Você está na página 1de 16

Museus Acessíveis… museus para todos?!

1
Josélia Neves
Instituto Politécnico de Leiria
joselia@esel.ipleiria.pt

O século XXI nasceu sob o signo da acessibilidade. As leis são mais explícitas na imposição do direito
básico à igualdade; surgem directivas que se apresentam com o título de “… para todos”; e tomam-se
medidas, aqui e ali, de forma a criar condições de acesso para pessoas com deficiência. Embora os passos
sejam lentos e tímidos, o movimento sente-se: fala-se no direito a iguais oportunidades, à não
discriminação, à integração no mundo do trabalho; Preconiza-se a inserção social e reivindica-se o direito
à educação, informação, cultura e lazer.
É neste contexto que se aborda o acesso à informação e à cultura em situação museológica e que, à luz da
literatura da especialidade e à análise das práticas vigentes em Portugal, se propõem acções concretas
para a criação de museus mais acessíveis, para visitantes com limitações motoras e sensoriais.
Neste artigo apresentar-se-ão os parâmetros a ter em conta quando se tem por objectivo criar condições de
acesso para todos - incluindo pessoas deficientes - partindo da análise de quatro domínios principais de
acesso: divulgação, mobilidade, conforto e experiência.

KEYWORDS: Museus – acessibilidades – deficiência – inclusão

Qualquer abordagem ao assunto da criação de condições de acesso a museus que queira


ser consentânea com o espírito que preside a este novo século terá de clarificar, no seu
ponto de partida, os conceitos que assume como premissas basilares.
Em primeiro lugar, e no contexto deste trabalho, essencialmente direccionado para a
discussão de condições de acesso a museus por parte de pessoas com deficiência,
assume-se “deficiência” como “diferença”, imposta por uma condição de desvantagem
em relação à maioria das pessoas. Essa desvantagem poderá resultar de razões físicas,
mentais ou sensoriais, de carácter transitório ou permanente, com grau de incapacidade
limitativo da total autonomia do sujeito, levando a que necessite de condições especiais
para que se sinta completamente integrado na comunidade em que se insere. Desta feita,
na sua singularidade, tais pessoas serão vistas de forma integrada, pois partilharão a sua
condição com outras formas de diferenciação, igualmente marcadas pela necessidade de
condições especiais, socialmente identificadas por parâmetros com conotações (mais ou
menos positivas ou negativas), como sendo a idade (ex. crianças, idosos), o estado (ex.
grávidas), a constituição física (ex. obesos, anões), a condição social (ex. carenciados,
analfabetos), a língua (ex. estrangeiros), a condição de permanência no território (ex.

1
Comunicação apresentada no Congresso de Turismo Cultural, Territórios e Identidade. Projecto de
Investigação Identidade(s) e Diversidade(s). Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de
Leiria. Leiria, 29-30 Outubro 2006.

1
nacional, imigrante ou turista), entre outros. Esta premissa pretende realçar uma noção
de total inclusão que assuma a deficiência como apenas mais um factor de diferenciação
que não exige medidas excepcionais, mas sim uma atitude que faça mesmo esbater
possíveis marcas da discriminação positiva. Tal atinge-se implementando um outro
conceito: o de “para todos”. Desenhar para todos significa encontrar soluções que sejam
úteis a todos, incluindo os deficientes, assumindo a convicção de que ao integrar estes
públicos especiais estaremos a criar melhores condições para todas as outras pessoas
que, embora menos marcadas pela diferença, são, na sua essência, também únicas,
diferentes e especiais, e que irão igualmente usufruir de tais condições especiais.
Apesar de assumir uma perspectiva de integração holística, haverá necessidade de
focalizar o grupo específico que esteve na origem desta reflexão: as pessoas com
deficiência. De acordo com estudos da Eurostat2 a grande Europa tem uma população
deficiente de 50 milhões, i.e. 14,5% da população europeia (chegando a 25% nos novos
estados), apresenta condicionalismos impeditivos de uma vida “normal”. No contexto
português, e de acordo com os censos 2001, teremos uma população deficiente de cerca
de 636 059 (cerca de 10% da população portuguesa), número que se considera pouco
objectivo se tivermos em conta que estamos perante uma sociedade envelhecida e que a
deficiência ainda é estigmatizada a nível social, levando a que seja “escondida” por
preconceito. Se a este factor se acrescer o envelhecimento como potenciador de
deficiência e invalidez3, e se tivermos em conta que, reflectindo a tendência europeia4,
em Portugal, em 2001, existiam 1 693 493 pessoas com mais de 65 anos (dados dos
últimos censos), será de considerar que cerca de um terço da população portuguesa se
encontra entre o grupo de pessoas com necessidades especiais.
Se transpusermos estes dados para o contexto dos potenciais utilizadores de museus,
partilhando com Lima de Faria (2000:3) a convicção que “[n]ão existe socialmente a
figura de ‘visitante de museu’ mas sim uma população mais ou menos local, mais ou
menos difusa, ou em trânsito, que poderá constituir-se como um recurso para o museu”,
e se tivermos em conta que, à data, maior parte dos museus portugueses ainda não
2
Eurobarometer survey 54.2 and Eurostat report: Disability and social participation in Europe. 2001 e Statistics in
focus – Population and Social Conditions – “Employment of disabled people in Europe in 2002” realizado pela
Eurostat.
3
De acordo com o US Census Bureau Report on Americans with Disabilities: 1994-1995 (P70-61) de
Agosto de 1997, enquanto que aos 18-24 anos uma pessoa terá uma incapacidade devida à idade de cerca
de 9,5%, tal passa para os 21,2% aos 45-54 anos, atingindo os 42,3% aos 65-74 anos e os 64% aos 75+
anos.
4
O Departamento para População das Nações Unidas estima que a população europeia decresça 13%
entre 2000 e 2050 e que a média etária aumente dez anos, passando então para os 48 anos (cf. Diário
Económico de 21 de Março de 2003).

