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Normatividade

integras, normas e leis

Em todo corpo social, em qualquer âmbito, no seio da família, no ambi- ente de uín-gfupo de amigos, nó locai de trabalho, na rehgião, na profissãcou no comportamento do ser.humano com relação ao Estado, existem regras. Sem' elas a convivência social é inimaginável. Estábéléce-se assim um a or- dem, ou, na verdade, várias classes de ordens, ne m sempre a ordem que todos aceitam o u entendem a mais conveniente, mas sempre um a ordem. Essas regras, quais sejam, condutas prescritas,-podem ou não sér seguidas. Enquanto

a regra for somente social, moral ou religiosa, sem a imposição coercitiva do ordenamento, seu descumprimento acarreta inconvenientes de ordem mtíma ou comportamental: se há u m grupo de. pessoas .de meu relacionamento e não os saúdo, com u m aperto de mão õu;putrá saudação convencionalmente

admitida,- certamente esse desajuste de conduta, isto é,é. atitude contrari a o u

não esperada pelo grupo social,-trará uma reprimènda comportamental ao renitente. Provavelmente sofrerei o desgaste õu a quebra do relacionamento social ou dé amizade. Ocorreu no caso, de,fato, o descumprimento de uma

regra de todos conhecida, daí por que, entre outras razões, trata-se de uma regra. Da mesma forma, esse esgarçamentpde relações pôde ocorrer no âm-

bito religioso, profissional

.

Há, portanto, em; sociedade,- relações e regras/mais ou menos

complexas,

mais o u menos necessárias, segundo a ordem a que pertençam.- às quais os seres humanos naturalmente aderem. São regras de conduta que atuam acen- tuadamente na existência de cada um . A nossa vida desenVolve-se em- úm

74 Introdução ao estudo do direito -

Venosa

universo de norrrSãrCõmo recorda o saudoso Norberto Bobbio (2003:24), a maior parte dessas-regras se-tomaram tão habituais-quernós-nerrifmais-nota^

~mJ5s' súa~

,;. ~

~ "

•"

- Jrr: - '

'"-? -

.

 

"Toda

nossa

vida

é repleta

de -placas indicativas,

sendo

que

umas

mandam

cas indicativas

è outras

são

proíbem

ter certo

comtituídds.

por

comportamento:

Muitas

regras

de

direito."

destas

pla-

Dessa forma, seguimos contínua e permanentemente regras em nossas

•—atívidades^aktea^^

. estranhasHY^dhtenha-se emjfflírftthoráJwc[£ atendimento das 8 às TBJioras",

com o che-

uman£enha-se em silêncio" etc. Há ainda regras mai s imperceptíveis,

—garrnxrinnáricrconvend^

ment e e m horário sodalment e aceito,* nessa mesm a .ff^Md6j_çhega r com ^

certa antecedência para u m éspétáculoteátfal; hão ingressar na plateia quando'

. já iniciada a representação.cénica eté. lkmbém y . da-mesma : for^ de

—uma-regr-a-a^er-eumprid-a^

ingerir certo medicamento ou a orientação de u m advogado ao seu dient e

para portar-se de um a ou de outra, forma ; numa próxima reunião de negócios,

ou no deslinde de um a questão de família. É evidente que a maioria da sode-

dade cumpre essas regras e sempre haverá aqueles que nã o o fazem, o que

demonstra, de plano, úm desajuste dé convivênda por parte dos refrátáfios.

~Se^âê^armos : -per-um^^me^

transplantarmos o fenómeno para a História, teremos u m quadro claro de

. normatividade igualmente

impressionante.

.-.

% História

se apresenta

. - normativos

que se sucedem,

(Bobbio; 2003:25).

então

como

se sobrepõem,

um complexo

de

se contrapõem,

'_

ordenamentos

se

integram"

Todas essas regras são da ináis vàriádã natureza, mas todas apresentam u m traço comum , porqu e são proposições que tê m e m mir a influenda r e or - denar o comportamento do indivíduo e-de gnipos-.de pessoas no tocante a certos óbjetivos. Nas regras há sempre nm a proposição de rumos, como se -"dissesse-siga pela^dirdta^e^hão •pelaesqrierd conteúdo" lógico

na regra a ser seguida. A ausênda de logicidadé dificulta ou impede.Ò segui-

ment o d a regra. Assim, po r exemplo, entendemos com o lógica a regr a uman-

ond e se disputa partid a de

tenha-se em silêncio" nas proximidade s de loca l —tênisf^mesmar-mgmrse-mosfca^

arquibancadas de u m estádio de futebol. O fato é que toda regra necessita ser

NórinãtiTÍdadé

'

75

compreendida e aceita pelo corpo social. Se há u m descompasso entre a regra imposta e a compreensão e aceitação da sociedade, a imposição está.fadada a

porqu e muitas leis hão'são seguidas, isto. é, restam

na verdade,- um a rejeição, social à lei . A regra será dessa

.não se tornar eficaz . ineficazes: Existe,

Daí

'form a incoerente, deixando dé : tràduzn : u'má."conduta normal

.

.::"';;

• Assim,' as regras

de costume

o u usos genericamente aceitos referèm-se

à

maneira como cada pessoa deve comportar-se nás várias circunstâiícias da convivência. Podemser anotadas, nesse sentido,' normas de etiqueta, higiene, decoro, cerimonial etc. Normalmente, como vimos, não haverá outra

- reprdmend-a-à transgressão-" dessas-regrás- ou u m prejuízo íntimo.

Também as regras de religião atuam nas condutas pessoais, entre aqueles que professam a mesma fé, no relacionamento, do homem com divindade supe- rior Sua transgressão pôde trazer um a reprovação mtírna do próprio indivíduo o u d o mei o religioso . - H £ n o entanto , regra s religiosas qu e coincide m Com re - ^gf^jurfdica^eTTOT

que^não-úma-desaprovação-social

cos'. Veja o que falamos a respeito do direito natural enrsu a primeira fase.

Alirescêntlm^s^

,dade ideal e encontram eco n a consciência dé cada.um e da sociedade. Sua

transgressão implica reflexão ou punição íntima e pode também acarretar a reprovação social por meio do juízo da opinião pública, por vezes mordaz e rigorosa. Hoje, mais do qué antes,- essa reprovação pod e ser potencializad a pela imprensa e pelos meios de comunicação em geral., Há, nesse-sentido, uma verdadeira pena imposta pela sociedade, proveniente da opinião pública

e não do órgão estatal. Ocorre có m frequência essa pen a ser mai s rigorosa

daquela que poderia ser aplicada pelo órgão estatal, ocorrendo verdadeira execração publica. É claro que, a partir de determinado Emite,:essa reprova- ção passa àté r efeitos júríd^ autores de eventuais danos,

'morméhté: '"cie órdení moral,"ao'pagamento dé' indenizáção. Grande porção

das regras morais também

No. entanto, quando a regra decorre de uma imposição e quando no seu

pelo Estado*' a

situação ttahsforma-se: nesse sentido podemos-dize r que a regr a estatal é uma. norma, um a regra jurídica, nu m âmbito mais específico. Nesse diapasão, estaremos, destarte, nó âmbito das fiormas jurídicas. Essa. explanação pouc o

descumprimento há um a sanção imposta pelo ordenamento,

/

tém;de rigor técnico, más; sé amold a à terminologia que coloquialmente '.útfli- ' zamos. E fato que cadá autor terá, nesse; tema de enrího filosófico, sõciológicp

è jurídico, sua posição"própria

um primeiro enfoque nestas primeiras linhas do estudo do Direito, sem maio - res aprofundamentos ou divagações.

