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1. Considerações Gerais Sobre o Sistema Linfático O corpo humano tem aproximadamente 600 (seiscentos) linfonodos ou gânglios linfáticos que são órgãos pequenos, encapsulados, distribuídos pelo corpo, sempre acompanhando os vasos linfáticos. Os linfonodos estão concentrados na cabeça e no pescoço, axilas, mediastino, região dos grandes vasos abdominais, região inguinal e ao longo dos vasos das extremidades. Os mediastinais e abdominais não são palpáveis e somente detectados através de exames de imagem. A quantidade e a distribuição geral de linfonodos mantêm relação definida com a idade, podendo ser palpados desde o período neonatal. Observa-se nítido crescimento do tecido linfóide no lactente e préescolar durante toda a infância devido à subseqüente exposição antigênica, declinando a partir da puberdade. Portanto é normal que a criança tenha adenomegalia cervical, inguinal e axilar. Em geral os linfonodos são considerados patológicos quando apresentam mais de 1 cm de diâmetro, exceto os nódulos epitrocleares maiores que 0,5 cm de diâmetro e inguinais maiores que 1,5 cm de diâmetro.

2. Etiologia
As adenomegalias podem ser de causa infecciosa ou não infecciosa ou neoplásica ou não neoplásica. As de etiologia infecciosa podem ser causadas por vírus, bactérias, fungos, parasitos. As de causa não infecciosa (neoplasia, congênita e não definida), podem ser generalizadas ou localizadas. Em relação ao grupo etário, os pacientes em idade pré-escolar e escolar são os mais acometidos e não há predomínio entre os sexos.

2.1. Adenomegalia Localizada 2.1.1. CERVICAL
A) Viral Geralmente associados à infecção viral do trato respiratório superior. Usualmente pequenos, elásticos e localizados bilateralmente sem sinais flogísticos. A adenomegalia cervical é proeminente nas infecções por vírus Epstein Barr (EBV) em 95% e citomegalovírus (CMV) em 75% dos casos. Sendo que nestas infecções os linfonodos são maiores, isolados ou confluentes, variando de 0,5 a 2,5cm de diâmetro, comumente localizados na região cervical posterior. Infecção por adenovírus mais comumente apresenta adenomegalia cervical posterior e anterior, generalizada em 10 a 20% dos casos. Na gengivoestomatite herpética a adenomegalia está presente na região cervical anterior, mentoniana e submandibular. As infecções oculares primárias são acompanhadas de adenomegalia préauricular A adenomegalia aguda pode ser vista em 25% a 50% de pacientes com rubéola, exantema súbito e coxsackiose. B) Bacteriana As bactérias como o Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes são responsáveis por 40% a 80% dos casos de adenite cervical unilateral em crianças entre 1 e 4 anos de idade. A flutuação do gânglio ocorre em 25% dos pacientes com adenomegalia cervical e o agente etiológico mais freqüentemente encontrado é o S.aureus. Em recém-nascidos, o S. aureus é a causa mais comum de adenite. Entretanto nestes pacientes é descrita a participação do Streptococcus do grupo B na etiologia. O quadro clínico é de

