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APOSTILA 1

A PESQUISA CIENTÍFICA

Milton Rosa CEAD/UFOP milton@cead.ufop.br

Introdução

A pesquisa científica é a realização de um estudo planejado, no qual o método de

abordagem do problema caracteriza o aspecto científico da investigação. A finalidade do projeto

é descobrir respostas para questões ou problemáticas de pesquisa mediante a aplicação do

método científico.

Nesse sentido, a pesquisa sempre parte de um problema, de uma interrogação ou uma

situação para a qual o repertório de conhecimento disponível não gera uma resposta adequada

para a problemática a ser estudada. Para solucionar esse problema, são levantadas hipóteses que

podem ser confirmadas ou refutadas pela pesquisa. Portanto, toda pesquisa baseia-se em uma

teoria que serve como ponto de partida para a investigação a ser realizada.

No entanto, é necessário enfatizar que essa é uma avenida de mão dupla, pois a pesquisa

pode, algumas vezes, gerar insumos para o surgimento de novas teorias que, para serem válidas,

devem apoiar-se em fatos observados e provados. Além disso, até mesmo a investigação surgida

da necessidade de resolver problemas práticos pode levar à descoberta de princípios básicos

relacionados às essas investigações.

Contudo, para que as pesquisas sejam conduzidas adequadamente, existe a necessidade

de identificarmos os vários tipos de conhecimento, como por exemplo, o empírico e o científico.

Tipos de Conhecimentos

Conhecer é incorporar um conceito novo, ou original, sobre um fato ou fenômeno

qualquer. O conhecimento não nasce do vazio e sim das experiências que acumulamos em nossa

vida cotidiana, através de experiências, dos relacionamentos interpessoais, das leituras de livros e

artigos diversos.

Os seres humanos são os únicos capazes de criar e transformar o conhecimento; são os

únicos capazes de aplicar o que aprendem, por diversos meios, em uma situação de mudança do

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conhecimento; são os únicos capazes de criar um sistema de símbolos, como a linguagem para registrar as próprias experiências e passá-las para outros seres humanos. Assim, ao criarmos um sistema de símbolos, através da evolução da espécie humana, permitimo-nos também ao pensar e, por consequência, a ordenação e a previsão dos fenômenos que nos cerca. Dessa maneira, é importante termos consciênica de que existem diferentes tipos de conhecimentos:

a) Conhecimento Empírico

É o conhecimento obtido ao acaso, após inúmeras tentativas, ou seja, o conhecimento

adquirido através de ações não planejadas, muitas vezes por observações. Esse conhecimento é transmitido de geração em geração por meio da educação informal e baseado na imitação e na experiência pessoal. Por exemplo, A chave está emperrando na fechadura e, de tanto experimentarmos abrir a porta, acabamos por descobrir (conhecer) uma maneira de girar a chave sem emperrar.

b) Conhecimento Filosófico

É fruto do raciocínio e da reflexão humana. É o conhecimento especulativo sobre

fenômenos, gerando conceitos subjetivos, que busca dar sentido aos fenômenos gerais do universo, ultrapassando os limites formais da ciência. Por exemplo, "o homem é a ponte entre o

animal e o além-homem" (Friedrich Nietzsche, 1844-1900).

c) Conhecimento Teológico

É o conhecimento revelado pela fé divina ou crença religiosa. Não pode, por sua origem,

ser confirmado ou negado, pois depende da formação moral e das crenças de cada indivíduo. Esse tipo de conhecimento apoia-se em doutrinas que contêm proposições sagradas, valorativas, por terem sido reveladas pelo sobrenatural, inspiracional e, por esse motivo, tais verdades são consideradas infalíveis, indiscutíveis e exatas. É um conhecimento sistemático do mundo (origem, significado, finalidade e destino) como obra de um criador divino. Está sempre implícita uma atitude de fé perante um conhecimento revelado. O conhecimento teológico parte do princípio de que as verdades tratadas são infalíveis e indiscutíveis, por consistirem em

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revelações da divindade ou do sobrenatural. Por exemplo, acreditar em milagres; duendes; reencarnação e espíritos.

d) Conhecimento Científico

É o conhecimento racional, sistemático, exato e verificável da realidade. A sua origem está nos procedimentos de verificação baseados na metodologia científica. Podemos então afirmar que o conhecimento científico é racional e objetivo, atém-se aos fatos, transcende aos fatos, é analítico, requer exatidão e clareza, é comunicável, é verificável, depende de investigação metódica, busca e aplica leis, é explicativo, realiza predições, é aberto e útil. Por exemplo, descobrir uma vacina que evite uma doença; descobrir como ocorre a respiração dos batráquios e descobrir uma nova metodologia de ensino de matemática.

Nesse direcionamento, o conhecimento científico também pode ser considerado:

Real e factual, pois lida com ocorrências, fatos, isto é, toda forma de existência que se manifesta de algum modo.

Contingente, pois as suas proposições ou hipóteses têm a sua veracidade ou a falsidade conhecida por meio da experimentação e não pela razão, como ocorre no conhecimento filosófico.

Sistemático, pois é um saber ordenado logicamente, compondo um sistema de ideias e teorias.

Verificável, pois as hipóteses que não podem ser comprovadas não pertencem ao âmbito da ciência.

Falível, pois não é definitivo, absoluto ou final.

Aproximadamente exato, pois novas proposições e o desenvolvimento de novas técnicas podem reformular o acervo de teorias existentes.

Classificações da Pesquisa Científica A pesquisa cientifica objetiva fundamentalmente contribuir para a evolução do conhecimento humano em todos os setores, sendo sistematicamente planejada e executada de acordo com rigorosos critérios de processamento das informações, sendo objeto de investigação planejada, desenvolvida e redigida conforme normas metodológicas consagradas pela ciência. Os

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trabalhos de graduação, para serem considerados como pesquisas científicas, devem produzir ciência, ou ser derivado da ciência ou acompanhar o modelo de tratamento científico. A pesquisa científica pode estar baseada no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para problemas propostos, mediante a utilização de métodos científicos. Esse procedimento é racional e sistemático e visa proporcionar respostas aos problemas propostos. Em outras palavras, é uma atividade voltada para a solução de problemas por meio do emprego de processos científicos. As pesquisas podem ser classificadas de acordo com diversos critérios, como por exemplo:

Quanto à natureza Essas pesquisas não se fundamentam nos métodos adotados, mas sim nas finalidades da pesquisa. Quato à natureza, as pesquisas podem ser:

a) Trabalho científico original Esse tipo de pesquisa é realizado pela primeira vez e pode contribuir com novas conquistas e descobertas para a evolução do conhecimento científico.

b) Resumo de assunto Esse tipo de pesquisa dispensa a originalidade, mas não o rigor científico. Fundamenta-se em trabalhos mais avançados, publicados por autoridades no assunto e que não se limita à simples cópia de ideias. A análise e interpretação dos fatos e ideias, a utilização de metodologia adequada, bem como o enfoque do tema de um ponto de vista original são qualidades necessárias. Esse tipo de pesquisa é mais comum nos cursos de graduação.

Quanto aos objetivos Quanto aos objetivos, as pesquisas podem ser classificadas como exploratória, descritiva e explicativa.

