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ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL – ESAB CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL URBANA

ERNANI DE SOUZA GABRIEL

RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS: COLETA, DISPOSIÇÃO E TRATAMENTO

VILA VELHA – ES

2008

ERNANI DE SOUZA GABRIEL

RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS: COLETA, DISPOSIÇÃO E TRATAMENTO

Monografia apresentada ao ESAB –Escola Superior Aberta do Brasil, sob a orientação da Professora Beatriz Christo Gobbi

VILA VELHA – ES

2008

ERNANI DESOUZA GABRIEL

RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS: COLETA, DISPOSIÇÃO E TRATAMENTO

Aprovada em

de

de 2008

VILA VELHA – ES

2008

RESUMO

O estudo teve como objetivo conhecer com maior profundidade os processos de coleta,

disposição e tratamento de resíduos sólidos urbanos, considerando serem estes processos um dos desafios para administradores públicos, empresários, gestores ambientais, técnicos de diferentes áreas e a sociedade de modo geral, para obter qualidade de vida melhor no meio urbano. Para tanto realizou-se uma pesquisa descritiva, portanto, fundamentada em uma literatura escrita e eletrônica, da qual se extraiu as informações necessárias para atender o

objetivo proposto. Não se pode negar que há divergências de entre técnicos, na adoça de um

ou outro processo, mas eu o que buscou foi encontrar e se descreveu de forma coerente e

coesa. Pode-se concluir que há muito a se fazer para garantir um equilíbrio ambiental que de

forma tal que o homem não se sinta inseguro onde se encontra. Dentro os pontos vulneráveis que ameaça a vida na Terra, os resíduos sólidos urbanos têm lugar de destaque.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

7

1

RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS: INFORMAÇÕES BÁSICAS

9

1.1 CONCEITOS BÁSICOS

9

1.2 RESUMO HISTÓRICO DOS RESÍDUOS URBANOS

11

1.3 CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL CAUSADA PELOS RESÍDUOS

13

 

1.3.1

A transmissão direta de doenças

15

1.3.2 Poluição atmosférica

16

1.3.3 Contaminação do solo

17

1.3.4 A contaminação da água

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2

O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, CRESCIMENTO POPULACIONAL E A GERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

19

2.1 O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E A GERAÇÃO DE RESÍDUOS

19

 

2.2

CRESCIMENTO POPULACIONAL, O CONSUMISMO E GERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

24

3

COLETA, DISPOSIÇÃO E TRATAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

28

3.1. COLETA DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

28

3.2 DISPOSIÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

29

3.2.1 Aterros sanitários

32

3.2.2 Lixões

33

3.2.4

Compostagem

35

3.3

TRATAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

36

3.3.1

Reciclagem de resíduos sólidos urbanos

36

3.4

A COMPOSTAGEM COMO TRATAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

39

3.4.1 Etapas da Decomposição

43

3.4.2 Fatores que influenciam na compostagem

44

3.4.3 Características do composto húmico

45

3.4.4 Uso do Composto

45

3.5 Usinas de Compostagem de Lixo no Brasil

45

3.6 Importância da compostagem

46

CONCLUSÃO

47

REFERÊNCIAS

49

7

INTRODUÇÃO

Dentre os diversos processos de cuidados com a preservação da Natureza, o tratamento de resíduos de qualquer origem, transformou-se nos últimos tempos em uma atividade fundamental. Tratar os restos originados de atividades agrícolas e industriais, além de ser uma forma eficiente de diminuir a contaminação do meio ambiente, tem chamado a atenção para a coleta seletiva e reciclagem com a economia que deixa para os que dedicam a esta atividade, que também proporciona importante papel na preservação de fontes naturais esgotáveis de matérias-primas. Dentre os processos de tratamento dos resíduos sólidos urbanos, a compostagem é

a que mais parece eficiente, garantindo qualidade e retorno econômico de duas formas: com

a coleta seletiva, sendo retirado dos resíduos brutos, todos aqueles reaproveitáveis, no sentido de reciclagem e o resto, orgânico é processado como composto. Trata-se de uma atividade, que embora receba criticas de alguns estudiosos, tem permitido o reaproveitamento dos resíduos orgânicos, descartáveis no processo seletivo para reciclagem, com os quais se produzem fertilizantes, ou seja húmus de qualidade para uma diversidade de atividades agrícolas. Estabelecendo alguns paralelos entre os processos mais conhecidos e mais usados que a compostagem, pode-se ter uma idéia da importância desta. Os lixões, ainda os mais comuns meios de coleta e disposição do dos resíduos sólidos urbanos, não tem tratamento. Nas comunidades que possuem instituições como Cooperativas e Associações de Catadores de recicláveis, o que estes conseguem retirar e vender, diminui o volume que vai para o local determinado pelo poder público responsável pela coleta disposição e tratamento destes. Colocados a céu aberto em áreas próximas de locais habitados, atraem toda qualidade de vetores que podem intervir na qualidade de vida das pessoas, desde ratos a insetos. Além de mau-cheiro. Deve-se considerar sua maior ameaça, que é a produção do “chorume” que tem composição da mais variada e complexa, porque embora seja produzido por resíduos orgânicos, eles corroem outros ferrosos, de composição tóxica, como pilhas, baterias, etc., contaminando o solo e atingindo os lençóis freáticos. Neste caso ocorre apenas a coleta e a disposição. Não existe tratamento. Na verdade este é um processo que já deveria ter sido proibido há muito tempo.

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Os aterros sanitários, um processo que é pouco usado ainda no Brasil, mas muito utilizado no mundo desenvolvido, quando construídos com as melhores tecnologias, ainda traz ameaça ao meio ambiente. Por melhor compactação feita onde são forradas mantas para impedir a infiltração, o fato de existir produtos de longa duração ou corrosivos, oferece perigo o aos lençóis freáticos. A incineração, é inclusive criticada por instituições ambientalistas de todo o mundo. Se processo de alta temperatura transforma tudo em cinzas, ou em gases, como os fornos ingleses de tecnologia de ponta. Mas além de criar problemas de calor na atmosfera deles não sobram nada aproveitável. Por sua vez a compostagem é um processo que trata os resíduos sólidos urbanos de forma racional. Deve-se separar todos os resíduos recicláveis e utilizar-se somente os orgânicos, transformados de adubo de ótima qualidade, pela sua composição.

9

1 RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS: INFORMAÇÕES BÁSICAS

um breve conceito, e

histórico e as ameaças

originalmente assim denominado e que contemporaneamente é denominado “resíduos” em suas

diferentes formas físicas.

de contaminação de diferentes ecossistemas, causadas pelo “lixo”,

Este capítulo tem o objetivo de apresentar de forma clara e objetiva

1.1 CONCEITOS BÁSICOS

Chama-se lixo os resíduos sólidos produzidos cada vez em quantidade maior, à medida que a população do planeta cresce e o homem cria novos produtos para aumentar o sistema de consumo, criando com isso uma situação de concorrência e até de status, estabelecido por uma educação inconseqüente, nas mãos de uma classe dominante onde ter mais é ser mais.

conceito de resíduos

etimologicamente a palavra, para se ter uma idéia

sólidos urbanos, é importante conhecer mais clara de seu significado.

Para se estabelecer conceitos de lixo, posto que

não existe

Tal como a maioria das palavras da língua portuguesa, lixo vem do latim, lixo que quer dizer "cinza". Isso vem de uma época em que parte dos resíduos da cozinha era formado pelas cinzas e restos de lenha carbonizada dos fornos e fogões, assim como das lareiras, que garantiam o aquecimento interno das casas durante o inverno europeu. De um modo geral, todos os resíduos eram aproveitados, como alimentos de porcos e galinhas ou como esterco para horta e pomar. Sobravam as cinzas que eram em parte utilizadas para fabricar sabão (BRANCO, 2006, p. 26).

A industrialização e o uso de produtos alimentícios, de higiene e limpeza, vestuários de modo

geral, medicamentos, a utilização de papel, plástico, borracha, as construções civis, com o cimento, o cal, a areia, o tijolo, a telha, eletrodoméstico, automóveis etc. provocam o crescimento na produção de lixo nas residências, nas indústrias, nas lojas, nas ruas e mesmo no meio rural. No interior, nos campos, nas fazendas, em grande parte, a lenha foi substituída pelo gás engarrafado, que tem acesso aos mais diversos rincões, dada a limpeza e a facilidade de uso. Em termos quantitativos são as cidades que estão cada vez mais comprometidas com

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estes resíduos, que se compõem principalmente dos seguintes itens: matéria orgânica putrescível, papel e papelão, ferro, trapo, couro, borracha, plástico, vidro, madeira, metais não-ferrosos, terra, areia, etc.

No que refere ao volume de resíduos sólidos produzidos em uma cidade, dividido pelo número de habitantes, tem-se a quantidade per capita, a quantidade média, de resíduos produzidos por habitantes desta cidade. Isso não quer dizer que cada habitante gera, em suas atividades domésticas, o volume de lixo correspondente, pois nesse total estão incluídos resíduos que nada têm a ver com atividade doméstica, como os entulhos de construções, as varreduras de rua, os resíduos de lojas, mercados e outras atividades comerciais e os produzidos pelas indústrias, o que não interessa neste estudo. Numa grande cidade, como São Paulo, a produção per capita de lixo é de 1,5 kg por dia. A região metropolitana recolhe cerca de 25 mil toneladas de resíduos sólidos por dia. Há, evidentemente uma variação quantitativa em diferentes regiões e mesmo na visão de diferentes autores.

O lixo originado nas residências é denominado doméstico ou domiciliar e resulta de atividades cotidianas: limpar a casa, cozinhar, ir ao banheiro, estudar. No Brasil, segundo estimativas, cada pessoa produz, em média, cerca de 500 g de resíduos por dia, sendo que a metade desse peso corresponde a sobras de alimento. Por esse motivo, nosso lixo caracteriza-se por conter alta porcentagem de material orgânico, isto é, substâncias provenientes de animais e vegetais (RODRIGUES, 1997, p. 14).

Matéria orgânica putrescível é tudo que apodrece rapidamente, como restos de comida em geral. Neste caso, inclui, além de alimentos preparados, mas também, frutas, legumes e verduras, que são perecíveis. Essa parcela constitui a maior parte dos resíduos

sólidos de qualquer cidade, no caso do Brasil, demonstrando o grande desperdício. Basta ver o que é abandonado nos pratos de um grupo de pessoas que comem em uma churrascaria, a quantidade diária de restos de qualquer restaurante, ou ainda, o que é jogado fora nas feiras livres e nos mercados. Todo esse material que chega a milhares de toneladas diárias em todo o país, classificados como "resíduos orgânicos", se separados e reciclados, poderiam ser transformado em adubo natural e necessário ao próprio solo que o produziu.

O lixo é, portanto, todos os restos que o homem não utiliza e que devolve à natureza

sob a forma de refugos, dejetos, quase sempre sem a menor preocupação com as conseqüências

ao meio ambiente, causando o impacto denominado degradação ambiental. Por sua vez, a degradação ambiental pode ser conceituada como toda agressão do

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homem ao meio ambiente, que o leva a perder qualidade, tornando-se inadequado à vida de modo geral. A degradação, conhecida também como poluição ou contaminação, tem como causa principal a falta de uma consciência ecológica que deveria estar fundamentada em uma educação permanente, que proporcionasse ao homem a consciência de que é possível um desenvolvimento equilibrado e, portanto, sustentável. Em se tratando de conceitos, meio ambiente é todos os locais em que há vida e habitat adequado a esta. O ecossistema que forma este espaço, compreende os aspectos inanimados e a diversidade que se encontra no mesmo.