Iinporta, contudo, para;nós, nesse momento,

76 Introdução ao estudo do direito • Venosa

,.No .mais das vezes, n a linguagem usual, podemos utilizar regra e norma

com o sinónimos, embor a o termoftqgzia.preste-se mais a u m formalismo.qu e

a palavra

dizer que não tirar q chapéu, ao ingressar n a residêhcia de .alguém é uma.

regra social, mais apropriadamente do que norma social. Embora não seja'

termp^norma encerra.urna complexidade maior e m sua —

——.7 .

um.cpnceitp : .çstritP, o.

encerra. Assim, por exempjo.-jpg ^

-' '

i

——-—:

-

N o dizer peculia r de Goffredo Telles Júnior (2002:17) , o adjetiv o

normal

significa, f^á^en^^éoÉe^i •procedimento<normal>são •-e-<&erenie;-em~conson^

o que,e'çõnfpim e modos-^

a.regra . "Estado.normal

e

mund o .da

cmtura

estabelece, po r s i só 3 -as regras

e ps modelos à serem obede- se^ra-tudo-aquila que-for Assim, exemplific a ó mestr e

-cidos,; Por Qposta~aT)~sentM contrário a concepções••'e•yCOhvmçQes^/aceitáveis;'

"'d&USJj"!-^^ dosyrpàis co m relação aos fiffios; é anor - mal, o abándono.dos filhos pelos pai&.pessem.o:do:ruma^ordenação-normativa . — é, constituída pélp: coniuntP .davalores- - -

. Geralmente, no sentido de norma, acorre-nos a ideia de sanção, não como simples reprimendá. social, mas como-punição propiciada pelo ordenamento. • Assim, por exemplo, existem normas que obrigam contribuintes, todos aque- les, ique se colocam nessa condiçã o jurídica,- à paga r imposto . Se o tribut o nã o for pago, a norma ou u m conjunto'dé .florTM^Mpò^&ãBçòes/de molde que; go.erdtivameMe ^

do devedor a fi m de que''ò-'débito "Mbútário-: sèjk pago. Nada obsta, corno sé adverte, que norma e regra sejam utilizadas 'como sinónimos, embora as ideias

que ambos os -termos expressam não 'sejam exatamèhte idênticas.

«•

Assim, as regras e as normas são instrumentos prescritivos, isto é, acon- sélham, induzem, preceituam, propõem, estabelecem, impõem o u proíbem deterrrunadò" ato, certa conduta ou comportamento^As-nom — bém, com o veremos, simplesmente definir u m instifiito •jurídico o u u m fenó - men o soda l Nesse sentido, "o ordenamento jurídico é um conjunto de prescri- ções, òtí proposições préèèntívcis^' gíie apodem- sèr entendidas .como conjunto de palavras destinadas' à prescrever'^certos comportamentos". -Na oportun a obser-

vação d é Hug o de' Brito I^acha^o (2000:7V)£Q_ g e r ]jç_ prescrever aqui está n o

mesmo' sentido que tê m n a frase "o médico prescreveu para o paciente um

reme-

*

dip muito bóm, que o curou rapidamente". Essa prescrição jurídica ou ,

agor a

sim, mais tecnicamente, perante essa norma, há um a descrição de caráter hipotético, dirigida ao futuro, oú seja, a todas as hipóteses que se amoldarem

caráter democrárF

à-descriçãonÍB"T:oTidutãTl^esse sentido, leva-se e m conta o

Normatividade

77

mdividúais d o sistema estatal, que

não permitem .que;anorma , atinja.: çon ^ salvo, ,por hipótese,

para beneficiar os envolvidos. Sè anorm a náo'-for.mpotética, mas elaborada

•visando atingir determinadas pessoas o u certas situações'do contiver efeito, retroativõ, "como ocorre e m regirriesí'políticos

tem-a dignidade e os direitos individuais,- d preceito: désvirtuá-se e passa a ser

mero simulacro' de norma, Sòb;èste mtimo prism^ se for-levado em conta que

a norma pode atingir fatos pretéritos; deixa de ser apropriada a característica da hipotetividade. A matéria é de fundamento jusfilosófico. Daí por que há autores .que não:definem .a norma' como regra de conduta,, porque existe a

possibilidade de normas: de efeito

u m a prescrição de futuro. Desse modo , "a norma de conduta estabelece uma linha ideal de comportamento: oferece-nòs um modelo que orienta a conduta humana;''por isso, necessariamente ser-the-á anterior; ó que não sucede com a norma retroativa" (Justo, 2001:137). ; • .

.^sim, ne m toda norma teria

passado^ isto è, que não garan-

co é de proteção à dignidade, e aos direitos

retroativõ.

'So b

esse'dlapasao,

qúando"^"iMã^e J e o ^

se recordar do que explanamos sobre tipicidade, n o Capítulo 1 deste trabalho. .Quando"-se~dá'um"passo alémrio radodniore:se"husca:0~cqnceitondeZeirestare- mos diante de um a especificidade .mais restrita:,a regra ou norm a pode ser traduzida por um a lei,, mas com ela ne m sempre se confunde. Lei possui u m

conceito mais específico, como manifestação do Direito Positivo. A lei em senti- do amplo é uma norma. Um a norma pode estar, em mais de um a lei, parte numa , parte noutra. A palavra lei é a forma pd a qual o ordenament o transmite

e traduz suas normas. Acrescenta Hugo de Brito Machado (2000:72)

que

;

.

-

":

"a diferença entre norma è lei fica bem clara-guando

ou

eTiijiíQnro

de teoria

norma

é um conceito

Geral

do

Direito,

Positryo".

é um conceito

de Dire^p

se constata

#•

que

a

de Lógica

Jurídica,

Etimologicamente , Zei provém , muitoprovavélmente , d e digere (eleger) ,

légere (ligar, entrelaçar) oúlegare (transmitir,-delegar, mcumbir) . Al d é, por -

tanto, u m mandamento escrito que transmite e indica ao homem determina-

da conduta ou posição (Telles Júnior, 2002:38). ' 'V

Não resta dúvida de que, coloquialmente, a palavra Zei, assim com o regra

e

norma, pode m se i utilizadas tanto mdiferenternentej ;çòm p '.com outros, signifi-

cados equívocos,

ca, a qual, como se advertiu, varia enormemente entre os cultores do

As normas, portanto, pbjetivam a concretização do direito em" suas des-.

crições hipotéticas, adotando-se assim essa linha de conduta. N a norma exis-

inas aqui p'qué sebusca é daránòçã ó d é nossa"técnica jurídi-

Dirdfo.

78 Introdução ao estudo do direito

• Venosa

te. a hipótese ou-previsãode uma conduta, e .um a estatuição ou injunção, isto é, o~ estabelecimento de u m resultado, a previsão de efeitos,jurídicos para a hipóte-

:se--previstà.--Assrm>-por-4exemplõ^

"Aquele que, poração ou omissão voluntária, negligência oU iiãpjiidêncía, violar direito "e causar dano a outrem, ainda-:que exclusivamente moral, comete ato

jlíçitQ".

Iiesse-mpdp,. ;e_sse 'disrjósij^o,

4.escre.ye.

(previsão

:

açãp~iou omissão

vo-

da norm a também^recebe.o-nome

de.hipótes e legal

o u

mos., a descrição tipicidade.-Assim,

que

se

entender que

todos

qs

conceitos

de

u m

pYden"^ jiiapdo^ger.al,jal).strat^^

 

é um.'' c ço-

responde

p noção

de lei em sèntifo

 

'

Memisempxe^pr^

iraduzindo cristalinamente: a previsão ;e .a .estatoção: Nesse, exemplo, estamos "diante'"de uma"êslrurura pãdtãormaOs"haTnPTfmas r^ tam. Por vezes a estatuição precede.a hipótese;.: pu.então .uma ou outra dessas cara&erj ^ to legal. Tudo isso- porqu e muiraramen^té-s.é ppd è examinar .'tuna norm a isola- damente, uma vez que com frequência se exige o conhecimento de outras

normas e de institutos relacionados.

A o se definir a norm a çpmp. u m comando,. traitípnàlmerite se entende

certas normas que não' ordenam

me:m_pxoíbjem_d dade~ã alguem""^Esse é o GPnt"eTMo'predpuo, por^ exemplpTJd.^ normãTprpces " suais, a reger o direito de ação e m sentido amplo. Não se deve, portanto, generalizar, salvo para u m conceito amplo , no sentido de què as norma s jurí- dicas constituem imperativos.

Como mencionado, do ponto de vista formal,,.uma norma é um a proposi- ção. Desse modo , a Constituição^ o Código Civil, o Código Penal o u o Código Tri- "butário;'são~um^ dicas pertencem, à categoria geral das-proposições-prescritivas- QBobbio, 2003:72).

