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Pedro Alexandre Silva Santos 12/1 1

Nº19

Dossier

Processos de Relação entre os Indivíduos


e os Grupos

. Atracção Interpessoal
. Agressão
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1- Atracção Interpessoal

O convívio pessoal sempre foi um desafio para a humanidade e, durante


algum tempo, passou sem ser notado devido a algumas condutas
relacionadas à individualidade, à centralização do poder e à valorização dos
produtos em vez das pessoas.
Com o aumento da facilidade de acesso à informação e com o sensível
aumento da escolaridade da população, temos a formação de cidadãos
exigentes e críticos. Desta forma, passou-se a valorizar a qualidade de
produtos e serviços e, posteriormente, as pessoas que os produzem.
As instituições perceberam que o sucesso de sua filosofia está no fator
humano, ou seja, em seu interior. Somando o fator acima com a situação
atual mundial, onde vivemos um acelerado ritmo de mudanças que exige
uma capacidade permanente de adaptação, não é mais possível negar a
necessidade de investir no ser humano, gerando os mais variados processos
de trabalho, com um conceito diferenciado de gestão de pessoas.
Dentre estes processos, podemos destacar a gerência participativa, o 5 S, o
trabalho humanizado, o horário de trabalho pedagógico coletivo, o horário
de estudo em conjunto, o desenvolvimento de pessoas e as dinâmicas de
grupos, sendo este último o foco principal deste artigo.
Não tenho, portanto, a pretensão de defini-lo e esgotá-lo, mas sim de refletir
sobre o trabalho de relacionamento interpessoal por meio de dinâmicas de
grupo.
Dinâmica de grupo é uma ideologia política, interessada nas formas de
organização e na direção de grupos, acentuando a importância da liderança
democrática, a participação dos membros nas decisões e vantagens das
atividades cooperativas em grupo.
Ressalto que o grupo não é uma invenção, mas sim uma forma de viver,
onde algumas leis regem seu desenvolvimento e as relações nele contidas,
como indivíduo-grupo, grupo-grupo e grupo-instituições.
Desta forma, as dinâmicas de grupo têm como principais objetivos:
- facilitar o trabalho em grupo
- sensibilização
- desenvolvimento individual
- desenvolvimento interpessoal
- administração de conflitos
- ludicidade
- contribui para a sociedade
- criatividade
- desinibição
- avaliação de processos
- reflexão
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- cooperação
- competitividade sadia
- obtenção de melhores resultados
- formação crítica
- participação coletiva
- melhora da comunicação entre os participantes
Mas para chegarmos a tal êxito, devemos respeitar o momento grupal,
vendo-o como único, pois nele teremos embutidos valores que por meio de
dinâmicas de grupo poderão vir à tona, explicitando dificuldades, facilidades
e expectativas e, muitas vezes, tornando o implícito, explícito. Estes
detalhes são fundamentais para o trabalho em grupo, pois é por meio deles
que acaba se banalizando as técnicas de
dinâmicas de grupo, com comentários do tipo como “As dinâmicas de grupo
estão cada vez mais difícies”, “Dinâmica de grupo é brincadeira” ou, ainda,
“Acho que as dinâmicas de grupo expõem as pessoas ao ridículo”.
Problemas como estes podem surgir se não fizermos o uso
desta técnica de forma sensata, como deve ser sempre.
Primeiramente, a dinâmica de grupo deve ser realizada apenas por
profissionais capacitados. Outras recomendações são importantes, como
conhecimento prévio do grupo e de seus objetivos previamente, respeito ao
tempo do grupo, diversidades da técnica em processos maiores, adaptação
da técnica de acordo com o quê o grupo apresenta, realização das
dinâmicas de forma descontraída, regras claras, favorecer a participação de
todos, objetivos estabelecidos previamente, foco definido, respeito às
opiniões e propiciar discussões, feedback e avaliação.
Tendo em vista os problemas naturais das relações humanas, bem como a
importância da coletividade, onde nem sempre é reconhecida e explorada
tal capacidade, temos as dinâmicas de grupo como apoio para despertar os
talentos do processo coletivo, favorecendo o progresso do grupo. Desta
forma, as organizações governamentais, filantrópicas, privadas e não-
governamentais podem aproveitar melhor o conhecimento do grupo para
atingir seus propósitos institucionais.
http://www.umtoquedemotivacao.com/recursos-humanos/dinamicas-de-
grupo/trabalhando-as-relacoes-interpessoais-por-meio-de-dinamicas-de-grupo

Viver em sociedade significa não viver só, o que implica, por isso mesmo,
conviver e interagir com o nosso semelhante. Ou seja, viver em sociedade
gere as chamadas relações interpessoais, estas emergentes da atracção,
positiva ou negativa, que um sujeito sente por outro.

