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CEARÁ
Informativo do Projeto Rondon® Associação Estadual dos Rondonistas do Ceará No 24 - 2o Semestre/2008
>> Equipe de instrutores

Equipe de Agronomia da UFC participa de operação em Canindé e Caridade
oluntários, alunos e professores da Universidade Federal do Ceará – UFC – participaram, no período de 10 a 12 de outubro, de operação através do projeto intitulado A silvicultura e o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar na região de Canindé, dando ênfase à produção de mudas de urucum (Bixa Orellana L.) e sabiá (Mimosa Caesalpiniaefolia Benth). Esta operação, batizada de Canindé, foi realizada em assentamentos neste município e em Caridade, e contou com o apoio da Prefeitura e da Secretaria do Meio Ambiente do Canindé, Agência do Banco do Nordeste desta cidade, Emater de Caridade e de Técnicos do Incra que atuam na região. A atividade envolveu 26 estudantes

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do Curso de Agronomia, que atuaram como instrutores do Curso de Produção de Mudas para os agricultores dos 11 assentamentos beneficiados, sendo oito em Canindé e três em Caridade. O trabalho foi coordenado pelo prof. Ricardo Espíndola Romero, do Departamento de Ciências do Solo da UFC, e do engenheiro agrônomo e técnico agropecuário do Incra, Sebastião Cavalcante de Sousa. O curso de Produção de Mudas teve a duração de 12h/aula e em cada assentamento foram entregues materiais para a produção de 1200 mudas, sendo compostos por 1200 sacos pretos para mudas de 15cm x 22cm, 150g de sementes de urucum, 150g de sementes de sabiá, um rolo de barbante e 20 cartilhas sobre

produção de mudas. Ao final dos trabalhos foram treinados 148 multiplicadores em silvicultura, 9000 unidades de sacos semeados, e implantados 11 viveiros de mudas – um viveiro em cada assentamento – que servirão como unidade demonstrativa e produtiva. A operação rondonista teve como objetivo maior contribuir para o intercâmbio de conhecimentos entre a Universidade Federal do Ceará, Governo Municipal e assentamentos carentes, na difusão tecnológica de atividades que promovam o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar no semi-árido nordestino, buscando o aproveitamento dos recursos naturais com sustentabilidade.
Com informações da Coordenação do Projeto Rondon®/ CE

