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Índice

Direito à igualdade e à não discriminação 3


Direito à Igualdade no acesso ao emprego e no trabalho 4
Igualdade na carreira profissional 5
Igualdade na categoria profissional 6
Igualdade na retribuição 7
Direitos e deveres laborais 8
Como agir para garantir a protecção dos direitos 11
Bibliografia 15

DIREITOS E DEVERES DOS TRABALHADORES


Agir para a Igualdade entre Mulheres e Homens no Trabalho

e acordo com o artigo 13º, nº 2, artigo 59º da Constituição da Republica


Portuguesa(CRP) e o artigo 22º do código do trabalho(CT) é respeitado o
princípio da igualdade quando mulheres e homens têm iguais condições no
acesso ao emprego carreira profissional, também formação profissional
retribuição e condições de trabalho em geral. Existem dois tipos de
descriminação:
a) Discriminação directa: resulta do tratamento desigual só pelo simples
facto de serem homens ou mulheres.
b) Discriminação indirecta: não distingue à primeira impressão os
sexos, mas cria exigências em relação ao estado civil, situação familiar
ou disponibilidade que na prática colocam as mulheres numa situação
de desigualdade.
A demonstração da desproporção considerável entre a taxa
de trabalhadores de um dos sexos na empresa e a taxa de
trabalhadores do mesmo sexo existente no respectivo
ramo de actividade pode ser invocada como prova da
existência de uma situação de discriminação.

Atenção

É ilegal o despedimento, a aplicação de sanções ou qualquer outra actuação


que vise prejudicar qualquer trabalhador (a) que tenha reclamado alegando a
discriminação conferindo qualquer destas actuações o direito da indemnização.
O ónus da prova em casos em que seja invocada uma situação de
discriminação directa ou indirecta cabe á entidade patronal, devendo o(a)
trabalhador alegar os fundamentos da acção. Os sindicatos têm legitimidade
para propor acções tendentes a provar qualquer prática discriminatória.
Direitos à igualdade no acesso ao emprego
e no trabalho

A CRP e a legislação laboral impõe a igualdade no acesso ao emprego,


profissão ou posto de trabalho.
É respeitado o direito à igualdade no acesso ao emprego quando:
a) As ofertas de emprego feitas nos jornais ou por outros meios não
indicam qualquer referência baseada no sexo; não formulam exigências
físicas que não tenham relação com a profissão ou condições do seu
serviço.
b) Nas entrevistas ou outros contactos para o recrutamento nas empresas,
as mulheres que se candidatam não são sujeitas a perguntas feitas
oralmente ou por escrito sobre se pensam ter filhos se estão grávidas ou
outros aspectos da sua vida privada e familiar.
Existe discriminação sempre que algum candidato/trabalhador é barrado no
acesso a um emprego actividade ou formação por razões que não estão ligadas
com a sua competência experiência habilitações ou capacidade profissional.

Assédio: constitui uma discriminação de assédio todo o comportamento


indesejado, neste caso com o objectivo de afectar a dignidade da pessoa ou
criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou
desestabilizador, que pode assumir carácter sexual, sob forma verbal, não
verbal ou física.
São ainda proibidas as discriminações por
motivos de raça, cor , nacionalidade ou a
sua origem étnica.
O empregador não pode exigir testes ou
exames de gravidez.)

O médico responsável pelos testes e exames médicos só pode comunicar ao


empregador que o trabalhador está ou não apto para desempenhar a sua
actividade se o trabalhador der a sua autorização por escrito que o faça.
De acordo com a lei as mulheres devem ter as mesmas oportunidades na
escolha da profissão ou do trabalho e não podem ser discriminadas no acesso a
quaisquer cargos ou categoria profissional, de acordo com art. 9º alínea h) e
109º; Art. 47º e 58º nº 1 e 2 alínea b) da CRP.

É e respeitado o direito a igualdade na carreira profissional quando:

a. Mulheres e homens acedem as categorias da carreira nas mesmas


condições.
b. As mulheres trabalhadoras têm a mesma oportunidade que os homens,
de aceder a lugares de chefia de carreira profissional.

