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ÉTICA

SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 02 2. CONCEITOS: ÉTICA, MORAL, VALORES E VIRTUDES ..................................................... 06 3. ÉTICA APLICADA ............................................................................................................. 18 4. CÓDIGO DE CONDUTA DA ALTA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL ........................................ 29 5. EXERCÍCIOS ..................................................................................................................... 34

Ética

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INTRODUÇÃO
pela sorte do semelhante, assentam-se na perda de valores morais. A insensibilidade no trato com a natureza denota a contaminação da consciência humana pelo vírus da mais cruel insensatez. É paradoxal assistir à proclamação enfática dos direitos humanos, simultânea à intensificação do desrespeito por todos eles. De pouco vale reconhecer a dignidade da pessoa, insculpida como princípio fundamental da República, se a conduta pessoal não consegue pautar se por ela. Somente se vier a ser recomposto o referencial de valores básicos de orientação do comportamento, será viável a formulação de um futuro mais promissor para a humanidade, perplexa diante de um inesgotável incremento das descobertas científicas, a dominar tecnologias mais avançadas mas ainda envolta no drama da incapacidade de superação das angústias primárias. Prometia-se um terceiro milénio de paz, harmonia e ócio saudável. Em lugar disso, o inesperado surge para aturdir. Violência e medo se aliam para trazer desconforto à alma e a sólida sensação de falência da moral. Não foi apenas o 11 de setembro de 2001 a mostrar a vulnerabilidade de todos os esquemas de uma inviável segurança. São Paulo, a unidade mais desenvolvida da Federação, teve o seu dia fatídico em 15 de maio de 2006. Reforçar o aparelho repressivo, construir mais presídios, reduzir a maioridade penal, agravar as penas, tudo isso representa paliativos para os efeitos. Muito mais difícil é combater as causas. Dentre estas, não é menor a insuficiência do papel familiar de transmissão de valores, de formadora da cidadania, de edificação de uma nova elite moral. (A incompetência da educação para incluir a vasta legião daqueles chamados “excluídos” mas que, na verdade, nunca chegaram a ser incluídos na sociedade cidadã, é outro fator de imprescindível enfrentamento.) Permeia todas as análises a carência ética de uma sociedade cada vez mais egoísta, materialista e consumista. Despertá-la para uma responsabilidade individual, cidadã e social é o papel da ÉTICA neste terceiro milénio, que não parece corresponder às expectativas dos otimistas, mas reservar prenúncios nada animadores para a família humana. Ética é a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. É uma ciência, pois tem objeto próprio, leis próprias e método próprio, na singela identificação do caráter científico de um determinado ramo do conhecimento. O objeto da Ética é a moral. A moral é um dos aspectos do comportamento humano. A expressão moral deriva da palavra romana mores, com o sentido de costumes, conjunto de normas adquiridas pelo hábito reiterado de sua prática. Com exatidão maior, o objeto da ética é a moralidade positiva, ou seja, “o conjunto de regras de comportamento e formas de vida através das quais tende o homem a realizar o valor do bem”. A distinção conceituai não elimina o uso corrente das duas expressões como intercambiáveis. A origem etimológica de Ética no vocábulo grego “ethos”, significa “morada”, “lugar onde se habita”. Mas também quer dizer “modo de ser” ou

A ética está em todos os discursos. A propósito de qualquer acontecimento, levantam-se as vozes dos moralistas a invocar a necessidade de reforço ético. Ética, infelizmente, é moeda em curso até para os que não costumam se portar eticamente. Por isso, é compreensível que muitos já não acreditem no termo ética. Trivializou-se o chamado à ética, para servir a qualquer objetivo. Além disso, a utilização excessiva de certas expressões compromete o seu sentido, como se o emprego freqüente implicasse em debilidade semântica. Isso parece ocorrer com os vocábulos JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE, SOLIDARIEDADE, DIREITOS HUMANOS e também com o termo ÉTICA.

A invocação exagerada a tais palavras, nos contextos os mais diversos, conseguiu banalizar seu conteúdo. Situam-se em todos os discursos, ensaios e manifestações. Não há mais fronteiras ideológicas entre elas: todos se valem do prestígio de seu conteúdo. Ante seu pronunciamento, os ouvidos se amparam em certa insensibilidade, pois acredita-se não mais haver necessidade dessa reiteração. Além de cansativa, seria desnecessária. Os conceitos já teriam sido adequadamente assimilados. O núcleo comum a todas essas palavras é sua evidente carga emotiva. São expressões que se impregnam de sentimento. Distanciam-se do sentido racional. Não guardam enunciado singelo. Encerram a complexidade própria às questões ditas filosóficas. Reforçam a convicção “de que o objeto próprio da filosofia é o estudo sistemático das noções confusas. Com efeito, quanto mais uma noção simboliza um valor, quanto mais numerosos são os sentidos conceituais que tentam defini-la, mais confusa ela parece”. Entretanto, nunca foi tão urgente, como hoje se evidencia, reabilitar a ÉTICA. A crise da Humanidade é uma crise de ordem moral. Os descaminhos da criatura humana, refletidos na violência, na exclusão, no egoísmo e na indiferença

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Ética
“caráter”. Esse “modo de ser” é a aquisição de características resultantes da nossa forma de vida. A reiteração de certos hábitos nos faz virtuosos ou viciados. Dessa forma, “o ethos é o caráter impresso na alma por hábito”. Como os hábitos se sucedem, tornam-se por sua vez fonte de novos hábitos. O caráter seria essa segunda natureza que os homens adquirem mediante a reiteração de conduta. Sob essa vertente, “moral” e “ética” significam algo muito semelhante. Por isso a aparente sinonímia das expressões “valor moral” e “valor ético”, “normas morais” e “normas éticas”. Todavia, a conceituação de ética ora adotada autoriza distinguila da moral, pese embora aparente identidade etimológica de significado. Ethos, em grego, e mós, em latim, querem dizer costume. Nesse sentido, a ética seria uma teoria dos costumes. Ou melhor, a ética é a ciência dos costumes. Já a moral não é ciência, senão objeto da ciência. Como ciência, a ética procura extrair dos fatos morais os princípios gerais a eles aplicáveis. “Enquanto conhecimento científico, a ética deve aspirar à racionalidade e objetividade mais completas e, ao mesmo tempo, deve proporcionar conhecimentos sistemáticos, metódicos e, no limite do possível, comprováveis.” Poder-se-ia mesmo indagar: Por que, aliás, ética e não moral? Impõem-se aqui algumas definições, suficientemente abertas e flexíveis, para não congelar, desde o princípio, a análise. A etimologia não poderia nos guiar em nada nesta tarefa: ta êthé (em grego, os costumes) e mores (em latim, hábitos) possuem, com efeito, acepções muito próximas uma da outra: se o termo ‘ética’ é de origem grega e o moral, de origem latina, ambos remetem a conteúdos vizinhos, à ideia de costumes, de hábitos, de modos de agir determinados pelo uso. A distinção mais compreensível entre ambas seria a de que ética reveste conteúdo mais teórico do que a moral. Pretende-se a ética mais direcionada a uma reflexão sobre os fundamentos do que a moral, de sentido mais pragmático. O que designaria a ética seria não apenas uma moral, conjunto de regras próprias de uma cultura, mas uma verdadeira “metamoral”, uma doutrina situada além da moral. Daí a primazia da ética sobre a moral: a ética é desconstrutora e fundadora, enunciadora de princípios ou de fundamentos últimos. A ética é uma disciplina normativa, não por criar normas, mas por descobri-las e elucidá-las. Seu conteúdo mostra às pessoas os valores e princípios que devem nortear sua existência. A Ética aprimora e desenvolve o sentido moral do comportamento e influencia a conduta humana. Aliás, identificar as tarefas da Ética pode clarear o seu conceito. Para Adela Cortina, “entre as tarefas da ética como filosofia moral são essenciais as que seguem: 1) elucidar em que consiste o moral, que não se identifica com os restantes saberes práticos (com o jurídico, o político ou o religioso), ainda esteja estreitamente conectado com eles; 2) tentar fundamentar o moral; ou seja, inquirir as razões para que haja moral ou denunciar que não as há. Distintos modelos filosóficos, valendo-se de métodos específicos, oferecem respostas diversas, que vão desde afirmar a impossibilidade ou inclusive a indesejabilidade de fundamentar racionalmente o moral, até oferecer um fundamento; 3) tentar uma aplicação dos princípios éticos descobertos aos distintos âmbitos da vida cotidiana”. Se a ética é a doutrina do valor do bem e da conduta humana que tem por objetivo realizar esse valor, a nossa ciência “não é, senão uma das formas de atualização ou de experiência de valores ou, por outras palavras, um dos aspectos da Axiologia ou Teoria dos Valores”. Assim, o complexo de normas éticas se alicerça em valores, normalmente designados valores do bom. Há conexão indissolúvel entre o dever e o valioso. Pois à pergunta “o que devemos fazer?” só se poderá responder depois de saber a resposta à indagação “o que é valioso na vida?” Toda norma pressupõe uma valoração e, ao apreciá-la, surge o conceito do bom - correspondente ao valioso - e do mau - no sentido de desvalioso. E norma é regra de conduta que postula dever. Todo juízo normativo é regra de conduta, mas nem toda regra de conduta é uma norma, pois algumas das regras de conduta têm caráter obrigatório, enquanto outras são facultativas. As regras a serem observadas para acessar a internet ou para viabilizar um programa de software, por exemplo, são de ordem prática e exprimem uma necessidade condicionada. Elas se incluem no conceito de regras técnicas, ou seja, preceitos que assinalam meios para a obtenção de finalidades. As regras técnicas contrapõem-se as normas e preceitos cuja observância implica um dever para o destinatário. A noção de norma pode precisar-se com clareza se comparada com a de lei natural, lembra Garcia Máynez. As leis naturais, ou leis físicas, são juízos enunciativos que assinalam relações constantes entre os fenómenos. Sob o enfoque da finalidade, as leis físicas têm fim explicativo e as normas têm fim prático. As normas não pretendem explicar nada, mas provocar um comportamento. As leis físicas, ao contrário, referem-se à ordem da realidade e tratam de torná-la compreensível. O investigador da natureza não faz juízos de valor. Simplesmente se pergunta a que leis obedecem os fenómenos. Ao formulador de normas do comportamento não importa o proceder real da pessoa, senão a explicitação dos princípios a que sua atividade deve estar sujeita. A norma exprime um dever e se dirige a seres capazes de cumpri-la ou de violá-la. Se o indivíduo não pudesse deixar de fazer o que ela prescreve, não seria norma genuína, mas lei natural. De maneira análoga, careceria de sentido declarar que a distância mais curta entre dois pontos deve ser a linha reta, porque isso não é obrigatório, senão necessário e evidente. É da essência da norma a possibilidade de sua violação. Outra diferença pode ser apontada entre a norma e a lei natural ou física. A lei física é suscetível de ser provada pêlos fatos e a norma vale independentemente de sua violação ou observância. A ordem normativa é insuscetível de comprovação empírica. “As normas não valem enquanto são eficazes, senão na medida em que expressam um dever ser.” Aquilo que deve ser pode não haver sido, não ser atualmente nem chegar a ser nunca, mas perdurará como algo obrigatório. Torna-se mais fácil compreender a distinção quando se acena com o ideal da paz perpétua ou da absoluta harmonia entre os homens. É quase certo não se convertam nunca em realidade, mas a aspiração a atingi-las é plenamente justificável, pois tendente a concretizar algo valioso. Não há relação necessária entre validez e eficácia da norma. “A validez dos preceitos reitores da ação humana não está condicionada por sua eficácia, nem pode ser destruída pelo fato de que sejam infringidos. A norma que é violada segue sendo norma, e o imperativo que nos manda ser sinceros conserva sua obrigatoriedade apesar dos mendazes e dos hipócritas. Por isso se diz que as exceções à eficácia de uma norma não são exceções à sua validez.” Já as leis naturais, só se validam se a experiência as não desmente.

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Ou seja. Uma outra diferença entre ambas: a corrente absolutista proclama o conhecimento da norma ética a priori. Uma das missões capitais da ética consiste precisamente em afinar no homem o órgão moral que torna possível tal descobrimento. Por isso é que. A potencialidade de conversão de um ser humano . Cada pessoa sabe que tanto pode observar como deixar de atender aos sinais. Todos têm uma determinada moral e a qualquer pessoa é importante manter preservado o seu moral. entendendo-a como sensação. a humanidade só avança se uma grande maioria se convencer de que o homem pode ser recuperado. se justifica o estudo. fala-se em consciência moral e aceita-se mesmo um tipo de linguagem que pode ser identificada como linguagem moral. a pessoa sabe que precisa se definir e optar. a norma ética tem vigência puramente convencional e é mutável. O empirismo advoga a existência de várias morais e. O desafio é perene e deve trazer ao menos certa angústia ao homem imerso numa sociedade em que o relativismo abrange dimensões inesperadas. lugares. da virtude e do vício. É intuitiva a qualquer pessoa considerada normal.aparentemente vulnerável -. em todos os tempos e 4 . Uma das características da contemporaneidade é conferir ao foro íntimo uma supervalia. mentira.Ética A possibilidade de inobservância. Para serem racionalmente aceitos pêlos destinatários. De acordo com esta. É aquilo que leva as pessoas a enfrentar a vida com um estado de ânimo capaz de enfrentar os revezes da existência. poupado de qualquer estado patológico .a consciência humana . mediante o compromisso íntimo de observá-los na vida individual. Pese embora a multiplicação de maus exemplos. lealdade. é uma hipótese significativa de trabalho. ou sua validade é historicamente condicionada? Existem ao menos duas posições antagónicas: uma absolutista e apriorista e outra relativista e empirista.acompanha a vida dos homens e é captado pela reflexão filosófica em várias dimensões”. Mas torne-se à moral como objeto da ética. Em oportunidades múltiplas da existência. infringência ou indiferença perante a ordem do dever ser. não existem homens para os quais careça de sentido a linguagem moral” . E o grupo tem de atuar no sentido de estimular a boa prática. se descobrem ou se ignoram. como aquilo “que nos faz sentir-nos bem depois e imoral aquilo que nos faz sentir-nos mal depois”. no terreno epistemológico. O absolutismo.ao menos o humano considerado normal pelo senso comum. cada ser humano . a tese subjetivista postula autêntica criação de valores por vontade dos homens. A criatura tende naturalmente para o bem. Sem essa noção. portanto. A moral como matéria-prima desta ciência do comportamento das pessoas em sociedade. do subjetivismo. Hemingway conceituou moral de maneira bem compreensível. mas não existem homens ‘amorais’. Cada qual saberia estabelecer a sua hierarquia valorativa. o bom combate continua válido. propõe a moral universal objetiva. Para o absolutista. um sinal amarelo a determinar precaução e uma luz vermelha com o significado de vedação. a compreensão do que se pretende dizer quando se pronuncia a palavra moral. há sempre possibilidade de sua otimização. Já os relativistas entendem não haver sentido falar-se em valores à margem da subjetividade humana. naturalmente. a crença é a de que todo ser humano . O papel confiado aos cultores da ciência normativa é reforçar essa tendência. não há como prosseguir no estudo da ética. O homem é um ser perfectível. “pode haver homens imorais em relação a determinados códigos vigentes. A relativista acredita seja de ordem empírica. fazendo reduzir o nível de inobservância. Basta atentar para a sua consciência estimativa. além de outros fatores condicionantes da opção concreta em cada oportunidade. para comportar-se eticamente em seu universo. Esse pressuposto adquire relevância extrema numa era em que as criaturas se comportam em desacordo com as normas. de acordo com as circunstâncias pessoais. Estes formulam. à conclusão de que não há criação nem transmutação de valores. moral é a formação do caráter individual. para reconduzi-lo à senda original. a pregação e a vivência ética. à medida do necessário ou do oportuno. E essa é sua vocação espontânea. mais que a moral. tantos e tão desalentadores os maus exemplos. Na filosofia do ser. Integram essa linguagem expressões de uso corrente. Adela Cortina sublinha que “o moral. De acordo com a primeira. À pessoa ética deveria corresponder uma conduta compatível com um núcleo comum de valores consensualmente aceitos e com permanência na história da MORAL ABSOLUTA OU RELATIVA? Moral é expressão que todos conhecem. entre o que é certo ou errado. Sob esse prisma. a validez é atemporal e absoluta.pode tornar-se cada dia melhor. Os preceitos éticos são imperativos. Não se poderia falar do bom e do mau. na filosofia da consciência. não houvesse um critério de estimação e uma instância . em lugar disso. O bem é fruto de criação subjetiva e a norma moral é mero convencionalismo.por integrar a espécie . A intuição moral é tão presente na consciência humana que se pode sustentar carecer de sentido a expressão amoralismo. A figura do semáforo moral é elucidativa. no auxílio àquele que se afastou do trajeto. ou seja. A luta da parcela sensível da humanidade é ampliar esse espaço de trabalho comunitário e por diminuto possa parecer tal espaço.é provido de certa bússola natural que o predispõe a discernir. O bom e o mau não significam algo que valha por si. a dimensão humana pode ser definida como dimensão moral. Para simplificar. precisam estes acreditar derivem de justificativa consistente. Os valores não se criam nem se transformam. Ainda que o índice de espontâneo cumprimento dos ditames éticos não seja o ideal. Como se todas as escolhas se justificassem diante da irrestrita autonomia da vontade. posto se tratar de um fenómeno e não de uma doutrina . senão descobrimento ou ignorância dos mesmos. a escala que lhes servirá de parâmetro na conduta inserta naquele momento histórico e de acordo com o estamento a que pertencerem. infringência ou indiferença humana pelas normas não deve desalentar aqueles que acreditam na sua imprescindibilidade para conferir sentido à existência. Sente-se e identifica-se um sinal verde a indicar passagem livre. mas são palavras cujo conteúdo é condicionado por referenciais de tempo e espaço. A norma de conduta moral provém de um valor objetivo ou decorre de uma fixação arbitrária? Ela é norma válida para todos. Enquanto isso.capaz de intuir o que vale. onde reside o seu sentido de valor. O resultado dessa contraposição de ideias é que a tese objetivista conduz. como justo. Cada pessoa dotada de um mínimo de consciência já se defrontou com esse fenómeno íntimo. Ainda que aparentemente a prática possa demonstrar o contrário.

Os diferentes tipos se interpenetram e podem se apresentar como formas ecléticas. Não há intenção de se excluir qualquer outra classificação adotada por outros pensadores.Ética Matéria humanidade. Seria a porta de retorno ao caos e à barbárie. quando se mostrar necessária a sua recuperação. Ao ANOTAÇÕES ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 5 . ética formal e ética valorativa. se estudar ética. A legitimar-se toda e qualquer ação em nome da liberdade de escolha. Classificar é compartimentar o conhecimento para que ele seja facilmente encontrado nos escaninhos da memória. Por isso a arbitrariedade das classificações. em lugar da lassidão extrema dos achismos. o mais importante é fazer com que o ser humano se conscientize da necessidade de desenvolver uma consciência moral cada vez mais convicta e exigente do que semear erudição. O agrupamento das doutrinas morais sob essas quatro denominações tende a considerar sob uma visão particular do autor o desenvolvimento do pensamento moral. na ortodoxia dos critérios distintivos entre cada classe. Não se deve confiar. Ao se classificar. corresponderá a deslegitimação da normatividade ética e jurídica. ideologias ou correntes de pensamento existentes. Aliás. As subdivisões atendem ainda a uma finalidade pedagógica: o treino da capacidade de memorização e da estratégia de ordenamento das informações. O sentido da separação é tentar facilitar o estudo da Ética. ética de bens. de maneira a tornar mais facilitada a sua localização. também. a advertência serve a qualquer classificação. dentre muitas possíveis. mediante contemplação do aspecto preponderante a ela conferido por certas doutrinas. a pretensão do classificador é delimitar as áreas do conhecimento e sistematizá-la. A classificação presente leva em consideração as quatro formas fundamentais de manifestação do pensamento ético ocidental. adotada nos estudos de Eduardo Garcia Máynez elas recebem o nomWe de: ética empírica. com vistas à sua utilidade futura e permanente. reitere-se. É uma escolha. A CLASSIFICAÇÃO DA ÉTICA A Ciência dos deveres admite tantas classificações quantas as escolas.

