Star Wars - A força do mito

Não me lembro da minha primeira sessão de cinema. O pessoal em casa garante que foi Bambi, no extintoCinespacial, na Rua São João em São Paulo. Era um cinema bizarro, em formato de arena com três telas que exibiam o filme simultaneamente. A recordação mais antiga que tenho de uma sala de projeção é mesmo de 1983, quando já tinha oito anos. Estava lá para assistir a um filme cujo anúncio tinha visto no jornal. A propaganda mostrava duas mãos segurando uma espada de luz bacana contra um fundo preto. A história foi de tirar o fôlego. Eu nunca havia visto nada parecido. O filme era O retorno de Jedi (Return of the jedi, 1983). O terceiro de uma trilogia. Mas onde estavam os outros filmes? Lembre-se de que, na época, vídeo-cassete era artigo de luxo e havia poucas locadoras. Star wars Episódio IV - Uma nova esperança (A new hope, 1977) só foi passar na Rede Manchete (atual Rede TV) alguns meses depois. Já ao segundo filme, O império contra-ataca (Empire strikes back, 1980), assisti primeiro na forma de um making-of no SBT e só alguns anos depois em VHS. Mesmo com tanta confusão cronológica, eu havia sido fisgado. Os motivos, eu só entenderia alguns bons anos mais tarde. O poder do mito No início da década de 90, uma mini-série na televisão ajudou-me a compreender o fascínio queStar wars exerce sobre tantas pessoas. O poder do mito, uma série de entrevistas com o historiador Joseph Campbell, conduzidas pelo jornalista Bill Moyers, trouxe pela primeira vez diversos

Moyers, Lucas e Campbell paralelos entre a saga e os temas mitológicos recorrentes desde o início da humanidade. Durante a série, fica claro que o cineasta George Lucasbuscou inspiração em um livro de Campbell, O herói de mil faces, para delinear a saga intergaláctica de Luke Skywalker, a princesa Leia Organa e o pirata espacial Han Solo contra o temido império galáctico personificado por Darth Vader. Campbell, que era chamado por Lucas de meu Yoda - referência ao mestre jedi que criou para Star wars -, ajudou o cineasta, por meio de seus livros, a entremear sua jornada com dezenas de elementos das histórias mitológicas

criadas pelo homem desde o início da civilização. Mas se Star wars é uma reinvenção da roda, qual o seu valor? Geração Coca-Cola

Pôster de Star Wars - Uma nova esperança Cada período da história da humanidade tem seus próprios conjuntos de mitos e rituais que definem as regras básicas de comportamento. As histórias auxiliam na formação espiritual e social de cada indivíduo e lhe fornecem parâmetros para atuar em grupo. Tais histórias podem ou não vir embaladas com algum conteúdo religioso, mas esta não é uma condição essencial. Basta conhecer seus significados. A fé fica por conta de cada um. Nas culturas primitivas, os mitos eram empregados em dolorosos rituais de passagem e comumente narrados pelos anciãos aos mais jovens. Na cultura ocidental, durante séculos tais histórias fizeram-se presentes na literatura grega e latina e na Bíblia. Hoje, em menor escala, ainda são apresentadas, mas levadas pouco a sério pelas novas gerações, que têm dificuldades em absorver tais mitologias em sua roupagem tradicional. A geração contemporânea, na qual - por enquanto - me incluo, é muito mais suscetível aos apelos visuais. Crescemos em frente a uma televisão e nada poderá apagar essa influência. Atualmente, a criançada continua crescendo com a TV ligada que, em alguns casos, ela vem aliada a outro companheiro ainda mais poderoso: O computador. Naturalmente, estamos hoje muito mais interessados nas notícias do dia a dia e nos problemas do cotidiano. Valores eternos? Vida espiritual? Quem tem tempo pra isso no frenético mundo em que vivemos? O problema é que tais histórias fazem falta. Sem elas, persiste o vazio do conhecimento, algo que pode comprometer o entendimento de fato inéditos em nossas vidas.

a ambientação em outros planetas ou as espécies alienígenas. na verdade. é até tanto estranho. muito distante. A princípio. A saga é um mero exemplo. crescimento e escolhas. as idéias mitológicas presentes em quase todas as religiões e mitos relevantes na História da humanidade. não? A jornada do herói . Esses são meramente elementos comuns às ficções científicas. quando tratados com seriedade. não é só Star wars. O valor essencial da série não são os efeitos especiais. seriados de televisão. Entretanto. livros. Um dos bons. aventuras. fruto de milhares de produções de qualidade duvidosa. videogames e histórias em quadrinhos. podem estar imbuídos de significado. A essência de Guerra nas estrelas vem justamente dosarquétipos. No entanto. outros filmes. Um mito moderno Claro. no momento em que entendemos que esse tipo de narrativa é apenas um veículo para compartilhar experiências sobre o mundo. tudo na forma de metáforas que transmitem significados. cuja trama pode se passar muito tempo atrás. pois a palavra mitologia traz à mente estátuas de deuses e musas e não de andróides e naves espaciais. numa galáxia muito. começa a soar mais palatável a possibilidade de Star warsser algo mais do que películas com efeitos especiais. mas que. alvo de preconceito por muita gente. está mais perto de você do que imagina.Pôster de O império contraataca É aí que entra Star wars.

apenas uma entre dezenas de estruturas míticas existentes nos filmes. adquirir algo que estava faltando e voltar. mestre na manipulação da força Em Star wars. Luke Skywalker (Mark Hammil). Luke Skywalker (Mark Hamill) Obi-Wan Kenobi (Alec Guinness) . é um desafio comum deixar o mundo limitado em que se foi criado. inicia suas viagens pela galáxia na companhia de Obi-Wan Kenobi. incluindo sua irmã gêmea . torna-se um jedi e retorna ao seu planeta para libertar seus amigos.outra idéia arquetípica.mestre jedi Yoda. enfrenta o lado negro da força. enfrentar provações orientado por alguém. o mesmo mestre que orientou seu pai no passado.Numa estrutura mitológica típica. Essa é a jornada do herói. . deixa o planetinha desértico em que vive.

