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A  Psicologia  Ambiental:  Uma  Relação  de  Equilíbr io  entr e  o 

Homem e a Natur eza. 
Luiz Lir a 

RESUMO   O  trabalho  enfoca  relações  entre  a  Psicologia  Ambiental,  a  Ecologia  Profunda,  os 
Princípios  da  Natureza,  frente  ao  homem  globalizado  diante  dos  desafios  ambientais  que  vem 
agravando  o  desequilíbrio  do  ecossistema  Terra.  O  antropocentrismo  tem  favorecido  atitudes  e 
comportamentos infantilizados, por parte do homem, resultando numa visão distorcida de si mesmo, 
como  o  centro  de  todas  as  coisas,  onde  a  natureza  é  vista  apenas  como  fonte  de  uso.  Isto  tem 
contribuído para o agravamento do desequilíbrio do planeta e, conseqüentemente, de si próprio. Estes 
fatos estão, de forma imperiosa, exigindo mudanças urgentes para uma nova compreensão de que o 
homem e a Terra são constituídos da mesma natureza e são regidos pelos mesmos princípios, fazendo 
parte integrante de uma totalidade. A Psicologia Ambiental, aliada à visão da Ecologia Profunda, e 
utilizando­se dos conhecimentos que facilitam a compreensão dos Princípios da Natureza, que estão 
contidos, de forma integrada e inter­relacionada, em tudo o que existe, poderá cumprir um relevante 
papel  na  consolidação  de  um  novo  paradigma  que  pensa  o  homem  e  o  planeta  Terra  como  uma 
totalidade. 

Palavras  Chaves:  Psicologia  ambiental,  Ecologia  profunda,  Princípios  da  natureza, 


Ecossistema. 

ABSTRACT   The work focuses relationships among the Environmental Psychology, the Deep 
Ecology,  the  Beginnings  of  the  Nature,  front  to  the  global  man  before  the  environmental 
challenges that is worsening the unbalance of the ecosystem Earth. The anthropocentrism has 
been favoring infantile attitudes and behaviors, on the part of the man, resulting in a distorted 
vision of himself, as the center of all the things, where the nature is just seen as use source. 
This has contributing to  the  worsening of  the unbalance of  the planet and,  consequently, of 
itself  own.  These  facts  are,  in  an  imperious  way,  demanding  urgent  changes  for  a  new 
understanding  that  the  man and  the  Earth  are  constituted  of  the  same  nature  and  they  are 
governed  by  the  same  beginnings,  being  integral  part  of  a  totality.  The  Environmental 
Psychology, allied  to  the  vision of  the  Deep Ecology, and being used of  the  knowledge  that 
facilitate the understanding of the Beginnings of the Nature, that you/they are contained, in 
an integrated way and interrelated, in everything that exists, it can accomplish an important 
paper in the consolidation of a new paradigm that thinks the man and the planet Earth as a 
totality. 

Key words: Environmental psychology, Deep ecology, Beginnings of the nature, Ecosystem.