portanto. uma vez que seu fim reside na definição das regras gerais da ação. seja por falta de conhecimento ou voluntariedade (como são os atos de um deficiente mental. por esse aspecto. e a Moral Especial ou Social. Observe-se que a Ética é uma ciência prática. ou externa e social. haja vista o remorso ou satisfação que se experimenta por ações livremente realizadas. justificar e manifestar a experiência moral do homem. uma ciência normativa. seu sentido do dever. e não segundo um valor relativo. mas sim por se dirigir à ação. fornecendo-lhe as normas necessárias para o reto agir. de outra maneira. por nossa natureza racional. a consciência. Além disso. Assim. Em primeiro lugar. mediante ela. Sabendo que o homem é social por natureza e dirige-se para seu fim último em união com os outros homens. para então aplicar estes princípios aos diversos campos em que a atividade do homem se realiza e concretiza (Ética Especial). leis civis. como ciência prática. Enquanto a lei física determina o comportamento de um agente puramente natural (lei da gravidade. seja qual for sua espécie. universais e certos. inteligência adverte a bondade ou malícia dos atos livres. por exemplo). devemos conhecer nosso próprio ser. Baseia-se no que efetivamente ocorre na consciência e na sociedade. Assim. regula os atos humanos enquanto humanos. Aristóteles já dizia que não se estuda Ética para saber o que é a virtude. no caso em que as ações realizada pelo homem orientam-no para atingir seu bem absoluto e supremo. ou a Filosofia Moral. e procura chegar ao sentido e explicação última de tal experiência ou ato. mas em sua aplicação na conduta livre do homem. pois nos é dado conhecer nossas inclinações naturais. Ela é especulativa. que são as ações livres em que o homem decide fazer ou omitir. por exemplo). a Sociologia. não o fim último (constituem exemplos todas as regras das artes). no que diz respeito a seu método e objeto. de caráter filosófico. Cabe uma diferença entre os atos humanos. A lei moral. digestão. de acordo com seu valor absoluto. suas tendências e inclinações impressas na razão pelo Criador de toda a natureza e ordenadas para seu fim último. a qual é de domínio das artes essencialmente práticas.” (RODRIGUEZ. MORAL. é possível falar-se de leis físicas. realizados por um fim último. Abarca. de um modo participado. ordena ou orienta os atos humanos. ou agir (moral ou ética). estão a Psicologia. Deles derivam os princípios da Ética. no entanto. a Ética não se detém no conhecimento da verdade em si. no entanto. recorrendo aos princípios universais e certos que a razão humana descobre. ou por que tal ação é boa ou má. ou seja. porém. a Ética segue o método empírico especulativo. entendese que a Ética. A Ética é a parte da filosofia que estuda a moralidade dos atos humanos. desenvolve-se na sociedade e na história. uma vez que a própria experiência moral. A ordem dos preceitos dessa lei pode ser conhe- ÉTICA COMO CIÊNCIA A filosofia prática visa definir o bem do homem. constituindo esta o objeto da moral. e os atos que são ações não livres. técnicas ou morais. valores e ideais do homem. mas para aprender a tornar-se virtuoso e bom. seu conteúdo (Ética Geral). embora não essencialmente prática. 1972) FONTES E MÉTODOS DA ÉTICA Pode-se dizer que a principal fonte da Ética é a realidade humana. circulação do sangue). cumprindo a função de explicar. tomando por ponto de partida a experiência moral. Como fontes secundárias. objeto da ética. Voltada para a retidão moral dos atos humanos. a atividade humana pode ser encarada como um fazer uma obra (filosofia da arte). Puelles traça um diferencial entre a lei natural e a lei civil. Constituindo uma inclinação impressa em sua natureza.Ética 2 DEFINIÇÃO CONCEITOS: ÉTICA. “Ética é a parte da filosofia que estuda a moralidade do agir humano. Como ciência teórico-prática. Assim. a ordem moral da economia e das organizações). denominada por isso lei natural. a Ética passa à categoria de arte. No entanto. as virtudes). A resposta a tais questões conduz a um estudo científico dos atos humanos enquanto bons ou maus. sobre o que é o bem e o mal. porém. no plano da atividade propriamente humana. a lei encontra-se naquele que é regido por ela. bem comum da sociedade. não abrange aí o ato concreto de produção de uma obra. a lei moral. É. mas não em sua aplicação. buscando o bem do homem. VALORES E VIRTUDES moralidade dos atos humanos (o fim último. autoridade e governo. enquanto livres e ordenados a seu fim último. que analisa os princípios básicos da 6 . Sob esse prisma sabe-se que o conhecer não tem sentido em si. seja estudada em dois aspectos: Moral Geral. todo homem conhece em si a existência de tal ordem. NATUREZA DO HOMEM Pode-se chamar lei a tudo que regule um ato ou operação. na qual a razão encontra e conhece os princípios morais. que aplica tais princípios à vida do homem na sociedade (família. interna e individual. em termos dos atos humanos. pode-se dizer que. A lei se encontra no ser que a estabelece e que. a obra a produzir e a ação a realizar. as condições universais da atividade moral. Como a ordem da natureza humana foi disposta por seu Criador. considera os atos humanos enquanto são bons ou maus. De modo natural. quer dizer. pode-se provar a existência da lei natural pela experiência. seria um estudo completamente inútil. seja porque escapem ao domínio direto da vontade (crescimento. a lei técnica ordena um ato humano para um fim restrito. a Ética é uma ciência prática. A Ética contempla a natureza. Cabe sempre a dúvida. a História.

beleza. os atos humanos serão maus. o homem busca. em um afã de auto-justificarse. guardando entre si uma ordem. própria e alheia. CRITÉRIOS DE ETICIDADE Determina-se a moralidade ou eticidade dos atos humanos com base na consideração de seu objeto. porém. não é fruto de simples instinto ou coação de outrem. tanto mais próximo estará de sua realização plena e. Se os fins forem objetivamente maus. os bens que as pessoas almejam? O homem. o homem não poderia fazer esta opção pelo bem ou pelo mal. é importante que o homem tenha o exato conhecimento da escolha dos bens. mas se orienta para o bem. a ação que não se revista de liberdade está destituída de um dos componentes essenciais das ações éticas. para acionar a força de sua vontade no sentido do verdadeiro bem. dirige-se para um fim. se a ação humana não estiver informada pela reta vontade. Para qualificar alguma coisa boa. Se a vontade é a sede do instinto fundamental do homem. uma determinação. a perfeição essencial de sua vida e sua felicidade. Há. o homem necessita aprofundar seus conhecimentos na esfera da lei natural moral. com isso. qualquer cidadão de seu cumprimento. Por aí se vê que. definem a intenção da conduta do homem. o bem conhecido. é possível que ela não chegue a ser entendida. Uma lei civil que contrarie a ordem natural é moralmente ilícita. é uma tendência instintiva. é contrariar a Ética. Dessa relação recíproca entre fins objetivos e subjetivos. a felicidade é procurada por todos os homens. mas o bem do próprio homem. A lei natural orienta a conduta humana para a ordem do amor. Verifica-se. Outros bens concretos são apenas fontes de felicidade para o homem. Dotado. busca a felicidade perfeita. diversos fatores 7 . é possível e conveniente que se analisem as razões que levam a isso. Assim. que o bem está associado à natureza das coisas ou dos seres. fazendo com que os fins subjetivos correspondam aos fins existenciais objetivos. portanto. consciente do que ele é por natureza. seguindo a ordem de tais inclinações. Cardona afirma que não é fácil definir o bem. uma concretização dessa exigência de organizar a sociedade. sua perfeição e os bens necessários a sua própria atuação. Assim. portanto. então. Deduzir a lei natural com base na natureza humana é proceder em conformidade com os mesmos princípios de investigação da realidade e da experiência. pois sua noção é das mais simples e primárias. que abrange toda sua vida. que o homem age no sentido de alcançar determinado fim. no entanto. poder. considera todas as circunstâncias que envolvem a ação. por natureza. é a virtude. A liberdade confere ao homem a capacidade de escolha.Ética cida pelo homem. que outras ciências empregam para estabelecer suas leis. porém é elaborada livremente pelo homem. a ordem objetiva dos fins. A consciência julga a validade moral dessa ação. a verdade e o bem. qual a sua perfeição. é fundamental conhecer o objeto. Por essa razão. iluminada pela verdade. o conhecimento moral sofre forte influência da ordem ou desordem da liberdade do homem. Dessa forma. a debilidade e a malícia. A vontade busca os fins que. De fato. Naturalmente. conclui-se que os fins não podem justificar os meios. em face de suas más ações. Sua conduta. a boa vontade é a que se dirige habitualmente para o bem. Como a tendência à felicidade pode ser satisfeita com diferentes formas de amor que têm por objeto bens específicos em cada caso (pessoa. a ação poderá ser má. às da lei moral. Essa ideia completa-se com a conhecida formulação de Leibniz: a felicidade é para as pessoas o que a perfeição é para os seres. O específico da pessoa humana é agir consciente e livremente por um fim. considerando-se as potências da inteligência e vontade. isto é. apoiada na razão e com vontade livre. É bastante completa a finalidade do agir humano. a ordem do amor. muitas vezes complexas. a reta razão. A atuação humana. Uma vida moral desordenada indica que a vontade decidiu livremente afastar-se do bem. Atribuir à lei civil apenas um caráter político. a realidade perseguida pelo ato. Ao se questionar o motivo de determinada ação ser moralmente má. evitando uma ignorância culpável que o levaria a atuar sem liberdade. A vontade livre adere à ação. considerando-se autor de uma nova norma. para que haja moralidade na conduta humana. de forma que a natureza humana atinja sua plenitude. pois a isso ele está destinado em função da própria lei natural. pode-se resumir em três os fatores que dificultam a adesão da vontade ao bem: a ignorância. representa seu fim último subjetivo. dinheiro. Persistir em uma conduta má dificulta o conhecimento moral concreto. na realidade subjetiva. Com efeito. por isso. de modo consciente e livre. Se não houvesse liberdade. A vontade humana procura o que a razão lhe indica como sendo bom. temos que a primeira tende para a verdade. desvinculado da lei natural. subjetivamente. A boa vontade. que princípios a toma apetecível a todos. Se os aspectos natural e racional da lei moral não forem devidamente conjugados. de acordo com o que sua plena realização exige. ou a reta intenção moral. mais perto de alcançar a felicidade. Quanto mais o homem conseguir atingir essas realidades. a inteligência. É fato da experiência diária. levando a um necessário obscurecimento das verdades que se referem ao fim último das pessoas. Aristóteles resumiu todos os bens essenciais da natureza humana em um: a felicidade. chegando a um embotamento da consciência. Há diversos tipos de fins e uns estão subordinados a outros de acordo com uma hierarquia de valores. fama. ainda que isso constitua apenas um meio para atingir um fim maior. as circunstâncias e a finalidade. o lucro e a formação profissional são meios para alcançar o fim de determinado empreendimento. que lhe confere orientação para o sumo bem. no que tange a seus fins naturais. o homem tende a corromper a própria ciência moral. procura que os fins subjetivos e objetivos coincidam. Nasce daí a obrigação de todo ser humano de esclarecer toda e qualquer dúvida a respeito de aplicações da lei natural em situações concretas. A perfeição não é somente o bem. Por isso. Quais são. Em outras palavras. a lei da natureza humana é o modo de agir da natureza do homem. se for má (antiética). A lei civil é. desobrigando. amado e degustado com plena consciência da sua conveniência para com o fim de sua natureza. O homem será tanto mais livre quanto mais sua escolha aproximar-se de seus fins existenciais. de inteligência e vontade. Essa exigência natural de uma ordem que favoreça a convivência social implica a subordinação da lei civil à lei natural. portanto. diversões). Em termos simples. pois o homem almeja fins múltiplos. ou seja. praticando-a se for boa (ética) ou desprezando-a. A lei civil origina-se na necessidade de organizar a sociedade em que o homem vive. e a última para o bem.

Este se vê obrigado a ser co-criador da lei. Da mesma forma. mas a via ascética. ou “através do qual a liberdade se liberta e transcende o mundo historicamente dado não é a via revolucionária. O que se afirma do direito poder-se-ia dizer também. Consciência é expressão de utilização constante. que a intenção é fundamental para caracterizar a ação ética. extirpou-lhe a característica de relação necessária que deriva da natureza das coisas para ser resposta pontual. O caminho para a verdadeira liberdade. igual entre iguais”. se alguém ajuda seu colega de trabalho sem a intenção de prestar ajuda. que é a posse do bem supremo. organizada racionalmente e eticamente disciplinada: uma comunidade na qual ele terá o conforto de sentir-se valor absoluto. do que realizar uma ação má com boa intenção. Contrapondo-se ao homem do medievo. Se qualquer um desses três elementos for caracterizado como mau. espiritualmente vinculado. a cuja sorte estão indissoluvelmente encadeados. Assim não fosse e o mundo precisaria ser convertido em um enorme Tribunal. A ética poderá conduzir o ser humano à vida solidária que se espera venha a irmanar os ocupantes do mesmo planeta. membro necessário e insubstituível. Toda sociedade depende dos homens que a integram e dos fatores que lhe dão vida e que causam sua atividade. por quê.Ética ou modificações que afetam o ato humano. A finalidade ou fim é a intenção que move o agente a realizar o ato. se o homem se utilizar mal de sua liberdade. O Direito não é panaceia para todos os problemas. efetivamente. o homem moderno se considera espírito livre. conclui-se que devem ser bons o objeto. guardadas as devidas proporções. em que é atribuído um lugar a cada fim existencial concreto. Impregna a consciência. A liberdade é o grande tema da ética moderna. O roubo de dinheiro do caixa da empresa. Por isso é que a sociedade é uma das fontes produtoras do direito. espontâneos e ime- A ÉTICA E A VIDA O LUGAR DA ÉTICA NA VIDA O pensamento fïlosófico-jurídico liberal reserva ao direito uma função reduzida. como. e na ordem social em si. A ética é produzida pela reta razão. as organizações ou instituições são agentes da sociedade que dependem de homens de caráter bem formado. competentes e eficazes. Isso significa. sua plena realização como ser humano. ainda que a ação seja boa. Somente o próprio homem . pois é ser essencialmente livre. ciente da oposição nítida entre o que conhece e o que é conhecido. Exterioriza-se formalmente. sob a forma de lei. embora eficiente e eficaz. o fim e a ordem da vida social. à estrutura igualitária e anti-hierárquica de uma comunidade solidária. Por isso o protagonismo aparentemente excessivo dos operadores do direito. A lei feita de encomenda. pois o embate dos interesses só consegue produzir uma obra inacabada. Isso significa que nenhum valor da vida terá. Poucos conseguiriam. Sua produção moderna. E talvez “o homem do amanhã se sentirá vinculado. O produto do processo legislativo longe está. já que as empresas. Liberdade e vontade valem mais do que lei e limite. do próprio Estado. que o fim não justifica os meios. alimentada por verdadeiro espírito fraterno. onde. antes de refletirem querer externo e soberano. A teoria da sociedade e a Ética Social permitem compreender a natureza. Assim não fora e não lograria se converter em lei. hoje. espelhassem o interesse humano comum com a racionalidade. Ação exemplar. com todas as aspirações em jogo e representadas no Parlamento atual. Relevante enfatizar a distinção entre direito e ética. valor se não vier a ser espiritualmente aceito pelo homem. necessariamente. E homem consciente de suas responsabilidades é o homem ético. reduzindo suas incertezas e colmatando as deficiências. de corresponder à expectativa da comunidade. A consciência psicológica é espontânea. podendo ou não coincidir com o objeto da ação. O critério de moralidade permite definir uma hierarquia de fins. atendendo a um determinado grupo ou a um interesse localizado. Mas esse ideal é inalcançável. configura um ato não ético. Mesmo porque um Estado se compõe de inúmeras comunidades. A única forma possível de se limitar o limite é tornar o homem mais consciente de suas responsabilidades. notadamente o juiz. ação que é suscetível de constituir modelo para os demais.poderá convencer-se disso. inteligentes. é mister pensar na sociedade como tal. no entanto. pela Ética. casuística e contingente a uma questão localizada. O direito será chamado a intervir quando a esfera da autonomia individual vier a falhar. Esta é a razão do estudo da filosofia e da conduta humana. quando. modernamente. Para que um ato seja bom. O cumprimento espontâneo das obrigações deveria ser a regra. muitas vezes se afasta do bem comum. enquanto intuição que o espírito tem de seus estados e de seus atos. e o Estado ideal seria aquele propiciador do máximo de liberdade ao homem. com que meios. Dependendo das circunstâncias. Nem sempre reveste legitimidade. é aquela ditada pela reta consciência. pode-se agravar ou atenuar a moralidade de um ato. Comportar-se eticamente pode ser a receita para evitar que o direito venha a disciplinar todas as condutas e a sancionar 8 . entendendo-se por ascese o exercício e a ação exemplar”. pessoa entre pessoas. quando. embora sempre legal. plurais e antagónicas. feito com a boa intenção de dar o dinheiro para os pobres. e de outro. Este não coincide. bem mais que à autoridade de um Estado soberano que faz cair do alto seus comandos e suas sanções.e ninguém por ele . ainda que com intenção pouco reta. É sempre legítima. apoiada na ordem essencial da própria natureza humana. não padecendo de conflitos de ilegitimidade. A ética pode tornar dispensável a juridicização da vida. heterogéneo em relação àquele nutrido pelas demais. O melhor direito seria o direito mínimo. de um lado. cada uma delas podendo nutrir conceito próprio de ordenamento. as circunstâncias e o fim. livres. É consciência psicológica reflexiva. não está se comportando bem. Para se compreender as inter-relações que se estabelecem entre os indivíduos e os grupos sociais. Uma comunidade assim poderia vir a ser regulada por leis que. que se pratique uma ação boa. Todos os fins orientam-se para o fim último do homem. faz uma análise do objeto do conhecimento. as circunstâncias: quem age. E consciência moral seria “a propriedade do espírito humano de dar juízos normativos. sustentar que a lei é a expressão da vontade geral. provida mesmo de certa ambiguidade. É preferível. o ato também será mau. A satisfação dos interesses humanos deve se basear no uso espontâneo da liberdade e autonomia individual. O direito é monopólio estatal. todas as infrações.

sobretudo. trabalho aos necessitados e. As duas primeiras se complementam. É lição antiga a de que “ao não fazer dos nossos bens o uso que devemos. esse “desejo pelo qual cada um se esforça por conservar seu ser sob o exclusivo ditame da razão”. Dívida a ser paga de muitas formas. Todos devemos à sociedade. pouco significado moral terão as regras positivas. emprego. Todavia. mas será inviável a aferição de sua conformidade com a consciência e elas não revestirão legitimidade. A doação para o pobre não consiste apenas na entrega de bens materiais. mas também a terceira. para se converter em um pobre a mais. algumas características nacionais poderiam sugerir peculiaridades suscetíveis de reflexo na conduta do brasileiro. No empenho concreto para o encaminhamento dos problemas da exclusão. não tanto regulá-las pelo princípio da rentabilidade. com base nitidamente empírica. é coisa sem valor o fato de os homens viverem na Terra”. Sobretudo. Todos são titulares dessa propriedade do espírito de distinguir entre o bem e o mal. temperada pelos trópicos e pela influência da imigração. A ética. O ser humano responsável será incapaz de se não comover com a situação de milhões de semelhantes desprovidos dos bens da vida mais básicos. procurando. sem os quais não existe existência digna. resultante da mescla das três etnias básicas. portanto.) se a justiça desaparece. hoje contados aos milhões. falar-se em ética brasileira. quanto pelo princípio de fazer o bem. recorrendo ao magistério de Kant. mais digno e mais humano.. Há de se contemplar algo de mais objetivo e palpável. a responsabilidade ética para com a miséria deve constituir motivo de desconforto. tem sua aplicação para os ricos que gozam de bens supérfluos e pode com eles exercitar-se. Tudo aquilo que contribua para o bem-estar do necessitado. Graças a ela somos. Não se está a cogitar do caráter nacional. ou do levar vantagem em tudo. fazer retornar à sociedade aquilo que lhe foi oferecido. a sua profundidade verdadeira. Assim não fora e seria uma questão de amor. recusando-se a ceder ao medo e a qualquer coisa outra que não a verdade. uma palavra de apoio para quem dela necessita. procurando minorar suas dificuldades financeiras. que Von Hildebrand chama “estado de vigília moral” e considera pressuposto indispensável da real capacidade de apreender e possuir valores. como argumento de persuasão. Em relação a esses irmãos sem teto. Sem sinalização interior do campo do proibido e do permitido. Toda pessoa normal possui uma consciência moral. muita vez. É Spinoza quem chama de firmeza de alma. “(. O de aprimorar o sistema. Outro nome dessa comoção é sensibilidade moral. É só mediante essa atitude fundamental de maturidade que tudo ganha a sua plena seriedade. Além do subjetivismo da opção. O Estado brasileiro conseguiu. a pessoa há de pautarse por ela. quase sempre ressoa no vácuo da insensibilidade. por ser fruto da liberdade e da consciência. Para isso. dados incontornáveis da realidade brasileira. num país de desvalidos. Somente os anormais não sentem remorso. propriedade ou perspectiva de vida. E o rico tem deveres éticos muito evidentes para com o pobre. Não faz sentido. E temos a obrigação de convertê-la em algo de melhor. um abrigo para o desvalido. com a inversão de suas rendas. o apelo das universidades quando conclamam seus ex-alunos a comparecerem. mas imbuído de verdadeira responsabilidade moral. E. Na participação comunitária. para que a iníqua repartição de rendas não se perpetue. que é fruto de uma vontade exterior e que. ao fazer suas inversões. a beneficência e a magnificência. ser viável a vida sem direito. em grande parte. Nem se fala da ética do jeitinho. O senso de responsabilidade é base indispensável de uma verdadeira vida moral. o sinal indicativo de que se agiu em desconformidade com o bem. aprofundando o fosso que separa os possuidores dos despossuídos.Ética diatos sobre o valor moral de atos individuais determinados”. Pois rico é “aquele que em seus bens tem mais do que necessita para o sustento. Na cobrança de atuação mais efetiva de parte do poder público.. Pode-se sustentar. Santo Tomás já assinalava a existência de três virtudes em ordem a fazer bem ao necessitado: “A esmola. O CAMINHAR ÉTICO Existe uma forma de se aprimorar eticamente? Qual a trilha a seguir se eu quiser crescer eticamente? 9 . posição e decoro próprios e de sua família”. A comunidade jurídica tem outro dever moral. os favorecidos pelo sistema contraíram dívida moral. a intervenção do Estado. E até mesmo através da concessão de auxílio material e donativos. Mostra-se imprescindível reverter a tendência brasileira de o privilegiado se não comover com a situação do miserável. nem de. Quem que possui alguma coisa. em poucas décadas. Poderão ser cumpridas mediante imposição e força. é uma questão de justiça. “A melhor e mais curta definição da virtude é esta: a ordem do amor. mediante correção do ordenamento. com educação universitária. ela poderia sugerir imagem não muito favorável à formulação moral nativa. por isso. Não há homem que não tenha a liberdade de obedecer à sua razão. Mas não haverá vida humana sem ética. que cai admiravelmente aos capitalistas. Assim é como a virtude da magnificência tem verdadeiro valor”. Para alguém privilegiado com uma ocupação remunerada. É legítima. O estado de vigília moral impedirá que as consciências amorteçam e deixem de indignar-se com o embrutecimento do mundo. mas pode se manifestar sob a forma de arrumar um emprego para o necessitado. É só do homem do direito que poderá provir uma contribuição efetiva nesse sentido. pecamos contra a sociedade”. para que o acesso dos excluídos à partilha dos bens da vida seja facilitado. a exclusão social e a iníqua repartição de rendas. Um deles é o dever de repartir seus dons. Uma tendência altruísta pode ser encontrada em alguns outros países. Na formação de uma consciência coletiva direcionada a minorar a injustiça. Possuindo consciência moral. Esse dever de repartir não quer dizer abrir mão daquilo que lhe é necessário. Não o homem apenas tecnicamente preparado. é uma alternativa eticamente superior ao direito.” A ÉTICA E O BRASIL A ética é universal e pertine ao género humano. espontaneamente. pode se considerar rico. dando. Aqui. participando do banquete dos mais reconhecidos bens da vida. pode se incompatibilizar com certas consciências. ampliar a legião dos miseráveis. assim como a miséria. o que somos. teto e automóvel. estimulando o desenvolvimento de sua coragem moral.