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a)

Pesquisa exploratória Constitui o primeiro passo de todo trabalho científico. Esse tipo de pesquisa visa, sobretudo, quando é bibliográfica, proporcionar maiores informações sobre um determinado tema, facilitar a delimitação desse tema, definir objetivos, formular as hipóteses da pesquisa ou descobrir um novo tipo de enfoque para o trabalho de investigação que se pretende desenvolver.

b)

Pesquisa descritiva Os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados sem que o(a) pesquisador(a) interfira nesses fatos. Incluem-se nesse tipo de investigação, a maioria das pesquisas desenvolvidas nas Ciências Humanas e Sociais, as pesquisas de opinião, as mercadológicas, os levantamentos socioeconômicos e psicossociais.

c)

Pesquisa explicativa Esse tipo de pesquisa é o mais complexo, pois além de registrar, analisar e interpretar os fenômenos estudados, procura identificar os seus fatores determinantes, ou seja, as suas causas. A maioria dessas pesquisas utiliza o método experimental, o qual é caracterizado pela manipulação e controle das variáveis, com o objetivo de identificar qual é a variável independente que determina a causa da variável dependente ou do fenômeno em estudo.

Quanto ao objeto

ao

investigações são realizadas.

Quanto

objeto,

as

pesquisas

referem-se,

principalmente,

ao

ambiente

onde

as

a) Bibliográfica Esse tipo de pesquisa pode ser considerado como um trabalho independente ou a etapa inicial de uma pesquisa.

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b)

De laboratório O(a) pesquisador(a) tem condições de provocar, produzir e reproduzir fenômenos, em condições de controle. Esse tipo de pesquisa não é sinônimo de pesquisa experimental. As Ciências Humanas e Sociais também utilizam este tipo de pesquisa.

c)

De campo Esse tipo de pesquisa não tem como objetivo produzir ou reproduzir os fenômenos estudados. A coleta de dados é efetuada em campo, onde ocorrem espontaneamente os fenômenos. É desenvolvida principalmente nas Ciências Sociais, como por exemplo na Sociologia, Psicologia, Política, Economia, Antropologia e, também, na Educação.

Quanto aos procedimentos técnicos Com relação aos procedimentos técnicos, as pesquisas podem ser:

a) Pesquisa bibliográfica

É o tipo de pesquisa que utiliza material escrito ou gravado. São consideradas fontes bibliográficas os livros de leitura corrente ou de referência, tais como dicionários, as enciclopédias e os anuários; as publicações periódicas como os jornais, as revistas, os panfletos, as fitas gravadas de áudio e vídeo, as páginas de web sites, os relatórios e os anais de simpósios, seminários, congressos, conferências e encontros.

b) Pesquisa documental

Esse tipo de pesquisa utiliza fontes de informação que ainda não receberam organização, tratamento analítico e publicação, como tabelas estatísticas, relatórios de empresas, documentos arquivados em repartições públicas, associações, igrejas, hospitais, sindicatos, fotografias, epitáfios, obras originais de qualquer natureza, correspondência pessoal ou comercial.

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c)

Pesquisa experimental Quando um fato ou fenômeno da realidade é reproduzido de maneira controlada, com o objetivo de descobrir os fatores que o produzem ou que são produzidos por esses fatos ou fenômenos. São geralmente realizados por amostragem, onde se considera que os resultados válidos para uma amostra ou conjunto de amostras serão, por indução, válidos também para toda população ou universo.

Pesquisa ex post facto Esse tipo de pesquisa significa literalmente a partir de depois do fato, pois se trata de uma pesquisa experimental na qual, após o fato ou fenômeno ter ocorrido, tenta-se explicá-lo ou entendê-lo.

d)

Pesquisa de levantamento É o tipo de pesquisa que busca informação diretamente com um grupo de interesse a respeito dos dados que se deseja obter, utilizando questionários, formulários ou entrevistas. Os dados são tabulados e analisados estatisticamente. Por exemplo, esses tipos de pesquisas pode ser de opinião, motivação e comportamento.

e)

Estudo de caso Quando se deseja estudar com profundidade os diversos aspectos característicos de um determinado objeto de pesquisa restrito.

f)

Pesquisa-ação Quando os pesquisadores e os participantes envolvem-se no trabalho de pesquisa de modo participativo ou cooperativo, interagindo em função de um resultado esperado.

g)

Pesquisa participante Ocorre por meio do contato direto do(a) pesquisador(a) com o fenômeno observado para se obter informações sobre a realidade dos atores sociais em seus próprios contextos.

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Abordagens da Pesquisa Científica Quanto à abordagem, a pesquisa científica pode ser qualitativa, quantitativa ou mista. Dessa maneira, uma vez definido o tema da pesquisa, deve-se escolher entre realizar uma pesquisa qualitativa, quantitativa ou mista.

Pesquisa Qualitativa As pesquisas qualitativas surgiram da necessidade da utilização de novos métodos investigativos, de abordagens diferentes das tradicionais e que permitissem entender melhor os problemas apresentados na área das ciências humanas. Esse tipo de pesquisa foi influenciado por uma nova atitude de investigação que coloca o(a) pesquisador(a) no centro da cena investigada, participando ativametne desse cenário. Essas pesquisas visam à busca do significado que é atribuído aos fenômenos estudados, o que nem sempre pode ser encontrado por meio da condução de pesquisas quantitativas. Na abordagem qualitativa, a pesquisa tem o ambiente como fonte direta de coleta dos dados. O(a) pesquisador(a) mantém contato direto com o ambiente e o objeto de estudo, necessitando um trabalho mais intensivo de campo. Nesse caso, as questões são estudadas no ambiente em que se apresentam sem qualquer manipulação intencional do(a) pesquisador(a). Os dados coletados nessas pesquisas são descritivos, retratando o maior número possível de elementos existentes na realidade estudada. Esse tipo de pesquisa preocupa-se muito mais com o processo do que com o produto. Na análise dos dados coletados não há preocupação em comprovar hipóteses previamente estabelecidas, porém, não eliminam a existência de um quadro teórico que direcione a coleta, a análise e interpretação dos dados. Alguns exemplos de pesquisa qualitativa são:

Pesquisa participante.

Pesquisa-ação.

Pesquisa etnográfica.

Estudo de caso.

A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares, pois se preocupa com um nível de realidade que não pode ser quantificado, operando com um universo de significados, motivos, ocupações, crenças, valores, atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo

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das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. As características básicas da pesquisa qualitativa são:

1. O ambiente natural é a fonte direta de coleta de dados e o(a) pesquisador(a) é o seu principal instrumento.

2. Os dados coletados são predominantemente descritivos.

3. A preocupação sobre o processo é maior do que com o produto.

4. O significado que as pessoas fornecem às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo(a) pesquisador(a).

5. A perspectiva dos participantes deve ser capturada pela pesquisa de acordo com a maneira como os informantes encaram as questões em foco.

6. A análise dos dados tende a seguir um processo indutivo.

Por exemplo, se quisermos estudar o problema da evasão e da repetência no ensino da matemática no 1º grau a nível estadual, a melhor maneira de conseguirmos uma visão geral do problema é por meio do levantamento de informações junto aos estabelecimentos da rede escolar para a obtenção dos dados quantitativos. Porém, se quisermos saber quais são as difculdades decorrentes da prática pedagógica em sala de aula e, também, quais são os elementos que contribuem para aumentar a evasão escolar e a repetência, o levantamento qualitativo nos permite compreender a trama intrincada do que ocorre nessa situação microssocial. Dessa maneira, torna-se necessária a obtenção de dados qualitativos para que tenhamos, holisticamente, uma melhor compreensão da evasão e da repetência escolar.