1 INTRODUÇÃO 

Esta  pesquisa  enfoca  a  forma  contemporânea  de  perceber  a  relação  entre  o  Homo 
Sapiens e o mundo, pelos referenciais da Psicologia Ambiental, da Ecologia Profunda e dos 
Princípios  da  Natureza.  Este  olhar  objetiva  uma  visão  homem­mundo  dentro  de  uma 
totalidade cujo processo de troca permita sustentabilidade ao ecossistema global. 
A Psicologia Ambiental fundamenta as inter­relações entre o ser humano e o ambiente, 
considerando  os  efeitos  das  condições  do  ambiente  sobre  os  comportamentos  individuais, 
tanto quanto o indivíduo atuando sobre ele. 
A  Ecologia  Profunda¹  avalia  esta  inter­relação,  através  da  concepção  de 
sustentabilidade² revelada nos ecossistemas vivos. 
Os  Princípios  da  Natureza³  oferecem  uma  chave  que  auxilia  na  compreensão  desta 
totalidade,  uma  vez  que  relaciona  a  presença  destes  princípios  tanto  na  natureza  como  no 
homem. 
No  mundo  atual  observa­se  um  antropocentrismo,  que  tem  sua  importância  para  a 
solidificação  da  base  psíquica  humana  numa  determinada  fase  de  seu  desenvolvimento  – 
infância  –  entretanto,  ocorre  uma  fixação  desta  fase  nas  atitudes  e  comportamentos  do  ser 
humano  na  sua  relação  com  a  natureza.  Este  aspecto  infantilizado  de  atitudes  e 
comportamentos  humano,  ao  longo  do  tempo,  tem  contribuído  para  o  agravamento  do 
desequilíbrio  do  planeta  e,  conseqüentemente,  de  si  próprio.  Fato  visível  no  aquecimento 
global, além de outros, sendo este o maior desafio ambiental do século XXI, interferindo nas 
mudanças  climáticas  que  vêm  provocando  desgelo  das  calotas  polares,  subida  do  nível  do 
mar,  aumento  da  intensidade  dos  ventos  com  ciclones,  furacões  e  outros  fenômenos 
relacionados. Estes fatos estão, de forma imperiosa, exigindo mudanças urgentes na visão do 
“homem  separado”,  do  tipo:  o  que  está  dentro  de  minha  pele  sou  eu,  e  o  que  está  fora  da 
minha pele  não sou eu. Esta percepção ilusória de separatividade infantil está dificultando o 
amadurecimento para a compreensão de que o homem e a Terra são constituídos da mesma 
natureza e são regidos pelos mesmos princípios, fazendo parte integrante de uma totalidade. 
A necessidade de informações mais ampliadas que consideram a idéia de que a Terra 
como  um  todo  é  um  sistema  vivo  e  auto­organizador,  oferece  uma  chave  que  poderá 
contribuir  na  compreensão  do  comportamento  humano,  ou  seja,  do  papel  do  homem 
amadurecido  no  mundo  globalizado,  não  só  na  Psicologia  Ambiental,  como  também  em 
outros campos das ciências ambientais. 
Este  trabalho  trata  de  uma  pesquisa  bibliográfica  que  inclui  reflexões,  idéias, 
pensamentos de vários estudiosos, que ajudaram a fundamentar as idéias aqui presentes, por 
trabalharem  em  campos  distintos  que  se  interconectam,  na  busca  de  aprofundar  o 
conhecimento do desenvolvimento humano na sua relação com a natureza. 
______________ 
¹ A natureza, cuja evolução é eterna, possui valor em si mesma, independentemente da utilidade econômica que 
tem para o ser humano que vive nela. Esta idéia central define a chamada ecologia profunda – cuja influência é 
hoje cada vez maior – e expressa à percepção prática de que o homem é parte inseparável, física, psicológica e 
espiritualmente, do ambiente em que vive. 
² 
Capacidade de auto­ regulação dos ecossistemas, onde a interferência de um organismo não ameace, ao longo 
do tempo, a integridade ecológica do ambiente. 
³ São sete princípios: 1) Mental; 2) da Correspondência; 3) da Vibração; 4) da Polaridade; 5) do Ritmo; 6) da 
Causalidade e 7) do Gênero.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 

Objetivando fundamentar a idéia de que o homem e o mundo coexistem fazendo parte 
da  mesma  totalidade,  esta  pesquisa  apresenta  três  eixos:  o  da  Psicologia  Ambiental,  o  da 
Ecologia  Profunda  e  o  dos  Princípios  da  Natureza,  que  vêm  contribuir  para  uma  melhor 
compreensão do ecossistema em que vivemos: 

2.1 Psicologia Ambiental 

A história da Psicologia Ambiental é recente, referindo­se a década de sessenta (POL, 
2001).  A  discussão  da  Psicologia  Ambiental  no  Brasil  está  ocorrendo,  onde  podemos dizer 
que seu projeto, como uma área de conhecimento, está em permanente construção. Esta tem 
como objeto de estudo o homem em seu contexto físico e social. Interessa­se pelos efeitos das 
condições do ambiente sobre os comportamentos individuais, tanto quanto como o indivíduo 
percebe e atua no seu ambiente, segundo Gunther, Pinheiro e Guzzo (2004). 
Observa­se que o foco central desta área da psicologia são suas inter­relações e não só 
suas  relações.  Moser  (1997)  considera,  também,  as  dimensões  sociais  e  culturais  como 
elementos que interferem na definição dos ambientes e, por sua vez influenciam na percepção 
e  na  avaliação  deste  indivíduo  frente  ao  ambiente.  Para  ele,  a  Psicologia  Ambiental  estuda 
esta  inter­relação  entre  o  indivíduo  e  o  ambiente  de  forma  dinâmica,  ou  seja,  levando  em 
conta  os  ambientes  naturais  como  os  modificados  pela  mão  do  homem.  Esta  interação,  ao 
longo dos anos vai interferindo e modificando as condutas humanas e o meio ambiente. 
A  Psicologia  em  geral coloca  o  homem  como  o centro  da  preocupação,  levando  em 
conta a inter­relação com o ambiente; ambiente familiar, escolar, do trabalho, do social, sem 
praticamente  considerar  o  ambiente  natural,  ecológico.  Este  olhar  ressoa  com  a  visão 
antropocêntrica,  onde  aflora  o  homem  como  centro  separado  do  ambiente  ecológico,  o  que 
dificulta ao psicólogo lidar com a subjetividade deste homem, hoje globalizado, a caminho de 
ser visto como um cidadão do planeta. Este é, segundo Fait­Gorchacov e Guzzo (2002), um 
desafio  aos  psicólogos,  enfrentar  o  viver  e  o  sobreviver  em  uma  sociedade  sem  ‘fronteira’, 
globalizada. Estas e outras questões dificultam conhecer e elencar as atividades da Psicologia 
Ambiental. Compreender e aplicar os métodos e propósitos de ações tão distintas e complexas 
leva a uma reflexão sobre o status da Psicologia Ambiental como área de conhecimento. 
Brunseik  (apud  FERREIRA,  2004, p. 21) refere­se  à  necessidade de uma  ‘validação 
ecológica’,  ou  seja,  de  uma  compreensão  do  nosso  cotidiano  como  um  ‘nicho  ecológico’. 
Sendo  assim,  o  organismo  (a  pessoa)  estaria  fazendo  parte  deste  nicho,  favorecendo  a 
Psicologia  Ambiental  no  estudo  das  questões  que  estejam  inseridas  na  vida  dos  indivíduos, 
mantendo  presente  a  equação  ambiental.  Questões  estas  que  Gunther,  Pinheiro  e  Guzzo 
(2004) apontam como: impacto de diferentes tipos de ambientes sobre populações específicas; 
conseqüências  de  desastres  naturais;  percepções  e  avaliações  ambientais;  planejamento  e 
intervenções no tecido urbano, entre outras. 
De  uma  visão  mais  ampla,  pode­se  dizer  que  a  história  do  olhar  da  Psicologia  para 
problemas  ambientais  construídos  teve  início  no  período  pós­guerra,  especialmente  na 
segunda grande guerra, quando houve um esforço de vários países de reconstruir os espaços 
da habitação e da convivência social, conforme refere Ferreira (2004). Dentro deste contexto, 
a  Psicologia  Ambiental  teve  uma  importante  presença,  juntamente  com  arquitetos  e 
engenheiros  na  reconstrução  de  habitações  e  outros  equipamentos  do  espaço  urbano.  No 
entanto, só em torno das décadas de setenta e oitenta é que a Psicologia Ambiental teve seu 
valor reconhecido e garantiu sua posição de destaque no âmbito da Psicologia. Evoluiu para 
abarcar  muitos  outros  tipos  de  problemas  no  âmbito  do  fazer  humano,  segundo  Gunther,

