Monografia Final- Vitor Lima.docx

Introdução

É momento histórico de avançar na gestão de presídios, observando a supremacia do interesse público sobre o particular, mas buscando alianças e projetos em parceria com os mais diversos setores da sociedade. É necessário atrair investimentos privados e fomentar a participação crescente dos segmentos sociais sem fins lucrativos na implementação de projetos estrategicamente vitais à sociedade.

1- Apresentação
A penitenciária Industrial de Nanuque-Mg será destinada aos presos do sexo masculino que cumprem pena em regime semi - aberto. O terreno será doado pela Prefeitura Municipal de Nanuque, conforme carta em anexo do Prefeito Nide Alves de Brito. A Unidade será projetada objetivando oferecer novas alternativas para os apenados, proporcionando – lhes trabalho e profissionalização. Será feito uma parceria com uma empresa privada. Essa aliança será feita entre a Prefeitura Municipal de Nanuque e uma empresa de Destilaria de álcool, a Alcana. O projeto arquitetônico irá contar com uma área para indústria, instalando um galpão onde será produzido o açúcar, a matéria prima virá da Alcana, trazida pela empresa. O serviço dos detentos será de ensacar o açúcar e a colheita da cana. Com isso, os detentos poderão contar com 2/3 do salário mínimo, além de conseguir o benefício da redução da pena e reintegração à sociedade.

2 – Localização
Nanuque é segunda maior cidade da Microrregião Vale do Mucuri, nordeste de Minas Gerais, e importante entroncamento rodoviário. A cidade tem aproximadamente 42 mil habitantes (censo IBGE – 2000).

6

. Fig1: Mapa de Minas Gerais

3 – Problemática
A idéia é dotar o Município de Nanuque-Mg com um equipamento nele indisponível, produzindo uma arquitetura que extrapole a tipologia e em conseqüência interfira positivamente no método de recuperação e reintegração desses indivíduos na sociedade. Os presídios administrados pela Secretaria de Estado de Defesa Social que atendem a região estão em péssimas condições e super lotados conforme mostra a tabela abaixo:
PRESOS EM REGIME CIDADE Masc. OCUPAÇÃO Fem. TOTAL CAPACIDADE Masc. semi-aberto Fem. TOTAL CAPACIDADE Masc. Fem.

Itaobim Araçuaí Teófilo Otoni1 Janaúba Almenara Mantena Januária Teófilo Otoni2

119 177 405 177 137 137 116 281

10 15 18 9 6 6 5 0

129 192 423 186 143 143 121 281

120 62 298 69 50 24 42 300

19 22 95 33 14 17 32 139

2 1 3 4 2 2 0 0

21 23 98 37 16 19 32 139

0 0 0 0 0 0 0 240

0 0 0 0 0 0 0 0

As cadeias públicas administradas pela policia civil:
PRESOS EM REGIME CIDADE Masc. OCUPAÇÃO Fem. TOTAL CAPACIDADE semi-aberto Masculino Feminino

7

LEGAL

Itambacuri Jequitinhonha Nanuque Pedra Azul Aguas Formosas Novo Cruzeiro Malacacheta Rio Pardo de Minas Carlos Chagas Salinas Jacinto Taiobeiras Tupaciguara Açucena

113 113 91 69 64 61 56 50 55 42 37 23 99 41

6 4 15 10 4 4 3 5 0 2 2 0 11 0

119 117 106 79 68 65 59 55 55 44 39 23 110 41

35 22 29 25 11 40 28 21 16 34 15 18 37 26

0 36 23 7 11 22 12 8 1 10 6 0 24 3

0 3 2 1 0 2 0 1 0 0 1 0 1 0

As penitenciárias e cadeias citadas acima, conforme demonstra na tabela tem 548 detentos em regime semi-abertos e um total de vagas para 240 detentos, ou seja, tem um déficit de 308 vagas, além de não terem capacidade para abrigar mais detentos, encontram – se em péssimo estado de conservação, não oferecendo nenhum tipo de segurança. Os presos não possuem condições de corrigirem seus erros, ficando com as mentes livres para esquematizarem um jeito de dominar a própria penitenciária. A superlotação das celas, sua precariedade e sua insalubridade tornam as prisões num ambiente propício à proliferação de epidemias e ao contágio de doenças.

