudanças. a obra de L.de fato. como professor de teologia na universidade de Altdorf. Isso gerou uma outra acusação. vindas de tantas origens diferentes.(27) O discurso de Gabler marca uma nova fase nos estudos da teologia. o teólogo neoortodoxo Karl Barth deu à teologia do pacto um papel importante.(29) quem despertou novas controvérsias quando sugeriu que o tema do "pacto" servia como um tema central unificador (Mitte) para a teologia do Antigo Testamento.(23) concluindo que o argumento do autor no livro só pode ser considerado "não provado. ela permaneceu como peça fundamental entre os reformados até o nosso século. Gabler(26) em 1787. Na área da sistemática. e não do estudo exegético da Escritura." há evidências mais do que suficientes nos seus escritos de que ele não advogava uma "expiação sem limites. Stanford Reid. Os historiadores apontam para o discurso de J. onde o artigo de Kendall aparece. Ultimamente surgiu um novo interesse nos meios acadêmicos com relação a essa teologia. No entanto. não foram muito frutíferos quanto ao desenvolvimento da teologia do pacto de obras. porém de uma forma crítica. como o primeiro a estabelecer a real diferença entre a teologia sistemática e a teologia bíblica. que se volta para o estudo da Escritura. a necessidade da distinção entre esses dois campos de estudo está no fato de não se poder mais distinguir na teologia sistemática entre o divino (revelação) e o humano (filosofia e especulação)."(24) Outro aspecto importante a ser observado no desenvolvimento da doutrina do pacto de obras é que nos seus primeiros estágios ela foi trabalhada principalmente de uma perspectiva sistemática." O próprio editor de Calvino e Sua Influência no Mundo Ocidental. Isso porque a teologia sistemática e a teologia bíblica não eram dois campos de teologia distintos no período da reforma e imediatamente após a reforma. Eram tantas as "teologias sistemáticas" de sua época. usado a expressão "expiação limitada. Na área sistemática. levantando a reação de outro teólogo do Antigo Testamento. o que não implica em falta de exegese bíblica. por outro lado. dogmático. que corretamente estabeleçamos o uso na dogmática destas interpretações e dos objetivos próprios da dogmática. G. Na teologia Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 5 . Os séculos XVIII e XIX. A sua proposta é de uma volta aos escritos bíblicos e uma reformulação da sistemática: Entretanto. Berkhof baseia todo o seu entendimento da situação da raça humana no pacto das obras. Von Rad. em seu Old Testament Theology. que na sua concepção era impossível separar a teologia com fonte na revelação e o pensamento filosófico dos diversos teólogos. Weir chega a dizer que a "interpretação federal" parece derivar-se do pensamento sistemático. Para Gabler. faz críticas severas ao trabalho original do mesmo (Calvin and English Calvinism to 1649). W. tudo converge nisto. que por um lado nos apeguemos a um método justo para cautelosamente dar forma às nossas interpretações dos autores sagrados.

35.1-3. Por exemplo. Diferentes versões da Bíblia em português usam os substantivos pacto. 12. duas partes são envolvidas em um pacto. entender a bilateralidade? Um pacto implica sempre em igualdade entre as partes? Certamente que não. "convenção" ou "contrato". já mencionado anteriormente.16. Basta passar os olhos por alguns dicionários de teologia ou livros que tratem especificamente do assunto para verificar que há entre os estudiosos grande discordância. G. que significa "laço". entre muitos outros. No entanto. 1 Sm 20. O interesse especial na obra desses três teólogos contemporâneos está na exposição que fazem do chamado pacto da criação.(34) Da própria dificuldade em se estabelecer a origem e significado do termo berith surgem as primeiras divisões no seio daqueles que defendem a teologia pactual.12). As posições mais defendidas são: (1) a de que berith é derivada do assírio birtu."(33) De todas estas a primeira posição é a mais aceita entre os estudiosos do Antigo Testamento. 13.(32) Para todos esses sinônimos a idéia básica que encontramos é a de união entre duas partes.5. A Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 6 . segundo o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 26. em seu Biblical Theology: Old and New Testaments. (3) a de que o substantivo está ligado à preposição bein "entre.10). 13.15. 5. e está relacionado com a cerimônia que selava um acordo ou relacionamento entre partes. acordo e concerto para traduzir o substantivo hebraico berith que aparece cerca de 290 vezes no Antigo Testamento. "vínculo". Conceito de Pacto O substantivo pacto significa. nesse contexto.22-32.6.26-33. 13. Lm 4. exatamente o que se quer dizer quando se fala em acordo? Isto implica em que as alianças bíblicas sejam "bilaterais"? Não se pode negar que a idéia de pacto traga consigo. permite-nos entender alguns aspectos mais amplos da teologia pactual. mais abrangente que a terminologia da CFW (pacto de obras). um pacto ou acordo bilateral. os teólogos citados na introdução deste artigo: Robertson. II.12-21. Somam-se a esses dois expoentes da teologia. (2) a de que o substantivo tem origem na raiz de barah. Estes três substantivos são também usados para definir o significado do substantivo aliança. no seu sentido mais natural.17. em certos casos um pacto é feito para resolver uma disputa entre partes (Gn 21. nações ou grupos na narrativa bíblica (ver Js 9. Centenas de vezes o substantivo aparece no contexto de um pacto entre Deus e seres humanos. ou seja. Van Groningen e Dumbrell.(30) desperta novos interesses entre os teólogos bíblicos ortodoxos. ela em momento algum contradiz a terminologia sistemática. Vários pactos acontecem entre duas pessoas. Vos." que aparece poucas vezes no Antigo Testamento (2 Sm 3. Ainda que essa terminologia seja proposta por teólogos bíblicos. 31.10.43-54). como uma terminologia usada entre os primeiros reformados (ainda que os três não concordem em todos os pontos de sua teologia).(31) "ajuste". a bilateralidade. como veremos em uma seção mais adiante.bíblica. "comer. 2 Sm 3. aliança. 1 Rs 5. Como. até mesmo a etimologia do substantivo é grandemente discutida. O uso dessa terminologia.

reis e vassalos. Nesses casos. E tu irás para os teus pais em paz. e será reduzida à escravidão." ou seja. uma sentença sem sentido. se submete às exigências pactuais. não tinham o direito de propor qualquer coisa nos termos do pacto. No entanto. ao formularem seu modo de Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 7 . Isso se torna evidente no texto de Gênesis 17. eram selados. se traduzido literalmente.bilateralidade.2. Vários paralelos entre os pactos bíblicos e os pactos do antigo Oriente Próximo foram cuidadosamente descritos por Meredith Kline e servem como uma valiosa ajuda para entendermos os termos e significado do pacto entre Deus e a humanidade. É um compromisso feito pela iniciativa de Deus com relação à sua criação. houve densas trevas. com certeza. posto o sol. estamos falando de uma aliança que não envolve um acordo de duas partes.(36) Um dos exemplos dados por Kline é a narrativa em Gênesis 15 do pacto com Abrão. No pacto divino-humano encontramos a relação criador-criatura. Mas também eu julgarei a gente a que têm de sujeitar-se. Um dos lados tem a vantagem do domínio e se propõe a cumprir um determinado papel. e eis um fogareiro fumegante e uma tocha de fogo que passou entre aqueles pedaços. Todas as promessas são feitas por Deus a Abrão. e será afligida por quatrocentos anos. O ritual apresentado no versículo 17. Teriam os autores bíblicos "tomado emprestado" o conceito antigo de pacto e aplicado à teologia? Essa é uma posição defendida por vários estudiosos. do Rei soberano para o vassalo. entre soberanos e vassalos. porque não se encheu ainda a medida da iniqüidade dos amorreus. o texto narra nos versos 13-17 o desfecho: Sabe. quando entravam em pacto com os conquistadores. que nos daria. e depois sairão com grandes riquezas. do criador para a criatura. No entanto. tornarão para aqui. Na quarta geração. O texto não reflete um acordo de duas partes iguais. com os mesmos direitos.(35) na qual não existe negociação de direitos e obrigações. em que Deus passa por entre os pedaços dos animais. Portanto. Nos primeiros versículos o texto narra que Iavé aparece a Abrão e faz com ele uma aliança. que é traduzido para o português como — "Farei uma aliança entre mim e ti" — onde o verbo traduzido como "fazer" tem por raiz no hebraico o verbo "dar" (nathan). os conquistados. Depois de colocados os termos da aliança. o outro. no contexto do pacto entre Deus e homens. como veremos mais adiante. iniciada e garantida por Deus nos seus termos. é uma característica da forma como os pactos do antigo Oriente Próximo. mas não que exista a igualdade entre essas partes. implica tão somente em que duas partes estão envolvidas. Nesse sentido a aliança divino-humana é unilateral. Esse tipo de pacto não é algo sem precedentes na história. Este tipo de pacto pressupõe a figura de uma parte "soberana". a força do argumento está no fato de que a raiz do verbo traduzido por "fazer" em português envolve algo que é dado: um pacto. rei soberano-servo. que a tua posteridade será peregrina em terra alheia. serás sepultado em ditosa velhice. O ser humano é um receptor da aliança divina. Teólogos têm chamado esse tipo de aliança "unilateral" de "monergista. tendo também um papel a cumprir. penso que existam razões suficientes para se crer na idéia oposta a essa: os povos antigos. E sucedeu que. Ele é ilustrado pelos pactos do antigo Oriente Próximo entre conquistadores e conquistados.

