ÉTICA

SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 02 2. CONCEITOS: ÉTICA, MORAL, VALORES E VIRTUDES ..................................................... 06 3. ÉTICA APLICADA ............................................................................................................. 18 4. CÓDIGO DE CONDUTA DA ALTA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL ........................................ 29 5. EXERCÍCIOS ..................................................................................................................... 34

Ética

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INTRODUÇÃO
pela sorte do semelhante, assentam-se na perda de valores morais. A insensibilidade no trato com a natureza denota a contaminação da consciência humana pelo vírus da mais cruel insensatez. É paradoxal assistir à proclamação enfática dos direitos humanos, simultânea à intensificação do desrespeito por todos eles. De pouco vale reconhecer a dignidade da pessoa, insculpida como princípio fundamental da República, se a conduta pessoal não consegue pautar se por ela. Somente se vier a ser recomposto o referencial de valores básicos de orientação do comportamento, será viável a formulação de um futuro mais promissor para a humanidade, perplexa diante de um inesgotável incremento das descobertas científicas, a dominar tecnologias mais avançadas mas ainda envolta no drama da incapacidade de superação das angústias primárias. Prometia-se um terceiro milénio de paz, harmonia e ócio saudável. Em lugar disso, o inesperado surge para aturdir. Violência e medo se aliam para trazer desconforto à alma e a sólida sensação de falência da moral. Não foi apenas o 11 de setembro de 2001 a mostrar a vulnerabilidade de todos os esquemas de uma inviável segurança. São Paulo, a unidade mais desenvolvida da Federação, teve o seu dia fatídico em 15 de maio de 2006. Reforçar o aparelho repressivo, construir mais presídios, reduzir a maioridade penal, agravar as penas, tudo isso representa paliativos para os efeitos. Muito mais difícil é combater as causas. Dentre estas, não é menor a insuficiência do papel familiar de transmissão de valores, de formadora da cidadania, de edificação de uma nova elite moral. (A incompetência da educação para incluir a vasta legião daqueles chamados “excluídos” mas que, na verdade, nunca chegaram a ser incluídos na sociedade cidadã, é outro fator de imprescindível enfrentamento.) Permeia todas as análises a carência ética de uma sociedade cada vez mais egoísta, materialista e consumista. Despertá-la para uma responsabilidade individual, cidadã e social é o papel da ÉTICA neste terceiro milénio, que não parece corresponder às expectativas dos otimistas, mas reservar prenúncios nada animadores para a família humana. Ética é a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. É uma ciência, pois tem objeto próprio, leis próprias e método próprio, na singela identificação do caráter científico de um determinado ramo do conhecimento. O objeto da Ética é a moral. A moral é um dos aspectos do comportamento humano. A expressão moral deriva da palavra romana mores, com o sentido de costumes, conjunto de normas adquiridas pelo hábito reiterado de sua prática. Com exatidão maior, o objeto da ética é a moralidade positiva, ou seja, “o conjunto de regras de comportamento e formas de vida através das quais tende o homem a realizar o valor do bem”. A distinção conceituai não elimina o uso corrente das duas expressões como intercambiáveis. A origem etimológica de Ética no vocábulo grego “ethos”, significa “morada”, “lugar onde se habita”. Mas também quer dizer “modo de ser” ou

A ética está em todos os discursos. A propósito de qualquer acontecimento, levantam-se as vozes dos moralistas a invocar a necessidade de reforço ético. Ética, infelizmente, é moeda em curso até para os que não costumam se portar eticamente. Por isso, é compreensível que muitos já não acreditem no termo ética. Trivializou-se o chamado à ética, para servir a qualquer objetivo. Além disso, a utilização excessiva de certas expressões compromete o seu sentido, como se o emprego freqüente implicasse em debilidade semântica. Isso parece ocorrer com os vocábulos JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE, SOLIDARIEDADE, DIREITOS HUMANOS e também com o termo ÉTICA.

A invocação exagerada a tais palavras, nos contextos os mais diversos, conseguiu banalizar seu conteúdo. Situam-se em todos os discursos, ensaios e manifestações. Não há mais fronteiras ideológicas entre elas: todos se valem do prestígio de seu conteúdo. Ante seu pronunciamento, os ouvidos se amparam em certa insensibilidade, pois acredita-se não mais haver necessidade dessa reiteração. Além de cansativa, seria desnecessária. Os conceitos já teriam sido adequadamente assimilados. O núcleo comum a todas essas palavras é sua evidente carga emotiva. São expressões que se impregnam de sentimento. Distanciam-se do sentido racional. Não guardam enunciado singelo. Encerram a complexidade própria às questões ditas filosóficas. Reforçam a convicção “de que o objeto próprio da filosofia é o estudo sistemático das noções confusas. Com efeito, quanto mais uma noção simboliza um valor, quanto mais numerosos são os sentidos conceituais que tentam defini-la, mais confusa ela parece”. Entretanto, nunca foi tão urgente, como hoje se evidencia, reabilitar a ÉTICA. A crise da Humanidade é uma crise de ordem moral. Os descaminhos da criatura humana, refletidos na violência, na exclusão, no egoísmo e na indiferença

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Ética
“caráter”. Esse “modo de ser” é a aquisição de características resultantes da nossa forma de vida. A reiteração de certos hábitos nos faz virtuosos ou viciados. Dessa forma, “o ethos é o caráter impresso na alma por hábito”. Como os hábitos se sucedem, tornam-se por sua vez fonte de novos hábitos. O caráter seria essa segunda natureza que os homens adquirem mediante a reiteração de conduta. Sob essa vertente, “moral” e “ética” significam algo muito semelhante. Por isso a aparente sinonímia das expressões “valor moral” e “valor ético”, “normas morais” e “normas éticas”. Todavia, a conceituação de ética ora adotada autoriza distinguila da moral, pese embora aparente identidade etimológica de significado. Ethos, em grego, e mós, em latim, querem dizer costume. Nesse sentido, a ética seria uma teoria dos costumes. Ou melhor, a ética é a ciência dos costumes. Já a moral não é ciência, senão objeto da ciência. Como ciência, a ética procura extrair dos fatos morais os princípios gerais a eles aplicáveis. “Enquanto conhecimento científico, a ética deve aspirar à racionalidade e objetividade mais completas e, ao mesmo tempo, deve proporcionar conhecimentos sistemáticos, metódicos e, no limite do possível, comprováveis.” Poder-se-ia mesmo indagar: Por que, aliás, ética e não moral? Impõem-se aqui algumas definições, suficientemente abertas e flexíveis, para não congelar, desde o princípio, a análise. A etimologia não poderia nos guiar em nada nesta tarefa: ta êthé (em grego, os costumes) e mores (em latim, hábitos) possuem, com efeito, acepções muito próximas uma da outra: se o termo ‘ética’ é de origem grega e o moral, de origem latina, ambos remetem a conteúdos vizinhos, à ideia de costumes, de hábitos, de modos de agir determinados pelo uso. A distinção mais compreensível entre ambas seria a de que ética reveste conteúdo mais teórico do que a moral. Pretende-se a ética mais direcionada a uma reflexão sobre os fundamentos do que a moral, de sentido mais pragmático. O que designaria a ética seria não apenas uma moral, conjunto de regras próprias de uma cultura, mas uma verdadeira “metamoral”, uma doutrina situada além da moral. Daí a primazia da ética sobre a moral: a ética é desconstrutora e fundadora, enunciadora de princípios ou de fundamentos últimos. A ética é uma disciplina normativa, não por criar normas, mas por descobri-las e elucidá-las. Seu conteúdo mostra às pessoas os valores e princípios que devem nortear sua existência. A Ética aprimora e desenvolve o sentido moral do comportamento e influencia a conduta humana. Aliás, identificar as tarefas da Ética pode clarear o seu conceito. Para Adela Cortina, “entre as tarefas da ética como filosofia moral são essenciais as que seguem: 1) elucidar em que consiste o moral, que não se identifica com os restantes saberes práticos (com o jurídico, o político ou o religioso), ainda esteja estreitamente conectado com eles; 2) tentar fundamentar o moral; ou seja, inquirir as razões para que haja moral ou denunciar que não as há. Distintos modelos filosóficos, valendo-se de métodos específicos, oferecem respostas diversas, que vão desde afirmar a impossibilidade ou inclusive a indesejabilidade de fundamentar racionalmente o moral, até oferecer um fundamento; 3) tentar uma aplicação dos princípios éticos descobertos aos distintos âmbitos da vida cotidiana”. Se a ética é a doutrina do valor do bem e da conduta humana que tem por objetivo realizar esse valor, a nossa ciência “não é, senão uma das formas de atualização ou de experiência de valores ou, por outras palavras, um dos aspectos da Axiologia ou Teoria dos Valores”. Assim, o complexo de normas éticas se alicerça em valores, normalmente designados valores do bom. Há conexão indissolúvel entre o dever e o valioso. Pois à pergunta “o que devemos fazer?” só se poderá responder depois de saber a resposta à indagação “o que é valioso na vida?” Toda norma pressupõe uma valoração e, ao apreciá-la, surge o conceito do bom - correspondente ao valioso - e do mau - no sentido de desvalioso. E norma é regra de conduta que postula dever. Todo juízo normativo é regra de conduta, mas nem toda regra de conduta é uma norma, pois algumas das regras de conduta têm caráter obrigatório, enquanto outras são facultativas. As regras a serem observadas para acessar a internet ou para viabilizar um programa de software, por exemplo, são de ordem prática e exprimem uma necessidade condicionada. Elas se incluem no conceito de regras técnicas, ou seja, preceitos que assinalam meios para a obtenção de finalidades. As regras técnicas contrapõem-se as normas e preceitos cuja observância implica um dever para o destinatário. A noção de norma pode precisar-se com clareza se comparada com a de lei natural, lembra Garcia Máynez. As leis naturais, ou leis físicas, são juízos enunciativos que assinalam relações constantes entre os fenómenos. Sob o enfoque da finalidade, as leis físicas têm fim explicativo e as normas têm fim prático. As normas não pretendem explicar nada, mas provocar um comportamento. As leis físicas, ao contrário, referem-se à ordem da realidade e tratam de torná-la compreensível. O investigador da natureza não faz juízos de valor. Simplesmente se pergunta a que leis obedecem os fenómenos. Ao formulador de normas do comportamento não importa o proceder real da pessoa, senão a explicitação dos princípios a que sua atividade deve estar sujeita. A norma exprime um dever e se dirige a seres capazes de cumpri-la ou de violá-la. Se o indivíduo não pudesse deixar de fazer o que ela prescreve, não seria norma genuína, mas lei natural. De maneira análoga, careceria de sentido declarar que a distância mais curta entre dois pontos deve ser a linha reta, porque isso não é obrigatório, senão necessário e evidente. É da essência da norma a possibilidade de sua violação. Outra diferença pode ser apontada entre a norma e a lei natural ou física. A lei física é suscetível de ser provada pêlos fatos e a norma vale independentemente de sua violação ou observância. A ordem normativa é insuscetível de comprovação empírica. “As normas não valem enquanto são eficazes, senão na medida em que expressam um dever ser.” Aquilo que deve ser pode não haver sido, não ser atualmente nem chegar a ser nunca, mas perdurará como algo obrigatório. Torna-se mais fácil compreender a distinção quando se acena com o ideal da paz perpétua ou da absoluta harmonia entre os homens. É quase certo não se convertam nunca em realidade, mas a aspiração a atingi-las é plenamente justificável, pois tendente a concretizar algo valioso. Não há relação necessária entre validez e eficácia da norma. “A validez dos preceitos reitores da ação humana não está condicionada por sua eficácia, nem pode ser destruída pelo fato de que sejam infringidos. A norma que é violada segue sendo norma, e o imperativo que nos manda ser sinceros conserva sua obrigatoriedade apesar dos mendazes e dos hipócritas. Por isso se diz que as exceções à eficácia de uma norma não são exceções à sua validez.” Já as leis naturais, só se validam se a experiência as não desmente.

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mediante o compromisso íntimo de observá-los na vida individual. Em oportunidades múltiplas da existência. para comportar-se eticamente em seu universo. a tese subjetivista postula autêntica criação de valores por vontade dos homens. a pregação e a vivência ética.a consciência humana . onde reside o seu sentido de valor. E essa é sua vocação espontânea. em todos os tempos e 4 . Esse pressuposto adquire relevância extrema numa era em que as criaturas se comportam em desacordo com as normas. A moral como matéria-prima desta ciência do comportamento das pessoas em sociedade. Os valores não se criam nem se transformam. a pessoa sabe que precisa se definir e optar. infringência ou indiferença humana pelas normas não deve desalentar aqueles que acreditam na sua imprescindibilidade para conferir sentido à existência. senão descobrimento ou ignorância dos mesmos. a escala que lhes servirá de parâmetro na conduta inserta naquele momento histórico e de acordo com o estamento a que pertencerem. Para o absolutista. A relativista acredita seja de ordem empírica. é uma hipótese significativa de trabalho.é provido de certa bússola natural que o predispõe a discernir. “pode haver homens imorais em relação a determinados códigos vigentes. como aquilo “que nos faz sentir-nos bem depois e imoral aquilo que nos faz sentir-nos mal depois”. Ainda que aparentemente a prática possa demonstrar o contrário. Ainda que o índice de espontâneo cumprimento dos ditames éticos não seja o ideal. à conclusão de que não há criação nem transmutação de valores. Uma outra diferença entre ambas: a corrente absolutista proclama o conhecimento da norma ética a priori. Para simplificar. em lugar disso. O resultado dessa contraposição de ideias é que a tese objetivista conduz.aparentemente vulnerável -. ou seja. há sempre possibilidade de sua otimização. não houvesse um critério de estimação e uma instância . do subjetivismo. lugares. O desafio é perene e deve trazer ao menos certa angústia ao homem imerso numa sociedade em que o relativismo abrange dimensões inesperadas. precisam estes acreditar derivem de justificativa consistente. portanto. como justo. O empirismo advoga a existência de várias morais e.pode tornar-se cada dia melhor. A potencialidade de conversão de um ser humano . A luta da parcela sensível da humanidade é ampliar esse espaço de trabalho comunitário e por diminuto possa parecer tal espaço. A norma de conduta moral provém de um valor objetivo ou decorre de uma fixação arbitrária? Ela é norma válida para todos. À pessoa ética deveria corresponder uma conduta compatível com um núcleo comum de valores consensualmente aceitos e com permanência na história da MORAL ABSOLUTA OU RELATIVA? Moral é expressão que todos conhecem. Por isso é que.Ética A possibilidade de inobservância. a crença é a de que todo ser humano . Uma das missões capitais da ética consiste precisamente em afinar no homem o órgão moral que torna possível tal descobrimento. Hemingway conceituou moral de maneira bem compreensível. na filosofia da consciência. O papel confiado aos cultores da ciência normativa é reforçar essa tendência. Os preceitos éticos são imperativos. Adela Cortina sublinha que “o moral. à medida do necessário ou do oportuno. mas não existem homens ‘amorais’. a humanidade só avança se uma grande maioria se convencer de que o homem pode ser recuperado. entre o que é certo ou errado. Pese embora a multiplicação de maus exemplos. A figura do semáforo moral é elucidativa. o bom combate continua válido. Sente-se e identifica-se um sinal verde a indicar passagem livre. O absolutismo. mais que a moral. não há como prosseguir no estudo da ética. Já os relativistas entendem não haver sentido falar-se em valores à margem da subjetividade humana. para reconduzi-lo à senda original. Como se todas as escolhas se justificassem diante da irrestrita autonomia da vontade. E o grupo tem de atuar no sentido de estimular a boa prática. O bom e o mau não significam algo que valha por si. no terreno epistemológico. A criatura tende naturalmente para o bem. Cada pessoa dotada de um mínimo de consciência já se defrontou com esse fenómeno íntimo. no auxílio àquele que se afastou do trajeto. Para serem racionalmente aceitos pêlos destinatários. cada ser humano . moral é a formação do caráter individual. Integram essa linguagem expressões de uso corrente. Enquanto isso. posto se tratar de um fenómeno e não de uma doutrina . O bem é fruto de criação subjetiva e a norma moral é mero convencionalismo. da virtude e do vício.capaz de intuir o que vale. poupado de qualquer estado patológico . Sem essa noção. um sinal amarelo a determinar precaução e uma luz vermelha com o significado de vedação. Basta atentar para a sua consciência estimativa. tantos e tão desalentadores os maus exemplos.por integrar a espécie . De acordo com esta. Mas torne-se à moral como objeto da ética. a dimensão humana pode ser definida como dimensão moral. Ou seja.ao menos o humano considerado normal pelo senso comum. Sob esse prisma. além de outros fatores condicionantes da opção concreta em cada oportunidade. se justifica o estudo. É intuitiva a qualquer pessoa considerada normal. a norma ética tem vigência puramente convencional e é mutável. Cada pessoa sabe que tanto pode observar como deixar de atender aos sinais.acompanha a vida dos homens e é captado pela reflexão filosófica em várias dimensões”. de acordo com as circunstâncias pessoais. mentira. naturalmente. lealdade. Na filosofia do ser. A intuição moral é tão presente na consciência humana que se pode sustentar carecer de sentido a expressão amoralismo. É aquilo que leva as pessoas a enfrentar a vida com um estado de ânimo capaz de enfrentar os revezes da existência. a compreensão do que se pretende dizer quando se pronuncia a palavra moral. De acordo com a primeira. a validez é atemporal e absoluta. infringência ou indiferença perante a ordem do dever ser. não existem homens para os quais careça de sentido a linguagem moral” . Não se poderia falar do bom e do mau. fala-se em consciência moral e aceita-se mesmo um tipo de linguagem que pode ser identificada como linguagem moral. propõe a moral universal objetiva. ou sua validade é historicamente condicionada? Existem ao menos duas posições antagónicas: uma absolutista e apriorista e outra relativista e empirista. fazendo reduzir o nível de inobservância. Cada qual saberia estabelecer a sua hierarquia valorativa. Uma das características da contemporaneidade é conferir ao foro íntimo uma supervalia. Todos têm uma determinada moral e a qualquer pessoa é importante manter preservado o seu moral. se descobrem ou se ignoram. O homem é um ser perfectível. entendendo-a como sensação. mas são palavras cujo conteúdo é condicionado por referenciais de tempo e espaço. Estes formulam.

reitere-se. corresponderá a deslegitimação da normatividade ética e jurídica.Ética Matéria humanidade. o mais importante é fazer com que o ser humano se conscientize da necessidade de desenvolver uma consciência moral cada vez mais convicta e exigente do que semear erudição. Ao ANOTAÇÕES ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 5 . Seria a porta de retorno ao caos e à barbárie. ética de bens. As subdivisões atendem ainda a uma finalidade pedagógica: o treino da capacidade de memorização e da estratégia de ordenamento das informações. Os diferentes tipos se interpenetram e podem se apresentar como formas ecléticas. Classificar é compartimentar o conhecimento para que ele seja facilmente encontrado nos escaninhos da memória. quando se mostrar necessária a sua recuperação. A CLASSIFICAÇÃO DA ÉTICA A Ciência dos deveres admite tantas classificações quantas as escolas. O agrupamento das doutrinas morais sob essas quatro denominações tende a considerar sob uma visão particular do autor o desenvolvimento do pensamento moral. O sentido da separação é tentar facilitar o estudo da Ética. em lugar da lassidão extrema dos achismos. dentre muitas possíveis. Por isso a arbitrariedade das classificações. A classificação presente leva em consideração as quatro formas fundamentais de manifestação do pensamento ético ocidental. mediante contemplação do aspecto preponderante a ela conferido por certas doutrinas. a advertência serve a qualquer classificação. com vistas à sua utilidade futura e permanente. adotada nos estudos de Eduardo Garcia Máynez elas recebem o nomWe de: ética empírica. de maneira a tornar mais facilitada a sua localização. Não há intenção de se excluir qualquer outra classificação adotada por outros pensadores. também. Aliás. na ortodoxia dos critérios distintivos entre cada classe. A legitimar-se toda e qualquer ação em nome da liberdade de escolha. Não se deve confiar. a pretensão do classificador é delimitar as áreas do conhecimento e sistematizá-la. ética formal e ética valorativa. É uma escolha. se estudar ética. ideologias ou correntes de pensamento existentes. Ao se classificar.

