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br
Sem vaticínios tresloucados
N
a próxima edição, como indício de que temos informação que a revista
E MBALAGEM M AR - mantido bom equilíbrio: não oferece, leitores e anun-
CA encerrará o ano ficamos na obviedade nem ciantes têm nos brindado
com uma reportagem de capa extrapolamos para vaticí- com inestimável apoio, o
que, em sete anos sucessivos nios tresloucados. qual retribuímos com mais
de publicação, se consoli- Na verdade, costumamos investimento destinado
dou como um documento cercar-nos de todos os a aperfeiçoar o produto.
Wilson Palhares aguardado pelos profissio- cuidados, para fazer proje- Nessa linha, acabamos de
nais da cadeia de embala- ções seguras. A cada ano, ampliar a equipe com a con-
gem. Refiro-me ao tema ao repassarmos o trabalho tratação de Lívia Deorsola,
Observamos que Tendências e Perspectivas, apresentado doze meses jovem jornalista que certa-
modesta tentativa de aju- antes, observamos que, mente contribuirá, com o
nossos prognósticos
dar as empresas do setor no no geral, temos acertado, esforço e o talento demons-
não têm sido
planejamento do exercício pois nossos prognósticos trados em curto período de
disparatados. Isso
seguinte, usualmente feito não têm sido disparatados. convívio com a redação,
tem sido obtido neste período. Interpreto a Isso tem sido obtido gra- para reforçar ainda mais o
graças à crescente expectativa em relação a ças à crescente profissio- conceito em que o público
profissionalização esse serviço, por nós desen- nalização da equipe e a sua tem EMBALAGEMMARCA, o
da equipe e a sua volvido com base no vasto intimidade cada vez maior de ser a revista mais com-
intimidade cada vez volume de informações que com o setor. pleta do setor.
maior com o setor chega à revista no dia-a-dia, Em resposta à qualidade de Até dezembro.
nº 75 • novembro 2005
Diretor de Redação
Wilson Palhares

12 Celulósicas
Cartuchos de papel cartão eno-
brecem sabonetes Lux Luxo sem
36 Metálicas
Coca-Cola é lançada em garrafa
de alumínio, numa edição espe-
palhares@embalagemmarca.com.br

Reportagem
alterar seu preço nas gôndolas cial para casas noturnas Flávio Palhares
flavio@embalagemmarca.com.br

40 Pack Expo Guilherme Kamio

14 Reportagem de capa: Pack Expo Las Vegas 2005 guma@embalagemmarca.com.br


Embalagens de Vidro apresenta o melhor Leandro Haberli Silva
Preços represados dos desempenho de sua história leandro@embalagemmarca.com.br
plásticos e recentes casos Livia Deorsola
de sucesso reavivam o
interesse de diversas
indústrias pelos
44 Food service
Consumo de queijos processa-
dos cresce, modernizando
Departamento de Arte
Carlos Gustavo Curado (Diretor de Arte)
recipientes de vidro sistemas de acondicionamento arte@embalagemmarca.com.br
José Hiroshi Taniguti (Assistente)

46 Flexíveis
Novo fabricante de ração para
cachorros evidencia movimenta-
Administração
Marcos Palhares (Diretor de Marketing)
Eunice Fruet (Diretora Financeira)
ções no setor de embalagens
Departamento Comercial

48 Entrevista:
José Ricardo Roriz
Diretor do departamento de
comercial@embalagemmarca.com.br
Karin Trojan
Wagner Ferreira
competitividade e tecnologia
da Fiesp comenta o impacto Circulação e Assinaturas
da nanotecnologia na Marcella de Freitas Monteiro
indústria de embalagens assinaturas@embalagemmarca.com.br
Assinatura anual: R$ 90,00

52 Mercado
Nestlé relança Leite Ninho
em embalagem com formato
Público-Alvo
EMBALAGEMMARCA é dirigida a profissionais
que ocupam cargos de direção, gerência
de balde de ordenha e supervisão em empresas integrantes da
cadeia de embalagem. São profissionais

22 Materiais
Tetra Pak e Poly-Vac investem
54 Matérias-primas
Resinas especiais garantem
mais resistência às sacolas tipo
envolvidos com o desenvolvimento de
embalagens e com poder de decisão colo-
cados principalmente nas indústrias de bens
de consumo, tais como alimentos, bebidas,
para conseguir nacos do camiseta – e melhor imagem
cosméticos e medicamentos.
mercado de alimentos sensíveis de marca aos supermercados
Filiada ao

30 Plásticas
Garrafas de PET substituem
as embalagens de vidro
58 Label Expo
Mais novidades apresentadas
durante a feira européia de con-
nos isotônicos Gatorade versão e impressão de rótulos

32 Alimentos
Embalagens são a estratégia
usada em um mecado acirrado
72 Índice de Anunciantes
Relação das empresas
que veiculam peças
Impressão: Congraf Tel.: (11) 5563-3466

pela chegada da argentina Arcor publicitárias nesta edição EMBALAGEMMARCA é uma publicação
mensal da Bloco de Comunicação Ltda.
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3 Editorial Antonio - CEP 04718-040 • São Paulo, SP
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A essência da edição do mês, nas palavras do editor
Filiada à
6 Display
FOTO DE CAPA: STUDIO AG – ANDRÉ GODOY

Lançamentos e novidades – e seus sistemas de embalagens

26 Panorama www.embalagemmarca.com.br
Movimentação no mundo das embalagens e das marcas
O conteúdo editorial de EMBALAGEMMARCA é
resguardado por direitos autorais. Não é per-
64 Conversão e Impressão mitida a reprodução de matérias editoriais
Produtos e processos da área gráfica para a produção de rótulos e embalagens publicadas nesta revista sem autorização
da Bloco de Comunicação Ltda. Opiniões
74 Almanaque expressas em matérias assinadas não refle-
Fatos e curiosidades do mundo das marcas e das embalagens tem necessariamente a opinião da revista.
Salsaretti ganha novo visual
Em comemoração aos 50 anos Segundo o gerente de marketing
da marca Etti, responsável por de vegetais da Parmalat, Luciano
20% do faturamento da Parmalat, Dualib Uvo, a alteração acarreta
a empresa lançou o ExtratoFácil, uniformidade na apresentação
integrante da linha de produtos à final da embalagem porque
base de tomate Salsaretti. Além reduz a variação de qualidade
dos incrementos do novo molho – da impressão – antes feita em
de consistência mais cremosa, de rótulos de papel –, além de adi-
acordo com a empresa –, toda a cionar brilho ao resultado final.
linha traz novidades de layout em A uniformização da identidade
suas caixas assépticas, de 370g, e visual dos atomatados visa fixar
latas, de 350g. o conceito de “família repleta
Com o intuito de destacar os pro- de sabores”, conforme explica
dutos nas gôndolas, o design pas- Uvo. A agência responsável pelo
sou a apresentar os ingredientes desenvolvimento é a Pandesign.
dos molhos na impressão da lata, As latas são fornecidas pela
agora feita diretamente no invó- Metalúrgica Prada, e as caixinhas
lucro pelo processo de litografia. são da Tetra Pak.

Toddy também em
sachê individual
A fim de conquistar consumido-
res de 12 a 17 anos, a PepsiCo
está lançando uma nova exten-
são de linha de Toddy. Trata-se
do Toddy Tentações, novidade
que combina o achocolatado
em pó com pedaços de cookies
e confeitos. Em duas variantes, o
produto chega ao mercado em
cartuchos de papel cartão da
Igel, que contêm cinco sachês
30g – cada porção prepara um
copo de 200ml. Quem produz os
envelopes é a catarinense Inplac.
O design é da Narita Associados.

Frisco repaginado
para o verão
De olho na chegada do verão, a
Divisão de Alimentos da Unilever
reformulou o visual de sua linha
de refrescos em pó Frisco (ver-
sões standard e light), comercia-
lizada em sachês da Embalagens
Flexíveis Diadema. Procurada, a
Unilever não informou a agência de
design responsável pelo projeto.

6 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


Grupo Suissa moderniza rótulos
As linhas de desodorantes squeeze Lavanda e Odor de Rosas, na linha
da Topper e da Suissa, do Grupo Suissa, e Athletics, Explosion, Special
Suissa, ganharam novos rótulos em Sports e Sense, na linha Topper.
Heat Transfer da Technopack. Os Cada variante é identificada por
consumidores podem escolher entre uma cor. As embalagens, de polie-
as fragrâncias Amazonian, Brisa tileno, são fabricadas pela Vibraço.
Tropical, Frescor da Manhã, Flores O design dos rótulos é assinado pela
da Primavera, Naturalle, Toque de própria Suissa.

Porção que não engorda


A Salware estende para todo o consumida diariamente pelas pes-
Brasil a versão de 20 gramas do soas que não querem abusar das
chocolate diet branco, que era calorias.
comercializado apenas no Paraná. A embalagem do tablete de 20g
O produto fez sucesso no estado foi desenvolvida pela designer
do Sul, e segundo pesquisa da Juliana Dissenha e é impressa
empresa, 20 gramas de chocolate em hot stamping dourado pela
diet é a quantia ideal para ser Gráfica Mertens, de Curitiba.
Caixa de bombons da
Garoto é redesenhada
A tradicional caixa de bombons da Garoto foi moder-
nizada, e o logotipo da marca ganhou volume. A cor
continua a mesma: amarela. Ganharam destaque na
caixa as embalagens dos bombons, que também foram
redesenhadas. O novo desenho foi desenvolvido pela
FutureBrand. Os estojos são produ-
zidos em papel cartão triplex
pela Brasilgrafica.

Embalagem para brincar


A Klabin apresentou em ônibus e no perso-
na Expofruit 2005, que nagem infantil “Bocão
ocorreu de 20 a 22 de Papaia” podem ser
outubro em Mossoró, usados para mamão e
no Rio Grande do manga. O objetivo das
Norte, as embalagens embalagens é incen- Rótulo metalizado para
para frutas que viram tivar o consumo de
brinquedo. Os dois frutas entre as crianças. atum Gomes da Costa
modelos de caixa de As caixas foram desen- A Gomes da Costa dá Metalúrgica Prada
papelão ondulado volvidas pela própria continuidade ao cresci- receberam um atrativo
que se transformam Klabin.
mento de sua linha de para o consumidor:
produtos e lança o atum os rótulos são impres-
claro na versão Natural sos em papel metaliza-
(light), em água, opção do – dourado para
leve para o atum em o atum em óleo e
óleo. As embalagens prata para o natural
de aço produzidas pela – pela Gráfica 43.

Escovas ganham novo blister


A Bitufo revitalizou as embala- para escovas, fio dental e kit
gens de sua linha econômica odontológico, entre outros
de escovas dentais. produtos. Para os rótulos, a
Os blisters são produzidos Vilac possui uma impressora
pela Vilac em papel couché digital HP Indigo Press WS
de 85g/m2, com verniz ter- 2000, que possibilita atender a
mosselável. São embalagens pequenas e médias tiragens.

8 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


No verão, Kibon com menos calorias
Às vésperas do início do verão, esta- diretora de marketing da marca,
ção do ano em que a indústria de espera apenas que os números sejam
sorvete faz a festa, com 70% das mantidos, mas não declarou expec-
vendas do período, a Kibon, divisão tativas amplificadas para a época
da Unilever, antecipa lançamentos e mais quente do ano. “Pretendemos
coloca no mercado novos sabores continuar com essa fatia, que já é sig-
e produtos com calorias zero e sem nificativa”, avalia. O investimento para
adição de açúcar, além de tipos refor- a temporada 2005/2006 chega aos 30
mulados, agora em potes de 2 litros. milhões de reais e inclui forte campa-
A empresa detém 70% do mercado nha publicitária. As embalagens não
de picolés e cones, e 54% das tortas sofreram grandes alterações, mas os
e massas. Talvez pela instabi- Sabores do Brasil (linha Carte d´Or),
lidade do clima dos últimos que recriam em sorvete sobremesas
tempos, Paola Cortaza, tipicamente brasileiras, como o bri-
gadeiro e o doce de abóbora com
coco, ganham em transparência
nos potes de plástico. Nos rótulos,
predominam as cores verde e ama-
rela. Outras novidades são o Kibon
Cornetto ChocMix, a volta do clássico
Sonho de Valsa (em parceria com a
Kraft Foods) e da linha Light.
Apesar do calor habitual – um pouco
ameno ultimamente, é verdade –, o
Brasil ainda é visto como um mercado
a ser mais explorado; afinal, apenas
2,8 litros de sorvete são consumidos
por pessoa a cada ano. No Chile, país
de clima muito mais fresco, o consu-
mo chega a 6 litros por ano para cada
habitante, segundo dados informados
pela Kibon.
Design adaptado ao mercado brasileiro
A Coty coloca no mercado brasileiro dade do corpo. As embalagens do
os desodorantes Adidas Active Body aerossol são de alumínio, fabricadas
Care for Women, linha de desodo- pela Exal Packaging e pela Rexam,
rantes com a tecnologia SmartTech, nos Estados Unidos. Os frascos do
inovação que introduz o conceito de roll-on, produzidos pela mexicana
“desodorantes inteligentes” no país. MC Plasticos são de polietileno de
De acordo com a empresa, os deso- alta densidade e as tampas de poli-
dorantes agem conforme a neces- propileno, com rótulos da também
sidade do corpo, e o ingrediente mexicana Flexo Print.
ativo encapsulado em micro-esferas O design segue a linha da Adidas
que são liberadas gradualmente, International, adaptado ao mercado
de acordo com o aumento da ativi- nacional.

Barras de cereais
em stand-up pouch
Com apelo à conveniência de
uso e ao consumo em porções
individuais, está no mercado
a nova embalagem stand-up
pouch de Nutry MiniMix, da
paranaense Nutrimental, com
10 unidades de mini-barras de
cereais de 12 gramas, em sete
sabores. Desenvolvida pela
Komatsu Design, de São Paulo,
os sachês são fornecidos pela
Milplast, convertedora situada
em São José dos Pinhais (PR).

Nestea tem novo projeto gráfico


O novo projeto gráfico produtos da linha light tangerina e maracujá. em garrafas de PET de
do chá pronto para da Coca-Cola Brasil. As Nestea está disponível 1,5l nos sabores pêsse-
beber Nestea, da Coca- embalagens, desenvol- em latas de 340ml, for- go, limão, pêssego light
Cola, preserva a cor azul vidas pela Oz Design, necidas pela Rexam, e e limão light.
como elemento identifi- mostram um copo de
cador, na versão regular chá visto de cima, e
do produto. O prata de têm uma onda, na parte
fundo, para a versão superior, que identifica,
light, retoma o padrão pela cor, a variação dos
já adotado para os sabores limão, pêssego,

10 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


As novas cervejas
sazonais de sempre
A Cervejaria Baden Baden, de
Campos do Jordão (SP), lança a
Celebration Verão 2006, uma
cerveja sazonal que integra seu
time de cervejas especiais. A
edição de 2006 dá seqüência à
linha Celebration, que possui cer-
vejas especiais para o inverno e o
verão. A edição deste ano é uma
cerveja do tipo weiss, elaborada
com maltes de cevada e trigo.
A cervejaria coloca no mercado
também a Christmas Beer, bebida
que foi lançada no ano passado
apenas para a época de Natal. É
um produto do tipo ale, levemente
frisante. As garrafas são fabricadas
pela Saint-Gobain, com rótulos
da Soft Color e tampas da Tapon
Corona. O desenho é da M Design.

Sobre a embalagem da maionese Soya


A redação recebeu do sr. Gian R: Tratou-se simplesmente de uma
Piero Bortone, gerente de vendas informação equivocada, devido à
da Premiumplastic Embalagens, pressa na apuração. Como é norma
correio eletrônico afirmando não em EMBALAGEMMARCA, registramos as
corresponder à realidade a infor- correções de nossos erros sempre que
mação contida no título de nota identificados e pedimos desculpas aos
publicada na página 8 da edição leitores. Quanto à referência a “visão
anterior de EMBALAGEMMARCA tendenciosa”, acreditamos que as 75
(“Maionese Soya sai do PET para o edições sucessivas de EMBALAGEMMARCA
vidro”). Sintetizamos a mensagem: são uma demonstração suficiente de
“A Bunge (antiga Sanbra /Santista), nossa postura imparcial e ética.
tinha a maionese marca
Maionegg’s em vidro, passan-
do por volta de 1998 a comer-
cializá-la em potes de poli-
propileno. Aproximadamente
em 2001 voltou para o vidro
e, mais recentemente houve
a troca da marca Maionegg’s
para Soya e Delícia (ambas em
vidro). Ou seja, essas marcas
nunca trabalharam com PET,
como descrito na reporta-
gem. Isso demonstra uma
visão tendenciosa ou fonte
de informações incorretas?”.
celulósicas >>> higiene pessoal

Luxo com custo aceitável


Unilever revigora imagem dos sabonetes Lux com cartuchos de papel cartão

A
mudança das embalagens de toda a linha de
sabonetes Lux Luxo, da Unilever, traz uma
questão que parece fazer parte da própria gênese
da marca, responsável por uma fatia de 32,6%
do mercado: o luxo. Não que a substituição dos flow packs
de polipropileno bi-orientado (BOPP) por cartuchos de papel
cartão configure uma reformulação radical. Mas, aliada à
campanha publicitária, que pela primeira vez em muitos
anos não traz o rosto de uma celebridade (uma das últimas
personalidades a ilustrar a divulgação do produto foi a modelo
Gisele Bündchen, em 2003), ela traduz a tentativa de ampliar
a gama de consumidoras da marca. Ou seja, envereda pela
senda do “luxo acessível”, agregando valor ao produto sem
exagerar nos custos. “Os sabonetes estão mais modernos, e
a idéia é democratizar os produtos de luxo, deixando-os ao
alcance do consumo de massa”, diz Mara Pezotti, gerente de
marketing de sabonetes da Unilever.
Como o intuito é penetrar em diversas classes sociais,
apesar da nova embalagem o preço dos sabonetes da linha
reformulada – que inclui três novas variantes, com as
fragrâncias de chocolate, pétalas de rosas e guaraná –, foi
mantido em menos de 1 real. “Graças a extensas negociações
com os fornecedores”, revela Mara, “conseguimos oferecer
um sabonete de luxo por 85 centavos”. Foram necessários dois
anos para adaptar os ingredientes e contratar fornecedores,
conta a gerente de desenvolvimento de embalagens da Lux,
Claudia Bugni. Na opinião da executiva, as maiores vantagens
da substituição são agregar valor ao produto, oferecer maior
proteção aos sabonetes e destacá-los no ponto-de-venda.
As embalagens dos novos produtos, criadas pela agência
inglesa Lippa Pearce e adaptadas ao mercado nacional
pela brasileira Rex Design, são fornecidas pela Impressora
Paranaense, do grupo Dixie Toga. Segundo o designer
Gustavo Piqueira, da Rex, as caixinhas de cartão e a volta do
nome Luxo à marca foram adotadas apenas no Brasil – daí as
adaptações de tamanho e material, além da criação da variante
regional Lux Suave, de cor roxa.
Entre reformulação da marca e comunicação, foram gastos LGAÇÃO
: DIVU
FOTOS
30 milhões de reais, investimento à altura de um mercado que
produz cerca de 200 000 toneladas e que movimenta quase
1,5 bilhão de reais por ano, segundo estimativas. As pesquisas
Impressora Paranaense
REFORMULAÇÃO - A nova linha
de desenvolvimento duraram dois anos e 3 000 brasileiras (4l) 275-5132
de sabonetes Lux Luxo dispensa foram ouvidas para que se chegasse à mescla de gastronomia www.dixietoga.com.br
rostos famosos, mas traz emba- e cosmética, prática que se afina a uma tendência mundial,
lagens mais sofisticadas Rex Design
como aponta a perfumista francesa e criadora das novas (11) 3862-5121
fragrâncias, Isabelle Abram, da Givaudan. www.rexnet.com.br

