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ANEXO VII

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA, ALFABETIZAÇÃO E DIVERSIDADE
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA

SABERES DA TERRA

PROGRAMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS


INTEGRADA COM QUALIFICAÇÃO SOCIAL E PROFISSIONAL PARA
AGRICULTORES (AS) FAMILIARES

Brasília

Outubro de 2005
SUMÁRIO

1. Apresentação 03
2. Educação e juventude no Campo: breve diagnóstico 06
3. O Programa Nacional de EJA integrada com qualificação social e profissional 09
3.1. Finalidade 10
3.2. Metas 10
4. Objetivos 10
4.1. Geral 10
4.2. Específicos 11
5. Público Beneficiário 11
6. Aspectos Legais 11
7. Base conceitual de referência 16
8. Projeto Político Pedagógico Integrado 22
8.1. Princípios político-pedagógicos 22
8.2. Organização curricular 24
8.2.1 Estrutura do currículo 29
8.2.3. Diretrizes orientadoras do ensino fundamental 29
8.2.4. Organização dos tempos e espaços formativos 31
8.2.5. Carga horária 33
8.2.6. Avaliação 34
9. Certificação 34
10. Inscrição, matrícula e organização das turmas 35
11. Recursos humanos 35
12. Formação continuada de educadores e gestores 36
13. Material didático/publicações 37
14. Estrutura operacional do programa 38
14.1. Gestão e parcerias 39
14.2. Instituições proponentes 39
14.3. Monitoramento e avaliação 39
13.4. Financiamento 41
14.5. Sistema de comunicação e informação 41
15. Plano de implementação do programa 42
15.1. Cronograma de implementação 42
16. Referências Bibliográficas 43
1. Apresentação

A construção de uma política educacional que reconheça as necessidades


próprias e a realidade diferenciada do campo constitui-se uma das prioridades do atual
Governo Federal. Neste sentido, respeitando o direito dos povos do campo1 à Educação,
bem como suas características, necessidades e pluralidade (de gênero, étnico-racial,
cultural, geracional, política, econômica, territorial etc.), a Secretaria de Educação
Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD) e a Secretaria de Educação
Profissional e Tecnológica (SETEC) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento
Agrário por meio da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) e da Secretaria de
Desenvolvimento Territorial (SDT) e com o Ministério do Trabalho através da
Secretaria de Políticas Públicas de Emprego (SPPE) e da Secretaria Nacional de
Economia Solidária (SENAES) apresentam o programa Saberes da Terra2: Programa
Nacional de Educação de Jovens e Adultos para Agricultores/as Familiares
integrada com Qualificação Social e Profissional.

A ênfase na agricultura familiar se justifica pela importância histórica,


social e econômica que esta modalidade de organização social e produtiva apresenta no
campo brasileiro. A agricultura familiar é uma forma de organização do trabalho que
tem o controle sobre as decisões que se referem à cultura e criação a serem exploradas.
O trabalho é restrito ao grupo familiar e a produção destina-se ao sustento da própria
família, o que leva ao entendimento da auto-produção, o que não exclui produzir para a
o mercado. A terra onde trabalha, para o agricultor familiar, significa uma extensão de
si mesmo na produção da existência. A agricultura familiar por outro lado é uma
atividade econômica fundamental para o desenvolvimento sócio-econômico do campo e
do país.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e o


Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) apresentam dados
que revelam que aproximadamente 85% do total de propriedades rurais do país

1
Estão sendo considerados como povos do campo: agricultores/as familiares, assalariados, assentados ou
em processo de assentamento, ribeirinhos, caiçaras, extrativistas, pescadores, indígenas, remanescentes de
quilombos.
2
Na palavra terra está contida a questão do “trabalho” e as especificidades da agricultura familiar. A
palavra “saberes” indica a diversidade dos sujeitos sociais do campo e suas diversas formas de saber:
educacional, profissional, cultural, social, etc.
pertencem a grupos familiares. São 13,8 milhões de pessoas que têm na atividade
agrícola praticamente sua única alternativa de vida, em cerca de 4,1 milhões de
estabelecimentos familiares, o que corresponde a 77% da população ocupada na
agricultura. Cerca de 60% dos alimentos consumidos pela população brasileira vêm
desse tipo de produção rural.

A implementação deste programa se orienta pelos seguintes


pressupostos:

ü A educação de jovens e adultos como um direito dos povos do


campo;

ü A educação de jovens e adultos como política pública nos


sistemas de ensino;

ü A educação de jovens e adultos como estratégia de fortalecimento


do desenvolvimento sustentável com enfoque territorial;

ü O trabalho e a qualificação profissional como direito dos povos


do campo;

ü A educação como afirmação, reconhecimento, valorização e


legitimação das diferenças culturais, étnico-raciais, de geração, de gênero, de orientação
sexual e sócio-ambiental;

ü A existência de sujeitos sociais que possuem projetos políticos e


pedagógicos próprios.

O programa se destina a desenvolver uma política que fortaleça e amplie


o acesso e a permanência de jovens agricultores (as) familiares no sistema formal de
ensino oferecendo oportunidades de elevação de escolaridade, qualificação social e
profissional e o desenvolvimento da solidariedade e da cidadania. “A integração da
qualificação profissional com as políticas públicas de educação tem como propósito
contrapor-se à separação entre educação básica (fundamental, média e de jovens e
adultos) e formação profissional”.

A proposta pedagógica está fundamentada no eixo curricular articulador


Agricultura Familiar e Sustentabilidade que dialogará com os eixos temáticos:
Agricultura familiar: etnia, cultura e identidade; Desenvolvimento sustentável e
solidário com enfoque territorial; Sistemas de produção e processos de trabalho no

4
campo; Economia solidária e Cidadania, organização social e Políticas Públicas. A
opção pelo eixo articulador Agricultura Familiar e Sustentabilidade justifica-se pelo
público beneficiário – agricultores familiares – e pela concepção de desenvolvimento
sustentável e solidário com enfoque territorial, na perspectiva de re-significação do
trabalho e da vida no campo.

O Programa será desenvolvido em parceria entre os entes federados


estaduais ou municipais com a participação efetiva de organizações não-governamentais
e movimentos sociais do campo com experiência na integração em Educação de Jovens
e Adultos e qualificação social e profissional.

O Programa será desenvolvido em âmbito nacional de modo a atingir


inicialmente a meta de cinco mil educandos (5.000), para os quais, há uma previsão
orçamentária na ordem de dez milhões de reais (R$ 10.000.000,00). A demanda de
escolarização para jovens e adultos do campo, na faixa etária entre 15 e 29 anos, é de
aproximadamente oitocentos mil (800.000) o que exigirá a re-edição do programa em
dimensões ampliadas.

5
2. A Educação e Juventude no Campo: breve diagnóstico

Cerca de 32 milhões de brasileiros vivem no campo e encontram-se em


franca desvantagem, tanto em termos de capital físico (recursos financeiros), quanto de
capital sociocultural (escolaridade e freqüência á escola) em comparação à população
urbana. Do ponto de vista do capital físico, a desigualdade de oportunidades fica
evidenciada quando se constata que o rendimento médio mensal do trabalhador do
campo corresponde a 38% do rendimento médio do trabalhador urbano. No que se
refere ao capital sociocultural, o nível de instrução e o acesso à educação desta
população são importantes indicadores da desigualdade social existente entre o campo e
a cidade.

Embora a legislação determine a obrigatoriedade da educação para


crianças na faixa etária de 7 a 14 anos e tenha ampliado a duração do Ensino
Fundamental para oito anos, a escolarização das populações do campo ainda apresenta
uma situação problemática e desigual. De modo geral, as escolas possuem instalações
precárias e improvisadas e oferecem apenas as séries iniciais do Ensino Fundamental.
Aproximadamente 80% das classes são multisseriadas com professores unidocentes
pouco qualificados e mal remunerados. A organização curricular desconsidera a
realidade das pessoas do campo e a sua diversidade sociocultural.

Estes, entre outros fatores têm contribuído sobremaneira com a baixa


escolarização no campo, demonstrando a histórica incapacidade do Estado brasileiro em
atender dignamente a demanda de escolarização dessas populações. Indicam também
que a educação praticada no meio rural brasileiro tem contribuído pouco com as
necessidades de desenvolvimento dessas populações.

Segundo o Censo Demográfico (2000) 29,8% da população do campo


com 15 anos ou mais é analfabeta, enquanto que na área urbana o indicador é de 10,3%.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD, 2001) aponta


que aproximadamente 95% das crianças da área rural na faixa etária de 10 a 14 anos
encontram-se na escola, entretanto a taxa de distorção idade-série revela que 50% dos

6
estudantes está com idade superior à adequada; o que chega a uma defasagem de até
64,3% no segundo segmento do Ensino Fundamental. Esta defasagem indica que as
trajetórias escolares das crianças do meio rural são caracterizadas pelas interrupções e
reprovações decorrentes na maioria das vezes do ingresso precoce como mão-de-obra
familiar.

Dados do IBGE (2001) indicam que o percentual da população com 15


anos e mais de idade sem instrução ou com menos de um ano de estudo, corresponde a
16,2 milhões de pessoas. Entre as faixas mais jovens, os dados também preocupam: na
faixa etária de 15 a 19 anos, 21,7% dos jovens não concluíram o equivalente às quatro
séries iniciais do ensino básico e 66,7% não completaram os oito anos de escolaridade
obrigatória. Os índices para a faixa etária de 20 a 24 anos, apesar de melhores,
confirmam o fenômeno da escolarização tardia e do atraso devido à repetência: 20,1%
não concluíram as quatro séries iniciais e 55,9% não adquiriram a escolaridade básica
de oito anos.

