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UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA

CURSO DE URBANISMO

Rafaela de Souza Duarte

FICHAMENTOS

SOCIOLOGIA URBANA

Salvador/BA

2009

2

SUMÁRIO

1

O FENÔMENO URBANO

03

1.1 A METRÓPOLE A VIDA MENTAL

03

1.2 CONCEITO E CATEGORIAS DE CIDADE

06

2.

O HARLEM DOS NEGROS

09

3

O ESPAÇO DE FLUXOS

13

4.

A QUESTÃO URBANA

19

4.1

O FENÔMENO URBANO: DELIMITAÇÕES CONCEITUAIS E

REALIDADES HISTÓRICAS

19

4.2 A FORMAÇÃO DAS CIDADES METROPOLITANAS NAS SOCIEDADES

INDUSTRIAIS CAPITALISTAS

22

4.3

URBANIZAÇÃO, DESENVOLVIMENTO E DEPENDÊNCIA

27

3

SIMMER, Georg. O Fenômeno Urbano. A Metrópole e a Vida Mental. Rio de Janeiro: ZAHAR Editores, 1973. (p: 11-25)

“O século XVIII conclamou o homem a que se libertasse de todas as dependências históricas quanto ao Estado e à religião, à moral e à economia.” (p. 11)

)

torna o indivíduo incomparável a outro e cada um deles indispensável na medida

mais alta possível.” (p. 11)

“ o século XVIII exigiu a especialização funcional do homem e seu trabalho (

sociotecnológico.” (p. 11)

a

pessoa

resiste

a

ser

nivelada

e

uniformizada

por

um

mecanismo

“O homem é uma criatura que procede a diferenciações. Sua mente é estimulada pela diferença entre a impressão de um dado momento e a que a precedeu.” (p. 12)

“A metrópole extrai do homem, enquanto criatura que procede a discriminações, uma quantidade de consciência diferente da que a vida rural extrai.” (p. 12)

“ o tipo metropolitano de homem (

correntes e discrepâncias ameaçadoras de sua ambientação externa ( com a cabeça, ao invés de com o coração.” (p. 12-13)

)

desenvolve um órgão que o protege das

Ele reage

).

“A intelectualidade, assim, se destina a preservar a vida subjetiva contra o poder avassalador da vida metropolitana.” (p. 13)

“A pessoa intelectualmente sofisticada é indiferente a toda a individualidade genuína, porque dela resultam relacionamentos e reações que não podem ser exauridos com operações lógicas.” (p. 13)

“ nas relações racionais, trabalha-se com o homem como com um número, como um elemento que é em si mesmo indiferente.” (p. 13)

“A metrópole moderna (

mercado, isto é, para compradores inteiramente desconhecidos, que nunca entram

é provida quase que inteiramente pela produção para o

)

4

“Através da natureza calculativa do dinheiro (

identidades e diferenças, uma ausência da ambigüidade nos acordos e combinações

uma certeza na definição de

),

surgiram nas relações

” (p. 14)

“Os relacionamentos e afazeres do metropolitano típico são habitualmente tão variados e complexos que, sem a mais estrita pontualidade nos compromissos e serviços, toda a estrutura se romperia e cairia num caos inextrincável.” (p. 14)

“ agregação de tantas pessoas com interesses tão diferenciados, que devem

integrar suas relações e atividades em uma organismo altamente complexo.” (p. 15)

“Pontualidade, calculabilidade, exatidão (

conteúdo da vida e favorecer a exclusão daqueles traços e impulsos irracionais,

instintivos

Tais traços também devem colorir o

).

(p. 15)

“A atitude blasé resulta em primeiro lugar os estímulos contrastantes que, em

rápidas mudanças (

),

são impostos aos nervos.” (p. 15-16)

“ agita os nervos até seu ponto de mais forte reatividade por um tempo tão longo que eles finalmente cessam completamente de reagir.” (p. 16)

“ surge assim a incapacidade de reagir a novas sensações com a apropriada.” (p. 16)

energia

“ o dinheiro torna-se o mais assustador dos niveladores.” (p. 16)

“As grandes cidades (

adquiridas muito mais notavelmente do que as localidades menores

)

acentuam a capacidade que as coisas têm de poderem ser ”

(p. 17)

“ a atitude mental dos metropolitanos um para com o outro, podemos chamar, a partir de um ponto de vista formal, de reserva.” (p. 17)

“A antipatia nos protege de (

sugestibilidade indiscriminada.” (p. 18)

)

perigos típicos da metrópole, a indiferença e a

“ hoje o homem metropolitano é “livre” em um sentido espiritualizado e refinado, em contraste com a pequenez e preconceitos que atrofiam o homem de cidade

pequena. (

a proximidade física e a estreiteza de espaço tornam a distância

)

5

“A característica mais significativa da metrópole é essa extensão funcional para além de suas fronteiras físicas.” (p. 21)

“ a vida da cidade transformou a luta com a natureza pela vida em uma luta entre

os homens pelo lucro, ( (p. 22)

não é conferido pela natureza, mas por outros homens.”

)

“ a pessoa precisa enfrentar a dificuldade de afirmar sua própria personalidade no campo abrangido pelas dimensões da vida metropolitana. Onde o aumento

a pessoa se volta para as diferenças qualitativas,

quantitativo em importância (

de modo a atrair, por alguma forma, a atenção do círculo social, explorando sua

sensibilidade e diferenças.” (p. 22)

),

“ a divisão do trabalho reclama do indivíduo um aperfeiçoamento cada vez mais unilateral.” (p. 23)

“A história externa e interna de nosso tempo segue seu curso no interior da luta e

nos entrelaçamentos em mudança ( sociedade.” (p. 24-25)

de definir o papel do indivíduo no todo da

)

“A metrópole se revela como uma daquelas grandes formações históricas em que correntes opostas que encerram a vida se desdobram, bem como se juntam às outras igual direito.” (p. 25)

6

WEBER, Max. O Fenômeno Urbano. Conceito e Categorias de Cidade. Rio de Janeiro: ZAHAR Editores, 1973. (p: 68-90)

“Pode-se tentar definir de diversas formas a “cidade” (

representá-la por um estabelecimento compacto ( casarios mais ou menos dispersos.” (p. 68)

),

é comum a todas

como uma localidade e não

),

“A localidade considerada sociologicamente significaria um estabelecimento de casas pegadas umas às outras ou muito juntas, que representam, portanto, um estabelecimento amplo, porém conexo, pois do contrário faltaria o conhecimento pessoal mútuo dos habitantes, que é específico da associação de vizinhança.” (p.

