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Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós, Universidade Federal da Bahia, 04 a 07 de junho

de 2013

JORNALISMO GUIADO POR DADOS: relações da cultura hacker com a cultura jornalística 1 DATA-DRIVEN JOURNALISM: connections of hacker culture to newsrooms culture
Marcelo Träsel 2
Resumo: O Jornalismo Guiado por Dados é uma prática de Jornalismo em Bases de Dados em vias de adoção por redações de todo o mundo, desde meados dos anos 2000. Trata-se de um desenvolvimento dos conceitos de Jornalismo de Precisão e Reportagem Assistida por Computador, propostos inicialmente nos anos 1970 e impulsionados pelo processo de digitalização das redações e pela adoção de políticas de acesso à informação por governos e instituições. O trabalho levanta a hipótese de que o Jornalismo Guiado por Dados se configura como uma imbricação entre a cultura profissional dos jornalistas e a cultura hacker. Os resultados da etapa preliminar de uma pesquisa etnográfica realizada entre jornalistas brasileiros em novembro e dezembro de 2012 sugerem que os jornalistas guiados por dados compartilham algumas práticas e valores com os membros da cultura hacker. Palavras-Chave: Jornalismo Digital em Bases de Dados. Jornalismo Guiado por Dados. Reportagem Assistida por Computador. Etnografia. Hacker. Abstract: Data Driven Journalism is a practice in the process of adoption by newsrooms around the world since the mid 2000s. It is a development of the concepts of Precision Journalism and Computer-Assisted Reporting, initially proposed in 1970, which has gained momentum by the digitization process of newsrooms and the adoption of policies on access to information by governments and institutions. The paper hypothesizes that Data Driven Journalism is configured as an overlap between the professional culture of journalists and hacker culture. The results of the preliminary stage of an ethnographic study of Brazilian journalists, carried forward in November and December of 2012, suggest that data-driven journalists do share some common practices and values with the members of hacker culture. Keywords: Digital Journalism. Data-driven Journalism. Computer-Assisted Reporting. Ethnography. Hacker.

Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho Estudos de Jornalismo do XXII Encontro Anual da Compós, na Universidade Federal da Bahia, Salvador, de 04 a 07 de junho de 2013. 2 Professor da Famecos/PUCRS. Mestre em Comunicação e Informação pelo PPGCOM/UFRGS e doutorando em Comunicação Social pelo PPGCOM/PUCRS. Correio eletrônico: marcelo@trasel.com.br. Website: www.trasel.com.br. Twitter: @trasel.
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www.compos.org.br

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a manutenção. na apuração de reportagens a partir de conjuntos de dados. as técnicas de JGD permitem ao jornalista encontrar informação com valor noticioso em bases de dados com milhares ou milhões de registros. na geração de visualizações e infografias. Do Jornalismo de Precisão ao Jornalismo Guiado por Dados O termo Jornalismo Guiado por Dados (JGD) compreende diversas práticas profissionais. Conforme Gray et al. p. que também vão permitir a criação. no contexto da informática. como uma aplicação para a Web produzida pelo amálgama de duas ou mais fontes diferentes. Facilitam. a publicação e a circulação de cibermeios dinâmicos em multiplataformas. tablets). como forma de facilitar o reaproveitamento das informações coletadas no trabalho diário de reportagem.compos.br 2 . smartphones.org. Na proposta. justamente. Um mash-up é compreendido. ainda. audiovisual e imagem. ocorreu no artigo “A fundamental way newspapers sites need to change ”. o cruzamento de diferentes bases de dados. a disponibilização. 04 a 07 de junho de 2013 1. publicado pelo programador Adrian Holovaty (2006) em seu website pessoal. Universidade Federal da Bahia. 3 www. bem como da composição e da apresentação dos conteúdos de natureza jornalística. de modo a permitir maior eficiência na recuperação de informações. para a produção de novo conhecimento sobre a sociedade. caracterizando-se como uma extensão ou ampliação das práticas de JDBD. (2012). o conceito de JDBD compreende: O modelo que tem as bases de dados como definidoras da estrutura e da organização. as fontes colocam os dados voluntariamente à disposição. Holovaty recomenda a incorporação de técnicas de gerenciamento de bases de dados ao cotidiano das redações. a produção. a ser apresentado em narrativas que se estendem dos jogos eletrônicos e mash-ups3 às matérias tradicionais em texto. a atualização. 3) O JGD tem por objetivo. Em geral. termo que derivou em Data-Driven Journalism (Jornalismo Guiado por Dados). gerando um terceiro produto. na circulação em diferentes plataformas (computadores pessoais. a primeira referência a Data Journalism (Jornalismo de Dados). (BARBOSA e TORRES. Principalmente. dificilmente manejáveis sem a ajuda de computadores. 2012. Barbosa e Torres (2012) consideram o fenômeno como pertencente ao paradigma Jornalismo Digital em Bases de Dados (JDBD). tratamento e cruzamento de grandes quantidades de dados. de acordo com funcionalidades e categorias específicas. cujo ponto em comum é o uso de dados como principal fonte de informação para a produção de notícias. Conforme os autores.Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós.