). vínculo e relacionamento de amor. segundo a própria Escritura. Pacto e Criação O substantivo berith (pacto) não aparece senão no capítulo 6 de Gênesis. é um conceito que deve ser entendido dentro dos vários contextos onde aparece. iniciado e administrado por Deus. até que a criação estivesse completa. falar de um "pacto da criação" se o termo sequer aparece na narrativa? Que evidências podem ser apresentadas? Partindo-se do conceito da aliança como elo. que se propôs a criar e sustentar a sua criação. quando se trata do pacto divinohumano pode-se dizer que o pacto é um vínculo/elo de amor. aparentemente. portanto. Ele não só tinha o governo absoluto sobre ela. mas também mantinha tudo o que havia criado. etc. a possibilidade do desenvolvimento de relacionamentos. não podia ter auto-sustentação (pelo menos do ponto de vista do que chamamos de leis naturais). estando. Mesmo assim. Portanto. que ao criar Deus manteve um relacionamento com sua criação. como o texto bíblico deixa bem claro a partir do segundo capítulo de Gênesis. com suas leis naturais. a criação. discernir. portanto. De um dia da criação para o outro (dia um para o dia dois. Como. Depois que ele terminou de fazer tudo o que havia proposto. representada pelos nossos pais. e fazer opções). Temos. portanto. A diferença fundamental entre os pactos humanos e o pacto divino-humano encontra-se na motivação do soberano Criador. presente no relato da criação. verificamos que essa idéia é intrínseca na narrativa da criação. passou a se manter. sabemos que ele é o "sustentador de todas as coisas. Deus estava sustentando de forma extraordinária a sua criação. Em terceiro lugar. então. refletiam a forma que o próprio Deus criador havia estabelecido para se relacionar com sua criatura. laço. Deus sustentava aquilo que. estabelecendo assim um vínculo que. ausente da narrativa da criação e da queda (Gn 1–3). iniciado e administrado pelo Deus triúno com a sua criação. só pode ser um vínculo de amor. III. Várias nuanças do pacto são dadas através dos verbos que acompanham o substantivo." Em segundo lugar. Deus o criou à sua "imagem e semelhança". Assim.relacionamento social. ao criar o ser humano (Gn 1. Incluídas nessa imagem e semelhança estão as habilidades de comunicação e relacionamento (e suas implicações como pensar. primeiramente. aprendemos da narrativa da criação que Deus deu responsabilidades ao ser humano (macho e fêmea). Essa imagem e semelhança permite que o homem criado se relacione com o Criador.26-28). Destacamos. obedecer. o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 8 . Entre elas se encontram obrigações de cuidar e desenvolver o que Deus havia colocado em suas mãos: Tomou. dia dois para o dia três. O conceito de pacto. pois.

multiplicai-vos." sem que haja qualquer evidência da necessidade dessa troca.19).16-17)." Uma leitura simples e direta do texto reflete que havia um pacto entre Deus e Adão. Oséias estaria.18. que pode ser tido como o pacto da criação. sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra (Gn 1.15. eles se portaram aleivosamente contra mim. substituindo a preposição "como" por "em. Ao casal são dadas as responsabilidades de procriação. Jeremias 33.7 seja traduzido como a Bíblia na Linguagem de Hoje sugere. porque. dominai sobre os peixes do mar. Essa leitura reflete o pressuposto de que os escritores bíblicos tinham conhecimento de outros escritos bíblicos. multiplicação e domínio refletidas nas bênçãos dadas a eles. sujeitai. Havendo. mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás. para que o texto de Oséias 6.(40) Ainda mais.7 fala da transgressão de Adão contra o pacto: "Mas eles transgrediram a aliança. considerando vários pressupostos diferentes do exposto acima. Eles adotam uma leitura diferente do texto. As bênçãos são dadas ao homem e expressas em forma imperativa no verso 28: sede fecundos. 25. dominai. verificamos que nesse relacionamento existe a verbalização clara da parte de Deus do que seriam as bênçãos e as possíveis maldições do pacto. pois. Em quarto lugar. não se sabe de um Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 9 . Oséias 6. é necessário que se faça uma emenda do texto hebraico. isto não é admissível. enchei. Para alguns estudiosos.cultivar e o guardar. portanto. certamente morrerás (Gn 2.(37) E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos. esse seria o nome deles (Gn 2. para ver como este lhes chamaria.(38) Essas características (soberania.. exponho abaixo as razões principais porque se pensa que esses textos falam de um pacto da criação. trouxe-os ao homem. e Gênesis 6. portanto. E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente.20. existe uma cidade bíblica com esse nome (Js 3. e o nome que o homem desse a todos os seres viventes. sustento. como Adão.16). anteriores e contemporâneos. entretanto. relacionamento.28). enchei a terra e sujeitai-a. Outras evidências levantadas para o pacto da criação são os textos de Oséias 6.7. um pacto pré-queda. Sem muitos detalhes exegéticos." De fato. o SENHOR Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves dos céus. Bênçãos e maldições são parte integrante dos pactos entre soberanos e vassalos no antigo Oriente Próximo. social e cultural. No entanto. Em todos esses exemplos percebemos que o Criador está expressando à sua criatura mandatos em três áreas de relacionamento: espiritual. falando do pacto da criação. como a Bíblia na Linguagem de Hoje(39) "Mas na cidade de Adã o meu povo quebrou a aliança que fiz com ele e ali foi infiel a mim. no dia em que dela comeres. bênçãos e maldições) formam o conjunto de elementos do chamado pacto da criação. multiplicai-vos.. responsabilidade.

