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7 de dezembro de 2000 Quinta-feira GERAIS /POLÍCIA E S T A D O D

7 de dezembro de 2000 Quinta-feira

GERAIS/POLÍCIA

ESTADO DE MINAS Página 31

Promotores devassam entidade de caça-níqueis

Apreensão de documentos serve à investigação de atividade ilícita

MARIA CLARA PRATES

A s promotorias de Defesa do Patri- mônio Público e do Consumidor estão analisando

vasta documentação apreendi- da ontem pela manhã na sede da Associação das Empresas de Diversão Eletrônica Interativas Off-line do Estado de Minas Ge- rais (Aedeiol), Centro, que reúne donos dos caça-níques, cuja ati- vidade foi declarada ilegal. Computadores, disquetes, ar- quivos, relação de associados e até mesmo documentos pes- soais de funcionários foram le- vados pelo Ministério Público, às 6h45min, em operação que envolveu três promotores, poli- ciais do Batalhão de Missões Es- peciais (BME) e um oficial de Justiça. De acordo com os promoto- res, todo o material será utiliza- do para “instruir procedimento investigatório sobre entidades, pessoas e autoridades suposta- mente ligadas ao crime organi-

zado na esfera das máquina ca- ça-níqueis”. A investida contra a associação foi possível através de mandado de busca e apreen- são expedido pelo juiz de plan- tão, Igor Queiroz, após 18 h de anteontem. Para conseguir o mandado, o Ministério Público justificou que a análise da docu- mentação é importante também para investigar outra extensa

é importante também para investigar outra extensa GUALTER NAVES JOSÉ CELSO Schill, presidente da Aeideiol,

GUALTER NAVES

JOSÉ CELSO Schill, presidente da Aeideiol, considera atitude do Ministério Público um exagero

lista de ilegalidades relativas ex- ploração do tipo de jogo, como sonegação fiscal, lavagem de di- nheiro, corrupção, contrabando, formação de quadrilha e contra- venção penal.

Tutela

Essa investida complementa outro golpe duro aplicado ontem pelo Ministério Público contra os empresários que exploram as

maquininhas de caça-níqueis. Anteontem, os promotores con-

seguiram junto ao juiz da 26ªVa- ra Cível, Francisco Batista de Abreu, a concessão de tutela an- tecipada para suspender as ati- vidades da associação, em ação civil pública que questiona a clandestinidade das atividades da entidade. Foi decretado ain- da o bloqueio das contas bancá- rias movimentadas pela Aedeiol.

O presidente da associação,

José Celso Schill, considerou um exagero a decisão do Ministério Público de recolher a documen- tação na ausência de seus diri- gentes. Segundo o presidente, ele próprio já apresentou à Pro- motoria de Defesa do Patrimô- nio Público a relação de seus as- sociados, assim como todos os extratos bancários da conta da Aedeiol, desde sua criação até a data de seu depoimento ocorri-

do em setembro último.

Ação visa ex-procurador e genro

Além de instruir a ação civil pública proposta pelo Ministério Público, a documentação apreendida pode ajudar ainda a instituição ao esclarecer o possí- vel envolvimento do ex-procura- dor-geral de Justiça, Márcio De- cat, e seu genro, Márcio Miran- da, então superintendente admi- nistrativo da procuradoria, com os empresários do setor. A divul- gação de fita cassete com con-

versa entre Miranda e um repre- sentante desse empresários re- velou uma tentativa de suborno no valor de R$ 6 milhões, que envolveria Decat, para amenizar a fiscalização do próprio Minis- tério Público às empresas e pes- soas que exploram o jogo. Desde o último dia 23 de ou- tubro, os promotores Márcio Go- mes de Souza e Márcia Pinheiro de Oliveira Teixeira, além de ou-

tros três promotores, estão ana- lisando o relatório elaborado pe- la comissão especial de procura- dores que investigou as suspei- tas de suborno, o qual concluiu pela indiscutível participação de Miranda. O grupo está atuando em con- junto com as Promotorias de De- fesa do Patrimônio Público e De- fesa do Consumidor na apura- ção do caso, não sabendo, por-

tanto, quando será oferecida de- núncia contra os envolvidos na tentativa de suborno dos empre- sários. Além de Decat e o genro, os delegados Nilton Ribeiro e Antônio Carlos Faria, que ocu- pavam cargos na cúpula da Se- cretaria de Secretaria de Segu- rança Pública de Minas, também foram afastados de sua função por suspeita de envolvimento com a atividade ilegal. (MCP)