nas quais muitos jornalistas haviam derivado para abordagens interpretativas com o Novo Jornalismo. entre outras. 04 a 07 de junho de 2013 So much of what local journalists collect day-to-day is structured information: the type of information that can be sliced-and-diced. o jornalista Philip Meyer já propunha o uso de técnicas quantitativas das ciências sociais para que os repórteres errem com menor frequência na apreensão dos fatos.org. (MEYER.Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós. que situa o jornalismo a meio caminho entre o senso comum e o saber científico. novas tematizações ou elementos conceituais para a organização e apresentação dos conteúdos” (BARBOSA. como exige o paradigma JDBD. we could make an effort to determine just what they are worth. ideology. or conventional wisdom we can start with intensive and systematic fact-finding efforts. escrita entre 1969 e 1970. (HOLOVATY. 13) A meta da aplicação de técnicas como amostragem. 1993) contra críticas internas e externas ao trabalho jornalístico. os primeiros adeptos do Jornalismo de Precisão viam as técnicas das ciências sociais como um caminho para aproximar o jornalismo o máximo possível da verdade. Instead of starting from a base of personal conviction. and to find a more solid base of fact from which to leap. inclusive. entretanto. O primeiro é baseado na experimentação direta dos fenômenos através dos sentidos. Há certa proximidade entre a proposta de Meyer e a perspectiva de Park (1972). Yet the information gets distilled into a big blob of text – a newspaper story – that has no chance of being repurposed.br 3 . Such a suggestion may seem to be a plea for a reactionary return to the old ideal of objectivity. em lugar disso. 2007. p. p. uma objetividade de fato. buscando. 2006) A alternativa a este problema seria criar rotinas produtivas cujo objetivo seja o desenvolvimento de bases de dados estruturados sobre todos os assuntos de interesse de uma determinada redação. estatística e análise fatorial. by computers. o segundo. o JGD busca essencialmente introduzir a racionalidade científica nas rotinas de produção jornalística. Aliando os recursos da sociologia com a rapidez de cálculo dos computadores. Noutras palavras. Para além dos aspectos técnicos e narrativos. Universidade Federal da Bahia. Uma vez que as bases de dados estejam disponíveis aos jornalistas. It is necessary to reduce the size of the leap from fact to interpretation.compos. na sistematização e www. Na obra Precision Journalism (Jornalismo de Precisão). but it has this difference: instead of reporting competing viewpoints for what they are worth. seria possível um retorno da objetividade às redações. 1973. in an automated fashion. era transcender a preocupação com a objetividade como mero “ritual estratégico” (TUCHMAN. questionários. 130). podem ser reaproveitadas na criação de “diferentes configurações para as informações e.

não somente o informa como principalmente o orienta. enquanto do “conhecimento acerca de” espera -se uma universalidade (ciência). embora não seja nem senso comum. nem ciência. advertising.. visto que sua direção é a de universalizar.Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós. inteirando cada um e todos do que está acontecendo” (PARK. Our response to the information age has been to learn to manage larger bodies of information with increasingly powerful analytic tools. as mesmas funções que realiza para o indivíduo. Journalism today is in a battle for survival against the forces that would merge it with entertainment. para este último. seu derivado direto – tem por objetivo impulsionar o jornalismo para longe do senso comum. www. o jornalismo sofre duas críticas por parte dos homens de ciência: falta de rigor analítico e incapacidade de revelar o novo. 176).a notícia realiza. uma vez que não pode se descolar de noções pré-teóricas para representar a realidade. em direção à ciência.compos. The information age has created such a confusing buzz of voices that it tempts us all to sacrifice almost anything for attention – including truth. o JGD. Isto se deve ao fato de não gerar novas leis universais através da análise sistemática de fenômenos. and public relations.br 4 . através da aplicação de tecnologias e métodos da informática. Meditsch (1997) também vê no jornalismo uma forma de conhecimento posicionada entre a ciência e o senso comum. (MEDITSCH. As it 4 Documento eletrônico sem paginação. p. É forte na medida em que essas mesmas noções pré-teóricas orientam o princípio de realidade de seu público. É frágil. nele incluídos cientistas e filósofos quando retornam à vida cotidiana vindos de seus campos finitos de significação. O Jornalismo de Precisão – e. Universidade Federal da Bahia. dirige a percepção da realidade em que estes dois tipos de conhecimento se baseiam. Tenderia. nas sociedades contemporâneas. O “conhecimento de” (senso comum) pode ser compart ilhado apenas parcialmente pela linguagem. por extensão. porém. 1997)4 Noutras palavras. ao destacar os aspectos de determinado acontecimento que o contrariam: É o fato de operar no campo lógico da realidade dominante que assegura ao modo de conhecimento do Jornalismo tanto a sua fragilidade quanto a sua força enquanto argumentação. de certo modo. Enquanto forma de conhecimento. Seria um tipo de senso-comum transformado por técnicas narrativas num “conhecimento de” comunicável a toda uma sociedade: “.org. o jornalismo. não a de especializar.. 1972. What the practitioners of CAR have been after – whether consciously or not – is a higher standard of truthtelling. isto é. leading to a more exact definition of truth. 04 a 07 de junho de 2013 ordenação dos fenômenos. O conhecimento concretizado em forma de notícias se situaria em algum ponto do continuum entre o senso comum e a ciência. mas revelar singularidades a partir do senso comum. para o público. enquanto método analítico e demonstrativo.