O bom não é bom porque seja bom em si. para se concluir que nossa era longe está de consensualizar tais questões. senão porque eu decido que é bom em virtude de minhas próprias razões. basta alguém verificar onde está sendo aplicado o seu tempo. A leitura dos jornais é terreno fértil para se verificar a quantidade de deslizes éticos neste final de milénio. a única instância julgadora dos próprios atos é o indivíduo mesmo. Pode auxiliar o crescimento ético anotar diária ou semanalmente as falhas e as vitórias. deve cuidar de satisfazer os próprios direitos. ouso fornecer algumas linhas para a busca desse crescimento. Esses bens da vida não são somente ideias. há de se percorrer. Como existe uma crise de valores na sociedade. embora com alguns pontos positivos. sou eu quem decide o que é bom e o que é mau. Esta parece a vertente correta. Até aqueles que não se detêm sobre a questão e já se acreditam irrepreensíveis. é o exame de consciência cuja periodicidade ela mesma ditará. O discurso em torno à categoria dos direitos fundamentais não deixa de ser hipócrita. se os valores são elementos justificadores das normas sociais que regulam a vida do grupo. o que lhe dá alegria. a virgindade. Fala-se em valor positivo. O relativismo moral prega a impossibilidade de se estabelecer com segurança e objetividade os conteúdos de uma moral a ser aceita por todos. não se feriu eticamente o semelhante. o indivíduo se arma. o que está bem ou o que está mal. em primeiro lugar. Todos se conduzem de acordo com sua escala de valores. em quase todas as atividades humanas. Ao se enfrentar a chamada crise dos valores. o estudo da ética é necessário. da ampliação excessiva no desenvolvimento da personalidade individual. Não se estima aquilo a que se não conhece. Além de propiciar a discussão. As pessoas aparentemente não se sentem impelidas a lutar por seus valores. Humanidade que atingiu tanto progresso. onde está sendo gasto o seu dinheiro. na linguagem de Ortega y Gasset. Mas não é impossível. há de se indagar se os valores deixaram de existir ou se o que ocorre é o fato social constatável consistente na perda de fé ou de entusiasmo ante eles por parte de grande número de pessoas. É necessário inquirir a esse juiz interior se. Verificar aqueles que foram abandonados por inexata compreensão da realidade ou por egoísmo. que são aquelas que a mim me convencem. a final. Descobrir que a felicidade interior pode ser conseguida quando se busca a felicidade do outro. A falta de ética na política. reconduz ao egoísmo perverso orientador da sociedade contemporânea. essa postura representará real contributo a seu crescimento ético. Ninguém nega. Psicologicamente. em sã consciência. produzir obras úteis ao seu ensino. Poder político. É necessário mergulhar nos estudos desenvolvidos pela humanidade em torno ao tema permanente. a eutanásia. Como diz bem Gregorio Robles. para isso. É um ideal narcisista. Se para algo puder valer. Quase sempre poderá identificar os valores de sua vida nesse exercício. o depósito dos valores. senão por se alcançar dinheiro e poder. Abandonar o egoísmo cruel e exercer a solidariedade. o antimilitarismo. Muita vez. Quando ele for alguém a cuja eleição se contribuiu. 10 . ao depois disso. os valores individuais também podem estar em crise. teria aberto uma senda para a transformação da humanidade. na publicidade. A causa psicológica é a perda do sentido do dever e o consequente fortalecimento do sentido dos direitos. Para que esse debate contínuo com a própria retidão tenha proveito. eles são crenças. quando são desprezados os deveres que. pois crêem numa natural pureza de espírito. Não faz mal transigir em alguma coisa com o utilitarismo de Bentham.” Já a concepção utilitária da felicidade. cumpre adotar atitude prática. a vontade de viver eticamente. não apenas ideias. no desempenho das profissões liberais. com a admiração social obtida por quem possui bens materiais e poder. E sucesso não é um valor cristão. Pois a concepção de êxito “que impera em nossos dias é a do êxito puramente externo. por pequenas possam elas parecer. Cada qual pode adotar a sua própria vereda. para que possa reformular sua conduta. A recuperação dos valores partirá de uma reformulação de vida. nas comunicações. “substituiu-se o êxito do ideal pelo ideal do êxito”. Ou. O essencial é que todo ser humano tenha a sua diretriz ética de perfectibilidade. Procurar pautar-se pêlos valores reais. Regra singela de se atender é a de intransigência com as faltas éticas: próprias. mas que ainda padece de enfermidades notórias no seu processo civilizatório. Sempre que possível. Para identificá-la. em grande parte. cumpridos por todos. Pois a concepção atual de felicidade a identifica com o êxito material. económico ou poder derivado de se titularizar um ideal de beleza ou de sucesso na sociedade de consumo. ornamental. também abrindo espaço para os eventualmente positivos. que se vê apoiado pela presença contínua das individualidades relevantes nos meios de comunicação”. alheias. Redescobrir os próprios valores.formulação boa em se com a concepção economicista da vida. da pessoa individual. fazendo-o reformular seu ponto de vista. Exercício válido é formar hemeroteca de exemplos. assegurariam o mínimo de desfrute dos direitos por parte dos despossuídos. Se alguém descobrisse uma vacina para imunizar a conduta de qualquer falha ética. Pois progresso não se confunde com civilização. uma admoestação ética há de ser endereçada ao agente. Obtém-se destaque na mídia não em virtude de altruísmo. a união civil homossexual. com certa assiduidade. Basta mencionar o aborto. para quem o ideal social era a obtenção da maior felicidade possível. Para o mesmo autor. a causa ideológica da crise dos valores é a exacerbação do relativismo moral e da concepção utilitária da felicidade. o casamento. Por último. o adultério. Pensar mais nos outros. Assim. Os outros só entram em cogitação quando possam auxiliar a consecução dos objetivos individuais. para o maior número de pessoas possível . “Não há instância superior à minha consciência. O sacrifício na intensidade dos valores decorre. A sociedade cobra sucesso. a explicação fornecida para justificar-se poderá satisfazer o crítico. acreditando-se destinado à integral satisfação de suas necessidades e aspirações e. É difícil reverter esse quadro? Sim. A primeira delas. As primícias do género humano se devotaram ao aprendizado ético e puderam.Ética Novamente se reafirme: não há receitas infalíveis. Ela se caracteriza pela falta de homogeneidade moral em relação a certos temas. não em valor negativo. Os valores são bens da vida aos quais emprestamos afeição. nem remédios miraculosos. em cada ato da existência.

espiritual. Cada qual está muito empenhado em seu próprio micro-universo inexpugnável. senão procedimentais. entretanto. voz ou vez. O ser humano moderno está perdendo o sentido de pertencer a uma comunidade e com isso sente-se isolado. aquele espaço físico e temporal em que se desenvolve a sua personalidade. E sem o primeiro deles. para começar e para terminar. neste primeiro sentido. desejosa de projetar. portas cerradas. tenha ele sido conseguido não se sabe como. e ademais. É por isso que o educador.que leva a pais e responsáveis políticos da educação a convencer-se de que mais vale transmitir aos jovens quantas habilidades técnicas sejam capazes de assimilar para poder defender-se na vida e alcançar um nível elevado de bem-estar. da desenfreada busca pelas vantagens e pelos prazeres.” O máximo admissível é a demonstração de que felicidade é um dom. “A natureza humana é tão diversa que se poderia duvidar qualquer generalização sobre a classe de caráter que conduz à felicidade que pudesse ser aplicada a todos os seres humanos. a absorção de códigos rígidos. já que a distinção entre países pobres e ricos não guarda já relação com a riqueza dos recursos naturais. O abandono dos fins últimos para o treino da sobrevivência estaria destinado a prevalecer num Estado-Nação onde os intelectuais ocupam o humilhante último plano na escala dos valores sociais. um consenso sobre um núcleo de critérios morais que representem os valores básicos para uma convivência realmente humana. sem vínculos com o seu próximo. senão com a capacidade tecnológica”. integrada por seres humanos capazes de auto-realização? Mais singelamente. é mais importante vencer na vida ou ser feliz? Quem optar pela segunda versão. Moral é desenvolvimento de capacidades em uma comunidade. como se fossem singelos mandamentos éticos: 1. imunes a qualquer dependência. pois vive-se uma era em que ninguém dispõe de tempo para ouvir. Ingressa em todos os lugares. O passo é o movimento natural do homem. 2. Como se isso não mais condissesse com a realidade presente. pois. proibitivos e castradores. capaz de levá-los a cabo. Educação moral significa. precisa investir na educação moral. Sabe-se apenas que. Não se indaga de onde saem as grandes fortunas. como os modernos.o do progresso técnico e sua crescente complexidade . O triunfo da razão instrumental. Aferir objetivamente a observância desses valores. 5. Nasce-se no seio de uma comunidade que é herança de gerações. Não se está impondo à juventude. isto é. Vontade exercida passo a passo. “o dom da paz interior. Reconhecer a urgência no retorno à vida ética. Alguns bastiões da lucidez continuam a pregar a necessidade de uma conversão moral para salvar o mundo. Moral é busca de felicidade. para ele. um ouvido disponível. O cultivo da auto-estima criará pessoas saudáveis. da conciliação ou reconciliação com tudo e com todos e. Não existe princípios éticos materiais. Vem primeiro o dinheiro e seus detentores. A resistência a esse descalabro. não há. Estudar ética. O dinheiro. Em síntese. com repercussões no campo político. 3. Pautar-se pelos valores reais. tão criticado e tão pouco implementado. calcada em hábitos. Poderá ser pouco para salvar o mundo. Não um pacto a favor do Estado. o seguinte: 1. pois são amoráveis. que Adorno e Horkheimer detectaram. não tem o direito de inculcar como universalizável o seu modo de ser feliz. esta humilde proposta recomenda. imediatamente após seu surgimento. Parece haver crescido o desalento em torno à possibilidade de se insistir numa conduta moral. “a metamorfose da pergunta parece obedecer a um dos signos dos tempos . 11 . Na análise de Adela Cortina. senão um pacto a favor da humanidade. parece ser um fato indiscutível. desagregado. 7. ciosa de seus projetos de auto-realização. de modo que a pessoa se sinta em forma. pois sem ela o género humano sucumbirá à destruição. será sempre bem-recebido. Chegaria a ser cómico falar-se em comportamento moral para uma sociedade imersa em desfrutar.Ética Todos esses procedimentos podem colaborar para o retorno à ética. É preciso um novo pacto: o pacto que nos impulsione à contemplação da humanidade como um todo e nos permita salvarmo-nos juntos. ao menos. os donos passam a ser cultuados na mídia e têm espaço reservado nas relações de figuras carimbadas para as festas dos emergentes. ficção da qual somos elemento concreto. Ao menos para obter um consenso mínimo. e cuja transformação qualitativa depende exclusivamente de sua vontade. se o crescimento moral deixar de ser perseguido como meta. Cabem aqui a exortação e o conselho. a pergunta foi substituída por vale a pena ensinar a virtude? A modificação não é destituída de importância. Hoje a ética se transformou em uma necessidade radical. como indivíduos. Mas estará salvo o seu mundo. aceno poético do constituinte de 1988. modelos e virtudes. onde problema alheio não tem acesso. Educação moral que precisaria recordar. Tempos melancólicos de predomínio do egoísmo. Revisão da escala de valores. Consequência do asserto anterior. Não transigir com os deslizes éticos. conosco mesmos 3. Dinheiro conseguido sob qualquer forma. É hora de trocar o princípio do prazer pelo princípio da responsabilidade. 6. Exame de consciência. o diálogo e a troca de experiências. respeitam-se e por isso têm condições de amar aos outros. 4. não se inicia a caminhada. A ruptura desse ethos é mortal para a vivência sadia de qualquer pessoa. ajudar a modelar o caráter. Não haverá sociedade democrática. o universo das sensações. ao treinar o educando para ser feliz. pode valer a pena. VALE A PENA SER VIRTUOSO? Era comum a quem se propusesse a estudar ética indagar-se: a virtude pode ser ensinada! Ou. Gostam de si mesmas. 2. até o exaurimento. que precisa ser alegre e continuar a colorir o mundo. Tenha-se presente que não existe um padrão universal de felicidade. Moral é capacidade para enfrentar a vida frente à desmoralização. em outras palavras. consciente de que para isso necessita contar com outros igualmente estimáveis. principalmente. pode ensinar-se o comportamento moral? Sinal dos tempos. Cumpre indagar: quer-se uma geração de profissionais providos de destreza e prontos a ganhar a vida ou pretende-se edificar uma comunidade solidária. Todos somos responsáveis pêlos descaminhos da sociedade. capazes de relacionamentos fecundos. o ombro amigo e.

A moral individualista pouco tem a oferecer. a exclusão. “Estes espaços de convivência solidária podem implodir a lógica do sistema como um todo. a mostrar que esse mal continua a sugar recursos imprescindíveis à redenção dos mais pobres. constata-se quão deficitária é a responsabilidade ética. Se forem milhões deles. carecendo de trabalho voluntário. Impregnando-se de responsabilidade solidária.seja ele violência. fazendo crescer a fome. Mas só isso não basta. Um pássaro apenas talvez seja impotente. A moral em voga até o momento produziu esse quadro triste com o qual se tem de conviver: o salve-se quem puder. Milhares de novas ONGs estão disponíveis.há sinais de que nem tudo ainda está perdido. liberdade para amar. Pode parecer absurdo acreditar que milhares de movimentos sociais pulverizados pelo mundo todo possam construir uma nova sociedade baseada numa ética da responsabilidade solidária. a insensibilidade e a banalização da violência e da vida. produz progressos técnicos que geram injustiças sociais e aplicações cínicas de normas e princípios que pioram ainda mais a situação dos pobres e dos mais fracos”. Os enfermos precisam contar com assistência. A ação decorre da opção consciente por um princípio. notadamente os sociais em defesa dos mais fracos: direitos humanos. Tem o direito de sonhar com o futuro. ocupação garantidora de subsistência. guardada em seu bico. na companhia dos filhos e netos e. de milénio. Nós nos humanizamos quando humanizamos o mundo”. A solidariedade mostra-se essencial neste milénio em que se vislumbram sinais de esperança. Cada pessoa consciente precisa se imbuir da certeza de poder transformar o mundo. sentir-se irmanado com ele e importar-se pelo destino alheio. O que não se justifica é a continuidade dos desvios. Sem princípio não haverá ação. as gerações futuras e a natureza. Quem sabe os nossos netos ficarão chocados POR UMA ÉTICA DE SOLIDARIEDADE PLANETÁRIA Torna-se ao ponto de partida. Se nenhuma delas atender aos objetivos idealizados. Após dedicar-se à leitura destas reflexões éticas. Abandonando-se a postura egoística. Ser solidário significa se colocar no lugar do outro. o cada um por si. pois a solidariedade implica ação coletiva exprimindo-se em movimentos de toda ordem. Há um padrão ético para os civilizados e outro padrão ético para os emergentes. Multiplicam-se as organizações não governamentais e 2001 foi escolhido como o ano do voluntariado. as mulheres. procure sanar o mal do mundo . com uma velhice hígida e digna. os pobres. tarefa das mais fáceis formar uma nova. espaço saudável de convívio. mesmo sabendo que seus filhos ainda não chegaram.Ética Reitere-se. diante da criminosa destruição da natureza. Também era absurda para os gregos antigos a ideia de uma sociedade sem escravos. ainda que imbuída de certa ética. despossuído. Tais movimentos “atendem não só a uma exigência de pôr em prática nossa indignação ética. Os incêndios nas florestas e à margem das rodovias são apenas o começo. mas uma ética individual. a caminhada será exitosa. continuando a emitir gases que vão comprometer . Evidencia que países mais desenvolvidos e providos de doutrina ética pretensamente consolidada e inserida em seus códigos de conduta atenuam os seus pruridos quando negociam com países de desenvolvimento heterogéneo. mas também a uma necessidade existencial do ser humano de construção do seu ser. combate à fome e à violência. ao menos uma preocupação de. divertir-se. angustiado e necessitado de cuidados. daqueles que são as maiores vítimas dos processos sociais de exclusão. Cada qual precisa se colocar no lugar do outro. Os pais têm o direito de dormir tranquilos. mas recrudesceu. já não haverá muito o que defender dentro de reduzido lapso temporal. Os infortúnios precisam ser compensados com assistência efetiva. instância privilegiada de reflexão conjunta. lugar e espaço para se desenvolver. Enquanto houver quem defenda uma árvore. adquirir-se-á a certeza de que é possível construir um mundo melhor do que este. Cada um está sendo chamado a salvar o mundo. os efeitos serão outros. um reforço no protagonismo individual e gregário. as minorias étnicas. Continuam os rankings de corrupção elaborados por organizações não governamentais em vários países. de século e 12 . enfermidade. poder-se-á caminhar para a ética de responsabilidade solidária. na convicção de que ninguém pode alterar o rumo natural das coisas. A discussão ética não foi interrompida. No momento em que a mais poderosa nação no mundo se recusa a cumprir o Protocolo de Kyoto. assim como os abandonados e os desvalidos. se condoa de uma criança. é bastante ilustrativa. A continuar o festival de insanidades perpetradas contra o ambiente. cada qual se apoiando no companheiro. quando bem administrados. da corrupção e da má utilização do Erário. Ela só defende o interesse pessoal e. dos filhos dos netos. se a Providência permitir. “articulada com a moral essencialista das instituições modernas. o deboche e o acinte. Há recursos para todos. a violência. cada qual poderá imbuir-se de alguns princípios éticos. A estória do beija-flor que pretendia apagar o incêndio da floresta mediante água que traria em contínuas viagens. as certezas.e mais rapidamente do que se pensa . Chamas simbólicas queimam os valores. quando bens da vida essenciais ainda não foram assegurados a todos os ocupantes deste solo. Impõe-se. transitar por ruas e praças sem receio de sequestros relâmpagos e de ser vítima da violência. Não se justifica é o gasto excessivo com propaganda. O trabalho voluntário só pode ser alimentado por um denso núcleo de consciência ética. ecologia. Milhares de brasileiros já sentiram esse chamamento. que também é vítima da ação humana. A juventude precisa ter esperança de contar com educação de qualidade. É necessário atuar em grupo.o futuro da Humanidade. um animal em extinção. não há receitas prontas nem modelos definitivos para inculcar no ser humano um compromisso ético. minorias. se tiver vontade e força. literalmente. Juntos. É dever do Estado e este haverá de ser fiscalizado e cobrado. O mundo hoje está imerso num incêndio. o descrédito. além de viver sem prejudicar o semelhante. Sós. talvez poucos possam os bem intencionados. sobretudo do outro excluído. preconceito ou indiferença . portanto. Um grande status de indignidade com o qual se convive. E ética solidária. O ser humano tem uma destinação mais nobre do que aquela que está se desenhando neste início de década. Chamas reais estão prestes a surgir. praticamente ausente na consciência dos poderosos.

” O espaço inicial é o da própria casa. de onde se pode acessar -por infovia . Se as coisas estão assim. A blindagem de carros. cobrando. a escola. no verdadeiro sentido da palavra. As cidades vão se transformando em massas cinzentas de população excluída. Uma globalização moral ou a edificação de uma ética planetária. assim como já se sacrificou toda a Mata Atlântica. porque já não se reconheciam mais. Quem pretender examinar esses dez pontos e circunscrevêlos apenas à realidade brasileira constatará que este belíssimo Brasil possui uma das mais iníquas distribuições de renda em todo o mundo. A conurbação vai criando uma subumanidade enferma. “5. a garotada a limpar os pára-brisas. A trivialização das chacinas. a raiz de todos os males . o clube. O monopólio ocidental do sistema informativo-comunicativo e a homologação das culturas sob a liberalidade absoluta do Ocidente. A crise ecológica. A crise demográfica. o subdesenvolvimento.Ética ao saberem que houve um tempo em que crianças morriam de fome. A Terra é um planeta frágil e já está extenuada de emitir sinais de exaustão. A invasão e os efeitos perturbadores de uma ordem económica mundial que. se é difícil compelir o detentor de poder a fazer o bem. Os pobres estão abaixo da linha da dignidade humana. atinge a humanidade toda. a cifra negra da criminalidade. rumo a uma ética de solidariedade planetária. a incerteza de se voltar para casa. Parecemos surdos aos seus pedidos de socorro. a corrupção. “Aquilo que nos tinha enchido de horror há dez anos foi: o fato de que o próprio homem pudesse ser um encarregado de um campo de extermínio e um bom pai de família. O medo. é relativamente fácil impedi-lo de fazer o mal. que esses dois fragmentos não se obstaculizassem mutuamente. sem garantia alguma de preservar a vida e o património de seus moradores. regional. A periferia é um outro mundo. os problemas do mundo só se tornaram mais sérios e mais urgentes. seria chamada de civilização destruidora. as manifestações e os libelos contra atuação lesiva ao interesse coletivo resultam em retrocesso nas medidas temerárias ou em reexame daquilo que. produz para todos os outros a fome. As instâncias de poder são confiadas à criminalidade. tornam-se cada vez mais providos de bens e de poder. Essa atroz inocência da atrocidade não é mais um caso à parte. o trabalho. transformada em fortaleza e. quase ausente na prática. “2. O recurso à guerra como resolução das controvérsias internacionais. A nossa. consideradas limpeza de marginais. adequar a capacidade e a elasticidade da nossa imaginação e do nosso sentir às dimensões dos nossos produtos e à imprevisível desmedida daquilo que podemos perpetrar. e também a tradução irresponsável do princípio de autodeterminação dos povos. passaria in albis e se converteria em ato irreversível. O meio ambiente vem sendo continuamente lesado. consiste no desenvolvimento da fantasia moral. “4. presente no discurso. “10. nos dias de hoje.se houver um amanhã . somos os sucessores desses esquizofrênicos. Alguns segmentos são ainda mais sacrificados do que os outros. mais 13 . desvalida e infeliz. Solidariedade é um tema retórico. os maus-tratos. todos. “7. isto é. a degradação do trabalho. Os ricos. sugerindo. As feridas mais dilacerantes da contemporaneidade podem ser recapituladas no quadro seguinte articulado em dez pontos: “1. o flagelo da droga. “9. com a crescente desproporção entre a população e os recursos disponíveis. o desemprego. “3. A dificuldade de endereçar as dinâmicas e os êxitos das pesquisas científicas e tecnológicas ao bem comum da humanidade”. para assegurar a opulência a uma parte minoritária da humanidade. não fosse a reação adversa da comunidade.se aliam para destruir o que resta daquela exuberante reserva transformada em deserto em apenas quinhentos anos. Desde então. as filas para pedir emprego.de uma cegueira moral ou de uma irresponsabilidade ética que pode ser um crime omissivo. Nós. Tudo o que acontece a um ser humano.qualquer autoridade local. “8. mesmo assim. das discriminações de casta e de sexo. “6. A ignorância e a cupidez . com intoleráveis danos à biosfera e às condições de sobrevivência das diversas formas de vida sobre a terra. com a total ausência do Estado.” A advertência de Günther Anders é atual. É urgentíssima a rápida maturação ética da consciência coletiva. alcançassem uma dimensão planetária. A existência de regimes ditatoriais e o repetir-se da violação dos direitos humanos em muitos países. Minorias enfrentam preconceitos e discriminações. quando não atendidos. acaba-se com a Floresta Amazônica. A tortura. está provado. Enquanto isso. O clima de guerra civil já existe nas grandes cidades. Até que tais círculos. estadual ou federal. a impunidade. implorando uma esmola e servindo-se de qualquer instrumento para ameaçar os transeuntes. A crise das relações inter-humanas de solidariedade e a exclusão de faixas inteiras da sociedade. os esmoleres a cada esquina. ampliados. para conseguir uma senha de atendimento pelo sistema único de saúde. na tentativa de vencer o desnível. Esse panorama é quase ignorado pela grande mídia. o dever moral determinante. Os protestos. Reflete o estado permanente de dissociação e de irresponsabilidade dos homens de nossa época. o grupo de amigos. elogiando ou recriminando. Espaço muito curto para caracterizar uma civilização. Esta seria uma reviravolta ética global. Está provado que. “a margem de tempo para uma mudança de caminho mostra-se sempre mais exígua. O aguçar-se das tensões étnicas e religiosas. Sob a falácia do progresso e do desenvolvimento. se não queremos que tudo seja perdido.esta. A expansão das organizações criminais transnacionais e do mercado mundial das drogas. Os seres humanos lúcidos não estão ainda convencidos de que podem vir a ser acusados amanhã . O crescimento da segurança privada. Depois da casa. embora emitida em meados do século passado.