Quando comparados os indicadores das populações do campo e das


populações urbanas constata-se que a escolaridade média da população do campo com
15 anos ou mais corresponde a 3,4 anos, menos que a metade da média estimada para a
população urbana que é de 7 anos de escolarização. Os índices do analfabetismo
também apontam uma distância considerável: somente 66% dos jovens de 15 a 17 anos
freqüentam a escola; 29,8% da população adulta rural é analfabeta enquanto que na
zona urbana esse índice é de 10,3%. Nesses dados não estão incluídas aquelas pessoas
com menos de quatro séries do ensino fundamental.

Por outro lado, nas últimas décadas ampliaram-se iniciativas


educacionais desenvolvidas pelos movimentos sociais e organizações não-
governamentais do campo (ANARA, CEFFA’s, CONTAG, FETRAF SUL/CUT, MAB,
MST, RESAB, etc.)3. A disseminação de tantas iniciativas educacionais vai se
configurando como um terreno de experimentação de diferentes concepções educativas
e de propostas pedagógicas; e até mesmo de produção teórica sobre a educação do

3
ANARA – Associação Nacional pela Reforma Agrária.
CEFFA’s – Centros Familiares de Formação em Alternância
CONTAG – Confederação dos Trabalhadores na Agricultura
FETRAF SUL – Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul
CUT – Central Única dos Trabalhadores
MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens
MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
RESAB – Rede de Educação do Semi-Árido Brasileiro

7
campo. Mesmo com abrangências limitadas a suas áreas de intervenção, estas
organizações têm apresentado avaliações positivas nos processos de escolarização que
realizam4, além de apresentarem propostas pedagógicas e organizações curriculares
coerentes e adequadas aos tempos e espaços da vida cotidiana das pessoas do campo.
Há também um intenso envolvimento destas organizações e movimentos com a
formação continuada de professores e de monitores responsáveis pela condução das
propostas pedagógicas o que se diferencia significativamente dos processos formativos
convencionais.

O Censo Demográfico 2000 aponta um total de aproximadamente 34


milhões de jovens no Brasil concentrados na faixa etária dos 15 aos 24 anos5.
Entretanto, se tomada como referência a faixa etária compreendida dos 15 aos 29 anos,
de acordo com este Censo o total de jovens é de aproximadamente 47.939.723
indivíduos.

CARNEIRO (2005) analisando a pesquisa “O perfil da juventude


6
brasileira” considera que os dados levantados permitem a informação sobre questões de
extrema importância, embora a referida pesquisa tenha trabalhado com uma amostra
reduzida de jovens rurais (19% do total da população pesquisada – 669 jovens rurais).

Em relação ao trabalho e formação profissional dos jovens a


pesquisadora destaca que 90% dos jovens entrevistados não passaram por nenhum curso
de capacitação e a profissionalização é feita por meio do aprendizado direto na prática;
95% considera a escola importante para o seu futuro profissional e 80% para
conseguiram um emprego hoje; somente 30% dos jovens residentes no campo e que
trabalham na cidade têm carteira de trabalho assinada; os demais são assalariados sem
registro ou fazem “bico”; dos que trabalham ou trabalharam (independe do local de
residência), 42% ganham meio salário mínimo e 27% ganham entre meio e um salário
mínimo; dos 24% que trabalham no campo, 14% estão inseridos em estabelecimentos

4
A FETRAF SUL/CUT, no período de 1999 a 2002 realizou a escolarização de aproximadamente 4 mil
agricultores familiares/as na Região Sul do Brasil na modalidade EJA, com qualificação profissional e
atuou na formação continuada de aproximadamente 150 educadores e técnicos envolvidos no projeto
Terra Solidária.
A CUT também desenvolveu o Projeto Semear na Bahia.
- As Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) possuem 127 unidades em funcionamento e atendem a
aproximadamente 10.779 estudantes atendidos, 25.400 famílias.
- As Casas Familiares Rurais (CFRs) possuem 91 unidades em funcionamento (Queiroz, 2004)
5
As estatísticas brasileiras consideram essa faixa etária, em outros países da América Latina e da Europa,
o limite fica em torno dos 30 anos. No Brasil, a CONTAG (Confederação Nacional de Trabalhadores na
Agricultura) considera 32 anos como idade limite.
6
Desenvolvida e coordenada pelo Instituto Cidadania em 2004.

8
de agricultura familiar, enquanto apenas 8% são assalariados sem registro e 2% são
ajudantes familiares sem remuneração.

Entre outros aspectos que a pesquisadora apresenta, 24% dos jovens


demandam por atividades culturais (cinema, teatro, shows etc), apesar de ocuparem os
fins de semana assistindo TV, ajudando em casa ou encontrando os amigos; 60% dos
jovens rurais declararam ler ou assistir noticiários sobre política; 81% dos jovens rurais
nunca participaram de associações ou grupos comunitários. Na compreensão dos jovens
a ausência de espaços de lazer é um dos fatores pela avaliação negativa do campo e do
desejo de migrar do mesmo modo em que manifestam o desejo de permanecer na
localidade de origem, desde que ocupados em atividades não agrícolas. As moças são
mais motivadas a migrar para a cidade pelos seguintes motivos: a ausência de
valorização na unidade produtiva familiar e a possibilidade de romper com o modelo de
vida de suas mães, visto como extremamente árduo e sem reconhecimento social.

Os elementos apresentados acima fortalecem a importância da


implementação de políticas públicas que incidam diretamente sobre tão significativa
parcela da população brasileira – a juventude.

3. O Programa Nacional de Educação de Jovens e Adultos, integrada com


Qualificação Social e Profissional para Agricultores (as) Familiares.

O presente programa atenderá prioritariamente a jovens na faixa etária


de 15 a 29 anos, prioritariamente, agricultores/as familiares, por meio da modalidade de
Educação de Jovens e Adultos em curso de Ensino Fundamental considerando a
demanda existente no município.

A organização do trabalho pedagógico na modalidade Educação de


Jovens e Adultos deverá integrar conhecimentos da educação geral com formação
inicial e continuada por meio de metodologias adequadas aos tempos e espaços da
realidade das populações que este programa deseja atender ou seja, – os/as
agricultores/as familiares.

9
3.1. Finalidade

O Programa Nacional de Educação de Jovens e Adultos para


Agricultores/As Familiares tem como finalidade proporcionar formação integral,
prioritariamente ao jovem do campo, por meio de:

- Elevação de escolaridade, tendo em vista a conclusão do

ensino fundamental;

- Qualificação social e profissional (formação inicial e


continuada)

Com esses dois eixos pretende-se atingir o desenvolvimento da


identidade cultural, da solidariedade e da cidadania dos jovens e adultos participantes do
programa, bem como, de seus núcleos familiares e comunidade.

3.2. Metas

O Programa tem como meta inicial atender a cinco mil (5.000)


agricultores (as) familiares.

4. Objetivos

4.1. Objetivo Geral

Desenvolver uma política de Educação do Campo que possibilite a


jovens e adultos agricultores familiares excluídos do sistema formal de ensino a
oportunidade de escolarização na modalidade de Educação de Jovens e Adultos,
integrando ensino fundamental e qualificação social e profissional.

10
4.2. Objetivos Específicos

- Elevar a escolaridade e proporcionar a qualificação profissional inicial


de agricultores(as) familiares

- Estimular o desenvolvimento sustentável como possibilidade de vida,


trabalho, subsistência e constituição de sujeitos cidadãos.

- Fortalecer o desenvolvimento de propostas pedagógicas e


metodologias adequadas à educação de jovens e adultos no campo.

- Realizar formação continuada em metodologias e princípios políticos


pedagógicos voltados às especificidades do campo para os educadores envolvidos no
programa

- Fornecer e publicar materiais pedagógicos que sejam apropriados para


o desenvolvimento da proposta pedagógica.

5. Público Beneficiário

Prioritariamente jovens na faixa etária de 15 a 29 anos que atuam na


agricultura familiar, residentes no campo e que não concluíram o Ensino Fundamental
ou que tenham freqüentado programas de alfabetização.

6. Aspectos Legais

A legislação educacional brasileira apresenta uma vasta base legal para a


instituição de políticas públicas diferenciadas para o atendimento escolar das pessoas
que vivem e trabalham no campo. Adaptar o calendário escolar às condições climáticas
e ao ciclo agrícola, contextualizar a organização curricular e as metodologias de ensino
às características e realidades da vida dos povos do campo são determinações da Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96 (LDBEN). Desse modo, o presente

11
programa trata da implementação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
9394/96.

Em seu Art. 4º, a referida lei estabelece

O dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado


mediante a garantia de:
I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os
que a ele não tiveram acesso na idade própria;
(...)
VII - oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, com
características e modalidades adequadas às suas necessidades e
disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as
condições de acesso e permanência na escola;

Determina em seu Art. 5º que “o acesso ao ensino fundamental é direito


público subjetivo podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação
comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída, e,
ainda, o Ministério Público, acionar o Poder Público para exigi-lo”.

Para assegurar a obrigatoriedade escolar o poder público deverá criar


“formas de acesso aos diferentes níveis de ensino, independentemente da escolarização
anterior” (Art. 5º § 5º).

Garante a Lei no seu Art. 37 que “A educação de jovens e adultos será


destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino
fundamental e médio na idade própria”.
§ 1º. Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e
aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular,
oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as
características do alunado, seus interesses, condições de vida e de
trabalho, mediante cursos e exames.
§ 2º. O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a
permanência do trabalhador na escola, mediante ações integradas e
complementares entre si.