2
atingiram o seu potencial máximo em termos de condições de acesso e atracção de
utilizadores, será de questionar se, ao melhorar as condições de acesso, não estaríamos
também a potenciar a frequência aos nossos museus.
Apesar de actualmente se testemunhar um aumento significativo de visitantes aos
museus portugueses, surgindo mesmo a noticia5 que em 2006 se vêem aumentadas as
visitas em 33%, prevendo-se que este ano se venha a ultrapassar o recorde máximo de
1.149.378 visitantes em 1998 (registado graças à realização da Expo98 em Lisboa),
haverá motivo para acreditar que esse número poderá ser ainda maior se forem tomadas
medidas concretas para cativar públicos com necessidades especiais.

Acessibilidades em Museus Portugueses


No que toca à inclusão em contexto museológico, a Lei-Quadro dos Museus
Portugueses, nº 47/ 2004 de 19 de Agosto, na sua formulação estruturante, assume uma
postura consentânea com as premissas aqui assumidas ao afirmar, na alínea 1b do artigo
3.º, que é função do museu “facultar acesso regular ao público e fomentar a
democratização da cultura, a promoção da pessoa e o desenvolvimento da sociedade.”
No seu capítulo IV, dedicado ao acesso público, esta Lei-Quadro especifica, no artigo
58.º que “[o] museu deve prestar aos visitantes informações que contribuam para
proporcionar a qualidade da visita e o cumprimento da função educativa”. Numa
menção expressa a questões de acessibilidades, o artigo 59.º desta mesma Lei-Quadro
especifica que “1 – [o]s visitantes com necessidades especiais, nomeadamente pessoas
com deficiência, têm direito a um apoio específico” e que “2 – [o] museu publicita o
apoio referido no número anterior e promove condições de igualdade na fruição
cultural.”
Apesar de a lei portuguesa contemplar, nos seus princípios, o estímulo à participação e à
inclusão de todos no acesso aos museus, surge pertinente questionar se os nossos
museus, genericamente considerados como sendo “instituições, com diferentes
designações, que apresentem as características e cumpram as funções museológicas

5
O Jornal “Público” de 24 de Novembro de 06 notícia que “[a] afluência de portugueses aos museus
nacionais aumentou este ano 33 por cento, ultrapassando até Outubro os 640 mil, mais 159 mil do que em
igual período de 2005, revelou hoje o director do Instituto Português de Museus (IPM). Relativamente aos
visitantes estrangeiros, também se registou um aumento de 16 por cento este ano, com mais 53.274,
passando de 339.691 em 2005 para 392.965 em 2006” (in
www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1277709 [acedido a 26/11/06]).

3
previstas na presente lei para o museu, ainda que o respectivo acervo integre espécies
vivas, tanto botânicas como zoológicas, testemunhos resultantes da materialização de
ideias, representações de realidades existentes ou virtuais, assim como bens de
património cultural imóvel, ambiental e paisagístico” (ibid. art.3.2), cumprem com as
condições mínimas necessárias a uma inclusão aceitável.
De uma análise do Roteiro de Museus, do Instituto Português de Museu e da Rede de
Museus ressalta que, dos 120 museus indexados, apenas 37 (31%) referem ter condições
especiais para visitantes com deficiência, ou seja, 83 (69%) desses museus não têm
qualquer referência a tal situação. Ao verificar a sua distribuição em termos territoriais
ressalta o facto de ser no norte do país que se concentram em maior número os museus
que se assumem como tendo condições adequadas a pessoas com necessidades
especiais.

