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Telmo Renato Antunes Morais

Dossier:
Relações interpessoais

1- Atracção interpessoal
2- Agressão
Atracção interpessoal

Viver em sociedade significa não viver só, o que implica, por isso mesmo,
conviver e interagir com o nosso semelhante. Ou seja, viver em sociedade gere
as chamadas relações interpessoais, estas emergentes da atracção, positiva
ou negativa, que um sujeito sente por outro.

Atracção positiva quando queremos ou desejamos o bem-estar do outro.

Atracção negativa quando queremos ou desejamos o mal-estar do outro.

Os relacionamentos entre os sujeitos visam, sobretudo, o bem-estar pessoal


e o dos outros. Mas para que os relacionamentos sejam salutares e
equilibrados, há que primeiro conhecermo-nos a nós próprios.

Lugar comum ou não, é um facto de que quanto melhor nos conhecermos,


melhor lidaremos com os outros, pois que assim evitaremos, certamente, não
fazer aos outros aquilo que não gostamos que nos façam a nós
(Confúcio).

Atracção

Os teóricos explicam a atracção interpessoal sob duas perspectivas: a


comportamental (concreta) e a emocional (abstracta).

− A atracção enquanto comportamento revela-se através das


acções físicas que um sujeito tem para com o outro que pretende atrair,
como por exemplo: estar presente nos mesmos espaços geográficos que o
sujeito alvo se encontra.

− A atracção enquanto emoção revela-se pelo conjunto de


sentimentos positivos e/ou negativos que um sujeito experimenta ao
interagir com o outro, como por exemplo: a sensação de bem-estar, de
conforto, admiração, quando junto do sujeito alvo, e/ou, no sentido
inverso, de mal-estar, de incomodo.
Os comportamentos variam consoante as normas sociais e culturais de
cada comunidade humana. Concordando com os teóricos, acrescento ainda
que a atracção comportamental e emocional também depende da
personalidade e do carácter de cada sujeito. Isto, porque pessoalmente
diferencio ambos os conceitos. Considero o carácter como sendo o “genes” (a
essência) com o qual nascemos e a personalidade a moldagem desses genes.
Posto de outra forma, o carácter é mutável sem nunca deixar de ser aquilo que
é, de facto. Metaforicamente falando, poderei dizer que o carácter é o
diamante bruto e a personalidade o diamante polido.

Factores de atracção interpessoal

Não obstante as diferenças existentes nas formas de nos relacionarmos uns


com os outros:
− Relação entre pais e filhos;
− Relação entre amantes;
− Relação entre colegas de trabalho;
− Relação entre amigos, etc.

existe, contudo, um conjunto de factores comuns que nos levam a


aproximarmo-nos deste ou daquele sujeito ou grupo, sendo eles:

− Proximidade física;
− Afiliação;
− Beleza;
− Semelhanças interpessoais;
− Reciprocidade.

Proximidade física/geográfica – quanto maior for a proximidade espacial


entre os sujeitos, maior serão os laços de amizade, simpatia, intimidade que se
estabelecem entre eles.
Contudo, e porque para tudo há um oposto, poderá acontecer o inverso,
ou seja, o contacto frequente poderá originar saturação, enfado e
subsequentemente conflitos, inimizades e, portanto, a busca do
afastamento do sujeito que nos incomoda. Um dos exemplos mais comuns é a
saturação que surge entre os casais há muito (ou não) casados.
Afiliação – o sujeito procura a afiliação (integração numa qualquer
comunidade de vivências comuns), porque deseja ou necessita de partilhar
sentimentos, ideias, experiências, etc., com o outro, ou ainda por medos
ou receios incontroláveis, como o medo da solidão ou da rejeição.

Beleza – a atracção interpessoal é medida pela beleza exterior e não tanto


pela beleza interior. Segundo os teóricos, esta atracção pelo aspecto físico, ou
pela boa aparência exterior, como sinal do que “é belo é bom”, exalta-se na
camada social mais jovem. Eu acrescento que esta realidade – ser e parecer –
cada vez mais se estende a todas as camadas etárias e sociais, o
materialismo.

Similaridades interpessoais – é mais fácil estabelecer-se relações


interpessoais com sujeitos com os quais tenhamos opiniões, crenças,
valores, ideologias e pontos de vista comuns. Por exemplo, um benfiquista
tende a procurar outro que partilhe do mesmo clubismo e não um opositor ao
seu clube.

Reciprocidade – “gostar de quem gosta de nós”. O sujeito procura afecto,


conforto, alento, etc., no outro, para satisfazer, sobretudo, as suas carências
emocionais.

Agressão
A agressividade é a forma mais comum que o sujeito tem de reagir, não só
perante as suas frustrações, os seus complexos, impotências físicas e
emocionais, mas também quando agredido física, emocional e
psicologicamente por outrem.

A agressividade faz parte do mundo animal racional e irracional, sendo que


no animal irracional este comportamento deriva do instinto natural pela
sobrevivência, enquanto que no Homem, que também reage naturalmente por
instinto, muitas das vezes agride premeditadamente.

As formas mais usuais de agressão física são: o bater, o lutar, o homicídio,


etc., e as verbais que podem ser, por vezes, muito mais agressivas do que as
físicas, como, por exemplo, o insulto, a ofensa, o praguejar, maledicência, etc..

Formas de agressão

Segundo os teoristas, a agressão pode ser sistematizada em função de dois


critérios:

− o do objecto a que se dirige (alvo)

− e o da forma como se expressa (“ferramenta”)

Alvo ou objecto a que se dirige

É do conhecimento geral que nem sempre o agressor liberta a sua ira


directamente contra a fonte/causa da sua ira ou frustração. Com base neste
princípio, tomemos como exemplo a criança que destrói os seus brinquedos
ou outros objectos “à mão de semear”, após a mãe a ter proibido de fazer
algo que ela queria fazer,

ou ainda,
o empregado incompatibilizado com o patrão, que não podendo reagir
franca e abertamente, sob pena de poder vir a perder o emprego, manifesta-se
mais tarde junto da família e/ou companheiros. Nestes casos o agressor
transfere a sua ira ou frustração junto daqueles que à partida não lhe
retribuirão na mesma moeda.

Quanto ao alvo existem três tipos de agressividade:

− Directa

− Indirecta ou deslocada

− Auto-agressão

Agressão directa – dirigida contra a fonte de frustração, i.e., aquela em que


o sujeito agride directamente o alvo causador da sua ira ou frustração.

Agressão indirecta ou deslocada – dirigida contra um alvo alheio à


frustração, i.e., aquela em que o sujeito agride indirectamente o alvo causador
da sua ira ou frustração, transferindo-a/deslocando-a para as pessoas que lhe
são mais íntimas.

Auto-agressão – dirigida contra si próprio, quando em casos extremos, a


agressão deslocada passa a auto-agressão, Ou seja, quando o sujeito é
simultaneamente o agressor e o agredido, manifestando-se através de
comportamentos variados, como por exemplo: sentimentos de culpa e
remorsos, automutilação e suicídio.

PowerPoint sobre o assunto tratado

http://d.scribd.com/docs/k15hxs8qq2mg3oq7fea.pdf