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Estudo Probabilístico da Resistência à Compressão de Concretos Utilizados em Fundações Probabilistic Study of Comp

Estudo Probabilístico da Resistência à Compressão de Concretos Utilizados em Fundações

Probabilistic Study of Compressive Strength of Concretes Used in Foundations

Crysthian Purcino Bernardes Azevedo(1); Sofia Maria Carrato Diniz(2)

(1) Mestre, Doutorando Departamento de Engenharia de Estruturas UFMG Rua Wups de Oliveira, 375/302 – Tirol – Belo Horizonte (2) Doutora, Professor Associado Departamento de Engenharia de Estruturas UFMG Av. Contorno, 842 – Centro – Belo Horizonte

Resumo

A descrição estatística da resistência à compressão do concreto deve refletir a prática construtiva atual em

uma determinada região ou país. Assim, o presente trabalho tem como objetivo avaliar um grande número de resultados de ensaios de resistência à compressão de corpos de prova de concreto. O concreto analisado é aquele utilizado nas fundações das torres do sistema de Interligação Norte-Nordeste (1300 km de linhas de transmissão). Os corpos de prova ensaiados contemplam concretos executados in situ (resistência especificada de 18 MPa) e pré-moldados (resistência especificada de 21 MPa). Os valores da média, desvio padrão e coeficiente de variação são obtidos para a resistência à compressão aos 7 e aos 28 dias. São estudadas as distribuições de probabilidade da resistência à compressão correspondentes a estas duas idades; em especial, a adequação da distribuição Normal e também da distribuição Lognormal são investigadas. Adicionalmente, são comparados os resultados de ensaios de concretos executados em canteiros distintos a partir da mesma especificação de projeto. Tais resultados, são analisados segundo as recomendações da NBR6118:2003, do ACI 318 e do Eurocode 2.

Palavras-chaves: Fundações, resistência à compressão, concreto, métodos estatísticos, normas técnicas.

Abstract

The statistical description of concrete compressive strength shall reflect current practice in a given area or country. As such, this work aims to evaluate a large number of concrete compressive strength data obtained from cylinder tests. The concrete examined corresponds to the material used in the foundations of the towers

in the North-Northwestern electrical transmission system. The specimens tested represent either cast in situ

(specified concrete strength of 18 MPa) or precast concrete (specified concrete strength of 21 MPa). Mean, standard deviation and coefficient of variation are obtained for test results at ages 7 and 28 days. Statistical models, i.e., the probability distributions fitted to the data obtained in each case are discussed; in special, the goodness of fit for Normal and Lognormal distributions is investigated. Additionally, the test data corresponding to material provided by different suppliers, for the same specified strength, are compared. The results obtained are analyzed according to the NBR6118:2003, ACI 318 and Eurocode 2 recommendations.

Keywords: foundations, compressive strength, concrete, statistical methods, design codes.

1 Introdução Normas e especificações atuais para projeto de estruturas em concreto se baseiam no

1 Introdução

Normas e especificações atuais para projeto de estruturas em concreto se baseiam no Método dos Estados Limites, ou seja, no projeto semi-probabilístico. O projeto assim denominado se deve à incorporação de forma implícita de conceitos probabilísticos onde uma norma é calibrada de tal forma a fornecer níveis de confiabilidade considerados como desejáveis (Diniz, 2006). Desta maneira, a descrição estatística de todas as variáveis envolvidas no projeto é um requisito básico na calibração de normas.

Dada a variabilidade da resistência à compressão do concreto, a sua descrição estatística

é de especial interesse. Dentro do contexto do projeto semi-probabilístico, o conceito de

resistência característica, f ck - aquela que apresenta uma probabilidade pré-estabelecida de não ser atingida - é largamente utilizado. Para que a resistência característica possa ser definida, o tipo de distribuição de probabilidade e parâmetros descritivos da

resistência à compressão do concreto devem ser conhecidos.

Segundo a NBR 12655: Concreto – Preparo, Controle e Recebimento (1996), a resistência à compressão do concreto pode ser descrita como uma variável Normal, ou

seja, segue a distribuição de Gauss (Ang e Tang, 1976). Tal consideração também está presente na NBR 6118:2003 e outras normas internacionais tais como o ACI 318 (2008) e

o Eurocode 2 (2002). Entretanto, existem críticas a este procedimento uma vez que a

distribuição Normal pode assumir valores negativos e consequentemente sem significado físico na descrição de resistências. Uma alternativa a este procedimento é a utilização da distribuição Lognormal visto que esta distribuição é definida apenas para valores positivos da variável em questão (Ang e Tang, 1976).

