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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

FLUIDOS DE PERFURAÇÃO
FLUIDOS DE
PERFURAÇÃO

PROFESSOR:

ALCIDES WANDERLEY

Fluidos de Perfuração

Definição

Fluidos de perfuração são misturas complexas de sólidos, líquidos, e algumas vezes, gases. Do ponto

de vista químico, os fluidos podem assumir aspectos

de suspensão, dispersão coloidal ou emulsão, dependendo do estado físico dos componentes. Eles devem ser especificados de forma a garantir uma perfuração rápida e segura.

Fluido armazenado no tanque

Fluido armazenado no tanque

Fluidos de Perfuração

Características Desejáveis

ser estável quimicamente;

ser facilmente separado dos cascalhos na superfície;

não causar danos às formações produtoras;

aceitar qualquer tratamento, físico e químico;

ser bombeável;

ter baixo grau de corrosão e abrasão;

facilitar interpretações geológicas:

cascalhos

perfilagem

ter baixo custo.

Funções do Fluido de

Perfuração

Controlar pressões de subsuperfície;

Remover os cascalhos para a superfície;

Limpar, resfriar e lubrificar a coluna de perfuração e a broca;

Evitar desmoronamento das paredes do poço;

Manter os cascalhos em suspensão quando não houver

circulação;

Transmitir potência hidráulica a broca;

Reduzir os esforços na torre pelo efeito da flutuação.

Trajetória do Fluido de Perfuração

Trajetória do Fluido de Perfuração SUPERFÍCIE FUNDO DO POÇO SUPERFÍCIE

SUPERFÍCIE

Trajetória do Fluido de Perfuração SUPERFÍCIE FUNDO DO POÇO SUPERFÍCIE

FUNDO DO POÇO

Trajetória do Fluido de Perfuração SUPERFÍCIE FUNDO DO POÇO SUPERFÍCIE

SUPERFÍCIE

Stand Pipe Stand Pipe X Manifold Shale Shaker Header Tank Sand Trap X Drill Pipe
Stand Pipe
Stand Pipe
X
Manifold
Shale Shaker
Header
Tank
Sand Trap
X
Drill Pipe
Annulus

Top Drive

Mud Pumps

Active Pit System X
Active Pit System
X

Rig Floor

Points Open Hole
Points
Open Hole

Blow out

Preventors

Various Casing

Reserve Pit System

Stand Pipe Stand Pipe X Manifold Shale Shaker Header Tank Sand Trap X Drill Pipe
Stand Pipe
Stand Pipe
X
Manifold
Shale Shaker
Header
Tank
Sand Trap
X
Drill Pipe
Annulus

Top Drive

Mud Pumps

Active Pit System X
Active Pit System
X

Rig Floor

Points Open Hole
Points
Open Hole

Blow out

Preventors

Various Casing

Reserve Pit System

Stand Pipe Mud Pumps Stand Pipe X Manifold Shale Shaker Header Tank Active Pit System
Stand Pipe
Mud Pumps
Stand Pipe
X
Manifold
Shale Shaker
Header
Tank
Active Pit System
Sand Trap
X
X
Drill Pipe
Reserve Pit System
Annulus

Top Drive

Rig Floor

Points Open Hole
Points
Open Hole

Blow out

Preventors

Various Casing

Stand Pipe Mud Pumps Stand Pipe X Manifold Shale Shaker Header Tank Active Pit System
Stand Pipe
Mud Pumps
Stand Pipe
X
Manifold
Shale Shaker
Header
Tank
Active Pit System
Sand Trap
X
X
Drill Pipe
Reserve Pit System
Annulus

Top Drive

Rig Floor

Points Open Hole
Points
Open Hole

Blow out

Preventors

Various Casing

Top Drive Rig Floor Blow out Preventors Various Casing Points Open Hole
Top Drive
Rig Floor
Blow out
Preventors
Various Casing
Points
Open Hole
Header Tank Drill Pipe
Header
Tank
Drill Pipe

Annulus

Stand Pipe Mud Pumps Stand Pipe X Manifold Shale Shaker Active Pit System Sand Trap
Stand Pipe
Mud Pumps
Stand Pipe
X
Manifold
Shale Shaker
Active Pit System
Sand Trap
X
X