Museus com
Museus
Localização condições de
listados
acessibilidade
Grande Lisboa 18 7
Grande Porto 10 7
Norte 30 9
Centro 13 3
Lisboa e Vale de Tejo 23 3
Alentejo 7 1
Algarve 4 0
Açores 8 1
Madeira 7 1
Figura 1: Distribuição de Museus indexado no Roteiro de Museus 2005 por zona de localização

Interpelados objectivamente6 sobre as condições de acesso existentes, ficou patente que


o maior critério para a designação de “museu acessível” se prende com a existência de
condições de acesso para pessoas em cadeiras de rodas (rampas, elevadores, condições
de mobilidade física), e com a existência de WCs adaptados. Poucos museus revelaram
ter condições de acesso para pessoas com deficiências sensoriais e mentais, sendo que,

6
Os museus assinalados como sendo acessíveis foram contactos por via electrónica e telefónica para
identificação das condições de acesso disponíveis e clarificação de soluções possíveis para a integração
de visitantes com necessidades especiais. Está a decorrer um estudo detalhado, com visitas aos museus
para o levantamento exaustivo das condições de acesso existentes. Os resultados desse estudo exaustivo
deverão estar disponíveis em meados de 2007/2008.

4
neste domínio, é notória uma maior sensibilização em relação à cegueira do que à
surdez .
Apesar das muitas lacunas detectadas, será importante referir que é notória a vontade de
“servir melhor” por parte dos técnicos a trabalhar nestes museus. A sua sensibilidade
revela-se através da vontade de superar obstáculos e a disponibilidade para acolher a
diferença, dentro das limitações existentes, fazendo valer a criatividade e a dedicação
pessoal na procura de soluções pontuais. Sendo de facto de suma importância, este é,
mais do que uma atitude institucional, um esforço pessoal, que embora meritório,
deverá ser sustentado pela criação de condições reais e permanentes, mais estruturadas e
menos baseadas na boa-vontade e generosidade dos técnicos.
Deste estudo preliminar ressaltam ainda outros indicadores positivos. A um outro nível
é também evidente uma consciencialização da necessidade de criar condições
direccionadas para públicos com necessidades especiais. Tal manifesta-se na criação do
GAM – Grupo para a Acessibilidade nos Museus (vide http://gam.org.pt/) que assume
como sua missão “melhorar o acesso aos museus a todo o tipo de público com
necessidades especiais, físicas, intelectuais, ou sociais, disponibilizar informações sobre
o tema, e divulgar e promover actividades e um fórum de debate.” Esta preocupação vê-
se concretizada através da troca de experiências, da promoção de acções conjuntas e no
desenvolvimento de estratégias para a promoção dos museus associados. Por outro lado,
surge também em Portugal um movimento para a criação de museus on-line acessíveis
(vide http://www.acesso.umic.pcm.gov.pt/museus.htm). De facto, a criação de museus
virtuais revestem-se de grande potencial, merecendo, por isso, um tratamento
diferenciado daquele que aqui se trabalha, pois obedece a orientações muito diversas
daquelas a serem vistas pelos museus “reais”. A este respeito partilho da opinião de
Battro (1999) exposta na seguinte afirmação:
The museum on the web is a different kind of museum. It is certainly
not a substitution of the real museum, it is a new museum! To attain
the highest possible quality, a state-of-the art Virtual Museum, a new
approach to Malraux's ideas about the Imaginary Museum should be
carefully considered. The problem is not only to "digitise" everything
that is worthy of publication on the web but to produce new contents,
to propose new activities, to explore new links within the arts.

A complexidade desta novo tipo museológico, repleto de oportunidades e desafios


deverá ser visto de forma detalhada, pois nele poderá estar a chave para muitos dos
problemas hoje sentidos em museus “reais”.

5
Parâmetros para a definição de critérios de acessibilidade em museus
Para uma reflexão mais profunda sobre o que se possa entender por condições de acesso
aos referidos museus “reais”, partiremos da visão apresentada por Dodd e Sandall
(1988:14) que, numa proposta interessante e alargada, define como questões
importantes à clarificação dos parâmetros necessários à acessibilidade museológica,
aqueles que a seguir se apresentam de forma adaptada:

Tipo de Acessibilidade Questões de base


Acesso físico Será que existem barreiras arquitectónicas?
Acesso sensorial Será que as exposições contemplam visitantes com
deficiência sensorial (cegos e s/Surdos)?

Acesso intelectual As exposições excluem visitantes com poucos


conhecimentos prévios?
Serão as exposições acessíveis a pessoas com
dificuldades de aprendizagem?
Acesso económico Os preços são demasiado altos para visitantes com baixos
rendimentos?
Acesso emocional Será o museu acolhedor para quem o visita pela primeira
vez?
Os funcionários do museu estarão preparados para lidar
com a diferença e a deficiência?
Acesso à esfera das Será que o museu consulta especialistas e potenciais
decisões visitantes quando toma decisões?

Acesso à informação Será que a informação/publicidade chega a novos


públicos?