valores e ideais do homem. todo homem conhece em si a existência de tal ordem. portanto. mas para aprender a tornar-se virtuoso e bom. buscando o bem do homem. pode-se dizer que. seu sentido do dever. considera os atos humanos enquanto são bons ou maus. no caso em que as ações realizada pelo homem orientam-no para atingir seu bem absoluto e supremo. A ordem dos preceitos dessa lei pode ser conhe- ÉTICA COMO CIÊNCIA A filosofia prática visa definir o bem do homem. porém. não o fim último (constituem exemplos todas as regras das artes). seja estudada em dois aspectos: Moral Geral. No entanto. A Ética é a parte da filosofia que estuda a moralidade dos atos humanos. por exemplo). desenvolve-se na sociedade e na história. A lei se encontra no ser que a estabelece e que. ordena ou orienta os atos humanos. Cabe sempre a dúvida. as virtudes). para então aplicar estes princípios aos diversos campos em que a atividade do homem se realiza e concretiza (Ética Especial). VALORES E VIRTUDES moralidade dos atos humanos (o fim último. constituindo esta o objeto da moral. embora não essencialmente prática. pois nos é dado conhecer nossas inclinações naturais. por esse aspecto. que são as ações livres em que o homem decide fazer ou omitir. leis civis. bem comum da sociedade. Como a ordem da natureza humana foi disposta por seu Criador. Baseia-se no que efetivamente ocorre na consciência e na sociedade. circulação do sangue). A Ética contempla a natureza. seja qual for sua espécie. enquanto livres e ordenados a seu fim último. pode-se provar a existência da lei natural pela experiência. mas sim por se dirigir à ação. 1972) FONTES E MÉTODOS DA ÉTICA Pode-se dizer que a principal fonte da Ética é a realidade humana. as condições universais da atividade moral. seu conteúdo (Ética Geral). uma vez que seu fim reside na definição das regras gerais da ação. a lei moral. cumprindo a função de explicar. Aristóteles já dizia que não se estuda Ética para saber o que é a virtude. haja vista o remorso ou satisfação que se experimenta por ações livremente realizadas. justificar e manifestar a experiência moral do homem. realizados por um fim último. denominada por isso lei natural. ou externa e social. a Ética não se detém no conhecimento da verdade em si. seja por falta de conhecimento ou voluntariedade (como são os atos de um deficiente mental. ou a Filosofia Moral. e os atos que são ações não livres. Assim. quer dizer. “Ética é a parte da filosofia que estuda a moralidade do agir humano. em termos dos atos humanos. não abrange aí o ato concreto de produção de uma obra. na qual a razão encontra e conhece os princípios morais. no entanto. a História. De modo natural. como ciência prática. a consciência. que analisa os princípios básicos da 6 . uma ciência normativa. É. Cabe uma diferença entre os atos humanos. por nossa natureza racional. a atividade humana pode ser encarada como um fazer uma obra (filosofia da arte). Constituindo uma inclinação impressa em sua natureza. ou agir (moral ou ética). uma vez que a própria experiência moral. regula os atos humanos enquanto humanos. mas em sua aplicação na conduta livre do homem. digestão. Ela é especulativa. entendese que a Ética. a qual é de domínio das artes essencialmente práticas. Sob esse prisma sabe-se que o conhecer não tem sentido em si. de um modo participado. MORAL. ou por que tal ação é boa ou má. Em primeiro lugar. a Ética passa à categoria de arte. e a Moral Especial ou Social. seja porque escapem ao domínio direto da vontade (crescimento. porém. Além disso. objeto da ética. devemos conhecer nosso próprio ser. Assim. Voltada para a retidão moral dos atos humanos. técnicas ou morais. Puelles traça um diferencial entre a lei natural e a lei civil. seria um estudo completamente inútil. no que diz respeito a seu método e objeto. autoridade e governo. Observe-se que a Ética é uma ciência prática. fornecendo-lhe as normas necessárias para o reto agir.Ética 2 DEFINIÇÃO CONCEITOS: ÉTICA. de acordo com seu valor absoluto. Sabendo que o homem é social por natureza e dirige-se para seu fim último em união com os outros homens. universais e certos. tomando por ponto de partida a experiência moral. a Ética é uma ciência prática. de caráter filosófico. no entanto. Como fontes secundárias. Deles derivam os princípios da Ética. a obra a produzir e a ação a realizar. suas tendências e inclinações impressas na razão pelo Criador de toda a natureza e ordenadas para seu fim último. a ordem moral da economia e das organizações).” (RODRIGUEZ. sobre o que é o bem e o mal. inteligência adverte a bondade ou malícia dos atos livres. Abarca. por exemplo). Como ciência teórico-prática. Enquanto a lei física determina o comportamento de um agente puramente natural (lei da gravidade. a Ética segue o método empírico especulativo. Assim. a lei técnica ordena um ato humano para um fim restrito. mediante ela. interna e individual. no plano da atividade propriamente humana. a lei encontra-se naquele que é regido por ela. recorrendo aos princípios universais e certos que a razão humana descobre. mas não em sua aplicação. a Sociologia. estão a Psicologia. e procura chegar ao sentido e explicação última de tal experiência ou ato. ou seja. de outra maneira. NATUREZA DO HOMEM Pode-se chamar lei a tudo que regule um ato ou operação. que aplica tais princípios à vida do homem na sociedade (família. e não segundo um valor relativo. A lei moral. A resposta a tais questões conduz a um estudo científico dos atos humanos enquanto bons ou maus. é possível falar-se de leis físicas.

uma determinação. Assim. beleza. que o bem está associado à natureza das coisas ou dos seres. Há. considerando-se autor de uma nova norma. consciente do que ele é por natureza. a verdade e o bem. o homem tende a corromper a própria ciência moral. definem a intenção da conduta do homem. Essa ideia completa-se com a conhecida formulação de Leibniz: a felicidade é para as pessoas o que a perfeição é para os seres. de acordo com o que sua plena realização exige. Deduzir a lei natural com base na natureza humana é proceder em conformidade com os mesmos princípios de investigação da realidade e da experiência. é contrariar a Ética. a boa vontade é a que se dirige habitualmente para o bem. então. É bastante completa a finalidade do agir humano. é fundamental conhecer o objeto. CRITÉRIOS DE ETICIDADE Determina-se a moralidade ou eticidade dos atos humanos com base na consideração de seu objeto. Sua conduta. que princípios a toma apetecível a todos. diversos fatores 7 . chegando a um embotamento da consciência. que abrange toda sua vida. desvinculado da lei natural. em um afã de auto-justificarse. para acionar a força de sua vontade no sentido do verdadeiro bem. própria e alheia. os atos humanos serão maus. Por isso. isto é. Se não houvesse liberdade. Quanto mais o homem conseguir atingir essas realidades. É fato da experiência diária. O homem será tanto mais livre quanto mais sua escolha aproximar-se de seus fins existenciais. para que haja moralidade na conduta humana. diversões). e a última para o bem. Dessa forma. o lucro e a formação profissional são meios para alcançar o fim de determinado empreendimento. se a ação humana não estiver informada pela reta vontade. de modo consciente e livre. os bens que as pessoas almejam? O homem. o homem não poderia fazer esta opção pelo bem ou pelo mal. por isso. Persistir em uma conduta má dificulta o conhecimento moral concreto. representa seu fim último subjetivo. Como a tendência à felicidade pode ser satisfeita com diferentes formas de amor que têm por objeto bens específicos em cada caso (pessoa. ainda que isso constitua apenas um meio para atingir um fim maior. fama. guardando entre si uma ordem. na realidade subjetiva. por natureza. é a virtude. portanto. O específico da pessoa humana é agir consciente e livremente por um fim. subjetivamente. praticando-a se for boa (ética) ou desprezando-a. sua perfeição e os bens necessários a sua própria atuação. qualquer cidadão de seu cumprimento. qual a sua perfeição. a debilidade e a malícia. amado e degustado com plena consciência da sua conveniência para com o fim de sua natureza. desobrigando. mais perto de alcançar a felicidade. A boa vontade. que o homem age no sentido de alcançar determinado fim. muitas vezes complexas. A vontade humana procura o que a razão lhe indica como sendo bom. ou seja. pois a isso ele está destinado em função da própria lei natural. de forma que a natureza humana atinja sua plenitude. A lei natural orienta a conduta humana para a ordem do amor. às da lei moral. o homem necessita aprofundar seus conhecimentos na esfera da lei natural moral. pode-se resumir em três os fatores que dificultam a adesão da vontade ao bem: a ignorância. o conhecimento moral sofre forte influência da ordem ou desordem da liberdade do homem. Verifica-se. busca a felicidade perfeita. o bem conhecido. porém é elaborada livremente pelo homem. Há diversos tipos de fins e uns estão subordinados a outros de acordo com uma hierarquia de valores. ou a reta intenção moral. De fato. em face de suas más ações. a reta razão.Ética cida pelo homem. fazendo com que os fins subjetivos correspondam aos fins existenciais objetivos. uma concretização dessa exigência de organizar a sociedade. Uma vida moral desordenada indica que a vontade decidiu livremente afastar-se do bem. a ordem objetiva dos fins. é possível e conveniente que se analisem as razões que levam a isso. Cardona afirma que não é fácil definir o bem. Em termos simples. pois sua noção é das mais simples e primárias. é uma tendência instintiva. apoiada na razão e com vontade livre. a lei da natureza humana é o modo de agir da natureza do homem. Nasce daí a obrigação de todo ser humano de esclarecer toda e qualquer dúvida a respeito de aplicações da lei natural em situações concretas. Por essa razão. Naturalmente. dinheiro. Dessa relação recíproca entre fins objetivos e subjetivos. as circunstâncias e a finalidade. portanto. Para qualificar alguma coisa boa. considerando-se as potências da inteligência e vontade. mas o bem do próprio homem. porém. é possível que ela não chegue a ser entendida. A vontade livre adere à ação. Quais são. levando a um necessário obscurecimento das verdades que se referem ao fim último das pessoas. Se a vontade é a sede do instinto fundamental do homem. Assim. a felicidade é procurada por todos os homens. poder. A consciência julga a validade moral dessa ação. conclui-se que os fins não podem justificar os meios. A lei civil é. se for má (antiética). procura que os fins subjetivos e objetivos coincidam. Ao se questionar o motivo de determinada ação ser moralmente má. a realidade perseguida pelo ato. portanto. seguindo a ordem de tais inclinações. pois o homem almeja fins múltiplos. mas se orienta para o bem. temos que a primeira tende para a verdade. no que tange a seus fins naturais. Essa exigência natural de uma ordem que favoreça a convivência social implica a subordinação da lei civil à lei natural. no entanto. Se os fins forem objetivamente maus. a ordem do amor. evitando uma ignorância culpável que o levaria a atuar sem liberdade. que lhe confere orientação para o sumo bem. é importante que o homem tenha o exato conhecimento da escolha dos bens. com isso. A vontade busca os fins que. Outros bens concretos são apenas fontes de felicidade para o homem. Em outras palavras. Uma lei civil que contrarie a ordem natural é moralmente ilícita. de inteligência e vontade. A lei civil origina-se na necessidade de organizar a sociedade em que o homem vive. Aristóteles resumiu todos os bens essenciais da natureza humana em um: a felicidade. a ação que não se revista de liberdade está destituída de um dos componentes essenciais das ações éticas. Atribuir à lei civil apenas um caráter político. iluminada pela verdade. tanto mais próximo estará de sua realização plena e. A liberdade confere ao homem a capacidade de escolha. Por aí se vê que. Se os aspectos natural e racional da lei moral não forem devidamente conjugados. não é fruto de simples instinto ou coação de outrem. considera todas as circunstâncias que envolvem a ação. a ação poderá ser má. A atuação humana. Dotado. que outras ciências empregam para estabelecer suas leis. o homem busca. dirige-se para um fim. A perfeição não é somente o bem. Com efeito. a perfeição essencial de sua vida e sua felicidade. a inteligência.

pela Ética. não está se comportando bem. Consciência é expressão de utilização constante. guardadas as devidas proporções. entendendo-se por ascese o exercício e a ação exemplar”. efetivamente. Para que um ato seja bom. igual entre iguais”. não padecendo de conflitos de ilegitimidade. Nem sempre reveste legitimidade. Este não coincide. hoje. configura um ato não ético. Relevante enfatizar a distinção entre direito e ética. A finalidade ou fim é a intenção que move o agente a realizar o ato. necessariamente. Mas esse ideal é inalcançável. Esta é a razão do estudo da filosofia e da conduta humana. Comportar-se eticamente pode ser a receita para evitar que o direito venha a disciplinar todas as condutas e a sancionar 8 . provida mesmo de certa ambiguidade. pode-se agravar ou atenuar a moralidade de um ato. e de outro. todas as infrações. O roubo de dinheiro do caixa da empresa. casuística e contingente a uma questão localizada. de corresponder à expectativa da comunidade. podendo ou não coincidir com o objeto da ação. sua plena realização como ser humano. modernamente. A ética poderá conduzir o ser humano à vida solidária que se espera venha a irmanar os ocupantes do mesmo planeta. E consciência moral seria “a propriedade do espírito humano de dar juízos normativos. ação que é suscetível de constituir modelo para os demais. alimentada por verdadeiro espírito fraterno. valor se não vier a ser espiritualmente aceito pelo homem. faz uma análise do objeto do conhecimento. que é a posse do bem supremo. as organizações ou instituições são agentes da sociedade que dependem de homens de caráter bem formado. feito com a boa intenção de dar o dinheiro para os pobres. O caminho para a verdadeira liberdade. o fim e a ordem da vida social. Isso significa. plurais e antagónicas. é aquela ditada pela reta consciência. que a intenção é fundamental para caracterizar a ação ética. Exterioriza-se formalmente. de um lado. E homem consciente de suas responsabilidades é o homem ético. A ética pode tornar dispensável a juridicização da vida. A lei feita de encomenda. Todos os fins orientam-se para o fim último do homem. ou “através do qual a liberdade se liberta e transcende o mundo historicamente dado não é a via revolucionária. O cumprimento espontâneo das obrigações deveria ser a regra. Sua produção moderna. Isso significa que nenhum valor da vida terá. inteligentes. O direito é monopólio estatal. Da mesma forma. Mesmo porque um Estado se compõe de inúmeras comunidades. ciente da oposição nítida entre o que conhece e o que é conhecido. É preferível. A ética é produzida pela reta razão. Por isso o protagonismo aparentemente excessivo dos operadores do direito.Ética ou modificações que afetam o ato humano. do que realizar uma ação má com boa intenção. Uma comunidade assim poderia vir a ser regulada por leis que. O que se afirma do direito poder-se-ia dizer também. as circunstâncias e o fim. por quê. que o fim não justifica os meios. embora eficiente e eficaz. Este se vê obrigado a ser co-criador da lei. com que meios. já que as empresas. espontâneos e ime- A ÉTICA E A VIDA O LUGAR DA ÉTICA NA VIDA O pensamento fïlosófico-jurídico liberal reserva ao direito uma função reduzida. O Direito não é panaceia para todos os problemas. livres. muitas vezes se afasta do bem comum. ainda que a ação seja boa. Poucos conseguiriam. antes de refletirem querer externo e soberano. como. em que é atribuído um lugar a cada fim existencial concreto. competentes e eficazes. notadamente o juiz. A única forma possível de se limitar o limite é tornar o homem mais consciente de suas responsabilidades. Para se compreender as inter-relações que se estabelecem entre os indivíduos e os grupos sociais. O direito será chamado a intervir quando a esfera da autonomia individual vier a falhar. Liberdade e vontade valem mais do que lei e limite. apoiada na ordem essencial da própria natureza humana. A satisfação dos interesses humanos deve se basear no uso espontâneo da liberdade e autonomia individual. heterogéneo em relação àquele nutrido pelas demais. com todas as aspirações em jogo e representadas no Parlamento atual. pois o embate dos interesses só consegue produzir uma obra inacabada. que se pratique uma ação boa. espiritualmente vinculado. cada uma delas podendo nutrir conceito próprio de ordenamento. espelhassem o interesse humano comum com a racionalidade. do próprio Estado. o ato também será mau. Por isso é que a sociedade é uma das fontes produtoras do direito. sob a forma de lei. é mister pensar na sociedade como tal. O critério de moralidade permite definir uma hierarquia de fins. à estrutura igualitária e anti-hierárquica de uma comunidade solidária. o homem moderno se considera espírito livre. membro necessário e insubstituível. A teoria da sociedade e a Ética Social permitem compreender a natureza. extirpou-lhe a característica de relação necessária que deriva da natureza das coisas para ser resposta pontual. sustentar que a lei é a expressão da vontade geral. Assim não fora e não lograria se converter em lei. pessoa entre pessoas. Contrapondo-se ao homem do medievo. organizada racionalmente e eticamente disciplinada: uma comunidade na qual ele terá o conforto de sentir-se valor absoluto. embora sempre legal. e o Estado ideal seria aquele propiciador do máximo de liberdade ao homem. Assim não fosse e o mundo precisaria ser convertido em um enorme Tribunal. Dependendo das circunstâncias. as circunstâncias: quem age. reduzindo suas incertezas e colmatando as deficiências. A liberdade é o grande tema da ética moderna. Somente o próprio homem . Impregna a consciência. atendendo a um determinado grupo ou a um interesse localizado. O melhor direito seria o direito mínimo. mas a via ascética. quando. É sempre legítima. no entanto. ainda que com intenção pouco reta. quando. Ação exemplar. se o homem se utilizar mal de sua liberdade. pois é ser essencialmente livre. bem mais que à autoridade de um Estado soberano que faz cair do alto seus comandos e suas sanções.e ninguém por ele . a cuja sorte estão indissoluvelmente encadeados. Se qualquer um desses três elementos for caracterizado como mau. A consciência psicológica é espontânea. enquanto intuição que o espírito tem de seus estados e de seus atos. conclui-se que devem ser bons o objeto. onde. Toda sociedade depende dos homens que a integram e dos fatores que lhe dão vida e que causam sua atividade. e na ordem social em si.poderá convencer-se disso. se alguém ajuda seu colega de trabalho sem a intenção de prestar ajuda. E talvez “o homem do amanhã se sentirá vinculado. O produto do processo legislativo longe está. É consciência psicológica reflexiva.

ampliar a legião dos miseráveis.. Na formação de uma consciência coletiva direcionada a minorar a injustiça. portanto. a beneficência e a magnificência. Toda pessoa normal possui uma consciência moral.” A ÉTICA E O BRASIL A ética é universal e pertine ao género humano. como argumento de persuasão. mas também a terceira. Outro nome dessa comoção é sensibilidade moral.Ética diatos sobre o valor moral de atos individuais determinados”. ou do levar vantagem em tudo. E temos a obrigação de convertê-la em algo de melhor. É legítima. para que a iníqua repartição de rendas não se perpetue. tem sua aplicação para os ricos que gozam de bens supérfluos e pode com eles exercitar-se. ser viável a vida sem direito. Na participação comunitária. Sem sinalização interior do campo do proibido e do permitido. por isso. pode se incompatibilizar com certas consciências. sobretudo. quanto pelo princípio de fazer o bem. quase sempre ressoa no vácuo da insensibilidade. falar-se em ética brasileira. Uma tendência altruísta pode ser encontrada em alguns outros países. a exclusão social e a iníqua repartição de rendas.) se a justiça desaparece. E o rico tem deveres éticos muito evidentes para com o pobre. a responsabilidade ética para com a miséria deve constituir motivo de desconforto. “(. o apelo das universidades quando conclamam seus ex-alunos a comparecerem. propriedade ou perspectiva de vida. estimulando o desenvolvimento de sua coragem moral. emprego. em poucas décadas. para que o acesso dos excluídos à partilha dos bens da vida seja facilitado. participando do banquete dos mais reconhecidos bens da vida. sem os quais não existe existência digna. mas imbuído de verdadeira responsabilidade moral. para se converter em um pobre a mais. As duas primeiras se complementam. Assim é como a virtude da magnificência tem verdadeiro valor”. Aqui. não tanto regulá-las pelo princípio da rentabilidade. A comunidade jurídica tem outro dever moral. Todos são titulares dessa propriedade do espírito de distinguir entre o bem e o mal. É só do homem do direito que poderá provir uma contribuição efetiva nesse sentido. Tudo aquilo que contribua para o bem-estar do necessitado. a pessoa há de pautarse por ela. ela poderia sugerir imagem não muito favorável à formulação moral nativa. procurando minorar suas dificuldades financeiras. com base nitidamente empírica. Graças a ela somos. Para alguém privilegiado com uma ocupação remunerada. por ser fruto da liberdade e da consciência. o sinal indicativo de que se agiu em desconformidade com o bem. Pois rico é “aquele que em seus bens tem mais do que necessita para o sustento. é coisa sem valor o fato de os homens viverem na Terra”. com a inversão de suas rendas. um abrigo para o desvalido. a sua profundidade verdadeira. Não se está a cogitar do caráter nacional. recorrendo ao magistério de Kant. Pode-se sustentar. Sobretudo. Não o homem apenas tecnicamente preparado. resultante da mescla das três etnias básicas. em grande parte. dando. Além do subjetivismo da opção. Dívida a ser paga de muitas formas. Na cobrança de atuação mais efetiva de parte do poder público. mas será inviável a aferição de sua conformidade com a consciência e elas não revestirão legitimidade. A doação para o pobre não consiste apenas na entrega de bens materiais. pouco significado moral terão as regras positivas. aprofundando o fosso que separa os possuidores dos despossuídos. é uma questão de justiça. E. Há de se contemplar algo de mais objetivo e palpável. É Spinoza quem chama de firmeza de alma. assim como a miséria. algumas características nacionais poderiam sugerir peculiaridades suscetíveis de reflexo na conduta do brasileiro. Mas não haverá vida humana sem ética. mediante correção do ordenamento. num país de desvalidos. Todos devemos à sociedade. que é fruto de uma vontade exterior e que. o que somos. É lição antiga a de que “ao não fazer dos nossos bens o uso que devemos. mais digno e mais humano.. nem de. é uma alternativa eticamente superior ao direito. Um deles é o dever de repartir seus dons. A ética. posição e decoro próprios e de sua família”. procurando. mas pode se manifestar sob a forma de arrumar um emprego para o necessitado. Esse dever de repartir não quer dizer abrir mão daquilo que lhe é necessário. É só mediante essa atitude fundamental de maturidade que tudo ganha a sua plena seriedade. pode se considerar rico. hoje contados aos milhões. a intervenção do Estado. Nem se fala da ética do jeitinho. Não há homem que não tenha a liberdade de obedecer à sua razão. temperada pelos trópicos e pela influência da imigração. Somente os anormais não sentem remorso. Em relação a esses irmãos sem teto. Poderão ser cumpridas mediante imposição e força. dados incontornáveis da realidade brasileira. Quem que possui alguma coisa. O CAMINHAR ÉTICO Existe uma forma de se aprimorar eticamente? Qual a trilha a seguir se eu quiser crescer eticamente? 9 . com educação universitária. que cai admiravelmente aos capitalistas. Possuindo consciência moral. Para isso. O de aprimorar o sistema. E até mesmo através da concessão de auxílio material e donativos. fazer retornar à sociedade aquilo que lhe foi oferecido. que Von Hildebrand chama “estado de vigília moral” e considera pressuposto indispensável da real capacidade de apreender e possuir valores. espontaneamente. No empenho concreto para o encaminhamento dos problemas da exclusão. O ser humano responsável será incapaz de se não comover com a situação de milhões de semelhantes desprovidos dos bens da vida mais básicos. Assim não fora e seria uma questão de amor. Mostra-se imprescindível reverter a tendência brasileira de o privilegiado se não comover com a situação do miserável. trabalho aos necessitados e. teto e automóvel. ao fazer suas inversões. uma palavra de apoio para quem dela necessita. Todavia. os favorecidos pelo sistema contraíram dívida moral. Não faz sentido. O Estado brasileiro conseguiu. recusando-se a ceder ao medo e a qualquer coisa outra que não a verdade. O senso de responsabilidade é base indispensável de uma verdadeira vida moral. esse “desejo pelo qual cada um se esforça por conservar seu ser sob o exclusivo ditame da razão”. Santo Tomás já assinalava a existência de três virtudes em ordem a fazer bem ao necessitado: “A esmola. O estado de vigília moral impedirá que as consciências amorteçam e deixem de indignar-se com o embrutecimento do mundo. muita vez. “A melhor e mais curta definição da virtude é esta: a ordem do amor. pecamos contra a sociedade”.