Como plantas e animais tiveram evolução conjunta, umas influenciando outras e vice- versa, e levando-se em conta, ainda, que não são fixos e estáveis fatores como temperaturas e precipitações, entre outros, compreende-se por que os ecossistemas não são unidades estáticas. Estabelecido sobre uma determinada região em que as condições mesológicas sofrem apenas pequenas variações, os organismos de uma mesma espécie (planta ou animal) constituem população. (BARBOZA e OLIVEIRA, 1997, p. 8).

Ecossistema pode ser conceituado como o conjunto formado por um ambiente inanimado (solo, água, atmosfera) e os seres vivos que nele habitam. Sendo assim, lagoas, pradarias, florestas e mares são ecossistemas. Os ambientes inanimados estão sendo destruídos pela intervenção desordenada do homem, especialmente com a utilização nada racional dos recursos naturais, incluindo o destino dos resíduos sólidos gerados pelo consumo desordenado da população, que não tem consciência do mal que está causando para as gerações atuais e futuras.

1.2 RESUMO HISTÓRICO DOS RESÍDUOS URBANOS

O lixo surgiu nos aglomerados urbanos e nos campos há milhares de anos, em proporções menores , mas da mesma forma que hoje, quando o homem abandonava aquilo que não servia ou que não precisava. Mesmo antes disso, quando o homem primitivo abandonava a caça, a pesca. A coleta ou seus instrumento de caça e pesca. Com o advento da Revolução Comercial os aglomerados humanos transformaram em cidades e produziram mais lixo. Com maior número de pessoas em menor espaço geográfico, o aumento do consumo de alimentos, vestuários e depois outros bens, deixou sempre restos que foram se transformando em um problema cada vez maior para o meio ambiente e consequentemente para o homem que vive neste.

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Ao longo da maior parte da história da humanidade, os resíduos sólidos urbanos não causaram degradação ambiental, pois além das proporções limitadas dos centros urbanos, da pequena variedade de produtos utilizados, estes eram praticamente todos naturais. Até o advento da Revolução Industrial, a ausência de produtos químicos e da concentração dos restos orgânicos em um único local como os atuais “lixões”, praticamente não causavam impacto ambiental. Com a Revolução Industrial tudo começou a mudar. A oferta de produtos cada vez mais variados incrementou o consumismo, diante da inércia da população com relação a preocupar-se com esta ameaça. Considerando, ainda, que esta mesma Revolução Industrial trouxe outras conseqüências, entre elas o aumento da população e ao mesmo tempo o crescimento dos centros urbanos, proporcionando o rápido aumento dos restos e sobras domésticas e de outros setores urbanos, que perfazem os resíduos sólidos urbanos.

A

Revolução Industrial possibilitou-nos colocar em prática alguns “sonhos”. Os materiais

e

equipamentos passaram a ser produzidos rapidamente, através do emprego de

máquinas, de forma diferente dos processos artesanais. Graças ao desenvolvimento da tecnologia de produção, diversificação de materiais intensificou-se e, consequentemente

aumento do número de habitantes no Planeta,

associado à concentração das populações nas cidades vem agravar a problemática do lixo no mundo. Vivemos, hoje em dia, um quadro caótico. Estamos acostumados a ter notícia através dos meios de comunicação, sobre lixo atômico, lixo hospitalar, lixo industrial, lixo urbano etc. (BARBOZA & OLIVEIRA, 1997, p. 106).

suas formas de aplicação também

O

A situação se complicou cada vez mais, principalmente porque se chegou à

segunda metade do século atual, sem uma preocupação de solução do problema, sem uma visão educacional do ser humano para utilizar-se de forma prática o seu raciocínio não degradando o ambiente.

À medida que a nova sociedade urbano-industrial se consolidou, e com ela o

consumismo como ideologia de vida, aumentou tanto nas sociedades avançadas como nas subdesenvolvidas, o volume de dejetos domésticos e industriais. Até recentemente, porém, a humanidade ainda não tinha percebido que o volumoso lixo que produzia podia ser um problema para o ambiente. Então usava sem grandes preocupações os mares e rios e qualquer " área vazia" como depósito para seus rejeitos (PONTIN, 2002, p. 7).

O século XX chamou a atenção de governantes e de pessoas preocupadas com os

problemas ambientais. Os resíduos originados da industrialização e do consumismo que continua crescendo, é uma grande preocupação para a maior parte do mundo, pelo menos nos

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países desenvolvidos e em desenvolvimento. Os povos que, mesmo atingindo um alto nível de desenvolvimento tecnológico e de poder aquisitivo se preocuparam com a Educação Ambiental das novas gerações, mais consumistas ainda que as anteriores, estão conseguindo resolver gradativamente o problema de encontrar o equilíbrio ambiental a partir do desenvolvimento sustentável. Na segunda metade do século atual ocorreu um crescimento populacional desordenado, com a população do planeta, mais que dobrando neste curto espaço de tempo. Com este crescimento populacional, surge rapidamente o crescimento do consumo de produtos industrializados, que tem seu ponto de apoio de um lado no emprego de parcela da população e de outro lado nas políticas sociais, que em muitos países que acabam proporcionando condições de consumo até mesmo para desempregados e pessoas com baixos salários. São as classes média e alta os maiores consumidoras, que produzem a quase totalidade dos dejetos até mesmo nas comunidades em que são minoria. Pelo que se pode sentir, há urgência na implantação de um sistema eficiente, no sentido de tentar uma solução imediata, mas definitiva para o problema: uma Educação Ambiental correta, de um lado e a ação imediata no sentido de planejar e desenvolver um trabalho voltado para a separação, reciclagem e reaproveitamento dos resíduos em sua quase totalidade.

1.3 CONTAMINAÇÃO AMBIENTAL CAUSADA PELOS RESÍDUOS

Com a explosão da urbanização, aumentou o volume de lixo produzido por restos de construções e outras, além de móveis, eletrodomésticos, veículos etc. que não servindo mais são abandonados nas ruas, nos rios ou levados para os lixões e aterros sanitários. A sobrevivência da humanidade na face do Planeta está na dependência da criação de uma nova mentalidade ambiental, onde toda a sociedade, através da responsabilidade e do compromisso de cada um em participar da preservação do que ainda não foi atingido e da recuperação dos ecossistemas degradados. Isso só poderá ser feito com investimentos na educação de todos e na capacitação de cada um em dar a sua contribuição para não continuar degradando e ao mesmo tempo recuperar o que as gerações passadas e presentes já destruíram. Os efeitos negativos dos dejetos humanos, identificados como resíduos sólidos urbanos, que somam a outros líquidos e gasosos no ambiente são muitos. Já se descobriu muita coisa, mas ainda há o que se descobrir.

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Em uma primeira análise, o analista poder julgar que os resíduos orgânicos, que como se sabe, perfazem a maior parte do total de restos e dejetos produzidos pelo homem, pode ser facilmente decomposto pela natureza e não cria qualquer tipo de poluição. Mas o grande problema está na concentração destes. Os excessos acumulados nos lixões, por exemplo, inviabilizam a capacidade que a natureza tem em absorver e reintegrar tudo que é colocado em um reduzido espaço físico. Por outro lado a natureza atua na decomposição e reintegração do lixo natural e grande parte deste é de origem industria. Os resíduos derivados de embalagens em suas variedades, entretanto, é um desafio para a natureza. A maior parte destes não é biodegradável. E alguns deles permanecem na natureza por dezenas e até‚ centenas de anos. Jogado por toda parte ou levado para lixões e aterros sanitários, como ainda é comum na maioria das cidades brasileiras e em praticamente todo o Terceiro Mundo, estes resíduos, tanto orgânicos como inorgânicos, produzidos pelo homem, transformam-se a partir de um processo natural de decomposição (mais rápido nos orgânicos e mais lento nos inorgânicos), lançando substâncias quase sempre tóxicas, algumas perigosas, no solo, penetrando até onde estão

localizados os lençóis freáticos, contaminando estes de modo criminoso e perigoso, principalmente porque o trabalho de descontaminação é difícil e lento. Em síntese, os estudiosos estão chegando

à conclusão que os resíduos sólidos urbanos sejam, possivelmente, o principal responsável

pela poluição ambiental, tão perigosos quanto os resíduos industriais, a devastação das florestas,

a utilização de pesticidas inseticidas e outros do gênero.

Tanto pela alta densidade de ocupação quanto pelas sofisticações de seus hábitos, as modernas populações produzem dejetos em tal quantidade que torna impossível para os sistemas naturais decompor esses “refugos da civilização”, na velocidade necessária a torná-los inócuos e assim, não comprometê-los. Como resultado tais resíduos acabam tornando os reservatórios naturais impróprios. Provavelmente é o lixo um dos maiores responsáveis pela poluição ambiental: talvez seja a principal gênese da poluição ambiental (PONTIN, 2002 p. 53).

Analisando os locais onde são depositados os resíduos sólidos urbanos, percebe-se quais são os ambientes que recebem a maior carga dos dejetos humanos. Na verdade estes dejetos ou restos do que o homem acredita não necessitar mais, porque nem se sabe que a fonte de onde eles saem é esgotável, quando lavados desordenadamente (incluindo lixões e aterros sanitários), atingem a todos os ecossistemas e causam os problemas variados. Entre as conseqüências prejudiciais à natureza que mais preocupam os ecologistas e estudiosos do assunto, estão as que se seguem

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1.3.1 A transmissão direta de doenças

A falta de planejamento de locais onde colocar os resíduos sólidos urbanos, é uma ameaça à saúde da população. Essa é uma realidade antiga. Em plena Idade Média, no ano de 1347, a população da Europa se viu diante da maior tragédia de até então, com a chamada peste bubônica ou peste negra que causou a morte de um quarto da população deste continente. Hoje sabe-se que essa terrível enfermidade é transmitida pelas pulgas dos ratos e estes, na Idade Média, eram hóspedes indesejáveis mas permanentes das casas, devido ao hábito generalizado de lançar às ruas, becos e terrenos baldios o lixo das residências. Atualmente as experiências em pesquisas mais detalhadas, apresentadas por institutos especializados e instituições governamentais ou não, mostra que o acúmulo de resíduos sólidos urbanos em locais inadequados, seja no interior das casas, em terrenos baldios ou nos "lixões" - depósitos a céu aberto, além dos inconvenientes estéticos, devido ao mau cheiro que exala, pode acarretar graves problemas de saúde à população de toda a cidade. Os depósitos de lixo são uma fonte de proliferação de moscas, baratas, ratos e outros insetos e roedores que incomodam e são perigosos vetores transmissores de doenças das mais variadas. As pesquisas e exames de laboratórios provam que grande parte das doenças que ocorrem em regiões próximas de depósitos de resíduos sólidos urbanos ou em periferias das cidades, onde a coleta é mal feita ou nem acontece, estão diretamente ligadas a ausência de uma melhor condição sanitária. O custo social desta falta de planejamento por parte do setor público e da falta de uma melhor conscientização da população, que deveria ter uma educação mais voltada para a verdadeira cidadania, para agir de modo a responder pela sua parte no seu próprio bem-estar, sem ficar esperando tudo do poder público, tem sido muito alto. Recursos que poderiam ser destinados a construção de usinas para a reciclagem dos resíduos urbanos ou para uma Educação Ambiental abrangente e ainda para a recuperação de tudo que já se destruiu na natureza, são destinados à saúde pública e ainda se tornam insuficientes, porque os problemas são muitos. Tratando-se de sociedades que estimulam o consumo e valorizam o supérfluo e o descartável, a quantidade de lixo a ser recolhida diariamente é cada vez maior. “Isso impõe um enorme custo ao serviço público de limpeza urbana e, mesmo assim, não impede a degradação do ambiente - sujeira nas ruas, depósitos de lixo etc.” (MOREIRA, 2001, p. 300). Ao se estabelecer uma comparação entre os custos acima referidos e os benefícios que trariam se houvesse um trabalho planejado, no sentido de reciclar os resíduos sólidos urbanos,

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como será proposto mais adiante, o que envolve, também, uma educação da população, os problemas hoje enfrentados seriam solucionados a médio prazo. Um outro tipo de degradação que acontece com a falta de cuidado especial com os resíduos sólidos urbanos, é o que se refere à poluição atmosférica, como se pode observar a seguir.