porque a ti e a tua descendência darei todas estas terras e confirmarei o juramento que fiz a Abraão. Se falharem estas leis fixas diante de mim. a Septuaginta (LXX). entrarás na arca. Assim. para que não tenha filho que reine no seu trono. convincentemente. que o texto paralelo de Jeremias 31. refletindo o fundamento do pacto de Deus com a criação. e serei contigo e te abençoarei."(44) Se traduzido dessa forma. Assim. teu pai. faz referência a uma aliança com o dia e aliança com a noite: Assim diz o SENHOR: Se puderdes invalidar a minha aliança com o dia e a minha aliança com a noite. nos casos em que o texto português fala "estabelecerei. A tradução de Gênesis 6." o texto traria "confirmarei": Contigo. No entanto." confirmando a leitura da maioria das traduções em várias línguas. Robertson explica. dia e noite (Gn 8. estabelecerei a minha aliança. e as mulheres de teus filhos" (Gn 6. diz o SENHOR.22). esta proposta de leitura não acha qualquer argumento sustentável. "a aliança com o dia e com a noite. que traduz a expressão "como Adão" por "como homens. e tua mulher.18 é uma terceira evidência para se confirmar o pacto da criação. confirmarei a minha aliança. que agita o mar e faz bramir as suas ondas.18). ao falar do pacto com a casa de Israel e com Davi. meu servo. onde Deus promete manter a ordem fixa das estações. de Jeremias 33. porém.pecado cometido pelo povo de Israel ao passar por aquele lugar que fosse registrado e então mencionado pelo profeta. o verbo traduzido como "estabelecerei." Comentaristas apontam para duas situações às quais Jeremias pode estar se referindo nesses versos: à criação ou ao pacto com Noé.20-21." não pode ser invalidada. tu e teus filhos. estaria implícito um pacto entre Deus e a humanidade. meus ministros. que dá o sol para a luz do dia e as leis fixas à lua e às estrelas para a luz da noite. e as mulheres de teus filhos. SENHOR dos Exércitos é o seu nome.3: "habita nela. como também com os levitas sacerdotes."(41) Nesse caso. poder-se-á também invalidar a minha aliança com Davi. e tua mulher. tu e teus filhos. de tal modo que não haja nem dia nem noite a seu tempo." no hebraico pode ser traduzido como "continuar" ou "confirmar. Da mesma forma que o pacto estabelecido por Deus com a criação. Jeremias estaria. o pacto com Davi tem que ser e será mantido. entrarás na arca. Outra possível leitura provêm da tradução grega do Antigo Testamento. Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 10 .(43) O texto da versão portuguesa Revista e Atualizada diz: "Contigo. deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre.35-36 confirma a primeira opção (criação) como melhor(42) Assim diz o SENHOR. porém." a exemplo de Gênesis 26. O segundo texto. Nos versos 25-26 aparece a expressão "a minha aliança com o dia e com a noite.

tinham bases exegéticas sólidas para sua teologia. características e implicações. o Catecismo Maior. o que a CFW chama de pacto de obras. assim como líderes e leigos. Dumbrell. 1995) e Família da Aliança (São Paulo: Cultura Cristã. a teologia sistemática e a teologia bíblica falam das mesmas verdades bíblicas de uma forma harmoniosa.911). 1997). expostas de forma sistemática. 5-10. 2 Mauro F. 41-43. 1991). 3 A Confissão de Fé. as evidências encontradas para se falar de um pacto da criação são fortes e consistentes. é importante que nossos pastores e estudiosos. Covenant and Creation: A Theology of Old Testament Covenants (Grand Rapids: Baker. Conclusão Sendo a teologia reformada uma teologia de caráter pactual. e Fides Reformata 2:1 (1997). 1984). conheçam bem os fundamentos dessa teologia. numa terminologia mais abrangente. J. esta só podendo ser a aliança ou pacto da criação. soberanamente administrado por Deus. o Breve Catecismo. provando que os primeiros reformadores. Falar do pacto da criação envolve o pacto de obras e falar do pacto de obras pressupõe o pacto da criação. Portanto. Voltando-nos para a teologia bíblica observamos que essas doutrinas. que escreveram a esse respeito. Grifos meus. Esse pacto da criação. Fides Reformata 1:1 (1996). engloba. e com a vossa descendência. nem mais haverá dilúvio para destruir a terra (Gn 9. Notas 1 G. (10) e com todos os seres viventes que estão convosco: tanto as aves. O. os animais domésticos e os animais selváticos que saíram da arca como todos os animais da terra. contidos na CFW. que é uma exposição sistemática das principais doutrinas bíblicas. Ainda que usando uma terminologia diferente. Na próxima edição estaremos analisando outros aspectos do pacto da criação no período posterior à queda: sua continuidade. de forma clara. 1997). uma aliança anteriormente estabelecida. W. Revelação Messiânica no Velho Testamento (Campinas: Luz Para o Caminho. Palmer Robertson. Meister. têm fundamento bíblico e teológico. Dessa forma. Van Groningen. que subscrevem as confissões reformadas. (11) Confirmarei minha aliança convosco: não será mais destruída toda carne por águas de dilúvio. O pacto da criação é um conceito mais abrangente do que o conceito de pacto de obras na CFW. O Cristo dos Pactos (Campinas: LPC. Deus estaria confirmando ou continuando uma aliança com Noé. especial (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 11 .Eis que confirmo a minha aliança convosco. 29-38. Esses fundamentos bíblicos estão. 1ª ed.

Minha tradução. 13 Ibid. Fountainhed of Federalism: Heinrich Bullinger and the Covenantal Tradition (Louisville: Westminster/Jonh Knox. 18 Ver Paul Helm. 1990)..4 Ibid. Minha tradução. 9 David Weir." Evangelical Quarterly 55 (1983). The Origins of the Federal Theology. trad. 8 Ibid. Minha tradução. 7 Alexander Roberts e James Donaldson. aponta para esse mesmo fato. "Covenant Theology and the Westminster Tradition. 15 MacCoy e Baker. 99-138. 11 Ibid. 135. que um "pacto de obras" não aparece na obra de Bulinger. A versão portuguesa optou por "concertos" como Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 12 . 1996).." Westminster Theological Journal 43 (1981). 1989). 16 Mark W. 66. 273. ou seja. em "Ursinus’ Development of the Covenant of Creation: A Debt to Melanchton or Calvin?.. 65-81. 19 João Calvino. 180. Donald MacKim. resenha de McCoy e Baker. Nicene and Post-Nicene Fathers. eds. "Calvin and the Covenant. 67. 6 Paul Helm. 17 Weir. 26-27." Westminster Theological Journal 54 (1992). 5 Ver definição em Mark Karlberg. Fountainhead of Federalism. Westminster Dictionary of Theological Terms (Louisville: Westminster/John Knox. em Westminster Theological Journal 54 (1992). Karlberg. (Oxford: Clarendon Press. First Series: Volume II. WA: Logos Research Systems. 135-152.. Institutas da Religião Cristã. 103. Minha tradução. 6581." The Evangelical Quarterly 55 (1983). CD-ROM (Oak Harbor. 1991). Inc. 247281. 276.) 1997. 14 Peter Alan Lillback. Minha tradução. "Calvin and the Covenant: Unity and Continuity. Fountainhead of Federalism. Wayne Baker. 12 Ibid. 136. The Origins of the Federal Theology in Sixteenth Century Reformation Thought. 20. 10 Traduzido para o inglês em Charles MacCoy e J. 112. Também. Waldyr Carvalho Luz (São Paulo: CEP/LPC. 9.

Covenant and Creation: A Theology of Old Testament Covenants Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 13 . 26. 17. 31.27.17. 5. 17. 31.5. 29 W.4.3. 31.21. 133-158.8. Gabler and the Distinction Between Biblical and Dogmatic Theology: Translation. 31.15.19. 26. 6.12. 21. 9.15. 4.11. 1998). Houlden (Londres: SCM Press. 4. 24 W. 9. 1990). 24. verbete 282a. de Holanda Ferreira. 19.12. 15. 253. 9.13.31. Calvin and English Calvinism to 1649 (Oxford: Oxford University Press. 29.12. 30 Gerhardus Vos.2. "Covenants. 7. Minha tradução. L.16. Gleason Archer e Bruce Waltke. W. 23. 31. Ex 2. (Filadélfia: Westminster. 26.18. Origins of the Federal Theology. B. 25.28.11.11. "J. 33 Ver Laird Harris. 26. 1976). ed. 24.9 – 76 vezes.8. 17.10. 33.44. 17. 17.32." 281-286. 31. 18.10.9.1. 22 Ibid. 34. 14.25." em W.45. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento (São Paulo: Vida Nova. 9. 138. 1961). Stanford Reid. 158. "‘Não provado’ é a única resposta que pode ser dada ao argumento do livro. 17. 14.14.13.2. Kendall.9. 7. 2ª edição revista e aumentada (Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Lv 2. R. 17. 20 Lillback demonstra com clareza as evidências do pacto de obras no trabalho de Calvino. P. Biblical Theology (Grand Rapids: Eerdmans. and Discussion of his Originality.13.21.13. 32 Somente no pentateuco em Gn 6.26. 7.16. 5.18.9." em A Dictionary of Biblical Interpretation. Dt 4.25. 29. Eichrodt." 25 Weir.24. "A Modificação Puritana da Teologia de Calvino.2. "Ursinus’ Development of the Covenant of Creation.14. 29. 1986). 34.7.12.4. 26. 34.16. 9. Coggins e J. 29.9. 34.12.9.8. 26.33.T.20.19. 21 R. 245-265. 29. J.9. 17. Kendall." Scottish Journal of Theology 33 (1980). 27 Ibid.9. 10.42. Dumbrell. Commentary. 17.25.13. Stanford Reid. 9. T. 24. J. 17. Grifo meu. 155164. 26. 6.44.32. 25.23.7. 9..2.5. 31 A. 34. 9.sinônimo de pactos. 9. ed.15.44. 17.18. 23 R.28. 1990). Nm 10. 2 vols.27. 28 Ver Edward Ball..13. 31. 1979). 21. 9. resenha em Westminster Theological Journal 43 (1980). 26 John Sandys-Wunsch e Laurence Eldredge. 29.15. Calvino e Sua Influência no Mundo Ocidental (São Paulo: CEP. Theology of the Old Testament. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 8..