Acesso cultural Serão as colecções/exposições de interesse para certos


públicos?
Figura 2: Critérios de acessibilidade com base em Dodd e Sandell (1998)

Ao questionar aspectos que vão para além do conceito restrito de acessibilidade ligado à
deficiência – essencialmente ligados aos acessos físicos e mobilidade – , estes autores
colocam a tónica na co-responsabilização social que dinamizadores e visitantes de
museus devem partilhar. Preocupações que incluam as do acesso cultural, acesso
intelectual, acesso económico e mesmo as de acesso à esfera das decisões, realçam a
faceta de “vivo e vivido” que se deseja para qualquer museu, numa perspectiva do novo
eco-museu a ser construído e participado por todos.
De forma implícita, sai também realçado um outro papel muito importante que todo o
museu desempenha, o de “educador”. José Luís Profírio (1977:15) reconhece a
importância da democratização dos museus e do seu valor educativo, ao preconizar que

6
o serviço de educação do Museu de Arte Antiga, pelo qual é responsável, seja “uma
pedagogia do olhar e da expressão ao serviço de toda a gente.” Por sua vez, Cabral
(1971:44) discorre sobre a mesma função educadora afirmando que “[d]e maneira geral,
toda a organização interna destinada a interessar o público pelos museus, a activar a sua
curiosidade a fornecer-lhe elementos de conhecimento ou estudo sobre as obras
expostas, poderá ser englobada na denominação de ‘serviço educativo’ dos museus.” A
expressão ‘serviço educativo’, conforme usada por Cabral, aponta muito para além da
conotação da tradicional unidade dentro de um museu que se ocupa de preparar visitas
especiais para fins tradicionalmente educativos (ex. visitas de estudo/acções para
escolas), mas sim uma perspectiva holística mais próxima da visão de edutaintment
como proposta por Mintz (1994). Museus com tal visão serão aqueles que melhor
compreendem a necessidade de criar condições especiais para cativar e fidelizar
visitantes com perfis específicos, criando-lhes condições para que façam da sua visita
uma experiência activa e memorável. A verdade, porém, é que para que qualquer museu
possa exercer em pleno a sua missão educadora precisará de ser “funcionalmente
acessível”, garantindo condições globais que possibilitem essa acção. O prazer de
“deixar-se” educar e de “querer ser educado” em contexto museológico, acaba por, a
meu ver, ser condicionado por uma outra ordem de factores de acesso, que, não sendo
em nada contrária à listagem de Dodd e Sandell, estendem as funções de serviço
educativo a todos os domínios de qualquer experiência museológica. Tais condições de
acesso, a que chamarei de “operacionais”, poderão ser sintetizadas da seguinte forma:

Domínio Tipo de acesso Área de acção


Divulgação Saber que o
divulgação / informação
e Informação museu/exposição existe
Chegar ao museu acessos viários / Transporte
acessos físicos /
Acesso Entrar no museu
arquitectónicos
e Mobilidade
Mover-se dentro do museu disposição e mobilidade
Orientar-se dentro do museu sinalética
Conforto Sentir-se bem-vindo e
conforto / segurança
e Segurança confortável

Conhecimento “Experienciar” tudo formato


e Experiência Compreender tudo conteúdo
Figura 3: Domínios de intervenção para a criação de condições operacionais de acesso em contexto
museológico

7
Partindo desta nova listagem será necessário reforçar a idea que qualquer acção que se
possa desenvolver para melhorar as condições de acesso a qualquer visitante, incluindo
àqueles mais marcados pela diferença, deverá ser vista como uma soma das várias
partes, interdependentes e mutuamente condicionantes. Tal significa que falhas em
qualquer uma das componentes referidas poderá deitar por terra todo o mérito daquelas
efectivamente conseguidas. Por outro lado, quanto maiores as fragilidades e
condicionalismos dos visitantes, mais condições será preciso reunir para que o seu
acesso seja pleno, se não mesmo possível. A importância de cada uma das componentes
é relativa à especificidade de cada visitante e a sua ordem de abordagem poderia ser
inversa àquela aqui escolhida, pois os dois pólos opostos da lista apresentada serão
sempre um ponto de partida e um ponto de chegada em todo o processo de criação de
condições de acesso a qualquer museu.
Os dois aspectos apresentados no topo e final da lista são aqueles que condicionam de
forma mais significativa toda a existência de um museu. Por um lado, é preciso que haja
conteúdos, algo de válido a preservar e mostrar, para que haja museu; por outro lado é
preciso que se saiba que tais conteúdos existem e que se encontram reunidos e
trabalhados, para que se crie a necessidade de serem conhecidos/experienciados por
visitantes.

1. Divulgação / Informação
Divulgar a existência de um museu ou a realização de uma exposição ou evento reveste-
se de primordial importância para a sua existência e dinamização. De nada serve ter um
bom programa se os potenciais visitantes não souberem da sua existência. Se tal
informação é importante para o cidadão comum, torna-se vital sempre que o museu se
prepara para melhor receber visitantes com características especiais. É frequente ouvir a
crítica, por parte de quem oferece serviços diferenciados, de que tal não levou a uma
maior procura ou mesmo que tais serviços não chegaram a ser efectivamente utilizados.
Esta situação leva a que se reflicta sobre o meio, a forma e as técnicas utilizadas para a
divulgação desse serviço.
Para que passe a “existir”, todo o museu precisa de se dar a conhecer. Frequentemente,
essa divulgação é manifestamente insuficiente e limitada a meios e formatos que não
chegam aos alvos mais exigentes e a públicos mais alargados. Por outro lado, por razões
de ordem financeira ou de gestão, não se considera prioritário trabalhar a imagem do
museu nem se disponibilizam meios para a realização de campanhas de marketing