a computer is helpful in doing that. pela disponibilidade de ferramentas analíticas acessíveis ao público leigo. A cultura profissional dos jornalistas e a cultura hacker Os aspectos mais importantes do JGD não são as formas de uso da tecnologia. Neste aspecto. O termo “Jornalismo de Precisão” acabou sendo abandonado em favor de “Reportagem Assistida por Computador” (RAC). 2. 04 a 07 de junho de 2013 happens. ou as características materiais dos produtos de suas rotinas produtivas. (MEYER. p. Vendo bem. nascido no âmbito da cultura profissional jornalística. 2008). ao menos no Ocidente.1) O ideal por trás deste projeto. A premissa deste trabalho é que o JGD se constitui como uma nova formação na cultura da profissão jornalística. o JGD filia-se ao imaginário da cibercultura que passou a predominar. nor does it define what we are trying to do. engendrada ao longo das últimas décadas pela informatização progressiva das rotinas produtivas nas redações. ao desenvolvimento de ferramentas gratuitas e abundantes para análise de bases de dados e.compos. Estas práticas receberam novo impulso nas redações na década de 2000 devido. But the computer itself is not the goal. 1999. do inglês Computer-Assisted Reporting (CAR).br 5 . a partir do século XX (RÜDIGER. as planilhas eletrônicas. é o de uma imprensa capaz de dirigir a percepção da realidade social de maneira independente de preconceitos. 2012). bancos de dados e aplicativos para tratamento estatístico não são www. as práticas do Jornalismo de Precisão se tornaram acessíveis e tiveram uma disseminação modesta. as expressões “Jornalismo de Dados” ou “Jornalismo Guiado por Dados” passaram a ser mais comuns para se referir a esse conjunto de rotinas produtivas. no JGD. mas sim a potencialização da capacidade do repórter para identificar notícias em grandes volumes de dados. vieses e ideologias. por meio da aplicação do pensamento tecnológico às rotinas produtivas. Universidade Federal da Bahia.Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós. em primeiro lugar. pela adesão de instituições e governos a políticas de acesso à informação e pela imersão dos jornalistas contemporâneos na cibercultura. Na primeira década dos anos 2000. em segundo lugar.org. Com a adoção dos microcomputadores nas redações nas décadas de 1980 e 1990. que passaram a permitir o acesso a suas bases de dados nos últimos anos (ANGÉLICO. à adoção de políticas de acesso à informação por parte de governos e organizações.

Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós. uma vez que a capacidade de identificar valor-notícia em acontecimentos do cotidiano é comumente referida como “faro jornalístico”. para a cultura profissional jornalística. Trata-se da união do substantivo journalism (jornalismo) ao verbo to churn (no sentido figurativo. A qualidade da reportagem depende do talento ou disposição do repórter na apuração e redação da notícia. como todos os crimes cometidos numa grande metrópole durante um ano inteiro.org. a tendência a buscar números chocantes ou criar visualizações que pouco contribuem para a narrativa de um acontecimento. ou todos os pagamentos realizados por um governo estadual num mandato. 04 a 07 de junho de 2013 substitutos das habilidades dos repórteres. 1986. Nesta cultura profissional. num evento da Digital Editors Network britânica. mas instrum entos de ampliação do “faro” jornalístico. estas habilidades estão ligadas biologicamente aos repórteres. um elemento que prejudica o trabalho do repórter ao se intrometer entre sua capacidade de percepção especial dos acontecimentos e do mundo. Universidade Federal da Bahia.br 6 . No contexto do jornalismo. Na mesma ocasião. Além disso. prejudicado ou não pelas condições organizacionais da redação na qual trabalha – em termos de recursos materiais e temporais para o bom desempenho das funções – e não da interferência da tecnologia. que apenas é auxiliada pela tecnologia. Ou. a “pornografia informacional” ( data porn). os jornalistas são denominados pelos próprios membros deste grupo social como “cães de guarda” da democracia. a propensão a produzir notícias a partir de bases de dados sem a O termo churnalism é de difícil tradução. Pode-se até mesmo argumentar que. As ferramentas de computação agilizam o trabalho de fazer correlações entre dados brutos. causar movimento ou agitação improdutivos). isto é.compos. o computador é muitas vezes considerado um intruso. Planilhas eletrônicas e ferramentas de visualização de dados permitem enxergar “a olho nu” correlações e tendências presentes em grandes volumes de dados. isto é. sem prejuízo para o resultado final em termos jornalísticos. qualquer prejuízo ao resultado final é tão atribuível ao uso de computadores quanto uma notícia pobremente redigida é atribuível ao fato de ter sido digitada numa máquina de escrever. antes. Entretanto. no jar gão das redações. as técnicas jornalísticas são vistas como habilidades inerentes ao espírito humano (DINES. os proponentes do JGD costumam reiterar o “faro jornalístico” como uma capacidade do ser humano. denota a 5 www. TRAQUINA. já criticava em 2010. criticou a “jornorréia informacional” (data churnalism5). Paul Bradshaw. 2005). jornalista e promotor do JGD. Neste contexto.

