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Época-065 ÉPOCA – Caixa Postal e Martha Mendonça – Autora da Matéria Prezados Senhores, Com referência à matéria de capa

“O novo espiritismo”, Época N.º 424, 03/07/2006, da página 66 a 74 (nove páginas?!), permitam-me, sem polêmicas, algumas observações, para que a verdade prevaleça, sempre: 1) Os seguidores do espiritismo nos Estados Unidos são, principalmente, os próprios brasileiros lá residentes, transitórios, os quais, na verdade, apenas se mantém unidos (também em restaurantes, pontos turísticos, no trabalho, shows, etc.), apenas por questão de brasilidade, cultura (e isso é óbvio, para bom entendedor). É patente que, também, por causa do espiritismo e todos os seus ramos, nós brasileiros (terceiro-mundistas) somos vistos com reservas, com discriminação, pelos primeiro-mundistas Estados Unidos, Itália, Japão, Inglaterra, França (berço de Allan Kardec), já que para eles espiritismos não passam de superstições, crendices, que tanto nos envergonham mundo afora. 2) O espiritismo não é considerado uma “religião” como muito convenientemente quer, acreditam e propalam muitos espíritas, especialmente a “top model Raica Oliveira”, atual “namorada do craque Ronaldo”. 3) “Uma reportagem (na verdade uma estatística) publicada recentemente no jornal americano The New York Times”, não dá nenhuma credibilidade ao espiritismo. Absolutamente, nenhuma! 4) Nem “uma das mulheres mais bonitas do país”; nem a “atriz Cléo Pires”, filha do cantor Fábio Júnior; nem “o tenista Gustavo Kuerten” – o “Guga”, que recentemente passou por “tratamento espiritual no Lar do Frei Luiz”; nem uma “renda familiar 150% superior à média nacional”; nem uma família destroçada pela perda de um filho; nem um “músico”; nem um “economista”; nem um “escritor”; nem um “sociólogo”; nem um “engenheiro”, etc., etc., têm autoridade para falar do que não sabe, não entende, não estudou, não pesquisou, responsavelmente. Lamento que Época só tenha relevado tais posicionamentos, assim como apenas de espíritas para desenvolver a matéria “O novo espiritismo”. Por que nenhum especialista: imparcial, equilibrado, sério, isento foi consultado?! Referente ao Globo Repórter – 12/05/2006 – Ciência e Espiritismo?!, por que será que naquela demonstração, no Centro Espírita Lar de Frei Luiz (especializado nas impossíveis “materializações de espíritos”), em Jacarepaguá, Rio de Janeiro (RJ), o tal médium espírita (este pretendido intermediário do além com o aquém, e vice-versa) não quis revelar seu nome e nem permitiu imagens sua (anônimos merecem alguma credibilidade?), apenas disse o nome do suposto espírito “curador”, Frederick von Stein, um suposto médico alemão falecido? Talvez para não se arriscar, se enroscar e se enrolar, em possíveis fraudes, muitas vezes involuntárias, é que ele não permitiu, também, que se filmasse aquela “cirurgia espiritual” realizada no repórter Sandro Dalpícolo, do Globo Repórter? Aquela encenação toda, realizada em ambiente preparado, em acomodações apropriadas, aquele vermelho que apareceu na camisa do repórter, após tal “operação”, que “não era sangue”, não poderia ser massa de tomate, ou alguma tinta vermelha, posta ali fraudulentamente? Por que será que os médiuns espíritas nunca permitem, nem aceitam que tais “curas” sejam feitas fora daqueles ambientes, monitorados por gravadores, câmeras automáticas de filmar e de fotografar e com o rigor científico de especialistas? 