68)

“O tamanho por si só não pode decidir.” (p. 69)

“Se tentássemos definir a cidade do ponto de vista econômico, então teríamos de fixar um estabelecimento cuja maioria dos habitantes vive do produto da indústria ou do comércio, e não da agricultura.” (p. 69)

“Uma cidade pode fundar-se (

) (

em regime de especialização, para satisfazer suas necessidades econômicas ou ”

políticas

existindo previamente algum domínio territorial ou

uma sede de principado como centro de um lugar em que existia uma indústria

)

(p. 69)

seria a existência de um

intercâmbio regular e não ocasional de mercadorias na localidade, como elemento essencial da atividade lucrativa e do abastecimento de seus habitantes.” (p. 69)

“Outra característica que se teria que acrescentar (

)

“Falaremos de “cidade” no sentido econômico quando a população local satisfaz uma parte economicamente essencial de sua demanda diária no mercado local e,

outra parte (

mediante produtos que os habitantes da localidade e a povoação

dos arredores produzem ou adquirem para colocá-los no mercado.” (p. 69)

),

“ centro econômico do estabelecimento com um mercado local e no qual em

virtude de uma especialização permanente da produção econômica, também a

7

habitantes da cidade trocam os produtos especiais de suas economias respectivas e satisfazem desse modo suas necessidades.” (p. 70)

a cidade (

)

é um estabelecimento de mercado.” (p. 70)

“Aproximam-se do tipo de “cidade de principado” ( poder aquisitivo de outros grandes consumidores ( ”

possibilidades de lucro

(p. 70)

)

aquelas cidades nas quais o

determina de modo decisivo as

)

“ esses grandes consumidores podem ser de tipos muito diversos, segundo a

as rendas de terra urbana são determinadas

pela “situação de monopólio das trocas” de propriedades de terra que tem suas fontes indiretamente na indústria e no comércio da cidade concentrando-se nas

mãos de uma aristocracia urbana.” (p. 71-72)

classe e a origem de suas rendas. (

)

“ a cidade vem a ser, em maior ou menor grau, segundo suas circunstâncias, uma cidade de consumidores.” (p. 72)

“ o oposto: a cidade é de produtores, e o crescimento de sua população e de seu

estão localizadas nela fábricas, manufaturas ou ”

indústrias domiciliares que abastecem o exterior

poder aquisitivo repousa em que (

)

(p. 72)

“Existiam e existem “cidades agrárias” (

típicas indústrias urbanas (

necessidades com economia própria

sedes do intercâmbio de mercado e de

um amplo setor de seus habitantes cobre suas ”

)

)

(p. 73)

“ o pleno direito do antigo cidadão, diferentemente do burguês medieval,

) de um lote

o cidadão completo da Antiguidade é um “cidadão lavrador”.” (p.

74)

do qual vivia. (

caracterizou-se em sua origem precisamente porque era proprietário (

)

“O tipo de relação da cidade (

fenômeno que se denominou de “economia urbana” e que se opôs, (

autárquica”, por um lado, e à economia nacional

)

com o campo (

)

constitui parte de um complexo

) à “economia

” (p. 74-75)

“O fato de a cidade ser não só um conjunto de casas, mas também uma associação econômica com propriedade territorial própria, com economia de receitas e

8

despesas, não a diferencia da aldeia, que conhece as mesmas coisas, ainda que qualitativamente a diferença possa ser muito grande.” (p. 75)

associação reguladora.” (p. 75)

não é

peculiar à cidade

o

fato de

que

(

)

seja, no passado pelo menos,

“Há, entretanto, um ponto em que um estabelecimento que administrivamente se distingue da aldeia e é tratado como cidade se diferencia do estabelecimento rural:

no modo de regulamentar as relações de propriedade imobiliária.” (p. 77)

“ localidades que economicamente eram puramente rurais, que não eram cidades

do ponto de vista administrativo (

estavam também rodeadas de muralhas.” (p. 77)

)

“Nem toda “cidade” no sentido econômico, nem toda fortaleza que, no sentido

político-administrativo, supunha um direito particular dos habitantes, constitui uma

“comunidade”. A comunidade urbana ( unicamente no Ocidente.” (p. 82)

existe como fenômeno extenso

)

“ não existia um direito urbano no sentido da Antiguidade e da Idade Média, nem o caráter corporativo da cidade.” (p. 83)

“Na Antiguidade egípcia e no Oriente Próximo, as cidades são fortalezas ou sede reais ou oficiais com privilégios de mercado concedidos pelos reis. Mas na época dos grandes reinos, elas não possuem autonomia, regime municipal e uma burguesia privilegiada como estatamento.” (p. 85)

9

FRAZIER, E. Franklin. O harlem dos negros. In: PIERSON, D. (org). Estudos de ecologia humana: leituras de sociologia e antropologia social. t.1. São Paulo: Ed. Martins, 1970. (p: 462-479)

“ em conseqüência da seleção e segregação ocasionadas pela expansão da

população, a comunidade negra assumira um padrão espacial definido. Este padrão

espacial refletiu a organização ecológica da comunidade total e podia ser representado por sete zonas indicativas da expansão da comunicada da área de ”

slum

(p. 462)

“Verificou-se que a desorganização familiar (

juvenil vão sucessivamente decrescendo de zona a zona, o que indica uma

a ilegitimidade e a deliquência

),

progressiva estabilização da vida social.” (p. 462)

I. Origem, crescimento e expansão da comunidade negra

“ Harlem já havia entrado em decadência, como área residencial, quando os negros começaram a encontrar agasalhos aí.” (p. 463)

“E esta entrada dos negros em Harlem (

463)

),

fez desabar uma chuva de protestos.” (p.

“Não obstante ter sido a expansão da comunidade negra de Harlem ditada, em

grande parte, por forças sociais e econômicas (

comunidade de negros ( revestindo as suas zonas (

463-464)

)

o desenvolvimento da

com considerável autonomia,

padrão idêntico ao de uma cidade independente.” (p.