Reserve Pit System

Stand Pipe Mud Pumps Stand Pipe X Manifold Shale Shaker Header Tank Active Pit System
Stand Pipe
Mud Pumps
Stand Pipe
X
Manifold
Shale Shaker
Header
Tank
Active Pit System
Sand Trap
X
X
Drill Pipe
Reserve Pit System
Annulus

Top Drive

Rig Floor

Points Open Hole
Points
Open Hole

Blow out

Preventors

Various Casing

Stand Pipe Mud Pumps Stand Pipe X Manifold Shale Shaker Header Tank Active Pit System
Stand Pipe
Mud Pumps
Stand Pipe
X
Manifold
Shale Shaker
Header
Tank
Active Pit System
Sand Trap
X
X
Drill Pipe
Reserve Pit System
Annulus

Top Drive

Rig Floor

Points Open Hole
Points
Open Hole

Blow out

Preventors

Various Casing

Sistema de Circulação do Fluido de Perfuração

Sistema de Circulação do Fluido de Perfuração BOMBAS DE LAMA TANQUES DE LAMA

BOMBAS DE LAMA

Sistema de Circulação do Fluido de Perfuração BOMBAS DE LAMA TANQUES DE LAMA

TANQUES DE LAMA

Fluidos de Perfuração

Propriedades Físicas e Químicas

As propriedades físicas são mais genéricas e são medidas em qualquer tipo de fluido;

As propriedades químicas são mais específicas e são determinadas para distinguir certos tipos de fluidos;

Propriedades físicas mais freqüentemente medidas:

densidade, parâmetros reológicos, forças géis,

parâmetros de filtração, teor de sólidos, coeficiente de

lubricidade, resistividade e estabilidade elétrica;

Propriedades químicas mais freqüentemente

medidas: pH, teores de cloreto e de bentonita, alcalinidade, excesso de cal, teor de cálcio e de magnésio, concentração de H2S, concentração de potássio.

Propriedades do Fluido de

Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

Massa Específica (Conhecida no campo como “ PESO ESPECÍFICO”)

  M V

M V

M Massa da Amostra V Volume da Amostra

Equivalência entre as Unidades:

1g/cm³ = 1kg/ l = 8,34 lb/ gal = 62,4 lb/ pe³

Viscosidade

A resistência interna que o fluido oferece ao fluxo. Maior viscosidade maior pressão de bombeamento.

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

D ensidade:

Seu valor é definido em função da pressão de poros

(pressão do fluido que se encontra nos poros da rocha),

e pela pressão de fratura das formações expostas. Para

aumentar a densidade adiciona-se normalmente

baritina, BaSO4, que tem densidade de 4,25, enquanto

a densidade dos sólidos perfurados é em média de 2,6.

Para reduzir a densidade dos fluidos à base água, dilui-se com água (densidade 1).

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

Balança para medição da densidade:

Mede o peso aparente, pois não elimina totalmente o ar incorporado ao fluido.

Calibração é feita com água (8,33 lb/gal).

aparente, pois não elimina totalmente o ar incorporado ao fluido. – Calibração é feita com água

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

Parâmetros Reológicos:

Define o comportamento do escoamento de um fluido.

Estes parâmetros influem diretamente no cálculo das perdas de

cargas dentro da tubulação e no anular, e no cálculo da velocidade de carreamento de cascalhos. Os parâmetros normalmente calculados são: viscosidade aparente, viscosidade

plástica, limite de escoamento.

cascalhos. Os parâmetros normalmente calculados são: viscosidade aparente, viscosidade plástica, limite de escoamento.

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

Viscosímetro Marsh:

Serve somente como indicativo da viscosidade do fluido e não pode ser usado para cálculo da perda de carga.

Mede o tempo (em seg) de escoamento de 946 ml do fluido.

