PROFESSORA: PRISCILA MATTOS MONKEN

GÊNEROS TEXTUAIS E TIPOS TEXTUAIS 1. INTRODUÇÃO Neste capítulo, vamos conhecer dois conceitos bastante importantes para o vestibular (em especial para o Enem): gêneros textuais e tipos textuais. Ao final, você deverá ter compreendido com clareza a diferença entre essas duas noções. 2. GÊNEROS TEXTUAIS Pense numa receita culinária (por exemplo, uma receita de bolo ou de macarronada). Agora, imagine um manual de instruções. E também uma bula de remédio. E ainda uma notícia de jornal. Certamente, você irá concordar que se trata de formatos muito diferentes de textos. Tecnicamente, dizemos que cada um desses formatos corresponde a um gênero textual distinto. Se olhar em volta, você perceberá que nós estamos cercados por textos pertencentes aos mais variados gêneros textuais: receita culinária, receita médica, manual de instruções, bula de remédio, notícia de jornal, horóscopo, charge, anúncio de classificados, poema, redação escolar (como aquela que você aprende na aula de Redação), bilhete, carta pessoal, email, sermão, outdoor, cardápio de restaurante, “scrap” (no Orkut), depoimento (também no Orkut), “post” (em blogs de maneira geral), lista de compras, “torpedo” de celular, romance, edital de concurso... A lista é virtualmente infinita. Para começarmos a conversa, vamos comparar dois desses gêneros: o “scrap” e a bula de remédio. De imediato, é fácil notar que são formatos de texto bastante distintos. Por exemplo, podemos dizer que os “scraps” apresentam as seguintes caracte rísticas: (i) são usados como um meio de contato entre amigos e conhecidos; (ii) tendem a ser curtos; (iii) empregam normalmente uma linguagem informal; e (iv) costumam se dirigir a um interlocutor específico e previamente conhecido. As bulas de remédio, por outro lado, têm características diferentes: (i) são usadas para informar e advertir o cliente; (ii) trazem textos mais longos que o “scrap”; (iii) empregam uma linguagem formal e técnica; e (iv) dirigem -se a um interlocutor genérico e abstrato: qualquer potencial comprador ou usuário do remédio. Com isso, fica claro que temos aqui dois gêneros textuais diferentes: “scrap” e “bula de remédio”. A tabela abaixo resume as diferenças entre esses dois gêneros:

“SCRAP” Usado para manter o contato entre pessoas conhecidas Textos curtos Linguagem informal Dirigem-se a interlocutor

BULA DE REMÉDIO Usado para informar e advertir o cliente Textos mais longos (em comparação com o “scrap”) Linguagem formal e técnica Dirigem-se a um interlocutor

específico e conhecido

genérico e abstrato

Mas, afinal, o que são gêneros textuais? Simplificando um pouco, podemos dizer que cada gênero textual corresponde a um esquema textual próprio, que apresenta determinadas características de forma, volta-se para uma determinada função e se insere em uma determinada situação de produção. A partir de agora, vamos explicar melhor o que queremos dizer com os termos “forma”, “função” e “situação de produção”.

1.1 Gêneros textuais: a forma Quando falamos em forma, estamos nos referindo à estrutura do texto e à linguagem empregada. O termo “estrutura” se refere à maneira como o texto é organizado. Veja alguns exemplos:  O texto está escrito em prosa (como um manual de instruções) ou em versos (como um poema)?  Trata-se de uma enumeração (como uma lista de supermercado) ou de um texto corrido (como uma notícia)?  Divide-se em parágrafos (como uma redação escolar) ou sua estruturação não é feita por meio de parágrafos (como um cardápio de restaurante)?  Tem título (como um “post” de blog), ou é escrito sem título (como um “scrap”)?  Quantas partes estruturais é possível identificar – por exemplo: seriam três, como em uma redação escolar (introdução, desenvolvimento e conclusão) ou duas, como em uma receita (ingredientes e modo de fazer)? O termo “linguagem”, por sua vez, se refere às palavras e construções empregadas no texto. Esse termo engloba aspectos como os seguintes:  Qual é a variante linguística utilizada – por exemplo: seria uma variante formal (como em um edital de concurso) ou informal (como em um bilhete ou um “scrap”)?  Quais são as estruturas sintáticas estruturas sintáticas mais comuns – por exemplo, seriam frases nominais (sem verbos), como em uma lista de compras, ou orações (estruturas com verbos), como em uma notícia de jornal?  Há algum tempo, modo ou forma verbal característica – como no caso das receitas, cujos verbos vêm no imperativo (“bata”, “misture”, “acrescente”) ou no infinitivo (”bater”, “misturar”, “acrescentar”)? Em resumo, quando falamos na forma de um determinado gênero textual, estamos nos referindo tanto à estrutura do texto (seu esquema geral de organização, de estruturação) quanto à linguagem empregada (tipos de palavras e construções escolhidas).