Pesquisa Quantitativa Esse tipo de abordagem está relacionado ao emprego de recursos e técnicas estatísticas que visam quantificar os dados coletados. No desenvolvimento da pesquisa de natureza quantitativa devem-se formular hipóteses e classificar a relação entre as variáveis para garantir a precisão dos resultados, evitando contradições no processo de análise e interpretação. Nessa perspectiva, as pesquisas quantitativas são mais adequadas para apurar opiniões e atitudes explícitas e conscientes dos entrevistados, pois utilizam instrumentos padronizados, como, por exemplo, os questionários estruturados com perguntas claras e objetivas que permitam a uniformidade de entendimento dos participantes. Os questionários são utilizados quando se

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sabe exatamente o que deve ser perguntado para atingir os objetivos da pesquisa, permitindo que se realizem projeções para a população representada. Nesse tipo de pesquisa, é necessário que as hipóteses sejam levantadas, de maneira precisa, para que forneçam índices que possam ser

comparados com outros indicadores. No entanto, a pesquisa quantitativa exige um número maior de participantes para garantir maior precisão nos resultados, que são projetados para a população representada. O relatório da pesquisa quantitativa, além das interpretações e conclusões, deve mostrar tabelas de percentuais e gráficos, que podem ser preparados de maneira cruzada e de acordo com os diferentes perfis da população estudada. As etapas necessárias para a realização de uma pesquisa quantitativa são:

1. Definição do objetivo da pesquisa.

2. Definição da população e da amostra.

3. Elaboração dos questionários.

4. Coleta de dados (campo).

5. Processamento dos dados (tabulação).

6. Análise dos resultados.

7. Apresentação e divulgação dos resultados.

A pesquisa quantitativa tem como objetivo identificar a presença e medir a frequência e

intensidade de comportamentos, atitudes e motivações de um determinado público-alvo. Esse tipo de pesquisa gera medidas precisas, confiáveis e que podem ser replicadas para o universo estudado, pois se baseia em uma amostra estatística previamente determinada.

Pesquisa Mista

A utilização da abordagem qualitativa difere da quantitativa pelo fato de não utilizar

dados estatísticos como o centro do processo de análise de um problema, não tendo, portanto, a prioridade de numerar ou medir unidades. Não existe um continuum entre o qualitativo e o quantitativo, pois o qualitativo trabalha com a intuição, a exploração e o subjetivismo e o

quantitativo representa o espaço científico que é traduzido objetivamente para a linguagem matemática.

A diferença entre o qualitativo e o quantitativo está relacionada com a natureza de cada

tipo de pesquisa, pois enquanto os cientistas sociais que trabalham com estatística (quantitativo)

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apreendem dos fenômenos apenas a região visível, ecológica, morfológica e concreta, a abordagem qualitativa aprofunda-se no mundo dos significados das ações e relações humanas, um lado não perceptível e não captável pelas equações, médias e estatísticas. No entanto, o conjunto de dados quantitativos e qualitativos não se opõe e se complementam, pois a realidade abrangida por essas abordagens interage dinamicamente, excluindo, dessa maneira, qualquer dicotomina.

Tipos de Pesquisa Científica A pesquisa científica pode ser de análise teórica, de análise teórico-empírica e de estudo de caso sobre um assunto pesquisado bibliograficamente. Embora esses três tipos de pesquisa englobeem a maioria dos trabalhos de pesquisa científica, Takeshi e Mendes (1998) afirmam que existem trabalhos desenvolvidos fora desse contexto como, por exemplo, a resenha bibliográfica e o inventário bibliográfico.

Pesquisa Científica de Análise Teórica Esse tipo de pesquisa analisa teoricamente um assunto pesquisado bibliograficamente. Pode ser caracterizada como:

Uma simples organização coerente de idéias originadas de bibliografia de alto nível, em torno de um tema específico.

Uma análise crítica ou comparativa de uma obra, teoria ou modelo existente, a partir de um esquema conceitual bem definido.

O desenvolvimento de uma pesquisa científica inovadora, a partir de fontes exclusivamente bibliográficas. A pesquisa científica de análise teórica evidencia uma simples organização coerente de idéias, originadas de bibliografia de autores consagrados que escreveram sobre o tema escolhido. Esse tipo de pesquisa pode ser desenvolvido como uma análise crítica ou comparativa de uma teoria, a partir de um esquema conceitual bem definido. Sugere-se que os pesquisadores evitem temas muito amplos ou ambiciosos e que se preocupem em desenvolver um trabalho acadêmico simples. A pesquisa científica pode, ainda, ser o resultado de uma revisão de literatura criticamente articulada. Assim, a revisão de literatura não tem, portanto, um caráter aditivo e

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sim, de integração de estudos sobre o tema abordado. Em síntese, a pesquisa científica pode ter como proposta a formulação de quadros de referência e estudos de teorias.

Pesquisa Científica de Análise Teórico-Empírica A pesquisa científica de análise teórico-empírica é um tipo de pesquisa desenvolvida em trabalhos de campo. Essa pesquisa pode ser caracterizada como:

Uma simples análise interpretativa de dados primários, em torno de um tema, com apoio bibliográfico.

Um teste de hipóteses, modelos ou teorias, a partir de dados primários e secundários.

Um trabalho inovador a partir de dados primários ou secundários. Os dados primários são as informações obtidas diretamente no campo ou na origem dos eventos pesquisados. Os dados secundários, por sua vez, são aqueles obtidos a partir de obras bibliográficas ou de relatórios de pesquisas, que foram elaborados anteriormente sobre o tema.

O trabalho científico pode ser considerado como a descrição dos resultados de teste de modelos ou teorias a partir de dados primários e secundários. Nesse tipo de pesquisa, o trabalho científico pode analisar a correspondência entre um caso real, os modelos e as teorias. Nesse caso, são utilizadas técnicas de coleta, tratamento e análise de dados essencialmente quantitativas, que se caracterizam pela rigorosa aplicação metodológica na busca da relação causal entre diferentes variáveis.

Pesquisa Científica de Estudo de Caso Esse tipo de pesquisa sugere uma análise específica da relação entre um caso real, as hipóteses, os modelos e as teorias. No estudo de caso, podem ser encontradas situações devidamente caracterizadas em que se proponham alterações ou modificações que visam melhorá-las. No estudo de caso se realiza a pesquisa com relação a um determinado indivíduo, família, grupo ou comunidade, que tem como objetivo realizar uma indagação em profundidade para que se possa examinar um determinado ciclo de vida ou algum aspecto particular desse ciclo.

É importante ressaltar que, nesse tipo de pesquisa, a fundamentação teórica e a caracterização da organização devem ser trabalhadas, direcionando, posteriormente, à análise e a

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interpretação das informações, para identificar deficiências visando elaborar programas de capacitação, distribuir tarefas e determinar normas.

Metodologias para o Desenvolvimento da Pesquisa Científica A pesquisa científica visa conhecer cientificamente um ou mais aspectos de um determinado assunto, devendo ser sistemática, metódica e crítica, pois o produto da pesquisa científica deve contribuir para o avanço do conhecimento humano. Na vida acadêmica, a pesquisa é um exercício que permite despertar o espírito de investigação diante dos trabalhos e problemas sugeridos ou propostos pelos professores e orientadores. Os critérios para a classificação dos tipos de pesquisa variam de acordo com o enfoque dado, os interesses, campos, metodologias, situações e objetos de estudo. Assim, a partir dos procedimentos técnicos e metodológicos utilizados, podemos determinar os seguintes tipos de pesquisa científica:

Pesquisa Bibliográfica Essa pesquisa tem como objetivo explicitar e construir hipóteses sobre o problema evidenciado, aprimorando as ideias e fundamentando o assunto em relação à questão abordada na pesquisa. Esse tipo de pesquisa envolve o levantamento bibliográfico, que é realizado em diversas fontes visando consultar obras respeitáveis e atualizadas sobre a temática a ser pesquisada. A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material elaborado, constituída principalmente por livros, publicações em periódicos e artigos científicos, que são denominadas fontes bibliográficas. Nesse tipo de pesquisa é importante que o(a) pesquisador(a) verifique a veracidade dos dados obtidos, observando as possíveis incoerências ou contradições que as obras possam apresentar. Em outras palavras, a pesquisa bibliográfica é baseada nas fontes de referência, que tem por objetivo conhecer e analisar as principais contribuições teóricas sobre um determinado tema ou problema. As pesquisas bibliográficas também servem de base para outras pesquisas científicas. Os demais tipos de pesquisa também envolvem o estudo bibliográfico, pois todas necessitam de um referencial teórico. No entanto, para a realização da pesquisa bibliográfica, é

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importante utilizar as fichas de leitura denominadas fichamentos, que facilitam a organização das informações obtidas durante a revisão de literatura.

a)

As Fases da Pesquisa Bibliográfica

Determinar os objetivos.

