DEFESA PRÉVIA (Arts. 33 e 35 da Lei 11.

343/06)
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUÍZ DE DIREITO DA __ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE ______________________– ESTADO DE __________.

Ref. Proc. nº. XXX/08 Cartório do __º ofício

(FULANA DE TAL), já qualificada nos autos em epígrafe que lhe move a Justiça Pública, por seus advogados que esta subscrevem, vem, respeitosamente, a ilustre presença de Vossa Excelência, tempestivamente, apresentar a sua DEFESA PRÉVIA conforme dispõe o artigo 55 da Lei n.º11.343/06, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas: I – DOS FATOS A acusada foi denunciada como incursa nas penas dos artigos 33, caput, e 35, caput, ambos da Lei 11.343/06 por ter, conforme consta da denúncia, se associado ao acusado (Beltrano) para o fim de praticar tráfico. Consta ainda, que o fim de traficância estaria evidenciado, “pelas delações de que os denunciados comercializavam drogas, pela considerável quantidade apreendida, pela venda observada pelos policiais, e pelo montante de dinheiro advindo do nocivo comércio”. Como bem passaremos a demonstrar, a denúncia deve ser rejeitada pelo Meritíssimo Juiz “a quo”, uma vez que dos fatos supra narrados é patente a ilação de que a acusada é inocente, e que falta justa causa para a ação penal como a seguir será demonstrado. II – DO SUPOSTO TRÁFICO Segundo a regra constante no artigo 33, “caput” da lei 11.343/06, o crime consiste em praticar qualquer uma dentre as dezoito formas de condutas puníveis previstas (que são os núcleos do tipo), sendo algumas permanentes e outras instantâneas.

Na seqüência. e temia que os policiais começassem a atirar. pois estava com sua filha. Como é possível extrair-se dos autos até o momento. (Lei de Drogas Anotada. É a necessidade de que o agente tenha a sua vontade dirigida a realizar ao menos um dos núcleos a ação típica (um dos verbos do tipo). APENAS ESTAVA NO LUGAR ERRADO.Ademais. porém. TRAFICO ILICITO DE ENTORPECENTE. sabendo o agente que a droga é entorpecente ou que causa dependência física ou psíquica e que o faz sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar”. Não tinha conhecimento de que havia drogas no interior do carro do Acusado (Beltrano) ou que o mesmo estaria traficando no local. Apelação Criminal. restou claro que não tinha a acusada a intenção de traficar. Inexistência de provas de que a mesma estivesse em união de desígnios com o 2º. ter a vontade livre e consciente de praticar uma das ações previstas no tipo. INEXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA.343/06: “Elemento subjetivo. Como é necessário o agente ter o dolo genérico em qualquer das figuras.. O simples fato da acusada residir no local onde foi apreendido o material . porém. caput. pois sequer tinha conhecimento da existência ou não de drogas no interior do automóvel. É a vontade livre e consciente de praticar uma das ações previstas no tipo. apenas uma importância em dinheiro em sua bolsa. denunciado. 2008. NA HORA ERRADA E COM A PESSOA ERRADA. São Paulo. 12 da Lei 6. Fato este incontroverso nos autos. ABSOLVICAO. a acusada vinha junto com sua filha. na qual estava com amigos. 92). Quando avistou o acusado (Beltrano) no auto posto “YYYY”. Saraiva. a Acusada (FULANA DE TAL) está presa por ter somente “pegado” carona com um amigo. Companheira de traficante condenada a prática do crime previsto no art. Estando o acusado encurralado pela polícia. se dirigiu até ele e perguntou se o mesmo poderia levar ela e sua filha para casa. 2ª ed. em revista pessoal. Apenas pediu uma carona. saiu em disparada. de uma lanchonete chamada “XXXXXXXX”. A acusada em todo momento pedia para que ele parasse o carro. É o dolo genérico em qualquer das figuras. p.368/76. nada foi encontrado com a acusada. a existência do dolo genérico em qualquer uma das dezoito figuras previstas. ou como melhor nos ensina VICENTE GRECO FILHO e JOÃO DANIEL RASSI ao comentar o artigo 33. “Mutatis mutandis” é a jurisprudência: COMPANHEIRA. é necessário o elemento subjetivo. ou seja. Na data do fato. Momento em que os policiais disseram ter encontrado as drogas dentro do veículo e teriam dado voz de prisão aos acusados. da Lei 11. ed. veio a parar o carro. Foi quando a acusada adentrou no automóvel. e pode ver que (Beltrano) conversava com outras pessoas. logo que (Beltrano) avistou uma viatura policial. o acusado (Beltrano) disse-lhe que sim.