basta alguém verificar onde está sendo aplicado o seu tempo. o que está bem ou o que está mal. teria aberto uma senda para a transformação da humanidade. na publicidade. cumpridos por todos. senão por se alcançar dinheiro e poder. Até aqueles que não se detêm sobre a questão e já se acreditam irrepreensíveis. mas que ainda padece de enfermidades notórias no seu processo civilizatório. Redescobrir os próprios valores. Procurar pautar-se pêlos valores reais. Mas não é impossível. A recuperação dos valores partirá de uma reformulação de vida. Abandonar o egoísmo cruel e exercer a solidariedade. As pessoas aparentemente não se sentem impelidas a lutar por seus valores. O discurso em torno à categoria dos direitos fundamentais não deixa de ser hipócrita. nem remédios miraculosos. da pessoa individual. Os outros só entram em cogitação quando possam auxiliar a consecução dos objetivos individuais. a única instância julgadora dos próprios atos é o indivíduo mesmo. há de se indagar se os valores deixaram de existir ou se o que ocorre é o fato social constatável consistente na perda de fé ou de entusiasmo ante eles por parte de grande número de pessoas. “substituiu-se o êxito do ideal pelo ideal do êxito”. Pensar mais nos outros. Psicologicamente. Esta parece a vertente correta. Humanidade que atingiu tanto progresso. eles são crenças. E sucesso não é um valor cristão. que são aquelas que a mim me convencem. Esses bens da vida não são somente ideias. Poder político. ao depois disso. Pois a concepção de êxito “que impera em nossos dias é a do êxito puramente externo. a explicação fornecida para justificar-se poderá satisfazer o crítico. assegurariam o mínimo de desfrute dos direitos por parte dos despossuídos. Quando ele for alguém a cuja eleição se contribuiu. Ninguém nega. o indivíduo se arma. quando são desprezados os deveres que. com a admiração social obtida por quem possui bens materiais e poder. senão porque eu decido que é bom em virtude de minhas próprias razões. para que possa reformular sua conduta. o adultério. “Não há instância superior à minha consciência. Quase sempre poderá identificar os valores de sua vida nesse exercício. fazendo-o reformular seu ponto de vista. Verificar aqueles que foram abandonados por inexata compreensão da realidade ou por egoísmo. Sempre que possível.formulação boa em se com a concepção economicista da vida. As primícias do género humano se devotaram ao aprendizado ético e puderam. o antimilitarismo. em primeiro lugar. Todos se conduzem de acordo com sua escala de valores. Os valores são bens da vida aos quais emprestamos afeição. Basta mencionar o aborto. embora com alguns pontos positivos. Obtém-se destaque na mídia não em virtude de altruísmo. Se para algo puder valer. Muita vez. Ela se caracteriza pela falta de homogeneidade moral em relação a certos temas. uma admoestação ética há de ser endereçada ao agente. Se alguém descobrisse uma vacina para imunizar a conduta de qualquer falha ética. acreditando-se destinado à integral satisfação de suas necessidades e aspirações e. O bom não é bom porque seja bom em si. não apenas ideias. se os valores são elementos justificadores das normas sociais que regulam a vida do grupo. a causa ideológica da crise dos valores é a exacerbação do relativismo moral e da concepção utilitária da felicidade. da ampliação excessiva no desenvolvimento da personalidade individual. onde está sendo gasto o seu dinheiro. É necessário mergulhar nos estudos desenvolvidos pela humanidade em torno ao tema permanente. A falta de ética na política. Cada qual pode adotar a sua própria vereda. a final. É necessário inquirir a esse juiz interior se. Regra singela de se atender é a de intransigência com as faltas éticas: próprias. É difícil reverter esse quadro? Sim. cumpre adotar atitude prática. para isso. pois crêem numa natural pureza de espírito. É um ideal narcisista. A causa psicológica é a perda do sentido do dever e o consequente fortalecimento do sentido dos direitos.” Já a concepção utilitária da felicidade. o estudo da ética é necessário. O relativismo moral prega a impossibilidade de se estabelecer com segurança e objetividade os conteúdos de uma moral a ser aceita por todos. Para que esse debate contínuo com a própria retidão tenha proveito. económico ou poder derivado de se titularizar um ideal de beleza ou de sucesso na sociedade de consumo. Exercício válido é formar hemeroteca de exemplos. O sacrifício na intensidade dos valores decorre. Não faz mal transigir em alguma coisa com o utilitarismo de Bentham. com certa assiduidade. Ou. Além de propiciar a discussão. em grande parte. Pode auxiliar o crescimento ético anotar diária ou semanalmente as falhas e as vitórias. essa postura representará real contributo a seu crescimento ético. Para identificá-la. alheias. A sociedade cobra sucesso. por pequenas possam elas parecer. na linguagem de Ortega y Gasset. para quem o ideal social era a obtenção da maior felicidade possível. ornamental. os valores individuais também podem estar em crise. Como existe uma crise de valores na sociedade. para se concluir que nossa era longe está de consensualizar tais questões. no desempenho das profissões liberais. a vontade de viver eticamente. a virgindade. a eutanásia. A primeira delas. a união civil homossexual. Fala-se em valor positivo. Descobrir que a felicidade interior pode ser conseguida quando se busca a felicidade do outro. Por último. também abrindo espaço para os eventualmente positivos. em sã consciência. sou eu quem decide o que é bom e o que é mau. Assim. nas comunicações. que se vê apoiado pela presença contínua das individualidades relevantes nos meios de comunicação”. é o exame de consciência cuja periodicidade ela mesma ditará. o depósito dos valores. Para o mesmo autor. o casamento. Como diz bem Gregorio Robles. 10 . o que lhe dá alegria. em quase todas as atividades humanas. Pois progresso não se confunde com civilização. para o maior número de pessoas possível . O essencial é que todo ser humano tenha a sua diretriz ética de perfectibilidade. Pois a concepção atual de felicidade a identifica com o êxito material. não se feriu eticamente o semelhante. A leitura dos jornais é terreno fértil para se verificar a quantidade de deslizes éticos neste final de milénio. não em valor negativo. Ao se enfrentar a chamada crise dos valores. produzir obras úteis ao seu ensino.Ética Novamente se reafirme: não há receitas infalíveis. em cada ato da existência. há de se percorrer. ouso fornecer algumas linhas para a busca desse crescimento. reconduz ao egoísmo perverso orientador da sociedade contemporânea. Não se estima aquilo a que se não conhece. deve cuidar de satisfazer os próprios direitos.

que leva a pais e responsáveis políticos da educação a convencer-se de que mais vale transmitir aos jovens quantas habilidades técnicas sejam capazes de assimilar para poder defender-se na vida e alcançar um nível elevado de bem-estar. Cada qual está muito empenhado em seu próprio micro-universo inexpugnável. entretanto. 6. 2. com repercussões no campo político. como se fossem singelos mandamentos éticos: 1. sem vínculos com o seu próximo.” O máximo admissível é a demonstração de que felicidade é um dom. consciente de que para isso necessita contar com outros igualmente estimáveis. Como se isso não mais condissesse com a realidade presente. aceno poético do constituinte de 1988. ajudar a modelar o caráter. 7. Alguns bastiões da lucidez continuam a pregar a necessidade de uma conversão moral para salvar o mundo. e cuja transformação qualitativa depende exclusivamente de sua vontade. capaz de levá-los a cabo. pois. ciosa de seus projetos de auto-realização. O dinheiro. principalmente. Nasce-se no seio de uma comunidade que é herança de gerações. não se inicia a caminhada. Não transigir com os deslizes éticos. Na análise de Adela Cortina. O ser humano moderno está perdendo o sentido de pertencer a uma comunidade e com isso sente-se isolado. até o exaurimento. Dinheiro conseguido sob qualquer forma. não tem o direito de inculcar como universalizável o seu modo de ser feliz. a pergunta foi substituída por vale a pena ensinar a virtude? A modificação não é destituída de importância. “a metamorfose da pergunta parece obedecer a um dos signos dos tempos . ao treinar o educando para ser feliz. 11 . ao menos. Cabem aqui a exortação e o conselho. É por isso que o educador. Aferir objetivamente a observância desses valores. que precisa ser alegre e continuar a colorir o mundo. 5. capazes de relacionamentos fecundos. Educação moral que precisaria recordar. calcada em hábitos. Moral é busca de felicidade. Pautar-se pelos valores reais. “o dom da paz interior. imunes a qualquer dependência. Mas estará salvo o seu mundo. o universo das sensações. parece ser um fato indiscutível. VALE A PENA SER VIRTUOSO? Era comum a quem se propusesse a estudar ética indagar-se: a virtude pode ser ensinada! Ou. Cumpre indagar: quer-se uma geração de profissionais providos de destreza e prontos a ganhar a vida ou pretende-se edificar uma comunidade solidária. imediatamente após seu surgimento. senão procedimentais. ficção da qual somos elemento concreto. conosco mesmos 3. 2. Ingressa em todos os lugares. Educação moral significa. da desenfreada busca pelas vantagens e pelos prazeres. Consequência do asserto anterior. Tempos melancólicos de predomínio do egoísmo. O cultivo da auto-estima criará pessoas saudáveis. É preciso um novo pacto: o pacto que nos impulsione à contemplação da humanidade como um todo e nos permita salvarmo-nos juntos. se o crescimento moral deixar de ser perseguido como meta. Não se indaga de onde saem as grandes fortunas. os donos passam a ser cultuados na mídia e têm espaço reservado nas relações de figuras carimbadas para as festas dos emergentes. da conciliação ou reconciliação com tudo e com todos e. Chegaria a ser cómico falar-se em comportamento moral para uma sociedade imersa em desfrutar. esta humilde proposta recomenda. pois sem ela o género humano sucumbirá à destruição. a absorção de códigos rígidos.Ética Todos esses procedimentos podem colaborar para o retorno à ética. A resistência a esse descalabro. um ouvido disponível. É hora de trocar o princípio do prazer pelo princípio da responsabilidade. o seguinte: 1. Exame de consciência. desagregado. como os modernos.o do progresso técnico e sua crescente complexidade . Não existe princípios éticos materiais. senão com a capacidade tecnológica”. Não um pacto a favor do Estado. Parece haver crescido o desalento em torno à possibilidade de se insistir numa conduta moral. modelos e virtudes. Vem primeiro o dinheiro e seus detentores. A ruptura desse ethos é mortal para a vivência sadia de qualquer pessoa. espiritual. não há. Moral é capacidade para enfrentar a vida frente à desmoralização. aquele espaço físico e temporal em que se desenvolve a sua personalidade. Todos somos responsáveis pêlos descaminhos da sociedade. tenha ele sido conseguido não se sabe como. E sem o primeiro deles. Estudar ética. Tenha-se presente que não existe um padrão universal de felicidade. O abandono dos fins últimos para o treino da sobrevivência estaria destinado a prevalecer num Estado-Nação onde os intelectuais ocupam o humilhante último plano na escala dos valores sociais. para começar e para terminar. O triunfo da razão instrumental. e ademais. para ele. um consenso sobre um núcleo de critérios morais que representem os valores básicos para uma convivência realmente humana. 3. onde problema alheio não tem acesso. que Adorno e Horkheimer detectaram. é mais importante vencer na vida ou ser feliz? Quem optar pela segunda versão. Sabe-se apenas que. como indivíduos. integrada por seres humanos capazes de auto-realização? Mais singelamente. senão um pacto a favor da humanidade. precisa investir na educação moral. “A natureza humana é tão diversa que se poderia duvidar qualquer generalização sobre a classe de caráter que conduz à felicidade que pudesse ser aplicada a todos os seres humanos. pois são amoráveis. voz ou vez. Reconhecer a urgência no retorno à vida ética. Hoje a ética se transformou em uma necessidade radical. Moral é desenvolvimento de capacidades em uma comunidade. em outras palavras. proibitivos e castradores. desejosa de projetar. pois vive-se uma era em que ninguém dispõe de tempo para ouvir. já que a distinção entre países pobres e ricos não guarda já relação com a riqueza dos recursos naturais. o ombro amigo e. 4. portas cerradas. respeitam-se e por isso têm condições de amar aos outros. O passo é o movimento natural do homem. Não se está impondo à juventude. Revisão da escala de valores. pode ensinar-se o comportamento moral? Sinal dos tempos. Não haverá sociedade democrática. de modo que a pessoa se sinta em forma. pode valer a pena. isto é. será sempre bem-recebido. Gostam de si mesmas. Poderá ser pouco para salvar o mundo. Ao menos para obter um consenso mínimo. Vontade exercida passo a passo. Em síntese. neste primeiro sentido. o diálogo e a troca de experiências. tão criticado e tão pouco implementado.

Ela só defende o interesse pessoal e. enfermidade. Os enfermos precisam contar com assistência. Há recursos para todos. pois a solidariedade implica ação coletiva exprimindo-se em movimentos de toda ordem. Enquanto houver quem defenda uma árvore. A continuar o festival de insanidades perpetradas contra o ambiente. notadamente os sociais em defesa dos mais fracos: direitos humanos. as certezas. Há um padrão ético para os civilizados e outro padrão ético para os emergentes. os pobres. Sem princípio não haverá ação.Ética Reitere-se. O ser humano tem uma destinação mais nobre do que aquela que está se desenhando neste início de década. as mulheres. se tiver vontade e força. mas uma ética individual. Mas só isso não basta. se condoa de uma criança. Um pássaro apenas talvez seja impotente. Multiplicam-se as organizações não governamentais e 2001 foi escolhido como o ano do voluntariado. É dever do Estado e este haverá de ser fiscalizado e cobrado. Chamas simbólicas queimam os valores. Milhares de novas ONGs estão disponíveis. transitar por ruas e praças sem receio de sequestros relâmpagos e de ser vítima da violência. Cada um está sendo chamado a salvar o mundo. a insensibilidade e a banalização da violência e da vida. o cada um por si. ecologia. procure sanar o mal do mundo . que também é vítima da ação humana. guardada em seu bico. na convicção de que ninguém pode alterar o rumo natural das coisas. as minorias étnicas. adquirir-se-á a certeza de que é possível construir um mundo melhor do que este. a caminhada será exitosa. cada qual se apoiando no companheiro. produz progressos técnicos que geram injustiças sociais e aplicações cínicas de normas e princípios que pioram ainda mais a situação dos pobres e dos mais fracos”. A ação decorre da opção consciente por um princípio. fazendo crescer a fome. com uma velhice hígida e digna. portanto. liberdade para amar. um animal em extinção. “articulada com a moral essencialista das instituições modernas. Os infortúnios precisam ser compensados com assistência efetiva. além de viver sem prejudicar o semelhante. sobretudo do outro excluído. ocupação garantidora de subsistência. A solidariedade mostra-se essencial neste milénio em que se vislumbram sinais de esperança. No momento em que a mais poderosa nação no mundo se recusa a cumprir o Protocolo de Kyoto. A moral em voga até o momento produziu esse quadro triste com o qual se tem de conviver: o salve-se quem puder. os efeitos serão outros. Se nenhuma delas atender aos objetivos idealizados. ainda que imbuída de certa ética. da corrupção e da má utilização do Erário. Impõe-se. Tais movimentos “atendem não só a uma exigência de pôr em prática nossa indignação ética. Os incêndios nas florestas e à margem das rodovias são apenas o começo. mas recrudesceu. sentir-se irmanado com ele e importar-se pelo destino alheio. de século e 12 . despossuído. já não haverá muito o que defender dentro de reduzido lapso temporal. O que não se justifica é a continuidade dos desvios. Ser solidário significa se colocar no lugar do outro. A moral individualista pouco tem a oferecer. Evidencia que países mais desenvolvidos e providos de doutrina ética pretensamente consolidada e inserida em seus códigos de conduta atenuam os seus pruridos quando negociam com países de desenvolvimento heterogéneo.seja ele violência. na companhia dos filhos e netos e. a mostrar que esse mal continua a sugar recursos imprescindíveis à redenção dos mais pobres. O trabalho voluntário só pode ser alimentado por um denso núcleo de consciência ética. preconceito ou indiferença . literalmente. A juventude precisa ter esperança de contar com educação de qualidade. Juntos. O mundo hoje está imerso num incêndio. ao menos uma preocupação de. poder-se-á caminhar para a ética de responsabilidade solidária. a exclusão. Impregnando-se de responsabilidade solidária.há sinais de que nem tudo ainda está perdido. o deboche e o acinte. mas também a uma necessidade existencial do ser humano de construção do seu ser. Se forem milhões deles. Cada pessoa consciente precisa se imbuir da certeza de poder transformar o mundo. Cada qual precisa se colocar no lugar do outro. Também era absurda para os gregos antigos a ideia de uma sociedade sem escravos. Um grande status de indignidade com o qual se convive. é bastante ilustrativa. A discussão ética não foi interrompida. Após dedicar-se à leitura destas reflexões éticas. cada qual poderá imbuir-se de alguns princípios éticos. Sós. espaço saudável de convívio. Nós nos humanizamos quando humanizamos o mundo”. quando bens da vida essenciais ainda não foram assegurados a todos os ocupantes deste solo. combate à fome e à violência. não há receitas prontas nem modelos definitivos para inculcar no ser humano um compromisso ético. Tem o direito de sonhar com o futuro.e mais rapidamente do que se pensa . assim como os abandonados e os desvalidos. talvez poucos possam os bem intencionados. continuando a emitir gases que vão comprometer . lugar e espaço para se desenvolver. quando bem administrados. o descrédito. divertir-se. Abandonando-se a postura egoística. Quem sabe os nossos netos ficarão chocados POR UMA ÉTICA DE SOLIDARIEDADE PLANETÁRIA Torna-se ao ponto de partida. praticamente ausente na consciência dos poderosos. um reforço no protagonismo individual e gregário. diante da criminosa destruição da natureza. “Estes espaços de convivência solidária podem implodir a lógica do sistema como um todo. a violência. de milénio. Não se justifica é o gasto excessivo com propaganda. dos filhos dos netos. as gerações futuras e a natureza. daqueles que são as maiores vítimas dos processos sociais de exclusão. Pode parecer absurdo acreditar que milhares de movimentos sociais pulverizados pelo mundo todo possam construir uma nova sociedade baseada numa ética da responsabilidade solidária. Continuam os rankings de corrupção elaborados por organizações não governamentais em vários países. carecendo de trabalho voluntário. tarefa das mais fáceis formar uma nova. E ética solidária. angustiado e necessitado de cuidados. Chamas reais estão prestes a surgir. constata-se quão deficitária é a responsabilidade ética. instância privilegiada de reflexão conjunta. É necessário atuar em grupo. se a Providência permitir. A estória do beija-flor que pretendia apagar o incêndio da floresta mediante água que traria em contínuas viagens. Os pais têm o direito de dormir tranquilos. minorias. Milhares de brasileiros já sentiram esse chamamento.o futuro da Humanidade. mesmo sabendo que seus filhos ainda não chegaram.

isto é. Tudo o que acontece a um ser humano. porque já não se reconheciam mais. se é difícil compelir o detentor de poder a fazer o bem.de uma cegueira moral ou de uma irresponsabilidade ética que pode ser um crime omissivo. a incerteza de se voltar para casa. é relativamente fácil impedi-lo de fazer o mal. embora emitida em meados do século passado. Os pobres estão abaixo da linha da dignidade humana. “5. o subdesenvolvimento. de onde se pode acessar -por infovia . todos. “4. somos os sucessores desses esquizofrênicos. A crise das relações inter-humanas de solidariedade e a exclusão de faixas inteiras da sociedade. atinge a humanidade toda. A invasão e os efeitos perturbadores de uma ordem económica mundial que. É urgentíssima a rápida maturação ética da consciência coletiva. Parecemos surdos aos seus pedidos de socorro. os esmoleres a cada esquina. Uma globalização moral ou a edificação de uma ética planetária. o desemprego. Alguns segmentos são ainda mais sacrificados do que os outros. nos dias de hoje. no verdadeiro sentido da palavra. o flagelo da droga. O meio ambiente vem sendo continuamente lesado. acaba-se com a Floresta Amazônica.” A advertência de Günther Anders é atual. Enquanto isso. Depois da casa. os problemas do mundo só se tornaram mais sérios e mais urgentes. o grupo de amigos. as manifestações e os libelos contra atuação lesiva ao interesse coletivo resultam em retrocesso nas medidas temerárias ou em reexame daquilo que. com a crescente desproporção entre a população e os recursos disponíveis. adequar a capacidade e a elasticidade da nossa imaginação e do nosso sentir às dimensões dos nossos produtos e à imprevisível desmedida daquilo que podemos perpetrar. sem garantia alguma de preservar a vida e o património de seus moradores. Minorias enfrentam preconceitos e discriminações. elogiando ou recriminando.esta. ampliados. está provado. O aguçar-se das tensões étnicas e religiosas. “2.” O espaço inicial é o da própria casa. Os ricos. Esta seria uma reviravolta ética global. a escola. Se as coisas estão assim. a garotada a limpar os pára-brisas. A expansão das organizações criminais transnacionais e do mercado mundial das drogas. tornam-se cada vez mais providos de bens e de poder. Até que tais círculos. O clima de guerra civil já existe nas grandes cidades. A crise demográfica. que esses dois fragmentos não se obstaculizassem mutuamente. Essa atroz inocência da atrocidade não é mais um caso à parte. O crescimento da segurança privada. com a total ausência do Estado. produz para todos os outros a fome. O recurso à guerra como resolução das controvérsias internacionais.qualquer autoridade local. A nossa. Esse panorama é quase ignorado pela grande mídia.se houver um amanhã . as filas para pedir emprego. para assegurar a opulência a uma parte minoritária da humanidade. A Terra é um planeta frágil e já está extenuada de emitir sinais de exaustão. a corrupção.se aliam para destruir o que resta daquela exuberante reserva transformada em deserto em apenas quinhentos anos. mais 13 . A periferia é um outro mundo. não fosse a reação adversa da comunidade. o dever moral determinante. Os protestos. Reflete o estado permanente de dissociação e de irresponsabilidade dos homens de nossa época. A ignorância e a cupidez . “8. As cidades vão se transformando em massas cinzentas de população excluída. presente no discurso. “10. rumo a uma ética de solidariedade planetária. a impunidade. Quem pretender examinar esses dez pontos e circunscrevêlos apenas à realidade brasileira constatará que este belíssimo Brasil possui uma das mais iníquas distribuições de renda em todo o mundo. A dificuldade de endereçar as dinâmicas e os êxitos das pesquisas científicas e tecnológicas ao bem comum da humanidade”. transformada em fortaleza e. A crise ecológica. e também a tradução irresponsável do princípio de autodeterminação dos povos. As instâncias de poder são confiadas à criminalidade. para conseguir uma senha de atendimento pelo sistema único de saúde. a raiz de todos os males . Solidariedade é um tema retórico. Está provado que. se não queremos que tudo seja perdido. A conurbação vai criando uma subumanidade enferma. Espaço muito curto para caracterizar uma civilização. cobrando. consideradas limpeza de marginais. consiste no desenvolvimento da fantasia moral.Ética ao saberem que houve um tempo em que crianças morriam de fome. estadual ou federal. na tentativa de vencer o desnível. a cifra negra da criminalidade. o clube. seria chamada de civilização destruidora. “6. assim como já se sacrificou toda a Mata Atlântica. quando não atendidos. quase ausente na prática. A existência de regimes ditatoriais e o repetir-se da violação dos direitos humanos em muitos países. desvalida e infeliz. “a margem de tempo para uma mudança de caminho mostra-se sempre mais exígua. das discriminações de casta e de sexo. A trivialização das chacinas. os maus-tratos. sugerindo. “9. Os seres humanos lúcidos não estão ainda convencidos de que podem vir a ser acusados amanhã . As feridas mais dilacerantes da contemporaneidade podem ser recapituladas no quadro seguinte articulado em dez pontos: “1. “7. implorando uma esmola e servindo-se de qualquer instrumento para ameaçar os transeuntes. o trabalho. com intoleráveis danos à biosfera e às condições de sobrevivência das diversas formas de vida sobre a terra. “Aquilo que nos tinha enchido de horror há dez anos foi: o fato de que o próprio homem pudesse ser um encarregado de um campo de extermínio e um bom pai de família. “3. passaria in albis e se converteria em ato irreversível. Sob a falácia do progresso e do desenvolvimento. a degradação do trabalho. mesmo assim. A tortura. alcançassem uma dimensão planetária. Desde então. A blindagem de carros. O medo. regional. Nós. O monopólio ocidental do sistema informativo-comunicativo e a homologação das culturas sob a liberalidade absoluta do Ocidente.