)

em Harlem fez-se (

)

)

“A expansão da população ( círculos concêntricos.” (p. 465)

)

pode ser representada figuradamente por meio de

“Em 1920, os negros constituíam mais que três quartas partes da população da primeira zona, mais que a metade da população da primeira zona, mais que a metade da população da segunda zona e, aproximadamente uma sétima parte da população da terceira.” (p. 465)

10

“Até 1920, os brancos das duas zonas extremas ainda opuseram resistência à expansão da população dos negros.” (p. 465)

“Se bem indiquem as cinco zonas a tendência geral de se irradiar a população, partindo do centro da comunidade, a população negra não se expandiu em todas as direções na mesma proporção. Devido a fatores econômicos e sociais, a expansão da população negra sofreu várias deflexões no seu curso. Foi mantida estacionária até decaírem as áreas residenciais, as quais se tornaram então accessíveis não somente aos negros, mas também aos italianos e porto-riquenses, que vivem em áreas adjacentes às habitadas pelos negros.” (p. 467)

“ a aproximação do negro havia também sido anunciada pelo estabelecimento de

indústrias leves, tal como se deu na parte ocidental do Harlem, onde começaram a aparecer anúncios nas casas pedindo locatários negros, logo depois da construção de uma cervejaria que condenou a área como bairro residencial para os brancos estrangeiros.” (p. 467)

“Podemos fazer uma idéia da relação existente entre a expansão da população negra e o caráter das áreas pelas quais esta se estendeu, considerando os tipos predominantes das construções situadas nas cinco zonas.” (p. 468)

“ a população negra predomina nas zonas em que a maioria das construções é de caráter não residencial.” (p. 468)

“Na primeira e segunda zonas, nas quais, respectivamente 99 e 87 por cento dos residentes eram negros, 90 por cento dos prédios residenciais datavam de 35 anos e mais.” (p. 468)

“ não se pode perceber bem a relação existente entre o estado das construções

residenciais, nas várias zonas, e a expansão da população negra, pelo fato de estarem estas zonas muito longe da homogeneidade quanto ao seu aspecto físico.” (p. 469)

II. Distribuição de população segundo idade e sexo

“A seleção e segregação que acompanharam a expansão da população são logo reveladas pelas variações da proporção de adultos nas cinco zonas.” (p. 469)

11

“Praticamente, na primeira zona a proporção era, em 1930, de 4 adultos para cinco

pessoas (

)”

(p.469)

“A tendência que as pessoas mais velhas têm de se isolarem no centro da comunidade é também representada pelo número relativo das crianças existentes nas várias zonas.” (p. 469)

“ é patente a influência dos fatores seletivos, pois que, se bem haja um excesso de mulheres no total da população da comunidade, esse excesso se contrabalança na primeira zona, pela tendência que os homens têm de se concentrarem aí.” (p. 469-

470)

III. Estado civil da população

“A tendência que os grupos familiares têm de se deslocarem para a periferia da comunidade foi indicada pela proporção crescente de homens e mulheres casados ”

nas zonas

(p. 470)

“ a proporção de homens e mulheres viúvos era mais elevada no centro da

comunidade, onde era de se esperar existisse considerável desorganização

familiar.” (p. 471-472)

“Ao mesmo tempo, havia um aumento da proporção dos divorciados nas zonas

é a que atribui o

fato a uma maior consideração pelas exigências legais na ruptura dos laços

matrimoniais.” (p. 472)

sucessivas, a partir do centro da comunidade. Uma explicação (

)

IV. Proporção de crianças, nascimentos e óbitos

“A baixa fecundidade dos negros das cidades nortistas dos Estado Unidos foi posta

Thompson e Whelpton

demonstraram que havia uma acentuada tendência de variar a proporção dos filhos, em relação ao número de mulheres negras em idade de procriar, em sentido inverso ao tamanho da cidade.” (p. 472)

em evidência em vários estudos importantes (

).

“ em um estudo feito sobre a taxa de nascimento de negros em uma área do

Harlem, Kiser descobriu que a fecundidade da mulher negra era mais baixa que a da

12

mulher branca do mesmo nível de vida, ou ainda de nível mais elevado.” (p. 472-

473)

“ as alterações na proporção de crianças, nas três zonas extremas, entre 1920 e

1930, parecem indicar movimento em direção à periferia ou instalação ( mais prolíferos.” (p. 474)

) de grupos

“Devido à diferença de composição das cinco zonas, segundo a idade e o sexo,a taxa bruta da mortalidade não era significativa.” (p. 474-475)

V. Crime, delinqüência e dependência

“ os fatores econômicos e culturais afetam a sua distribuição muito mais do que a

distribuição da população com referência à idade, sexo, estado civil e fecundidade.”

(p. 475)

“ o grande número de famílias socorridas nas zonas próximas do centro da

é

comunidade se relacionava com a dissolução da vida social, cujo tipo normal (

representado pela vida familiar.” (p. 477)

)

VI. Distribuição das instituições

“ reflete de modo visível o padrão geral da comunidade.” (p. 477)

“Em conseqüência da condição de dependência econômica da comunidade, os bancos e mais de 80 por cento dos armazéns de secos e molhados varejistas estavam, nas mãos de brancos, enquanto os negros controlavam praticamente todos os negócios que envolvem serviços de utilidade pessoal e outros tipos de empresas que não requerem grande aplicação de capital.” (p. 478)

“ 40 por cento das instituições recreativas das que servem principalmente o Harlem negro foram localizadas na área central, estavam largamente distribuídas pelas cinco zonas do que quaisquer outros tipos de instituição.” (p. 479)

“ onde quer que um grupo racial ou cultural se segregue rigorosamente e leve uma

vida

em comum ou menos independente, estas comunidades locais podem

desenvolver o mesmo padrão de zonas tal como a comunidade urbana mais ampla.”

(p. 479)

13

CASTELLS, M. A Sociedade em Rede. v.1. O Espaço de Fluxos. O Espaço de Fluxos. Rio de Janeiro: ZAHAR Editores, 1973. (p: 403-435)

“O espaço e o tempo são as principais dimensões materiais da vida humana. ( )

Tanto o espaço quanto o tempo

estão sendo transformados sob o efeito combinado do paradigma da tecnologia da

informação e das formas e processos sociais induzidos pelo processo atual de ”

transformação histórica

estão interligados na natureza e na sociedade (

).

(p. 403)

“No início da década de 90, a telecomutação, ou seja o trabalho on-line em casa, era praticada por uma fração muito pequena da força de trabalho dos EUA (entre 1% e

Embora trabalhar meio-

expediente em casa pareça estar se tornando um futuro modo de atividade profissional, essa modalidade desenvolve-se a partir do surgimento da empresa integrada em rede e do processo de trabalho flexível.” (p. 404)

2% em um dia determinado), Europa ou Japão (

).