2006. atrasou ainda mais o pagamento do mencionado aluguel. ensejar sua condenação.343/06: “É mister haja o dolo específico: associar para traficar. por si só.343/06.Unanime. poderia consubstanciar atitude negligente. de se dar vazão ao elemento finalístico da infração”. muito menos com a gravidade que lhe é atribuída pela denúncia. (. .entorpecente não pode. Inexistência de prova quanto ao fato da apelante ter concorrido para o crime. (TJRJ.T. caput.343/06. ou seja. era inexigível conduta diversa pela apelante que afirma ser aquele o proprietário do material apreendido. K. AC . 03). JULGADO EM 08/03/2007.. (grifos nossos). Desse total.) Para este é mister inequívoca demonstração de que a ligação estabelecida entre A e B tenha sido assentada com esse exato objetivo de sociedade espúria para fins de tráfico. recebe benefício de “cárcere” relativo ao pai da menor F. Dinheiro lícito.S. ora acusada. 128). (grifos nossos). e sessenta e cinco centavos) em sua bolsa no momento da apreensão. 01 e 02) Na data de XX/XX/2008. sua neta.00 (trezentos Reais) entregues pela sua genitora.M. (docs.. não caracterizada pelo artigo 33.02604. quando muito. a genitora sacou R$ 415. entregou R$ 300. pagasse o aluguel que já estava em atraso. vejamos: Comentário ao art.65 (duzentos e sessenta e quatro Reais. nunca com dolo. mas sempre impregnada dessa específica vinculação psicológica.050. a existência de um animus associativo.00 (quatrocentos e quinze Reais) referentes a este benefício (doc. Pura matemática. RELATORA: DESEMBARGADORA ROSITA MARIA DE OLIVEIRA NETTO). Expedindo-se imediatamente alvará de soltura. III – DO DINHEIRO APREENDIDO COM A ACUSADA A genitora de (FULANA DE TAL).S. a ora acusada gastou cerca de R$ 35.00 (trinta e cinco Reais) referente a sua parte do total gasto na lanchonete. Este é o entendimento pacificado de nossos doutrinadores. que assim como sua genitora. IV – DA SUPOSTA ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO Para caracterizar a conduta prevista no artigo 35. 35. “caput” da lei 11. (irmã da ora acusada) encontram-se presos.P. é inerente ao agente. sua conduta é atípica.. p. Resta claro que a conduta da acusada. RECURSO EXTRAORDINARIO . (Vicente Greco Filho e João Daniel Rassi. cit. sua filha. Mesmo sabendo que o companheiro guardava o material entorpecente dentro da residência. “caput” da lei 11. e que por ter sido apreendido. e/ou artigo 35 da Lei 11.00 (trezentos Reais) no final da tarde para que (FULANA DE TAL).. a ser cumprido se por "AL" não estiver presa. ainda que este lance final não se concretize. Portanto. Op. há necessidade de um ajuste prévio no sentido da formação de um vínculo associativo de fato. na forma do artigo 386.G. eis o motivo da acusada estar com R$ 264. Recurso conhecido e provido para absolver a apelante A. a chamada societas sceleris. Dos R$ 300. VI do CPP.

