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Projeto do Novo Código de Direito Penal

Pe. Silvio Roberto, MIC Diretor do Apostolado da Divina Misericórdia

Segue adiante em nosso país, em rápido avanço, a tentativa de destruição da nossa cultura cristã. A etapa da vez é a formulação do Novo Código de Direito Penal. Caso seja aprovado tal como está na proposta atual é mais um largo passo para a destruição da vida e das normas do bom senso de uma sociedade cristã. Reproduzimos a seguir parte do texto do Pe. Luiz Carlos da Cruz, que nos expõe o grave perigo que isso representa para a nossa sociedade1.

Animais e pessoas

O ser humano vale menos que os animais. A omissão de socorro a uma

pessoa (art. 132) é punida com prisão, de 1 a 6 meses, ou multa. A omissão de socorro a um animal (art. 394) é punida com prisão, de 1 a 4 anos. Conduzir um veículo sem habilitação, pondo em risco a segurança de pessoas (art. 204) é conduta punida com prisão, de 1 a 2 anos. Transportar um animal em condições inadequadas, pondo em risco sua saúde ou integridade física (art. 392), é conduta punida com prisão, de 1 a 4 anos. Os ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre não podem ser vendidos, adquiridos, transportados nem guardados, sob pena de prisão, de 2 a 4 anos (art. 388, §1º, III). Os embriões humanos, porém, podem ser comercializados, submetidos à engenharia genética ou clonados sem qualquer sanção penal, uma vez que ficam revogados (art. 544) os artigos 24 a 29 de Lei de Biossegurança (Lei 11.101/2005).

) (

Prostituição infantil Atualmente comete estupro de vulnerável aquele que pratica conjunção carnal com menor de 14 anos (art. 217-A, CP). O projeto baixa a idade: só considera vulnerável a pessoa que tenha “até doze anos”. Isso vale para o estupro de vulnerável (art. 186), manipulação ou introdução de objetos em vulnerável (art. 187) e molestamento sexual de vulnerável (art. 188). ( )

Aborto

O terceiro que provocar aborto com o consentimento da gestante, atualmente

punido com reclusão de um a quatro anos, passa a sofrer pena de prisão de seis meses a dois anos (art. 126). Se o aborto for provocado sem o consentimento da gestante, o terceiro é punido com prisão, de quatro a dez anos (art. 127). Curiosamente, ele recebe um aumento de pena de um a dois terços se, “em consequência do aborto ou da tentativa de aborto, resultar má formação do feto sobrevivente” (art. 127,§1º). Esse parágrafo parece ter sido incluído para estimular o aborteiro a fazer abortos “bem feitos”, evitando que, por “descuido”, ele deixe a criança com vida e má formada.

) (

1 Por questão de espaço não nos é possível colocar o texto na íntegra, mas o leitor

poderá tê-lo no seguinte endereço: www.providaanapolis.org.br/rolocomp.htm

As maiores mudanças, porém, estão no artigo 128. Ele deixa de começar por

não se pune o aborto” e passa a começar por “não há crime de aborto”. (

haja risco à “saúde” (e não apenas à “vida”) da gestante (inciso I), que haja “violação da dignidade sexual” (inciso II), que a criança sofra anomalia grave, incluindo a

anencefalia (inciso III) ou simplesmente que haja vontade da gestante de abortar (inciso IV). Neste último inciso o aborto é livre até a décima segunda semana (três meses). Basta que um médico ou psicólogo ateste que a gestante não tem condições “psicológicas” (!) de arcar com a maternidade.

) Basta que

Eutanásia e suicídio assistido “Matar por piedade ou compaixão” (eutanásia) passa a ser um crime punível com prisão, de dois a quatro anos (art. 122), muito abaixo da pena prevista para o homicídio: prisão, de seis a vinte anos (art. 121). Porém, o juiz pode reduzir a pena da eutanásia a zero, avaliando, por exemplo, “os estreitos laços de afeição do agente com a vítima” (art. 122, § 1º). Também o auxílio ao suicídio, em tese punível com prisão, de dois a seis anos (art. 123), pode ter sua pena reduzida a zero, nos mesmos casos descritos para a eutanásia (art. 123, §2º).”