Pinheiro  e  Guzzo  (2004).  Perls,  Hefferline  e  Goodman  antes  do  conceito  da  validação 
ecológica já diziam que: 

Não tem sentido falar, por exemplo, de um animal que respira sem considerar o ar e 
o  oxigênio  como  parte  da  definição  deste,  ou  falar  de  comer  sem  mencionar  a 
comida,  ou  de  enxergar  sem  luz,  ou  de  locomoção  sem  gravidade  e  um  chão  para 
apoio, ou da  fala sem comunicadores.  Não  há uma única  função de animal  algum, 
que se complete sem  objetos de ambiente, quer se pense  funções  vegetativas como 
alimentação e sexualidade querem em funções perceptivas, motoras, sentimentos ou 
raciocínio (PERLS, HEFFERLINE e GOODMAN, 1997, p. 42). 

Diante  do  enunciado  acima,  esse  interagir  entre  organismo  e  ambiente  em  qualquer 
função pode ser expresso como o ‘campo organismo/ambiente’. A Psicologia Ambiental deve 
ser  a  nosso  ver,  um  instrumento  desse  campo  interacional.  Cabe  frisar  que  o 
organismo/ambiente  humano  não  é  apenas  físico,  mas  social.  Desta  maneira,  estudar  o  ser 
humano,  no  campo  de  sua  fisiologia,  psicologia,  tem  que  se  reportar  ao  campo  no  qual 
interagem pelo menos fatores socioculturais e ecológicos. 
Nesse sentido, a Psicologia Ambiental poderá utilizar­se das contribuições da Ecologia 
Profunda, e dos Princípios da Natureza; 

2.2 Ecologia Pr ofunda 

Dentro de um processo evolutivo natural, tanto o homem como a Terra e todas as suas 
formas  de  organização,  partem  de  estruturas  mais  simples  para  estruturas  mais  complexas, 
num sistema de trocas e interdependência. No entanto, sabemos que este processo evolutivo 
não é linear, tanto para o homem como para a Terra, ele é permeado por aspectos particulares 
que  muitas  vezes  se  fixa  em  determinadas  fases  do  desenvolvimento,  impedindo  este 
movimento natural. 
A  chamada  Ecologia  Rasa,  segundo  Capra  (1996),  corresponde  à  visão 
antropocêntrica, ou centralizada  no ser  humano. Ela concebe a  natureza como sendo apenas 
uma fonte de uso para o homem. Sendo assim, o homem coloca­se acima ou fora dela, e como 
mentor  de  todos  os  valores  nela  existentes.  Pode­se  associar  este  aspecto  da  Ecologia  com 
uma das fases do desenvolvimento humano – a infância – que caracteriza um olhar imaturo, 
limitado, infantilizado e egocêntrico da criança em relação ao mundo. Freud em seu texto ­ O 
Mal­Estar  na  Civilização  –  diz  que  nesta  fase  “o  Eu  nos  aparece  como  algo  autônomo  e 
unitário,  distintamente  demarcado  de  tudo  o  mais”  (FREUD,  1974,  p  83).  Na  teoria  de 
Lawrence  Kohlberg  (apud  BEE,  1997,  p.335),  no  Estágio  2  de  sua  concepção  sobre  o 
desenvolvimento  moral,  descreve  um  tipo  de  comportamento  infantil  pautado  pelo 
individualismo, propósito instrumental  e troca, onde a criança “segue regras quando se trata 
de algo de seu interesse imediato. O que é bom é o que traz resultados prazerosos”. 
O exposto acima reflete uma correspondência com a civilização dos dias de hoje, onde 
impera o prazer a todo custo, de forma egocêntrica, um narcisismo exacerbado e um consumo 
emocional,  gerando  uma  relação  infantil  não  só  interpessoal,  como  também,  em  relação  ao 
planeta. Este tipo de relação tem contribuído para o agravamento do desequilíbrio do planeta 
e, conseqüentemente, do próprio ser humano. 
A Ecologia Profunda, diferentemente da Ecologia Rasa, “reconhece o valor intrínseco 
dos  todos  os  seres  vivos  e  concebe  os seres  humanos  apenas  como fio particular  na  teia  da 
vida” (CAPRA, 1996, p. 26). Considerando que o planeta Terra, como um todo, é um sistema 
vivo, auto­organizador, e que “a vida cria as condições para sua própria existência” segundo 
James  Lovelock  (1974,  vol.  21  apud  CAPRA,  1996,  p.  94),  observa­se  que  existe  um 
movimento natural na busca da homeostase.