. a denúncia deve ser recebida. o qual é assinado pelo sd. Com efeito. o soldado diz claramente que as denúncias dizem respeito somente ao acusado (Beltrano).Como já restou provado..J. faz-se inteiramente necessário passar-se os olhos sobre os conteúdos dos depoimentos e das provas colhidas quando da prisão em flagrante. XXXXXXXX. DANDO CONTA DE QUE (Beltrano). pela considerável quantidade apreendida.. XXXX/08 (cópia anexa).J. que “em patrulhamento pela Av. quando do depoimento do condutor em auto de prisão em flagrante delito (fls. diz “. àquela prevista no artigo 35. ao relatar os fatos de “próprio punho” no Boletim de Ocorrência (BO/PM) nº. 04). quanto dos motivos e do objeto da relação estabelecida entre esta e o senhor (Beltrano). “caput” da lei 11. tanto da personalidade da ora acusada. e sendo fato incontroverso nos autos. o soldado da PM A. Em momento posterior. fato que por si só torna sua conduta atípica. (nome de guerra (encarregado)).M. bem como destacar quais são as interpretações que podem ser extraídas dos mesmos. Para o Ilustre representante do Ministério Público. pelas “delações de que os denunciados comercializavam drogas. não é conhecida no meio policial como pessoa ligada ao tráfico. teria dito o policial que “(Beltrano) e (FULANA DE TAL) . V – DOS DEPOIMENTOS E DAS PROVAS COLHIDAS QUANDO DA PRISÃO EM FLAGRANTE Apresentadas todas as características mais importantes. não enquadrada. Entretanto. NO INTERIOR DO AUTO POSTO DIPLOMATA. as “supostas” denúncias da realização do comércio de drogas dizem respeito somente ao acusado (Beltrano). que de imediato foram reconhecidos pela guarnição. pois se assim o fosse. porque não encontram ressonância com as provas existentes. esta equipe visualizou no pátio do Auto posto “YYYY” o veículo 01. J. tendo em vista as inúmeras denúncias DE QUE O MESMO vinha realizando o comércio de drogas pelo local”. ESTARIA TRAFICANDO ENTORPECENTES. não passam de um mero juízo especulativo.Que há tempos aportam denúncias na Polícia Militar. informa o mesmo. e pelo montante de dinheiro advindo do nocivo comércio”.343/06. ATENÇÃO: Neste ponto. é o fato de a mesma não apresentar nenhum antecedente criminal. portanto. que na ocasião era ocupado pelo (Beltrano) e pela (FULANA DE TAL). o mesmo soldado “J.J. Ainda a favor da acusada.J. e não sobre a acusada (FULANA DE TAL). mais uma vez. (relação apenas de amizade). a acusada apenas pegou carona com o acusado (Beltrano). as alegações exordiais em relação a ora acusada. pela venda observada pelos policiais. em companhia de sua amiga de nome (FULANA DE TAL) (. e que mesmo tendo uma irmã presa.” que assina o BO/PM nº. pois estaria evidenciado o “fim de traficância”. que trazia no seu colo uma criança de três anos. ATENÇÃO: Neste ponto.)”. XXXX/08 acima mencionado.

