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MORTE E MORRER, PASSOS NO PROCESSO DA VIDA. Dewet Virmond Taques 1 NA PERSPECTIVA DA

MORTE E MORRER, PASSOS NO PROCESSO DA VIDA.

Dewet Virmond Taques 1

NA PERSPECTIVA DA VIDA

Ultrapassamos cada época, mergulhados na historicidade de nosso convívio e no âmago de nossa cultura inúmeros paradigmas, renovando ou alterando os conceitos e definições sobre nossa realidade humanística. Mesmo todo o processo da vida, em suas inúmeras faces e momentos, tem encontrado, no desenrolar das páginas da existência, quer cultural, social, psicológica ou mesmo biologicamente, alterações na maneira de se perceber, no modo de ser entendido na forma de ser conceituado. A morte como marco indelével e inicial, progressivo e dinâmico do processo de morrer, e o ato de sucumbir na inexistência, denominada de morte consumada, ha pouco menos de uma década era vivenciada no mesmo instante. O morrer e a morte eram sinônimos e aconteciam no mesmo tempo e lugar. Culturalmente, a morte era celebrada no momento em que o enfermo deixava de respirar, o coração parava de bater e sua temperatura caía. Atualmente esta realidade perdeu sua consistência! Já não são mais sinais de morte, ou melhor, na atualidade o “morto” continua com suas funções “vitais”. O coração bate, há respiração e temperatura, até a pressão arterial está normal, e está “morto”, dizem! É o conceito de morte encefálica. Uma visão biológica. E esta sintomatologia pode ser “ajudada” sine diæ, de acordo com os interesses, biomédicos! O que acontece, no sentido bio/fisio/químico/hormonal, durante esse tempo? O fato do morrer submete-se ao processo da morte, ou a morte submete-se ao processo do morrer? Fica a morte conceituada como o marco final da existência humana, o momento do inexistir da pessoa, a experiência mais profunda da solidão do ser. Fica a dúvida em se estabelecer esse marco: seria o da “falta de função” encefálica ou poderia ser considerada somente após a “falência” do último órgão? Parece que sempre temos abominado a morte em si, pois significa, para nós, o fim, término, tudo acabado!

1 Membro do Núcleo Arquidiocesano de Bioética de Curitiba

“Do ponto de vista psiquiátrico, isto é bastante compreensível e talvez se explique melhor pela

“Do ponto de vista psiquiátrico, isto é bastante compreensível e talvez se explique melhor pela noção básica de que, em nosso inconsciente, a morte nunca é possível quando se trata de nós mesmos”, (KÜBLER-ROSS, 2005, p. 6). Talvez o ponto nefasto do encarar a morte seja o eclodir na reflexão as inúmeras dúvidas sobre o significado da vida. Não encontramos respostas sobre as razões para o sofrimento, que quase sempre acompanha o acontecimento mórbido que a morte acarreta. Não são perguntas fáceis e nem simples de serem respondidas. Doenças crônicas com características incuráveis, lesões traumáticas acidentais sérias, produzindo traumatismos cranianos ou mesmo politraumatismos, infecções graves com prognóstico negativo frente a evoluções rápidas, na grande maioria das vezes produziam ao enfermo uma quase certeza de estar vivendo uma experiência dolorosa de final de vida, pois os recursos médicos/cirúrgicos e farmacológicos eram escassos e insuficientes. Este fato também produzia nos familiares e amigos, uma ansiedade e tristeza, pois acompanhavam-no nesta viagem sem retorno. Como bem afirma KÜBLER, “é inconcebível para o inconsciente imaginar um fim real para nossa vida neste mundo e, se a vida tiver um fim, este será sempre atribuído a uma intervenção maligna fora de nosso alcance” (id.), ou mesmo uma idéia de que não morremos, o que ocorre é que somos mortos. Causas naturais ou mesmo a idade avançada não podem ser motivos para tirar a vida de uma pessoa, pensamos assim em nosso inconsciente. O fim da vida só pode estar ligado a algo ruim e funesto, a uma ação, na essência, má. Aceitada ou não, a morte não é algo instantâneo, é fato progressivo. Este acontecimento quase sempre foi tratado como fracasso médico, interdito da vida, fato vergonhoso como se fosse algo que pudéssemos controlar ou mesmo derrotar. Quase sempre, ao “perdemos” um ente muito querido, até a Deus questionamos, pois a falta de compreensão do processo vital, tendo a morte como o ápice do ter nascido, era totalmente desconhecido, ainda mais sabendo que este processo está aquém da vontade do protagonista, aliás, tudo ocorre sem o seu consentimento. O moribundo perde a sua autonomia, sua dignidade; tudo foge, até mesmo sua consciência!