Atracção positiva quando queremos ou desejamos o bem-estar do outro.

Atracção negativa quando queremos ou desejamos o mal-estar do outro.


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Os relacionamentos entre os sujeitos visam, sobretudo, o bem-estar


pessoal e o dos outros. Mas para que os relacionamentos sejam salutares e
equilibrados, há que primeiro conhecermo-nos a nós próprios.

Lugar comum ou não, é um facto de que quanto melhor nos


conhecermos, melhor lidaremos com os outros, pois que assim evitaremos,
certamente, não fazer aos outros aquilo que não gostamos que nos façam a
nós (Confúcio).

Atracção

Os teóricos explicam a atracção interpessoal sob duas perspectivas: a


comportamental (concreta) e a emocional (abstracta).

- A atracção enquanto comportamento revela-se através das


acções físicas que um sujeito tem para com o outro que pretende
atrair, como por exemplo: estar presente nos mesmos espaços
geográficos que o sujeito alvo se encontra.

- A atracção enquanto emoção revela-se pelo conjunto de


sentimentos positivos e/ou negativos que um sujeito experimenta ao
interagir com o outro, como por exemplo: a sensação de bem-estar,
de conforto, admiração, quando junto do sujeito alvo, e/ou, no sentido
inverso, de mal-estar, de incomodo.

Os comportamentos variam consoante as normas sociais e culturais de


cada comunidade humana. Concordando com os teóricos, acrescento ainda
que a atracção comportamental e emocional também depende da
personalidade e do carácter de cada sujeito. Isto, porque pessoalmente
diferencio ambos os conceitos. Considero o carácter como sendo o “genes”
(a essência) com o qual nascemos e a personalidade a moldagem desses
genes. Posto de outra forma, o carácter é mutável sem nunca deixar de ser
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aquilo que é, de facto. Metaforicamente falando, poderei dizer que o
carácter é o diamante bruto e a personalidade o diamante polido.

Factores de atracção interpessoal

Não obstante as diferenças existentes nas formas de nos relacionarmos


uns com os outros:
- Relação entre pais e filhos;
- Relação entre amantes;
- Relação entre colegas de trabalho;
- Relação entre amigos,

existe, contudo, um conjunto de factores comuns que nos levam a


aproximarmo-nos deste ou daquele sujeito ou grupo, sendo eles:

- Proximidade física;
- Afiliação;
- Beleza;
- Semelhanças interpessoais;
- Reciprocidade.

Proximidade física/geográfica – quanto maior for a proximidade espacial


entre os sujeitos, maior serão os laços de amizade, simpatia, intimidade que
se estabelecem entre eles.
Contudo, e porque para tudo há um oposto, poderá acontecer o inverso,
ou seja, o contacto frequente poderá originar saturação, enfado e
subsequentemente conflitos, inimizades e, portanto, a busca do
afastamento do sujeito que nos incomoda. Um dos exemplos mais comuns é
a saturação que surge entre os casais há muito (ou não) casados.

Afiliação – o sujeito procura a afiliação (integração numa qualquer


comunidade de vivências comuns), porque deseja ou necessita de partilhar
sentimentos, ideias, experiências, etc., com o outro, ou ainda por medos ou
receios incontroláveis, como o medo da solidão ou da rejeição.
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Beleza – a atracção interpessoal é medida pela beleza exterior e não
tanto pela beleza interior. Segundo os teóricos, esta atracção pelo aspecto
físico, ou pela boa aparência exterior, como sinal do que “é belo é bom”,
exalta-se na camada social mais jovem. Eu acrescento que esta realidade –
ser e parecer – cada vez mais se estende a todas as camadas etárias e
sociais, o materialismo.

Similaridades interpessoais – são mais fácil estabelecer-se relações


interpessoais com sujeitos com os quais tenhamos opiniões, crenças,
valores, ideologias e pontos de vista comuns. Por exemplo, um benfiquista
tende a procurar outro que partilhe do mesmo clubismo e não um opositor
ao seu clube.