A notícia de jornal é diferente: ela não tem a função nem de ensinar nem de autorizar. finalidade). uma bula de remédio? Certamente. Por exemplo.3 Gêneros textuais: a situação de produção Depois de forma e da função. uma fraude (mas. O parágrafo acima nos dá uma ideia da situação de produção de um texto pertencente ao gênero receita médica: esse texto deve ser escrito por um médico – no suporte apropriado e socialmente reconhecido (a folha do receituário) – e se dirige aos funcionários das farmácias. Caso seja assinado por alguém que não é médico. propósitos. simplesmente. 1. O mesmo pode ser dito em relação aos gêneros textuais. Já a receita médica é usada como uma forma (socialmente aceita e reconhecida) de autorizar o receptor final (o funcionário da farmácia) a vender um determinado medicamento. não é de fato uma receita). Caso seja escrito e assinado por um médico. o documento não tem valor como receita – na melhor das hipóteses. Para ficarmos com os mesmos exemplos. Quem escreve uma receita culinária tem o objetivo de transmitir um tipo específico de conhecimento (de que maneira se deve proceder para preparar um determinado prato). que são seu destinatário final. Além disso. qual é a função de um apagador. portanto. Em que contexto ela é produzida? Quem a produz e a que leitor ela se destina? A resposta é fácil. não poderá cumprir sua função (que é autorizar a venda de algum remédio). falta falarmos apenas sobre a situação de produção dos gêneros textuais. informar. qual seria a situação de produção de um “scrap”? Note que há uma série de particularidades. é uma brincadeira. uma receita é escrita para que seja levada à farmácia: ela se dirige. Seu papel é. mas em um guardanapo. o documento também não terá valor como receita. Trata-se. por exemplo. ou seja. mas também quanto à função (objetivos.2 Gêneros textuais: a função Você já entendeu o que queremos dizer quando fazemos referência à forma de um gênero textual. ou seja. para que fins (ou com que objetivos) ele é utilizado. pense numa receita médica. estamos perguntando para que o apagador serve. uma lista de compras. Por outro lado. Ela só pode ser escrita por um médico em um tipo de suporte criado especificamente para isso: o receituário. cada um desses gêneros serve a um propósito diferente. em última instância. o “scrap” tem que ser escrito por meio de um computador conectado à Internet. de ensinar alguma coisa ao leitor. de todo modo.1. Se você redigir o mesmo conteúdo à mão num pedaço de . Moral da história: os gêneros textuais não se diferenciam apenas quanto à forma (estrutura. linguagem). à pessoa que tem o poder de liberar ou não a venda de um determinado medicamento. Para que serve uma receita médica? E uma receita culinária? E um poema? E um “scrap”. E o que dizer de sua função? Quando perguntamos. na pior.

é inserida na caixa do medicamento e se destina a qualquer cliente em potencial Informar e alertar sobre os riscos do medicamento Linguagem formal e técnica Função Forma Manter contato com amigos e conhecidos Linguagem informal. Mas é preciso deixar claro: essa tabela não tem nenhuma intenção de esgotar as características desses dois gêneros.4 Resumindo Você aprendeu o que são gêneros textuais. “SCRAP” Situação de produção Produzido por um internauta no espaço apropriado do “Orkut”. potencialmente. dentro do Orkut. etc. o “scrap” tem que ser escrito no espaço apropriado – caso contrário. o segundo é produzido dentro de um site da Internet. os “scraps” são normalmente escritos para interlocutores específicos e previamente conhecidos. não será um “scrap”. o resultado será um bilhete – e não um “scrap”. para caracterizar um gênero. Resumindo essa diferença: enquanto a primeira deve ser escrita por um médico numa folha de receituário e se dirige a um leitor desconhecido (qualquer um que venda medicamentos em uma farmácia).papel e pregá-lo na porta da geladeira. e visa normalmente a um destinatário já conhecido do autor. sua função e sua situação de produção. a qualquer pessoa que trabalhe numa farmácia vendendo medicamente. O objetivo é apenas ilustrativo. Viu que. O que essa comparação revela? Simples: ela revela que os gêneros textuais não se diferenciam apenas quanto à forma e à função. o que se vê é que há uma grande diferença entre as situações de produção da bula de remédio e do scrap. incluindo peculiaridades da linguagem da Internet (como abreviações específicas. Ou seja: se a receita médica se destina.) . Além disso. criamos a tabela abaixo. diferente da receita médica. usamos três parâmetros: sua forma. Para sintetizar e esclarecer definitivamente esses conceitos. no espaço apropriado. que compara os gêneros “scrap” e bula de remédio. de modo a facilitar a fixação dos conceitos estudados. 1. Ademais. mas também quanto à sua situação de produção. dirige-se em geral a um interlocutor conhecido “BULA DE REMÉDIO” Escrita por funcionários da fabricante do medicamento. Em resumo. o “scrap” normalmente se dirige a algum indivíduo em particular. emoticons.

servir a prolongar as frases. do Tibete e de Xinjiang. caso contrário. chupado. quando se trata dos tipos textuais. com um principio de calva. contrariado por não poder negar. O rodaque de chita. Ele disse que concordaria em ter o leão como genro. parecia nele uma casaca de cerimônia. acabam por revelar sua solução. sua filha sentiria muito medo. também conhecidos como modos de organização do discurso.2. Assim como no estudo dos gêneros textuais. Dom Casmurro. trata-se de uma lista bastante reduzida. A gravata de cetim preto. Era um modo de dar uma feição monumental às ideias. Por isso. veste caseira e leve. Moral da História: todos os problemas. que já não mais o temia. teria os seus cinquenta e cinco anos. porém. Texto 1 Um dever amaríssimo (fragmemento) José Dias amava os superlativos. como é o caso da Manchúria. não as havendo. (ESOPO. Feito isso. TIPOS TEXTUAIS Você viu acima que o número de gêneros textuais é virtualmente infinito. São Paulo: Loyola. da Mongólia Interior. leia os textos abaixo com atenção. trabalharemos com cinco tipos: narração. 2003) Texto 2 O Leão Apaixonado (Esopo) Um Leão pediu a filha de um lenhador em casamento. descrição. já que o temia. imobilizava-lhe o pescoço.. Aqui. Machado de. mas o lenhador. em termos mais específicos. A situação é bem diferente. quando examinados de perto. pegou um cajado e expulsou-o de sua casa. com um arco de aço por dentro. ele tornou a fazer seu pedido. não fazem parte dela.. Era magro. mas com uma condição: este deveria arrancar suas unhas e dentes. argumentação (dissertação argumentativa) e injunção. 2005) Texto 3 China (fragmento – com adaptações) A palavra China costuma referir-se a regiões que. Fábulas de Esopo. O pai. Trazia as calças curtas para que lhe ficassem bem esticadas. São Paulo: Martins Fontes. exposição (dissertação expositiva). Neste caso. Feliz da vida. (ASSIS. era então moda. (. viu na ocasião um excelente modo de se livrar de vez do problema. também aqui é mais fácil começar a entender por meios de exemplos.) Foi dos últimos que usaram presilhas no Rio de Janeiro. e talvez neste mundo. mandando-o de volta para a floresta. o Leão concordou. .