Elaborar o plano de trabalho.

Identificar as fontes.

Localizar as fontes e obter o material.

Ler o material (leitura exploratória, seletiva e analítica).

Elaborar apontamentos.

Confeccionar as fichas de documentação (fichamentos).

Redigir o trabalho.

b)

Um Exemplo de Projeto de Pesquisa Bibliográfica Um projeto de pesquisa que tenha por objetivo verificar como se desenvolveu o

ensino de Matemática no Brasil, poderia ser mostrado pelo seguinte projeto:

1. Introdução

2. O ensino da Matemática na Escolas Normais e CEFANS

3. O ensino de Matemática nos cursos de formação universitária

4. O ensino de Matemática em cursos específicos

4.1. A regulamentação dos cursos de Matemática

4.2. O desenvolvimento dos cursos de Matemática

4.3. Situação dos cursos de Matemática

o

4.3.1. Na graduação presencial

o

4.3.2. Na graduação a distância

o 4.3.2. Na pós-graduação 5. Considerações Finais

Pesquisa Teórica De acordo com Demo (2000), a pesquisa teórica é "dedicada a reconstruir teoria,

ideologias, polêmicas, tendo em vista, em termos imediatos, aprimorar

conceitos, ideias,

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fundamentos teóricos" (p. 20). Esse tipo de pesquisa é direcionada no sentido de reconstruir teorias, quadros de referência, condições explicativas da realidade, polêmicas e discussões pertinentes por meio da discussão crítica do embasamento e da fundamentação teórica de um determinado tema. No entanto, a pesquisa teórica não implica na intervenção imediata da realidade, pois o seu papel é decisivo na criação de condições teóricas para essa intervenção. Nesse sentido, o conhecimento teórico adequado acarreta rigor conceitual, análise acurada, desempenho lógico, argumentação diversificada, capacidade explicativa (GIL, 1994). Em outras palavras, a pesquisa teórica é aquela que analisa uma determinada teoria, como po exemplo, analisa a teoria da Etnomatemática de Ubiratan D’Ambrosio ou a Teoria das Sete Inteligências de Howard Gardner. Podemos afirmar que o objetivo da pesquisa teórica é buscar o conhecimento ou o aprofundamento da discussões em relação a uma determinada teoria, como a da Etnomatemática. Tachizawa e Mendes (2006) afirmam que na pesquisa teórica não existe a necessidade da coleta de dados e da pesquisa de campo, pois esse tipo de pesquisa busca a compreensão de uma determinada teoria por meio de discussões e debates sobre a sua fundamentação e embasamento teórico-filosófico. O estudo bibliográfico é um método báscio desse tipo de pesquisa.

Pesquisa de Campo A pesquisa de campo é uma maneira de coleta que permite a obtenção de dados sobre um fenômeno de interesse visando verificar como esse fenômeno ocorre na realidade estudada. Consiste, portanto, na coleta de dados e no registro de variáveis presumivelmente relevantes, diretamente da realidade, para análises ulteriores. A pesquisa de campo também abrange:

a) A pesquisa bibliográfica.

b) A determinação das técnicas de coleta de dados.

c) A determinação da amostra.

d) O registro dos dados e das análises.

Podemos citar os seguintes tipos de pesquisa de campo:

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Quantitativo-descritivo: pesquisa empírica 1 cuja principal finalidade é o delineamento ou a análise das características de fatos ou fenômenos, a avaliação de programas ou o isolamento de variáveis principais.

Exploratório: pesquisa empírica cujo objetivo é a formulação de questões ou de um problema, com tripla finalidade, isto é, desenvolver hipóteses, aumentar a familiaridade do(a) pesquisador(a) com um ambiente, fato ou fenômeno, para realização de uma pesquisa precisa; ou modificar, elucidar e clarificar conceitos.

Experimental: pesquisa empírica cujo objetivo principal é o teste de hipóteses relacionadas à causa e efeito.

A grande vantagem da pesquisa de campo é a obtenção de dados retirados diretamente da

realidade. Na pesquisa de campo, as teorias propostas podem ser validadas ou refutadas. Assim, com a utilização de técnicas de amostragem estatística, a pesquisa de campo permite o acúmulo

de conhecimento sobre determinado aspecto da realidade, conhecimento esse que pode ser comprovado e utilizado por outros pesquisadores.

A principal desvantagem da pesquisa de campo é o pequeno grau de controle sobre a

coleta de dados e a possibilidade de que fatores, desconhecidos para o(a) investigador(a), possam interferir nos resultados. No caso de pesquisas baseadas em questionários, formulários e entrevistas, outro limitador é que o procedimento adotado pode apresentar um menor grau de confiabilidade pela possibilidade de os indivíduos falsearem as respostas. Há, entretanto, vários recursos que podem ser utilizados para aumentar as vantagens e diminuir as desvantagens desse método, como por exemplo, utilizar os pré-testes e uma completa instrumentação de coleta de dados.

Pesquisa Experimental

A pesquisa experimental informa a maneira ou a causa pela qual um determinado

fenômeno é produzido. Esse tipo de pesquisa verifica a relação de causalidade que se estabelece

1 A pesquisa empírica está relacionada com a busca de dados obtidos por meio da experiência e da vivência do(a) pesquisador(a) e dos pesquisados. Esse tipo de pesquisa colhe os dados a partir de fontes diretas, os sujeitos, que vivenciam, experienciam e têm conhecimento sobre o estudo a ser realizado.

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entre variáveis, isto é, em saber se a variável X (independente) determina a variável Y (dependente), e, para isto, cria-se uma situação de controle rigoroso, procurando evitar que haja a presença de influências alheias à verificação que se deseja realizar. Depois, se interfere diretamente na realidade, dentro de condições que foram preestabelecidas, manipulando a variável independente para observar o que acontece com a dependente. Nestas circunstâncias, X (variável independente) será causa de Y (variável dependente) se:

a) Y não apareceu antes de X.

b) Y varia quando há também variação em X.

c) outras influências não fizeram X aparecer ou variar.

Assim, como exemplo imagine que desejamos verificar se em um determinado grupo de alunos, uma estratégia pedagógica para o ensino da matemática (variável independente) produz resultados satisfatórios no desempenho dos alunos nas avaliações externas (variável dependente). Para que a nossa resposta seja positiva, a estratégia pedagógica adotada causa bons resultados nas avaliações externas. Nesse sentido, a pesquisa experimental estuda, portanto, a relação entre fenômenos distintos, procurando saber se um é a causa do outro. Este tipo de pesquisa é mais utilizado nas ciências naturais, por utilizarem o método experimental, requerendo a utilização de equipamentos, laboratórios, técnicas e instrumentos que possam indicar um resultado concreto. Porém, essas pesquisas são utilizadas em estudos de grupos selecionados, pois possibilita o levantamento de situações econômicas de uma determinada faixa do mercado consumidor. Cervo e Bervian (2004) afirmam que:

A pesquisa experimental se caracteriza por manipular diretamente as variáveis relacionadas com o objeto de estudo. Neste tipo de pesquisa, a manipulação das variáveis proporciona o estudo da relação entre as causas e efeitos de um determinado fenômeno. Através da criação de situações de controle, procura-se evitar a interferência de variáveis intervenientes. Interfere-se diretamente na realidade, manipulando-se a variável independente a fim de observar o que acontece com a dependente (p. 68).