Reconhecendo as especificidades da educação do campo, a Lei


estabelece no seu Art. 28o que:

Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas


de ensino promoverão as adaptações necessárias a sua adequação
às peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente:
I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais
necessidades e interesses dos alunos da zona rural;
II - organização escolar própria incluindo a adequação do
calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições
climáticas;
12
III - adequação ao trabalho na zona rural;

Sobre as formas de organização da Educação Básica a lei prevê em seu


Art. 23 que

A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos


semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos,
grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em
outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que
o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar
(...)
§ 2º. O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades
locais, inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo
sistema de ensino, sem com isso reduzir o número de horas letivas
previsto nesta Lei. (Art. 23º).(grifos nossos)

Esse aspecto é de fundamental importância, pois, a simultaneidade entre


trabalho e escolarização possibilita a permanência dos estudantes na escola o que torna
a adequação do calendário escolar um fator determinante para o acesso e progressão dos
estudantes no sistema educacional.

A LDBEN Lei nº 9394/96, ao se referir a Educação de Jovens e Adultos define


que

Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos


adultos que não puderam efetuar os estudos na idade regular, as
oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as
características do alunado, seus interesses, condições de vida e de
trabalho, mediante cursos e exames (§ 1º do Art. 37)

O caráter profissionalizante do programa de EJA para jovens e adultos


agricultores/as familiares de que trata este projeto é assegurado legalmente com os
seguintes Artigos da LDBEN Lei nº 9394/96:

Art. 39º. A educação profissional, integrada às diferentes formas


de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduz ao
permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva.
Parágrafo único. O aluno matriculado ou egresso do ensino
fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador em
geral, jovem ou adulto, contará com a possibilidade de acesso à
educação profissional.
Art. 40º. A educação profissional será desenvolvida em articulação
com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação
continuada, em instituições especializadas ou no ambiente de
trabalho.
Art. 41º. O conhecimento adquirido na educação profissional,
inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação,

13
reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão
de estudos.(grifos nossos)

O Decreto n. 5.154/2004 que regulamenta os Art. 39 a 41 da LDBEN


apresentados acima, determina que a educação profissional será desenvolvida por meio
de

cursos e programas de formação inicial e continuada nos formatos


capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização em
todos os níveis de escolaridade, ofertados segundo itinerários
formativos, objetivando o desenvolvimento de aptidões para a vida
produtiva e social (Art. 3º).

Estabelece ainda o § 2º do Art. 3º do Decreto que

os cursos mencionados (...) articular-se-ão preferencialmente, com


cursos de educação de jovens e adultos, objetivando a qualificação
para o trabalho e a elevação do nível de escolaridade do
trabalhador, o qual, após a conclusão com aproveitamento dos
referidos cursos, fará jus a certificados de formação inicial ou
continuada para o trabalho.

O Plano Nacional de Educação (lei 10.172/2001), prevê que o Estado


deve

Assegurar, em cinco anos, a oferta de educação de jovens e adultos


equivalente às quatro séries iniciais do ensino fundamental para
50% da população de 15 anos e mais que não tenha atingido este
nível de escolaridade.
Assegurar, até o final da década, a oferta de curso equivalentes às
quatro séries finais do ensino fundamental para toda a população
de 15 anos e mais que concluiu as quatro séries iniciais.
Estabelecer programa nacional de fornecimento, pelo Ministério
da Educação, de material didático-pedagógico, adequado a
clientela, para os cursos em nível de ensino fundamental para
jovens e adultos.
Assegurar que os sistemas estaduais de ensino, em regime de
colaboração com os demais entes federativos, mantenham
programas de formação de educadores de jovens e adultos.
Dobrar em cinco anos e quadruplicar em dez anos a capacidade de
atendimento nos cursos de nível médio para jovens e adultos.

De acordo com o Art. 3º das Diretrizes Operacionais para a Educação


Básica nas Escolas do Campo. Resolução do CNE/CEB nº 01/2002,

14
O Poder Público, considerando a magnitude da importância da
educação escolar para o exercício da cidadania plena e para o
desenvolvimento de um país cujo paradigma tenha como
referências a justiça social, a solidariedade e o diálogo entre todos,
independentemente de sua inserção em áreas urbanas ou rurais,
deverá garantir a universalização do acesso da população do
campo à Educação Básica e à Educação Profissional de Nível
Técnico.

O Art. 7 da Resolução CNE/CEB nº 1 de 03/04/2002 determina ainda


que
É de responsabilidade dos respectivos sistemas de ensino, por
meio de seus órgãos normativos, regulamentar as estratégias
específicas de atendimentos escolar do campo e a flexibilização da
organização do calendário escolar, salvaguardando, nos diversos
espaços pedagógicos e tempos de aprendizagem, os princípios da
política da igualdade.

A Resolução 01/2002 do CNE/CEB, em seu Art. 6º estabelece que

O Poder Público no cumprimento das suas responsabilidades com


o atendimento escolar e à luz da diretriz legal do regime de
colaboração entre a União, os estados, o Distrito federal e os
municípios, proporcionará Educação infantil e Ensino
Fundamental nas comunidades rurais, inclusive para aqueles que
não o concluíram na idade prevista, (...).

O recente Decreto 5478/05 que trata do Programa de Integração da


Educação Profissional ao Ensino Médio, na modalidade de Educação de Jovens e
Adultos – PROEJA, estabelece no Art 1º parágrafo único que:

O PROEJA abrangerá os seguintes cursos e programas:


I – formação inicial e continuada dos trabalhadores; e
II – educação profissional técnica de nível médio

As possibilidades e, mais que isso, as exigências apontadas pela


legislação educacional brasileira, aliadas a uma proposta de educação brasileira que
coloca na agenda pública de um governo democrático popular a diversidade, a inclusão
e a cidadania fortalecem a importância e necessidade de uma política de Estado para as
populações do campo.

15
7. Base conceitual de referência

O Programa de EJA para Agricultores (as) Familiares caracteriza-se por


levar em conta as especificidades do campo, e as condições dos jovens e adultos
agricultores/as familiares.

Para responder efetivamente a esse desafio é preciso explicitar as


concepções que fundamentam o programa, entre elas a concepção de campo, educação
do campo, educação de jovens e adultos, desenvolvimento sustentável, trabalho,
economia solidária e qualificação social e profissional.

O campo constitui-se num universo socialmente integrado ao conjunto


da sociedade brasileira e ao contexto atual das relações internacionais. Não está se
supondo, portanto, a existência de um universo isolado, autônomo em relação ao
conjunto da sociedade e que tenha uma lógica exclusiva de funcionamento e
reprodução. Porém, o campo mantém particularidades históricas, sociais, culturais e
ecológicas, que o diferencia.

Desse modo, o campo é um espaço rico e diverso, que tem suas


particularidades e ao mesmo tempo é produto e produtor de cultura. É essa capacidade
produtora de cultura que o constitui em espaço de criação do novo e do criativo. É um
espaço emancipatório, um território fecundo de construção da democracia e da
solidariedade, ao transformar-se no lugar não apenas das lutas pelo direito a terra, mas
também, pelo direito à educação, à saúde, á organização da produção, pela preservação,
etc.

O conceito de campo pode ser melhor compreendido a partir do conceito


de território como o lugar marcado pelo humano. São lugares simbólicos permeados
pela diversidade cultural, étnico-racial, pela multiplicidade de geração e recriação de
saberes, de conhecimentos que são organizados com lógicas diferentes, de lutas, de
mobilização social, de estratégias de sustentabilidade. Assim, o desenvolvimento
humano e o fortalecimento do capital social, por meio dos vínculos sociais, culturais e

16
de relações de pertencimento a um determinado lugar, a um espaço vivido são
imprescindíveis para o desenvolvimento territorial sustentável7.

Tendo como referência esse entendimento é que se concebe a educação


do campo como toda ação educativa que incorpora os espaços da floresta, da pecuária,
das minas e da agricultura, mas os ultrapassa ao acolher a si os espaços pesqueiros,
caiçaras, ribeirinhos e extrativistas e fundamenta-se nas práticas sociais constitutivas
dessas populações: os seus conhecimentos, habilidades, sentimentos, valores, modo de
ser e de produzir, de se relacionar com a terra e formas de compartilhar a vida. Mais do
que um perímetro não-urbano expressa um conjunto de possibilidades que dinamizam a
ligação dos seres humanos com a própria produção das condições da existência social e
com as realizações da humanidade. Toda essa diversidade de coletivos humanos
apresenta formas específicas de produção de saberes, conhecimentos, ciência e
tecnologias, valores, culturas. A educação desses diferentes grupos tem especificidades
que devem ser respeitadas e incorporadas nas políticas públicas e nos projetos
pedagógicos. Todavia, o campo e a cidade ou o rural e o urbano são apreendidos como
dois pólos de um continuum, com especificidades que não se anulam e nem se isolam,
mas, antes de tudo, articulam-se.

A Resolução Nº 1/2002 do CNE/CEB que estabelece as Diretrizes


Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo, expressa no Art. 2º §
Único que:

A identidade da escola do campo é definida pela sua vinculação


as questões inerentes a sua realidade, ancorando-se na
temporalidade e saberes próprios dos estudantes, na memória
coletiva que sinaliza futuros, na rede de ciência e tecnologia
disponível na sociedade e nos movimentos sociais em defesa de
projetos que associem as soluções exigidas por essas questões à
qualidade social da vida coletiva no país. (grifos nossos)

Assim, a educação do campo deve compreender que os sujeitos têm


história, participam de lutas sociais, têm nome e rostos, gêneros, raças, etnias e gerações
diferenciadas. O que significa que a educação precisa levar em conta as pessoas e os
conhecimentos que estas possuem.

7
MDA. Proposta técnica de intercâmbios de experiências inovadoras de educação e cultura para o
fortalecimento do desenvolvimento territorial, s.d. (mimeo.)

17
Dois aspectos precisam ser considerados na Educação do Campo: o
primeiro, diz respeito à superação da dicotomia entre rural e urbano e, o segundo, a
necessidade de recriar os vínculos de pertença dos sujeitos ao campo. Esses dois
aspectos somados à diversidade dos povos do campo exigem um processo educativo
que afirme a educação como um processo ao longo da vida.