. mandioca. certamente. Os chineses plantam feijão. Wen Jiabao. já que o idioma dominante é o chinês. Afinal de contas. enquanto “Taiwan” se refere à “República da China”. (. (. (Disponível em: http://pt. (. Uma taxa superior à das maiores economias mundiais (. seu primeiroministro..4465663. Por isso.) (.) Um terço da China é plana ou desertificada. . têm motivos para se queixar. petróleo e gás.... ferro. que o afastaram da cúpula do G8 em Áquila.) (Disponível em: http://www.7%). Porém os atuais confrontos entre uigures e han.) A China possui atualmente uma das economias que mais crescem no mundo. Acesso em: 19 de setembro de 2010) Texto 4 Harmonia étnica da sociedade chinesa é um mito (fragmento) Matthias von Hein O presidente Hu Jintao sempre insistiu na harmonia – também étnica – da sociedade chinesa. nos últimos anos é de quase 10%. violência e contrarreações violentas entre a minoria turcomana dos uigures e os chineses han..de/dw/article/0. uma minoria marginalizada em seu próprio país. a partida do presidente Hu Jintao da Itália surpreendeu.). só existe no papel. (. encontra-se em Pequim. assim como o chefe de polícia. cevada. e outras minorias étnicas como os tibetanos.. "harmonia" entre as nacionalidades só será possível quando a China admitir sua mentira vital: os uigures. com o qual ele queria constar dos livros de história chinesa. chá e tabaco. ouro e outros minerais. algodão.org/wiki/China.. os uigures são.. cobre. sobre que tanto se insiste. comunicação. armados de cassetetes e barras de ferro.Nos meios de comunicação ocidentais.) Entre os mitos cultivados pela propaganda da República Popular da China está o da família de povos convivendo em perfeita harmonia – ao todo há 56 nacionalidades no país. A situação em Xinjiang é séria.911 trilhões de dólares em 2009 (com crescimento de 8. provam o contrário.dw-world. normalmente.) Paz. Estas cifras apontam que a economia chinesa representa atualmente cerca de 15% da economia mundial. painço.html. A indústria é a base da economia. apresenta-se o conflito como algo orquestrado de fora. Amery e Wuca.. (. Os rios principais são: Vermelho. Sua "autonomia". O poderoso presidente do partido é sempre um chinês. Hu Jintao foi quem cunhou o termo "sociedade harmônica".00. Na realidade. Há ilhas. à “República Popular da China”... sendo que a menor delas é Hainan.wikipedia. A média de crescimento econômico deste país. o conceito perdeu toda a credibilidade. não combina com essa imagem. “China” refere-se.. Quase não se encontram uigures nos setores econômicos importantes como as finanças. E as forças de segurança parecem ter a situação sob controle. A confrontação entre uigures e chineses han.. Nas ruas de Urumqi. Há também grandes reservas de prata. fazendo deste país a terceira maior economia do mundo. A sua parte ocidental é formada por planícies férteis e deltas. Mais de 150 mortos. na costa setentrional.. Mesmo assim. O Produto Interno Bruto (PIB) da China atingiu 4. isso é óbvio.

um artigo de opinião. Agora.htm.sp. Acesso em: 19 de setembro de 2010) Você já sabe que os fragmentos acima pertencem a gêneros textuais diferentes: o primeiro é parte de um romance.gov. mostraremos que eles também correspondem a diferentes tipos textuais (ou modos de organização do discurso). neste caso. o terceiro. um verbete de enciclopédia (mais especificamente. Acesso em: 19 de setembro de 2010) Texto 5 (Disponível em: http://saresp. o segundo é uma fábula. a Wikipedia).fde. e o quinto. vamos classificar os textos 1 a 5 de acordo com o modo ou tipo textual predominante em casa um deles: TEXTO Um dever amaríssimo Um leão apaixonado China MODO DE ORGANIZAÇÃO PREDOMINANTE Descritivo Narrativo Expositivo (dissertativo-expositivo) . o quarto. um manual de instruções . Adiantando um pouco as coisas.br/2003/e_m/2o/index.Publicado em: 08 de julho de 2009.

Aqui. (iv) Quanto à idade: tem aproximadamente 55 anos Em resumo. Narrar é contar uma história. (ii) Quanto ao estilo. ainda. O primeiro texto apresenta ao leitor um personagem. com um princípio de calva”. “A igreja fica em cima do morro”) e qualificar (por exemplo. Nesses três casos – quando identificamos. talvez goste de impressionar os outros pela maneira como se expressa (“Era um modo de dar uma feição monumental às ideias. ou seja. está produzindo um texto narrativo. levando-o a conhecer muitas de suas características. localizar (por exemplo. etc. Note que um texto descritivo nem sempre caracteriza personagens – também é possível caracterizar locais. localizamos ou qualificamos –. servia a prolongar as frases”). “João é engenheiro”). você está contando uma história. ou seja. estamos procedendo a uma caracterização. dizendo que o enunciador está fazendo uma narração. irá se passar em um ou mais locais e irá se desenvolver ao longo do tempo. . chupado. sensações ou mesmo cenas. descrevendo-o no que diz respeito a diferentes aspectos (comportamento. modo de se vestir. (i) Quanto ao temperamento e comportamento: gosta de falar bonito. O tipo textual que está em jogo neste caso é a descrição. Neste ponto. apresentar as características de uma pessoa. está narrando – ou. Quais características de José Dias passamos a conhecer a partir da leitura desse pequeno fragmento? Veja a listagem abaixo. local. Quando você relata para os seus amigos tudo o fez durante o fim de semana. Observe que o caso do texto 2 é muito diferente. objeto. devemos admitir que o verbo “caracterizar” é um pouco vago. idade). Neste caso. Descrever é caracterizar. No caso do texto “O leão apaixonado”. que irá envolver um ou mais personagens. é possível ter uma ideia geral a respeito dos tipos textuais que estamos estudando.Harmonia étnica da sociedade chinesa é um mito Refrigeradores Elétricos Consul Argumentativo (dissertativo-argumentativo) Injuntivo Examinando cada um desses textos. na verdade. aparência física. o objetivo central não é descrever. ou seja. contar uma série de acontecimentos que se sucederam no tempo. o objetivo do enunciador é relatar uma história. “João é excessivamente temperamental”). pode-se notar que o objetivo central desse texto é apresentar para o leitor o personagem José Dias. A caracterização pode envolver. objetos. modo de se vestir: é formal e conservador. três operações distintas: identificar (por exemplo. não as havendo. (iii) Quanto à aparência física: “magro.