Calibração: água -> t=26 seg a 70°F

de carga. – Mede o tempo (em seg) de escoamento de 946 ml do fluido. –

Modelos Reológicos

Modelo Newtoniano

viscosidade aparente (μ)

Modelo Binghamiano viscosidade plástica (VP) limite de escoamento (LE)

Modelo Potência índice de comportamento (n’)

índice de consistência (k’)

plástica (VP) limite de escoamento (LE) Modelo Potência índice de comportamento (n’) índice de consistência (k’)
plástica (VP) limite de escoamento (LE) Modelo Potência índice de comportamento (n’) índice de consistência (k’)
plástica (VP) limite de escoamento (LE) Modelo Potência índice de comportamento (n’) índice de consistência (k’)

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

Viscosímetro Fann

Propriedades do Fluido de Perfuração PROPRIEDADES FÍSICAS  Viscosímetro Fann

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

Forças Géis:

Alguns fluidos são tixotrópicos, ou seja, adquirem um estado

semi-rígido quando estão em repouso e voltam a adquirir um

estado de fluidez quando estão em movimento. A força gel é um parâmetro também de natureza reológica que indica o grau de gelificação devido à interação elétrica entre as partículas dispersas.

A força gel inicial mede a resistência inicial para colocar o fluido em fluxo.

A força gel final mede a resistência do fluido para reiniciar o fluxo após um certo tempo em repouso. A diferença entre eles indica o grau de tixotropia do fluido.

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

Parâmetros de filtração:

A capacidade do fluido de perfuração em formar um reboco (camada de partículas sólidas e úmidas) sobre as rochas

permeáveis é fundamental na execução de um poço.

Para formar este reboco, é necessário um influxo da fase líquida do fluido do poço para a formação. Este processo é a filtração. É

essencial que o fluido tenha um percentual de partículas sólidas

com dimensões adequadas para obstruir os poros rapidamente, fazendo que somente a fase líquida do fluido, o filtrado, invada a rocha. O filtrado e a espessura do reboco são dois parâmetros

medidos rotineiramente para definir o comportamento do fluido

quanto à filtração.

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

Filtro Prensa:

Medição de filtrado e reboco

Propriedades do Fluido de Perfuração PROPRIEDADES FÍSICAS  Filtro Prensa: – Medição de filtrado e reboco

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

Filtro Prensa HTHP

Propriedades do Fluido de Perfuração PROPRIEDADES FÍSICAS  Filtro Prensa HTHP

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

Teor de sólidos:

Este valor deve ser mantido o mínimo possível, pois o seu aumento implica em aumento de várias outras propriedades, tais como densidade, viscosidade e forças géis, além de

aumentar a probabilidade de ocorrência de problemas como

desgaste dos equipamentos, fratura das formações, prisão da coluna e redução da taxa de penetração. O tratamento do fluido para redução do teor de sólidos pode ser preventivo ou corretivo. O primeiro consiste em inibir o

fluido, física ou quimicamente, evitando a dispersão dos sólidos perfurados. O segundo faz uso dos equipamentos de extração de sólidos, tais como tanques de decantação, peneiras, hidrociclones e centrífugas, ou através da diluição

do fluido.

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

SISTEMA DE EXTRAÇÃO DE SÓLIIDOS

PENEIRAS DE LAMA

DESGASEIFICADOR

MUD CLEANER DESSILTADOR

E N E I R A S D E L A M A DESGASEIFICADOR MUD CLEANER

DESAREADOR

E N E I R A S D E L A M A DESGASEIFICADOR MUD CLEANER
E N E I R A S D E L A M A DESGASEIFICADOR MUD CLEANER
E N E I R A S D E L A M A DESGASEIFICADOR MUD CLEANER
E N E I R A S D E L A M A DESGASEIFICADOR MUD CLEANER

CENTRÍFUGA

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

Retorta:

Sistema de aquecimento e condensação Resultados: % óleo, % água e % sólidos (em volume)

 Retorta : – Sistema de aquecimento e condensação – Resultados: % óleo, % água e

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

Teor de areia:

Peneira de 200 mesh

Resultados: % areia (em volume)

de Perfuração PROPRIEDADES FÍSICAS  Teor de areia : – Peneira de 200 mesh – Resultados:

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES FÍSICAS

Estabilidade Elétrica:

Avaliar a estabilidade da emulsão e a reserva de agente emulsificante.