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No 24 2o Semestre/2008

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>> ENTREVISTA

“Projeto Rondon e UVA são duas instituições complementares, que trabalham pela integração e construção da cidadania”
Professor Valdomiro Marques das Neves, coordenador do Projeto Rondon/Zona Norte
Um olhar mais atento sobre o curriculum vitae do professor Valdomiro Marques das Neves, revela: a administração sempre pautou sua vida profissional. Sua última função de destaque foi a de secretário de Infra-Estrutura e Meio Ambiente de Reriutaba (CE). Este pernambucano de Água Preta, 70 anos, passou boa parte de sua vida em capitais como Rio de Janeiro e Brasília. Nesta, entre outras funções, foi administrador de Recursos Humanos do extinto Ministério do Bem-Estar Social. Foi, ainda, diretor de Recrutamento e Seleção da Escola de Administração Fazendária, coordenador de Patrimônio, Contratos e Convênios do Ministério dos Transportes e Comunicações, assessor do Ministro do Bem-Estar Social, diretor do Instituto Nacional do Livro do Ministério da Cultura, secretário de Administração Financeira da Secretaria de Controle Interno do Ministério da Cultura, superintendente administrativo da Fundação Nacional Pró-Memória do Ministério da Cultura, diretor-geral do Departamento de Administração do Ministério da Educação e diretor da Divisão de Edifícios Públicos e Instalações do Ministério do Interior. Foi neste Ministério, aliás, há mais de 20 anos, que Valdomiro conheceu o atual presidente nacional do Projeto Rondon, cel. Sérgio Mário Pasquali. Ex-pró-reitor de Administração da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA –, em Sobral (CE), Valdomiro tem pela frente um desafio à altura de seu curriculum: coordenar o Projeto Rondon na zona norte do Ceará. Nesta entrevista concedida com exclusividade para o Ceará Rondon Notícias, Valdomiro mantém seu discurso entre dois tempos: das reminiscências do passado e das realizações do futuro.
Ceará Rondon Notícias: Em que momento da sua vida o senhor teve o primeiro contato com o Projeto Rondon? Valdomiro Marques das Neves: Eu conheci a atividade do Projeto Rondon porque o Rondon era uma instituição governamental, era subordinado ao Ministério do Interior. Nessa época, eu trabalhava no Ministério do Interior, no mesmo prédio onde funcionava o Projeto Rondon, e me surpreendia a atividade dessa instituição, cujo slogan é “integrar para não entregar” – que, aliás, está muito atualizado, porque até hoje nós vemos reservas indígenas que denunciam ONGs com interesses contrários ao interesse nacional. Nós estamos falando de 1977/1978, em Brasília, setor de autarquias. Eu tinha uma atividade administrativa no prédio do Ministério do Interior e era obrigado – com muita satisfação – a me empenhar em usar meu tempo com o grande processo de operações do Rondon da época. Nós temos aqui nossa experiência em Reriutaba e Sobral, mas naquela época era no Brasil todo, com aviões C47 da Aeronáutica, aviões comerciais, assim como ônibus e outros meios de transporte. Já foi dito pelo grande paladino do Projeto Rondon, cel. Sérgio Mário Pasquali, que era uma “operação de guerra”. Todos que estavam envolvidos nas operações só descansavam quando sabiam que a equipe tinha se deslocado entre os estados. A operação, para ter efetividade, levava os universitários do Sudeste para outras regiões, como Norte e Nordeste, e os universitários dessas regiões eram levados para o Sudeste. Com a ação, o universitário ganhava conhecimento da realidade brasileira. Havia ações de uma ou duas semanas. Assim, eu conheci o Projeto Rondon. CRN: O senhor conhece pessoalmente o presidente da Associação Estadual dos Rondonistas do Ceará, deputado estadual Professor Teodoro, e o presidente nacional do Projeto Rondon, cel. Sérgio Mário Pasquali. Quando começou a sua relação de amizade com eles? VMN: A relação de amizade, da qual eu me envaideço muito, começou exatamente no Ministério do Interior. O Pasquali era o responsável pela coordenação geral da atividade nacional do Projeto Rondon. Na época nós tínhamos alguma ligação, mas não tão grande como foi, depois, no Ministério da Educação, onde eu conheci também o Teodoro. Naquele momento Teodoro era um dos filósofos do Rondon. Eu tive o prazer de conhecê-los melhor como diretor geral do Departamento Geral de Administração do MEC. Convivi sob a coordenação do Pasquali – secretário geral do Ministério – e do Teodoro – secretário adjunto – no período de 1980 a 1985. Eu me orgulho de ter trabalhado com esses paladinos da integração