12 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


reportagem de capa >>> embalagens de vidro

14 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


Interesse
reaceso
Preços volúveis dos plásticos (re)valorizam
o vidro e inspiram discussões sobre os efeitos das
mudanças de embalagem para a imagem das marcas
Por Guilherme Kamio

O
FOTO: STUDIO AG – ANDRÉ GODOY
viés de alta do petróleo e a incerteza dos “Hoje, sem preços represados, temos maior
seus preços futuros vêm fazendo mais competitividade com outros materiais de embala-
que inflacionar as bombas de gasolina e gem que no passado, e ela só não é maior porque
embalar as vendas de automóveis flex. o dólar baixo atenua em parte a alta do petró-
Evocados em planilhas e reuniões, eles já reavivam leo”, pontifica Alexandre Marchezini, diretor de
os apelos de embalagens que, nos últimos anos, vendas e marketing da Owens-Illinois do Brasil
vinham sendo preteridas por plásticos nas mais (antiga Cisper), grande vidraria instalada no país.
variadas pontas de gôndola. Tome-se o caso dos “Acreditamos que a estabilidade
A produção de
recipientes de vidro. Abalados pela sanha da redu- econômica e algum crescimento na embalagens de vidro
ção de custos industriais e pelas guerras de preço renda também venham favorecen- no Brasil cresceu

4,6%
no varejo, eles passaram a perder, sucessivamente, do o cenário melhor”, interpreta
clientelas em categorias como alimentos, bebidas, Paulo Drummond, diretor comercial
medicamentos e até em cosméticos. Sucede que da CIV – Companhia Industrial de
após terminar 2004 em queda de 11%, a produ- Vidros, baseada em Recife. Para no primeiro
ção dessas embalagens cresceu 4,6% e 9,6% nos se ter idéia, o refluxo de negócios trimestre e

9,6%
dois primeiros trimestres deste ano, radiografa em embalagens dos últimos meses
FONTE: FGV

um balanço da Fundação Getúlio Vargas (FGV) até inspirou a Owens-Illinois a lan-


feito a pedido da Abre – Associação Brasileira de çar uma campanha publicitária que
Embalagem. Os últimos três meses, de acordo com estapeia os plásticos com luva de
no segundo
o setor vidreiro, também sorriram aos negócios de pelica através do mote “todo mundo
garrafas, potes, frascos e afins. está migrando para o vidro”.

novembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 15


Um dos casos emblemáticos dessa
(re)valorização das embalagens de vidro vem Tradicionais e atuais ao mesmo tempo
da Bunge Alimentos. Usuária maciça de emba-
Os principais atributos Múltiplo uso: as embala-
lagens plásticas, produzidas em linhas pró-
técnicos e de marketing gens de vidro podem ser
prias, a empresa acaba de bancar a reestréia
proporcionados pela reaproveitadas.
de sua maionese Soya, lançada em 2003 em
embalagem de vidro Prático: após o uso, o pro-
potes plásticos, em vidro da Owens-Illinois. O
reposicionamento rema contra a debandada de Transparente e elegante: o duto pode ser retampado,
marcas de maioneses para os plásticos, puxada consumidor vê o que com- caso não seja consumido
pra. Os produtos ganham em sua totalidade.
há cerca de dois anos pela líder de mercado
uma imagem nobre, sofisti-
Hellmann’s, da Unilever. “O consumidor con- Resistente: mudanças brus-
cada e confiável. cas de temperatura, cargas
sidera o vidro imbatível em higiene e nobreza
para o acondicionamento de maioneses”, sus- Higiênico: o vidro é fabrica- verticais e umidade não são
tenta Marchezini, aludindo aos resultados de do com elementos naturais, problema para as embala-
uma pesquisa sobre percepção de embalagens protegendo os produtos gens de vidro.
de maionese encomendada pela O-I ao institu- durante mais tempo e dis- Microondas: pode ser
to de pesquisas Ipsos, meses atrás. Em outros pensando conservantes. usado diretamente no forno
segmentos, entretanto, as marcas notórias, ou Inerte: o vidro não reage de microondas.
de referência, têm contribuído com a escalada quimicamente. Por ser neu- Impermeável: por não ser
do vidro. É o caso da Coca-Cola, que de cerca tro, os produtos não sofrem poroso, o vidro funciona
de dois anos para cá está reativando sua família alterações de sabor ou de como uma barreira contra
de garrafas retornáveis de vidro, investindo qualidade. qualquer agente exterior,
forte para que elas ultrapassem a participação Versátil: formas, cores e mantendo assim os produ-

FONTE: O-I DO BRASIL


de 30% em seu packaging mix. tamanhos são detalhes que tos frescos, aumentando
fazem diferença no ponto- o shelf life em relação a
Reuso pode ser lucrativo de-venda. outros tipos de embalagens.
Ocorre que o colosso americano em refrige-
rantes descobriu a duras penas, com o ataque Outro importante produto esteado no vidro,
das tubaínas encilhadas nas garrafas de PET para o qual se aventava, em conversas de bas-
difundidas por ela própria no país, que o vai- tidores, a corrida para as alternativas plásticas,
vém dos vasilhames revertia para si em reserva mostra como não se pode ignorar a força da
de mercado. Embora a Coca-Cola não divulgue identificação do consumidor com embalagens
números, Marchezini confirma: o desempenho clássicas. Trata-se do Nescafé, que está che-
das vendas das novas retornáveis da Coca- gando ao mercado numa edição limitada, em
Cola, incluídas as marcas Fanta e Kuat, surpre- quatro potes de vidro fabricados pela O-I e
ende, principalmente as das garrafas de 1 litro pela Saint-Gobain com decorações especiais.
e de 1,25 litro. Em alto relevo, os novos potes do café solúvel
da Nestlé trazem referências a produtos como
CONTRAMÃO – café, pimenta, sal e farinha, de modo a suge-
Maionese Soya
deixou o plástico
rir às donas de casa itens para reabastecer os
e adotou o vidro potes quando vazios. “O objetivo da promoção
é agregar valor à marca através do principal
recipiente de Nescafé, que é o pote de vidro”,
explica Enrique Granados, gerente de marke-
ting de Cafés da Nestlé, aludindo ao apelo de
reutilização intrínseco dos recipientes de vidro.
FOTOS: STUDIO AG – ANDRÉ GODOY

Esse atributo, aliás, tem sido jogado para


escanteio pelas principais marcas de requeijão
do país, que bateram em revoada para as emba-
lagens plásticas (embora haja quem considere,
não sem razão, que na verdade esses requeijões
não deixaram o vidro; nas palavras de um diri- RETORNO – Coca-Cola rein-
gente de vidraria, a apresentação em plástico veste no vaivém do vidro

16 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


STUDIO AG – ANDRÉ GODOY
reflete o downgrade desses matinais, que nem REFIL – Nestlé aposta
se chamam mais requeijões, e sim “especialida- na reutilização dos
potes especiais de
des lácteas com requeijão cremoso” – ou seja, a Nescafé e sugere
rigor, transformaram-se em outros produtos). O reposições
setor vidreiro, porém, vê indícios de que o copo (foto no topo)
de vidro persevera como embalagem prezada
pelo consumidor. A Nadir Figueiredo defende
essa bandeira. Dois anos atrás, os copos de
requeijão aquinhoavam 50% de seu volume
de produção. Hoje, esse percentual é de 35%.
Segundo a Nadir, boa parte dos consumidores
chiou com a ida dos requeijões para os plásticos,
tanto é que uma linha de copos com o mesmo
RESISTÊNCIA – Nadir
perfil dos de requeijão, lançada neste ano, faz Figueiredo perdeu gran-
sucesso em sua divisão de ativos de mesa (ver des clientes em requei-
EMBALAGEMMARCA nº 71, julho de 2005). jões, mas tem atraído
novas marcas, como a
O que também passa recibo da força dessas
Coronata
embalagens como referência da categoria é
que, como uma brigada de resistência, alguns
fabricantes de requeijão – requeijões, mesmo, e
não “especialidades” – continuam na apresen-
tação tradicional. São os casos de marcas como
Itambé, Danúbio (Vigor), Aviação e Copocrem
(Catupiry). Há poucas semanas, a Nadir ganhou
até um novo cliente nessa área, o requeijão do
laticínio Coronata. “O copo de vidro oferece
flexibilidade, fato comprovado por promoções
feitas nos últimos anos com decorações dife-
renciadas, é bem visto pelo consumidor e de
fato enobrece produtos”, diz um profissional
de marketing de uma fábrica de requeijões que
pede para não ser identificado. “No entanto, as
AÇÃO

direções das fábricas alegam que os plásticos


DIVULG

barateiam o custo do produto, o que é vital para


penetrar nas classes de baixa renda”. Em con-
trapartida, a Nadir reafirma a competitividade
dos copos, ressaltando um exemplo recente: o
sucesso do relançamento da pasta de avelã com
chocolate Nutella, da Ferrero do Brasil, que
trocou o pote de plástico por copos de vidro
com alto apelo como utensílio doméstico.
Mas não é apenas na competição direta
com contratipos plásticos que os recipientes de
vidro ensaiam uma volta por cima. As vidrarias
vêm sendo sondadas quanto a possibilidades de
atendimento até em nichos blindados da volu-
bilidade das altas das resinas termoplásticas.
Exemplo é dado pelo segmento de conservas,
que de meses para cá tem convertido linhas
antes fiadas em latas de aço para potes de vidro.
Nos casos da Owens-Illinois e da Saint-Gobain,
esse movimento acontece a reboque de investi-
mentos de duas importantes marcas dessa área,
a Quero e a Olé, que migraram das latas para

FOTOS: DIVULGAÇÃO
potes de vidro em itens como ervilhas, milho da cerveja premium Bohemia, a Confraria: uma
verde e seleta de legumes. “Acreditamos que garrafa com pintura vitrificada, que lhe pro-
esse é um mercado que pode render altos volu- porciona aparência de cerâmica (destacada em
mes de negócios nos próximos anos”, sentencia EMBALAGEMMARCA nº 73, setembro de 2005).
André Liberali, gerente de vendas e marketing “O vidro também vem sendo a opção número
da Saint-Gobain Embalagens. um das ascendentes microcervejarias, pelo seu
inquestionável apelo de distinção”, salienta
AQUECIMENTO –
Empurrão das cervejas André Liberali.
Bebidas têm exigido
A subsidiária brasileira da vidraria francesa Cervejas, a propósito, vêm igualmente aque- novas (e sofisticadas)
também acusa bons ventos em seus negócios cendo as fornadas da O-I. Depois dos sucessos garrafas da Saint-Gobain,
em embalagens, especialmente garrafas para recentes da Skol Beats e da Skol Big Neck, como as dos sucos
Brisk e da água Vittalev,
bebidas. “O momento de dinamismo do mer- “produtos demonstrativos das possibilidades de decoradas com rótulos
cado de cervejas tem ajudado muito”, aponta inovação em formato de garrafas”, nas palavras termoencolhíveis, e a da
Liberali. A Saint-Gobain é a fornecedora, por de Alexandre Marchezini, a AmBev está se Bohemia Confraria, com
quê de cerâmica
exemplo, da embalagem da mais nova variante apoiando em long necks da O-I para o início da

Não haverá demanda reprimida, garantem vidrarias


Muitas indústrias interessadas de 1,497 milhão de toneladas ou dez anos”. A Wheaton, por
em lançar produtos em emba- por ano, em 2004 ela foi de sua vez, informa que possui um
lagens de vidro ou estudando a 1,277 milhão de toneladas. As forno estepe, capaz de aumen-
possibilidade de migrar linhas vidrarias, no entanto, asseguram tar sua produção anual, hoje
já existentes para elas têm a que têm punch para atender de 800 000 frascos, em 25%.
seguinte preocupação: o setor aumentos de escala. “Não há Fator que também contribui para
vidreiro será capaz de aten- risco algum de demanda repri- desanuviar previsões de desabas-
dê-las? O questionamento faz mida”, diz Alexandre Marchezini, tecimento no mercado doméstico
sentido ao se consultar estatís- diretor de vendas e marketing é o dólar baixo, que têm reprimi-
ticas da Abividro – Associação da Owens-Illinois do Brasil. André do exportações. “Nossas vendas
Brasileira Técnica das Indústrias Liberali, gerente de vendas e para o exterior vinham num gran-
Automáticas de Vidro. Uma marketing de embalagens da de embalo, tendo aumentado
tabela no website dessa entidade Saint-Gobain, faz coro, ao lem- 30% nos últimos três anos, mas
de classe dá conta de uma dimi- brar que as capacidades dos tivemos de tirar o pé por causa
nuição da capacidade instalada fornos são constantemente revi- do câmbio desfavorável”, situa
no segmento de embalagens. sadas pelas vidrarias, de modo a Renato Massara Jr., diretor
Se em 1999 a capacidade era apresentarem “folga para cinco comercial da Wheaton.

18 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


comercialização da Brahma no exterior que o momento favorável ao vidro
e para a distribuição da marca belga não se restringe ao eixo Sul-Sudeste,
Stella Artois no mercado nacional. vêm da nordestina CIV, que con-
No balcão da Saint-Gobain, outras centra boa parte dos negócios em
searas de bebidas que têm rendido inte- embalagem nas suas cercanias. Entre

FOTOS: ANDRÉ GODOY


ressantes embalagens, ultimamente, são os recentes casos de destaque está o
as de sucos prontos – na qual se destaca da nova garrafa do rum Montilla, da
a garrafa da linha de sucos Brisk, da Pernod Ricard, bebida que goza de
mineira Agrofruit – e de águas mine- 94% de share em sua categoria no
rais – com a garrafa da Vittalev, água Nordeste. “O shape foi atualizado,
da paranaense Spaipa, uma das maio- e agora traz linhas mais modernas,
res engarrafadoras de Coca-Cola do arredondadas e atraentes, como forma
país. Ambas as garrafas têm shapes de aumentar o impacto no ponto-de-
exclusivos (e, vale dizer, são decoradas venda”, diz Paulo Drummond. Quem
com rótulos termoencolhíveis, numa assina a reformulação visual dessa
conjugação em crescimento mundo embalagem é a 100% Design. Outra
afora). As vinícolas do Sul são outras garrafa recém-lançada foi a Touriga,
clientes emergentes da Saint-Gobain. para atender à crescente demanda de
Chancelas de vinhos, como a Miolo, e vinícolas do Vale do São Francisco.
de champanhes, como a De Gréville, “Ela possui cor âmbar, seguindo a
estão entre as principais freguesas dessa área, CONSERVAS – Quero e tradição das embalagens de renomados vinhos
informa Liberali. Olé relançaram ervilha europeus”, conta Drummond.
e milho em vidro
Sintomas não apenas da boa relação entre Para pegar carona no crescimento das
vidro e indústrias de bebidas, mas também de exportações, a CIV também acaba de desen-

novembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 19


volver uma linha de garrafas para cachaça, de
700ml – “volume exigido pelos europeus”,
nas palavras de Drummond –, e uma nova
garrafa de 300ml para sucos prontos, com boca
larga, “desenvolvida com olhos no mercado
americano”, explica o dirigente da vidraria PRESTÍGIO – Crescimento
da Wheaton se escora em
pernambucana.
frascos mais esmerados,
como o do perfume
Vaidade sopra frascos Rhea (à dir.), e nas
Perdas e reconquistas de negócios, em emba- segmentações de linha,
como o Linda Brasil
lagens de vidro, não são exclusividades das (abaixo), derivação
raias das garrafas, potes e copos. Pegue-se o do Linda

FOTOS: DIVULGAÇÃO
exemplo da Wheaton do Brasil. Com o avanço
dos frascos de PET e dos blisters de alumínio,
sua carteira de clientes da área farmacêutica
emagreceu.
Munida de visão, a vidraria resolveu inves-
tir pesado em recipientes de alto valor agrega-
do. Para começar, transformou uma das linhas
produtivas de sua planta no ABC paulista em
sala limpa. Bingo. A disparada
do mercado de cosméticos no
país deu ânimo à estratégia de
adição de valor aos seus frascos.
Para se ter idéia, só no último ano e vidros da Mega Plast. Até a consolidação
meio o faturamento da Wheaton evo- da incorporação dos novos ativos à divisão
luiu 20%. “Os pedidos têm crescido prin- de decoração de frascos já existente na empre-
cipalmente nas áreas de colônias, cremes sa, a Wheaton Decor, prevista para o fim deste
de tratamento de pele e cosméticos mascu- ano, Massara acredita num investimento total
linos”, conta Renato Massara Jr., de 6 milhões de reais. A jogada da Wheaton se
diretor comercial da vidraria. Ele deve basicamente a dois fatores. De um lado, a
conta que os gastos em tecnologia decoração de alto valor é considerada elemento
de decoração de frascos feitos nos 100% Design crucial para as exportações – não só da clientela,
(11) 3032-5100
últimos anos vieram ao encon- www.100porcento.net mas também de frascos vazios. O outro motivo
tro da sofisticação dos perfu- é decorrente das veredas de marketing em per-
mes e produtos de beleza Abividro furmaria. “Ocorre que muitas extensões de linha
(11) 3255-3033
nacionais lançados pelos www.abividro.org.br estão sendo lançadas nos mesmos modelos de
seus principais clientes, frascos dos produtos guarda-chuva, só que com
a Avon, a Natura e O CIV decorações diferenciadas”, observa Massara.
(81) 3272-4484
Boticário. Deste último, www.civ.com.br Recentes exemplos dessa vertente, vindos
Massara pinça um recen- do cliente O Boticário, são o frasco da colônia
Nadir Figueiredo
te lançamento em frasco Quasar Fire, cuja pintura vermelha em degradê
0800 55 2010
de alto apuro: o Rhea, pri- www.nadir.com.br substitui a azul do Quasar standard, e o frasco da
meiro perfume feminino Linda Brasil, no qual uma pintura verde e ama-
Owens-Illinois do Brasil
no mundo feito à base de (11) 6542-8000
rela substitui a decoração do Linda tradicional.
álcool vínico. www.oidobrasil.com.br “Esses casos, somados aos que vêm se avolu-
De olho numa ten- mando em alimentos e bebidas, só evidenciam
Saint-Gobain Embalagens
dência candente no setor (11) 3874-7482
como, a despeito de a competição hoje ser imen-
nacional de cosméticos, a www.sgembalagens.com.br sa, com diversos materiais disputando os mes-
segmentação de linhas, a mos mercados, a embalagem de vidro está atual
Wheaton
CURVAS – Garrafa do Wheaton acaba de adquirir (11) 4355-1800 e atrativa como nunca”, sentencia Massara.
rum Montilla, feita
a operação de decoração de www.wheatonbrasil.com.br (Colaborou Livia Deorsola)
pela CIV: mais atual

20 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


materiais >>> alimentos

E cresce a companhia
Depois das flexíveis, caixinhas longa vida e potes termoformados assediam
mercado de alimentos sensíveis, tradicional reduto das latas e do vidro

P
or décadas dominado pelas mou em objeto de assédio, de meses nhas longa vida Tetra Pak e a Poly-Vac,
latas e pelos potes de vidro, para cá, de avançadas estruturas plás- pioneira na produção de embalagens
o mercado nacional de ticas flexíveis. Agora, novos jogadores termoformadas de polipropileno. Nas
embalagens para alimentos estão entrando para valer na briga por próximas páginas, EMBALAGEMMARCA
sensíveis e de alta acidez se transfor- negócios nessa área: a gigante em caixi- detalha essas duas investidas.