O Art. 3º da Declaração de Hamburgo realizada em 1997, na qual foram


firmados compromissos pautados na concepção de educação de jovens e adultos na
perspectiva da educação continuada ao longo da vida afirma que

A educação de adultos engloba todo o processo de aprendizagem


formal ou informal, onde pessoas consideradas “adultas” pela
sociedade desenvolvem suas habilidades, enriquecem seu
conhecimento e aperfeiçoam suas qualificações técnicas e
profissionais, direcionando-as para a satisfação de suas
necessidades e as de sua sociedade. A educação de adultos inclui a
educação formal, a educação não-formal e o espectro da
aprendizagem informal e incidental disponível numa sociedade
multicultural, onde os estudos baseados na teoria e na prática
devem ser reconhecidos.

Essa concepção permite superar a educação de jovens e adultos como


uma política compensatória, cujo único papel é repor a escolarização de pessoas que não
tiveram acesso à escola em idade apropriada. Ela deve “contemplar os diferentes
espaços de aprendizagem, formais ou não-formais, por meio dos quais os [jovens] e
adultos possam desenvolver suas aptidões, conhecimentos e qualificações”. Desse
modo, a EJA deve possibilitar “a transformação dos indivíduos em sujeitos com maior
autonomia e melhores condições de enfrentamento das questões que envolvem a
sociedade8”. Jovens e adultos são pessoas que já trazem um saber acumulado de décadas
de vida e trabalho. São pessoas orientadas principalmente para o trabalho. Sua ocupação
principal não é estudar, mesmo quando entram em um curso de EJA.

A Resolução CNE/CEB 1/2000 que estabelece as Diretrizes


Curriculares Nacionais para a EJA determina no Art. 5º, parágrafo único que

(...) a identidade própria da Educação de Jovens e Adultos


considerará as situações, os perfis dos estudantes, as faixas etárias

8
MEC. Educação de Jovens e Adultos, 2004, p. 1 (Mimeo.)

18
e se pautará pelos princípios de eqüidade, diferença e
proporcionalidade na apropriação e contextualização das
Diretrizes Curriculares Nacionais e na proposição de um modelo
pedagógico próprio de modo a assegurar:
I. quanto à eqüidade, a distribuição específica dos
componentes curriculares a fim de proporcionar um
patamar igualitário de formação e restabelecer a igualdade
de direitos e de oportunidades face ao direito à educação;
II. quanto à diferença, a identificação e o reconhecimento da
alteridade própria e inseparável dos jovens e dos adultos
em seu processo formativo, da valorização do mérito de
cada qual e do desenvolvimento de seus conhecimentos e
valores;
III. quanto à proporcionalidade, a disposição e alocação
adequadas dos componentes curriculares face às
necessidades próprias da EJA com espaços e tempos nos
quais as práticas pedagógicas assegurem aos seus
estudantes identidade formativa comum aos demais
participantes da escolarização básica.

As Diretrizes Curriculares para a EJA destacam também que, o perfil dos


(as) estudantes que freqüentam a EJA é diferente dos estudantes presentes nos cursos
regulares e recomendam que “o perfil dos estudantes da EJA e suas situações reais
devem constituir o núcleo da organização da proposta pedagógica” a ser desenvolvida.
Para tanto, o desafio deste programa é integrar em sua organização curricular trabalho
e elevação de escolaridade.

O trabalho será o princípio educativo que orientará, teórico-


metodologicamente, o desenvolvimento das ações. Considerando aqui o trabalho como
produção da existência humana na relação com a natureza, num processo de
hominização de homens e mulheres. Por se tratar da especificidade de jovens e adultos é
que a relação entre trabalho e educação deve ser o mote. O trabalho como prática
social que organiza o processo formativo na EJA e que tem como referência o
desenvolvimento sustentável e solidário com enfoque territorial e a economia
solidária. Entendendo que a economia solidária corresponde a uma diversidade de
atividades econômicas e sociais – produção, distribuição, consumo, poupança e crédito
– organizadas sob a forma de cooperativas, federações e centrais cooperativas,
associações e empresas autogestionárias, movimentos, organizações comunitárias, redes
de cooperação e complexos cooperativos. Isto é, pela propriedade coletiva dos meios de

19
produção de bens ou prestação de serviços e pela participação democrática nas decisões
dos membros da organização ou empreendimento9.

A II Conferência Nacional por uma Educação do Campo ao tratar da


educação profissional estabelece que esta deverá atender as mais diversas situações e
exigências do campo, quais sejam:

a) “ proporcionar através de atividades educativas condições


de trabalho e geração de renda para que os (as) jovens consigam
viver com dignidade no campo e possam ter acesso aos bens
culturais e sociais produzidos pela humanidade;
b) ajudar na formação de lideranças para que estas possam
estimular e orientar o desenvolvimento técnico agroecológico em
geral e comunitário, em particular, sem perder seus valores
históricos e culturais;
c) despertar no jovem a valorização do campo como
ambiente de criação e vida;
d) preparar o (a) jovem para participar conscientemente e
com preparo técnico fundamentado em um novo modelo de
desenvolvimento do meio rural;
e)proporcionar conhecimentos teóricos e práticos na agricultura,
pecuária, pesca, no extrativismo e outras culturas, destinados a
possibilitar que a economia das comunidades e das regiões seja
viável economicamente, com uso de técnicas adequadas para a
recuperação e preservação do meio ambiente”10.

A qualificação profissional (relação social construída pela interação dos


agentes sociais do trabalho em torno da propriedade, significado e uso do conhecimento
construído no e pelo trabalho) é um complexo construto social. Por ser intimamente
ligado à produção e reprodução da força de trabalho têm um enorme papel na
possibilidade dos indivíduos adentrarem, permanecerem ou serem excluídos do
processo produtivo (embora estas relações possam extrapolar a esfera da produção).

Isto significa que não podemos tratar a formação como algo


exclusivamente do mundo do trabalho ou do mundo da educação. Trata-se de percebê-la
como um ponto de intersecção, para o qual devem confluir diversas abordagens e
contribuições, entre elas a dos sujeitos trabalhadores.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) afirma que a qualificação


pode ser entendida como:

9
MTE. Plano Nacional de Qualificação: termo de referência em economia solidária, s.d. (mimeo.)
10
Texto base da II Conferência Nacional por uma Educação do Campo, 2004, p. 24

20
a) parte indissolúvel das Políticas de Trabalho, Emprego e Renda, sejam
elas urbanas ou rurais; públicas ou privadas; resultem em relações assalariadas,
empreendedoras individuais ou solidárias;
b) uma forma de educação profissional (formação inicial e continuada),
devendo estar articulada com a educação de jovens e adultos, a educação do campo e a
educação profissional de nível técnico e tecnológico;
c) um processo de construção de políticas afirmativas de gênero, etnia e
geração, ao reconhecer a diversidade do trabalho e demonstrar as múltiplas capacidades
individuais e coletivas;
d) uma forma de reconhecimento social do conhecimento do trabalhador,
ou seja, de certificação profissional e ocupacional, que deve estar articulada com
classificações de ocupações, profissões,carreiras e competências;
e) uma necessidade para o/a jovem e o/a adulto/a, em termos de
orientação profissional para sua inserção no mundo do trabalho;
f) um objeto de disputa de hegemonia, com a negociação coletiva da
qualificação e certificação profissionais devendo integrar um sistema democrático de
relações de trabalho.

Por esta multidimensionalidade, a qualificação nunca é apenas


“profissional” (dimensão técnica), mas sempre “social” (dimensão sociolaboral). Fala-
se, portanto, em qualificação social e profissional para denominar as ações de formação
voltada para uma inserção autônoma, solidária e empoderada no mundo do trabalho. A
qualificação social e profissional permite a inserção e atuação cidadão no mundo do
trabalho, com efetivo impacto para a vida e o trabalho das pessoas11”. Para isso, faz-se
necessário no decorrer do processo formativo “a promoção de atividades político-
pedagógicas baseadas em metodologias inovadoras dentro de um pensamento
emancipatório de inclusão, tendo o trabalho como princípio educativo; o direito ao
trabalho como um valor estruturante da cidadania; a qualificação como uma política de
inclusão social e um suporte indispensável do desenvolvimento sustentável, a
associação entre a participação social e a pesquisa como elementos articulados na
construção desta política e na melhoria da base de informação sobre a relação trabalho-
educação-desenvolvimento.Isso possibilita a melhoria das condições de trabalho e da
qualidade social de vida da população12.

11
MTE. Plano Nacional de Qualificação 2003-2007, 2003, p. 24.
12
Idem, 2003, p. 25.

21
8. Projeto Político Pedagógico Integrado

8.1. Princípios políticos-pedagógicos13

Os princípios político-pedagógicos que dão sustentação ao programa


serão desenvolvidos sob orientação das Referências para uma Política Nacional de
Educação do Campo e das Diretrizes Curriculares Nacionais. São eles:

I) a escola formadora de sujeitos articulada a um projeto de


emancipação humana

Pauta-se pela necessidade de estimular os sujeitos da educação em sua


capacidade de criar com outros um espaço humano de convivência social desejável.
Possibilitando aos sujeitos constituírem-se enquanto ser sociais responsáveis e livres,
capazes de refletir sobre sua atividade, capaz de ver e corrigir os erros, capaz de
cooperar e se relacionar eticamente, porque não desaparece nas suas relações com o
outro. Portanto, a educação como formação humana é também uma ação cultural. Esse
processo que envolve atitudes, valores e comportamentos que devem refletir também na
dimensão institucional de forma permanente e sistemática e deve atravessar toda a vida
escolar.