O Streptococcus do Grupo A e bactérias anaeróbias são mais freqüentes em crianças com faixa etária mais avançadas e adolescentes. Classificação As adenomegalias podem ser classificadas de acordo com a localização. encefalopatia. Dentre as manifestações clínicas também são observadas a síndrome oculoganglionar de Parinaud (granuloma conjuntival associado com adenomegalia pré-auricular e submandibular). leucemias. cisto branquial. O quadro clínico mais característico é de adenomegalia localizada. A via sangüínea é a mais comum de chegada do bacilo ao gânglio. aspecto endurecido e aderido a planos profundos. recusa alimentar. sem sinais de flogose. eritema marginatum. as adenomegalias podem ser localizadas ou generalizadas. 3. acompanhado de febre e fadiga. cisto broncogênico e tumor do esternocleidomastoideo. causada pela rickettsia Bartonella henselae. Bactérias anaeróbias têm sido detectadas em 38% dos aspirados de nódulos isolados da região cervical em pacientes de 2 a 16 anos de idade.febre. embora em 25% dos pacientes seja observado nódulo cervical único e endurecido. irritabilidade. forma uma pápula no local. Adenomegalia por M. de evolução lenta. Quanto à localização. tuberculosis após exposição ao Bacilo de Koch é pouco comum na infância. lesão osteolítica. metástase de tumores sólidos (tumor de tireóide. Adenomegalia . Os nódulos caracterizam-se por aumento de volume. microrganismo Gram negativo. com gânglios maiores que 3 cm de diâmetro. eritema nodoso. Nódulos axilares são os mais afetados. púrpura trombocitopênica. podendo ocorrer sepse e otite média como complicações da celulite e do abscesso local. higroma cístico. eritema facial ou submandibular. que ao ser inoculado na pele através da arranhadura do gato. como cisto do tireoglosso. após 5 a 60 dias. pouco dolorosos. A localização preferencial são as cadeias ganglionares cervicais. A propagação por contigüidade e inoculação direta do bacilo (feridas na pele próximas ao pescoço) é rara. A adenomegalia nestes casos é unilateral e associada com o estado precário de conservação dentária ou doença periodontal. cisto epidermóide. carcinoma denasofaringe) e tumores benignos de origem congênita também referidos como adenomegalias. C) Neoplasia e tumores congênitos A adenomegalia cervical é observada em linfomas (Hodgkin e não Hodgkin). acompanhada de adenomegalia regional. A doença da arranhadura do gato é uma zoonose. endurecidos e que podem eventualmente fistulizar (escrófula). tempo de aparecimento e etiologia.

com duração de mais de 6 semanas em uma revisão sobre adenomegalias em crianças define como aguda duração menor que 3 semanas e crônica superior a 6 semanas de duração. infecção pelo vírus Epstein Barr. com duração menor que 6 semanas e de forma crônica. leucopenia sugere neoplasia ou infecção pelo HIV.localizada é definida quando somente uma cadeia linfática é envolvida. 5% na região axilar e 1% na região na região supraclaviclular. anaeróbicas. infecção fúngica (esporotricose. punção com aspirado da secreção ganglionar e biópsia ganglionar para análise da secreção através de cultura e exame histopatológico. contato com Bacilo de Koch. dados epidemiológicos e exames laboratoriais iniciando pelo hemograma. A avaliação da consistência do gânglio. contagem de plaquetas. eosinofilia sugere reação de hipersensibilidade e paracococcidoidomicose. doença da arranhadura do gato. aves. leucocitose com desvio à esquerda sugere infecção bacteriana. síndrome da imunodeficiência humana adquirida. exposição a animais como gato. A ultra-sonografia do linfonodo pode distinguir as causas de adenomegalias supurativas e não supurativas. Quanto ao tempo de aparecimento. mobilidade e tamanho também são características que indicam a biópsia. perda de peso. calafrios. correspondendo a 75% dos casos. neoplasia. A biópsia é formalmente indicada quando há persistência do gânglio aumentado mesmo com tratamento com antibióticos ou sinais e sintomas sistêmicos como febre. sorologias (toxoplasmose. colagenoses. rubéola. perda de peso e adenomegalia supraclavicular. tumores congênitos. Rx de tórax. possibilitando a diferenciação entre doença de Kawasaki. as adenomegalias podem surgir de forma aguda. teste intradérmico com derivado protéico purificado (PPD). 14% na região inguinal. granulomatosa (tuberculose) e colagenoses ou neoplasia. História clínica Na anamnese. sugerindo etiologia infecciosa ou não infecciosa. ultra-sonografia ganglionar. correspondendo a 25% dos casos. transfusão sangüínea ou transplante. velocidade de hemossedimentação (VHS). DIAGNÓSTICO O diagnóstico é baseado nos sinais e sintomas clínicos. histoplasmose). citomegalovirose. Exame físico . A avaliação do ácido úrico e desidrogenase lática sanguínea podem refletir a presença de linfoma ou neoplasia hematológica. Adenomegalia generalizada é definida quando duas ou mais cadeias são envolvidas. Quando o resultado do VHS é menor ou igual a 60 mm na 1a hora geralmente indica etiologia viral ou parasitose (toxoplasmose) e maior ou igual a 80 mm na 1ª hora. sinais e sintomas locais. como é observada nos casos de tuberculose. doença de Chagas. sendo 55% detectados na região do pescoço (cervical e submandibular). morcegos. adenomegalias bacterianas e virais. micobactérias e fungos. sífilis e outras sorologias quando houver suspeita clínica e epidemiológica). presença ou não de alteração sistêmica como febre. sugere doença fúngica. No hemograma completo a presença de linfócitos atípicos sugere síndrome de mononucleose. A aspiração da secreção ganglionar para cultura tem valor diagnóstico diferenciando as adenomegalias causadas por bactérias aeróbicas. como diagnóstico etiológico. artralgias. fadiga. quando indicados. viagem recente para zonas endêmicas de peste. algumas características dos gânglios devem ser consideradas como a localização do gânglio ou cadeias ganglionares acometidos. sugerindo toxoplasmose.