Dentro da concepção da Teoria Gaia, Lynn Margulis, colaboradora de James Lovelock 
afirma  que  a  superfície  da  Terra  é  parte  da  vida,  e  não  apenas  o  meio  ambiente  da  vida. 
Quando os cientistas dizem que a vida se adapta a um meio ambiente, incutem uma visão de 
passividade  seriamente  distorcida,  porque,  em  verdade,  ela  fabrica,  modela  e  muda  o  meio 
ambiente ao qual se adapta. Este, através de interações cíclicas constantes realimenta a  vida 
que muda, atua e cresce nele (LYNN MARGULIS, 1989, vol. 5 apud CAPRA, 1996, p. 94). 
A  visão  da  Terra  como  um  organismo  vivo,  já  vinha  sendo  especulada  há  muito  tempo, 
inicialmente na imaginação de povos antigos, o que se tornou imprescindível para dar forma à 
Teoria Gaia. 
Para Leonardo Boff (1999, p. 64) “A terra nas  várias expressões de Grande Mãe, de 
terra  cultivada  e  de  lar,  era  sentida  como  um  organismo  vivo.  Ele  não  pode  ser  violado  e 
depredado. Caso contrário se vinga através de tempestades, raios, secas, incêndios, terremotos 
e vulcões”. 
Estamos  percebendo  que,  nos  dias  de  hoje,  várias  cidades  do  globo  terrestre  têm 
sofrido  enchentes  a  cada  inverno  mais  intenso.  A  ocupação  desordenada  de  metrópoles 
provoca  desequilíbrios  causados  pelo  homem,  como  a  destruição  da  cobertura  vegetal  que 
libera o solo para o processo de erosão, seguido pela sedimentação que ‘entope’ as calhas dos 
rios provocando alagamentos. É a Terra falando em sua linguagem própria (tendo como base 
o Princípio da Natureza de Causa e Efeito, referido mais adiante): ‘Eu reajo as suas ações, ser 
humano.  Quando  você  vai  entender que é Terra também? Você  extermina  minhas  florestas, 
joga gás carbono (CO2) na atmosfera e eu fico mais quente. Você tem percebido que o calor e 
o frio estão ficando cada dia mais intenso? Que os ventos estão mais fortes?  Que os furacões 
estão ocorrendo com mais freqüência e com maior intensidade? Katrina, que devastou o berço 
do  jazz  e  do  blues  americano  (New  Orleans),  e  cientistas  alertam  que  estes  fenômenos  se 
tornarão corriqueiros sobre a superfície de Gaia. Não se dá conta que têm ocorrido ciclones 
até no Brasil? Acorda Homo Sapiens!’. 
Perls, Hefferlin e Goodman (1997, p.42 apud LIRA, 2004, p. 88),  já advogavam que 
“não  é  possível  analisar um ser  humano  independente  do oxigênio  que  ele  respira”. Mesmo 
que  suas  palavras  não  devam  ser  tomadas  ao  pé  da  letra,  é  necessário  um  olhar  mais 
aprofundado  sobre  esta  inter­relação  vital.  Por  exemplo,  o  oxigênio,  elemento  fundamental 
para  a  existência  da  vida,  está  presente  na  atmosfera  na  percentagem  de  20,8%.  Se  sua 
concentração  estivesse  acima  deste  valor, relâmpagos  poderiam  transformar o planeta  numa 
bola  de  fogo;  valores  abaixo  acarretariam  uma  deficiência  deste  elemento  para  muitas 
espécies que não sobreviveriam, inclusive a nossa. Lira (2004), em seu artigo – A Teoria Gaia 
e a Gestalt – refere que existe uma dependência entre o oxigênio e o fitoplancton, ou seja, não 
existe separação rígida entre a matéria inorgânica e orgânica: 

As algas  microscópicas que  vivem nos ambientes aquáticos  – fitoplancton – são  as 


maiores  responsáveis pela regulagem  do  percentual de oxigênio na atmosfera. Elas 
se beneficiam  da  fotossíntese, que  é a transformação do CO2  em  oxigênio livre, na 
presença  de  luz  solar.  É  preciso  ressaltar  que  os  vegetais  são  ‘órgãos  externos’da 
respiração.  Eles  retiram  o  CO2  da  atmosfera  e  fornece  o  oxigênio,  elemento 
indispensável  para  a  vida  animal.  Da  mesma  maneira,  sem  os  animais,  as  plantas 
também  morreriam  porque  nós  devolvemos  à  atmosfera  o  CO2,  o  mais  importante 
‘alimento’ dos vegetais (LIRA, 2004, p 88­89). 