Parece que complicamos mais ainda este acontecimento, uma vez que ao celebrar vida jamais nos

Parece que complicamos mais ainda este acontecimento, uma vez que ao

celebrar vida jamais nos passa à cabeça comentar sobre a morte, mesmo porquê estando

em plena vivência não faria sentido refletir sobre seu fim.

NA INTERIORIDADE DA MORTE

PARA UMA REFLEXÃO FILOSÓFICA/TEOLÓGICA Filosofia e morte sempre caminharam juntas no processo da elaboração

do conhecimento da vida. Tanto que no passado, a filosofia “já foi considerada como o

aprendizado da morte”, na fala dos sábios.

Nesta sabedoria a vida, em seu complexo dinâmico no processo

existencial encontra-se iluminada pela mesma intensidade nas etapas extremas, onde se

completam e se integram. Há uma reciprocidade e troca de energia a ponto de que a luz

do nascer se estenderá no morrer.

Assim, dois parâmetros balizam o processo, dois momentos sublimes

serão vivenciados, cada um deles distante e aparentemente opostos, na unidade se

interligam. O nascer aproxima o morrer, no desenvolvimento da vida e esta estabelece, no

nascer a alegria do morrer, a medida em que a vida for celebrada em cada momento

concreto em que se define. No morrer estaremos vivenciando experiencialmente a

plenitude do nascer

Vida e morte, viver e morrer, no processo existencial se completam, se

iluminam mutuamente. A certeza do momento do nascer alicerça a incerteza do momento

da morte consumada, embora seja algo consolidado, definido e certo.

Não se tem um consenso quanto ao momento real da ocorrência da

morte, uma vez que o fato é, hoje mais do que nunca, inerente a uma interdisciplinaridade

e cada ciência enfoca um aspecto do processo fazendo com que cada uma absolutise

num reducionismo nefasto à humanidade. Na contemporaneidade fatiamos e tomisamos o

fato de morrer, como se o ser humano tivesse várias vidas. Estes conceitos nos têm

remetido a situações embaraçosas, confusas, onde a bioética tem buscado uma

determinante com a finalidade de resgatar a dignidade humana, tão depreciada, amordaçada ou desfocada. Ficamos

determinante com a finalidade de resgatar a dignidade humana, tão depreciada, amordaçada ou desfocada. Ficamos extasiados com a vida, somos apreciadores do jovem, da saúde, do viver do existir; desprezamos o definhar, a doença o sofrer o morrer. Diz-se que não morremos por estarmos doentes e sim por nos apresentarmos vivos. Foi dito, “não seria a vida uma doença mortal sexualmente transmitida?” A reflexão da morte só é possível a partir de um ser dotado de autoconsciência, o humano. Frente à inexorabilidade da morte, como final da existência, o ser humano aprende que tem um “certo” poder sobre ela, extraordinário frente à realidade: pode, hoje através dos avanços da biotecnociência, prolongar ou encurtar.