como já o reconheceu Mestre Reale: “Deveríamos. a consciência incerta e frágil dos mais jovens e aquela que não é estruturada por claras orientações de valor. à primeira vista. espacial e temporalmente localizado. juízos estimativos. o valor de uma ação depende da relação da conduta com o princípio do dever. sentido de responsabilidade.” É nossa consciência que nos adverte da existência dos valores. Todos os demais direitos são bens da vida. d) quanto menos fundamentado se acha por outros valores. Na esfera prática têm essa forma de existência os atos humanos. e) quanto menos relativa seja sua percepção sentimental à posição de seu depositário”. Quase não há espaço para divulgar valores. Assim. Entre os critérios determinativos dessa escala. Inimaginável repartir-se uma tela em múltiplas peças. porque valem. d) valores religiosos. sobretudo. O perigo é concluir que só existe o que é real. O seu ‘ser é o Valer’.que é epistemológico daquele da existência do valor . no final. e há valores puros. A noção de valor passa a ser o conceito ético essencial. ainda quando seu valor não seja conhecido nem apreciado. pois implica em nadar contra a correnteza do consumismo. diríamos com Lotze que do valor se pode dizer apenas que vale. O ser real se encontra. Já os valores não integram a ordem da realidade. “A filosofia valorativa separa cuidadosamente o problema da intuição dos valores . devem ser. consciência da culpa etc”. Em regra. o valor moral não se baseia na ideia de dever. Assim. Para Kant. b) valores vitais. VALORES. Os valores submetem-se a uma hierarquia. a tese da idealidade tem alicerces consistentes. distinguindo-os em: a) valores do agradável e do desagradável. por isso. Ou vemos as coisas enquanto elas são. senão por ela descobertos. é o bem por excelência. este risco ameaça. Pois o que é valioso vale por si. Na realidade. Isso explica a simpatia ou antipatia natural diante de uma pessoa ou a emoção perante uma obra de arte. nem simples da sociedade contemporânea. ter começado por uma definição do que seja valor. Max Scheler esboçou uma classificação dos valores sob enfoque hierárquico. Mas não foram criados por ela. E valor não arbitrariamente convencionado. intuídos. as variadíssimas manifestações do agir: intenções. mais precisamente. Pertencem ao primeiro todas as coisas e sucessos que ocupam lugar no espaço ou no tempo. A sociedade do entretenimento. Ignorar ou subverter essa hierarquia é fonte de problemas nem pequenos. nesta fundamentados e. o ideal não teria existência. Um protagonismo verdadeiramente heróico. portanto. A satisfação coincide com a vivência de cumprimento. inferiores à própria vida. vive da imagem e da aparência. c) valores espirituais. não com o estado de prazer gerado pela posse do valor. ou. Só deve ser aquilo que é valioso e tudo o que é valioso deve ser. temos que dizer que o Valor é o que vale.Ética interessada em divulgar o exótico. entre os direitos fundamentais. 14 . A EXISTÊNCIA DO VALOR As grandes questões da axiologia clássica podem ser resumidas a quatro e são elas que merecerão agora ligeiro exame. E a escala de relatividade dos valores auxilia a aferir o grau de superioridade dele. como os valores morais. que têm caráter absoluto. para que cada destinatário detenha uma parcela de seu valor originário. Isso é pensamento ingênuo. o clima emocional produzido pêlos esportes. a sensualidade. duas posições primordiais do espírito perante a realidade. A durabilidade do valor tem a ideia de permanência. há impossibilidade de defini-lo segundo as exigências lógico-formais de género próximo e de diferença específica. feição nova da sociedade do espetáculo. VIRTUDES. decisões voluntárias. suscetível de ser intelectualmente concebido. o correto e o bem. Por sua mesma índole. Não existe terceira posição equivalente”. mas a hierarquia é objetiva. ou as vemos enquanto valem. a vida. Não que possam ser eleitos. indica Scheler os seguintes: “Um valor é tanto mais alto: a) quanto mais duradouro é. não o contrário. É longeva a distinção entre o mundo da matéria e a ordem do ideal. ou mantê-la rumo ao desaparecimento da espécie. Quando se afirma: o todo é maior do que a parte. pode ser objeto de um conhecimento sensível. o postulado continua válido e existente. legítimo que fosse o propósito de uma definição rigorosa. a consciência exposta à mensagem televisiva corre o risco de dar consistência de realidade à ficção do espetáculo e. A obra de arte é indivisível. Assim. como também o seria confundir-se idealidade com subjetivismo. Existem os valores? Eles existem e isso é facilmente constatável por qualquer pensante. A criação de uma consciência ética sensível e desperta para as exigências da contemporaneidade é a alternativa ao caos que adviria da preservação do quadro atual. os valores da vida que são relativos aos seres viventes. “A filosofia atual reconhece dois tipos de existência: o ser real e o ser ideal. Podem ser meramente sentidos ou O CONHECIMENTO DOS VALORES Os valores constituem condição de existência dos bens. pode confundi-lo. Depende de cada um inverter o sentido da trajetória. Quase impossível conceituar-se o valor. o imperativo categórico. Não se vinculam a qualquer forma de exteriorização. Existem bens porque existem valores. Por que isto? Porque ser e valer são duas categorias fundamentais. Não teria sentido o amante declarar que ama agora ou durante certo tempo. Nesse sentido. Só pode ser descoberto o que já existe. Da mesma forma que dizemos que ‘ser é o que é’. propósitos. Há valores vinculados ao agradável. e. mas dá-se o inverso: todo dever encontra fundamento em um valor. não relativo. porém. c) quanto mais profunda é a satisfação ligada à intuição do mesmo. Entre os valores também surge a possibilidade de relações de fundamentação. situam-se como ideais. DEVERES E POSTURA PROFISSIONAL A ÉTICA DOS VALORES A classificação Ética dos Valores poderia representar uma aparente inversão da tese kantiana. Ideal não é só aquilo que é objeto da representação. b) quanto menos participa da extensão e da divisibilidade. não se pode visualizar ou submeter ao tato. O valor é mais elevado quanto menor a necessidade de dividi-lo com outrem. independentemente de alguém imaginá-lo ou pensar assim. Os valores integram a esfera supra-sensível do mundo imaterial que. do narcisismo e da insensibilidade. Para a filosofia valorativa.que é ontológico. Na ordem lógica e matemática. Diante dela. O valor fundamentado em outro é sempre inferior ao fundamentante. Todos são chamados a esse protagonismo.

Esse experimento pressupõe uma escala estimativa. o dever ser hartmanniano tem os seguintes elementos: a) a existência de um valor. chamado causa. a segunda. o sentimento de responsabilidade e a consciência da culpa. É uma noção kantiana suprema e. enquanto valem. Essa pauta é apriorística e. Hartmann dá a esse fato o nome de estreiteza do sentido do valor. nem sempre o reconhecimento de valor será indiscutível. observou Hartmann. A missão do pedagogo e do moralista é desenvolver a sensibilidade para o conhecimento daquilo que é eticamente relevante. mesmo a cegueira valorativa ou a miopia moral. Caridade. como o entender . devo converter tal acatamento em finalidade de minha conduta. ou porque são bons. Neste sentido. a grandeza de nossa linhagem. 2. embora se afirme baseada na imitação. b) o dever ser ideal do mesmo. O nexo causal é a relação entre dois fenómenos. não apenas em relação aos indivíduos. de atribuição de uma determinada importância ao objeto a ser avaliado. determina o juízo moral. Como administrador dos valores no mundo. ou na índole intuitiva e emocional do conhecimento. Mas há sempre a possibilidade de novas realizações valorativas. Mais ainda. portanto. nem sempre pode fazê-lo de forma nítida. determina de forma necessária a produção do outro. A realização dos valores se consuma através de um processo de dupla etapa: a determinação primária e a determinação secundária. O valor. predestinada a servir de luzeiro ou de balizas morais para os contemporâneos e para a posteridade. E poderá negar o valor dessas coisas geralmente julgadas valiosas. c) a atualização de tal dever (dever ser atual). Ela sinaliza o sentido primário do valioso. É a consciência estimativa que dá o testemunho da atualidade dos valores. os valores compatíveis com essa pauta prévia. de um juízo. pela sua sensibilidade se revelam permeáveis à luminosidade dos valores. Recorda Ortega y Gasset que “o estimar é uma função psíquica real . Esta a etapa inserta no fluxo do futuro. não é porque eles não existam. inábeis para a construção lógica ou para a argumentação dialética. úteis. Para eles. ou um niilista. Um cético. É por isso que existem sábios cegos para os padrões axiológicos e ignorantes sensíveis à autêntica valoração. indefinível. Já Scheler e Hartmann invertem a proposição: o valor moral não se funda no dever. Carecessem de valor e não deveriam ser. para o homem. Mas os valores são princípios da esfera ética atual. nobres ou belas. Ela propiciará identificar. Tal estreiteza. predomina em consideradas altas esferas. se o que se postula como devido não fosse valioso. justiça. Pois para quem se situe a um nível alheado de todo e qualquer dogmatismo. A história tem sido pródiga em exemplos de cegueira valorativa. Nem mesmo quando se trata de coisas por quase todos julgadas “valiosas”. Quando os intui. não apenas princípios da esfera ética ideal. o homem adquire uma significação demiúrgica. E o dever impõe uma conduta teleológica. mas ocorre o inverso: todo dever pressupõe a existência dos valores. os valores não existem senão para sujeitos dotados de capacidade estimativa. o justo do injusto”. Mas é viável o crescimento nessa arte. a verdadeira elite. Todo valor ético deriva da subordinação da vontade ao imperativo categórico. a deliberação da vontade. São forças determinantes da conduta humana num sentido criador.em que os valores se nos fazem patentes. Se quero acatar uma norma. De conferir valor ao que não tem e de negar valor ao valioso. incontrovertível. Nenhuma pessoa é capaz de intuir todos os valores. Alguém se propõe a realizar determinada finalidade. o pensador é poeta Paulo Bomfim tem uma expressão adequada para essas pessoas privilegiadas: chama-as de elite espiritual. segundo Hartmann. A intuição dos valores não é completa. 3. A existência dessas primícias do género humano compensam a indigência moral que em aparência. agradáveis. As variações da intuição estimativa em desvio moral não alteram o valor. A primeira é a intuição. mas característica a toda uma sociedade ou a toda uma época. pode falar-se de certa subjetividade no valor. Na verdade. do mesmo modo que a igualdade e a diferença só existem para seres capazes de comparar. ou porque a sua sensibilidade distingue. com nitidez. convertendo-se deste modo em coparticipe da grande obra de Deus”. É a projeção interior de seu atuar futuro. dinheiro e glória em relação aos semelhantes que não chegaram a ser incluídos no fantástico mundo do consumo caracteriza uma vida ética ou uma inadmissível estreiteza moral. Por negar também valor à respectiva finalidade”. Aqui 15 . nem completamente desvalioso. Se não atenta para outros. Mas como pode o homem realizar o valioso? Realizar o valioso consiste. e só neste sentido. Realização. É verdade que o nexo teleológico é mais complexo do que o nexo causal. de que se conhece tão pouco. “A possibilidade que o homem tem de converter as urgências do ideal em forças modeladoras do existente condiciona. A realização dos fins pressupõe a seleção e emprego de procedimentos a eles conducentes: os meios. mas não cria o horizonte. A consciência de cada homem e de cada época descobre sob essa luz alguns valores. portanto. a problemática axiológica pode oferecer perplexidade. más. o primeiro dos quais. explica a existência de “homens que. Adquire especial relevo na doutrina da realização de valores a noção do dever ser. num dever. nas coisas ou atos. os valores são princípios da esfera ética real. O cone de luz ilumina. à espera da descoberta.Ética todo ser humano tem a experiência de conferir a determinadas coisas ou ações valoração que as qualifica como boas. depende de uma estimativa. Já o nexo teleológico admite três momentos: 1. A insensibilidade dos que amealham poder. d) a existência de um ser capaz de realizar o valioso ao mundo real não é em si plenamente valioso. Nele se realizam múltiplos valores e outros quedam irrealizados. Porque se sentem atraídos para o que é belo e são capazes de captar os reflexos de uma beleza imperecível. E vice-versa. É elucidativa a ideia de Garcia Máynez do cone de luz projetado no horizonte. chamado efeito. mesmo ignorantes. porque indispensáveis à conservação da vida. não se mostram capazes de destruir a doutrina da objetividade dos valores. não haveria sentido dizer que algo deve ser. perguntará por que razão será benéfico conservar a vida. temperança e outras virtudes devem ser. Na ordem moral essa relação é bastante peculiar a ser em si dos valores subsiste mesmo se não forem realizados. nem perfeita. que permanece íntegro. ela existe em toda sã consciência. A REALIZAÇÃO DOS VALORES O ideal coincide ou não com o real.como o enxergar. Eleição dos meios. Não se subestime a capacidade humana de se enganar. A intuição. Postulação do fim.

Aquele é capaz de decidir. Isto é o que expressa o velho aforismo: à natureza não se domina. “Se o homem é capaz de propor-se um alvo e alcançá-lo. A liberdade jurídica é mais um âmbito espacial de atividade exterior. É consequência da ação. Esta determinação lhe permite eleger finalidades. ou de ser refutada. o mal. e alunos precisam de livros. A experiência da liberdade já foi provada por qualquer pessoa higidamente equilibrada. Pois numa concepção de ordem ética. tarefa insuficiente. totalmente fechado à intervenção de determinações heterogéneas e mais complexas. que os latinos traduziram por virtus). Esta é mero atributo da decisão. insuscetível de ser demonstrada. acha-se casualmente determinado por suas tendências. Quem ainda não experimentou a possibilidade de optar entre ir e ficar. É uma questão metafísica. dizia Kant. diz Hartmann. Em favor da existência de uma vontade livre. é portador de outra determinação. Se o homem se submete às leis que de sua razão promanam. ou que pode agir. Esta é faculdade puramente normativa. o caminho que daí nos separa. mas sem dúvida menos numerosas. optar por meios e colocá-los em ação para chegar àquelas. a conduta humana tem significado moral pleno. isso se deve a que o acontecer causal não se orienta de maneira inexorável até uma meta estabelecida de antemão. ou viver. Assim a virtude de uma planta ou de um remédio. julgadora. somente se poderia adotar o ceticismo ético e a negação da moralidade. senão obedecendo-a. É fato real da vida ética. que excedem todos os livros. ou ser. Se a liberdade existe. mas poder 16 . a liberdade é a ausência de obstáculos postos a quem se proponha a praticar o bem. para cada um de nós. talvez: tentar compreender o que deveríamos fazer.” Nem se confunda livre-arbítrio com liberdade de ação. é evidente sua liberdade. de excelências. Só pode ser discutida. entre dizer e calar-se? Apenas a anomalia mental priva a pessoa de qualquer possibilidade de escolha. Aparece de súbito. em que tudo fosse fortuito e contingente. que a lei limita e protege. Ora. para que um tratado das virtudes? Para isto. que é querer e agir humanamente. que livro é mais urgente. A LIBERDADE MORAL Liberdade é um desses verbetes surrados pelo uso. Se não existe. Mas há outro indício de que existe liberdade moral: a existência da responsabilidade. mas necessária. E o homem não experimenta essa irrupção como algo estranho. negativa. respeito ao semelhante. Há um aspecto falho: a vontade pode dar a si mesma suas normas. a rigor. Já a liberdade moral é atributo real da vontade. é por isso que eles às vezes escrevem livros. Isso conduz às aporias da liberdade moral. o pecado. Numa existência sem leis. Para que sempre acusar. A liberdade moral não se confunde com a liberdade jurídica. existe a consciência da autodeterminação. examinadas por Hartmann. ele só existe na pluralidade irredutível das boas ações. afetos e inclinações. Para desviá-lo só faz falta o conhecimento das relações entre os fenómenos. na moral. Tarefa modesta. É verdade que da consciência da autodeterminação não se infere a autodeterminação da consciência. A culpa. A liberdade humana revela-se. então. sem o qual nada lhe será possível crescer em termos éticos. do que as virtudes? Assim como Spinoza. quando os que têm à mão não os satisfazem ou os sufocam. Os filósofos são alunos (só os sábios são mestres). Em seu próprio ser há uma instância que o delata. Para bem apreender essa possibilidade. entre comprar e não comprar. pelo menos intelectualmente. dizem suficientemente o essencial: virtude é poder. diante de determinada situação. a pessoa pode escolher entre fazer e deixar de fazer. e uma triste moral.Ética existe uma similitude entre o nexo causal e o nexo ideológico. O meio é causa e o fim é efeito. que conclui ser indemonstrável a liberdade da vontade. O que na responsabilidade se encontrava já preparado. Para um estudo sobre a ética. mas não se vê forçada a cumpri-las. Há uma convicção individual de que. A realização individual de valores só se concebe numa visão de mundo em que coexistam a causalidade e a teleologia. ao menos dentro de certos limites. VIRTUDE Se a virtude pode ser ensinada. “irrompe como uma fatalidade na vida humana. sua realidade interior mais convincente”. A lei moral é a auto-legislação da razão prática. é mais pelo exemplo do que pêlos livros. liberdade para estes seria a ausência de óbices à realização à vontade de cada um. E obedecê-la é orientar suas forças na direção de nossos desígnios”. O que é uma virtude? É uma força que age. ou seja. ser chamada pessoa. não creio haver utilidade em denunciar os vícios. A decisão. no caso concreto. e medir com isso. a liberdade só pode ser orientada para o bem. que vêm dos gregos. depende de cada um. a situação interna do tribunal ante o qual o indivíduo comparece. sempre denunciar? É a moral dos tristes. do que um tratado de moral? E o que é mais digno de interesse. Então. Na qualidade de ente natural. a criatura deve ter presente que a realização de fins não é um processo inflexível e imodificável. Ou seja. que é tratar. isto é (este é o sentido em grego da palavra areté. Quanto ao bem. E também educação. a moral é pensada como um poder capaz de traspassar o linde do permitido. ou de um homem. Esses exemplos. A responsabilidade não é só aparência ou fenómeno. filha da violação moral e testemunho de existência da liberdade. dominante. Se não existisse liberdade humana. não haveria a possibilidade de estipulação de fins e de sua realização. E quase sempre acompanhada da consciência de culpa. Mas também não se pode concluir em sentido contrário. de uma faca. senão que pode ser desviado. oriunda do reino ideal dos valores. A liberdade está radicada na autonomia dos princípios. que é cortar. como função ontológica da posição que o homem ocupa ante dois tipos de determinação. de ausência total de liberdade. “A jurídica termina onde o dever principia. A pessoa não está inevitavelmente vinculada à exigência ética. há quem consiga conceituá-la em termos desvinculados a qualquer ética e por via negativa. É que “a liberdade pressupõe ciência adequada. conhecimento. E a pessoa deve ter consciência de que há um momento inicial de liberdade moral. Entre causalidade e liberdade inexiste oposição. e das boas disposições. que nem sempre é adquirido pela aprendizagem de índole técnica”. Poderia ser também não sujeição da vontade própria a qualquer vontade alheia. Como pessoa. O sujeito não pode livrar-se dela. sem que se consiga definir o seu sentido. a pessoa não pode responder por seu comportamento e nem pode. também elas plurais. encontra na consciência da culpa sua forma mais drástica. Nada obstante. que a tradição designa pelo nome de virtudes.