Além dos pontos acima, o Projeto avança na perseguição religiosa e moral, pois haverá graves punições para quem falar contra ou simplesmente rejeitar a tirania gay, ainda que com base nos seus princípios de consciência. Por tudo isso leitor, esteja atento! Procure se informar e entre em contato com os deputados e senadores, solicitando que votem contra o atual Projeto2.

Aprovado o aborto de anencéfalos

Pe. Silvio Roberto, MIC Diretor do Apostolado da Divina Misericórdia

Como é sabido de todos, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), com 2 exceções, aprovaram, no dia 11 de abril passado, o aborto de crianças com anencefalia, colocando nosso país em direta ofensa contra Deus o Senhor da vida além de entrarmos para a história humana como uma Nação sem piedade para com os deficientes.

Mas o que é anencefalia? Os defensores da matança das crianças no ventre materno dizem que a criança anencéfala é uma criança sem cérebro e, portanto, em estado de morte cerebral no ventre materno, podendo, portanto, ser eliminada. Isso não é verdade! Anencefalia NÃO é a mesma coisa que morte cerebral. Vejamos o que é anencefalia:

“Literalmente, anencefalia significa ausência do encéfalo. Essa definição é falha, uma vez que o encéfalo compreende, além do cérebro, o cerebelo e o tronco cerebral. Os bebês anencéfalos, embora não tenham

2 Saiba como fazê-lo aqui: www.misericórdia.org.br

cérebro, ou boa parte dele, têm o tronco cerebral funcionando. É o tronco cerebral que controla importantes

A chamada

anencefalia admite vários graus, a sobrevivência do bebê anencéfalo pode variar muito [podendo viver até um

ano e oito meses, como no caso de Marcela]” 3

Como visto, anencefalia é outra coisa que morte cerebral. A criança está viva, embora tendo uma deficiência. Aprovar tal assassinato é caminho para aprovar outros atos horrendos no futuro: o aborto de crianças com síndrome de Down, das crianças cegas, das que não tem o nariz fino esperado, etc.

funções do nosso organismo como a respiração, o ritmo dos batimentos cardíacos (

).

Uma decisão ideológica Os grupos pró-aborto, financiados por entidades internacionais e pelo dinheiro da administração Obama, têm uma tática bem definida para implantar o aborto nos países:

eles não recorrem ao poder Legislativo, para que este faça uma nova lei (como deveria ser sempre!). Eles sabem que os legisladores dificilmente aprovarão leis contra a vida no Brasil, país de forte tradição católica, onde a maioria da população é a favor da vida. Sendo assim, tais grupos levam suas propostas diretamente aos ministros do STF. Estes, que não foram eleitos pelo povo (mas sim escolhidos pelo presidente da República) e que deveriam tão somente garantir o respeito à Constituição, passam a legislar. Ao fazê-lo, criam leis contrárias à vontade popular (a quem não representam) e também à Constituição (esta defende a vida). A decisão dos ministros, por sua vez, baseia-se muito na ONU. Ora, é bem conhecido o fato que a ONU apoia o aborto, segundo interesses de entidades nela infiltradas.

Testemunho Com certeza não é fácil para uma mãe ter uma criança anencéfala, mas o caminho do amor é sempre melhor do que o caminho “mais fácil e prático” do aborto, como nos mostra o testemunho a seguir:

“Giovanna nasceu às 14:17h. Fiquei preocupada pois não ouvia seu choro. Sabia que corria o risco dela não

reagir (

boca do Papai e o meu nariz. Seu chorinho era como se me pedisse proteção e foi o que fizemos. Dei

carinho, beijo, chorei (

perninha e dizer o quanto ela era amada e o quanto estávamos orgulhosos da sua força. Sem que eu soubesse

do seu estado, seus batimentos começaram a subir de 94 para 129 e estabilizaram, para a surpresa inclusive da enfermeira. Foi a prova física do que eu já sabia: que ela me reconheceu como aquela que a protegeu durante os nove meses e deu até um “sorrisinho” de tão relaxada que ficou. Foram momentos inesquecíveis. Ver

quanto éramos importantes para ela, era tudo o que precisávamos (

Fui para o quarto e por volta das 18:00h fui vê-la. Comecei a fazer carinho em sua

Foi quando ouvi seu chorinho confirmado pelo Pe. André que foi batizá-la. Ela era linda! Tinha a

).

).