Uma comparação entre o planeta Terra e o ser humano foi feita por Rudiger Dahlke 
(2001,  p.  47).  Geologicamente  a  Terra  é  formada  por  rochas  constituídas  por  minerais 
compostos por elementos químicos que estão presentes nas mesmas substâncias do universo, 
incluindo o corpo humano. Não parece ser coincidência que dois terços do planeta e do corpo 
humano estão constituídos por 70% de água. No que diz respeito ao campo eletromagnético, a

Terra  e  o  corpo  são  circundados  por  este  mesmo  campo,  da  mesma  forma  que  existe  uma 
correspondência no que tange à polaridade, um dos Princípios da Natureza. 
A  Teoria  Gaia  incorpora  o  homem  como  parte  do  ecossistema  global.  Ser  parte  da 
Terra  Viva  é  passo  importante  para  sair  da  ilusão  de  que  nós,  seres  humanos,  somos  mais 
importantes  do  que  outros  animais  e  vegetais.  Capra,  fazendo  uma  comparação  entre  as 
comunidades  humanas  e  os  ecossistemas,  afirma:  “Nos  ecossistemas  não  existe 
autopercepção, nem linguagem, nem consciência e nem cultura; portanto neles não há justiça 
nem democracia, mas também não há cobiça  nem desonestidade” (CAPRA, 1996, p. 26). É 
pertinente  dizer  que  nos  ecossistemas  cada  elemento  tem  sua  função  e todos os organismos 
são necessários. O que se pode reforçar é que no ecossistema global, como na vida humana, o 
importante  não  é  ser  importante,  mas  sentir­se  parte  desse  grande  ecossistema.  Albert 
Einstein, físico e mentor da Teoria da Relatividade expressa: 

O  ser humano  é parte de um todo chamado  por  nós de Universo,  uma  parte limitada 


no  tempo  e  no  espaço.  Experimenta  a  si  mesmo,  seus  pensamentos  e  sentimentos 
como algo separado do resto, um tipo de ilusão da consciência. Essa ilusão restringe­ 
nos aos nossos desejos pessoais e à afeição  por umas poucas pessoas próximas a nós. 
Nosso  trabalho  deve  ser  libertar­nos  dessa  prisão,  ampliando  nosso  círculo  de 
compaixão  para  abarcar  todas  as  criaturas  vivas  e  a  natureza  inteira  em  sua  beleza 
(EINSTEIN, 1916, apud THEDA BASSO e MOACIR AMARAL, 2007, p. 22). 

Caso continuemos ignorando as respostas da Terra, expressas pelo aquecimento global 
e  outros  impactos  negativos,  fruto  da  visão  da  física  newtoniana  refletida  no  paradigma 
cartesiano, mesmo assim, continuaremos sendo responsáveis por estes crimes contra a Terra. 
Possivelmente  não  seremos  julgados  pelas  leis  dos  homens,  mas  Gaia  se  encarregará  de 
exercer sua própria justiça. Isso poderá conduzir à nossa destruição. Entender que somos parte 
da  Terra  facilita  nos  reconectarmos  com  nós  mesmos,  com os  outros, com os Princípios  da 
Natureza e os fundamentos que regem os ecossistemas. 

2.3 Os Pr incípios da Natur eza 

Na questão que vem sendo posta pela ciência sobre a origem do universo, a física tem 
papel decisivo junto a fundamentos filosóficos, metafísicos e espirituais. A teoria mais aceita 
pela ciência é a do Big­Bang, que ocorreu acerca de quinze bilhões de anos. “Todo o universo 
surgiu de uma gigantesca bola de fogo superaquecida que explodiu, se expandiu e resfriou­se 
rapidamente,  condensando  ao  longo  de  bilhões  de  anos  incontáveis  galáxias  e  miríades  de 
estrelas”  (RUSSEL,  1982,  p.  48).  Esta  teoria,  na  compreensão  de  Egito  (2007),  é  que  deu 
origem aos Princípios da Natureza, que estão presentes em tudo que existe. Antes da grande 
explosão  não  existia  nem  tempo  e  nem  espaço,  desta  maneira,  não  havia  descontinuidade 
movimento  e  limite,  e  tudo  era Uno.  Depois  desta  explosão,  houve  a  fragmentação  a  partir 
deste ponto único e adimensional, onde estava contida toda a energia do universo. 
A  idéia  de  que  os  Princípios  da  Natureza,  também  denominados  de  Princípios 
Herméticos,  vem  corroborar  a  visão  de  totalidade  que  vem  sendo  exposta  neste  trabalho, 
segundo os estudos de Egito (2007), tudo é uma manifestação do Uno. 
Os Princípios aqui apresentados referem­se ao: Princípio do Mentalismo; Princípio de 
Correspondência;  Princípio  de  Vibração;  Princípio  de  Polaridade;  Princípio  de  Ritmo; 
Princípio de Causa e Efeito e o Princípio do Gênero. 