(vi) Leão faz novo pedido de casamento. na qual são apresentadas informações a respeito de um determinado tema. Seu objetivo central não é nem descrever (seja um personagem. Antes.. também é o texto típico dos livros didáticos ou dos seminários escolares.. na pista. podemos acompanhar a seguinte sequência básica de eventos: (i) Leão pede a filha do lenhador em casamento. trata-se de transmitir informações a respeito de um assunto – no caso. suponha que o professor de biologia peça um trabalho em grupo. (iii) Lenhador dá a resposta ao leão. É exatamente por constituir o relato de uma sucessão de acontecimentos ao longo do tempo que o texto 2 se caracteriza como um texto narrativo. Agora. (iv) Leão concorda com as condições. analise o caso do texto 3. na ordem em que acontecem. a China. Além de aparecer nas enciclopédias. Por exemplo. etc. mais do que todos os outros grupos de animais juntos. sobre os insetos. (ii) Relevo e hidrografia da China. com apresentação oral. (vii) Lenhador expulsa o leão de sua casa. Eles podem ser encontrados em quase todos os ecossistemas do planeta. Esse tipo de texto.Uma maneira de fixar o conceito de narração é pensar nas narrações de futebol ou de outras modalidades esportivas. impondo condições.)? No texto 2. a sucessão de eventos que se desenrolam no campo (ou na quadra. (iv) Indicadores econômicos da China. O que faz um narrador senão relatar. mas só um pequeno . (ii) Lenhador enxerga uma oportunidade de resolver um problema. um local. Simplificadamente.) nem narrar uma história. (iii) Principal atividade econômica da China. (v) Unhas e dentes do leão são arrancados. um objeto. é chamado de dissertação expositiva – ou simplesmente exposição. veja quais informações são transmitidas: (i) Territórios abrangidos pelo termo “China”. os insetos são o grupo de animais mais diversificado existente na Terra. É possível que o primeiro integrante comece mais ou menos assim: “com mais de 800 mil espécies descritas.

). portanto. É exatamente por isso que o texto se chama argumentativo: porque o enunciador precisa argumentar (ou seja. E quais são os argumentos empregados pelo autor do texto 4 para comprovar sua tese de que a tal “harmonia étnica” na China não passa de um mito? Ao longo do texto. não terá realizado nem uma descrição nem uma narração: ele realizado uma exposição a respeito da classe dos insetos. a “Harmonia étnica da sociedade chinesa é um mito”. No texto 3.número de espécies se adaptou à vida nos oceanos”1. Um exemplo clássico de texto argumentativo é a redação de vestibular (o Enem pede sempre redações argumentativas. Lembre-se nas aulas de Redação. Textos que visam a defender uma tese (ou seja. E qual é a opinião – ou seja.org/wiki/Insetos Acesso em: 19 de setembro de 2010 . textos expositivos.wikipedia. há tão-somente a intenção de transmitir informações variadas sobre a China (relevo. assim como a grande maioria dos vestibulares do Rio). 1 Trecho retirado do verbete “insetos” da Wikipedia. em geral. Ambos abordam o mesmo assunto geral: a China. Em outras palavras. compare o texto 3 ao texto 4. seminários escolares constituem. Qual é a opinião do governo chinês sobre esse tema (ou. não ocupam cargos de importância. ou seja. o ponto de vista ou tese – que o enunciador do texto defende? Essa tese está clara já no título: para ele. Esse aluno. você aprende quais são os dois elementos fundamentais do texto argumentativo: tese e argumentos. seja nos negócios. Qual é o tema que está em jogo no texto 4? Resposta: a questão da convivência entre as diversas etnias que residem no território chinês. normalmente. um ponto de vista) são classificados como argumentativos. Ainda assim. o convívio entre as diferentes etnias é harmonioso. no texto 4. Disponível em: http://pt. Nelas. você pode notar que eles são muito diferentes no que diz respeito aos seus objetivos. Agora. pelo menos a opinião declarada do governo chinês)? Resposta: o governo sustenta que. o enunciador procura defender um ponto de vista. etc. seja no governo. (ii) O idioma dos uigures é minoritário. ele apresenta uma opinião a respeito de um tema polêmico e procura demonstrar que sua opinião está correta. é possível identificar pelo menos três: (i) Os confrontes violentos entre uigures e han. desenvolver argumentos) a fim de comprovar a validade da sua tese. economia. na China. (iii) Os uigures. seja na polícia.