Outro aspecto importante relativo à descrição estatística da resistência à compressão do concreto é que tal informação é utilizada no controle de qualidade deste material. É fato bastante conhecido que a resistência à compressão do concreto depende do nível de controle de qualidade exercido em todas as fases da produção do concreto. Segundo Mirza et al. (1979), “o coeficiente de variação médio pode ser tomado como aproximadamente 10%, 15%, and 20% para resistências menores que 28 MPa correspondendo a controles excelente, médio e inferior, respectivamente.” Nos últimos anos, uma grande atenção tem sido voltada para a descrição estatística da resistência à compressão de concretos de alta resistência (veja por exemplo Diniz e Frangopol (1997)). Uma análise recente da variabilidade da resistência à compressão do concreto é apresentada em Nowak e Szerszen (2003). Uma conclusão destes autores baseada em dados norte-americanos é de que a variabilidade do concreto decresceu nos últimos 30 anos, sendo resultado de um maior e melhor controle de qualidade. No caso do concreto de alta resistência este fato é facilmente compreensível visto que um maior controle de qualidade pode ser entendido como um dos “ingredientes básicos” para a obtenção de resistências mais elevadas. Assim, as conclusões obtidas por Nowak e Szerszen podem ser aplicadas para os concretos de alta resistência obtidos em território nacional. Já para concretos de resistências usuais tais conclusões devem ser verificadas antes que possam ser consideradas válidas para o caso brasileiro.

Pelo exposto, a descrição estatística da resistência à compressão do concreto deve refletir a prática

Pelo exposto, a descrição estatística da resistência à compressão do concreto deve refletir a prática construtiva atual em uma determinada região ou país. Assim, o presente trabalho tem como objetivo avaliar um grande número de resultados de ensaios de resistência à compressão de corpos de prova de concreto. O concreto analisado é aquele utilizado nas fundações das torres do sistema de Interligação Norte-Nordeste (1300 km de linhas de transmissão). Os corpos de prova ensaiados contemplam concretos executados

in situ (resistência especificada de 18 MPa) e pré-moldados (resistência especificada de

21 MPa). Os valores da média, desvio padrão e coeficiente de variação são obtidos para

a resistência à compressão aos 7 e aos 28 dias. São estudadas as distribuições de

probabilidade da resistência à compressão, correspondentes a estas duas idades; em especial a adequação da distribuição Normal e também da distribuição Lognormal são investigadas. Adicionalmente são comparados os resultados de ensaios de concretos executados em canteiros distintos a partir da mesma especificação de projeto. Tais resultados são analisados segundo as recomendações da NBR6118:2003, do ACI 318 e

do Eurocode 2.

2 Características do concreto utilizado no empreendimento

Com o objetivo de atender ao crescimento da demanda de energia elétrica das regiões Norte e Nordeste do Brasil foram projetadas as linhas de transmissão em 500 kV Tucuruí - Vila do Conde (Grande Belém) (323 km), Tucuruí - Marabá, Marabá – Açailândia, Açailândia – Imperatriz e Açailândia – Presidente Dutra (932 km, as últimas quatro) e construídas nos anos de 2001 e 2002 nos estados do Pará e Maranhão entrando em operação em março de 2003. O traçado do sistema de interligação Norte-Nordeste é apresentado na Fig. 1.

PA MA
PA
MA

Figura 1 – Localização do Sistema de interligação Norte-Nordeste em território brasileiro.

Entende-se para fins deste projeto e estudo que as concretagens in situ foram aquelas onde

Entende-se para fins deste projeto e estudo que as concretagens in situ foram aquelas onde o concreto foi produzido em uma usina central e transportado para concretagem da fundação no local da torre. Já o concreto pré-moldado teve sua execução e cura no pátio

ao lado da usina e as peças prontas transportadas para o local da torre. Como critério de projeto das fundações foram exigidas duas resistências características (f ck ) especificadas aos 28 dias de idade para os concretos: 18 MPa para concretagens in situ e 21 MPa para concretos pré-moldados em canteiros. Do trecho em estudo serão avaliados os resultados

de três canteiros localizados em Goianésia do Pará, Jacundá e Nova Ipixuna, todas estas

cidades no estado do Pará.

3 Orientações normativas para a resistência do concreto

Conforme mencionado anteriormente, a resistência característica é um conceito vital para o controle de qualidade do concreto e também para o projeto de estruturas em concreto.

A seguir são apresentadas as recomendações da NBR 12655, Concreto - Preparo,

controle e recebimento (ABNT, 1996), da NBR 6118:2003, Projeto e Execução de Obras

de Concreto Armado (ABNT, 2003), do ACI 318, Building Code Requirements for Reinforced Concrete and Commentary (ACI Committee 318 2008) e do Eurocode 2

(2002).

3.1 NBR 12655

Segundo a NBR 12655, Concreto - Preparo, controle e recebimento (ABNT, 1996), a

resistência de dosagem relaciona-se com a resistência característica f ck através da

expressão:

f cj = f ck + 1,65 S d

onde:

(Equação 1)

f cm é a resistência média do concreto à compressão, prevista para a idade de j dias, em MPa; f ck é a resistência característica do concreto à compressão, em MPa; S d é o desvio- padrão da dosagem, em MPa. Nesta expressão o f ck é tomado usualmente aos 28 dias de idade.