2.3.1 O Pr incípio do Mentalismo fundamenta a idéia de que o universo é mental, ou 
seja, que o que nós percebemos como realidade não representa a coisa em si, mas a imagem

que fazemos dela, talvez por esse motivo a percepção de alguma coisa possa variar tanto de 
pessoa para pessoa. Todas as formas de percepção são ilusórias, embora exista um objeto no 
qual se estrutura uma imagem, porque a nossa estrutura mental tende a captar apenas partes 
daquilo que é a totalidade. Para George Berkeley: 

Não  há  objetos  dos  sentidos  nem  nada  parecido  fora  da  mente  (...)  não  há  nada 
independente  da  mente  e  que  também  se  assemelha  a  uma  ‘idéia’.  Na 
sensação somos passivos e o objeto, para nó, será sempre uma qualidade sensível e 
mutável (BERKELEY, 2005, p. 73). 

O que se percebe não é exatamente aquilo que é percebido, mas algo do qual se tem 
uma percepção,  que  gera  sensações  físicas  e  emocionais  culminando  nas  crenças,  atitudes  e 
ações  de  cada  indivíduo.  Egito  (2007)  resume  dizendo  que  “na  realidade,  a  partir  de  algo 
existente a mente cria tudo quanto há todas as formas e aspectos que integram o mundo, que 
na verdade nada mais são do que criações mentais – ilusões” (EGITO, 2007, p. 49). Sob este 
ângulo, o nosso universo é mental e, conseqüentemente, existe um universo próprio de cada 
um. A base deste princípio ressoa com a percepção ilusória, fragmentada e separatista, citada 
neste estudo, que o homem apresenta em relação a si mesmo e a tudo que o cerca. 

2.3.2 O Pr incípio da Cor respondência é o princípio que conduz à unificação, por sua 


natureza associativa e convergente. Seu enunciado mais citado é: “o que está em cima é como 
o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima” (EGITO, 2007, p. 60). 
De acordo com este princípio, qualquer modificação que aconteça em um determinado plano, 
conseqüentemente  se  refletirá  em  todos  os  demais,  por  este  motivo se  diz  que  qualquer  ato 
acaba  afetando  todo  o  universo.  Exemplificando,  o oxigênio  que  o  ser  humano  respira  está 
dentro e fora do seu corpo, logo, se ele polui o ar que está fora, também poluirá a oxigenação 
do  seu  corpo.  Assim  como  em  seu  corpo,  estão  contidos  os  elementos  químicos  (ferro, 
manganês,  cálcio,  fósforo,  silício  e  outros)  que  estão  dentro  da  Terra,  dos  minerais,  dos 
vegetais e  em todos os elementos que compõem os ecossistemas. Desta forma, se o homem 
contaminar  as  águas,  a  flora  e  a  fauna,  utilizando  neles  produtos  químicos  de  forma 
inadequada,  seu  corpo  também  sofrerá  através  de  uma  alimentação  contaminada,  foco  de 
estudo  da  Psicologia  Ambiental,  onde  o  ser  humano  está  inserido.  Sem  contar  no  efeito  de 
outras ações destrutivas que vêm repercutindo no planeta como um todo. 

2.3.3 O Pr incípio da Vibração. O pré­socrático Heráclito costumava dizer que “tudo 
flui e nada permanece” (HERÁCLITO, 540­480 a. C. apud NICOLA, 2005, p. 19). Vivemos 
imersos num campo de vibrações muito grande composto por todas as freqüências possíveis, 
sem nos darmos conta disso. Cada coisa se comporta de uma forma específica, de acordo com 
a  faixa  de  freqüência  em  que  ela  vibra  como  as  cores,  os  sons  e  as  ondas  de  rádio,  por 
exemplo.  É  pelo  estudo  das  vibrações  que  podemos  entender  com  mais  facilidade,  não  só 
muitas das condições psíquicas, como também, a própria natureza do universo, em que nada 
existe que não seja  vibração. Podemos não perceber, mas nada está parado, tudo aquilo que 
vibra  está  em  movimento  (EGITO,  2007).  Nos  ambientes  construídos,  estudados  pela 
Psicologia  Ambiental,  assim  como  nos  naturais,  tudo  está  em  movimento,  existe  uma  troca 
constante de matéria e energia. 