no entanto. verbete 1999. 277. Robertson. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento (São Paulo: Vida Nova..(Grand Rapids: Baker. 61-74. 1984). 1984). 17. Elwell. 257. 10). Archer e Waltke. 44 O verbo qum ({Uq) no hiphil pode ser traduzido como "confirmar. Van Groningen. ibid. 8). Também G. 16. Depois de relacionar a idéia de aliança com seus sinais e com juramentos. 42 Robertson. Já O. critica o tratamento do texto de Gênesis 6. 1998. trata o texto de Oséias 6. Vos. aliança é aquilo que une pessoas. 1968). em Revelação Messiânica no Antigo Testamento e Família da Aliança.7 e Jeremias 33 em seções específicas de seu livro. especialmente as notas 3 e 4. Revista Fides Reformata Parte II UMA BREVE INTRODUÇÃO Ao estudo do pacto Este artigo propõe-se a continuar o estudo do pacto iniciado em artigo anterior publicado nesta revista. Evangelical Dictionary of Theology (Grand Rapids: Baker. Palmer Robertson classifica esses mandatos com os termos sábado (espiritual). como evidências do pacto da criação. Cristo dos Pactos. 35 Robertson afirma que "em seu aspecto mais essencial. By Oath Consigned (Grand Rapids: Eerdmans. 1998). 21-22. Ele. O Cristo dos Pactos (Campinas: LPC.1 O primeiro artigo tratou da parte histórica da doutrina e Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 14 . 34 Walter A. P.. 1975). 38 Esta denominação dos mandatos é de G. 1997). 40 {fdf):K por {fdf):B 41 {fdf):K no hebraico traduzido por w¨j aÃnqrwpoj. 39 Sociedade Bíblica do Brasil. 21." Ver Harris. 36 Ver Meredith Kline. Cristo dos Pactos. O. ele afirma: "Essa estreita relação entre juramento e aliança enfatiza o fato de que a aliança em sua essência é um pacto" (ibid. 43 Robertson. casamento (família) e trabalho (cultural). Nada está mais perto do coração do conceito bíblico de aliança do que a imagem de um laço inviolável" (Robertson. Biblical Theology: Old and New Testaments (Edimburgo: Banner of Truth. O Cristo dos Pactos. 8-9.18 aqui apresentado.. 37 Ibid.

e para ele são todas as coisas. bênçãos e maldições. aquele que exerce o domínio sobre todas as coisas. Desde a declaração inicial da criação. e quão inescrutáveis. e por meio dele. Os autores mais recentes3 que expõem essa linha teológica advogam que esse pacto da criação foi continuado após a queda. Neste artigo nos concentraremos nos elementos constituintes do pacto da criação e nas questões pertinentes à continuidade desse pacto. ordenando. Foi exposto o conceito de pacto dentro de uma perspectiva bíblico-teológica. relacionamento. esses dois aspectos: (a) os elementos constituintes do pacto da criação e. representada pelos nossos pais. os seus caminhos! Quem. Pacto da Redenção. pois. A forma como o Gênesis relata a criação mostra ao leitor da narrativa que Deus independe de qualquer causa. conselho ou autoridade externa para realizar o seu trabalho soberano.”2 Ainda que a expressão berith (pacto) não apareça nos dois primeiros capítulos do Gênesis. criando. iniciado e administrado pelo Deus triúno com a sua criação.5 Vejamos. a glória eternamente. sustento. A. Soberania Meredith Kline indica que as estruturas pactuais encontradas no antigo Oriente Próximo possuem elementos semelhantes aos citados acima. refletindo sobre a obra redentora que Deus realiza através de seu Filho. conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele.6 Esses elementos. existe suficiente evidência escriturística e teológica para se dizer que na criação foi estabelecido um pacto. A ele.33-36: Ó profundidade da riqueza. Na exposição anterior estabelecemos que o conceito mais apropriado de pacto é o de “um vínculo ou elo de amor. separando.7 Os pactos feitos entre nações com o propósito de proteção mútua ou entre suseranos e vassalos (conquistadores e conquistados) apresentam características que podem ser encontradas na narrativa do Gênesis. como preferem outros teólogos reformados.dos fundamentos exegéticos iniciais para o seu estabelecimento. I. tendo expressão no que a Confissão de Fé de Westminster (CFW)4 chama de Pacto da Graça ou. pois.” O apóstolo Paulo. podem agora ser desenvolvidos de forma mais ampla. Elementos do Pacto da Criação Afirmamos no artigo anterior que o conceito do pacto da criação é sustentado por vários elementos presentes na narrativa de Gênesis 1 e 2. O seu conjunto forma o contexto para o desenvolvimento da doutrina do pacto: soberania. Elohim é claramente aquele que tem o domínio. já brevemente definidos. pois. relacionando-se o mesmo com a criação. responsabilidade.8 A primeira delas é a figura do soberano. no relato da criação. exclama em Rm 11. Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 15 . que tem sido chamado por alguns reformados de Pacto da Criação. (b) a continuidade do pacto da criação no pacto da redenção. tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos. determinando e estabelecendo a forma como a criação deveria ser e portar-se diante dele. O texto simplesmente pressupõe essa realidade: “No princípio criou Deus os céus e a terra.

Sua soberania é descrita tão somente pelo que faz. Falarão da glória do teu reino e confessarão o teu poder.1-3). Nos céus. e sem ele nada do que foi feito se fez (Jo 1.31).Um dia discursa a outro dia. determina seus papéis e então a realidade da sua criação é constatada na expressão “Viu Deus tudo quanto fizera. e deles não se ouve nenhum som. outros autores bíblicos.. Firmou o mundo. e eis que era muito bom” (Gn 1.19). Não há linguagem. no entanto. e os teus santos te bendirão.1-2).Amém! O Criador chama os elementos à existência. e o seu reino domina sobre tudo (Sl 103. quão magnífico em toda a terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade (Sl 8. por toda a terra se faz ouvir a sua voz. em cada um dos dias do relato da criação. até aos confins do mundo. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele. e o Verbo era Deus. O SENHOR é fiel em todas as suas palavras e santo em todas as suas obras (Sl 145. Podemos conferir essa realidade tanto no Antigo como no Novo Testamento: Ó SENHOR . o autor do Pentateuco. Desde a antigüidade está firme o teu trono. O teu reino é o de todos os séculos.. Tudo o que ele fez enquadrou-se perfeitamente no papel para o qual foi criado. Em momento algum o autor tem a preocupação de falar das características do Criador ou mesmo de descrevê-lo. e as suas palavras. estabeleceu o SENHOR o seu trono. de poder se revestiu o SENHOR e se cingiu. O SENHOR é bom para todos. assim como também Moisés. e as suas ternas misericórdias permeiam todas as suas obras. não habita em santuários feitos por mãos humanas. No princípio era o Verbo. SENHOR. nem há palavras. tu és desde a eternidade (Sl 93. sendo ele Senhor do céu e da terra. Reina o SENHOR.9-13). Ele estava no princípio com Deus. reconheceram e descreveram essa soberania e reinado de Iavé Elohim sobre todo o universo. e uma noite revela conhecimento a outra noite. Nem é servido por mãos Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 16 . (Sl 19. A ênfase determinante de suas palavras é expressa com grande vigor pelo autor do Gênesis. e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.1). O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe.1-4a). e o teu domínio subsiste por todas as gerações. Todas as tuas obras te renderão graças. Revestiu-se de majestade. Mais tarde. Observando o desenvolvimento da narrativa da criação podemos ver a soberania absoluta de Elohim. que não vacila.Senhor nosso. e o Verbo estava com Deus. para que aos filhos dos homens se façam notórios os teus poderosos feitos e a glória da majestade do teu reino. Os céus proclamam a glória de Deus.