ele distende sua cápsula e provoca dor. Quando se apresentam de forma elástica. hepatoesplenomegalia. Em caso de supuração. os nódulos têm caráter flutuante. Nódulos pequenos logo abaixo da camada epidérmica. manifestações respiratórias. lesões dermatológicas. consistência. mobilidade e localização. Quando um ou mais gânglios são detectados. presentes na região cervical são típicos de infecção viral. a presença ou não de dor não diferencia um tumor maligno de um benigno C) Consistência Os nódulos endurecidos são tipicamente sinal de neoplasia. Mais raramente presente. cinco características devem ser observadas. com exame radiológico de tórax normal. dor. Porém. doença da arranhadura do gato causa tipicamente adenomegalia cervical ou axilar. linfonodos maiores que 2 cm de diâmetro. D) Mobilidade Gânglios aderidos a planos profundos da pele e subcutâneo sugerem neoplasia. Gânglios supraclaviculares têm alto risco de neoplasia de mediastino. E) Localização A localização anatômica da adenomegalia muitas vezes pode orientar a investigação diagnóstica. B) Dor Quando um gânglio aumenta de volume rapidamente. tamanho. perda de peso e. sinais flogísticos localizados. doença da arranhadura do gato. enquanto que gânglios móveis que deslizam facilmente sobre a pele sugerem quadros benignos. ausência de sintomas de otite e infecção de vias aéreas superiores. poucas informações sugerem que um diagnóstico específico possa ser baseado no tamanho do nódulo. pode-se suspeitar de doenças como tuberculose. provavelmente é resultante de infecção ou inflamação. tais como. amolecida. que é resultante de um processo inflamatório ou supurativo local. Nódulos muito firmes e elásticos sugerem linfomas. tuberculose ou micose profunda. além da presença de adenomegalia. Desta forma. A)Tamanho Os nódulos são considerados normais até 1 cm de diâmetro. . como por exemplo. mononucleose causa adenomegalia cervical e doenças sexualmente transmissíveis estão associadas com adenomegalia inguinal. Em crianças. rash. a sarcoidose ou neoplasias. principalmente os linfomas.Durante a realização do exame físico. pulmão ou esôfago. Hemorragia no interior do nódulo (tumor maligno) também provoca dor. a adenomegalia para-umbilical pode ser sinal de neoplasia da região pélvica. outros sinais podem surgir como febre. usualmente de metástase.5 cm de diâmetro ou nódulos inguinais maiores que 1. entretanto alguns autores sugerem que os epitrocleares maiores que 0.5 cm de diâmetro sejam anormais.

. adaptado de Kelly e Kelly (1998).Tabela 1: Correlação entre a localização e as causas infecciosas de adenomegalia na infância.

adaptado de Kelly e Kelly (1998).Tabela 2: Correlação entre a localização e as causas não-infecciosas de adenomegalia na infância. .

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