O

desvio-padrão quando desconhecido é definido em função das condições de preparo

do

concreto (Tabela 1):

Tabela 1 Desvio-padrão a ser adotado em função da condição de preparo do concreto (ABNT, 1996)

Condição

Desvio-padrão

(MPa)

A 4,0

B 5,5

C 7,0

Para os efeitos desta norma, a resi stência característica do concreto f c k é

Para os efeitos desta norma, a resistência característica do concreto f ck é admitida como sendo o valor que tem apenas 5% de probabilidade de não ser atingido pelos elementos de um dado lote de material. É interessante notar que embora não seja mencionado na NBR 12655 e também na NBR 6118, no desenvolvimento da Eq. 1 está implícito que foi assumido que a resistência à compressão do concreto pode ser modelada por uma distribuição Normal.

Quando o concreto for preparado sob condições controladas e bem conhecidas o valor numérico do desvio-padrão S d deve ser fixado com no mínimo 20 resultados consecutivos obtidos no intervalo de 30 dias em período imediatamente anterior. Em nenhum caso a NBR 12655 permite que o valor de S d adotado seja inferior a 2,0 MPa.

Segundo esta norma os resultados dos ensaios de resistência, realizados conforme a NBR 5739, Concreto - Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos (ABNT, 1994) devem servir para a aceitação ou rejeição dos lotes.

Existem dois tipos de controle da resistência: o controle estatístico do concreto por amostragem parcial (exemplares de algumas betonadas de concreto) e o controle estatístico do concreto por amostragem total (exemplares retirados de todas as amassadas de concreto).

No caso do presente estudo o controle estatístico do concreto foi realizado por amostragem parcial sendo o lote em todos os casos bem superior a 20 exemplares. Desta forma, para lotes com número de exemplares n > 20, o valor estimado da resistência característica à compressão (f ckest ), na idade especificada, é dado por:

f ckest = f cm - 1,65 S d

(Equação 2)

onde:

f cm é a resistência média dos exemplares do lote, em MPa; S d é o desvio-padrão do lote para n-1 resultados, em MPa.

Os lotes de concreto deverão ser aceitos quando o valor estimado da resistência característica, calculado conforme a equação 2 satisfizer a seguinte relação:

f ckest > f ck

(Equação 3)

3.2 ACI 318

Segundo o ACI 318, Building Code Requirements for Reinforced Concrete and Commentary (ACI Committee 318, 2008), a resistência de dosagem (f’ cr ) relaciona-se com a resistência característica f’ c através das seguintes expressões:

f’ cr = f’ c + 1,34 s s

(Equação 4)

f’ cr = f’ c + 2,33 s s – 3,45

(Equação 5)

onde s s é o desvio padrão calculado par a as amostras analisadas. A Eq.

onde s s é o desvio padrão calculado para as amostras analisadas.

A Eq. 4 estabelece que existe uma probabilidade de 0.01 de que a média de três testes

consecutivos seja menor do que a resistência requerida. A Eq. 5 estabelece que existe uma probabilidade de 0.01 de que o resultado de um teste individual esteja 3,45 MPa abaixo da resistência especificada. Estas duas equações são equivalentes quando o desvio padrão é de aproximadamente 3,45 MPa. As Eqs. 4 e 5 são utilizadas para concretos com f’ c < 34,5 MPa. Para valores de f’ c superiores a 34,5 MPa, a Eq. 5 é substituída pela Eq. 6:

f’ cr = 0,90 f’ c + 2,33 s s

(Equação 6)

A resistência de dosagem requerida (f’ cr ) quando o desvio-padrão for desconhecido é

definida em função da resistência característica do concreto exigida em projeto, f’ c (Tabela

2):

Tabela 2 Resistência de dosagem requerida quando desvio-padrão for desconhecido (ACI)

f’ c

 

f’ cr

 

(MPa)

 

(MPa)

 

f’ c < 21,0

f’ cr = f’ c + 7

21 < f’ c < 35

f’ cr = f’ c + 8,4

f’ c > 35

f’ cr = f’ c + 9,8

3.3 EUROCODE 2

Segundo o EUROCODE (2002) a resistência de dosagem f cm relaciona-se com a resistência característica f ck através da expressão:

f cm = f ck + 8 (MPa)

(Equação 7)

onde:

f cm é a resistência média do concreto à compressão prevista para a idade de 28 dias,

MPa;

f ck é a resistência característica do concreto à compressão na idade de 28 dias, MPa.

Assim como na NBR 6118:2003 o Eurocode 2 assume a resistência característica do concreto f ck como sendo o valor que corresponde ao quantil de 5%. Assim, comparando- se as Eqs. 1 e 7 pode-se concluir que o desvio-padrão é tomado como fixo para todas as classes de concreto e igual a 4,85 MPa.

Nesta norma o f ck é apresentado em termos de resistência obtida em corpos-de-prova cilíndricos e também cubos (f ck,cubo ). Os valores de f ck , f ck,cubo e f cm são apresentados na Tabela 3. Nesta tabela também foi incluído o coeficiente de variação (C.O.V. = f cm / s), onde pode ser visto que a hipótese de que o desvio padrão seja constante para todas as classes de concreto consideradas é consistente com coeficientes de variação decrescentes à medida que a resistência à compressão cresce.

