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Encontro com Jesus!

Era uma manhã de outono, as folhas começavam a mudar de cor nas copas de

algumas arvores, eu estava a observar o mundo á minha volta, era um mundo

em que se concentrava tom de cores mórbidas. Tentava ver algo de bom entre

aquele cenário, mas o que via era frio, opaco, um mundo quase sem vida!

Sentia-me algo como, um ser que não fizesse parte daquele mundo. Meu

coração batia descompassada-mente, algo ruim invadia meu ser, não

conseguia compreender o que se passava comigo.

Sentado em um banco sentia um vazio imenso dentro de mim. Era como se

algo tivesse sugado todo meu sentimento de dentro do meu ser.

Sentia vontade de me deitar no chão. Na verdade me sentia um nada e o chão

era o local mais apropriado para mim naquele momento. A grama que cobria

todo o espaço onde meus olhos alcançavam estavam amarelada, com uma

aparência de que faltava algo ali. Eu me sentia assim, como aquela gramínea

sem vida!

Sentei-me no chão e um cansaço me tomou a alma, fui lentamente me

curvando para trás, até me deitar por completo ao chão. Fechei meus olhos e

em entreguei as minhas angustias.

O ar me faltava por vezes, mas permaneci assim de olhos fechados. Ouvi algo

que me despertou do meu torpor, abri os olhos e percebi que alguém havia se

sentado ao banco onde estava minutos antes. Da grama e da posição que me

encontrava via a pessoa de costas. Percebi que era uma pessoa idosa, reparei

suas vestes e percebi que era um andarilho.

Ele mexia em uma caixa pequena que colocou do lado do banco, fiquei a

observá-lo, já que era a única coisa que tinha prendido minha atenção.

Ele tirou um lenço de dentro dessa caixa e olhou em minha direção.

Eu no mesmo instante fingi estar e olhos fechados com receio dele não gostar

de estar sendo observado. Senti que ficou a me observar por alguns segundos

e depois me disse:

Porque estas ai? Posso te ajudar em alguma coisa? Abri os olhos e o fixei meio

com desdém, afinal não queria ser incomodado.

Ele continuou a me olhar e abriu um leve sorriso e disse:

Já sei! Você está precisando de algo tão simples, mas que ainda não conseguiu

encontrar.
Pegue esse lenço_ e me estendeu-o até mim. Pegue-o disse ele. Estendi meu

braço em direção a ela e peguei o lenço. Fiquei sem saber o que poderia fazer

com aquilo quando olhei novamente para ele, me disse serenamente:

As vezes a vida nos parece sem vida, sem brilho, as vezes tudo a nossa volta é

escuridão.O vazio toma conta de nossa alma, e o mundo se torna opaco,

envelhecido. Vê esse lenço? Olhe para ele, que cor você vê? Olhei para aquele

pedalo de pano e não vi nada mais do que um pedaço de pano roto e

encardido.

E tornou a me indagar:

Porque está ai, no chão? Não respondi, não tinha a mínima vontade de dizer

uma única palavra.

Ele percebeu, e num gesto preciso voltou-se em minha direção e deitou ao meu

lado e me disse:

Queria entender o porquê, já que não me respondes eu mesmo quero ver a

forma como você está vendo mundo daqui.

Achei a atitude ainda mais louca do que a minha, mas cada um sabe da sua

vida, não dei atenção para aquilo e fechei novamente meus olhos.

O senhor começou a repetir palavras, e a cada palavra dita ele respirava fundo

e agradecia a Deus por tudo que tinha.

PERRRRDÃOOOOO

CARIIIIIDADEEEE

AUTOCHECIMENTOOOO

EQUILIIIIBRIIIO OOOO

PAZZZZZZZ

AMOOOOOOORRRRRR

Fiquei ouvindo, e me dei conta do lenço que ele me havia dado. Abri os olhos e

estendi o lenço em sua direção e disse?

Não preciso dele.

Ele não aceitou. Ele não aceitou disse que me era mais útil a mim naquele

momento e quando eu soubesse o que fazer com ele, eu o passa-se para

frente.

É só um lenço encardido.

Tem certeza no que diz, retrucou o velho.

Sim! É só um lenço disse o velho, mas tem certeza na cor?


Respondi já nervoso, com aquilo tudo, sim é o que vejo.

Que pena, respondeu ele. Fiquei sem entender nada.

Ele me olhou diferente e com ar sério mais sereno me pediu que pronunciasse

as palavras que ele dizia. Olhei para ele meio espantado, mas não tive reação

negativa ante aquele olhar sereno.