No texto de Hebreus 1. Não existe absolutamente nada fora do seu controle. havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação (At 17. Havendo Deus. carente de redenção. Relacionamento Além da soberania e do sustento. quer potestades. dirige.1).8). sabedoria e bondade. e porque é amor. outro elemento fundamental no conceito bíblico Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 17 . o primogênito de toda a criação. “o grande Criador de todas as coisas. depois de ter feito a purificação dos pecados.3 a segunda pessoa da Trindade.24-26). poder. Segundo a CFW (4..” Podemos dizer que Deus criou como uma manifestação do seu ser. de receber a glória. de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra. a quem constituiu herdeiro de todas as coisas.11). falado muitas vezes. as visíveis e as invisíveis. para o louvor da glória da sua sabedoria. quer principados. Todos esses textos da Escritura de alguma forma relacionam Deus. na sua soberania e poder. sim. Esse amor de Deus não se limita apenas ao mundo caído. pelo qual também fez o universo.humanas. Pois na sua providência. aos pais.1). quer na pessoa do Pai ou do Filho. Ele. sustenta. pois ele mesmo é quem a todos dá vida. com a criação e o seu domínio sobre ela. Senhor e Deus nosso. O relato da criação em Gênesis 1 e 2 não nos fala diretamente da motivação de Elohim para criar. que é o resplendor da glória e a expressão exata do Ser de Elohim. Da mesma forma como criou. e de muitas maneiras. pelos profetas. quer nos que se aproximam dele. quer nos seus inimigos. pois nele foram criadas todas as coisas..” Na linguagem da Confissão de Fé essa sustentação é chamada de providência. Este é a imagem do Deus invisível. sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder. assentou-se à direita da Majestade. Elohim também sustenta o que criou. nas alturas. quer na redenção. Deus estabelece o pacto e o sustenta. que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser. Deus. justiça. até mesmo do ser humano com quem Deus se relaciona. sejam soberanias. Esse é um fator fundamental do Pacto da Criação. ele assim o fez “para a manifestação da glória do seu eterno poder. quer na criação.1-3).15-16). é quem sustenta “todas as coisas pela palavra do seu poder. todas as ações e todas as coisas. outrora. desde a maior até a menor” (CFW 5. Ele é amor (1 Jo 4. respiração e tudo mais. como se de alguma coisa precisasse. nos céus e sobre a terra. dispõe e governa todas as suas criaturas. sejam tronos. bondade e misericórdia. (Hb 1. determinou criar tudo o que existe fora dele mesmo. nestes últimos dias nos falou pelo Filho. por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas (Ap 4. expressando aquilo que é. Tudo foi criado por meio dele e para ele (Cl 1. porque todas as coisas tu criaste. Tu és digno. C. O pacto independe de quaisquer elementos externos para a sua sustentação. a honra e o poder.

Vimos que nessa imagem e semelhança estão incluídas as habilidades de comunicação e relacionamento e suas implicações tais como pensar. estabelecendo assim um vínculo. ao criar o homem (macho e fêmea) à sua imagem e semelhança. aparecem como decorrências quase que naturais as bênçãos e também a maldição pactual. verbal. e desenvolvê-la. macho e fêmea. no relacionamento com seus iguais e também no seu relacionamento com Deus. segundo a sua própria imagem. Primeiro.2). enchei a terra e sujeitai-a. representada pelos nossos pais. criados para a glória de Deus e a plena felicidade ao cumprir o papel estabelecido por ele. Por isso. é ao ser humano a quem ele se dirige de forma direta.do Pacto da Criação é o de relacionamento. sendo deixados à liberdade da sua própria vontade. discernir e fazer opções. Elohim os faz responsáveis diante das estipulações do pacto. que era mutável (CFW 4. retidão e perfeita santidade. ele determina criar e relacionar-se com a sua criação. Deus criou o homem. O verso 28 do capítulo 1 narra o fato: E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos. multiplicai-vos. e o poder de cumpri-la. conforme a definição já dada para o termo berith: “um vínculo ou elo de amor. de forma singular. Ao criar o homem e a mulher à sua imagem e semelhança. dominai sobre os peixes do mar. cumprindo um papel singular: na qualidade de criaturas de Elohim. eles deveriam responder a tudo quanto o criador lhes colocasse à frente. Nisso Deus cria um vínculo. Alguns elementos importantes merecem destaque. iniciado e administrado pelo Deus triúno com a sua criação. Responsabilidade O quarto elemento fundamental da perspectiva pactual da criação é a responsabilidade. tendo a lei de Deus escrita em seus corações. deveriam relacionar-se com total responsabilidade diante de seu Criador. E. elo ou pacto. e dotou-as de inteligência. obedecer. o fato de que Deus Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 18 . abençoando e dando-lhe responsabilidades: Depois de haver feito as outras criaturas. deveriam cuidar da criação que ele colocava diante deles e à sua disposição. Nossos primeiros pais. Vimos anteriormente que um elemento essencial desse relacionamento está no fato de Deus ter criado o homem e a mulher à sua imagem e semelhança. Bênçãos e maldições Diante dessa responsabilidade. com almas racionais e imortais. Ainda que ele tenha “falado” durante todo o processo de criação. ele propôs-se a manter um relacionamento com a sua criação. Quando Deus criou todas as coisas no princípio. sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. mas com a possibilidade de transgredi-la.” Ainda que Deus não necessite da companhia humana. Deus o abençoou. criou o homem e a mulher diferentes do restante de toda a criação. Isso os fazia responsáveis diante do Criador no exercício de domínio e sujeição. A narrativa histórica de Gênesis 1 nos mostra que. D. Deus.

e que. a bênção de Deus é expressa nos verbos subseqüentes do texto de forma imperativa. o oposto à vida — a morte. Porém.2).abençoou o homem e a mulher de forma única no contexto de todo o relato. Sendo Deus o grande rei. Alguns teólogos bíblicos têm chamado esse papel do homem criado à imagem e semelhança de Elohim. com essa bênção. A desobediência traria. o autor do texto deixa claro a seus leitores hebreus que a maldição era algo absoluto para aqueles que a ouviram. assim sendo. enquanto obedeceram a este preceito. Deus não só abençoa o homem com a fertilidade.. Assim é também no multiplicar-se e no sujeitar e dominar o restante da criação. mas certamente revela o propósito do autor do texto. depreende-se da narrativa que qualquer desobediência poderia causar uma quebra do relacionamento pactual estabelecido por Elohim. ao homem criado à sua imagem e semelhança cabe a responsabilidade de cumprir a sua vontade debaixo da sua bênção pactual. o comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. o capítulo 2. A construção da sentença é enfática. Elohim havia declarado ao homem as diversas bênçãos condicionadas à obediência pactual. sendo traduzida para o português como “certamente morrerás. Não deveria existir qualquer sombra de dúvida quanto aos resultados da desobediência. caso isso acontecesse. mas ordena que. no dia em que dela comeres.17 lemos: . o rei soberano sobre toda a criação. Em Gênesis 2. foram felizes em sua comunhão com Deus e tiveram domínio sobre as criaturas (CFW 4. mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás. que era o de mostrar ao povo o papel central que Elohim havia reservado para o ser humano. porém também é certo que a quebra do relacionamento está implícita.” Seja qual tenha sido a língua em que Iavé Elohim tenha proclamado a maldição. ele cumpra o seu papel. Ainda que o texto bíblico seja muito direto em descrever um ato específico de rebeldia que o homem não deveria praticar. O povo de Israel devia entender o seu papel e as bênçãos reservadas por Deus para ele. a escravidão e o nível de vida em que estavam vivendo não correspondia ao padrão inicial estabelecido por Deus. de forma indubitável. Assim. de um papel “vice-gerencial. certamente morrerás. receberam o preceito de não comerem da árvore da ciência do bem e do mal. Isso nos leva à questão da maldição do pacto. porque. o texto é muito claro na narrativa subsequente. Isso não traz à narrativa uma visão antropocêntrica. É certo que a narrativa não descreve nenhuma maldição específica para qualquer outro ato de desobediência. Anteriormente. O relacionamento obediente da criatura para com o seu Criador resultaria em vida plena. de forma semelhante à que encontramos nos Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 19 . em esclarecer que a irresponsabilidade traria a maldição sobre o ser humano. Segundo. claramente descrita na CFW: Além dessa [lei] escrita em seus corações.” Esse aspecto reforça ainda mais o conceito de responsabilidade citado acima.. dentro de sua criação.