Ciência mesclada a fé.mais como uma crença num poder superior do que num sistema religioso em particular. Mesmo que nunca se descubra a resposta. pelas mãos do próprio samurai. Não ter esse tipo de interesse na vida é a pior coisa que pode acontecer a um ser humano. Qualquer desvio em sua conduta deveria ser punido com a morte.o vilão definitivo . Sir Percival. Um misto de física quântica com religiões orientais. Foram inspirados nos guerreiros Samurais do Japão feudal. Algo difícil de explicar. ninguém deve parar de procurá-la. Tornar-se um jedi exige o maior comprometimento que um homem é capaz. Qualquer comentário meu a esse respeito. membros de uma ordem quase religiosa.claro . que viviam apenas para seu objetivo . Os mestres na manipulação da força são os cavaleiros jedis. A força é o campo de energia que liga todas as coisas existentes. Utilizei a força nos filmes para despertar um certo tipo de espiritualidade nos jovens . completou.O lado negro da força que Luke precisa enfrentar é o emprego com fins destrutivos do poder da natureza. o cavaleiro que buscava o cálice sagrado nas lendas Arturianas é nitidamente uma das inspirações para os jedis. formada por nobres guerreiros e mantenedores da paz. Religião nas Estrelas Utilizando os jedis e a força. ódio ou mesmo amor no coração.nos mitos. mas facílimo de entender. Lucas agrupa todos os elementos religiosos arquetípicos e torna-os mais modernos e acessíveis para as gerações de hoje. disse Lucas em uma antiga entrevista. Um cavaleiro dessa ordem não deve ter medo. Quis utilizar esses meios para que as pessoas começassem a fazer perguntas do tipo Existe ou não um Deus?. Alguns desses preceitos também são encontrados nos Cavaleiros Templários da idade média e .proteger seu mestre. apenas tiraria a força das palavras do próprio cineasta. Darth Vader .

até que. Outro fator absolutamente central na estrutura arquetípica de Star wars é Anakin ser PAI de Luke. Afinal. o vilão máximo do cinema. Outrora Anakin Skywalker. ou desviar-se dele e abraçar a causa de Vader e o lado negro. No caso de Luke. a busca torna-se ainda mais relevante no final. preocupação existente desde a Idade da Pedra. Boa parte das aventuras mitológicas começa com o filho sendo criado pela mãe. confrontando o pai. como o dos samurais japoneses e uma máscara cobrindo o rosto. Parte homem. voz de James Earl Jones) Lorde Darth Vader. Vader também personifica a máquina do estado e é uma dualidade ambulante. ela lhe diz: Agora parta em busca do seu pai. misto de ciência com fé. Morre o homem. parte robô.é que o filho deve ir à cata do pai para buscar seu próprio horizonte. um capacete largo. nasce a máquina. sua própria natureza. A transformação de Anakin em Darth Vader acontecerá justamente pela sua falta de respeito aos ensinamentos jedis. McQuarrie conseguiu reunir tudo isso na figura e ainda adicionar elementos que lembram as máscaras utilizadas pelos médicos nas pragas do século XVII. Darth Vader . sua queda para o lado negro está sendo revelada por Lucas na nova trilogia. como um samurai.um tanto óbvio .O conflito dos rebeldes contra o império galáctico existente emStar wars é uma metáfora para a resistência aos principados e poderes. ele também foi um cavaleiro jedi. Não é à toa que as orientações de Lucas para o designer Ralph McQuarrie sobre o visual de Vader incluiam um manto negro esvoaçante. O jovem e impetuoso cavaleiro falha em sua missão e. é a representação dos burocratas. deve sacrificar seu corpo. Outras referências . O significado da frase .(David Prowse. um dia. quando ele deve escolher entre manter-se em seu recém-descoberto caminho. que começou com Ameaça fantasma e teve seqüência recentemente com O ataque dos clones. elmos romanos e ainda as vestes de um monge.

o mundo foi definitivamente transformado pela mitologia moderna de George Lucas. São abundantes também as referências e explicações para cada item de vestuário. Há centenas de outros detalhes e subtramas. cultura e armamentos criados para os filmes. no entanto. com o lançamento de Uma Nova Esperança.edu/StarWars • O poder do mito Joseph Campbell. espécie. Entre elas está a hoje famosaLucasArts. . Bibliografia • The magic of myth http://www. uma exposição itinerante sobre o universo de Guerra nas estrelas. Star wars: the magic of myth já dura cinco anos e está atualmente no Brooklyn Museum of Art. desenvolvedora de games. Bill Moyers (Editora Palas Atena) • O herói de mil faces Joseph Campbell (Editora Pensamento) • As transformações do mito através dos tempos Joseph Campbell (Ed. em parceria com a Lucasfilm. em Nova York. ela pouco faturou em seu início com a festejada franquia galáctica do diretor.Cultrix) Imagens © Lucasfilm Os games de Star Wars Uma breve história da saga nos consoles e computadores A partir de 1977. O mestre Obi-Wan apresenta ao jovem Skywalker os caminhos da força São tantas explicações que o Instituto Smithsonian criou. Daquele amontoado de histórias aparentemente mal costuradas surgiu um império nesta galáxia de cá. Uma das mais lucrativas destas empresas-filhotes.Claro que este artigo inteiro apenas arranha a superfície da história escrita por Lucas. Cada uma tem sua explicação e raízes na mitologia da série. ALucasFilms e suas dezenas de subsidiárias (sendo aIndustrial Light & Magic a mais influente) tomaram o planeta de assalto.nasm. Darth Vader era o bicho papão da hora e os três porquinhos foram substituídos no imaginário infantil por um velho barbudo e um sapo verde que lutavam com sabres de luz.