Serviços avançados, fluxos da informação e a cidade global

“A economia global/informacional é organizada em torno de centros de controle e

comando capazes de coordenar, inovar e gerenciar as atividades interligadas das

redes de empresas. Serviços avançados (

econômicos, seja na indústria, agricultura, energia, seja em serviços de diferentes tipos.” (p. 405)

estão no cerne de todos os processos

)

“De um lado, os serviços avançados aumentaram substancialmente sua participação

De outro, tem havido

uma concentração espacial da camada superior dessas atividades em alguns dos

centros nodais de alguns países. (

urbanos com as funções de nível mais alto, tanto em termos de poder quanto de qualificação, e está localizada em algumas importantes áreas metropolitanas.” (p.

hierarquia entre as camadas dos centros

nos índices de empregos e no PNB da maioria dos países (

)

)

405)

“À medida que a economia global se expande e incorpora novos mercados, também organiza a produção dos serviços avançados necessários para o gerenciamento das ”

novas unidades

(p. 406)

14

“ o fenômeno da cidade global (

avançados, centros produtores e mercados em uma rede global com intensidade

diferente e em diferente escala (

É um processo que conecta serviços

).

Em cada país a arquitetura de formação de

redes reproduz-se em centros locais e regionais, de forma que o sistema todo fique

interconectado em âmbito global.” (p. 407)

).

“ as regiões, sob o impulso dos governos e elites empresariais, estruturaram-se

para competir na economia global e estabeleceram redes de cooperação entre as instituições regionais e entre as empresas localizadas na área.” (p. 407)

“ a hierarquia na rede não e de forma alguma garantida ou estável: está sujeita à

concorrência acirrada entre as cidades, bem como à aventura de investimentos de alto risco em finanças e bens imobiliários.” (p. 408)

“A flexibilidade e a adaptabilidade são mais bem-servidas por essa combinação entre a aglomeração de redes centrais e a participação dessas redes centrais e de suas redes dispersas auxiliares em redes globais, via telecomunicações e transporte aéreo.” (p. 411)

oportunidades de aperfeiçoamento pessoal, status social e auto-satisfação aos

imprescindíveis profissionais liberais de nível superior

os principais centros metropolitanos continuam a oferecer as maiores

” (p. 411)

“Contudo, os serviços avançados e principalmente os serviços em geral espalham- se e descentralizam para a periferia das áreas metropolitanas, áreas metropolitanas menores, regiões menos desenvolvidas e alguns países menos desenvolvidos.” (p.

411)

“ embora a localização real dos centros de alto nível em cada período seja

decisiva para a distribuição da riqueza e do poder do mundo, sob a perspectiva da lógica espacial do novo sistema, o que importa é a versatilidade de suas redes. A cidade global não é um lugar, mas um processo.” (p. 412)

O novo espaço industrial

“O advento da indústria de alta tecnologia, ou seja, a indústria com base na microeletrônica e assistida por computadores, introduziu uma nova lógica de

caracteriza-se pela

localização industrial (

)

o perfil do “novo espaço industrial” (

)

15

capacidade organizacional e tecnológica de separar o processo produtivo em ”

diferentes localizações

(p. 412)

força de

trabalho altamente qualificada com base científica e tecnológica, por um lado; uma massa de trabalhadores não-qualificados dedicados à montagem de rotina e às operações auxiliares, por outro.” (p. 413)

“ especificidade geográfica para cada fase do processo produtivo (

):

localização para cada uma das operações distintas do processo produtivo: (1) P&D,

concentrados em centros industriais

em áreas recém-

) grande

(4) adequação de dispositivos e de manutenção e ”

proporção localizada no exterior

quatro tipos diferentes de

divisão

espacial

internacional

do

trabalho

)

(

)

inovação e fabricação de protótipos (

altamente inovadores

industrializadas

(2) fabricação qualificada em filiais (

)

(3) montagem semiqualificada em larga escala e testes (

) em centros regionais em todo o globo

suporte técnico pós-venda (

(p. 413)

“ meio de inovação é um conjunto específico de relações de produção e

gerenciamento com base em uma organização social que, de modo geral, compartilha uma cultura de trabalho e metas instrumentais, visando gerar novos

conhecimentos, novos processos e novos produtos. (

especificidade de um meio de inovação é sua capacidade de gerar sinergia, isto é, o

O que define a

)

valor agregado resultante não do efeito cumulativo dos elementos presentes no meio, mas de sua interação.” (p. 414)

“ são as fontes fundamentais de inovação e de geração de valor agregado no processo de produção industrial da era da informação.” (p. 414)

os

meios

de

inovação

industrial

de

alta

tecnologia,

que

chamamos

de

“tecnópoles”, apresentam-se em vários formatos urbanos. (

)

as

principais

tecnópoles sem dúvida ficam nas áreas metropolitanas mais destacadas

(p. 416)

“ contra as excessivas fantasias das modernas tecnópoles (

da história espacial da tecnologia e industrialização na era da informação: os principais centros metropolitanos em todo o mundo continuam a acumular fatores indutores de inovação e gerar sinergia na indústria e serviços avançados.” (p. 416)

existe continuidade

)

16

“ as redes sociais de diferentes espécies contribuíram de forma intensa para a

consolidação do meio de inovação e seu dinamismo, assegurando a comunicação de idéias, circulação de trabalho e troca de experiências sobre inovação tecnológica e iniciativas empresariais arrojadas.” (p. 417)

“Uma vez estabelecidos, os meios de inovação competem e cooperam em diferentes regiões, cirando uma rede de interação que os reúne em uma estrutura industrial comum, superando sua descontinuidade geográfica.” (p. 417)

“O novo espaço industrial não representa o fim das velhas áreas metropolitanas já

à

medida que a lógica da fabricação da tecnologia da informação vai passando dos produtores de equipamentos de tecnologia da informação para os usuários desses dispositivos em toda a esfera da indústria, também a nova lógica espacial se expande criando uma multiplicidade de redes industriais globais, cujas interseções e exclusões mudam o próprio conceito de localização industrial de fábricas para fluxos industriais.” (p. 418-419)

estabelecidas e o início de novas regiões caracterizadas por alta tecnologia. (

)

O cotidiano do domicílio eletrônico: o fim das cidades?