instruções ou conselhos. A tabela abaixo faz essa distinção: DESCRIÇÃO Caracterizar (identificar. argumentação (ou dissertação argumentativa) e injunção.Em resumo. ensina o cliente a executar a “instalação inicial” do refrigerador Consul. qualificar) NARRAÇÃO Relatar uma história EXPOSIÇÃO Expor informações. nós estudamos aqui cinco tipos textuais: descrição. defender um ponto de vista INJUNÇÃO Dar instruções. ensinamentos. Por fim. exposição (ou dissertação expositiva). Na prática. por exemplo. ainda que as distinções propostas não tenham necessariamente valor absoluto. falta falarmos apenas do último tipo textual: a injunção. No início do texto. Uma maneira simples de distingui-los é por meio dos objetivos relacionados a cada tipo textual. apresenta argumentos (listados acima). ou seja. o enunciador do texto 4 procura defender uma tese (segundo a qual a harmonia étnica da China é um mito) e. . Isso caracteriza esse texto como uma argumentação. a tabela abaixo ajuda a marcar essa diferenciação de maneira mais detalhada. isso significa que esse tipo de texto se organiza sob a forma de um conversa com o interlocutor. que se propõe a orientar o usuário quanto ao funcionamento ou instalação de algum aparelho. o texto injuntivo tem como uma de suas características mais marcantes a presença de verbos flexionados no modo imperativo. fornecendo – direta ou indiretamente – um conjunto de instruções: verificar a voltagem. localizar. O texto 5. bastante frequente. etc. verificar a rede elétrica. para isso. orientações. conselhos Por seu turno. em outras palavras. o modo imperativa aparece três vezes: “instale”. Em resumo. Textos injuntivos têm o papel de transmitir ordens. Um exemplo típico é o manual de instruções. como um texto argumentativo. Por se dirigir diretamente ao interlocutor (como numa conversa) oferecendo instruções e conselhos ou dando ordens. “deixe” e “regule-o”. ordens. narração. o enunciador parece se dirigir diretamente ao seu leitor ou ouvinte. instalar o fio terra. esse modo verbal não é obrigatório para caracterizar a injunção – mas é. Evidentemente. transmitir conhecimentos ARGUMENTAÇÃO Convencer. No texto 5. sem dúvida. o infinitivo é usado com função análoga: “Verificar”.

que dava para o telhado dos fundos. paredes sombrias. ordens. dados ARGUMENTAÇÃO Convencer. Para esclarecer esse ponto. ordens. um ar de pobreza. o que estamos afirmando é que estes são os modos de organização predominantes. por exemplo. Era uma mulher de quarenta anos. era a cartomante. conselhos Atemporalidade Verbos Agente Conteúdo Narrador Ações ou acontecimentos Argumentador Opiniões. Disponível em: http://www. Quando dizemos que determinado texto é narrativo ou descritivo. por uma escada ainda pior que a primeira e mais escura. morena e magra. vejamos o exemplo abaixo. Velhos trastes. olhava para ele. italiana.pdf. rapidamente. do escrito brasileiro Machado de Assis: Texto 1 (.. havia uma salinha. ensinamentos.dominiopublico. Camilo disse que ia consultá-la. mas por baixo dos olhos.. que antes aumentava do que destruía o prestígio. advérbios e conjunções temporais Presente ou pretérito perfeito do indicativo Atemporalidade Conectores Atemporalidade Conectores Presente do indicativo Presente do indicativo Imperativo ou infinitivo 2. processos Momento único Substantivos e adjetivos Presente ou pretérito imperfeito do indicativo NARRAÇÃO Relatar uma história EXPOSIÇÃO Expor informações. Enquanto as baralhava. localizar.gov.). e sentou-se do lado oposto. textos predominantemente argumentativos podem incluir sequências narrativas.. ela fê-lo entrar. um pequeno trecho do conto A Cartomante.DESCRIÇÃO Objetivo Caracterizar (identificar. qualificar) Observador Seres. e disse-lhe (. cenas. Dali subiram ao sótão. A cartomante fê-lo sentar diante da mesa. com grandes olhos sonsos e agudos. Abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e enxovalhadas. de maneira que a pouca luz de fora batia em cheio no rosto de Camilo. defender um ponto de vista INJUNÇÃO Dar instruções. Acesso em: 25 de setembro de 2009 . (Machado de Assis. não de rosto. Em cima. e assim por diante. é importante destacar o seguinte: textos reais não apresentam um único modo de organização (ou tipo textual).br/download/texto/ua000181. objetos. conselhos Instrutor Instruções. argumentos Tempo Classes de palavras importantes Flexões verbais Sucessão Verbos. Voltou três cartas sobre a mesa. com as costas para a janela.) Veio uma mulher.. A Cartomante. transmitir conhecimentos Expositor Informações.1 Tipos textuais não aparecem isolados Neste ponto. mal alumiada por uma janela. Ou seja: textos predominantemente narrativos podem conter passagens descritivas. ensinamentos.

por meio da qual internautas criticavam o narrador Galvão Bueno. como já dissemos. ao menos em tese. especializado no universo audiovisual. que têm. se opõem aos comentários. O trecho descritivo seguinte. nome dado aos textos principais de um blog pelo seu autor (os posts.17:07 Em defesa de Galvão Bueno . Observe. Texto 2 18/06/2010 . (vii) A cartomante abre uma gaveta. traz tanto localização (“Em cima. nesse sentido. embora se trate de um trecho predominantemente narrativo. (ii) Camila anuncia seus objetivos. em 2010. Galvão”. havia uma salinha”) quanto qualificação (de “mal alumiada por uma janela” em diante). (iii) A cartomante convida Camilo para entrar. da Rede Globo. Produzido durante a Copa do Mundo da África do Sul. (ix) A cartomante embaralha as cartas e olha para Camilo “por baixo dos olhos” (x) A cartomante coloca três cartas sobre a mesa. é nítida a presença de sequências descritivas – que. Vejamos agora um outro exemplo. esse post trata da campanha “Cala a boca. (iv) A cartomante e Camilo sobem ao sótão. ademais. (v) A cartomante indica para o Camilo o lugar onde ele deve se sentar. (xi) A cartomante começa a falar. (viii) A cartomante tira da gaveta um baralho de cartas. A primeira delas aparece logo na segunda oração do fragmento: “era a cartomante”.Observe que o fragmento acima contém tanto sequências descritivas (que estão sublinhadas) quanto sequências narrativas (que não estão sublinhadas). localização e qualificação. a sucessão cronológica de fatos: (i) A cartomante aparece na porta. é possível afirmar que se trata de um trecho predominantemente narrativo. por sua vez. Como seu objetivo é relatar um acontecimento específico – a consulta de um homem a uma cartomante –. O próximo texto pertence a um gênero textual novo: o post. papel secundário). Por outro lado. Lembre-se de que existem três operações que definem a descrição: identificação. estão sublinhadas. (vi) A cartomante se senta em seu lugar. O post abaixo é de autoria do jornalista Ricardo Calil e foi publicado em seu blog “Olha só”.