)

Foi colo de Deus mesmo.”4

O mundo está superpopuloso?

Pe. Silvio R. Roberto, MIC Diretor do Apostolado da Divina Misericórdia

Recentemente, no fim do ano passado, a população mundial atingiu a marca de 7 bilhões de pessoas. Para muitos, esse número é motivo de comemoração. No entanto, para outros, fortalece a tese da superpopulação, segundo a qual o planeta não é capaz de

4 http://www.providaanapolis.org.br/index1.htm

comportar a demanda populacional. Por isso seriam necessárias medidas contraceptivas (contra a concepção = contra a vida), e entre essas medidas está o aborto. O mito da superpopulação do mundo e suas consequências não é algo novo. O grande pai teórico desta falácia, à qual tenta-se dar uma roupagem científica, foi o pastor anglicano inglês Thomas Malthus, no final do século XVIII. A afirmação de Malthus, simples e impactante, é que a humanidade cresce em ritmo geométrico, mas a

capacidade de produção alimentar do planeta cresce em ritmo aritmético. Sendo assim, faltaria alimento no mundo.

A ideia de Malthus logo entrou para o rol dos mitos científicos como uma

daquelas “verdades” que ninguém pode contestar. Manter isso é essencial para muitas pessoas interessadas nas vantagens políticas e filosóficas contidas nessa tese. O também inglês, Francis Galton expandiu a tese de Malthus para o campo da sociologia, defendendo que só cidadãos seletos deveriam ter filhos, proibindo-os aos pobres daí surgiu a eugenia colonialista e a nazista. Um certo governador de nosso país,

denunciado neste espaço em edição passada, falou publicamente que “favelados não deveriam ter filhos!”. Cria-se assim a ideia de valores diferentes entre as pessoas, definidas principalmente pelo seu status social. Essa afirmação é aplicada não somente

pelos governos em seus próprios países, mas se estende nas relações com outros países. Países pobres estão sendo pressionados a diminuir a sua taxa demográfica, afim de não se tornarem um peso para os países ricos consumindo os recursos naturais do planeta, destinados somente aos “privilegiados”. Ao leitor atento não será difícil inferir para onde tais ideias podem levar a humanidade: países ricos (geralmente do norte do mundo) controlando a taxa de natalidade dos países pobres (do sul) por meio do aborto, da esterilização em massa das mulheres e de outros meios o que de fato hoje acontece.

A ideia de uma explosão demográfica conseguiu criar certa atmosfera de

apreensão nas pessoas. Hoje em dia, em certas partes do nosso país, uma mãe que vai ao supermercado com 4 ou mais filhos já passa a ser vista como uma pessoa “estranha” e irresponsável. No entanto, por mais que pesem as vozes pessimistas, não há qualquer prova científica que favoreça a necessidade da diminuição da população global. Com o avanço das técnicas agrícolas, ficou claro o erro de Malthus, pois o mundo tem sim capacidade de alimentar todos os seus habitantes. Prova disso: o Brasil que importava carnes, laticínios, cereais, bebidas, etc., hoje é projetado pela ONU como celeiro do mundo. Falta, no entanto, boa vontade. O problema do mundo não é a falta de alimentos, mas a sua má distribuição e o jogo de interesses, onde alguns faturam muito com a especulação financeira no preço dos alimentos. Há, é claro, a má distribuição da população que força a superpopulação das cidades. Mas não são casos que forcem a diminuição geral da população e sim a correta distribuição da população em nível social (necessidade de políticas sociais). A ciência tem mostrado mesmo o inverso, ou seja: os prejuízos da diminuição artificial da população. É aumento da população que gera o progresso e novos empregos, pois causa a necessidade da produção de mais bens, benfeitorias e serviços. Muitos países ricos estão vivendo o chamado “inverno demográfico” ou, melhor, “implosão demográfica”. Quando a taxa de nascimentos não é suficiente para a substituição da população de tais países, estes enfrentam sérias consequências, que irão agravar-se. Entre elas estão a falta de mão de obra e a quebra do sistema previdenciário. A Igreja, em sua doutrina moral e familiar, não exige famílias com muitos filhos, como alguns pensam. Sabendo das dificuldades sérias do nosso tempo, enfrentada pelos pais, ela propõe a paternidade responsável, onde cabe ao casal averiguar suas reais condições para trazer novos filhos ao mundo. Todavia, não deixa de afirmar que “filhos

são bênção” e não se deixa levar por uma visão de mundo que quer incutir nos seres humanos o medo da vida, bem como não aceita de forma alguma o aborto como forma de controle populacional.