- x

.

que nela imperatívidade

Çont^do,.^há

• Destarte,- quando se fala e m normatividade, leva-se e m conta que o Di -

reito pode ser objeto de estudo e reflexão sobre a regra jurídica isoladamente,

o .exame da norm a jurídica. Desse modo, é importante que no início do estudo

do Direito -seja feito ©--exame ••dess-a~teor4ar-gera]r.--~Fudo se-resume ao--prismá

às. norma s existentes rio campo d o direito

enfocado: se partirmos d o estudo d a teoria geral par a e m determinad o ordenamento , estaremos ingressando

positivo. Daí, então, quando nos reportamos ao direito de u m país, sem outra discriminação, estaremos nos referindo às regras jurídicas vigentes em deter-

minado -lugar e momento histórico.

1.1

Ordenamento

jurídico

Com muita frequência n o estudo jurídico, como ocorre neste nosso.tex- to, é feita referência ao ordenamento. Como regra geral, ordenamento'júrídi-

' co"e-termmòlógiá utilizada cbimo^smônimò1 ctè:;duêitò positivo.'• Sob essafvér-

tente,

ordenamento jurídico edireito pòMtivo, .nó sentido àqui visto, são tidos

como

possuindo "conteúdos

equivalentes.' •Nèssé.;séhrídó 'nos referimos ao

; ordenairientó'civil^_bra^ueiro, ó u séja, ^ normas d ê direito'civil d e nosso pjaís. Sob esse. diapasão, integram o ordenamento tòdás^âs-normas jurídicas legislativas, judiciais, consuelnidinárias e convencionais. Dessarte, ordenamento

é o próprio direito positivo, organizad o e m forma d e pirâmide, tend o a.-lei

constitucional e m se u ponto mais alto. Dessa- maneira temos, e m linhas -ge- rais, a Constituição .como le i maior; as emendas constitucionais; leis comple- mentares;' leis ordinárias; leis" delegadas; medidas -provisórias; decretos

legislativos; resoluções,\decretos.e provimentos; normas convencionais.em geral,,como ordens desserviço e portarias e.sentenças. Toda essa matéria -dassificatória-dev^^ ~FazendD-se unTiramirífairlrie^

. ,ção de.Kelsen,. das normas .da.base até.-se

norm a .constitucional,.-no

.ápice da pirâmide, estaríamos perante a norma fundamental, prevalente mes- m o sobre a Constituição, norm a fictícia, sem existência material, a qual-mai s apropriadamente pode ser, entendida como poder constituinte originário e

chegar-à.

que opera por meio de uma Assembleia Nacional Constituinte o u decorre, de

uma revolução. E. claro que, .em governo totalitário; o,ditador o u soberano arvora-se o detentor do poder originário. A questão deverá ser estudada n a

história e n a sociologia jurídica.

.

.'-• .

.

.

Para alguns autoresj n o entanto, essa identidade, entre ordenamento e

é insuficiente jtóKjue -no .prdenamento-jpp,<ie. haver muit o mais

direito positivo

do que norrnas: .emanadas d o Estado. - Para fMs.íg^áticos; porém, melho r ^què se entenda'como á rnaloriai, conforme)aquiréxpostPJ-.Conceito próximo;e deri- vado d o ordenament o jurídico é o d e ordem jurídica. -Esta é o efeito geral d o Direito,'que se traduz numa ordenação e organização de coexistência social.- Não se trata de uma ordem- qualquer, más precisamente daquela que deriva

da existência d p

a'

podemos afirmar -que, -por - exemplo,:

em princípio,. a retroatividade das leis 3 a,pena de -morte ,e o aborto. Ordem jurídica e conceito" qiiè guard a assim um a característica p ú especificidade •' do ordenamento jurídico, éinbora não seja espranha' a utilização d e ambas as

ordenament o jurídico.(Yaguez, -1995:177); Nesse sentido,-

orde m jurídica' brasileira nã o admite,

expressões indiferentemente .

•'•

80 Introdução ao estudo do direito * Venosa

2 Lei ou norma e extensão da sua imperatividade

~ ~~. Como : adj^mos, " :ã~p^âvf^ZS^p.de^te r várias , compreensões; - todajF&ãs7 '

equivpddade. A lei\fgnnm;a~uma regra,

,ou, mais especificamente, um a fórmula par a ordenar algo. Desse aspecto ex- rrai-se^iimà noçáp ' genérica' dèilei,-Nesse.'sêntido y 'a le i da- Cavidad e descreve igualmente um a formula. Trata-se çle.lei .física, le i da natureza. Também a le i física é fórmula .elaborada pelo' home m para'melho r compreender a natureza.

A le i não.está.na natureza, pois o home m a .formula fazendo experimentações

-è^bservarido^^ resultado, 'de um a ãbstração. Quant o màii. p cientista pesquisar, 'mãSpr sèra~ò~

. de certa-fo™

fíim^p''3e:leisvdò-

^cupyemós-da 4

munda'dô*'s/ér que. elabora. Não é nesse.sentido .

."

'.

.

.'

que

nos

.'

2or.outro

ladp^.as,leis

étLcas-dizem:respMtp-à.cpndutá:e

às ações do indi-,

yídup. e seu grupo n a sociedade. Ó term o ética iigà-se, portanto; ;r a^tivida^intm

diretamente à

n

o mund o -dá 'çrátura,' Ho "dever-sér".' Assim, olfyão-.mútàas"

caracteriza-se

. J^r_s^^úmã_lei ética, com o també m "£mcúr.'o'prçximo• como 'a ti mesmo". Nas

leis éticas existe a característica da irhperauyidàdé, sob o prisma d a

sodoío -

già,' característica qu e hão existe rias leis físicas. Essas leis éticas, quand o ' pértehoárités:'~à ú m õMériãrrièntP'," tòrriâm-sè riófrhàs o u leis jurídicas. Ne m "tpda^êi 1 ^

méritár alguém

há norm a que imponh a coercitivamentè à fazer essa saudação.

que conhecemos, transgride um a le i ética ? ou social, mas .não

N a ciência do : Direito,•' contudo , a palavra lei

significa, com o j á

acena-

mos, uma relação de imputação ou unia prescrição : de conduta. O conceito de

•imputabihdade é essencial ao Direito,-pois indica; p sujeito da relação jurídica,

_ou

àtnbm_a_elé.;p.s_f.efl

Há .ainda que se referir a u m conceito amplo e a u m conceito restrito de le i

em nossa dêrida. Podemos entender lei e m seu sentido formal, como. o ato jurídi- co .emanado de um.órgão competente do Estado. Nesse sentido, a lei do ordenamento positivo pode conter òu hão uma norma, isto é, uma prescrição

co m

' ação de u m ministro ou de u m furidonário público apenas,formalmente se apre-

as., características. ora., èshidadas,

Assiiri,

por '.exemplo, ú m decreto de.namé- ,

senta como lei, pois nesse ato não

apenas no sentido formal, na sua aparêrida externa. Quanto à forma, portanto,

a lei é uma norma-escrita de direito; promulgada pelo poder púbhco: Nestaacépcão

normativo. Esse decreto é le i

existe o conceito

ampla, compreende a lei propriamente dita, o decreto e o

regulamento

Normatividad e

"81

Em sentido material e próprio, sem -que Haja qualquer óbjeção doutrina-.

ria.ponderável,lei,poderáser entendia

diversos campos jurídicos,

daquele ato 5 que materialmente contém ós atributos ;e requisitos de um a lei. ; Ou, melho r dizendo,- o caráter de normatividade: E m sentido amplo, portan- ;

to, lei é todo ato que. se apresenta regularmente expedido por u m órgão do

Estácio

que se apresenta com o conteúdo de norma.•'

nos mais , civil, penal, processual etç. Trata-se

córátitudohal,

;-Em

sentido restrito, rèferimo-nòs alei apenasicpmò;. aquele fenómen o

. No sentido que ora nos interessa, no Estado moderno no qual convivem os

•três-Poderes7aiei'é"anorma"escrita~de -DireitoraprpvadapeloToderiegislativo e ~ sandonada pelo Poder Executivo. Os decretos e regulamentos são, como regra geral, expedidos pelo poder executivo, o que não obsta que os outros poderes também possam'expedi-los, ainda que sob outra- nomenclatura."