Chega a Tetra retortable


A
proveitando a ocasião da Food

FOTOS: DIVULGAÇÃO
Pack 2005, feira de embalagens
para a indústria alimentícia ocor-
rida em São Paulo entre o fim
de agosto e o início de setembro, a Tetra
Pak promoveu o début no Brasil da Tetra
Recart, uma caixinha à qual a alcunha de
longuíssima vida cai bem. Explica-se. Ela é
a primeira cartonada asséptica retortable da
carteira de embalagens da empresa, ou seja,
é capaz de suportar, após seu enchimento,
a esterilização do conteúdo por autoclave,
sob altas temperaturas – condição sine qua
non para a distribuição sem refrigeração de
itens alimentícios como sopas com peda-
ços, vegetais em conserva, rações úmidas e APELO – Fácil abertura, feita só com as mãos (abaixo), é um grande trunfo da Recart
refeições prontas.
Com paredes compostas por nove cama-
das intercaladas de papel cartão, folha de
alumínio e plástico (polietileno) em vez das
seis das caixinhas convencionais, a Recart
garante uma vida de prateleira de até dois
anos ao seu conteúdo. De modo a garantir
a percepção de valor pelo consumidor, cadências distintas. Na configuração mais
a novidade incorpora um sistema de veloz dos equipamentos é possível pro-
fácil abertura, fiado em micro-per- cessar até 24 000 embalagens por hora
furações a laser na aba que fecha (até 100 milhões de embalagens por
o seu topo. Para acessar o produto ano). No que diz respeito às possibili-
acondicionado, o consumidor destaca a dades de design gráfico, a Tetra Pak
aba utilizando somente as mãos, sem a informa que a Tetra Recart permite
necessidade do auxílio de objetos cortan- qualidade superior de impressão, com
tes (veja o infográfico). registros com qualidade fotográfica.
De início, a Tetra Recart estará disponível COURO GROSSO A subsidiária brasileira da multinacio-
Em vez das tradicionais
nos volumes de 300ml, 400ml e 500ml, em seis camadas, paredes nal sueca de embalagens frisa também o
duas linhas de produção form-fill-seal com da Recart possuem nove apelo ambiental da novidade: ela responde

22 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


por apenas 4% do peso total dos produtos diretor de desenvolvimento de negócios da
– e é reciclável. “Ainda estamos mapeando Tetra Pak. Segundo ele, a Recart já está sendo
possibilidades de negócio com a Recart, mas utilizada com sucesso na Europa, em linhas
vale dizer que ela vem sendo objeto de grande de feijões e vegetais em conserva da francesa
curiosidade e de consultas nas últimas sema- Bonduelle (na foto na página anterior), nos
Tetra Pak
nas, até de setores que não imaginávamos (11) 5501-3200 Estados Unidos e no México, em chili e outros
chance de interesse”, diz Eduardo Eisler, www.tetrapak.com.br produtos da culinária mexicana.

Por aqui não foi para a frente. Lá fora, foi


Em meados de 2002, a Tetra Pak anunciou a intenção
de difundir no Brasil o uso de sua caixinha Tetra Rex
na área de alimentos sólidos. À ocasião, a idéia fora
adotada pela paulista Dori Alimentos em linhas de con-
feitos e salgadinhos (veja EMBALAGEMMARCA nº 48, junho
de 2002). A sugestão de uso prostrou no país. Lá
fora, porém, não. Veja-se o caso da espanhola SIRO.
Ela acaba de lançar os snacks Rio em caixinhas Tetra
Rex Slim, de 1,5 litro, com o fechamento FlipClip, uma
espécie de clipe plástico, e uma janela transparente,
que permite aos consumidores visualizar o produto.
Outro tira-gosto da SIRO, o Try, no sabor pizza, tam-
bém está debutando nas gôndolas espanholas em caixi-
nha Tetra Rex Slim, de 1 litro, com o FlipClip.

novembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 23


Termoformados longa vida
F
oram dois anos de pesquisas e
testes até a paulistana Poly-Vac,
importante transformadora de
embalagens plásticas, concluir o
projeto daquela que anuncia como a primeira
linha de recipientes termoformados de alta
barreira do país. Sob o nome comercial Poly-
Life, as novas embalagens são formadas a
partir de uma chapa plástica especial, em que
uma camada de EVOH (copolímero de etile-
no e álcool vinílico) é ensanduichada entre
duas de polipropileno (PP). Resultado: os
STUDIO AG – ANDRÉ GODOY

alimentos acondicionados ganham uma avan-


çada proteção à umidade e ao oxigênio. “Até
agora o mercado nacional era órfão desse tipo
de embalagem”, conta Antonio Carlos Silva
Junior, gerente comercial da Poly-Vac.
Segundo ele, a inovação substitui com sua fornecedora, depende apenas de pequenos ESTRUTURA –
vantagens as embalagens hoje utilizadas em ajustes, para os quais é dada toda a assistência Embalagens Poly-Life são
termoformadas a partir
mercados como os de alimentos em conserva e técnica. A novidade em embalagens pode ser de chapas que conjugam
de derivados de tomate. “Além de garantir alta utilizada para a comercialização de produ- polipropileno com EVOH
produtividade no envase a quente desses itens, tos distribuídos sob temperatura ambiente,
os potes Poly-Life não quebram, não amassam refrigerados ou congelados, e já conta com
nem enferrujam”, diz o executivo, cotejando laudos do Cetea – Centro de Tecnologia
os atributos da nova cria com pontos conside- de Embalagens para Alimentos do ITAL
rados negativos das embalagens que ela visa – Instituto de Tecnologia de Alimentos, de
enfrentar – potes de vidro, flexíveis e latas Campinas (SP), atestando sua adequação à
de aço. Geléias, frutas, sucos, patês, refeições conservação de alimentos por prazos prolon-
pré-preparadas e rações também estão na gados, sendo que a shelf-life será dimensiona-
mira. Ambiciosa, a perspectiva da Poly-Vac da conforme a necessidade de cada produto.
é conquistar 20% desses mercados em dois Quanto às possibilidades de formatos e decora- Poly-Vac
anos. “O diferencial da Poly-Life será o custo, ção, a Poly-Vac informa que a Poly-Life pode (11) 5541-9988
mais atrativo que o dos materiais concorren- ser desenvolvida com desenhos personaliza- www.poly-vac.com.br
tes”, diz Antonio Junior, suscitando ganhos dos, transparente ou colorida, e ser entregue
logísticos pelos fatos de os potes serem leves impressa ou sem impressão, para a utilização
e telescopáveis (permitirem encaixes). de rótulos ou luvas. “Queremos que a marca
A adaptação da Poly-Life a linhas já exis- Poly-Life se torne sinônimo desse conceito de
tentes de embalagens concorrentes, garante embalagem”, remata Antonio Junior.

MAIOR VIDA – Potes


comuns (à esq.),
permitem grande
contato do alimento
acondicionado com
oxigênio e umidade,
o que acelera sua
oxidação; barreira
nos novos potes da
Poly-Vac diminui essa
interação, prolongando
Normal Barreira a validade dos produtos

24 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


Câmbio com data marcada
A direção do grupo Tetra Laval informou Nova flip top dois em um
que o sueco Dennis Jönsson irá assumir A Crown Tampas está lançando no dois em um: permite aos produtos
como CEO mundial da Tetra Pak em 1º mercado nacional um novo modelo serem expostos de forma regular
de janeiro de 2006. A decisão deve- de tampa oval, do tipo flip top, para ou top side down (de cabeça para
se ao fato de que Nick Shreiber, atual o fechamento de frascos de itens de baixo). Disponível nos orifícios de
CEO da multinacional, anunciou que irá higiene pessoal – xampus, condi- 3mm e 6,3mm, a tampa pode ser
se desligar do cargo, após cinco anos cionadores e cremes, por exemplo. desenvolvida com cores especiais.
de gestão. Jönsson já foi alto-executivo
Conforme explica a área de marke- (11) 5054-4013
da Tetra Pak no Panamá, nos Estados
ting da fornecedora, a novidade é www.crowntampas.com.br
Unidos e no México.

Energia limpa
A alemã Hofmühl será a primeira cer-
vejaria do mundo a funcionar com ener-
gia solar. Num acordo firmado durante
a feira de negócios Drinktec 2005, a
empresa terá uma nova fábrica proje-
tada pela produtora de equipamentos
Krones. A energia solar irá aquecer a
água utilizada para dissolver o malte e
o lúpulo na fabricação de cerveja, que é
geralmente baseado em gás.

Prêmio ao plasma
O projeto de reciclagem de caixinhas
longa vida por plasma, nacional e iné- “Em muitos países há uma forte atuação das
dito no mundo, recebeu o Prêmio CNI
2005, da Confederação Nacional da instituições de ensino, formando profissionais
Indústria, na categoria Desenvolvimento
Sustentável, modalidade Produção Mais
e estimulando o desenvolvimento de projetos
Limpa. A planta de plasma, situada em de interesse da indústria. Precisamos fazer o
Piracicaba (SP) e aberta em maio, é
fruto de uma parceria entre Klabin, Tetra mesmo aqui, já que a embalagem representa
Pak, Alcoa e TSL Ambiental.
hoje 10% do faturamento das empresas”
Recomendação pelo social De Antônio Carlos Dantas Cabral, do Instituto Mauá de Tecnologia, sobre o
A C-Pack Creative Packaging é a primei- papel a ser exercido pelo Comitê de Educação, recém lançado pela Abre –
ra empresa fabricante de tubos plásticos Associação Brasileira de Embalagem. Cabral será o coordenador da divisão.
da região Sul do Brasil a ser recomenda-
da à certificação pela Norma SA8000
– Responsabilidade Social, que busca Papelão com programa de cooperativas
a garantia dos direitos básicos dos tra-
Ciclo Sustentável é o nome do eliminar processos e custos
balhadores e a melhoria contínua das
condições do ambiente de trabalho. programa lançado no início intermediários, gerando ganhos
de outubro pela Coopercaixa econômicos, sociais e ambien-
Olhar aos dez – Cooperativa Paulistana de tais para toda a cadeia envol-
Responsável por diversos trabalhos em Caixas e Chapas de Papelão vida. Em evento de lançamento
design, sendo os mais recentes a refor- Ondulado e a Cooperlínia, de do programa, os ministros Luiz
mulação das embalagens da Aspirina, Paulínia (SP), para promover a Marinho, do Trabalho, e Luiz
da Bayer, e a criação das embalagens integração dos fornecedores Dulci, da Assessoria Especial
da nova linha de lanternas Rayovac, a
de matérias-primas (aparas de da Presidência, prometeram
agência OlhoGráfico está completando
dez anos. Segundo a diretora Maria papelão) com os fabricantes apoio do governo à iniciativa.
Elisa Tendolini, a empresa quer explorar dos produtos finais (chapas e (11) 4644-1190
o segmento de construção de marcas. caixas de papelão). A meta é www.coopercaixa.com.br

26 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


Triunvirato lidera lembrança de marcas
Dentre todas as marcas, indepen- deferência às sete marcas que desde
dentemente de categoria, Omo, a primeira edição, em 1991, vence-
Coca-Cola e Nestlé foram aquelas ram suas categorias: Volkswagen, em
mais lembradas pelo consumidor bra- automóveis; Philips, em eletro-eletrô-
sileiro em 2005. As três foram as tops nicos; Coca-Cola, em refrigerantes;
das tops na 15ª edição da pesquisa Hellmann’s, em maioneses; Omo, em
Top Of Mind, realizada pelo instituto sabões em pó; Kibon, em sorvetes;
Datafolha e pelo diário Folha de S. e Doriana, em margarinas (todas as
Paulo. O índice de recall de marcas, últimas quatro, a propósito, perten-
dividido em 40 categorias, baseou-se centes à Unilever).
em 5 085 entrevistas em todo o país. http://www1.folha.uol.com.br/folha/
A mais recente versão do estudo faz especial/2005/topofmind

Sobremesas em suportes cristalinos


Há cinco anos no mercado de xíca- 300ml e 400ml, os potes são produzi- Livro condensa
ras descartáveis para café, a paulista
Small Cup estréia agora na área de
dos em PET cristal. A Small Cup infor-
ma possuir representantes em todo o
design da 100%
potes descartáveis para sobremesas. território nacional. A agência paulistana 100% Design
Disponíveis nas cores verde, rosa, azul (19) 3295-1286 • www.smallcup.com.br criou um livro com uma coleção de
e amarela e nos tamanhos de 250ml, seus trabalhos, incluindo diversos
casos detalhados de desenvol-
vimento de embalagens. Com
o nome de Olhar 100% – Perfil
Estratégico, o portfólio, com 120
páginas, foi lançado durante um
evento promovido no Parque do
Ibirapuera, em São Paulo, em
meados de outubro. Fundada
há quatro anos, a 100% Design
já ganhou prêmios internacio-
nais como o How’s International
Design Competition e do London
International Advertising Design
Awards.
(11) 3032-5100
www.100porcento.net

Exportação de sebo com bag próprio


Produtora de embalagens do tipo é o polietileno linear de última
bag-in-box, a Embaquim acaba de geração. “Apostamos que com a
criar uma variante específica para questão da febre aftosa o sebo se
a exportação de sebo. O Flextainer torne um item muito mais expor-
é uma bolsa plástica gigante, de tável e importante para os frigorífi-
seis camadas, com capacidade cos em termos de preço”, entende
para armazenar 24 000 quilos Ronaldo Canteiro, presidente da
de produto. Mede 4,5 metros de Embaquim.
largura por 7,5 metros de compri- (11) 272-7263
mento e sua matéria-prima básica www.embaquim.com.br

28 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


plásticas >>> isotônicos

Agora ela é inquebrável


Para explorar apelo da segurança, Gatorade troca vidro por garrafa de PET

N
o Brasil, quando se pensa em como bancas de jornal, bike banners, aero-
bebida isotônica, a imagem de doors e relógios de rua serão exploradas na
garrafas de vidro bojudas iden- cidade do Rio de Janeiro, para aproximar
tificadas com a marca Gatorade a novidade dos freqüentadores das praias.
vem à cabeça de muitos consumidores. Em Outdoors e anúncios em cinemas e em gran-
que pese a força de tal associação, essa bebi- des revistas completam o rol de ações.
da, criada para repor a energia dos atletas de A fornecedora da nova embalagem plás-
um time de futebol americano da Flórida e tica de Gatorade é a Amcor PET Packaging
prestes a completar 18 anos no Brasil, onde – empresa que, cerca de dois anos atrás,
detém share de quase 77% no mercado de também participou da substituição de reci-
isotônicos (dado da ACNielsen), acaba de pientes de vidro pelos de PET no caso de
aposentar as garrafas de vidro de 473ml e uma outra marca de referência em sua cate-
aderir a novas, de PET, de 500ml. goria, a maionese Hellmann’s, da Unilever.
Segundo a PepsiCo, a controladora da Os rótulos roll-fed de BOPP (polipropileno
marca, a leveza e o novo desenho da garrafa bi-orientado) são produzidos pela Inapel e
permitem que ela seja carregada de modo têm concepção gráfica da Oficina d´Design.
conveniente, sem o risco de cair e quebrar. Na parte de fechamento, as novas garrafas
“Em lugares como a praia e as escolas a gar- inquebráveis adotam tampas plásticas de
rafa de plástico é muito mais segura”, argu- rosca e selos de vedação por indução.
menta Graziela Vitiello, gerente de marketing A PepsiCo não revela o valor investido na
de Gatorade. “A novidade permite à marca estratégia. Sabe-se, porém, que a expectativa
entrar em novos espaços”. em torno das vendas da nova apresentação
Uma amostra da importância da subs- é grande. Ao lado das batatas fritas da Elma
tituição de embalagem é a forte campanha Chips, Gatorade teve grande mérito no fatu-
publicitária, lastreada em diversos meios ramento 13% maior da PepsiCo no terceiro
de comunicação. Na televisão, um comer- trimestre de 2005, em comparação com o
cial mostra as garrafas intactas mesmo após mesmo período de 2004. A receita passou de ENERGIA – Para a PepsiCo, “PET
caírem no chão. Mídias de ambiente aberto, 7,26 bilhões para 8,18 bilhões de dólares. abrirá novos espaços à bebida”

Ampac Packaging Inapel Amcor PET Packaging Oficina d´Design Seaquist Closures
+1 (513) 671-1777 (11) 6462-8800 (11) 4589-3062 (11) 5051-8844 (11) 4143-8900
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Com a visão de quem entende


Insatisfeito com formulações e apre- Ampac Flexibles, que criou um stand-
sentações das bebidas isotônicas da up pouch sintonizado com exigências
praça, o americano Mark Jensen, dos atletas. Seu perfil, parecido ao de
um atleta e ex-funcionário da Nike, uma ampulheta, o torna ergonômico e
apostou na pró-atividade e criou a fácil de guardar no bolso ou em cintos
sua própria, a Gleukos. Em relação para jogging. O consumo da bebida
à fórmula, apostou num concentrado é facilitado por uma válvula antivaza-
de glicose – substância que provê mentos, recoberta por uma tampa
energia de forma quase instantânea do tipo sport cap, a EZ Turn Cap, da
aos atletas, pois é absorvida pelos Seaquist Closures. “O pouch que cria-
FOTOS: DIVULGAÇÃO

músculos e pela corrente sanguínea mos é 80% mais leve e ocupa 50%
sem necessitar ser digerida. Quanto à menos espaço do que as embalagens
embalagem, recorreu ao expertise da rígidas”, compara Jensen.