nacional, através do Projeto Rondon. CRN: O senhor já foi pró-reitor de Administração da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA – em Sobral. Agora, o senhor está assumindo a coordenação do Projeto Rondon na zona norte do Ceará. Como ficará a relação entre as duas partes: Projeto Rondon e UVA? VMN: A respeito da minha função nessa renomada instituição de ensino superior, valem ser ressaltados alguns pontos para reflexão. A concepção da integração – base da filosofia do Projeto Rondon –, que o reitor José Teodoro Soares assimilou na época em que trabalhou junto ao cel. Pasquali, colaborou para o grande feito de interiorização da educação superior, primeiro no Ceará, e depois no Brasil. Essa ação possibilitou que alunos de comunidades distantes dos grandes centros pudessem adquirir conhecimento necessário para desenvolver sua cidadania. Foi tão importante a atuação do gestor Teodoro frente a essa bem sucedida instituição, que foram criados 12 cursos de graduação, quatro campi em Sobral e 18 campi avançados. O número de alunos subiu de 1000 para 5000, só em Sobral. Além disso, Teodoro teve o talento de criar condições para a que a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) fosse cumprida e que o professor leigo pudesse ter acesso à formação superior. Trabalhar na função de pró-reitor de Administração da administração Teodoro Soares foi motivo de muito orgulho para mim. A ação do Rondon dispensa qualquer comentário. Nós sabemos que Sobral é uma cidade universitária. Se a força que alavanca o Projeto Rondon é o universitário – e, aliás, o cel. Pasquali faz questão de dizer que a razão principal do Projeto Rondon é o universitário – começa por aí uma simbiose, uma união perfeita entre teoria e prática. Todos nós que nos graduamos, que aumentamos nosso conhecimento através de pós-graduação, mestrado, etc, nós todos identificamos a dificuldade de se colocar em prática a teoria. O Projeto Rondon começa por aí. Vamos dar um exemplo de um universitário de medicina ou de enfermagem. Ele vai a um local atender a uma pessoa que nunca foi atendida por um profissional de saúde. No interior do Nordeste nós sabemos que os partos são feitos pelas parteiras – que Deus as proteja, porque elas fazem isso com muita propriedade e muita capacidade. Mas também sabemos que às vezes causam algumas seqüelas; não é o mesmo caso de uma pessoa preparada para fazer um parto. Então, a atividade de um rondonista – seja ele de enfermagem ou de medicina – já vai ajudar na residência, já que vai ter feito duas ou três intervenções dessas, ou viu de perto. Uma coisa é praticar no laboratório, outra coisa é praticar a partir da necessidade. É muito importante e tem efeitos germinativos essa ação do Projeto Rondon. Esse é o melhor resultado para os universitários: fazer com que eles tenham prática e complementem a teoria que recebem. Projeto Rondon e UVA são duas instituições complementares, que trabalham pela integração e construção da cidadania, e a minha intenção é a de que a parceria – que tem funcionado bem – seja ampliada. CRN: Quais são os planos do senhor para o Projeto Rondon em Sobral e na zona norte do Ceará? VMN: As idéias ficam facilitadas em função da demanda, não só dos universitários, mas também das instituições. Sobral é uma cidade universitária, então, nós podemos usar todas as instituições de ensino superior. Nós temos aqui, em Sobral, quatro: uma universidade federal, uma estadual, e duas faculdades particulares. O que nós estamos pensando é otimizar o que já existe com a UVA e com a UFC, e nos aproximarmos do Inta e da Faculdade Luciano Feijão, com a qual nós já fizemos contato e garantimos o início de uma parceria. Em breve, vou procurar o Inta. Nós já entramos no mês de dezembro, e como sabemos, temos que planejar o trabalho para o primeiro semestre do ano que vem. Nesse ano, 2008, ficamos com a máxima do Confúcio: planejar é, antes de tudo, definir. Nós estamos definindo as ações que pensamos empreender, principalmente quando se trata de parcerias. Ninguém faz absolutamente nada sozinho. Principalmente ações da magnitude do Projeto Rondon, onde muita gente pode sair ganhando. Se dependêssemos exclusivamente do lado do Projeto Rondon, nós poderíamos dizer que teríamos planos para toda a Serra da Ibiapaba, que teríamos planos para atender toda a região norte do Ceará, e também estabelecer intercâmbio com outros estados, como é prática tradicional do Projeto Rondon, e, porque não, com outros países? Ainda temos, mas já está expirando, um convênio com uma instituição do Canadá que prevê um intercâmbio entre universi-