FÍSICAS  Estabilidade Elétrica: – Avaliar a estabilidade da emulsão e a reserva de agente emulsificante.

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES QUÍMICAS

Concentração hidrogeniônica - pH:

É medido através de papeis indicadores ou de

potenciômetros, e é geralmente mantido no intervalo

alcalino baixo, entre 7 e 10. O objetivo principal é reduzir a taxa de corrosão dos equipamentos e evitar a dispersão das

formações argilosas.

pH

0

Ácido

7

Neutro

Alcalino

14

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES QUÍMICAS

Medidores de pH

Papel

Propriedades do Fluido de Perfuração PROPRIEDADES QUÍMICAS  Medidores de pH Papel Potenciômetro

Potenciômetro

Propriedades do Fluido de Perfuração PROPRIEDADES QUÍMICAS  Medidores de pH Papel Potenciômetro

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES QUÍMICAS

Alcalinidades:

-O pH determina apenas a alcalinidade ou acidez relativa à

concentração de H+, empregando métodos comparativos. A

determinação das alcalinidades por métodos diretos de titulação volumétrica de neutralização considera as espécies carbonatos CO3 e bicarbonatos HCO3 dissolvidos no fluido, além dos íons hidroxilas OH- dissolvidos e não dissolvidos.

Nos testes de rotina são registrados os seguintes tipos de alcalinidades: alcalinidade parcial do filtrado, alcalinidade da lama e alcalinidade total do filtrado.

Tipos de Alcalinidades nos Fluidos

Pf alcalinidade parcial do filtrado (pH de viragem 8,3, com fenolftaleina)

Pm alcalinidade parcial do fluido (pH de viragem 8,3, com fenolftaleina)

Mf alcalinidade total do filtrado (pH de viragem 4,3, com metilorange)

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES QUÍMICAS

Teor de cloretos ou salinidade:

O teste de salinidade é também uma análise volumétrica de

precipitação feita por titulação dos íons cloretos. É expressa

em mg/l de cloretos, mg/l de NaCl ou ppm de NaCl equivalente. O resultado do teste de salinidade é usado para identificar o teor salino da água de preparo do fluido, controlar

a salinidade de fluidos inibidos com sal, identificar influxo de

água salgada e identificar a perfuração de uma rocha ou domo salino.

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES QUÍMICAS

Método:

Volumetria de precipitação ( AgCl), com nitrato de prata, de cromato de potássio.

Condutivímetro ou salinômetro

em presença

Cl - , mg/l

NaCl, mg/l = 1,65 (1000) (Vol. de AgNO 3 N/35,5, em cm 3 )

= 1000 x (Vol. de AgNO 3 N/35,5, em cm 3 )

mg/l de NaCl p.p.m de NaCl Obs.: Para conc. de NaCl < 40.000 mg/l

Salinidade, ppm =

Sal., em mg/l

densidade da solução

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES QUÍMICAS

Concentração de sais no fluido

os sais são incorporados ao fluido como aditivos ou contaminantes. O aumento da salinidade floculação maior viscosidade, maior força gel. Conceito e cálculos de pressão

Definição: pressão é a força (F) aplicada por unidade de área (A)

P  F A

P F A

Unidades: kgf / cm², lbf /pol² (psi)

1Kg / cm² = 14,22psi

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES QUÍMICAS

Dureza [Ca ++ + Mg ++ ]

Conceito: Concentração total de Cálcio e Magnésio

Aplicação: Controle de rendimento de aditivos (polímeros, surfactantes, etc.) Identificação de contaminantes (cimento, gesso, etc.)