Não é garantido o direito á igualdade na carreira profissional quando se reserva


as mulheres categorias profissionais estanques, fechadas ou que não permitam
o acesso a categorias superiores.
De acordo com os Art.
os
47º e 58º, n. 1 e 2,
A constituição e a lei garantem as mulheres
alínea b) da CRP.
trabalhadoras, nas mesmas condições dos homens
trabalhadores o desenvolvimento de uma carreira
Art. 29º do Código do
profissional que lhes permita atingir o mais alto nível
Trabalho (CT).
Hierárquico da sua profissão

Atenção

É ilegal impedir uma trabalhadora exercer um lugar de Chefia com o


argumento de que o exercício da referida função exige maior
disponibilidade e que os homens estão em melhores condições de
garantir essa disponibilidade.
A demonstração da desproporção considerável entre a taxa
detrabalhadores de um dos sexos ao serviço do empregador e a taxa de
trabalhadores do mesmo sexo existente no respectivo ramo de
actividade constitui uma forma de prova da existência de uma situação
de discriminação

Não podem existir categorias profissionais criadas exclusivamente para


homens ou para mulheres.
As mesmas categorias profissionais ou equivalentes não podem estabelecer
renumerações para as mulheres inferiores á dos
homens.

Consideram-se categoria igual ou equivalente quando


as funções desempenhadas ao mesmo empregador são
iguais ou objectivamente semelhantes de natureza,
qualidade e quantidade e ainda quando às
qualificações ou experiência exigida, as
responsabilidades atribuídas ao esforço físico e psíquico e às condições que o
trabalho é efectuado.
.

Atenção

São ilegais categorias profissionais designadas pelo feminino e


exclusivamente ocupadas por mulheres como por ex: costureira,
secretária, encarregada , cozinheira, carteira, etc.
São ilegais também categorias profissionais destinadas somente a
homens, como sejam, por ex. a de operário, mecânico, motorista,
maquinista, etc.
É respeitado o principio da igualdade na retribuição quando:

a. Dois trabalhadores são igualmente renumerados pelo exercício, perante


a mesma entidade patronal de tarefas de idêntica ou equivalente
natureza e em igual período de tempo.
b. A diferenciação de salários, perante exercício de tarefas de idêntica
natureza se baseia em critérios objectivos comuns a homens e a
mulheres, como por ex. a actividade ou experiencia profissional.

A Constituição garante a todos os trabalhadores sem distinção do sexo, e


direito á retribuição do trabalho
segundo critérios de quantidade,
natureza e qualidade pelo
princípio que “o trabalho igual
corresponde a salário igual”.

Atenção
Não podem constituir fundamento de diferenciações retributivas
as licenças, faltas e distensas relativas à protecção de maternidade e
paternidade.
É ilegal a atribuição, a uma categoria superior, de um salário mais baixo
que outra categorias de nível hierárquico inferior, só pelo o facto de a
primeira ser ocupada por uma mulher.
De acordo com o Codigo do Trabalho(CT), na execução do contrato do
trabalho e o empregador e o trabalhador devem respeitar os seguintes direitos
e deveres laborais:

Deveres do empregador (Artigo 120.º CT)


a) Respeitar e tratar com urbanidade e probidade o trabalhador;
b) Pagar pontualmente a retribuição, que deve ser
justa e adequada ao trabalho;
c) Proporcionar boas condições de trabalho, tanto do
ponto de vista físico como moral;
d) Contribuir para a elevação do nível de
produtividade do trabalhador, nomeadamente
proporcionando-lhe formação profissional;
e) Respeitar a autonomia técnica do trabalhador
que exerça actividades cuja regulamentação
profissional a exija;
f) Possibilitar o exercício de cargos em organizações representativas dos
trabalhadores;
g) Prevenir riscos e doenças profissionais, tendo em conta a
protecção da segurança e saúde do trabalhador, devendo indemnizá-lo
dos prejuízos resultantes de acidentes de trabalho;
h) Adoptar, no que se refere à higiene, segurança e saúde no trabalho, as
medidas que decorram, para a empresa, estabelecimento ou
actividade, da aplicação das prescrições legais e convencionais
vigentes;
i) Fornecer ao trabalhador a informação e a formação adequadas à
prevenção de riscos de acidente e doença;
j) Manter permanentemente actualizado o registo do pessoal em cada um
dos seus estabelecimentos, com indicação dos nomes, datas de
nascimento e admissão, modalidades dos contratos, categorias,
promoções, retribuições, datas de início e termo das férias e faltas que
impliquem perda da retribuição ou diminuição dos dias de férias.