A pesquisa experimental consiste em determinar um objeto de estudo, selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definir as maneiras de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto. Os objetos de estudo podem ser os grupos sociais, como por exemplo; os alunos, os professores, os diretores e os supervisores bem como as investigações relacionadas com o comportamento, à aprendizagem e a produtividade. As três variáveis mais utilizadas na pesquisa experimental são:

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a)

Experimento apenas-depois, com dois grupos: o de controle e o de experimento Compara-se o grupo experimental, que sofreu o experimento, com o grupo de controle, que não sofreu o experimento.

b)

Experimento antes-depois com um único grupo

O

grupo único é comparado antes e depois do experimento (estímulo).

c)

Experimento antes-depois com dois grupos O grupo experimental e de controle são medidos no início e no fim do período experimental. O estímulo é introduzido no grupo experimental. As medidas são obtidas por diferença entre os grupos.

O Experimento O experimento se diferencia da experiência e da observação. Se, por exemplo, um professor tem a atenção voltada naturalmente para um determinado aluno que está tendo um procedimento peculiar em sala de aula, está tendo uma experiência espontânea. Porém, se, de agora em diante, durante algum tempo, o professor tem o propósito de acompanhar esse aluno, prestando atenção no que ele faz, então, ao cumprir o propósito, tem uma experiência intencional. Mas, se esta for planejada, ou pelo menos houver o objetivo de se registrar, para estudo, as informações obtidas; então o procedimento é de observação científica. No entanto, se quisesse realizar um experimento, o professor deveria, planejadamente, interferir na realidade (variável dependente) para observar a conduta do aluno (variável dependente) ou interferir nesta (variável independente) para observar um determinado resultado (variável dependente).

O experimento é uma situação, criada em laboratório, com a finalidade de observar, de

acordo com o controle, a relação que existe entre fenômenos. O termo controle serve para indicar os esforços para se eliminar ou, pelo menos, reduzir ao mínimo possível os erros que possam surgir numa experiência. Por exemplo, vamos considerar uma pesquisa na qual a hipótese é que

os professores que utilizam técnicas de trabalhos em grupo nas aulas de matemática tendem a ser avaliados de maneira mais positiva por seus alunos. De acordo com essa hipótese, para que o experimento possa ser realizado, torna-se necessário manipular a variável independente:

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utilização de técnicas de trabalho em grupo. A figura 1 mostra o resultado da utilização das técnicas de trabalho em grupo.

Utilização de Técnicas de Trabalho em Grupo

Utilização de Técnicas de Trabalho em Grupo

Utilização de Técnicas de Trabalho em Grupo

A1

Utilizam intensamente.

A2

Utilizam moderadamente.

A3

Não utilizam.

Resultado na variável dependente (avaliação dos professores pelos alunos)

Resultado na variável dependente (avaliação dos professores pelos alunos)

Resultado na variável dependente (avaliação dos professores pelos alunos)

Figura 1: Resultado da utilização das técnicas de trabalho em grupo

De um modo geral, o experimento representa o melhor exemplo de uma pesquisa científica, com destaque para o tipo antes-depois com dois grupos que, é considerado rigidamente experimental. Por outro lado, por exigir relações entre as variáveis a serem estudadas, bem como o seu controle, torna-se praticamente inviável quando se trata de objetos sociais.

As Fases de uma Pesquisa Experimental

a) Formulação do problema.

b) Construção da hipótese.

c) Operacionalização das variáveis.

d) Definição do plano experimental.

e) Determinação dos sujeitos,

f) Determinação do ambiente.

g) Coleta de dados.

h) Análise e interpretação dos dados.

i) Apresentação das conclusões.

Pesquisa Descritiva Esse tipo de pesquisa descreve, constata e avalia relações entre variáveis à medida que essas variáveis se manifestam espontaneamente em fatos, situações e condições existentes.

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Assim, na pesquisa descritiva, pode existir o estudo da relação entre fenômenos, procurando-se conhecer se um é causa do outro. Descrever é narrar o que acontece. Nesse sentido, a pesquisa descritiva está interessada em descobrir e observar fenômenos procurando descrevê-los, classificá-los e interpretá-los. Estudando o fenômeno, a pesquisa descritiva deseja conhecer a sua natureza, sua composição, processos que o constituem ou que nele se realizam. Para alcançar resultados válidos, a pesquisa necessita ser elaborada corretamente, submetendo-se às exigências do método científico. Nesse sentido, o problema será enunciado em termos de indagar se um fenômeno acontece ou não, que variáveis o constituem, como classificá-lo, que semelhanças ou diferenças existem entre determinados fenômenos, etc. Os dados obtidos devem ser analisados e interpretados e podem ser qualitativos, utilizando-se palavras para descrever o fenômeno como, por exemplo, em um estudo de caso. Esses dados também podem ser expressos mediante símbolos numéricos, como por exemplo, o total de alunos em uma determinada posição da escala, em uma pesquisa de opinião referente à metodologia utilizada no ensino da matemática. A pesquisa descritiva pode aparecer sob diversas formas, como por exemplo, pesquisa de opinião, onde se procura saber que atitudes, pontos de vista e preferências que as pessoas têm a respeito de um determinado assunto, com intuito, de geralmente, se tomar decisões sobre esse assunto. A pesquisa de opinião ou a pesquisa de atitude abrange uma faixa muito extensa de investigação, realizada com o objetivo de identificar falhas ou erros, descrever procedimentos, descobrir tendências, reconhecer interesses e valores enquanto que a pesquisa de motivação é conduzida para determinar as razões inconscientes e ocultas que levam, por exemplo, os alunos a um determinado produto educacional.

Pesquisa Documental Na pesquisa documental, os documentos são investigados para que possamos descrever e comparar usos e costumes, tendências, diferenças, etc. Esse tipo de pesquisa é uma maneira de coleta de dados realizada a partir de documentos, escritos ou não, que visa caracterizar determinados eventos tal como aparecem nesses registros. Esses registros são denominados fontes documentais. As fontes documentais podem ser:

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a) Fontes Primárias ou de 1º Mão

Essas fontes são compostas por documentos localizados em arquivos de instituições públicas e privadas, que ainda não foram trabalhados, investigados e pesquisados. Esses documentos incluem cartas pessoais, certidões, diários, fotos, gravações, memorandos, ofícios, regulamentos, boletins, etc.

b) Fontes Secundárias ou de 2º Mão

Essas fontes são compostas por documentos que, de alguma maneira, foram analisados, investigados e pesquisados, como por exemplo, os relatórios de pesquisa, os relatórios de empresas, os balanços, as tabelas, as estatísticas, os exercícios ou trabalhos corrigidos, etc. Os livros, as revistas, os jornais, as publicações avulsas, as monografias, os trabalhos de conclusão

de curso, as dissertações e as teses também são consideradas como fontes secundárias. Nesse contexto, os documentos são fontes de dados, fixados materialmente e suscetíveis de serem utilizados para consulta, estudo ou prova. Os documentos podem ser classificados como:

a) Manuscritos

b) Impressos sem periodicidade, como por exemplo, os livros, os folhetos, os catálogos, os processos e os pareceres, etc.

c) Periódicos, como por exemplo, as revistas, os boletins, os jornais, os anuários e demais documentos de divulgação periódica.

d) Microfilmes e vídeos que reproduzem outros documentos.

e) Mapas, plantas, documentos fotográficos, documentos magnéticos e informatizados.