Método: Volumetria de completação com EDTA

Ação da dureza sobre aditivos de fluidos de perfuração

CMC-Na

Carboximetilcelulose de sódio

+

Ca ++ , Mg ++

Dureza da

água

de sódio + Ca + + , Mg + + Dureza da água CMC-(Ca + +

CMC-(Ca ++ ,Mg ++)

pptº de carboximetilcelulose

de cálcio e/ou magnésio

2RCOO - Na + +

Ca ++ , Mg ++

Sabão de sódio

- Na + + Ca + + , Mg + + Sabão de sódio (RCOO) -

(RCOO) - 2 Ca ++ ,Mg ++

, Mg + + Sabão de sódio (RCOO) - 2 Ca + + ,Mg + +

pptº sabão de cálcio e magnésio

, Mg + + Sabão de sódio (RCOO) - 2 Ca + + ,Mg + +

+

+

Na +

Na +

Propriedades do Fluido de Perfuração

PROPRIEDADES QUÍMICAS

Teor de bentonita ou de sólidos ativos:

O teste do azul de metileno ou MBT é uma análise

volumétrica por adsorção, que serve como indicador da

quantidade de sólidos ativos ou bentoníticos no fluido de perfuração. Ele mede a capacidade de troca de cátion das argilas e sólidos ativos presentes.

Classificação dos Fluido de Perfuração

Baseia-se no constituinte principal da fase contínua ou dispersante:

à base água,

à base sintética,

à base de ar ou de gás.

A natureza das fases dispersante e dispersa, bem como os

componentes básicos e a suas quantidades definem não apenas o tipo de fluido, mas também as suas características e

propriedades.

Fluidos de Perfuração

À BASE ÁGUA

A definição de um fluido à base água considera principalmente a natureza da água e os aditivos químicos empregados no preparo do fluido. A sua composição é fundamental no controle das propriedades do fluido.

A água pode ser doce, dura ou salgada:

Doce: salinidade inferior a 1000 ppm de NaCl equivalente e não necessita pré tratamento químico.

Dura: presença de sais de Ca e Mg dissolvidos que alteram o desempenho dos aditivos químicos.

Salgada: salinidade maior que 1000 ppm de NaCl equivalente,

e pode ser água do mar, ou salgada com a adição de sais como NaCl, KCl ou CaCl2.

Fluidos de Perfuração

À BASE ÁGUA

A principal função da água é prover o meio de dispersão para os materiais coloidais, tais como argila e

polímeros, que controlam viscosidade, limite de

escoamento, forças géis e filtrado.

Na seleção da água devem ser considerados os

seguintes fatores: disponibilidade, custo de transporte e

de tratamento, tipos de formações geológicas a serem perfuradas, produtos químicos e equipamentos e técnicas a serem utilizados na avaliação das formações.

Fluidos de Perfuração

À BASE ÁGUA

Os sólidos dispersos no meio aquoso podem ser

ativos ou inertes .

Sólidos ativos: são materiais argilosos (bentonita e atapulgita), cuja função é aumentar a viscosidade.

Sólidos inertes: podem se originar da adição de materiais industrializados ou serem provenientes de cascalhos finos, normalmente areia, silte e calcário. Baritina é o sólido inerte mais comum. Outros são calcita e

hematita.

Fluidos de Perfuração

À BASE ÁGUA

Produtos químicos adicionados:

alcalinizantes e controladores de pH: soda cáustica, potassa cáustica

e cal hidratada;

dispersantes: lignossulfonato, tanino, lignito e fosfatos

redutores de filtrado: amido;

floculantes: soda cáustica, cal e cloreto de sódio;

viscosificante, desfloculante ou redutor de filtrado: polímeros;

emulsificante e redutor de tensão superficial: surfactantes;

removedores de Ca e Mg: carbonato e bicarbonato de sódio;

inibidores de formações ativas: cloreto de potássio, sódio e cálcio;

bactericidas:

cáustica e cal.

outros: anticorrosivos, traçadores químicos, antiespumantes.

soda

paraformaldeído,

compostos

organiclorados,

Fluidos de Perfuração

À BASE ÁGUA

Fluidos não-inibidos:

perfuração de rochas superficiais compostas na

maioria das vezes de sedimentos inconsolidados.

Fluidos inibidos:

perfuração de rochas com alta atividade química na presença de água doce, tornando-se plásticas,

expansíveis, dispersíveis ou até mesmo solúveis.

Adiciona-se inibidores: eletrólitos e/ou polímeros.

Inibidores físicos: são adsorvidos sobre a superfície das rochas impedindo o contato direto com a água.