1.3.2 Poluição atmosférica

Ao se referir à poluição atmosférica, a culpa sempre recai aos setores de transformação (indústrias), que queimam carvões minerais e vegetais, além de óleos e outros combustíveis

líquidos e gasosos. Culpa-se, também, o trânsito que lança na atmosfera grande quantidade de monóxido de carbono e também as queimadas nos campos e florestas. “Os produtos da incineração são os da combustão de matéria orgânica em presença de ar: CO, CO 2 , vapor d’água, NO 2 (dependendo da temperatura de queima), SO x e cinzas.” (BARBOZA & OLIVEIRA, 1997, p. 118). Não se faz referências ao mau cheiro e às substâncias lançadas na atmosfera, a partir dos

de forma direta ou ainda quando ocorrem incêndios nos

resíduos acumulados, que duram dias e até meses, até porque, além da matéria orgânica combustível que compõe estes resíduos, existe a formação de gases a partir de diferentes substâncias que se decompõem nestes locais, que alimentam o fogo, que lança na atmosfera uma fumaça carregada de produtos tóxicos ou nocivos ao meio ambiente, além do cheiro desagradável. Os efeitos do lançamento de substâncias gasosas na atmosfera, a partir da combustão de resíduos sólidos urbanos, nem sempre é analisado por aqueles, que se dedicam a discutir esta questão, porque para eles há problemas ainda maiores, que acabam se transformando na prioridade e são escolhidos para a discussão mais ampla e em primeiro lugar. Mas muitas doenças respiratórias tão ou mais graves que as que acontecem nos grandes centros, onde o acúmulo do monóxido de carbono tem o lixo como responsável pela maioria dos casos.

depósitos de lixo de qualquer proporção,

Porque no caso da combustão de lixo, em geral a mistura de substâncias é muito grande e muitas delas são tóxicas. Inaladas, vão acumular em órgãos vitais e atuar de formas mais diversas, desde a provocação de doenças imediatas, até aquelas que permanecem se desenvolvendo lentamente, até mesmo alterando estruturas genéticas que vão causar outros problemas ainda mais sérios e se perpetuam sendo transmitidas de uma para outra geração.

17

1.3.3 Contaminação do solo

Segundo Branco (2006), GRANDE

quantidade

de

resíduos sólidos urbanos, tanto

orgânico como inorgânico, lançada ao solo, degradando de tal forma o ecossistema formado pelo

solo, que dependendo da quantidade deste material, pode comprometê-lo por séculos ou mesmo

em definitivo.

Substâncias variadas que se originam da degradação de matérias orgânicas variadas, ao penetrar no solo, muitas delas com características químicas diferentes, criam um problema tão grave com relação ao solo, que muitas vezes o solo se torna improdutivo e irrecuperável. Como se não bastasse este tipo de ação, surge, ainda, aquela que origina em outros tipos de substâncias inorgânicas, como é o caso de materiais fabricados com produtos químicos não degradáveis, como as baterias de telefones celulares, de máquinas fotográficas, aparelho eletro eletrônicos bem como as lâmpadas fluorescentes e tonners de máquinas xerográficas, que podem ser reciclados, em que não sendo podem produzir contaminações ao ambiente (BRANCO, 2006, p. 56).

O autor acima citado alerta para alguns produtos como as lâmpadas fluorescentes, após

serem quebradas emitem vapor de mercúrio – um dos metais mais pesados da natureza, que

exige muito tempo para decomposição, e, em grandes quantidades, causam poluição do ar. As

pilhas e baterias contém níquel, cádmio e chumbo – metais pesados que quando em contato com

o solo poluem o lençol freático.

Os medicamentos com prazos vencidos, restos de tintas e verniz, embalagens de inseticidas,

também são produtos perigosos que exigem cuidados especiais. Todos estes produtos contaminam

o solo e em seguida a água, criando uma difícil situação com relação ao que realmente existe em

termos de degradação ambiental.

Dentre os muitos produtos originados da decomposição dos dejetos, dos resíduos sólidos

urbanos, que contaminam o solo nas regiões de depósitos de qualquer natureza, é o "chorume",

um caldo escuro que penetra solo adentro e cria outro tipo de contaminação de um dos mais

importantes ecossistemas, a água, como se pode ver a seguir.

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1.3.4 A contaminação da água

Segundo Centurion (2007), a degradação do meio hídrico pelos resíduos humanos, se

dá a partir de diversos processos, que acabam sendo semelhantes:

Nas fontes de água superficial de pequena vazão - Os depósitos de resíduos sólidos

urbanos próximos de nascentes, contaminam córregos e ribeirões, com as substâncias diversas

que partem diretamente dos locais onde se encontram colocados os dejetos, sendo estes

transportados pela água da chuva, pelo vento ou por animais que transitam pelo local e jogados

no leito onde corre a água.

Nas fontes de água de superfície de grande vazão - como os mares, os oceanos, os

grandes rios e lagos que recebem uma infinidade de substancias tóxicas das empresas dos

esgotos

domésticos, e também os resíduos sólidos urbanos de

toda natureza (Baia da

Guanabara, no Rio de Janeiro). Este, além de assorear os rios contribuindo para o fenômeno das

enchentes, sujam as praias, contaminam a água matam a flora e a fauna. Ainda é preciso

considerar que a água é o mais potente solvente natural. Dependendo das circunstâncias,

dissolve grande parte dos produtos que são lançados nela e fazem desaparecer a ação dos

mesmos, através da composição da água corrente, que suporta até um determinado ponto os

níveis de poluição.

são as mais importantes reservas

naturais de água potável, que abastecem rios, riachos, ribeirões e córregos, são muitas vezes aproveitados diretamente através de poços artesianos, para o abastecimento da população, em geral, após prévio tratamento. Porém, a contaminação com substâncias

oriundas da decomposição de dejetos de modo geral, é tão forte e complexa, que a água se torna impossível de ser tratada para ser consumida pelo homem. O “chorume” penetra no solo lentamente e depois de atingir os lençóis freáticos, poder continuar contaminando por séculos, mesmo depois de cessado o processo de depósito na superfície (CENTURION, 1998, p. 127).

Nas fontes de água subterrânea, os lençóis freáticos, que

Observa-se que a grande ameaça se encontra em todos os ecossistemas. Mas aqueles

dos quais o homem depende para a sua sobrevivência imediata, (ar e água), são os mais

preocupantes.

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2 O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, CRESCIMENTO POPULACIONAL E A GERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

Este capítulo tem o objetivo de apresentar uma análise das conseqüências do desenvolvimento e econômico, do crescimento populacional, que somados produziram o fenômeno “consumismo”, o grande vilão da produção dos resíduos sólidos urbanos.

2.1 O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E A GERAÇÃO DE RESÍDUOS

De acordo com Rodrigues (1997), o processo histórico registrado ou suposto pelas evidências mostradas em estudos paleontológicos e antropológicos mostram, que o homem causou algum tipo de degradação da natureza, desde os tempos mais remotos. Porém, foi a organização econômica e social e o aumento da população na face do planeta, os fatores que contribuíram para a acentuação da poluição dos diferentes ecossistemas. Ainda Rodrigues (1997), afirma que há mais ou menos 10 mil anos, o homem ainda em estado primitivo, porém, em algumas partes do mundo mais evoluídos em que outras, começaram a abandonar a condição de até então nômades caçadores, pescadores e coletores de frutos e raízes e passaram a cultivar a terra e a domesticar e criar animais para a alimentação. Era o começo de um processo de destruição em massa da biodiversidade vegetal e animal que equilibrava e, portanto, regulava o funcionamento da natureza. Há aproximadamente 300 anos a produção de bens duráveis através do processo artesanal sofreu transformações que se acentuaram rapidamente, passando a ser produzida em série por máquinas movidas inicialmente a vapor, depois por outros fontes de energia. Para Soweil (1998) era a Revolução Industrial que, partindo da Inglaterra, se projetaria para outros países europeus, depois para a América e para o Oriente, transformando matéria- prima em produtos acabados, sem nenhuma preocupação com o meio ambiente. A Revolução Industrial começou na Grã-Bretanha durante o século XVIII e se espalhou por grande parte do hemisfério Norte durante o século XIX, principalmente países Europeus, pois na América, alcançou nesta primeira fase apenas os Estados Unidos e na Ásia, o Japão. O advento da produção em larga escala mecanizada anunciou a transformação dos países da Europa e da América do Norte em nações predominantemente industriais ao invés de agrícolas, com suas populações cada vez mais concentradas nas cidades.

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A Revolução Industrial começou na Grã-Bretanha, pois tinha a vantagem de ser um país

unificado com uma situação política interna relativamente estável, livre de tarifas alfandegárias internas e com sistema de seguros e infra-estrutura bancária bem estabelecidos. No século XVIII, a Grã-Bretanha tornou-se potência econômica internacional dominante, com a soma de lucros da Revolução Comercial que vinha dos séculos anteriores, e muitos mercadores britânicos acumularam grandes somas de capital. Além disso, métodos novos e mais eficientes de lavoura – desenvolvidos para alimentar um número maior de pessoas após a rápida elevação da população na segunda metade do século XVIII – produziram lucros vultuosos para alguns fazendeiros. Assim, novos e ambiciosos projetos podiam ser financiados a baixas taxas de juros (ALZUGARAY, 2006, p. 304).

O autor afirma ainda que além dos fatores citadas pelo autor, a Grã-Bretanha tinha

na época excelente reservas de carvão, matéria-prima que garantia energia para mover as

máquinas vapor, e de ferro única para a produção das máquinas. Tinha ainda um domínio comercial em todos os continentes, principalmente na Europa onde havia condições melhores de poder aquisitivo.

O sistema político do país - Monarquia Constitucional - favorecia o bom andamento

da política econômica com o Parlamento votando tudo que fosse de interesse da burguesia

que era dona do capital a ser investido.

A Inglaterra foi o primeiro país a passar pelo processo de industrialização, porque reunião

as condições ideais para que isto ocorresse. Politicamente o país era governando por uma Monarquia Constitucional e não absolutista . isso significava que o poder estava concentrado no Parlamento. Os deputados ligados à burguesia votavam leis em favor de uma modernização econômica. A Inglaterra possuía capital suficiente, acumulado nos séculos anteriores, para fazer os investimentos necessários para adequar o país à nova fase. O país possuía ricas fontes energéticas, como carvão e ferro. Para transporte da produção, uma grande frota marítima e portos favoráveis à comercialização estavam disponíveis. Bancos facilitavam créditos necessários ao investimento inicial. E, finalmente, havia uma burguesia ambiciosa por aumentar seus lucros com a produção (FONTOLAN,

et al. 1996, p. 320).

Para Fontolan et al. (1996) verifica-se nas idéias dos autores que havia um clima favorável à Inglaterra para que desse o primeiro passo no sentido de mudar os destinos da economia do mundo, até então constituída de produtos primários e comércio. Os bens consumíveis e duráveis vinha de um artesanato tradicional, que evoluía lentamente, com limitação quantitativa e qualitativa. Como toda mudança em curto espaço de tempo, a Revolução Industrial criou inúmeros problemas para a sociedade, com reflexos na ordem pública, fazendo com que o poder organizado tomasse providências de várias ordens.

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Um destes problemas vem da automação das máquinas para a produção de diferentes bens de consumo e duráveis. Criou-se uma situação de desemprego que passou a ameaçar a ordem social.