“ os futurologistas frequentemente predizem o fim da cidade, ou pelo menos das cidades como as conhecemos até agora, visto que estão destituídas de sua

necessidade funcional. (

suposição mais normal sobre o impacto da tecnologia da informação nas cidades e

representa a última esperança dos planejadores de transportes metropolitanos antes

o que parece

estar surgindo é a telecomutação em telecentrais, isto é, instalações com computadores em rede espalhadas nos subúrbios das áreas metropolitanas para os trabalhadores atuarem on-line com suas empresas.” (p. 419-420)

de se renderem à inevitabilidade de megacongestionamentos. (

Um aumento impressionante do teletrabalho é a

)

)

“O aumento do trabalho em casa também poderá resultar de uma forma de trabalho eletrônico terceirizado executado por trabalhadores temporários subcontratados mediante acordos individuais e pagos pelo volume do serviço executado em

processamento da informação. (

portáteis intensificarão essa tendência para o escritório móvel

Equipamentos de telecomputação cada vez mais ”

)

(p. 420)

17

“ a comunicação mediada por computadores está se difundindo em todo o mundo,

Dessa maneira,

alguns segmentos das sociedades de todo o globo, invariavelmente concentrados nos estratos profissionais superiores, interagem entre si, reforçando a dimensão social do espaço de fluxos.” (p. 422)

embora apresente uma geografia extremamente irregular (

).

“ a interação entre a nova tecnologia da informação e os processos atuais de

transformação social realmente têm um grande impacto nas cidades e no espaço.

De

outro, a ênfase na interatividade entre os lugares rompe os padrões espaciais de comportamento.” (p. 423)

De um lado, o layout da forma urbana passa por grande transformação. (

)

A transformação da forma urbana: a cidade informacional

conhecimento,

organizada em torno de redes e parcialmente formada de fluxos, a cidade

informacional não é uma forma, mas um processo ( predomínio estrutural do espaço de fluxos.” (p. 423)

pelo

por

causa

da

natureza

da

nova

sociedade

baseada

)

em

caracterizado

“O fator decisivo dos novos processos urbanos, na Europa e em outros lugares é o fato de o espaço urbano ser cada vez mais diferenciado em termos sociais, embora esteja funcionalmente interrelacionado além da proximidade física.” (p. 428)

Urbanização do terceiro milênio: megacidades

“Megacidades são aglomerações enormes de seres humanos, todas elas (13 na

e quatro

projetadas para ultrapassar 20 milhões em 2010. (

global e concentram tudo isto: as funções superiores direcionais, produtivas e administrativas de todo o planeta; o controle da mídia; a verdadeira política do poder; e a capacidade simbólica de criar e difundir mensagens.” (p. 428)

São os nós da economia

classificação da ONU) com mais de 10 milhões de pessoas em 1992 (

),

)

“As megacidades não podem ser vistas apenas em termos de tamanho, mas como uma função de seu poder gravitacional em direção às principais regiões do mundo.” (p. 429)

18

É esta característica distinta de

estarem física e socialmente conectadas com o globo e desconectados do local que

torna as megacidades uma nova forma urbana.” (p. 429)

“As megacidades concentram o melhor e o pior (

).

“ apesar de todos os seus problemas sociais, urbanos e ambientais, as

megacidades continuarão a crescer tanto em tamanho quanto em atratividade para

a localização de funções de alto nível e para as escolhas pessoais. (

porque se alimentam da população, da riqueza, do poder e dos inovadores de suas hinterlândias.” (p. 434-435)

crescerão

(

)

)

“As megacidades são os pontos nodais e os centros de poder da nova forma/processo espacial da era da informação: o espaço de fluxos.” (p. 435)

19

CASTELLS, Manuel. A questão urbana. O Fenômeno Urbano: delimitações conceituais e realidades históricas. (p: 39-52). São Paulo: Ed. Paz e Terra, 2000.

“ a tendência culturalista da análise da urbanização fundamenta-se numa

um

e uma forma específica de organização do espaço, a cidade,

sistema de valores (

premissa: a correspondência entre um certo tipo técnico de produção (

),

)

cujos traços distintivos são uma certa forma e uma certa densidade.” (p. 40)

Urbano designaria então uma forma especial de ocupação do espaço por uma população , a saber o aglomerado resultante de uma forte concentração e de uma densidade relativamente alta, tendo como correlato previsível uma diferenciação funcional e social maior.” (p. 40)

“ a fórmula mais maleável consiste em classificar as unidades espaciais de cada

país segundo várias dimensões e vários níveis e em estabelecer entre eles relações

empíricas teoricamente significativas.” (p. 41)

“As investigações arqueológicas mostraram que os primeiros aglomerados

aparecem no fim do neolítico

)

As cidades são a forma residencial adotada pelos membros da sociedade cuja presença direta nos locais e produção agrícola não era necessária.” (p. 41-42)

(

sedentários e com forte densidade populacional (

)

)

A partir deste momento um sistema de divisão e distribuição se desenvolve (

“ a cidade é o lugar geográfico onde se instala a superestrutura político-

administrativa de uma sociedade que chegou a um ponto de desenvolvimento

de tal ordem que existe uma diferenciação do produto em

técnico e social (

reprodução simples e ampliada da força de trabalho, chegando a um sistema de

distribuição e de troca (

de um sistema

político (

de um

sistema de troca com o exterior.” (p. 42-43)

)

)

de um sistema de classes sociais (

)

)

de um sistema institucional de investimento em particular (

)

“ as cidades imperiais dos primeiros tempos da história, e em particular Roma,

acumulam as características já enunciadas com as funções comerciais e de gestão

a penetração romana em outras civilizações toma a forma de uma colonização

A cidade portanto não é um local de produção, mas de gestão e de

urbana (

) (

)

domínio, ligado à primazia social do aparelho político-administrativo.” (p. 43)

20

“A cidade da Idade Média (

em torno da qual se organizara um núcleo de habitação e serviços, e de um

mercado (

a integração da nobreza com a

burguesia permite à primeira organizar um sistema de valores urbanos segundo o modelo aristocrático enquanto, quando a burguesia teve de voltar-se para si mesma, em vista da hostilidade do território que a cercava, a comunidade de cidadãos suscitou novos valores, referentes em particular à economia e ao investimento; isolados socialmente e com o corte de abastecimento dos campos próximos, sua sobrevivência, de fato, dependia de sua capacidade financeira e manufatureira.” (p.

43-44)

se edifica pela reunião de uma fortaleza preexistente,

)

)

É esta especificidade política da cidade que faz dela um mundo próprio

)

e define suas fronteiras enquanto sistema social. (

“O desenvolvimento do capitalismo industrial (

sim o seu quase desaparecimento enquanto sistema institucional e social

a

não provocou o reforço da cidade e

)

relativamente autônomo, organizado em torno de objetivos específicos. (

difusão urbana equivale exatamente à perda do particularismo ecológico e cultural

da cidade.” (p. 45)

)

“As cidades atraem a indústria devido a estes dois fatores essenciais (mão-de-obra

e mercado) e, por sua vez, a indústria desenvolve novas possibilidades de

empregos e suscita serviços. (

matérias-primas e meios de transporte, a indústria coloniza e provoca a urbanização.” (p. 45)

onde há elementos funcionais, em particular

)

“O racionalismo técnico e a primazia do lucro resultam (

especialização funcional e na divisão social do trabalho no espaço

)

no desenvolvimento da ”

(p. 46)

“ a problemática atual da urbanização gira em torno de (

)

A aceleração do ritmo

da urbanização no contexto mundial (

),

A concentração deste crescimento urbano

nas regiões ditas “subdesenvolvidas” (

),

(

46)

),

O aparecimento de novas formas urbanas ”

(p.