é uma disposição adquirida de fazer o bem. a educação. entre covardia e temeridade. A virtude é uma maneira de ser. Todavia. tanto intelectual. a virtude do homem não é a do tigre ou da cobra. pois. é para se fazer. acrescentando. como dizia Montaigne. e sem as quais. que fazem um homem parecer mais humano ou mais excelente. uma cumeada entre dois abismos: assim a coragem. isto é. é a própria essência ou a natureza do homem enquanto ele tem o poder de fazer certas coisas que se podem conhecer apenas pelas leis de sua natureza”. faz parte daquela).. perguntemo-nos qual é a excelência própria do homem. entre complacência e egoísmo. repete-se desde Aristóteles. Não. no homem virtuoso. À faca basta cumprir sua função. isto é. diante da riqueza da matéria e da tradição. É a própria virtude. ou antes. é poder. Mas como. sem a julgar.. nem os desejos de um homem educado são os de um selvagem ou de um ignorante. é nossa maneira de ser e de agir humanamente. ANOTAÇÕES ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 17 . explicava Aristóteles. para Spinoza. A virtude de um ser é o que constitui seu valor. certamente. uma virtude que ela desenvolve: a humildade. quase todas. de sua história (mas esta. que Montaigne nos ensinou. as virtudes são independentes do uso que delas se faz. O bem não é para se contemplar. e ambas. que é o mais geral. mais virtude do que a que envenena.. é o que somos (logo o que podemos fazer). ou a doçura. Mas a razão não basta: também é necessário o desejo. a vida racional. O desejo de um homem não é o de um cavalo. em que excele ou pode exceler (assim. É preciso dizer mais. É o que também chamamos as virtudes morais. Sua capacidade específica também comanda sua excelência própria. não poderíamos nos resignar à sua ausência nem nos isentar de sua fraqueza. sem os outros homens? A virtude ocorre. ou. diante da evidência de que essas virtudes nos fazem falta. a dignidade. no sentido particular. e é nisso. em outras palavras. A virtude do heléboro não é a da cicuta.. Não o Bem absoluto. “Não há nada mais belo e mais legítimo do que o homem agir bem e devidamente”. em todo caso é evidente que não poderia bastar para tanto. a melhor faca será a que melhor corta. sempre coincidem: a virtude de um homem é o que o faz humano. há. ou seja. Mas à moral não. e de nós. que esse sentido seja privado de todo e qualquer alcance normativo: qualquer que seja a mão e na maioria dos usos. A faca não tem menos virtude na mão do assassino do que na do cozinheiro. é um valor). nunca humano demais.). é o poder específico que tem o homem de afirmar sua excelência própria. quase sempre. Assim é a virtude: é o esforço para se portar bem. Aristóteles respondia que é o que o distingue dos animais. histórica. Toda virtude é um ápice. entre cólera e apatia. A virtude. poder humano ou poder de humanidade. Note o leitor que. Humano. Mas ao homem não. em espírito e em verdade. e o poder basta a virtude. seríamos a justo título qualificados de inumanos. sua humanidade (no sentido normativo da palavra). entre dois vícios. no sentido geral. Mas quem pode viver sempre no ápice? Pensar as virtudes é medir a distância que nos separa delas. a virtude. Toda virtude é. Isso. nossa capacidade de agir bem. do que outro. dizia Montaigne. Mas essa normatividade permanece objetiva ou moralmente indiferente. Trata-se de não ser indigno do que a humanidade fez de si.. entretanto. Uma faca excelente na mão de um homem mau não é menos excelente por isso. porém: ela é o próprio bem. como dizia Spinoza. desejo evidentemente histórico (não há virtude natural).. como toda humanidade. Pensar sua excelência é pensar nossas insuficiências ou nossa miséria. às vezes. Virtude. que é a nossa. e de que.. que define o bem nesse próprio esforço. um remédio excelente. que os gregos nos ensinaram.Ética Matéria específico. mas adquirida e duradoura. a memória. claro. no cruzamento da hominização (como fato biológico) e da humanização (como exigência cultural). nesse sentido. o bom veneno é o que mata bem. Se todo ser possui seu poder específico. o bom remédio é o que cura bem. Virtude é poder. que bastaria conhecer ou aplicar.. nem a planta que salva. também pode ser lido em Spinoza: “Por virtude e poder entendo a mesma coisa. assim. quanto propriamente moral. sua excelência própria: a boa faca é a que corta bem. uma faca excelente. o hábito. sem o qual qualquer moral seria impossível. enquanto se refere ao homem. a virtude da faca não é a da enxada. isto é (já que a humanidade. como do fim a que visam ou servem. nesse primeiro sentido. que sua virtude não é a nossa. A reflexão sobre as virtudes não torna ninguém virtuoso. porque assim nos tornamos. não o Bem em si. Isso supõe um desejo de humanidade.

é que consagram a moralidade do ato administrativo. O dever de obediência consiste na obrigação em que se acha o servidor subalterno de acatar as ordens emanadas do legítimo superior hierárquico. Urbanidade. 18 . relacionamento e criatividade são alguns dos fatores avaliados. LEALDADE: O agente público não é um autómato anónimo. os autores não sistematizam. O PADRÃO ÉTICO NO SERVIÇO PÚBLICO DEVERES DO SERVIDOR Para tentar explicar a peculiar posição do servidor perante o Estado e a natureza da relação existente. e. atenção e disponibilidade. Assiduidade. ZELO COM O PATRIMÓNIO: O dever de zelo. relacionamento e comunicação definem a cordialidade. apenas enumeram os diferentes deveres: lealdade. sigilo funcional. em sua esfera de competência. seja no exercício do cargo (ou função) ou fora dele. urbanidade e zelo. assiduidade. O grau de comprometimento profissional do servidor com o trabalho. identificando-se com os interesses do Estado. Para o servidor estar pronto para dar informações. respeitando a capacidade e limitações individuais dos usuários. a habilidade e a presteza do servidor no atendimento às pessoas que demandam seus serviços. produtividade. para atingir os objetivos. mas resguardado do sigilo. tolerância. obsequiosidade. em folha adequada e com objetivos lícitos. estabelecem-se relações de subordinação entre os servidores. com a consecução das metas estabelecidas. O dever de conduta ética decorre do princípio constitucional da moralidade administrativa e impõe ao servidor a obrigação de observar. O dever de zelo com a rés publica caminha junto com o dever de responsabilidade: grau de compromisso com o trabalho e com os riscos decorrentes de seus atos. próprio da Administração. salvo as manifestamente ilegais. Portanto. faz-se mister recorrer ao ordenamento ético. NOÇÕES DE ÉTICA EMPRESARIAL E PROFISSIONAL ASSIDUIDADE: O servidor deve ser assíduo. PONTUALIDADE O servidor deve ser pontual. hoje. nas diversas esferas de governo. comparecer habitualmente ao local de trabalho e desempenhar as funções e atribuições próprias do cargo que é titular. impõem uma série de deveres a seus agentes. característica daquele que ajuda com boa vontade e prontidão. Ao tratarem do tema. isto é. sempre a serviço da causa pública. observar rigorosamente o horário de início e término do expediente da repartição e do interstício para refeição e descanso. é necessário extrapolar a noção de relação empregatícia. em sua vida particular conduzir-se de maneira impecável. Igual postura deve o servidor demonstrar perante os colegas de trabalho. PROBIDADE OU MORALIDADE: O equilíbrio e sincronicidade entre a legalidade e a finalidade. O dever de guardar sigilo deve ser observado não apenas durante o tempo em que o servidor exercer efetivamente o cargo. Dever. Enfim. É um ser humano. finalidade precípua de todo o aparelhamento administrativo. dever de conduta ética. evitando qualquer atitude que possa influir no prestígio da função pública. mantendo sempre o esprít de corps. comprometimento com a missão do órgão ou entidade. a atenção e iniciativa para encontrar a solução mais adequada para questões problemáticas emergentes no cotidiano do serviço. dotado de liberdade. é mais adequado dizer deveres do servidor público em lugar de obrigações. isto é. celeridade. zelando pêlos interesses do Estado como o faria pêlos seus interesses particulares. mas também quando ele não mais pertencer ao quadro do funcionalismo. cortesia. DEDICAÇÃO: Qualidade ou condição de quem se dedica a alguém ou algo. responsabilidade. E que se dedique a instituição a qual defende. disciplina. em desempenho. URBANIDADE: O servidor que lida com o público. sendo o ordenamento jurídico insuficiente para clarear a essência dessa peculiaridade. comprometimento. com respeito integral às leis e instituições. pontualidade. prestimosidade. também conhecido como dever de diligência ou dever de aplicação. Acrescente-se a isso o comprometimento com o trabalho. obediência. discernimento e princípios morais. empregando sua energia e atenção no desempenho do cargo. rapidez. quando houver. SIGILO: Pelo dever de sigilo funcional impõem-se ao servidor reserva sobre assunto e informações de que tomou conhecimento em razão do cargo e que por sua natureza não podem ultrapassar os limites da esfera a que se destinam. Por ordem legal entende-se a emanada da autoridade competente. tempestividade. característica do que é ligeiro para fazer algo. capacidade de iniciativa. deve fazêlo com solicitude.Ética 3 ÉTICA APLICADA PRESTEZA: Qualidade do que é prestes. o elemento ético. Acompanha a disciplina: observância sistemática aos regulamentos às normas emanadas das autoridades competentes. significa “obrigação de fazer ou deixar de fazer alguma coisa”. sem qualquer espécie de distinção e conscientes de sua posição de “servidor do público”. com o conceito da instituição e da Administração Pública como um todo. pois assim evidencia o caráter preponderantemente ético fundamentado em tal relação. sempre. quantidade de trabalho. na conduta do servidor. no sentido genérico. OBEDIÊNCIA: Pelo poder hierárquico. Os estatutos dos servidores públicos civis. pode ser definido como a meticulosidade no exercício da função.

Se a consciência ética dos integrantes de uma organização. ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL As sociedades normalmente se regem por leis e costumes que asseguram a ordem na convivência entre os cidadãos. os valores individuais podem coincidir ou conflitar com os valores da organização. Uma vez implantado o código de ética. A conduta ética dessas empresas é o reflexo da conduta de seus profissionais. geralmente formado por um número ímpar de integrantes provenientes de diversos departamentos. atua conforme determinados princípios. Cada pessoa. é fundamental a existência de padrões e políticas uniformes para que os empregados possam saber. embora se apoie neles. governantes e membros da comunidade em que está inserida a empresa. Não deve necessariamente contemplar os ideais. Assim. a missão. conscientização. explícito ou não. Consideradas as vantagens e desvantagens da adoção do código de ética. é importante estabelecer um comité de ética de alta qualidade. Na realidade. Alguns códigos de ética descem ao nível concreto dos problemas enfrentados pela organização. Murphy estudou 80 códigos. contratos governamentais. Os códigos de ética contemplam. Programas de ética são desenvolvidos por meio de um processo que envolve todos os integrantes da empresa e que passa pelas etapas de sensibilização. qual a conduta adequada e apropriada. assédio profissional. para assegurar que será tailormade. Uma vez que a organização adota um código de ética. que nada mais é do que a declaração formal das expectativas da empresa à conduta de seus executivos e demais funcionários. o código de ética das empresas deve ser regulamentador. deve ser desenvolvido um trabalho de acompanhamento e adequação às circunstâncias internas e externas da organização. mas fornecer critérios ou diretrizes para que as pessoas descubram formas éticas de se conduzir. atenderá às necessidades e peculiaridades da empresa. É preferível não adotá-lo. ou seja. os stakeholders. deixando questões pontuais para manuais de procedimentos das diversas áreas funcionais da empresa. O comité pode ser útil como instrumento de aconselhamento ou de tomada de 19 . suborno. Isso se materializa no código de ética. uso de drogas e álcool. fornecedores e distribuidores. capa citação e. mesmo porque pode haver leis que sejam antiéticas ou imorais. e feita a opção por ele. finalmente. a empresa ética acaba por consolidar sua imagem no mercado e deixa um lastro decorrente do cumprimento de sua missão e de seus compromissos. clientes. ou até mesmo adotam posturas antiéticas. já que da atuação de cada um emergirá um ambiente ético. em que mostra que o código resulta do clima ético de cada organização. educacional e social. todos reconhecidos como pessoas íntegras. há quem dispense a implantação de códigos de conduta. fruto das contínuas mudanças inerentes ao desenrolar dos negócios. os stakeholders. por seus colegas. desde a alta administração até o mais simples funcionário braçal. A liberdade de adesão provém da convicção das pessoas. enquanto outros se limitam a fornecer diretrizes gerais. é de suma importância que em sua elaboração intervenha o maior número possível de pessoas. isto é. concorrentes. outros vão ao pormenor: não devem ser oferecidos presentes acima de determinado valor monetário. responsabilidades de cada stakeholder. colaboradores. sendo certo que seu descumprimento implicaria punições já previstas pelas leis. Um código de ética exposto em local de honra de uma empresa não serve para nada. de modo que não deveriam constar novamente dos códigos. passível de avaliação. O código de ética. por sua formação familiar. sé não for refletido na vida de cada pessoa que ali trabalha. além de possibilitar um trabalho harmonioso. assédio sexual. para que haja uma homogeneidade na forma de conduzir questões específicas e relativas a seus stakeholders. normalmente. que caracterizam a cultura empresarial.Ética Matéria A GESTÃO DA ÉTICA NOS EMPREGOS PÚBLICOS E PRIVADOS. O clima ético predominante na instituição deve acompanhar a filosofia e os princípios definidos como básicos principalmente pêlos acionistas. em qualquer circunstância. que se retrata nas aspirações de seus elaboradores. adoção de um código de conduta baseado em princípios e valores perenes. a visão da empresa. o que gera uma disposição positiva. essas mesmas pessoas não o vivenciam. Algumas organizações enfatizam em seus códigos questões já constantes na legislação do país em que operam. Eis a grande desvantagem do código de ética. acionistas transmitam a imagem de que a empresa é ética pelo simples fato de ter um código de ética e. religiosa. todos os públicos que de forma direta ou indireta contribuem para o bom desempenho da empresa: acionistas ou proprietários. à qual deve corresponder uma punição. motivação. Os principais tópicos abordados na maioria dos códigos são: conflitos de interesse. Da mesma forma que os códigos relativos às profissões. Outras empresas partem do princípio de que as leis devem ser conhecidas e cumpridas por todos os cidadãos. segurança dos ativos da empresa. que compilou em um livro. desde os altos executivos até o mais simples funcionário. Aliás. Dessa forma. Os códigos de ética não têm a pretensão de solucionar os dilemas éticos da organização. entretenimento e viagem. importa denunciar o mal que poderá provocar uma empresa cujos empregados. é um património dessa organização. Tal conduta não se limita ao mero cumprimento da legislação. as leis estimulam a adoção de princípios éticos. conduta ilegal. Cada organização estabelece um sistema de valores. proprietários e diretores. denúncias. deve servir também como proteção dos interesses públicos e dos profissionais que contribuem de alguma forma para a organização. empregados. factível. No dia-adia. No Brasil. honestidade nas comunicações dos negócios da empresa. bem humorada e agradável de vivenciar todos os seus itens. mas deve deixar claro o que é uma afirmação genérica e o que é uma afirmação de caráter regulamentador. Por essa razão diz-se que deve ser específico. as relações dos empregados entre si e com os demais públicos da empresa. na prática. propriedade de informação. enquanto alguns códigos de ética estabelecem que é proibido presentear os fornecedores ou clientes.

que têm compromissos familiares. Para que se mantenha o alto nível do clima ético.missão. os programas de desenvolvimento gerencial e de supervisores e os de educação ética em geral podem ser esquematizados. A conduta ética gera uma visão de perspectiva que provoca um natural desejo de antecipar-se. sua compreensão e clareza por parte de todos os funcionários.e ter capacidade de conquistar a confiança dos membros do comité e dos demais funcionários. o que lhe confere independência de ação. inclusive do comité. apesar de suas fraquezas e dificuldades. DEFINIÇÕES – CEATI – Centralizadora de Atendimento Integrado. certificando que houve aplicação das políticas específicas. NORMAS O Código expressa o sentimento ético dos empregados da CAIXA. – CEP – Comissão de Ética Pública. são dotadas de valores e merecem total respeito. Entre os membros do comité de ética. por trás das questões ou condutas analisadas. e não a pessoa. o que muitas vezes causa irreparáveis prejuízos. e não apenas a frieza das normas impressas em um documento. que apresentam questões que Julgam importantes de serem analisadas. que costuma dirigi-lo. em geral as empresas oferecem uma linha direta de telefone e e-mail para receber comunicações. visão. tal responsabilidade. e por outros compliance. mas à disposição reta. O nível de exigência dentro do comité deve ser o mais elevado possível. do ponto de vista da ética. Um programa de treinamento em ética predispõe a unia conduta ética e alcança melhores resultados em função de uma experiência em treinamento interativo. quais sejam: – Respeito – Honestidade – Compromisso – Transparência – Responsabilidade As violações ao Código de Ética são sujeitas à apreciação da Comissão de Ética. O comité não pode perder de vista que são os valores e princípios que norteiam seus critérios. que os profissionais sejam treinados. em conjunto. também. no sentido de não se rotularem pessoas. Sua principal tarefa é manter vivo e atualizado o código de ética e promover os meios necessários para a formação contínua de todos os funcionários da empresa neste campo específico. o componente de confiabilidade gerado envolve todos os integrantes da empresa. pois o cerne da questão está na formação pessoal. à medida que surgem dentro da empresa. Assim. COMISSÃO DE ÉTICA A Comissão de Ética é um órgão autônomo de caráter deliberativo.Ética decisão. ligado diretamente à Diretoria da empresa. ou do próprio presidente da organização. visa ao cumprimento das normas éticas do código de conduta. Esse trabalho de acompanhamento pode servir como subsídio para o comité de ética e o treinamento em ética. pode ser útil implementar um sistema de monitoramento e controle dos ambientes interno e externo da organização. os valores e convicções primários da organização tornem-se parte da cultura da empresa. A empresa necessita desenvolver-se de tal forma que a ética. O caminho mais curto para que a ética passe da teoria à prática é fazer com que qualquer funcionário sinta que tem crédito. O comité garante que as soluções apontadas são frutos de opiniões de pessoas idóneas com diferente formação e experiência e que. para detectar pontos que podem vir a causar uma conduta antiética. A orientação de novos funcionários. que validou os valores contemplados. com sentimentos. Os membros do comité de ética devem ter plena consciência de que. O que se critica é o erro de conduta. Cabe ao comité de ética delinear uma política a ser adotada e modernizar o código de conduta de tempos em tempos. revelando a importância da ética para a organização. anónimas ou identificadas. – GEORH – Gerência Nacional de Operação de Recursos Humanos. situações ou casos. como fruto de sua sensibilidade ética. acompanhando as mudanças e atendendo às necessidades dos stakeholders. O profissional deve estar alinhado com as políticas da empresa . a tónica de toda troca de informações e das discussões provenientes do estudo de cada caso ou situação deve ser positiva e construtiva. mas também valorizadas e aplicadas sempre que conveniente. valores . podendo. externalizado em pesquisa interna realizada. conseguido com análises de casos e discussão de situações relevantes aos participantes e suas áreas funcionais. resultante do esforço de cada stakeholder. muitas vezes resultante de formação específica para assumir uma função de. profissionais ou econômicos e. A maturidade dos membros do comité não se prende tanto à idade cronológica de seus componentes. Importa que os executivos sejam bem formados. Para acesso ao comité de ética. que tem o direito de se retratar. com a finalidade de orientar e aconselhar sobre a ética 20 . Caso contrário. Muitas empresas nomeiam um profissional de ética. para em dedicação exclusiva ou parcial coordenar os programas de ética. Devem ser avaliadas a gravidade da infração ética. compreensiva e exigente. investigar e solucionar casos. A autoridade conferida ao comité de ética deve ser assegurada pela figura do vice-presidente. denominado por alguns auditoria ética. a conduta ética. Esse sistema. de ter iniciativas para atender às necessidades da empresa e das pessoas que nela convivem. orientar as ações e o relacionamento com os interlocutores internos e externos. que suas opiniões não São apenas ouvidas. estão pessoas normais. dos funcionários. Isso ajudará a desenvolver as habilidades de raciocínio crítico necessárias à resolução de difíceis dilemas éticos na organização. a implantação de códigos de ética ou de conduta será inócua. O sigilo das comunicações é um ponto fundamental para o incentivo à participação dos funcionários. a intenção (que é muito difícil julgar) e as circunstâncias e consequências provocadas. SOBRE O CÓDIGO DE ÉTICA DA CAIXA OBJETIVO Sistematizar os valores éticos que devem nortear a condução dos negócios da CAIXA. analisaram com profundidade e sob diferentes perspectivas o problema colocado.

Respeitamos e valorizamos nossos clientes e seus direitos de consumidores. Os nossos patrocínios atentam para o respeito aos costumes. COMPROMISSO Os dirigentes. respeito.Ética profissional dos dirigentes e empregados da CAIXA. sob qualquer pretexto. com a prestação de informações corretas. os interesses da CAIXA estão em 1º lugar nas mentes dos nossos empregados e dirigentes. Preservamos a dignidade de dirigentes. HONESTIDADE No exercício profissional. • Reconhecimento e valorização das pessoas que fazem a CAIXA. contribuições de bens materiais ou valores a parceiros comerciais ou institucionais em nome da CAIXA. Pautamos nosso relacionamento com clientes. CÓDIGO DE ÉTICA DA CAIXA MISSÃO E VALORES MISSÃO Atuar na promoção da cidadania e do desenvolvimento sustentável do País. VALORES DO CÓDIGO DE ÉTICA DA CAIXA RESPEITO As pessoas na CAIXA são tratadas com ética. • Respeito à diversidade. Condenamos atitudes que privilegiem fornecedores e prestadores de serviços. na condição de titulares das seguintes áreas. em qualquer circunstância. Buscamos a melhoria das condições de segurança e saúde do ambiente de trabalho. entre os Consultores Técnicos/ Gerentes Nacionais de sua área de atuação. para assessoramento técnico-operacional. em detrimento de interesses pessoais. O apoio administrativo à Comissão é prestado pela GEORH. A Comissão de Ética da CAIXA é constituída por 6 membros. Exigimos de dirigentes. cumprimento dos prazos acordados e oferecimento de alternativa para satisfação de suas necessidades de negócios com a CAIXA. no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público. A regulamentação da Comissão de Ética está contemplada no Regimento Interno. credo. cabendo a sua presidência ao Diretor de Recursos Humanos: – Diretoria de Recursos Humanos – Diretoria de Controles Internos – Diretoria de Serviços Jurídicos – Superintendência Nacional de Auditoria – Superintendência Nacional de Desenvolvimento e Estratégias Empresariais – Ouvidoria da CAIXA Cada Diretor/Superintendente tem um suplente por ele indicado. com a determinação de eliminar situações de provocação e constrangimento no ambiente de trabalho que diminuam o seu amor próprio e a sua integridade moral. de forma a resguardar a lisura dos seus processos e de sua imagem. Temos compromisso permanente com o cumprimento das leis. coligadas. empregados e parceiros da CAIXA estão comprometidos com a uniformidade de procedimentos e com o mais elevado padrão ético no exercício de suas atribuições profissionais. justiça. Não admitimos qualquer relacionamento ou prática desleal de comportamento que resulte em conflito de interesses e que estejam em desacordo com o mais alto padrão ético. financeira e sócio-ambiental. empregados e parceiros. Condenamos a solicitação de doações. com mandato de 2 anos. Temos o compromisso de oferecer produtos e serviços de qualidade que atendam ou superem as expectativas dos nossos clientes. preservando a qualidade de vida dos que nele convivem. tradições e valores da sociedade. empregados e parceiros da CAIXA absoluto respeito pelo ser humano. controladas. associações e entidades de classe dentro dos princípios deste Código de Ética. devendo conhecer fatos de imputação e de procedimento susceptível de censura. incapacidade física e quaisquer outras formas de discriminação. • Eficiência e inovação nos serviços. igualdade e dignidade. VALORES • Sustentabilidade econômica. classe social. • Valorização do ser humano. A Comissão pode convocar empregados ou responsáveis de unidade da CAIXA. fornecedores. cor. correspondentes. Preservamos o sigilo e a segurança das informações. como instituição financeira. bem como a preservação do meio ambiente. Gerimos com honestidade nossos negócios. das normas e dos regulamentos internos e externos que regem a nossa Instituição. idade. Não admitimos práticas que fragilizem a imagem da CAIXA e comprometam o seu corpo funcional. agente de políticas públicas e parceira estratégica do Estado brasileiro. pelo bem público. sem direito a voto. cortesia. patrocinadas. Prestamos orientações e informações corretas aos nossos clientes para que tomem decisões conscientes em seus negócios. de grupos ou de terceiros. oferecendo oportunidades iguais nas transações e relações de emprego. gênero. • Transparência e ética com o cliente. conforme indique a situação. raça. pela sociedade e pelo meio ambiente. sob qualquer pretexto. 21 . Repudiamos todas as atitudes de preconceitos relacionadas à origem. produtos e processos. religião. os recursos da sociedade e dos fundos e programas que administramos.