Entretanto, de imediato provocou a onda temporária de desemprego tecnológico, pois que a máquina assume as funções que cabiam ao braço humano. Ao mesmo causam grandes transtornos no mercado de trabalho, em razão de exigências, cada vez maiores, do setor empresarial, quanto a requisitos de educação e formação profissional de mão-de- obra. Assume importância sempre maior o papel reservado ao “cérebro”, aos técnicos e ao pessoal altamente especializado, encarregado dos trabalhos de laboratório, de conservação de maquinaria, do controle dos processos automatizados, da avaliação de matéria-prima e outros, acarretando a elevação da vértice da pirâmide industrial, e diminuindo as oportunidades empregatícias, em relação aos contingentes de trabalho meramente braçal ou semi-qualificado (ÁVILA, 2002, p. 566).

A situação mostrada pelo autor citado acima foi o ponto de partida para os movimentos sociais ligados às condições dos desempregados e suas famílias, tendo como ponto e apoio as idéias socialistas, até então sem a definição comunista: socialismo científico fundamentado na teoria marxista, que se projeta na mesma época. Barbosa (1997), mostra que a Revolução Industrial causa, diante das mudanças econômicas, também alterações culturais e sociais e conseqüências de ordem populacional e ambiental. O surgimento das indústrias, não apenas na Inglaterra, mas em todos os demais países que passaram a centrar suas economias na indústria, localizadas nas concentrações urbanas, onde estava a mão-de-obra. A visão imediata de condições de vida aparentemente com melhor qualidade, somando-se a algumas áreas que proporcionaram realmente condições econômicas para aqueles que se mantiveram empregados, incharam as cidades e fizeram surgir muitas outras. Mas não foi este fenômeno o responsável pelo crescimento populacional, pelo menos em um primeiro momento. Outros fatores de ordem econômica e política agiram no sentido de mudar os rumos da humanidade no sentido da exposição demográfica, embora estejam relacionados à Revolução Industrial e aos processos de expansão das cidades.

Genericamente para os menos atentos, a Revolução Industrial parece ter conduzido o estranho efeito: nos países onde ela ocorreu, houve desenvolvimento. Naqueles em que ela não ocorreu, houve mais tarde a explosão demográfica a Explosão Demográfica, que teria trazido subdesenvolvimento. Esta lógica aparente é simplista nos pede uma reflexão, nos levando aos anos 50, quando a humanidade recém-saída da II Guerra Mundial, perplexa, “descobriu” a miséria. Era o momento das ascensão da burguesia americana e do declínio da longa hegemonia européia. Era também o momento da consolidação da URSS e de sua expansão (RUA, et al., 2005, p. 148).

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O autor acima citado mostra que a mudança de eixo do comando da economia mundial e a confrontação ideológica entre socialismo e capitalismo, fazendo surgir a “guerra fria”, não deixa de ser resultado da Revolução Industrial, como já se referiu anteriormente, em relação à ideologia política. Fatores como o aumento da necessidade de mão-de-obra para atender a demanda da economia industrial, a educação, o saneamento básico, o atendimento à saúde, são instrumento que de alguma forma estimularam o crescimento populacional.

A revolução Industrial, enquanto se amplia, vai necessitando de, cada vez mais mão-de- obra. A implantação de atendimentos especiais, sob a forma de políticas públicas, como aposentadorias, salário-família, salário-desemprego, além de serviços gratuitos, principalmente no campo da educação, da saúde, do saneamento, deram amparo a uma visão de que haveria lugar para mais pessoas ocuparem espaços (RUA, 2005, p.

153).

Sabe-se, entretanto, que muitos destes benefícios são recentes pelo menos no Brasil. Porém, os países onde a Revolução Industrial começou, as políticas públicas foram implantadas há mais tempo. Segundo Rua (2005), no Brasil, onde ocorreu a Revolução Industrial retardatária, uma série de fatores contribuíram para o crescimento da população. A questão que vinha tomando forma desde a primeira metade do século XX e que se acentuo entre as décadas de 60 e 80, fez inchar as cidades com a migração interna, com movimentos populacionais do Nordeste castigado pela seca e de algumas regiões próximas dos grandes centros urbanos do Sudeste, criando um grande número de problemas sociais, aviltando a violência, numa repetição do que aconteceu com os primeiros países que iniciaram a Revolução Industrial. Grande número de pessoas abandonando campo e buscando o meio urbano. Segundo Ausubel (1997), no caso específico do Brasil, mas que não foi diferente em outras partes do mundo, a falta de planejamento estratégico para a implantação infra- estrutura para receber esta população, é o grande responsável por estes problemas. Almeida (1998), afirma que sabe-se que a utilização cada vez maior dos recursos naturais esgotáveis e a falta de planejamento no sentido de controle de disposição de resíduos industriais ou de contaminação atmosférica, são os principais problemas que contaminam o meio ambiente.

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A Revolução Industrial e sua expansão rápida para os países que estavam em condições

e depois lentamente para o restante do mundo, provocando, como se viu anteriormente, o crescimento das cidades e o uso de material tóxico e de esgotos domiciliares e de outras origens, também contribuíram muito para o crescimento da contaminação da natureza.

A razão do comércio e não a razão da natureza, é que preside à sua instalação. Em outras palavras, sua presença torna-se crescentemente indiferente às condições preexistentes. A população e outras ofensas ambientais ainda não tinha esse nome, mas já são largamente notadas – e causticadas – no século XIX, nas grandes cidades inglesas e continentais. E a própria chegada ao campo das estradas de ferro suscita protesto. A reação antimaquinista, protagonizada pelos diversos ludismos, antecipa a batalha atual dos ambientalistas. Esse era, então, o combate social contra os miasmas urbanos (SANTOS, 2006, p. 237).

O autor deixa claro que embora a questão da intervenção do homem na natureza, de

forma negativa, estava começando a se ampliar, pois já havia em menor intensidade, as preocupações eram manifestadas em relação ao que poderia vir no futuro. Depois de alcançar um patamar perigoso em relação ao número de produtos de origem industrial jogados na natureza e denominado resíduos sólidos, tem-se procurado até de forma pouco lógica resolver os problemas. É o caso da reciclagem, que apesar de tudo, tem sido proposta de solução, porém, as ações nem sempre são aquelas que deveriam ser mais criativas, com lógica em toda a cadeia produtiva e de consumo. Para Santos (2006), é preciso que se tome medidas ecologicamente corretas, não apenas na forma de usar os recursos naturais, de reaproveitá-lo, como se faz no processo de reciclagem. Há de se pensar e agir, também em medidas inteligentes que ofereça a possibilidade de se produzir principalmente máquinas com período maior de vida, em contrapartida ao que se faz atualmente com tantos produtos literalmente descartáveis.

Os indivíduos são obrigados a consumir bens que se tornam obsoletos antes do tempo, já que cada vez mais se tornam funcionalmente inúteis logo após saírem das fábricas. Durning (1992) ressalta que os eletrodomésticos fabricados em 1950 eram muito mais resistentes do que os produzidos atualmente: eram fabricados para durar e não quebravam com facilidade; caso se quebrassem, seu conserto era economicamente viável, o que atualmente não é mais verdadeiro. Por isso, no entender de Sewell (1978), a eliminação da obsolescência planejada é a chave da minimização dos resíduos: afinal, produzir um refrigerador que funcione doze anos em vez de oito significa ter um terço de refrigeradores a menos no lixo durante esse mesmo período (SANTOS, 2006, p. 184).

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O que se precisa é buscar alternativas mais criativas em menos ambiciosas em relação aos lucros exorbitantes. Trata-se de uma questão de educação voltada para a responsabilidade com as novas gerações. De nada vale tanto barulho em torno das iniciativas da reciclagem, se o que é jogado a natureza está superando ao que é retirado.

2.2 CRESCIMENTO POPULACIONAL, O CONSUMISMO E GERAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

O crescimento da população mundial é conseqüência do desenvolvimento do homem

no sentido de oferecer qualidade de vida melhor para as pessoas. Isso pelo menos foi o que

ocorreu até alcançar um determinado ritmo de desenvolvimento, pois hoje, contraditoriamente

a população cresce mais nas regiões mais pobres do Planeta, onde a média de vida é mais baixa.

O Ritmo de crescimento da população mundial, segundo o site: tutomania. com. br/ saiba-

mais/o-ritmo-de-crescimento-da-populacao-mundial, (2005), pode ser sintetizado a partir de dados concretos em alguns dos espaços cronológicos projetados pela Organização das Nações Unidades (ONU), em 2005, mostra os seguintes resultados:

10.000 a.c = alguns poucos milhões

ano 1 d.c = 250 milhões

1650 = 500 milhões

1850 = 1 bilhão

1950 = 2.5 bilhões

1990 = 5.2 bilhões

2000 = 6 bilhões

2050 = 9 a 11 bilhões (projeções da ONU)

Estas projeções orientam para ameaças a todo o mundo, pois grande parte da população existente hoje não possuem condições mínimas de subsistência. As previsões futuras são sombrias, pois como já se referiu anteriormente, é justamente essa população a que mais cresce. De um lado a pobreza extrema em países africanos, asiáticos e a americanos. De outro

a riqueza transformada em consumo sem nenhuma medida de conseqüências na Natureza. É

o consumismo como forma de violência para a saúde individual e normalmente coletiva e para a destruição da natureza.

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Segundo Alzugaray (2006, p. 175), tudo parece mágico, grande e alegremente anárquico. Há música em todos os locais. As vitrines estão muito bem decoradas. O ambiente está propício para um passeio gratificante. Estamos, quase sem perceber, em uma selva de consumo onde, inevitavelmente, cairemos em algumas das “armadilhas” que equipes formadas por psicossociólogos, arquitetos, decoradores, iluminadores e especialistas em marketing prepararam para os consumidores potenciais. O ritmo musical que ouvimos, suave e quase imperceptível, tem suas razões de ser, assim como a disposição dos produtos em lugares determinados, a largura dos corredores e tudo o mais que nos impressiona em alguns supermercados ou shopping centers que incentivam a febre do consumo. Esses fatores são tão importantes que existem, em alguns países, laboratórios para testá-los. Na França, por exemplo, funciona, desde 1989, um supermercado- laboratório, onde o comportamento do consumidor é observado em detalhe. Esse falso supermercado, onde as cobaias são os clientes, é o menor do mundo – possui apenas 200 m², com música ambiente. Os visitantes são selecionados em supermercados verdadeiros e recebem, ao entrar, uma lista de compras. Eles devem escolher as marcas e depois dizer por que preferem esta ou aquela. Na verdade, seus movimentos estão sendo estudados por especialistas escondidos atrás de vidros espelhados. Cada passo dado pelo cliente, cada expressão facial ficarão gravados em uma fita que será utilizada para estudo posterior. Hoje em dia, qualquer lançamento só é feito depois de o produto ter passado por esses tubos de ensaio. Os fabricantes sabem muito bem que é ali que se decide a sorte de seu produto.

Para planejar melhor suas vendas – e fazer com que as pessoas consumam mais – os supermercados já dispõem de algumas informações. Em primeiro lugar, sabem que o consumidor permanecem durante uma média de 40 minutos dentro do supermercado, onde são apresentados de 4 a 6 mil produtos. Desta forma, o consumidor só conta com alguns segundos para registrar tudo o que vê e decidir o que comprar. Por outro lado, sabe-se também que 50% dos produtos vendidos em supermercados são comprados por impulso. Isto significa que entre as mercadorias de compras planejadas – como o leite e o açúcar, entre outros – devem ser colocados outras mercadorias, não programadas, que atraiam a atenção do consumidor. Outro recurso bastante utilizado é ter o preço de um produto anunciado em um grande cartaz, o que pode dar a sensação de que esse produto está em promoção, mesmo quando o preço não foi alterado. É freqüente ver que, com técnicas semelhantes, uma determinada marca de café – para citar um exemplo – pode incrementar seu volume de venda.