Tentativa de fuga no Ceresp

NEWTON CUNHA

Pelo menos 18 dos 390 pre- sos do Centro de Remaneja- mento da Secretaria de Segu- rança Pública (Ceresp), mais conhecido como “Cadeião da Gameleira”, tentaram fugir do local ontem de manhã, cavando buracos no pavilhão superior do presídio. A fuga, que pode- ria detonar mais um motim no sistema carcerário do Estado, foi abortada rapidamente pelos carcereiros de plantão. Policiais militares do 5º Batalhão invadi- ram a cadeia e controlaram a situação. Contudo, policiais que tra- balham no local denunciam que o clima no local é tenso e uma rebelião poderá aconte- cer a qualquer momento. Os presos reclamam da má ali- mentação e sobretudo do in- dulto de Natal, restrito a uma minoria.

O tumulto no Ceresp começou por volta das 9h, quando presos de três celas diferentes tentaram cavar um buraco através da en- trada de ar. Cada cela possui em média seis presos, mas segundo os policiais, todos articularam o plano de fuga e pretendiam fu- gir em massa. O delegado Adjunto do Ce- resp, Marcos Antônio de Abreu, garantiu que os presos não con- seguiram sequer cavar o túnel, mas admite que a intenção era realmente fugir. A imprensa não teve acesso ao presídio, sob alegação de provocar insegu- rança e tumultuar o clima entre os detentos. Construído para ser um pre- sídio-modelo no Estado e admi- nistrado pela Secretaria de Se- gurança Pública, em menos de um ano de inauguração, o Ce- resp já registrou várias fugas e tumulto entre presos, a maioria de alta periculosidade.

Esmeraldas pede mais segurança

LANDERCY HEMERSON

Representantes do Legislati- vo, comércio e comunidade de Esmeraldas (Região Metropoli- tana) estiveram ontem na Se- cretaria de Estado da Seguran- ça para reivindicar uma melhor estrutura policial na cidade. Eles foram recebidos pelo supe- rintendente geral da Polícia Ci- vil, delegado José Antônio de Moraes, que prometeu empe- nho para atender as reivindica- ções, mas adiantou que o muni- cípio não é o único a sofrer com

o aumento da violência e o re-

duzido número de policiais. A vereadora Márcia Valari- ni, presidente da Câmara Mu- nicipal de Esmeraldas, avaliou que o encontro foi produtivo, embora tenha saído pessimis- ta diante de uma possível so- lução a curto e médio prazo. “O superintendente concor- dou com a nossa necessidade

em aumentar o número de po- liciais. Mas ele deixou claro as dificuldades que tem em face do baixo efetivo da corpora- ção. Contudo, saímos da reu- nião com a certeza de que precisamos nos mobilizar pa- ra cobrar do governo os inves- timentos em segurança que ele vem apregoando”, expli- cou a vereadora. O presidente da Associação Comercial de Esmeraldas, An- tônio Martinho Pereira Souza, demonstrou desânimo. “Ape- sar da cidade ser a maior em

extensão territorial da Grande BH, contamos apenas com um delegado, dois carcereiros e um detetive”. Marcílio Alves Santos, que teve a sede de sua distribuidora de bebibas assal- tada três vezes, além de sofrer oito ataques de criminosos aos caminhões de entrega, prefere apostar nos seus próprios in- vestimentos em segurança.

OBITUÁRIO

OBITUÁRIO

Belo Horizonte

QUEROBINO VILELA MOSCARDINI, 79 anos, natural de Ilicínea/MG e pri- meiro prefeito da cidade. Era casado com Zélia Faria Damasceno e deixou os filhos Vadilson, Maíra, Marice, Mar- garete, Maria Zélia e Vanilton. ZÉLIA RESENDE SILVA, 73 anos, natural de Passa Tempo/MG, faleceu em 30/11/2000 e deixa os filhos Juarez, Elvio, Calabi, Jussara e Fábio, além de 10 netos.