II) a valorização dos diferentes saberes no processo educativo

A escola precisa levar em conta os conhecimentos que estudantes, seus


núcleos familiares e comunidades possuem estabelecendo um diálogo permanente com
os saberes produzidos nas diferentes áreas de conhecimento. Tais conhecimentos
precisam garantir elementos que contribuam para uma melhor qualidade de vida.

III) a compreensão dos tempos e espaços de formação dos sujeitos


da aprendizagem

13
MEC. Referências para uma Política Nacional de Educação do Campo, 2004.

22
A Educação no Campo ocorre tanto em espaços escolares como fora
deles. Envolve saberes, métodos, tempos e espaços físicos diferenciados. Portanto, não
são apenas os saberes construídos na sala de aula, mas também aqueles construídos na
produção, na família, na convivência social, na cultura, no lazer e nos movimentos
sociais. A sala de aula é um espaço específico de sistematização, análise e de síntese das
aprendizagens, se constituindo assim, num local de encontro das diferenças, pois, é nela
que se produzem novas formas de ver, estar e se relacionar com o mundo.

IV) a escola vinculada à realidade dos sujeitos

A escola do campo é uma concepção que está vinculada à realidade dos


sujeitos, realidade esta que não se limita ao espaço geográfico, mas que se refere,
principalmente aos elementos socioculturais que constituem os modos de vida desses
sujeitos. Construir uma educação do campo significa pensar numa escola sustentada no
enriquecimento das experiências de vida, não em nome da permanência nem da redução
destas experiências, mas em nome de uma reconstrução dos modos de vida, pautada na
ética da valorização humana e do respeito à diferença. Uma escola que possibilite aos
seus alunos/as a condições de optarem sobre o lugar onde desejam viver

V) a educação como estratégia para o desenvolvimento


sustentável

Os paradigmas da sustentabilidade supõem novas relações entre as


pessoas e a natureza, entre os seres humanos e os demais seres dos ecossistemas. A
educação para o desenvolvimento leva em conta a sustentabilidade ambiental, agrícola,
agrária, econômica, social, política, cultural, a eqüidade de gênero, racial, étnica e
intergeracional. Pensar a educação na relação com o desenvolvimento sustentável é
pensar a partir da idéia de que o local, o território pode ser reinventado através das suas
potencialidades. Uma das formas de trazer à tona essas potencialidades está na
revitalização da importância do coletivo como método de participação popular de gestão
das políticas e das comunidades onde vivem.

VI) a autonomia e colaboração entre os sujeitos do campo e o


sistema nacional de ensino

Para implementar políticas públicas que fortaleçam a sustentabilidade dos


povos do campo é preciso estar atento para a diversidade existente entre os povos do

23
campo. O que significa que não se pode construir uma política de educação idêntica para
todos os povos do campo. Neste sentido, adquire importância a ampla participação dos
movimentos sociais e organizações da sociedade civil na construção das políticas
educacionais para que a identidade do campo na sua complexa diversidade e o
compromisso com um projeto de desenvolvimento sustentável para o mesmo estejam
intrinsecamente articulados aos projetos pedagógicos.

VII) o trabalho como princípio educativo

O trabalho como princípio educativo orientará o desenvolvimento do


programa, de modo a resgatar os valores do trabalho coletivo contribuindo para a
autonomia e o empoderamento dos jovens agricultores familiares.

8.2. Organização curricular

Antes de ser uma proposta pré-definida, o currículo orienta-se pelo


diálogo constante com a realidade, na interação dos sujeitos com a comunidade,
estruturando-se em questões desencadeadoras que articulam os conteúdos a partir da
realidade prática dos alunos. Esta concepção está em sintonia com o Plano Nacional de
Qualificação: 2003-2007 (2003, p. 30) quando orienta que uma educação integral do/a
trabalhador/a que supere as práticas de qualificação profissional tidas como treinamento
operacional, imediatista, segmentado e pragmático requer

• um projeto pedagógico que tenha como eixos gerais


articuladores dos temas do trabalho e da cidadania, para
propiciar para os/as educandos/as uma articulação virtuosa
entre sua inserção no mundo do trabalho e sua participação
social e política;
• uma construção curricular que envolva as dimensões
técnico-científica, sociopolítica, metodológica e ético-
cultural

Para que a formação seja de fato integrada é necessário construir uma


ponte entre os saberes da educação geral e os da qualificação social e profissional de
modo a garantir a apropriação das tecnologias específicas. A observação dos processos
de transformação presentes no campo, das temáticas de gestão e de controle dos

24
processos produtivos, da organização do trabalho e da organização da produção em
constante diálogo com as áreas de estudo que compõem o ensino fundamental.

Nesta perspectiva a organização curricular está fundamentada no eixo


curricular articulador Agricultura Familiar e Sustentabilidade que dialogará com os
eixos temáticos: Agricultura familiar: etnia, cultura e identidade; Desenvolvimento
sustentável e solidário com enfoque territorial; Sistemas de produção e processos
de trabalho no campo; Economia solidária e Cidadania, organização social e
políticas públicas. Os eixos temáticos agregam conhecimentos da formação
profissional e das áreas de estudos para a elevação de escolaridade.

A formação integrada pretendida visa atender à expectativa de uma


formação inicial e continuada que aponte para itinerários formativos. Nela, a atualização
dos conhecimentos necessários ao mundo do trabalho no campo sempre em mudança,
deve necessariamente reconhecer, por um lado, o saber acumulado pelos (as)
agricultores(as) familiares em sua cultura e sua trajetória e, por outro, a dimensão
tecnológica e organizacional cada vez mais presente no campo. Considerando ainda,
que a agricultura familiar é uma atividade produtiva complexa, os profissionais que
atuam nesta atividade se revestem de uma particularidade que os diferenciam dos
trabalhadores urbanos ou agricultores que atuam nas propriedades de grande porte que
dependem de mão de obra externa maior que a mão de obra da família.

A propriedade do agricultor familiar é pequena, poucos módulos rurais


para a manutenção de todos, então, tradicionalmente este busca, neste espaço, produzir
praticamente tudo que é necessário à existência dos seus, os alimentos, o lazer e o
abrigo. Existe uma forte solidariedade mecânica entre os membros destas sociedades e
uma relativa solidariedade orgânica, os membros das famílias se substituem com
relativa facilidade não é necessário uma divisão muito rígida das atividades. O modo de
produção está fundado no trabalho solidário da família consangüínea e a família
comunitária, a circulação de moeda é menor que a circulação de mercadorias e serviços,
os trabalhos organizados na base dos mutirões, traição ou sopreza, troca de dias, aluguel
de mão de obra entre outras formas representam o universo do trabalho.

O agricultor familiar diferentemente dos profissionais do século 21 que


são especialistas em nas suas áreas de atividade, agrega em si diversas especializações.
Ele é naturalmente pluriativo isto significa, na maioria das vezes, ser ao mesmo tempo:

25
agricultor, pecuarista, pescador, construtor, administrador, comerciante, industriador14,
artesão, ecologista, extrativista, líder comunitário.

A educação urbana tende a formação do especialista com a divisão do


mundo do trabalho e segmentando as atividades produzindo indivíduos que se aplicam
exclusivamente a uma área dentro de um ramo de atividade, quanto maior o número de
anos escolares e especialização maior é a valorização profissional.

A formação/qualificação do agricultor familiar se reveste de


particularidades que precisam ser levadas em conta na construção dos projetos
educativos, que atendem esta população, as ações vivenciais do campo são mais
integradas que nas cidades.
Para o desenvolvimento da qualificação profissional inicial foi
construído um arco ocupacional que congrega um conjunto de atividades diversas que
são realizadas pelos agricultores familiares. Arcos de ocupações são conjuntos de
ocupações relacionadas, ou seja, que possuem base técnica comum. Estes arcos podem
abranger as esferas da produção e da circulação (produção rural, agroindústria,
comércio, prestação de serviços), garantindo uma formação mais ampla e aumentando
as possibilidades de inserção ocupacional do/a trabalhador/a, seja como agricultor
familiar, assalariado, auto-emprego ou associado/cooperativado (economia solidária).
No processo de escolarização cada instituição ao elaborar o projeto
educativo promoverá, junto com os educandos, estratégias para a escolha das atividades
que são privilegiadas na região ou aquelas que potencialmente poderão ser
desenvolvidas. Estabelecer mecanismos de análise para determinar aquilo que não está
sendo desenvolvido, mas que existem possibilidades concretas ou interesse em
desenvolver, os educadores e professores através de consultas aos educandos poderão
encontrar quais são as atividades a serem escolhidas como tema de estudo.
As ocupações de um arco estão descritas individualmente na
Classificação Brasileira de Ocupações - CBO15, mas não necessariamente estão contidas
na mesma família ocupacional. As ocupações individuais propostas estão sendo
cotejadas com as ocupações trabalhadores (as) rurais no Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados do Mercado Formal (CAGED) em todo o país de modo a orientar a

14
Aquele que industria, ou seja, que tem habilidade ou aptidão para realizar algo, especialmente para
executar trabalho manual; arte, destreza, perícia capacidade de criar, de produzir com arte, habilidade,
sensibilidade; artifício, criatividade, engenho ato de colocar essas habilidades em prática; ação, atividade,
obra.
15
http://www.mtecbo.gov.br.

26
escolha dos arcos. Entretanto, como o CAGED só retrata o assalariamento e a
propriedade rural formal, cada território poderá escolher dentre as opções possíveis, de
acordo com a realidade local ou regional.
O arco de ocupações rurais servirá como eixo orientador e facilitador do
processo de formação social e profissional dos/as trabalhadores/as rurais. Embora um
arco possa apresentar um número maior de ocupações, a presente proposta trabalha com
cinco (5) ocupações.
As ocupações descritas no arco têm como base a Resolução N º 4/1999
do CNE quando tratava das orientações profissionais e habilitações permitidas nas
Escolas Agrotécnicas Federais.

