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PRATICAS EDUCATIVAS CONTEMPORÂNEAS PAUTADAS PELA TECNOLOGIA NO ENSINO DA GEOGRAFIA

Heleno dos Santos Macedo1 Dayse Fontes Gonçalves2 Serge Magno Brasil3 EIXO 8. Tecnologia, Mídias e Educação;

RESUMO
No ambiente escolar a presença da tecnologia se torna cada vez mais evidente, pois o aluno da sociedade do século XXI está cada vez mais conectado com as diversas tecnologias. A educação contemporânea tem exigido adaptação geral de saberes e fazeres na prática pedagógica, onde as diferentes áreas de conhecimentos compõem um entrelaçado de diversas disciplinas que compartilham o mesmo processo de aprendizagem. A partir de uma revisão bibliográfica e da prática empírica o presente artigo trata da postura assumida pela Geografia, ao adotar características interativas, dinâmicas e renovadas com o uso de Geotecnologias, voltando seu olhar para o computador de forma crítica e reflexiva, assim como proporciona também, uma reflexão sobre as relações de poder que ocorrem no espaço virtual, à ampliação da rede de conhecimentos adequada pela tecnologia e o papel do professor como mediador do conhecimento disponível na rede. Palavras-chave: Tecnologia; Geotecnologia; Ensino da Geografia.

ABSTRACT
In the school environment the presence of technology is becoming more evident, because the student society of the twenty-first century is increasingly connected with the different technologies. The contemporary education has demanded general adaptation of knowledge and practices in teaching practice, where the different areas of expertise comprise a tangle
Licenciado em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe, professor da rede privada de ensino, especialista em Geoprocessamento, pesquisador do Grupo de Dinâmica Ambiental e Geomorfologia – DAGEO (DGE/UFS/CNPQ), cursando atualmente Bacharelado em Geografia. (helenosamac@bol.com.br)
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Graduada em pedagogia pela Faculdade São Luís de França (Aracaju/se). (Dayse.fontes.goncalves@hotmail.com)

Licenciado em Matemática pela Universidade Tiradentes, especialista em Educação Matemática, professor da rede Pública e privada de ensino em Sergipe. (sergemagno@hotmail.com)

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of different disciplines that share the same learning process. From a literature review and empirical practice of the present paper deals with the stance taken by geography, by adopting interactive features, dynamic and renewed with the use of Geo, returning his gaze to the computer in a critical and reflective, and also provides, a reflection on the power relations that occur in virtual space, the expansion of the appropriate technology knowledge and the role of teacher as facilitator of knowledge available on the network. .
Keywords: Technology; Geotechnology; Teaching Geography.

INTRODUÇÃO No ambiente escolar a presença da tecnologia se torna cada vez mais evidente, pois o aluno da sociedade do século XXI está cada vez mais conectado com as diversas tecnologias, bem como há um numero infindável de ferramentas virtuais e, até mesmo de livros digitais disponíveis na internet gratuitamente. A educação contemporânea tem exigido adaptação geral de saberes e fazeres na prática pedagógica, onde as diferentes áreas de conhecimentos compõem um entrelaçado de diversas disciplinas que compartilham o mesmo processo de aprendizagem. Aprender tornouse uma questão de adaptação do professor e do aluno aos meios técnicos científicos, científicos e informacionais. A geografia por sua vez deparou-se com incontáveis recursos que reproduzem o espaço em escala local e global, despontando as relações existentes entre o homem e o espaço, a aprendizagem adquirida no ambiente escolar e o saber social, os conteúdos escolares abordados e a vida do cotidiano. Neste contexto, o individual e o coletivo, o privado e o social, o micro e o macro, se relacionam dialeticamente em constantes formulações e reformulações de relações que ocorrem em tempo real e se conectam por espaços virtuais de convivência. Essa complexidade contemporânea remeteu o professor a um mundo que requer uma aventura, uma descoberta de produtos e meios diferenciados que a tecnologia proporcionou, onde a estagnação tradicional rompeu-se e despontou uma nova maneira de ensinar. Como ferramenta a Geografia vem conciliando o uso de SIG (Sistemas de Informação Geográfica e softwares como o Google Earth, World Wind (Imagens_ software

criado pela NASA), Sun times 7.0 (mapa mundi em tempo real) Earthquake 3 D 2. 43 (visualização de terremotos), são apenas alguns dos exemplos fundamentais, sobre a
tecnologia e sua associação geográfica ao sensoriamento remoto, cartografia, topografia, climatologia, entre outros aspectos de análise geográfica virtual. Estas ferramentas