Tabela 3 – f c k , f c k , c u b o

Tabela 3 f ck , f ck,cubo , f cm (MPa) e COV.

 

Classes do concreto

 
 

f

ck

12

16

20

25

30

35

40

45

50

55

60

70

80

90

f

ck,cubo

15

20

25

30

37

45

50

55

60

67

75

85

95

105

 

f

cm

20

24

28

33

38

43

48

53

58

63

68

78

88

98

COV

0,24

0,20

0,17

0,15

0,13

0,11

0,10

0,09

0,08

0,08

0,07

0,06

0,06

0,05

As classes de tensões no Eurocode 2 são baseadas nas resistências características (f ck ) determinadas aos 28 dias de idade. O valor máximo considerado para a resistência à compressão, C máx , é determinado para cada país componente da União Européia. O valor recomendado é C90/105 (ou seja, f ck = 90 MPa ou f ck,cubo = 105 MPa).

O valor estimado da resistência característica à compressão (f ckest ) na idade especificada é dado por:

f ckest = f cm – 8

(MPa)

(Equação 8)

onde f cm é a resistência média dos exemplares do lote, em MPa.

Os lotes de concreto deverão ser aceitos quando o valor estimado da resistência característica calculado conforme a equação 8 satisfizer a seguinte relação:

f ckest > f ck

(Equação 9)

4 Avaliação estatística da resistência do concreto

Do trecho em estudo serão apresentados os resultados de três canteiros localizados nas seguintes cidades: Goianésia do Pará, Jacundá e Nova Ipixuna, ambas no estado do

Com a utilização do software MATLAB ® foram elaborados histogramas para cada

Pará.

canteiro (Goianésia do Pará, Jacundá e Nova Ipixuna) e cada idade de rompimento (7 ou 28 dias). Por inspeção foram analisadas as distribuições: Normal (conforme sugestão da NBR 12655) e também a Lognormal. Estes resultados estão apresentados nas Figs. 2-5 para concreto in situ e nas Figs. 6-9 para concreto pré-moldado. O número de ensaios n em cada caso é apresentado em cada uma das figuras. O número total de ensaios realizados para concreto in situ é de 665 e 841 para 7 e 28 dias, respectivamente. O número total de ensaios realizados para concreto pré-moldado é de 389 para 7 dias e também 389 para 28 dias. As funções densidade de probabilidade correspondentes à distribuição Normal e à distribuição Lognormal estão apresentadas em cada figura.

0.3 Goianésia In situ 7 dias Normal Lognormal 0.25 0.2 0.15 0.1 0.05 0 10
0.3 Goianésia In situ 7 dias Normal Lognormal 0.25 0.2 0.15 0.1 0.05 0 10
0.3
Goianésia In situ 7 dias
Normal
Lognormal
0.25
0.2
0.15
0.1
0.05
0
10
12
14
16
18
20
22
24
26
Data
Density
0.35 Goianésia In situ 28 dias Normal 0.3 Lognormal 0.25 0.2 0.15 0.1 0.05 0
0.35
Goianésia In situ 28 dias
Normal
0.3
Lognormal
0.25
0.2
0.15
0.1
0.05
0
18
20
22
24
26
28
30
32
34
Data
Density

Figura 2 – Concreto in situ - Goianésia do Pará – a) 7 dias (n = 373) b) 28 dias (n = 452).

0.4 Jacundá In situ 7 dias Normal 0.35 Lognormal 0.3 0.25 0.2 0.15 0.1 0.05
0.4
Jacundá In situ 7 dias
Normal
0.35
Lognormal
0.3
0.25
0.2
0.15
0.1
0.05
0
10
12
14
16
18
20
22
24
26
Data
Dens ity
0.35 Jacundá In situ 28 dias Normal 0.3 Lognormal 0.25 0.2 0.15 0.1 0.05 0
0.35
Jacundá In situ 28 dias
Normal
0.3
Lognormal
0.25
0.2
0.15
0.1
0.05
0
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
Data
Density

Figura 3 – Concreto in situ - Jacundá – a) 7 dias (n = 176) b) 28 dias (n = 273).

Nova Ipixuna In situ 7 dias Normal Lognormal 0.2 0.15 0.1 0.05 0 15 20
Nova Ipixuna In situ 7 dias Normal Lognormal 0.2 0.15 0.1 0.05 0 15 20
Nova Ipixuna In situ 7 dias
Normal
Lognormal
0.2
0.15
0.1
0.05
0
15
20
25
30
35
Data
Dens ity
0.2 NovIpixInsitu28data Normal 0.18 Lognormal 0.16 0.14 0.12 0.1 0.08 0.06 0.04 0.02 0 20
0.2
NovIpixInsitu28data
Normal
0.18
Lognormal
0.16
0.14
0.12
0.1
0.08
0.06
0.04
0.02
0
20
22
24
26
28
30
32
34
36
38
40
Data
Dens ity

Figura 4 – Concreto in situ - Nova Ipixuna – a) 7 dias (n = 116) b) 28 dias (n = 116).