Ele falava pausadamente.

Perrrdãoooo

Cariidadeee

Autoconhecimenntooo

Equilibrioooo

Pazzzzz

Amorrrr

E me dizia feche os olhos e pense em cada momento de sua vida quando for

pronuncias cada palavra.

Algo mexeu em mim.

Cada palavra que ia sendo pronunciada, eu revivesse uma cena que tinha me

sido muito importante e que me havia machucado muito.

Aquelas palavras me faziam sentir algo diferente.

Perdão: Percebi o quanto tinha errado também, o quanto tinha sido orgulhoso e

não percebido que tinha mais ferido o meu próximo do que ter sido ferido. De

quantas vezes fiz alguém me pediram perdão e não soube perdoar e precisei

de perdão e recebi.

Caridade: Quantas vezes deixei de ser caridoso, de estender minha mão com

pequenos gestos. Quantas vezes neguei um sorriso, um abraço, um momento

para ouvir um amigo.

Senti um imenso arrependimento e vergonha de mim mesmo. Grossas lagrimas

rolaram pela minha face.

O andarilho num gesto de amor pegou em minha mão e disse: Continue você

está chegando ao seu objetivo.

Eu comecei a tremer, mas tremia porque algo em mim mudara. Era como se

nascesse ali naquele momento um outro de mim.

Ai pronunciou:

Autochecimento: E naquele instante percebi que estava me descobrindo, e

deixei-me levar por todo aquele sentimento. Um calor invadia o meu ser e senti
o quanto eu necessitava buscar , saber, aprender, construir, conquistar, me

senti um grão de areia, mas tive certeza de que naquele momento eu fazia

parte do mundo, eu unia forças com o universo em minha volta.

E pronunciou Equilíbrio:

E comecei a sentir que naquele momento eu tinha me despertado para a vida.

Que apesar dos meus erros, das minhas falhas, da minha cegueira, eu havia

despertado algo em mim de valor.

E disse Amor:

Quando pronunciei esta palavra senti que uma sensação boa pairava em meu

coração. Comecei a sentir um calor forte e meu rosto, e abri os meus olhos.

E pronunciei Paz:

Senti uma sensação nova, era como se flutuasse!

Abr os olhos e percebi um mundo novo á minha volta, respirava um ar mais

leve, e tudo estava tão verde!

Meus olhos novamente se encheram de lagrimas e num gesto impensado levei

o lenço até os meus olhos para enxugá-los, e quão foi minha surpresa!

Eram alvos como as nuvens do céu, e o tecido parecia da mais pura seda!

Olhei espantado paro o velho que estava ao meu lado e qual foi minha

surpresa maior?!Não era mais um velho e sim um jovem que estava ao meu

lado. E suas vestes eram tão brancas como os lírios do campo.

O seu rosto, a me olhar com ternura.

Perguntei espantado1 O que aconteceu? O que ouve? Estou a sonhar? Onde

está o senhor que estava aqui? Quem é você?

Ele sereno me fez sentar no banco e em disse calmamente:

Percebestes agora o lenço? Sim, eu disse maravilhado está branco. Ah! Agora o

percebeste, mas ele sempre foi assim, você não o vi por que dentro de você

sua alma estava tão obscurecida pelo seu egoísmo, orgulho que não conseguia

perceber nada a sua frente.Você enxergava o mundo com os valores que você

tinha dentro de você. Como eram valores ruins, preconceituoso, você

enxergava tudo assim, distorcido, apagado.

Olha em sua volta!

E comprovava maravilhado a natureza. Quanta beleza!

Quando olhei novamente para meu amigo, ele havia sumido.


Mas continuei sentindo sua presença, e olhei para o lenço e percebi que era do

mesmo tecido de sua roupa.

E ouvi me dizer:

Esse pedaço de pano é um pedaço do meu manto, que ofereci a você com todo

o meu amor! Ainda bem que o aceitastes. Isto te salvou de você mesmo, a fez

buscar dentro de si, aquilo de bom que o Pai nos deu, a tua luz interior!

Muitos têm essa chance e a desperdiçam, continuam de olhos fechados, não

querendo ver nada que se passa a sua volta. Você teve a chance e quão

enternecido estou em saber que conseguiu dar um passo em direção a luz!

Hoje você deixou morrer o homem velho que existia dentro de você e fez

nascer o homem novo!

A tua caminhada continua, mas agora compreendes qual caminho tem a

seguir!

PERDÃO!

CARIDADE!

AUTOCONHECIMENTO!

EQUILIBRIO!

AMOR!

PAZ!

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