Fontes Documentais Os arquivos públicos abrangem os documentos oficiais, tais como leis, ofícios, relatórios, publicações parlamentares, como, por exemplo, as atas, os debates, os projetos de leis e os documentos jurídicos, oriundos de cartórios, como, por exemplo, os registros de nascimentos e mortes, desquites e divórcios, escrituras de compra e venda falências e concordatas e outros. Os arquivos particulares correspondem aos domicílios particulares nos quais se encontram as memórias, as autobiografias e os diários e, também as instituições de ordem

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privadas, tais como bancos, empresas, partidos políticos, igrejas, associações, nas quais se encontram as atas, os registros, as memórias e os comunicados. Existem ainda outras fontes, como por exemplo, as instituições públicas como as delegacias e postos voltados ao trabalho, as escolas e os hospitais, que possuem registros ou alistamentos.

Fontes Estatísticas As fontes estatísticas são realizadas por órgãos específicos e especializados como o IBGE, o Instituto Gallup e o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). Devemos considerar também os órgãos específicos que mantêm um banco de dados especializados, como por exemplo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), as Juntas Comerciais e outras, como os Conselhos federal e regionais de atividades profissionais regulamentadas e as Universidades.

Fontes Bibliográficas As fontes bibliográficas fornecem aos pesquisadores diversos dados, exigindo uma manipulação e análises diferenciadas. Caracterizam-se como fontes desse tipo:

Imprensa Escrita

Essa fonte é constituída por jornais e revistas, deve ser independente, ter conteúdo e orientação sem tendência, bem como difusão e influência, a análise deve ser realizada de maneira

independente e, por fim, deve-se verificar se há grupos de interesse envolvidos no processo de pesquisa.

Meios Audiovisuais

Esse tipo de mídia deve ser analisada com base nos mesmos itens especificados para a imprensa escrita.

Material Cartográfico

Esses meios bibliográficos são específicos, de acordo com a linha de pesquisa e

atualização no projeto, não havendo grandes restrições quanto ao seu emprego.

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Publicações

Os livros, as teses, as dissertações, as monografias, os trabalhos de conclusão de curso, as publicações avulsas, as pesquisas, entre outros, formam o conjunto de publicações básicas para

as pesquisas científicas.

As Fases da Pesquisa Documental

Determinar os objetivos.

Elaborar o plano de trabalho.

Identificar as fontes.

Localizar as fontes e obter o material.

Tratar os dados.

Confeccionar as fichas (fichamentos).

Redigir o trabalho.

Distinções entre Pesquisa Documental e Pesquisa Bibliográfica A pesquisa documental assemelha-se muito à pesquisa bibliográfica. No entanto, a diferença essencial está na natureza das fontes, pois, enquanto a pesquisa bibliográfica utiliza as contribuições de diversos autores sobre determinados assuntos; a pesquisa documental apóia-se em materiais que não receberam ainda um tratamento analítico ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com o objeto da pesquisa, como por exemplo, os exercícios, as avaliações e os trabalhos realizados para uma ou mais disciplinas de um determinado curso.

Pesquisa Ex-post-facto Na pesquisa ex-post-facto tem-se um experimento que se realiza depois que os fatos ocorrem. Assim, esse tipo de pesquisa analisa situações que se desenvolvem naturalmente após algum acontecimento. Nesse experimento, o(a) pesquisador(a) não tem controle sobre as variáveis. Por exemplo, se em uma determinada cidade existem duas escolas com aproximadamente o mesmo tamanho, o mesmo tempo de fundação e características sócio- culturais semelhantes e numa delas se utiliza uma estratégia pedagógica diferenciada para o ensino da matemática, as modificações curriculares que aí se produzirem podem ser atribuídas a esse fato.

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Esse tipo de pesquisa é muito utilizado nas ciências sociais, pois permite a investigação de determinantes econômicos e sociais do comportamento da sociedade em geral. Estuda-se um fenômeno ocorrido para explicá-lo e entendê-lo.

As Fases da Pesquisa Ex-post-facto

Formulação do problema.

Construção das hipóteses.

Operacionalização das variáveis.

Localizar os grupos para a investigação.

Coletar os dados.

Analisar e interpretar os dados.

Apresentação das conclusões.

Estudo de Caso O estudo de caso refere-se ao estudo minucioso e profundo de um ou mais objetos. O estudo de caso pode permitir novas descobertas de aspectos que não foram previstos inicialmente. Em outras palravas, o estudo de caso é caracterizado pela investigação profunda e exaustiva de um ou de poucos objetos, de maneira que permita o seu amplo e detalhado conhecimento. Por tratar de fatos ou fenômenos normalmente isolados, o estudo de caso exige do pesquisador um grande equilíbrio intelectual e uma capacidade de observação maximizada, ou seja, um olho clínico, além de parcimônia e moderação quanto à generalização dos resultados. A delimitação da unidade-caso não é um tarefa simples, devendo ser observadas algumas regras, que permitem obter resultados significativos:

Buscar casos típicos, a melhor expressão do tipo ideal da categoria.

Selecionar casos extremos, ideias dos limites dentro dos quais as variáveis podem oscilar.

Tomar casos marginais, pois permitem conhecer os casos normais e as possíveis causas do desvio.

O caso em estudo pode ser uma pessoa, uma família, uma comunidade, um conjunto de relações ou processos, como o conflito no trabalho, a segregação racial em uma comunidade ou até mesmo uma cultura.

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São características fundamentais do estudo de caso.

Visar a descoberta.

Enfatizar a interpretação em contexto.

Retratar a realidade completa e profunda.

Utilizar uma variedade de fontes de informação.

Revelar uma experiência vicária e permitir generalizações naturalísticas.

Representar os diferentes e às vezes conflitantes pontos de vista presentes numa situação social.

Utilizar uma linguagem e uma maneira mais acessível do que os outros relatórios de pesquisa. Por exemplo, ao retratar o cotidiano escolar, em toda a sua riqueza, esse tipo de pesquisa oferece elementos preciosos para uma melhor compreensão do papel da escola e de suas relações com outras instituições da sociedade.

As Fases do Estudo de Caso

Fase exploratória.

Delimitação da unidade-caso.

A coleta de dados.

A análise sistemática dos dados.

Interpretação dos dados.

A redação do relatório.

A prática do estudo de caso.

Pesquisa-ação Esse é um tipo de pesquisa, com base empírica, que é concebida e realizada com uma estreita associação com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação-problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo. A pesquisaação acontece quando há interesse coletivo na resolução de um problema ou no suprimento de uma determinada necessidade. Pesquisadores e pesquisados podem se engajar em pesquisas bibliográficas, experimentos, etc., interagindo em função de um resultado esperado. Nesse tipo de pesquisa, os

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pesquisadores e os participantes envolvem-se no trabalho de maneira cooperativa. Convém salientar que a pesquisa-ação não se refere a um simples levantamento de dados ou de relatórios a serem arquivados. Com a pesquisa-ação os pesquisadores pretendem desempenhar um papel ativo na própria realidade dos fatos observados. A pesquisa-ação tende a ser desprovida de subjetividade que deve caracterizar os procedimentos científicos. Esse tipo de pesquisa vem sendo recomendada, sobretudo pelos pesquisadores identificados por ideologias reformistas e participativas. Na pesquisa-ação, o grupo do qual o(a) pesquisador(a) participa auxilia a definir os objetivos e o andamento da pesquisa.