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Um outro segredo se encontra nas prateleiras, que são geralmente dispostas em cinco de cada lado da gôndola. A prateleira de cima é a que mais se vê, embora fique um pouco fora do alcance da mão. A Segunda e a terceira são as melhores, porque ficam à altura da vista e ao alcance das mãos. A Quarta e a Quinta são as menos valorizadas, por serem mais desconfortáveis de ver e alcançar. O objetivo, segundo especialistas, é chegar a um equilíbrio e evitar “pontos frios” dentro do supermercado. Para isso, colocam-se os setores de maior afluência de público – como os lácteos, por exemplo – perto de outros mais difíceis, cujos produtos têm, na maioria das vezes, uma rentabilidade maior. O objetivo final é que o cliente encontre a maior quantidade possível de produtos e aumente seu consumo. Os shopping centers também baseiam seu sucesso na exposição tentadora, mas acrescentam outros elementos – como a sensação de onipotência proporcionada pela arquitetura e a sensação de pertencer e possuir de que são tomados os clientes assim que entram no local. Segundo alguns psicólogos, outra característica inconsciente, certamente, mas muito forte, é a sensação de segurança e proteção que esses locais proporcionam. Além disso, são como grandes cenários onde as pessoas podem olhar, mexer, espiar, ver de tudo, ficar a par de tudo, satisfazer todas as inquietudes, ser especuladoras, protagonistas, desejosas de tudo o que está exposto, mas, também, capazes de obter o que vêem. É assim que se criam uma tentação e uma excitação dos sentidos que põem em movimento a pulsão possessiva das pessoas, por meio de estímulos visuais, olfativos, auditivos, acionais e também impulsivos e compulsivos. Do ponto de vista da química do consumo, segundo alguns especialistas, o que diferencia um shopping center de uma galeria comercial como as inúmeras existentes é o ambiente. Os shopping centers produzem excitação e põem em marcha os mecanismos de compra que deixaram de funcionar nas galerias comerciais na medida em que estas se padronizaram e deixaram de diferenciar-se como locais que sempre apresentam novidades. Por outro lado, as galerias não foram capazes de opor uma estratégia de marketing ao apelo dos shopping centers. A explicação também passa pelo aspecto cultural. Todos temos uma disposição à renovação, a fazer coisas novas, a recriar o ambiente que nos cerca. Nesse processo de recriação, a concentração comercial passou para lojas de grande porte – como as lojas de departamento – e para o shopping center, que dá a cada marca sua identidade, constituindo-se em um ponto importante na psicologia do consumidor. Em resumo, acreditam alguns especialistas que as grandes lojas “envelheceram” porque deixaram de ser pontos de referência para o consumidor, porque não se adaptaram às novas expectativas sócio-culturais, de ambiente, de inovação permanente e de marcas e produtos oferecidos no mercado.

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Levando-se em conta a matéria-prima não renovável utilizada em muitos processos produtivos de bens de consumo ou duráveis colocados à disposição de quem pode adquirir e consumir, incluindo uma variedade de embalagens que são resíduos sólidos, muitas vezes de alta resistência (durabilidade) na Natureza, como os plásticos, borrachas e similares, pode se ter a visão do caos para o qual a população mundial, caminha. Produção econômica em expansão, parcela maior da sociedade com algum tipo de consumo, pois mesmo os mais pobres recebem ajudas de governos, da comunidade, de instituições filantrópicas, algumas de âmbito mundial. E todos os produtos consumidos ou duráveis, tem sua origem na Natureza. Os produtos agropecuários são considerados os maiores consumidores de água, um produtos esgotáveis, cuja vida deixará de existir sem ele. Neste caso, tem que ser levado em conta que os resíduos de toda natureza estão em contínua contaminação da água. O que dificulta ainda mais o seu uso tanto para o consumo humano e quanto para a produção agropecuária.

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3 COLETA, DISPOSIÇÃO E TRATAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

Este capítulo tem o objetivo de apresentar um estudo sobre o núcleo do conteúdo do trabalho, focando a coleta, a disposição e o tratamento dos resíduos sólidos urbanos.

3.1. COLETA DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

Segundo o site: Gerenciamento de Resíduos sólidos urbanos (acesso em 15 dez. 2008), a responsabilidade da prestação de serviços de limpeza pública, incluindo coleta e destinação dos resíduos sólidos urbanos é da administração municipal:

Segundo a Constituição de 1988, cabe ao poder público local a competência pelos serviços de limpeza pública, incluindo a coleta e destinação dos resíduos sólidos urbanos.

Município deve legislar, gerenciar e definir o sistema.

Os serviços podem ser executados diretamente pelo município ou então ser terceirizados – contato. Gerenciamento de resíduos sólidos urbanos – entendido como:

Conjunto de ações normativas, operacionais, financeiras e de planejamento que uma administração municipal desenvolve, com base nos critérios sanitários, ambientais e econômicos para coletar, tratar e dispor os resíduos do seu município Manejo - conjunto de atividades envolvidas com os resíduos sólidos, sob o aspecto operacional, envolvendo sua coleta, transporte, acondicionamento, tratamento e disposição final. O gerenciamento abrange além do manejo, os aspectos relacionados com o planejamento, fiscalização e regulamentação.

Um dos maiores problemas enfrentados por uma administração, seja ela, pública ou privada, é o dos resíduos, o qual é produzido por diversas atividades humanas e gera problemas políticos, sociais, econômicos, ambientais e de saúde. No gerenciamento de resíduos sólidos existem muitas variáveis envolvidas, que dificultam a tomada de decisões para implantação de políticas públicas direcionadas aos resíduos. Entende- se como gestão de resíduos sólidos, todas as normas e leis relacionadas a estes. Dentro do gerenciamento, destacam-se as questões de responsabilidade e o envolvimento dos setores da sociedade em relação à geração de resíduos. O gerenciamento de resíduos está associado às medidas de prevenção e correção dos problemas, vislumbrando a preservação dos recursos naturais, a economia de insumos e energia e a minimização da poluição ambiental (PAVAN, 2008.

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O gerenciamento de resíduos sólidos urbanos é uma das medidas administrativas de uma cidade, pois além dos aspectos estéticos que oferece ao ambiente, limpeza e higiene, tem resultados positivos também, no que refere à saúde da população. As atividades desenvolvidas pelo gerenciamento de resíduos sólidos, inicia-se na

coleta que deve ser realizada com a contribuição da população, que deve se orientada para

o volume do que tem destinação para a

separar resíduos recicláveis dos demais, diminuindo

disposição e o que vai ser devolvido ao uso sob a forma de reciclado, que como já se disse anteriormente, é uma das formas de contribuir para que matérias-primas que dependem de florestas, sejam reaproveitados e vários produtos esgotáveis sejam retirados em menor quantidade da Natureza.

O gerenciamento dos resíduos sólidos depende de fatores como: a economia, grau de

urbanização e dos hábitos da população do município, por isso o gerenciamento do lixo varia

de acordo com o município. Para que esse aconteça de forma ambientalmente segura é

necessário que haja uma integração dos diversos setores envolvidos, desde a geração até a disposição final, e também que sejam utilizadas técnicas e tecnologias voltadas para a preservação do meio ambiente (CARVALHO; NOGUEIRA, 2007).

Dentre a variedade de tipos de resíduos sólidos urbanos, os mais comuns são, de acordo com o site: Gerenciamento de Resíduos sólidos urbanos, os seguintes:

a) Resíduos domiciliares/comerciais recipientes plásticos ou metálicos, sacos plásticos

padrão.sacos plásticos de supermercado;

b) Resíduos de varrição,sacos plásticos apropriados, recipientes basculantes;

c) Feiras livres e eventos recipientes basculantes – cestos, contêineres estacionados, tambores, cestos coletores de calçadas;

d) Entulhos contêineres estacionados;

e) Podas de árvores em vias públicas, praças e jardins.

3.2 DISPOSIÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

Além dos aspectos constitucionais, citados anteriormente, existe uma legislação ambiental e um conjunto de Normas Regulamentadoras, baixadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, que determina como realizar os trabalhos de disposição e tratamento dos resíduos sólidos urbanos.

a) Aterros sanitários/industriais

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NBR 8418/83 - Apresentação de projetos de aterros de resíduos industriais perigosos – procedimento. NBR 10157/87 - Aterros de resíduos perigosos - critérios para projeto, construção e operação - procedimento NBR 8419/92 - Apresentação de projetos de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos - procedimento NBR 13896/97 - Aterros de resíduos não perigosos - Critérios para Projeto, Implantação e Operação - procedimento NBR 12553/03 - Geossintéticos – terminologia Norma CETESB L1.030 - Membranas impermeabilizantes e resíduos determinação da compatibilidade - método de ensaio NBR 13895/97 - Construção de poços de monitoramento e amostragem – procedimento Resolução CONAMA N. 1 de 23 de janeiro de 1986 - disciplina o EIA/RIMA - exigências, conteúdo, elaboração, responsabilidades e audiência pública. Resolução SMA N. 42 de 29 de dezembro de 1994 - aprova procedimentos de análise de EIA/RIMA no âmbito da Secretaria do Meio Ambiente. Resolução SMA N. 51 de 25 de julho de 1997 - dispõe sobre a exigência ou dispensa de Relatório Ambiental Preliminar - RAP para os aterros sanitários e usinas de reciclagem e compostagem de resíduos sólidos domésticos operados por municípios. Resolução N. 54 de 30 de novembro de 2004 - dispõe sobre procedimentos para o licenciamento ambiental no âmbito da Secretaria do Meio Ambiente.

b) Tratamento de resíduos

NBR 11175/90 - Incineração de resíduos sólidos perigosos - padrões de desempenho – procedimento NBR 13894/97 - Tratamento no solo (landfarming) – procedimento Norma CETESB L10.101 - Resíduos sólidos industriais - tratamento no solo procedimento Resolução CONAMA N. 316 de 29 de outubro de 2002 - dispõe sobre procedimentos e critérios para funcionamento de sistemas de tratamento térmico de resíduos. Para Tigre (1994), pelo que se pode sentir, há urgência na implantação de um sistema eficiente, no sentido de tentar uma solução imediata e definitiva para o problema: uma educação ambiental correta, a ação imediata no sentido de planejar e desenvolver um trabalho voltado para a separação, reciclagem e reaproveitamento do lixo em sua quase totalidade.

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Os diferentes autores consultados afirmam que lixo é o conjunto de todos os restos, aparentemente inservível, que não se aproveita. Por sua vez, resíduos é a parte do parte do lixo, reaproveitável, que se separa e recicla para alguma finalidade útil. Há necessidade de se tomar medidas urgentes para a solução dos problemas causados pelo lixo, pois não há como negar a grande ameaça para o futuro. E só o homem, criador deste caos, pode buscar soluções.

A proposta evidenciada no momento é a de coleta seletiva e reciclagem do lixo que

se enquadra como reaproveitável.

O trabalho de separação do lixo para o reaproveitamento exige algumas técnicas

especiais, entre elas e identificação da composição deste. Neste caso pode-se ver na tabela I

acima de como são constituídos os resíduos sólidos urbanos. Com a explosão da urbanização, aumentou o volume de lixo produzido por restos de construções e outras, além de móveis, eletrodomésticos, veículos etc. que não servindo mais, são abandonados nas ruas, nos rios ou levados para os lixões e aterros sanitários.

A sobrevivência da humanidade na face do planeta está na dependência da criação de

uma nova mentalidade ambiental, onde toda a sociedade, através da responsabilidade e do compromisso de cada um em participar da preservação do que ainda não foi atingido e da recuperação dos ecossistemas degradados. Isso só poderá ser feito com investimentos na educação de todos e na capacitação de cada um em dar a sua contribuição para não continuar degradando e ao mesmo tempo recuperar o que as gerações passadas e presentes já destruíram.