Inibidores químicos: reduzem a atividade química

da água e podem reagir com a rocha alterando sua composição (ex.: cal, cloretos de Na, K e Ca). Exemplo clássico é a rocha salina com alta solubilidade em água doce. Neste caso usa-se fluido

saturado com NaCl como dispersante.

Fluidos de Perfuração

À BASE ÁGUA

Fluidos com baixo teor de sólidos:

utilizados para aumentar a taxa de penetração.

Fluidos emulsionados com óleo:

utilizados para reduzir a densidade e evitar perdas de circulação.

Fluidos de Perfuração

À BASE ÁGUA

Formulação Básica:

ÁGUA

ALCALINIZANTE (NaOH, KOH, Ca(OH)2, MgO)

VISCOSIFICANTE (BENTONITA, CMC, POLIACRILAMIDA, GOMA XANTANA)

CONTROLADORES DE FILTRADO (CMC,

POLIACRILATO, AMIDO)

ESTABILIZADORES DE FORMAÇÃO (KCL, NACl,

POLIACRILAMIDA, POLÍMERO CATIÔNICO)

ADENSANTE (NACL, CaCl2, FORMIATO, BARITINA, CaCO3, HEMATITA)

INIBIDOR DE CORROSÃO (POLIAMINAS)

BACTERICIDA (TRIAZINA)

Fluido de Perfuração a Base Água Inicial ou não inibido Disperso Inibido Baixo teor Emulsiona
Fluido de Perfuração
a Base Água
Inicial ou
não inibido
Disperso
Inibido
Baixo teor
Emulsiona
de sólidos
do
com óleo
Inibição
Inibição
Óleo
Química
Nativo
Levemente
Física
Petróleo
tratado
Polímeros
Com
Com
floculante
dispersante
Eletrólitos
Ca ++ , K + ,Na + ,NH + 4
Salgado
Saturado

Fluido Inicial Convencional

Características

Alto poder de carreamento, baixo poder de inibição

Aplicação

Perfuração de fases iniciais (poço 36 a 17,5 pol.)

Composição Básica de um fluido convencional flo-culado ou tampão viscoso

Água industrial

Argila Ativada

Soda Cáustica

30-40 lb/bbl 0,5 lb/bbl

Fluidos Tratados com Polímero Catiônico

Características

Fluido inibido por polímeros catiônicos e íons Na + ou K +

Aplicação

Indicado para a perfuração de folhelhos altamente reativos

Composição Básica

Água industrial

Argila ativada

Polímero catiônico

CMC AVAS

Goma xantana

CMC BVAS

Surfactante

Soda cáustica

NaCl ou KCl

5,0-10,0 lb/bbl 4,0-6,0 lb/bbl

1,0-1,5 lb/bbl

1,0-1,5 lb/bbl

1,0-2,0 lb/bbl 0,02% v/v para pH = 8,5-9,5

para salinidade desejada

Fluidos Salgados Saturados

Características

Inibição química fornecida pelos íons dissolvidos.

Altamente agressivo ao meio ambiente.

Aplicação

Na perfuração de formações salinas.

Composição Básica

Água industrial

Argila ativada

Amido

Soda cáustica

NaCl

15-30 lb/bbl 8-12 lb/bbl

1-1,5 lb/bbl

para saturação

Fluidos Emulsionados (Milk Mud)

Características

Emulsão de fase óleo em água (O/A). Baixa densidade.

Aplicação

Na perfuração de zonas com possibilidade de perda de circulação.

Composição Básica

Água industrial

Argila ativada

Soda cáustica

Surfactante

CMC AVAD

Fase oleosa

50-90% v/v 0,0 a 5,0 lb/bbl

0,5 lb/bbl

0,5 a 2,0 % v/v

1,0-2,0 lb/bbl 10-50% v/v

Fluidos de Perfuração

À BASE SINTÉTICA

A fase contínua ou dispersante é constituída

por uma fase sintética, geralmente composta

de hidrocarbonetos líquidos.

A fase dispersa é formada por pequenas

gotículas de água ou de solução aquosa.

natureza

inorgânica e/ou orgânica, podem também compor esta fase dispersa.