3.1 Sistemas Penais Brasileiro
O sistema penal brasileiro é enorme. O Brasil encarcera mais pessoas do que qualquer outro país na América Latina (sem dúvida, possui um número de agentes penitenciários maiores que o número de presos em muitos países); o sistema opera o maior presídio individual da região; até mesmo o número de fugitivos atinge milhares. Infelizmente, os problemas desse sistema imenso e de difícil controle possuem proporções correspondentes. Abusos dos direitos humanos são cometidos diariamente nos estabelecimentos prisionais e afetam milhares de pessoas. As causas dessa situação são variadas e complexas, mas, certamente, fatores cruciais podem ser identificados. Entre eles a idéia de

8

e de uma instituição para outra. À luz do horrendo estado do sistema penal. a apatia pública em relação aos abusos não é surpresa. a distribuição do espaço é relativamente irregular. criminosos não merecem a atenção pública. os defeitos do sistema penal são. Na maioria das prisões. ao invés de falta de verbas. as celas de castigo e triagem nas quais é tão provável encontrar presos que precisam de proteção de outros presos quanto presos que estão 9 . As celas lotadas e os dormitórios desses lugares mostram como os presos se amarram pelas grades para atenuar a demanda por espaço no chão ou são forçados a dormir em cima de buracos de esgoto. Ministérios Públicos e autoridades federais relevantes comecem a instituir um conjunto de reformas mais do que necessárias. Dados os altos índices de crimes violentos no Brasil. No geral. em grande parte. as condições carcerárias no Brasil são normalmente assustadoras. a superlotação atingiu níveis desumanos com detentos amontoados em pequenas multidões. Além disso. Vários estabelecimentos prisionais mantêm entre duas e cinco vezes mais presos do que suas capacidades comportam. Tipicamente. onde falta assistência médica e abusos físicos são comuns é dispendiosa. Os presos são quase exclusivamente de classes mais pobres. presos que são mais pobres mais fracos e menos influentes tendem a viver em acomodações menos habitáveis. de forma que o pior da superlotação recai desproporcionalmente sobre certos presos. devidos à ausência de vontade política para ajustá-los. Algumas das crueldades mais extremas das quais os detentos brasileiros são vítimas não podem de forma alguma ser atribuídas à falta de recursos públicos. por isso. sem educação e politicamente impotentes. é crucial que as autoridades prisionais e policiais com o apoio dos deputados estaduais. considerando-se o alto custo de vidas arruinadas. Confiná-los em condições humanas é uma proposta dispendiosa. Mesmo a solução atual de confinamento em condições de superlotação extrema. Em alguns estabelecimentos. promotores. num desrespeito às leis e com altos índices de reincidência. Embora as condições variem significativamente de um estado para outro.que o abuso de vítimas presos e. à margem da sociedade.

a polícia acaba sendo encarregada de uma proporção significativa da população carcerária. Ao invés de serem usadas para detenções de período curto para suspeitos logo após a prisão inicial. As condições das celas de segurança no pavilhão cinco da Casa de Detenção de São Paulo são particularmente miseráveis. os estabelecimentos penais mais superlotados no Brasil são geralmente as delegacias de polícia. Nos casos mais extremos São Paulo e Minas Gerais a polícia tornou-se. onde suspeitos criminosos são imediatamente transferidos da custódia da polícia. como deveriam funcionar. a autoridade prisional. encontramos oito presos amontoados em cada uma das celas individuais. 1 Embora certos presídios tenham lotação muito superior às suas capacidades. abdicando de suas funções. prorrogando o contato com seus torturadores. Muitos detentos ainda permaneceram por longos períodos nas mesmas delegacias onde sofreram os abusos. as autoridades prisionais estaduais estão. é uma 1 Segundo Drauzio Varella. no livro Estação Carandiru. detentos foram despidos. 10 . prática endêmica no Brasil. Privados da luz do sol e exercícios. na prática. choques elétricos e afogamentos. Ao permitir que apenas alguns certos presos sejam transferidos para o sistema penitenciário. as delegacias policiais em vários estados mantém detentos por longos períodos de tempo e até mesmo anos. pendurados num pau de arara e sujeitos a espancamentos. Em estados onde os agentes prisionais têm a capacidade de limitar a transferência de detentos adicionais de delegacias para presídios. A detenção de longo prazo em delegacias de polícia agrava o sério problema de torturas cometidas pela polícia. de fato. em forma significativa. sendo que algumas celas eram habitadas por até dez presos. O ar nessas dependências escuras era pesado com dióxido de carbono e odores de transpiração. suplementando e quase substituindo o sistema penal convencional. Em ambos os dias que a Human Rights Watch visitou essa área. aproximadamente 350 detentos mantidos nessa área raramente eram liberados para fora de suas celas.sendo punidos são as áreas mais apertadas e menos confortáveis. A Human Rights Watch entrevistou muitos presos que descreveram ter sido torturado em delegacias policiais. os outros presos normalmente referiam-se a esse grupo específico como "os amarelos". O estado do Rio Grande do Sul. Como é prática na tortura.