O objetivo dos amigos da sabedoria (philum-sofia era o de preparar o indivíduo para uma boa morte, ou seja, a eutanásia Interessante notar que até o conceito da “boa morte” sofreu alteração no seu sentido, pois atualmente, a “boa morte”, eutanásia, como conhecemos, adquiriu um conceito de tirar a vida do ser humano por considerações humanitárias, com a finalidade de aliviar e evitar sofrimento e dor!

Se antigamente supunha-se que se o indivíduo soubesse viver, caso vivesse dignamente, saberia morrer, ou seja, morreria também, dignamente, hoje temos a certeza de que viveu indignamente, pois ao ajudarmos a ter uma “boa morte”, estaremos “livrando-o do sofrimento e da dor!” Preparar o enfermo para sua “boa morte” não é prepará-lo para uma morte digna e sim “tirar sua existência do sofrimento”. Temos, nesse sentido, vivido errado, pois somos apreciadores de que o humano tem morrido errado. Será que temos construído, em oposição, uma verdadeira caco-tanásia, ou “má morte?”. Necessitamos aprender com os “philum-éthos”, ( seja, os amigos do comportamento ético, àqueles que refletem sobre o ethos, sobre a postura ética do humano, enquanto humano, abrangendo todo o processo existencial, desde o início da existência até o final da mesma, ajudando-o a viver humanamente.

até o final da mesma, ajudando-o a viver humanamente. Até a própria nominação da morte sofre
até o final da mesma, ajudando-o a viver humanamente. Até a própria nominação da morte sofre

Até a própria nominação da morte sofre influência social/científica, onde a biotecnociência, como diz JONAS, H. (2004) “anda as beiras da escatologia”, em seu

avanço de enorme rapidez descortinando horizontes “dantes nunca navegados”, o que nos tem acarretado uma

avanço de enorme rapidez descortinando horizontes “dantes nunca navegados”, o que nos tem acarretado uma postura na qual tentamos entender o fim da vida, sem, contudo entendê-la em conformidade com a realidade vivenciada. O que há algum tempo atrás era um paradigma, foi quebrado e novas perspectivas surgiram. Eutanásia () ou boa-morte, termo grego que traz etimologicamente como significado a morte suave, sem sofrimento, o final da existência sem angústia, a morte digna, enfim, o bom morrer, morrer bem. Seria, neste sentido, morte a libertação total, plena e global da vida em seu processo terminal do morrer. Entendemos daí, que a morte é parte integrante e “vital” do morrer e que em oposição do nascer, integra o aspecto existencial do ser humano. Ambas experiências imprevisíveis e envoltas em mistério, sendo que, pelo menos a primeira, sem o consentimento do nascituro, quanto a segunda, hoje em dia, sabemos que o protagonista moribundo, em algumas vezes, anseia pelo fim. O progresso da biotecnociência acarreta uma nova visão, novo entendimento ou pelo menos, uma nova interpretação do fenômeno. Não se morre mais, como um fato consumado, e sim de forma fragmentada, seccionada, como se a vida o assim fosse. Não é mais morte e sim um processo de morrer. Não se morre mais, como assim viam nossos pais e avós, com a parada das batidas do coração e outras funções vitais. Hoje se morre por etapas, ou melhor, morrendo a atividade cerebral considera-se o indivíduo sem vida, entretanto, inúmeros órgãos permanecem e podem ser mantidos “vivos” com a finalidade de transplante/médico, por um tempo, quase indefinido, segundo os avanços tecnológicos das Unidades de Terapia Intensiva. Aparelhos que “sustentam em situação funcional órgãos vitais do “morto”. Será esta visão biomédica suficiente para convencer os familiares de que seu ente querido encontra-se “morto”? Se eu ou você, tomando consciência deste fato não ficaremos ansiosos durante o processo de morrer? Seremos mortos com órgãos vivos? Será que esta consciência encontra-se presente somente no córtex ou a consciência em si, preserva-se também, através da atividade hormonal? Esta sendo uma atividade autônoma poderá manter sua atividade funcional por algum tempo ainda?