revivendo a trilogia original. foi uma das primeiras iniciativas a retratar a qualidade que se esperava de um título da franquia. já que nada se poderia esperar de um título com gráficos dignos do Windows 3. estranhamente. em uma grandiosa tradição de jogos de aventura animada e quebra-cabeças que acabaria com Escape from Monkey Island em 2000 . a verdadeira vocação da LucasArts viria à tona com o lançamento de Maniac Mansion em 1987.e.com. de 1995. de The Empire Strikes Back (em que o jogador pilotava um snowspeeder feito de 4 ou 5pixels e deveria dar uns setecentos tiros para derrubar um AT-AT) foi o pontapé inicial para o que viria a se tornar um universo de 140 (!) títulos. aqueles de ação horizontal 2D. Star Wars Demolition e Star Wars Force Commander (sonífero potente em forma de jogo de estratégia). abrindo as porteiras para o lançamento de mais e mais títulos. Se uma variedade de jogo era moda. O lançamento para Atari.personagem que se tornaria um dos mais . Mas foi em 1993 queX-Wing foi lançado para computadores PC assinado pela companhia de George Lucas. Daí que surgiram abortos como Star Wars Monopoly(Banco Imobiliário em que se poderia. Foi a busca do lucro pela variedade (e não pela qualidade) que permitiu que a LucasArts licenciasse títulos até para quem ligava à companhia por engano.sem nunca botar uma piada infame sequer na boca de um Jedi. pasme. Alguns outros jogos para o Atari e Arcades (todos terríveis) apareceram entre 1982 e 1983. como no caso de Rebel Assault. Star Wars Chess (em que o rei preto é. em 1983.0 e sem nenhuma história definida. Diz-se que a LucasArts usou de engenharia reversa para inspirar-se no sistema de jogo de Doom e fazer seu próprio jogo de tiro em primeira pessoa.Os jogos iniciais de Star Wars foram licenciados por outras companhias e a década de 80 viu um tímido início de migração da franquia para a telinha. quando o mercado de videogames viveu sua primeira grande crise e tudo sumiu do mercado. Paralelamente a este início de história. Alguns jogos de ação mais tarde. foi outro acerto mais por sorte que juízo. Lucas fundava sua companhia de entretenimento eletrônico . passou a largo de sua mais lucrativa franquia. de 1997. Foi no início dos anos 90 que a LucasArts milagrosamente lembrou-se da mina de ouro que tinha em mãos e lançou seus primeiros projetos dentro da mitologia estelar. um jogo medíocre da tradição de Dragon’s Lair que acabou sendo o maior responsável pela difusão dos kits multimídia para PC (que atire a primeira pedra quem não pulava de felicidade com um CD-ROM de 4 velocidades e uma placa de som Sound Blaster 16 Pro na época). inclusive os jogos de Star Wars. Algumas bolas rasparam a trave e acabaram entrando no gol. botar três hotéis em Kashyyyk). Yoda Stories. Darth Vader!). Consoles da Nintendo recebiam jogos-de-plataforma tradicionais. pode crer que dentro em breve um clone-jedi nasceria no vácuo. O jogo tornou-se um dos mais vendidos naquele ano. supostamente. segundo censo do site Gamespot. Dark Forces. em que o jogador controlava o desertor do império Kyle Katarn .

Tanto ele quanto Dark Forces traziam as primeiras cenas filmadas do universo de Lucas desde que Luke Skywalker cremou o pai em O retorno de Jedi. só Episode I Racer se salva. causou imenso frenesi. De tudo o que foi lançado como material específico do filme. O Ataque dos Clones não teve melhor sorte com seus jogos derivados. Knights of The Old Republic (um RPG passado quatro mil anos antes do Episódio I) e Star Wars Galaxies (iniciativamultiplayer de enorme sucesso) . LEGO Star Wars: o estado da arte em diversão. Rebel Assault II repetia a dose de tédio mas. Agora com A Vingança dos Sith uma nova leva de jogos de Star Wars vem tomando conta das preteleiras do mundo afora.the Video Game: jogo de ação um tanto mais fiel ao filme que seus antecessores.todos jogos que não se intercalam com os filmes. de 2004. Star Wars Republic Commando: prato cheio para o fã que também curte umas boas partidas de Counter Strike. livros.The Sith Lords : outro RPG para um jogador que é sucesso absoluto. Star Wars na literatura: A trilogia de Trawn Star Wars na literatura: A trilogia de Trawn . a aventuraRogue Squadron e o absurdo clone de Tekken. Star Wars Masters of Teräs Käsi. entre outros. trazendo uma boa dose de diversão e o maior requisito por poder de computador que existiu em seu tempo. tais como: Star Wars Battlefront: jogo de tiro baseado em Battlefield 1942 e que transmite com fidelidade a emoção das seqüências veiculares dos filmes. Desta série ainda saíram outros quatro títulos. o último até então. HQs).famosos do "Universo Expandido" de Star Wars(criações dos games. Knights of the Old Republic II . a aventura-evento multimídia Star Wars: Shadows of the Empire (que foi publicada também em HQ. O que dá pra citar de realmente relevante na época são Star Wars Gallactic Battlegrounds (uma espetacular maquiagem em cima de Age of Empires). nem que seja por ser um dos únicos do gênero para o Xbox. livro e teve até trilha sonora). Empire at War: outro jogo de estratégia que tenta se antecipar ao terceiro volume deAge of Empires. A segunda metade da década de 1990 trouxe. ganhou uma continuação em 2006. o bom game de estratégia Star Wars: Rebellion. Episode III . Com o lançamento de A Ameaça Fantasma mais uma fornada de jogos chegou às prateleiras e mesmo o mais entusiasmado fã da série deve ter chorado de ódio ao tentar guiar Obi Wan Kenobi no Gameboy Advance emJedi Power Battles. No mesmo ano. a exemplo de seu antecessor. sendo Jedi Academy.