Geral In situ 7 dias 0.25 Normal Lognormal 0.2 0.15 0.1 0.05 0 10 15
Geral In situ 7 dias
0.25
Normal
Lognormal
0.2
0.15
0.1
0.05
0
10
15
20
25
30
Dens ity

Data

0.3 Geral In situ 28 dias Normal Lognormal 0.25 0.2 0.15 0.1 0.05 0 20
0.3
Geral In situ 28 dias
Normal
Lognormal
0.25
0.2
0.15
0.1
0.05
0
20
25
30
35
Dens ity

Data

Figura 5 – Concreto in situ - Geral (Goianésia do Pará, Jacundá e Nova Ipixuna) – a) 7 dias (n = 665) b) 28 dias (n = 841).

Density GoianésiaPré-moldado7dias 0.18 Normal Lognormal 0.16 0.14 0.12 0.1 0.08 0.06 0.04 0.02 0 10

Density

GoianésiaPré-moldado7dias 0.18 Normal Lognormal 0.16 0.14 0.12 0.1 0.08 0.06 0.04 0.02 0
GoianésiaPré-moldado7dias
0.18
Normal
Lognormal
0.16
0.14
0.12
0.1
0.08
0.06
0.04
0.02
0

10

15

20

Data

25

30

Dens ity

Goianésia Pré-moldado 28 dias Normal Lognormal 0.12 0.1 0.08 0.06 0.04 0.02 0
Goianésia Pré-moldado 28 dias
Normal
Lognormal
0.12
0.1
0.08
0.06
0.04
0.02
0

15

20

25

Data

30

35

40

Figura 6 – Concreto pré-moldado - Goianésia do Pará – a) 7 dias (n = 96) b) 28 dias (n = 96).

JacundáPré-moldado7dias 0.35 Normal Lognormal 0.3 0.25 0.2 0.15 0.1 0.05 0 14 15 16 17
JacundáPré-moldado7dias
0.35
Normal
Lognormal
0.3
0.25
0.2
0.15
0.1
0.05
0
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
Dens ity

Data

Jacundá Pré-moldado 28 dias Normal 0.16 Lognormal 0.14 0.12 0.1 0.08 0.06 0.04 0.02 0
Jacundá Pré-moldado 28 dias
Normal
0.16
Lognormal
0.14
0.12
0.1
0.08
0.06
0.04
0.02
0
20
22
24
26
28
30
32
34
36
38
40
Data
Dens ity

Figura 7 – Concreto pré-moldado - Jacundá – a) 7 dias (n = 160) b) 28 dias (n = 160).

NovaIpixunaPré-moldada7dias Normal 0.14 Lognormal 0.12 0.1 0.08 0.06 0.04 0.02 0 20 25 30 35
NovaIpixunaPré-moldada7dias Normal 0.14 Lognormal 0.12 0.1 0.08 0.06 0.04 0.02 0 20 25 30 35
NovaIpixunaPré-moldada7dias
Normal
0.14
Lognormal
0.12
0.1
0.08
0.06
0.04
0.02
0
20
25
30
35
40
Dens ity

Data

Nova Ipixuna Pré-moldado 28 dias Normal 0.15 Lognormal 0.1 0.05 0 20 25 30 35
Nova Ipixuna Pré-moldado 28 dias
Normal
0.15
Lognormal
0.1
0.05
0
20
25
30
35
40
D ens ity

Data

Figura 8 – Concreto pré-moldado - Nova Ipixuna – a) 7 dias (n = 133) b) 28 dias (n = 133).

0.15 Geral Pré-moldado7dias Normal Lognormal 0.1 0.05 0 10 15 20 25 30 35 D
0.15
Geral Pré-moldado7dias
Normal
Lognormal
0.1
0.05
0
10
15
20
25
30
35
D ens ity

Data

Geral Pré-moldado 28 dias 0.14 Normal Lognormal 0.12 0.1 0.08 0.06 0.04 0.02 0 20
Geral Pré-moldado 28 dias
0.14
Normal
Lognormal
0.12
0.1
0.08
0.06
0.04
0.02
0
20
25
30
35
40
D ens ity

Data

Figura 9 – Concreto pré-moldado - Geral (Goianésia do Pará, Jacundá e Nova Ipixuna) – a) 7 dias (n = 389) b) 28 dias (n = 389).

O teste do qui-quadrado foi utilizado para a verificação dos modelos analíticos propostos para a descrição da resistência à compressão do concreto. Os resultados obtidos são

apresentados nas Tabelas 4 e 5. O nível de significância adotado é de 99% (

apresentados nas Tabelas 4 e 5. O nível de significância adotado é de 99% (α = 1%) (como recomendado por Ang e Tang, 1976). Nestas tabelas “n i ” é a freqüência teórica segundo o modelo analítico correspondente e “e i ” é a freqüência observada a partir dos resultados dos ensaios. Segundo o teste do qui-quadrado, um modelo analítico é

considerado satisfatório caso o valor de

(

n

i

e

i

)

2

e

i

seja inferior ao valor de referência

correspondente ao nível de significância adotado, C 0,99;9 . Assim, os resultados apresentados nas Tabelas 4 e 5 indicam que, de acordo com o teste do qui-quadrado, tanto a distribuição Normal quanto a distribuição Lognormal são modelos aceitáveis para

a resistência à compressão do concreto. Este teste também permite decidir, entre dois ou mais modelos aceitáveis, qual dentre eles é o mais adequado. O modelo mais adequado

é aquele que apresentar o menor valor de

(

n

i

e

i

)

2

e

i

. Como pode ser visto nestas

tabelas, na maioria dos casos relativos aos 28 dias a distribuição Lognormal é a mais adequada.