Deveres do trabalhador (Artigo 121.º CT)


1 - Sem prejuízo de outras obrigações, o trabalhador deve:
a) Respeitar e tratar com urbanidade e probidade o empregador, os
superiores hierárquicos, os companheiros de trabalho e as demais
pessoas que estejam ou entrem em relação com a empresa;
b) Comparecer ao serviço com assiduidade e
pontualidade;
c) Realizar o trabalho com zelo e diligência;
d) Cumprir as ordens e instruções do empregador em
tudo o que respeite à execução e disciplina do
trabalho, salvo na medida em que se mostrem
contrárias aos seus direitos e garantias;
e) Guardar lealdade ao empregador, nomeadamente não
negociando por conta própria ou alheia em concorrência com ele, nem
divulgando informações referentes à sua organização, métodos de
produção ou negócios;
f) Velar pela conservação e boa utilização dos bens relacionados com o
seu trabalho que lhe forem confiados pelo empregador;
g) Promover ou executar todos os actos tendentes à melhoria da
produtividade da empresa;
h) Cooperar, na empresa, estabelecimento ou serviço, para a melhoria do
sistema de segurança, higiene e saúde no trabalho, nomeadamente por
intermédio dos representantes dos trabalhadores eleitos para esse fim;
i) Cumprir as prescrições de segurança, higiene e saúde no trabalho
estabelecidas nas disposições legais ou convencionais aplicáveis, bem
como as ordens dadas pelo empregador.
2 - O dever de obediência, a que se refere a alínea d) do número anterior,
respeita tanto às ordens e instruções dadas directamente pelo empregador
como às emanadas dos superiores hierárquicos do trabalhador, dentro dos
poderes que por aquele lhes forem atribuídos.

Garantias do trabalhador(Artigo 122.º do CT)