humanóide de pele azul e o único não-humano a receber o título do Imperador. a resposta da LucasFilm finalmente foi positiva. vencedor do Hugo Award por seu romance Cascade Point. Han Solo e Léia após o terceiro filme constituiu um grande mistério durante longos anos. mas enfrentava vários problemas para se estabelecer. Após um ano de espera. Ao contrário do que se poderia imaginar. ele também era bastante familiarizado com a saga: o próprio autor conta que costumava ouvir. o Império continuava a ameaçar a paz e a liberdade na galáxia. Trawn é provavelmente o maior gênio em estratégia militar já conhecido. figurando em primeiro lugar na lista dos mais vendidos do New York Times e novamente acendendo o interesse do público pelo universo de Star Wars a partir de 1991. livros de ficção com ênfase no militarismo. o destino de Luke. O Despertar da Força Negra e Última Ordem. no entanto. análises político-sociológicas e estratégias de combate. A trama começa cinco anos após a derrota do Imperador e a destruição da segunda Estrela da Morte. composta por Herdeiros do Império. Tentava adquirir naves com contrabandistas e passava por disputas de liderança e suspeitas de traição. Cobra e Blackcollar. Mas nenhum deles faz idéia da ameaça que terão que encarar: o Império sob a liderança do último Grande Almirante. Luke Skywalker alcança seu amadurecimento como Jedi e realiza seu último contato com o espírito de Obi-Wan Kenobi. Léia está casada com Han Solo e. A Rebelião havia fundado uma Nova República. O escolhido foi Timothy Zahn. e autor de duas séries de sucesso. . grávida de gêmeos. o insidioso Trawn. capaz de analisar a psicologia do inimigo e prever suas ações através das obras de arte de seu povo. Mesmo com seu efetivo deveras reduzido. tais eventos não significaram o fim da guerra. contando com oficiais jovens e inexperientes. Enquanto isso. revistas em quadrinhos e séries animadas. com o filho pequeno. a trama envolvente e a ação ininterrupta da trilogia original de Star Wars sempre deixaram o público pedindo mais e se perguntando o que aconteceria após os eventos de O Retorno de Jedi. Mas enquanto a demanda por histórias no universo mítico criado por George Lucas era suprida por tiras de jornal. passa por um treinamento Jedi pelo irmão Luke. a editora preparou uma seleção de escritores de ficção científica e mandou amostras dos trabalhos de cada um deles para a LucasFilm. A sorte dos discípulos de Yoda começou a mudar em 1988. Além de suas qualificações evidentes. gravações em áudio dos filmes. com sede no planeta Coruscant. A trilogia escrita por Zahn. memorizando assim os padrões de diálogo e a atitude dos personagens. elementos que futuramente marcariam a obra de Zahn em Star Wars. Assim. quando a editora Bantam fez uma proposta para publicar uma série de três livros que continuaria a saga a partir do ponto em que escritor algum tinha recebido permissão para trabalhar até então: o período posterior à morte de Darth Vader e a derrocada do Império em O retorno de Jedi. foi um sucesso imediato.Os personagens carismáticos.

sua vida perdeu o sentido. Léia descobre ser venerada pelos noghri como a filha e herdeira de Darth Vader. na verdade um clone ensandecido. criaturas capazes de anular os efeitos da Força. Em meio aos confrontos e perseguições espaciais. com a missão de matar Luke Skywalker. eliminando inimigos pessoais e vingando traições. escrever os livros era como jogar uma partida de xadrez dos dois lados do tabuleiro. Conhecida como a Mão do Imperador. que fazia seu trabalho sujo através do cosmos. Luke aceita o convite telepático de C’Baoth com o propósito de conhecer um Mestre Jedi e aprimorar seu treinamento. E as informações sobre os heróis parecem vir da própria sede da Nova República. Mara vagou pelo universo durante quatro anos. e recruta-o para coordenar as tropas do Império. e arrisca sua vida visitando o mundo de seus potenciais assassinos na esperança de voltá-los contra o Império. encontrando uma nova visão sobre seu papel na sociedade. acaba tomando partido na épica batalha entre o bem e o mal. Como afirmou o próprio Timothy Zahn. de aspecto felino e mandíbula protuberante.Trawn localiza Joorus C’Baoth. recusa-se a entregá-lo ao Império. Segundo o autor. mas prefere manter uma posição de neutralidade. de modo que ambos dessem o melhor de si. faz uso dos ysalamiris. Após um confronto. Talon Karrde e Mara Jade. de uma misteriosa Fonte Delta. Para tanto. avaliando a ética de seus poderes mentais e participando de julgamentos públicos. Léia Organa Solo e em seus filhos ainda não nascidos. Os novos personagens são genuínos anti-heróis e cativam o leitor como o Han Solo dos filmes originais. neutralizando as habilidades de qualquer Jedi. os noghri. C’Baoth concorda em unir-se ao Império com a condição de ter outros Jedi para moldar segundo sua visão distorcida. Karrde é o líder de uma grande organização de contrabandistas. ganhando a eterna inimizade de Trawn. ela estava presente no palácio de Jabba no dia do resgate de Han Solo. é mais ou menos o que Han Solo se tornaria se não tivesse se juntado a Luke e Obi-Wan em Uma Nova Esperança: um fora-da-lei cheio de recursos. Tivera sua sensibilidade à Força aprimorada por seu mestre. Mara Jade é a ex-agente secreta de Palpatine. Dois personagens introduzidos em Herdeiros do Império merecem agora ser mencionados. com o Grande Almirante Trawn prevendo os passos dos defensores da Nova República. os protagonistas são testados até seus limites de maneira inusitada. mas mantendo o desejo obsessivo de matar Luke. finalmente integrando a organização de Talon Karrde. Ele estava interessado em Luke Skywalker. Karrde começa a história recebendo uma proposta de comercializar naves para a Nova República. Mas quando o Imperador foi morto. autoproclamado Mestre Jedi. Eles então passam a ser perseguidos pelos assassinos pessoais do Grande Almirante. temos uma verdadeira aula de estratégia. Depois de capturar Luke. por força das circunstâncias. seres bestiais. Mara tem como seu maior desejo a . provavelmente a maior desde a queda de Jabba. com seus próprios interesses e que. e estes usando o cérebro para vencer. Na melhor tradição da Trilogia Clássica.

Os personagens têm complexidade. Depois. O Império. mas acaba ajudando-o a escapar das garras imperiais numa floresta repleta de ysalamiris. Em poucos dias. perdidas havia meio século. leva a melhor na corrida e. na qual os filhos de Han Solo e Léia. Foram localizadas acidentalmente por Talon Karrde e poderiam mudar os rumos da guerra. Os vilões. Mas a Trilogia de Trawn continua firme na preferência da maioria dos fãs. A Força Negra do título do segundo livro nada tem a ver com a habilidade mística dos Cavaleiros Jedi. com direito a uma grande batalha espacial. escreveu o romance Survivor’s Quest. ganham destaque. A saga cresceu ainda mais pelas mãos de outros autores na série de 19 livros New Jedi Order. apenas os detentores da Força podem trazer a justiça a um mundo fraco e dependente que os odeia. detém a maioria das naves. Para Trawn. A mistura de ação e intriga política funciona perfeitamente e é diversão certa para os amantes da saga. Assinou a minissérie em quadrinhos Mara Jade: By the Emperor’s Hand. Além disso. por outro lado. um clone de Luke Skywalker e o essencial duelo de sabres de luz. adaptada pelo roteirista Mike Baron. é a Luke que Mara recorre como a última esperança no resgate de seu amigo e comandante. composta por 200 naves classe Dreadnaught pré-Guerras Clônicas. e nem todos os personagens consagrados sobrevivem. estaria com todas as armas na mão para arrasar definitivamente a nova república. Começaram em 1977 pela Marvel Comics. Posteriormente. Zahn voltou para encerrar a guerra contra o Império e o romance entre Luke Skywalker e Mara Jade nos livros Specter of the Past e Vision of the Future. A Força é poderosa no texto de Timothy Zahn. Com o sucesso da trilogia. que ficaram conhecidos como a sérieMão de Trawn. quando Karrde é feito prisioneiro do Grande Almirante. onde . focando o passado da bad girl. soam reais e fiéis à suas versões cinematográficas. Star Wars nos quadrinhos As histórias em quadrinhos sempre tiveram importância fundamental para a saga Star Wars. empreendem uma luta pelo poder. cada uma necessitando de mais de 100 homens para serem corretamente operadas. a franquia cresceu. A Trilogia de Trawn ganhou também versão em quadrinhos pela Dark Horse Comics. sendo considerada a melhor introdução às aventuras literárias de Star Wars. já casados (o enlace ocorreu na HQ especial Star Wars: Union). já adolescentes. que produz um efeito hipnótico sobre o leitor e o conduz até um desfecho que supera suas expectativas. portanto. Todas as tramas secundárias se entrelaçam formando uma admirável tapeçaria. tendo diversos livros escritos por autores variados. no entanto. C’Baoth é apenas um meio dispensável de retomar a supremacia imperial.morte de Luke. Trata-se da Frota Katana. centrado em Luke e Mara. Para o Mestre Jedi. ao término do segundo volume. Trawn conseguiu localizar um antigo aparato de clonagem do Imperador.