Tabela 4 – Resultados dos Testes de Aderência – Concreto in situ

   

2

   

(

n i i

e

)

Canteiro / Idade (dias)

 

e

i

C

0,99;9

Decisão

Normal

Lognormal

 

Goianésia / 7

20,343

 

20,988

21,7

Normal

Goianésia / 28

18,775

 

17,448

21,7

Lognormal

Jacundá / 7

19,906

 

20,077

21,7

Normal

Jacundá / 28

20,109

 

20,007

21,7

Lognormal

Nova Ipixuna / 7

18,678

 

18,345

21,7

Normal

Nova Ipixuna / 28

21,006

 

20,887

21,7

Lognormal

Geral / 7

18,443

 

18,576

21,7

Normal

Geral / 28

18,634

 

18,543

21,7

Lognormal

Tabela 5 – Resultados dos Testes de Aderência – Concreto pré-moldado

 

(

n i e

i

)

2

   

Canteiro / Idade (dias)

 

e

i

C

0,99;9

Decisão

Normal

 

Lognormal

 

Goianésia / 7

20,381

   

21,007

21,7

Normal

Goianésia / 28

19,002

   

19,043

21,7

Normal

Jacundá / 7

20,009

   

19,776

21,7

Lognormal

Jacundá / 28

20,112

   

20,232

21,7

Normal

Nova Ipixuna / 7

20,996

   

20,099

21,7

Lognormal

Nova Ipixuna / 28

18,887

   

18,676

21,7

Lognormal

Geral / 7

19,776

   

19,554

21,7

Lognormal

Geral / 28

20,232

   

20,065

21,7

Lognormal

Nas Tabelas 6 e 7 estão apresentados os valo res de média, desvio-padrão e coeficiente

Nas Tabelas 6 e 7 estão apresentados os valores de média, desvio-padrão e coeficiente de variação para todos os canteiros e idades estudadas para concreto in situ e concreto pré-moldado, respectivamente. Como pode ser observado na Tabela 6 o coeficiente de variação para a resistência à compressão do concreto in situ está na faixa de 0,05 a 0,08. Já para o concreto pré-moldado esta faixa é de 0,09 a 0,14. Conforme discutido anteriormente, pode-se dizer que para o concreto in situ o controle pode ser classificado como rigoroso enquanto que para o concreto pré-moldado este controle está entre rigoroso e médio. Estes resultados se assemelham àqueles obtidos por Nowak e Szerszen (2003). Segundo estes autores, o coeficiente de variação para a resistência à compressão do concreto é de aproximadamente 0,10. Este número foi proposto a partir de uma pesquisa correspondente a um grande volume de dados norte-americanos. É interessante notar que embora usualmente o concreto pré-moldado tenda a resultar em menores coeficientes de variação quando comparados a concretos moldados in situ, tal não foi a situação observada na obra em questão.

Tabela 6 – Média, Desvio-Padrão e Coeficiente de Variação (Concreto in situ - f ck aos 28 dias > 18 MPa)

   

Desvio-

 

Canteiro / Idade (dias)

Média

padrão

Coeficiente

(MPa)

de Variação

 

(MPa)

Goianésia / 7

18,54

1,52

0,08

Goianésia / 28

27,80

1,98

0,07

Jacundá / 7

18,26

1,36

0,07

Jacundá / 28

28,27

1,33

0,05

Nova Ipixuna / 7

24,64

2,67

0,11

Nova Ipixuna / 28

28,93

2,30

0,08

Geral / 7

19,53

2,93

0,15

Geral / 28

28,11

1,88

0,07

Tabela 7 – Média, Desvio-Padrão e Coeficiente de Variação (Concreto pré-moldado - f ck aos 28 dias > 21 MPa)

   

Desvio-

 

Canteiro / Idade (dias)

Média

padrão

Coeficiente

(MPa)

de Variação

 

(MPa)