9 O pacto como meio administrativo se afirma principalmente em três áreas. responsabilidade. Nisso seriam plenamente felizes e satisfeitos. Cada um deles reflete uma área de relacionamento na esfera do pacto da criação: a relação Criador-criatura. Nas palavras de Van Groningen: Quando Deus faz uma aliança. social e cultural. Como se pode observar. especificamente para o ser humano criado à sua imagem e semelhança. mas ele usa esse relacionamento como um recurso administrativo. Ele sempre faz isso nesse relacionamento vivo de amor e. fazendo parte do plano completo e perfeito de Deus para a sua criação e para o seu relacionamento com ela. podemos ver nesses elementos o plano de Deus para a sua criação de forma geral. ele não só estabelece um relacionamento entre ele mesmo e aqueles que refletem a sua imagem. Desenvolvendo o seu relacionamento familiar de forma adequada. familiar e indivíduosociedade. respondendo à primeira pergunta do Catecismo Maior: “O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. Os três mandados refletem a forma que o Criador estabeleceu para que a sua criação desenvolvesse o seu papel pleno e encontrasse no cumprimento desse papel a satisfação completa. assim. promovendo a sua felicidade mútua e contribuindo para o desenvolvimento cultural. Desenvolvendo o mandado cultural. esses mandados são intimamente relacionados e intrinsecamente dependentes um do outro. o seu plano. De forma implícita. o indivíduo e a família estariam obedecendo a Deus. sustento. Ao viver esses mandados de forma plena. as bênçãos e a maldição do pacto são declaradas nos primeiros capítulos do livro do Gênesis. Portanto. bênçãos e maldições são elementos que compõem o pacto e são perceptíveis na narrativa da criação. o seu propósito na criação e na redenção. especialmente. o homem estaria cumprindo o seu objetivo principal. mostra o que ele pretende fazer com a humanidade e em favor dela. soberania. Obedecendo ao Criador o ser humano estaria desenvolvendo seu relacionamento com ele e sendo fiel ao pacto. cuidando daquilo que ele lhes havia dado como encargo no papel de vice-gerentes e promovendo a vida pactual em todos os limites do reino da criação. Nisso o ser humano seria plenamente feliz e satisfeito.10 São esses os mandados espiritual. o homem.”11 Que textos da narrativa da criação dão origem à formulação dos três mandados e a substanciam? O mandado espiritual pode ser formulado com base na ordem direta de Deus em Gênesis 2. Também nisso seriam plenamente felizes e satisfeitos. e também.16-17: E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 20 . a ligação amor-vida se torna a maneira e o caminho de Deus administrar tudo o que ele criou e. relacionamento. que são chamadas por Van Groningen de mandados.tratados do antigo Oriente Próximo. a mulher e a sua semente estariam obedecendo a Deus e agradando-o. porém clara. Deus leva adiante a sua vontade.

porque no dia em que dela comeres. A fecundidade e capacidade de multiplicação. o mandado social deveria ser um desenvolvimento da aliança entre o homem e a mulher. nos ensina que o homem e a mulher foram criados por Deus para o auxilio mútuo. deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher. e o autor da narrativa comenta que. para a propagação da raça humana por uma sucessão legítima e da Igreja por uma semente santa. pois.. Assim.27). por essa razão. uma explicação do ocorrido no sexto dia do relato da criação.28). O terceiro mandado. porém. 24). tornandose os dois uma só carne (v.livremente. e para impedir a impureza (CFW 24.2). num relacionamento íntimo com o Criador. duas bênçãos descritas nesse verso. assim como foi estabelecido e cultivado pelo Criador. o homem e a mulher desenvolveriam o mandado social. ainda que seja uma parte essencial do mesmo. pode ser visto nos seguintes textos: Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 21 . à imagem de Deus o criou. Apenas a obediência não representa o todo de um relacionamento. Todas as bênçãos anteriormente descritas deveriam estimular o ser humano ainda mais a buscar viver nessa intimidade proposta pelo Criador. A própria definição de pacto como relacionamento de vida e amor já vai além de simples obediência. o homem à sua imagem. certamente morrerás. é apenas o aspecto mais direto do mandado.23).. um relacionamento a ser cultivado por ambos no contexto do casamento. O mandado espiritual é parte de um relacionamento de obediência e vida que deveria ser cultivado pela criatura. na sua fidelidade. nos seguintes textos: E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos. multiplicai-vos. Assim como o mandado espiritual.criou Deus. Esse. eram também ordens diretas do Criador para aqueles que foram feitos à sua imagem e semelhança (. O relacionamento obediente dos nossos primeiros pais deveria trazer conseqüências diretas para as suas vidas.4-25). O laço de amor estabelecido pelo Criador deveria ser a cada dia mais visível e palpável à medida que a criatura exercesse seu papel no reino da criação. sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra (Gn 1. como um todo. dominai sobre os peixes do mar. O mandado social está claramente estabelecido na narrativa da criação. cultural. O mandado é prescrito intrinsecamente na narrativa. mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás. tendo sido a mulher criada a partir do homem. Todo o contexto do capítulo dois (2. enchei a terra e sujeitai-a. Assim entenderam os teólogos de Westminster: O matrimônio foi ordenado para o mútuo auxílio de marido e mulher. homem e mulher os criou – Gn 1. A narrativa diz que Adão reconheceu a mulher como tendo sido feita da sua essência (“osso dos meus ossos e carne da minha carne” – Gn 2.

que havia estabelecido o pacto. isso implicaria em muito trabalho. Ele já havia feito isso. a Escritura irá revelar de forma clara quem estava sendo ali representado — Satanás (Ap. sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra (Gn 1. essa harmonia perfeita era dependente do comportamento do homem diante das estipulações do pacto. tenha ele domínio sobre os peixes do mar. No entanto. também estaria obedecendo ao Criador que o havia criado e equipado para tais coisas. o pacto seria levado adiante e a sua maldição seria aplicada aos que o quebraram. Como lemos no relato de Gênesis 3. representar o Criador e fazer cumprir a sua soberana vontade. É nesse contexto que a narrativa introduz o que a teologia reformada denominou de Pacto da Redenção. Fazendo assim. O pacto quebrado não é anulado. da bênção ou maldição que ele traria. Assim... sabemos que ela é.. o homem.12 tudo isso em um ambiente de plena harmonia. etc. proclamar qualquer maldição pela desobediência. Mais tarde. nas mais diversas áreas. por sua própria decisão e sendo conhecedor da sua responsabilidade. o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar (Gn 2. lazer.15). A Continuidade do Pacto da Criação no Pacto da Redenção O capítulo 3 de Gênesis introduz na narrativa um novo personagem individual – a serpente. o homem criado por Deus tem em suas mãos as funções de domínio. sujeição e cultivo. o mandado cultural envolve as áreas do trabalho. O homem não tinha qualquer condição de anular o pacto. diante do contexto pactual. . em um certo sentido. O texto não explica a sua origem como tendo sido diferente de qualquer outro elemento da criação.. representante de outra criatura. sobre as aves dos céus.28). Tomou. antes. nesse contexto. portanto. enchei a terra e sujeitai-a. gozar e desfrutar do trabalho de suas mãos. Elohim. Ele deveria tomar tempo para cultivar o solo. No contexto da criação. deliberadamente desobedeceu ao Criador. 12. tentado pela serpente. Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 22 . desenvolver a criação perfeita. sobre os animais domésticos. política. O ser humano criado à imagem e semelhança de Deus deveria. pois. No entanto. Portanto. O homem. dominai sobre os peixes do mar.. Ela é uma criatura. exercer o domínio e. Segundo esses três textos.9). Elohim não precisava. tecnologia. só podia submeter-se à realidade do mesmo. ensino. Pelo seu caráter imutável. II. Portanto. o mantém.26). quebrou o pacto de vida e amor estabelecido pelo Senhor. o seu papel de vicegerência seria cumprido sob as estipulações de vida e amor do pacto da criação. conseqüentemente. sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra (Gn 1.