É proibido ao empregador:
a) Opor-se, por qualquer forma, a que o trabalhador exerça os seus
direitos, bem como despedi-lo, aplicar-lhe outras sanções, ou tratá-lo
desfavoravelmente por causa desse exercício;
b) Obstar, injustificadamente, à prestação efectiva do trabalho;
c) Exercer pressão sobre o trabalhador para que actue no sentido
de influir desfavoravelmente nas condições de
trabalho dele ou dos companheiros;
d) Diminuir a retribuição, salvo nos casos
previstos neste Código e nos instrumentos de
regulamentação colectiva de trabalho;
e) Baixar a categoria do trabalhador, salvo nos
casos previstos neste Código;
f) Transferir o trabalhador para outro local de
trabalho, salvo nos casos previstos neste
Código e nos instrumentos de regulamentação colectiva de trabalho, ou
quando haja acordo;
g) Ceder trabalhadores do quadro de pessoal próprio para utilização
de terceiros que sobre esses trabalhadores exerçam os poderes de
autoridade e direcção próprios do empregador ou por pessoa por ele
indicada, salvo nos casos especialmente previstos;
h) Obrigar o trabalhador a adquirir bens ou a utilizar serviços fornecidos
pe lo empregador ou por pessoa por ele indicada;
i) Explorar, com fins lucrativos, quaisquer cantinas, refeitórios,
economatos ou outros estabelecimentos directamente relacionados
com o trabalho, para fornecimento de bens ou prestação de serviços
aos trabalhadores;
j) Fazer cessar o contrato e readmitir o trabalhador, mesmo com o seu
acordo, havendo o propósito de o prejudicar em direitos ou garantias
decorrentes da antiguidade.
Em face de qualquer violação do direito á igualdade de oportunidade e
tratamento no trabalho e no emprego, o trabalhador(a)
pode:
a. Dirigir-se ao SINDICATO , para que este, perante
o caso concreto, o informe e o aconselhe acerca
dos comportamentos a adoptar, podendo prestar-
lhe assistência jurídica necessária para propor,
por si ou em representação do(a) trabalhador(a)
acção judicial.
b. Exigir junto da entidade patronal, o cumprimento da lei. No entanto,
se entidade patronal não cumprir devemos:
Solicitar a intervenção da Comissão para a Igualdade no
Trabalho e no Emprego(CITE), para que imita parecer no caso
concreto e dar conhecimento do processo á Confederação Geral
dos Trabalhadores Portugueses Intersindical CGTP-IN,
organização sindical de classe, unitária, democrática,
independente e de massas, que faz parte da comissão.
www.cgtp.pt
www.cite.gov.pt
• Solicitar a intervenção da Autoridade para as Condições de
Trabalho (ACT) nomeadamente a deslocação aos locais de
trabalho com a finalidade de comprovar quaisquer praticas de
discriminatórias.
“A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) tem por
missão a promoção da melhoria das condições de trabalho,
através do controlo do cumprimento das normas em matéria
laboral, no âmbito das relações laborais privadas, bem como a
promoção de políticas de prevenção de riscos profissionais.”
www.actgov.pt
• Apresentar queixa á ACT, com vista ao levantamento de
processos de contra-ordenação e a eventual aplicação de coimas,
punindo práticas discriminatórias.
• Requerer junto do Ministério com competência na área do
Trabalho, ou interpor a acção judicial nos tribunais do trabalho.
• Apresentar queixas por acções ou omissões dos poderes públicos
ao provedor de justiça, que as aprecia sem poder decisório
dirigindo-o aos órgãos competentes as recomendações
necessárias para prevenir ou reparar injustiças e ao
Representante do Ministério Publico junto dos tribunais do
Trabalho que prestara esclarecimento e apoio judicial a
trabalhadores não sindicalizados.

• Apresentar queixa na eventualidade de trabalhador imigrante, no


Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural
IP (ACIDI), estrutura interna departamental de apoio e consulta
do governo, criada em 2002. A sua missão é “promover a
integração dos imigrantes e minorias étnicas na sociedade
portuguesa(…), acompanhar a aplicação dos instrumentos legais
de prevenção e proibição das discriminações no exercício de
direitos por motivos baseados na raça, cor, nacionalidade ou
origem étnica”.

• Requerer informação ou apoio jurídico na comissão para a


Cidadania e Igualdade de Género(CIG). A CIG tem a missão
de garantir a execução das políticas públicas no âmbito da
cidadania e da promoção e defesa de igualdade de género.
BIBLIOGRAFIA

Carrilho, Helena. Intervir para a Igualdade entre Mulheres e Homens no


Trabalho e na Vida Guia de Direitos - Igualdade entre Mulheres e
Homens, Maternidade e Paternidade. Formiga Amarela, Textos e Imagens.
2006

Legislação:

Lei n.º 99/2003, D.R. 197, Série I-A de 27 de Agosto de 2003,


Lei n.º 35/2004, D.R. 177, Série I-A de 29 de Julho de 2004.

Sites:

www.mtss.gov.pt, consultado em 28 de Janeiro de 2009

www.actgov.pt consultado em 28 de Janeiro de 2009

www.cig.gov.pt consultado em 28 de Janeiro de 2009

www.provedor-just.pt consultado em 28 de Janeiro de 2009

www.acidi.gov.pt consultado em 28 de Janeiro de 2009

www.cite.gov.pt consultado em 28 de Janeiro de 2009

www.cgtp.pt consultado em 28 de Janeiro de 2009

www.prtugal.gov.pt consultado em 14 de Janeiro de 2009