Goianésia / 7

20,66

2,73

0,13

Goianésia / 28

26,67

3,75

0,14

Jacundá / 7

19,71

1,36

0,07

Jacundá / 28

28,37

2,63

0,09

Nova Ipixuna / 7

27,23

2,93

0,11

Nova Ipixuna / 28

30,60

3,09

0,10

Geral / 7

22,52

4,15

0,18

Geral / 28

28,71

3,44

0,12

5 Valores estimados para f ck

Nas Tabelas 8 e 9 são apresentados os valores estimados de f c k para

Nas Tabelas 8 e 9 são apresentados os valores estimados de f ck para concretos in situ e pré-moldados, respectivamente. Tais estimativas são feitas segundo os critérios da NBR 12655, do ACI 318 e do Eurocode 2. Com relação ao Eurocode 2, a coluna correspondente nas Tabelas 8 e 9 foram obtidas a partir da Eq. 7. É importante observar que o Eurocode 2 assume a resistência característica do concreto f ck como sendo o valor que corresponde ao quantil de 5%. Isto significa que se fosse considerado o desvio- padrão obtido para cada canteiro os valores correspondentes ao Eurocode 2 e à NBR 12655 seriam idênticos. Os valores mais rigorosos do Eurocode 2 são devido a um valor mais elevado do desvio-padrão (4,85 MPa, ver ítem 3.3) do que aqueles obtidos nos ensaios aqui reportados.

Para todas as amostras de concreto in situ com idade de 28 dias os valores correspondentes aos f ck estimados em todas as três normas utilizadas superam aos valores exigidos em projeto (f ck > 18 MPa). Para as amostras de concreto pré-moldado foram constados fatos relevantes. Na verificação pela NBR 12655 a amostra referente ao pátio de Goianésia do Pará seria rejeitada (f ck,est = 20,48 MPa < 21,0 MPa). Segundo a verificação do Eurocode 2, as amostras referentes aos pátios de Goianésia do Pará (f ck,est = 18,67 MPa), Jacundá (f ck,est = 20,37 MPa) e o resultado geral (f ck,est = 20,71 MPa) seriam rejeitadas para o f ck requerido.

Estes resultados estão representados de forma gráfica nas Figuras 10 e 11 para concreto moldado in situ e pré-moldado, respectivamente. Através destas figuras percebe-se que o Eurocode 2 apresenta valores mais exigentes quanto ao f ck estimado. Já o ACI 318 apresenta os menores valores, entretanto estes valores são bastante próximos aos da NBR 12655. Um fato que fica patente através destas figuras é o de que um mesmo material é visto de forma distinta a partir de distintas normas. Embora aparentemente óbvia, esta observação é usualmente esquecida em estudos comparativos de normas. Outra questão que deve ser abordada é de que tais resultados não devem ser analisados isoladamente, mas sim na totalidade do projeto de estruturas em concreto. Deve-se lembrar que antes de se concluir apressadamente que uma determinada norma é mais conservadora do que outra tal afirmativa só pode ser feita a partir do conhecimento dos níveis de confiabilidade implícitos em cada caso e não do tratamento isolado de uma das variáveis envolvidas no processo.

Tabela 8 – Concreto in situ (f ck aos 28 dias > 18 MPa)

   

f ck estimado (MPa)

 

Canteiro / Idade (dias)

NBR

 

ACI

EUROCODE

Eq. 4

Eq. 5

Adotar

Goianésia / 28

24,53

25,15

26,64

25,15

19,80

Jacundá / 28

26,08

26,49

28,62

26,49

20,27

Nova Ipixuna / 28

25,14

25,85

27,02

25,85

20,93

Geral / 28

25,01

25,59

27,18

25,59

20,11

Tabela 9 – Concreto pré-moldado (fck aos 28 dias > 21 MPa)

    f c k estimado (MPa)   Canteiro / Idade (dias) NBR   ACI
   

f ck estimado (MPa)

 

Canteiro / Idade (dias)

NBR

 

ACI

EUROCODE

Eq. 4

Eq. 5

Adotar

Goianésia / 28

20,48

21,65

21,38

21,38

18,67

Jacundá / 28

24,03

24,85

25,69

24,85

20,37

Nova Ipixuna / 28

25,50

26,46

26,85

26,46

22,60

Geral / 28

24.21

25,05

25.8

25,05

20,71

CONCRETO IN SITU - fck ESTIMADOS - COMPARAÇÃO ENTRE NORMAS 29,00 26,49 27,00 25,85 25,59
CONCRETO IN SITU - fck ESTIMADOS - COMPARAÇÃO ENTRE NORMAS
29,00
26,49
27,00
25,85
25,59
25,15
26,08
25,00
25,14
25,01
24,53
23,00
EUROCODE
ACI
NBR
21,00
20,93
20,27
19,80
20,11
19,00
17,00
15,00
CANTEIRO / IDADE
fck ESTIMADO (MPa)
Goianésia / 28
Jacundá / 28
Nova Ipixuna / 28
Geral / 28

Figura 10 – Concreto in situ – resistência característica segundo distintas normas

CONCRETO PRÉ-MOLDADO fck ESTIMADOS - COMPARAÇÃO ENTRE NORMAS 29,00 26,46 27,00 24,85 25,00 25,50 24,10
CONCRETO PRÉ-MOLDADO fck ESTIMADOS - COMPARAÇÃO ENTRE NORMAS
29,00
26,46
27,00
24,85
25,00
25,50
24,10
24,03
23,00
EUROCODE
23,03
22,60
21,38
ACI
NBR
21,00
20,48
20,71
20,37
19,00
18,67
17,00
15,00
CANTEIRO / IDADE
fck ESTIMADO (MPa)
Goianésia / 28
Jacundá / 28
Nova Ipixuna / 28
Geral / 28

Figura 11 – Concreto pré-moldado – resistência característica segundo distintas normas

6 Sumário e conclusões A descrição estatística da resistência à compressão do concreto deve refletir

6 Sumário e conclusões

A descrição estatística da resistência à compressão do concreto deve refletir a prática

construtiva atual em uma determinada região ou país.