uma vez por mês e. Art. 5º. visando à formação da consciência ética dos empregados da CAIXA. A Comissão de Ética da CAIXA é constituída por seis membros. equipamentos e demais recursos colocados à nossa disposição para a gestão eficaz dos nossos negócios. Art. Art. por meio de fontes autorizadas e no estrito cumprimento dos normativos a que estamos subordinados. A Comissão reunir-se-á. 8º.05.2001. As matérias a serem incluídas em pauta e examinadas pela Comissão devem estar instruídas de forma fundamentada e completa. Zelamos pela proteção do patrimônio público. mudança de nomenclatura e/ou competências das unidades. II. 7º. CAPÍTULO II DA COMPOSIÇÃO Art. é obrigatória a presença de. fornecedores e à mídia dispensamos tratamento equânime na disponibilidade de informações claras e tempestivas. de forma a resguardar a CAIXA de ações e atitudes inadequadas à sua missão e imagem e a não prejudicar ou comprometer dirigentes e empregados. como forma de preservar os valores da CAIXA. criação. Compete à Comissão de Ética da CAIXA: I. Compete. das Superintendências Nacionais de Auditoria e de Desenvolvimento e Estratégias Empresariais e da Ouvidoria CAIXA. 10. cabendo a sua presidência ao Diretor de Recursos Humanos. seminários e debates. 6º. 9º. Aos nossos clientes. CAPÍTULO IV DO FUNCIONAMENTO DA COMISSÃO DE ÉTICA REGIMENTO INTERNO DA COMISSÃO DE ÉTICA DA CAIXA CAPÍTULO I DA NATUREZA E FINALIDADE Art. são mantidas ou incorporadas à Comissão as Diretorias/Superintendências Nacionais que absorverem as atividades anteriormente desenvolvidas por aquelas constantes da atual composição. direta ou indiretamente. em cumprimento ao disposto no Decreto nº 1171. IV. e nos Decretos s/nº de 26. 3º. 11. conforme indique a situação. entre os Consultores Técnicos/Gerentes Nacionais de sua área de atuação.1994. para assessoramento técnicooperacional. sua posição na Comissão é automaticamente ocupada por seu sucessor no cargo. dado o dinamismo do contexto social. estamos comprometidos com a prestação de contas de nossas atividades. propor alterações no Código de Ética. ainda. Os padrões de conduta ética na CAIXA são norteados pelo Código de Ética. no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público. na condição de titulares das Diretorias de Recur- 22 . 4 membros. Os assuntos submetidos à Comissão são decididos por maioria simples e registrados em ata. orientar e aconselhar sobre a ética profissional dos dirigentes e empregados da CAIXA. Art. situações que possam configurar descumprimento de suas normas. ordinariamente. 1º. 4º. por entendermos que a vida depende diretamente da qualidade do meio ambiente. à Comissão atuar como elemento de ligação com a CEP. extraordinariamente. com critérios claros e do conhecimento de todos. com a finalidade de orientar e aconselhar sobre a ética profissional dos dirigentes e empregados da CAIXA. Caso algum dos membros deixe de exercer a titularidade das áreas referidas. de 22 06. com a adequada utilização das informações. III.05. Art. A Comissão de Ética da CAIXA é um órgão autônomo de caráter deliberativo. palestras. Art. mantendo-o alinhado à missão e às estratégias organizacionais da CAIXA. Art. 13. A Comissão pode convocar empregados ou responsáveis de unidade da CAIXA.Ética Incentivamos a participação voluntária em atividades sociais destinadas a resgatar a cidadania do povo brasileiro. Como empresa pública. devendo conhecer fatos de imputação e de procedimento susceptível de censura. A Comissão deve viabilizar a formalização do Termo de Compromisso de acatamento e observância do Código de Ética pelos dirigentes e empregados da CAIXA. TRANSPARÊNCIA As relações da CAIXA com os segmentos da sociedade são pautadas no princípio da transparência e na adoção de critérios técnicos. Buscamos a preservação ambiental nos projetos dos quais participamos. Oferecemos aos nossos empregados oportunidades de ascensão profissional. sos Humanos.1999 e de 18. disseminando informações relevantes relacionadas aos negócios e às decisões corporativas. Para a realização das reuniões. com mandato de dois anos. Art. 14. Garantimos proteção contra qualquer forma de represália ou discriminação profissional a quem denunciar as violações a este Código. 12. sem direito a voto. dos bens. de Controles Internos e de Serviços Jurídicos. quando convocado pelo seu Presidente para exame de matéria específica. supervisionar a observância do Código de Conduta da Alta Administração Federal e comunicar à CEP – Comissão de Ética Pública. Art. RESPONSABILIDADE Devemos pautar nossas ações nos preceitos e valores éticos deste Código. Valorizamos o processo de comunicação interna. Cada Diretor/Superintendente tem um suplente por ele indicado. titulares ou suplentes. pelo menos. Art. V. 2º. mediar e conciliar situações que envolvam questões éticas para as quais o Código de Ética da CAIXA seja omisso. parceiros comerciais. CAPÍTULO III DA COMPETÊNCIA Art. dos recursos por nós geridos e com a integridade dos nossos controles. propor a organização e desenvolvimento de cursos. Quando da alteração da estrutura organizacional da Matriz por extinção. Art.

a condição de signatária do Pacto Global. encaminhar pauta com os respectivos dossiês para apreciação da Comissão de Ética. _ A conduta ética pautada exclusivamente nos valores da sociedade. com a omissão dos nomes das partes envolvidas. denúncias e representações formuladas por empregados. Art. admitindo-se a oitiva de eventuais testemunhas. 20. Parágrafo único. a inserção de temas de direitos humanos na gestão da empresa. São atribuições da GEORH – Gerência Nacional de Operação de Recursos Humanos: I. A Comissão de Ética pode instaurar. na certeza de estar contribuindo para o desenvolvimento do país e do mundo. fato ou conduta atribuído a empregado ou a determinada unidade da CAIXA. conforme se verifica a seguir: _ O direcionamento de ações para o atendimento das expectativas da sociedade e dos clientes. as datas e os horários das reuniões. a critério da Comissão. _ Respeito e valorização do ser humano. 18. e para tanto. As decisões devem ser resumidas em ementa e divulgadas para toda a CAIXA. IV. examinar consultas. II. Art. receber demandas a respeito do Código de Ética provenientes de empregados. V. 22. adotar as providências decorrentes da decisão. nos seus impedimentos. não havendo necessidade de depoimento do primeiro se a apuração decorrer de conhecimento de ofício. denúncias e representações devem ser dirigidas diretamente à Comissão de Ética. O voto é expresso verbalmente. sendo facultada a sua consignação. CAPÍTULO V DO APOIO ADMINISTRATIVO À COMISSÃO DE ÉTICA IV. Ouvidoria. bem como por entidades associativas regularmente constituídas. sendo garantido aos envolvidos a confidencialidade das informações prestadas. em sendo solicitado pela Comissão. com a finalidade de orientar os demais empregados. pode resultar em orientação. Todos os assuntos tratados no âmbito da Comissão têm caráter sigiloso. procedimento para averiguar qualquer ato. cadastro funcional do empregado. VI. quando o ato. 23. Art. promover a triagem das demandas para verificar se o assunto se enquadra nas questões éticas a serem apreciadas pela Comissão. Art. ainda. convocar os envolvidos para esclarecimentos. o que a torna grande perseguidora dos compromissos nele assumidos. ouvidos o denunciante e o empregado ou o responsável pelo setor envolvido. O Presidente é substituído. Art. e outros expedientes ou informações necessários à elucidação dos fatos a serem apurados. convocar.gov. se for o caso. III. 26. O tema é reforçado pelo código de ética da empresa. com justificativa. emitir voto de qualidade em caso de empate na votação. disponível no sítio www. A apuração das ocorrências pela Comissão de Ética obedece a rito sumário. por outro membro titular por ele designado. Ao Presidente da Comissão compete: I.caixa. na análise de qualquer ocorrência submetida a sua apreciação. empregados ou representantes de unidades da CAIXA para auxiliar no exame e apresentação de assuntos específicos. Os membros da Comissão são responsáveis solidários por suas deliberações. Art. 19. estabelecer a pauta. se necessário.Ética Art. VII. V. alinhada às prioridades do Governo Federal. 25. 17. 15. Comunicação de Progresso/2006 “A Caixa Econômica Federal renova. 21.’” Maria Fernanda Presidenta PACTO GLOBAL AVANÇOS VERIFICADOS NOS DEZ PRINCÍPIOS DO PACTO GLOBAL DIREITOS HUMANOS Princípio 1 – as empresas devem respeitar e apoiar a proteção dos direitos humanos reconhecidos internacionalmente dentro de sua esfera de influência Indicador 1 – sobre a inserção de temas de direitos humanos na gestão da empresa 1. presidir as reuniões. Todo voto contrário à decisão a ser deliberada pela Comissão deve ser justificado e constar da ata da reunião. Art.1 A missão da CAIXA deixa claro. devendo. clientes ou usuários em geral. As consultas. 23 . _ A busca permanente de excelência na qualidade dos serviços. por meio desta comunicação. unidades internas. Art. passível de ser caracterizado como infringência ao Código de Ética. II. fato ou conduta praticada importar infringência ao Regulamento de Pessoal da CAIXA. nos seus impedimentos. parceiros. ou por ela levantada.br: Art. 24. convocar extraordinariamente a Comissão. III. em Ata. A decisão da Comissão. CAPÍTULO VI DAS ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DA COMISSÃO DE ÉTICA Art. montar dossiê contendo os documentos que deram origem à ocorrência. por intermédio da Diretoria de Recursos Humanos. na sua essência. de ofício. VI. designar relator para os processos. Comissão de Ética Pública – CEP encaminhadas pela Diretoria de Recursos Humanos. Deve ser indicado um relator para cada assunto a ser apreciado pela Comissão. VII. Auditoria. designar um dos membros titulares da Comissão para substituí-lo. Art. receber os dossiês devolvidos pela Comissão e comunicar a decisão aos envolvidos. 16. censura ou o seu encaminhamento para avaliação sob a ótica do Regime Disciplinar.

dentre outros.000 famílias distribuídas em 194 comunidades Quilombolas no Maranhão. respeito. como forma de preservar os valores da CAIXA. várias ações serão efetuadas. fornecedores e mídia na disponibilidade de informações claras e tempestivas. bem como a preservação do ambiente. 24 . ainda. UFMA – Universidade Federal do Maranhão. – Comissão de Gênero. MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário. Para o cumprimento desses princípios e tendo em vista que o tema tem caráter de transversalidade. M Cidades – Ministério das Cidades. para possibilitar o atendimento de aproximadamente 5. adotando os seguintes valores: – Respeito – exige-se tratamento das pessoas com ética. em consonância com sua Visão de Futuro: “A CAIXA será referência mundial como banco público integrado. preservação da dignidade de dirigentes. tratamento equânime aos clientes. com a participação de 38 Municípios. equipamentos e serviços oferecidos pela CAIXA. Consolidará sua posição como o banco da maioria da população brasileira. – Responsabilidade – ações pautadas nos preceitos e valores éticos do código de ética. capacitadas e com desenvolvido espírito público. preservando a qualidade de vida dos que nele convivem. – Transparência – relacionamento com os segmentos da sociedade pautado no princípio da transparência e na adoção de critérios técnicos. avaliação e acompanhamento do Projeto de Responsabilidade Social Empresarial da CAIXA. – Comissão para PCD – Pessoas com Deficiência. A Política CAIXA para os portadores de deficiências e com mobilidade reduzida busca viabilizar o atendimento diferenciado e imediato a este segmento da população e consolidar a imagem da CAIXA como o banco de todos os brasileiros. parceiros comerciais. alinhada às diretrizes e políticas do Governo Federal. orientações corretas aos clientes para que tomem decisões conscientes em seus negócios. O evento contou.3 Visando arraigar na empresa os valores e princípios de RSE. justiça. 2. UEMA – Universidade Estadual do Maranhão.2 Em 28 de novembro de 2006. que prevê: – atendimento aos direitos assegurados por lei. instalações. A Política consubstancia a Missão e Valores CAIXA. com abrangência no âmbito interno e externo à empresa. com relevante presença no segmento de pessoa jurídica e excelente relacionamento com seus clientes. rentável. compromisso com o cumprimento de leis. O comitê criou cinco comissões: – Comissão de Comunicação. cortesia. empregados e parceiros. eficiente. busca da melhoria das condições de segurança e saúde do ambiente de trabalho. Indicador 2 – sobre a valorização de temas de direitos humanos na rede de relação da empresa 2. assim como da sua imagem. passando desde a priorização de projetos no planejamento estratégico até a capacitação de empregados para atendimentos aos deficientes.1 Com o objetivo de articular parceiros. Federação dos Municípios. compromisso de oferecer produtos e serviços de qualidade que atendam ou superem as expectativas dos clientes. garantia de proteção contra qualquer forma de represália ou discriminação profissional a quem denunciar as violações ao código de ética. em parceria com o MME – Ministério de Minas e Energia. 1. tradições e valores da sociedade. igualdade e dignidade. governo do Estado. socialmente responsável. ágil e com permanente capacidade de renovação. em qualquer circunstância. FUNASA – Fundação Nacional de Saúde. recursos geridos com a integridade dos controles da organização. órgão de caráter propositivo e consultivo. comprometimento com a prestação de contas de atividades. reconhecidas em seu mérito. secretários e lideranças comunitárias. patrocínio que considere o respeito aos costumes. direta ou indiretamente. incentivo à participação voluntária em atividades sociais destinadas a resgatar a cidadania do povo brasileiro. Será detentora de alta tecnologia da informação em todos os canais de atendimento e se destacará na gestão de pessoas. nos dias 22 e 23 de agosto de 2006. SEPPIR – Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.2 O Conselho Diretor da CAIXA aprovou política para os portadores de deficiência. sigilo e segurança das informações. implantação. 1. Manterá a liderança na implementação de políticas públicas federais e será parceira estratégica dos governos estaduais e municipais. MDS – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. relacionamento com os atores envolvidos com a organização pautado nos princípios do código de ética. a CAIXA disponibilizou na Universidade Corporativa CAIXA (campus virtual) os cursos: Conhecendo a Responsabilidade Social. Indicadores de Ações de RSE e Responsabilidade Ambiental nos Negócios. – Compromisso – dirigentes empregados e parceiros comprometidos com a uniformidade de procedimento e com o mais elevado padrão ético no exercício de suas atribuições profissionais. foi instalado o Comitê de Responsabilidade social da CAIXA. busca e preservação ambiental nos projetos dos quais a empresa participa. zelo e proteção do patrimônio público. representados por prefeitos. – Comissão de Relacionamento com Fornecedores. por meio de fontes autorizadas e no estrito cumprimento dos normativos aos quais a empresa se subordina.Ética CÓDIGO DE ÉTICA A Caixa Econômica Federal elaborou o seu Código de Ética fazendo prevalecer o sentimento dos dirigentes e empregados. ACONERUQ – Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos. com o objetivo de assegurar a articulação entre as diversas áreas da CAIXA no processo de desenvolvimento. respeito e valorização dos clientes. repúdio a todas as atitudes de preconceito. externado em pesquisa interna. normas e dos regulamentos internos e externos que regem a CAIXA. – Honestidade – empregados e dirigentes resguardam a lisura dos processos da CAIXA. – acesso às dependências. de forma a resguardar a CAIXA de ações e atitudes inadequadas a sua missão e imagem e a não prejudicar ou comprometer dirigentes e empregados. – Comissão de Crédito e Risco. Marketing e Patrocínio. foi realizado Seminário em São Luís.

catadores. O SIMBRASIL é uma coletânea de informações fiscais. 25 . porém menor. que possibilita o acesso a consultas e serviços de cartões de crédito por meio do telefone 0800 adaptado com dispositivo TDD. saneamento e habitação. _ Pessoas com deficiência – direitos e deveres. terceirizados e prestadores de serviços para proporcionar conhecimento das diferenças individuais. além de fortalecer a imagem da CAIXA como o Banco Público responsável pela realização dos programas federais para o desenvolvimento urbano. nos projetos de desenvolvimento urbano. conselheiros municipais e estaduais de habitação e saneamento. _ Atendendo bem pessoas com deficiência. econômicas. A partir de janeiro de 2007. a data de vencimento ou o valor da fatura. _ Manual de acessibilidade para agências bancárias. gestão e atividades produtivas. Os clientes da instituição estarão aptos a realizar todas as operações necessárias para a manutenção do cartão de crédito. No período de janeiro a julho. sociais e sanitárias que tem como objetivo contribuir para que as comunidades possam identificar. envolvendo cerca de 600 técnicos municipais. respeitando a diversidade cultural e o saber local. 2. O termo foi firmado no âmbito do convênio entre a CAIXA e o PNUD. Encontra-se em fase de seleção dos municípios que participarão da amostra. educacionais. foram seis cartilhas. entidades de classe.950 participantes. a CAIXA desenvolve a Inclusão Produtiva para grupos historicamente excluídos . 2. Em 2005. oferecido por empresas de telefonia. _ Gestão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho.4 A CAIXA adotou. de modo a se promover sua crescente inclusão social. Por meio do sistema. em dezembro de 2006. possibilita melhor desempenho das prefeituras.Sistema de Informações Socioeconômicas dos Municípios Brasileiros. a CAIXA ministrará curso presencial de Libras para os empregados.1 Em parceria com o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica.ação destinada a apoiar os municípios com população até 20 mil habitantes. para promover a melhoria da administração pública e trazer benefícios para a população residente. envolvendo 1. Foram realizados. priorizando. realizou diversos encontros para discussão e formulação de políticas relativas ao Relacionamento com Fornecedores. atendimento diferenciado para pessoas com deficiência auditiva – sistema gratuito.Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. instrumento de planejamento financiado pelo PNAFM. resguardando-se os aspectos de sustentabilidade socioeconômica e ambiental. quilombolas. 3. semelhante ao do computador. de saneamento e do desenvolvimento urbano. na realização das tarefas sob a sua responsabilidade.3 Em parceria com o PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. durante o 5º Festival do Lixo e Cidadania. Papelão e Material Reaproveitável de Belo Horizonte e a CAIXA. gestores e técnicos municipais e estaduais. O acordo. Pela Resolução do Conselho Diretor.2 A CAIXA firmou com o Ministério das Cidades. com o objetivo de consolidar o compromisso da CAIXA de desenvolver ações para a implantação e integração de programas e projetos voltados para famílias de baixa renda com o intuito de aumentar sua capacidade produtiva e lhes oferecer melhor qualidade de vida. capacitados em organização. e Crédito e Risco. movimentos sociais e ONGs – Organizações Não-Governamentais que atuam na área habitacional. Ao todo. foi assinado o Termo de Cooperação Técnica entre a ASMARE – Associação de Catadores de Papel. 3. prioritariamente para aqueles que trabalham em pontos-de-venda. da preparação do Termo de Referência que vão nortear o fornecimento. oferecendo um conjunto de software de controle e gestão. o acordo foi renovado. como consultar o limite disponível. avaliar e diagnosticar suas principais necessidades e planejar soluções para atendê-las. que se propõe a ser um banco “para você. inicialmente.4 Ainda em parceria com o PNUD .3 A CAIXA. a CAIXA homologou e disponibilizou a nova versão do SIMBRASIL . a leitura das cartilhas deve ser feita por todo o quadro funcional. também. Indicador 3 – sobre a inserção de temas de direitos humanos na ação social ou no investimento social privado 3. coesos e inovadores com parceiros competentes e de forte compromisso social. a seguir enumeradas. 100 municípios com menor IDH – Índice de Desenvolvimento Humano. Comunicação. passou a coordenar as atividades e a apoiar a realização de atividades relativas ao planejamento urbano municipal. Marketing. demográficas. disponibilizadas na Universidade Corporativa CAIXA (campus virtual da Universidade CAIXA): _ A ação de Recursos Humanos e a inclusão de pessoas com deficiência. _ População com deficiência no Brasil – fotos e percepções. o Acordo de Cooperação para realização do Programa Nacional de Capacitação das Cidades.” A FEBRABAN . urbanas. em dezembro de 2003. foram realizadas 13 Oficinas de Habitação e Saneamento. proposta aderente à imagem adotada pela CAIXA. ação que visa a apoiar projetos que envolvam grupos historicamente excluídos. O aparelho possui um teclado e um pequeno monitor de cristal líquido. com a participação de Instrutores Educacionais do Uniethos. poder legislativo municipal e estadual. os deficientes auditivos podem se comunicar com os operadores por escrito e ler as respostas. assim como a pesquisa juntos às empresas sobre os preços praticados no mercado para o fornecimento do software de gestão e seus componentes. Em março de 2006. indígenas e outros grupos informais. seis Seminários Regionais de capacitação em Cadastro Técnico Multifinalitário. minimização dos preconceitos e valorização de todos. dos procedimentos básicos para o processo licitatório.Ética Manterá relacionamentos sólidos. que prevê ações de apoio para inclusão de grupos historicamente excluídos. e Patrocínio. verificação no PNUD. em Belo Horizonte/MG. 3.Federação Brasileira de Bancos desenvolveu com a CAIXA cartilhas que tratam do relacionamento entre bancos e pessoas com deficiências (empregados e clientes). a CAIXA está desenvolvendo a Governança Inclusiva . previamente identificados. Em 22 de agosto de 2006. em plataforma livre. no mesmo período. para todos os brasileiros”.