Será que o indivíduo terá consciência de que está “vivendo” a experiência do processo de

Será que o indivíduo terá consciência de que está “vivendo” a experiência do processo de morrer, sendo um espectador da sua própria morte, entendida como morte consumada? Afinal se ainda órgãos, embora não vitais, permaneçam em atividade, numa verdadeira DISTANÁSIA, os procedimentos de manutenção da “vida” por meios artificias com a finalidade biomédica não seria uma última e absurda manipulação do ser humano, agora incapaz de reagir, num comportamento aético, desumano, por excelência? Interessante que até o termo em grego, por nós utilizado para designar a boa morte, morte digna, passa a ser uma definição dos procedimentos realizados para “abreviar a vida”, provocada artificialmente. Como antecipar, se o indivíduo já estaria “morto”, pelo menos no conceito de morte encefálica? Atualmente, em busca de uma justificativa, temos sub classificado a eutanásia, ou seja, a “boa morte” de inúmeras formas, numa expressão clara da confusão em que vivemos. Conceitua-se este fato como: boa morte passiva, boa morte ativa, boa morte (?) voluntária, boa morte terapêutica, boa morte homicídio, boa morte suicídio, boa morte libertadora, boa morte eugênica, entre tantas. Absolutiza-se a falência encefálica, conceituando-a como o marco indelével e definitivo do fim da existência, entretanto a individualidade do ser humano está inerente a uma visão holística da vida em si. Talvez estejamos festejando nossa total ignorância quanto à vida humana, nos distanciando ano luz do dom da vida e deixando de celebrar a existência, nos aproximando rapidamente numa atuação fútil e banal, de uma forma tal que estamos alimentando uma hipocrisia eugênica, causando uma psico-tanásia, ou mesmo correndo o risco de provocar uma pan-tanásia, entretanto, alimentando, sem dúvidas, pseudos- tanásias!

Aos nossos poetas poderia caber, no conteúdo de suas epístolas carregadas de rimas românticas, a responsabilidade de estar causando uma verdadeira édipo-tanásia nos corações enamorados. Pelo menos o “morrer” de amor é uma virtude dos enamorados. Necessitamos retomar o valor do dom da vida, dádiva que tendo em nosso genoma, herança de nossos pais, um sopro do alto, um hálito divino que transcende nosso ser, nosso entendimento e nossa razão fazendo com que cada célula,

cada tecido ou órgão, sinta o palpitar da vida, reencontre o sentido existêncial! Não uma

cada tecido ou órgão, sinta o palpitar da vida, reencontre o sentido existêncial! Não uma existência limitada na imanência terrena, temporária, finda, terminal que se volatiliza no tempo e se deteriora na putrefação cadavérica, mas uma transcendência perene, inacabada, que se constrói a medida em que a consciência tem a certeza de um encontro com uma epistemologia da própria vida. Uma visão transcendente que engloba a força ressuscitadora, carregando para a eternidade toda a realidade do ser. Força do theos, que dá sentido à vida, divinizando-a.

Teremos que ter experiência de uma nova gestação, não a biológica, esta nos fornece todas as características humanas, mas uma do alto, um sopro criador, esta é uma gestação divina, que nos plenifica, em uma moção pneumatológica, que inculca em cada um dos humanos, a semelhança e a própria imagem do Criador. Ambas darão sentido à vida, fornecerão expressão real do mistério que encerra a existência. Sem esta última, imprescindível para um ethos, na transformação do homo-sapiens em homo divinus, os conhecimentos científicos perdem-se nos meandros hipócritos, egoísticos do doutorismo”, ou fica dissimulado na manipulação selvagem do economismo desenfreado, que escraviza e desumaniza interesses espúlios “pequenos” e desfocados de uma realidade maior.