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tecnológicas proporcionam imagens praticamente vivas, acessadas virtualmente de modo interativo. É nesta perspectiva que o presente artigo trata da postura assumida pela Geografia, ao adotar características interativas, dinâmicas e renovadas com o uso de Geotecnologias, voltando seu olhar para o computador de forma crítica e reflexiva, assim como proporcionar também uma reflexão sobre as relações de poder que ocorrem no espaço virtual, à ampliação da rede de conhecimentos adequada pela tecnologia e o papel do professor como mediador do conhecimento disponível na rede. O QUE É GEOTECNOLOGIA? Para se tratar da Geotecnologia, faz-se necessário apresentar o seu significado em função dos avanços tecnológicos nos últimos anos. A literatura assinala que a Geotecnologia é a utilização da informação para a análise do espaço geográfico, realizada por meio da tecnologia.
[...] geotecnologias, estas entendidas como sendo as novas tecnologias ligadas às geociências e às outras correlatas. As geotecnologias trazem, no seu bojo, avanços significativos no desenvolvimento de pesquisas, em ações de planejamento, em processos de gestão e em tantos outros aspectos à questão espacial (FITZ, 2005, p. 3).

As geotecnologias surgem concomitantemente a partir do desenvolvimento dos computadores e se difundem, especialmente, com a divulgação maciça da Internet a partir da década de 1980. As ferramentas de análise espacial estão à disposição da Geografia e do ensino há certo tempo, conforme demonstra a Tabela 1, elaborado por Matos (2001).
ÉPOCA 3. 800 Séc. III a.c Séc. II Séc. XVII Séc. XVIII 1920 1960 1969 FATO CARACTERÍSTICO Utilização de coordenadas esféricas Representação Plana Uso de projeções Cartográficas Noção de Geóide Utilização de Isolinhas Surgimento da Aerofotogrametria Surgimento da Cartografia Digital e dos SIGs Surgimento da Impressora de agulhas

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1972 1979 1981 1997 1999 Fonte: Matos(2001) apud Fitz (2005).

Tecnologia do Sistema Landsat Surgimento do GPS – Global Position System Surgimento da Internet Tecnologia do Landsat TM7 Tecnologia do Satélite Iknos (1m de resolução)

Nesse sentido, desenvolveram-se diferentes instrumentos para se compreender essa relação e associá-la à análise do espaço para se utilizar as geotecnologias com o intuito de embasar e fomentar o processo de aprendizagem no ensino de Geografia. Essas geotecnologias estão dispostas em diferentes formas (microcomputadores, aparelhos portáteis, acessórios de veículos automotores etc.) Dentre os mais variados recursos em geotecnologia segue a descrição de alguns que podem ser utilizados no ensino da Geografia, são eles: GIS, GPS e Google Earth. a) GIS - Geographical Information System: também conhecido por SIG (Sistema de Informação Geográfica), a sigla inglês GIS, são softwares que trabalham com dados do espaço geográfico, tanto de forma numérica quanto gráfica, utilizados para a elaboração de mapas e banco de dados correlacionados que facilitem a interpretação e a visualização dos fenômenos humanos e naturais. De acordo com Burrough e McDonnel (apud FITZ, 2005), o

SIG/GIS é um poderoso conjunto de ferramentas que auxilia na coleta, armazenamento,
recuperação, transformação e visualização de dados espaciais do mundo real. b) GPS - Global Positioning System: o Sistema de Posicionamento Global (GPS) é uma ferramenta extremamente útil para a localização de pontos georeferenciados na superfície da Terra. Segundo Rocha (2002), a tecnologia de posicionamento e localização por satélite assegura precisão elevada de latitude e longitude, cujos resultados são obtidos pelo envio de informações de pelo menos três satélites. Também é informada para o usuário a altitude de sua localização, entre outras funções importantes, o que depende do aparelho e de suas funções disponíveis. c) Google Earth: é um programa disponibilizado gratuitamente na Internet pela empresa multinacional da Google, cuja função é mostrar simbolicamente o planeta Terra em forma tridimensional. Também é possível dar um zoom na imagem e visualizar a superfície terrestre