Desse, modo , comé.ánótáFlóscolo . d a Nóbrega, "para

ter a virtude

de

lèi/é

necessário que preencha os requisitos previstos

na lei fundamental

do Estado,

d_

Constituição" (1972:103) : Qúaritó"à" origem-e'pr<QrM

aparato de competênda,-sobr e tadó TédéfãWõ7 a"Umãõ

u m

as diversas matérias, incumbindo , n o Es=-

Já postamos que o conceito-de imperatividade, decantado como caracte- rística das leis, é algo que merece estudo mais detalhado e nãopod e ser enten-

dido de

é, tud o pod e ser. Toda afirmação peremptória .em Direito.é de risco. A regra geral descrita pela doutrina diz que O Direito é substaridalmente constituído

e m Direito, ^nada pode ser peremptório. Nad a

forma peremptória. Aliás,

por imperativos,.isto é, comandos, ordens.: Como regra geral a afirmação é cor- .

reta, segundo afirma Karl Engisch (1979:28), e m obra

é preciso alertar que, ao se examinar u m ÇóMigq, q u os^dispositivos de um a lei, .

nem todas as proposições que ali se encqnlram são. normas imperativas. Mor-; . ment e porque, e m ti m Código, com o o Código, Civil, po r exemplo, s norma s se ;

entrelaçam frequentemente, umas se.referem.às outras, ne m sempre, ou muito ; raramente, podend o ser vistas ouihterpfemdás d é forma autónoma. Só. d a com-; . binaçãó delas entre si é possível obter u m resultado eficaz para o caso concreto que se analisa. Isto porque,' como já afirmámos, o Direito não permite que se ; raciocine abstratamente. O Direito .dirige-se somente a- realidades concretas. Desse modo, tomemos, por exemplo, nesse universo tão amplo, a dicção, do art ' 723 do Código Civil, que descreve as obrigações dò corretor: . \

tradidonal N o entanto, •

'

•prudência que o negócio requer, prestando ao cliente,- espontaneamente,

"O

corretor

é

obrigado

a

executar

a

mediação;com.à\diligência

e.

todas

as

informações

sobre

o

andamento

dos

negócios;

deve T

ainda,

sob

82 Introdução ao estudo do direito • Venosa

 

"

• pena

de responder

por perdas

e danos,

prestar

'do' cliente

todos

os

èsclãfe-

 

-eimentos-- que~estiverem-

ao seu- alcmce-,-acercd~da--se^anfa--ou-risco-do

-

•:~:~~nvgóãá;úds-altera^^

 

••

—-

—dos-da-mcúthMncia;"-•

'• —

-••

-

;

—~

;••

Dessa-descrição

.leg^^múmerasv-ilações pode m seríeitaSy-mclusive có m

~o-s-e&ejrrento-srqtte-járformn

vistosTro~Gap^^

intérprete, o juiz o u o árbitro em derradeira análise, dèfrnifqúal é a diligên-

cia ^ prudência que. q negócio sob análise, demanda: 3 a

u m juízo axiológico '

^a^se.rjfei^^ r~diga~a:yTè^^ bre . a seguranç a e .os risco s do , negócio, , be m com o :~.çõ~es~dê^âl^^^

sobre " eyèntuai s 'altera-•

norma legal, portanto, h a se m dúvida .uma .série de imperativos dirigidos

demandar

em.

à

qiiê essa nPr-

~"cõhdúra' a tnarLão pode ter existêncraj^plada,-senda jfe^

_ ."'"pergunta "qué~ò". iniciant e fará ércértãmehte contrato de-corretagem; Essa défrrnçfo^o^èrra

que., consiste _ÇL^

"estar •ou"'n|LO"na'lei.' E m prin-"

cípíó, a definição nã o estará n a Tei. Trata-se de um a técnica jurídica: o legis- :

:'"

lador "somente ^défee^uando"^"

compféensã^dd^cbhTèuclo^do'

fenómeno

so-

.

cia i 'pod e

;dâ r .margem. ; a 'dúvidas/ - ' Quando

p çoiícéit ó

é perfeitament e .

conhecido, ,; a definição não estará presente ou estará apenas implícita n a lei .

^Eo4a ^

~'aYfiniil.õ~^

ordenamento como'elementos

atual

Código Civil de 2002 ; pois o anterior, de 1916, não o contemplava, a definição '

está presente no. âr t 722 :

orientadores, porém não

essenciais.

No caso da corretagem, todavia; msututo trazido à legislação pelo

.

',„'

"Pelo

contrato

de corretagem,-

uma pessoa,

não

ligada

a outra

em

virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer outra rela- ção d.e dependência, obriga-se a obter para a segunda um ou mais negó- cios, conforme as instruções recebidas."

••-•"''

-

Duas- inferências podem-ser-imediaf

disposi---

/

tivo legal. E m primeiro lugar, esta última dicção completa ó art. '723/ quando

as obrigações- do corretor. De nada adiantaria saber de suas

obrigações se não se soubesse .quem pod e ser. identificado, n o .universo negocial,

a le i descreve

2:—cpmo_c.o.rxètor. AlèLpxeferiu^Jiésse_càs.o., -definir. E m segundoJuga^mão-exisre-- propriamente u m imperativo, u m .comando .coercitivo no art. 722, pois nin -

f

••••-•-•r--'•,••?•••••••.

.Normatividade

83

guém-.está obrigado, necessariamente, a.atuar como corretor na intermediação

 

de./Tma^negódpj^jppis esta pode :

dar-se

de„yárias. fórmaSjppmp no . mandato,- n a

comissão

o u e m outro, negocio -dito ;inon^ádp,f isto e, sè m rotulação específica.

As • normas-^essendalm ente definidoras,. portantoj • não -:contêm imperatividade.

Ainda ; 'as norma s sobre o 'contrat o de' còfifêtá^ffi^presentes n o Códig o Civil/hão especificam as várias modalidades de corretagem, algumas delas

.' reguladas poríeis próprias^ como 'bs.'corretores'^ mercadorias, da

Bolsa de Valores etc. Essas outras leis' aplicam-se, sein dúvida, a essas ativida- des de corretagem, sem prejuízo, no. que couber, das normas gerais descritas

'-; no-Gódigo'-Gi^

conceitos, e a atividade singela e isolada, exigindo sempre u m radocuiio com- plexo, com várias premissas. Daí também se verifica que a afirmação geral de "a norm a conter s~èmpré umTimperativo 'deve ser vista cum granum salis. Tanto as definições como'asjpermissõe s e proibições encontráveis nas norma s >são regras nã o autônomasr Um a coisa,- porém , deve ficar dara : sempre haverá

-um-ou-mais-impera^ nado, ainda que T êxistam descrições legais nas quais, o imperativo não está -presente;,--ou porque-está-impKdtò,-ou porqúé-está presente em outra hòima." Nesse sentido, conclui Engisch (1979:29):

pode-se reduzir a

. "Esses imperativos só se tornam completos quando lhes acrescentamos os esclarecimentos que resultam'das definições íejgçtis è das delimitações do seu alcance, das permissões assim wmo de outras exceções. Os verdadeiros portadores do sentido da ordem jurídica são as proibições e as prescrições

(comando)

dirigidas

aossdestihatáríos^^

edíre-bs

quais se

cantam,

e prescrições são

elab.orádas è. construídas, d partir das proposições gramaticais no Código."

. • •*' Nu m •putrò "aspecto," também, com o lembr a o jurista alemão, estará au -

Se um a

lei, por exemplo, revogasse a proibição do aborto, de forma pura e. simples, isso significaria o; desaparecim ento de u m imperativo e essa citada le i não

teria no seu bojo imperativo algum

do aborto apenas • e m algumas" hipóteses, 1 rio caso-de

sente o imperativo. Quando , pôr exemplo, existe'úrhàlei revogadora

:

a lei; no entanto, exduísse a proibição

abort o terapêutico, po r

exemplo, p imperativo de proibição permaneceria ém alguns casos e á com-

plexidade de integração é interpretação das normas remanesceria.