séries que buscaram o passado remoto dos Jedi e dos Sith. foi publicada de 1979 a 1984 em jornais. Carmine Infantino. . Na editora foram lançadas . essas tiras voltaram a ser publicadas na seção para assinantes do site oficial de Star Wars. Ron Frenz. Nela. minissérie e a série regular). uma tirinha com aventuras de Luke. por conta de dois elementos abordados: a ressurreição do Imperador Palpatine e a passagem de Luke Skywalker para o Lado Negro da Força. Recentemente. foi publicada também uma série de quadrinhos infantis estrelada pelos Ewoks e outra pelos andróides R2-D2 e C3-PO. na tradição de grandes aventuras seriadas como Flash Gordon. Al Williamson. além de adaptações de toda a saga (lançadas antes dos filmes!). está adaptando livros e contos já existentes. A outra é ambientada durante as Guerras Clônicas e tem roteiro de Paul Ens e ilustrações deThomas Hodges. Terry e os Piratas ou Tarzan. Cynthia Martin e muitos mais.permaneceram sendo publicadas durante nove anos. Além da Marvel. Numa missão a bordo do destróier Liberator. A Dark Horse também buscou idéias na literatura de Star Wars. lideranças remanescentes do Império conseguem reconquistar sua antiga sede em Coruscant e parecem retomar a ofensiva. adaptando livros como Splinter of the Mind’s Eye e Sombras do Império. Chris Claremont. Tom Palmer. Por lá estão sendo recuperados os quadrinhos clássicos e duas novas HQs estão sendo publicadas. contudo. David Michelinie. A última edição de Star Wars pela Marvel chegou às lojas em setembro de 1986. Jo Duffy. ficou com Império do Mal (Dark Empire. a Nova República governa três quartos da galáxia e investe pesadamente contra o território imperial. Walt Simonson. Tales of The Jedi. situam-se nos espaços entre os três filmes da trilogia original e foram republicadas pela editora Dark Horse há alguns anos. A revista humorística Pizzazz também trouxe histórias desse universo. começa após os eventos da Trilogia de Trawn. Essas HQs. Léia e cia. A saudosa minissérie. escrita com maestria por Timothy Zahn. Paralelamente. A primeira. a linha logo ganhou novos volumes com histórias de aventura descontraídas. HQ de 1992 escrita por Tom Veitch com arte de Cam Kennedy). mas não durou muito. porPablo Hidalgo. Mas foi na Dark Horse Comics que os quadrinhos deStar Wars frutificaram e exploraram todo o potencial do "universo expandido". bem como o futuro do universo de George Lucas. contém histórias que se passam 5 mil anos antes de Episódio IV. Contudo. 114 no total (entre anuais. Michael Golden. Iniciada por uma minissérie que adaptou o filme Uma nova esperança. Por lá passaram escritores e desenhistas como Archie Goodwin. sem grandes preocupações cronológicas. O grande destaque. publicada no Brasil em 1997 pela Editora Abril. o mestre jedi Luke Skywalker eLando Carlissian são abatidos e caem na Cidade Imperial. por exemplo. enquanto a minissérie Chewbacca mostra a morte do peludo amigo de Han Solo duas décadas depois de O retorno de Jedi.

Outro grande problema é a passagem de Luke para o Lado Negro. apesar de gerar uma boa história. Paralelamente. Palpatine é o vilão máximo da saga criada por George Lucas. e enfrenta novos desafios além de um antigo inimigo que julgavam morto: Boba Fett. Mas a trilha da maldade pode ser poderosa demais para o jovem Mestre Jedi.. Han visita seu antigo lar na lua espaçoporto. o casal precisa passar por Nal Hutta. estruturas gigantescas que consomem tudo ao seu redor. Seduzido pelo estratagema maldito. o planeta natal de Jabba. as batalhas contra os Devastadores de Mundo são empolgantes e o confronto dos irmãos Jedi contra Palpatine mantém a emoção dos filmes originais. Léia parte com Han para trazê-lo de volta. Léia.juntamente com Chewbacca e C3PO partem para o resgate. é traído por um antigo companheiro e recebe ajuda de uma ex-namorada. Um desfecho apenas satisfatório para uma seqüência que poderia ter oferecido muito mais. mas o filho de Darth Vader decide não retornar ao lado de seus amigos. o Imperador preparou uma série de clones para os quais passaria seu espírito através do domínio da Força. o casal consegue o transporte necessário para resgatar – ou enfrentar – Luke Skywalker e o próprio Imperador. onde vilão bom é vilão vivo! O problema é que. Luke sente que sua única opção é seguir o caminho do Lado Negro e unir-se a Palpatine. o Hutt. Num cenário desolado de ladrões e desordem social. é seu destino investigá-la ou sucumbir a ela. estamos falando dos quadrinhos. Luke é levado à presença do lorde supremo da maldade no universo.. Também não explora a jornada interior do jovem Skywalker ao seguir os passos do pai. mas morto não serviria pra nada no Universo Expandido. A trama é ágil. o suspense é mantido até as últimas páginas. a Nova República enfrenta uma nova ameaça na forma dos Devastadores de Mundos. que lhe conta a verdade sobre seu retorno. o Imperador Palpatine. afinal. Contudo. na qual o Imperador tem seu último corpo clonado em degeneração e tenta possuir o corpo do bebê de Léia. como seu pai. Han Solo e sua esposa Léia – grávida de seu terceiro filho . A trama termina em Empire’s End. a idéia resulta desagradável porque acaba com a relevância do sacrifício de Anakin Skywalker ao final de O Retorno de Jedi. algumas ressalvas devem ser feitas. Tendo percebido que seu corpo não agüentaria seus imensos poderes. que foram enviados para os planetas aliados. Ciente da condição do irmão. recebe de presente de uma Jedi decadente um sabre de luz. os heróis enfrentam os cães de batalha neks e são salvos por Luke.Assim. Finalmente. ainda que visando sabotar seus planos para livrar a galáxia de sua influência nefasta. .. O tremendo potencial da idéia é desperdiçado e não rende os conflitos memoráveis que deveria. Assim. Sabendo apenas que Luke encontrava-se em algum lugar no centro dos domínios imperiais.. Deixando-se capturar. por sua vez. Em seu caminho está uma equipe de novos Jedi comandada por Luke. era inevitável que algum escritor o ressuscitasse. Ele sentiu a presença do Lado Negro no local e decidiu que.