A relação do fenômeno urbano com novas formas de articulação social

“O

termo urbanização refere-se ao mesmo tempo à constituição de formas espaciais

específicas das sociedades humanas (

)

bem como à existência e à difusão de um

21

refere-se a uma certa heterogeneidade social e funcional, sem poder defini-la de outra forma senão pela sua distância, mais ou menos grande com respeito à

A análise da urbanização está intimamente ligada à ”

problemática do desenvolvimento

sociedade moderna. (

(

)

)

(p. 47)

“O problema evocado pela noção de desenvolvimento é o da transformação da

(relação investimento/consumo).” (p.

estrutura social na base de uma sociedade (

)

49)

dependência (

)

relações assimétricas entre formações sociais, de modo que a

organização estrutural de uma delas não tenha lógica fora de sua inserção no sistema geral.” (p. 49)

22

CASTELLS, Manuel. A questão urbana. Formação das Regiões Metropolitanas nas Sociedades Industriais Capitalistas. (p: 53-76). São Paulo: Ed. Paz e Terra, 2000.

“Trata-se de qualquer coisa a mais do que um aumento de dimensão e de densidade dos aglomerados urbanos existentes.” (p. 53)

“O que distingue esta nova forma (

difusão no espaço das atividades, das funções e dos grupos, e sua interdependência

mas também a

)

não é só seu tamanho (

)

segundo uma dinâmica social amplamente independente da ligação geográfica.” (p.

53)

“A organização interna da metrópole implica uma interdependência hierarquizada

das diferentes atividades. (

(p. 54)

elas são como o espectro da estrutura metropolitana.”

):

I. Técnica, sociedade e região metropolitana

“ o papel desempenhado pela tecnologia na transformação das formas urbanas

se exerce, ao mesmo tempo, pela introdução de novas atividades de produção e de consumo, e pela quase eliminação do obstáculo espaço, graças a um enorme desenvolvimento dos meios de comunicação.” (p. 54)

(

)

“A indústria está cada vez mais liberada com referência a fatores de localização espacial rígida, tais como matérias-primas ou mercados específicos, enquanto, ao contrário, depende cada vez mais de uma mão-de-obra qualificada e do meio técnico e industrial, através das cadeiras de relações funcionais já estabelecidas.”

(p. 55)

“ as mudanças na indústria de construção permitiram também a concentração das

funções, em particular das funções de gestão e de troca, num espaço reduzido e

acessível ao conjunto das zonas da metrópole

” (p. 56)

“A dispersão urbana e a formação das regiões metropolitanas estão intimamente

ligadas ao tipo social do capitalismo avançado, designado ideologicamente sob o

termo de “sociedade de massas”. (

a uniformização de uma massa crescente da

)

23

se acompanhar de uma diversificação de níveis e de uma hierarquização no próprio ”

interior desta categoria social

(p. 56)

“A região metropolitana, enquanto forma central de organização do espaço do

capitalismo avançado, diminui a importância do ambiente físico na determinação do

sistema de relações funcionais e sociais (

a

conjuntura histórica das relações sociais que constituem sua base.” (p. 57)

)

e coloca em primeiro plano (

)

II. O sistema metropolitano nos Estados Unidos

de novas atividades produtivas

as concentrações de populações não dependiam de uma rede preexistente, mas ”

(p. 57)

“ crescimento

particularmente elevado, conseqüência ( de imigrantes atraídos pelos empregos

57-58)

urbano

caracteriza-se

por

)

dois

traços

fundamentais:

I.

ritmo

)

(p.

da fraca taxa de urbanização inicial e ( ”

II. fenômeno de “metropolitanização”

“ a difusão dos transportes individuais (

a uma

necessidade de transporte suscitado pelo deslocamento vertiginoso dos primeiros locais de implantação.” (p.58)

urbana (

contribuiu bastante para esta explosão

)

)

o automóvel foi a resposta técnica socialmente condicionada (

)

representa um dos pontos fortes, dominando

uma metrópole insere-se, portanto, numa rede urbana ( ”

(p. 58)

)

em cujo interior ela

“A dificuldade é justamente circunscrever a influência de uma metrópole de forma

tão exclusiva ( (

os diferentes níveis possíveis desta influência

)

Hawley mostrou (

)

)

- Influência primária: (

)

migrações alternantes e as compras (contatos diretos)

- Influência secundária: contatos indiretos de um tipo quase cotidiano

- Influência terciária: (

)

vastas zonas espacialmente descontínuas

(p. 59)

“ conjunto da organização espacial americana como um sistema especializado,

diferenciado e hierarquizado, com pontos de concentração e esferas de domínio e

24

de influências diversas, conforme os domínios e as características das metrópoles.” (p. 59)

“1. Metrópoles nacionais: ( influência mundial

)

atividades financeiras, de gestão e de informação, (

)

2.

Metrópoles

regionais:

(

)

exercem-se

primordialmente

sobre

o

território

circunvizinho

3. Capitais regionais submetropolitanas: (

reduzida, no interior da área de influência de uma metrópole.

)

exercem-se sobre uma dimensão

4. Centros industriais diversificados com funções metropolitanas: (

suas atividades produtivas

) importância de

5. Centros

inseridos numa rede metropolitana externa

industriais

diversificados

com

fracas

funções

metropolitanas:

(

)

6. Centros industriais especializados (

)

7.Tipos especiais

(p. 60)

“A existência da megalópole vem de seu caráter de nível superior da rede urbana americana, que resulta de sua prioridade histórica no processo de urbanização.” (p.