A bênção de Iavé Elohim. como a serpente havia indicado anteriormente (3. não aparece em nenhum ponto da narrativa do capítulo 3 de Gênesis. O medo do Criador se instalou no coração do homem. ainda que verdadeiro nas palavras da serpente — “se vos abrirão os olhos e. age para encontrar-se com a criatura pecadora. devemos ter em mente que bênção e maldição são elementos opostos.5). assim como a palavra pacto. O que aconteceu. então. o homem se esconde. e. refletida nas bênçãos e na maldição. à mulher e à serpente. multiplicação. Ele poderia deixar que a história humana se consumasse por si só. A palavra graça. como Deus. do qual eles também passaram a se envergonhar. o processo de morte. Para entender esse raciocino.Ouvi a tua voz no jardim. a graça de Iavé Elohim se manifesta quando este pergunta: “Onde estás?” O Deus soberano. Quando o mandado espiritual foi quebrado. domínio e sustento: Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 23 . porque estava nu. O contrário da bênção é a maldição. 7): Abriram-se. e me escondi. passaram a ver sua nudez como algo a ser usado para o mal. já estava atuando sobre o homem e a mulher.. mas a perda da inocência e transparência que tinham um para com o outro. Depois que os olhos de ambos se abriram. percebendo que estavam nus.A lei de Deus. o homem e a mulher sentiram-se envergonhados da sua nudez (v. com a presença da graça de Deus. criador. porém. como quebra de relacionamento. conforme descrita em Gênesis. e. Como podemos entender a graça no contexto de Gênesis 3? Pela situação e pelas palavras de Iavé Elohim ao homem. Diante daquele com quem deveria existir plenitude de intimidade. O seu relacionamento com o Criador também havia sido quebrado. Serem conhecedores do bem e do mal não trouxe qualquer vantagem ao ser humano. sereis conhecedores do bem e do mal” — não trouxe o resultado prometido pela serpente. A nudez aqui não representa somente o aspecto sexual. e por isso eles quiseram esconder-se do Criador. como casal. agora. era de fecundidade. coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si. O homem e a mulher estavam plenamente conscientes de que haviam quebrado o mandado espiritual e. Não só a nudez do corpo. os olhos de ambos. algo que anteriormente fugia da sua realidade. mas toda a intimidade e conhecimento mútuo passaram a ser elementos a serem usados para o mal. 10): . Na verdade. e a maldição implica na supressão da bênção. seria levada a cabo. o desenvolvimento de um laço de amor. o mandado social foi imediatamente prejudicado. também por causa de sua nudez. dele se esconderam (v. como história de morte total. Passamos a explicar o conceito.. Uma vez que a desobediência foi consumada. Porém. Deus não precisava sequer “voltar” ao jardim. quando perceberam a presença de Iavé Elohim no jardim. tive medo.

A mulher teria descendência. a fecundidade ainda seria uma realidade para o ser humano criado à imagem e semelhança de Deus. em meio de dores darás à luz filhos..4 o mesmo tipo de construção de 2. A cabeça da serpente seria esmagada. Sobre ela o Senhor proclama maldição. Este te ferirá a cabeça. Deus dirige-se à serpente. com a mulher e com o homem. isso vos será para mantimento . Apesar da desobediência. A serpente. opõe-se com suas palavras de maneira direta ao que o Senhor havia dito ao homem no capítulo 2.16 representam. para o homem. É importante observar que nenhuma maldição direta é proclamada. na verdade. entre a tua descendência e o seu descendente. usando em 3. uma vez que não encontramos anteriormente no texto nenhuma provisão de punição para a serpente. Ao proclamar essa sentença.15): Porei inimizade entre ti e a mulher. (b) A bênção do pacto não seria totalmente suprimida. e ele te governará. A supressão dessas bênçãos necessariamente resultaria em morte. Tradicionalmente esse texto tem sido chamado de proto-evangelho. A maldição do pacto já havia sido instalada. De toda árvore do jardim comerás livremente (2. O autor do texto faz questão de deixar isso bem claro. trazendo-lhe a morte e destruição. Ainda que a morte fosse certa.16). uma mitigação da maldição: E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez. o Senhor também deixa claro mais alguns aspectos muito importantes: (a) Haveria inimizade entre a mulher e seus descendentes e a serpente. Porém. Sua sentença estava proclamada pela sua oposição e interferência no pacto da criação. Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 24 . As palavras de Deus em 3. o teu desejo será para o teu marido. ao falar com a serpente. (1. Deus apresenta um elemento de continuidade. Como podemos perceber isso? Em primeiro lugar.Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente.. Sua maldição consistiu na morte. que lhe sobreviria através do descendente da mulher (3. e tu lhe ferirás o calcanhar. A serpente entra na história e deliberadamente introduz a dúvida e a tentação para a mulher e. Deus traz uma nova realidade ao pacto da criação.17 (“certamente morrerás” – “é certo que não morrereis”). na verdade. Iavé Elohim não desistiu de relacionar-se com a sua criação. Essa realidade é confirmada quando Deus dirige-se à mulher.29). conseqüentemente. Isso fez parte da provisão de Deus para que o pacto pudesse ter continuidade.

17-19). Ela ainda teria filhos. traz uma mensagem de esperança. símbolos da dificuldade que o homem teria para tirar dela o sustento. essa maldição sobre a terra. que é sempre visto em termos exclusivos de maldição. teríamos que negar o princípio da bênção. conseqüentemente. como no caso da serpente. nenhuma maldição direta é dirigida ao homem. Deus amaldiçoa a terra que havia colocado sob sua responsabilidade.” Se entendêssemos o texto exclusivamente como uma maldição. o mandado social. que o homem e a mulher recebem do Criador a esperança de vida diante da morte que já se instalara no seu meio como conseqüência da maldição do pacto da criação. não há como negar que. podemos ver a atuação da graça de Deus. porque tu és pó e ao pó tornarás (Gn 3. Deus traz à mulher a esperança que havia se perdido no pecado. No suor do rosto comerás o teu pão. A maldição é pronunciada sobre a terra como conseqüência da desobediência (“maldita é a terra por tua causa”). Confirmam esse ponto de vista as reações do homem e da mulher diante do que Deus havia dito. até que tornes à terra. 20): Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 25 . Deus traz uma esperança de vida..28: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos. Ainda que essa não seja uma interpretação comum do texto. o mandado cultural ainda poderia ser cumprido e. a mulher ainda teria filhos. o Senhor confirma a bênção de 1. Em terceiro lugar. apesar do pecado —. e vemos aqui o Senhor confirmando a bênção da fecundidade — isto é. Ela produzirá também cardos e abrolhos. Portanto. maldita é a terra por tua causa. pois dela foste formado. Podemos ver. ler o texto apenas pela perspectiva da descontinuidade não parece o mais correto. A morte é confirmada como conseqüência da desobediência. o que podemos perceber. No entanto. em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Mais uma vez. pelo menos até que o homem tornasse ao pó.Sem entrar nos detalhes do texto (o que especificamente representam as dores do parto ou a vontade para o marido). O autor do texto faz questão de registrar a maneira como o homem reagiu ao que Deus disse (v. Diante da morte absoluta que já havia sido proclamada. Esta produziria cardos e abrolhos. Porém. Ao falar com o homem. a aplicação da misericórdia e graça de Deus aos primeiros seres humanos. um contraste com tudo que fora criado bom no contexto da criação. Alguns autores referem-se a essa seqüência do texto como “maldições mitigadas.” ou seja. ao confirmar que a mulher ainda poderia dar à luz. é que a bênção da fecundidade e da multiplicação são confirmadas. o que não é dito explicitamente. portanto. quando olhamos para a maldição como supressão da bênção. de forma inequívoca. Deus se dirige ao homem: E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses.. o sustento ainda seria possível. e tu comerás a erva do campo. Ela confirma a bênção do pacto da criação: a vida humana teria continuidade.