A divulgação nesta coluna é gratuita

de 10 netos. ● ● A divulgação nesta coluna é gratuita Justiça decreta prisão de vereador

Justiça decreta prisão de vereador por assassinato

DALILA ABELHA

Um romance proibido, um aborto forçado e pistolagem. Esse drama familiar que culmi- nou no assassinato do mecâni- co Hélio Amigo Pôncio Filho, em Mutum, Leste do Estado, em setembro, foi desbaratado pelo delegado Wagner Pinto, da Divisão de Crimes contra a Vida, que já encaminhou à Jus- tiça da cidade as prisões pre- ventivas dos envolvidos, entre eles o fazendeiro e vereador David Florindo de Freitas, da Câmara Municipal de Mutum, acusador de intermediar a con- tratação dos pistoleiros. Hélio na verdade assinava sua sentença de morte quando, há três anos começou a namo- rar a estudante de odontologia Letícia Ferreira, filha do fazen- deiro Augusto Dilermano La- deia, pessoa influente e de boa situação financeira, que não aprovou o namoro. Para pio- rar, meses depois do início do romance, a filha engravidou e foi forçada, pelo pai e irmãos, a abortar, em uma clínica do Rio. Mas a perda da criança não impediu a continuação do na- moro. O mecânico era separa- do e tinha um filho. Na noite de 13 de setembro,

o casal namorava dentro do carro na região central da cida-

de, onde foi emboscado por dois homens, que executaram

o mecânico. Dias depois a Su-

perintendência de Polícia Civil determinou que um delegado da Divisão de Homicídios fosse para Mutum esclarecer o cri- me. Depois das primeiras in- cursões, o delegado Wagner Pinto já não tinha dúvida de que a mão do pai de Letícia es- tava por trás do crime. Pelo assassinato foram in- diciados o vereador, que, se- gundo testemunhas, afirmam ter uma empresa de pistola- gem na divisa de Espírito San- to com Minas, o fazendeiro Dilermano Ladeia, pai da mo- ça, e os irmãos Sebastião e Ailton Marques de Oliveira. Uma testemunha informou ao delegado que encontrou o pis- toleiro Ailton por duas vezes depois do crime e que ele co- mentou nas duas ocasiões que

o

vereador lhe devia R$ 6 mil.

O

delegado conclui ser o pre-

ço prometido aos pistoleiros pelo assassinato do desafeto de Dilermano. O pai de Letícia foi também indiciado pelo crime de aborto, juntamente com os filhos Fa- brício e Felício e a própria Letí- cia. O relatório do delegado já está com a Justiça de Mutum,

com o pedido de prisão dos suspeitos.

GIROGERAIS

POLÍCIA

POLÍCIA

POLÍCIA

ASSASSINATO

Vingança é hipótese

Vingança a causa do assassinato de Régis Ferreira Silva, 18 anos, morto a tiros por dois desconhecidos, quando fumava um cigarro na porta de sua residência, na vila Santa Rita, no Barreiro. Segundo uma testemunha, o suspeito de mando do crime é um homem a quem recentemente Régis esfaqueou por ter mexido com sua companheira. Pela tentativa de homicídio, Régis chegou a ficar alguns dias preso no 12ªDistrito. Depois de solto, passou a receber recados de ameaça e que dois pistoleiros estavam sendo contratados por R$ 500 para matá-lo. Ontem, Régis foi surpreendido e executado com tiros na cabeça, morrendo a caminho do hospital.

PERDÕES

Motorista morre em batida

O motorista Daniel Barbosa, 31 anos, morreu ontem um

acidente em Perdões, às 7h30min, com o caminhão Mercedes Benz, placa GMH 1045 de Pará de Minas. Ele perdeu o controle do caminhão, que capotou e foi parar no canteiro central da pista, na altura do quilômetro 661,9 da BR 381, em Perdões. O passageiro, Guilherme Marques Alves, cuja idade e naturalidade não foram informadas, foi levado em estado grave para o Hospital de Perdões. As pedras de ardósia, que eram transportadas pelo caminhão, ficaram espalhadas na pista, forçando os motoristas a utilizar também o acostamento, para evitar acidentes. No começo da tarde, policiais e bombeiros terminaram de retirar a carga do local.

o acostamento, para evitar acidentes. No começo da tarde, policiais e bombeiros terminaram de retirar a
o acostamento, para evitar acidentes. No começo da tarde, policiais e bombeiros terminaram de retirar a
o acostamento, para evitar acidentes. No começo da tarde, policiais e bombeiros terminaram de retirar a