30 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


alimentos >>> panetones

Disputa pela
maior fatia
Com produção brasileira, a argentina
Arcor tenta abocanhar parte do mercado
de panetones, dominado pela Bauducco
Por Livia Deorsola

S
e o Natal é época de rituais e tradi- sofreram reformulações. “Mudamos o produ-
ções, um de seus maiores símbolos to e, portanto, a embalagem também apresenta
gastronômicos, o panetone, é uma dimensões e layout novos”, conta Gabriel
espécie de arauto de novidades, Porciani, gerente de marketing dos negócios
tanto em termos de paladar quanto em apre- de chocolates e panetones da Arcor. Os pane-
sentação visual. Ao mesmo tempo em que a tones são apresentados em caixas de papel
variedade de sabores e combinações demons- cartão, em bolsa de polipropileno bi-orientado
tra não ter limites, o apelo das embalagens (BOPP), e em lata de folha-de-flandres.
revela um esforço dos fabricantes para seguir A estratégia da empresa consiste em ala-
FOTOS: DIVULGAÇÃO

a linha das inovações. O diferencial nas gôn- vancar duas marcas de biscoitos advindas
dolas não é facilmente alcançado e, nessa luta, da Danone: Triunfo e Aymoré. A empreitada
o mercado passa a ser ainda mais disputado ganhou força em 2004, quando a companhia
com a investida de peso da argentina Arcor, e a Danone fizeram uma fusão na área de
que encerra 2005 com fabri- biscoitos, somando uma receita líquida de 300
cação de panetones em ter- milhões de dólares, aproximadamente.
ritório brasileiro. Segundo Porciani, as marcas não serão dis-
Até o ano passado, os tribuídas de maneira uniforme em todo o país.
panetones eram importa- “Para aproveitar a força dos nomes em cada
dos do país vizinho e che- região, Triunfo terá como foco os Estados de
gavam até aqui, já finali- São Paulo e Rio de Janeiro; Aymoré, o Estado
zados e acondicionados, de Minas Gerais, e os panetones Arcor serão
apenas por meio de dis- comercializados nacionalmente, mas com
tribuidores e pela Venda maior foco na região Sul”, explica.
Direta Arcor. Se antes “Quanto à logística, ganhamos tempo para
o produto vinha com distribuição e maior flexibilidade em nossas
DNA inteiramente argen- negociações”, resume o executivo. A expecta-
tino, incluindo as embalagens, tiva é que a Arcor consiga enfrentar a gigante
agora o processo será quase total- Bauducco, detentora de mais de 70% do mer-
FEITO AQUI –
A argentina Arcor
mente brasileiro, exceto o fornecimento cado nacional. Para tanto, foram investidos
investiu R$ 3 milhões de embalagens. Parte delas continuará vindo 3 milhões de reais na criação da linha de
na linha brasileira, da Argentina, mas volumes, valores e nomes produção em Campinas (SP) e outros 1,5
que inclui as marcas
não são divulgados pela empresa. milhão serão empregados em marketing.
Triunfo e Aymoré
Com a adoção do endereço brasileiro na Foram necessários sete meses até que
produção, os panetones que chegam ao varejo a linha de produção estivesse em fun-

32 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


cionamento no Brasil. Sem revelar números
sobre a participação no mercado, a Arcor diz
apenas que quer aumentar em quatro vezes as
vendas de panetones, em relação a 2004.

Mercado de gigantes
A dimensão do mercado brasileiro de paneto-
nes justifica os altos investimentos. Embora
o consumo anual per capita seja baixo, se
comparado a outros países – apenas 300 gra-
mas por habitante, inferior aos 650 gramas
consumidos pelos argentinos e aos 2 quilos
pelos italianos –, o Brasil já é o segundo maior
produtor do mundo desse tipo de bolo, atrás
apenas da Itália.
Atenta a esse cenário e à chegada da con-
corrente, a Bauducco afirma lançar a maior
promoção de Natal já feita antes. Em cada
embalagem promocional de 500 gramas de
panetones e chocotones, desenvolvida pela
100% Design, o consumidor ganhará um
míni Papai Noel – dentre os seis modelos
colecionáveis –, que pode ser pendurado em
árvores natalinas. O papel cartão utilizado nas
embalagens é fornecido por duas empresas:
Klabin e Suzano. No primeiro caso, o material
é certificado pelo Forest Stewardship Council
(FSC), e leva a marca Klafold. A Bauducco
também coloca em circulação as tradicio-
nais latas amarelas, que, a cada ano, trazem
um layout diferente e, por isso, também
são colecionáveis. De acordo com Débora
Vasconcellos Micchi, gerente de marketing de
sazonais (Natal e Páscoa) da Bauducco e da
Visconti, as latas, fornecidas pela Aro, Tapon
Corona e Metalgráfica Itaquá, dão um tom
mais sofisticado ao produto e atraem, todo
ano, consumidores (especialmente mulheres)
mais tradicionalistas.
PROMOÇÃO – Papai-Noel colecionável da Bauducco
promete ser a maior ação promocional da marca

novembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 33


A marca Visconti, com pre- Aro
ços até 20% mais baixos, também (11) 6462-1700
www.aro.com.br
recebeu reformulações nas embala-
gens, assinadas agora pela agência Benchmark
(11) 3057-1222
Sart/Dreamker: os logotipos foram
www.bench.com.br
padronizados e as cores foram sepa-
radas por sabor. “Até o ano passado, Brasilgráfica
(11) 4133-7777
os invólucros não tinham identidade www.brasilgrafica.com.br
bem definida, mas agora trabalhamos isso a COLEÇÃO - Embalagens mais sofisticadas trazem, a
partir da estratégia de color code”, informa a cada ano, layout diferente, o que agrada colecionadores 100% Design & Comunicação
(11) 3032-5100
gerente. O processo de reformulação teve iní- www.100porcento.net
cio com as colombas pascais, na Páscoa. Por Os produtos voltados ao público infan-
causa da boa aceitação, a ação se repete agora. til, bom propulsor da venda de panetones, Klabin
(11) 3046 5800
Além disso, a empresa credita às embalagens apresentam ilustrações dos personagens dos www.klabin.com.br
fundamental papel quando o assunto são as desenhos animados Procurando Nemo e Os
linhas sazonais, já que elas não dispõem de Incríveis, em parceria com a Disney/Pixar. As Metalgráfica Itaquá
(11) 4648-2699
todo o ano para que sejam trabalhadas e, por- embalagens das duas marcas são impressas www.metalurgicaitaqua.com.br
tanto, devem atrair a atenção do consumidor pela Brasilgráfica e pela Nilpel, também com
Nilpel
com maior velocidade. papel cartão da Suzano e da Klabin.
(11) 2191-2300
A Pandurata Alimentos, controladora da www.nilpel.com.br
REFORMULAÇÃO – Bauducco e da Visconti, espera que o resul-
Gráfica Romiti
logotipos padroniza tado dos 5 milhões de reais investidos entre (11) 6163-1514
dos e cores separa- ponto-de-venda e mídia sejam revertidos em romiti@romiti.com.br
das por sabor
aumento de 8% nas vendas este ano, cerca
Sart/Dreamker
de 28 milhões de unidades. A estimativa, diz (11) 3887-4133
a gerente de marketing, nada tem a ver com www.sart.com.br
a atuação da concorrente recém-aterrissada.
Suzano Papel e Celulose
Apesar disso, ela admite serem os produtos (11) 3037-9000
Visconti os concorrentes diretos da Arcor, www.suzano.com.br
por causa dos patamares de preço.
Tapon Corona
“Mas temos a tradição de mais de (11) 3835-8662
cinqüenta anos a nosso favor e, www.tapon-corona.com.br
ao mesmo tempo, a nova linha de
embalagens demonstra que a marca
tem vitalidade”, avalia Débora.

Nos 70 anos da Di Cunto, uma lata para comemorar


Há sete décadas no mercado Além dos lançamentos de por causa do modo de produção
e na contramão das altas tira- novos sabores, o investimento diferenciado, “artesanal e que
gens, a Di Cunto, a mais antiga da empresa familiar para este respeita as receitas italianas
produtora de panetones e doces Natal está na embalagem come- originais”, acredita. “Justamente
da América Latina, não altera morativa dos 70 anos: uma edi- por se tratar de uma empresa
suas características artesanais ção especial e limitada de pane- muito tradicional, onde a qualida-
e mantém a distribuição concen- tone de 1 quilo, acondicionado de dos produtos é um dos gran-
trada em quatro lojas na cidade em lata decorada, ainda não des atributos de venda, a emba-
de São Paulo. O resto do Brasil finalizada. A embalagem é for- lagem tem o importante papel
recebe os produtos por meio necida pela Metalgráfica Itaquá de agregar valor aos produtos”,
dos revendedores espalhados e desenhada pela Benchmark. completa. Tradicionalmente é
pelo país, todos atendidos por A idéia é oferecer um presente utilizada uma de papel cartão,
uma central de vendas. Ao todo, aos consumidores que, segundo impressa pela Gráfica Romiti,
são 280 000 panetones a cada Marco Alfredo Di Cunto, diretor com design desenvolvido pela
temporada natalina. da empresa, se mantêm fiéis própria Di Cunto.

34 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


metálicas >>> bebidas

Garrafa para a “balada”


Coca-Cola usa embalagem de alumínio
com design artístico para conquistar jovens

O
maior ícone da Coca-Cola – a
garrafa contour – ganhou ares
de modernidade e aparece agora
em nova versão de 250ml, de

ÇÃO
alumínio, o mais recente must da área de

ULGA
bebidas (ver EMBALAGEMMARCA nº 74, de

S: DIV
outubro de 2005). A iniciativa foi fundo na

FOTO
força de recall do formato: em nenhum dos
cinco modelos aprovados da garrafa aparece
a marca Coca-Cola.
O projeto foi lançado com
o objetivo de atingir os jovens
“antenados”, que freqüentam
casas noturnas – únicos locais
onde a embalagem será ven-
The Designers Republic,
dida – e podem pagar mais
representando a Europa, o
por uma garrafa especial. Os
brasileiro Lobo, na América
escritórios escolhidos, batiza-
do Sul, o americano MK12,
dos pela companhia de M5
na América do Norte, o japo-
(“Magnificent 5”, ou os “5
nês Caviar, para a Ásia, e o
Magníficos”), foram o inglês
sul-africano Rex & Tennant
McKay, para a África.
A Coca-Cola deu a eles
carta branca para que usassem
a garrafa como “tela”. A única exigência foi
a utilização da onda que integra a logomarca,
presente em todas as embalagens da bebida
que é o carro-chefe da multinacional. A gar-
rafa de alumínio, sem recortes ou emendas,
é decorada com impressão feita com tinta
especial, que destaca elementos dos desenhos
quando expostos à luz negra usada nas casas
noturnas. É produzida pela Exal, nos Estados
Unidos, de onde é despachada para os paí-
ses em que ocorre a promoção. No Brasil, a
FORMATO – Garrafas de tampa, tipo crown, é fornecida pela Aro.
alumínio com decorações
especiais apostam na remissão
à icônica embalagem contour. Para colecionar
Da esquerda para a direita, Cada modelo da garrafa deve ficar no merca-
criações da Rex, Caviar, MK 12
do durante três ou quatro meses. Em seguida,
e Lobo. Na página ao lado,
The Design Republic será dado espaço a novas versões, todas com
edições limitadas, que deverão ocorrer até o
final do próximo ano. “Não há prazo para o
fim do projeto, que pode ser estendido para

36 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


2007”, diz a diretora de marketing da Coca-
Cola Brasil, Mônica Horcades. A expectativa
é que os consumidores colecionem as gar-
rafas, como já acontece com outros itens da
Coca-Cola.
A primeira embalagem da série, à venda
no país desde 21 de outubro, foi criada pelo
escritório The Designers Republic, e seu gra-
fismo remete aos anos 70. A segunda versão
é a criada pelo estúdio brasileiro Lobo e deve
chegar ao mercado no início de 2006. “Como
é um projeto mundial, escolhemos a realida-
de brasileira, usando São Paulo como cenário
para mostrar que é possível achar bele-
za onde aparentemente não existe”, explica
Mateus de Paula Santos, diretor de criação e
sócio da Lobo. Aro
(11) 6412 7207
Além da decoração da embalagem, a pro- www.aro.com.br
posta inclui videoclipes para boates com trilhas
sonoras especiais. O Projeto M5 foi lançado Exal (Argentina)
+54 (2322) 496-226
simultaneamente na Itália, na Espanha, na www.exal.com
Alemanha, no México e nos Estados Unidos.
DESTAQUE – Tinta especial faz garrafa
No Brasil, a novidade chega a mais de sessen- brilhar sob efeito de luz negra
ta casas noturnas das principais capitais.

outubro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 37


feira >>> pack expo las vegas ‘05

Uma aposta sem riscos em


Com crescimento, versão da Costa Oeste da feira americana de embalagem Pack Expo
Por Guilherme Kamio, enviado especial a Las Vegas

P
araíso da jogatina,
Las Vegas também
se consolidou, de
alguns anos para
cá, como principal endereço de
eventos corporativos na Costa
Oeste americana. Não à toa,
o número cada vez maior de
feiras de negócios, convenções,
congressos, simpósios e que
tais lá realizados – no ano pas-
sado eles foram mais de 2 300
– revela em boa medida por que
essa cintilante cidade, encrava-
da no deserto de Nevada, é a que
mais cresce em solo ianque. Tal
cenário explica por que o local
tornou-se a aposta do PMMI –
ASSIDUIDADE – A visitação da Pack Expo Las Vegas
Packaging Machinery Manufacturers aumentou 19% em relação à edição anterior, realizada em 2003
Institute, união dos fabricantes ame-
ricanos de maquinário de embala- evoluiu dois dígitos percentuais em sitores, ou 23% a mais de estandes.
gem, para sediar o contrapeso geo- praticamente todos os quesitos. Os A área do evento também expandiu
gráfico à Pack Expo de Chicago, 21 907 visitantes significaram um 14%, passando para 483 000 metros
feira de negócios lotada no extremo público 19% maior que o da edição quadrados. Outro destaque do even-
oposto dos Estados Unidos. Além passada. A visitação de estrangeiros to, inédito nas versões anteriores
da localização e da infra-estrutura, cresceu 22%. De 933 expositores, da Pack Expo, foi o serviço My
Vegas ainda proporciona aos profis- em 2003, passou-se para 1 149 expo- PackExpo.
sionais dessa cadeia unir o útil ao
agradável, ou seja, packaging com Feira virtual ajuda a real
gambling (embalagem com jogo). Sintoma da tão propalada eficiência
Revezando-se com a co-irmã de americana, o My PackExpo consis-
Chicago, que é sempre organizada tia numa espécie de comunidade on-
nos anos pares, a Pack Expo Las line que integrava todas as empresas
Vegas assistiu em 2005 à melhor expositoras a todos os visitantes
edição de seus dez anos de vida. Os nele inscritos, facilitando buscas de
resultados do show, ocorrido entre produtos e serviços específicos e
os dias 26 e 29 de setembro, inspi- funcionando como ferramenta para
raram projeções ousadas. “Dentro a integração e a socialização de
de alguns anos a versão de Vegas profissionais da cadeia de emba-
poderá superar em importância a lagem com interesses comuns – o
de Chicago”, especula Bob Risley, networking velho de guerra.
presidente do conselho do PMMI. Dessa forma, o público podia
O otimismo dessa previsão advém estruturar uma agenda de compro-
de uma razão simples: comparada à missos para a feira antes de sua rea-
INTERAÇÃO – O serviço
de 2003, a edição de 2005 da feira My PackExpo lização, acessando o My PackExpo
provia informações on-line
ao público