• Outra classe-de normas que d^ as quais conferem direitos subjenvos. Nestas, hão há u m comando ou proibi- ção 3 mas um a faculdad e atribuíd a -a alguém . São ' exemplo s terminado s d e normas atributivas os direitos e.garàntiasconstitiidonais presentes na Consti-

tuiça o Federal.'''Assim, po r exemplo - o direit o "dé i f è vir,' reunião , â i pleitea r -danos-de natiaréz-a moral , os--direitos-dé-proteeão à personahdadei-Veja o -qúe -

-tivo-.--No direito^bjetivo , que-é norma , ha-comándo;' estão presentes os impe -

subjetivo, que. atribui .uma faculdade á ál-

guém,-estã o presente s as 'atribuições de direito . No s ctoeitqs : subjetivo s há. u m

^specTOTfo^^

permissão, por exemplo, p direito de ação. Trata-se de algo muito mais amplo e que atuajem outro, patamar.,Dè qualquer modo, os-direitos alrmutivps pre- sentes .no ordenamento buscam tornar eficientes os imperativos contidos nas -outras-normas—B

manifestáça.ó. qu e e. dé direit o da. pers qna-

4Jdader-se--a-priv-a^

rativos, como vimos. No

direito

turtiação a o direit o de. -privacidade,

privada

da pessoa

natural

é inviolável,

e p jui?,-a

do

interessado,

qdotará:as\providêncijas necessárias pard.^ du_fazerrcessar ato contrário av.

esta norma" (art. 2 1 do Código Çivil)^

(

.•

,

í

:

. Já-pò.sÍQÓnàmQ

•hipotético, tendo em vista fatfo -fiif e

sér feita a distmçao'com relação áõ ;Í7^èràt^ò^mtegorícó. Neste sehtido, p imperativo categórico disiin'guir-se-ia do hipotético porque o primeiro - seria

 

aquel e que'apresentass e pbjetivament e um a condut a necessári a po r si^

mes -

rnà,

sêm

rejaçap a .outro .fim,. Os

imperativas

^categóricos-prescreveriam

Uma

.

ação bo à em.si mesma, isto:é, bpà.em.sentido

absoluto;

que deveria .ser

cum -

-prlHa - ^^ mentir 5 '. O imperativo hipotético exorta e coloca em prática unia possível con- duta com o mei o pára qualque r fím que se pretend a alcançar. N a filosofia de Kant, os imperativos hipotéticps seriam meros conselhos ou exortações para

se alcançar dét-errhiri adofím i Essé estudo, um marc o da jusfllósofià^ evidente- mente, desvia-se de nossa linha, aqui meramente introdutória.

-

-N -a -verdádé r ps- ^

 

.

. •.:

-— _

 

"sãc> •'hipotéticos' num

sentido,

inteiramente:

dtitinto-

daquele

que^

corres-

ponde

à teiminõlogia

kantiana.

• Mes 'são - hipotéticos,

não

no sentido-

de

que temos

de.seguir, determinadas-prescrições

quando

queremos

alcançar

certos

fins,

não

nos

impondo

nada

de vinculativo

quanto

aos

mesmos

fins,

mas,

antes,

no, sentido

de serem

conexionados

a determinados

pres^

supostos,

em parte

expressamente

fixados,

em parte

tacitamente

suben-

tendidos"

(Erigisch, 1979:41) .

'

-

'"

—-—Comp-vrmosT-èssas-mbrr^ há normas imperativas, atributivas e aquelas que ás complementam, sein sè

subsumir a um a o u outra categoria, ás quais podemos denomina r de normas

enunciativas o u complementares. Voltaremos a seguir a mencioná-las em ; clas -

sificação

Sob ;esse prisma,: •portanto,:tó.çla norm a jurídica deve ser vista sob

certas hipóteses. Assim, po r exemplo, .matar' alguém e crime. O homicid a deve

ser condenado.-Poderá,-porem, 'não se : lo, porque,

agiu .em legítima

defesa,

.porque, não houve intenção de matar, hão sendo esse. ato punido' com o crime . culposo etc. Nesse sentido.é què,'pr.ed o impe-

rativo hipotético'; E m torno desse diapasão 'deve ser vista a hipótese legal'o u tipificação, categoria fundamental para qualquer radocíoio jurídico.

Quando-se -deseja- : qu^lifiear~um-fenômeno- o u uma-çonduta, é necessá- rio verificar se ela se subsume, se tipifica, isto é, se'amolda, a um a hipótese legal', No direito penalessa subsunção deve ser estrita,, dentro dó prindpi o pélò'qtial não hácrime sem lei anterior que o estabeleça. Também nò direito tributário existe essa éSsendal subsunção estrita a norma:-não há obrigação tributária se não houver hipótese de incidência ou fato -geridor 'Ou, em bu -

i -tras_palavr.as^smgelas.p.ara_uma_primeira_^ -do^-pagar-tributo-se-^

• criminalmente condenado

se. nã o tive r praticado_ um a conduta descrita n a lei .

conduta

e a descrição, da lei. Sob esse aspecto, o comando abstraio da lo. se concretiza. Em outros ramos do.Diréíto, mormente.no Direito privado, as hipóteses legais permitem certa ábrangênda, extensão ou flexibilidade. Veja ò exemplo que aqui dtamos sobre o negócio de corretagem. Destarte, atente-s que:

Deye haver, um a relação de causalidade entre o fenómeno de iato o u

"Diferentemente

do que sucede

comas

leis naturais

en-que

uma-

. relaçãoynecess^a^enlTe

.causa]e:'efeito,

.estamos ]%omuncp

da

cultura

.

• dominado

pela

contingência:

nem

sempre

e possível

aplicar ps efeitos

ju-

rídicos

quando

ós fatos

previstos

na.''nqrmá 'M^yfHfi^qm.-Hí,

aqui,

uma

valoração

jurídica,

uma. criação' do espirito

hum

trata-se

dum nexo

deim

V

'

A imputabihdade consiste, como exposto, .numa atribuição 01 indicação '

uma. relação jurídica.

de alguém dentro de

3 Características danorma

. Mendonemos agora, de forma mais ordenada,' as características da nor -

ma comumente ' elencadas péla' doutrina , a maioria, contudo , das' quais j á

referida. Tratando-se de matéria dè elevada indagação doutrinária e filosófi- ca, é evidente que há diferentes caminhos nos estudos sobre o tema.

8S

Introdução ao estudo dó direito

• Venosa

3. 1

Imperatividade

Vimos' que' essa característica não está prèsentéyem todas^as normas. Cori-

• tudo, sem dúvidaf ã norma jurídica "tipícaTêrá^un comaridõ"legal, 'portanto,

imperativo.

Essas'normas são um a proposição que não se .apresenta como ver-

_dadeirajDti^alsa,^^

apenas;-que certa conduta'fic a sujeita à sanção.

'

sistema, de-

vem ser vistas com o complementares ' aos imperativos legais, formand o u m conjunto, o u seia^-o ordenamento . D a mesm a forma deve m ser entendidas" as —cfoainaáas-no/^

: que. somente, atuam:nõi silêncio õu omissão das; partes. JD campo mais' fértil

=pá"r3Z£s^camTaszsr^^

As disposições

de caráter não .imperativo, encontráveis no

• u m comando, mas u m complemento ;dos imperativos legais. Observa, quanto "

:

ã esse aspectõ, : T Pãulò~^

:83):~ ' r

:''~r~;::;;-~- ~

-—

• •'> -' -• ííNão^agem_à-xegra-~da : rmperatM , 3aáe7&''WormQ5' dispositivas ou[

"""

• ''sugTétivlis^^

u vontade

legislador,' ná dependência de uma'condição:'a vontade das partes. Po-

"'" ['dém eids,'nõ 'caso'dessas nórnias, 'estabelecer 'regradiversa daquela pre-

. vista,

• da lei se transfere

como. ocorre

nó direito

dos contratos.

para

a regra

formulada

Nesse mesmo plãnó

dé~ãus1ma^de~^

Nesse caso,-a

pelas

partes."

imperatividade

És mencionadas normas permissivas, isto é, aquelas que atribue m um a facul -

dade é que se relacionam co m os direitos súbjetivos. Assim, quando o

' ordenamento assegura u m direito de ação pára qualquer direito violado, não está impondo , mas facultando .

que

Desse modo, no mesmo diapasão, aduz Ronaldo PolettL (1996:183)

imperatLvidadéTas ve^es, não promanãdiTetamente

da

3.2

sua essência

(no

Hvpotecida.de

caso de normas

técnicas

damorma;~embora:-derive

-

Veja o que j á expusemos sobre~êssã~ cãrac^físu^'.~Párã"Kélsén, á"regra "dê

direito é u m juízo hipotético do qual decorrem certas consequências. A nor- ma define a conduta que evita a sanção. O roubo é proibido. Quem rouba será punido. Destarte, basta não roubar para não ser atingido pela norína.