nome que o roteiro de Star Wars recebeu quando foi escrito pela primeira vez. Entre eles. EmSplinter’s of the Mind’s Eye. O . Além desses títulos. um reverenciado Jedi Bendu de Ophuchi. Além da novelização dos três filmes. o primeiríssimo. os apreciadores da saga espacial já sabiam que haveria outra trilogia para ampliar os acontecimentos de Star Wars . antes do encontro com os robôs e Obi-Wan e. apesar de ter finalmente acabado nas telonas. aprendiz Padawaan do famoso Jedi" . Com apenas quarenta páginas. Mas sem uma data definida. Durante anos. buscaram o universo criado por George Lucas no chamado universo expandido: livros. Thorpe. os demais concentram-se nas aventuras de Han Solo e Chewbacca. II e III já existiam então. Mas mesmo ele demorou a surgir. Enquanto isso não acontecia. O prólogo traz um trecho do "Journal of the Whills". aguardavam que George Lucas deixasse de lado seu papel de pai solteiro e executivo de estúdio para se dedicar aos roteiros dessas novas produções. Batizado por aqui de Guerra nas Estrelas. mas cronologicamente localizados antes deles na história. ainda. quadrinhos e games ambientados noUniverso Star Wars. J. até 1991 apenas sete livros foram lançados com histórias que aconteciam no universo Star Wars. o rico universo Star Wars permanecia quase fechado. O Império Contra Ataca e O Retorno do Jedi. Luke não só enfrenta Darth Vader como corta o braço do homem que só dois anos depois colocaria a frase "eu sou seu pai" para todo o sempre da história do cinema. capítulos produzidos após os três filmes originais. Há. Star Wars: O passado e o futuro no universo expandido No longo hiato entre O Retorno de Jedi e o Episódio Ios fãs. sem filmes nos cinemas.Atualmente. conforme as informações de C. lançado quase um ano antes do filme nos Estados Unidos. publicado em 1978. prova de que o universo da Força continuará vivo por muito tempo nas páginas dos quadrinhos.Uma Nova Esperança. é o que mais oferece informações adicionais ao que foi visto nos cinemas. cerca de quatro títulos de Star Wars são publicados mensalmente pela Dark Horse. ainda antes do lançamento de O Império Contra Ataca. provando que até detalhes dos Episódios I. em 1973. Após o Episódio I. O livro inclui também as famosas cenas cortadas de Luke com seu amigo Biggs. Ansiosos. o piloto passou a ser apenas alguém que presenciou Anakin em sua corrida de pod racers ou zunindo por Coruscant ao lado de Obi-Wan. uma cena em que um piloto diz ter conhecido o pai de Luke. A maior característica dos livros nesse período é a falta de preocupação com uma cronologia geral. o roteiro falava sobre "Mace Windy. ela foi considerada um erro de continuidade. pouco antes da batalha de Yavin.

Os livros foram os primeiros a mostrar que a cabeça do Império podia ter sido cortada. O enredo começa no dia seguinte à morte do Imperador e leva o trio principal a um planeta distante. de militares. Luke torna-se um prato cheio para os aprendizes atraídos pelo lado negro. situada nove anos apósUma Nova Esperança (leia tudo sobre ela aqui). No lado rebelde. no entanto. A história de Dave Wolverton é um prato cheio para quem gosta do pirata Han Solo. Em 1994. a falta de um inimigo comum libera as diversas facções a exibirem suas desavenças. não estava disposta a perder o emprego em nome da democracia na galáxia. desde que eles permanecessem restritos ao período pósRetorno de Jedi. Sem a base de conhecimento da organização. Sua luta contra a posição respeitável que agora ocupa é o destaque de The Last One Standing: The Tale of Boba Fett. destruída nos eventos que seriam mostrados no Episódio III. A situação mudou em 1991. mesmo ano do lançamento de O Retorno de Jedi. parte da coletânea Tales of the Bounty Hunters. que não pensa duas vezes antes de raptar a mulher que ama para convencê-la de que ele é o homem ideal para casar-se com uma Senadora da Nova República.terceiro volume da Han Solo Trilogy termina minutos antes de seu famoso encontro com Luke e Obi-Wan na cantina. O novo balanço do poder é um dos elementos vitais do vindouro universo expandido. Também em 94. de Kathy Tyers. em que o governo republicano pede a ela que se case com um príncipe em troca de um tratado. esse é um raro momento em que o fato de Leia também ser filha de Anakin e Padmé recebe alguma luz. O mais interessante. A nova fase estreou com a Trilogia de Thrawn. quando Lucas liberou a entrada de autores em sua caixa de areia. tornando-se cada vez menos interessante conforme se afasta do personagem que conhecemos na tela. Influenciado por O Retorno de Jedi. de Kevin Anderson. Star Warsoferece mais duas coletâneas que merecem ser lidas mesmo para quem não está disposto a . escrita por diversos autores. é a cena em que Anakin aparece para Leia no mesmo estilo em que Obi-Wan conversa com Luke. de Timothy Zahn. resiste em sua nova posição de marido de uma Senadora. Além dessa. Han Solo é outro que sofre com a passagem do tempo. Com toda a saga apoiada no relacionamento entre pai e filho. mais um livro mostrou os problemas que os rebeldes enfrentariam após a queda de Palpatine comThe Truce at Bakura. no entanto. principalmente. Lando Calrissian and the Mindharp of Sharu e Lando Calrissian and the Starcave of ThonBoka) e de Star Wars entrar numa longa hibernação como franquia. Outro lançamento de 1994 foi a Jedi Academy Trilogy. mas sua miríade de funcionários e. é a vez de Lando ganhar espaço em uma trilogia própria (Lando Calrissian and the Flamewind of Oseon. O ex-contrabandista. narrando os esforços de Luke para recriar a Ordem Jedi. o Luke dos livros é sério demais. A trilogia evidencia um dos problemas da evolução dos personagens em Star Wars que afeta principalmente Luke. a princesa voltou ao centro da história com The Courtship of Princess Leia. Em 1983.