40 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


Las Vegas
aproxima-se da irmã de Chicago

através da internet. Ou
então, uma vez den-
tro dos pavilhões do
Las Vegas Convention
Center, buscar produtos
e informações de eventos
paralelos em quiosques
computadorizados.
Vale dizer que, em
termos de inovações e
novidades, muitas das
companhias com estan-
de na Pack Expo de Las
Vegas requentaram lan- POLIVALÊNCIA – Krones mostrou rotuladora
que abarca vários sistemas de aplicação
çamentos da última edi-
ção da Pack Expo de Chicago. É ção da tecnologia GenNext em suas
compreensível. Afinal, menos de máquinas.
um ano separou a realização desses Passo adiante da tecnologia Gen
dois eventos. Em termos de ten- 3, ela consiste em equipamentos
dências gerais, percebeu-se entre baseados em módulos inteligen-
os fornecedores de máquinas um tes, que descentralizam centros de
recrudescimento da necessidade de comando e permitem integrações
entrega de equipamentos de emba- harmônicas entre atuadores servo-
lagem mais inteligentes, seguros, eletrônicos, hidráulicos, pneumáti-
confiáveis e flexíveis – tudo num cos e lineares, abrindo novas possi-
só pacote. Um exemplo de força bilidades de configurações de linhas
disso foi dado pela Bosch Rexroth. nas indústrias. Resumo da ópera:
A empresa escolheu a Pack Expo a garantia de trocas de serviço,
Las Vegas para anunciar a introdu- setups e cadências produtivas mais
velozes.
A propósito da onda
de bens de capital mais
versáteis, cabe ressal-
tar que flexibilidade já
não é uma possibilidade
e sim uma característi-
ca destacada na maio-
ria das máquinas que
foram expostas na feira.
A Krones, por exemplo,
sublinhava esse ponto
em todas as vedetes
de seu estande, como
a rotuladora modular
NOVA GERAÇÃO – GenNext, união de tecnologias e de constru- Solomodul. Sua flexibi-
ções modulares da Bosch Rexroth, promete maior eficiência
lidade é garantida por um sistema Criado pelo grupo Sealed Air (com
de estações intercambiáveis de subsidiária no Brasil), ele consis-
rotulagem, o que lhe permite te numa espécie de travesseiro que
abranger múltiplas técnicas contém dois líquidos químicos
de aplicação – etiquetas apli- especiais. Ao se massage-
cadas com cola fria, auto-ade- ar com as mãos as extre-
sivos, rótulos roll-fed de BOPP midades do conjunto, os
aplicados com hot-melt e man- componentes se misturam,
gas (wrap-around) pré-cortadas permitindo a moldagem do
aplicadas com hot-melt. “Isso produto às formas do produto
torna o modelo ideal para quem protegido. O Instapack já fora
oferece serviços de terceiriza- apresentado meses atrás, mas
ção de decoração de embalagens”, requeria o aquecimento do conte-
situa Konnie Brenneman, relações- INSTAPAK – Sistema inovador údo para a mistura dos dois com-
públicas da subsidiária americana de proteção agora dispensa calor ponentes. Agora, o processo pode ser
da Krones. feito à temperatura ambiente.
Os destaques do balcão concor- de vidro dos molhos para saladas A outra solução
rente da KHS seguiam o mesmo da marca Stallone. De PVC, os foi apresentada pela
moto. Veja-se o caso da Roland rótulos são impressos em dez cores Multisorb: uma nova
HS15. Dedicada à aplicação de rótu- em rotogravura, mostrando que o versão do FreshMax,
los wrap-around, ela é capaz de tra- padrão de aceitação de qualidade “seqüestrador” de oxi-
balhar com recipientes de qualquer desse tipo de decoração está a cada gênio para embalagens
formato, assevera a KHS. Ademais, dia mais exigente. de alimentos em for-
incorpora um sistema de troca fácil, mato de etiqueta auto-
do tipo tool-less (sem ferramental). Destaques em proteção adesiva. Dedicado a
Aliás, a propósito de rotulagem No quesito proteção de produtos, estender o frescor e a
observa-se que os rótulos termoen- duas soluções inventivas chamaram evitar a proliferação
colhíveis continuam a se desenvol- a atenção durante a feira. A primeira de fungos e bactérias,
ver com força nos Estados Unidos, delas foi o Instapak Quick Room o absorvente no inte-
atingindo a cada dia novas catego- Temperature, uma moderna alter- rior da etiqueta pos-
rias de produto. Como exemplo, nativa a espumas e ao poliestireno sui forma sólida, o que
a convertedora de rótulos Seal-It expandido para o preenchimento de evita contaminação
sublinhou em seu estande os rótu- espaços vazios e proteção de conte- de produtos caso ela
los desenvolvidos para os frascos údos de embalagens de transporte. seja acidentalmente
danificada. “O novo FREQÜÊNCIA – Nova
geração de equipa-
SHELF LIFE – Multisorb apresentou absor- FreshMax possui uma mentos para RFID foi
ventes de oxigênio em auto-adesivos estrutura que garante destaque da Markem
alta adesão à camada
selante de bandejas e outros filmes
laminados”, afirma John Solomon,
da área de desenvolvimento de
negócios da Multisorb.
Como não poderia deixar de ser,
por seu impacto recente nas indús-
trias americanas, equipamentos foca-
dos na tecnologia de identificação
por radiofreqüência (RFID) também
tiveram grande espaço no evento.
Dentre as companhias que apresen-
taram novidades nessa área e pos-
suem representação ativa no Brasil,
a Markem, provedora americana de

42 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


soluções em identificação de produ- par mais do próximo evento, em Bosch Rexroth Multisorb
tos e codificação, promoveu a estréia 2007, até porque o clima quente de (11) 4075-9070 www.multisorb.com
www.boschrexroth.com.br
de uma nova gravadora/aplicadora Las Vegas é muito parecido com o do Seal-It
de etiquetas RFID de alta velocida- Brasil”, brincou, ao fim do evento, o KHS www.sealitinc.com
(11) 6951-8343
de, a Série 800. Capaz de etiquetar presidente do PMMI, Charles Yuska.
www.khs.com.br Sealed Air
até 100 caixas por minuto, o equi- Em suma, os organizadores enten- (11) 3833-2600
pamento permite integração com os dem que, para os brasileiros envol- Krones www.sealedair.com/br
(11) 4075-9500
principais softwares RFID existentes vidos com o setor de embalagem, a www.krones.com.br PMMI
no mercado e é compatível com o versão ensolarada da Pack Expo é + 52 (55) 5545-4254
EPCglobal Gen 2, nova geração do – diferentemente dos jogos de azar Markem www.pmmi.org
(11) 5641-8949
padrão regulamentar de aplicação de que vicejam em Las Vegas – uma www.markem.ind.br
RFID em sistemas de rastreamento e aposta desprovida de risco.
administração de inventário.

Convite aos brasileiros


A despeito das novidades em emba-
lagens e máquinas – algumas, aliás,
serão tema de cobertura em próxi-
mas edições de EMBALAGEMMARCA
– e do desempenho inédito da feira,
houve um fato a se lamentar: a baixa
participação brasileira.
Excluindo-se as presenças de
alguns (poucos) profissionais de
representações locais de companhias
americanas, o Brasil só deu as caras
em Las Vegas num estande insti-
tucional da Abimaq – Associação
Brasileira da Indústria de Máquinas
e Equipamentos e numa exposição
de premiados no último Prêmio de
Design & Embalagem da Abre –
Associação Brasileira de Embalagem.
“Convidamos os brasileiros a partici-

APURO – Impressão de rótulos termoencolhí-


veis mostra acelerado avanço no exterior

outubro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 43


food service >>> lácteos

Barreira
à altura
Fabricante de queijos proces-
sados investe em coextrusão

N
ão é difícil ouvir profissionais do
mercado de food service afirman-
do que a indústria de embalagem
ainda não entrou em sintonia com o
segmento. Sistemas de acondicionamento pensa-
dos para grandes cozinhas industriais, mas nem
sempre adequados a estabelecimentos menores,
como padarias, pequenos restaurantes, lancho-
netes e rotisserias, estão entre os causadores
de queixas. É provável que essa alegação seja
plausível. Todavia, mais e mais empresas de
embalagem parecem perceber as necessidades
do mercado de food service, cuja participação na
indústria de alimentos cresce sem parar.
Exemplo do uso de acondicionamentos con-
venientes e práticos está sendo dado pela Gvinah,

FOTOS: DIVULGAÇÃO
indústria de alimento que vem se especializando
na produção de queijos processados. Em busca
da liderança desse apetitoso setor, puxado pelo
mercado de fast-food e pela indústria de pratos
prontos, a empresa acaba de reformular as emba- RESISTÊNCIA ocorre a aproximadamente 90º C. Saraiva infor-
– Compostas de náilon
lagens da sua linha Jammy. Nela os destaques e polietileno, embala-
ma que existem outros materiais com boas carac-
são as misturas lácteas cremosas com frango, e gens dos queijos Jammy terísticas de barreira para acondicionamento de
os queijos processados com provolone, orégano podem ser submetidas queijos processados. Mas, sob outros critérios,
a altas temperaturas
e pimenta, que podem ser usados no preparo de essas alternativas não se revelaram adequadas.
sanduíches e pizzas. Um dos materiais descartados foi o EVOH
Diferenciado-se das embalagens de poliéster (copolímero de etileno e álcool vinílico). “Ele
disseminadas na categoria, a empresa investiu apresenta pouca resistência mecânica e custo
numa estrutura coextrusada composta de polie- muito alto”, afirma Saraiva.
tileno, adesivo e náilon. Além de boa resistência Impresso diretamente nos filmes em flexo-
mecânica, o filme foi escolhido por preservar grafia, o projeto gráfico das novas embalagens
de modo satisfatório os alimentos da ação de da marca Jammy foi desenvolvido pelo designer
agentes externos. “Embalagens de poliéster nem Fabio Albuquerque, da agência Gráfico & Web.
sempre apresentam as características de barrei- De acordo com David Kaplan, diretor de marke-
ra a oxigênio necessárias”, diz Pedro Saraiva, ting da Gvinah, as embalagens representam entre
diretor da Descartável Embalagens, empresa que 3% e 5% do custo final da nova linha de queijos
Descartável Embalagens
fornece os sistemas de acondicionamento. www.descartavel.com.br processados da empresa. Nos cálculos da Abiq
Podendo ser submetido a elevadas tempe- (11) 5633-5678 – Associação Brasileira das Indústrias de Queijo,
raturas sem apresentar modificações em suas o mercado brasileiro de queijos processados
Gráfico & Web
características, o filme de polietileno e náilon www.graficoeweb.com.br movimenta 10 000 toneladas por ano, e deverá
também se adaptou ao processo de envase, que fabio@graficoeweb.com.br crescer 6% em 2005.

44 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


flexíveis >>> pet food

Ataque na hora certa


Fabricante de fubá debuta no mercado de rações com embalagens apuradas

N
ova evidência do dina-
mismo que contagia o
mercado brasileiro de pet
food e, por conseqüência,
a cadeia de embalagens especializada
nesse setor. Maior produtora flumi-
nense de fubá, a indústria Granfino
estreou no mercado de rações para
cachorro, investindo 7 milhões de
reais na construção de uma nova
fábrica e em ações de promoção da

FOTO: DIVULGAÇÃO
recém-lançada marca Grancão. “Foi
um investimento alto, mas realizado
na hora certa”, diz Felipe Lantimant,
gerente de marketing da Granfino.
Segundo ele, a empresa foi benefi-
ciada pela baixa do preço do milho,
produto essencial na produção de sua
linha de ração. Frente aos bons resul-
tados obtidos no mercado de pet food, PREOCUPAÇÃO VISUAL – Embalagens da linha são impressas em oito cores pela Incoplast
para o ano que vem a Granfino já pla-
neja o lançamento da linha Grancat, polietileno (PE) e polipropileno bi- tência mecânica e de barreiras mais
de ração para gatos. orientado (BOPP). Como explica o eficientes a gases, umidade e odor.
No caso da linha Grancão, a diretor da Incoplast, por questões de “Esse material foi desenvolvi-
empresa buscou alinhar-se à exigên- custo essas são as resinas mais uti- do após anos de pesquisas”, conta
cia por sofisticação visual que tem lizadas no mercado de pet food. A o executivo. “Infelizmente, porém,
caracterizado o segmento de rações empresa, entretanto, tem trabalhado surgiram produtos vendidos como
para animais domésticos. Nesse sen- para disseminar, principalmente entre similares, mas que apresentam falsas
tido, decidiu imprimir as embalagens fabricantes de rações premium, sua barreiras.” Com três fábricas no país,
dos novos produtos em oito cores. O linha Incopet, de filmes PET. Segundo a Incoplast dedica apenas a planta
fornecedor dos sistemas de acondi- Marcelo Schlickmann, a marca busca de Santa Catarina ao ramo de emba-
cionamento é a Incoplast, considera- explorar os apelos da maior resis- lagens para ração. Nessa unidade, o
da um dos principais convertedores mercado de pet food responde por
de sacarias do mercado brasileiro de Consumo brasileiro 20% da produção. A empresa recen-
pet food. “Crescemos nesse segmen- de rações para animais temente começou a atuar na região
to porque investimos muito em pré- de pequeno e médio Nordeste do país, onde está inves-
impressão e clicheria, além de ter- portes aumentou tindo em máquinas de rotogravura

5
mos apostado em novas impressoras para atender setores como os de café,
e equipamentos de coextrusão que biscoitos e chocolates. Segundo a
produzem filmes com três e cinco Associação Nacional dos Fabricantes
camadas”, diz Marcelo Schlickmann, de Alimentos para Animais, o consu-
diretor da Incopolast. mo brasileiro de rações para animais
FONTE: ANFAR

vezes
de pequeno e médio portes quintupli-
nos últimos oito anos
Filmes PET vêm aí cou nos últimos oito anos, e o Brasil
Dois tipos de material são utilizados www.incoplast.com.br produziu no ano passado 1,4 milhão
na nova linha de rações da Granfino: (48) 631-3000 de toneladas de ração.

46 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


entrevista >>> José Ricardo Roriz

“Logo as embalagens irão


conversar com o consumidor”

J
á foi dito que a nanotecnologia é a ciência do e ainda processam informação. No setor de cosméticos, os
século 21. Ao trabalhar no nível molecular, desenvolvimentos com nanotecnologia vêm contribuindo
manipulando materiais com dimensões milha- para o lançamento de novas fragrâncias e de formulações
res de vezes menores que o diâmetro de um que prometem revolucionar mercados como o de cremes
fio de cabelo, seu impacto na vida moderna anti-sinais.
seria comparável ao da tecnologia nuclear, dos aviões Na indústria de embalagem também não faltam provas de
supersônicos, da internet ou até mesmo do telefone celular. que a adoção de materiais elaborados com a técnica é imi-
É difícil prever, em todas as suas vertentes, as mudanças nente. A Braskem anunciou investimento de 3,5 milhões de
que a nanotecnologia causará no cotidiano de empresas e dólares em um projeto de desenvolvimento de novas resi-
pessoas. Mas sabe-se que o campo para aplicações indus- nas plásticas que devem ser lançadas em 2006. A Rhodia-
triais de materiais elaborados com precisão molecular é Ster, por sua vez, foi parceira de um projeto desenvolvido
imenso. Um dos setores produtivos que mais interessam na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), cujo
os cientistas e empresas por trás das pesquisas envolvendo objetivo é oferecer uma embalagem plástica que aumente a
nanotecnologia é a cadeia de embalagem. durabilidade de alimentos e bebidas. Mais recentemente, a
Tintas que mudam de cor para indicar alterações indese- Suzano Petroquímica anunciou que deverá lançar em pou-
jadas na composição de produtos acondicionados, filmes, cos meses no Brasil uma resina de polipropileno produzida
papéis e materiais plásticos mais resistentes, com visuais à base de nanotecnologia, que será oferecida às indústrias
chamativos e texturas diferenciadas, ou ainda dotados de usuárias de embalagens de alimentos e para a produção de
barreiras praticamente intransponíveis a gases, umidade e peças plásticas usadas no setor automobilístico.
luz. Esses são alguns exemplos de aplicações de nanotec- Acumulando suas funções na Fiesp com o cargo de dire-
nologia no mercado de embalagem. Nesta entrevista, José tor-superintendente da Unidade Polipropileno da própria
Ricardo Roriz, diretor do departamento de competitivida- Suzano Petroquímica, José Ricardo Roriz também comenta
de e tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de na entrevista a seguir formas de a indústria nacional ganhar
São Paulo (Fiesp), fala sobre essas possibilidades com o competitividade a partir das pesquisas de nanotecnologia
know-how de quem ajudou a organizar em junho último que vêm sendo desenvolvidas no Brasil. E lembra que, para
o Nanotec 2005, primeiro evento brasileiro para tratar de o país crescer efetivamente nessa área, é preciso incentivar
nanotecnologia aplicada à indústria. como nunca parcerias entre universidades e empresas.
Embora o tema evoque cenários futuristas, o encontro,
organizado em conjunto com o Instituto de Estudos para Há meios de prever o impacto da nanotecnologia na
o Desenvolvimento Industrial (IEDI), provou que a nano- indústria?
tecnologia não está tão distante no tempo. No campo dos O que se sabe é que a nanotecnologia é a que vai ter maior
materiais têxteis, por exemplo, os cientistas já afirmam ser impacto no desenvolvimento de produtos inovadores nos
possível produzir roupas que não amassam, não mancham próximos anos. É estimado que, em 2010, mais da metade

José Ricardo Roriz, diretor do departamento de


competitividade e tecnologia da Fiesp, analisa o
impacto da nanotecnologia no setor de embalagens, e
aponta meios para fortalecer essas pesquisas no país
DIVULGAÇÃO