com.org. A observação das manifestações e interações em veículos especializados em JGD sugere que. através da aproximação com a sociologia e a informática. televisão. Rogers (2011). unindo o substantivo “jornalismo” e o sufixo greco-latino “réia”. como Reporter’s Lab 6. Ambos os traços remetem à cultura hacker e levam à hipótese de que o JGD seja uma imbricação entre esta cultura. 2003) e pelo compartilhamento da cultura profissional da objetividade e da observação dos valores-notícia (TRAQUINA. indicando corrimento ou fluxo intensos. 9 http://www.compos. 2010). Exemplos dessas manifestações podem ser encontrados em manuais profissionais como os de Gray et al. optou-se por traduzir churnalism como “jornorréia”. ou em websites pessoais e noticiário especializado. nos anos 1970. mesmo. 7 http://helpmeinvestigate. 2003. 04 a 07 de junho de 2013 contextualização ou apuração adequadas (OLIVER. um alerta. em canais criados por redações especificamente para compartilhar técnicas de JGD e bases de dados. (2012). 8 http://datadrivenjournalism.reporterslab.uk/news/datablog. Help Me Investigate7. A cautela em relação ao abuso ou ingenuidade na aplicação de técnicas do JGD às rotinas produtivas do jornalismo é uma constante em manifestações de profissionais da área por ocasião de eventos públicos. www.guardian.uol. pode-se identificar neste grupo tanto uma tendência à apropriação de tecnologia incomum entre jornalistas ligados a veículos impressos. como o Guardian Data Blog9 e o FolhaSPDados10. Mancini (2011) e Meyer (1973).br 7 . 10 http://folhaspdados. rádio e. 6 http://www. para aumentar o ritmo de distribuição de notícias ou preencher lacunas. quanto uma disposição a compartilhar know-how. Universidade Federal da Bahia. nativa do campo da informática. um resgate da essência da profissão.com. Essas duas tendências de apropriação e compartilhamento estão diretamente ligadas à emergência da cibercultura. caracterizada pela missão de atender ao interesse público (GANS. por sinal. SCHUDSON. mesmo.org. 2005). Ao mesmo tempo.net.br. entre muitos repórteres de veículos digitais. Neste artigo.Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós. ou. ou outras fontes de informação préproduzida. bem como em artigos e comentários publicados em weblogs e fóruns. prática de publicar materiais fornecidos por agências de relações públicas. e a cultura jornalística.blogfolha.co. os jornalistas guiados por dados buscam. Data Driven Journalism8. já presente na obra pioneira de Meyer (1973). ao contrário de tecnófilos prontos a sacrificar o trabalho duro da reportagem em favor do conforto da manipulação de uma planilha eletrônica no ambiente climatizado da redação.