está impedida de manter relacionamento com aquelas que praticam o trabalho escravo ou similar e que constem na lista restritiva do Ministério do Trabalho e Emprego. 1.6 A CAIXA. Úmbria. especialmente crédito imobiliário. parceira da Secretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Racial de Presidência da República (SEPIR). que além de aplicar os módulos de avaliação quanto ao aprendizado dos serviços bancários e administrativos. reconhece os delegados sindicais eleitos pelos empregados. a CAIXA adota o princípio de negociação permanente. 3. desde 2004.5 A CAIXA participa do Comitê Gestor Nacional da Cooperação entre a Presidência da República do Brasil com as Regiões italianas de Toscana. sendo a primeira experiência firmada entre a ASMARE e a Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. em dia. para promover e disseminar à sociedade e a seus empregados. A CAIXA disponibilizou os seguintes produtos e serviços: _ emissão de CPF de forma gratuita. saúde. Nesse contexto. na sua missão e código de ética. em 11 de novembro de 2006. Amazônia e Minas Gerais. empregado CAIXA. para tratar dos assuntos específicos. ou seja. por meio da difusão e adaptação dos instrumentos e estratégias desenvolvidas pelas regiões da Terceira Itália.2 Desde 2003. Rio de Janeiro. tornando-se verdadeiro cúmplice do dia-a-dia do jovem. São Paulo. Princípio 4 – as empresas devem apoiar a eliminação de todas as formas de trabalho forçado ou compulsório Indicador 1 – sobre a eliminação de todo as formas de trabalho forçado ou compulsório 1. TRABALHO Princípio 3 – as empresas devem apoiar a liberdade de associações e o reconhecimento efetivo do direito à negociação coletiva Indicador 1 – sobre o apoio à liberdade de associação e o reconhecimento do direito a negociação coletiva 1.1 A CAIXA. crachá ou pulso.1 Como signatária do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. Princípio 5 – as empresas devem apoiar a erradicação efetiva do trabalho infantil Indicador 1 – sobre o apoio à erradicação do trabalho infantil 1. o que torna prazerosa e de grande responsabilidade a “incumbência” do orientador. _ emissão de Cartão do Cidadão e cadastramento de senha. Foram realizados seminários em diversas regiões do país. com composição paritária – metade de empregados indicada pela empresa e metade pelas entidades representativas . de peças têxteis para o campo cirúrgico das referidas Santas Casas. e ofereceu serviços gratuitos à população no âmbito da cidadania. o respeito à diversidade. auxiliando jovens pelo prazo mínimo de 18 meses e máximo de 24 meses.1 A CAIXA tem normatizada a liberação de empregado eleito para exercer cargo de administração sindical em entidade sindical de bancários. fomentando a prática. 1. em comemoração ao Dia Mundial do Laço Branco – Homens pelo fim da Violência Contra a Mulher (06/12). participou da “Ação Global” – evento voltado às classes menos favorecidas. Princípio 2 – as empresas devem certificar-se de que não estejam sendo cúmplices de abusos e violação dos direitos humanos Indicador 1 – sobre a monitoração de questões de direitos humanos na cadeia de negócios e na ação social Princípio 6 – as empresas devem eliminar a discriminação com respeito ao emprego e ocupação 26 . auxilia o adolescente na condução para a vida cidadã.3 A CAIXA mantém grupos de trabalho. deixa claro que preza pelo respeito e valorização do ser humano. a CAIXA firmou Contrato de Prestação de Serviço com a ACMB – Associação de Municípios Brasileiros para o desenvolvimento de consultoria na construção de seminários e no acompanhamento do desenvolvimento dos projetos nos territórios brasileiros. lazer. local e horário previamente acordados. desde que haja interesse das partes em pautar assuntos relativos à categoria. Foi.Ética O projeto proveniente do termo denomina-se Fábrica Social e propõe a celebração de convênios de cooperação comercial com Santas Casas e Hospitais Filantrópicos para o fornecimento por ex-moradores de rua e catadores de resíduos sólidos devidamente qualificados. _ disponibilização de informações sobre os programas sociais do Governo. que tratam das questões de saúde e segurança. Rio Grande do Sul. cultura e esporte. com orientações a respeito de serviços bancários e microfinanças. na maioria das vezes.1 Por meio do Programa Adolescente Aprendiz. _ entrega do cartão do Programa Bolsa Família _ prestação de informações sobre os demais produtos da CAIXA.7 A CAIXA. _ fornecimento de saldo do PIS e do Abono Salarial. Cada adolescente tem um orientador. também. veiculada mensagem alusiva à data. a CAIXA investe na capacitação de adolescentes em serviços bancários e administrativos. educação. em parceria com a Rede Globo e o SESI – Serviço Social da Indústria. que reuniu mais de 900 mil pessoas –. a CAIXA orientou a todas as suas superintendências informar aos seus clientes – pessoa física ou jurídica – que diante da condição de signatária do pacto. assegura às entidades sindicais o direito de utilização dos quadros de avisos de suas dependências para comunicações oficiais de interesse dos empregados e facilita a essas entidades a realização de campanha de sindicalização a cada 12 meses. com o propósito de contribuir para erradicação do trabalho degradante. nos saldos e extratos de contas dos clientes. Emilia Romagna e Marche. 3. 1. O protocolo de cooperação objetiva viabilizar projetos de desenvolvimento econômico e social em regiões do Piauí. em parceria com entidades especializadas. mobilizou suas unidades em nível nacional para disponibilizar aos empregados fitas brancas para utilização como laços na lapela.a exemplo dos grupos previstos no Acordo Coletivo vigente. 3. além da data-base. _ abertura de Contas CAIXA Fácil. oriundos de famílias cuja renda per capita é igual ou inferior a 50% do salário mínimo.

a CAIXA realiza uma série de ações que dão suporte à Política Ambiental e contribuem para a sua sustentabilidade. com o crescimento das cidades e a deficiência de planejamento urbano e gestão ambiental. • Indicadores de desempenho socioambiental. Como forma de assegurar a transversalidade do tema. critérios que considerem o risco ambiental como parte do risco financeiro. única do ramo financeiro a figurar entre as 11 empresas homenageadas. _ Programa Emissões Reduzidas – busca aproveitar as experiências da CAIXA em saneamento ambiental para o desen- Princípio 7 – as empresas devem apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais Indicador 1 – Sobre o apoio a uma abordagem preventiva aos desafios ambientais 1. no âmbito do Programa de Gestão de Resíduos Sólidos. prioridades e ações da Política Ambiental Corporativa. realização de cinco eventos comemorativos para convidados internos e externos. A adesão faz parte do Planejamento Estratégico 2005/2007 e insere-se na Política de Gestão da Diversidade. Embora só o tenha feito nessa data. com o respeito à diversidade no mundo do trabalho. As diretrizes são as seguintes: _ Cumprir a regulamentação ambiental aplicável às nossas atividades e serviços empresariais. _ Considerar a gestão ambiental como uma prioridade corporativa. • Sala Verde CAIXA (Disseminação da Educação Ambiental). prática de gestão. buscando sempre o gerenciamento integrado. comprometendo-se a elaborar um plano de ação a ser desenvolvido em 2006. desde maio de 2004. clientes e fornecedores. voltadas à promoção da equidade de gênero. _ Integrar ações internas. palestras em eventos externos especializados. água e energia. integrando as questões socioambientais aos seus negócios. papel. gerando benefícios econômicos e ambientais por meio da racionalização de processos e redução do desperdício. • Coleta Seletiva. tais como: _ Divulgação: criação e manutenção do sítio Intranet da Política Ambiental. • Construções Sustentáveis (Pesquisa. Desde a implantação do Comitê. de forma ágil e transparente. _ Incorporar. a CAIXA recebeu da SPM o Selo Pró-Equidade de Gênero.Ética Indicador 1 – sobre o monitoramento da situação do público interno em relação a mecanismos de discriminação 1. _ Gestão de Riscos por Passivos Ambientais: passivos ambientais por contaminação em terrenos utilizados por indústrias ou próximos a áreas industriais passaram a ser um fator de preocupação. inserção das ações ambientais da CAIXA no Balanço Social. campanha interna para desenvolver atitudes para ecoeficiência no uso de insumos de impressão. • Eficiência Energética na Habitação. MEIO AMBIENTE _ Acompanhar a implementação do Plano de Ação. elaboração de notícias e artigos de opinião publicados no Jornal da CAIXA. tais como: • Metodologia para Prevenção e Gerenciamento de Riscos por Passivos Ambientais. um atributo de destaque e distinção como empresa comprometida. _ Projetos elaboração de projetos vinculados ao desenvolvimento urbano e demais áreas da CAIXA. • Agências Ecoeficientes. dos recursos da compensação ambiental. Foram desenvolvidos instrumentos e procedimentos para prevenção e gerenciamento de riscos por passivos ambientais para vistoriar terrenos objeto de propostas para empreendimentos habitacionais. _ Dispor de produtos e serviços para atender o mercado ambiental. _ Novos Negócios: a experiência e o posicionamento ambiental da CAIXA motivaram o desenvolvimento e a atração de novos negócios. 27 . da representatividade e unicidade de ações decorrentes das diretrizes da Política. com os seguintes objetivos específicos: _ Apoiar o desenvolvimento das estratégias. que é hoje o principal mecanismo financeiro para investir nas unidades de conservação. A política tem como objetivos atuar como o princípio da responsabilidade ambiental. tais como: _ Fundo de Compensação Ambiental . _ Promover a disseminação dos princípios e diretrizes entre empresas terceirizadas. foi criado em outubro de 2004 o Comitê CAIXA de Política Ambiental Corporativa. contribuindo para a transferência de tecnologias e de métodos de gestão ambientalmente saudáveis. Em dezembro de 2006. à nossa política de concessão de créditos. e constante em manual normativo próprio. _ Capacitação: disponibilização do curso “Responsabilidade Ambiental nos Negócios” na Universidade CAIXA. já em 2005 havia aderido à iniciativa. atividades e decisões empresariais.1 A CAIXA formalizou em março de 2006 a adesão ao Programa Pró-Equidade de Gênero com a finalidade de promover a igualdade de oportunidade entre homens e mulheres. A CAIXA apresentou o plano de ação do Programa Pró-Equidade de Gênero à SPM – Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres – e está desenvolvendo ações assumidas com SPM. _ Buscar eficiência no uso dos recursos.solução inovadora para viabilizar a gestão financeira e a execução. Guia de Melhores Práticas e Eventos). O Comitê é composto por representantes de diversas áreas da CAIXA e se constitui uma importante instância de gestão ambiental e um meio para preservar o princípio da transversalidade. paulatinamente.1 A CAIXA possui Política Ambiental aprovada pelo Conselho Diretor. o processo de aperfeiçoamento contínuo e a educação dos empregados. • Critérios socioambientais para o crédito. _ Analisar e divulgar os resultados alcançados. em solenidade no Palácio do Planalto. fórum de debate e decisão constituído por 22 áreas da CAIXA.

objetivando capacitá-los para identificar eventuais ações que caracterizem lavagem de dinheiro e atuar no sentido de impedir qualquer utilização da Instituição em operações financeiras com recursos de origem ilegal. numa visão global. no exercício de suas atribuições. que visa a elaborar e a desenvolver um plano de ação multissetorial para a melhoria de renda. tendo a energia como vetor de desenvolvimento econômico e social e dar suporte à preparação e financiamento para micro e pequenos empreendimentos nas áreas periurbanas. Princípio 8 – as empresas devem se engajar em iniciativas para promover maior responsabilidade ambiental Indicador 1 – sobre o engajamento em iniciativas para promover maior responsabilidade ambiental 1. o que contribuirá para uma melhor qualidade de vida dos seus empregados. É expressamente proibido que empregados da CAIXA. O Vice-Presidente indicado é responsável pela implementação e monitoramento do cumprimento da legislação pertinente. que agrega os principais bancos e os maiores grupos empresariais brasileiros.Ética Matéria volvimento de operações e inserção da CAIXA no Mercado de Carbono. recebam remuneração. processos e sistemas capazes de detectar. _ Revitalização de áreas urbanas degradadas por contaminação – parceria com a Agência de Cooperação Alemã GTZ. _ Acordo de Cooperação e Contrato de Prestação de Serviços para o Programa Nacional de Capacitação de Gestores Ambientais. citada no princípio 7. _ Agência Alemã GTZ: cooperação no âmbito da gestão ambiental urbana. _ Adesão ao Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). tecnologia de produção mais limpa. Assembléia Internacional de Parceiros do GVEP realizado em Brasília/DF. ANOTAÇÕES ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 28 . é realizada por meio de treinamento. acesso à energia alternativa e mitigação de impactos ambientais. voltado para os municípios. governo e sociedade e. Princípio 10 – combater a corrupção em todas as suas formas. por meio da adequação de linhas de crédito e de estratégia de venda para a Rede de Agências. _ Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente: Memorando de Cooperação com foco no desenvolvimento de negócios sustentáveis e desenvolvimento urbano e ambiental. nos dias 20 e 21/10/2005. clientes. CONCLUSÃO Esta comunicação expressa por meio de adesões a pactos e implementação de ações. inclusive extorsão e propina. visa conhecer os instrumentos urbanísticos e econômicos da revitalização e avaliar a viabilidade de financiar a remediação e recuperação de áreas. comissões. comunidade na qual está inserida. favores ou vantagens de qualquer espécie. _ Fomento à Eficiência Ambiental de Empresas – financiamento para eficiência energética. presentes. analisar e comunicar ocorrências suspeitas. É representada formalmente perante o BACEN e o COAF por um Vice-Presidente indicado pelo Presidente e com a aprovação do Conselho Diretor. especialmente para fins habitacionais. A qualificação dos empregados para o adequado monitoramento das movimentações financeiras realizadas na CAIXA. indicador 1. conformidade nos Princípios do Pacto Global e Indicadores Ethos de Responsabilidade Social. bem como para a detecção de situações suspeitas. 1. aquecimento solar de água. a busca da CAIXA na inserção de valores e princípios de RSE na gestão empresarial com abrangência e impacto para consecução dos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. com o objetivo de convergir esforços para incorporar a sustentabilidade no setor empresarial. 1.1 Item contemplado pela Política Ambiental. com foco em metodologias de gerenciamento de projetos e revitalização de áreas urbanas degradadas. uso de energias limpas e mitigação de impactos do aquecimento global. aproveitando as fontes de energias renováveis para aplicação em usos produtivos. foi assinado o Memorando de Entendimento entre a CAIXA e GVEP no evento 1ª.1 Item contemplado pela Política Ambiental. inclusive pela comunicação das ocorrências consideradas suspeitas. indicador 1. para o mundo. Visando a dar apoio institucional às iniciativas que induzam melhoria de renda. _ Gestão de Parcerias – ação desenvolvida para apoiar o posicionamento ambiental e a implementação da Política Ambiental da CAIXA: _ Ministério do Meio Ambiente: _ Protocolo de Intenções com extensa Agenda de Ações. citada no princípio 7.1 A CAIXA adota como conceito de atividade de prevenção à lavagem de dinheiro um conjunto de ações. É obrigatória a realização constante de treinamento sobre o assunto por todos os empregados.2 A CAIXA firmou parceria com o GVEP – Global Village Energy Partnership. bem como de prevenir novos casos. Princípio 9 – As empresas devem encorajar o desenvolvimento e a difusão de tecnologias ambientalmente sustentáveis Indicador 1 – sobre o incentivo ao desenvolvimento e difusão de tecnologias ambientalmente amigáveis 1.

00 (cem reais). Parágrafo único. cujo valor possa ser substancialmente afetado por decisão ou política governamental da qual tenha prévio conhecimento em razão do cargo ou função. III – presidentes e diretores de agências nacionais.Ética CÓDIGO DE CONDUTA DA ALTA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL Art. autarquias. uma vez conferidas por pessoa designada pela CEP. Art. Art.CEP. publicado no Diário Oficial da União do dia 27 subsequente. à moralidade. com as seguintes finalidades: I – tornar claras as regras éticas de conduta das autoridades da alta Administração Pública Federal. 5º As alterações relevantes no patrimônio da autoridade pública deverão ser imediatamente comunicadas à CEP. nível seis. desde que tornada pública eventual remuneração. ou c) outras alterações significativas ou relevantes no valor ou na natureza do patrimônio. secretários ou autoridades equivalentes ocupantes de cargo do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores – DAS. ascendente. Art. real ou potencialmente. Art. sobretudo no que diz respeito à integridade. empresas públicas e sociedades de economia mista. Art. 11 As divergências entre autoridades públicas serão resolvidas internamente. ou II – distribuídos por entidades de qualquer natureza a título de cortesia. não lhes cabendo manifestar-se publicamente sobre matéria 29 . não ultrapassem o valor de R$ 100. bem como comunicar qualquer circunstância ou fato impeditivo de sua participação em decisão coletiva ou em órgão colegiado. destinado a possibilitar o prévio e pronto esclarecimento de dúvidas quanto à conduta ética do administrador. salvo de autoridades estrangeiras nos casos protocolares em que houver reciprocidade. serão elas encerradas em envelope lacrado. tornará público este fato. hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre a sua probidade ou honorabilidade. bem como o pagamento das despesas de viagem pelo promotor do evento. com vistas a motivar o respeito e a confiança do público em geral. do controle de empresa. possa suscitar conflito com o interesse público. II – contribuir para o aperfeiçoamento dos padrões éticos da Administração Pública Federal. VI – criar mecanismo de consulta. 9º É vedada à autoridade pública a aceitação de presentes. a partir do exemplo dado pelas autoridades de nível hierárquico superior. 4º Além da declaração de bens e rendas de que trata a Lei n° 8. para que a sociedade possa aferir a integridade e a lisura do processo decisório governamental. cuja conduta esteja de acordo com as normas éticas estabelecidas neste Código. IV – estabelecer regras básicas sobre conflitos de interesses públicos e privados e limitações às atividades profissionais posteriores ao exercício de cargo público. congressos e eventos semelhantes. informações sobre sua situação patrimonial que. nem receber transporte. o qual não poderá ter interesse em decisão a ser tomada pela autoridade. Parágrafo único. §2° A fim de preservar o caráter sigiloso das informações pertinentes à situação patrimonial da autoridade pública. §1° Em caso de dúvida sobre como tratar situação patrimonial específica. a autoridade pública deverá consultar formalmente a CEP. divulgação habitual ou por ocasião de eventos especiais ou datas comemorativas. de instituição financeira. Art. enviará à Comissão de Ética Pública . II – atos de gestão de bens. de 10 de novembro de 1993. propaganda. criada pelo Decreto de 26 de maio de 1999. à clareza de posições e ao decoro. V – minimizar a possibilidade de conflito entre o interesse privado e o dever funcional das autoridades públicas da Administração Pública Federal. Os padrões éticos de que trata este artigo são exigidos da autoridade pública na relação entre suas atividades públicas e privadas. inclusive as especiais. de modo a prevenir eventuais conflitos de interesses. 4 b) aquisição. Parágrafo único. Art. Art. É permitida a participação em seminários. a autoridade pública. as autoridades públicas deverão pautar-se pelos padrões da ética. Art. 3º No exercício de suas funções. descendente ou parente na linha colateral. na forma por ela estabelecida.1º Fica instituído o Código de Conduta da Alta Administração Federal. 10 No relacionamento com outros órgãos e funcionários da Administração. no prazo de dez dias contados de sua posse. desde que não implique a prática de atos de comércio ou quaisquer outros incompatíveis com o exercício do seu cargo ou função. especialmente quando se tratar de: I –atos de gestão patrimonial que envolvam: a) transferência de bens a cônjuge. secretários-executivos. contratos futuros e moedas para fim especulativo. Art. nos termos da lei. que somente será aberto por determinação da Comissão. III – preservar a imagem e a reputação do administrador público. 7º A autoridade pública não poderá receber salário ou qualquer outra remuneração de fonte privada em desacordo com a lei. Não se consideram presentes para os fins deste artigo os brindes que: I – não tenham valor comercial. inclusive investimentos de renda variável ou em commodities. a autoridade pública deverá esclarecer a existência de eventual conflito de interesses. fundações mantidas pelo Poder Público. 6º A autoridade pública que mantiver participação superior a cinco por cento do capital de sociedade de economia mista. direta ou indireta. ou de empresa que negocie com o Poder Público. II – titulares de cargos de natureza especial. indicando o modo pelo qual irá evitá-lo. 8º É permitido à autoridade pública o exercício não remunerado de encargo de mandatário. 2º As normas deste Código aplicam-se às seguintes autoridades públicas: I – Ministros e Secretários de Estado.730. mediante coordenação administrativa.