48 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


dos produtos conhecidos apresentará características que os tecnologia, serão desenvolvidas embalagens inteligentes, que
tornarão diferentes daquilo que são hoje. A nanotecnologia passam informações para o consumidor.
surge como o principal agente de inovação desses novos
produtos. O impacto será grande, e a velocidade com que a Em linhas gerais, a nanotecnologia ainda é vista como
nanotecnologia vai se desenvolver nos próximos anos será algo do futuro. O senhor acha que esses desenvolvimen-
muito maior do que de outras tecnologias já conhecidas no tos podem disseminar-se industrialmente antes do que se
mundo acadêmico e científico. espera? Ou eles ainda estão numa fase de maturação?
No caso da Suzano, o lançamento de uma resina de poli-
Qual a importância da nanotecnologia no mercado de propileno elaborada com nanotecnologia está previsto para
embalagens? os próximos seis meses. Mas as empresas enfrentam hoje
Hoje boa parte das embalagens é passiva, exercendo sobretu- grandes dificuldades nesse setor. De um lado, nem sempre
do a função de acondicionar os produtos. A grande função da há equipamentos capazes de trabalhar com nanomolécu-
nanotecnologia nesse setor será fazer as embalagens conver- las. Os microscópios e outros equipamentos e produtos
sarem com o consumidor, como se fossem embalagens inte- são extremamente caros, e hoje nem todas as empresas
ligentes. Isso será possível, por exemplo, com o uso de mar- têm acesso a eles. Também é reduzido o número de
cadores para comunicar ao consumidor o tempo de validade universidades com equipamento adequado para isso. No
de determinado produto. Uma tinta de embalagem elaborada lado das indústrias, a dificuldade é investir em processos
com nanotecnologia pode mudar de cor, por exemplo, para produtivos onde seja possível ancorar as nanomoléculas
acusar uma modificação não desejável no produto acondicio- nos produtos. Esse, eu diria, é o X da questão. Transpostas
nado. Outro: quando um suco de laranja começar a oxidar, a essas dificuldades, as empresas poderão operacionalmente
embalagem terá um marcador que muda de cor, através da colocar seus produtos no mercado.
tinta, ou através do próprio material de embalagem, feito com
nanomoléculas. Uma outra possibilidade são os materiais Os desenvolvimentos envolvendo nanotecnologia priori-
que aumentam o tempo de prateleira dos produtos. Enfim, a zam algum material específico?
embalagem hoje tem uma função muito passiva. Com a nano- No mundo, o setor de plásticos responde por quase 45%

novembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 49


entrevista >>> José Ricardo Roriz

dos desenvolvimentos envolvendo nanotecnologia. Outro Já existe uma discussão sobre o impacto da nanotecnolo-
setor que já tem muitos produtos desenvolvidos é o de cos- gia no setor de maquinário. É possível prever os efeitos
méticos. Cremes anti-sinais, novas fragrâncias, texturas, dos materiais elaborados com precisão molecular na
enfim, as possibilidades da nanotecnologia no mercado de indústria de máquinas industriais em geral, e de máquinas
cosméticos são bastante amplas. de embalagem em particular?
Os efeitos maiores serão na parte de sensores, que dão
De maneira geral, materiais mais resistentes, com melhor velocidade, e na parte de moldes, com produtos mais resis-
apelo visual ou rápida degradação tentes. Mas os efeitos maiores serão
acabam custando mais caro. A nano- “Uma tinta ou mesmo na própria embalagem, que deixará
tecnologia traz a possibilidade de de ser passiva, e passará a interagir
reduzir custos? com o consumidor. Em máquinas, até
Não vejo a nanotecnologia como
o material de embalagem onde vejo e até onde sei, as mudan-
um fator que, em curto prazo, possa ças ficarão concentradas nos sensores
reduzir custos. Mas no ciclo de vida elaborado com nano- de velocidade e nos revestimentos de
de uma embalagem ela poderá redu- moldes. Mas é claro que os desen-
zir custos, pois será possível aumen- tecnologia podem mudar volvimentos se multiplicam e, em
tar o tempo de armazenagem do pro- curto espaço de tempo, já veremos
duto. A nanotecnologia na verdade de cor para acusar uma máquinas trabalhando com materiais
vai agregar valor ao produto. Mas, elaborados com nanotecnologia.
a médio e longo prazos, a nano-
tecnologia pode ser definida como
modificação não desejável Qual a posição aproximada do Brasil
um fator de redução de custos. Isso no ranking internacional de pesqui-
porque será possível trabalhar com no produto acondicionado. sas ligadas a nanotecnologia?
resistência mecânica, resistência a Praticamente todas as universidades
impacto, produtos mais rígidos. Com (...) O mercado de filmes brasileiras que trabalham com tecno-
isso será possível reduzir a espessura logia já formaram núcleos para desen-
da parede e o peso das embalagens. flexíveis para alimentos volvimento da nanotecnologia. Como
exemplos, podemos citar Unesp,
Boa parte das resinas elaboradas é um dos principais alvos Unicamp, FEI e Universidade Federal
com nanotecnologia está sendo des- do Rio de Janeiro. Recentemente,
tinada ao mercado de filmes plásti- a Fiesp e o IEDI patrocinaram uma
cos. O senhor diria que nesse setor
desse tipo de material” feira, a Nanotec 2005, que tinha entre
as novidades nanotecnológicas tendem a ser mais nume- seus objetivos divulgar nanotecnologia para as empresas
rosas do que nas áreas de sopro e injeção? que ainda não conheciam. Outra meta foi reunir os princi-
O mercado de filmes flexíveis, principalmente para acon- pais cientistas que estão trabalhando com esse assunto, além
dicionamento de alimentos, é sem dúvida um dos alvos de expoentes mundiais da nanotecnologia para interagirem
desse tipo de material. Mas não o único. Com esse tipo com a comunidade científica aqui no Brasil. Esse foi sem
de desenvolvimento, as empresas podem melhorar a bar- dúvida um marco da nanotecnologia no Brasil. Percebemos
reira de oxigênio para aumentar a shelf-life dos produtos que está crescendo o número de empresas que consideram
acondicionados. As possibilidades são amplas. No caso da importante aumentar os investimentos em nanotecnologia.
Suzano, outro mercado em vista é o automotivo. No governo os avanços também são perceptíveis. Hoje,
no ministério de Ciência e Tecnologia já existe uma área
Sabe-se que adesivos industriais também estão na mira especificamente voltada para o desenvolvimento de nano-
dos pesquisadores que trabalham com nanotecnologia. tecnologia no Brasil.
Quais outras especialidades químicas podem se beneficiar
da técnica? A Fiesp tem promovido discussões sobre políticas mais
As principais aplicações serão a mudança de cor, através agressivas de incentivo a pesquisas de temas como nano-
do material da embalagem ou do uso de tintas especiais. tecnologia, que trazem diversas possibilidades e oportuni-
Também há possibilidades em termos de mudança de textu- dades para as indústrias. Além de aumentar o investimen-
ra e barreiras a gases, principalmente gás carbônico e oxigê- to público, o que o país deve fazer para que esse tipo de
nio. Na área automotiva, a nanotecnologia permite oferecer atividade científica consolide-se?
produtos mais rígidos, com maior resistência mecânica. O sistema brasileiro para incentivo a pesquisa e desenvolvi-

50 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


O futuro da mídia
mento é muito complexo e falta informação para as empre- acaba de chegar.
sas sobre como os fundos de pesquisa em tecnologia podem
ajudá-las, no sentido de haver financiamento para inovações.
Uma das coisas que estão pendentes é a regulamentação da
lei da inovação. Por sinal, na chamada MP do Bem havia
algo relativo a inovação, mas sabemos que esse projeto,
infelizmente, voltou à estaca zero. Os programas existem,
mas é muito complexo utilizar financiamentos governa-
mentais para incentivo à inovação. E a nanotecnologia cai
na vala comum das inovações. É fundamental que para uma
tecnologia nova como essa – onde, embora as perspectivas
sejam amplas, o risco envolvido é grande, até porque muitas
pesquisas saem do zero – os incentivos governamentais,
hoje difusos, sejam simplificados. Principalmente para
as médias e pequenas empresas, onde acontece boa parte
das inovações. As parcerias entre universidades e grandes
empresas têm avançado, mas de forma ainda muito tímida
quando comparado a países desenvolvidos, onde a relação
entre empresas e o meio acadêmico é muito distante em Visite o nosso site
relação ao que se vê no Brasil.
www.embalagemmarca.com.br
Considerando que temos um bom time de cientistas dedi- e conheça a revista virtual.
cados a nanotecnologia, o que é preciso fazer para que
essa condição efetivamente favoreça a competitividade da Informação como você nunca viu.
indústria nacional?
É preciso em primeiro lugar determinar a demanda de
mercado por novos produtos. A partir daí devem ser
identificados os focos de atuação em pesquisa, para que a
tarefa seja feita conjuntamente entre as empresas e o meio
acadêmico. Hoje, essas duas correntes atuam de maneira
separada. Muitas vezes as empresas olham sob o ponto de
vista comercial de curto prazo. Por sua vez, o meio acadê-
mico se prende ao médio e ao longo prazos, ficando dis-
tante da realidade de mercado. É importante haver união
entre essas duas correntes, para que as tecnologias tenham
viabilidade comercial no futuro.

Os pedidos de patentes envolvendo projetos brasileiros


ligados a nanotecnologia vêm crescendo?
O número ainda é muito pequeno, principalmente quando
comparado com Estados Unidos, Japão e Alemanha, que são
os países que mais investem em nanotecnologia. O que posso
dizer é que, pela realização da primeira edição da Nanotec,
onde toda a comunidade científica, empresas e governo se
reuniram em torno desse assunto, 2005 pode ser considerado
o ano da nanotecnologia no Brasil. Inclusive lá foi lançada a
Carta São Paulo de Nanotecnologia, e uma série de ações foi
deflagrada. O número de empresas que estão desenvolvendo
nanotecnologia no Brasil ainda é muito baixo. Mas para os
próximos dois ou três anos, tendo em vista todas essas ações
que foram disparadas, acho que teremos muitas surpresas
agradáveis, inclusive do lado das patentes.

novembro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 51


mercado >>> leite em pó

LATAS
EXPANDIDAS -
Após as
quatro versões
iniciais, outras
serão lançadas

Lembrança da fazenda
Leite Ninho muda formato da embalagem pela primeira vez desde 1923
Por Flávio Palhares

P
resente no Brasil há 82 anos, o Leite Indústria de Estamparia e Metais do Estado de
Ninho, um dos mais tradicionais pro- São Paulo (Siemesp), “essa é provavelmente, no
dutos da multinacional suíça Nestlé, mundo, a primeira lata com shape para produto
tem duas novas versões de embala- de grandes volumes de venda”. Embora presente
gem, que marcam radical mudança em relação em ampla variedade em outros países, “todas
à tradicional lata cilíndrica: uma lata expandida, essas latas expandidas têm tiragens limitadas”.
com formato que remete às leiteiras utilizadas É esse, aliás, o caso das próprias “latas-leitei-
em fazendas, com alça e tudo, e um sachê lami- ras” do Ninho, cujo projeto visual foi desenvol-
nado, de poliéster, alumínio e polietileno. vido pela agência Pandesign. Terão edição limi-
O recipiente de aço, cujo perfil foi desenvol- tada, mas a empresa já prepara novos desenhos,
vido em parceria com a Companhia Siderúrgica que devem ser lançados nos próximos meses.
Nacional (CSN), tem quatro versões com diferen- Esta é a mudança mais radical que a embalagem
tes desenhos e capacidade para 1,1 quilo (crian- do produto sofre desde 1923, quando estreou no
ças brincando, vacas, mãe lendo histórias para os mercado brasileiro. Alterações anteriores ocorre-
filhos e uma fazendinha). A inovação ocorre na ram, mas ficaram restritas aos rótulos, ao tama-
esteira de uma anterior, que resultou em grande nho das latas e ao sistema de fechamento.
êxito no esforço da siderúrgica para ampliar a Quanto à outra novidade, o lançamento do
participação do aço no mercado de embalagens: Leite Ninho em sachês de 26 gramas, visa con-
a lata do Leite Moça com “cintura”. quistar o público de menor poder aquisitivo.
A Nestlé não revela números sobre o desem- Essa versão da embalagem será comercializada
penho do produto, mas segundo Antonio Carlos apenas em alguns Estados do Nordeste, em Belo
Teixeira Álvares, presidente do Sindicato da Horizonte e no Rio de Janeiro. O objetivo da

52 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


empresa é colocar no mercado um produto de 400 gramas. Deve-se supor que esse consumidor CSN
alta conveniência e baixo custo para o consu- não está preocupado – talvez nem lhe ocorra isso (11) 3049 7222
www.csn.com.br
midor, de modo a aumentar o mercado de Leite – com o fato de pagar proporcionalmente mais
Ninho, hoje concentrado nas classes A e B. pelo produto na embalagem flexível. Para ele, o Pandesign
O lançamento vem na vertente da crescente que conta é o que pode gastar efetivamente. (11) 3849 9099
www.pande.com.br
percepção da indústria e do varejo de que as Os sachês, produzidos pela Santa Rosa
classes C, D e E são uma atraente possibilidade Embalagens Flexíveis, vão ficar em definitivo Santa Rosa Embalagens Flexíveis
(11) 3622 2300
de expansão do consumo. Diferentes pesquisas no mercado e serão comercializados exclusi-
www.santarosaembalagens.com.br
mostram que parcela expressiva de consumido- vamente pelo pequeno varejo e por lojas de
ras dessas camadas compra produtos de marca, conveniência.
em diferentes categorias, no empenho de oferecer
“o melhor” para a família. Há mesmo citações de
que, no caso específico do leite, mães de baixo
poder aquisitivo adquirem os tipos mais baratos
para a família em geral, mas fazem questão de
levar a marca Ninho para o bebê.
O fato é que, se o consumidor pertencente
àquelas faixas não tem condições de adquirir
uma lata diferenciada de 1,1 quilo de Ninho,
pode eventualmente comprar uma porção corres-
pondente a 1/42 disso, ou 1/15 de uma lata tradi-
cional de 400 gramas. Pode fazer isso pagando 49
centavos pelo sachê de 26 gramas, ao passo que
desembolsaria 6 reais, em média, por uma lata de SACHÊS INDIVIDUAIS - Objetivo é conquistar o consumidor de baixo poder de compra

outubro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 53


matérias-primas >>> resinas

Fina resistência
Mais seguras e com baixa espessura, as sacolas tipo camiseta
são importante ferramenta de divulgação dos supermercados
Por Livia Deorsola

N
ão bastassem os incontáveis desa- Abief
ECONOMIA – (11) 3032-4092
fios que seguidamente se apre- Sacolas mais www.abief.com.br
sentam para os transformadores resistentes
de resinas plásticas, outros mais significam menos Abiquim
desperdício na (11) 2148-4700
são colocados num drama vivido por donos hora de embalar www.abiquim.com.br
de supermercados. Tendo nas sacolas tipo as compras
boca-de-caixa, ou camisetas, praticamente a Braskem
(11) 3443-9999
única mídia disponível para divulgação de www.braskem.com.br
sua marca, muitos desses estabelecimentos se
defrontam com dificuldades financeiras para Ipiranga
(51) 3216-4449
recorrer a elas. “No período de expansão do www.ipq.com.br
negócio, depois da divulgação boca a boca,
foi esse veículo que nos tornou mais conhe- Plastivida
(11) 5505-0521
cidos na região”, conta Antônio Moura, dono www.plastivida.org.br
de duas lojas num bairro da periferia de São
Paulo, que atendem cerca de 5 000 pessoas
por mês. “Mas hoje a verba está curta e não
dá mais para imprimir as sacolas”, ele diz. A
saída é utilizar produtos padrão, sem logotipo
ou qualquer elemento impresso.
O que sucede com o pequeno supermer-
STUDIO AG – ANDRÉ GODOY

cado de Moura se repete com incontáveis


outros estabelecimentos do mesmo porte,
mas levanta indagações sobre um problema
que não deixa de afetar também as redes
gigantes: a questão da qualidade do material

Bons resultados, mas problemas com preços, juros, China...


Os desenvolvimentos mais que representam boa parte do milhões de toneladas. A redu-
avançados em termos de resis- lucro. Para se ter uma idéia da ção de 0,67% em relação
tência obtidos pela indústria de importância do material, das ao mesmo período em 2004
resinas têm conseguido firmar cinco unidades da IPQ localiza- é atribuída pela instituição
espaço na indústria transfor- das no Pólo Petroquímico de à elevada taxa de juros e à
madora, com bons resultados Triunfo (RS), três são voltadas entrada de produtos plásticos
em 2004. Segundo dados da à produção de PEAD, com uma vindos da China. Por sua vez,
Abiquim – Associação Brasileira capacidade instalada de 400 mil a ABIEF – Associação Brasileira
da Indústria Química, o consu- toneladas por ano. da Indústria de Embalagens
mo de resinas termoplásticas A Abiquim informa que o consu- Plásticas Flexíveis) aponta para
naquele ano foi de 4,2 milhões mo aparente (soma da produção problemas na aquisição das resi-
de toneladas. As petroquí- nacional com as importações) nas termoplásticas por conta do
micas não divulgam quanto da matéria-prima, medido de aumento do consumo interno,
desse montante corresponde janeiro a setembro de 2005, comum em fim de ano, e da alta
às especiarias, mas garantem foi de aproximadamente 2,8 nos preços da matéria-prima.

54 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


plástico de suas sacolas. Por mais verba de
que disponham para publicidade, nas mais
nobres mídias, é nesse meio de transporte
de mercadorias que vai sua marca. Como no
caso dos recipientes rotulados dos produtos
que comercializam, é a sacola – a embala-
gem do supermercado – que leva e divulga
diretamente a bandeira da casa. A imagem
desse item cantado em prosa e verso como
“maior patrimônio de qualquer empresa”
estará arranhada sempre que acontecer a
célebre cena das compras indo ao chão após
a sacola arrebentar.
Para evitar esse tipo de dano, é comum os
consumidores, quando não os caixas e empa-
cotadores, utilizarem mais de uma sacola
para suportar o peso com segurança, aumen-
tando assim os gastos e desperdiçando mate-
rial. É compreensível que isso ocorra quando
as sacolas não se adequam às orientações da
ABNT – Associação Brasileira de Normas
Técnicas para resistência do material. Um
– a rigor, apenas o primeiro – dos desafios
para transformadores é, portanto, alcançar a
alta resistência do plástico sem aumentar a
espessura do filme.

Especialidades
Para tanto, a indústria petroquímica tem incre-
mentado as especificidades das resinas termo-
plásticas, de modo que a resistência mecânica
das sacolas evite estouros. Além de aplicar
em commodities, tem investido na produ-
ção de especialidades, como faz a Ipiranga
Petroquímica. A par do GM 9450 F, um polie-
tileno de alta densidade (PEAD), desenvolvi-
do para o segmento de extrusão de filme de
alta massa molar, já consagrado no mercado, a
IPQ comercializa, desde o ano passado, a resi-
na Maxi Film, um PEAD capaz de produzir
um filme de alta tenacidade e resistência até
50% superior (ver EMBALAGEM- MARCA nº 54,
de fevereiro de 2004). Segundo Jayme Moura,
gerente de desenvolvimento de produtos da
IPQ, a receita possui aditivos superiores e é
possível produzir sacolas com espessura até
20% menor.
Na linha das resinas de alto desempenho,
a Braskem atua com o HF-0147 e o ES 300,
PEADs que também prometem boa soldabili-
dade e elevada resistência mecânica à tração
e ao rasgo. “A sacola é considerada pelos

outubro 2005 <<< EmbalagemMarca <<< 55


supermercadistas como custo adi-
cional ao negócio e, portan-
to, sofre forte impacto
durante as negociações
entre os supermercados
e os fornecedores”, avalia
Fabiano Zanatta, engenhei-
ro de aplicação da Braskem.
Para ele, a busca incessante
na redução de custo das sacolas
vem provocando perda da compe-
titividade dos transformadores e da
qualidade final do produto.
Ante esse quadro, o que parece é que
o segundo desafio para os transformadores,
NO LUGAR CERTO - A reutilização das
no caso das sacolas-camiseta, é uma questão sacolas e a reciclagem do plástico diminuem
de comunicação. Eles precisam convencer o o impacto sobre o meio ambiente
varejo de que, enquanto virem nas sacolas
em que os clientes levam sua marca para e fazer essa informação chegar a todos os
casa como custo e não como valor, estarão envolvidos no ato final da saída das merca-
estimulando o desperdício. Talvez uma boa dorias nos check-outs: caixas, empacotado-
saída seja melhorar a resistência das sacolas res e consumidores.