5) Época diz que “entre os espíritas, 77% têm entre oito e 15 anos de escolaridade”. Nesse caso, só de passagem, lembro que a escolaridade brasileira é uma das piores do mundo! Pessoalmente, quando fui espírita, de “carteirinha”, além de tomar bastante “passe”, ler incontáveis “romances espíritas”, praticar muita “caridade” (o que, unicamente, mais de 90% dos que se dizem espíritas fazem), estudava-o de todos os pontos de vista, fazia pesquisa de campo, conversava com espíritas, “médiuns”... Neste percurso, felizmente, descobri a Parapsicologia, a qual me levou a um senso crítico bastante racional e aguçado, a também me libertar da escravidão espírita e, portanto, a entender porque o espiritismo nunca passou de uma charlatanice irrisória e desprezível, que pode até alienar. 6) Com referência a Chico Xavier, lembro que em 1958 seu sobrinho Amauri Xavier Pena o desmascarou assim como a todo o espiritismo, no qual ele foi educado e persuadido a ser um grande médium. Amauri disse ao Diário de Minas: “Tudo o que tenho psicografado até hoje foi criado por minha própria imaginação, sem que precisasse de interferência

de almas do outro mundo. Resolvi por uma questão de consciência contar toda a verdade. Não desmascaro meu tio como homem, mas como médium”. Confiram também: Estado de Minas, 20/1/1971 e revista Realidade, Novembro 1971, página 65. 7) O que pensar da ambiciosa Zibia, a matriarca dos Gasparettos? Ela “conta com uma família que – ao contrário dos espíritas puros – não tem pudores de ganhar dinheiro com a mediunidade. Entre psicografias, cursos e diálogos insólitos com fantasmas, os Gasparettos montaram um pequeno império.” (Época N.º 261, 15/05/2003). Isso é Brasil! 8) Apesar de nunca ter existido alguém cético ou ateu, literalmente falando, o jornalista Marcel Souto Maior, por mais descrente que se diga, certamente jamais perderia tempo de escrever algo religioso em sã consciência, muito menos positivo para o espiritismo e congêneres, sem visar interesse econômico, neste caso seus escritos que venderam 350 mil exemplares: As vidas de Chico Xavier (que “vai servir” – pasmem! – “de base para um filme”. Pode?), Por trás do véu de Ísis e As lições de Chico Xavier. 9) A “repercussão” do espiritismo no Linha Direta, no Superpop, no Globo Repórter, no Ratinho, no Fantástico, além de outros programas sensacionalistas do gênero; dos filmes “arrasa-quarteirão” como Ghost e das novelas O Profeta, Alma Gêmea etc., faz-me lembrar daquela famosíssima máxima de Sofocleto: “O mundo está cheio de gente vazia”.

10) Perguntar não ofende: considerando que uma “mensagem espiritual” supostamente ditada pelo finado tabelião Ercy da Silva Cardoso (um homem então seguramente bem alfabetizado e culto), de Viamão (RS), inocentou e absolveu a ré Iara Barcelos, como é que seu espírito (que sempre viveu com o mesmo corpo, com a mesma mão!) pode escrever do além pesa com “z”, triste com “z” e o próprio nome Ercy com “i” (Folha de S. Paulo, 30/05/2006, página C3 e Istoé, 07/06/2006, páginas 20 e 21)? É bom registrar que Época omitiu também essa informação na reportagem “O novo espiritismo”. Será que no além ficamos analfabetos? 11) Com referência aos “plágios” de Divaldo Pereira Franco, acompanhem o que o respeitado espírita, jornalista e escritor Jorge Rizzini admitiu em 29/02/2004 ao Fantástico, da Rede Globo de Televisão: “Tudo levava a crer que era plágio mesmo. Do ponto de vista literário, é plágio inegavelmente”. 12) O que dizer e pensar de Hippolyte Leon Denizard Rivail? “No mesmo dia da morte de Allan Kardec, na mesma hora, no mesmo minuto, o médium (Daniel Dunglas) Home recebeu uma mensagem do espírito de Kardec: ‘Arrependo-me de ter ensinado a Doutrina Espírita’. A mensagem foi recebida na presença do Conde Dunraven. (HOME, op. Cit., [francês] p. 114) Mais ainda. Home transcreve uma mensagem psicografada pelo médium Morin, considerado por Kardec ‘um dos seus melhores médiuns’. Na mensagem o espírito de Allan Kardec também se mostra ‘arrependido da doutrina que difundi em vida’, repudia esses ensinamentos e confessa seu ‘orgulho insensato’ por haver ensejado passar por ‘um semideus, salvador da humanidade’, quando na realidade tudo não passava de ‘egoísmo ridículo’. Do ponto de vista parapsicológico, não se trata de mensagens do além. E no caso de Home, sendo ‘no mesmo dia e