Assim, o presente trabalho teve como objetivo avaliar um grande número de resultados de ensaios de resistência à compressão de corpos de prova de concreto. O concreto analisado foi aquele utilizado nas fundações das torres do sistema de Interligação Norte- Nordeste. Os corpos de prova ensaiados contemplam concretos executados in situ (resistência especificada de 18 MPa) e pré-moldados (resistência especificada de 21 MPa). Os valores da média, desvio padrão e coeficiente de variação foram obtidos para a resistência à compressão aos 7 e aos 28 dias. Para os concretos executados in situ, o número de resultados de ensaios disponíveis foi de 665 para 7 dias e 841 para 28 dias de idade. Com relação ao concreto pré-moldado este número foi de 389 para 7 dias e 389 para 28 dias de idade.

A partir da utilização destes resultados foram estudadas as distribuições de probabilidade

da resistência à compressão correspondentes a estas duas idades. Em especial, a adequação da distribuição Normal e também da distribuição Lognormal foram investigadas. A avaliação estatística aqui reportada sugere que ambos os modelos matemáticos fornecidos pela distribuição Normal e pela distribuição Lognormal são aceitáveis. Entretanto, os testes de aderência apontam que para os 28 dias de idade a distribuição Lognormal seria um modelo ligeiramente superior àquele fornecido pela distribuição Normal.

Os valores relativos à média, desvio-padrão e coeficiente de variação para todos os canteiros e idades estudadas para concreto in situ e concreto pré-moldado também foram avaliados. Os resultados de ensaios de concretos executados em canteiros distintos a partir da mesma especificação de projeto foram comparados. Foi observado que o coeficiente de variação para a resistência à compressão do concreto in situ está na faixa de 0,05 a 0,08; já para o concreto pré-moldado esta faixa é de 0,09 a 0,14. Estes resultados se assemelham àqueles obtidos por Nowak e Szerszen (2003) que reportam o coeficiente de variação para a resistência à compressão do concreto como de aproximadamente 0,10. Foi observado também que embora usualmente o concreto pré- moldado tenda a resultar em menores coeficientes de variação (em relação a concretos moldados in situ) tal não foi a situação observada na obra em questão.

Adicionalmente, estimativas da resistência característica foram feitas segundo as recomendações da NBR6118:2003, do ACI 318 e do Eurocode 2. Foi observado que o Eurocode 2 apresenta valores mais exigentes quanto ao f ck estimado. Já o ACI 318 apresenta os menores valores, entretanto estes valores são bastante próximos aos da NBR 12655. Um fato que ficou patente através desta análise é o de que um mesmo material é visto de forma distinta a partir de distintas recomendações técnicas. Embora aparentemente óbvia, esta observação é usualmente esquecida em estudos comparativos de normas. Outra questão que deve ser abordada é de que tais resultados não devem ser analisados isoladamente, mas sim na totalidade do projeto de estruturas em concreto.

Deve-se lembrar que antes de se concluir apressadamente que uma determinada norma é mais ou

Deve-se lembrar que antes de se concluir apressadamente que uma determinada norma é mais ou menos conservadora tal afirmativa só pode ser feita a partir do conhecimento dos níveis de confiabilidade implícitos em cada caso e não do tratamento isolado de uma das variáveis envolvidas no processo.

6

Referências

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12655: Concreto – Preparo, Controle e Recebimento. Rio de Janeiro, 7 p., 1996.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5739: Concreto – Ensaio de Compressão de Corpos-de-Prova Cilindricos – Método de Ensaio. Rio de Janeiro, 2003. 7 p.

DINIZ, S.M.C. A Confiabilidade Estrutural e a Evolução das Normas Técnicas, VI Simpósio EPUSP sobre Estruturas de Concreto, São Paulo, 8 a 11 de abril de 2006 (CD-ROM), 2006.

DINIZ, S.M.C. e FRANGOPOL, D.M. Reliability Bases for High-Strength Concrete

Columns, Journal of Structural Engineering, ASCE, Vol. 123, No. 10, pp. 1375-1381,

1997.

EUROCODE 2. Design of Concrete Structures. Bruxelas, 2002.

MIRZA, S.A., HATZINIKOLAS, M. e MACGREGOR, J. Statistical Descriptions of Strength of Concrete, Journal of Structural Division, ASCE, 105(6), pp. 1021-1037, 1979.

NOWAK, A. e SZERSZEN, M. Calibration of Design Code for Buildings (ACI 318): Part I – Statistical Models for Resistance, ACI Structural Journal, American Concrete Institute, 100(3), pp. 377-382, 2003.