suscetível de ser intelectualmente concebido. A EXISTÊNCIA DO VALOR As grandes questões da axiologia clássica podem ser resumidas a quatro e são elas que merecerão agora ligeiro exame. e há valores puros. situam-se como ideais. consciência da culpa etc”. Existem os valores? Eles existem e isso é facilmente constatável por qualquer pensante. b) quanto menos participa da extensão e da divisibilidade. mas dá-se o inverso: todo dever encontra fundamento em um valor. a vida.que é epistemológico daquele da existência do valor . Entre os critérios determinativos dessa escala. o imperativo categórico. Na ordem lógica e matemática. Entre os valores também surge a possibilidade de relações de fundamentação. intuídos. a sensualidade. e) quanto menos relativa seja sua percepção sentimental à posição de seu depositário”. legítimo que fosse o propósito de uma definição rigorosa. DEVERES E POSTURA PROFISSIONAL A ÉTICA DOS VALORES A classificação Ética dos Valores poderia representar uma aparente inversão da tese kantiana. porém. o valor moral não se baseia na ideia de dever. as variadíssimas manifestações do agir: intenções. não o contrário. VIRTUDES. a consciência incerta e frágil dos mais jovens e aquela que não é estruturada por claras orientações de valor. Não teria sentido o amante declarar que ama agora ou durante certo tempo. sobretudo. Assim. O perigo é concluir que só existe o que é real. O ser real se encontra. Na realidade. Não existe terceira posição equivalente”. Para Kant. entre os direitos fundamentais. E valor não arbitrariamente convencionado. Da mesma forma que dizemos que ‘ser é o que é’. Há valores vinculados ao agradável.Ética interessada em divulgar o exótico. pode confundi-lo. A satisfação coincide com a vivência de cumprimento. Os valores integram a esfera supra-sensível do mundo imaterial que. a consciência exposta à mensagem televisiva corre o risco de dar consistência de realidade à ficção do espetáculo e. o postulado continua válido e existente. como também o seria confundir-se idealidade com subjetivismo. Quase não há espaço para divulgar valores. Podem ser meramente sentidos ou O CONHECIMENTO DOS VALORES Os valores constituem condição de existência dos bens. Ou vemos as coisas enquanto elas são. Diante dela. este risco ameaça. sentido de responsabilidade. e. diríamos com Lotze que do valor se pode dizer apenas que vale. Max Scheler esboçou uma classificação dos valores sob enfoque hierárquico. ter começado por uma definição do que seja valor. Não se vinculam a qualquer forma de exteriorização. Assim. indica Scheler os seguintes: “Um valor é tanto mais alto: a) quanto mais duradouro é. ou as vemos enquanto valem. c) quanto mais profunda é a satisfação ligada à intuição do mesmo. Pois o que é valioso vale por si. juízos estimativos. d) quanto menos fundamentado se acha por outros valores. O valor fundamentado em outro é sempre inferior ao fundamentante. à primeira vista. o clima emocional produzido pêlos esportes. Todos os demais direitos são bens da vida. independentemente de alguém imaginá-lo ou pensar assim. “A filosofia atual reconhece dois tipos de existência: o ser real e o ser ideal. inferiores à própria vida. Por sua mesma índole. Isso é pensamento ingênuo. há impossibilidade de defini-lo segundo as exigências lógico-formais de género próximo e de diferença específica.que é ontológico. não relativo. VALORES. c) valores espirituais. Quase impossível conceituar-se o valor. “A filosofia valorativa separa cuidadosamente o problema da intuição dos valores . nem simples da sociedade contemporânea. Assim. no final. mais precisamente. O valor é mais elevado quanto menor a necessidade de dividi-lo com outrem. b) valores vitais. Para a filosofia valorativa. d) valores religiosos. Mas não foram criados por ela. Nesse sentido. A obra de arte é indivisível. Ignorar ou subverter essa hierarquia é fonte de problemas nem pequenos. é o bem por excelência. duas posições primordiais do espírito perante a realidade. não se pode visualizar ou submeter ao tato. Na esfera prática têm essa forma de existência os atos humanos. Todos são chamados a esse protagonismo. vive da imagem e da aparência. o ideal não teria existência. Existem bens porque existem valores. como já o reconheceu Mestre Reale: “Deveríamos. devem ser. não com o estado de prazer gerado pela posse do valor. Por que isto? Porque ser e valer são duas categorias fundamentais. porque valem. o valor de uma ação depende da relação da conduta com o princípio do dever. O seu ‘ser é o Valer’. Pertencem ao primeiro todas as coisas e sucessos que ocupam lugar no espaço ou no tempo. do narcisismo e da insensibilidade. como os valores morais. A noção de valor passa a ser o conceito ético essencial. E a escala de relatividade dos valores auxilia a aferir o grau de superioridade dele. Quando se afirma: o todo é maior do que a parte. Depende de cada um inverter o sentido da trajetória. É longeva a distinção entre o mundo da matéria e a ordem do ideal. Em regra. pois implica em nadar contra a correnteza do consumismo.” É nossa consciência que nos adverte da existência dos valores. Os valores submetem-se a uma hierarquia. espacial e temporalmente localizado. por isso. mas a hierarquia é objetiva. que têm caráter absoluto. portanto. A criação de uma consciência ética sensível e desperta para as exigências da contemporaneidade é a alternativa ao caos que adviria da preservação do quadro atual. o correto e o bem. Não que possam ser eleitos. distinguindo-os em: a) valores do agradável e do desagradável. Só pode ser descoberto o que já existe. feição nova da sociedade do espetáculo. Isso explica a simpatia ou antipatia natural diante de uma pessoa ou a emoção perante uma obra de arte. decisões voluntárias. 14 . propósitos. senão por ela descobertos. para que cada destinatário detenha uma parcela de seu valor originário. os valores da vida que são relativos aos seres viventes. Ideal não é só aquilo que é objeto da representação. ou mantê-la rumo ao desaparecimento da espécie. a tese da idealidade tem alicerces consistentes. ou. Já os valores não integram a ordem da realidade. temos que dizer que o Valor é o que vale. Só deve ser aquilo que é valioso e tudo o que é valioso deve ser. Um protagonismo verdadeiramente heróico. pode ser objeto de um conhecimento sensível. ainda quando seu valor não seja conhecido nem apreciado. A durabilidade do valor tem a ideia de permanência. Inimaginável repartir-se uma tela em múltiplas peças. nesta fundamentados e. A sociedade do entretenimento.

O valor. de um juízo. É a projeção interior de seu atuar futuro. É verdade que o nexo teleológico é mais complexo do que o nexo causal. incontrovertível. o sentimento de responsabilidade e a consciência da culpa. Como administrador dos valores no mundo. “A possibilidade que o homem tem de converter as urgências do ideal em forças modeladoras do existente condiciona. predestinada a servir de luzeiro ou de balizas morais para os contemporâneos e para a posteridade. Hartmann dá a esse fato o nome de estreiteza do sentido do valor. A missão do pedagogo e do moralista é desenvolver a sensibilidade para o conhecimento daquilo que é eticamente relevante. Ela sinaliza o sentido primário do valioso. São forças determinantes da conduta humana num sentido criador. Quando os intui. Se quero acatar uma norma. ela existe em toda sã consciência. inábeis para a construção lógica ou para a argumentação dialética. Mas é viável o crescimento nessa arte. 3. Adquire especial relevo na doutrina da realização de valores a noção do dever ser. De conferir valor ao que não tem e de negar valor ao valioso. Esta a etapa inserta no fluxo do futuro. ou um niilista. Essa pauta é apriorística e. Já o nexo teleológico admite três momentos: 1. indefinível. num dever. mesmo ignorantes. É elucidativa a ideia de Garcia Máynez do cone de luz projetado no horizonte. A existência dessas primícias do género humano compensam a indigência moral que em aparência. os valores não existem senão para sujeitos dotados de capacidade estimativa. perguntará por que razão será benéfico conservar a vida. Mais ainda. Recorda Ortega y Gasset que “o estimar é uma função psíquica real . nem sempre o reconhecimento de valor será indiscutível. A intuição dos valores não é completa. com nitidez. mas característica a toda uma sociedade ou a toda uma época. A insensibilidade dos que amealham poder. segundo Hartmann. à espera da descoberta. Mas como pode o homem realizar o valioso? Realizar o valioso consiste. o pensador é poeta Paulo Bomfim tem uma expressão adequada para essas pessoas privilegiadas: chama-as de elite espiritual. para o homem. Já Scheler e Hartmann invertem a proposição: o valor moral não se funda no dever. embora se afirme baseada na imitação. Esse experimento pressupõe uma escala estimativa. de que se conhece tão pouco. É uma noção kantiana suprema e. que permanece íntegro. A consciência de cada homem e de cada época descobre sob essa luz alguns valores. A realização dos valores se consuma através de um processo de dupla etapa: a determinação primária e a determinação secundária. a verdadeira elite. Neste sentido. d) a existência de um ser capaz de realizar o valioso ao mundo real não é em si plenamente valioso. determina o juízo moral. depende de uma estimativa. o justo do injusto”.como o enxergar. a grandeza de nossa linhagem. Mas há sempre a possibilidade de novas realizações valorativas. de atribuição de uma determinada importância ao objeto a ser avaliado. portanto. Pois para quem se situe a um nível alheado de todo e qualquer dogmatismo. Por negar também valor à respectiva finalidade”. Postulação do fim. As variações da intuição estimativa em desvio moral não alteram o valor. Para eles. não haveria sentido dizer que algo deve ser. Nem mesmo quando se trata de coisas por quase todos julgadas “valiosas”. c) a atualização de tal dever (dever ser atual). A intuição. ou na índole intuitiva e emocional do conhecimento. convertendo-se deste modo em coparticipe da grande obra de Deus”. b) o dever ser ideal do mesmo. A REALIZAÇÃO DOS VALORES O ideal coincide ou não com o real. Mas os valores são princípios da esfera ética atual. o homem adquire uma significação demiúrgica. A história tem sido pródiga em exemplos de cegueira valorativa. nem sempre pode fazê-lo de forma nítida. úteis. Se não atenta para outros. nobres ou belas. dinheiro e glória em relação aos semelhantes que não chegaram a ser incluídos no fantástico mundo do consumo caracteriza uma vida ética ou uma inadmissível estreiteza moral. O cone de luz ilumina. Aqui 15 . ou porque são bons.Ética todo ser humano tem a experiência de conferir a determinadas coisas ou ações valoração que as qualifica como boas. Ela propiciará identificar. mas não cria o horizonte. a problemática axiológica pode oferecer perplexidade. Na verdade. pela sua sensibilidade se revelam permeáveis à luminosidade dos valores. não apenas princípios da esfera ética ideal. os valores compatíveis com essa pauta prévia. portanto.em que os valores se nos fazem patentes. E vice-versa. e só neste sentido. temperança e outras virtudes devem ser. não se mostram capazes de destruir a doutrina da objetividade dos valores. devo converter tal acatamento em finalidade de minha conduta. justiça. Porque se sentem atraídos para o que é belo e são capazes de captar os reflexos de uma beleza imperecível. não é porque eles não existam. Eleição dos meios. más. chamado efeito. Realização. Nele se realizam múltiplos valores e outros quedam irrealizados. predomina em consideradas altas esferas. nem completamente desvalioso. mas ocorre o inverso: todo dever pressupõe a existência dos valores. Um cético. a deliberação da vontade. Nenhuma pessoa é capaz de intuir todos os valores. o primeiro dos quais. a segunda. Não se subestime a capacidade humana de se enganar. se o que se postula como devido não fosse valioso. nas coisas ou atos. mesmo a cegueira valorativa ou a miopia moral. Na ordem moral essa relação é bastante peculiar a ser em si dos valores subsiste mesmo se não forem realizados. Carecessem de valor e não deveriam ser. o dever ser hartmanniano tem os seguintes elementos: a) a existência de um valor. 2. Tal estreiteza. não apenas em relação aos indivíduos. E poderá negar o valor dessas coisas geralmente julgadas valiosas. O nexo causal é a relação entre dois fenómenos. É a consciência estimativa que dá o testemunho da atualidade dos valores. porque indispensáveis à conservação da vida. do mesmo modo que a igualdade e a diferença só existem para seres capazes de comparar. agradáveis. pode falar-se de certa subjetividade no valor. explica a existência de “homens que. Caridade. enquanto valem. É por isso que existem sábios cegos para os padrões axiológicos e ignorantes sensíveis à autêntica valoração. chamado causa. E o dever impõe uma conduta teleológica. Todo valor ético deriva da subordinação da vontade ao imperativo categórico. como o entender . determina de forma necessária a produção do outro. A primeira é a intuição. A realização dos fins pressupõe a seleção e emprego de procedimentos a eles conducentes: os meios. nem perfeita. os valores são princípios da esfera ética real. observou Hartmann. ou porque a sua sensibilidade distingue. Alguém se propõe a realizar determinada finalidade.

examinadas por Hartmann. E quase sempre acompanhada da consciência de culpa. depende de cada um. que os latinos traduziram por virtus). “Se o homem é capaz de propor-se um alvo e alcançá-lo. filha da violação moral e testemunho de existência da liberdade. mas não se vê forçada a cumpri-las. que nem sempre é adquirido pela aprendizagem de índole técnica”. A liberdade humana revela-se. E também educação. quando os que têm à mão não os satisfazem ou os sufocam. ou de um homem. tarefa insuficiente. entre comprar e não comprar. “A jurídica termina onde o dever principia. pelo menos intelectualmente.Ética existe uma similitude entre o nexo causal e o nexo ideológico. Mas também não se pode concluir em sentido contrário. E obedecê-la é orientar suas forças na direção de nossos desígnios”. ao menos dentro de certos limites. Pois numa concepção de ordem ética. mas sem dúvida menos numerosas. Em favor da existência de uma vontade livre. A responsabilidade não é só aparência ou fenómeno. Esta determinação lhe permite eleger finalidades. Quanto ao bem. Mas há outro indício de que existe liberdade moral: a existência da responsabilidade. oriunda do reino ideal dos valores. que a lei limita e protege. Ou seja. que conclui ser indemonstrável a liberdade da vontade. na moral. é portador de outra determinação. acha-se casualmente determinado por suas tendências. ou de ser refutada. o mal. Quem ainda não experimentou a possibilidade de optar entre ir e ficar. é por isso que eles às vezes escrevem livros. do que um tratado de moral? E o que é mais digno de interesse. Esta é mero atributo da decisão. e das boas disposições. Há um aspecto falho: a vontade pode dar a si mesma suas normas. que a tradição designa pelo nome de virtudes. de excelências. do que as virtudes? Assim como Spinoza. É que “a liberdade pressupõe ciência adequada. senão obedecendo-a. de uma faca. E o homem não experimenta essa irrupção como algo estranho. Em seu próprio ser há uma instância que o delata. respeito ao semelhante. O que é uma virtude? É uma força que age. Ora. liberdade para estes seria a ausência de óbices à realização à vontade de cada um. dizia Kant. totalmente fechado à intervenção de determinações heterogéneas e mais complexas. negativa. É consequência da ação. insuscetível de ser demonstrada. a conduta humana tem significado moral pleno. Para que sempre acusar. A decisão. sua realidade interior mais convincente”. existe a consciência da autodeterminação. é evidente sua liberdade. VIRTUDE Se a virtude pode ser ensinada. como função ontológica da posição que o homem ocupa ante dois tipos de determinação. Na qualidade de ente natural. que excedem todos os livros. Então. diante de determinada situação. que livro é mais urgente. entre dizer e calar-se? Apenas a anomalia mental priva a pessoa de qualquer possibilidade de escolha. Há uma convicção individual de que. senão que pode ser desviado. É uma questão metafísica. talvez: tentar compreender o que deveríamos fazer. não haveria a possibilidade de estipulação de fins e de sua realização. para cada um de nós. e medir com isso. A culpa. Já a liberdade moral é atributo real da vontade. é mais pelo exemplo do que pêlos livros. A LIBERDADE MORAL Liberdade é um desses verbetes surrados pelo uso. para que um tratado das virtudes? Para isto. Para desviá-lo só faz falta o conhecimento das relações entre os fenómenos. Se não existe. conhecimento. a rigor. a liberdade é a ausência de obstáculos postos a quem se proponha a praticar o bem. não creio haver utilidade em denunciar os vícios. Nada obstante. encontra na consciência da culpa sua forma mais drástica. ou seja. também elas plurais. sem o qual nada lhe será possível crescer em termos éticos. a liberdade só pode ser orientada para o bem. somente se poderia adotar o ceticismo ético e a negação da moralidade. A realização individual de valores só se concebe numa visão de mundo em que coexistam a causalidade e a teleologia. Só pode ser discutida. O sujeito não pode livrar-se dela. “irrompe como uma fatalidade na vida humana. A liberdade jurídica é mais um âmbito espacial de atividade exterior. optar por meios e colocá-los em ação para chegar àquelas. A pessoa não está inevitavelmente vinculada à exigência ética. O meio é causa e o fim é efeito. E a pessoa deve ter consciência de que há um momento inicial de liberdade moral. que é querer e agir humanamente. o pecado.” Nem se confunda livre-arbítrio com liberdade de ação. Isto é o que expressa o velho aforismo: à natureza não se domina. então. a pessoa não pode responder por seu comportamento e nem pode. julgadora. Se o homem se submete às leis que de sua razão promanam. Se a liberdade existe. Tarefa modesta. Como pessoa. no caso concreto. A lei moral é a auto-legislação da razão prática. sem que se consiga definir o seu sentido. Os filósofos são alunos (só os sábios são mestres). a pessoa pode escolher entre fazer e deixar de fazer. Para bem apreender essa possibilidade. o caminho que daí nos separa. a situação interna do tribunal ante o qual o indivíduo comparece. em que tudo fosse fortuito e contingente. há quem consiga conceituá-la em termos desvinculados a qualquer ética e por via negativa. mas poder 16 . isso se deve a que o acontecer causal não se orienta de maneira inexorável até uma meta estabelecida de antemão. ou que pode agir. que vêm dos gregos. Esta é faculdade puramente normativa. de ausência total de liberdade. dizem suficientemente o essencial: virtude é poder. A liberdade moral não se confunde com a liberdade jurídica. sempre denunciar? É a moral dos tristes. dominante. Assim a virtude de uma planta ou de um remédio. diz Hartmann. que é cortar. Isso conduz às aporias da liberdade moral. a criatura deve ter presente que a realização de fins não é um processo inflexível e imodificável. ou viver. isto é (este é o sentido em grego da palavra areté. É verdade que da consciência da autodeterminação não se infere a autodeterminação da consciência. mas necessária. Esses exemplos. É fato real da vida ética. Entre causalidade e liberdade inexiste oposição. ou ser. Para um estudo sobre a ética. afetos e inclinações. Numa existência sem leis. e uma triste moral. A experiência da liberdade já foi provada por qualquer pessoa higidamente equilibrada. ele só existe na pluralidade irredutível das boas ações. ser chamada pessoa. que é tratar. e alunos precisam de livros. O que na responsabilidade se encontrava já preparado. A liberdade está radicada na autonomia dos princípios. Se não existisse liberdade humana. Aquele é capaz de decidir. a moral é pensada como um poder capaz de traspassar o linde do permitido. Aparece de súbito. Poderia ser também não sujeição da vontade própria a qualquer vontade alheia.

enquanto se refere ao homem. entretanto. a melhor faca será a que melhor corta. Pensar sua excelência é pensar nossas insuficiências ou nossa miséria. há. entre cólera e apatia. a virtude.. quase todas. no cruzamento da hominização (como fato biológico) e da humanização (como exigência cultural). Isso supõe um desejo de humanidade. como do fim a que visam ou servem. e ambas. é um valor). e de que. entre complacência e egoísmo. histórica. Toda virtude é. Não o Bem absoluto. também pode ser lido em Spinoza: “Por virtude e poder entendo a mesma coisa. desejo evidentemente histórico (não há virtude natural). a virtude do homem não é a do tigre ou da cobra. em outras palavras. Uma faca excelente na mão de um homem mau não é menos excelente por isso. Virtude. O bem não é para se contemplar. em espírito e em verdade. A virtude do heléboro não é a da cicuta. e sem as quais. explicava Aristóteles. que é o mais geral. sem os outros homens? A virtude ocorre.. tanto intelectual. Assim é a virtude: é o esforço para se portar bem. de sua história (mas esta. que esse sentido seja privado de todo e qualquer alcance normativo: qualquer que seja a mão e na maioria dos usos. Mas a razão não basta: também é necessário o desejo. A faca não tem menos virtude na mão do assassino do que na do cozinheiro. no sentido geral. É preciso dizer mais. isto é. À faca basta cumprir sua função. a educação. nesse sentido. Não. porque assim nos tornamos. É o que também chamamos as virtudes morais. e o poder basta a virtude. Mas quem pode viver sempre no ápice? Pensar as virtudes é medir a distância que nos separa delas. no sentido particular. mas adquirida e duradoura. pois. sem o qual qualquer moral seria impossível. É a própria virtude. e de nós. “Não há nada mais belo e mais legítimo do que o homem agir bem e devidamente”.. as virtudes são independentes do uso que delas se faz.. seríamos a justo título qualificados de inumanos. é o que somos (logo o que podemos fazer). acrescentando. nem a planta que salva. Trata-se de não ser indigno do que a humanidade fez de si. nem os desejos de um homem educado são os de um selvagem ou de um ignorante. porém: ela é o próprio bem. é a própria essência ou a natureza do homem enquanto ele tem o poder de fazer certas coisas que se podem conhecer apenas pelas leis de sua natureza”.. repete-se desde Aristóteles. em todo caso é evidente que não poderia bastar para tanto. Se todo ser possui seu poder específico. ou. um remédio excelente. a virtude da faca não é a da enxada. Mas à moral não. Humano. às vezes. Mas como. Aristóteles respondia que é o que o distingue dos animais.Ética Matéria específico. quase sempre. Virtude é poder. ANOTAÇÕES ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 17 . mais virtude do que a que envenena. Isso. entre dois vícios. isto é. perguntemo-nos qual é a excelência própria do homem. diante da riqueza da matéria e da tradição. a memória. uma faca excelente. é para se fazer. A reflexão sobre as virtudes não torna ninguém virtuoso. que Montaigne nos ensinou. sempre coincidem: a virtude de um homem é o que o faz humano. nesse primeiro sentido. isto é (já que a humanidade. Todavia. sem a julgar. uma virtude que ela desenvolve: a humildade. Mas ao homem não. assim. quanto propriamente moral. ou a doçura. do que outro. não o Bem em si. nossa capacidade de agir bem. a vida racional. não poderíamos nos resignar à sua ausência nem nos isentar de sua fraqueza. A virtude é uma maneira de ser. A virtude de um ser é o que constitui seu valor. é nossa maneira de ser e de agir humanamente. que é a nossa. como toda humanidade.). que fazem um homem parecer mais humano ou mais excelente. ou antes. em que excele ou pode exceler (assim. que os gregos nos ensinaram. o bom remédio é o que cura bem. é uma disposição adquirida de fazer o bem.. dizia Montaigne. o bom veneno é o que mata bem. como dizia Spinoza.. nunca humano demais. como dizia Montaigne.. A virtude. uma cumeada entre dois abismos: assim a coragem. ou seja. a dignidade. que define o bem nesse próprio esforço. para Spinoza. O desejo de um homem não é o de um cavalo. Note o leitor que. Toda virtude é um ápice. entre covardia e temeridade. Sua capacidade específica também comanda sua excelência própria. Mas essa normatividade permanece objetiva ou moralmente indiferente. o hábito. que sua virtude não é a nossa. que bastaria conhecer ou aplicar. diante da evidência de que essas virtudes nos fazem falta. sua excelência própria: a boa faca é a que corta bem. é poder. sua humanidade (no sentido normativo da palavra). certamente. faz parte daquela). no homem virtuoso. é o poder específico que tem o homem de afirmar sua excelência própria. e é nisso. poder humano ou poder de humanidade. claro.