61)

“ no que diz respeito às ligações estabelecidas entre as metrópoles, culminando na existência da megalópole:

- As

funções. (

ligações

)

fazem-se

pelos

encadeamentos

sucessivos

entre

as

diferentes

-

megalópole (

(

)

não existe uma hierarquia de funções claramente definidas no interior da

) rede multiforme

- A produção de conhecimento e de informação torna-se essencial (

comunicações, extremamente complexa, é um instrumento essencial

)

A rede de (p. 62)

partir da

concentração sobre o território da primeira urbanização americana, das funções de gestão e de uma parte essencial das atividades produtivas do sistema metropolitana dos Estados Unidos.” (p. 62)

“A megalópole resulta então do emaranhado interdependente (

),

a

25

III. A produção da estrutura espacial da região parisiense

“ o aceleramento do crescimento urbano parisiense tanto em termos absolutos

quanto relativos, está ligado à industrialização e, mais concretamente, a dois

períodos: à arrancada econômica dos anos 1850-1870, e à prosperidade que se seguiu à Primeira Guerra Mundial.” (p. 63)

“A nova fase da urbanização caracteriza-se por um predomínio do terciário, como motor deste crescimento.” (p. 63)

“ as metrópoles de equilíbrio foram criadas a partir de trabalhos sobre a estrutura urbana francesa, que tomava como critério de hierarquização, a capacidade de

“terciário superior” de cada aglomerado (

mais que sua dinâmica potencial em

termos de desenvolvimento econômico.” (p. 63)

)

“A preponderância econômica, política e cultural de Paris sobre a totalidade da França e sobre cada um dos outros aglomerados tomados separadamente é tal que podemos considerar claramente a totalidade do território francês como a hinterland parisiense.” (p. 64)

“ A unidade espacial assim delimitada é primordialmente um conjunto econômico e

funcional (

)

se constitui por relações cotidianas entre, por um lado, o centro do

aglomerado (

)

e, por outro lado uma coroa suburbana e uma zona de atração.” (p.

64)

“Esta unidade de funcionamento traduz-se, todavia, por uma divisão técnica e uma diferenciação social do espaço regional, tanto em termos de atividade e

É nesta especialização setorial e

equipamento quanto em termos de população. (

na reconstituição das ligações estruturais no conjunto do aglomerado, que reside o

critério fundamental de uma região metropolitana

)

” (p. 65)

três linhas, segundo

as características técnicas, econômicas e financeiras das empresas: as grandes

“A organização da implantação industrial parisiense segue (

)

unidades produtivas implantaram-se ao longo dos eixos de transportes e nos lugares

as pequenas empresas

subqualificadas (

empresas de vulto

favoráveis ao funcionamento da empresa (

);

)

sem a grande capacidade de abertura (

);

26

) (

valorizados

reconstituir novos ambientes industriais modernos nos espaços socialmente ”

(p. 66-67)

“ o tipo de habitat e de localização dos equipamentos não só responde à

segregação social, como, do ponto de vista da divisão técnica, ele está ligado à

determinação social da produção da habitação. (

o

resultado de três grandes tendências: 1. A explosão do subúrbio, com a construção

2. A parada quase total

da construção parisiense entre 1932 e 1954, provocando a deterioração do

desorganizada dos lotes de construção de 1919 a 1930 (

)

a difusão do habitat (

)

)

é

patrimônio imobiliário (

)

3.

(

)

a execução acelerada de um programa de

construção de moradias coletivas

(p. 69-70)

A tipologia das

mostra um contraste profundo no

conjunto dos indicadores do nível de vida e se status social entre o Oeste e o Sul, de nível elevado, e o Leste e o Norte, de nível significativamente mais baixo. No interior de cada setor e de cada municipalidade, operam-se novas divisões, que desenham

tudo que diz respeito ao

equipamento coletivo (

“No que diz respeito à diferenciação social do espaço regional (

municipalidades do subúrbio perto de Paris (

).

)

no espaço a estratificação social e acrescentam-lhe (

)

)

Mais ainda: este subequipamento implica a necessidade

de se deslocar para obter toda uma gama de serviços, quando a mobilidade das ”

camadas populares é menor

(p 71-72)

“ a rede de transportes, na medida em que deve assegurar o intercâmbio e as

comunicações entre os diferentes setores funcionais e sociais assim constituídos,

está duplamente determinada, pois é inteiramente dependente da disposição dos elementos que deve colocar em ligação.” (p. 72)

“A lógica da organização espacial da região parisiense provém, portanto, de seu caráter de nível superior de uma armação urbana terciária, formada num território nacional moldado pela industrialização capitalista, e caracterizado por uma enorme concentração em torno da capital administrativa.” (p. 73)

27

CASTELLS, Manuel. A questão urbana. Urbanização, Desenvolvimento e Dependência. (p: 77-106). São Paulo: Ed. Paz e Terra, 2000.

I. A aceleração do crescimento urbano nas sociedades “subdesenvolvidas” do sistema capitalista

“ se o crescimento demográfico é forte, o da população urbana é espetacular (p. 78)

“À primeira vista, urbanização e desenvolvimento econômico aparecem ligados. ( ) quanto maior é o nível econômico e tecnológico, tanto menor é o crescimento demográfico.” (p. 78)

considera a urbanização

como uma conseqüência mecânica do crescimento econômico e, em particular, da

industrialização. (

uma réplica do processo que atravessam os países industrializados. No mesmo estágio de população urbana alcançado hoje em dia pelos países “subdesenvolvidos”, o nível de industrialização dos países “desenvolvidos” era bem mais alto.” (p. 79)

A urbanização em curso nas regiões “subdesenvolvidas” não é

“ uma interpretação tão freqüente quanto errônea (

)

)

hiperurbanização (

)

aparece como um obstáculo ao desenvolvimento (

)

imobiliza os recursos sob a forma de investimentos não produtivos (

)

a

concentração num mesmo espaço, de uma população com baixo nível de vida e

uma taxa elevada de desemprego

” (p. 79)

“ a característica principal do “subdesenvolvimento”, além da falta de recursos, é a impossibilidade de uma organização social capaz de concentrar e dirigir os meios existentes em direção ao desenvolvimento da coletividade.” (p. 81)

II. A urbanização dependente

é um equívoco,

na medida em que só designa uma das partes de uma estrutura complexa em

Diremos então, com Charles

Bettelheim, que, em vez de falar de países ‘subdesenvolvidos”, caberia especificá-

relação com o processo de desenvolvimento. (

“ análise de conjunto do “subdesenvolvimento”. (

)

)

este termo (

)

28

los enquanto “países explorados, dominados e com economia deformada.” (p. 81-

82)

eixo principal de dominação e dependência (

)

O essencial (

)

não é a

subordinação política dos países “subdesenvolvidos” às metrópoles imperialistas

), (

questão e, mais concretamente, na articulação do sistema de produção e das relações de classes. Uma sociedade é, dependente, quando a articulação de sua estrutura social, em nível econômico, político e ideológico, exprime relações

assimétricas com uma outra formação social que ocupa (

) (

a organização das relações de classe na sociedade dependente exprime a

forma de supremacia social adotada pela classe no poder na sociedade dominante.”