"Segundo

essa

concepçãõ~rottanre^

hipótese, de u m fato ou conduta, com o consequente enunciado do que ocor-

,

:

.

:

••

.

Normatividade

'87

rerá e m caso de transgressão. De plano, vimos que ne m todas as regras jurídi- -eas< possuem^essa-cara ^ lógica, somente 3esra .presente, emparte-.das normas.; Há normas, conforjnè

descrito, .qífe -ri.ãq .p.ossuem : ;uma s desm

como.

.aquelas qu e atrk. ,

.buem direitos, .subjetivos, as,.que.idefinem institutos, as que sao merament e

supletivas, entre outras.

.

Daí decorre a afirmação,.de^^Mguel.Reale.(1981:95): • :

.;

qualquer

espécie, é o fato de ser uma estrutura propoddonabemmciattva de uma

,: forma de organização ou de conduta," que deve ser 'seguida de maneira

"O

que

efetivamente

caracteriza

•uma .norma

jurídica,

de

•objetiva

e

obrigatória."

Porém, mesmo sob essa concepção, é difíciladmitir'certas modalidades dé normas que são apenas enunciativas, complementares ou outorgantes de _direitos_sú^^

reta se apenas sé.referisse ao enunciado'da norma, supiimindo-se a referên- cia à obrigatoriedade, pois, como" vimos, há normas não' obrigatórias o u que se toma m obrigatórias apenaspor vontade dos interessados.

Desse modo, verífica-se como é complexo unificar u m conceito de norma

e suas diversas : características. À primeira vista, a cohceituação de juízo hipòté- ticp contradiz á imperatividade dà norma, contudo, parece' perfeitamente pos-

sível compatibilizá-los, segundo

o aspecto e m que ora se investiga a

norma.

3.3

Generalidade

e

abstração

i A;norma

é geral e abstrafa/no

pois

não deye

regular :.uifi caso e m particráar^mas;tó^ se subsumei h

à sua descrição. E abstrãtá pgfqúé : : prescreve um a 'eoácluta; geral porque, se

destina a u m número indeterminado de pessoas, número mais ou menos amplo'. A generalidade permite que a norm a alcance atos, ações,-condutas de u m númer o mdeterminad o de pessoas. Resultá da aplicação dó processo lógi- co dè abstração pelo qual são abstraídas 'às- cirmnstâncias, os .detalhes, as par- . ticularidades de ações e atos',-isto é;eomo eles-ocorrem na yidareal, para regu- lár-lhes naquiló'.que lhes for essencial" (Gusmãp,''2003:81)-'Nesse sentido, ;a norma permite defimr, com abstração e generalidade; o que, se entende po r contrato de compra e venda ou locação e por crime de furto, ou roubo. Se examinarmos o curso da história do direito, porém, veremos que somente com as sociedades mais evoluídas, se tornou possível elaborar normas abstra-

88 Introdução ao estudo do direito • Venosa

tas e gerais. As sociedades mais antigas elaboravam normas descritivas e par-

_fíõ3lãrês7^~srm'"senzolorandõ"

pot^exemplo^o-eadi^-dé-Ham^abi-.

-

- ~

' Ná generalidade dás 'normás~e'stá à' gararitià db^trátamênto "igualitário e imparcial. Daí por-que- á le i que sé déstrna"à u m só indivíduo' ó ú a u m número restrito de pessoas' só forma Irriente pod e séf': qualificada'como' lei .

Hár-pofénaT-qT^

duvidando se os termos'geríéfalidadee-abstração dèvemser tidos como sinóni-

mos ou, ainda, se necessariamente devem ser vistos e m m a qúe^essa classificação,• presente •sistémãticàniêntê'

conjunto. Bobbio afrr-. riã doutrin a trádicio-

^nal,.-éipotJUri^lado imprem

. fènnos, .geral•• e. abstraio,-.são smônimqs òu^sg^ppssu^\#grl^fí•cados• diferentes. -Su,ster4ta_que_de^-s:er^dmiu'da a categoria de normas concretas e mdividuais. Trataremos dessa hipótese av seguir. O mestre turinês conclu i qu e a generahcIãT^

julgamos

-de • e ~absíração-dá~normà^^

. "isto.

é,

que por, trás dessateoria haja urfíjuízo de valor dò. tipo: JE bom (édesejável) que as •monnas:jurtdm rsê^T^o"çb ^

fiquemos,

porém,.por. ora, .ç

De-qualquer-formay:como resultado.d : á'geriéralidadé;- nã o h á necessidade

se. referir.,a i .casps particulares e concretos. As

particularizações reduzem õ. espectro dé atuação da lei: quanto mais o legis-

de o legislador

continuamente

lador .descer a s^ n a desçnçãp leg^ , menor , será evidente-

(2001:123):'

~ V

'

^ "

'

'

'"'"'^

'

"

"''"'"' .

 

"Por força

da generalidade-

d 'norma jurídica,

ao

ser

formulada,

deve

do seu atributo ter em conta

o que na vida

sucede

com

mais

frequência,

-

abstraindo-

dás particularidades

• que concorram

múltiplas,

hipóteses.

Isto

.^ofereceji.gr

áJldee

dupla

vantagem

do prévio • conhecimento

das

soluções

jurídicas' é da igaalddde

rio'tratamentodaspessoas."''*

"afiança

dar-se-á por escrito^ e não admite interpretação -extensiva^-'sigrúrica. que tod o e

qualquer contrato

pode ser elaborado efe^

te não pode estender o alcance d e sua interpretação. Não se pode, por exemplo,

majorar uiruateralmente p valor da .garantia que fo i especificada no

intérpre-

Quando,.por. exemplo, o Código Civil estampa, n p art . 819 , que

de

fiança,

seja particular,, bancária, civil-o u mercantil ,

contrato.

Por. vezes a generalidade

poderá acarretar um a situação 4 injusta o u iní-

"qua no caso concreto. Tfãta-se do ónus da generalidade. XMbêTarciO~jxáz;-sem=~

pre que possível, adaptar a norma à solução mais adequada, dentr o dos

limi-

.Normatividade

89

;

tes do sistema, se m que se desprenda d a aplicação do ordenamento. Voltare-

mos, ao tema- quando tratarmos d a interpretação e d a integração das normas. ;

.Pode~ocorrer;q^

apenas

abranger /um. caso' concreto,, o u alguns: poucos

o u .prejudicando .uma' única o u •algumas

aparente^ escondend o

òu : camufland o

d a lei seja

a. intenção . d o legislado r de ' *

casos, concretos,-, .beneficiando

Nessa

hipótese,

estaremos

.perante -uma .lei.apenas formal e não,.diante d e

uma

verdadeira, norma :

- "Uma lei não pode nunca ser individual e concreta, pois doutro modo

" ' • violar-se-ia-o-princípio-da-igualdadeperante a lei,~e-Cómcle o princípio

da. igualdade dos encargos e vantagens, respectivamente impostos ou re-

conhecidos aos- cidadãos. Só serão admissíveis diferenciações fundadas

em elementos objçtivos, (a diversidade das circunstâncias, a'natureza das

coisas'), ésão justamente esses elementos objeuvos que permitirão confe- ^

rir à categoria, de situações visada pela norma o seu recorte e caráter

g-enerico^(Machador^0Ò2:-9-33-— ! --^— -— -

—- -

Como

corolário

d a generalidade, pode

ser também .mencionada a.

o u heteronomia d a norma . Esta prevalece independentemen -

te dé os destinatários' desejarem cumpri-la. A norma é, portanto, indiferente à

vontad e individual .

heterogeneidade

r. .