br/ricardocalil/page/3/. o texto acima contém os dois elementos centrais da argumentação: tese e argumentos. Por fim. por exemplo – não se ressente das críticas. o problema é a imagem que teima em contrariá-lo. A tese está expressa claramente no título: “Em defesa de Galvão Bueno”. mesmo que de forma mercadológica.com. De fato. do que Luciano do Valle. Não seríamos tão chatos se ele estivesse na ESPN 8. (Ricardo Calil. Outro dia. Acho que a implicância com Galvão vem. Galvão é bem menos ufanista. falando de jogadores de nomes complexos de 32 nações. em grande parte. Boa voz. depois ele é esquecido. tecnicamente. mas não é como um queijo furado”. na medida em que o enunciador se propõe a defender um ponto de vista. eu digo: Galvão. Pelo contrário. para mim soaria absurda. Acesso em: 25 de setembro de 2010) Claramente. não. O problema não é Galvão. Mas a verdade é que poucos narradores não fazem isso. Mas pouca gente não erra ao vivo. Pra começar. dura algumas semanas. Não deixa de ser um talento de ficcionista. reflete interesses comerciais da emissora. assumiu. ele me veio com um comentário do tipo: “A defesa é suíça. nem posa de vítima. especialmente em jogos do Brasil. o problema é da seleção. trata-se de um texto argumentativo. um bom narrador. E é uma unanimidade negativa. mas também pelo público. Ele erra? Bastante. mas sabe que seria pior se ele não viesse. que ouço desde 1982. Isso. Em geral. Então acho que vai sobrar pra mim. o “Cala a Boca. não precisa calar a boca. trata-se de defender o ponto de vista de que o . que vem nos visitar de quatro em quatro anos. Isso pode ser visto como uma herança do rádio. que insiste em jogar um futebol mais feito do que Galvão gostaria de ver. em que os jogadores parecem sempre na iminência do gol. Ou seja. assistindo a Espanha x Suíça narrado por Milton Leite (provavelmente o melhor narrador brasileiro há alguns anos). O principal problema de Galvão é narrar um jogo melhor do que o espectador está vendo. Imagine o que não diriam se a frase tivesse saído da boca de Galvão.Quase todo técnico brasileiro é crucificado em época de Copa. não lembro de alguém vir a público para lembrar de suas qualidades. Ele é como um tio um pouco chato. é preciso elogiar o fato de que ele – ao contrário de um Dunga. bom ritmo. Por isso. Ele narra o jogo de Dunga sonhando com o de Telê. ele é. Disponível em: http://colunistas. existe a questão da familiaridade. E tem sempre algum gato pingado que levanta a mão para defendê-lo. A gente tem preguiça de reencontrá-lo. Depois. por exemplo. claro. é uma maneira de não perder a audiência – num sacrifício da credibilidade do narrador pelo patrão. nem se ausentar muito do jogo.ig. Uma Copa sem Galvão. do fato de ele estar numa emissora poderosa. e outros ataques pessoais que muita gente não perdoaria. Sem falar em excesso. Galvão”. Já Galvão Bueno é massacrado desde que começou a transmitir jogos da Copa pela Globo em 1982. Em outras palavras.

o desempenho de Galvão Bueno é plenamente aceitável. para que Galvão é um mau narrador. tão criticado. Galvão Bueno consente prejudicar sua credibilidade com o objetivo de agradar ao público. aqui representado pela Rede Globo (a que se atribui normalmente o poder de influenciar as opiniões das “massas”. Galvão”. que não foi alvo de nenhuma campanha negativa. e quanto a isso ele nada pode fazer. (vii) As críticas a Galvão Bueno não constituem. a nosso ver. enfim. “mandar e desmandar” no Brasil). elas revelam uma certa revolta contra o status quo. não fala em excesso nem se ausenta demais do jogo. fruto de uma virtude maior: no que pode ser considerado uma demonstração de humildade. . e não é criticado por isso. o narrador Milton Leite (o melhor em atividade nos dias de hoje. ressalvas à sua competência técnica. de longe. (viii) Mesmo seus defeitos são. (v) Se Galvão Bueno às vezes se sai com tiradas aparentemente toscas. na verdade. (ii) Galvão Bueno tem uma postura admirável diante das críticas (ainda que se trate de uma admiração com ressalvas). interferir na vida política do país. enumeramos alguns deles. sem compromisso com a ordem em que são apresentados no texto. Observamos ainda que nem todos os argumentos abaixo estão claramente explicitados no texto. (i) Galvão Bueno é tecnicamente competente: tem boa voz. inferências ou desdobramentos que. Abaixo. levando-se em conta esse contexto. bom ritmo. (iv) O ufanismo de Galvão – um de seus defeitos. no fundo.narrador Galvão Bueno é um profissional competente. Além de trazer uma tese. já que trabalha na emissora de TV que deteém. mais propriamente. a maior fatia da audiência brasileira. alguns deles são. antes. Essa tese àquela defendida pelos participantes da campanha “Cala a boca. (vi) As críticas a Galvão Bueno são potencializadas – e acabam sendo exageradas – pelo fato de ele estar muito exposto. (ix) De mais a mais. o post também contém argumentos. é fruto de imposição dos patrões (ou dos “interesses comerciais da emissora). Galvão sequer pode ser condenado pelos seus próprios defeitos: seu estilo de narrar. segundo o enunciador do texto 1) também o faz. o texto autoriza o leitor a fazer. segundo seus detratores – é menor que o do narrador Luciano do Valle. (iii) As exigências do seu trabalho em uma Copa do Mundo – narrar ao vivo e “falando de jogadores de nomes complexos de 32 nações” – são consideráveis e.