Reciprocidade – “gostar de quem gosta de nós”. O sujeito procura afecto,


conforto, alento, etc., no outro, para satisfazer, sobretudo, as suas carências
emocionais.

http://doidavarrida.bloguedoido.com/9640/Relacoes-Interpessoais-Atraccao/
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2-Agressão

Agressão é quando um indivíduo prejudica ou lesa outro (s), de sua


própria espécie intencionalmente. Ainda é um tema controverso a
existência de um instinto como proposto pelo etólogo Konrad Lorenz
específico ou resultante de múltiplas determinações.
Na espécie humana além da agressão capaz de causar lesão corporal
existem vários tipos de agressão: dirigida, verbal e deslocada. A
agressão dirigida é aquela em que o indivíduo prejudica outro
directamente; a agressão verbal por sua vez e como o nome indica,
não passa de palavras, por isso não magoa o outro fisicamente, mas
sim psicologicamente. Por último, a agressão deslocada é quando o
sujeito dirige a sua raiva para um objecto, por exemplo, dar um
pontapé na porta.
Os estudos da agressão ou violência assim como o da sexualidade
são tidos como próprios para uma abordagem inter-disciplinar, pois o
seu enquadramento em qualquer uma das disciplinas científicas
revela-se insuficiente. Já aceitamos com naturalidade a expressão
Sexologia como uma espécie de inter-ciência que reuniu: Psicologia;
Antropologia e diversas especialidades médicas (Ginecologia;
Urologia; Psiquiatria; Endocrinologia) além das disciplinas básicas que
cuidam da descrição Anatomia e pesquisa do funções do aparelho
reprodutor humano Fisiologia sendo os estudos mais comuns o
enfoque clínico visando o tratamento das disfunções sexuais e o
sociológico – demográfico estudando o controle da reprodução
humana.
Os estudos da agressão, já denominados agressiologia (Agressiologie
na França em 1983) parecem seguir a mesma tendência de
agregação multidisciplinar situando-se porém o enfoque dominante
na área jurídica – a criminologia e não médica, São inúmeras as
contribuições das Ciências Sociais, Psicologia e Ciências Biológicas
em especial a Etologia.
Agressão hostil
É um tipo de agressão emocional e geralmente impulsiva. É um
comportamento que visa causar danos ao outro, independentemente
de qualquer vantagem que se possa obter. Estamos face a uma
agressão hostil quando, por exemplo, um condutor bate
propositadamente na traseira do automóvel que o ultrapassou. Este
comportamento só trouxe desvantagens para o próprio: tem de pagar
os danos do seu carro, do carro do outro condutor, podendo ainda vir
a ter problemas com a justiça. O termo raiva pode designar esse
sentimento em oposição à agressão premeditada.
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Agressão instrumental
É um tipo de agressão em que visa um objecto, que tem por fim
conseguir algo independentemente do dano que possa causar. É,
frequentemente, planejada e, portanto, não impulsiva. Podemos
apontar como exemplo de agressão instrumental o assalto a um
banco: pode ocorrer no decurso da acção uma agressão, mas não é
esse o objectivo. O seu fim é conseguir o dinheiro, a agressão que
possa surgir é um subproduto da acção.
Na agressão quanto ao alvo podemos distinguir vários tipos de
agressão:
Agressão directa
O comportamento agressivo dirige-se à pessoa ou ao objecto que
justifica a agressão. Na agressão sexual o objecto almejado confunde-
se com o motivo da agressão na categoria acima descrita. Os motivos
fúteis opõem-se à defesa da vida como critério de gravidade do ato
agressivo.
Agressão deslocada
O sujeito dirige a agressão a um alvo que não é responsável pela
causa que lhe deu origem. Em animais também se observa esse
mecanismo de controlo dos impulsos agressivos.
Auto-agressão
O sujeito desloca a agressão para si próprio. Ver o verbete Suicídio
Quanto a forma de expressão geralmente distingue-se três tipos de
agressão:
Agressão aberta
Este tipo de agressão, que se pode manifestar pela violência física ou
psicológica, é explícita, isto é, concretiza-se, por exemplo, em
espancamentos, ataques à auto-estima, humilhações.

Agressão dissimulada
Este tipo de agressão recorre a meios não abertos para agredir. O
sarcasmo e o cinismo são formas de agressão que visam provocar o
outro, feri-lo na sua auto-estima, gerando ansiedade. A teoria
psicanalítica tem como explicação desta forma de agressão a
motivação inconsciente
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Agressão inibida
Como o próprio nome indica, o sujeito não manifesta agressão para
com o outro, mas dirige-se a si próprio. O sentimento de rancor é um
exemplo desta forma de expressão da agressão. Algumas teorias
psicológicas Têm a agressão inibida como causa de diversas doenças
psicossomáticas. O grau mais severo do rancor pode ser designado
por ódio contudo ainda não existe um consenso para essa
terminologia.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Agress%C3%A3o
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