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>>EXPEDIENTE
ASSOCIAÇÃO ESTADUAL DOS RONDONISTAS DO CEARÁ PROJETO RONDON/CE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO José Teodoro Soares Presidente Antônio de Albuquerque Sousa Filho Vice-Presidente Pedro Henrique Chaves Antero Vice-Presidente Marcondes Rosa de Sousa Membro Olga Rubênia da Silva Caminha de Menezes Membro Eurileny Lucas de Almeida Membro CONSELHO FISCAL Domingos Miguel Antônio Gazzineo Presidente Eduardo Girão Santiago Membro Geraldo Lúcio Telles do Carmo Membro COORDENAÇÃO DO PROJETO RONDON/CE Adyr da Silva Sampaio Coordenador no Ceará Valdomiro Marques das Neves Coordenador na Zona Norte do Ceará projetorondonsobral@hotmail.com Tiragem: 300 exemplares Paulo Passos de Oliveira MTb: 19.553 Editor e redator Neil Silveira Editoração eletrônica Apoio:

tários canadenses e brasileiros. Essa parceira está terminando porque essa ONG do Canadá descobriu que há países com mais carência que o Brasil, que nosso País já atingiu um estágio mais elevado, e eles estão saindo para a África. CRN: Dentre os planos do senhor, está prevista a ampliação da atividade do campus Marechal Rondon, em Reriutaba? VMN: Com certeza. Reriutaba foi nosso precursor aqui no Nordeste. Foi um trabalho muito bem feito, exercido em parceria com a UVA. Nessa época, o reitor José Teodoro Soares, que é um rondonista, criou o campus Marechal Rondon, em Reriutaba. A unidade tem alojamentos para universitários, restaurante, laboratórios... Nós vamos, imediatamente, ampliá-la e, quem sabe, levar pessoas de fora para conhecê-la e trazer os reriutabenses para fazerem atividades em outros locais. O campus de Reriutaba foi fundado em 2002. Durante quatro anos funcionou aos sábados pela manhã e à tarde. Na época, chegavam duas Kombis com alunos de sete cursos da UVA, como Zootecnia e Biologia, e mais a Medicina, da Universidade Federal do Ceará (UFC). Os programas oferecidos eram os mais diversos, como o “Cabra Leiteira” – inspirado no “Cabra Nossa de Cada Dia”, idealizado pelo padre João Batista Frota –, que oferecia cabras para famílias carentes. Na época, as atividades eram realizadas dentro do campus e em localidades do município. Desde que tomou posse como presidente da Associação Estadual dos Rondonistas do Ceará, o professor Teodoro Soares tem demonstrado a necessidade de ampliar as atividades. Agora, em 2008, o professor Paulo Passos levou, por três vezes, equipe de alunos para lá. Está em atividade um curso de informática aberto à população. A idéia é aumentar as atividades no campus, como aconteceu com tanto sucesso durante a gestão do professor Teodoro quando estava à frente da UVA. CRN: O senhor foi secretário de Infra-Estrutura e Meio Ambiente em Reriutaba (CE). A

sua relação com a administração pública daquele município, assim como a sua participação na UVA, facilitam esse trânsito do Rondon... VMN: Eu tive uma experiência muito boa nos cinco ou seis meses que passei lá como secretário. Quando fui designado para aquela função, confesso que fui com um pouco de receio devido ao fato de ser uma atividade extremamente política, e com objetivo inclusive político, porque a atividade era ligada a uma ação que objetivasse melhorar a gestão do município e credenciasse o prefeito para um novo mandato. Eu, particularmente – em foro íntimo –, imaginei que talvez não pudesse obter o resultado que, afinal, obtive. Cheguei lá e constatei que o prefeito Osvaldo Lemos – que, afinal, foi reeleito – tinha assumido a Prefeitura três anos antes e passou todo o tempo pagando dívidas do município, herdadas de governos anteriores. Constatei, também, que sua ação foi no sentido de recuperar a credibilidade do poder público municipal. Com o trabalho do atual prefeito, todas as dívidas foram quitadas e todos os funcionários passaram a receber em dia no banco, e não mais no Fórum, por força judicial, como ocorria na gestão anterior. As ações do prefeito foram benéficas. A Lei de Responsabilidade Fiscal, ali, valeu. Reriutaba não tem atividade econômica de maior relevância. Nós perguntamos: como sobrevive? Sobrevive com o Fundo de Participação dos Municípios, com o dinheiro da Educação do Governo Federal, com o dinheiro da Saúde, também do Governo Federal, e fica mais fácil promover desenvolvimento quando as contas estão em dia. Assim, a cidade começa a se desenvolver e a pensar, inclusive, em gerar novas atividades econômicas. Por exemplo, podemos pensar em estender o projeto de irrigação que está em Varjota, cidade vizinha, para Reriutaba. É um local muito bom para nós investirmos e para o próprio rondonista conhecer e propiciar, com ações inovadoras, o desenvolvimento daquele município. O próprio Professor Teodoro, que é filho de Reriutaba e deputado estadual, garantiu total apoio logístico para as atividades rondonistas e qualquer outra ação que vise ampliar o desenvolvimento da região.

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