2.3.4  O  Pr incípio  da  Polaridade  é  o  princípio  que  produz  a  diferenciação,  sendo 


assim,  está  diretamente  relacionado  com  a  fragmentação.  Tem  uma  natureza  dispersiva, 
separatista,  dissociativa.  “É  o  princípio  que  faz  cada  indivíduo  sentir­se  como  um  pólo 
independente,  cada  pessoa  direcionar  toda  a  atenção  e  cuidados  basicamente  para  seus 
interesses  particulares,  de  forma  unilateral  e  isso  a  torna  individualista  e  exclusivista”

(EGITO, 2007, p. 69).  A natureza deste princípio fundamenta a descrição de algumas atitudes 
e comportamentos imaturos e infantilizados referenciados nesta pesquisa, que vêm desafiando 
o campo da Psicologia Ambiental, que pode contribuir para o equilíbrio desta polaridade com 
o seu oposto, o Princípio da Correspondência. Talvez o único meio de neutralizar o mal que o 
egoísmo  descontrolado  pode  causar,  é  integrá­lo  num  todo  maior.  A  Correspondência  é  o 
princípio  da  identidade  que  apresenta  um  movimento  de  convergência  que  leva  à  união,  à 
associação. É o princípio que gera a integração entre tudo o que há. Egito (2007), explica que 
qualquer  Princípio  tem  dois  lados,  têm  em  si  polaridades,  mas  que  isso  é  fundamental  na 
natureza. Conclui dizendo que: “O Universo é, pois, uma profunda unidade com distinção  e 
uma vasta diversidade sem separação” (EGITO, 2007, p. 70). 

2.3.5 O Pr incípio do Ritmo é inerente à criação. Não existe nada que não tenha um 
ritmo, ou que  não  sofra a  influência  dos  inúmeros ritmos  existentes  no  universo.  Os  ritmos 
podem  ser  internos  e  externos.  O  interno  é  inerente  ao  organismo,  não  existindo  fora  dele 
(ritmo cardíaco, menstrual, gestacional, peristáltico, etc.). No entanto está sujeito aos ritmos 
da  natureza  exterior  (as  marés,  as  mudanças  lunares,  as  mudanças  de  temperatura  que 
influenciam a direção e velocidade dos ventos, entre outros). Por isso pode­se dizer que todas 
as  coisas  do universo, dentro deste  princípio,  são  relativas  e  interdependentes,  ou  seja,  uma 
limitando a outra. Outro aspecto do ritmo é que ele pode ser natural ou artificial. O natural, 
referindo­se  aos  da  natureza  (externo),  além  dos  do  organismo  (interno).  Ambos  não 
dependem da vontade humana. O artificial pode ser criado pelo homem, como por exemplo, 
escolher um ritmo horário para atender suas necessidades. A maior parte dos ritmos naturais 
podem  ser  modificáveis,  alguns  deles  com  muita  dificuldade,  enquanto  os  artificiais  são 
facilmente  modificáveis  (EGITO,  2007).  A  Psicologia  Ambiental  poderá  utilizar­se  destes 
conhecimentos  para  melhor  atuar  como  facilitadora  nos  processos  de  mudança  na  relação 
homem  /  natureza,  visto  que  os  ritmos  tanto  naturais  como  artificiais  são  passíveis  de 
mudança consciente pela mão do homem. 

2.3.6 O Pr incípio de Causa e Efeito nos faz retomar a visão inicial deste capítulo em 
que a teoria mais aceita pela ciência é de que o universo surgiu do Big­Bang. Baseado nesta 
ótica, Egito (2007) acredita que “tudo aquilo que existe como manifestação um dia fez parte 
daquele  nada   (...)  por  isso  podemos  afirmar:  tudo  o  que  existe  teve  uma  causa   eterna”. 
(EGITO, 2007, p. 247). Diante desta afirmativa, percebe­se que existe uma ordem, uma lei, 
em  que  “cada  mundo  ou  nível  é  sempre  a  causa   do  seguinte,  e  por  sua  vez  é  efeito  do 
anterior” (EGITO, 2007, p. 251). Explica ele que nesta seqüência contínua observa­se que as 
leis  vão  ocasionando  níveis  de  complexidade  cada  vez  maiores,  com  mais  dificuldades  de 
atuação,  o  que  implica  em  possibilidade  de  erros  e  desobediências.  Na  realidade,  a  energia 
teve como fonte primeira o nada . Assim, tudo é efeito e é causa ao mesmo tempo, formando 
uma manifestação  cíclica  que, ao  nível  dual, tudo  está  ligado  a  algo  precedente.  De  acordo 
com  este  princípio,  todas  as  nossas  ações,  tanto  nas  nossas  relações  interpessoais  como  na 
relação com a Mãe Gaia, causará um efeito, uma resposta. Da mesma maneira que a resposta 
da  Mãe  Gaia  causará  um  efeito  sobre  a  nossa  próxima  ação.  Com  a  compreensão  deste 
Princípio, a Psicologia Ambiental, poderá avaliar com maior clareza a seqüência desse ciclo 
na relação homem/ Gaia e suas conseqüências, para organizar uma estratégia de ação visando 
o bem comum e uma melhor qualidade de vida para todos. 