os microprocessadores e outros aparelhos eletrônicos.Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós. efêmera e hedonista típica da pós-modernidade e as ferramentas de computação e telecomunicações leva a um movimento de apropriação dos aparelhos informáticos e à “perversão” da utilidade planejada pelos fabricantes de tais aparelhos: “Esta apropriação se dá como um método de improvisação. and frequently committed to an ethical version of information freedom”. Universidade Federal da Bahia. 2002.br 8 . smartphones e tablet computers a aparatos para a experiência da realidade virtual. denominada cibercultura (RÜDIGER. que levam a uma ética de compartilhamento. p. que formou a base do imaginário relacionado às redes de computadores. 257). sobretudo de comunicação mediada por computador. 11 Livro eletrônico sem paginação. Com a popularização dos microcomputadores e acesso à Internet.compos. disseminou-se para o restante da sociedade (STREETER. www. Um espaço acessível por interfaces que variam dos computadores pessoais. os cabos de fibra ótica. Isto se deu pela abertura de um novo espaço para a ação humana. Neste ciberespaço. Coleman (201311) define hackers como “computer aficionados driven by an inquisitive passion for tinkering and learning technical systems. um espaço virtual cujo suporte são as ondas eletromagnéticas. para benefício próprio ou coletivo. está sendo desenvolvida uma pesquisa etnográfica entre repórteres brasileiros envolvidos em projetos na área.org. a autora identificou como principais características dos membros deste grupo social a subscrição a ideais de liberdade de acesso à informação. 2008). 2011). engendrou nas últimas décadas uma nova cultura. no sentido de compreender seu funcionamento e desenvolver a capacidade de modificá-las. e a apropriação de tecnologias. Esta convergência entre uma socialidade dispersa. de um intercâmbio entre a cultura hacker e a cultura profissional jornalística? Com o objetivo de esclarecer esse ponto. onde os desvios do uso são responsáveis pelos desenvolvimentos na indústria da informática e por sua popularização” (LEMOS. Em seu estudo etnográfico dos hackers envolvidos no movimento open source. 04 a 07 de junho de 2013 O desenvolvimento das tecnologias de comunicação em rede. A questão que este trabalho se coloca é: serão as práticas de JGD resultado de uma articulação. os discos rígidos. a cultura hacker. Os pioneiros dessa apropriação da informática no Ocidente foram os membros da cultura hacker e suas subculturas. as práticas sociais contemporâneas se associam à tecnologia para formar a cibercultura.

por três dias. e um colaborador externo.compos. dentro dos limites possíveis no âmbito desta comunicação. que se envolvia com a edição de textos. Houve aprovação do editor titular do setor – Felipe está lotado noutro setor da redação e. um dos repórteres iniciantes já havia aplicado técnicas de JGD em seus empregos anteriores. Universidade Federal da Bahia.Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós. não de notícias. quando foram realizadas entrevistas com dois jornalistas experientes nas práticas de JGD e a observação. de Belo Horizonte. neste caso. num jornal do interior de Minas Gerais e noutro. três. A equipe era composta no total por 16 pessoas. de seus associados e das empresas nas quais trabalham. editores. sob a justificativa de que seria a época de trabalho mais intenso com dados e visualizações. uma quarta-feira. estão entre os jornalistas mais experientes na área no Brasil. Ao todo. na redação de um jornal de escopo nacional. Uma aproximação à cultura dos jornalistas guiados por dados no Brasil A primeira etapa da pesquisa de campo foi cumprida em novembro e dezembro de 2012. no mês de dezembro. além de atuar como seu editor. de modo a proteger a identidade e a privacidade dos entrevistados. O período de três dias. coincidiu com o fechamento das reportagens e foi sugerido pelo próprio Felipe. com o intuito de explorar possibilidades a serem desenvolvidas nas próximas etapas do projeto de pesquisa. Sérgio. mas não com a apuração usando técnicas de JGD. Além disso. algumas informações sobre os produtos de seu trabalho e suas experiências profissionais anteriores foram omitidas. três delas tinham experiência anterior com JGD: Felipe e o colaborador externo. sediado em São Paulo. No primeiro dia.org. O acompanhamento do trabalho dentro da redação foi acertado diretamente com o jornalista responsável pela série de reportagens sobre o financiamento das campanhas municipais de 2012. 04 a 07 de junho de 2013 3.br 9 . 12 www. Todos os nomes próprios foram transformados em pseudônimos. Sua primeira constatação foi que a inexperiência da equipe exigia uma reiteração constante dos princípios da pauta em investigação e uma atenção redobrada aos textos produzidos. Felipe12. A seguir. da elaboração de uma série de reportagens especiais sobre as eleições municipais do mesmo ano. estava apenas colaborando como editor –. Estava recebendo de seus repórteres textos no formato de relatórios. fato que o levou a questionar a própria capacidade de explicar claramente aos subordinados a prática do JGD – Felipe foi um dos responsáveis pelo treinamento dos repórteres. Felipe apresentou as linhas gerais do projeto e comentou alguns de seus pontos fracos e fortes. No mesmo espírito. serão expostos os resultados preliminares. sendo 12 delas repórteres em início de carreira.