Acompanha a disciplina: observância sistemática aos regulamentos às normas emanadas das autoridades competentes. DEDICAÇÃO: Qualidade ou condição de quem se dedica a alguém ou algo. evitando qualquer atitude que possa influir no prestígio da função pública. OBEDIÊNCIA: Pelo poder hierárquico. isto é. sempre. a habilidade e a presteza do servidor no atendimento às pessoas que demandam seus serviços. finalidade precípua de todo o aparelhamento administrativo. é que consagram a moralidade do ato administrativo. Para o servidor estar pronto para dar informações. LEALDADE: O agente público não é um autómato anónimo. em sua esfera de competência. responsabilidade. hoje. com a consecução das metas estabelecidas. quantidade de trabalho. empregando sua energia e atenção no desempenho do cargo. capacidade de iniciativa. dotado de liberdade. comprometimento com a missão do órgão ou entidade. relacionamento e criatividade são alguns dos fatores avaliados. tempestividade. significa “obrigação de fazer ou deixar de fazer alguma coisa”. 18 . comprometimento. Dever. quando houver. relacionamento e comunicação definem a cordialidade. nas diversas esferas de governo. os autores não sistematizam. O grau de comprometimento profissional do servidor com o trabalho. pode ser definido como a meticulosidade no exercício da função. URBANIDADE: O servidor que lida com o público. tolerância. cortesia. zelando pêlos interesses do Estado como o faria pêlos seus interesses particulares. sigilo funcional. sem qualquer espécie de distinção e conscientes de sua posição de “servidor do público”.Ética 3 ÉTICA APLICADA PRESTEZA: Qualidade do que é prestes. Por ordem legal entende-se a emanada da autoridade competente. dever de conduta ética. e. em sua vida particular conduzir-se de maneira impecável. é mais adequado dizer deveres do servidor público em lugar de obrigações. em folha adequada e com objetivos lícitos. Assiduidade. respeitando a capacidade e limitações individuais dos usuários. O dever de guardar sigilo deve ser observado não apenas durante o tempo em que o servidor exercer efetivamente o cargo. ZELO COM O PATRIMÓNIO: O dever de zelo. O dever de zelo com a rés publica caminha junto com o dever de responsabilidade: grau de compromisso com o trabalho e com os riscos decorrentes de seus atos. é necessário extrapolar a noção de relação empregatícia. disciplina. mas resguardado do sigilo. Igual postura deve o servidor demonstrar perante os colegas de trabalho. característica daquele que ajuda com boa vontade e prontidão. característica do que é ligeiro para fazer algo. Ao tratarem do tema. seja no exercício do cargo (ou função) ou fora dele. urbanidade e zelo. na conduta do servidor. impõem uma série de deveres a seus agentes. produtividade. pois assim evidencia o caráter preponderantemente ético fundamentado em tal relação. a atenção e iniciativa para encontrar a solução mais adequada para questões problemáticas emergentes no cotidiano do serviço. isto é. com respeito integral às leis e instituições. NOÇÕES DE ÉTICA EMPRESARIAL E PROFISSIONAL ASSIDUIDADE: O servidor deve ser assíduo. identificando-se com os interesses do Estado. atenção e disponibilidade. celeridade. sempre a serviço da causa pública. no sentido genérico. para atingir os objetivos. obsequiosidade. deve fazêlo com solicitude. observar rigorosamente o horário de início e término do expediente da repartição e do interstício para refeição e descanso. salvo as manifestamente ilegais. discernimento e princípios morais. mas também quando ele não mais pertencer ao quadro do funcionalismo. É um ser humano. estabelecem-se relações de subordinação entre os servidores. em desempenho. faz-se mister recorrer ao ordenamento ético. O dever de conduta ética decorre do princípio constitucional da moralidade administrativa e impõe ao servidor a obrigação de observar. Os estatutos dos servidores públicos civis. Portanto. também conhecido como dever de diligência ou dever de aplicação. apenas enumeram os diferentes deveres: lealdade. SIGILO: Pelo dever de sigilo funcional impõem-se ao servidor reserva sobre assunto e informações de que tomou conhecimento em razão do cargo e que por sua natureza não podem ultrapassar os limites da esfera a que se destinam. pontualidade. PROBIDADE OU MORALIDADE: O equilíbrio e sincronicidade entre a legalidade e a finalidade. E que se dedique a instituição a qual defende. Urbanidade. prestimosidade. comparecer habitualmente ao local de trabalho e desempenhar as funções e atribuições próprias do cargo que é titular. Enfim. obediência. mantendo sempre o esprít de corps. O dever de obediência consiste na obrigação em que se acha o servidor subalterno de acatar as ordens emanadas do legítimo superior hierárquico. próprio da Administração. Acrescente-se a isso o comprometimento com o trabalho. rapidez. com o conceito da instituição e da Administração Pública como um todo. assiduidade. O PADRÃO ÉTICO NO SERVIÇO PÚBLICO DEVERES DO SERVIDOR Para tentar explicar a peculiar posição do servidor perante o Estado e a natureza da relação existente. o elemento ético. PONTUALIDADE O servidor deve ser pontual. sendo o ordenamento jurídico insuficiente para clarear a essência dessa peculiaridade.

Isso se materializa no código de ética. entretenimento e viagem. desde a alta administração até o mais simples funcionário braçal. importa denunciar o mal que poderá provocar uma empresa cujos empregados. Consideradas as vantagens e desvantagens da adoção do código de ética. o que gera uma disposição positiva. embora se apoie neles. contratos governamentais. além de possibilitar um trabalho harmonioso. qual a conduta adequada e apropriada. as leis estimulam a adoção de princípios éticos. a empresa ética acaba por consolidar sua imagem no mercado e deixa um lastro decorrente do cumprimento de sua missão e de seus compromissos. Se a consciência ética dos integrantes de uma organização. deixando questões pontuais para manuais de procedimentos das diversas áreas funcionais da empresa. na prática. fornecedores e distribuidores. a visão da empresa. outros vão ao pormenor: não devem ser oferecidos presentes acima de determinado valor monetário. mas fornecer critérios ou diretrizes para que as pessoas descubram formas éticas de se conduzir. proprietários e diretores. geralmente formado por um número ímpar de integrantes provenientes de diversos departamentos. responsabilidades de cada stakeholder. todos os públicos que de forma direta ou indireta contribuem para o bom desempenho da empresa: acionistas ou proprietários. Tal conduta não se limita ao mero cumprimento da legislação. atenderá às necessidades e peculiaridades da empresa. segurança dos ativos da empresa. para assegurar que será tailormade. Cada organização estabelece um sistema de valores.Ética Matéria A GESTÃO DA ÉTICA NOS EMPREGOS PÚBLICOS E PRIVADOS. adoção de um código de conduta baseado em princípios e valores perenes. desde os altos executivos até o mais simples funcionário. é fundamental a existência de padrões e políticas uniformes para que os empregados possam saber. Da mesma forma que os códigos relativos às profissões. Outras empresas partem do princípio de que as leis devem ser conhecidas e cumpridas por todos os cidadãos. empregados. Cada pessoa. atua conforme determinados princípios. propriedade de informação. uso de drogas e álcool. ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL As sociedades normalmente se regem por leis e costumes que asseguram a ordem na convivência entre os cidadãos. Os principais tópicos abordados na maioria dos códigos são: conflitos de interesse. passível de avaliação. é um património dessa organização. fruto das contínuas mudanças inerentes ao desenrolar dos negócios. enquanto outros se limitam a fornecer diretrizes gerais. sendo certo que seu descumprimento implicaria punições já previstas pelas leis. assédio sexual. Algumas organizações enfatizam em seus códigos questões já constantes na legislação do país em que operam. mas deve deixar claro o que é uma afirmação genérica e o que é uma afirmação de caráter regulamentador. Uma vez que a organização adota um código de ética. governantes e membros da comunidade em que está inserida a empresa. A conduta ética dessas empresas é o reflexo da conduta de seus profissionais. Um código de ética exposto em local de honra de uma empresa não serve para nada. as relações dos empregados entre si e com os demais públicos da empresa. Murphy estudou 80 códigos. conscientização. A liberdade de adesão provém da convicção das pessoas. à qual deve corresponder uma punição. é de suma importância que em sua elaboração intervenha o maior número possível de pessoas. ou até mesmo adotam posturas antiéticas. bem humorada e agradável de vivenciar todos os seus itens. todos reconhecidos como pessoas íntegras. colaboradores. assédio profissional. de modo que não deveriam constar novamente dos códigos. normalmente. sé não for refletido na vida de cada pessoa que ali trabalha. capa citação e. que se retrata nas aspirações de seus elaboradores. mesmo porque pode haver leis que sejam antiéticas ou imorais. para que haja uma homogeneidade na forma de conduzir questões específicas e relativas a seus stakeholders. Eis a grande desvantagem do código de ética. essas mesmas pessoas não o vivenciam. motivação. No dia-adia. deve servir também como proteção dos interesses públicos e dos profissionais que contribuem de alguma forma para a organização. honestidade nas comunicações dos negócios da empresa. Não deve necessariamente contemplar os ideais. por sua formação familiar. finalmente. ou seja. suborno. concorrentes. os valores individuais podem coincidir ou conflitar com os valores da organização. clientes. isto é. que caracterizam a cultura empresarial. Programas de ética são desenvolvidos por meio de um processo que envolve todos os integrantes da empresa e que passa pelas etapas de sensibilização. Na realidade. Dessa forma. No Brasil. É preferível não adotá-lo. e feita a opção por ele. em qualquer circunstância. os stakeholders. Assim. explícito ou não. a missão. já que da atuação de cada um emergirá um ambiente ético. denúncias. que compilou em um livro. deve ser desenvolvido um trabalho de acompanhamento e adequação às circunstâncias internas e externas da organização. religiosa. enquanto alguns códigos de ética estabelecem que é proibido presentear os fornecedores ou clientes. O clima ético predominante na instituição deve acompanhar a filosofia e os princípios definidos como básicos principalmente pêlos acionistas. os stakeholders. Aliás. O comité pode ser útil como instrumento de aconselhamento ou de tomada de 19 . Uma vez implantado o código de ética. Os códigos de ética contemplam. é importante estabelecer um comité de ética de alta qualidade. há quem dispense a implantação de códigos de conduta. que nada mais é do que a declaração formal das expectativas da empresa à conduta de seus executivos e demais funcionários. o código de ética das empresas deve ser regulamentador. por seus colegas. Por essa razão diz-se que deve ser específico. factível. Os códigos de ética não têm a pretensão de solucionar os dilemas éticos da organização. O código de ética. conduta ilegal. em que mostra que o código resulta do clima ético de cada organização. educacional e social. acionistas transmitam a imagem de que a empresa é ética pelo simples fato de ter um código de ética e. Alguns códigos de ética descem ao nível concreto dos problemas enfrentados pela organização.

revelando a importância da ética para a organização. no sentido de não se rotularem pessoas. O caminho mais curto para que a ética passe da teoria à prática é fazer com que qualquer funcionário sinta que tem crédito. como fruto de sua sensibilidade ética. que apresentam questões que Julgam importantes de serem analisadas. que costuma dirigi-lo. Os membros do comité de ética devem ter plena consciência de que. Entre os membros do comité de ética. certificando que houve aplicação das políticas específicas. estão pessoas normais. mas também valorizadas e aplicadas sempre que conveniente. A maturidade dos membros do comité não se prende tanto à idade cronológica de seus componentes. Caso contrário. à medida que surgem dentro da empresa. acompanhando as mudanças e atendendo às necessidades dos stakeholders. e por outros compliance.missão. Muitas empresas nomeiam um profissional de ética. Assim. externalizado em pesquisa interna realizada. a tónica de toda troca de informações e das discussões provenientes do estudo de cada caso ou situação deve ser positiva e construtiva. do ponto de vista da ética. o componente de confiabilidade gerado envolve todos os integrantes da empresa. Para que se mantenha o alto nível do clima ético. Isso ajudará a desenvolver as habilidades de raciocínio crítico necessárias à resolução de difíceis dilemas éticos na organização. que os profissionais sejam treinados. em geral as empresas oferecem uma linha direta de telefone e e-mail para receber comunicações. quais sejam: – Respeito – Honestidade – Compromisso – Transparência – Responsabilidade As violações ao Código de Ética são sujeitas à apreciação da Comissão de Ética. tal responsabilidade. a conduta ética. que têm compromissos familiares. o que muitas vezes causa irreparáveis prejuízos. A orientação de novos funcionários. para detectar pontos que podem vir a causar uma conduta antiética. – CEP – Comissão de Ética Pública. O sigilo das comunicações é um ponto fundamental para o incentivo à participação dos funcionários. apesar de suas fraquezas e dificuldades. COMISSÃO DE ÉTICA A Comissão de Ética é um órgão autônomo de caráter deliberativo. O comité garante que as soluções apontadas são frutos de opiniões de pessoas idóneas com diferente formação e experiência e que. os programas de desenvolvimento gerencial e de supervisores e os de educação ética em geral podem ser esquematizados. Esse sistema. A empresa necessita desenvolver-se de tal forma que a ética. que validou os valores contemplados. a intenção (que é muito difícil julgar) e as circunstâncias e consequências provocadas. Devem ser avaliadas a gravidade da infração ética. também. profissionais ou econômicos e. visa ao cumprimento das normas éticas do código de conduta. sua compreensão e clareza por parte de todos os funcionários. O que se critica é o erro de conduta. ligado diretamente à Diretoria da empresa. Esse trabalho de acompanhamento pode servir como subsídio para o comité de ética e o treinamento em ética. investigar e solucionar casos. O profissional deve estar alinhado com as políticas da empresa . valores . que tem o direito de se retratar. situações ou casos. são dotadas de valores e merecem total respeito. os valores e convicções primários da organização tornem-se parte da cultura da empresa. a implantação de códigos de ética ou de conduta será inócua. A autoridade conferida ao comité de ética deve ser assegurada pela figura do vice-presidente. A conduta ética gera uma visão de perspectiva que provoca um natural desejo de antecipar-se. para em dedicação exclusiva ou parcial coordenar os programas de ética. O comité não pode perder de vista que são os valores e princípios que norteiam seus critérios. Cabe ao comité de ética delinear uma política a ser adotada e modernizar o código de conduta de tempos em tempos. que suas opiniões não São apenas ouvidas. orientar as ações e o relacionamento com os interlocutores internos e externos. O nível de exigência dentro do comité deve ser o mais elevado possível. em conjunto. Para acesso ao comité de ética. de ter iniciativas para atender às necessidades da empresa e das pessoas que nela convivem. inclusive do comité. SOBRE O CÓDIGO DE ÉTICA DA CAIXA OBJETIVO Sistematizar os valores éticos que devem nortear a condução dos negócios da CAIXA. analisaram com profundidade e sob diferentes perspectivas o problema colocado. conseguido com análises de casos e discussão de situações relevantes aos participantes e suas áreas funcionais. e não apenas a frieza das normas impressas em um documento. denominado por alguns auditoria ética. Importa que os executivos sejam bem formados. por trás das questões ou condutas analisadas. NORMAS O Código expressa o sentimento ético dos empregados da CAIXA. pode ser útil implementar um sistema de monitoramento e controle dos ambientes interno e externo da organização. pois o cerne da questão está na formação pessoal. dos funcionários. com sentimentos. podendo.Ética decisão. com a finalidade de orientar e aconselhar sobre a ética 20 . o que lhe confere independência de ação. Sua principal tarefa é manter vivo e atualizado o código de ética e promover os meios necessários para a formação contínua de todos os funcionários da empresa neste campo específico. mas à disposição reta. Um programa de treinamento em ética predispõe a unia conduta ética e alcança melhores resultados em função de uma experiência em treinamento interativo. ou do próprio presidente da organização. DEFINIÇÕES – CEATI – Centralizadora de Atendimento Integrado. – GEORH – Gerência Nacional de Operação de Recursos Humanos. compreensiva e exigente. resultante do esforço de cada stakeholder. e não a pessoa. anónimas ou identificadas.e ter capacidade de conquistar a confiança dos membros do comité e dos demais funcionários. visão. muitas vezes resultante de formação específica para assumir uma função de.

os interesses da CAIXA estão em 1º lugar nas mentes dos nossos empregados e dirigentes. bem como a preservação do meio ambiente. como instituição financeira. das normas e dos regulamentos internos e externos que regem a nossa Instituição. pelo bem público. sem direito a voto. • Reconhecimento e valorização das pessoas que fazem a CAIXA. Preservamos o sigilo e a segurança das informações. justiça. com mandato de 2 anos. coligadas. • Eficiência e inovação nos serviços. oferecendo oportunidades iguais nas transações e relações de emprego. controladas. empregados e parceiros da CAIXA absoluto respeito pelo ser humano. associações e entidades de classe dentro dos princípios deste Código de Ética. de forma a resguardar a lisura dos seus processos e de sua imagem. contribuições de bens materiais ou valores a parceiros comerciais ou institucionais em nome da CAIXA. Preservamos a dignidade de dirigentes. igualdade e dignidade. HONESTIDADE No exercício profissional. entre os Consultores Técnicos/ Gerentes Nacionais de sua área de atuação. Pautamos nosso relacionamento com clientes. fornecedores. religião. cumprimento dos prazos acordados e oferecimento de alternativa para satisfação de suas necessidades de negócios com a CAIXA. pela sociedade e pelo meio ambiente. gênero. COMPROMISSO Os dirigentes. os recursos da sociedade e dos fundos e programas que administramos. conforme indique a situação. cor. cortesia. Respeitamos e valorizamos nossos clientes e seus direitos de consumidores. Temos o compromisso de oferecer produtos e serviços de qualidade que atendam ou superem as expectativas dos nossos clientes. • Transparência e ética com o cliente. respeito. sob qualquer pretexto. com a determinação de eliminar situações de provocação e constrangimento no ambiente de trabalho que diminuam o seu amor próprio e a sua integridade moral. para assessoramento técnico-operacional. financeira e sócio-ambiental. Condenamos a solicitação de doações. VALORES DO CÓDIGO DE ÉTICA DA CAIXA RESPEITO As pessoas na CAIXA são tratadas com ética. credo. Temos compromisso permanente com o cumprimento das leis. Os nossos patrocínios atentam para o respeito aos costumes. O apoio administrativo à Comissão é prestado pela GEORH. A Comissão pode convocar empregados ou responsáveis de unidade da CAIXA. Não admitimos práticas que fragilizem a imagem da CAIXA e comprometam o seu corpo funcional. de grupos ou de terceiros. sob qualquer pretexto. Prestamos orientações e informações corretas aos nossos clientes para que tomem decisões conscientes em seus negócios. Gerimos com honestidade nossos negócios. Buscamos a melhoria das condições de segurança e saúde do ambiente de trabalho. raça. empregados e parceiros. produtos e processos.Ética profissional dos dirigentes e empregados da CAIXA. Condenamos atitudes que privilegiem fornecedores e prestadores de serviços. incapacidade física e quaisquer outras formas de discriminação. no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público. A Comissão de Ética da CAIXA é constituída por 6 membros. preservando a qualidade de vida dos que nele convivem. em detrimento de interesses pessoais. classe social. • Respeito à diversidade. agente de políticas públicas e parceira estratégica do Estado brasileiro. 21 . Não admitimos qualquer relacionamento ou prática desleal de comportamento que resulte em conflito de interesses e que estejam em desacordo com o mais alto padrão ético. devendo conhecer fatos de imputação e de procedimento susceptível de censura. VALORES • Sustentabilidade econômica. tradições e valores da sociedade. A regulamentação da Comissão de Ética está contemplada no Regimento Interno. CÓDIGO DE ÉTICA DA CAIXA MISSÃO E VALORES MISSÃO Atuar na promoção da cidadania e do desenvolvimento sustentável do País. empregados e parceiros da CAIXA estão comprometidos com a uniformidade de procedimentos e com o mais elevado padrão ético no exercício de suas atribuições profissionais. na condição de titulares das seguintes áreas. idade. correspondentes. Exigimos de dirigentes. em qualquer circunstância. cabendo a sua presidência ao Diretor de Recursos Humanos: – Diretoria de Recursos Humanos – Diretoria de Controles Internos – Diretoria de Serviços Jurídicos – Superintendência Nacional de Auditoria – Superintendência Nacional de Desenvolvimento e Estratégias Empresariais – Ouvidoria da CAIXA Cada Diretor/Superintendente tem um suplente por ele indicado. • Valorização do ser humano. Repudiamos todas as atitudes de preconceitos relacionadas à origem. com a prestação de informações corretas. patrocinadas.

CAPÍTULO III DA COMPETÊNCIA Art. IV. quando convocado pelo seu Presidente para exame de matéria específica. em cumprimento ao disposto no Decreto nº 1171. dos bens. por entendermos que a vida depende diretamente da qualidade do meio ambiente. Art. As matérias a serem incluídas em pauta e examinadas pela Comissão devem estar instruídas de forma fundamentada e completa. Aos nossos clientes. extraordinariamente.05. pelo menos. 7º. A Comissão reunir-se-á. A Comissão pode convocar empregados ou responsáveis de unidade da CAIXA.1999 e de 18. conforme indique a situação. III. Compete à Comissão de Ética da CAIXA: I. entre os Consultores Técnicos/Gerentes Nacionais de sua área de atuação. TRANSPARÊNCIA As relações da CAIXA com os segmentos da sociedade são pautadas no princípio da transparência e na adoção de critérios técnicos. propor alterações no Código de Ética. Quando da alteração da estrutura organizacional da Matriz por extinção. de 22 06. equipamentos e demais recursos colocados à nossa disposição para a gestão eficaz dos nossos negócios. mantendo-o alinhado à missão e às estratégias organizacionais da CAIXA. 8º. com critérios claros e do conhecimento de todos. Art. ainda. são mantidas ou incorporadas à Comissão as Diretorias/Superintendências Nacionais que absorverem as atividades anteriormente desenvolvidas por aquelas constantes da atual composição. de Controles Internos e de Serviços Jurídicos. fornecedores e à mídia dispensamos tratamento equânime na disponibilidade de informações claras e tempestivas. 14. A Comissão de Ética da CAIXA é um órgão autônomo de caráter deliberativo. orientar e aconselhar sobre a ética profissional dos dirigentes e empregados da CAIXA. A Comissão deve viabilizar a formalização do Termo de Compromisso de acatamento e observância do Código de Ética pelos dirigentes e empregados da CAIXA. com mandato de dois anos. palestras. supervisionar a observância do Código de Conduta da Alta Administração Federal e comunicar à CEP – Comissão de Ética Pública. CAPÍTULO IV DO FUNCIONAMENTO DA COMISSÃO DE ÉTICA REGIMENTO INTERNO DA COMISSÃO DE ÉTICA DA CAIXA CAPÍTULO I DA NATUREZA E FINALIDADE Art. Art. no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público. 5º. propor a organização e desenvolvimento de cursos. A Comissão de Ética da CAIXA é constituída por seis membros. 3º. 4 membros. com a adequada utilização das informações. 1º. Compete. com a finalidade de orientar e aconselhar sobre a ética profissional dos dirigentes e empregados da CAIXA. criação. Art. Art. parceiros comerciais. por meio de fontes autorizadas e no estrito cumprimento dos normativos a que estamos subordinados. e nos Decretos s/nº de 26. Art. visando à formação da consciência ética dos empregados da CAIXA. Os padrões de conduta ética na CAIXA são norteados pelo Código de Ética. seminários e debates. Zelamos pela proteção do patrimônio público. de forma a resguardar a CAIXA de ações e atitudes inadequadas à sua missão e imagem e a não prejudicar ou comprometer dirigentes e empregados. Valorizamos o processo de comunicação interna. direta ou indiretamente. sem direito a voto.Ética Incentivamos a participação voluntária em atividades sociais destinadas a resgatar a cidadania do povo brasileiro. Art. para assessoramento técnicooperacional. 2º. Art. como forma de preservar os valores da CAIXA. Para a realização das reuniões. Caso algum dos membros deixe de exercer a titularidade das áreas referidas. Art. cabendo a sua presidência ao Diretor de Recursos Humanos. II. 9º. uma vez por mês e.05. situações que possam configurar descumprimento de suas normas. à Comissão atuar como elemento de ligação com a CEP. dado o dinamismo do contexto social. dos recursos por nós geridos e com a integridade dos nossos controles. mediar e conciliar situações que envolvam questões éticas para as quais o Código de Ética da CAIXA seja omisso. na condição de titulares das Diretorias de Recur- 22 . titulares ou suplentes. Cada Diretor/Superintendente tem um suplente por ele indicado. 4º. é obrigatória a presença de. V. Os assuntos submetidos à Comissão são decididos por maioria simples e registrados em ata. Art. Buscamos a preservação ambiental nos projetos dos quais participamos. CAPÍTULO II DA COMPOSIÇÃO Art. Garantimos proteção contra qualquer forma de represália ou discriminação profissional a quem denunciar as violações a este Código. devendo conhecer fatos de imputação e de procedimento susceptível de censura. Como empresa pública. 11. disseminando informações relevantes relacionadas aos negócios e às decisões corporativas. Oferecemos aos nossos empregados oportunidades de ascensão profissional.2001. Art. RESPONSABILIDADE Devemos pautar nossas ações nos preceitos e valores éticos deste Código. sos Humanos. ordinariamente. sua posição na Comissão é automaticamente ocupada por seu sucessor no cargo. mudança de nomenclatura e/ou competências das unidades. 12. 10. estamos comprometidos com a prestação de contas de nossas atividades. 6º.1994. das Superintendências Nacionais de Auditoria e de Desenvolvimento e Estratégias Empresariais e da Ouvidoria CAIXA. 13.

alinhada às prioridades do Governo Federal. V. A decisão da Comissão. a inserção de temas de direitos humanos na gestão da empresa. 16. ouvidos o denunciante e o empregado ou o responsável pelo setor envolvido. Comissão de Ética Pública – CEP encaminhadas pela Diretoria de Recursos Humanos. Art. 26. denúncias e representações formuladas por empregados. As decisões devem ser resumidas em ementa e divulgadas para toda a CAIXA. estabelecer a pauta. O Presidente é substituído. na sua essência. pode resultar em orientação. adotar as providências decorrentes da decisão. na certeza de estar contribuindo para o desenvolvimento do país e do mundo. convocar. 23 . designar relator para os processos. Parágrafo único. encaminhar pauta com os respectivos dossiês para apreciação da Comissão de Ética. 24. unidades internas. ainda. se for o caso.Ética Art. O tema é reforçado pelo código de ética da empresa. bem como por entidades associativas regularmente constituídas. ou por ela levantada. passível de ser caracterizado como infringência ao Código de Ética. promover a triagem das demandas para verificar se o assunto se enquadra nas questões éticas a serem apreciadas pela Comissão. na análise de qualquer ocorrência submetida a sua apreciação. montar dossiê contendo os documentos que deram origem à ocorrência. Art. designar um dos membros titulares da Comissão para substituí-lo. 18. Todo voto contrário à decisão a ser deliberada pela Comissão deve ser justificado e constar da ata da reunião. III. sendo garantido aos envolvidos a confidencialidade das informações prestadas. VI. empregados ou representantes de unidades da CAIXA para auxiliar no exame e apresentação de assuntos específicos. parceiros. Ao Presidente da Comissão compete: I. 21. a critério da Comissão. clientes ou usuários em geral. VII. VI. e outros expedientes ou informações necessários à elucidação dos fatos a serem apurados. A Comissão de Ética pode instaurar. CAPÍTULO VI DAS ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DA COMISSÃO DE ÉTICA Art. e para tanto. convocar extraordinariamente a Comissão. _ A conduta ética pautada exclusivamente nos valores da sociedade. III. fato ou conduta atribuído a empregado ou a determinada unidade da CAIXA. cadastro funcional do empregado. presidir as reuniões.1 A missão da CAIXA deixa claro. 15. _ Respeito e valorização do ser humano. por meio desta comunicação. Deve ser indicado um relator para cada assunto a ser apreciado pela Comissão. Art. receber os dossiês devolvidos pela Comissão e comunicar a decisão aos envolvidos. censura ou o seu encaminhamento para avaliação sob a ótica do Regime Disciplinar. II. Auditoria. Art. admitindo-se a oitiva de eventuais testemunhas. receber demandas a respeito do Código de Ética provenientes de empregados. sendo facultada a sua consignação. nos seus impedimentos. VII. a condição de signatária do Pacto Global. denúncias e representações devem ser dirigidas diretamente à Comissão de Ética. A apuração das ocorrências pela Comissão de Ética obedece a rito sumário. examinar consultas. CAPÍTULO V DO APOIO ADMINISTRATIVO À COMISSÃO DE ÉTICA IV.’” Maria Fernanda Presidenta PACTO GLOBAL AVANÇOS VERIFICADOS NOS DEZ PRINCÍPIOS DO PACTO GLOBAL DIREITOS HUMANOS Princípio 1 – as empresas devem respeitar e apoiar a proteção dos direitos humanos reconhecidos internacionalmente dentro de sua esfera de influência Indicador 1 – sobre a inserção de temas de direitos humanos na gestão da empresa 1. Ouvidoria. IV. se necessário. As consultas. as datas e os horários das reuniões. Art. _ A busca permanente de excelência na qualidade dos serviços. II. disponível no sítio www. convocar os envolvidos para esclarecimentos. procedimento para averiguar qualquer ato. São atribuições da GEORH – Gerência Nacional de Operação de Recursos Humanos: I. fato ou conduta praticada importar infringência ao Regulamento de Pessoal da CAIXA. Art. 20. 17. emitir voto de qualidade em caso de empate na votação. de ofício. Os membros da Comissão são responsáveis solidários por suas deliberações. por outro membro titular por ele designado. 19. V. 25. por intermédio da Diretoria de Recursos Humanos. com a omissão dos nomes das partes envolvidas. com justificativa. em sendo solicitado pela Comissão. Art. Art. o que a torna grande perseguidora dos compromissos nele assumidos. Todos os assuntos tratados no âmbito da Comissão têm caráter sigiloso.caixa.gov. nos seus impedimentos. O voto é expresso verbalmente. devendo. 23. Comunicação de Progresso/2006 “A Caixa Econômica Federal renova. conforme se verifica a seguir: _ O direcionamento de ações para o atendimento das expectativas da sociedade e dos clientes.br: Art. Art. não havendo necessidade de depoimento do primeiro se a apuração decorrer de conhecimento de ofício. 22. em Ata. com a finalidade de orientar os demais empregados. quando o ato.

garantia de proteção contra qualquer forma de represália ou discriminação profissional a quem denunciar as violações ao código de ética.1 Com o objetivo de articular parceiros. – Comissão de Relacionamento com Fornecedores. tratamento equânime aos clientes. Será detentora de alta tecnologia da informação em todos os canais de atendimento e se destacará na gestão de pessoas. Indicadores de Ações de RSE e Responsabilidade Ambiental nos Negócios. repúdio a todas as atitudes de preconceito. a CAIXA disponibilizou na Universidade Corporativa CAIXA (campus virtual) os cursos: Conhecendo a Responsabilidade Social. FUNASA – Fundação Nacional de Saúde. com abrangência no âmbito interno e externo à empresa. nos dias 22 e 23 de agosto de 2006. – Comissão de Gênero. MDS – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. implantação. UEMA – Universidade Estadual do Maranhão. governo do Estado. Indicador 2 – sobre a valorização de temas de direitos humanos na rede de relação da empresa 2. foi instalado o Comitê de Responsabilidade social da CAIXA. M Cidades – Ministério das Cidades. recursos geridos com a integridade dos controles da organização. A Política CAIXA para os portadores de deficiências e com mobilidade reduzida busca viabilizar o atendimento diferenciado e imediato a este segmento da população e consolidar a imagem da CAIXA como o banco de todos os brasileiros. sigilo e segurança das informações. com relevante presença no segmento de pessoa jurídica e excelente relacionamento com seus clientes. adotando os seguintes valores: – Respeito – exige-se tratamento das pessoas com ética. Manterá a liderança na implementação de políticas públicas federais e será parceira estratégica dos governos estaduais e municipais. parceiros comerciais. como forma de preservar os valores da CAIXA. A Política consubstancia a Missão e Valores CAIXA. com a participação de 38 Municípios. socialmente responsável. órgão de caráter propositivo e consultivo. 24 . – Comissão para PCD – Pessoas com Deficiência. Marketing e Patrocínio. compromisso com o cumprimento de leis. – Honestidade – empregados e dirigentes resguardam a lisura dos processos da CAIXA. avaliação e acompanhamento do Projeto de Responsabilidade Social Empresarial da CAIXA. secretários e lideranças comunitárias. dentre outros.2 Em 28 de novembro de 2006. respeito e valorização dos clientes.3 Visando arraigar na empresa os valores e princípios de RSE. preservação da dignidade de dirigentes. Consolidará sua posição como o banco da maioria da população brasileira. ainda. alinhada às diretrizes e políticas do Governo Federal. em consonância com sua Visão de Futuro: “A CAIXA será referência mundial como banco público integrado. representados por prefeitos. passando desde a priorização de projetos no planejamento estratégico até a capacitação de empregados para atendimentos aos deficientes. – Responsabilidade – ações pautadas nos preceitos e valores éticos do código de ética. empregados e parceiros. UFMA – Universidade Federal do Maranhão. – Comissão de Crédito e Risco. foi realizado Seminário em São Luís. bem como a preservação do ambiente. – Compromisso – dirigentes empregados e parceiros comprometidos com a uniformidade de procedimento e com o mais elevado padrão ético no exercício de suas atribuições profissionais. fornecedores e mídia na disponibilidade de informações claras e tempestivas. igualdade e dignidade. capacitadas e com desenvolvido espírito público.000 famílias distribuídas em 194 comunidades Quilombolas no Maranhão. comprometimento com a prestação de contas de atividades. busca da melhoria das condições de segurança e saúde do ambiente de trabalho. incentivo à participação voluntária em atividades sociais destinadas a resgatar a cidadania do povo brasileiro. de forma a resguardar a CAIXA de ações e atitudes inadequadas a sua missão e imagem e a não prejudicar ou comprometer dirigentes e empregados. eficiente. O evento contou. – Transparência – relacionamento com os segmentos da sociedade pautado no princípio da transparência e na adoção de critérios técnicos. normas e dos regulamentos internos e externos que regem a CAIXA. reconhecidas em seu mérito. O comitê criou cinco comissões: – Comissão de Comunicação. que prevê: – atendimento aos direitos assegurados por lei.Ética CÓDIGO DE ÉTICA A Caixa Econômica Federal elaborou o seu Código de Ética fazendo prevalecer o sentimento dos dirigentes e empregados. em qualquer circunstância. assim como da sua imagem. tradições e valores da sociedade. para possibilitar o atendimento de aproximadamente 5. busca e preservação ambiental nos projetos dos quais a empresa participa. Para o cumprimento desses princípios e tendo em vista que o tema tem caráter de transversalidade. ágil e com permanente capacidade de renovação. zelo e proteção do patrimônio público. instalações. rentável. 1. relacionamento com os atores envolvidos com a organização pautado nos princípios do código de ética. orientações corretas aos clientes para que tomem decisões conscientes em seus negócios. várias ações serão efetuadas. ACONERUQ – Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos. MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário. respeito. 2. cortesia. 1. por meio de fontes autorizadas e no estrito cumprimento dos normativos aos quais a empresa se subordina. externado em pesquisa interna. patrocínio que considere o respeito aos costumes. Federação dos Municípios. em parceria com o MME – Ministério de Minas e Energia. justiça. com o objetivo de assegurar a articulação entre as diversas áreas da CAIXA no processo de desenvolvimento. – acesso às dependências. compromisso de oferecer produtos e serviços de qualidade que atendam ou superem as expectativas dos clientes. equipamentos e serviços oferecidos pela CAIXA. direta ou indiretamente. SEPPIR – Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. preservando a qualidade de vida dos que nele convivem.2 O Conselho Diretor da CAIXA aprovou política para os portadores de deficiência.

Papelão e Material Reaproveitável de Belo Horizonte e a CAIXA. nos projetos de desenvolvimento urbano. que possibilita o acesso a consultas e serviços de cartões de crédito por meio do telefone 0800 adaptado com dispositivo TDD. 2. O SIMBRASIL é uma coletânea de informações fiscais.Ética Manterá relacionamentos sólidos. dos procedimentos básicos para o processo licitatório. possibilita melhor desempenho das prefeituras. a CAIXA ministrará curso presencial de Libras para os empregados. econômicas. priorizando. o Acordo de Cooperação para realização do Programa Nacional de Capacitação das Cidades. gestão e atividades produtivas. 25 . foi assinado o Termo de Cooperação Técnica entre a ASMARE – Associação de Catadores de Papel. ação que visa a apoiar projetos que envolvam grupos historicamente excluídos. Encontra-se em fase de seleção dos municípios que participarão da amostra. 3.950 participantes. _ Gestão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho. verificação no PNUD. _ Manual de acessibilidade para agências bancárias. O aparelho possui um teclado e um pequeno monitor de cristal líquido. em dezembro de 2003. _ População com deficiência no Brasil – fotos e percepções. de saneamento e do desenvolvimento urbano. envolvendo cerca de 600 técnicos municipais. envolvendo 1. foram seis cartilhas.1 Em parceria com o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica.Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. além de fortalecer a imagem da CAIXA como o Banco Público responsável pela realização dos programas federais para o desenvolvimento urbano. a CAIXA está desenvolvendo a Governança Inclusiva . e Crédito e Risco. de modo a se promover sua crescente inclusão social. conselheiros municipais e estaduais de habitação e saneamento. Comunicação. que prevê ações de apoio para inclusão de grupos historicamente excluídos. da preparação do Termo de Referência que vão nortear o fornecimento. com o objetivo de consolidar o compromisso da CAIXA de desenvolver ações para a implantação e integração de programas e projetos voltados para famílias de baixa renda com o intuito de aumentar sua capacidade produtiva e lhes oferecer melhor qualidade de vida. A partir de janeiro de 2007. Por meio do sistema. durante o 5º Festival do Lixo e Cidadania. como consultar o limite disponível. movimentos sociais e ONGs – Organizações Não-Governamentais que atuam na área habitacional. 3. _ Atendendo bem pessoas com deficiência. respeitando a diversidade cultural e o saber local. minimização dos preconceitos e valorização de todos. avaliar e diagnosticar suas principais necessidades e planejar soluções para atendê-las. 3. na realização das tarefas sob a sua responsabilidade. saneamento e habitação. a leitura das cartilhas deve ser feita por todo o quadro funcional.4 Ainda em parceria com o PNUD . instrumento de planejamento financiado pelo PNAFM. Pela Resolução do Conselho Diretor. _ Pessoas com deficiência – direitos e deveres.4 A CAIXA adotou. Em 2005. semelhante ao do computador. O termo foi firmado no âmbito do convênio entre a CAIXA e o PNUD. educacionais. inicialmente. O acordo. demográficas.3 A CAIXA. com a participação de Instrutores Educacionais do Uniethos.catadores. poder legislativo municipal e estadual. coesos e inovadores com parceiros competentes e de forte compromisso social. para todos os brasileiros”. quilombolas. o acordo foi renovado. 2. No período de janeiro a julho. Os clientes da instituição estarão aptos a realizar todas as operações necessárias para a manutenção do cartão de crédito. Ao todo. os deficientes auditivos podem se comunicar com os operadores por escrito e ler as respostas. a CAIXA homologou e disponibilizou a nova versão do SIMBRASIL . assim como a pesquisa juntos às empresas sobre os preços praticados no mercado para o fornecimento do software de gestão e seus componentes. oferecido por empresas de telefonia. proposta aderente à imagem adotada pela CAIXA. previamente identificados. em dezembro de 2006. realizou diversos encontros para discussão e formulação de políticas relativas ao Relacionamento com Fornecedores. urbanas. resguardando-se os aspectos de sustentabilidade socioeconômica e ambiental. e Patrocínio. sociais e sanitárias que tem como objetivo contribuir para que as comunidades possam identificar. porém menor. a CAIXA desenvolve a Inclusão Produtiva para grupos historicamente excluídos . capacitados em organização.Federação Brasileira de Bancos desenvolveu com a CAIXA cartilhas que tratam do relacionamento entre bancos e pessoas com deficiências (empregados e clientes). terceirizados e prestadores de serviços para proporcionar conhecimento das diferenças individuais. 100 municípios com menor IDH – Índice de Desenvolvimento Humano.3 Em parceria com o PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. em Belo Horizonte/MG. entidades de classe. em plataforma livre. gestores e técnicos municipais e estaduais. Em 22 de agosto de 2006. oferecendo um conjunto de software de controle e gestão.ação destinada a apoiar os municípios com população até 20 mil habitantes. também. seis Seminários Regionais de capacitação em Cadastro Técnico Multifinalitário. passou a coordenar as atividades e a apoiar a realização de atividades relativas ao planejamento urbano municipal. a seguir enumeradas.2 A CAIXA firmou com o Ministério das Cidades.Sistema de Informações Socioeconômicas dos Municípios Brasileiros. a data de vencimento ou o valor da fatura. atendimento diferenciado para pessoas com deficiência auditiva – sistema gratuito. disponibilizadas na Universidade Corporativa CAIXA (campus virtual da Universidade CAIXA): _ A ação de Recursos Humanos e a inclusão de pessoas com deficiência. no mesmo período. Em março de 2006. que se propõe a ser um banco “para você. Indicador 3 – sobre a inserção de temas de direitos humanos na ação social ou no investimento social privado 3. Foram realizados.” A FEBRABAN . indígenas e outros grupos informais. Marketing. para promover a melhoria da administração pública e trazer benefícios para a população residente. foram realizadas 13 Oficinas de Habitação e Saneamento. prioritariamente para aqueles que trabalham em pontos-de-venda.