2.3.7 O Pr incípio do Gênero.  Em obediência a este Princípio, o processo cíclico da 


vida  só  pode  ser  fechado  com  o  gênero  e  polaridade  oposto  ao  inicial.  Na  verdade,  não 
importa  de  que  forma  o  ciclo  faça  seu  retorno,  nem  em  que  ponto  o  movimento  possa  ser 
interrompido por outra  seqüência  que leve o processo  ao  seu  início.  O que  importa  é que o

conjunto  forma  uma  cadeia  única  que  conservará  a  polaridade  inicial,  e  chegará  ao  fim  no 
gênero  oposto.  Na  prática,  qualquer  seqüência  de  eventos  tem  que  começar  por  um  pólo, 
negativo (feminino) ou positivo (masculino). No entanto, “tudo é fruto de uma ação, logo o 
agente ativo antecede o passivo, mas a manifestação só ocorre a partir do passivo” (EGITO, 
2007,  p.  263).  A  criação  é  o  resultado  da  transformação  da  continuidade  do  nada   na 
descontinuidade das  coisas  criadas.  Assim,  aquilo que  é  contínuo  se  transforma tornando­se 
descontínuo.  E  é  na  descontinuidade  entre  um  ponto  de  referência  e  outro  que  novas 
possibilidades surgem para dar início a um novo ciclo (EGITO, 2007). Assim é a Vida, regida 
por  um  movimento  de  duas  qualidades  de  energia  distintas  que  se  complementam  dando 
continuidade  à  criação  no  Universo.  Este  Princípio  fala  de  pólos  de  energia  contrários  e 
complementares que geram o movimento da criação em todas as suas possibilidades. O uso 
deste  Princípio  na  Psicologia  Ambiental  pode  favorecer  uma  ação  de  equilíbrio  entre  os 
princípios ativos e passivos dentro do universo de suas ações. 

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O  ponto  de  mutação  da  cultura  ocidental,  neste  início  de  milênio,  considerando  as 
bases  acadêmicas  do  século  passado,  tais  como  a  física  newtoniana  e  a  neurociência 
mecanicista  do  funcionamento  cerebral  e  da  consciência,  estão  sendo  infiltradas  por  uma 
moderna  ciência  de  natureza  holística,  sistêmica,  quântica  e  não­reducionista.  Isto  vem 
interferindo na antiga questão do dualismo cartesiano que separou mente e matéria, e homem 
e  universo.  Este  pensamento  dual  antropocêntrico  vem  alimentando,  no  homem,  uma  visão 
distorcida de si mesmo. 
De  tudo  o  que  foi  pesquisado  no  desenvolvimento  deste  trabalho,  chegou­se  à 
conclusão  de  que  o  antropocentrismo  observado  no  mundo  atual  tem  favorecido  atitudes  e 
comportamentos infantilizados, por parte do homem, resultando numa visão distorcida de si 
mesmo, como o centro de todas as coisas, onde a natureza é vista apenas como fonte de uso. 
Isto  tem  contribuindo para o agravamento do desequilíbrio do planeta e,  conseqüentemente, 
de  si próprio.  Estes  fatos  estão, de  forma imperiosa,  exigindo  mudanças  urgentes  para  uma 
nova  compreensão  de  que  o  homem  e  a  Terra  são  constituídos  da  mesma  natureza  e  são 
regidos pelos mesmos princípios, fazendo parte integrante de uma totalidade. 
A Psicologia Ambiental levando em conta os efeitos das condições do ambiente sobre 
os  comportamentos  humanos,  e  vice  versa,  cabe  a  ela  ser  um  instrumento  facilitador  desse 
campo interacional, incluindo os aspectos socioculturais e ecológicos. 
A Ecologia Profunda que concebe todos os seres vivos,  incluindo os seres  humanos, 
como  fazendo parte da teia  da  vida,  incorpora o homem  como parte do  ecossistema  global. 
Seu papel é fazer com que o Homo Sapiens saia  da ilusão de que é mais importante do que 
outros  animais  e  vegetais.  Conscientizando de que  nos  ecossistemas  cada  elemento  tem  sua 
função e todos os organismos são necessários. 
Estando os Princípios  da  Natureza presentes em  tudo o que  existe,  e  corroborando  a 
visão  de  totalidade,  conclui­se  que  estes  representam  um  fundamento  de  vital  importância 
para o aprofundamento desta compreensão homem­natureza, podendo ser utilizados tanto pela 
Psicologia Ambiental como pela Ecologia Profunda. 
A  Psicologia  Ambiental,  aliada  à  visão  da  Ecologia  Profunda,  e  utilizando­se  dos 
conhecimentos  que  facilitam  a  compreensão  desses Princípios  que  estão contidos, de  forma 
integrada  e  inter­relacionada,  em  tudo  o  que  existe,  poderá  cumprir  um  relevante  papel  na 
consolidação do novo paradigma que pensa o homem e o planeta Terra como uma totalidade
10 

4 REFERÊNCIAS 

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___________ 

Luiz  Lira:  Psicólogo,  Geólogo,  MSc  em  Geologia  Marinha.  Membro  da  Academia 
Pernambucana de Ciências. Diretor científico do Instituto Oceanário de Pernambuco.