(p. 82)

mas a expressão desta dependência na organização interna das sociedades em

)

uma situação de poder.

podem coexistir (

Dominação colonial (

soberania política. 2. Dominação capitalista-comercial (

seu valor e abrindo novos mercados para os produtos manufaturados (

Dominação imperialista industrial e financeira ( ”

criação de indústrias locais

“Os tipos de dominação historicamente fornecidos (

1.

exploração intensiva dos recursos e a afirmação de uma

)

)

)

)

matérias-primas abaixo de

3.

investimentos especulativos e a

)

)

(p. 83)

“À medida que o tipo de produção capitalista se desenvolve no Ocidente, e o processo de industrialização se acelera, seus efeitos fazem-se sentir na organização espacial e na estrutura demográfica das sociedades dominadas.” (p. 84)

O crescimento acelerado dos aglomerados deve-se a dois fatores: a) o aumento

das taxas de crescimento natural, tanto urbano quanto rural; b) a migração rural-

urbana. (

vida rural, provocando a emigração, não é apenas devido a uma irrupção pontual e não integrada de novas técnicas sanitárias, mas, sobretudo porque o sistema de propriedade e de utilização da terra tem com o base a exploração extensiva e pouco produtiva, mas bastando amplamente para os próprios interesses do proprietário da terra.” (p. 85-86)

Se a pressão demográfica sobre a terra cultivada deteriora o nível de

)

A urbanização dependente provoca uma superconcentração nos aglomerados (

como a migração para as cidades não responde a uma demanda de mão-de-obra,

)

29

mas à tentativa de encontrar uma saída vital num meio mais diversificado, o processo só pode ser cumulativo e desequilibrado.” (p. 87)

de uma

massa crescente de população não empregada e sem função precisa na sociedade

marginalidade

(p.87)

estrutura interecológica dos grandes aglomerados (

)

justaposição (

)

)

urbana, depois de ter rompido seu selos com a sociedade rural. (

III. Desenvolvimento e dependência no processo de urbanização da América Latina

“ as formações sociais existentes na América Latina antes da penetração

colonialista ibérica, foram praticamente destruídas, e, em todo caso, desintegradas

socialmente durante a conquista.” (p. 89)

“As relações “privilegiadas” político-econômicas da América Latina com os Estados Unidos reforçam uma certa unidade de problemas e fundamentam a trama das formas sociais em transformação.” (p. 89)

“A “explosão urbana” latino-americana é a conseqüência, em grande parte, da

explosão demográfica (

como também no interior de cada província: as cidades concentram o crescimento demográfico da região circunvizinha, atraindo o excedente da população rural.” (p.

90)

Este processo produz-se não só no conjunto do país,

)

“Com efeito, com exceção da Colômbia, em medida menor , do Brasil e do Equador, as sociedades latino-americanas caracterizam-se por um sistema urbano macrocéfalo, dominado pelo aglomerado principal.” (p. 90)

“ no interior da América Latina, ainda que os países mais urbanizados sejam

também os mais industrializados, não há correspondência direta entre o ritmo dos

dois processos no interior de cada país.” (p. 91)

“ como assinala Anibal Quijano, a relação que liga a urbanização latino-americana

mas um efeito das

características da indústria do país

à industrialização não é uma relação tecnológica (

),

” (p. 95)

30

“A importância do setor serviços na América Latina ultrapassa ou iguala a do mesmo

setor nos Estados Unidos e ultrapassa amplamente a Europa (

terciários latino-americanos não se assemelham. (

trata-se, essencialmente, de

“Os setores

)

)

pequeno comércio e de vendedores ambulantes, de domésticos, de trabalhos não

especializados

(p. 96)

população urbana sem medida

comum com o nível produtivo do sistema; ausência de relação direta entre emprego industrial e crescimento urbano; grande desequilíbrio na rede urbana em benefício de um aglomerado preponderante; aceleração crescente do processo de urbanização; falta de empregos e de serviços para as novas massas urbanas e, ”

“A urbanização latino-americana caracteriza-se (

):

consequentemente, reforço da segregação ecológica das classes sociais

(p. 99)

“Não pode haver política de urbanização sem compreensão do sentido do processo

social que a determina. (

a articulação específica dos países latino-americanos com o conjunto da estrutura à qual elas pertencem.” (p. 99)

exprime a forma da relação sociedade/espaço, segundo

)

“As bases da estrutura urbana atual refletem em grande parte o tipo de dominação

as cidades espanholas

tinham essencialmente um papel um papel de governo, correspondente à política

mercantilista (

centradas sobre a rentabilidade da troca de produtos e das explorações intensivas nas regiões próximas aos portos.” (p.100)

enquanto aas implantações portuguesas no Brasil eram mais

sob a qual se formaram as sociedades latino-americanas (

)

),

“A substituição da dependência política em face da Espanha por um dependência

) a

e, paralelamente, a

constituição da rede de serviços e transportes necessários às atividades. ( ) diversificação regional da produção.” (p. 101)

exploração sistemática dos recursos do setor primários (

comercial com relação a outras potências européias, em particular à Inglaterra (

)

“ a primeira fase da industrialização, seja na base quase exclusiva de capitais

estrangeiros (Argentina, Uruguai, Chile), ou a partir da mobilização de uma certa burguesia nacional utilizando os movimentos populistas (México, Brasil), teve um papel limitado, estritamente dependente do comércio exterior.” (p. 102)

31

limitar as importações e a criar indústrias Depois da Segunda Guerra Mundial, os

encontram uma vazão para o excedente de capitais

no desenvolvimento desta indústria local; trata-se também de abrir novos mercados.”

investimentos estrangeiros (

centradas no consumo local. (

“ a partir da Grande Crise de 1929 (

)

)

)

(p. 102-103)

“ podemos dizer que os determinantes essenciais da decomposição da sociedade

a

Não se trata

portanto de um simples desequilíbrio de nível, mas do impacto diferencial da industrialização nas sociedades rural e urbana, decrescendo e aumentando respectivamente sua capacidade produtiva, enquanto as trocas entre os dois setores se tornam mais fáceis.” (p. 104-105)

manutenção das formas improdutivas da propriedade latifundiária. (

agrária são a contradição entre o aumento acelerado da população (

)

e

)

“A urbanização na América Latina não é a expressão de um processo de “modernização”, mas a manifestação, a nível das relações sócio-espaciais, da ”

acentuação das contradições inerentes a seu modo de desenvolvimento

(p.106)