8
adequadas. Na sociedade em que nos inserimos o museu terá de ser visto como um bem
de consumo que se quer “vender”, havendo necessidade de aplicar técnicas para a
identificação do consumidor, formas efectivas de chegar até ele, formulação adequada
da mensagem a passar e avaliação do cumprimento dos objectivos.
A divulgação/informação sobre um museu deverá ter várias abordagens às quais
chamaremos patamares de informação: a) chamar atenção sobre si próprio b) dar
informação sobre si e sobre o seu espólio/suas actividades c) fornecer informação
detalhada a quem quer/precisa de saber mais. O primeiro patamar – divulgação de um
museu/acção – passará eventualmente pelos meios convencionais de divulgação: o
cartaz de parede, a circular por circuitos pré-estabelecidos (câmaras, escolas, etc.), a
notícia ou publicidade na imprensa (escrita / rádio / televisão), entre outros. Aqui, o
objectivo é captar o interesse de potenciais visitantes, chamando-os à acção.
Frequentemente, este primeiro patamar sobrepõe-se ao segundo patamar. Tal acontece
quando, para além de exercer uma função apelativa, se procede também ao
fornecimento de informação mais detalhada de aspectos práticos (horários, preços, etc.)
e conteúdos.
Actualmente, a Internet passou a ser usada como instrumento vantajoso neste segundo
patamar informativo. Uma página Web bem construída, com informação clara e
completa, é hoje um dos meios mais eficazes de divulgação de acções e eventos
museológicos. Tem, no entanto, a limitação de só chegar a quem a procura, já por si, um
utilizador selectivo e seleccionado, sendo a Internet hoje vista como uma ferramenta de
grande utilidade em termos de públicos diferenciados. Se é verdade que, só por si, uma
página Web não servirá para atrair mais públicos, servirá para fidelizar ou cativar os
públicos já seriados. A criação de sites multilingues, obedecendo às regras de “site
acessível”7, oferecendo visitas virtuais como “aperitivo” e/ou realçando os aspectos de
maior interesse, levará a visitantes mais informados e certamente mais expectantes e
activos nas suas visitas efectivas.
O terceiro patamar aqui traçado é aquele em que se insere a informação personalizada, a
resposta pessoal a um telefonema ou contacto escrito. Um bom serviço de helpdesk
poderá fazer a diferença entre o ganhar ou perder visitantes. Aqui se inscreve
igualmente todo o material informativo que se fornece ao visitante in loco, ou a pedido.
Aqui também serão incluídos todos os materiais criados especificamente para visitantes

7
Para informações sobre as características de um site acessível a pessoas com necessidades especiais
visitar www.acesso.umic.pcm.gov.pt/wai/wai.htm#pontos.

9
com necessidades especiais: as brochuras em Braille para cegos; os materiais ampliados
ou em alto-contraste para amblíopes; os áudio-guias para cegos e amblíopes,
estrangeiros, ou visitantes mais curiosos; e os materiais adaptados para crianças e para
pessoas com dificuldades cognitivas ou mentais.
A acção de cativar pessoas com necessidades especiais poderá exigir ainda um esforço
acrescido e direccionado. Pouco habituados a frequentar estes espaços por,
tradicionalmente, lhes serem pouco convidativos, tais grupos terão ainda de ser
trabalhados e “educados” para a nova realidade. Embora o objectivo final seja sempre o
de dar autonomia ao visitante e de lhe permitir que seja um visitante integrado com os
restantes visitantes – seus amigos e familiares – quando assim desejar, uma primeira
abordagem à divulgação de serviços diferenciados poderá passar pela mobilização de
associações, promovendo visitas especiais e dando a conhecer aos seus associados –
deficientes e suas famílias – que estão disponíveis e preparados para acolher a diferença.
Uma divulgação nos circuitos nacionais e internacionais direccionados para públicos
especiais, será sempre uma aposta a não descurar, pois o turismo cultural, em franco
desenvolvimento, oferece-se já a públicos com necessidades especiais8 e vende-se de
forma muito produtiva em todo o mundo.

2. Acessos e Mobilidade
a) Acessos viários / transportes
Embora a maior densidade de museus se encontre nas principais cidades portuguesas,
muitos dos mais interessantes museus encontram-se em recantos perdidos onde o acesso
apenas é possível através de meio de transporte próprio. Aí como em todos os outros
espaços museológicos torna-se imprescindível garantir um espaço de estacionamento
próximo, com lugares marcados em baías de estacionamento acessível para veículos que
transportem pessoas deficientes ou de mobilidade condicionada.
A existência de transportes públicos surge como uma mais-valia para qualquer museu,
que deverá informar potenciais visitantes das melhores formas de chegar até si. Embora
aparentemente secundária, o fornecimento detalhado de esta informação, numa página