A urbanização é um dos principais fenômenos sociais contemporâneos; associada ao

desenvolvimento econômico, permitiu o surgimento de mudanças ambientais que acabaram por interferir na saúde pública da população que vive nas cidades. Desse modo, podemos perceber em centros urbanos condições de vida inadequadas, marcadas pela carência de infra-estrutura em moradia, saneamento, abastecimento de água e oferta de alimentos. Estas deficiências acarretam impactos ambientais e alterações na vida humana em sua estrutura psíquica, biológica e social (RIBEIRO E ZIGLIO, 2006, p. 21).

Os autores mostram que a disposição e o tratamento dos resíduos urbanos em grandes cidades, tornou-se um desafio mundial e nacional. A perpetuação da falta de eficácia do sistema de gerenciamento revela uma insustentabilidade sem precedentes, que pode levar a uma crise de recursos naturais. Por outro lado é preciso observar que os efeitos negativos dos dejetos humanos,

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identificados como resíduos sólidos urbanos, que se somam a outros, líquidos e gasosos no ambiente são muitos. Já se descobriu muita coisa, mas ainda há o que se descobrir. Existem estudos recentes de aproveitamento de todo resíduo orgânico para a produção de energia, com sua queima, utilizando-se de tecnologia arrojada, sem nenhum tipo de impacto ambiental. De acordo com Frosch (1997). as formas utilizadas de disposição dos resíduos, são as seguintes:

3.2.1 Aterros sanitários

Aterro é a disposição ou aterramento do lixo sobre o solo e deve ser diferenciado, tecnicamente, em aterro sanitário, aterro controlado e lixão ou vazadouro. Aterro Sanitário é um processo utilizado para a disposição de resíduos sólidos no solo, particularmente, lixo domiciliar que fundamentado em critérios de engenharia e normas operacionais específicas, permite a confinação segura em termos de controle de poluição ambiental, proteção à saúde pública; ou, forma de disposição final de resíduos sólidos urbanos no solo, através de confinamento em camadas cobertas com material inerte, geralmente, solo, de acordo com normas operacionais específicas, e de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais.

Aterro sanitários: utilizam técnicas de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, sem causar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais . Este método se utiliza princípios de engenharia para confinar os resíduos sólidos à menor área possível e reduzi-los ao menor volume permissível, cobrindo-os com uma camada de terra na conclusão de cada jornada de trabalho ou a intervalos menores se for necessário. Antes de se projetar um aterro sanitário são realizados estudos geológicos e topográficos para a seleção da área e verificação do tipo de solo. Também é realizada a impermeabilização do solo, os líquidos percolados são captados por drenos horizontais para tratamento e são ser instalados drenos verticais para liberação dos gases formados durante a decomposição anaeróbia da matéria orgânica (PAVAN, 2008).

Antes de se projetar o aterro, são feitos estudos geológico e topográfico para selecionar a área a ser destinada para sua instalação não comprometa o meio ambiente. É feita, inicialmente, impermeabilização do solo através de combinação de argila e lona plástica para evitar infiltração dos líquidos percolados, no solo. Os líquidos percolados são captados (drenados) através de tubulações e escoados para

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lagoa de tratamento. Para evitar o excesso de águas de chuva, são colocados tubos ao redor do aterro, que permitem desvio dessas águas, do aterro.

3.2.2 Lixões

É um local onde há uma inadequada disposição final de resíduos sólidos, que se caracteriza pela simples descarga sobre o solo sem medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública. É o mesmo que descarga de resíduos a céu aberto sem levar em consideração:

a área em que está sendo feita a descarga;

o escoamento de líquidos formados, que percolados, podem contaminar as águas superficiais e subterrâneas;

a liberação de gases, principalmente o gás metano que é combustível;

o espalhamento de lixo, como papéis e plásticos, pela redondeza, por ação do vento;

a possibilidade de criação de animais como porcos, galinhas, etc. nas proximidades ou no local.

Lixões ou vazadouros a céu aberto: caracterizam-se pela simples descarga dos resíduos, acarretam vários problemas de saúde à população vizinha do local devido à proliferação de vetores de transmissão de doenças. Estes locais exalam maus odores e contaminam solos, águas superficiais e subterrâneas, através dos líquidos percolados (ou chorume) gerados no local. Associam-se também aos lixões, o total descontrole quanto ao tipo de resíduos recebidos nestes locais, onde é possível encontrar resíduos de origem industrial e de serviços de saúde. Geralment e existem catadores que moram no local e sobrevivem da venda de materiais recicláveis coletados no próprio local (PAVAN, 2008).

Os resíduos assim lançados acarretam problemas à saúde pública, como proliferação de vetores de doenças (moscas, mosquitos, baratas, ratos etc.), geração de maus odores e, principalmente, a poluição do solo e das águas superficiais e subterrâneas através do chorume (líquido de cor preta, mau cheiroso e de elevado potencial poluidor produzido pela decomposição da matéria orgânica contida no lixo), comprometendo os recursos hídricos. Acrescenta-se a esta situação, o total descontrole quanto aos tipos de resíduos recebidos nesses locais, verificando-se, até mesmo, a disposição de dejetos originados dos serviços de saúde e das indústrias.

34

Comumente, os lixões são associados a fatos altamente indesejáveis, como a criação de porcos e a existência de catadores (que, muitas vezes, residem no próprio local). Embora apresente garantias razoáveis do ponto de vista sanitário, a solução Aterro Sanitário tem algumas desvantagens irrefutáveis:

Desperdício de matérias-primas, pois que se perdem definitivamente os materiais com que se produziram os objetos; Ocupação sucessiva de locais para deposição, à medida que os mais antigos se vão esgotando. Numa perspectiva de médio e longo prazo este é um problema grave, pois normalmente apenas um número reduzido de locais reúne todas as condições necessárias para ser escolhido.

2.2.3 Incineração

A incineração é um processo de decomposição térmica, onde há redução de peso, do volume e das características de periculosidade dos resíduos, com a conseqüente eliminação da matéria orgânica e características de patogenicidade (capacidade de transmissão de doenças) através da combustão controlada. A redução de volume é geralmente superior a 90% e em peso, superior a 75%.

Incineração: é um processo de engenharia que emprega decomposição térmica, via oxidação térmica à alta temperatura para destruir a fração orgânica dos resíduos e reduzir o volume. São de unidades complexas, com alto grau de automatização e número elevado de dispositivos de controle de processo, que exigem especialização da mão-de-obra. Os incineradores requerem valores altos de investimento e custos de operação mais elevados em relação a outros processos. No entanto, os resíduos resultantes dessa forma de tratamento, que devem ser encaminhados para aterros sanitários, têm volumes bastante reduzidos, além de haver a possibilidade de aproveitamento da energia, liberada na queima, para geração de vapor e eletricidade (PAVAN, 2008).

Para a garantia do meio ambiente a combustão tem que ser continuamente controlada. Com o volume atual dos resíduos industriais perigosos e o efeito nefasto quanto à sua disposição incorreto com resultados danosos à saúde humana e ao meio ambiente, é necessário todo cuidado no acondicionamento, na coleta, no transporte, no armazenamento, tratamento e disposição desses materiais.

Segundo a ABETRE (Associação Brasileira de Empresas de Tratamento, Recuperação e Disposição de Resíduos Especiais) no Brasil, são 2,9 milhões de toneladas de resíduos

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industriais perigosos produzidos a cada 12 meses e apenas 600 mil são dispostas de modo apropriado. Do resíduo industrial tratado, 16% vão para aterros, 1% é incinerado e os 5% restantes são co-processados, ou seja, transformam-se, por meio de queima, em parte da matéria-prima utilizada na fabricação de cimento.

O extraordinário volume de resíduo não tratado segue para lixões, conduta

que acaba provocando acidentes ambientais bastante graves, além dos problemas de

saúde pública. Os 2 milhões de resíduos industriais jogados em lixões significam futuras contaminações e agressões ao meio ambiente, comenta Carlos Fernandes,

presidente da Abetre. No Estado de São Paulo, por exemplo, já existem, hoje, 184 áreas contaminadas e outras 277 estão sob suspeita de contaminação.

A recente Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) realizada pelo

IBGE colheu dados alarmantes quanto ao destino das 4.000 toneladas de resíduos produzidos pelos serviços de saúde, coletadas diariamente e provenientes dos 5.507 municípios brasileiros. Apenas 14% das prefeituras pesquisadas afirmaram tratar do lixo de saúde de forma adequada. Este tipo de lixo “é um reservatório de microorganismos potencialmente perigosos, afirma documento da OMS (Organização Mundial da Saúde). Para os resíduos de saúde classificados como patogênicos, por exemplo, uma das alternativas consideradas adequadas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) é a incineração. A redução de passivos ambientais constituídos por resíduos perigosos tem encontrado na incineração em alta temperatura, a melhor técnica disponível e mais segura, confirma engenheiro químico de uma empresa. No Brasil, a destruição de resíduos pela via do tratamento térmico pode contar com os incineradores industriais e com o co-processamento em fornos de produção de clinquer (cimenteiras). A Resolução Conama 264/99 não permite que os resíduos domiciliares brutos e certos resíduos perigosos venham a ser processados em cimenteiras, tais como os provenientes dos serviços de saúde, os rejeitos radioativos, os explosivos, os organoclorados, os agrotóxicos e afins.

3.2.4 Compostagem

De acordo com Pavan (2008), a compostagem é o processo de reciclagem da matéria orgânica formando um composto. A compostagem propicia um destino útil

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para os resíduos orgânicos, evitando sua acumulação em aterros e melhorando a estrutura dos solos. Esse processo permite dar um destino aos resíduos orgânicos domésticos, como restos de comidas e resíduos do jardim. A compostagem é largamente utilizada em jardins e hortas, como adubo orgânico devolvendo à terra os nutrientes de que necessita, aumentando sua capacidade de retenção de água, permitindo o controle de erosão e evitando o uso de fertilizantes sintéticos e químicos.

3.3 TRATAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

Segundo Pavan (2008), Quando se refere ao “tratamento dos resíduos sólidos urbanos”, está se referindo à sua destinação final, após a coleta e a disposição. Neste caso há uma similaridade entre aterro sanitário, lixão incineração e compostagem, mostrados no subitem anterior, como disposição, que verdade não se refere a simplesmente deixar em algum lugar. Dos quatro tipos de disposição, o que melhor adequa ao “tratamento” é a compostagem, que por sua vez não é puramente um disposição. Para melhor entendimento desse processo de tratamento dos resíduos sólidos urbanos , é interessante considerar um processo que começa na sua coleta e que permite separar os resíduos reaproveitáveis, para a reindustrialização, e que se chama Reciclagem. Vejamos de forma bem detalhada este processo.

3.3.1 Reciclagem de resíduos sólidos urbanos

,

Inicialmente podre-se afirmar que a reciclagem é um dos processos que mais diminui o uso de matéria-prima em grande parte não renovável, algumas já escassas. Por outro lado é importante observar que quando se trata de matéria-prima não renovável está se referindo àquelas que existe na natureza e que o homem não consegue produzir (na maioria dos casos).

A coleta seletiva: consiste na separação de papéis, plásticos, metais e vidros na fonte geradora, é uma forma para segregação dos materiais recicláveis. Após a coleta, este materiais podem ser classificados por categoria e encaminhados às indústrias recicladoras. A coleta seletiva pode ser entendida como estratégia para desviar os resíduos sólidos dos aterros ou lixões para um processo de reutilização ou reciclagem. Para o êxito dos programas de coleta seletiva, as administrações devem investir em educação ambiental, propondo mudanças de hábitos à população através de informações sobre o potencial de reutilização e reciclagem dos materiais. Com a coleta seletiva podem-se obter benefícios de receitas e economias. De receita, em função da

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venda dos recicláveis e de economia devido à redução no custo de disposição de resíduos que deixa de ir para os aterros. Como conseqüência, surgem também benefícios sociais como geração de empregos e estímulo à cidadania por parte dos catadores (PAVAN, 2008).