Arco Ocupações
1. Culturas
2. Pecuária
Produção Rural 3. Extrativismo
4. Agroindústria
5. Aqüicultura

O arco produção rural deverá contemplar de modo transversal estudos


em meio ambiente, e, gestão e administração.

As áreas de estudos chamadas a dialogar com os eixos temáticos são:


Linguagens, Linguagem Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza.
Estas estabelecem um diálogo entre si ao mesmo tempo em que cada uma delas
contribui para ampliar a compreensão das práticas sociais. As práticas sociais como
produtoras de significados servirão de referência para que as áreas de estudos re-
signifiquem o conteúdo de sua contribuição na explicitação da temática estudada. Uma
das perguntas que orientará as relações entre as áreas de estudos e os eixos temáticos
será: - Quais as contribuições da História, da Biologia, da Geografia, da
Matemática entre outras, para a compreensão e explicação dos conhecimentos
presentes nos eixos temáticos? Quais as articulações desses conhecimentos com o
arco ocupacional?

27
A inclusão das áreas de estudos na estrutura curricular é resultado da
concepção de educação que rejeita as limitações das práticas de qualificação
profissional tradicionais. Objetiva a formação de um profissional que se aproprie da
cultura e conhecimento humano e, que compreenda técnica, ciência e cultura como
partes de uma única realidade, criada pela capacidade do homem pensar e atuar sobre o
mundo, pela sua capacidade de produzir cultura, técnica e conhecimento.

Os conteúdos do currículo do ensino formal são trabalhados em um


processo de reflexão e aprofundamento das questões desencadeadas pelos temas
específicos de cada grupo de educandos. Os conceitos desenvolvidos nos cursos
dialogam com a experiência vivida pelo/a agricultor/a familiar.

A articulação do saber do aluno e com as diferentes áreas do


conhecimento deve possibilitar a vivência de novos valores e o desencadeamento de
ações coletivas.

Proposições de conhecimentos que poderão ser desenvolvidos nos eixos


temáticos ao longo do processo formativo:

• o ser humano e suas relações com a terra;


• a trajetória histórica dos(as) agricultores(as) no
desenvolvimento agrário brasileiro;
• desenvolvimento rural sustentável: a construção histórica
do conceito de desenvolvimento e da agricultura familiar;
• desenvolvimento sustentável com enfoque territorial;
• os fatores limitantes e potenciais da agricultura familiar
(método, terra, tecnologia, capital, trabalho, diversidade
cultural);
• a construção da visão sistêmica;
• a interpretação de paisagens;
• o trabalho e seus significados;
• os instrumentos de políticas públicas;
• as relações sociais de gênero, raça/etnia, classe e geração;
• financiamento e crédito;
• agroecologia e desenvolvimento sustentável;
• economia solidária;
• cooperação;
• agroindústria;
• mercado;
• gestão agrícola;
• gestão para grupos de cooperação;
• cooperativas de crédito;

28
8.2.2. Estrutura do currículo

Agricultura fami- Desenvolvimento


liar: etnia, cultura sustentável e
e identidade solidário com
enfoque territorial

Linguagens Agricultura Linguagem Matemática


Familiar e
sustentabilidade

Ciências Humanas Ciências da Natureza

Economia
Sistemas de
Solidária Cidadania,
produção e processos
de trabalho no organização social e
campo políticas públicas

8.2.3. Diretrizes Orientadoras para o Ensino Fundamental

O Programa apresenta algumas diretrizes pautando-se pela LDB


9394/96.

O Ensino Fundamental deverá contemplar os conhecimentos contidos


nos eixos temáticos: a) Agricultura familiar: cultura, etnia e identidade; b) Sistemas de
produção e processos de trabalho no campo; c) Desenvolvimento sustentável e solidário
com enfoque territorial; d) Economia solidária; e) Cidadania, organização social e
políticas públicas. A complexidade da abordagem deverá levar em conta a realidade
local e a realidade do grupo de educandos.

A elevação de escolaridade associada à qualificação social e profissional


deverá possibilitar aos educandos:

29
- Desenvolver a capacidade da leitura e da escrita e o seu uso na
interpretação da realidade e na satisfação das necessidades cotidianas.

- Reconhecer e valorizar a linguagem de seu grupo social como


instrumento adequado e eficiente na comunicação cotidiana, na elaboração artística e
nas interações com pessoas de outros grupos sociais que se expressem por meio de
outras formas de linguagem.

- Reconhecer a relação entre conhecimento científico e o


conhecimento acumulado dos trabalhadores em sua trajetória escolar, de trabalho e de
vida.

- Compreender as Ciências como processos de produção do


conhecimento e como atividades humanas, históricas, associadas a aspectos de ordem
social, econômica, política e cultural.

- Formular questões, elaborar diagnósticos e propor soluções para


problemas reais enfrentados na agricultura familiar colocando em prática conceitos,
estratégias, procedimentos e atitudes desenvolvidas no processo formativo.

- Conhecer a diversidade das formas de arte da cultura local,


regional, nacional e internacional como expressão e comunicação de indivíduos e
grupos.

- Potencializar a ação dos agricultores familiares como agentes de


desenvolvimento, buscando ampliar o seu protagonismo na construção de estratégias de
intervenção e de fortalecimento do desenvolvimento sustentável e solidário com
enforque territorial.

- Estimular a vivência de relações organizativas que contemplem


novas formas de organização do trabalho e da produção na perspectiva da cooperação e
associativismo.

- Refletir sobre o papel e a importância da organização e


representação política da agricultura familiar num processo de desenvolvimento.

- Refletir sobre o funcionamento do Estado, a constituição e a


identificação dos espaços públicos, bem como suas instituições.

- Aprofundar a relação entre conhecimento científico e o


conhecimento acumulado dos trabalhadores em sua trajetória escolar, de trabalho e de

30
vida para a construção de novos referenciais tecnológicos baseados também nos
fundamentos e princípios da agroecologia.

8.2.4. Organização dos tempos e espaços Formativos

A Resolução CNE/CEB nº 1 que institui as Diretrizes Operacionais para a


Educação Básica nas Escolas do Campo estabelece no Art. 7º:

§ O ano letivo, observado o disposto nos arts. 23, 24 e 28 da LDB,


poderá ser estruturado independentemente do ano civil.
§ As atividades constantes das propostas pedagógicas das escolas
preservadas as finalidades de cada etapa da educação básica e da
modalidade de ensino prevista, poderão ser organizadas e
desenvolvidas em diferentes espaços pedagógicos, sempre que o
exercício do direito à educação escolar e o desenvolvimento da
capacidade dos alunos de aprender e de continuar aprendendo
assim o exigirem.

A integração de atividades efetivadoras do processo de ensino e


aprendizagem, traduzidas na estrutura curricular, além de contemplar atividades em sala
de aula, onde os conteúdos da escolarização são integrados aos de formação
profissional, devem também contemplar atividades extra-sala, denominadas ações
comunitárias. A partir, das necessidades apontadas pelos educandos, dos estudos
realizados, das discussões suscitadas nas aulas regulares é no espaço das ações
comunitárias que os educandos, planejam e realizam atividades que envolvam a
comunidade e instituições próximas e discutem alternativas coletivas de geração de
emprego e renda e políticas de desenvolvimento sustentável.

Para atender a especificidade da modalidade EJA e da Educação do


Campo é preciso assegurar que a organização dos tempos e espaços formativos sejam
adequados àquela realidade assegurando assim, as estratégias específicas de
atendimento escolar do campo e a flexibilização da organização do calendário escolar.
Essa flexibilização pode acontecer sob a forma da alternância, por exemplo, considerada
uma das mais adequadas metodologias para atender as peculiaridades das populações do
campo.

31
A alternância é uma metodologia desenvolvida pela conjugação de
períodos alternados de formação na escola e na família e pelo uso de instrumentos
pedagógicos específicos. Isto é, o tempo escola, corresponde ao período em que o
estudante permanece efetivamente interno ao espaço da unidade escolar em contato com
o saber sistematizado, planejando e recebendo orientações em sua ação pelos/as
educadores/as, neste período, os estudantes planejam a execução de projetos
experimentais que serão desenvolvidos em suas propriedades. O tempo família,
corresponde ao período em que o estudante é motivado a partilhar seus conhecimentos e
suas experiências em sua família ou local comunitário desenvolvendo seu projeto
experimental sob planejamento e acompanhamento pedagógico dos/as educadores/as.
No Brasil, a alternância é experienciada há mais de trinta anos, e um resultado positivo
que pode ser destacado, é o fato de que a maioria dos ex-alunos têm permanecido no
meio rural desenvolvendo atividades na agricultura ou noutras áreas.

Os espaços formativos são espaços privilegiados de articulação entre o


estudo, a pesquisa e propostas de intervenção. Devem, portanto, ser organizados de
modo a estimular/desenvolver:

• Resgate da auto-estima: desenvolver diferentes modalidades de


expressão: leitura, escrita, audição, fala, teatro, desenhos, movimento corporal.

• Resgate das culturas étnicas: superação do modelo branco-


masculino. Verificar e valorizar as diferenças. Identificar os mecanismos de
desigualdades étnico-raciais existentes na sociedade brasileira.

• Reconstrução da identidade pessoal: suas histórias familiares,


pessoais, suas formas de resistência ao longo de suas vidas, a construção do sujeito
de direitos. Descobrir-se como ser histórico. Sentido de pertencimento.

• Desenvolver o espírito coletivo: trabalhar em grupos grandes e/ou


pequenos mais do que individual, sem descartar este, pois ele também é importante.