3.3.1

A sentença

como

norma

individual

7 O poder envolve várias formas de manifestação normativa. A decisão \

judicial, emanad a d e u m juiz,' como ' manifestação" dé^um pode i estatal, tam -

bém deve ser considerada dentro dá normatividade em geral.A decisão judicial

irá aplicar á ô caso concreto'o comando ábstf àtô contido h á lei.- Ào fazer isso, -

a sentença converte-se numa norma, também emanada do Estado, devendo

ser respeitada por todos. O juiz busca, e m cada

da norma o u dó conjunto de normas, dentro do ordenamento. O juiz é, po r

fim, o intérprete, b hermeneuta. Como

Akel (1995:131), e m monografia sobre o tema, . • •• • •• -

caso, o sentido mais apropriado

conclui o magistrado Hamilton Elliot

 

"a

decisão, judicial

não e d conclusão necessária -de um ^silogismo, mas

.

_

:.

.sempre

uma. '.decisão'.que, como .tal,.pressupõe

a possibilidade

de optar

 

por

uma ou outras

soluções.

Ó processo

judicial

é o reina

discutível,

 

do dual,

do duelo áialético que abre. caminho

para

uma escolha

entre as

várias

soluções

possíveis,

porque

a sentença não encerra nunca a justiça

absoluta,

mas um ponto

de vista

sobre

a justiça".

:

~K concretizarã o 'd a norm a pod e ocorre r dé ' vánõslmódòs, - mdusiv e es - --pontanèamente,-"Com~'0-c -espontâneo-por^afte da-socie- ~dã^ê7 r Qu^dõi^ ^

-"a~sentença"opera^a concretização-damorma"~abstrata"pará''anqrrestão" sob exa- • me. Na verdade, a sentença é o- exemplo mais patente, embora não o único,

' dá operosidade dá norm a e dã"WájíspOsiçiQ db cománaô"'àbslí'àtõ para o''"caso concreto. O juiz deve co'mportar-se, dessa forma, como ò"interlocutor e o eco dos.anseios da sociedade. Sentença desvinculada da axiologia social padece

dos mesmos, obstáculos da lei.em-gêraÍ':que.'não —E^ar-á^esser-as-peer^

atehde

á nossas necessidades.

7'"'essq-'atiWdRd^è^crmliqrá),.:que se reVèla

em^tòdosios'Momentos

de criação

da

•norma

individuai,^ed^è/más

não

mcpná^ònád<i- 5 0'-séntMentò

mdividual

de

-^usúça^xrjuigaúor^ã

 

como:pedra-dé

toque-na

iniâjpretacãój

'• integração

e càftéçãò^dp

fàeitó"

(Akel,

1995:132)'. '"'.'••,•"•.'•

r-:-'C^:~^-.:}Z-J^---V

~C

7

'

'.'

3.4 Bilaterqilãaãe:.

r.:;

,

-7-,-; .

~~A. Jiorma jurídica,, ao descreyery-estabèleçer-e-impor-con^ caracteri-

u m

aos deveres de outrem. Também confere o direito a alguém de exigir que ou -

atributiva, a norma deve ser

tro se comporte desta ou daquela forma.

za-se pel a bilateralidade . Ist o é, enlaçam-s e e entrelaçám-se ps. direito s d e

Sendo

:-vist-a-Gomo--est-abêleeendo

uma-reerproeiÊtaete-de

direitos.---

-~—~

— -

Essa bilateralidade é a base da relação jurídica. Não há direito de alguém que não. se .oponha à obrigação ou dever de outrem. À norma jurídica possui, em princípip, dois destinatárips: p sujeito de u m dever, por u m lado, o titular do correlativo direito, por outro lado (Telles,. 2001:121).

3.5 CoercibUidade

e sanção

.'''•'»•

O direito' é instrumento dé adequação social. Deve ser impositivo' e efeti- vo, sob pena de estabelecer-se o caos em sociedade. Por isso, é immaginável que não exista um a pressão sobre os mdivíduos para que se comportem sob

-deternnría v da"m

condutas!

Essa pressão, a princípio psicológica e nu m segundo' estágio efetiva, pelos mstrumentos do Estado, traduz-se pela coerção. Desse modo, ao contrário das outras modalidades de normas, como ás religiosas,' morais, éticas, a nor-

-ma-4ur4di-Ga-é^dotada--^

chamada a operar, é imposta pelo Estado.

.

'

:

'.

.

L _

-

. •• ••

•:. ••

•;

:

"

Normatividade

"A pTimeira das missões

""':' " 'yançarAlèiconstituçm^

. dá para

.200f:119) .

regular

os imperativos

;

atribuídas

d lei foi garantir

relaiçõeshumanas;aponto

a paz

.

.

e a segu- departi- Q.fma,"

de convivência

;

:

ordenada

e pacífica"

,:.

v.•/'•':•

•. V A coação é meiomstrumen ^ pertencen-

te-à-vnõrma,.pòis/nãó é sentida permaneintemente- (yasconcellõs, 2001:15). E

meio pelo qual se perfaz a norm a na hipótese de transgressão

O ideal seria

que a coação nunca fosse chamada a atuar, que as normas sempre fossem cumpridas-.-Tanto assim-é -que-Ara-aldo-Vasconcellos (2001:1906) - questiona-se .a incidência da coação n a vida quotidiana .tende a aumentar ou a diminuir. E conclui que grande parte.dos estudiosos responde afirmativamente, no senti- do de que cada vez mais haverá de imperar a soMarièdade humana, aumen-

o cumprimento espontâneo da norma. Para isso, ho entanto, há neces-

sidade de que se criem^oiidições sociais.e espirituais. A sohdariedade requer _uma_baseJòrte;^r.eque^^

-essé-autór:

0 -nível de-fransgressão-das-^ desenvolvi- ment o social de u m povo : "Quanto ^mais educado for um povo, quanto mais civilizado e quanto mais justo for. o direito, menos uso da coação .física terá de fazer a autoridade publicar (Gusmão, 2003:84) . Dá mesm a forma, quand o a autoridade estatal for désestruturada e não puder impor-se: pela autoridade moral ou não souber aplicar corretamente os meios de coerção, maior será o desajuste da sociedade. Na verdade, o Direito, ou melhor ainda, o ordenamento, deve.operar simplesmente.pelas;normas,.sem que se,recorra à coerção ou coaçã o física, isto é,. mediant e a denominad a adesão espontânea d a socieda-

tando

:

:

:

.Quanto mais se recorre à coerção, mais problemáticos esta-

rão, a sociedade e o. Estado que a regulam. Não se concebe .estratúra estatal

recorrer a, meios coercitivos. Quanto mais

amplo o efeito, dissuasório o u à adesão espontânea, sob o prisma psicológi- co', melho r será a estrutura da'sociedade ! Lèvà-sé ém'còhta; ; como afirmá-

mos, a coerência das norma s e de 'todo ó ordenamento

óu direito positivo incoerente determina á permanente.intranquilidade e

que permanentemente tenha que

de às normas.

TJm ordenament o

91

insegurança, social-.

 

'

-

-:

. "Não

há Direito

sem

d. consciência

permanente

do

valor'- que

ele

representa para á afirmação 'social da dignidade'do'homém\Enem, muito •menos, sem o 'sehumèntò'de que,' aquilo' que chamamos Direito, é algo de

ínsito' ao ser do hornem, pela razão única ésufiacnte de sua humana supe- •rioridade. Fora desta situação, todo Direito tenderá d aparecer como dádi-

va, para

os bons, ou castigo, parads

maus"

(Vasèóncellos, 2001:113) .

92 Introdução ao estudo do direito

* Venosa

Não. se confunde a coercibilidade co m a imperatividade. Gomo vimos, a

"impieratividade".é xonceituaf-e • p otendáhe,- com o -regraj-está dentro-do- contetH-

::àoz^iloimE:-k.coevBBíMBMZéT^eiiLa. ãixyj&Bj embor a rélacwfiMa a aLã""-

e'ganba;contornos materiais na/hipótese "deiróláçao:.^'.coerc^itídaxie--é

corolário da imperatividade. Goffredo da Silva' Telles (2002:43)', contornando

u m

•' essa -'disW^õ/cõM

engénfiosidádè^

á norma jurídica consiste

e m um ' imperativo

autorizante.