Alguns

sólidos

coloidais,

de

Estes fluidos podem ser:

emulsão água / óleo (teor de água menor que

10%).

podem ser: – emulsão água / óleo (teor de água menor que 10%). – emulsão inversa

Fluidos de Perfuração

À BASE SINTÉTICA

Fluidos não aquosos são

formulados usando aditivos

componentes de um amplo grupo de substâncias chamados tensoativos ou surfactantes.

Estes produtos químicos incluem emulsificantes, sabões e agentes molhantes. Eles

atuam reduzindo a tensão

interfacial entre dois líquidos ou entre um líquido e um sólido.

e agentes molhantes. Eles atuam reduzindo a tensão interfacial entre dois líquidos ou entre um líquido

Fluidos de Perfuração

À BASE SINTÉTICA

Principais características:

alto grau de inibição às rochas ativas

baixíssima taxa de corrosão

propriedades controláveis acima de 180°C até

260°C

alta lubricidade

largo range de densidade: de 0,89 a 2,4

baixíssima solubilidade aos sais

Estabilidade de poço é melhorada

Fluidos de Perfuração

À BASE SINTÉTICA

Normalmente são utilizados em:

poços HTHP

formações argilosas

formações salinas

arenitos produtores danificáveis por fluidos à base

água

poços direcionais de grande afastamento

formações com baixa pressão de poro ou de fratura

Fluidos de Perfuração

À BASE SINTÉTICA

Desvantagens:

dificuldade de detecção de gás no poço

devido a sua solubilidade na fase contínua

mais poluente

interferência com alguns tipos de perfis

maior custo

Fluidos de Perfuração

À BASE SINTÉTICA

Formulação Básica:

ÓLEO SINTÉTICO

SALMOURA (NaCl, CaCl2)

EMULSIFICANTE (ÁCIDOS GRAXOS MODIFICADOS)

ALCALINIZANTE (CaO, MgO)

MODIFICADOR REOLÓGICO (RESINA)

ADENSANTE (BARITINA, HEMATITA)

Composição do Fluido Sintético

Composição básica ( bacia de Campos )

Base orgânica

Emulsificante primário

Cal hidratada

Salmoura de NaCl

Redutor de filtrado Argila organofílica

Modificador reológico

Barita

50 a 65 % v/v 8 10 lb/bbl

4 5 lb/bbl 30 a 45 % v/v 1 4 lb/bbl *

2 4 lb/bbl

0,25 0,5 lb/bbl

QSP

* Varia em função do filtrado desejado e do tipo de

controlador de filtrado.

Fluidos de Perfuração

À BASE DE AR OU GÁS

O fluido circulante é ar ou gás (N2)

Situações que recomendam este tipo de fluido:

perfuração de zonas de perdas de circulação severas;

formações produtoras com pressão muito baixa ou grande

suscetibilidade a danos; perfuração de rochas muito duras como o basalto ou o diabásio;

regiões com escassez de água;

regiões glaciais com camadas espessas de gelo.

Fluidos de Perfuração

À BASE DE AR OU GÁS

Perfuração com ar:

utiliza apenas ar ou nitrogênio como fluido

limitada a formações que não produzam elevadas quantidades de água e não contenham Hidrocarbonetos

Perfuração com névoa:

utiliza uma mistura de água dispersa no ar

empregada quando são encontradas formações que produzam água

em quantidade suficiente para comprometer a perfuração simplesmente

com ar

Fluidos de Perfuração

À BASE DE AR OU GÁS

Perfuração com espuma:

dispersão de gás em líquido, na qual a fase contínua é

constituída por um filme delgado de uma fase líquida,

estabilizada por um tensoativo (espumante) empregada quando é necessário eficiência elevada de carreamento de cascalhos, uma vez que apresenta alta

viscosidade

Perfuração com fluido aerado:

quando é necessário gradientes de pressão intermediários

entre os fluidos convencionais e as espumas

injeta-se ar, N2 ou gás natural ao fluxo contínuo do fluido de

perfuração para diminuir a densidade recomendada em regiões com perdas de circulação

VALOR MÉDIO (PERCENTUAL) DO CUSTO DE FLUIDOS NA PERFURACAO

No mar

5,0 a 8,0 % do custo total do poço

Em terra

3,0 a 5,0 % do custo total do poço