De fato. ou para ajudar a realizar cálculos e interpretar dados.Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós.co). Todavia.br 10 . para “retalhar” a planilha em documentos menores.r-project. para tirar dúvidas sobre o uso das ferramentas. como foi presenciado no caso do gerador de linhas de tempo. aprende a usar esses recursos conforme a necessidade. embora não demande o conhecimento de linguagens de programação. 04 a 07 de junho de 2013 Além disso.org). para melhorar os aspectos estéticos e adequá-los ao projeto gráfico e exigências técnicas do jornal. O uso destes recursos exige um nível avançado de habilidade em informática. Felipe era chamado a todo instante por membros da equipe.compos. Assim. Em seguida. As planilhas produzidas dessa forma foram repassadas à equipe de repórteres. com o qual Felipe se engalfinhou grande parte dos dias em que seu trabalho foi observado. Enquanto Felipe usava a maior parte de seu expediente no refinamento da base de dados e construindo visualizações – como um gráfico interativo e uma linha de tempo –. Em primeiro lugar. que procura estudar em seu tempo livre. Cada repórter elaborou uma ou mais pautas a partir desses dados e passou a apurá-las durante cerca de duas semanas. mas estes dados são fornecidos pelo TSE numa única planilha com informações de todas as zonas eleitorais do país. o software para computação estatística R (http://www. Universidade Federal da Bahia. para que realizassem a verificação e correção de erros. Esta linha do tempo foi criada a partir de No caso. Também ficou a cargo da equipe o cruzamento de dados e a identificação das informações que apresentavam valor-notícia. mas posteriormente retrabalhadas pela editoria de Arte. 13 www. que era oferecido pelo setor de Tecnologia da Informação da empresa jornalística. mas não pode se considerar um programador. Em segundo lugar. o tempo dos repórteres era usado principalmente na realização de entrevistas por telefone e redação de notícias.verite.org. o Microsoft Access. a biblioteca para criação de visualizações em Javascript D3 (http://d3js. a pauta incluía apenas os dados de candidatos a prefeito e vereador nas capitais brasileiras. usando programas open source13.org) e Timeline JS (http://timeline. explicou ser o principal responsável por “limpar” os dados de financiamento de campanha obtidos junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). o primeiro passo foi usar um software específico para o gerenciamento de bases de dados. coube-lhe a tarefa de apagar os dados irrelevantes e gerar uma nova planilha eletrônica para cada capital. as planilhas continham informações além da capacidade de manejo pelo software Microsoft Excel. Felipe diz saber modificar e criar pequenos trechos de código em algumas linguagens. O gráfico e a linha do tempo foram gerados pelo próprio Felipe.

Percebe-se. tomou à repórter mais de dois dias. Sérgio. com o objetivo de contextualizar a discussão sobre financiamento de campanhas proposto pela série de reportagens. Num projeto desenvolvido noutra empresa jornalística. o desejo de apropriação da técnica. bem como uma ética de compartilhamento de informação. mostrar técnicas ou ferramentas que não tinham relação alguma com o material em desenvolvimento.br 11 . a gente se firmou na proposta de não fazer dinheiro vendendo dados. o etnógrafo e os etnografados Felipe e Sérgio trocaram mensagens por correio eletrônico com referências para ferramentas citadas nesses debates. Além de praticar o autodidatismo e valorizar a liberdade de informação. demonstrada por Felipe e Sérgio. ou à do pesquisador.Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós. é um traço característico da cultura hacker. Sérgio também evidencia em sua fala o apreço pelo trabalho de reportagem. Não apenas ambos debatiam e faziam testes com ferramentas necessárias naquele momento para o andamento das tarefas. em si. através dessas ações. são uma coisa valiosa. Ambos demonstram um interesse por tecnologias aplicáveis ao jornalismo que beira a paixão. a gente chamou ele de um projeto de dados compartilhados. Noutras ocasiões. isto é. a apresentação de dados sem aprofundamento interpretativo: A entrevista em profundidade semi-estruturada com Sérgio foi realizada por ocasião da observação do trabalho da equipe de Felipe. ao tecer críticas à prática da “pornografia informacional”. A idéia era que o cidadão coletasse dados e dividisse esses dados e que esses dados serviriam para a qualidade de vida na cidade. As pessoas querem arranjar um jeito de ganhar dinheiro com dados. 14 www. características da cultura hacker.org. Então. também confere grande valor à liberdade de informação. 04 a 07 de junho de 2013 material coletado por uma repórter no acervo do jornal. como em diversas ocasiões iam à mesa um do outro. muitas vezes. Também o faziam espontaneamente. quando algum deles se lembrava de um recurso potencialmente útil para o outro. concretizada na abertura da base de dados original criada por ele e sua equipe. os problemas técnicos na linha do tempo foram resolvidos com ajuda do colaborador externo. Estas três características são apontadas por Coleman (2013) como típicas da cultura hacker. Sérgio. no fundo. Ao passo que a gente foi conhecendo os modelos de financiamento. com quem foi realizada uma das duas entrevistas com repórteres mais experientes em JGD 14. trabalho que. Universidade Federal da Bahia. Os momentos de descontração ao longo do dia de trabalho eram gastos. A disposição ao autodidatismo. em dezembro de 2012. um mapeamento urbano: Desde o início. Finalmente. a gente foi percebendo que dados.compos. em animados debates sobre as vantagens de um ou outro software ou técnica.