GLOSSÁRIO: (?) QUE ENTENDEMOS E O QUE TEMOS CRIADO SOBRE O CONCEITO DE MORTE!

Parece jocoso, irônico ou absurdo, mas encontrei inúmeros conceitos de morte, e repasso, para nossa reflexão e apreciação, segundo FRANCISCONI, C.F. et al.

eutanásia = boa morte/acelerar a morte; cacotanásia = má morte, distanásia = prolongar a morte/morte dolorosa; narcotanásia = morte narcotizada; mistanásia = morte infeliz ortotanásia = morte digna/morte certa; eutanásia ativa = ato deliberado de provocar a morte sem sofrimento;

eutanásia passiva = a morte do paciente dentro da uma situação de terminalidade, ou porque

eutanásia passiva = a morte do paciente dentro da uma situação de terminalidade, ou porque não se inicia uma ação médica ou pela interrupção de uma medida extraordinária, com o objetivo de minorar o sofrimento; eutanásia de duplo efeito = quando a morte é acelerada como uma conseqüência indireta das ações médicas que são executadas visando o alívio do sofrimento de um paciente terminal. eutanásia voluntária = quando a morte provocada sem que o paciente tivesse manifestado sua posição em relação a ela; eutanásia súbita = morte repentina; eutanásia natural = morte natural ou senil, resultante do processo natural e progressivo do envelhecimento; eutanásia teológica = morte em estado de graça; eutanásia estóica = morte obtida com a exaltação das virtudes do

estoicismo;

eutanásia terapêutica = faculdade dos médicos para propiciar uma morte suave aos enfermos incuráveis e com dor; eutanásia eugênica = aquela realizada para a supressão dos degenerados ou inúteis; eutanásia econômica = propiciar a morte do paciente levado por motivos

de economia;

eutanásia legal = procedimentos regulados pela legislação; eutanásia homicídio = quando alguém realiza um procedimento para terminar com a vida de um paciente; eutanásia suicídio = quando o próprio paciente é o executante da morte; eutanásia libertadora = aquela realizada por solicitação de um paciente portador de doença incurável, submetido a um grande sofrimento; eutanásia eliminadora = quando realizada em pessoas, que mesmo não estando em condições próximas da morte, são portadoras de distúrbios mentais; Ainda tomo a liberdade de criar outras definições somando a esta lista algumas outras expressões, com o intuito de colaborar neste construto teórico,em sentido jocozo.

Podemos, perfeitamente nesta ótica nominar (?): pseudo-tanásia = a falsa morte! eros-tanásia = a morte

Podemos, perfeitamente nesta ótica nominar (?):

pseudo-tanásia = a falsa morte! eros-tanásia = a morte causada pela humanidade; philo-tanásia = a morte causada pela amizade; ágape-tanásia = a morte causada pelo amor oblativo; pan-tanásia = a morte que desenfreia a morte de muitos; rino-tanásia = a morte causada por um odor forte; édipo tanásia = a morte causada por amor; endo-tanásia = a morte que tem seu início interiormente; exo-tanásia = a morte que tem seu início exteriormente; uni-tanásia = quando se morre sozinho; bi-tanásia = quando o(a) amigo(a) morre junto, por amizade; poli-tanásia = a morte causada por muitos; escato-tanásia = a morte para além da morte; homero-tanásia = a morte gloriosa; hiper-tanásia = a grande morte; tanato-tanásia = a morte morrida!

Que Deus se compadeça de nós, meros mortais enquanto simples humanos, eternos, enquanto criaturas do criador, filhos de Sua Misericórdia.

REFERÊNCIAS

1 FRANCISCONI, Carlos Fernando e GOLDIN,José Roberto, art. “Tipos de

2 HANS, Jonas. “O Princípio Vida”, Ed. Vozes, Petrópolis, 2004

3 - KÜBLER-ROSS, E. Sobre a morte e o morrer”, Ed. Martins Fontes, São Paulo,

2005