Melhor qualidade, menos resíduos


Sacolas tipo camiseta mais eficiente coleta seletiva e de uma automóveis, fibras e embalagens
resistentes propiciam um bene- cultura da reciclagem”, pondera não-alimentícias. O grande pro-
fício que vai além do econômico. Sílvia. “Os supermercados não blema, entretanto, é diminuir o
Profissionais da área petroquí- podem garantir que as sacolas impacto das embalagens plásti-
mica e ambiental ouvidos pela retornarão para ser recicladas”, cas que são jogadas diretamen-
reportagem concordam em afir- ela argumenta. Apesar das te no meio ambiente. Uma das
mar que o aumento da resistên- dificuldades na coleta, a asses- soluções apontadas é a fabri-
cia do filme, aliado a espessuras sora da Plastivida informa que a cação de plásticos degradáveis
menores, diminui a quantidade demanda pelo plástico pós-con- ou biodegradáveis, caminho que
de plástico destinado ao lixo. “Ao sumo é de 100%, esbarrando, ainda não é consenso. “O resul-
evitar o uso de duas ou mais apenas, na falta de fornecimento tado da degradação é o compos-
sacolas para a embalagem das contínuo de matéria-prima, outro to, mas, no Brasil, temos menos
compras, menos plástico é joga- reflexo da escassez de sistemas de 1% de compostagem”, afirma
do fora”, afirma Daniel Fleischer, de coleta seletiva. Outra dificul- Sílvia. “Cientificamente não está
da gerência de marketing da dade é a ausência do código de confirmado se a degradação do
IPQ. “As sacolas de melhor qua- identificação das resinas, exigido plástico é vantagem para a natu-
lidade são reutilizadas, mesmo por norma da ABNT. Este item reza. Os aditivos usados para a
que seja para comportar lixo dificulta a separação dos dife- quebra da cadeia de polímeros
doméstico, o que já ajuda bas- rentes tipos de plásticos, cujas chegam à natureza de qual-
tante”, acrescenta Sílvia Rolim, características físicas e de degra- quer forma”, considera Daniel
assessora técnica da Plastivida dação térmica são diversas. Fleischer.
– Instituto Sócio-ambiental dos No Brasil, a reciclagem mecâni- A combinação entre a recicla-
Plásticos. ca é a mais comum. Os descar- gem mecânica, uma eficiente
Dentre as possibilidades, a tes plásticos são convertidos em coleta seletiva e o uso adequado
reciclagem do plástico é uma grânulos que podem ser reuti- dos aterros sanitários são as
preocupação da cadeia produto- lizados na produção de outros medidas apontadas como ideais
ra, embora existam entraves a produtos, como solados, pisos, para que a questão avance, con-
transpor. “Tudo depende de uma mangueiras, componentes de clui Sílvia Rolim.

56 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


Mais de Bruxelas
Produtos selecionados pela equipe de EmbalagemMarca durante a Labelexpo

C
onforme anunciado na cobertura exclusiva da bro último. Com este serviço, complementa-se a cobertura,
Labelexpo Europe, feita na edição anterior de modo a oferecer aos leitores que não tiveram opor-
de EMBALAGEMMARCA pela equipe da revista tunidade de visitar o evento um panorama praticamente
enviada a Bruxelas, a seguir são apresentados completo dos mais importantes lançamentos relacionados
mais alguns destaques da feira realizada no final de setem- à cadeia de rotulagem ali ocorridos.

Flexibilidade de formatos
A suíça Müller Martini apos- em bobinas) é atualmente domi-
tou suas fichas na Altaprinta-V, nado pelas impressoras flexográ-
impressora offset cujo grande ficas. A Müller Martini acredita
apelo é a flexibilidade. O equipa- que a evolução das tintas UV per-
mento trabalha com formatos mitirá ainda a migração de alguns
continuamente variáveis, pois as trabalhos hoje realizados em roto-
mudanças de serviço são feitas gravura para o sistema offset,
apenas com a troca de cilindros mais flexível.
(chapa e blanqueta), que podem Disponível em duas larguras
ter diâmetros diferentes, e não de (520mm e 740mm), a impresso-
todo o cassete – uma operação ra pode chegar, segundo informa
que, segundo a empresa, pode ser o fabricante, à velocidade de até
feita em menos de cinco minutos e 365 metros por minuto. Indicada
sem o uso de ferramentas. para a conversão de auto-ade-

FOTOS: DIVULGAÇÃO
Focada nos segmentos de impres- sivos e embalagens flexíveis, a ALTAPRINTA-V: Trocas de
são de alta qualidade, a impresso- Altaprinta-V pretende ocupar cilindros ao invés do cassete,
ra possui sistema de entintagem espaço também no efervescente e configuração para atender o
mercado de termoencolhíveis
com catorze rolos, garantindo mercado de rótulos termoencolhí-
a consistência no fluxo da tinta veis. Isso porque, dotada de servo
mesmo trabalhando em altas motor para garantir o registro e
velocidades. O equipamento tem de um sistema de refrigeração, a
nos baixos custos das chapas e máquina torna-se apropriada para
na alta qualidade de impressão a impressão em substratos sensí-
argumentos interessantes para veis à temperatura.
abocanhar fatias do mercado de www.mullermartini.com
rótulos, que (quando se imprime No Brasil: (11) 3613-1002

Sem facas, cortes ilimitados


O avanço da tecnologia digital impõe diferentes materiais. A versão mais
mudanças também na área de aca- simples, com feixe de 200 watts,
bamentos. Para cortar formatos corta até 20 metros de papel (34
diferenciados na mesma bobina, metros de polipropileno) por minuto.
a italiana Cartes Equipment dispo- Já o equipamento Dual Laser, com
nibiliza três versões da sua Laser dois feixes de 200 watts, chega a
350, máquina que usa feixes de cortar 55 metros de papel (60 de
laser para fazer meio-corte, corte polipropileno) por minuto.
inteiro e até picotes em bobinas de www.cartes.it • + 39 0376 511 511

58 >>> EmbalagemMarca >>> outubro 2005


Positivo e negativo
A suíça Lüscher Flexo aprovei- poliméricas por exposição direta
tou a Labelexpo para lançar dois a laser voltada para os merca-
novos produtos. O primeiro é dos de flexo (grava, inclusive,
uma solução “digital positiva”, camisas), letterpress e serigrafia
a FlexPose!direct 250L, grava- rotativa. Com extensão de grava-
dora de chapas elastoméricas e ção de 600mm, o equipamento
foi desenvolvido especialmente pamentos offset, letterpress
para o mercado de rótulos. O e flexo por exposição a raios
fabricante promete alta qualidade infra-vermelhos – processo que
de gravação, com impressão de faz as vezes do filme negativo na
pontos de 1% a 175lpi. gravação convencional. O design
O segundo produto apresentado da FlexPose! permite a gravação
pela Lüscher, também focado de chapas de diversos tamanhos
no mercado de rótulos, é uma e torna desnecessária a fixação
solução “digital negativa”. Trata- delas no tambor.
se da FlexPose!, máquina de www.luescher.com
gravação de chapas para equi- +44 (0)1844 267000

Em busca de soluções O diferencial está na cabeça


No atraente mercado Solution, a máquina (na Soluções de impres- rística é o que diferen-
potencial criado pelos verdade, ainda apenas são de dados variáveis cia o modelo de seus
sistemas de identifi- um conceito, já que o também puderam ser predecessores.
cação por rádio fre- equipamento só estará vistas na Labelexpo. Com um Editor GT, tec-
qüência, ou RFID, são disponível no segundo Um dos destaques nologia de controle da
muitas as empresas trimestre de 2006) nesse segmento foi a Domino que opera em
que prometem reduzir promete produzir até K200 (foto), produto plataforma Windows
o custo das etiquetas. 40 000 inlays por hora. que puxa a série K, da XP, é possível coman-
Com um equipamento O processo consiste Domino. A K200 é uma dar até oito cabeças de
que, simultaneamente, na colocação do chip codificadora DOD (drop impressão de K200.
produz a antena (com no clichê que fará a on demand, termo em Com o mesmo contro-
um foil) e aplica o chip, aplicação do foil para inglês que indica que lador, podem-se usar
num processo bobi- formar a antena. Os a tinta só é liberada outras impressoras da
na a bobina, a alemã chips são conectados e quando necessário), Série A e da Série K
Arccure atraiu a aten- fixados por meio de um capaz de imprimir até conectadas, imprimindo
ção dos interessados adesivo UV. 90 metros por minuto partes diferentes do
nesse assunto. Batizada www.arccure.de com a resolução de mesmo trabalho.
de RFID Process +49 (0) 29 41 28 62 31 316 dpi. Como pode www.domino.com
agrupar múltiplas cabe- No Brasil: (11) 3048-0147
ças de impressão, o
equipamento permite
aumentar a área possí-
vel de impressão, o que
o credencia a imprimir
outras informações
além dos dados vari-
áveis, ou mesmo dife-
rentes tipos de dados
variáveis em áreas
distintas da etiqueta ou
cartão. Essa caracte-

60 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


Esko-Graphics XF10
Focada na área de pré-pro- de papel cartão. A área
dução de embalagens e rótu- de trabalho da mesa é de
los, a belga Esko-Graphics 800mm x 1100mm (aceita
apresentou a Kongsberg materiais nas dimensões de
XF10, equipamento baseado 900x1200mm).
na mesa de corte e vinco Simultaneamente, a empre-
Kongsberg, mas com dimen- sa lançou a i-XF10, uma
sões menores. Dirigida aos versão da mesa dedicada ao
mercados de impressões corte de materiais impres-
especiais, como o de sina- sos digitalmente. Os desta-
lização, a XF10 pode ser ques da i-XF10 ficam por
utilizada na produção de conta da alimentação (em
protótipos de embalagens folhas cortadas ou em bobi-
nas) e da precisão no
Camisas para acabar
registro, garantida com as emendas
pela câmera MGE i- Com o crescimento do uso de camisas
cut, ferramenta que nas impressoras flexográficas como
mede as marcas de forma de reduzir os tempos de setup
corte em cada nas trocas de serviço, a tecnologia de
peça impressa, pré-impressão tem avançado a pas-
compensando even- sos largos. A DuPont, por exemplo,
tuais distorções no desenvolveu o seu conhecido Cyrel,
material. que agora é encontrado também na
www.esko-graphics.com versão Cyrel Round – uma solução
No Brasil: (11) 5522-5999 completa de produção digital de sle-
eves. O fotopolímero é gravado em
CtP (Computer to Plate), com alta
Conversa de softwares resolução e a velocidades de até 8m2
por hora.
Provedora de softwares Illustrator é convertido em O uso de camisas reduz o tempo de
de pré-impressão, a belga PDF. A justificativa para a montagem, diminui as possibilidades
Artwork Systems desenvol- criação do inPDF é que hoje, de erro e acaba com as emendas – o
veu, especificamente para segundo estimativas do fabri- que elimina o balanço do cilindro pro-
os mercados de embalagens cante, oito em cada dez tra- duzido nas montagens convencionais,
e rótulos, o sistema de balhos de design de embala- aumentando velocidade e qualidade
gerenciamento de fluxos de gem são feitos no programa nos serviços impressos.
trabalho Odystar 2.5. Uma Illustrator.
www.dupont.com
das vantagens do software www.artwork-systems.com
No Brasil: (11) 4166-8751
propalada pelo fabricante é o No Brasil: (11) 3932 3875
plug-in inPDF, que
melhora a troca
de arquivos do
Retificação
Adobe Illustrator Diferentemente do informado na
CS com ambientes página 20 da edição 74 (cobertu-
de pré-impressão ra da Labelexpo Europe 2005), a
PDF – impedindo, impressora Varyflex, da italiana Omet,
por exemplo, que imprime substratos com espessuras
informações como que variam de 12 a 600 micra. Já o
layers e links de modelo Flexy S, citado na página 18
imagens se per- da mesma edição, é capaz de imprimir
cam quando um substratos com espessuras entre 20
arquivo feito em e 350 micra.

62 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


Laureada Papéis gráficos e editoriais integrados
A Suzano Papel e Celulose foi eleita,
pelo segundo ano consecutivo, vice- A Votorantim Celulose e Papel (VCP) da VCP. Desenvolvido pela agência
campeã do Prêmio Abrasca de Melhor reformulou as embalagens de suas Müller Camacho, o novo visual está
Relatório Anual. Com o tema “80 anos linhas de papel couché e offset. presente nas versões bobina e resma.
de Inovação e Desenvolvimento”, o Destinados aos mercados gráfico e www.vcp.com.br • (11) 3269-4000
Relatório Anual 2004 da Suzano dispu-
editorial, os produtos foram agrupa-
tou com 72 inscritos. “O Prêmio Abrasca
tem grande relevância no mercado de dos sob uma mesma identidade
capitais, pois avalia de forma inde- visual. “Constatamos que, além
pendente a qualidade, abrangência e de transmitir o conceito de
objetividade do conteúdo da principal solução completa, uma única
peça de divulgação de informações ao
embalagem para os quatro
mercado”, diz Bernardo Szpigel, diretor
tipos de papéis couché e offset
financeiro e de relações com investido-
res da empresa. representaria facilidade para a
estocagem dos produtos nos
Carreira clientes”, explica Darcio Berni,
A Universidade Anhembi Morumbi, de São gestor de produtos papéis gráficos
Paulo, iniciou as inscrições para seu curso
de pós-graduação em design, produção
e tecnologia gráfica. O prazo vai até 23 Gigante da celulose ataca no sul
de dezembro, e os interessados podem
A sueco-finlandesa Stora Enso 2006. Não há informações precisas
inscrever-se pelo site www.anhembi.br
ou pessoalmente, no Campus Morumbi. pretende ampliar sua atuação na sobre o valor investido, mas a Stora
O início das aulas está previsto para 11 América Latina instalando uma fábri- Enso informou que o porte do projeto
de março de 2006. O curso dura três ca de celulose no Rio Grande do Sul. é semelhante ao da Veracel, joint-
semestres, sendo um deles dedicado à A planta deve ser erguida em algum venture entre a empresa e a Aracruz,
elaboração da monografia.
dos diferentes municípios onde a que recebeu 1,2 bilhão de dólares de
Fixando raízes
empresa começará a instalar a sua investimento e tem capacidade para
A SPP-Nemo, distribuidora multimarcas base florestal de eucalipto, que ficará produzir cerca de 900 mil toneladas
de papel e artigos gráficos, apresen- concentrada na fronteira oeste do por ano de celulose.
tou seu portfólio de produtos durante estado. A idéia é comprar 100 000 www.storaenso.com
o 13º Congraf - Congresso Brasileiro hectares para plantio até o final de No Brasil: (11) 3065-5200
da Indústria Gráfica, que aconteceu
em Recife, em outubro último. “Foi
uma oportunidade de fixarmos nos- A força da resinagem em poliuretano
sas raízes no mercado pernambucano,
Representante brasileira da italiana Vacuum, que possui sistema automá-
onde recentemente inauguramos nossa
primeira filial, em Recife, e temos tido
Demak, que fabrica equipamentos de tico de limpeza, mesa aplicadora a
grande sucesso de vendas”, disse Marco resinagem em poliuretano, a Blumak vácuo e possibilita a atuação de até
Antonio de Oliveira, gerente geral de anunciou a venda de uma dessas dez bicos injetores. “O equipamento
distribuição da SPP-Nemo. máquinas para a Tog Adesivos, servirá para a produção de adesi-
empresa especializada na produção vos mais voltados para a indústria,
Sensações
de etiquetas. O modelo adquirido devido às características da etiqueta
A VSP Papéis Especiais promoveu em
outubro um coquetel de lançamento foi a Demak LCE Supporter Junior resinada”, diz Yuji Tsuruda, diretor da
de seu novo showroom. No evento Tog. “Estamos animados com a utili-
foram lançadas as novas coleções de zação da máquina e já estudamos a
papéis especiais pertencentes à linha possibilidade de adquirir outra dentro
Sensações. Dela fazem parte produtos
de no máximo um ano.” As máquinas
como os papéis aromatizados Scents,
disponíveis no varejo e no atacado,
para aplicação de poliuretano permi-
além das famílias Sparkle (com brilho tem resinar etiquetas com diferentes
fosforescente), Colorplac (com a gra- formatos, evitando a formação de
matura mais fina para uso em papela- bolhas. Segundo a Blumak, a tecno-
rias), e os papéis artesanais feitos com logia gera uma aplicação homogê-
material reciclado, folhas de bananeira
nea, sem perdas na produção.
e bagaço de cana.
www.blumak.com.br
(11) 3338-2722

64 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


Rodando Cadeia de in-mold labels unida na Europa
A Xerox realizou em outubro um road-
Foi realizada em Amsterdã, Holanda,
show com apresentações temáticas
para os segmentos de artes gráficas e nos dias 26 e 27 de outubro, a
produção de impressos. O evento pas- 13ª edição do In-Mold Labeling
sou por Ribeirão Preto (SP) e Curitiba Conference. Lançado em 1992, o
(PR), e teve entre seus objetivos a evento é considerado o primeiro a
difusão da estratégia mundial da Xerox
dedicar-se exclusivamente ao sistema
para o mercado gráfico e a identifica-
ção de oportunidades de negócio para
in-mold de decoração de embalagens,
gráficas, birôs e agências de criação. A em que rótulos são aplicados em
empresa também apresentou suas fer- moldes plásticos no momento em
ramentas de integração para ambientes que eles são soprados ou injetados. sistemas comuns de injeção e sopro,
de impressão e a nova impressora O encontro debateu tendências pro- além de tendências em materiais
colorida DC250.
dutivas e de mercado dos in-mold e tintas apropriados a esse tipo de
Abrindo as portas labels. Um dos conferencistas foi rótulo. O In-Mold Labeling Conference
A Gráfica Santa Cruz, localizada em Ronald B. Shultz, presidente da RBS deste ano também marcou o início
Mendes (RJ), realizou open house para Technologies e considerado um dos de uma fase de transição do evento,
clientes e parceiros conhecerem sua maiores especialistas no assunto. cujos direitos recentemente foram
mais nova aquisição: a impressora
Em sua apresentação, Shultz comen- negociados entre a RBS Technologies
Roland 500, da MAN. Com capaci-
dade produtiva de 18 000 folhas por
tou novas técnicas de conversão e a AWA Conferences, que até 2008
hora, a máquina foi comercializada pela e impressão de rótulos in-mold, as deverá ser responsável em caráter
Intergrafica. Especializada no ramo de diferenças entre esse processo e os exclusivo por sua organização.
embalagens de papel e cartão, com
média de produção de 160 toneladas/
mês, a Gráfica Santa Cruz fornece para Investindo em
indústrias alimentícias, cosméticas, quí- pré-impressão
micas e laboratórios.
Especializada no segmento de embala-
Grandes formatos gens, a Ápice Artes Gráficas, sediada
A Canon do Brasil lançou os modelos em São Caetano do Sul (SP), adquiriu
ImagePROGRAF W6400 e W8400 de o CtP Xpose 130 fabricado pela suíça
impressoras jato de tinta de grande Lüscher. A capacidade de gravação
formato. Os produtos são voltados a
do equipamento é de doze chapas
profissionais de criação interessados
em processar e imprimir suas peças em por hora. No Brasil, a linha Lüscher é
grande formato, e trazem a proposta comercializada pela Gutenberg.
de oferecer impressões rápidas e de www.apice.ind.br • (11) 4221-7000
alta qualidade. www.gutenberg.com.br • (11) 3225-4400