especialmente crédito imobiliário. na sua missão e código de ética. crachá ou pulso. está impedida de manter relacionamento com aquelas que praticam o trabalho escravo ou similar e que constem na lista restritiva do Ministério do Trabalho e Emprego. Rio Grande do Sul. _ fornecimento de saldo do PIS e do Abono Salarial. tornando-se verdadeiro cúmplice do dia-a-dia do jovem. 1. assegura às entidades sindicais o direito de utilização dos quadros de avisos de suas dependências para comunicações oficiais de interesse dos empregados e facilita a essas entidades a realização de campanha de sindicalização a cada 12 meses. reconhece os delegados sindicais eleitos pelos empregados. _ disponibilização de informações sobre os programas sociais do Governo. a CAIXA investe na capacitação de adolescentes em serviços bancários e administrativos. lazer. _ entrega do cartão do Programa Bolsa Família _ prestação de informações sobre os demais produtos da CAIXA. 3. 3. em 11 de novembro de 2006. o respeito à diversidade. sendo a primeira experiência firmada entre a ASMARE e a Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. com orientações a respeito de serviços bancários e microfinanças. que tratam das questões de saúde e segurança.1 Por meio do Programa Adolescente Aprendiz. educação.a exemplo dos grupos previstos no Acordo Coletivo vigente.1 A CAIXA. auxilia o adolescente na condução para a vida cidadã. o que torna prazerosa e de grande responsabilidade a “incumbência” do orientador. para tratar dos assuntos específicos. de peças têxteis para o campo cirúrgico das referidas Santas Casas. a CAIXA firmou Contrato de Prestação de Serviço com a ACMB – Associação de Municípios Brasileiros para o desenvolvimento de consultoria na construção de seminários e no acompanhamento do desenvolvimento dos projetos nos territórios brasileiros. desde 2004.3 A CAIXA mantém grupos de trabalho. O protocolo de cooperação objetiva viabilizar projetos de desenvolvimento econômico e social em regiões do Piauí. a CAIXA adota o princípio de negociação permanente. além da data-base. ou seja. parceira da Secretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Racial de Presidência da República (SEPIR). Princípio 2 – as empresas devem certificar-se de que não estejam sendo cúmplices de abusos e violação dos direitos humanos Indicador 1 – sobre a monitoração de questões de direitos humanos na cadeia de negócios e na ação social Princípio 6 – as empresas devem eliminar a discriminação com respeito ao emprego e ocupação 26 . A CAIXA disponibilizou os seguintes produtos e serviços: _ emissão de CPF de forma gratuita. _ abertura de Contas CAIXA Fácil. que além de aplicar os módulos de avaliação quanto ao aprendizado dos serviços bancários e administrativos. Princípio 4 – as empresas devem apoiar a eliminação de todas as formas de trabalho forçado ou compulsório Indicador 1 – sobre a eliminação de todo as formas de trabalho forçado ou compulsório 1. em dia. 1. Foram realizados seminários em diversas regiões do país. desde que haja interesse das partes em pautar assuntos relativos à categoria. em parceria com a Rede Globo e o SESI – Serviço Social da Indústria.Ética O projeto proveniente do termo denomina-se Fábrica Social e propõe a celebração de convênios de cooperação comercial com Santas Casas e Hospitais Filantrópicos para o fornecimento por ex-moradores de rua e catadores de resíduos sólidos devidamente qualificados. também. com o propósito de contribuir para erradicação do trabalho degradante.6 A CAIXA. cultura e esporte. oriundos de famílias cuja renda per capita é igual ou inferior a 50% do salário mínimo. Emilia Romagna e Marche. 1. em parceria com entidades especializadas. na maioria das vezes. saúde.7 A CAIXA. com composição paritária – metade de empregados indicada pela empresa e metade pelas entidades representativas .1 Como signatária do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. Cada adolescente tem um orientador. e ofereceu serviços gratuitos à população no âmbito da cidadania. São Paulo. a CAIXA orientou a todas as suas superintendências informar aos seus clientes – pessoa física ou jurídica – que diante da condição de signatária do pacto. local e horário previamente acordados.1 A CAIXA tem normatizada a liberação de empregado eleito para exercer cargo de administração sindical em entidade sindical de bancários. para promover e disseminar à sociedade e a seus empregados.2 Desde 2003. veiculada mensagem alusiva à data. Úmbria. empregado CAIXA. deixa claro que preza pelo respeito e valorização do ser humano. TRABALHO Princípio 3 – as empresas devem apoiar a liberdade de associações e o reconhecimento efetivo do direito à negociação coletiva Indicador 1 – sobre o apoio à liberdade de associação e o reconhecimento do direito a negociação coletiva 1. em comemoração ao Dia Mundial do Laço Branco – Homens pelo fim da Violência Contra a Mulher (06/12). _ emissão de Cartão do Cidadão e cadastramento de senha. participou da “Ação Global” – evento voltado às classes menos favorecidas. fomentando a prática. mobilizou suas unidades em nível nacional para disponibilizar aos empregados fitas brancas para utilização como laços na lapela. Rio de Janeiro. 3. nos saldos e extratos de contas dos clientes. Foi. que reuniu mais de 900 mil pessoas –. Amazônia e Minas Gerais. Nesse contexto. auxiliando jovens pelo prazo mínimo de 18 meses e máximo de 24 meses. por meio da difusão e adaptação dos instrumentos e estratégias desenvolvidas pelas regiões da Terceira Itália. Princípio 5 – as empresas devem apoiar a erradicação efetiva do trabalho infantil Indicador 1 – sobre o apoio à erradicação do trabalho infantil 1.5 A CAIXA participa do Comitê Gestor Nacional da Cooperação entre a Presidência da República do Brasil com as Regiões italianas de Toscana.

Como forma de assegurar a transversalidade do tema. inserção das ações ambientais da CAIXA no Balanço Social. com os seguintes objetivos específicos: _ Apoiar o desenvolvimento das estratégias. com o respeito à diversidade no mundo do trabalho. a CAIXA realiza uma série de ações que dão suporte à Política Ambiental e contribuem para a sua sustentabilidade. contribuindo para a transferência de tecnologias e de métodos de gestão ambientalmente saudáveis. prioridades e ações da Política Ambiental Corporativa. A adesão faz parte do Planejamento Estratégico 2005/2007 e insere-se na Política de Gestão da Diversidade. com o crescimento das cidades e a deficiência de planejamento urbano e gestão ambiental.1 A CAIXA possui Política Ambiental aprovada pelo Conselho Diretor. • Agências Ecoeficientes. em solenidade no Palácio do Planalto. _ Dispor de produtos e serviços para atender o mercado ambiental. As diretrizes são as seguintes: _ Cumprir a regulamentação ambiental aplicável às nossas atividades e serviços empresariais. _ Incorporar. água e energia. voltadas à promoção da equidade de gênero. Foram desenvolvidos instrumentos e procedimentos para prevenção e gerenciamento de riscos por passivos ambientais para vistoriar terrenos objeto de propostas para empreendimentos habitacionais. única do ramo financeiro a figurar entre as 11 empresas homenageadas. o processo de aperfeiçoamento contínuo e a educação dos empregados. Desde a implantação do Comitê. realização de cinco eventos comemorativos para convidados internos e externos. que é hoje o principal mecanismo financeiro para investir nas unidades de conservação. _ Promover a disseminação dos princípios e diretrizes entre empresas terceirizadas. a CAIXA recebeu da SPM o Selo Pró-Equidade de Gênero. • Construções Sustentáveis (Pesquisa. e constante em manual normativo próprio. gerando benefícios econômicos e ambientais por meio da racionalização de processos e redução do desperdício. A política tem como objetivos atuar como o princípio da responsabilidade ambiental. de forma ágil e transparente. Guia de Melhores Práticas e Eventos).Ética Indicador 1 – sobre o monitoramento da situação do público interno em relação a mecanismos de discriminação 1. um atributo de destaque e distinção como empresa comprometida. _ Gestão de Riscos por Passivos Ambientais: passivos ambientais por contaminação em terrenos utilizados por indústrias ou próximos a áreas industriais passaram a ser um fator de preocupação. prática de gestão. elaboração de notícias e artigos de opinião publicados no Jornal da CAIXA. desde maio de 2004. _ Analisar e divulgar os resultados alcançados. já em 2005 havia aderido à iniciativa. foi criado em outubro de 2004 o Comitê CAIXA de Política Ambiental Corporativa. tais como: _ Fundo de Compensação Ambiental . • Indicadores de desempenho socioambiental. _ Novos Negócios: a experiência e o posicionamento ambiental da CAIXA motivaram o desenvolvimento e a atração de novos negócios. critérios que considerem o risco ambiental como parte do risco financeiro. fórum de debate e decisão constituído por 22 áreas da CAIXA. no âmbito do Programa de Gestão de Resíduos Sólidos. paulatinamente. _ Buscar eficiência no uso dos recursos. comprometendo-se a elaborar um plano de ação a ser desenvolvido em 2006. integrando as questões socioambientais aos seus negócios. tais como: _ Divulgação: criação e manutenção do sítio Intranet da Política Ambiental. _ Capacitação: disponibilização do curso “Responsabilidade Ambiental nos Negócios” na Universidade CAIXA. buscando sempre o gerenciamento integrado. Embora só o tenha feito nessa data. • Eficiência Energética na Habitação. • Coleta Seletiva. dos recursos da compensação ambiental. _ Programa Emissões Reduzidas – busca aproveitar as experiências da CAIXA em saneamento ambiental para o desen- Princípio 7 – as empresas devem apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais Indicador 1 – Sobre o apoio a uma abordagem preventiva aos desafios ambientais 1. da representatividade e unicidade de ações decorrentes das diretrizes da Política.solução inovadora para viabilizar a gestão financeira e a execução. palestras em eventos externos especializados. _ Projetos elaboração de projetos vinculados ao desenvolvimento urbano e demais áreas da CAIXA. O Comitê é composto por representantes de diversas áreas da CAIXA e se constitui uma importante instância de gestão ambiental e um meio para preservar o princípio da transversalidade. _ Considerar a gestão ambiental como uma prioridade corporativa. _ Integrar ações internas. à nossa política de concessão de créditos. A CAIXA apresentou o plano de ação do Programa Pró-Equidade de Gênero à SPM – Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres – e está desenvolvendo ações assumidas com SPM. papel. • Critérios socioambientais para o crédito. tais como: • Metodologia para Prevenção e Gerenciamento de Riscos por Passivos Ambientais.1 A CAIXA formalizou em março de 2006 a adesão ao Programa Pró-Equidade de Gênero com a finalidade de promover a igualdade de oportunidade entre homens e mulheres. MEIO AMBIENTE _ Acompanhar a implementação do Plano de Ação. • Sala Verde CAIXA (Disseminação da Educação Ambiental). campanha interna para desenvolver atitudes para ecoeficiência no uso de insumos de impressão. Em dezembro de 2006. 27 . atividades e decisões empresariais. clientes e fornecedores.

_ Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente: Memorando de Cooperação com foco no desenvolvimento de negócios sustentáveis e desenvolvimento urbano e ambiental.2 A CAIXA firmou parceria com o GVEP – Global Village Energy Partnership. _ Revitalização de áreas urbanas degradadas por contaminação – parceria com a Agência de Cooperação Alemã GTZ. conformidade nos Princípios do Pacto Global e Indicadores Ethos de Responsabilidade Social. tecnologia de produção mais limpa.Ética Matéria volvimento de operações e inserção da CAIXA no Mercado de Carbono. com o objetivo de convergir esforços para incorporar a sustentabilidade no setor empresarial. aproveitando as fontes de energias renováveis para aplicação em usos produtivos. É obrigatória a realização constante de treinamento sobre o assunto por todos os empregados. Assembléia Internacional de Parceiros do GVEP realizado em Brasília/DF. _ Adesão ao Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). _ Fomento à Eficiência Ambiental de Empresas – financiamento para eficiência energética. que agrega os principais bancos e os maiores grupos empresariais brasileiros. ANOTAÇÕES ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 28 . uso de energias limpas e mitigação de impactos do aquecimento global. clientes. foi assinado o Memorando de Entendimento entre a CAIXA e GVEP no evento 1ª. indicador 1. especialmente para fins habitacionais. nos dias 20 e 21/10/2005. indicador 1. bem como de prevenir novos casos. Princípio 8 – as empresas devem se engajar em iniciativas para promover maior responsabilidade ambiental Indicador 1 – sobre o engajamento em iniciativas para promover maior responsabilidade ambiental 1. O Vice-Presidente indicado é responsável pela implementação e monitoramento do cumprimento da legislação pertinente. numa visão global. no exercício de suas atribuições. tendo a energia como vetor de desenvolvimento econômico e social e dar suporte à preparação e financiamento para micro e pequenos empreendimentos nas áreas periurbanas. por meio da adequação de linhas de crédito e de estratégia de venda para a Rede de Agências. governo e sociedade e. a busca da CAIXA na inserção de valores e princípios de RSE na gestão empresarial com abrangência e impacto para consecução dos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. presentes. CONCLUSÃO Esta comunicação expressa por meio de adesões a pactos e implementação de ações. analisar e comunicar ocorrências suspeitas. acesso à energia alternativa e mitigação de impactos ambientais.1 A CAIXA adota como conceito de atividade de prevenção à lavagem de dinheiro um conjunto de ações. Princípio 9 – As empresas devem encorajar o desenvolvimento e a difusão de tecnologias ambientalmente sustentáveis Indicador 1 – sobre o incentivo ao desenvolvimento e difusão de tecnologias ambientalmente amigáveis 1. Visando a dar apoio institucional às iniciativas que induzam melhoria de renda. aquecimento solar de água. recebam remuneração. citada no princípio 7. _ Agência Alemã GTZ: cooperação no âmbito da gestão ambiental urbana. 1. com foco em metodologias de gerenciamento de projetos e revitalização de áreas urbanas degradadas. para o mundo. é realizada por meio de treinamento. _ Acordo de Cooperação e Contrato de Prestação de Serviços para o Programa Nacional de Capacitação de Gestores Ambientais. Princípio 10 – combater a corrupção em todas as suas formas. 1. _ Gestão de Parcerias – ação desenvolvida para apoiar o posicionamento ambiental e a implementação da Política Ambiental da CAIXA: _ Ministério do Meio Ambiente: _ Protocolo de Intenções com extensa Agenda de Ações. inclusive pela comunicação das ocorrências consideradas suspeitas. visa conhecer os instrumentos urbanísticos e econômicos da revitalização e avaliar a viabilidade de financiar a remediação e recuperação de áreas.1 Item contemplado pela Política Ambiental. favores ou vantagens de qualquer espécie.1 Item contemplado pela Política Ambiental. A qualificação dos empregados para o adequado monitoramento das movimentações financeiras realizadas na CAIXA. processos e sistemas capazes de detectar. É expressamente proibido que empregados da CAIXA. citada no princípio 7. que visa a elaborar e a desenvolver um plano de ação multissetorial para a melhoria de renda. comunidade na qual está inserida. comissões. objetivando capacitá-los para identificar eventuais ações que caracterizem lavagem de dinheiro e atuar no sentido de impedir qualquer utilização da Instituição em operações financeiras com recursos de origem ilegal. voltado para os municípios. bem como para a detecção de situações suspeitas. o que contribuirá para uma melhor qualidade de vida dos seus empregados. É representada formalmente perante o BACEN e o COAF por um Vice-Presidente indicado pelo Presidente e com a aprovação do Conselho Diretor. inclusive extorsão e propina.

à clareza de posições e ao decoro. Art. o qual não poderá ter interesse em decisão a ser tomada pela autoridade. 4 b) aquisição. 8º É permitido à autoridade pública o exercício não remunerado de encargo de mandatário. §2° A fim de preservar o caráter sigiloso das informações pertinentes à situação patrimonial da autoridade pública. possa suscitar conflito com o interesse público. 3º No exercício de suas funções.730. Art. indicando o modo pelo qual irá evitá-lo. com vistas a motivar o respeito e a confiança do público em geral. ascendente. 7º A autoridade pública não poderá receber salário ou qualquer outra remuneração de fonte privada em desacordo com a lei. fundações mantidas pelo Poder Público. enviará à Comissão de Ética Pública . não lhes cabendo manifestar-se publicamente sobre matéria 29 . §1° Em caso de dúvida sobre como tratar situação patrimonial específica. nível seis. para que a sociedade possa aferir a integridade e a lisura do processo decisório governamental. Os padrões éticos de que trata este artigo são exigidos da autoridade pública na relação entre suas atividades públicas e privadas. do controle de empresa. nem receber transporte.Ética CÓDIGO DE CONDUTA DA ALTA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL Art. bem como o pagamento das despesas de viagem pelo promotor do evento. informações sobre sua situação patrimonial que. não ultrapassem o valor de R$ 100. a autoridade pública deverá esclarecer a existência de eventual conflito de interesses. com as seguintes finalidades: I – tornar claras as regras éticas de conduta das autoridades da alta Administração Pública Federal. descendente ou parente na linha colateral. Parágrafo único. autarquias. Art. Não se consideram presentes para os fins deste artigo os brindes que: I – não tenham valor comercial. a autoridade pública deverá consultar formalmente a CEP. 6º A autoridade pública que mantiver participação superior a cinco por cento do capital de sociedade de economia mista. IV – estabelecer regras básicas sobre conflitos de interesses públicos e privados e limitações às atividades profissionais posteriores ao exercício de cargo público. 5º As alterações relevantes no patrimônio da autoridade pública deverão ser imediatamente comunicadas à CEP. Art. inclusive as especiais. publicado no Diário Oficial da União do dia 27 subsequente. 9º É vedada à autoridade pública a aceitação de presentes. sobretudo no que diz respeito à integridade.1º Fica instituído o Código de Conduta da Alta Administração Federal. uma vez conferidas por pessoa designada pela CEP. II – titulares de cargos de natureza especial. III – preservar a imagem e a reputação do administrador público. tornará público este fato. criada pelo Decreto de 26 de maio de 1999. à moralidade. 10 No relacionamento com outros órgãos e funcionários da Administração. propaganda. real ou potencialmente. nos termos da lei. Parágrafo único. na forma por ela estabelecida. VI – criar mecanismo de consulta. destinado a possibilitar o prévio e pronto esclarecimento de dúvidas quanto à conduta ética do administrador. Art. empresas públicas e sociedades de economia mista. 11 As divergências entre autoridades públicas serão resolvidas internamente. Art. desde que não implique a prática de atos de comércio ou quaisquer outros incompatíveis com o exercício do seu cargo ou função. a partir do exemplo dado pelas autoridades de nível hierárquico superior. direta ou indireta. ou de empresa que negocie com o Poder Público. divulgação habitual ou por ocasião de eventos especiais ou datas comemorativas. ou II – distribuídos por entidades de qualquer natureza a título de cortesia. III – presidentes e diretores de agências nacionais. hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre a sua probidade ou honorabilidade. Art. ou c) outras alterações significativas ou relevantes no valor ou na natureza do patrimônio. Art. desde que tornada pública eventual remuneração. as autoridades públicas deverão pautar-se pelos padrões da ética. especialmente quando se tratar de: I –atos de gestão patrimonial que envolvam: a) transferência de bens a cônjuge. cuja conduta esteja de acordo com as normas éticas estabelecidas neste Código. contratos futuros e moedas para fim especulativo. 4º Além da declaração de bens e rendas de que trata a Lei n° 8. Parágrafo único. Art. Art.00 (cem reais).CEP. bem como comunicar qualquer circunstância ou fato impeditivo de sua participação em decisão coletiva ou em órgão colegiado. inclusive investimentos de renda variável ou em commodities. salvo de autoridades estrangeiras nos casos protocolares em que houver reciprocidade. a autoridade pública. V – minimizar a possibilidade de conflito entre o interesse privado e o dever funcional das autoridades públicas da Administração Pública Federal. II – contribuir para o aperfeiçoamento dos padrões éticos da Administração Pública Federal. É permitida a participação em seminários. cujo valor possa ser substancialmente afetado por decisão ou política governamental da qual tenha prévio conhecimento em razão do cargo ou função. mediante coordenação administrativa. no prazo de dez dias contados de sua posse. que somente será aberto por determinação da Comissão. II – atos de gestão de bens. de modo a prevenir eventuais conflitos de interesses. secretários-executivos. 2º As normas deste Código aplicam-se às seguintes autoridades públicas: I – Ministros e Secretários de Estado. serão elas encerradas em envelope lacrado. congressos e eventos semelhantes. secretários ou autoridades equivalentes ocupantes de cargo do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores – DAS. de instituição financeira. de 10 de novembro de 1993.

de ofício. Além disso. Art. inclusive sindicato ou associação de classe. um cargo de professor com outro técnico ou científico e dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde com profissões regulamentadas no art. II – censura ética. bem assim responderá às consultas formuladas por autoridades públicas sobre situações específicas. 9790/99 e dos decretos 1171/94 e 4081/02. Acerca de eventuais atividades paralelas dos servidores. A Constituição Federal veda a acumulação de cargos públicos. II – não intervir. São ações realizadas pelos órgãos da Administração Pública Federal necessárias para que os objetivos estratégicos que norteam a promoção da ética. § 5º Se a CEP concluir pela procedência da denúncia. bem assim solicitar parecer de especialista quando julgar imprescindível. que conforme o caso. desde que haja indícios suficientes.16 Para facilitar o cumprimento das normas previstas neste Código. Outras proibições e condições para o exercício de atividades paralelas no setor privado constam nas leis 8112/90. 14 Após deixar o cargo. junto a órgão ou entidade da Administração Pública Federal com que tenha tido relacionamento oficial direto e relevante nos seis meses anteriores à exoneração. a autoridade pública não poderá: I – atuar em benefício ou em nome de pessoa física ou jurídica. bem como qualquer negociação que envolva conflito de interesses. § 1º A autoridade pública será oficiada para manifestar-se no prazo de cinco dias. obrigando-se a autoridade pública a observar. § 3º A CEP poderá promover as diligências que considerar necessárias. interpretativas e orientadoras das disposições deste Código. algumas das práticas: • Exortação sistemática por parte dos dirigentes máximos da entidade ou órgão à observância dos padrões éticos refletidos nas normas de conduta que vinculam os funcionários. 8027/92. • Ampla divulgação das normas de conduta. se entender necessário.Ética que não seja afeta a sua área de competência. em razão do cargo. bem assim a CEP. a CEP informará à autoridade pública as obrigações decorrentes da aceitação de trabalho no setor privado após o seu desligamento do cargo ou função. estatutos ou regras de pessoal das entidades onde o servidor exerce suas funções. nas entidades que integram o poder Executivo Federal. BOAS PRÁTICAS EM GESTÃO DA ÉTICA A Comissão de ética pública do Código de Conduta da Alta Administração Federal tem exigido e divulgado o que se denomina “boas práticas de gestão”. Art. § 4º Concluídas as diligências mencionadas no parágrafo anterior. 15 Na ausência de lei dispondo sobre prazo diverso. valendo-se de informações não divulgadas publicamente a respeito de programas ou políticas do órgão ou da entidade da Administração Pública Federal a que esteve vinculado ou com que tenha tido relacionamento direto e relevante nos seis meses anteriores ao término do exercício de função pública. Parágrafo único.17 A violação das normas estipuladas neste Código acarretará. em benefício ou em nome de pessoa física ou jurídica. 12 É vedado à autoridade pública opinar publicamente a respeito: I – da honorabilidade e do desempenho funcional de outra autoridade pública federal. a própria autoridade pública. • Cometimento formal da responsabilidade por zelar pela efetividade das normas de conduta. em processo ou negócio do qual tenha participado.19 A CEP. poderá fazer recomendações ou sugerir ao Presidente da República normas complementares. Nos limites da lei e desde que observadas as restrições para atividades que possam suscitar conflitos de interesses. inclusive sindicato ou associação de classe. 37. a CEP oficiará a autoridade pública para nova manifestação no prazo de três dias. neste prazo. As sanções previstas neste artigo serão aplicadas pela CEP. poderá encaminhar sugestão de demissão à autoridade hierarquicamente superior.18 O processo de apuração de prática de ato em desrespeito ao preceituado neste Código será instaurado pela CEP. na estrutura de administração da entidade ou órgão. conforme sua gravidade. com comunicação ao denunciado e ao seu superior hierárquico. aplicável às autoridades no exercício do cargo. • Estabelecimento de canais apropriados de comunicação por onde possam fluir a apresentação de dúvidas sobre a aplicação prática de normas de conduta e a prestação de orientações em situações da rotina diária dos funcionários. • Incorporação do tema ética e das normas de conduta nos programas de capacitação e treinamento da entidade ou órgão. as seguintes providências: I – advertência. sejam alcançados. contados da exoneração. Art. exceto quando existir compatibilidade de horários e consistir em dois cargos de professor. II – prestar consultoria a pessoa física ou jurídica. aplicável às autoridades que já tiverem deixado o cargo. Art. 13 As propostas de trabalho ou de negócio futuro no setor privado. assim estabelece o manual de “boas práticas”: Servidor vinculado ao Código de Conduta da Alta Administração Federal pode desempenhar outras atividades profissionais? Sim. o período de interdição para atividade incompatível com o cargo anteriormente exercido. Art. independentemente de sua aceitação ou rejeição. Art. Art. adotará uma das penalidades previstas no artigo anterior. § 2º O eventual denunciante. deverão ser imediatamente informadas pela autoridade pública à CEP. de ofício ou em razão de denúncia fundamentada. será de quatro meses. 8429/92. ou estabelecer vínculo profissional com pessoa física ou jurídica com a qual tenha mantido relacionamento oficial direto e relevante nos seis meses anteriores à exoneração. poderão produzir prova documental. Abaixo. a Comissão de Ética Pública expediu 30 . as seguintes regras: I – não aceitar cargo de administrador ou conselheiro. Para os servidores vinculados ao Código de Conduta da alta Administração Federal. tanto para o público interno da entidade ou órgão quanto ao público externo. é importante que sejam observadas as restrições específicas que constam nos códigos de conduta. e II – do mérito de questão que lhe será submetida. para decisão individual ou em órgão colegiado. Art.