• Superação dos valores de dominação: a sala de aula deve


desenvolver-se enquanto um exercício e uma aprendizagem de democracia e da
superação de valores e preconceitos que fortaleçam as desigualdades (gênero,
geração, classe, raça/etnia, identidade sexual, religiosidade, etc.)

• Constituir fóruns de discussão e avaliação com a participação de


todos.

32
• Desenvolver a solidariedade: na ajuda mútua para aprendizagem,
para desenvolver tarefas de várias naturezas, troca de informações nas pesquisas.

• Desenvolver a autonomia: através do estímulo à pesquisa, da


elucidação de dúvidas, da construção de propostas, das iniciativas em sala de aula e
fora dela, do trabalho em grupo.

A carga horária obrigatória ofertada pela proponente é de 3200 horas.


Destas, no mínimo 2400 horas serão presenciais, correspondendo àquelas atividades
pedagógicas que envolvem o grupo de estudantes, professores e educadores. As 800
horas não presenciais correspondem à preparação dos estudos, à aplicação prática dos
conhecimentos na sua família ou comunidade.
Os professores orientarão os educandos numa ação integrada entre as
áreas de estudos e a qualificação social e profissional. Para isso contarão com formação
inicial e continuada, além de materiais didáticos estruturados de acordo com as
diretrizes curriculares do programa.
As atividades do ensino fundamental estarão sob responsabilidade de
dois (02) professores (Linguagens, Linguagem Matemática, Ciências Humanas,
Ciências da Natureza) e um (01) educador responsável pela Qualificação Profissional.
Cada profissional terá uma carga horária correspondente a 30 horas, sendo que destas,
20 horas são de atividades com as turmas e 10 horas de atividades de planejamento do
trabalho pedagógico e atendimento a estudantes. Cada professor, sob responsabilidade
da coordenação pedagógica, deverá assumir duas áreas de estudo.

8.2.5. Avaliação

A avaliação abrange todos os momentos e recursos que o professor


utiliza no processo de ensino-aprendizagem, tendo como objetivo principal o
acompanhamento do processo formativo dos educandos, verificando como a proposta
pedagógica vai sendo desenvolvida ou se processando, na tentativa da sua melhoria, ao
longo do próprio percurso. A avaliação não privilegia a mera polarização entre o
“aprovado” e o “reprovado”, mas sim a real possibilidade de mover os alunos na busca
das novas aprendizagens. Muito embora exista a preocupação com a escolaridade, o
processo de ensino-aprendizagem traz no seu bojo a concepção que não separa a

33
avaliação da aprendizagem. São partes constitutivas de um mesmo processo. A
avaliação nesse sentido ocorre como parte do processo de construção do conhecimento.

A avaliação neste programa é considerada um processo coletivo,


cumulativo, contínuo, permanente e flexível de obtenção e julgamento de informações
de natureza quantitativa e qualitativa, e tem como princípios:

- a coerência entre a prática avaliativa, os objetivos e o


desenvolvimento metodológico;

- o processo contínuo e permanente de participação de educandos e


professores

- o processo de diagnóstico permanente da prática pedagógica servindo


de orientador das ações pedagógicas subseqüentes;

- o processo transparente, discutido e acordado entre os envolvidos


com o propósito de identificar as dificuldades e a superação destas;

- a utilização de diferentes procedimentos e instrumentos de avaliação;

- o processo avaliativo vai além da aferição de conhecimentos


incluindo atitudes, comportamentos, compromisso com o estudo e
com a ação comunitária.

9. Certificação

Terá direito à certificação, o educando que concluir com aproveitamento


o processo formativo e obtiver a freqüência mínima de 75% (setenta e cinco por cento)
da carga horária.
Os concluintes do ensino fundamental receberão certificação em Ensino
Fundamental com Qualificação Profissional Inicial em Produção Rural.
A certificação estará sob responsabilidade das Escolas Agrotécnicas
Federais e CEFETs Agrícolas, seguindo a regulamentação da instituição certificadora.

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10. Inscrição, matrícula e organização das turmas

Será de responsabilidade do (a) proponente a inscrição, a matrícula e a


organização das turmas. Cada turma deve ser constituída de no mínimo 20 alunos e o
máximo de 30 alunos.

São critérios para inscrição e matrícula no programa.

Para inscrever-se no Programa de EJA, os interessados deverão:


• apresentar noções de leitura e escrita e noções matemáticas (que
possam ser detectados através de preenchimento de ficha de inscrição, preenchida pelo
próprio interessado);
• ser agricultores familiares, na faixa etária, prioritária entre 15 e 29
anos;
• residir ou trabalhar nas regiões de abrangência do programa
especialmente em municípios localizados nos territórios rurais;
• não ter concluído o Ensino Fundamental;
• não estar matriculado em curso regular

11. Recursos Humanos

Atuarão no programa: coordenadores pedagógicos, professores e


educadores.

Os Coordenadores pedagógicos terão como função a orientação, o


planejamento e o acompanhamento das atividades pedagógicas realizadas pelos(as)
professores(as). Cada proponente oferecerá como contrapartida um(a) coordenador(a)
pedagógico(a) que ficará responsável por dez (10) turmas de educandos. O(a)
coordenador(a) deverá ter como perfil:

- Ser professor (a) na rede pública ou contratado por esta

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- Formação/habilitação em licenciatura

- Experiência em EJA

- Disponibilidade para participar de formação continuada

- Participação em movimentos sociais e ou associações comunitárias


locais.

A seleção de professores (as) deverá levar em conta seguir os seguintes


critérios:

- Habilitação em uma das áreas do currículo previsto neste programa


(Linguagens, Linguagem matemática, Ciências Humanas, Ciências da Natureza) ou
habilitação em curso de magistério (ensino médio)

- Disponibilidade de tempo para formação, planejamento e execução das


atividades previstas no Programa
- Participação em movimentos e ou associações comunitárias locais.

- Experiência em educação de jovens e adultos

A seleção de educadores para o desenvolvimento da qualificação profissional


deverá levar em conta os seguintes critérios:

- Habilitação em Ciências Agrárias ou com reconhecido saber em


agricultura familiar.

- Disponibilidade de tempo para formação, planejamento e execução das


atividades previstas no Programa.
- Participação em movimentos e ou associações comunitárias locais.

12. Formação continuada de professores, educadores e coordenadores


poedagógicos

A formação de professores (as), educadores/as e coordenadores (as) deve


garantir a avaliação permanente do processo pedagógico, a socialização das

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experiências vivenciadas pelas turmas e a elaboração do planejamento das atividades do
curso. Objetiva a construção de um quadro de referência e a sistematização de
concepções e práticas político-pedagógicas e metodológicas que orientem a
continuidade do processo. Portanto, a formação de formadores precisa estar centrada no
desenvolvimento metodológico do currículo integrado na EJA.

A formação continuada será de responsabilidade das Escolas


Agrotécnicas, IES públicas e comunitárias e organizações não-governamentais e
movimentos sociais do campo em parceria com as secretarias municipais e estaduais da
educação.

A formação continuada deverá prever:

- uma etapa inicial de formação de no mínimo oitenta horas (80);

- seminários estaduais de no mínimo trinta horas (30) cada, realizado em


módulos, totalizando um mínimo de duzentas horas (180);

- reuniões semanais de planejamento;

Os conteúdos e metodologias deverão contemplar

a) Concepções, desenvolvimento curricular e metodológico do programa.

b) O eixo articulador Agricultura familiar e sustentabilidade e suas relações


com os eixos temáticos, áreas de estudo e formação profissional.

c) O exercício da reflexão sobre a prática pedagógica na modalidade


Educação de Jovens e Adultos: organização do trabalho pedagógico em EJA
(planejamento, currículo, metodologia, avaliação, sistematização, etc).

d) Temas contemporâneos (diversidade, desenvolvimento sustentável com


enfoque territorial, direitos humanos, relações étnico-raciais, relações de gênero,
juventude, entre outros).

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Proposição de assuntos a serem tratados na etapa inicial de formação de
no mínimo oitenta horas (80):

Carga Eixos Temáticos Conteúdos Áreas de ensino


Horária
Apresentação e Princípios pedagógicos do
30 horas discussão Projeto programa
político pedagógico Concepção de Eja
integrado Organização curricular
(arco ocupacional,
estrutura do currículo)
Diretrizes orientadoras
para o ensino fundamental
Organização dos tempos e
espaços formativos
Avaliação
Formação continuada
Elaboração de Material
Didático
10 horas Agricultura Principais conceitos: Orientar e planejar a
familiar: etnia, agricultura familiar, etnia, relação entre eixos
cultura e identidade identidade, cultura temáticos e seus
Conceito de produção conteúdos com as
coletiva e alternativa; áreas do ensino
inserção no mercado de
trabalho na ótica de
sustentabilidade;

10 horas Desenvolvimento Principais conceitos; Orientar e planejar a


sustentável e geografia física e humana relação entre eixos
solidário com da região; economia temáticos e seus
enfoque territorial mundializada e conteúdos com as
perspectivas de áreas do ensino
desenvolvimento;
economia solidária;
história do estado
10 horas Sistemas de modos de produção Orientar e planejar a
produção e (conceituação marxista) e relação entre eixos
processos de estrutura fordista e temáticos e seus
trabalho taylorista de produção e as conteúdos com as
mudanças ocorridas nos áreas do ensino
últimos 20 anos: o
chamado "toyotismo";

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10 horas Economia solidária Conceitos: economia Orientar e planejar a
solidária, cooperativismo relação entre eixos
Formas de cooperação temáticos e seus
conteúdos com as
áreas do ensino
10 horas Cidadania, Conceitos: cidadania, Orientar e planejar a
organização social e organização social e relação entre eixos
políticas públicas políticas públicas; temáticos e seus
organização societária conteúdos com as
capitalista; sociedade de áreas do ensino
classes; diferenciação
entre políticas públicas e
ações governamentais;
história dos movimentos
sociais do campo

13. Material Didático/publicações

Os materiais deverão ser construídos envolvendo professores,


educadores, coordenadores e educandos, considerando a realidade local e regional,
numa parceria entre Escolas Agrotécnicas, IES públicas e comunitárias, movimentos
sociais e organizações da sociedade civil sem fins lucrativos do campo, com experiência
nos temas previstos no currículo do programa.