Santher troca comando


A fabricante de papéis Santher, que Novo fôlego para a tecnologia digital
atua na área de embalagens com pro- A multinacional americana RR mento inicial de 1,5 milhão de dólares,
dutos para rótulos, etiquetas e sachês,
Donnelley Moore apresentou ao mer- e deverá gerar nos próximos dois anos
está mudando de comando. O novo
presidente da empresa será Antonio cado brasileiro seu novo núcleo de 3 milhões de dólares em faturamento.
Werneck. Vindo da Unilever, onde tra- impressão digital, instalado na unidade Com cinco unidades industriais no
balhou por doze anos, e ex-presidente de Barueri (SP). Voltada ao mercado Brasil e cerca de 1 600 funcionários, a
da Reckit Benckiser, Werneck será o editorial, a iniciativa demandou investi- empresa pretende faturar este ano no
segundo executivo a ocupar a posi-
país aproximadamente 300 milhões de
ção após 64 anos de gestão familiar.
reais. O Brasil é o principal mercado
Além da área de embalagem, que
responde por 20% do faturamento da da empresa na América Latina, sendo
empresa, a Santher tem 75% de seu responsável por 4% do total de negó-
faturamento, de 800 milhões de reais cios em todo o mundo. Formulários,
previstos para este ano, oriundos da etiquetas, listas telefônicas e docu-
venda de lenços, guardanapos e papel
mentos fazem parte de seu negócio.
higiênico.
www.rrdonnelleymoore.com.br
(11) 2104-4000

66 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


Uma nova alternativa
Recém-inaugurada, Flexcoat entra firme na área de laminação
no mínimo a mais nova

FOTOS: STUDIO AG – ANDRÉ GODOY


indústria de laminação de
materiais auto-adesivos para
impressão de rótulos no
Brasil: desde março deste ano, está em
operação a Flexcoat Produtos Adesivos
Ltda., organização de capital 100%
nacional com sede em Louveira, a 100
quilômetros de São Paulo. Segundo seu
diretor comercial, Maurício Médici, a
empresa nasceu com o objetivo de ser
“uma alternativa segura na América
Latina às fornecedoras de matéria-prima
COATER SUÍÇO-ALEMÃO BMB –
já estabelecidas, em especial à Avery Capacidade de produção
Dennison”, gigante de origem americana de 72 milhões de m2/ano
e presente no Brasil, dona da prestigiada
marca Fasson. necedores locais, chegaram à conclusão desmaq gostaria que fosse esse supri-
Na verdade, a idéia de fundar essa de que não teriam o respaldo necessário. dor?”. A resposta foi uma espécie de
empresa surgiu entre os acionistas da “Dentro das perspectivas da Prodesmaq, conjunto de regras destinadas ao aten-
Prodesmaq, de Vinhedo (SP), uma de oferecer permanentemente novos dimento de quatro condições básicas: 1)
das maiores convertedoras brasileiras produtos ao mercado, chegou-se à con- teria de ser um fornecedor sintonizado
de auto-adesivos, em 2002, ano em clusão de que nenhum fornecedor, nem com a tecnologia de ponta no setor de
que se deu a fusão, em âmbito glo- mesmo a Avery Dennison, tinha con- auto-adesivos; 2) precisaria ter flexibili-
bal, das megafabricantes mundiais da dições de atendimento adequado, por dade (daí o nome da empresa) na produ-
área de bases para auto-adesivos Avery tratar-se de produtos diferenciados”, ele ção e no atendimento; 3) precisaria ser
Dennison e JAC. Instaladas com fábri- afirma. Em suma, ficaram sem resposta ético; 4) precisaria enxergar os conver-
cas no país, ambas se revezavam no àquela pergunta crucial. “Só então, pela tedores, seus potenciais clientes, como
primeiro e no segundo lugares como primeira vez desde 1976, ano de início extensão do negócio de laminação.
fornecedores ao mercado local. Com a das atividades da Prodesmaq, os acio- Neste último aspecto, Clélia e
fusão, uma pergunta surgiu naturalmente nistas passaram a pensar em entrar na Maurício fazem questão de ressaltar que
entre os sócios, conta Maurício Médici: atividade de laminação”, lembra Clélia Flexcoat e Prodesmaq, embora tenham
“Quem será o segundo fornecedor?”. De Marco, coordenadora de marketing os mesmos acionistas, são empresas
De acordo com o relato do executi- da convertedora de auto-adesivos. absolutamente independentes, dedica-
vo, depois de visitarem os principais for- Indagaram-se então: “Como a Pro- das a atender sua clientela de acordo
com as especificidades de cada uma.
A PLANTA – Em terreno de 56 000m2,
“São fábricas diferentes, em cidades
8 000m2 construídos, sendo
5 000 de área fabril diferentes e com objetivos diferentes”,
afirma o diretor comercial da lamina-
dora. Clélia acrescenta: “Na prática, foi
criada uma alternativa de fornecimento
para a Prodesmaq, a fim de colocar em
prática tudo o que a empresa via como
oportunidade de mercado”. O certo é
que, tomada a decisão de instalar a plan-
ta, iniciou-se a fase de pesquisas mais
concretas, com visitas a fornecedores
e a fabricantes de auto-adesivos, em

68 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


outros países. Em 2003 foram fechadas dibilidade comprovada – a Prodesmaq.
as compras dos equipamentos e do terre- Os produtos criados são encaminhados A FÁBRICA EM SÍNTESE
no em Louveira. Um ano e 10 milhões à convertedora, para teste. Se não apro- • 200 m² de área de P&D mais
de dólares de investimento depois, ali, vados, voltam para a Flexcoat, com indi- laboratório
numa área de 56 000m², foram erguidos cações de pontos a melhorar. É assim até • Pressão positiva e temperatura e
8 000m² de área construída, 5 000 dos que seja aprovado plenamente. umidade controladas segundo nor-
quais destinados ao espaço fabril. Nesse processo, segundo ele conta, mas da Finat no laboratório
Com um coater suíço-alemão BMB, “materiais Flexcoat já foram homolo- • Sala de engenharia e controle da
descrito pela empresa como um dos equi- gados por importantes empresas consu- produção
pamentos de laminação mais modernos midoras finais, que os estão usando com • Todas as matérias-primas contro-
e flexíveis da América Latina, a Flexcoat vantagens sobre os utilizados anterior- ladas, a começar por espectrofo-
tem capacidade produção de 72 milhões mente em suas linhas de produção”. Em tômetro de infra-vermelho (“único
de m²/ano. A máquina é monitorada maio último, por exemplo, uma indústria em empresa de auto-adesivo no
Brasil”)
24 horas por dia, por computador, pelo de medicamentos cujo nome não é reve-
fabricante, de maneira que eventuais lado homologou o produto Flex Farma • Auditório
anormalidades em seu desempenho são 5024 PET23 para toda sua linha de fras- • Freezer de 30 graus negativos
imediatamente corrigidas. “Essa lamina- cos que utilizam rótulos auto-adesivos. para testes de produtos de baixa
dora pode produzir com adesivo acrílico Trata-se de um papel couché branco, temperatura
ou com hot melt, um benefício de equi- com liner de poliéster e um adesivo • Estufa de 250 graus positivos
pamento que no momento somente a permanente especialmente desenvolvido para testes de alta temperatura
Flexcoat e a Avery Dennison oferecem para a indústria farmacêutica, adequado
• 3 máquinas de corte de bobinas
no Brasil”, destaca Maurício Médici. para a rotulagem automática de frascos
• 20 armadilhas luminosas contra
Embora hoje produza apenas uma de vidro ou poliolefina de pequeno diâ-
insetos em toda a fábrica
parcela de seu potencial – do qual cerca metro. Segundo o fabricante, a resistên-
de 250 000m² são consumidos men- cia do poliéster à tração é muito maior • Processo integralmente sem
salmente pela Prodesmaq –, já existe que a do papel e a do polipropileno. solventes

espaço reservado para a instalação de Esse atributo contribui para elevar a • Efluentes tratados antes de irem
uma segunda laminadora. “A estimati- produtividade de duas maneiras: aumen- para a rede de esgotos
va desse mercado é de 240 milhões de ta a performance das máquinas automá- • 2 geradores diesel, para uso em
metros quadrados por ano hoje e pode ticas de alta velocidade e possibilita a eventuais apagões
crescer muito mais, dependendo de fato- inclusão de maior número de rótulos por
res como a melhora da distribuição de bobina. Vale dizer que são necessárias Como deu certo, a tecnologia foi
renda no país”, acredita o executivo. menos paradas de máquina para trocas adaptada, com a marca Flex Gloss, para
A nova provedora de bases planeja de bobinas. Para comparar, Maurício rótulos de produtos de higiene e limpe-
investir no desenvolvimento de papéis e cita números: a espessura do liner é de za. Já foi adotada pela L’Oréal, em sua
filmes especiais. Para isso, além do bem 23 micra, enquanto a de papel glassine é linha Garnier Colorama de xampus e
equipado laboratório de que dispõe inter- de 50, e permite rotular 350 frascos por condicionadores (Flex Gloss HS 1027
namente (ver quadro), conta com um minuto, contra 220 na outra tecnologia. PET23) e pela Bombril, nos amacian-
“laboratório” de homologação de cre- “Ademais, é mais barato e é reciclável.” tes Mon Bijou (Flex Gloss HS 5024
PET23). “Outras usuárias estão testando
nossos produtos”, afirma Médici. Para
que o façam, as bobinas de amostras
são fornecidas em caixas de papelão
com alça, “uma inovação no mercado”,
segundo o executivo. Ele informa, em
resposta à pergunta da reportagem sobre
como outras gráficas convertedoras
estão recebendo a notícia do parentesco
da Flexcoat e da Prodesmaq: “O retorno
é muito positivo, o mercado percebe que
LABORATÓRIO – Entre os são duas empresas independentes” – e
equipamentos de ponta, um
garante que a Flexcoat já está fornecen-
espectrofotômetro para testar matérias-primas
do para alguns convertedores.

70 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


Anunciante Página Telefone Site
3M 53 0800-132333 www.3m.com.br
Altec 33 (11) 4053-2900 www.altec.com.br
Antilhas 57 (11) 4152-1100 www.antilhas.com.br
Asterisco 7 (11) 295-2200 www.etiquetasasterisco.com.br
Avery Dennison 2ª capa (19) 3876-7600 www.averydennison.com
Baumgarten Carton 37 (47) 321-6666 www.baumgarten.com.br
Braga 59 (19) 3897-9720 www.braga.com.br
Brasil Multimídia 11 (11) 5678-7798 www.brasilmultimidia.com.br
Braskem 4ª capa (11) 3443-9999 www.braskem.com.br
CIV 35 (11) 2172-7400 www.civ.com.br
Colacril 61 (44) 3518-3500 www.colacril.com.br
Congraf 38-39 (11) 5563-3466 www.congraf.com.br
Embala Nordeste 67 (11) 5184-1515 www.embalaweb.com.br
Fispal 71 (11) 5694-2666 www.fispal.com
Flexcoat 63 (19) 3848-4303 www.flexcoat.com.br
Furnax 23 (11) 3277-5658 www.furnax.com.br
Gumtac/Pimaco 55 (21) 2450-9707 www.gumtac.com.br
Imaje 17 (11) 3305-9455 www.imaje.com.br
Incor 9 (11) 6143-3336 www.graficaincor.com.br
Ipiranga Petroquímica 47 (51) 3216-4612 www.ipiranga.com.br
Kromos 3ª capa (19) 3879-9500 www.kromos.com.br
Krones 43 (11) 4075-9500 www.krones.com.br
Luxepack 69 (11) 5521-4325 www.luxepac.com.br
Maddza Máquinas 7 (35) 3722-4545 www.maddza.com
Markem 31 (11) 5641-8949 www.markem.com
Master Print 11 (41) 2109-7000 www.mprint.com.br
Metalgráfica Iguaçu 49 (11) 3078-8499 www.metaliguacu.com.br
Metalgráfica Renner 7 (51) 489-9700 www.metalgraficarenner.com.br
Moltec 9 (11) 5523-4011 www.moltec.com.br
Müller Martini 3 (11) 3613-1000 www.mullermartini.com
Narita 41 (11) 4352-3855 www.narita.com.br
Owens-Illinois 27 (11) 6542-8000 www.oidobrasil.com.br
Packem 9 (11) 5588-1061 www.packem.com.br
Pantone 9 (11) 4072-1808 www.pantonegrafica.com.br
Polo Films 65 (11) 3707-8270 www.polofilms.com.br
Poly-Vac Sobrecapa e 5 (11) 5541-9988 www.poly-vac.com.br
Prakolar 21 (11) 6291-6033 www.prakolar.com.br
Priscell 11 (11) 3873-2666 www.priscell.com.br
Propack 11 (11) 4785-3700 www.propack.com.br
Riopol 25 (21) 2157-7777 www.riopol.com.br
SetPrint 11 (11) 2133-0007 www.setprint.com
Simbios Pack 9 (11) 5687-1781 www.simbios-pack.com.br
Speranzini Marketing 7 (11) 5685-8555 www.speranzini.com.br
Suzano Petroquímica 13 (11) 3037-9041 www.suzanopetroquimica.com.br
Technopack 33 (51) 470-6889 www.technopack.com.br
Tetra Pak 45 (11) 5501-3262 www.tetrapak.com.br
TSI 51 (11) 3686-1311 www.tsi-newelco.com.br
Vilac 19 (19) 3741-3300 www.vilac.com.br
Wheaton 29 (11) 4355-1800 www.wheatonbrasil.com.br

72 >>> EmbalagemMarca >>> novembro 2005


A imagem transmitida pelas embalagens tem influenciado, e muito, o comporta-
mento dos consumidores na efetivação de uma compra. É por esse motivo que
os profissionais desta área têm, a cada dia, inovado mais e mais. Assim são os
profissionais da Kromos, que se especializaram em pré-impressão e impressão
de rótulos e etiquetas auto-adesivas, a fim de ajudar nossos clientes a criar um
diferencial na venda de seus produtos.
É com este intuito que a Kromos se identifica com a revista EmbalagemMarca.
Ambas possuem os mesmos objetivos: buscar, desenvolver e disseminar tecnolo-
gia, elevando, dessa maneira, a condição da qualidade no Brasil.
Para nós, EmbalagemMarca é um parceiro indispensável em nosso fortalecimento
no mercado. Queremos fazer parte não só do presente, mas do futuro crescimento
da revista e do mercado.
Almanaque
VOCÊ SABIA? Uma guinada profissional que deu certo
Trocar de carreira pode nha Maria Antonieta. O aval sionado pelo casamento
A alemã Henkel, que este ano mesmo valer à pena. impulsionou o lançamento entre Henri e a viúva de
completa 129 anos de fundação Floren-Louis Heidsieck vivia da Maison Heidsieck, em Florens-Louis... Controlada
e cinqüenta de Brasil, lançou de vender roupas, 1785. O prenome desde os anos 1980 pelo
mas acabou fun- Piper, no entanto, grupo Rémy Cointreau, a
em 1907 o primeiro sabão em dando uma das só foi adotado marca Piper-Heidsieck pas-
pó do mundo, o Persil, até hoje mais reconhecidas após a morte de sou por uma ampla reforma
marca fortíssima na Europa. marcas de cham- Floren-Louis, em visual em 1997, quando
panhe da França, 1828. Sobrinho adotou o vermelho como
Começou como fabricante de a Piper-Heidsieck. de seu fundador, cor padrão de seus rótulos
alvejante, derivando para os A mudança come- o herdeiro da e embalagens.
adesivos ao começar a produzir çou em uma de suas jorna- vinícola tinha como sócio
das como caixeiro viajante. um primo chamado Henri
o material para selar as emba- Ao visitar Reims, cidade da Piper, que viajava para pro-
lagens de seus produtos. Hoje é região de Champagne onde mover a marca. O esforço
líder mundial em adesivos. estão instalados os princi- foi recompensado: diversas
pais produtores de vinho cortes européias fizeram
espumante do mundo, da Maison Heidsieck seu
Heidsieck considerou dedi- fornecedor oficial de cham-
car-se à vinicultura. Consta panhe. Nelas, a bebida era
que, em pouco tempo, conhecida como “Heidsieck
tornou-se um enólogo com from Piper”. Daí para Piper-
apreciadores como a rai- Heidsieck foi um pulo, impul-

As cabras e o “vinho da Arábia”


As suspeitas de que o consumo de café são. Percebeu que a bebida o ajudava
pode fazer mal à saúde declinaram, mas a resistir ao sono em suas longas jor-
a controvérsia em torno da origem da nadas de oração. A notícia se espalhou,
bebida continua forte como um bom criando uma demanda
PAY TÁ VIROU... expresso. A despeito da falta de para a bebida. Essa histó-
A cidade paulista de Águas da consenso, uma história curio- ria é sustentada por evi-
sa envolvendo um pastor dências de que o café foi
Prata, que empresta seu nome que viveu na Abissínia cultivado pela primeira
à famosa marca de água mine- (atual Etiópia) é a mais vez em monastérios islâ-
ral oriunda de fonte local, é aceita para explicar o micos no Iêmen (atual
assim chamada devido a uma surgimento do hábito de Arábia). O fato é que a
forma errada de pronunciar a tomar café. Seu nome era planta de café é originária
Kaldi. Certo dia ele notou que da região central da África.
denominação origi- seu rebanho de cabras esta- Foi na Arábia, entretanto, que a
nal em tupi-guarani: va saltitando, e tinha energia cultura de café se propagou – daí
“pay tá”, ou “água para percorrer distân- a denominação coffe
dependurada”. Era cias maiores. Ao obser- arabica (nome científico
como os indíge- var os animais, o pastor de uma das mais impor-
percebeu que muitos tantes espécies de café).
nas designavam mastigavam frutos de Já a palavra café viria de
as estalactites coloração amarelo-aver- Kaffa, local de origem
formadas devido melhada, que nasciam da planta, ou ainda da
à alta minerali- em arbustos existentes palavra árabe gahwa,
zação da água nos próprios campos de que significa vinho. Por
pastoreio. Kaldi comentou a descoberta esse motivo, o café era conhecido como
que brotava das com um monge da região. O religioso “vinho da Arábia” quando chegou à
nascentes. levou as frutas ao monastério, e come- Europa no século XIV.
çou a consumi-las na forma de infu- (Baseado no site da ABIC)

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