Em alguns presídios. onde doentes graves e mesmo presos morrendo continuam amontoados juntos aos outros detentos. apenas a menor parte dos presos brasileiros tem a oportunidade de trabalhar. fala claramente que se em sua penitenciária não tivesse como os presos trabalharem ou momentos de lazer. médicos e enfermeiros qualificados são poucos e os medicamentos são difíceis de ser obtidos. a escassez de trabalhos contribui para a superlotação. A situação é particularmente ruim em delegacias de polícia. nenhum desses benefícios é oferecido na extensão contemplada pela lei. 11 . todos os presos condenados no Brasil deveriam ter oportunidades de trabalho. permitindo aos presos visitas dos familiares.exceção a esse respeito. merecem elogios a esse respeito e certos abusos sistemáticos podem também ser identificados. inclusive assistência médica. livramento condicional. Apesar da lei claramente estabelecer isso. até mesmo as opções de lazer são Nessa mesma penitenciária o assistente de segurança. conseqüentemente. De acordo com a LEP. Oportunidades educacionais e de treinamento também são escassas. educação e treinamento. e lhes deveria ser oferecido alternativas razoáveis de lazer. e particularmente em delegacias de polícia. amigos e até mesmo visitas íntimas. a falta de controle da contaminação de doenças entre os presos representa um sério risco à saúde pública. Doenças potencialmente letais como a tuberculose e a AIDS atingiram níveis epidêmicos entre a população carcerária do Brasil. Um elemento positivo sobre os estabelecimentos penais brasileiros é que estes normalmente oferecem generosas políticas de visitação. no entanto. Roberto Rocha. A ausência de assistência médica é outro aspecto bastante preocupante. Como os presos que trabalham é candidatos à redução de suas penas e. Em vários estabelecimentos. Devido às relações dos presos com a comunidade exterior e seus eventuais retornos a essas comunidades. Embora a LEP estabeleça que os presos devam ter acesso a vários tipos de assistência. fazendo com que os presos tenham poucas atividades construtivas limitadas2. O primeiro obstáculo às visitas dos presos é o tratamento humilhante pelo qual passam os 2 para canalizar suas energias. haveria rebeliões constantes. nem ao menos a assistência média o mais básico e necessário dos três serviços está disponível sequer em níveis mínimos para muitos presos. Nem todos os estabelecimentos. assessoria jurídica e serviços sociais.

A Human Rights Watch entrevistou duas mães que tinham dado à luz há menos de um mês e meio antes da nossa visita: ambas tinham visto seus bebês uma única vez durante todo aquele período. segundo alegam vários presos. nas quais são forçados a se despirem e até mesmo. mas elas também sofrem com problemas específicos. Fig. sofrendo menos violência e contando com um apoio maior. as presas algumas vezes têm as visitas negadas ou permitidas em condições extremamente restritivas. apesar da Constituição de 1988 garantir às presas o direito de manter seus bebês consigo durante todo o período de lactação.visitantes. 12 .2: foto dos detentos dentro das celas no Carandiru. mulheres em vários estados enfrentam a discriminação quanto às visitas conjugais. Enquanto os presos homens tendem a ter essas visitas garantidas. com pouco ou nenhum controle das autoridades estaduais. As detentas geralmente são poupadas de alguns dos piores aspectos das prisões masculinas desfrutando de maior acesso a oportunidades de trabalho. que podem estar sujeitos a revistas. Além disso. presas em alguns estabelecimentos penitenciários perdem a guarda dos filhos imediatamente após darem à luz. mal regulamentadas. Mais notadamente. a exame de toque vaginal.

3: foto dos detentos dentro das celas no Carandiru.Fig. 13 .

expostos ao perigo.5: foto dos detentos nas janelas do Carandiru. 14 .Fig.

também instiga juízes a fazerem uso de penas alternativas como fianças. disciplina. que reconhece um respeito aos direitos humanos dos presos e contém várias provisões ordenando tratamento individualizado.1 . pois a pessoa que é condenada e privada de sua liberdade em uma penitenciária deveria ser tratada como a um doente em um hospital. Consiste de sessenta e seis artigos. que segundo a Lei deveria dar condições sócio-humanas para que a pessoa mude seus conceitos e valores podendo reingressar no convívio de todos. 4. serviços comunitários e suspensão condicional. que data de 1994. verificada a "doença social" é preciso receitar o processo de cura e acompanhar o doente garantindo assim condições psicológicas para que ele próprio queira se ressocializar. com capacidade de produzir para si e automaticamente para o Estado. pois são jogados dentro de um estabelecimento prisional. educacional. Adotada em 1984. ou seja. social. é um documento de aspirações. As Regras Mínimas para o Tratamento do Preso no Brasil. Além de sua preocupação com a humanização do sistema prisional. alimentação. assistência médica. jurídica. as regras tratam de tópicos tais como classificação. a LEP é uma legislação. educação. O foco dessa lei não é a punição e sim. religiosa e material.4– Justificativas É preciso que o Estado venha a resgatar a meta principal da função prisional de ressocialização. protegendo os direitos substantivos e processuais dos presos e garantindo assistência médica. a "ressocialização das pessoas condenadas". As regras basearam-se no modelo nas Regras Mínimas para o Tratamento de Prisioneiros das Nações Unidas e foram 15 . porém a penitenciaria hoje é a faculdade para uma maior marginalização. trabalho e direito ao voto. contato dos presos como o mundo exterior.Normas Legais Nacionais A descrição mais detalhada sobre as normas prisionais brasileiras ou pelo menos suas aspirações para o sistema carcerário pode ser encontrada na Lei de Execução Penal (LEP). O que existe hoje é uma falta de estimulo para que os condenados queiram realmente se curar.

• Penitenciária Industrial de Guarapuava . a cela (que normalmente estão superlotadas) ficam mais vazias. ficam satisfeitos por estarem exercendo uma atividade. Inaugurada em 12 de novembro de 1999.descritas como um "guia essencial para aqueles que militam na administração de prisões". Proporciona aos presos um ofício.Fax: (42) 3624-3087 E-mail: pig@depen.CDI Morro Alto . destinada a presos condenados do sexo masculino. ajudando-o na sua reintegração à sociedade. 439 . 5 – Pesquisas de Referências Obra Análoga Eu escolhi duas obras análogas para serem citadas e apresentadas nessa pesquisa.Guarapuava .Paraná Telefone: (42) 3624-4039 . redução de pena e em alguns casos eles chegam a receber alguma remuneração. está localizada no Município de Guarapuava. Isso sem falar que no tempo em que a maioria dos apenados está trabalhando. distante 265 km de Curitiba e tem capacidade para abrigar até 240 internos.br Diretor: José Ricardo Lubachevski Vice-Diretor: Amaurilio Valmir Cabral 16 . são elas a: Penitenciária Industrial de Guarapuava – PIG e Penitenciária Industrial de Cascavel – PIC. Rua Dário Borges de Lis.pr. que com a ocupação os detentos ficam menos rebeldes.Caixa Postal 214 85053-390 . Outro ponto que deve ser levantado é a diminuição de rebeliões.PIG Primeira Penitenciária Industrial do País. em regime fechado. deixando os demais menos revoltados.gov. eu cheguei à conclusão de que esse está sendo um modelo que vem trazendo resultados positivos. Após estudar vários tipos de penitenciárias.

O custo total. Uma experiência que deu certo A PIG também é pioneira na terceirização. A empresa fornece toda infra-estrutura de pessoal (segurança. 17 . sendo 80% provenientes de Convênio com o Ministério da Justiça e 20% do Estado.800m². obra e circuito de TV foram no valor de R$5. técnicos. norte do Paraná. mediante processo licitatório. estando instalado um canteiro onde são produzidos sofás. política esta adotada pelo Governo do Estado do Paraná. embalagem e etiquetagem. revertendo esses recursos para melhoria das condições de vida do encarcerado. os outros 25% são repassados ao Fundo Penitenciário do Paraná. A matéria-prima é trazida pela empresa. recebendo como remuneração de 75% do salário-mínimo. como taxa de administração.360.323. material de expediente e de limpeza. constituindo-se numa extensão da fábrica que está localizada no município de Arapongas. Os detentos fazem a montagem do produto e controle da sua qualidade. A Unidade foi concebida e projetada objetivando o cumprimento das metas de ressocialização do interno e a interiorização das Unidades Penais. pois é a primeira Unidade Penal do Brasil em que toda sua operacionalização é executada por uma empresa privada contratada pelo Estado. saindo o produto da Penitenciária direto para a loja. Seu projeto arquitetônico privilegia uma área para indústria de mais de 1.00. em dois turnos de 6 horas. incluindo projeto. No barracão da fábrica trabalham 70% dos internos da Unidade.Apresentação A Penitenciária Industrial de Guarapuava foi construída com recursos dos Governos Federal e Estadual. administrativos e serviços gerais).

uniformes.000m2 Área Construída: 7. 18 . A Lei Estadual nº 8852/88. referente ao tabagismo. para funcionários e presos. material de higiene pessoal. etc. medicamentos. sistema detector de metais fixo e móvel de rádios. Ao Estado compete o controle e a administração da custódia do preso. que permite a observação da movimentação dos presos no interior da Unidade e externamente. através de circuito fechado de TV.alimentação. ainda. portões automatizados. no acesso de veículos e pessoas. Estrutura Física: Área do terreno: 35.42m2 Capacidade para 240 presos Galerias: 5 Cubículos/Alojamentos: 120 Refeitórios: 2 Pátios: 5 Visita íntima: 12 quartos Consultório Médico: 1 Consultório Odontológico: 1 Salas de Aulas: 3 Salas para atendimento técnico: 6 Lavanderia: 1 Biblioteca: 1 Cozinha: 1 Canteiros de trabalho: 5 Segurança Dispõe de um sistema de monitoramento dos setores. O uso de uniformes é obrigatório tanto para os agentes penitenciários como para os presos. roupa de cama. é aplicada integralmente no interior da Penitenciária. Possui. quadrantes suspensos.177.

que absorve 40 presos. escola. fiscaliza e legitima o trabalho da empresa. Vice-Direção e Fiscal de Segurança da Unidade.Canteiros de trabalho O principal canteiro instalado no Pavilhão Industrial é de uma empresa privada que utiliza aquele espaço para montagem e confecção de móveis. cozinha. acompanha. tais como: faxina. pela empresa contratada (responsável pela operacionalização da Unidade) e pela 19 . odontológico. A produção é de aproximadamente 700 jogos de estofados por mês. possibilitando que todo o tratamento penal (atendimento jurídico. psicológico. O Estado. com previsão de aumento de produtividade.Estilo Palitos. O funcionamento da Penitenciária Industrial de Guarapuava está assentado no tripé formado pelo Estado (responsável pela custódia do preso). Os canteiros de trabalho funcionam em 2 turnos de 6 horas. Outros canteiros Os custodiados que não estão implantados no canteiro da fábrica de sofás trabalham em outros canteiros. médico. orienta.DEPEN. através de convênio com o Fundo Penitenciário e que utiliza a maioria dos presos nesse trabalho. serviço social. atividade recreativa) seja executado no horário em que o interno não está trabalhando. lavanderia e embalagens de produtos. A PIG conta ainda com um canteiro de empresa local . através de seus funcionários investidos nos cargos de Direção. Todos recebem remuneração (75% do salário-mínimo) e o benefício da remição de pena (1 dia remido a cada 3 dias trabalhados). que é executado em estreita observância da Lei de Execução Penal e das normas e rotinas do Departamento Penitenciário do Estado do Paraná .

e toda a sua operacionalização é executada por uma empresa privada contratada pelo Estado. A empresa fornece toda a infra-estrutura de pessoal (segurança.br Diretor: Ari Batista da Silva Apresentação A Penitenciária Industrial de Cascavel . 20 . gleba 4.fábrica de sofás (responsável pela disponibilização de trabalho para os sentenciados). Possui uma área de terreno de 120. mediante processo licitatório.Paraná Fone: (45) 3304-8100 E-mail: pic@depen.999. técnicos. A PIC foi construída nos mesmos padrões da Penitenciária Industrial de Guarapuava.pr. limpeza. é também terceirizada. alimentação.PIC inaugurada em 22/02/2002 é um estabelecimento penal destinado a presos condenados do sexo masculino.65 m².177m². São João e Esperança no Bairro Centralito.iniciativa privada . roupa de cama. estrada vicinal 85818-560 . com um total construído de 7. • Penitenciária Industrial de Cascavel – PIC Lote rural 3-2-B.Cascavel . ou seja. material de higiene pessoal. etc.gov. colônia "m". administrativos e serviços gerais). uniformes. material de expediente e de limpeza. medicamentos. em regime fechado com capacidade para 240 presos.

que busca oferecer novas alternativas para os apenados. Portas de segurança das celas. Quadrantes suspensos. Segurança A segurança interna é efetuada pelos Agentes de Disciplina. Ensino Fundamental e Médio. proporcionando-lhes trabalho e profissionalização.O custo total. incluindo projeto. Rádio transreceptores. A Unidade foi construída objetivando o cumprimento das metas de ressocialização do interno e a interiorização das Unidades.990. Programa de Ressocialização Canteiro de trabalho. Detectores de metais (fixo e móvel). Monitoramento para câmeras de vídeo. Cursos Profissionalizantes.118. Sistema de alarme e som (sirenes eletrônicas). sendo 80% provenientes de Convênio com o Ministério da Justiça e 20% do Estado.03. . política esta adotada pelo Governo do Estado do Paraná. 21 . obra e circuito de TV foram no valor de R$5. contando com os seguintes recursos e equipamentos: Portões automatizados.

3 Albergados: trabalham durante o dia e retornam a noite para dormir. Quarta também é dia de visita (2 horas também). por ser do sexo feminino. Religiosa. 5. Educacional. 22 . Apenas aos sábados eles saem que é dia de visita.Atividades Assistenciais Jurídica. A cadeia possui 8 celas. Saúde (médica. Os presos dessa cadeia não estão saindo para o banho de sol. Existe uma cela que abriga apenas 2 presas. sendo 23 deles. Cadeia com capacidade para 29 detentos possui hoje 106. pequeno demais. o delegado não conseguiu me explicar o porquê disso. Psicológica. mesmo quem não recebe visita tem direito a sair. duração de apenas 2 horas. odontológica e psicológica). Social. ficando presos também nos finais de semana. A cadeia possui um pátio e uma horta.1 Visitas de Campo Cadeia Publica de Nanuque Rua 1 Bairro: Vila Operária Nanuque-MG Visita dia 04/06/2010. o pátio é aberto e sem sombra. mas recebem a visita na grade. albergados3 e 2 mulheres. informações cedidas pelo Delegado Luis.

Após as visitas de sábado todos os presos são revistados antes de retornarem para as celas. mas não existe um lugar apropriado para a revista ser feita. Não existe visita íntima. podendo assim receber qualquer tipo de coisa sem ser vista. Os presos recebem a visita na grade. O policial garante que os alimentos levados para os presos são revistados. Falta de segurança.As visitas são revistadas precariamente. não existe se quer uma sala para isso. Cela dos Albergados Fotos tiradas pela Defensora Pública Gisa. pois não tem espaço físico para isso. A seguir uma seqüência de fotos da Cadeia Pública de Nanuque. no dia 04/06/2010 23 . Mas a visita de quarta-feira é crítica.

Celas Fotos tiradas pela Defensora Pública Gisa. no dia 04/06/2010 24 .

no dia 04/06/2010 Vista externa da cadeia 25 .Fotos tiradas pela Defensora Pública Gisa.

no dia 04/06/2010 Horta Fotos tiradas pela Defensora Pública Gisa.Fotos tiradas pela Defensora Pública Gisa. no dia 04/06/2010 26 .

Terreno o projeto e proposto para seu entorno 27 .descoberto e sem nenhuma sombra 6 .Pátio .

O terreno tem topografia suave.A escolha do terreno foi pensada de forma a não prejudicar a população local. pois facilitará a entrada e saída dos detentos. com 870 metros de fundo e 343 metros de frente. predominantemente plana. sem oferecer qualquer risco para os moradores e próximo também da Alcana. A penitenciária estará fora da área habitável da cidade. totalizando aproximadamente 298. 28 . gleba 7.7 Foto de localização do Terreno via satélite. sem necessariamente transitar pela cidade. estrada vicinal . o que é um ponto positivo. O terreno é hoje área de pasto com denominação de Lote rural 4-3-C. em caso de uma rebelião.6 Foto de localização de Nanuque por satélite Fig.410 m². Fig.

Planta Terreno Fonte: aplicativo Google Earth.Acesso: 28/04/10 29 .

Fotos: Fotos tiradas por Vitor Lima 30 .

1 Organograma 31 .7 – Projeto 7.

Este processo se realiza em duas dimensões: educação formal e formação profissionalizante. 32 . . Educação A educação do preso é um processo de desenvolvimento global para o exercício consciente da cidadania. Educação formal . a assistência educacional formal e profissionalizante. consistindo em Ensino Fundamental (1º Grau) e Médio (2º grau). o esporte e o lazer. Além da socialização de um saber sistematizado.7.é realizada através de um convênio com a Secretaria de Estado da Educação. Uma participação voluntária de diversas entidades religiosas irá desenvolver suas atividades direcionadas à evolução moral e cultural do preso. Uma das preocupações do sistema Penitenciário será criar novas alternativas de trabalho como forma de melhorar as condições de dignidade humana dentro das penitenciárias. a educação no Sistema Penitenciário tem a árdua tarefa de tentar (re) construir o indivíduo do ponto de vista social. e o contato com o mundo exterior. moral e ético. Trabalho O trabalho é um dos mais importantes fatores no processo de ressocialização dos presos. . Com o propósito de atingir esse objetivo o Sistema Penitenciário irá adotar políticas públicas que valorizarão o trabalho prisional. Assistência Religiosa A assistência religiosa ocupa também relevante papel na educação integral do preso no Sistema Penitenciário.2 Programas de Ressocialização É importante garantir aos condenados meios indispensáveis para sua reintegração social.

Esses contatos poderão ocorrer através de visitas. Espírita. poesia) e desportivas (com promoção de campeonatos de xadrez e futebol). No . o Sistema Penitenciário irá garantir que se mantenha a relação que os unem aos familiares e amigos.) Cubagem mínima 15m³ Cubagem mínima 20m³ 6m² por detento Área/ Dimensão 9m² 1 Cela individual Cela c/banheiro Detentos 2 Cela coletiva Cela c/banheiro Detentos 15m² 3 Solário Área de banho de sol Detentos Modulo de Guarda Externa 33 . intelectuais (bibliotecas. assim. Assembléia de Deus. palestrantes e advogados. completamente excluídos da comunidade. cartas. salas de áudio e vídeo).Como por exemplo. a Igreja Católica. Espaço por Setor Descrição do Espaço Tipo de Usuário Requisitos Especiais (ambientais ou funcionais etc. Pentecostal Deus é Amor. Contato com o Mundo Exterior Entendendo que o preso não deve romper seu contato com o mundo exterior.3 Programa e Pré-dimensionamento O Método empregado no pré-dimensionamento foi baseado no livro das diretrizes básicas para construção. ampliação e reforma de estabelecimentos penais do ministério da Justiça. 7. não sendo. Esporte e Lazer O Sistema Penitenciário irá promover atividades profissionais. Adventista. artísticas (festival de música. Universal do Reino de Deus.

S / Vestiário DML Guarda Externa Guarda Externa Guarda Externa Guarda Externa Guarda Externa - 30m² 6m² 4m³ cada 15m² 60m² 36m² 2m² Banheiro Deposito de material de limpeza Guarda Externa Guarda Externa Modulo de Agentes Penitenciários 12 Dormitório Agente Penitenciário Banheiro Chefia Deposito de material de limpeza Agente Penitenciário Agente Penitenciário Guarda Externa 60m² 13 14 15 I.4 Sala Comando de guarda Rádio e apoio Armas Banheiro Guarda Externa - 15m² 5 6 7 8 9 10 11 Sala Sala I.S Sala Revista Agente Penitenciário Agente Penitenciário Visitantes - 4m² 9m² 95m² 34 .S / Vestiário Sala DML - 30m² 12m² 2m² 16 Cozinha/ Refeitório Guarda Externa 15m² Modulo de Recepção e Revista 17 Revista Revista de detentos Banheiro Controle e rádio Revista de Detento 9m² 18 19 20 I.S M/F Refeitório Dormitório I.

S / M / F Sala Almoxarifado Hall de entrada Diretoria c/ I.Diretor Xerox Prontuário Banheiro Reuniões Almoxarifado central Funcionários Diretor Funcionários Vice.S Sala Banheiro Pertences de detentos Apoio administrativo Visitantes Agente Penitenciário Agente Penitenciário 24 Sala - A definir 25 Sala Recebimento de Agente Detentos Penitenciário e Detentos Recepção Todos - A definir 26 Sala A definir Modulo de Administração 27 28 29 30 31 32 33 34 35 Hall Sala Sala Sala Sala Sala I.s Recepção Vice.visitantes 21 Sala Sala de espera Visitantes 40m²/ 100 presos 20m² A definir 22 23 I.Diretor Funcionários Funcionários Funcionários Funcionários Funcionários A definir 35m² 9m² 15m² 6m² 30m² 30m² 15m² 94m² 36 Refeitório Funcionários Modulo de Assistência a saúde 36m² 35 .

S / M / F Farmácia Sala Coleta de material Funcionários Enfermaria Banheiro Material esterilizado Funcionários / Detentos Funcionários Funcionários Funcionários - 4m² 12m² 4m² 2m² 9m² 46 47 Rouparia DML Deposito de material de limpeza Funcionários Funcionários - 36m² 2m² Modulo de Tratamento Penal 48 49 50 51 Sala Sala Sala I.S / M / F Reunião Espera Parlatório Banheiro Detentos / advogados Detentos Visitantes 6m² 6m² 15m² 4m² Modulo de Serviços Cozinha 52 Sala Nutricionista 12m² 36 .37 38 Cela Controle Cela de espera Controle de agentes Consultório Médico Consultório Psicológico Detentos Agente Penitenciário Médico - 6m² 6m² 39 Sala - 10m² 40 Sala Psicólogo - 10m² 41 42 43 44 45 Sala Sala I.

S / M / F Estacionamento carrinhos Banheiro Funcionários Funcionários Funcionários Funcionários - 142m² 20m² 12m² 6m² 59 Câmara frigorifica 60 Refeitório Funcionários Funcionários 27m² 15m² Lavanderia 61 62 63 64 Área de trabalho Pátio Coberto Pátio descoberto Almoxarifado Central Funcionários Funcionários Funcionários Funcionários 48m² 30m² 80m² 100m² Modulo Polivalente / Cultos 65 66 Área Coberta I.5m² p/ detento 200m² 32m² Modulo de visitas Intimas 67 68 Celas Sala Celas c/ banheiro Sala de controle Detentos Agente Penitenciário 9m² 9m² Modulo de Oficinas 37 .S / M / F Banheiro Detentos Detentos 1.53 Recebimento e Pesagem Lavagem de louças Funcionários - 14m² 54 Funcionários - 18m² 55 Preparo e Cocção 56 57 58 Despensa diária I.

4 Diagramas Entrada 38 .79 70 71 Controle I.S Área de trabalho Banheiro Oficinas Agente Penitenciário Detentos Detentos - 6m² 20m² 1000m² Modulo Vivencia Coletiva 72 Refeitório Detentos 600m² 7.

Diretoria 39 .

Cela Detentos 40 .

41 .8. prisionais b) unidades estabelecimentos capazes de provocar impactos análogos. positivas e negativas. Levantamento do número de unidades prisionais carcerária. Análise de proposições e legislação federal e de outros Estados sobre o mesmo problema. visando a identificar os impactos mais comuns reportados para o Município e apontar direções e ações para o aprofundamento da análise e do processo de debate da proposição sugerida. exige a realização de levantamentos técnicos de campo. Pela sua natureza. Estudo de Inserção Urbana Um Estudo de Impactos Sociais e Ambientais gerados pela Unidade Prisional. no Município de Nanuque onde será instalado. decorrentes da unidade prisional. para dar conta dos objetivos pretendidos. com metodologia adequada para aferir as mudanças. Será adotada a seguinte metodologia: a) Levantamento e análise de alguns Estudos de Impacto e Ambiental. Assim. Utilizou informações documentais e bases de dados disponíveis. configura-se como etapa de planejamento para a implantação desse tipo de empreendimento por parte do Estado e deve servir de base para a aceitação pelo Município da instalação da unidade prisional em seu território. c) d) existentes. Análise da legislação ambiental e sobre o desenvolvimento urbano. existentes outros Social para e de Vizinhança. número de da população e sua delitos distribuição pelas regiões do Estado. este trabalho é um estudo preliminar indicativo da situação geral.

ressocializadora. pois não há política.9. Muitas vezes o preso entra na cadeia. ao invés de resgatar sua cidadania. num todo. os mesmos entram de vez no mundo da criminalidade. e. no entanto. Os detentos entram na prisão sem perspectivas e saem pior do que quando entraram. passam por uma decadência que assusta muita gente. Considerações Finais As unidades prisionais no Brasil e sua estrutura. e ações que só agravam cada vez mais a situação da violência e da desigualdade social no país. o que se vê. propícias. 42 . é um desperdício absurdo do dinheiro público. ao invés de resgatar a cidadania. se especializa no mundo do crime. As prisões brasileiras não estão cumprindo com sua função social e humana. para a ressocialização dos seus detentos. e se marginalizam cada vez mais. O que vemos é um sistema que não ajuda em nada o indivíduo a se reeducar. pois as prisões não oferecem estrutura física nem humana. deveras.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful