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Este documento foi assinado digitalmente por JOSE DA PONTE NETO. Se impresso, para conferência acesse o site https://esaj.tjsp.jus.br/esaj, informe o processo 0015864-30.2013.8.26.0000 e o código RI000000GGIEL.

0015864-30.2013.8.26.0000 e o código RI000000GGIEL. PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Registro: 2013.0000119823

DECISÃO MONOCRÁTICA nº 1.402

Agravo de Instrumento

30.2013.8.26.0000

Processo nº 0015864-

Relator(a): Ponte Neto Órgão Julgador: 8ª Câmara de Direito Público

AÇÃO DE NULIDADE DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO C/C RESTABELECIMENTO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO DESISTÊNCIA DA AÇÃO HOMOLOGADA PELO JUÍZO “A QUO” RECURSO PREJUDICADO Decisão do Juízo de Primeiro Grau que homologou o pedido de desistência da ação e extinguiu o processo, sem resolução do mérito, nos termos do art. 267, VIII, do CPC Nos termos do art. 501, do CPC, a desistência do recurso não exige homologação, ao contrário do que se dá com a desistência da ação Agravo de instrumento julgado prejudicado e revogada a liminar, em decisão monocrática.

1. Trata-se de agravo de instrumento, com

pedido de efeito ativo e suspensivo, interposto por LUCI DE OLIVEIRA

contra a r. decisão reproduzida às fls. 35, que indeferiu o seu pedido de

antecipação da tutela, proferida nos autos de ação declaratória de

nulidade de procedimento administrativo c/c pedido de restabelecimento

de benefício previdenciário em face da SÃO PAULO PREVIDÊNCIA -

SPPREV, objetivando a declaração da legalidade do ato de concessão

do benefício previdenciário e, liminarmente, a suspensão do andamento

do procedimento administrativo e a cassação da decisão administrativa

nele proferida que determinou a suspensão do pagamento do benefício.

Alega, em resumo, que é pessoa idosa, com

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PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

mais de 60 anos de idade, cursou somente até a 4ª série do ensino

primário e vive somente da renda advinda da pensão deixada por seu

genitor, falecido em 26 de outubro de 2004, devendo ser restabelecido o

pagamento do benefício. Sustenta que o prazo para a Administração

Pública anular ou rever os seus atos administrativos é de 5 (cinco) anos,

nos termos do disposto no artigo 1º do Decreto n.º 20.910/32, artigo 2º do

Decreto-lei n.º 4.597/42 e do artigo 21 da Lei n.º 4.717/65 (Lei da Ação

Popular), ressaltando que vem recebendo o benefício há quase 10 (dez)

anos, não podendo a Administração Pública suspender o pagamento,

sem respeitar o pleno exercício do seu direito ao contraditório e ainda

lesando a garantia do princípio constitucional do ato jurídico perfeito e do

direito adquirido, previsto no artigo 5º, XXXVI, devendo ser mantida a

pensão, com base na teoria do fato consumado, mesmo que se

considere legal a decisão administrativa. Sustenta, também, que o

disposto no artigo 16 da Lei n.º 8.213/91 trata dos beneficiários do

Regime Geral da Previdência RGPS, não se aplicando, portanto, ao

benefício em tela, que obedece ao disposto na Lei Estadual n.º 452/74,

nos termos do artigo 42, § 2º, da Constituição Federal, também não se

aplicando, nos termos do artigo 24, § 4º, da Constituição Federal, a Lei

n.º 9.717/98, de caráter regulatório, que, porém, no seu artigo 5º, permite

a concessão de benefícios distintos dos do RGPS. Sustenta, ainda, que

não se aplica a Lei Complementar Estadual n.º 1.013/07, pois é posterior

ao falecimento do contribuinte.

Com tais argumentos, requer que seja

atribuído efeito ativo e suspensivo até o provimento do recurso, pois se

trata de verba alimentar, sua única fonte de renda para sobreviver e,

devido à sua idade, será difícil o reingresso no mercado de trabalho.

Deferidos os efeitos ativo e suspensivo (fls.

39/41), a agravante requereu desistência do recurso (fls. 48), porque,

ainda não citada a ré, seu requerimento de desistência da ação foi

homologado por decisão do Juízo de Primeiro Grau (fls. 49), que prestou

Agravo de Instrumento nº 0015864-30.2013.8.26.0000

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informações informando que o processo n.º 0000214-75.2013.8.26.0053

foi extinto, nos termos do artigo 267, VIII, do Código de Processo Civil

(fls. 51/54).

É O RELATÓRIO.

2. Nos termos do artigo 501 do Código de

Processo Civil: O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a

anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso.

A desistência do recurso não exige

homologação, ao contrário do que se dá com a desistência da ação,

conforme anotado por THEOTONIO NEGRÃO, JOSÉ ROBERTO F.

GOUVÊA e LUIS GUILHERME A. BONDIOLI, com a colaboração de

JOÃO FRANCISCO NAVES DA FONSECA, “Código de Processo Civil e

Legislação Processual em Vigor”, 42ª edição, Saraiva, pág. 605, nota n.º

4, primeira parte, ao artigo 501 do Código de Processo Civil:

A desistência do recurso produz efeitos desde logo, independentemente de homologação. O CPC prevê a homologação da desistência da ação (art. 158 § ún.), o que não ocorre com a desistência de recurso, porque esta é possível sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes e não comporta condição.

3. Ante o exposto, em decisão monocrática,

julgo prejudicado o recurso de agravo de instrumento e revogo a liminar.

Registre-se e intime-se.

São Paulo, 8 de março de 2013.

Ponte Neto

Relator

Agravo de Instrumento nº 0015864-30.2013.8.26.0000

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