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por imagens de satélites com uma nitidez e escala considerável. Esse Programa tem incrível capacidade de interface com o usuário e desde que foi criado teve intensa e crescente aceitação nos meios de comunicação. É possível identificar os mais variados lugares do planeta, ter-se uma visualização bidimensional e tridimensional da paisagem, bem como localizar os fenômenos e objetos geográficos. Essas são apenas algumas das geotecnologias mais comuns e que estão disponíveis para o uso social. No entanto, existem muitas outras ferramentas que estão em constante desenvolvimento e que acrescentam muito ao ensino o conhecimento geográfico científico. ENSINO-APRENDIZAGEM E AS GEOTECNOLOGIAS Para se tratar do ensino e aprendizagem das geotecnologias, embasa-se nos pressupostos da teoria histórico-cultural, que segundo Oliveira (1993), tem como precursores Vygotsky, Luria e Leontiev. Para eles, o conhecimento e todo o processo de aprendizagem se dão de forma interpessoal e depois de modo intrapessoal. Essa aprendizagem ocorre por meio de instrumentos mediadores, ou seja, por meio dos instrumentos simbólicos, signos e instrumentos físicos e psicológicos; por exemplo: quando o aluno vê o globo terrestre, na realidade ele está vendo a Terra (conceito de Terra), formando uma representação do mundo. Inicialmente, o aluno pode ter contato direto com o objeto e manusear os mapas, os softwares de análise espacial, o GPS e tantas outras ferramentas que auxiliam nesse processo de conhecimento da realidade espacial. Essa relação pode ser mediada por uma pessoa, no caso, o professor, que tem subsídios para mostrar ao aluno a aplicabilidade de todas essas ferramentas. Assim, a criança ou adolescente desenvolverão signos que explicarão ou esclarecerão algumas lacunas que havia até então. Como, por exemplo, os movimentos de translação e rotação da Terra, que lhes foram apresentados de forma simbólica, por meio de um globo, e agora podem imaginar o processo sem precisar ir ao espaço e observar diretamente esses movimentos. Da mesma forma que com o auxílio de outras geotecnologias pode-se explicar, pelos símbolos, muitos fenômenos geográficos; afinal, não há como se conhecer todos os espaços terrestres e seus mecanismos de forma direta e real. Entretanto, não se descarta a utilização de aulas de campo para melhor fixação e aprendizagem do objeto de estudo.

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Na prática pedagógica, percebe-se que o professor de Geografia tem por objetivo ensinar a ciência geográfica ao aluno, despertar nele a vontade de conhecer, compreender e assimilar a análise do espaço vivido, além das relações sociais e naturais do planeta. O desafio do professor de Geografia consiste em explicitar os mecanismos de ordem global/regional e as interferências humanas. O professor tem papel fundamental no processo de ensinoaprendizagem; ele pode ser o mediador entre o aluno e o conhecimento. Sua atuação vai além da sala de aula e tem influência direta no cotidiano do aluno, daí a sua importância para a apropriação do conhecimento científico historicamente acumulado. RELAÇÕES: TECNOLOGIA - MÍDIA O reconhecimento de que tudo está interligado, conectado, fazendo com que os saberes exijam práticas educativas contemporâneas, é inevitável e de fundamental importância reconhecer que a mídia invadiu todos os espaços, e principalmente o espaço educativo, não podendo haver um retrocesso de aprendizagem em que a forma tradicional de educação não admita reformas teóricas e práticas do ensino. Milton Santos (2006) em seu livro “A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção”, declara que “as técnicas são um conjunto de meios instrumentais e sociais com os quais o homem realiza sua vida produzam e, ao mesmo tempo cria espaço”. Este espaço atualmente constitui uma complexidade onde a tecnologia impôs meios tecnológicos e midiáticos que permeiam a vida social e privada da humanidade. Sabe-se que uma nova cultura tecnológica e midiática despontou nas últimas décadas, podendo se denominada cibercultura, onde a mídia promoveu novos meios de relação virtual que ocorre em tempo real através de ferramentas digitais como nas comunidades do Orkut, Facebook, Twitter, blogs, Second Life, chats online, entre outras. Desta forma se estabeleceram novos campos de relação entre o local e o global, entre territórios caracterizados por particularidades que formaram comunidades ligadas por interesses afins, diálogos que se estabelecem por afinidades e que podem contribuir para troca e ampliação de conhecimentos. Surgem novos espaços de referência para educação, que não pode permanecer alienada destes instrumentos, nem pode negligenciar que estes se constituem uma maneira de promover educação, seja esta educação benéfica ou negativa na formação educativa de aprendizagem social. RELAÇÕES DE PODER NO ESPAÇO VIRTUAL