As Fases da Pesquisa-ação

Fase exploratória: contato preliminar com o campo em que será desenvolvida.

Formulação do problema.

Construção de hipóteses ou questões de pesquisa.

Realização de seminários: para recolher as propostas dos participantes e de especialistas convidados.

Seleção da amostra.

Coleta de dados.

Análise e interpretação dos dados: pode ser de maneira clássica ou por meio de novo seminário.

Elaboração do plano de ação.

Divulgação dos resultados.

Plano de Ação A pesquisa-ação concretiza-se com o planejamento de uma ação destinada a enfrentar o problema que será investigado. Esse plano deve conter:

Os objetivos que se pretende atingir.

A população a ser beneficiada.

A natureza da relação da população com as instituições que serão afetadas.

A identificação das medidas que podem contribuir para melhorar a situação.

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Os procedimentos a serem adotados para assegurar a participação da população e incorporar suas sugestões.

A determinação Dos modos de controle do processo e de avaliação de seus consultores.

Pesquisas de Desenvolvimento Esse tipo de pesquisa estuda as mudanças ocorridas nas pessoas nas áreas cognitiva, afetiva ou psicomotora. As pesquisas de desenvolvimento podem ser:

Transversais: estuda um aspecto do desenvolvimento do ensino-aprendizagem com a utilização de grupos de alunos que estejam em diferentes estágios de desenvolvimento, como por exemplo, inteligência, cognição, leitura e linguagem.

Longitudinais: acompanha um grupo de alunos durante um determinado período de tempo, propondo-se a estudar seus diferentes estágios de desenvolvimento.

Transculturais: estuda fenômenos em diferentes grupos culturais a fim de verificar as peculiaridades de cada um desses grupos e as e as possíveis generalizações.

Pesquisa de Levantamento Esse tipo de pesquisa caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento que se deseja conhecer. São coletadas informações de um grupo de pessoas acerca do problema estudado, que são analisadas quantitativamente dados para posterior publicação das conclusões. Quando todo o universo pesquisado fornece as informações tem-se o censo. Por exemplo, em uma pesquisa, existe a necessidade de realizar um levantamento para conhecer o perfil sócio-econômico-cultural dos alunos da rede municipal de ensino, ou de sua escola, ou da classe na qual você trabalha. Esse levantamento é importante para o planejamento do ensino e para elaboração de políticas públicas educacionais.

As Fases da Pesquisa de Levantamento

Especificar os objetivos.

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Operacionalizar os conceitos e as variáveis.

Elaborar os instrumentos de coleta de dados.

Pré-testar os instrumentos.

Selecionar a amostra.

Coletar e verificar os dados.

Analisar e interpretar os dados.

Apresentar os resultados.

Pesquisa Participante A pesquisa participante assim como a pesquisa-ação, caracteriza-se pela interação entre pesquisa e os membros das situações investigadas. A pesquisa-ação e a pesquisa participante não são sinônimos, embora, às vezes, sejam tratadas como se o fossem. A pesquisa-ação supõe uma um modo planejado, de caráter social, educacional e técnico enquanto que e a pesquisa participante envolve a distinção entre a ciência popular e a ciência dominante, atividade que privilegia a manutenção do sistema vigente, comprometido com a minimização da relação entre dirigentes e dirigidos. Por essa razão tem-se voltado, sobretudo, para a investigação junto a grupos desfavorecidos, tais como os constituídos por operários, camponeses, indígenas, negros e alunos portadores de necessidades especiais. Na pesquisa participante, o(a) pesquisador(a) participa do grupo que está pesquisando.

As Etapas da Pesquisa Participante A pesquisa participante é desenvolvida em quatro etapas:

1)

A Montagem Institucional e Metodológica

Determinação das bases teóricas.

Determinação das técnicas de coletas de dados.

Delimitação da região a ser estudada.

Organização do processo com a identificação dos colaboradores, a distribuindo das tarefas e a partilha de decisões.

Preparação dos pesquisadores.

Elaboração do cronograma de atividades.

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2)

Estudo Preliminar e Provisório da Região e da População Pesquisadas

Identificar a estrutura social da população.

Descobrir o universo vivido pela população.

Recensear os dados sócio-econômicos.

3)

Análise Crítica dos Problemas

Formação de grupo de estudo.

Reformulação mais objetiva do problema: descrição, identificação das causas e formulação das hipóteses de ação.

4)

Elaboração e Aplicação do Plano de Ação

A análise mais adequada do problema estudado.

A melhoria imediata da situação em nível local.

A melhoria, a médio e longo prazo, em nível local ou mais amplo.

Características da Pesquisa Participante É característica da pesquisa participante que os pesquisadores adotem preferencialmente técnicas qualitativas de coleta de dados e também uma atitude positiva de escuta e de empatia. Essa abordagem implica em conviver com a comunidade, partilhar o seu cotidiano e ouvir. Nesse sentido, devemos:

Ver em vez de tomar notas ou fazer registros.

Observar em vez de filmar.

Sentir, tocar em vez de estudar.

Viver junto em vez de visitar.

Contudo, devemos tomar cuidado com a subjetividade, pois precisamos lembrar sempre de que lado estamos e buscarmos técnicas estruturadas para adotar quadros teóricos de análise do assunto ou tema que está sendo pesquisado.

Pesquisa da História Oral No Brasil, há uma quantidade significativa de trabalhos que utilizam a História Oral como instrumento de pesquisa e como fonte documental nas ciências humanas. Entretanto,

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existem ainda dificuldades no sentido de circunscrever, mais precisamente, as particularidades dessa metodologia de trabalho. O debate sobre a História Oral possibilita reflexões sobre o registro dos fatos na voz dos próprios protagonistas. Utiliza-se de metodologia própria para a produção do conhecimento. Sua abrangência, além da pedagógica e interdisciplinar, está relacionada ao seu importante papel na interpretação do imaginário e na análise das representações sociais.

A História Oral é um método de pesquisa que utiliza a técnica da entrevista e outros

procedimentos articulados entre si, no registro de narrativas da experiência humana. A história oral é uma técnica e uma fonte, por meio das quais se produz conhecimento. Camargo (1994) afirma que a História Oral é uma fonte, um documento, uma entrevista gravada que pode ser utilizada da mesma maneira que uma notícia do jornal ou uma referência em um arquivo ou em uma carta. De abrangência multidisciplinar, a História Oral tem sido sistematicamente utilizada por diversas áreas das ciências sociais, como por exemplo, a História, a Sociologia, a Antropologia, a Lingüística e a Psicologia, entre outras.

Pesquisa Etnográfica

A etnografia é a descrição de um sistema de significados culturais de um determinado

grupo. O trabalho etnográfico é aquele, que, quando lido pelas pessoas, elas conseguem interpretar aquilo que ocorre no grupo estudado tão apropriadamente como se pertencessem ao próprio grupo. Por exemplo, uma abordagem etnográfica do cotidiano de uma escola pública de ensino fundamental nos permite entender o fracasso escolar em matemática dos alunos dessa escola.

A abordagem etnográfica na pesquisa educacional pode ser definida como a descrição de

um sistema de significados culturais de um determinado grupo cultural. Assim, a utilização da etnografia em educação deve desenvolver uma preocupação em pensar o ensino e a aprendizagem dentro de um contexto cultural amplificado.

a) Os critérios para a utilização da pesquisa etnográfica são:

O problema é redescoberto no campo.

O(a) pesquisador (a) deve realizar a maior parte do trabalho de campo pessoalmente.

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O trabalho de campo deve durar pelo menos um ano escolar.

O pesquisador deve ter toda uma experiência com os povos de outras culturas.

b) A abordagem etnográfica combina vários métodos de coleta:

A observação direta das atividades.