a construção ou obtenção de bases de dados é o ponto inicial de um processo de reportagem. mas. essa interpretação. se focou apenas nos salários mais altos.br/publicos/hackers-abrem-dados-fechados-do-governo-de-sp-sobre-salarios-deservidores. Lamenta que haja poucos recursos financeiros e mão-de-obra disponível nas redações para o trabalho de apuração em cima das informações coletadas em bases de dados. sem nenhuma análise das informações disponíveis15. Acesso: 18/02/2013. Sérgio afirma ter percebido. transformando-a em acontecimento. você pode fazer muitas outras coisas. uma jornalista paranaense. com a experiência. na opinião de Sérgio. essa hipótese que surge da visualização com uma reportagem é difícil. Sérgio relatou. nessa primeira etapa de pesquisa também foi entrevistada Violeta. a história de como um membro do grupo Transparência Hacker descobriu uma forma de extrair dados sobre salários de todos os funcionários do governo do Estado de São Paulo. Eu vejo que é um trabalho que vai ter que ser feito e vai demandar recursos. os caras desmataram sete mil hectares só nesse ano. Por quê? Porque precisa de dinheiro. o cara fazendo uma filtragem muito básica. Universidade Federal da Bahia. O que eu vejo é que linkar essa visualização.. em Curitiba. “os dez primeiros”. Mas mandar alguém lá é mobilizar. gerando uma planilha com um milhão de itens. mas a análise depende do velho e bom jornalismo. A gente não consegue responder no ritmo que gostaria. Eu olho o mapa dessa terra xavante lá no meio do Mato Grosso e penso “olha.compos.estadao. hospedado no portal de O Estado de São Paulo: http://blogs. “os dez últimos”. mas são apenas o primeiro passo numa investigação jornalística. É importante saber as ferramentas. Mas.com. está bastante claro que.Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós. não produziu uma contextualização embasada em reportagem ou realizou cruzamentos das informações contidas na planilha. A entrevista ocorreu na redação de um do jornal no qual trabalha. As notícias geradas a partir dessa base de dados nos maiores jornais do Brasil se detiveram no fato de sua criação. com dez anos mais de experiência em reportagem. isto é. Na verdade. cujos passos subsequentes seguem a rotina produtiva de apuração. mesmo assim. Então. Violeta também relata ter começado A primeira referência ao caso foi feita pelo weblog Públicos. Apenas a Folha de São Paulo citou os dados na manchete. se você tem conhecimento para reorganizar essas bases. você vê muitas reportagens que são feitas nos jornais. edição e publicação tradicional do jornalismo. Você pega uma base de dados como a do ENEM.. O cara filtra as dez primeiras linhas. Além de Sérgio. pagar uma passagem. 15 www. No trecho acima.org. a título de exemplo. 04 a 07 de junho de 2013 O que tenho aprendido e tenho difundido bastante nas oficinas que tenho feito por aí é que. que os dados não falam por si. o meu desejo é que os dados empurrem o jornalismo de campo. eu preciso mandar alguém lá”.br 12 . tem questões ligadas à própria logística do troço.

o potencial da aplicação da informática ao jornalismo. a partir da base de dados.br 13 . Eles não iam conseguir tomar da gente. Um detalhe relevante da biografia de Violeta é o fato de sua mãe ser professora de matemática e ela mesma ter dado aulas de reforço a colegas de escola. Outro ponto em comum entre sua visão da atividade com JGD e a cultura hacker é a valorização da liberdade de informação. 16 Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. planilhas e tal. Segundo. mas o cara que mora em Chupinzinho e sabe que o sujeito tem relação com o deputado tal. Universidade Federal da Bahia. cruzar o número de eleitores com o número de moradores. a gente tinha uma crença muito grande no jornalismo colaborativo. quando jovem. Por quê? Primeiro.org. Então. Sei lá. porque achávamos que os Diários Oficiais deviam ser públicos. usando Excel. naturalidade no trato com números. Violeta também pode. então. e a usar o computador como auxílio para o cruzamento de dados. fiz várias matérias de RAC sem saber que existia esse termo. para saber se não existem mais eleitores do que moradores na cidade. mais de mil e-mails de pessoas que consultaram a base de dados e nos passaram informações. A repórter tem. se jogar o nome do cara lá na Internet.. e divulgou na Internet. www. né? A gente chegava ao ponto de achar que era legal os outros jornais usarem nossa base de dados para fazerem matérias. Se a Assembléia não tinha tornado eles públicos. a gente recebeu. Eu não tenho como saber que o dono da farmácia de Chupinzinho é funcionário fantasma de algum lugar. Paraná. Então. Uma das mais importantes reportagens produzidas por Violeta envolveu a transcrição de dados dos Diários Oficiais da Assembléia Legislativa do Paraná para uma base de dados. era nosso trabalho tornar. Passei quatro anos cobrindo política em Ponta Grossa. sob a forma de planilhas disponíveis para cópia e uma ferramenta de consulta na Web: A gente pegou nossa base de dados. mesmo sem contato formal algum com a noção de RAC. um trabalho de oito meses. fiquei sabendo do congresso da Abraji16. portanto. Fazia coisas assim. por necessidade de seu primeiro emprego. sobre RAC. ser considerada uma autodidata com tendência à apropriação de tecnologia. que posteriormente foi colocado à disposição do público. Além disso. desde então. começou a usar computadores durante faculdade e afirma ter enxergado. na editoria de política de um jornal local: Eu comecei a trabalhar nisso sem saber que estava fazendo RAC. A construção era nossa. ao usar a base de dados. assim como no caso de Sérgio. para várias outras matérias. pode encontrar essa pessoa como funcionário fantasma. Esse trabalho foi usado pelos concorrentes? Foi! É o mundo. 04 a 07 de junho de 2013 a praticar JGD espontaneamente. Em 2006.. Era como se a concorrência respaldasse nosso trabalho. Foi a partir daí que comecei a usar mais o Excel.compos. Fiz um curso com o [José Roberto] Toledo.Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós. sem saber que o nome disso era RAC.