não”. não está indicando passagem temporal. Isso não significa é. Isso não impede. Observe alguns exemplos: (i) Sequência descritiva: “Depois. na verdade. A análise acima procurou mostrar que o texto 1 é.” Observação: note que o advérbio “Depois”. a rigor. Qual seria o modo de organização predominante em um texto desse gênero? Sem dúvida. em um manual de instruções. Neste ponto. claro. que todas as .(x) Por fim. são textos nos quais coexistem dois ou mais tipos textuais. de um conector equivalente a “Além disso”. acima. ainda que haja um tipo textual predominante. trata-se. ele é. Com efeito. porém. Sem falar em excesso. assistindo a Espanha x Suíça narrado por Milton Leite (provavelmente o melhor narrador brasileiro há alguns anos). neste caso. predominantemente. nem se ausentar muito do jogo. como você pôde ver no texto 5. podemos observar a relação existente entre esses dois conceitos. não precisa calar a boca. o trecho entre parênteses é descritivo. Galvão Bueno oferece o conforto da familiaridade. um bom narrador. O que encontramos. 3. mas não é como um queijo furado’”. já que se propõe a defender uma tese (anunciada no próprio título) por meio de argumentos (os itens (i) a (x) acima). argumentativos ou injuntivos. trata-se do modo injuntivo. Pense. (ii) Sequência narrativa: “Outro dia. (iii) Sequência injuntiva: “Galvão. já deve estar clara a lição: na prática. Observação: naturalmente. RELACIONANDO GÊNEROS E TIPOS TEXTUAIS Agora que você já sabe a diferença entre gêneros textuais e tipos textuais. responsável por promover a coesão sequencial bem como a progressão temática do texto. argumentativo. que haja sequências associadas a outros tipos textuais. tecnicamente. a análise atenta de alguns gêneros textuais revelará a existência de modos de organização predominantes. bom ritmo. descritivos. por exemplo. expositivos. Boa voz. o que é considerado pelo enunciador do texto 2 como um aspecto positivo. não encontramos textos exclusivamente narrativos. ele me veio com um comentário do tipo: ‘A defesa é suíça.

Assim. Isso pode ser percebido facilmente na imagem abaixo. ao passo que a segunda parte (“Conexões do painel transeiro”). Acesso em: 25 de setembro de 2009) .br/manuais/dvdplayer/Gradiente%20-%20D680_06_6941_001_010FINALWEB.com.pdf. Observe que a primeira parte (“Como instalar o D-680”) é marcadamente injuntiva. na qual se misturam imagem visual e texto verbal.passagens de um manual de instruções devam ser injuntivas. como você acabou de ver. tem caráter descritivo. os textos reais costumam incorporar uma variedade de tipos textuais. é comum que textos do gênero manual de instruções contenham sequências descritivas. que reproduz uma página do manual de instruções do tocador de DVD modelo D-680 da marca Gradiente. Texto 1 (Disponível em: http://ryan. apesar da predominância do modo injuntivo.

que invadiu uma calçada em Nilópolis.) Esporte. quando todas as outras estavam abertas e pejadas de curiosos do incidente da rua. ao pé do tílburi.html Acesso em: 25 de setembro de 2010) Apresentação de autor de blog Descritivo José Ilan é jornalista. sua filha sentiria muito medo. já que o temia.Sem reclamar.Se um cachorro solto na rua entra num açougue e rouba um pedaço de carne. o açougueiro recebe uma carta do advogado. e acabou recitando-me versos. que caíra. O pai. carioca. Foi repórter esportivo da Rádio Tupi (198993). na tabela abaixo. caso contrário. que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me. 39 anos. andar alto. (Esopo.responde o advogado.Então você me deve 8 reais. viu as janelas fechadas. quarto.Sim.br. música. (. e esperou.. . cultura geral e verdades desconfortáveis compõem seu universo. Veja. 4 apto por anda. Camilo. o tílburi teve de parar. à esquerda. (Disponível em: http://oglobo. O motorista não estava no veículo. A receita culinária.globo. Acesso em: 25 de setembro de 2010) Classificados Descritivo LEME – APTO (35 m2) – R$ 270. viu na ocasião um excelente modo de se livrar de vez do problema.Pense agora em outros gêneros textuais. vindo da cidade para o Engenho Novo.com. já que se prestam a contar uma história. TV Globo (93-95). pai do Patrick.asp. cozinha e banheiro. encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro. Mentiras sinceras não lhe interessam. Olhou. o dono da loja tem direito a reclamar o pagamento do dono do cachorro? . quando foram atropeladas.” (Machado de Assis. A Cartomante) Fábula Narrativo Um Leão pediu a filha de um lenhador em casamento.br/rio_de_janeiro-b7355_0. num acidente envolvendo um caminhão desgovernado. Seu cachorro estava solto e roubou um filé da minha loja! . No fim de cinco minutos. TV Manchete (95-99) e voltou à Globo (99). que se organiza a partir de uma sequência de acontecimentos. silencioso. mas com uma condição: este deveria arrancar suas unhas e dentes.000. a rua estava atravancada com uma carroça. o advogado preenche um cheque no valor de 8 reais e entrega ao açougueiro.com/platb/ilanhouse/ Acesso em: 25 de setembro de 1010) . sentou-se ao pé de mim. com pitadas de nostalgia. fundos. por sua vez. a quem Rita consultara uma vez.classificados. e nunca ele desejou tanto crer na lição das cartas. As vítimas estavam na Rua Doutor Adolfo Bergamini. é claro . na frente de uma escola municipal.. (Disponível em: http://globoesporte. Ele disse que concordaria em ter o leão como genro.” (Machado de Assis. em si mesmo. Acesso em: 25 de setembro de 2010 Notícia de jornal Narrativo Uma criança de cinco anos morreu e outras três pessoas ficaram feridas. Gêneros como o romance e o conto são predominantemente narrativos. nesta sexta-feira. Dom Casmurro) Conto Narrativo “Quase no fim da rua da Guarda Velha. (Disponível em: http://www. TV. Alguns dias depois. é marcadamente injuntiva. contrariado por não poder negar. já que seu objeto é transmitir ao leitor instruções acerca do preparo de um determinado prato. Fábulas) Piada Narrativo Um açougueiro entra no escritório de um advogado e pergunta: . na Baixada Fluminense. portaria 24 horas (Disponível em: http://www. quais são os tipos textuais predominantes de alguns gêneros textuais: GÊNERO TEXTUAL Romance TIPO TEXTUAL PREDOMINANTE Narrativo EXEMPLO “Uma noite destas.com. ficava a casa da cartomante.00 Rua Gustavo Sampaio – Sala.globo. estimou o obstáculo. reparou que ao lado. cobrando 200 reais pela consulta.piadas.com/rio/mat/2010/09/24/caminhao-mata-crianca-de-cinco-anos-em-nilopolis921150619. falou da lua e dos ministros.