13 As propostas de trabalho ou de negócio futuro no setor privado. em processo ou negócio do qual tenha participado. 15 Na ausência de lei dispondo sobre prazo diverso. neste prazo. em benefício ou em nome de pessoa física ou jurídica. se entender necessário. a própria autoridade pública. e II – do mérito de questão que lhe será submetida. Art. poderão produzir prova documental. exceto quando existir compatibilidade de horários e consistir em dois cargos de professor. na estrutura de administração da entidade ou órgão. 9790/99 e dos decretos 1171/94 e 4081/02. BOAS PRÁTICAS EM GESTÃO DA ÉTICA A Comissão de ética pública do Código de Conduta da Alta Administração Federal tem exigido e divulgado o que se denomina “boas práticas de gestão”. 12 É vedado à autoridade pública opinar publicamente a respeito: I – da honorabilidade e do desempenho funcional de outra autoridade pública federal. II – censura ética. inclusive sindicato ou associação de classe. II – prestar consultoria a pessoa física ou jurídica. Art. § 3º A CEP poderá promover as diligências que considerar necessárias. Art. assim estabelece o manual de “boas práticas”: Servidor vinculado ao Código de Conduta da Alta Administração Federal pode desempenhar outras atividades profissionais? Sim. em razão do cargo. a CEP oficiará a autoridade pública para nova manifestação no prazo de três dias. interpretativas e orientadoras das disposições deste Código. de ofício ou em razão de denúncia fundamentada.Ética que não seja afeta a sua área de competência. sejam alcançados. junto a órgão ou entidade da Administração Pública Federal com que tenha tido relacionamento oficial direto e relevante nos seis meses anteriores à exoneração. Outras proibições e condições para o exercício de atividades paralelas no setor privado constam nas leis 8112/90. de ofício. as seguintes regras: I – não aceitar cargo de administrador ou conselheiro. bem assim a CEP. um cargo de professor com outro técnico ou científico e dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde com profissões regulamentadas no art. independentemente de sua aceitação ou rejeição. estatutos ou regras de pessoal das entidades onde o servidor exerce suas funções.19 A CEP. Para os servidores vinculados ao Código de Conduta da alta Administração Federal. Art. aplicável às autoridades no exercício do cargo. As sanções previstas neste artigo serão aplicadas pela CEP. desde que haja indícios suficientes. • Incorporação do tema ética e das normas de conduta nos programas de capacitação e treinamento da entidade ou órgão. aplicável às autoridades que já tiverem deixado o cargo. bem como qualquer negociação que envolva conflito de interesses. • Ampla divulgação das normas de conduta. a CEP informará à autoridade pública as obrigações decorrentes da aceitação de trabalho no setor privado após o seu desligamento do cargo ou função. inclusive sindicato ou associação de classe. Parágrafo único.18 O processo de apuração de prática de ato em desrespeito ao preceituado neste Código será instaurado pela CEP. • Estabelecimento de canais apropriados de comunicação por onde possam fluir a apresentação de dúvidas sobre a aplicação prática de normas de conduta e a prestação de orientações em situações da rotina diária dos funcionários. com comunicação ao denunciado e ao seu superior hierárquico. poderá encaminhar sugestão de demissão à autoridade hierarquicamente superior.17 A violação das normas estipuladas neste Código acarretará. que conforme o caso. obrigando-se a autoridade pública a observar. poderá fazer recomendações ou sugerir ao Presidente da República normas complementares. bem assim responderá às consultas formuladas por autoridades públicas sobre situações específicas. é importante que sejam observadas as restrições específicas que constam nos códigos de conduta. Art. Art. 37. § 4º Concluídas as diligências mencionadas no parágrafo anterior. 8429/92. contados da exoneração. § 1º A autoridade pública será oficiada para manifestar-se no prazo de cinco dias. Além disso. a autoridade pública não poderá: I – atuar em benefício ou em nome de pessoa física ou jurídica. tanto para o público interno da entidade ou órgão quanto ao público externo. II – não intervir. § 5º Se a CEP concluir pela procedência da denúncia. Art. Nos limites da lei e desde que observadas as restrições para atividades que possam suscitar conflitos de interesses. • Cometimento formal da responsabilidade por zelar pela efetividade das normas de conduta. deverão ser imediatamente informadas pela autoridade pública à CEP. A Constituição Federal veda a acumulação de cargos públicos. ou estabelecer vínculo profissional com pessoa física ou jurídica com a qual tenha mantido relacionamento oficial direto e relevante nos seis meses anteriores à exoneração. adotará uma das penalidades previstas no artigo anterior. algumas das práticas: • Exortação sistemática por parte dos dirigentes máximos da entidade ou órgão à observância dos padrões éticos refletidos nas normas de conduta que vinculam os funcionários. o período de interdição para atividade incompatível com o cargo anteriormente exercido. será de quatro meses. § 2º O eventual denunciante. Abaixo. as seguintes providências: I – advertência. nas entidades que integram o poder Executivo Federal. para decisão individual ou em órgão colegiado. São ações realizadas pelos órgãos da Administração Pública Federal necessárias para que os objetivos estratégicos que norteam a promoção da ética. Acerca de eventuais atividades paralelas dos servidores. valendo-se de informações não divulgadas publicamente a respeito de programas ou políticas do órgão ou da entidade da Administração Pública Federal a que esteve vinculado ou com que tenha tido relacionamento direto e relevante nos seis meses anteriores ao término do exercício de função pública. bem assim solicitar parecer de especialista quando julgar imprescindível. a Comissão de Ética Pública expediu 30 . conforme sua gravidade. Art. 14 Após deixar o cargo.16 Para facilitar o cumprimento das normas previstas neste Código. 8027/92.

b) contratar administrador independente que passe a fazer a gestão desses investimentos. deve a autoridade observar o seguinte: a) não participar da gestão da empresa. onde a decisão da autoridade pode privilegiar uma pessoa física ou jurídica. implicar o uso de informação à qual a autoridade tenha acesso em razão do cargo e não seja de conhecimento público. sociedade civil ou negócio? A gestão do seu próprio patrimônio por parte da autoridade é vedada sempre que o item integrante desse patrimônio seja empresa ou sociedade civil ou ainda investimento em bens.Ética a Resolução Interpretativa nº 8. Manter participação em empresa. ii) represente interesses suscetíveis de serem afetados pela entidade pública onde exerce cargo de direção. abstendo-se de votar ou participar da discussão do assunto. inclusive função de conselheiro de administração ou fiscal. d) na hipótese de conflito de interesses específico e transitório. assim como da personalidade jurídica da entidade. O que deve fazer a autoridade que. d) possa. c) implique a prestação de serviços a pessoa física ou jurídica ou a manutenção de vínculo de negócio com quem tenha interesse em decisão individual ou coletiva da autoridade. cujo valor ou cotação possa ser afetado por decisão ou política governamental. A Comissão deverá ser informada pela autoridade e opinará. Contudo tais participações devem ser informadas à Comissão de Ética Pública por meio da Declaração Confidencial de Informações (art. Desenvolver atividade paralela sem remuneração ou para entidade sem fins lucrativos previne eventual conflito de interesses? Não. A ocorrência de conflito de interesses independe do recebimento de qualquer ganho ou retribuição pela autoridade. com identificação das atividades que não sejam decorrência do cargo ou função pública. b) alienar bens e direitos que integram o seu patrimônio e cuja manutenção possa suscitar conflito de interesses. que identificou as situações em que o exercício de atividade paralela suscitar conflito de interesses. sociedade ou negócio de que participe a autoridade transacione com a entidade pública onde a autoridade exerça cargo de direção de qualquer natureza. Código de Conduta). e) possa transmitir à opinião pública dúvida a respeito da integridade. enquanto perdurar a situação passível de suscitar conflito de interesses. subordinando qualquer mudança a comunicação prévia e fundamentada à Comissão de Ética Pública. sobre a suficiência da medida adotada para prevenir situação que possa suscitar conflito de interesses. que identifica situações que suscitam conflito de interesses e dis- 31 . Pode a autoridade. a respeito da qual a autoridade pública tenha informações privilegiadas em razão do cargo ou função. com ou sem finalidade de lucro. conforme o caso. comunicar sua ocorrência ao superior hierárquico ou aos demais membros de órgão colegiado de que faça parte a autoridade. É importante observar nesses casos a vedação para participar de deliberação que possa suscitar conflito de interesses com o Poder Público. sociedade civil ou negócio configura conflito com o exercício da função pública? Não. 4º do Código de Conduta e Resolução CEP nº 5). inclusive investimento de renda variável ou em commodities. b) vedação para que: i) a empresa. art. exercer atividade profissional no interesse privado? Desde que observados os limites da lei e o que dispõe a Resolução Interpretativa nº 8 da Comissão de Ética Pública. e) divulgar publicamente sua agenda de compromissos. A autoridade pública poderá participar em conselhos de administração e fiscal de empresa privada da qual a União seja acionista? Sim. 5º. seja incompatível com as atribuições do cargo ou função pública da autoridade. Que tipo de atividade paralela suscita conflito de interesses com o exercício da função pública? Suscita conflito de interesses o exercício de atividade que: a) em razão da sua natureza. sociedade ou negócio. b) viole o princípio da integral dedicação pelo ocupante de cargo em comissão ou função de confiança. a atividade desenvolvida em áreas afins à competência funcional. deve: a) abrir mão da atividade ou licenciar-se do cargo. ao tomar posse em cargo ou função pública que o vincule ao Código de Conduta da Alta Administração Federal. pela sua natureza. quando em licença não remunerada para tratar de interesses particulares. Que atitude deve tomar a autoridade para prevenir situação que configure conflito de interesses? Conforme o caso. moralidade. que exige a precedência das atribuições do cargo ou função pública sobre quaisquer outras atividades. clareza de posições e decoro da autoridade. formal ou informalmente. (§1º. contratos futuros e moedas para fim especulativo. em cada caso concreto. de forma equivalente a um blind trust. possua investimento vedado? A autoridade deve tomar uma das seguintes providências: a) manter inalteradas suas posições. inclusive. como tal considerada. iii) desempenhe atividade que suscite conflito de interesses com a função pública. Gerir o próprio patrimônio configura conflito com a restrição para que a autoridade participe da gestão de empresa. Além do mais. A autoridade precisa informar a Comissão de Ética Pública sobre as medidas que adotou para prevenir conflitos de interesses? Sim. em se tratando de decisão coletiva. Desde que a participação resulte de indicação institucional da autoridade pública competente. mediante instrumento contratual que contenha cláusula que vede a participação da autoridade em qualquer decisão de investimento assim como o seu prévio conhecimento de decisões da instituição administradora quanto à gestão dos bens e direitos. O conflito ocorre quando a autoridade acumula funções públicas e privadas com objetivos comuns. c) transferir a administração dos bens e direitos que possam suscitar conflito de interesses a instituição financeira ou a administradora da carteira de valores mobiliários autorizadas pelo Banco Central ou pela Comissão de Valores Mobiliários.

Para prevenir-se de situações que possam suscitar conflitos. inclusive. quando investido em cargo público. mesmo que a autoridade pública não tenha participado de qualquer das fases do processo de contratação. no uso de informação à qual a autoridade tenha acesso em razão do cargo e não seja de conhecimento público. ou que tenha interesse que dependa de seu pronunciamento individual ou como parte de colegiado. as normas de ética e disciplina estabelecidas na legislação para o servidor da ativa. com a qual tenha relacionamento institucional relevante. O que deve fazer a autoridade pública associada a organização não governamental com interesse em matéria sob a jurisdição da entidade pública em que exerce sua função para prevenir-se de situação que possa suscitar conflito de interesses? A autoridade associada a entidade não governamental com interesse em matéria sob a jurisdição da entidade pública para a qual tenha sido nomeada deve afastar-se da mesma. havendo dúvida. ainda que potencialmente. de acordo com a Resolução CEP nº 8: a) não violar o princípio da integral dedicação ao cargo público. nem participar de exame de matéria no âmbito partidário que possa implicar. clareza de posições e decoro do agente público. continuar a desenvolver atividades artísticas de interesse privado. b) eventuais atividades profissionais ou políticas que venha a desenvolver no interesse partidário. uma vez que ele mantém o vínculo com o ente público. moralidade. na utilização de informação privilegiada a que tem acesso em decorrência do cargo público que ocupa. b) não implicar a prestação de serviço a pessoa física ou jurídica ou a manutenção de vínculo de negócio com pessoa física ou jurídica que tenha interesse em decisão individual ou coletiva da autoridade. Pode o artista. implicar o uso de informação à qual o agente tenha acesso em razão do cargo e não seja de conhecimento público.2002. Além disso. (Resolução CEP nº 8. clareza de posições e decoro da autoridade. não deve a autoridade exercer. de 12. além de observar as normas aplicáveis do CNPq e CAPES. amparadas pela lei de incentivo fiscal da área cultural? Em nenhuma hipótese o exercício da atividade artística paralela ao desempenho do cargo público deve comprometer o interesse público. formal ou informalmente. enquanto no exercício de cargo ou função que o vincule ao Código de Conduta da Alta Administração Federal? Em nenhuma hipótese a percepção de bolsa de apoio à pesquisa científica ou tecnológica pode implicar em compromissos que configurem conflito com o exercício da função pública.8. deve a autoridade observar a necessidade de registro dos contatos profissionais e audiências concedidas a representantes da organização não governamental da qual se afastou. 32 . assim como a Comissão de Ética Pública. b) abster-se de receber bolsa do CNPq ou da CAPES sempre que em razão das atribuições do cargo público mantiver relacionamento institucional oficial e relevante com tais instituições. Pode a autoridade exercer atividade profissional paralela na área científica ou artística? Sim. no que couber. de 25/09/2003). Assim. É importante notar que ao servidor em licença se aplicam. como tal considerada. é importante consultar a área competente do próprio órgão. c) não implicar a prestação de serviços a pessoa física ou jurídica que tenha interesse em decisão individual ou coletiva do agente público ou possa. Que cuidados deve adotar a autoridade pública filiada a partido político para prevenir-se de situação que possa suscitar conflito de interesses? A atividade político-partidária da autoridade não deve resultar em prejuízo para o exercício da função pública.2002. 14 do Código de Conduta da Alta Administração Federal. que exige a precedência das atribuições do cargo ou função sobre quaisquer outras atividades. nos termos do Decreto 4334. nos termos do Decreto 4334. O desempenho de atividade artística no interesse privado somente é possível quando: a) não for incompatível com as atribuições do cargo ou da função pública. Pode o agente público receber bolsa de pesquisa do CNPq ou da CAPES. deve o agente público observar a compatibilidade de horários e. inclusive no que se refere a informações a que tenha acesso e não estejam à disposição do público. Vale observar que a autoridade não poderá receber ou participar de evento que receba patrocínio. pode ser admitido o exercício de atividade profissional no interesse privado quando em licença não remunerada para tratar de interesses particulares. observar a vedação para atuar ou prestar consultoria relativa a processo ou negócio do qual tenha participado em razão do cargo. pela sua natureza. c) não implicar. Pode a autoridade ter parente que trabalhe para entidade que presta serviço ou tem relação de negócio com o órgão público onde exerce suas funções? Suscita conflito de interesses contratar entidade privada de cuja direção participe parente até segundo grau da autoridade. devendo. subsídio ou qualquer tipo de apoio financeiro de entidade pública de cujos quadros faça parte. que exige a precedência das atribuições do cargo público sobre qualquer outra atividade. d) não transmitir à opinião pública dúvida a respeito da integridade. nem implicar na utilização ou aproveitamento das prerrogativas e recursos do cargo postos a sua disposição. ainda: a) a vedação para assumir qualquer compromisso que viole o princípio da integral dedicação ao cargo ou função pública. após deixar o cargo público. Assim.Ética põe sobre o modo de preveni-los.8. moralidade. pela sua natureza. d) não transmitir dúvida à opinião pública a respeito da integridade. a atividade desenvolvida em áreas ou matérias afins à competência funcional do agente público. função de direção ou coordenação partidárias. deve a autoridade registrar em agenda de trabalho: a) audiências concedidas. de 12. b) não violar o princípio da integral dedicação pelo ocupante de cargo em comissão ou função de confiança. nos termos do art. observada a compatibilidade de horários e as seguintes condições. enquanto no cargo público. Para prevenir-se de situação que possa suscitar conflito de interesses. bem assim para se utilizar dos recursos ou demais condições que são postas à disposição em razão do cargo público.

a Comissão de Ética Pública recomenda que se considerem impedidos para publicar texto de apoio a candidatos para concurso público de ingresso na organização quando participarem. ou que seja da responsabilidade do órgão público onde exerça sua função. suscita conflito de interesses a autoridade participar como docente de cursinho preparatório para concurso de ingresso de servidores em matéria sob a responsabilidade da organização pública onde exerce sua função. de qualquer das fases do processo seletivo. Pode o agente público vinculado ao Código de Conduta da Alta Administração Federal atuar como professor em cursinho preparatório para concurso público? O exercício em paralelo da atividade de docência encontra amparo no inciso XVI do art. aprovado pelo Decreto 1171/94. Da mesma forma. sem remuneração. uma vez que é afim à competência funcional. quando houver compatibilidade de horários. mas vinculado ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. nos termos do que dispõe a letra “a” do item 1 da Resolução CEP nº 8. que deverá informar à respectiva Comissão de Ética que. recomenda-se que o exercício de atividade de docência em cursinho preparatório para ingresso de funcionários em organização para a qual trabalhe seja objeto de comunicação e autorização prévia da chefia competente. Pode a autoridade ter parente que trabalhe para entidade regulada ou fiscalizada pelo órgão ou entidade pública onde exerça sua função? Sim. uma vez que se trata de área afim à competência funcional. clareza de posições e decoro da autoridade. formal ou informalmente. Pode autoridade publicar livro ou apostila sobre matéria exigida em concurso público? As autoridades vinculadas ao Código de Conduta da Alta Administração Federal devem considerar-se impedidas para publicar texto de apoio a candidatos para concurso público de ingresso na organização pública em que atuam No caso dos servidores não vinculados ao Código de Conduta da Alta Administração Federal. pela sua natureza. direta ou indiretamente. como usualmente é o caso daquelas que oferecem cursinhos para concursos também não encontra vedação legal. Pode o agente público prestar. d) possa transmitir à opinião pública dúvida a respeito da integridade. moralidade. examinadas as circunstâncias de casos concretos. implicar o uso de informação à qual a autoridade tenha acesso em razão do cargo e não seja de conhecimento público. que permite a acumulação de remuneração mesmo quando se trate de docência em instituição pública de ensino. ANOTAÇÕES ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 33 .Ética Matéria Quando o grau de parentesco for superior. pois a situação. quando o grau de parentesco for até o 4º grau. é possível que a autoridade tenha parente que trabalhe para entidade que presta serviço ou tem relação de negócio com o órgão público onde exerça suas funções. Pode a autoridade ser beneficiária de patrocínio ou contribuição para desenvolver atividade permitida? Sim. que o cargo ou função pública do servidor ou empregado não seja utilizado para promover o evento por qualquer meio. 37 da Constituição Federal. mas vinculados ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. do exame de qualquer matéria de interesse da entidade fiscalizada. suscita conflito de interesse. Quando se tratar de funcionário não vinculado ao Código de Conduta da Alta Administração Federal. inclusive do processo decisório que tenha levado à realização do concurso. com base no que dispõe a Resolução CEP nº 8: a) não violar o princípio da integral dedicação ao cargo público. direta ou indiretamente. O exercício da atividade docente para entidade privada de ensino. suscita conflito de interesse. poderá se manifestar em sentido contrário. b) não implicar a prestação de serviço a pessoa física ou jurídica ou a manutenção de vínculo de negócio com pessoa física ou jurídica que tenha interesse em decisão individual ou coletiva da autoridade. c) possa pela sua natureza. que exige a garantia de precedência para o cumprimento dos deveres e responsabilidades do cargo público. pois a situação. ou que tenha interesse em decisão de que participe. nos termos do que dispõe a letra “a” do item 1 da Resolução CEP nº 8. para atuar em área ou matéria sobre a qual o órgão ou entidade a que serve tem responsabilidade? Não. desde que a autoridade não participe do processo de identificação e contratação da entidade. devendo ser observada a compatibilidade de horários e as seguintes limitações. desde que não tenha concorrido direta ou indiretamente para a contratação do parente. exceto se o patrocínio ou contribuição tiver por origem entidade pública ou privada com a qual se relacione ou potencialmente possa vir a se relacionar em razão do exercício de função ou cargo público. desde que não ocorra em prejuízo do exercício das funções e atribuições inerentes ao cargo público. consultoria a pessoa física ou jurídica em projeto cuja análise seja de sua responsabilidade? Não. e desde que publicamente se declare impedido para participar. pela sua natureza. Pode a autoridade afastar-se temporariamente do cargo ou função. Em vista do exposto.

são feridas mais dilacerantes da contemporaneidade que devem ser recapituladas. 02. c) o aguçar-se das tensões étnicas e religiosas. d) a avareza. d) Todas as alternativas acima estão corretas. em seu Livro de Direito Administrativo Brasileiro. c) a ambição. EXCETO: a) a humildade.A. d) a gratidão.A. a) todas as assertivas estão corretas. 05. c) generosidade e conduta ética. em seu texto “a Ética e vida”. 11. b) a justiça. 09.D. b) somente II e III estão corretas. 03.a existência de regimes ditatoriais e o repetir-se da violação dos direitos humanos em muitos países. EXCETO: a) assiduidade. quer dizer. d) N. José Renato Nalini. correlacione as colunas 1 e 2. Assinale a alternativa CORRETA. c) lealdade. EXCETO: a) a prudência. c) somente l. e também a tradução irresponsável do princípio de autodeterminação dos povos. São considerados como deveres gerais dos servidores públicos. De acordo com o pensamento do autor é COR- 34 . propiciando maior facilidade na fuga dos criminosos. Segundo José Renato Nalini. A seguir. vários são os deveres do servidor público. IV. existente desde o princípio do Capitalismo Moderno e da automação industrial. 06. c) Comportar-se eticamente pode ser a receita para evitar que o direito venha a disciplinar todas as condutas e a sancionar todas as infrações. De acordo com o livro Fundamentos de Ética Empresarial e Econômica a melhor definição de ética é: a) Ética é a parte da filosofia que estuda a moralidade do agir humano.D. Levando em conta os deveres atinentes aos servidores públicos em geral. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA: De acordo com Renato Nalini. em seu texto “a Ética e a vida” faz questionamentos acerca da maneira de se aprimorar eticamente. em seu Livro de Direito Administrativo Brasileiro. no capítulo referente à Ética e a vida. com a crescente desproporção entre a população e os recursos disponíveis. Podemos considerar como grandes virtudes. assinale a alternativa correspondente à seqüência CORRETA: 01. II. com intoleráveis danos à biosfera e às condições de sobrevivência das diversas formas de vida sobre a terra. III. Não podemos considerar como virtudes. c) Foi acrescentado à nossa Constituição Federal de 1988 pela emenda Constitucional 45/2004. d) N. das discriminações de casta e de sexo. b) eficiência e obediência. d) saúde.a crise das relações inter-humanas de solidariedade e a exclusão de faixas inteiras da sociedade.a crise demográfica. EXCETO: a) a modernização dos meios de transporte. b) É um dever derivado do direito natural. EXCETO: a) conduta ética e eficiência.Ética 5 EXERCÍCIOS RETO afirmar que: a) A ética pode tornar dispensável a juridicização da vida. Todas as alternativas abaixo contêm alguns destes deveres. cada vez mais ativos e velozes. c) Ética é o estudo ou reflexão da suposta influência dos astros no destino e comportamento dos homens. b) a preguiça. De acordo com Hely Lopes Meirelles. De acordo com Renato Nalini. d) a expansão das organizações criminais transnacionais e do mercado mundial das drogas. 08. II e IV estão corretas. 10. d) todas as alternativas acima estão corretas. b) O Direito não é panacéia para todos os problemas. d) lealdade e obediência. 04. b) a crise ecológica. considera os atos humanos enquanto são bons ou maus. d) Existe desde a promulgação da Constituição Federal de 1988. a ética e o direito relacionam-se mutuamente no mundo atual. c) a inveja. Entre os caminhos apontados pelo autor estão: a) exame de consciência e revisão da escala de valores b) pautar-se pêlos valores reais e aferir objetivamente a observância desses valores c) não transigir com os deslizes éticos e reconhecer a urgência no retorno à vida ética. De acordo com Hely Lopes Meirelles. b) Ética é a visão político científica advinda dos pensamentos pré-concretos do iluminismo Francês. são feridas mais dilacerantes da contemporaneidade que devem ser recapituladas: I. em seu texto “a Ética e vida”. b) honestidade.o recurso à guerra como resolução das controvérsias internacionais. quanto ao dever de eficiência do servidor público podemos dizer que: a) Sempre existiu no Direito Brasileiro. 07.

Ética Matéria 1. Conduta Ética 3.. d 03. d 08.. a 10. a ANOTAÇÕES ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 35 ... Obediência 4..) tratar com educação e respeito os colegas de trabalho e o público em geral. .. .. Urbanidade a) 3 – 4 – 2 – 5 – 1. c 09. Assiduidade 2. identificando-o com os superiores interesses do Estado.) imposição.. c 11. Lealdade 5.. GABARITO 01... c 06. a 04. ... . a 07. c) 2 – 5 – 1 – 3 – 4.. d) 2 – 3 – 5 – 1 – 4. (. c 02. de comparecimento ao local de trabalho.. ao servidor.) exige de todo servidor a maior dedicação ao serviço e o integral respeito às leis e às ins(... b) 4 – 5 – 1 – 3 – 2. tituições constitucionais.) decorre do princípio constitucional da moralidade administrativa.) impõe ao servidor o acatamento às ordens legais de seus superiores e sua fiel execu¬ção. . (. nos dias e horários determinados. d 05.. (.. (..

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