explicando a razão disso . para a descendência escolhida. Eva.. e ela deu à luz um filho. porque. Tornou Adão a coabitar com sua mulher. e entre o homem e o restante da criação deveriam se desenvolver. O nome da mulher. que possibilita. Deus me concedeu outro descendente em lugar de Abel. a continuidade do relacionamento de vida e amor estabelecido no Pacto da Criação. entre os seres humanos. o Pacto da Redenção. Diante da queda. Essa doutrina reformada é esclarecida e desenvolvida no restante das Escrituras.E deu o homem o nome de Eva a sua mulher. Esta concebeu e deu à luz a Caim. a narrativa do capítulo 4 de Gênesis fala da reação de Eva diante dos filhos que concebeu: Coabitou o homem com Eva. por ser a mãe de todos os seres humanos.. então. No presente artigo elaboramos a forma em que o pacto funciona como um meio administrativo pelo qual os relacionamentos entre Deus e o ser humano. a quem pôs o nome de Sete. Nesse contexto é esboçado o Pacto da Redenção. Não que Deus não cumpra o estabelecido no pacto. Conclusão No primeiro artigo sobre esse tema concluímos que existe base suficiente nas Escrituras para se falar de um Pacto da Criação. encontramos a manifestação da graça e misericórdia de Deus em dar provisão para que a maldição do pacto não fosse final sobre o homem. concluir que. Os mandados são a expressão do pacto nessas três áreas. Ele mesmo provê para que o cumprimento da sua justiça se manifeste. disse: Adquiri um varão com o auxílio do SENHOR (4. sua mulher. assim como as reações registradas de Adão e Eva.25).1). a continuidade no sustento e a conseqüente continuidade da vida. Não só isso. um pacto soberano. então. que sua mulher ainda seria mãe. se o pacto da redenção é um novo elemento dentro Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 26 .. depois da queda e das palavras de Deus a esse respeito. estabelecido por Deus com a sua criação. temos formulado. O homem reconheceu. que Caim matou (4. Podemos. Somando-se à promessa de descendência a maldição proclamada sobre a serpente. a mulher e toda a sua descendência. de amor e vida. tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. de forma seminal. amaldiçoando a serpente e determinando que o descendente da mulher participe desse processo. disse ela.. é derivado da raiz “vida” na língua hebraica.

Meister. Creio. Lebrun e E. 1ª ed. R. 1958). o pacto entre Deus e os eleitos. conseqüentemente. Nossa omissão face aos problemas enfrentados pelo mundo reflete a incompreensão de nosso papel cultural. J. 1997).” Fides Reformata 3/1 (Jan-Jun 1998). no entanto. Kingdom Prologue (Toronto: ICS. que essa forma de relacionamento nasce do fato de que o ser humano. A Confissão de Fé.de maneira especial. Não só esse.” 120. seu princípio. 119. O. Muitas das questões práticas e dos dilemas morais e éticos que enfrentamos como povo de Deus no dia a dia são provenientes do fato de que os remidos. Ele é a base para o legítimo envolvimento dos servos de Deus em todos os campos do conhecimento humano no presente. 1998). seus mandados. para a semente escolhida da qual viria a redenção final. A igreja de Jesus Cristo precisa estar consciente dessa realidade pactual para que possa bem cumprir o seu papel neste mundo. Puech. Tratados e Juramentos no Antigo Oriente Próximo (São Paulo: Paulus. é essencial entendermos que o pacto não é somente um registro do passado. 1995) e Família da Aliança (São Paulo: Cultura Cristã. Muitos estudiosos insistem em que as Escrituras simplesmente copiaram esse formato. assim como seu propósito original continuam para a raça humana e . diante de Deus. 1984). temos G. especial (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. Briend. da sociedade e. 262-271 elabora a distinção entre o Pacto da Redenção e o Pacto da Graça. 1997). 110-123. “Uma Breve Introdução.. Ibid. e continuou a fazê-lo mesmo depois da queda. “Uma Breve Introdução ao Estudo do Pacto. 1988). é essencial conhecermos e aplicarmos a teologia do pacto.” 57-69. aprendeu a relacionar-se pactualmente com o Criador. Dumbrell. Os mandados nos servem como princípios bíblicos sobre como o ser humano deve portar-se diante do casamento. desde o princípio. 27-28. sendo o primeiro o pacto eterno. o plano e as determinações de Deus para o ser humano em geral e para o cristão. Para aprendermos sobre a vontade. Covenant and Creation: A Theology of Old Testament Covenants (Grand Rapids: Baker. o Catecismo Maior. muitas vezes.do pacto da criação. e o segundo. Como servos de Deus. especificamente no capítulo V. Família da Aliança. porém. Palmer Robertson. 1983). Mauro Meister. Robertson também reconhece três áreas de relacionamento. Mais recentemente. Van Groningen. Desconhecê-los é deixar uma porta aberta ao erro. trinitário. Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 27 . 1991). Louis Berkhof. Um exemplo interessante encontra-se em J. Revelação Messiânica no Velho Testamento (Campinas: Luz Para o Caminho. Meredith Kline. mas muitos outros paralelos servem como ilustrações da forma que o homem adotou para estabelecer os limites de seus relacionamentos. dando. e também Willem Van Gemeren. já citados no artigo anterior. suas estipulações. não conhecem o seu papel social e cultural e. O Cristo dos Pactos (Campinas: LPC. logicamente. são omissos no desempenho do mandado espiritual. “Tratado Egipto-Hitita entre Ramsés II e Hattusili III. The Progress of Redemption (Grand Rapids: Zondervan. W. o Breve Catecismo. Systematic Theology (Londres: Banner of Truth. Van Groningen.

Fundada em 01 de Janeiro de 1980.221. (São Paulo: Casa Editora Presbiteriana.000 Cursos Grátis Pelo Sistema de Ensino a Distancia – SED CNPJ º 21. Registrada em 27 de Outubro de 1984 Presidente Nacional Reverendo Pr. Missão Integral (São Paulo: Sepal.528/0001-60 Registro Civil das Pessoas Jurídicas nº 333 do Livro A-l das Fls. 1992). Antony Steff Gilson de Oliveira Reverendo Gilson de Oliveira Pastor da Igreja Presbiteriana de Nova Vida 28 . Tempo de Alegria Nele. 1987). 10ª ed.” Fides Reformata 3/2 (Jul-Dez 1998). Ver O Cristo dos Pactos. 173/173 vº. Revista Fides Reformata Convenio FENIPE e FATEFINA Promoção dos 300. e a segunda parte do mesmo artigo. Para uma descrição desse aspecto. “O Sábado no Antigo Testamento: Tempo para o Senhor.nomes diferentes. Van Groningen. Gilson Aristeu de Oliveira Coordenador Geral Pr. Confissão de Fé e Catecismo Maior da Igreja Presbiteriana. 149-167. Este artigo não trata da questão do desfrutar do trabalho com relação ao sábado. também trabalha com linhas semelhantes. ver G. 63. neste volume. O livro de Timóteo Carriker.

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