As entrevistas com os informantes.

c) O relatório etnográfico apresenta uma grande quantidade de dados primários, além de descrições acuradas que inclui histórias, canções e desenhos. O(a) pesquisador(a) desenvolve a sua investigação passando por três etapas:

Exploração: o(a) pesquisador(a) seleciona e define o problema, escolhe o local, mantém contatos e realiza as primeiras observações.

Decisão: o(a) pesquisador(a) busca uma coleta de dados mais sistemática e seleciona aquelas que sejam mais importantes para o estudos.

Descoberta: o(a) pesquisador(a) tenta explicar a realidade, desenvolve teorias, analisa um contexto mais amplo, propondo soluções e alternativas. Nesse tipo de pesquisa, o(a) pesquisador(a) deve ser:

Capaz de tolerar ambigüidades.

Capaz de trabalhar sob sua própria responsabilidade.

Capaz de inspirar confiança.

Pessoalmente comprometido e autodisciplinado.

Sensível a si mesmo e aos outros.

Maduro e consistente.

Capaz de guardar informações confidenciais

Solicitar que os sujeitos assinem o termo de consentimento de participação da pesquisa.

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TERMO DE CONSENTIMENTO

Eu,

assinado, ciente dos objetivos da pesquisa intitulada

, conduzida por

, abaixo

,

aluno(a) do Curso de Licenciatura em Matemática, do Centro de Educação Aberta e a Distância (CEAD) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e orientado(a) do(a) Prof.(a)

, concordo

em participar da referida pesquisa e permito a realização de filmagens e demais registros em situações previamente combinadas com a pesquisadora. Concordo, também com a divulgação dos resultados provenientes da pesquisa, com fins científicos, sendo resguardado o direito de sigilo à minha identidade pessoal e das demais pessoas participantes da pesquisa.

Cidade, Estado, Data

Assinatura

Estágio-pesquisa Uma das exigências de alguns cursos é o estágio a ser desenvolvido como parte das atividades dos alunos, que é geralmente denominado de estágio supervisionado. De acordo com a legislação básica que o regulamenta, o estágio supervisionado foi criado com o objetivo de aperfeiçoar o processo de ensino e aprendizagem, fornecendo aos alunos a oportunidade de desenvolverem atividades relacionadas ao ensino, à pesquisa e a extensão por meio da execução de trabalhos práticos com a aplicação dos conhecimentos adquiridos no curso.

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Planejamento de Estágio

É o planejamento preparatório para direcionar as atividades dos alunos, permitindo o

monitoramento de suas tarefas e possibilitando os ajustes que se fizerem necessários para atingir

os objetivos acadêmicos e as necessidades da organização que serve de campo de estágio. O

plano de estágio deve ser formulado com flexibilidade para melhor se adequar às contingências das situações encontradas nas organizações.

A elaboração do plano de estágio é o exercício prático do processo de planejamento,

levando os alunos a realizarem uma reflexão dos seus propósitos no estágio e uma revisão das teorias pertinentes à área na qual pretende aprofundar os seus estudos. Portanto, o próprio desenvolvimento do plano de estágio contribui para o aperfeiçoamento da aprendizagem e resulta em uma oportunidade de utilização correta das normas do trabalho científico.

O estágio supervisionado pode ser desenvolvido na maneira de estágio-pesquisa na

instituição escolhida, isto é, elaborado a partir de um tema de interesse das partes, devidamente

problematizado e desenvolvido dentro dos parâmetros da pesquisa científica. É uma ideia- proposta que pode ser apresentada pelos interessados e discutida com o(a) docente responsável pelo estágio supervisionado. No estágio-pesquisa, o relatório de trabalho normalmente é instituído com o intuito de:

Possibilitar aos alunos o desenvolvimento de um trabalho de pesquisa sobre um tema relevante em sua área.

Familiarizar os alunos com as exigências metodológicas da elaboração de um trabalho de iniciação científica.

Proporcionar aos alunos a utilização do referencial teórico das disciplinas no estudo de problemas relevantes da sua área. Metodologicamente, para o desenvolvimento desse relatório, voltado para o cumprimento de obrigação acadêmica, pode-se adotar um tipo de relatório equivalente àquele exigido no estágio supervisionado.

Considerações Finais

A pesquisa científica constitui-se em um conjunto de procedimentos que visam produzir

um novo conhecimento e não reproduzir, simplesmente, o que se sabe sobre um dado objeto em

um determinado campo do conhecimento humano. De acordo com esse enfoque, Demo (1987)

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afirma que a "pesquisa é a atividade científica pela qual descobrimos a realidade" (p. 23). Contudo, devemos observar que a realidade social é o alvo de investigação das ciências humanas e sociais que estão relacionadas com o setor educacional. Quanto às operações intelectuais envolvidas no processo de investigação, Salomon (2001) define a pesquisa como um "trabalho empreendido metodologicamente, quando surge um problema, para o qual se procura a solução adequada de natureza científica" (p. 152). Diante dessa perspectiva, podemos afirmar que a pesquisa é, portanto, a investigação de um problema (teórico ou empírico) realizada a partir de uma metodologia (que envolve tanto modos de abordagem do problema quanto os procedimentos de coleta de dados), cujos resultados devem ser válidos, embora a provisoriedade seja uma característica do conhecimento científico. Então, uma vez definida a pesquisa, precisamos indagar sobre quais são as razões para a sua realização. De acordo com Richardson (1989, p. 16-17), os cientistas e pesquisadores sociais pesquisam para:

a) Resolver problemas sociais.

b) Formular novas teorias.

c) Criar novos conhecimentos.

d) Testar teorias existentes em um determinado campo científico.

As razões apontadas acima são válidas para quase todas as ciências humanas e sociais. No entanto, devemos elencar as razões para se pesquisar em Educação:

a) Gerar conhecimento sobre o processo de planejamento, organização, acompanhamento e controle que ocorrem nas escolas.

b) Aumentar a eficiência e eficácia do projeto político pedagógico dessas instituições.

c) Estudar intervenções pedagógicas que possam melhorar o nível de aprendizado dos alunos em todas as disciplinas, principalmente aquelas relacionadas com a Educação Matemática.

Contudo, o(a) pesquisador(a) não pode perder o seu foco dos aspectos que motivam toda pesquisa científica, ou seja, a melhoria das condições de aprendizado de todos os envolvidos no processo educacional bem como o desenvolvimento social desses indivíduos.

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Referências ANDRADE, M. M. Introdução à metodologia do trabalho científico. São Paulo, SP: Atlas,

2006.

CAMARGO. A. História oral e política. In FERREIRA. M. de M. (Org.). História oral e multidisciplinaridade. Rio de Janeiro, RJ: CPDOC/Diadorim/FINEP, 1994. p. 78. CERVO, A.; BERVIAN, P. Metodologia científica. São Paulo, SP: Prentice Hall, 2004. DEMO, P. Pesquisa e construção do conhecimento: metodologia científica no caminho de Habermas. Rio de Janeiro, RJ: Tempo Brasileiro, 1994. DEMO, P. Pesquisa: princípio científico e educativo. São Paulo, SP: Cortez, 1996. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. São Paulo, SP: Atlas, 1994. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2007.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo, SP:

Atlas, 2007. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa. São Paulo, SP: Atlas, 2007. RICHARDSON, J. R. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo, SP: Atlas, 1989. SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo, SP: Cortez, 2006. SALOMON, D. V. Como fazer uma monografia. São Paulo, SP: Martins Fontes, 1996. TACHIZAWA, T. e MENDES, G. Como fazer monografia na prática. 12 ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2006.