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O espaço virtual constitui-se por contradições onde nem sempre se configura uma ética social e educacional. Santos (2006) alerta para que se reconheça que o espaço é hoje um sistema de objetos cada vez mais artificiais, povoados por sistemas de ações igualmente imbuídos de artificialidade, e cada vez mais tendentes a fins estranhos ao lugar e seu habitantes. A questão original do espaço constituído por virtualidades que não correspondem a meios éticos, saudáveis e com fins sociais, leva-nos a nos perguntar, assim como Milton Santos “qual a possibilidade real, neste mundo pós-moderno distinguir claramente o que é bom e o que é mau? Quais as relações de poder incutidas nas mídias que estão mescladas por publicidades tendenciosas e programas que invadem a vida privada em nome de interesses públicos? Cabe ao educador evidenciar estas relações e intenções de poder, de modo que estas sejam analisadas criticamente junto á possibilidade de produção de saberes contemporâneos pautados pela tecnologia e pelo conhecimento construtivo, ético, social e politizado. Esta influencia entre os saberes, poderes e fazeres educacionais e midiáticos ocorre de forma negativa se o professor negligenciar a influência da tecnologia e da mídia no ambiente de aprendizagem. Para geografia, é imprescindível reconhecer as camadas subliminares de domínios e de intenções que se escondem sobre os conteúdos e representações tecnológicas expostos no cotidiano virtual. Assim, seria possível estabelecer conexões educativas que recriam ambientes interativos de aprendizagem, de lazer e de comunicação através da internet, proporcionando um poder sobre a seleção de oportunidades benéficas de relacionamentos entre o conhecimento, a aproximação entre opostos, a associação entre afins e a relação entre o virtual e o real. Para Foucault, esta seria uma questão de analisar a complexidade em que o poder consiste, pois,
desde o momento em que se pode analisar o saber em termos de região, de domínio, de implantação, de deslocamento, de transferência, pode-se aprender o processo pelo qual o saber funciona como um poder e reproduza seus efeitos (FOUCAULT,2006, p.44)

Desta forma, o saber influencia e é influenciado por determinantes de um poder ligado a inúmeros fatores, e esse conhecimento deve estar na consciência de quem ensina e de quem recebe a informação. Isso para que ocorra uma reflexão sistemática sobre os efeitos que

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as ferramentas midiáticas, os meios de comunicação e a tecnologia disponível desencadeiam no processo de ensino-aprendizagem e no cotidiano do ambiente virtual acessado por todos nós habitualmente. Trata-se de usar recursos de maneira construtiva e oportunizar um processo de aprendizagem que valorize as conexões entre o ambiente virtual que proporciona uma aprendizagem entre as diferentes disciplinas e linhas do conhecimento, poderá proporcionar uma interdisciplinaridade que alie os meios midiáticos disponíveis a uma relação entre os diferentes saberes e fazeres educacionais ligados a uma educação construtiva e ética.

REDE DE CONHECIMENTOS
Desta forma, em se tratado de conhecimento globalizado exercido através das diferentes disciplinas que têm um senso de responsabilidade social e aproximam a realidade da sala de aula, poderíamos citar metodologias alternativas relacionadas a uma abordagem que parte do que está disponível na mídia para a relação construtiva do conhecimento. O exemplo de redes que estabelecem uma relação de comunidades do Orkut, Facebook e do Twitter agregando relações moderadas por afinidades demonstram valores, representações culturais e a exposição de uma identidade particular para a sociedade e para o mundo virtual. Se a educação não se aproximar destes meios de modo técnico, científico e informacional, não estará apta a dialogar na mesma linguagem que os educandos. Cabe à escola instruir de modo ético o uso destes meios, para uma forma de socializar esses em função de conhecimentos construtivos e educativos. Estes territórios de comunidades virtuais de comunicação podem ser associados a uma possibilidade de estudos onde o lugar virtual representa códigos, símbolos e é organizado por uma linguagem virtual interligada a modalidades contemporâneas de comunicação. Novos desafios de interpretação exigem uma nova abordagem pedagógica e inter-relacional para que os usuários da internet saibam refletir de maneira crítica os espaços virtuais em que habitam conhecimentos que flutuam entre interesses diversos. Desta forma, a busca de uma associação entre as diversas disciplinas do ensino deve priorizar uma aprendizagem que se utilize de meios virtuais significativos para construir um conhecimento pautado pela interdisciplinaridade. Sendo fundamental que haja uma relação

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multi e interdisciplinar, incluindo técnicas transversais, para que ocorra uma adequada mediação entre a tecnologia e a educação, onde se constrói uma leitura dinâmica e pautada pelos valores dos discursos e das representações sociais destas “comunidades virtuais” diante da possibilidade de associá-las a conteúdos e dinâmicas educativas.

PROFESSOR COMO MEDIADOR DE CONHECIMENTO São inúmeras as paginas da internet sobre todas as disciplinas e incontáveis blogs de professores, de pesquisadores e estudantes que destacam os mais diversos conhecimentos que quando acessados servem de referências para uma aprendizagem que compreenda o mundo virtual em que se dá a interação dos sujeitos. Cumpre salientar ainda que nem tudo que nos é apresentado na internet deve ser considerado como verdade absoluta, como um bem inquestionável ou como um mal a ser exterminado, mas deve ser analisado sob uma ótica didática e pedagógica. Deste modo, o educador é figura de fundamental importância atuando no papel de mediador do conhecimento para que o aluno possa desenvolver a capacidade de coletar os dados e selecionar o que realmente será útil para vida dos sujeitos. Deve-se ressaltar que vivemos em uma sociedade da informação e não do conhecimento. Os indivíduos hoje têm acesso às informações praticamente em tempo real, tão rapidamente chegam às informações até nós. A diferença entre informação e conhecimento é evidente e inclui uma metodologia que ultrapasse as barreiras tradicionais da educação, de tal modo que,
“a questão que se coloca é, pois, sobretudo uma questão de método, isto é, da construção de um sistema intelectual que permita, analiticamente, abordar uma realidade, a partir de um ponto de vista. Este não é dado em si, um dado a priori, mas uma construção. É nesse sentido que a realidade social é construída” (SANTOS, 2006, p.33).

Por fim, é importante ressaltar que os educadores têm um desafio imprescindível imposto por Piaget, onde os educadores devem “aprender a aprender”, aprendendo a associar os meios técnicos científicos e informacionais de maneira a construir conhecimentos, a esclarecer questões subliminares do mundo virtual. CONSIDERAÇÕES FINAIS

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Por tanto para geografia, é imprescindível reconhecer as camadas subliminares de domínios e de intenções que se escondem sobre os conteúdos, ferramentas e representações tecnológicas expostos nos meios de comunicação. Estes meios de comunicação não podem ser desprezados e devem ser bem empregados pelos educadores, de maneira a se transformar em recursos importantes vinculados a um conhecimento múltiplo e significativo, inclusive denotando uma oportunidade de se criar uma reflexão positiva sobre os aspectos da comunicação virtual, assim como os aspectos negativos ligados a estas ferramentas, tendo em vista que há inúmeras conseqüências em se ter acesso a tecnologia e não haver um senso crítico de maturidade para o uso apropriado destas para um conhecimento construtivo ou o estabelecimento de relações virtuais saudáveis. Cabe aos educadores, em especial os geógrafos, reconhecer que a educação ocorre de maneira transversal e necessita respeitar não só os saberes de quem ensina, mas urge por escutar as informações e os conhecimentos de quem aprende, para construir e conectar-se às possibilidades de aprendizagem pautadas pela ética e pela cidadania de um mundo globalizado e interativo. REFERÊNCIAS CARLOS, A. F. A. A Geografia na sala de aula. São Paulo: Contexto, 2006. FITZ, P. R. Novas tecnologias e os caminhos da Ciência Geográfica. Diálogo Tecnologia, v. 6, p. 35-48, 2005. FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 26.ed. São Paulo: Graal, 2008. OLIVEIRA, M. K. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento - um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1993. ROCHA, J. A. M. R. GPS: uma abordagem prática. 3. ed. Recife: Editora Bagaço, 2002. SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, Razão e Emoção. 4. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.

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