Você já abortou ou mandou abortar?

Pe. Silvio, MIC Diretor do Apostolado da Divina Misericórdia

“Quem aqui não teve uma namoradinha que precisou abortar?” A frase acima não vem de uma despretensiosa conversa em um bar ou noutro lugar informal, feita por alguém sem maior responsabilidade social. Ela foi dita pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, em um evento público do qual ele participava. Aliás, não é a primeira frase pública daquele governador com tamanho peso de preconceito e

irresponsabilidade. Em outro momento, algum tempo atrás, ele chegou a cogitar o aborto para os filhos dos favelados, pois gente pobre seria a causa da violência e das mazelas da sociedade.

O que este governador disse traz consigo, nas entrelinhas, uma enorme gama de

preconceito, inverdade e manipulação. Para começar, a sua frase é marcada por uma grande falácia: sugere que realmente todo mundo aborta, de modo que o aborto é algo tão natural como chupar uma laranja. Embora o número de abortos no mundo seja sim assustador, e com franco crescimento, não é verdade que este assassinato seja algo assim tão difundido, ao ponto de manchar a consiciência de todo homem e mulher. Mas é conhecido o objetivo de se “jogar com os números”. A ideia é simples: ao aumentar um número, cria-se a imagem de autenticidade e aprovação do mesmo. Em uma greve, por exemplo, um sindicato diz que havia 3 milhões de pessoas na porta da fábrica; os donos da fábrica dirão 3 mil O pensamento deste governador reflete, infelizmente, algo que tem dominado a nossa sociedade atual: a abdicação do pensar crítico, aceitando o pensamento geral. O indivíduo social tem se tornado cada vez mais um repetidor de ideias e atitudes de outros. É a famosa atitude de rebanho: onde uma vaca vai, as demais seguem. Justifica- se assim uma atitude pessoal por meio da desculpa de que “todo mundo faz”. Uma vez que “todo mundo faz” algo, logo isto está correto. Nada mais pernicioso para uma sociedade do que ser esta formada por cidadãos que agem somente pela “moral” do grupo, sem ter sua própria norma de conduta, fundada em valores oriundos acima da

mera convensão social. Tal sociedade é facilmente manipulada pelos que estão no poder, seguindo as mazelas dos seus governantes e alimentando-os em seu uso despudorado do cargo.

A banalização da vida é o ponto central deste pensamento débil. Abortar e trocar

um pneu furado do carro, por exemplo, não parecem ter muita diferença, pois é algo que, pelo menos uma vez na vida, algum homem irá fazer. A criança assassinada, a mãe

traumatiza, nada disso parece ter qualquer significado a mais, pois é a sequencia “natural” de um namoro. Em tempos de (justa) valorização da mulher, a frase do governador é, no mínimo, impopular. A mulher, na sua visão, não passa do objeto de uso de um homem.

Caso esse objeto não funcione bem (leia-se, engravide), basta “consertar”, ou seja, abortar e trocar de objeto (namorada). Por fim, é altamente preocupante que a frase à qual nos referimos venha de um homem público, responsável direto pelo governo de um dos Estados mais promissores da Federação e formador de opinião pública. Este homem público que jurou defender a

Constituição! Ora, uma clausula fundamental da Constituição é a defesa da vida

Código Penal brasileiro legisla sobre o aborto como crime. O senhor governador não estaria fazendo uma apologia ao crime? Eu gostaria de dizer ao senhor governador que eu nunca tive, graças a Deus, uma namoradinha que mandei abortar. Tenho certeza que, assim como eu, milhões de outros homens neste país podem dizer o mesmo. Tenho certeza também que milhões de mulheres, que um dia foram namoradas, podem dizer o mesmo. Gostaria ainda de dizer àqueles que mandaram abortar, incluidos na lista do senhor governador, e que, talvez agora tenham sua consciência acusando-os por um erro grave do passado: a misericórdia de Jesus é para todos, não se desesperem, o Senhor está pronto a nos perdoar a qualquer momento que queiramos.

O