Considerações finais A hipótese de que o Jornalismo Guiado por Dados se configure como uma imbricação entre a cultura profissional jornalística e a cultura hacker se mostra promissora. www. A gente deu um organizar para ver os maiores salários. Universidade Federal da Bahia. mas parecem conferir grande importância aos valores tradicionais da cultura profissional do jornalismo. que seriam impossíveis de se enxergar “a olho nu”: Há informações que você não consegue ver. Por outro lado.. portanto. 4. derivados da proposta do Jornalismo de Precisão. sob o qual alguns repórteres caem.] A gente entrevistou a planilha. Claro. para o quê o método etnográfico é indicado por sua aplicação na abordagem antropológica de diferentes culturas e. Então. mesmo. Ela parece compartilhar..compos. se você não usa RAC. é necessária a realização de pesquisas que possam comprovar essa relação. Tinha coisas que a gente foi percebendo enquanto ia montando a planilha. Mas os principais personagens. e os personagens estavam lá! Não foi para atingir esse ou aquele deputado. Tomadas em seu conjunto. Entretanto. a série seria totalmente diferente.org. além da disposição em compartilhar informação: a disposição para o trabalho colaborativo em conjunto com uma coletividade de participantes. exposta em seus pontos fundamentais.. compartilhando uma visão de mundo comum a jornalistas de outras especialidades. de ampliar suas capacidades para identificar informações dotadas de valor-notícia nestas bases de dados. e a planilha nos deu as respostas. Violeta também deixou transparecer durante a entrevista que compreende as técnicas de JGD como uma forma de aumentar a eficiência da análise.. se não fosse a base de dados. dos ideais do JGD. Sabe? Foi uma coisa bem menos tendenciosa e mais objetiva. transparente. a julgar pelas afirmações em favor do trabalho de reportagem e as críticas ao fetiche tecnológico. No trecho acima. não apenas estão inseridos nas rotinas produtivas das redações.br 14 . sugere que os profissionais envolvidos na prática do JGD compartilham traços característicos da cultura hacker. como a tendência à apropriação de tecnologia. e ela te responde. Violeta faz afirmações que podem ser remetidas ao desejo de maior precisão e objetividade no trabalho de reportagem e faz uma relação direta à aplicação da informática no jornalismo com a consecução destes objetivos. essa ou aquela situação que era mais fácil de fazer. [.Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós. as observações desta etapa inicial da etnografia de jornalistas guiados por dados brasileiros. 04 a 07 de junho de 2013 O trecho acima evidencia outro traço característico da cultura hacker. a valorização da liberdade de informação e a disposição para o trabalho colaborativo. Entrevista a planilha.

Trata-se de um tema importante.br 15 . como comprova a compilação de estudos organizada por Paterson e Domingo (2008). e como uma colonização indesejada da informática.org. cada vez mais. Em especial. práticas e discurso dos profissionais engajados neste tipo de reportagem. assim como uma prática capaz de criar novos caminhos para a narrativa noticiosa e um possível atrativo para uma audiência composta. como uma forma de reportagem com grande potencial para o cumprimento da missão de defesa do interesse público por parte da imprensa. www. Uma pesquisa etnográfica entre jornalistas brasileiros ligados ao JGD permitirá compreender como esse conjunto de práticas.compos. por uma minoria de seus proponentes. é preciso desmistificar a relação entre o JGD e a cultura profissional estabelecida. nos últimos anos. Universidade Federal da Bahia. por leitores nascidos e criados na cibercultura. porque o JGD tem sido visto. por alguns profissionais de outras especialidades.Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós. está sendo absorvido nas redações do país. nascido no jornalismo de tradição norteamericana. o JGD é visto como um tipo totalmente novo de jornalismo. Nos dois casos. por ter se mostrado adequado aos estudos do campo do newsmaking desde a metade do século XX – inclusive no caso do jornalismo em bases de dados. investigando os valores. 04 a 07 de junho de 2013 em especial.

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