Esclarece què^uiòfizante

possui' sentido estri-

   

'

to e peculiar:

r~^---^rÍDfmaj

 

•"

••

'-.'*•/ '

;

v

:

"

•''"'" por'violação

deláá

empregai;

pelos

Mèids-t^^éfí^à^dí - sanções

da

ley

"Wfúrã' q violador (viõlddõr~êfetitiõ òú'pfoVaVeÍy/pafdJ

a violação,

ou para

obter, do violador,

reparação pelo' rriuirqjjê

'cansou; 'oú.pára forçar'o

vjolqdor

á rj$ot.às.&isq£

nó estado, em

queesta-

 

'yàmxin^

submeter

o

 

••

violadorasJpenas

ddlei-e^às^me

"'

' Sob esse aspecfo,

o• méstféj"dè > : fõfmã"pngm^i" unifrcã" ós conceitos

ò insigne professor da USP

""conclui que se úfrrficámoscbncèiíòsj portaria,de

u m regulamento, dé uma resolução ou déu m contrato, bem .como de um a

decisão arlrninistfativa-'òu judièíal.-TodTòs po'dem : sér vistos-sob-'o prisma dé

^normás-^au-tór^^

autorizantes porque estas, quando violiâãs, nao autorizam: "qualquer èxigên-

d a para o seu cumprimento. Assim se colocam os : mandamentos puramente

imperatividade e coerção.'Completando

á'ideia,

religiosos, as regras exclusivamente morais' e sòdais", de educação, da moda,

do foldore. São também normas imperativas, mas não são 'autorizantes, não

possuindo o requisito básico da coercibilidade para serem consideradas nor-

mas jurídicas (Teties, 2002:46)." "' : " : " ' r " • ; " ' •'

Orlando de Almeida Secco. (2001;51). observa que se cumprem as normas

basicamente pòftfès.mótivos,:. (a)porquesé templena •cónsdêndádo dever (corno,

por exemplo, alistar-se.como .deitor).,\.(p) porque se é compelido.a satisfazer a

a

fim de receber, o be m adquirido) ; (c) porque, ocorre m as sanções pd a transgres-

são (pagar o. aluguelpara não sofrer despejo; não roubar para não ser .preso->. - E m

obrigação a fim de garantir interesse próprio (pagar um a dívida, po r exemplo,

quaisquer situações, estará presente de forma latente a coerção.

sanção com o .duas

faces da mesma moeda.' A sanção é .o instrumento constrangedor que atua de

Nesses termos , é possível identificar

a.

.coerção e

a

;^&d-o-7diret.o-

patrimonial. E-por meio.da sanção, a face externa e.material da : coerção,

que

a

qbrigatorieda ^

doutrinadores concordam com-.essas afirmações,

le i torna-s e

consequentemente

obrigatória,

pois

não

seria efetiya a

alguns distinguindo e

çplo-

.

entende-que

 

.

cando lado^a lado a sanção e a coerção. Santos Justo (2001:143) '

. a coercibilidade

"• '

;

• •

~ -iWS-

 

'

!%ãb confere

d

júriditâ

necessária

nos sanções

que

ó

normas

que

regulam

os -poderes, dos

órgãos

supremos

do

Estado;'não

 

funciona-em

algum-Direitos-por-carênúa-^

capaz-

dc-jmpor

 

.as suas normas;- e não existe, nas normas desprovidas

de sanção.:. A

sua

.

junção, que não deixa de ser importante, cumpre-se hacontribuição

para

dotar,

as normas

jurídicas

de. eficácia".

.

Se, contudo, adotármos

a teoria do imperativo autqrizante,

poderemos .

mais facilment e contornar ras -dificuldades^^

-

, Curioso lembrar que o term o sanção possui dois significados. O primeir o

7 . éeste que'ora-tiatamos,e-o segundo-diz-respeito 1 áu ^

legislativo. Neste último sentido, afirmamos:- ó Presidente sancionou.a lei. Àqui,

nesta hipótese, o sentido é de aprovação. 'Çomó'"c^áctOTÍstic:a' da dênçiá.^do

Direito, como vimos, d

sentido de sanção é dé reprovação.

' Não sé identifica o conceito de coação, è-coerção, embora, por vezes, sejam

- usados mdiíerèhtémente. Çodpá^ é m dois sen-

tidos; No primeiro-'sentido, tido com o material,^ a"cbaçáp. é entendida'c ^

lenda física e mental! Nesse sentido sêentende p vido- de vontade, "queíppdé

tornar "nulo ou abular ó negodo íjúfidicó (ãits; 15Í' a 155 db.;Gódigo Civil): '§é a

coação • física'e exercida de ta l maneir a que nã o perrnita escolha ao'agente ,

d a vis absolutqfáa.

força-absoluta.' Se o agente sob "cpáção^ha sua !mÊa&e&^ò;âe • vohtadê aindâ

• tém escolha de dois cami^ós^pratic^p ú

negócio^ ò : ato é anuláveL Esse

tiésapàfécè-a

vonrade V

P

tema é pór nós desenvolvido'em nosso primeiro volume; da obra Direito Civil.

: Sob diverso' ponto dé vista, a coação deve ser entendida, como força orga-

nizada par a fins dé estruturar' e fazer' cumpri r o Direito. N o dizer" dé Migue l

Reale (1981:72) , "a astúcia do Direito consiste em valer-se do veneno dq força

para

impedir

que

ela tnunfe

"

Sob

esse prisma de pressão psicológica é qu e •

pod e ser entendida-a-coação sob ò' r mesmo 'âspèctô coerção ; sem^e^èxist à

smonímia. Lembra Maria Helena Diniz (1979:107) que

"a coerção

morais

não

pode'também

é priyativa

da norma jurídica

pelo

O cumprimento

ser motivado

medo das comequências

de

normas

quedecor-

.

tem

dê sua violação'. Oscasulos

eYèc

—^~da-opim^0-públieaja--exd^

os

veredictos

Essa pressão social, portanto, da-nos claramente' a ideia psicológica da

coerção, não se identificando com os elementos materiais da coação, Há;dou-

os termos e outras"què~razem

---trmasj^cpntudp—

.'. distinçõe s mais- ^

'

.:

^^pór-;M^tó- ^

~^"çab7~çria-se um^situaçãõ^dêsTavorávèi para - o transgressor. A sanção só ppdè- ,

v:i

,Q:sentido.

dá;sanÇãp é.néú ^

•••ser aplicada de acordo çõmálei : O juiz;-nàop>.odê',a^^

sanção';ejue

—não-e^teja-pre^ta-n^

cursp-r-

' da história. Nas sociedades primitivas , a sanção'nã o guardav a

a-SS.praticada. A medida que sé abandona a pena

própo m

'•-.

privada e o J u s púniendi_pM^MJwãÊ$Mâ^^èÚO:}IgslÊJse

sáhcõ.eslEm.matéria-de.-sahç^

bele.c.er.'às:

brgamzapara.,estar,,.-,

•' ;prmeir a fo

a q 'direito prjvatfó./Dess é modo , .-d -direitoprivado ' •nèrdò;ii'õ' -pMdpi o d a repa - . ração dos darips, inculpando" o seu autorrotr alguém^pPr ele;""'géfãndóõ' : dever dé mdenizar. E m determinado estágio da história dó- direito privado, buscan-

d o o .ordenamento , mdeniza r

o maio r númerppossível.d e prejirízos/estabèle -

eèú-se que ign ^ —bem-réspondér

situações da diamaçíá_responsabilidade peíp-fatp p^e.terceirpvÉpor.essa

que, po r .exemplo, ps pais pode m responder pelos., danos praticados .pelos fi- •

menores e os empregadores, pêlos danos praticados .pêlos empregados

Quando a norma é completa, a sanção vem especificada em sua descri-

ção, com o normalment e ocorre nas normas de direito penal, piai ser també m

razão

" lhos

—eoBnedda-çomq-^er^

perímetro .çlã~

norma. E m outras hipóteses a sanção não esta presente na-norma especifica-

éxèíh-

mente, mas se liga ao conjunto de todo o ordenamento, quando, por

••'

-plõ, diz-'que'todo ato ilícito gera ò dever deindemzar,.