8
São já muitas as oportunidades de turismo acessível divulgadas a nível internacional. A título de
exemplo, será de visitar sites como: http://www.lifecooler.com/edicoes/lifecooler/acessivel.asp,
www.portalturismoaccesible.org/pt/index.htm, www.accessibleurope.com, www.tourismforall.org.uk.
Será igualmente útil conhecer o estudo “Study on: IMPROVING INFORMATION ON ACCESSIBLE
TOURISM FOR DISABLED PEOPLE” mandado realizar pela Comissão Europeia sobre o assunto:
http://ec.europa.eu/enterprise/services/tourism/policy-areas/study_accessibility.htm,

10
Web, por exemplo, ou até mesmo em cartazes ou folhetos de divulgação, simplificará a
vida dos visitantes e convidá-los-á à deslocação.
Embora os museus já instituídos tenham pouca possibilidade de influir no sistema de
transportes que o servem, não deverão deixar de tudo fazer para que se desenvolvam
condições de acesso viário fáceis, garantindo, pelo menos, condições de estacionamento
reservado para os seus visitantes. Museus em fase de instalação, por sua vez, deverão ter
em conta que a sua localização deverá contemplar, entre as principais prioridades, um
sistema de acesso viário fácil e operacional de forma a se tornar mais convidativo para
quem se desloca propositadamente para o visitar.

b) Acessos Físicos e Arquitectónicos ao Museu


Uma vez chegados às imediações do museu, para que a visita se possa efectivar, torna-
se necessário transpor as barreiras arquitectónicas que possam existir. Muitos museus
encontram-se em edifícios que não foram pensados na sua origem para os fins em causa.
Transpor degraus ou escadarias, encontrar a entrada ou abrir portas pesadas podem ser
factores dissuasores, particularmente para visitantes com mobilidade condicionada. A
colocação de rampas de declive suave nem sempre é possível, como também se pode
tornar difícil colocar um corrimão de forma a auxiliar quem tenha dificuldade em subir
escadas. A procura de alternativas facilitadoras do acesso deverá ser encarado de forma
séria pois a falta de acesso exterior é frequentemente apontado como uma importante
barreira para muitos visitantes. Da mesma feita, uma porta de fácil abertura franqueará a
entrada e sinalética clara e bem visível indicará o caminho a seguir.
Todo o acesso a qualquer museu deverá passar por um acolhimento humano e
personalizado, fornecendo ao visitante toda a informação considerada útil, orientando-
o(a) para os aspectos mais relevantes aos seus interesses e necessidades. Para o
visitante, o rosto do museu será o da pessoa que o recebe. A formação desse
colaborador deverá contemplar aspectos técnicos da área museológica em que se insere,
bem como o domínio de línguas (porque não até a língua gestual portuguesa) e técnicas
de comunicação e interacção com o público. Uma educação para a diferença surgirá
como valor acrescido quando, com sensibilidade e bom-senso, tiver de gerir situações
delicadas ou inesperadas. A simpatia e competência deste técnico fará com que o
visitante se sinta bem-vindo e que queira voltar, pois levará como referência as pessoas
com quem tenha interagido.

11
c) Disposição e Mobilidade
Toda a exposição narra uma história e dá-se a conhecer ao visitante ao longo de um
percurso pensado para realçar elementos, estabelecer relações e criar sentidos. Por
contingências do espaço ou das peças em disposição, criam-se caminhos a serem
seguidos de forma mais ou menos estruturada para que o todo se mantenha coerente e
ganhe significação.
Conduzir um visitante através de um espaço resultará de múltiplas estratégias expressas
ou subtis que lhe indicará o rumo a levar, as peças a observar e as mensagens a colher.
Para além de cuidados gerais de disposição, iluminação e organização, o museu para
todos deverá ter em conta os visitantes com dificuldades de mobilidade, garantindo-lhes
espaços de passagem amplos e sem barreiras; colocando um corrimão de apoio ao longo
do percurso; placas indicadoras claras e visíveis em materiais adequados (de alto-
contraste); e, eventualmente criando percursos tácteis ou áudio.
À falta de tais recursos, uma visita personalizada através do acompanhamento de um
guia, facilitará a experiência e trará vida e voz à tal narrativa física e espacial.

d) Sinalética e informação
Aspecto integrado e complementar ao da disposição e mobilidade, a sinalética reveste-
se de particular importância para a orientação do visitante dentro do museu. O
fornecimento de um mapa de visita à entrada, com uma composição gráfica clara e
esclarecedora, auxiliará qualquer visitante a orientar-se no espaço e a conhecer a
totalidade da exposição. Para que seja mesmo útil, este documento deverá estar em
perfeito acordo com a exposição efectiva, evitando assim factores de desorientação.
Mais não será do que uma versão plana do todo real, que por sua vez, deverá reforçar,
na sua concepção, as marcas e códigos contidos no mapa. Qualquer alteração à
exposição, não contemplada no mapa levará ao desconforto, sempre a evitar nestas
circunstâncias. Tendo em conta a existência de visitantes com necessidades especiais, o
museu deverá providenciar materiais alternativos (ex. mapas em alto-relevo,
plantas/maquetas tácteis, mapas áudio, folhetos em Braille) para que também os cegos
possam gozar de autonomia na sua visita ao museu.

3. Conforto
Partindo do princípio que todo o museu é para ser fruído, numa atitude de compromisso
entre a experiência, a formação e o lazer, teremos de pensar no conforto pessoal de cada

12
visitante. Esse conforto pessoal surge subjacente a todos os cuidados já mencionados,
merecendo, no entanto, uma reflexão à parte, particularmente no que diz respeito ao
acolhimento de visitantes com necessidades especiais. Uma concepção humanizada de
qualquer espaço museológico deverá adequá-lo à habitabilidade, sem que tal implique
uma descaracterização do espaço em si. Toda a intervenção para a inclusão deverá estar
integrada de forma harmoniosa e discreta, para que não se transforme em um outra
forma de discriminação, mesmo que positiva. Assim, desenhar um museu acessível
implicará prever momentos e espaços de paragem e retiro. Visitar um museu pode ser
muito cansativo e desgastante, mais ainda para pessoas idosas ou com deficiência. A
criação de zonas de descanso, a colocação de bancos ao longo do percurso e a
contemplação de áreas reservadas ou de convívio, garantirão maior conforto a todos
quantos precisem de uma pequena pausa. A criação de um pequeno bar, poderá servir de
apoio a todos os visitantes e será particularmente útil para aqueles que, pela força das
circunstâncias (doença, cansaço ou outra), precise de comer ou beber algo para poder
prosseguir com a sua visita.
Estar preparado para receber visitantes especiais implica também prever espaços e
condições de apoio em situações de emergência e espaços sanitários adequados. A
concepção de casas de banho efectivamente acessíveis obedece a critérios muito
específicos, sobejamente conhecidos pelos técnicos da especialidade, no entanto,
pequenos detalhes como a criação de um fraldário, a colocação de cabides no interior
das cabines sanitárias, a clara indicação de formas de accionar os dispositivos de água
ou a colocação de uma cadeira na zona de serviço, agradará a muitos visitantes, até
mesmo aos que não se incluem de forma clara nesse grupo de pessoas com necessidades
especiais.
Neste domínio, como em todos os outros, a presença humana continuará a ser o factor
mais importante. E aqui também, a formação e preparação para lidar com a diferença e
o inesperado, fará toda a diferença.
Porque conforto e segurança deverão sempre interagir de forma concertada, será
fundamental não descurar procedimentos de emergência e garantir que todos os
dispositivos de segurança – extintores, portas de emergência, equipamentos de
primeiros socorros – estão em perfeitas condições de utilização e claramente
identificados e sinalizados, também eles, para todos.

4. Experiência / Conhecimento

13
Como tem vindo a ser referido ao longo desta reflexão, a verdadeira razão de ser de
qualquer museu é recolher e dar a conhecer um espólio merecedor de atenção e
preservação. Cada museu tomará certamente as medidas mais adequadas à natureza do
seu objecto e colocará ao dispor dos visitantes o resultado de inúmeros esforços (físicos,
financeiros, logísticos e de dinamização). A qualidade do espólio associado à qualidade
dos serviços prestados serão o maior garante de sucesso e as formas encontradas para o
manter vivo, serão o passaporte para a sua continuidade no futuro. É no domínio
específico do dar a conhecer e do possibilitar a experiência que todo o museu exerce o
seu maior papel como educador.
Para além de garantir todos os patamares anteriores de acessibilidade, faz sentido
investir de forma generosa na criação de formas de “diálogo” entre a exposição e os
visitantes. A dinamização de um museu poderá ser vista em diferentes ângulos. Cada
peça, ao ser digna de integrar um museu, falará por si. Cabe ao museólogo valorizá-la
na forma como a expõe (localização / iluminação / climatização), na informação que
fornece sobre ela (sinalização / informação complementar escrita, áudio ou outra), e nas
estratégias encontradas para lhe dar vida (visitas guiadas / visitas tácteis / workshops e
oficinas / animações e dramatizações). A integração de públicos especiais nesta
dinâmica que se deseja aberta a todos, poderá passar pela criação de materiais e serviços
adaptados e/ou direccionados, ou da criação de infra-estruturas específicas. A título de
exemplo, a fim de melhor receber pessoas com surdez, será de equacionar a
possibilidade de implementação de sistemas de amplificação de som (sistemas loop), o
fornecimento de informação escrita (brochuras, materiais impressos), ou visitas com
interpretação gestual. Para melhor integrar cegos e pessoas com baixa visão, será de
inestimável valor a existência de materiais impressos em Braille ou em alto-relevo, de
áudio-guias, de maquetas tácteis, de objectos manuseáveis ou de visitas orientadas. A
disponibilização de simples lupas aumentativas ou postos informatizados com
dispositivos com soluções áudio e aumentativas poderá suscitar o interesse destes
visitantes e complementar a sua visita. A disponibilização de textos adaptados para
crianças, para pessoas com baixas competências cognitivas ou com dificuldades de
leitura, poderá levar ao enriquecimento de conhecimentos mas também incentivará o
visitante ao esforço da compreensão.
Aqui, como nos casos anteriores, será de equacionar a criação de soluções que sejam
efectivamente “para todos”. Se por um lado, textos em Braille serão especificamente
para cegos, textos adaptados poderão ser igualmente utilizados por pessoas que

14
conscientemente optam por determinado formato por melhor se adaptar às suas
necessidades do momento. Um áudio-guia servirá igualmente para um visitante normo-
visual, podendo ser ainda transformado numa mais valia ao introduzir versões em língua
estrangeira ou áudio-descrições detalhadas para os visitantes mais curiosos e
interessados.