momento da morte’ de Kardec, isto é, no início da morte aparente, evidentemente não podia se tratar de comunicação de morto, de espírito do além.” 13) Observem como o espiritismo e conseqüentemente os contraditórios e fantasiosos escritos de Allan Kardec foram corajosamente tratados pela revista Veja, de 26/07/2000: “Criado na França, o espiritismo deu certo apenas no Brasil (e entre brasileiros), onde a doutrina mística com pretensões científicas é culto da classe média”. Pobre Brasil! 14) Considerado “pela FEB um dos maiores médiuns do país”, o carioca Raul Teixeira ao falar de “tolerância” (religiosa) esquece-se que, na verdade, intolerante religioso é todo aquele que não consegue sentir-se bem (por ciúmes, inveja, soberba) na crença muitas vezes racional em que foi criado, e precisa debandar, convenientemente, em prejuízo de muitos, até da própria família (para conseguir atenção, sentir-se amado, importante). Isso é o que os espíritas chamam de “cristão”? 15) A reportagem “O novo espiritismo” não revela absolutamente nada, também, a respeito da mudança de Chico Xavier de Pedro Leopoldo para Uberaba (MG), limitando-se a dizer apenas que “Chico foi perseguido e investigado”. Sabe-se através da imprensa (Notícias Populares, 28/09/1995, página 8) que Chico estava “doente e desacreditado”, por isso “decidiu mudar de endereço e começar vida nova”. 16) Vejam o que algumas personalidades já haviam falado sobre Chico Xavier, no site da Folha de S. Paulo, 30/06/2002, dia de sua morte, em Uberaba (MG): “Olavo Bilac, um homem que no estágio de imperfeição nunca assinou um verso imperfeito, depois de morto ditou a Chico Xavier sonetos inteirinhos abaixo dos medíocres.” (João Dornas Filho, romancista mineiro) “Se Chico Xavier produziu tudo aquilo por conta própria, então ele merece ocupar quantas cadeiras quiser na Academia Brasileira de Letras.” (Monteiro Lobato, escritor) “Aqui na Academia não conheço ninguém que se interesse pelos livros dele.” (Belarmino Maria Austregésilo de Athayde, então presidente da ABL – Academia Brasileira de Letras) “Quem ler durante 60 dias, noite e dia, dia e noite, apenas Euclides da Cunha, escreverá no estilo de Euclides sem notável esforço, sem fazer uma ginástica mental muito dura.” (Raymundo de Magalhães Júnior, acadêmico falecido) 17) Paulo Barreto, o João do Rio, disse (há 102 anos): “Nunca se viu uma crença (o espiritismo) que com tal rapidez assombrasse crentes”. Permito-me acrescentar (hoje) depois do homem já ter ido a Lua, da clonagem, da revelação do inconsciente, do computador, etc., etc., que o espiritismo não passa de crasso erro de interpretação e de metodologia, estando bastante superado, e assim como se desenvolveu com “rapidez” sucumbirá na mesma velocidade, oportunamente (em mais quatro gerações?). Tudo que não é bem alicerçado, bem estruturado e bem firme, mais ou menos dias rui, desaparece! Sempre foi assim! Quem viver verá! 18) Falando de Adolfo Bezerra de Menezes, “que deslocou o foco da doutrina da ciência para a caridade” (para não ser desacreditado); das Casas André Luiz, que “atendem pacientes com problemas de saúde mental”; da Mansão do Caminho, cuja “entidade já prestou atendimento médico e odontológico a mais de 30 mil pessoas”, sugiro, ao contrário de ficarmos inventando e propalando mentiras (espíritas), refletirmos sobre o assistencialismo, que é antes de mais nada uma obrigação do Governo.