sabem que nem todos os títulos atingem a melhor qualidade e. os gêmeos Jacen e Jaina e o caçula Anakin. e sonhavam em ver os episódios VII. VIII e IX na tela. Outro foco das histórias são os filhos de Han e Leia. independente da vontade dos executivos dos estúdios e suas planilhas de custos e bilheteria. card games e animações. Na segunda. Alguns dos destaques são a Almirante Daala. A pergunta que sacode o universo expandido na saída das sessões de A Vingança dos Sith. Os leitores de universos expandidos. jogos eletrônicos. a trama dos livros é completada por edições em quadrinhos. Salvatore foi alvo de uma onda de ameaças que ultrapassou os limites do bom senso. os personagens presentes na cantina em Star Wars são as estrelas. os espaços entre os Episódios estão sendo. no entanto. Mara Jade. e menos educados. os livros são o espaço ideal para novos personagens.mergulhar no universo expandido: Tales from the Mos Eisley Cantina e Tales from Jabba’s Palace. e o alienígena Almirante Thrawn. da existência de tecnologia de efeitos especiais e da vontade dos atores em dedicar suas vidas a um personagem só. A morte indesejada Um dos motivos do sucesso dos universos expandidos é a continuidade das histórias. Conhecer toda a saga significa investir respeitáveis números em horas e moeda dedicadas ao universo Star Wars. uma protegida deMoff Tarkin (Peter Cushing). aos poucos. não é o que os fãs da antiga trilogia podem chamar de interessante. Luke.Ver Han Solo lendo histórias para os filhos. na maioria das vezes. Na primeira. em toda a cronologia. vai se situar a série de TV prometida por George Lucas? . Para os que não querem se afastar dos filmes. Para os que desejam ir adiante. Han Solo e Chewbacca transformado num evento marginal. Ambos nasceram quando os escritores resolveram explorar um detalhe dos filmes: a ausência de mulheres e não-humanos entre os militares imperiais. Han e Leia antes e durante a trilogia original. no entanto. uma assassina dedicada a Palpatine. A. personagens ideais para capturar novos fãs para a franquia. foi creditada a George Lucas e a discussão dada como encerrada. Com um número aparentemente infindável de planetas e povos. Além deles. foi com total choque que os leitores descobriram que Vector Prime iria trazer a morte de Chewbacca. ocupados por aventuras de Anakin ao lado de Obi-Wan e mais informações sobre Luke. Além dos personagens secundários dos filmes. é uma só: em que ponto. A decisão quanto ao enredo. os livros podem ser a saída para a frustração. Com a Internet sempre a postos para servir os mais afoitos. começam a procurar os autores que mostram melhor conhecimento das leis internas do universo e demonstram melhor desenvoltura com os personagens. é outra que ganhou a simpatia do público e terminou por se casar com Luke. R. no entanto. com o encontro de ObiWan. Assim. no entanto. o ponto de partida é o salão do palácio de Jabba de O Retorno de Jedi.

e que a tecnologia finalmente alcançou a imaginação sem fim do sr. do primeiro (que é o quarto) até o sexto (e terceiro). Contanto que os disponibilize também sem essas bobagens todas. Peter Jackson. Achei que seria um bom jeito de reavaliar os novos. Logo. os filmes originais não estavam disponíveis em DVD e poucas locadoras ainda tinham o VHS sem os efeitos especiais atrozes que George Lucas resolveu que o filme precisava em 1997. Na época. os filmes são dele e ele faz o que bem entende. Mas num dos extras do DVD. como disco bônus de uma edição "limitada" dessa trilogia revisionista. e aquele garotinho de cabeça grande está lendo de uma cartolina e falando mecanicamente sobre anjos e justiça no universo. um mestre sábio mais alto e mesmo o Obi-wan e outros conhecidos ali no meio se não preencher as carcaças deles com alguma coisa interessante. o maior trunfo. o outro filme não começa com o Luke perto dos vinte anos? Não seria mais lógico se as trilogias fossem paralelas. você nota que é sábado à tarde. Feito a partir de uma cópia não restaurada. enquanto a energia cinética dos originais só se intensificou — lutas mais velozes. a partir de A ameaça fantasma. Isso porque até o ano passado não era possível assistir aos filmes na ordem. E. ou pelo menos não tanto quanto dos personagens. Quer dizer. ou algo assim). afinal. porque é natural que muita gente prefira eles assim. Lucas. com aquela eterna cara de triste. que o Chewbacca devia ter levado o Oscar e que por baixo da máscara de Darth Vader estava o George Lucas. ele chegou a ponto de inserir uma cena rápida em Naboo. totalmente gratuita e obtusa. ou naquela fita com a caixa azul que vinha com umDarth Vader em miniatura. o grande problema é que não basta encaixar um vilão novo. que em geral — e nesse caso — são notórios destruidores de filmes? E tudo bem que os efeitos especiais são bons. eu não sabia de algumas verdades: que o R2-D2 era o verdadeiro protagonista da rebelião. faz um comentário curioso sobre a trilogia clássica: ninguém fica lembrando dos efeitos. Para um filme que abre com um texto confuso sobre rotas de comércio e taxas alfandegárias. . Mas até aí tudo bem.Maratona Star Wars: Guerra nas Estrelas de Costa a Costa Considerações sobre a saga depois de 13 horas de filme Não faço idéia de quando vi Star Wars pela primeira vez. diretor de Náusea total. ou pelo menos parece. e ao mesmo tempo ver como os antigos iam se agüentando. pois além de tudo ele evitaria ter de recorrer a atores infantis. e nem se foi na fita gravada da Globo (porque eu lembro dos robôs serem chamados de Artudito e Cetripiô. no fim. A ameaça fantasma até que vai bem no começo. Nos DVDs da trilogia original que saíram ano passado. o disco bônus tem a imagem bastante ruim. E a graça de assistir a eles todos de uma vez é justo comparar as expectativas que os filmes originais causavam em relação à história anterior e como a trilogia nova resolveu as coisas. que eles saíram em DVD. O problema é que até meses atrás. naves e penteados mais possantes —. Até o fato de ser uma criança é esquisito. mas já é alguma coisa. encarando uma maratona de seis longas num fim de semana. faltam cinco filmes. Só que faltava assistir aos episódios novos antes. Foi só há pouco tempo.