E quando se toca na natureza para a retirada de qualquer de seus componentes, está se destruindo biodiversidades animais e vegetais, que são responsáveis pelo seu equilíbrio. Logo, o desenvolvimento sustentável, tão discutido e necessário, ficar prejudicado com tal interferência. Esta é apenas uma das vantagens e portanto é importante a reciclagem.

Atualmente as organizações mais competitivas estão focadas nos resultados, acreditam que somente resultados positivos e crescentes permitem a continuidade e a expansão dos negócios. A prática tem-se mostrado como a única saída às organizações e isso ocorre pelo fato de que se não assim procederem, fatalmente irão quebrar e deixar de contribuir para com o seu principal papel de responsabilidade social: que é o de gerar empregos, além de atender ao mercado com seus bens e serviços (BOEHME, 2005).

O autor citado afirma ainda que a reciclagem é a única saída viável, principalmente em um país em que as organizações e toda a sociedade é literalmente "massacrada" com o excesso de tributos, que há tempos ultrapassou a esfera do racional e suportável. Neste cenário a busca incessante de lucros, a liderança em produtividade e a eficiência operacional – resultantes do foco na gestão, controle de risco e disciplina financeira – devem ser, portanto, objetivos fundamentais. Na busca de excelência, são aplicadas ferramentas que visam alavancar estes resultados. Infelizmente, fruto talvez de miopia administrativa, muitas organizações abandonam ou mesmo não implementam ferramentas que criam a base necessária para o sucesso, muitas destas ferramentas são simples, fáceis de serem implantadas e implementadas e o mais importante, rapidamente produzem os resultados positivos. Entre elas citamos o Programa 8S ou a cultura dos 3R. Um Programa 8S deveria ter abrangência nacional, principalmente ser aplicado nas diversas entidades públicas, onde as práticas de gestão são praticamente desconhecidas e pouco empregadas. Infelizmente adotar práticas de gestão não é o forte da administração pública, basta ver a realidade dos diversos municípios brasileiros, apenas cerca de 5% deles possuem a sua Agenda 21 e apenas pouco mais de 1% efetivamente implementada.

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Cada tonelada de papel reciclado representa 3 m³ de espaço disponível nos aterros sanitários. A energia economizada com a reciclagem de uma única garrafa de vidro é suficiente para manter acesa uma lâmpada de 100 W durante quatro horas. Com a reciclagem de uma lata de alumínio economiza-se o suficiente para manter ligado um aparelho de televisão durante 3 horas. 1 tonelada de papel reciclado significa economia de três eucaliptos e 32 pinus, árvores usadas na produção de celulose. Na fabricação de 1 tonelada de papel reciclado são necessários apenas 2 mil litros de água, ao passo que no processo tradicional esse volume pode chegar a 100 mil litros por tonelada. O Brasil só recicla cerca de 30% de seu consumo de papel. O vidro é 100% reciclável e o Brasil só recicla cerca de 14,2% do vidro que produz e consome (BOEHME, 2005).

O autor citado acima faz ainda a seguinte pergunta: Qual a justificativa para não se investir nestas e outras práticas básicas de gestão? Se fizermos uma pesquisa com a população, perguntando o que vem a ser 3Rs, seguramente a maioria não saberá responder. Resultado de um processo de educação ambiental incipiente ou não eficaz. Sintetizando pode-se dizer que os 3Rs, são:

Reduzir - consumir menos é fundamental. Hoje, o Brasil produz 88 milhões de toneladas de lixo por ano, cerca de 440 quilos por habitante; Reutilizar - é impossível reduzir a zero a geração de resíduos. Mas muito do que jogamos fora deveria ser mais bem reaproveitado. Potes e vasilhames de vidro e caixas de papelão podem ser úteis em casa ou nas indústrias de reciclagem. E o destino de restos de comida, como cascas e folhas, tinha de ser a compostagem; Reciclar - o "erre" mais conhecido é sinônimo de economia de matérias-primas. Vidro, papel, plástico e metal representam, em média, 50% do lixo que vai para os aterros. Além disso, a reciclagem pode virar dinheiro. O economista Sabetai Calderoni, do Núcleo de Políticas Estratégicas da USP e autor do livro Os Bilhões Perdidos no Lixo, calcula em 5,8 bilhões de reais por ano o total que o Brasil deixa de arrecadar com materiais recicláveis. Uma fortuna equivalente a dezessete vezes o orçamento do Ministério do Meio Ambiente (BOEHME, 2005,).

Trata-se, portanto, de uma questão de informação bem estruturada para a sociedade de modo geral, e uma educação destinada a formar também cidadãos responsáveis por suas comunidades. No momento em que todas as pessoas souberem de suas responsabilidades com as comunidades em que vivem, todos os resíduos sólidos serão separados do lixo e colocados à disposição das empresas destinadas à reciclagem.

• reduz a quantidade de resíduos encaminhados ao aterro sanitário com conseqüente aumento da sua vida útil, representando redução de custos nos investimentos da Companhia; • reduz a exploração de recursos naturais;

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• incentiva a participação da comunidade na solução de problemas;

• reduz os impactos ambientais durante a produção de novas matérias primas;

• reduz o consumo de energia elétrica;

• reduz a poluição ambiental;

• amplia o desenvolvimento econômico pela geração de novos empregos e renda na

operacionalização dos materiais recicláveis e na expansão dos negócios relativos à

reciclagem (TRIGUEIRO, 2003).

Para Trigueiro (2003), reciclar, é fazer voltar ao processo de produção os materiais – papel, vidro,plástico e metal – que foram usados e descartados. Significa preservar o meio ambiente e poupar energia, pois a reindustrialização reduz a extração dos recursos naturais. As principais vantagens da reciclagem de resíduos sólidos são:

Diminuição da quantidade de lixo a ser aterrado, aumentando, assim, a vida útil dos aterros sanitários;

Preservação dos recursos naturais;

Redução do consumo de energia;

Diminui a poluição do ar e das águas;

Auxilia na conscientização da comunidade sobre a esgotabilidade dos bens, da relação homem/meio ambiente, dos atuais sistemas de produção;

Diminuição dos custos de produção, devido ao aproveitamento de materiais recicláveis pelas indústrias de transformação;

Geração de empregos e intensificação da economia local, através da criação de empresas recicladoras e a conseqüente concorrência;

Economia para o país na importação de matérias-primas e na exploração de recursos naturais não-renováveis.

3.4 A COMPOSTAGEM COMO TRATAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

Conforme já se conceituou anteriormente, a compostagem é uma palavra que tem sua origem em “composto”, melhor definido que composição. Trata-se de um processo que mistura uma diversidade de resíduos sólidos que conforme as disposição, se decompõe. Naturalmente a primeira imagem que se tem deste processo é que o resido pode ser tratado através dele, tem que ser necessariamente “orgânico.” Isso não se comprova na prática. Vários produtos minerais podem entrar neste processo, desde que submetidos a outros, como a rocha moída.

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Compostagem: é definida como um processo biológico de decomposição da matéria orgânica encontrada em restos animais e vegetais. O composto, formado por estes restos, é o produto final do processo, e seu é uso recomendado para adubo orgânico e condicionador de solo (PAVAN, 2008).

Quanto maior a variedade de matérias existentes em uma compostagem, maior vai ser

a variedade de microorganismos atuantes no solo. De acordo com o site: Coleta e disposição do lixo, para iniciantes, a regra básica da compostagem é feita por duas partes, uma animal e uma parte de resíduos vegetais. Os materiais mais utilizados na compostagem são cinzas, penas, lixo doméstico, aparas de grama, rocha moída e conchas, feno ou palha, podas de arbustos e cerca viva, resíduos de

cervejaria, folhas, resíduos de couro, jornais, turfa, acículas de pinheiro, serragem, algas marinhas

e ervas daninhas. O site acima citado, dentre os diferentes resíduos mais comuns que compõe fornecem o produto compostagem, destacam-se:

a) Cinzas

As cinzas de madeira provenientes de lareiras ou de fogão a lenha são uma ótima fonte de potássio para os horticultores orgânicos, pois a utilizam na prevenção de pragas. As cinzas das cascas de banana, limão, pepino e cacau possuem alto teor de fósforo e potássio. As cinzas de madeira podem ser acrescentadas às pilhas de compostagem, mas perdem muito de seu valor se ficarem expostas ao excesso de chuva, pois o potássio lixivia facilmente.

b) Penas

As penas de galinha, peru e outras aves são muito ricas em nitrogênio, podendo ser aproveitadas e acrescentadas às compostagens.

c) Lixo doméstico

Praticamente todo o lixo orgânico de cozinha é um excelente material para decomposição. Em uma composteira devemos evitar despejar gordura animal, pois esta tem uma difícil degradação. Restos de carnes também devem ser evitados porque costumam atrair animais, vermes e moscas além de causar mal cheiro.

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d) Aparas de gramas

As aparas de grama são matéria orgânica muito rica em nutrientes. Nas pilhas de compostagem são ótimos isolantes térmicos e ajudam a manter as moscas afastadas.

e) Rocha moída e conchas

Rochas e conchas possuem muitos minerais necessários para o crescimento das plantas. Ostras moídas, conchas de bivalvos e de lagostas podem ter o mesmo efeito de rocha moída e substituir o calcário

f) Feno ou palha

Estes em uma compostagem necessitam de uma grande quantidade de nitrogênio para se decompor. Então recomenda-se que se utilize pequenas quantidades de feno e palhas frescos.

g) Podas de arbustos e cerca viva

São volumosos e difíceis de serem degradados. Acrescentados na compostagem deixam a pilha volumosa e com fácil penetração de ar.

h) Resíduos de cervejaria

Este tipo de resíduo enriquece o composto, mas costumam ser bastante úmidos, não necessitando de irrigação freqüente.

i) Folhas

As folhas parcialmente apodrecidas são muito semelhantes ao húmus puro. Para mais fácil decomposição das folhas em uma pilha de compostagem, recomenda-se que misture as folhas com esterco.

j) Resíduos de couro

Pó de couro é muito rico em nitrogênio e fósforo, pode ser abundante e barato.

k) Jornais

Há algumas controvérsias de se colocar jornais na pilha de composto. Os jornais são uma

grande fonte de carbono na sua compostagem, desde que se utilize em pequenas quantidades.

l) Turfa

Em termos de nutrientes a turfa não acrescenta nada na compostagem, mas pode absorver toda a umidade existente.

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m) Acículas de pinheiro

São consideradas um bom melhorador da textura do composto. Apesar de se tornar levemente ácida na pilha, outros materiais irão neutralizar os efeitos ácidos.

n) Serragem

Apresenta degradação extremamente lenta. A melhor maneira é alternar a serragem com o esterco.

o) Algas marinhas

São ótimas como fonte de potássio, se degradam facilmente e podem ser misturadas com qualquer outro material volumoso, como a palha. Também são muito ricas em outros nutrientes, como o boro, iodo, cálcio, magnésio entre outros. No jardim deve ser aplicado a cada 3 ou 4 anos em grandes quantidades. Para o horticultor as algas marinhas mantém a pilha isolada termicamente durante o inverno.

p) Ervas daninhas

É ótima como matéria orgânica para o solo, mas deve-se acrescentar muito esterco ou outro material rico em nitrogênio, para que as altas temperaturas não permitam que as sementes germinem, assim evitando trabalhos futuros e o desperdício deste resíduo Alguns resíduos, como o sabugo de milho, de maçã, casca de citrus, talo de algodão, folhas de cana, folhas de palmeira, casca de amendoim, de nozes, pecan e amêndoa são de difícil degradação, porém, possuem muito nitrogênio e matéria orgânica. Recomenda-se que sejam picadas em pedaços menores para que se degradem mais facilmente. Para manter sua pilha volumosa e com força, pode-se acrescentar terra, calcário ou húmus, já areia, lama e cascalho adicionam poucos nutrientes.

A solução ideal para o problema dos resíduos sólidos seria idêntica à que mencionamos para o esgoto: fazer retornar ao solo, nas áreas agrícolas, os elementos que dele foram retirados. Isso é possível mediante os processos de Compostagem – processos de fermentação aeróbica controlada - , de modo a transformar sua matéria orgânica sólida em um material denominado composto, idêntico ao húmus natural, que constitui ótimo condicionador de solos (BRANCO, 2006, p. 80).

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Para a boa degradação dos componentes de uma pilha é necessário evitar alguns resíduos, como o carvão mineral e vegetal, papel colorido, plantas doentes, materiais não biodegradáveis, fezes de animais de estimação, lodo de esgoto, produtos químicos tóxicos entre outros.

3.4.1 Etapas da Decomposição

Segundo o site: Coleta e disposição do lixo, as fases de decomposição dos resíduos sólidos urbanos pelo processo de compostagem, são:

Primeira fase

Normalmente denominada decomposição: ocorre a decomposição da matéria orgânica facilmente degradável, como por exemplo, carboidratos.

A

temperatura pode chegar a 65-70ºC. Nesta temperatura, durante um período de cerca

de 15 dias, é possível eliminar as bactérias patogênicas, como por exemplo, as salmonelas, ervas - inclusive as daninhas, ovos de parasitas, larvas de insetos, etc.

Esta fase demora de 10 a 15 dias. É comum colocar sobre o material uma camada de cerca de 10-30 cm de composto maduro para manter o equilíbrio interno do material (sem perda de calor e umidade).

Nesta faze, proteínas, aminoácidos, lipídios e carboidratos são rapidamente decompostos em água, gás carbônico e nutrientes (compostos de nitrogênio, fósforo, etc.) pelos microorganismos, liberando calor.

Temperaturas acima de 75º indicam condições inadequadas e podem causar a produção de odores, devendo ser evitadas. Nesta temperatura, ocorrem reações químicas no processo e não mais ação biológica por microorganismos termófilo. Segunda fase

A fase de semimaturação: os participantes freqüentes desta fase são as bactérias, actinomicetos e fungos. A temperatura fica na faixa de 45 - 30ºC

e o tempo pode variar de 2 a 4 meses.

Terceira fase

A fase de maturação/humificação: nesta fase, celulose e lignina são transformados em

substâncias húmicas, que caracterizam o composto, pelos pequenos animais do solo

como por exemplo às minhocas. A temperatura cai na faixa de 25-30ºC.

44

O húmus (composto) é um tipo de matéria orgânica mais resistente à decomposição pelos microorganismos. No solo, as substâncias húmicas vão sendo lentamente decompostas pelos microorganismos e liberando nutrientes que são utilizados pelas raízes das plantas.

3.4.2 Fatores que influenciam na compostagem

a) Aeração

O fornecimento de oxigênio é um fator importante durante a decomposição,

principalmente, na primeira fase. A falta de oxigênio pode liberar odores desagradáveis, provenientes de produtos de decomposição anaeróbia como gás sulfídrico.

A aeração pode ser natural ou forçada para sistema estático de compostagem.

Neste caso a aeração natural pode ser feita através da difusão, de revolvimento ou introdução de tubos curtos e perfurados no interior da leira ou pilha. A aeração forçada é feita por introcução ou sucção de ar no interior da leira ou pilha.

Para sistema dinâmico, é comum aeração forçada com introdução de ar.

b) Matéria-prima

A

compostagem é realizada com material orgânico putrescível.

O lixo doméstico é uma boa fonte de matéria orgânica e que corresponde a mais de 50% de sua composição.

Relação carbono/nitrogênio (C/N): 30 - 40/l, ideal para o desenvolvimento dos microorganismos.

Umidade: 45% a 70%. Abaixo pode inibir o desenvolvimento da atividade bacteriana

e

acima pode ocasionar deterioração.

Materiais com tamanhos menores se decompõem mais rapidamente.

Material indesejável do ponto de vista estético e de segurança de manuseio: pedaços de

vidro, metal, plástico, etc.

c) Microorganismos

Normalmente, o material orgânico putrescível usado contém os microorganismos necessários durante o processo. Quando necessário, se adiciona composto maturado.

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3.4.3 Características do composto húmico

O composto é biologicamente estável e pouco agressivo aos organismos do solo e plantas, e é utilizado para melhorar as características do solo e aumentar a produção de vegetais, por exemplo em hortas.

O composto maturado tem aspecto marrom, com pouca umidade e cheiro de terra mofada.Ao esfregá-lo com as mãos, elas se sujam, porém o composto se solta facilmente.

O composto deixa o solo mais "fofo" e leve, possibilitando que as raízes utilizem água e nutrientes mais facilmente.

As substâncias húmicas existentes no composto têm a capacidade de reter água e nutrientes, agindo assim, como uma esponja. Desta forma, as plantas podem utilizar a água e nutrientes, favorecendo o seu desenvolvimento. Por isso o composto é chamado também de fertilizante do solo.

A água e os nutrientes retidos tornam o solo melhor estruturado, necessitando de menos irrigação, economizando energia e tornando-se mais resistente a erosão.

Aumenta a capacidade de troca de cátions (nutrientes).

Ajuda na fertilidade do solo devido à presença de nutrientes minerais (N, K, Ca, Mg, S e micronutrientes). Para o nitrogênio, potássio e fósforo (NKP) encontram-se valores médios de 1%, 0,8% e 0,5%, respectivamente.

3.4.4 Uso do Composto

O composto é usado em solo como corretivo orgânico, principalmente de solos argilosos e arenosos, pobres em matéria orgânica. A matéria orgânica deixa o solo mais fofo e leve, possibilitando que as raízes utilizem a água e os nutrientes mais facilmente. Aplicando o composto uma ou duas vezes por ano, a produtividade do solo aumenta.

3.5 Usinas de Compostagem de Lixo no Brasil

Segundo dados do IBGE referente a 1989, publicados em 1992, existem 80 usinas de compostagem no Brasil, mas infelizmente a maioria delas está desativada por falta de uma

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política mais séria, além da falta de preparo técnico no setor. Inclusive, na maioria dessas usinas, as condições de trabalho são precárias, o aspecto do local é muito sujo e desorganizado e não existe controle de qualidade do sistema de compostagem e nem do composto a ser utilizado em solo destinado à agricultura. Muitas usinas de compostagem estão acopladas ao sistema de triagem de material reciclável. Por isso é comum as usinas possuírem espaços destacados para esteiras de catação, onde materiais como papel, vidro, metal, plástico são retirados, armazenados e depois vendidos.

A qualidade do composto produzido na maioria das vezes é ruim tato no grau de

maturação, quanto na presença de material que compromete o aspecto estético e material

poluente como metais pesados.

A compostagem no Brasil vem sendo tratada apenas sob perspectiva de "eliminar o

lixo doméstico" e não como um processo industrial que gera produto, necessitando de cuidados ambientais, ocupacionais, marketing, qualidade do produto, etc. Tanto isso é verdade que quando as usinas são terceirizadas, as empreiteiras pagam por lixo que entra na usina e não por composto que é vendido e o preço, que muitas usinas cobram, é simbólico. A compostagem no Brasil precisa ser encarada mais seriamente.

3.6 Importância da compostagem

A transformação dos resíduos em composto enriquecido para uso nas lavouras de cana apresenta uma série de vantagens, dentre as quais citamos:

Redução do custo do transporte pela redução da massa e volume.

Produto mais solto, facilitando manuseio e aplicação.

Redução das doses aplicadas.

Elevação e balanceamento da concentração de nutrientes.

Material já humificado e bom condicionante de solos.

Substituição de adubação química das lavouras.

Destinação correta aos resíduos industriais.

Aumento da produtividade e da qualidade da cana.

Sustentabilidade na produção.

Cumprimento de preceitos legais.

Preservação ambiental.

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CONCLUSÃO

Depois de percorrer cada capítulo deste trabalho, pode-se concluir que as ações destinadas a melhorar o meio ambiente, não permitindo a sua degradação rápida e irreversível, começaram um pouco tarde. Mas como vale o dito popular “antes tarde do que nunca”, ainda há tempo de salvar o que ainda não foi contaminado e recuperar, são na tudo, muito do que já está comprometido. A luta no sentido de “salvar o planeta do caos”, começou, como movimento, em Estocolmo, na conferência de 1972. Inicialmente houve, como ainda hoje há, resistência em relação ao combate à degradação, porque os interesses econômicos são maiores. É fácil entender isso,quando se verifica que a maior potência econômica mundial, os Estados Unidos da América, não aderiu ao Protocolo de Kyoto, simplesmente porque causaria prejuízos econômicos às suas empresas. No Brasil, o maior impacto no sentido de combater os diferentes tipos de degradação ambiental, intensificou-se a partir da década de 1980, tornando-se matéria específica na Constituição de 1988, onde se encontra fundamentada não apenas as leis ambientais, mas também o direito neste sentido. No que refere à coleta, disposição e tratamento dos resíduos sólidos urbanos, está havendo um despertar cada vez maior no sentido de conhecer o problema e criar soluções viáveis tanto no sentido técnico, quanto financeiro. As pressões partidas dos ecologistas, ONGs e pessoas, tem sido um instrumento de fazer com que os governos tomem iniciativas de investir mais e melhor na defesa do meio ambiente. A questão dos resíduos sólidos urbanos tem sido um grande desafio para aqueles que são constitucionalmente responsáveis por tomar providências no de resolver um problema e não criar outros. O que se tem visto é que lixões, fornos de incineração aterros sanitários dão destinação dos resíduos coletados, mas não dão o devido tratamento, salvo alguns casos em que se seleciona os resíduos e separam os recicláveis , dispondo os o restante em aterros sanitários. Neste caso, deixando de aproveitar tudo que é orgânico e que deveria ser devolvido à natureza, após o devido tratamento (compostagem), sob a forma de fertilizantes ( humos). Verifica-se que o mais eficiente e limpo processo de tratamento de resíduos sólidos urbanos (ou não), é a compostagem. Que além de ser mais seguro, oferece a possibilidade de devolução ao meio ambiente o que dele é retirado, com a grande vantagem de exigir uma

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seleção que separa todos os resíduos recicláveis, que vão contribuir diretamente para a preservação de uma diversidade de matérias-primas retiradas da natureza, sendo que muitas delas são esgotáveis. Diante desta análise, formula-se duas propostas que ainda não estão colocadas na prática, mas que precisa ser o mais rápido possível. Encontrar meios de responsabilizar as autoridades públicas no sentido de fazer com que cumpra com seus deveres constitucionais, contratando serviços especializados para atender na área de coleta, disposição e tratamento de resíduos sólidos urbanos. Sabe-se que esta é uma tarefa muito difícil de ser cumprida, pois a responsabilização nestes casos é discutida e aprovada por estas mesmas autoridades. Implantar no sentido de funciona a Educação Ambiental com objetivos de formar

cidadãos responsáveis

Viu-se que há preocupações constantes e dinâmicas no sentido de precaução para que os riscos de contaminação ambiental sejam minimizados, os ambientes degradados sejam

recuperados em o desenvolvimento sustentável é uma realidade próxima possível.

por este mundo que é a sua casa.

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REFERÊNCIAS

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ALZUGARAY, Cátia. História Moderna. São Paulo: Três, 2006.

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