Observações finais
O esforço aqui feito por traçar caminhos para a inclusão de públicos especiais em
espaços museológicos mais não é do que uma partilha de preocupações e o desejo de
ver incrementado o esforço já existente neste domínio. A mudança da tónica colocada
nas acessibilidades, característica dos finais do século XX para uma atitude de inclusão
não discriminatória no início do novo século surge como uma oportunidade para a
optimização de esforços, pois implica alargar públicos em vez de os restringir na sua
essência. Esta nova visão da inclusão alivia o ónus colocado sobre quem quer fazer a
diferença e permite rentabilizar os investimentos implicados pois, na base do que é
proposto por Vanderheiden (2003:19) sobre os factores básicos da usabilidade (e
acessibilidade), será possível olhar o esforço da inclusão como possível e até vantajoso.
Assim, será de concluir que no que toca à criação de museus para todos deveremos ter
em conta que:
Muito é igual – Criar soluções para deficientes será semelhante a criar soluções para os
consumidores em massa. Se a concepção for efectivamente boa para as massas, servirá
também para os públicos com necessidades especiais.
Muito é diferente – Infelizmente, a igualdade pode ser em si descriminadora. É preciso
olhar para as diferenças mesmo entre os que são aparentemente iguais.
É impossível criar soluções absolutamente acessíveis – Nada pode ser perfeito para
todos. Haverá sempre alguém que precise de algo diferente.
Acessibilidade transversal é lucrativa – É possível encontrar soluções que sejam úteis
para muitos. Esse investimento será melhor rentabilizado.
A conformidade é possível mesmo sem critérios claros – Mesmo sem directrizes claras é
possível criar soluções muito aceitáveis.
O lucro é soberano – Todo o investimento deve garantir ganhos e mesmo lucros, só
assim se justificam.

15
Não olhar ao número de deficientes – Mais importante do que saber quantos são os
deficientes, será importante ver quão mais atractivo a todos será determinado serviço e
em termos objectivos, cada deficiente trará sempre consigo um ou mais acompanhantes.
A flexibilidade e alternativa são a chave do sucesso – Dar a última palavra ao
utente/consumidor. Em última análise, será ele(a) a escolher/decidir o que quer.
Na prática, desenhar para todos significará desenhar para cada um em particular
garantindo que, na sua diferença, cada um se sinta especial e perfeitamente integrado.
Posto isto, será de concluir com uma nota de esperança para o futuro dos museus
inclusivos em Portugal. Existem indícios que apontam para uma real preocupação com a
implementação de condições e serviços diferenciados para responder às necessidades de
públicos cada vez mais exigentes e amplos. A efectivar-se, a criação de melhores
condições para todos resultará certamente numa maior rentabilização dos recursos
existentes e uma incrementação da procura museológica tanto por visitantes nacionais
como por turistas estrangeiros. Se à procura do bem de alguns resultar o bem de todos,
talvez de inverta a situação actual e se passe a ter uma realidade mais inclusiva e
abrangente.

Bibliografia

Battro, António. 1999. “André Malraux revisited. From the musée imaginaire to the virtual
museum”. X World Congress Friends of Museums. Sydney, Septembro 1999
http://www.byd.com.ar/xwcfm99.htm. [acedido a 8 de Outubro de 2006].

Cabral, Madalena. 1971. A Escola Vai ao Museu. Lisboa: APOM.

Camacho, Clara e Cláudia Figueiredo (coord). 2005. Roteiro de Museus. Instituto Português de
Museus/Rede Portuguesa de Museus.

Dodd, Jocelyn e Richard Sandell. 1988. Building Bridges. London: Museums & Galleries
Commission.

Lima de Faria, Margarida. 2000. “Projecto: Museus e Educação”. Instituto de Inovação


Educacional. In http://www.dgidc.min-edu.pt/inovbasic/proj/arte/museus/museus-educacao.pdf
[acedido a 20 de Setembro de 2006].

Mintz, Ann. 1994. “That’s Edutainment!”. Museum News 73 (6), pp32-35.


Porfírio, José Luís. 1977. Museu de Arte Antiga. Lisboa:Verbo.

Vanderheiden, Henry. 2003. Designing Flexible, Accessible Interfaces that are More Useable
by Everyone. CHI 2003 Tutorial. Madison: University of Wisconsin.

16