que dá as caras pela primeira vez nesse episódio. que buscava na mitologia de diversos povos elementos comuns. Se ele teve tanto tempo para bolar as tramas. e mesmo descontando essa presença em peso do reino mineral no elenco. e até o Obi-wan tem algo a dizer além de resmungar de lá pra cá sem função narrativa definida. Como não há nada que uma boa noite de sono não cure. embora ele pudesse ter começado a trilogia nova direto nesse episódio. basta lembrar da trincheira da Estrela da Morte — chama a atenção para as outras qualidades do filme. mas alguma coisa deu errado. Menos mal. achei o único verdadeiramente divertido. Mas o conjunto dessa nova trilogia é irregular. E de fato. mas — pelo menos assim. a República em crise. que faz o Anakin Skywalker. e só a lembrança clara de que o próximo episódio era melhor impediu que a empreitada terminasse prematuramente. pela primeira vez nesta década sem as adições vis do relançamento. como um certo tipo de narrativa. pode-se afirmar que a expectativa com os novos episódios era insuperável. muito pior do que eu lembrava. A vantagem aqui é que os personagens crescem. e a maneira como as relações entre eles tornavam-se mais complexas de um episódio para outro. e com outro ator. tive a impressão de que o máximo que o diretor iria fazer para insuflar algum tipo de vida interior nos personagens era mostrá-los rolando na pradaria. que se mantiveram firmes com o tempo. mas não é isso: acho que diminuir o peso dos efeitos especiais — que já eram incríveis. Estamos nos aproximando de cinco horas de Guerras nas estrelas. Com o moral abalado. mas mesmo assim.Ataque dos clones é melhor que Ameaça fantasma. e eu não sei exatamente como eles testam o elenco. com algum ânimo menos robótico. um alento: separatistas. rouba a cena. Já há cerca de três horas e meia assistindo aos filmes novos. E a essa imagem de Mediterrâneo intergaláctico dos sonhos é que ele iria contrapor ao lado mais sombrio do personagem. ficou de lado. e até agora o cabisbaixo Lucas deixou a desejar. Uma Nova Esperança. É difícil que das dezenas de pessoas que devem ter se apresentado para o papel. Fica parecendo que sou um velho que quer a volta do cinema mudo. que já fora vivido por Ian McDiarmid em O retorno do Jedi. Porque a certa altura o Hayden Christensen. embora carregue muitas das falhas dos irmãos abjetos. visto logo na seqüência—. e enfim Darth Vader bota o capacete — nos livrando da atuação de Christensen nos minutos finais. quer dizer. e enquanto isso uma intriga palaciana começa a tomar forma. nenhuma fosse capaz de ao menos articular palavras numa cadência que pareça terrestre. Entre os três. No fim. saem do lugar. por que os roteiros são cheios de buracos. com o Episódio IV original. principalmente depois do massacre dos anteriores. o quanto do que é feito naqueles testes pode ser projetado para a tela de antemão pelo diretor. já no letreiro. e se conectam tão mal com os filmes originais? Enfim. e então outro. Campbell chegou a ler o roteiro antes das filmagens. universais. Diz-se muito que o apelo universal de Guerra nas Estrelas vem da influência do escritor Joseph Campbell. no dia seguinte a maratona prosseguiu depois do café da manhã.que eram os personagens bacanas. De saída um atentado político. tendo em vista que o original era um filme inovador e que esses estavam atrás de seu tempo. gente pérfida pra burro tentando tomar o poder na galáxia. começa a falar. não importa o quão tecnologicamente avançados. Mas gostei de rever A vingança do Sith. foi preciso muita coragem para prosseguir. se só apenas . O chanceler Palpatine. de personagem principal etc.

qualquer filme seguiria esses arquétipos primordiais para se tornar um fenômeno como Guerra nas Estrelas. se valendo do que interessa de cada um deles — aventura espacial.isso bastasse. Juntos. quase treze horas depois do início do primeiro filme (tirando as pausas). são uma trilogia boa. e também uma dimensão tátil que o 3D dos novos episódios esteriliza. O mais importante é que Lucas acertou nos protagonistas. filmes de guerra. mesmo já sendo tarde da noite de domingo. é bom saber que os originais continuam lá. é poder acompanhar a dinâmica entre eles evoluir de um capítulo para outro. cinema japonês. e outra ruim. é ter motivo para passar mais de horas plantado em casa assistindo pela enésima vez filmes que você já sabe do avesso. Conforme os filmes novos pioram com o tempo. não minhas. . enfim. rendendo-se à insistência do mal e passando para o lado negro da força. Só quando ele mira em um mercado — outra vez as crianças. Acho que a falta de recursos tecnológicos na época dos primeiros filme forçou Lucas a buscar soluções narrativas para certos entraves técnicos. agora com os Ewoks — é que a coisa desanda um pouco. mas nem esses ursinhos nefastos chegam a comprometer O retorno do Jedi. o filme transita entre gêneros. é o convívio longo com um grupo de personagens. contam a história de Darth Vader: o diretor que desafiou os estúdios para tornar-se o maior cineasta independente de todos os tempos. e depois — já dono de sua própria corporação — tornou-se aquilo que mais odiava. E não há uma fórmula definida para os personagens e para a narrativa. Separados. Palavras dele. capa e espada. pois justo o apelo dessas grandes sagas. sejam elas cinematográficas ou literárias. o que dá originalidade ao filme.

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