(§1º. a atividade desenvolvida em áreas afins à competência funcional. Desenvolver atividade paralela sem remuneração ou para entidade sem fins lucrativos previne eventual conflito de interesses? Não. moralidade. É importante observar nesses casos a vedação para participar de deliberação que possa suscitar conflito de interesses com o Poder Público. que exige a precedência das atribuições do cargo ou função pública sobre quaisquer outras atividades. ao tomar posse em cargo ou função pública que o vincule ao Código de Conduta da Alta Administração Federal. implicar o uso de informação à qual a autoridade tenha acesso em razão do cargo e não seja de conhecimento público. de forma equivalente a um blind trust. b) alienar bens e direitos que integram o seu patrimônio e cuja manutenção possa suscitar conflito de interesses. sobre a suficiência da medida adotada para prevenir situação que possa suscitar conflito de interesses. A autoridade pública poderá participar em conselhos de administração e fiscal de empresa privada da qual a União seja acionista? Sim. d) na hipótese de conflito de interesses específico e transitório. O que deve fazer a autoridade que. quando em licença não remunerada para tratar de interesses particulares. c) transferir a administração dos bens e direitos que possam suscitar conflito de interesses a instituição financeira ou a administradora da carteira de valores mobiliários autorizadas pelo Banco Central ou pela Comissão de Valores Mobiliários. Que atitude deve tomar a autoridade para prevenir situação que configure conflito de interesses? Conforme o caso. e) divulgar publicamente sua agenda de compromissos. subordinando qualquer mudança a comunicação prévia e fundamentada à Comissão de Ética Pública. cujo valor ou cotação possa ser afetado por decisão ou política governamental. e) possa transmitir à opinião pública dúvida a respeito da integridade. que identificou as situações em que o exercício de atividade paralela suscitar conflito de interesses. deve: a) abrir mão da atividade ou licenciar-se do cargo. inclusive investimento de renda variável ou em commodities. sociedade ou negócio. Manter participação em empresa. onde a decisão da autoridade pode privilegiar uma pessoa física ou jurídica. assim como da personalidade jurídica da entidade. deve a autoridade observar o seguinte: a) não participar da gestão da empresa. enquanto perdurar a situação passível de suscitar conflito de interesses. ii) represente interesses suscetíveis de serem afetados pela entidade pública onde exerce cargo de direção. pela sua natureza. contratos futuros e moedas para fim especulativo. 5º. sociedade civil ou negócio configura conflito com o exercício da função pública? Não. mediante instrumento contratual que contenha cláusula que vede a participação da autoridade em qualquer decisão de investimento assim como o seu prévio conhecimento de decisões da instituição administradora quanto à gestão dos bens e direitos. possua investimento vedado? A autoridade deve tomar uma das seguintes providências: a) manter inalteradas suas posições. A Comissão deverá ser informada pela autoridade e opinará. com identificação das atividades que não sejam decorrência do cargo ou função pública. c) implique a prestação de serviços a pessoa física ou jurídica ou a manutenção de vínculo de negócio com quem tenha interesse em decisão individual ou coletiva da autoridade. clareza de posições e decoro da autoridade. b) viole o princípio da integral dedicação pelo ocupante de cargo em comissão ou função de confiança. Pode a autoridade. Código de Conduta). A ocorrência de conflito de interesses independe do recebimento de qualquer ganho ou retribuição pela autoridade.Ética a Resolução Interpretativa nº 8. art. A autoridade precisa informar a Comissão de Ética Pública sobre as medidas que adotou para prevenir conflitos de interesses? Sim. b) contratar administrador independente que passe a fazer a gestão desses investimentos. inclusive função de conselheiro de administração ou fiscal. formal ou informalmente. como tal considerada. Contudo tais participações devem ser informadas à Comissão de Ética Pública por meio da Declaração Confidencial de Informações (art. conforme o caso. seja incompatível com as atribuições do cargo ou função pública da autoridade. inclusive. d) possa. Que tipo de atividade paralela suscita conflito de interesses com o exercício da função pública? Suscita conflito de interesses o exercício de atividade que: a) em razão da sua natureza. sociedade civil ou negócio? A gestão do seu próprio patrimônio por parte da autoridade é vedada sempre que o item integrante desse patrimônio seja empresa ou sociedade civil ou ainda investimento em bens. iii) desempenhe atividade que suscite conflito de interesses com a função pública. sociedade ou negócio de que participe a autoridade transacione com a entidade pública onde a autoridade exerça cargo de direção de qualquer natureza. a respeito da qual a autoridade pública tenha informações privilegiadas em razão do cargo ou função. Além do mais. que identifica situações que suscitam conflito de interesses e dis- 31 . com ou sem finalidade de lucro. em cada caso concreto. Desde que a participação resulte de indicação institucional da autoridade pública competente. b) vedação para que: i) a empresa. 4º do Código de Conduta e Resolução CEP nº 5). abstendo-se de votar ou participar da discussão do assunto. em se tratando de decisão coletiva. comunicar sua ocorrência ao superior hierárquico ou aos demais membros de órgão colegiado de que faça parte a autoridade. O conflito ocorre quando a autoridade acumula funções públicas e privadas com objetivos comuns. exercer atividade profissional no interesse privado? Desde que observados os limites da lei e o que dispõe a Resolução Interpretativa nº 8 da Comissão de Ética Pública. Gerir o próprio patrimônio configura conflito com a restrição para que a autoridade participe da gestão de empresa.

b) eventuais atividades profissionais ou políticas que venha a desenvolver no interesse partidário. c) não implicar. de 12. 32 . ou que tenha interesse que dependa de seu pronunciamento individual ou como parte de colegiado. havendo dúvida. b) não violar o princípio da integral dedicação pelo ocupante de cargo em comissão ou função de confiança. além de observar as normas aplicáveis do CNPq e CAPES. Pode o agente público receber bolsa de pesquisa do CNPq ou da CAPES. as normas de ética e disciplina estabelecidas na legislação para o servidor da ativa. Pode a autoridade ter parente que trabalhe para entidade que presta serviço ou tem relação de negócio com o órgão público onde exerce suas funções? Suscita conflito de interesses contratar entidade privada de cuja direção participe parente até segundo grau da autoridade. de acordo com a Resolução CEP nº 8: a) não violar o princípio da integral dedicação ao cargo público. deve a autoridade observar a necessidade de registro dos contatos profissionais e audiências concedidas a representantes da organização não governamental da qual se afastou. inclusive no que se refere a informações a que tenha acesso e não estejam à disposição do público. pela sua natureza. d) não transmitir à opinião pública dúvida a respeito da integridade. pela sua natureza. após deixar o cargo público. que exige a precedência das atribuições do cargo ou função sobre quaisquer outras atividades. implicar o uso de informação à qual o agente tenha acesso em razão do cargo e não seja de conhecimento público. ainda: a) a vedação para assumir qualquer compromisso que viole o princípio da integral dedicação ao cargo ou função pública. moralidade. (Resolução CEP nº 8. Além disso. que exige a precedência das atribuições do cargo público sobre qualquer outra atividade. inclusive. nos termos do Decreto 4334. Vale observar que a autoridade não poderá receber ou participar de evento que receba patrocínio. no uso de informação à qual a autoridade tenha acesso em razão do cargo e não seja de conhecimento público. clareza de posições e decoro da autoridade.2002. nem participar de exame de matéria no âmbito partidário que possa implicar. enquanto no exercício de cargo ou função que o vincule ao Código de Conduta da Alta Administração Federal? Em nenhuma hipótese a percepção de bolsa de apoio à pesquisa científica ou tecnológica pode implicar em compromissos que configurem conflito com o exercício da função pública. nos termos do Decreto 4334. Para prevenir-se de situação que possa suscitar conflito de interesses. nem implicar na utilização ou aproveitamento das prerrogativas e recursos do cargo postos a sua disposição. É importante notar que ao servidor em licença se aplicam. Assim. de 12. clareza de posições e decoro do agente público. O desempenho de atividade artística no interesse privado somente é possível quando: a) não for incompatível com as atribuições do cargo ou da função pública. devendo. b) não implicar a prestação de serviço a pessoa física ou jurídica ou a manutenção de vínculo de negócio com pessoa física ou jurídica que tenha interesse em decisão individual ou coletiva da autoridade. pode ser admitido o exercício de atividade profissional no interesse privado quando em licença não remunerada para tratar de interesses particulares. deve a autoridade registrar em agenda de trabalho: a) audiências concedidas. Pode a autoridade exercer atividade profissional paralela na área científica ou artística? Sim. função de direção ou coordenação partidárias. com a qual tenha relacionamento institucional relevante. observada a compatibilidade de horários e as seguintes condições. no que couber. Que cuidados deve adotar a autoridade pública filiada a partido político para prevenir-se de situação que possa suscitar conflito de interesses? A atividade político-partidária da autoridade não deve resultar em prejuízo para o exercício da função pública. b) abster-se de receber bolsa do CNPq ou da CAPES sempre que em razão das atribuições do cargo público mantiver relacionamento institucional oficial e relevante com tais instituições.Ética põe sobre o modo de preveni-los.2002. mesmo que a autoridade pública não tenha participado de qualquer das fases do processo de contratação. moralidade. é importante consultar a área competente do próprio órgão. d) não transmitir dúvida à opinião pública a respeito da integridade. Assim. ainda que potencialmente. subsídio ou qualquer tipo de apoio financeiro de entidade pública de cujos quadros faça parte. observar a vedação para atuar ou prestar consultoria relativa a processo ou negócio do qual tenha participado em razão do cargo. continuar a desenvolver atividades artísticas de interesse privado. 14 do Código de Conduta da Alta Administração Federal. de 25/09/2003). enquanto no cargo público. uma vez que ele mantém o vínculo com o ente público. não deve a autoridade exercer.8. formal ou informalmente. nos termos do art. como tal considerada. a atividade desenvolvida em áreas ou matérias afins à competência funcional do agente público. Pode o artista. amparadas pela lei de incentivo fiscal da área cultural? Em nenhuma hipótese o exercício da atividade artística paralela ao desempenho do cargo público deve comprometer o interesse público. quando investido em cargo público.8. deve o agente público observar a compatibilidade de horários e. Para prevenir-se de situações que possam suscitar conflitos. c) não implicar a prestação de serviços a pessoa física ou jurídica que tenha interesse em decisão individual ou coletiva do agente público ou possa. bem assim para se utilizar dos recursos ou demais condições que são postas à disposição em razão do cargo público. na utilização de informação privilegiada a que tem acesso em decorrência do cargo público que ocupa. assim como a Comissão de Ética Pública. O que deve fazer a autoridade pública associada a organização não governamental com interesse em matéria sob a jurisdição da entidade pública em que exerce sua função para prevenir-se de situação que possa suscitar conflito de interesses? A autoridade associada a entidade não governamental com interesse em matéria sob a jurisdição da entidade pública para a qual tenha sido nomeada deve afastar-se da mesma.

que exige a garantia de precedência para o cumprimento dos deveres e responsabilidades do cargo público. Pode o agente público prestar. aprovado pelo Decreto 1171/94. suscita conflito de interesse. que deverá informar à respectiva Comissão de Ética que. Pode a autoridade afastar-se temporariamente do cargo ou função. exceto se o patrocínio ou contribuição tiver por origem entidade pública ou privada com a qual se relacione ou potencialmente possa vir a se relacionar em razão do exercício de função ou cargo público. quando o grau de parentesco for até o 4º grau. a Comissão de Ética Pública recomenda que se considerem impedidos para publicar texto de apoio a candidatos para concurso público de ingresso na organização quando participarem. sem remuneração. Quando se tratar de funcionário não vinculado ao Código de Conduta da Alta Administração Federal. e desde que publicamente se declare impedido para participar. Em vista do exposto. uma vez que é afim à competência funcional. clareza de posições e decoro da autoridade. recomenda-se que o exercício de atividade de docência em cursinho preparatório para ingresso de funcionários em organização para a qual trabalhe seja objeto de comunicação e autorização prévia da chefia competente. c) possa pela sua natureza. inclusive do processo decisório que tenha levado à realização do concurso. que permite a acumulação de remuneração mesmo quando se trate de docência em instituição pública de ensino. desde que a autoridade não participe do processo de identificação e contratação da entidade. é possível que a autoridade tenha parente que trabalhe para entidade que presta serviço ou tem relação de negócio com o órgão público onde exerça suas funções. com base no que dispõe a Resolução CEP nº 8: a) não violar o princípio da integral dedicação ao cargo público. nos termos do que dispõe a letra “a” do item 1 da Resolução CEP nº 8. moralidade. devendo ser observada a compatibilidade de horários e as seguintes limitações. Pode a autoridade ser beneficiária de patrocínio ou contribuição para desenvolver atividade permitida? Sim. pela sua natureza. b) não implicar a prestação de serviço a pessoa física ou jurídica ou a manutenção de vínculo de negócio com pessoa física ou jurídica que tenha interesse em decisão individual ou coletiva da autoridade. d) possa transmitir à opinião pública dúvida a respeito da integridade. examinadas as circunstâncias de casos concretos. ou que seja da responsabilidade do órgão público onde exerça sua função. Da mesma forma. implicar o uso de informação à qual a autoridade tenha acesso em razão do cargo e não seja de conhecimento público. pois a situação. de qualquer das fases do processo seletivo. ANOTAÇÕES ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 33 . que o cargo ou função pública do servidor ou empregado não seja utilizado para promover o evento por qualquer meio. pois a situação. como usualmente é o caso daquelas que oferecem cursinhos para concursos também não encontra vedação legal. formal ou informalmente. pela sua natureza. quando houver compatibilidade de horários. O exercício da atividade docente para entidade privada de ensino. mas vinculados ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. do exame de qualquer matéria de interesse da entidade fiscalizada. direta ou indiretamente.Ética Matéria Quando o grau de parentesco for superior. mas vinculado ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. consultoria a pessoa física ou jurídica em projeto cuja análise seja de sua responsabilidade? Não. para atuar em área ou matéria sobre a qual o órgão ou entidade a que serve tem responsabilidade? Não. desde que não tenha concorrido direta ou indiretamente para a contratação do parente. uma vez que se trata de área afim à competência funcional. desde que não ocorra em prejuízo do exercício das funções e atribuições inerentes ao cargo público. 37 da Constituição Federal. poderá se manifestar em sentido contrário. suscita conflito de interesse. suscita conflito de interesses a autoridade participar como docente de cursinho preparatório para concurso de ingresso de servidores em matéria sob a responsabilidade da organização pública onde exerce sua função. nos termos do que dispõe a letra “a” do item 1 da Resolução CEP nº 8. Pode a autoridade ter parente que trabalhe para entidade regulada ou fiscalizada pelo órgão ou entidade pública onde exerça sua função? Sim. Pode o agente público vinculado ao Código de Conduta da Alta Administração Federal atuar como professor em cursinho preparatório para concurso público? O exercício em paralelo da atividade de docência encontra amparo no inciso XVI do art. ou que tenha interesse em decisão de que participe. direta ou indiretamente. Pode autoridade publicar livro ou apostila sobre matéria exigida em concurso público? As autoridades vinculadas ao Código de Conduta da Alta Administração Federal devem considerar-se impedidas para publicar texto de apoio a candidatos para concurso público de ingresso na organização pública em que atuam No caso dos servidores não vinculados ao Código de Conduta da Alta Administração Federal.

a ética e o direito relacionam-se mutuamente no mundo atual. d) a expansão das organizações criminais transnacionais e do mercado mundial das drogas. 06. 05. a) todas as assertivas estão corretas. c) a inveja. c) Comportar-se eticamente pode ser a receita para evitar que o direito venha a disciplinar todas as condutas e a sancionar todas as infrações. II. c) Foi acrescentado à nossa Constituição Federal de 1988 pela emenda Constitucional 45/2004. De acordo com Hely Lopes Meirelles. c) generosidade e conduta ética. d) N. São considerados como deveres gerais dos servidores públicos. II e IV estão corretas. com intoleráveis danos à biosfera e às condições de sobrevivência das diversas formas de vida sobre a terra.D. das discriminações de casta e de sexo. c) a ambição. em seu Livro de Direito Administrativo Brasileiro. EXCETO: a) conduta ética e eficiência. b) a justiça. 07. EXCETO: a) a prudência. EXCETO: a) assiduidade. d) saúde. no capítulo referente à Ética e a vida. De acordo com Renato Nalini. são feridas mais dilacerantes da contemporaneidade que devem ser recapituladas. Analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa CORRETA: De acordo com Renato Nalini.a existência de regimes ditatoriais e o repetir-se da violação dos direitos humanos em muitos países. EXCETO: a) a modernização dos meios de transporte. Assinale a alternativa CORRETA.D.A. EXCETO: a) a humildade. em seu texto “a Ética e vida”. propiciando maior facilidade na fuga dos criminosos.Ética 5 EXERCÍCIOS RETO afirmar que: a) A ética pode tornar dispensável a juridicização da vida. d) a avareza. e também a tradução irresponsável do princípio de autodeterminação dos povos. b) Ética é a visão político científica advinda dos pensamentos pré-concretos do iluminismo Francês. b) somente II e III estão corretas. d) Todas as alternativas acima estão corretas.a crise demográfica. A seguir. b) É um dever derivado do direito natural. 03. 10. c) somente l. Todas as alternativas abaixo contêm alguns destes deveres. existente desde o princípio do Capitalismo Moderno e da automação industrial.a crise das relações inter-humanas de solidariedade e a exclusão de faixas inteiras da sociedade. são feridas mais dilacerantes da contemporaneidade que devem ser recapituladas: I. De acordo com o livro Fundamentos de Ética Empresarial e Econômica a melhor definição de ética é: a) Ética é a parte da filosofia que estuda a moralidade do agir humano.A. d) todas as alternativas acima estão corretas. 04. Levando em conta os deveres atinentes aos servidores públicos em geral. De acordo com o pensamento do autor é COR- 34 . vários são os deveres do servidor público. c) Ética é o estudo ou reflexão da suposta influência dos astros no destino e comportamento dos homens. quer dizer. d) lealdade e obediência. d) N. cada vez mais ativos e velozes. correlacione as colunas 1 e 2. José Renato Nalini. 11. 09. d) a gratidão. III. em seu texto “a Ética e vida”. 02. considera os atos humanos enquanto são bons ou maus.o recurso à guerra como resolução das controvérsias internacionais. IV. Segundo José Renato Nalini. Não podemos considerar como virtudes. Podemos considerar como grandes virtudes. b) a preguiça. 08. em seu texto “a Ética e a vida” faz questionamentos acerca da maneira de se aprimorar eticamente. com a crescente desproporção entre a população e os recursos disponíveis. assinale a alternativa correspondente à seqüência CORRETA: 01. em seu Livro de Direito Administrativo Brasileiro. De acordo com Hely Lopes Meirelles. b) eficiência e obediência. Entre os caminhos apontados pelo autor estão: a) exame de consciência e revisão da escala de valores b) pautar-se pêlos valores reais e aferir objetivamente a observância desses valores c) não transigir com os deslizes éticos e reconhecer a urgência no retorno à vida ética. d) Existe desde a promulgação da Constituição Federal de 1988. b) O Direito não é panacéia para todos os problemas. b) a crise ecológica. b) honestidade. c) o aguçar-se das tensões étnicas e religiosas. quanto ao dever de eficiência do servidor público podemos dizer que: a) Sempre existiu no Direito Brasileiro. c) lealdade.

c 11.) tratar com educação e respeito os colegas de trabalho e o público em geral.) decorre do princípio constitucional da moralidade administrativa.Ética Matéria 1. Conduta Ética 3. Lealdade 5. c 06.. de comparecimento ao local de trabalho. d 08. d 03... c) 2 – 5 – 1 – 3 – 4... tituições constitucionais. a 10. d 05. ao servidor. c 02. nos dias e horários determinados.. Assiduidade 2. a ANOTAÇÕES ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 35 .. b) 4 – 5 – 1 – 3 – 2... (...) impõe ao servidor o acatamento às ordens legais de seus superiores e sua fiel execu¬ção. (. Urbanidade a) 3 – 4 – 2 – 5 – 1..) imposição. GABARITO 01. .. (. .. (. . a 07.... d) 2 – 3 – 5 – 1 – 4. identificando-o com os superiores interesses do Estado.) exige de todo servidor a maior dedicação ao serviço e o integral respeito às leis e às ins(... .. Obediência 4. . c 09. a 04.