14. Estrutura operacional do programa

14.1. Gestão e parcerias

A política do Governo Federal, no campo da educação, é de


prioritariamente fortalecer os sistemas públicos, priorizando os entes federativos –
estados e municípios. No caso deste programa, as parcerias com as Secretarias Estaduais
e Municipais de Educação estarão sendo ampliadas com a participação de Escolas
Agrotécnicas, escolas comunitárias, IES públicas e comunitárias e organizações da
sociedade civil sem fins lucrativos e movimentos sociais que atuam no campo e que
apresentem experiência no desenvolvimento de Educação de Jovens e Adultos. São
estas últimas que nos últimos anos têm desenvolvido propostas pedagógicas inovadoras

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e metodologias que integram no currículo a escolarização, a formação profissional e
práticas de cidadania. A participação dessas organizações é de fundamental importância
para o sucesso do programa.

A gestão nacional do Programa será exercida por uma Coordenação


Nacional constituída pelo Ministério da Educação (MEC), Ministério do
Desenvolvimento Agrário (MDA) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e
representações de movimentos sociais e por uma Coordenação Estadual constituída por
organismos estaduais dos referidos Ministérios e representações de movimentos sociais
e organizações não-governamentais com experiência em EJA.

Em alguns estados já estão em pleno funcionamento os Comitês ou


Grupos Executivos Estaduais de Educação do Campo. Estes resultam dos seminários
estaduais de educação do campo e são constituídos de representantes de movimentos
sociais do campo, Undime e Secretarias Estaduais de Educação. Além de significarem
uma forma de permear as estruturas dos estados federados com a estratégia da esfera
pública, projetam ações de divulgação e implementação das Diretrizes Operacionais da
Educação Básica para as Escolas do Campo nas estruturas municipais de educação.
Desse modo, os Comitês ou Grupos Executivos podem se constituir numa importante
referência para a articulação e construção da proposta pedagógica deste Programa a ser
desenvolvido nos estados.
São atribuições da Coordenação Nacional:

- Definir em comum acordo com os Ministérios parceiros (MTE,


MDA) sobre a gestão política, financeira, administrativa e pedagógica;

- Garantir a articulação das ações do programa com o conjunto das


políticas de educação;

- Mobilizar e articular o programa junto aos diferentes ministérios e


poderes públicos;

- Apoiar e orientar as coordenações estaduais e municipais;

- Selecionar os projetos de EJA integrada com formação social e


profissional;

- Realizar os convênios com os proponentes

A Coordenação Estadual é a instância responsável por:

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- Representar a Coordenação Nacional no âmbito do estado

- Divulgar o Programa no estado

- Coordenar as atividades didático-pedagógicas do programa

- Acompanhar e avaliar as ações do Programa no estado

- Apoiar e orientar os (as) coordenadores pedagógicos municipais

- Construir parcerias com as IES públicas e comunitárias, Escolas


Agrotécnicas e organizações da sociedade civil sem fins lucrativos do campo para a
formação continuada dos professores, educadores e coordenadores pedagógicos.

- Planejar em conjunto com as instituições parceiras a formação


continuada dos professores, educadores e coordenadores pedagógicos.

14.2. Instituições Proponentes

A execução do Programa estará sob responsabilidade das Secretarias


Estaduais e Municipais de Educação, organizadas em consórcio, com Escolas
Agrotécnicas, Escolas Comunitárias, IES públicas e comunitárias e organizações da
sociedade civil sem fins lucrativos do campo que tenham experiência na realização de
programas de Educação de Jovens e Adultos.

A proponente no estado (Secretarias Estaduais e Municipais de


Educação) será responsável pela construção do projeto político pedagógico em parceria
com os demais envolvidos (Escolas Agrotécnicas, escolas comunitárias, IES públicas e
comunitárias, movimentos sociais e organizações sociais sem fins lucrativos) com
experiência em educação de jovens e adultos.

14.3. Monitoramento e avaliação

O sistema de monitoramento e avaliação tem como objetivo


acompanhar a implementação do programa em sua área de abrangência prevista no
projeto com vistas a ajustes e correções imediatas, além de realizar encontros técnicos

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para prestação de contas dos recursos recebidos. Para tal, o monitoramento acompanha a
implantação e a operacionalização desde o início do desenvolvimento do curso.
Monitora todo o processo de execução do curso e subsidia o desenvolvimento
pedagógico dando apoio para uma ação mais efetiva.

O monitoramento e a avaliação identificam processos e resultados,


compara dados de desempenho e propõe ajustes aos projetos. Busca, ainda, apreender o
projeto desde a sua formulação, estendendo-se à sua implementação, execução e aos
resultados e impactos produzidos.

Essa avaliação contínua e sistemática contribuirá para o fortalecimento


do programa e das organizações. A avaliação aqui concebida vai além de um mero
procedimento burocrático de prestação de contas. Este processo tem resultado em
aprendizado social das organizações envolvidas na formação dos professores além de
apoiar a gestão dos cursos e sistematizar dados que contribuem para o aprimoramento
do trabalho junto aos jovens do campo.

14.4. Financiamento

O programa financiará:

a) A formação continuada dos (as) professores (as), educadores (as)


e coordenadores (as) pedagógicos (as) envolvidos no programa;

b) Materiais didáticos para uso dos professores (as) e educadores


(as);

c) Materiais didáticos para uso dos educandos (as);

d) Despesas com recursos humanos

e) Publicações específicas

f) Ações educativas complementares (viagens de estudo,


intercâmbio)

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14.5. Sistema de comunicação e informação

Com o objetivo de dar visibilidade ao Programa é indispensável a criação


de uma página na internet que funcione como um sistema organizado de informação
onde a Coordenação do Programa possa disponibilizar dados como:

• informações gerais referentes ao curso;

• projeto de trabalho;

• contados por área de atuação;

• endereços e dados pessoais dos participantes;

• matrícula dos alunos;

• número de professores envolvidos;

• escolaridade dos professores;

• locais de funcionamento de turmas;

• links com outros sites, selecionados de acordo com o interesse do


programa;

• especificidades das localidades;

projetos implementados ou criados a partir da implantação do trabalho no campo.

15. Plano de Implementação do Programa

O Plano de Implementação do Programa de EJA organiza-se em quatro


fases integradas que darão sustentação à execução do programa. São elas:
FASE 01 - Convocação de projetos: divulgação de edital e recebimento de projetos
FASE 02 - Análise de projetos
FASE 03 - Execução: assinatura de convênios com os proponentes

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15.1. Cronograma de implementação

Outubro 2005 Novembro Dezembro 2005 Janeiro 2006 Fevereiro Março 2006
2005 2006

Convocação de X
projetos

Análise de X
projetos

Assinatura de X
convênios

Formação de X
professores

Início das X
turmas

15. Referências Bibliográficas

BRASIL. Congresso Nacional. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº


9394/96.

_______. Congresso Nacional. Plano Nacional de Educação. Lei nº 10.172/2001

_______. Congresso Nacional. Decreto nº 5154/2004

_______. Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica. Diretrizes


Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos. Parecer nº 11 aprovado
em 10 de maio de 2000.

_______. Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Básica. Diretrizes


operacionais para a educação básica nas escolas do campo. Resolução nº 1 de 03 de
abril de 2002.

_______. Ministério da Educação. Educação de jovens e adultos. (s.d.). (mimeo).

44
_______. Ministério da Educação. Referências para uma política nacional de educação
do campo: caderno de subsídios. (2004).

_______. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Proposta técnica de intercâmbio de


experiências inovadoras de educação e cultura para o fortalecimento do
desenvolvimento territorial sustentável. (s.d.). (mimeo).

_______. Ministério do Trabalho e Emprego. Plano Nacional de Qualificação: termo


de referência em economia solidária. (s.d). (mimeo).

____________________________________. (2003). Plano Nacional de Qualificação:


2003-2007.

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. (2005). Programa Nacional de Inclusão de jovens:


educação, qualificação e ação comunitária.(mimeo.)

_______. Secretaria Geral da Presidência da República. (2005). Projovem: Programa


nacional de inclusão de jovens: educação, qualificação e ação comunitária.

_______. Coleção Educação para Todos. Educação de jovens e adultos: uma memória
contemporânea (1996-2004). (2004). Declaração de Hamburgo sobre educação de
Adultos – V Confitea. Brasília: UNESCO/MEC.

CARNEIRO, Maria José. (2005). Juventude rural: projeto e valores. (mimeo.)

FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES NA AGRICULTURA FAMILIAR DA


REGIÃO SUL. (2001). Terra Solidária: Projeto Político Pedagógico. (Org. Joana Célia
dos Passos). Florianópolis: Escola Sindical Sul da Cut.

______________________________________________________________.(2005).
Projeto Terra Solidária de educação integral para a agricultura familiar.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. (2000). Censo


Demográfico.

_________________________________________________________.(2001).
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio.

PROJETO SEMEAR. (2004). Educação e profissionalização dos agricultores


familiares visando o desenvolvimento sustentável. Bahia: DEQ/FAT/PNQ/MTE: FASE.

QUEIROZ. João Batista Pereira. (2004). Construção das escolas famílias agrícolas no
Brasil: ensino médio e educação profissional. Universidade de Brasília (Tese de
Doutorado).

45
II CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO DO CAMPO. (2004). Texto Base.
Luziânia, Go.

46