não bastando a alta probabilidade desta ou daquele. 46). Sobre o tema. sem resquícios de dúvidas. Des. legal e de justiça equiparar a acusada a uma traficante ou usuária de drogas. De imediato. tem-se que a versão dos policiais alinhada aos demais elementos do pobre acervo probatório colhido não se mostra suficiente para sustentar o recebimento da denúncia contra a acusada.”. havendo dúvida a respeito da propriedade e da destinação da droga e inexistindo qualquer outro indício incriminador da conduta da ora acusada.estariam. 1983. ou “(Beltrano).605-7/99.(. DE CAMARGO ARANHA: “A condenação criminal somente pode surgir diante de uma certeza quanto à existência do fato punível. (TJSC. 35 da Lei 11. (Da prova no processo penal. disse apenas que “(Beltrano) estava em companhia de sua amiga de nome (FULANA DE TAL)”.. Condenação exige certeza absoluta. juntamente com (FULANA DE TAL) estariam.”. pois milita em favor do acionado criminalmente uma presunção relativa de inocência”. DJ de 21/07/93). CONTRA QUEM PESAVAM VÁRIAS DENÚNCIAS DE TRÁFICO DE ENTORPECENTE”. (grifo nosso). incompleta ou contraditória. rel. Nada vindo a acrescentar ou relatar sobre possíveis denúncias contra a ora acusada (FULANA DE TAL). de Criciúma. São Paulo. gera a dúvida e com ela a obrigatoriedade da absolvição. T. (grifo nosso). Assim sendo. Uma prova deficiente. Ap. Nilton Macedo Machado.J..F. nem mesmo pelo art. DJ de 28/05/99). ou ao submundo do crime. portanto.. Saraiva. Assim sendo. 29. Crim. o também policial militar P. de caráter geral. (TJSC. Ap. quando ao contrário. como por exemplo. ser a certeza subjetiva. Com o que contém nos autos. sob pena de se transformar o princípio do livre convencimento em arbítrio (RT 619/267). as provas devem conduzir àquela conclusão. (grifos nossos).343/06. crim. fundada em dados objetivos indiscutíveis. p. Embora não seja necessário o flagrante da venda. rel. 33 nem pelo art. conclui-se que as provas são irrefutáveis no sentido de que a acusada não tinha conhecimento da existência daquela droga e muito menos se a mesma seria destinada para o tráfico e sendo assim não é possível penalizá-la. 06). e não pode. que evidenciem o delito e a autoria.. formada na consciência do julgador. Nem uma única prova existe indicando ser ela pessoa ligada ao narcotráfico.). 3. não é correto. mesmo tendo ela cometido o deslize de pedir carona.. Neste diapasão.580. Tão Tão cristalino é este entendimento. NESSE SENTIDO: . a questão só pode ser resolvida em favor desta. Tal entendimento é pacífico em nossa jurisprudência: Para se concluir pela traficância é necessária a realização nos autos de prova suficiente por parte da acusação de que a droga apreendida tinha por finalidade o comércio clandestino. diz “ . que no depoimento da segunda testemunha (fls. reconheceram o automóvel como sendo de (Beltrano). José Roberge. da autoria e da culpabilidade do acusado. de Concórdia. Des. pertinente a lição de ADALBERTO JOSÉ Q..

TJSE: Acolho as razões expostas pela D. 3 – Nome. 4 – Nome. Com a preclusão desta decisão. 2 – Nome. 283/284 e rejeito a denúncia em relação a F.e que devidamente intimadas. cujo rol segue anexo. arquivem-se os autos. pois não há suporte probatório mínimo da imputação que lhe é feita. por todos os meios de provas admitidas em direito. Intimem-se. pede-se a rejeição da denúncia. (TJSE .: 200655000052 – Dr. 43. XX de ____________ de 2008. do CPP. caso esse seja o entendimento. (grifos nossos). Defensora Pública nas fls. culminando por fim. Advogado OAB nº _________/___ Advogado OAB nº _________/___ ROL – TESTEMUNHAS 1 – Nome.S. protesta-se desde já. e 648. no molde dos arts.. Isto porque das peças de informação não consta indício suficiente de autoria que justifique a submissão daquele acusado a um processo criminal. e a imediata concessão do respectivo alvará de soltura. qualificação e endereço.S. Helio de Figueiredo Mesquita NetoJuiz de Direito – julgamento:20/06/2007). I. III.AÇÃO PENAL PROC. “Ex Positis”. qualificação e endereço. inclusive por precatórias comparecerão às audiências que forem designadas. com toda a sua carga negativa. qualificação e endereço. notadamente pela oitiva das testemunhas. com a liberdade da ora acusada como medida de INTEIRA E SALUTAR JUSTIÇA Mesmo não acreditando que Vossa Excelência não rejeite a denúncia. qualificação e endereço. . ______________________.

Local e data.. Advogado OAB nº _________/___ Advogado OAB nº _________/___ .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful