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A EXPERIÊNCIA DA SENHA . Monteiro Lobato.

Os cientistas após a morte nunca conseguiram vir revelar a senha que em envelope lacrado deixaram na Sociedade de
Pesquisas Parapsicológicas.

E conseguiu alguém fora da Ciência?

Houdini foi um dos melhores mágicos, e em evasões certamente o melhor de todos os tempos. Houdini morreu em
outubro de 1926. Em 1929, a revista Graphic de New York explicava que Harry Houdini, pouco antes de sua morte,
prometera que tentaria volver, se é que havia comunicação, e que como prova deixara com sua esposa, Beatrice, uma
senha que só ele e ela conheciam. Mais ainda, comunicava também que Houdini estabelecera um prêmio de 10.000
dólares (soma muito elevada naquela época!) ao médium que recebesse a senha. A revista comunicava também que a
senha constava de duas palavras.

Os juízes não concederam a ninguém o prêmio de 10.000 dólares.

Houve outra senha desconhecida de todos, em envelope lacrado, e para ser aberto após dez anos. Durante dez anos a
viúva Beatrice freqüentou, numerosíssimas sessões de espiritismo. Em 1936, depois de célebre e quase pública sessão
anunciada como último intento de contato, publicou que a senha nunca aparecera.

Em 1969, quando a BBC de Londres realizou um documentário para a tevê sobre a vida de Houdini, referiu que
nenhum médium jamais apresentara nenhuma de outra senha de Houdini.

No Brasil, Monteiro Lobato prometera fazer largo uso da mediunidade psicográfica de Francisco Cândido Xavier – mas
a fim de evitar mistificações – receoso das mortificações impostas a outros escritores nossos pela mediunidade
nacional, deixou com Godofredo Rangel – diretor de dois jornais cariocas – senhas por que se daria a conhecer, caso
baixasse. Monteiro Lobato morreu em São Paulo, em 1948. Chico Xavier, que não adivinhou nem a existência da
“senha”, logo imitou o estilo. E os espíritas ficaram convencidos, como ficaram convencidos de que os melhores
escritores brasileiros continuam suas obras pela psicografia do médium mineiro. Só que com Godofredo Rangel logo o
desmentiu: faltavam as senhas.

Dona Ruth Fontoura – do Laboratório Fontoura – tem e mostrou – outra senha deixada por Monteiro Lobato em
envelope fechado e desconhecida por todos. Quando após as imitações de Chico Xavier foi aberto o envelope, nada de
senha. A imitação de estilo de Monteiro Lobato é habilidade e mérito – não pequeno – de Chico Xavier, nada tendo a
ver com a comunicação espírita do autor de “O Sítio do Pica-Pau Amarelo”.

O mesmo há que dizer, portanto por analogia, a respeito dos outros autores de língua portuguesa que Chico Xavier leu
e imita... Em alemão, porém, em latim – língua de quem seria seu “espírito-guia”! –, nem sequer em espanhol – quase
igual ao português – o “papa do espiritismo brasileiro”, ou só mínimas frases, bem curtas, manifestamente aprendidas
de cor... Imitação de estilo, “ao modo de...”. Sem a senha e contra qualquer outra prova científica.

Freqüentemente nos livros dos mestres do espiritismo, ao tratar da experiência da senha, incluem-se casos que, embora
tenham alguma analogia com esta experiência, na realidade não encaixam nela, como “O Ouvido de Diunysius”, que já
fora expressamente citado dois anos antes da morte do Dr. Verral; a senha não secreta de Stead; o caso do Sr. Knox,
onde o sobrevivente conhecia a senha e estava presente quando a médium adivinhou etc.

A senha poderia sair alguma vez, várias vezes, até muitas vezes. O importante é a comparação numérica dos êxitos
“depois da morte” teriam que ser muito numerosos em comparação com os êxitos “antes da morte”. Mas foi
plenamente ao contrário: “Êxitos” “antes da morte” em experiências mal arquitetadas houve muitos; êxitos “depois da
morte” nas condições científicas, não houve nenhum! Absolutamente nenhum!

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