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PUBLICADO EM SESSÃO

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TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

ACÓRDÃO

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ELEITORAL N° 631-43.2012.6.24.0002 - CLASSE 32— BIGUAÇU - SANTA CATARINA

Relatora: Ministra Laurita Vaz Agravante: Ministério Público Eleitoral Agravado: Dalton Dano Sodré Advogados: Alfredo da Silva Júnior e outros

ELEIÇÕES 2012. REGISTRO DE CANDIDATURA. VEREADOR. APLICAÇÃO. SÚMULA 11-TSE. NÃO INCIDÊNCIA. RESSALVA. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. IRREGULARIDADE. DRAP. COLIGAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. PERCENTUAIS DE GÊNERO (LEI N° 9.504197, ARTIGO 10, § 30). AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

1. Hipótese em que o Agravante não possui Iegitimidade

para recorrer da decisão que deferiu o registro porque não o impugnou no momento oportuno, atraindo a incidência da Súmula 11 do TSE.

2. A matéria de fundo do presente recurso refere-se à

suposta inobservância, pela coligação a que está vinculado o Agravado, dos percentuais de gênero previstos no § 3 0 do artigo 10 da Lei n° 9.504/97, razão pela qual não se aplica, na espécie, a ressalva da parte final da referida Súmula.

3. Reconhece-se a falta de interesse de agir do

Ministério Público Eleitoral como custos legis em razão de

não atuar no processo na qualidade de parte legitimada a propor impugnação ao registro de candidatura (art. 3 0 da LC n° 64/90).

4. Agravo regimental desprovido.

Acordam os ministros do Tribunal Superior EIeitoral,

AgR-REspe n° 631-43.2012.6.24.0002ISC

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por unanimidade, em desprover o agravo regimental, nos termos das notas de julgamento.

BrasuIia3 de novembro de 2012.

MIN IA LAURITA VAZ - RELATORA

AgR-REspe n o 631-43.2012.6.24.0002/SC

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RELATÓRIO

A SENHORA MINISTRA LAURITA VAZ: Senhora Presidente,

trata-se de agravo regimental interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO

ELEITORAL de decisão que negou seguimento ao seu recurso especial ante a

falta de interesse de agir - incidência da Súmula 11 do TSE.

Alega o Agravante:

] aplicar a Súmula n° 11 desse e. TSE ao Ministério Público Eleitoral constitui ofensa à Constituição Federal de 1988, que, em seu art. 127, caput, incumbiu ao Ministério Público a função precípua de defensor da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis, conferindo-lhe, ainda, o caráter de instituição permanente e essencial à função jurisdicional do Estado.

[

] o Ministério Público Eleitoral, por força do texto constitucional, tem ampla legitimidade recursal nos processos de registro de candidatura, até porque não há norma ou matéria de direito eleitoral que seja estranha à preservação da ordem jurídica ou do regime democrático, tenha ou não a mesma status constitucional. (fis. 135-136)

[

Para corroborar sua tese, narra a evolução de entendimento

desta Corte sobre o tema para assentar que a aplicação da Súmula 11-TSE

ao MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL, restringindo sua atuação como

custos legis, ocorreu apenas em precedentes isolados.

Pede seja reconsiderada a decisão ou, caso contrário,

submetido o regimental a julgamento pelo Colegiado.

É o relatório.

VOTO

A SENHORA MINISTRA LAURITA VAZ (relatora): Senhora

Presidente, trata-se de recurso especial interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO

ELEITORAL de acórdão do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina que

AgR-REspe no 631-43.2012.6.24.0002/SC

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manteve o deferimento do pedido de registro de candidatura de DALTON DARIO SODRÉ ao cargo de vereador pelo Município de Biguaçu.

Conforme já dito, o Agravante não possui legitimidade para recorrer da decisão que deferiu o registro porque não o impugnou no momento oportuno, atraindo a incidência da Súmula 11 do TSE:

No processo de registro de candidatos, o partido que não o impugnou não tem legitimidade para recorrer da sentença que o deferiu, salvo se se cuidar de matéria constitucional.

Ora, a matéria de fundo do presente recurso refere-se à suposta inobservância, pela coligação a que está vinculado o Agravado, dos percentuais de gênero previstos no § 30 do artigo 10 da Lei n° 9.504197, razão

pela qual não se aplica, na espécie, a ressalva da parte final da referida Súmula. Confiram-se, a propósito, os seguintes precedentes desta Corte:

Inelegibilidade. Desincompatibilização. Ilegitimidade.

- Nos termos da Súmula n° 11 do TSE, a parte que não impugnou o registro de candidatura, seja ela candidato, partido político, coligação ou o Ministério Público Eleitoral, não tem legitimidade para recorrer da decisão que o deferiu, salvo se se cuidar de matéria constitucional.

Agravo regimental não provido.

(AgR-REspe n° 133-31/GO, Rei. Ministro ARNALDO VERSIANI, publicado na sessão de 27.9.2012 - sem grifo no original)

AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL ELEITORAL. PEDIDO DE REGISTRO DE CANDIDATURA. ELEIÇÕES 2008. SÜMULA-TSE N° 11. RESSALVA. INCIDÊNCIA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO-PROVIMENTO.

1. Nos termos da Súmula-TSE n° 11, a parte que não impugnou o registro de candidatura, seja ela candidato, partido político, coligação ou o Ministério Público Eleitoral, não tem legitimidade para recorrer da sentença que o deferiu, salvo se se cuidar de matéria constitucional. Precedentes: REspe n° 22.578, Rei. Min Caputo Bastos, publicado em sessão em 22.9.2004; REspe n° 17.712, Rei. Min. Garcia Vieira, publicado em sessão em 9.11.2000; REspe n° 15.357, Rei. Mm. Eduardo Ribeiro, publicado em sessão em

27.8.1998.

3. Agravo regimental não provido.

(AgR-REspe n° 32.345/MG, Rei. Ministro ALDIR PASSARINHO JUNIOR, publicado na sessão de 28.10.2008) M

AgR-REspe no631-43.2012.6.24.0002/SC

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Registro de candidatura. Prefeito. Inelegibilidade. Impugnação. Ausência. Recurso eleitoral. Não-conhecimento. Ilegitimidade. Súmula-TSE n° 11. Incidência. Matéria infraconstitucional.

a parte que não impugnou o

registro de candidatura não tem legitimidade para recorrer da sentença que o deferiu, salvo se se cuidar de matéria constitucional, o que não se averigua no caso em exame. Precedentes.

2. A mencionada súmula não se aplica tão-somente a partido político, mas a todos os legitimados a propor impugnação ao registro de candidatura a que se refere o art. 3 0 da Lei Complementar n° 64/90. Precedentes.

Recursos especiais não conhecidos.

1. Nos termos da Súmula-TSE n°

11,

(REspe no 22.5781SP,

Rei. Ministro CAPUTO BASTOS, publicado na

sessão de 22.9.2004 - sem grifo no original)

Como se observa, diversamente do que sustentado pelo Agravante, não se trata aqui de cercear a atuação do MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL como custos leqis, mas, sim, de reconhecer sua falta de interesse

nacão ao réaistro de candidatura (art. 30 da LC n°

Ante o Oxposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo regimental.

Éc7,

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AgR-REspe n° 631-43.2012.6.24.0002/SC

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EXTRATO DA ATA

AgR-REspe n° 631-43.2012.6.24.0002/SC. Relatora: Ministra Laurita Vaz. Agravante: Ministério Público Eleitoral. Agravado: Dalton Dano Sodré (Advogados: Alfredo da Silva Júnior e outros).

Decisão: O Tribunal, por unanimidade, desproveu o agravo regimental, nos termos do voto da relatora. Acórdão publicado em sessão.

Presidência da Ministra Cármen Lúcia. Presentes as Ministras Nancy Andrighi, Laurita Vaz e Luciana Lóssio, os Ministros Marco Aurélio, Dias Toifoli e Henrique Neves, e a Vice-Procuradora-Geral Eleitoral, Sandra Cureau.

SESSÃO DE 13.11.2012.