Não há qualquer obrigatoriedade de que um poema seja (predominantemente) narrativo. é a base do trabalho. Disponível em: http://ryan. repressiva e/ou militar. que não se identifica com uma única disciplina. sexual. território. posse de recursos naturais. A palavra “poder” implica em dominação. contingente populacional -. É necessário que tenhamos maturidade para usá-lo e isso implica dizer que. Assim. vejam os dois textos abaixo: respectivamente. poemas podem se fundamentar em todos esses tipos textuais. para presentear nossos filhos com um aparelho. é mais que isso. Acesso em: 25 de setembro de 2010) Receita culinária Injuntivo Abra e verifique o cozimento e os temperos. que pode ser exercido por Estados ou não. das trocas materiais e espirituais e da vida. (Disponível em: http://tudogostoso. (Verbete da Wikipedia. econômica.com.pr. mas se utiliza principalmente da Teoria Política e da Geografia ligado às Ciências Humanas. nas relações de poder internacionais entre os Estados e entre Estado e Sociedade. (Disponível em: http://educacao. um poema narrativo e um poema descritivo. fonte inspiradora do racialismo. Aceso: 25 de setembro de 2010) Argumentativo Redação do Enem Portanto. Deve esse aparelho nos servir nos momentos convenientes. Texto 2 Poema tirado de uma notícia de jornal . mas é vilã sua utilização imprópria.Nunca coloque este aparelho em áreas externas onde ele possa ficar exposto à chuva ou umidade. no gênero poema.diaadiaeducacao.br/manuais/dvdplayer/Gradiente%20-%20D680_06_6941_001_010FINALWEB.uol. devemos saber se estes já podem utilizá-lo com consciência.Texto de livro didático (apresentação teórica) Expositivo A palavra geopolítica não é uma simples contração das palavras geografia e política. A tabela acima apresentou alguns gêneros textuais que estão sempre ligados a um determinado modo de organização predominante.br/diaadia/diadia/arquivos/File/livro_e_diretrizes/livro/geografia/seed_geo_e_book. deixe em fogo baixo para secar um pouco. (Secretaria de Estado de Educação – Paraná.wikipedia. Se tiver muito caldo. social. algo que diz respeito às disputas de poder no espaço. cabe aos pais e à escola regulamentar o uso e aplicar medidas que visem corrigir vícios decorrentes do uso indiscriminado do celular. Esta dominação pode ser cultural. 17 de agosto de 2008) Manual de instruções Injuntivo .Instale o aparelho numa superfície plana e estável. Geografia – Ensino Médio. descritivo. .uol. numa relação entre desiguais. Mas o que é território? Para Milton Santos (2005). Ciências Sociais aplicadas e Geociências. deve ficar claro que nem todo gênero textual está nessa situação.br/receita/100806-costela-com-linguica-na-pressao. o que levaria a dominação de um território. ao criar no Brasil cidadãos de segunda classe perante a lei. Pense. Em tese. Disponível em: http://www. argumentativo ou injuntivo. da residência. (Jornal O Globo.pdf.br/bancoderedacoes/redacao/ult4657u631. expositivo.html Acesso em: 25 de setembro de 2010). o território é o chão e mais a população.pdf Acesso em: 25 de setembro de 1010) Verbete de enciclopédia Expositivo Geopolítica é um campo de conhecimento multidisciplinar.gov.com. por exemplo. o celular não pode ser considerado vilão. No entanto.jhtm Acesso em: 25 de setembro de 2010) Argumentativo Editorial Além de inconstitucional. Como exemplo.com.org/wiki/Geopol%C3%ADtica.A geopolítica considera a relação entre os processos políticos e as características geográficas — como localização. Disponível em: http://pt. (Manual de instruções de aparelho de DVD Gradiente. a cota racial agride as raízes da formação miscigenada da sociedade brasileira e virou um anacronismo mesmo na realidade americana.

acaba por incorporar essa característica.. por seu turno. a lição que deve ficar aqui é a seguinte: alguns gêneros textuais se caracterizam por estarem necessariamente associados a um determinado modo de organização predominante. Mário.Manuel Bandeira João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.. morrer. Trata-se de descrever uma cena e. Sua igrejinha de uma torre só! (. cantar. por exemplo.. É o que acontece. Em resumo. beber. previsível. Observe que não há passagem temporal. Esse caráter narrativo fica claro quando se observa que o poema apresenta. portanto. em uma espécie de retrato de um cenário. Obra completa. O poema consiste. marcada por uma rotina tranqüila e. (QUINTANA. 2007) Texto 3 Cidadezinha cheia de graça Mário Quintana Cidadezinha cheia de graça. presumivelmente.) Cidadezinha tão pequenina Que toda cabe num olhar. identificado como João Gostoso: chegar ao bar.. não é gratuito. uma sequência de eventos ocorridos com um personagem.. a notícia de jornal é um gênero predominantemente narrativo – e esse poema. com a notícia de jornal (modo . Manuel. atirar-se na lagoa. tendo sido “tirado de uma notícia de jornal”. Seu título. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. Tão pequenina que até causa dó! Com seus burricos a pastar na praça. (BANDEIRA.. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 2005) Observe que o primeiro poema é predominantemente narrativo – em que pese o fato de o primeiro verso constituir uma sequência descritiva.. O texto 3. a rigor. a partir dela.. Como você pode imaginar. danças. é um poema marcadamente descritivo. Estrela da vida inteira. em ordem cronológica. caracterizar um lugar – uma cidade pequena.

anúncio de classificados (modo descritivo). . o verbete de enciclopédia (modo expositivo). o editorial (modo argumentativo) e a receita culinária (modo injuntivo).narrativo).

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful