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CRIMINOLOGIA

Procópio

CRIMINOLOGIA Intensivo III Prof. Procópio Dias

2010

* Criminologia, de autoria de Antonio García-Pablos de Molina e do Dr. Luiz Flávio Gomes.

As duas perguntas fundamentais da criminologia são: Por que alguém delinqüiu? O que fazer para minimizar a delinqüência?

1. Conceito de criminologia:

A criminologia é uma ciência empírica e interdisciplinar que cuida do crime, do infrator, da vítima e do controle social do delito e gera uma informação válida sobre a gênese, a dinâmica e as variáveis do crime, orientando a sua prevenção e sua repressão.

A partir desse conceito é possível fixar o método, o objeto e a função

da criminologia.

Quanto ao método a criminologia é uma ciência e interdisciplinar.

O objeto da criminologia é o delito, a vítima e o controle social do

delito.

A função (objetivo) da criminologia é prevenir e orientar a resposta.

1.1. Método:

Método empírico é o mesmo que método experimental, ou seja, aquele que evolui a partir da observação do mundo fenomênico.

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O método empírico também pode ser chamado de analítico ou

indutivo, ou seja, parte do objeto para chegar à constatação, parte da coisa para chegar à idéia. Assim, a criminologia não é uma ciência formal, não é uma ciência silogística ou dedutiva.

A criminologia é uma ciência interdisciplinar porque conjuga, no

seu conhecimento, outras ciências e disciplinas, tais como a biologia,

a psicopatologia, a sociologia, política, etc.

1.2. Objetos:

a) Delito:

O primeiro objeto da criminologia é o delito. Delito não é uma

palavra unívoca, ou seja, dependendo da ciência a palavra delito tem uma acepção diferente.

Para o Direito o delito tem um conteúdo formal e dependendo da teoria adotada (bipartida, tripartite, quadripartite), o delito terá um conceito diferente. Para a filosofia e para a ética tem um conteúdo moral. A sociologia enxerga o delito como mais um fato social. Por fim, para a criminologia, o delito é um problema, ou seja, é algo

a ser decifrado.

Para a criminologia o delito é um problema social e comunitário com incidência aflitiva (forma de constranger as pessoas naquela comunidade) e persistência espaço-temporal e que varia conforme a

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efetividade dos controles sociais formais (polícia, MP, cárcere etc) e informais (família, vizinhança, igreja etc).

b) Criminoso:

b.1)Para os Clássicos:

Para os clássicos o homem nasce bom e o criminoso é aquele que optou pelo mal, embora pudesse e devesse respeitar a lei. Dentro

dessa ótica a pessoa tem livre arbítrio para decidir se quer ser bom

ou mal. Origem no “Contrato Social” de Rosseau.

b.2)Para os Positivistas:

Para os Positivistas o livre arbítrio é uma verdadeira ilusão. Para eles não existe nada que não seja palpável (superação da metafísica). Livre arbítrio não se demonstra empiricamente, logo, não existe. Não tendo livre arbítrio, determinados indivíduos, portadores de patologia (determinismo biológico), praticavam crimes.

O infrator não possui livre arbítrio, era um prisioneira de sua

própria patologia (determinismo biológico) ou de processos causais alheios (determinismo social).

b.3)Para os Correicionalistas:

Para os Correicionalistas o criminoso é um fraco, é um ser inferior, deficiente, inapto ao convívio social, incapaz de dirigir-se por si mesmo – livremente – sua vida, cuja débil vontade requer uma

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eficaz e desinteressada intervenção estatal. Visão próxima dos adolescentes infratores. b.4) Para os Marxistas:

Para os Marxistas o criminoso é vítima do processo econômico de exploração do homem pelo homem. Culpável é a sociedade.

c) Vítima:

c.1) Vítima de ouro:

Desde os primórdios da civilização até a Alta Idade Média. Numa primeira fase a vítima tinha um papel muito importante na gênese do delito, porque havia a justiça privada, autotutela, pena de talião.

c.2) Período de neutralização do poder da vítima:

Ela deixa de ter o poder de reação ao fato delituoso, que é

assumidos pelos poderes públicos. A pena passa a ser uma garantia

de ordem coletiva e não vitimaria.

A partir do Código Penal Francês com idéias dominantes do

Liberalismo moderno.

c.3) Período de revalorização do papel da vítima:

Depois da Segunda Guerra Mundial – ciência da vitimologia

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Vitimologia é o estudo do comportamento da vítima com a avaliação das causas e dos efeitos da ação delitiva sobre o prisma da interação criminoso-vítima (dupla penal) e o incremento do risco da ocorrência do delito. Esta idéia de que o comportamento da vítima pode até fazer o crime surgir, fez surgir uma ciência paralela, qual seja: vitimo-dogmática, que estuda a participação da vítima no incremento do risco da ocorrência do delito. Muitas vezes a vítima cria a situação para que o delito ocorra. Fala-se em doutrina de processos de vitimização primária, secundária e terciária. Vitimização primária: são as conseqüências do delito que atingem diretamente o ofendido. Vitimização secundária: são os ônus da burocracia, são as vitimização geradas pelo próprio Estado quando demora a dar uma resposta ao crime. Vitimização terciária: é aquela que toca o autor do fato. É a hipótese em que o criminoso se torna vítima de uma punição desproporcional (sevícias no cárcere, cárcere lotado etc).

d) Controle social do delito:

É o conjunto de mecanismos e de sanções sociais que pretendem submeter o indivíduo aos modelos sociais comunitários. Controles formais: são aqueles pertinentes ao Estado repressor.

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Controles informais: são aqueles pertinentes à família, aos amigos, a igreja etc.

1.3. Função da criminologia:

A partir de dados consistentes pretende a elaboração de uma política criminal que vise explicar e prevenir o crime e intervir na pessoa do infrator e avaliar os diferentes modelos de resposta ao crime.

2. Breve digressão histórica:

Calcada tão-somente no aspecto didático-pedagógico podemos dividir a história da criminologia em quatro períodos:

Primeiro

período

o

da

Antigüidade

aos

precursores

da

Antropologia Criminal:

O Código de Hamurabi(Babilônia) já possuía dispositivo punindo o delito de corrupção praticado por altos funcionários públicos. Mesmo antes, Confúcio já demonstrava conhecer o gravame da pena o que, certamente viria ser uma das maiores preocupações da Criminologia. Entre os gregos Alcmeon, de Cretona (séc. VI a . C.) foi o primeiro a dissecar animais e a se dedicar ao estudo das qualidades biopsíquicas dos delinqüentes. Pesquisou o cérebro humano buscando uma correlação com sua conduta. Constava que no homem há um pouco de animal e um pouco de Deus, e que a vida é

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o equilíbrio entre as forças contrárias que constituem o ser humano, e a doença corresponderia ao rompimento desse equilíbrio. E a morte significaria o desequilíbrio completo. Acreditava na imortalidade da alma e que se movia eternamente tal qual os astros nos céus.

É importante salientar que Alcmeon de Cretona é anterior ao

considerado pai da medicina, a Hipócrates. Aliás, o pai da medicina creditava que todo o crime assim como o

vício é fruto da loucura. Lançando assim(…) as bases sobre a imputabilidade ou o princípio da irresponsabilidade penal do homem insano.

O grande oráculo grego, Sócrates, disse através de seu discípulo

Platão, in verbis: “que se devia ensinar aos indivíduos que se tornavam criminosos como não reincidirem no crime, dando a eles a instrução e a formação de caráter de que precisavam”. Platão sagaz como sempre afirmou:” o ouro do homem sempre foi o motivo de seus males” em sua obra “ A República” demonstrando que os fatores econômicos e sociais são desencadeadores de crimes. Dizia também, “onde há gente pobre haverá patifes, vilões, etc” e o criminoso assemelha-se ao enfermo. Endossando tal entendimento, Jimenez de Asúa ressaltou o aspecto intimidativo da pena e sua função inibidora da ação delituosa. Aristóteles em sua obra “A Política” ressaltou que a miséria engendra rebelião e delito. O homem na visão aristotélica não é plenamente livre pois é submetido à razão que controla a sua

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sensibilidade. Os delitos mais graves eram os cometidos para possuir o voluptuário, o supérfluo. Em sua obra “A retórica”, Aristóteles estudou o caráter dos delinqüentes, observando a freqüente tendência à reincidência, e analisou as circunstâncias que deveriam ser levadas em conta como atenuantes. Sêneca fez uma primorosa análise sobre a ira que considerava como mola propulsora do crime, e da constante luta fratricida.

A Idade Média cuja extensão temporal é discutida sendo para

alguns uma noite dos dez séculos e, para outros apenas nove séculos, foi severamente marcada pelo feudalismo, pela expansão do cristianismo como ideologia religiosa oficial e pela instalação da

nobreza feudal sob a proteção do papado (que era o centro do poder

na Europa Ocidental) com todas as expansões conquistadoras.

O crime era mesmo considerado um grande peccatum e, suscitava

punições cruéis e até mesmo o uso da tortura para obtenção da confissão. O grande criador da Justiça Distributiva cujo adágio famoso

consagra por “dar a cada um, o que é seu.”

segundo uma certa

, igualdade, teve em São Tomás de Aquino seu mentor e, também firmou entendimento que a pobreza é geralmente uma incentivadora do roubo, apesar de que na sua obra Summa Theologica defendia o chamado furto famélico (o que atualmente é previsto pela legislação brasileira como estado de necessidade sendo assim uma das excludentes de crime, é o roubar para comer).

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Para Santo Agostinho chamava a pena de talião significava a justiça

dos injustos, sustentando que a pena deveria ser uma medida de

defesa social e contribuir para a regeneração do culpado, além de implicitamente conter uma ameaça e um exemplo. Os escolásticos eram seguidores das doutrinas teológico-filosóficas, dominantes na Idade Média, dos séculos IX até XVIII. A Filosofia, portanto, estava intimamente ligada à religião. No século XVIII, dentro, portanto, surge Afonso X, o sábio, que no

Código das Sete Partidas dá uma definição de assassino e trata dos intitulados crimes premeditados mediante remuneração ou paga. No período de transição entre a Idade Média e a Moderna, do século

XIV ao século XV, é observada a influência das chamadas “ciências

ocultas”, o que bem mais tarde seria conhecida como Criminologia.

As ciências ocultas eram a Astrologia, a Oftalmoscopia, a

Metoposcopia, a Quiromancia , a Fisiognomia e Demonologia. Pela Fisiognomia, por exemplo, tenta-se conhecer o caráter da pessoa pelo exame dos traços fisionômicos e da conformação craniana. Tal ciência segundo Drapkin nasceu na idade medieval

como o físico Juan Batista Della Porta, tendo o condão de reunir todas as ciências ocultas numa só pseudo-ciência. Teve papel de destaque e propiciou o aparecimento da Frenologia no século XIX.

Por força de tal contribuição científica ou quase, recorda Drapkin

que em Nápoles, o Marquês de Moscardi decidia em última instância os processos que a ele chegavam e declinava a qual sentença examinada a face e a cabeça do delinqüente.

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Já a Demologia que estudava os demônios e os indivíduos supostamente possuídos por estes, o que veio a facilitar e permitiu o florescimento de todas as Inquisições. Muito mais tarde,tal estudo propiciou o aparecimento da Psiquiatria. Considerava-se como possuídos pelos demônio, os loucos e os portadores de alienação mental que eram sistematicamente caçados e encarcerados, quando não sacrificados por terríveis Tribunais de Inquisição espalhados pelo mundo europeu católico. Com a desculpa de expulsar o demônio de tais corpos insanos, cometia-se as mais tenebrosas torturas e, não raro eram queimados vivos na fogueira. O mau comportamento humano era interpretado como um morbus diabolicus, uma enfermidade diabólica, e só o fogo poderia purificar tais almas atormentadas. Baudelaire fez um famoso aviso: ”o mais atual ardil do Diabo consiste em fazer crer a todos que ele não existe”. Até hoje, tanto a Demologia como a Astrologia como a própria Fisiognomia tem se preocupado ainda nos tempos atuais, em co-relacionar a aparência externa das pessoas com sua conduta íntima. Tal observação foi objeto de várias pesquisas entre elas a do abade Jean Gaspar Lavater(1741-1801) onde ressaltava que “homens de maldade natural” ou de pendor cruel em muito parecidos com o tipo delineado por Lombroso e chamado de criminoso lato. Enquanto que a fisiognomia estuda o caráter humano a partir dos traços fisionômicos do rosto, os frenólogos se preocupavam com o

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estudo da configuração craniana, ou seja, da cabeça indo além da sua fisionomia.

Segundo período de Antropologia Criminal:

O período da Antropologia Criminal, do século XV até 1875 vários foram os precursores da Criminologia entre eles Thomas Morus(que descreve na Utopia, sua obra, uma série de crimes que assolava a Inglaterra na época , onde sistematicamente se aplicava a pena capital aos criminosos). Dotado de espírito cristão, Morus, dizia por meio de seu personagem Rafael Hitlodeu, quando o povo é miserável, a opulência e a riqueza ficam em poder das classes superiores e essa situação economicamente antípoda faz gerar um maior número de crimes, inclusive pelo comprometimento moral diretamente ligado ao luxo esbanjador dos ricos. Vivia-se naquela época uma deplorável crise economia na Inglaterra. Flandres absolvia toda a produção de lã, o que forçou a destinação dos campos ingleses ao pastoreio de gado menor(o que tornou famosa a frase de Morus: “Na Inglaterra as ovelhas comem os homens”). Além disto, a Inglaterra era submetida ao déposta Henrique VIII, enquanto a nobreza e o clero eram latifundiários e donos da maior parte das riquezas do país, ainda existindo a péssima exploração das terras.

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Aliás, por ter bramido contra a tal estado de coisas, apesar de ter sido chanceler do rei Henrique VIII, Morus acabou sendo decapitado. Também Erasmo de Roterdã zombava e satirizava os costumes e os homens da Igreja e enxergava na pobreza o grande filão da criminalidade. O primeiro autor a distinguir a criminalidade rural da urbana foi Martinho Lutero. Outros filósofos como Francis Bacon, Descartes admitiram as causas socioeconômicas como geratrizes da criminalidade. Jean Mabilon em 1632, padre beneditino francês introduziu as primeiras prisões monásticas e Filippo Franci(italiano em 1677) em Firense, cria a primeira prisão celular. O Iluminismo que atingiu seu apogeu no século XVIII, por isto chamado de o século das luzes contribuiu decisivamente para inovações nos conceitos penais, semeando terreno fértil para as escolas penais e para a sistematização científica não só do Direito Penal mas também das demais ciências afins. Vigorava uma péssima estrutura e condições inadequadas, os juízes eram arbitrários e parciais. E a confissão (a rainha das provas) era sistematicamente obtida mediante a aplicação de crudelíssimas torturas. Desta forma, os humanistas e os iluministas se rebelam e conseguem suprimir em 1780 na França, a tortura; em 1817 na Espanha, em 1840 aboliram a tortura em Hanover e em 1851 na Prússia.

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Dos filósofos que foram ativos nesse movimento renovador e justo tem relevante importância Montesquieu, que na sua obra principal “L´esprit des lois”, proclamava que o bom legislador era aquele que se empenhava na prevenção de delito, não aquele que, simplesmente, se contentasse em castigá-lo. Inaugura assim, um sentido reeducador da pena, Montesquieu. Criou distinção entre os delitos (crimes que ofendem a religião, os costumes, a tranqüilidade e a segurança dos cidadãos) consagrando

a preocupação em classificar os delitos conforme o bem jurídico

atingido, não só quanto à sua natureza mas também as próprias características pessoais dos autores de crimes. Jean Jacques Rousseau, no Contrato Social assevera que o Estado

for bem organizado existirão poucos delinqüentes e na “Enciclopédia” consta sua afirmação: “a miséria é a mãe dos

grandes delitos”. Outro filósofo Brissot de Warville enfatizou que “a propriedade era um roubo” e, neste estio Rousseau em sua obra “Discursos sobre a Origem e o Fundamento da Desigualdade entre os homens” , editada em 1753, criticou o primeiro homem que ensejou o conceito de propriedade, decretando “isto é meu”, tal homem foi o fundador da sociedade civil.

O pensamento rousseano enxergava na propriedade privada a razão

de todos os conflitos sociais. Tal também foi o ponto fundamental da

teoria marxista no século XIX.

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Voltaire, também condenava a aplicação de pena de morte, os martírios, suplícios ou torturas aplicadas contra o delinqüente. Notabilizou-se por sua luta pela reforma das prisões(ele mesmo esteve preso e recolhido à Bastilha), pela reformulação da pena de morte, propondo a substituição por trabalhos forçados. Também combateu a prática da tortura como método de obter a verdade ou a prova. Salientava Voltaire que o roubo e o furto são os delitos dos pobres. César Bonesana, o Marquês de Beccaria que assim como Montesquieu, Voltaire e Rousseau teve a ousadia de afrontar os costumes penais d época, publicando “Dos delitos e das penas”, uma obra clássica e de leitura obrigatória para todos que se interessem pelas ciências criminais. Tal obra teve o mérito de alterar toda a penalogia sendo precursora da Escola Clássica do Direito Penal. Beccaria geneticamente rebelde( seu próprio pai, Lancelote Beccaria por afrontar o Duque de Milão, acabou enforcado na praça de Pavia) fez estudo no Colégio dos Jesuítas de Parma(onde também foram educados Voltaire, Helvécio, Diderot etc…), rebelou-se contra as inúmeras arbitrariedades da justiça criminal como ele mesmo escreveu quis defender a humanidade e não ser um mártir dela. Alguns pontos principais da obra de Beccaria, a saber:

A atrocidade das penas opõe-se ao bem público;

Aos juízes não deve ser dado interpretar as leis penais;

As acusações não podem ser secretas;

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As penas devem ser proporcionais aos delitos;

Não se pode admitir a tortura do acusado por ocasião do

processo;

Somente os magistrados é que podem julgar os acusados.

O objetivo da pena não é atormentar o acusado e sim impedir

que ele reincida e servir de exemplo para que outros não venham a

delinqüir.

As penas devem ser previstas em lei.

O réu jamais poderá ser considerado culpado antes da sentença condenatória.

O roubo é ocasionado geralmente pela miséria e pelo

desespero.

As penas devem ser moderadas.

Mais útil que a repressão penal é a prevenção dos delitos.

Não tem a sociedade o direito de aplicar a pena de morte nem

de banimento. E ao concluir sua obra o famoso marquês: “De tudo o que acaba de ser exposto pode deduzir-se um teorema geral utilíssimo, mas pouco conforme ao uso, que é legislador ordinário das nações. É que, para não ser uma to de violência contra o cidadão, a pena deve ser essencialmente pública, pronta, necessária; a menor das penas aplicáveis nas circunstâncias dadas proporcional ao delito e determinada pela lei”.

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Bentham teve, juntamente com Beccaria, Servan, Howard, uma importante participação no trabalho de reforma penal que se sucedeu, principalmente após a publicação Dês Delitos e das Penas.

Bentham é considerado o criador da Filosofia Utilitarista que alicerça seu fundamento no postulado: “O maior bem-estar para o maior número.”. Nesta doutrina estaria inserida toda uma estratégia

de profilaxia ou prevenção de criminalidade.

John Howard, xerife de Bedford em 1789 se revelou um excelente penitenciarista e se dedicou à melhoria das prisões. Foi o responsável pela abolição de se manter encarcerados os que já haviam cumprido pena, ou se, absolvidos, não pudessem pagar, a “hospedagem” pois que as prisões eram exploradas por particulares. John Howard escreveu em 1777, a obra The State of Prisions traçando

um sistema penitenciário que conseguia favorecer os encarcerados.

O mais importante pensador para a Frenologia foi o anatomista

austríaco Johan Frans Gall (1758-1823) que foi precursor das chamadas “teorias das localizações cerebrais” de Broca, em meados

do século XIX.

É dele também a teoria sobre vultos cranianos, que posteriormente veio a influenciar a teoria lombrosiana. Gall organizou um mapa dessas saliências a indicarem a conduta predominante no indivíduo, desde a passividade absoluta à rebeldia incontrolável, a bondade ou

a maldade, a honestidade e, sua contrário senso a inteligência maior

ou menor.

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Lauvergne em 1859 elaborou estudo sobre os presidiários de Toulon chegando as mesmas conclusões de Gall. O Rolandis, foi o primeiro a submeter um delinqüente a uma necropsia em 1835. Também Lucas estudou a herança genética e o atavismo, em sua obra Sulla natura Morbosa Del delito, tratou dos caracteres anormais do criminoso dentro de um enfoque, que posteriormente viria fundamentar a teoria lombrosiana. Della Porta relacionava a semelhança fisionômica dos criminosos com os animais selvagens e, fazendo muitos adeptos. Cita-se, por exemplo, a semelhança do ministro francês Talleyrand com a raposa

e semelhança de outro francês, o general Kleber, com o leão.

Os psiquiatras como Felipe Pinel(1745-1826) tido como o pai da

psiquiatria Moderna, e foi o primeiro a modificar, através de sua influência, os seus pares da época, no que diz respeito à forma com que eram tratados os loucos, tidos até então como possuídos pelo Diabo, e, por isso eram surrados cruelmente e, via de regra, acorrentados. Pinel recomendava que o louco deveria ser adequadamente tratado

e não sofrer violências que só contribuem para o agravamento de

sua doença. É célebre o episódio ligado ao paciente Chevigné, um soldado encarcerado na La Sante, que segundo Pinel, quando foi desacorrentado “chorava como uma criança ao se ver tratado como uma criatura humana”. Segundo Drapkin, Esquirol foi o criador do conceito de monomania que gerou uma nova concepção psiquiátrica da loucura moral que

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foi definida em fins do século XVII pelo médico Thomas

Abercromby, como sendo característica de alguém com bom nível de inteligência, mas com graves defeitos ou transtornos morais.

A partir dessa época, a Escola Inglesa passou a calcar-se na moral

insanity, sendo Pritchard(1786-1848) o consolidar do seu conceito que, posteriormente, viria a servir de embasamento para Lombroso

na elaboração do perfil do criminoso nato. Darwin(1809-1882) teve sua teoria evolucionista coordenada aos progressos das ciências biológicas por Julian Huxley e James Fisher. Sua idéia básica é a evolução modificada pelos seres humanos. As idéias da seleção natural e a da evolução completam a teoria de Darwin que correspondem a uma generalização das mais importante no campo da biologia. Sem dúvida, Darwin pode ser chamado de Newton da Biologia e

apesar dos notórios progressos contemporâneos das ciências naturais, sua teoria ainda ocupa lugar relevante na ciência atual.

O homem passou pelas fases de peixe, sapo, réptil e ave mas jamais

tal fato foi confirmado por Darwin e, nem possui qualquer apoio

científico. No que concerne aos princípios que regiam as variações hereditárias

e não-hereditárias, as idéias eram vagas e o microscópio não

revelara até aquele momento os fatos básicos relativos aos cromossomos e seu comportamento.

A Antropologia Criminal foi fundada por Cesare Lombroso . Em

determinado momento histórico, o direito Penal abandonou o

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terreno da abstração em que se colocara ao tempo da chamada Escola Clássica, passando para o concretismo das verificações objetivas sobre o delito e, fundamentalmente, sobre o criminoso. Surgiu no espírito alemão que cultuavam o Direito Penal a necessidade imperiosa de pesquisar profundamente o coeficiente humano que existe na ação delituosa. Esse movimento desencadeou na criação da Antropologia Criminal por intermédio Lombroso, médico psiquiatra e professor da Universidade de Turim, que considerou delinqüente sob os prismas das ciências que eram centro de suas cogitações habituais e outrossim, aplicando ao exame da criminalidade, a mesma estratégia utilizada no conhecimento da natureza humana. Lombroso no criminoso encontrou uma variedade especial homo sapiens que seria caracterizada por sinais(stigmata) físicos e psíquicos. Tais estigmas físicos do criminoso nato, segundo Lombroso, constavam de particularidades de forma da calota craniana e da face, bem como detalhes quanto ao maxilar inferior, fartas sobrancelhas, molares proeminentes, orelhas grandes e deformadas, dessimetria corporal, grande envergadura de braços, mãos e pés. Os estigmas ou sinais psíquicos caracterizavam o criminoso nato(como sensibilidade a dor diminuída (eis porque, os criminosos comumente se tatuariam) crueldade, leviandade, aversão ao trabalho, instabilidade, vaidade, tendências a supertições e

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precocidade sexual. Julgou também ter encontrado a relação entre a epilepsia e a chamada moral insanity. Porém, mais tarde, Lombroso evidenciou que nem todos os criminosos mostram tais características, ele distinguiu, como pseudos criminosos, os ocasionais e os passionais. Manteve porém, a idéia de que a maior parte dos criminosos, formavam um tipo antropológico unitário e este seria o criminoso verdadeiro. Na verdade, o verdadeiro criminoso é nato. Foi suas conclusões de grande relevância para a Política Criminal, a fim de conter o impulso criminal, não caberiam expiações morais ou punições infamantes e a sociedade teria o direito de proteger-se do criminoso, condenando-o e isolando-o pela prisão perpétua ou de morte encarada como medida de seleção. O atavismo( que é o aparecimento em um descendente de um caráter ausente em seus ascendentes imediatos, mas sim em remotos, como por exemplo, se um membro de determinada família). Há duas correntes: os defensores do atavismo físico e os defensores do atavismo moral( o sentido moral era o último a se adquirir na evolução natural dos seres humanos). A respeito do criminoso epilético, Lombroso tem o aval de Ottolenghi e Rancoroni, que esclareciam não se tratar de um epilepsia verdadeira, argüindo um certo caráter epileptóide ao delinqüente, a justificar a impulsividade e a anestesia que nele se processam.

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As taras psicológicas, segundo Ingenieros, afetavam as faculdades intelectuais e volitivas do indivíduo, juntando-se às causas endógenas e exógenas. Basicamente Lombroso classificava em três tipos os criminosos;

1. criminoso nato;

2. falso delinqüente ou pseudo delinqüente ou delinqüente

ocasional;

3. criminalóide( é o meio delinqüente assemelhado ao meio louco ou

fronteiriço). Sem dúvida, o cientista ilustre que foi Lombroso anotou detalhados dados antropológicos , nas observações a que submeteu os criminosos, os vivos nos cárceres e os mortos através de constantes necropsias. Porém, os traços de degenerescência não só privativos dos criminoso, é a tese lombrosiana dotada de exageros tendo conferido realce desmedido, explica a conservação da Antropologia Criminal,

a Endocrinologia, a cuja frente há nome como o de Maranon, Vidoni, Mariano Ruiz.

A constituição delinqüencial considera seu portador apenas como

um predisposto à criminalidade. Di Túlio esclarece que o delito provém, na sua opinião, de um estado de desequilíbrio entre a criminalidade latente e a resistência individual. Portanto, o crime seria o resultado de forças crimino-incitantes que superam as forças crimino-repulsivas que existem em cada indivíduo.

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A contemporânea Antropologia Criminal não reconhece pela conformação exterior dos indivíduos, quais devam ser submetidas as medidas defensivas por serem perigosas. Lombroso se depara com um número relativamente pequeno de criminosos sendo tal tipo correspondente a uma média aritmética, colhidos entre os delinqüentes mais afamados pela gravidade de seus crimes. Um dos mais ferrenhos críticos à teoria de Lombroso foi Charles Goring através de seu livro The English convict, publicada em 1913, concluindo pela inexistência das características morfológicas determinadas dos criminosos por Lombroso. Kretschmer procurou estabelecer uma correlação entre o físico e o caráter do indivíduo, e para tanto estabelecia três categorias:

a) pícnico: indivíduo de pequeno porte vertical(baixo, gordo e bem-

humorado);

b) atlético: um tipo intermediário, de comportamento normal;

c) leptossomático: de estatura alta, de corpo magro geralmente introvertido, porém, violento e de mau caráter. Juntamente com Pende, Kretschmer foram considerados os fundadores da Biotipologia. Acentua Mezger a partir da afinidade biológica a correlação com certas doenças mentais(ou psicoses) de origem humoral tais como esquizofrenia(demência precoce) e o ciclofrenia(psicose-maníaco- depressiva, loucura circular), das quais se deriva as

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personalidades psicopáticas esquizóide e ciclóide e por fim aos temperamentos esquizotímico e ciclotímico.

A diferença entre frênicos, óides e tímicos. Drapkin assegura que

existem dois erros fundamentais na teoria de Lombroso e a perfectabilidade do perfil do tarado e o fato de não poder ser reeducado. Outro fator que reforça à crítica à Lombroso é que o cientista italiano considerava o meio ambiente como fator secundário na

criminalidade depreciando a sua influência. Para Drapkin, Lombroso foi incompleto em suas investigações, exagerando o valor das cifras e dava outras sem base séria, estabelecendo, destarte, uma verdadeira pirataria científica.

A teoria lombrosiana conheceu seu apogeu mas também encontrou

adversários de suas idéias, como Francesco Carrara bem como os outros integrantes da chamada Escola Clássica de Direito Penal( Filangieri, Carmignani, Romagnosi, Ortolan, Rossi, Fuerbach, Pessina etc…) trouxeram à baila todos aspectos falhos da Antropologia Criminal, o que acabou por fulminar a figura do criminoso nato. É claro que se reconhece o grande mérito atribuído a Lombroso por ter sido o primeiro a promover um estudo sério do crime sob a acepção científica-causal; daí porque considera-lo o pai da Criminologia.

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A atual criminologia não consagra a teoria do criminoso nato embora admita a tendência delituosa, reconhecendo que o homem pode nascer com a inclinação para a violência. É importante concluir que a vida psíquica não é algo em apartado da vida orgânica; o homem é um ser sui generis que tem uma vida orgânica e uma psíquica inseparáveis entre si. Desta forma, é curial a relevância da Psicologia Criminal se insere, assim na Biologia Criminal, através de um estudo morfo-psico- moral do delinqüente, absorvendo sua anatomia, psicologia e a psicopatia do criminoso. Tal estudo não abrange os fatores endógenos do delito, como também os coeficientes sociais que condicionam e provocam o crime. Bem salienta Marcelo Caetano “ o papel do ambiente familiar e social na gênese do delito”.

Terceiro período de Sociologia Criminal:

Enri Ferri (1856-1929) em sua obra Sociologia Criminal deu relevo não só aos fatores biológicos como também aos mesológicos ou sociológicos, além dos físicos, na etiologia delinqüencial. Revelou o trinômio causal do delito, composto por fatores antropológicos, sociais e físicos. Considerado o criador da Sociologia Criminal, foi quem acendeu a polêmica entre os defensores do “livre arbítrio” e os adeptos do “determinismo” no que se refere ao crime.

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É de Ferri, também, a denominada “Lei de Saturação Criminal” em que dizia, ele, da mesma maneira que em um certo líquido à tal temperatura ocorrerá a diluição de uma certa quantidade, em determinadas condições sociais, serão produzidos determinados delitos. Considerada três as causas dos delitos: a) biológicas( herança e constituição); b) físicas( clima);c) sociais(referentes às condições ambientais).

A Escola Alemã de Naezcker avaliza a classificação de Ferri e

estabelece fatores delituógenos: os endógenos e exógenos. As primeiras correspondendo as causas biológicas e ao segundo, as causas físicas e sociais.

Ferri não acreditava na liberdade da vontade psíquica do homem e defendia a teoria jurídica da responsabilidade pessoal. Recomendava que o Código Penal deveria haver apenas um código

de defesa social, com base na periculosidade do infrator.

Assim para Ferri, a Sociologia Criminal era a ciência enciclopédica

do

delito e da qual o Direito Penal não passaria de um simples ramo

ou

subdivisão.

Aliás, dentro da própria Escola positiva integrada por Ferri, Gripingni combateu a exacerbação daquela proposta, atitude em que foi acompanhado por Etienne de Greef, Antolisei. Importante ressaltar que Ferri teria sido o criador da expressão “criminoso nato” em 1881, que é erroneamente conferida à Lombroso.

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Enrico Ferri classificou os delinqüentes em cinco tipos a saber: nato, louco, ocasional, habitual e passional.

O nato é o tipo instintivo de criminoso descrito por Lombroso com

estigmas de degeneração. Tal tipo apresenta a completa atrofia do senso moral.

O louco seria não só alienado mental, como também os semi-loucos,

matóides e os fronteiriços.

O ocasional é aquele que eventualmente comete crime. O habitual é

o reincidente, faz do crime sua profissão. O passional é aquele que é levado à configuração típica pelo arrebatamento, pelo ímpeto.

O criminoso passional é caracterizado pela superexcitação nervosa,

sofre no dizer de Ferri uma autêntica tempestade psíquica, pratica a

ação delituosa; pela notoriedade e quase sempre, pelo arrependimento imediato o que o leva geralmente ao suicídio imediato. Foi o terrível ciúme ditado por uma paixão que Otelo matou Desdêmona(após matá-la, se suicida). Os três famosos homicidas shakespearianos são dissecados por Ferri: Macbeth seria o criminoso nato; Hamlet seria o criminoso louco e Otelo o criminoso passional( o mais citado pela literatura). Raphael Garófalo foi o criador do termo Criminologia e construiu a tríplice preocupação pois para ele a Criminologia é a ciência da criminalidade, do delito e da pena. Elaborou sua concepção de delito natural partindo da idéia lombrosiana do criminoso nato.

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O Direito Penal não era monopólio dos juristas, mas também de

interesses dos sociólogos, apregoava que os verdadeiros delitos ofendem a moralidade elementar e revelam anomalias nos que os praticam. Entendia que existem duas espécies de delitos: os legais e os naturais, sendo que os primeiros eram variáveis de país para país e não ofendiam o senso moral e nem revelavam anomalias(as lombrosianas) assim as penas também seriam variáveis.

Quanto ao delito natural são os que ofendem os sentimentos altruístas fundamentais de piedade e probidade. Garófalo assevera ser freqüente a presença de anomalias patológicas de toda ordem nos criminosos. Para Garófalo, o delinqüente típico é um ser a quem falta qualquer altruísmo, destituído de qualquer benevolência e piedade, são os epitetados de “assassinos”.Três categorias de criminosos: a) assassinos;b) violentos ou enérgicos; c) ladrões e neurastênicos.

Ainda acrescentou um quatro grupo, o daqueles que cometem crimes contra os costumes, aos quais chamou de criminosos cínicos. Garófalo era um defensor da pena de morte sem qualquer comiseração. Augusto Comte é considerado, unanimente como o fundador da Sociologia Moderna, e define tal ciência como abstrata que tem por fim a investigação das leis gerais que regem os fenômenos sociais.

É ciência relativamente nova e foi Comte e Durkheim que lhe

deram um contexto científico. Apesar da contestação de Afrânio

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Peixoto que alega que a Sociologia fora fundada pelo Barão de Montesquieu(Charles de Secondat).

A sociologia é o estudo do ser social, e tem como método a

observação e a indução. Comte foi o autor de uma teoria geral da evolução filosófica denominada “Lei dos Três Estados” que considera que o homem na compreensão e interpretação do mundo.O primeiro estado é teleológico, o metafísico e o positivista. Outra figura relevante foi Adolphe Quetelet, o criador da Estatística

Científica, fulcrado em três princípios estabeleceu as chamadas Leis Térmicas de Quetelet procurou demonstrar que no inverno se praticam mais crimes contra a propriedade, que no verão, são cometidos mais crimes contra a pessoa e, na primavera, acontecem mais crimes contra os costumes(devido a exacerbação da atividade sexual que se opera no início dessa estação). Quetelet distinguiu a criminalidade feminina da masculina, tentou correlacionar o crime à idade cronológica do criminoso, observando que a incidência delitual é maior entre os 14 e 25 anos(no homem) e,

na mulher, entre 16 e 17 anos, caindo o referido índice após os 28

anos. O conceito de crime, e da pena e de criminoso vão variar para as

inúmeras escolas, a saber:

a) Escola Clássica, Metafísica Crime é uma infração sendo a pena repressão. O criminoso é livre

de querer ou não. A maioria dos penologistas desta Escola, entre

eles Beccaria, Romagnosi, Filangieri, Pagano, Rossi, Carmignani,

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Carrara, Ellerio e Pessina consideravam que o livre arbítrio é que determina a existência do crime.

b) Já para a Escola Positiva Determinista enxerga no crime uma ação

anti-social que revela o criminoso temível; a pena é intimidação, correção, coação da temibilidade do criminoso de fato e dos criminosos possíveis, prevendo a defesa social.

c) A Nuova Scuola ou Escola Antropológica vê o criminoso como um

ser anômalo, tachado de nascença para o crime ou para a possibilidade de delinqüir, sobre o qual, além dos fatores intrínsecos(antropológicos), exercem também influência os extrínsecos do meio físico, a ambiência é de somenos importância. O criminoso não é livre porque é determinado por motivos estranhos sendo a pena uma medida de defesa social, é a responsabilidade social que justifica a pena. Entre os seus partidários temos: Lombroso, Ferri, Garófalo, Marro, Sergi, Virgílio, Kurella, Corre, Zucarelli,, Nina Rodrigues, João Vieira, Viveiros de Castro, Esmeraldino Bandeira, Cândido Motta e Moniz Sodré. Os psicopatologistas acusam o criminoso de ser portador de uma degeneração mental mais grave seus principais defensores são Maudsley, Benedict, Kraft- Ebing, Magnam, Fere, Delbruck, Naeck, Gortner, Intergenieros, Julio de Maros, Bombarda.Para a chamada Escola Crítica, Eclética ou Terza Scuola o criminoso é produto de condições sociais defeituosas apregoava “ a sociedade tem os criminosos que merece”; os degenerados e

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suscetíveis que ela faz, mais facilmente se impressionam às causas sociais de delinqüência. O criminoso é responsável, não porque seja livre, mas porque, sendo são e bem desenvolvido tem aptidão para determinar a vontade por idéias e representações oriundas da Moral, do Direito, do senso prático que regulam a conduta de todos porque possuem responsabilidade moral. Seus partidários: Gabriel Tarde, Lacassagne, Manouvrier, Laurent, Colajanni, Alimena, Carnevalle, Baer, Havelock Elles, Salleiles, Prins, Von Liszt, Drill, Von Hamel, José Higino, Lima Drumond, Aurelino Leal, Clóvis Beviláqua e alguns doutrinadores socialistas como Turatti, Bataglia, Bebel e Van Kan.

A Escola Neo-Clássica enxerga o crime como ato ilegal, é o ilícito jurídico, e a pena é intimidação geral a repressão ocasional; o criminoso é responsável socialmente e individualmente previne-se a maior parte dos crimes previsíveis. Seus partidários: Manzini, Rocco, Massari. Escola Neo-Positiva já identifica o crime como uma to biossocial que revela a perigosidade do criminoso, o que deve ser tratado no sentido de proteger à sociedade, pelas mediadas de segurança. Seus partidários: Florian, Púglia, Asúa, Crispigni, Saldaña e Mendes Correa. A posição de Afrânio Peixoto é bem diversa da dos outros autores faz transparecer a imprecisão de alguns conceitos como Política Criminal.

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Lacassagne (professor de Medicina Legal de Lyon) remontando

quetelismo

a tese lombrosiana, apresentou uma doutrina sociológica do crime. As teorias antropossociais relacionam os princípios constitucionais de Lombroso com os sociais, o meio social influi sobre o criminoso antropologicamente-nato, predispondo-o para o delito. Tais teorias foram sustentadas por Lacassagne e Manouvrier. Lacassagne opôs-se à tese de Lombroso, era médico e via no cérebro

três zonas com funções diversas que regem as faculdades do indivíduo, a zona frontal, as intelectuais;a zona parental, as volitivas; a zona occipital, as afetivas. Quando há perturbações na zona frontal aparece o louco; na zona parietal advém a debilidade de vontade; o que permite o aparecimento do delinqüente ocasional; na zona occipital, quando faculdades afetivas ficam perturbadas, aparece o verdadeiro delinqüente, ou seja, o indivíduo predisposto para o crime, que, quando as condições do meio e seu próprio egoísmo o impelem, virá efetivamente a delinqüir. Quanto maior for a desorganização social, maior será a criminalidade. Dizia que a sociedade é como um meio de cultivo, e afirmava que abriga em seu seio uma série de micróbios( que são os delinqüentes e que estes, não se desenvolverão, se o meio não lhes for propício). Para Lacassagne os fatores sociais atuando sobre um indivíduo predisposto, é podem dar origem ao crime. Manouvrier foi um dos

contra

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grande colaboradores de Lacassagne na luta empreendida contra as doutrinas de Lombroso, foi professor de antropologia na Universidade de Paris. Aubry dizia que o crime tinha por causa principal o contágio moral que sofria o indivíduo predisposto, e citava, como por exemplo, a influência do cinema sobre as crianças e certos adolescentes. A sua doutrina do contágio moral foi tratada no seu livro La contagion du meurtre( o contágio da morte). Dubuisson era partidário da influência da ocasionalidade sobre o indivíduo predisposto, acredita enfim que as causas sociais fortuitamente atuam sobre uma preexistente predisposição individual, determinando assim a sucessão delituosa. Também o belga Vervaeck admite a existência de uma delinqüência fruto da ocasionalidade, relacionada a acontecimentos eventuais, circunstâncias excepcionais e a fatores psicossociais. As chamadas teorias sociais propriamente ditas legaram a etiologia do crime, aos fatores exógenos(de proeminência social) descredibilizando os fatores endógenos. Dentre os seguidores dessas teorias que garantem que o crime tem uma origem notadamente social, destacam-se Gabriel Tarde, Vaccaro, Max Nordau e Auber.Vaccaro declara que o crime é o resultado da falta de adaptação político-social do delinqüente com relação à sociedade em que vive. O delito é uma forma de rebeldia, de contestação uma vez que a lei serve para defender os interesses das classes sociais dominantes.

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Gabriel Tarde não aceitava as idéias de Ferri sobre o trinômio

criminogenético(fatores físicos, sociais e biológicos) acrescenta que a influência do clima não está comprovada como fator criminal. Aliás sobre a influência física( que é considerável e uniforme) dentro do mesmo grupo social.

A polêmica entre Ferri e Tarde, poder-se-ia aduzir que os próprios

fatores individuais(endógenos)pela mesma razão não poderiam subsistir isoladamente, até porque para que ocorra o crime, não

basta que haja o indivíduo, necessário também que exista um grupo social, o que nos faria imergir num eterno círculo vicioso.

A autora já tve oportunidade em saliente em um artigo intitulado

“Crime: definição e dúvida”, o quão social é o conceito e a etiologia

do crime. As causas cósmicas ou físicas do crime tais como as estações, temperatura, natureza do solo, produção agrícola, o clima e demais fatores naturais recebeu novas críticas do espanhol Arambusu em seu livro “La nuova ciência penal “ e atribuiu a Ferri o defeito de confundir o acessório com o principal e as causas ocasionais com as verdadeiramente determinantes do crime. Ferri retrucando sempre, erigiu sua objeção como sendo puramente metafísica, porque tudo o que é necessário ou concorre para a verificação de um fenômeno é a causa determinante, explicando: “ o coração é o principal e as veias são acessórios, mas ninguém pode viver sem elas”.

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A classificação de Ferri tem sido aceita por grande parte dos

criminologistas.

O notável Tarde escreveu três obras importantíssimas para a

Criminologia: “A Criminalidade Comparada”(1886), “As leis de Imitação” e a”Filosofia Penal”(1890). Sepultando a doutrina do atavismo radical, Tarde aceita apenas residualmente a doutrina lombrosiana ao aceitar o atavismo equivalente oriundo de Guilherme Ferrero(que prevê certas

predisposições mentais, psíquicas que permitem comparar o criminoso do homem primitivo). Afirma Tarde em sua obra “Leis de imitação”, assegura que a delinqüência é um fenômeno marcadamente social e que motor propulsor de conglomerado social é a imitação. Daí, retira-se a assertiva de que 90 % das pessoas não possuem

índole criminosa, submetendo-se à rotina social, na mesma esteira é

o entendimento do notável espanhol Ortega y Gasset; dos 10%

restantes; 9% possuem a iniciativa delituosa e o1 % corresponde aos indivíduos de espírito inovador(como Lênin).

É de Gasset autor da celebra frase símbolo internacional do

altruísmo: “Eu sou eu e a minha circunstância”, afirma que os

verdadeiros homens são aqueles que podem salvar ou melhorar o mundo, os que têm coragem de fincar os pés no fundo dos rios e nadar contra as correntes das águas.

A responsabilidade por um crime só pode existir se durante e após a

sua prática, temos o mesmo indivíduo, portador da mesma

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personalidade. Tal conceito foi útil para fixar as circunstâncias eximentes e atenuantes da responsabilidade criminal. Max Nordau alega que a causa determinante do crime é o parasitismo social(quando ocorre a marginalização do indivíduo ao grupo que como paria em nada contribuiu par a sociedade quer materialmente, quer moralmente). Auber sustenta que as causas do delinqüir são as fobias(o temor à pobreza, por exemplo, levaria o homem à prática de crimes contra o patrimônio e o medo o levaria a matar). As teorias socialistas teve entre seus defensores Turatti e Colajanni, Bataglia, Laria, Lafargue, Berel, Van Kan e Hakorisky. Turatti dizia que os motivos do delito não devem ser monopolizados apenas na necessidade ou precisão e na indigência, mas também na cobiça e pelo enorme contraste resultante entre a riqueza perante a pobreza. Alegava também que as precárias condições de habitação contribuem para a promiscuidade ensejando assim o aumento dos delitos contra os costumes. Em Filosofia Penal, Gabriel Tarde trata da identidade pessoal e a semelhança social que representam postulados basilares da responsabilidade penal. Outro italiano, Colajanni seguidor das idéias de Turatti(que morreu na França exilado pelo fascismo) procurou analisar qual sistema econômico é ideal para a prevenção à criminalidade visando diminuir a prática delituosa na Itália.

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Clamava por uma divisão de riqueza mais eqüitativa aliada a

estabilidade política poderia possibilitar a exclusão ou a eliminação

da criminalidade.

Também Bataglia, Lafargue e Bebel enxergam na má distribuição

de

riquezas a origem do crime. Vindo mesmo Beguim dizer que 60%

ou

mais dos crimes tem origem econômica.

Aliás, desde de Platão(a gênese do crime está relacionada pelas influências econômicas) que atribuía à falta de educação dos cidadãos e má organização do Estado, como geratrizes do crime. Aristóteles também visa na miséria a condição estimuladora da rebelião e do delito depois pulando para Rousseau que considerava que o homem nasce bom, a sociedade que o perverte, ou seja, o transformava em mau e criminoso; por Durkheim que considerava o crime um fenômeno de

normalidade social, porque constante e útil; no que foi rechaçado e combatido e existirá e nem por isso ela normal em biologia”. Ainda sobre a utilidade do crime contraargumenta Ferri emite outro paradoxo: “ a dor é um aviso de órgão doente, que reage e reclama saúde assim como o crime reclama contra os defeitos sociais.” Quando a justiça e o governo são incapazes de prover ao bem-estar e à ordem na sociedade, podem ocorrer os crimes e, o mais graves somos todos potencialmente vítimas pois não há segurança e nem paz social.

O crime mais que um grito estridente das dificuldades sócio-

econômicas dos miseráveis e desvalidos também representa um

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índice avaliador do poder de organização, competência e diligência do estado em cumprir suas funções primaciais. A vítima empresta voz aos gritos sufocados e não ouvidos pela indiferença e incompetência do Poder Público em atingir e manter o bem-estar social. De qualquer maneira, não se pode olvidar as justificativas sociais nas pesquisas criminógenas como também não podemos ser consideradas unicamente. Manouvrier repele a Antropologia Criminal convencido da atipicidade dos criminoso, por isso mesmo inclassificáveis. Uma das conclusões do criminalista belga é que a liberdade é indispensável no mundo moral, há um mundo inteligível onde reina a liberdade, o homem tem uma atividade consciente que o dirige para o bem. No mundo real se vive a liberdade é relativa, e conseguintemente, a responsabilidade é também um conceito relativo.

Quarto período Política Criminal:

Franz Von Liszt é considerado o pai Política Criminal sua obra principal é intitulada pelos Princípios de Política Criminal, foi publicado em 1889. Em seu Tratado de Direito Penal, em 1908, Manzini definia a Política Criminal como sendo “as doutrinas das possibilidades políticas com relação à finalidade da prevenção e repressão da delinqüência”.

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Para Manzini, a Política Criminal é o conjunto de conhecimentos que podem levar a realizar um plano real e não utópico.

Já para Fuerbach é o saber legislativo do Estado em matéria de

criminalidade. Para Guilhermo Portella, é o conjunto de ciências que estudam o delito e a pena, com o fim de descobrir as causas da delinqüência e determinar seus remédios. Para Liszt é o conjunto sistemático de princípios segundo os quais o Estado e a sociedade devem organizar a luta contra o crime”

A denominação é anterior a Von Liszt, pois em 1793 Klinsroad a

chamava de Política de Direito Criminal. Os doutrinadores modernos afirmam que são penalistas e não médicos, psiquiatras, biólogos, etc. Não há antagonismo entre

Política Criminal e Criminologia.

A Política Criminal segundo Newton Fernandes e Valter Fernandes

é o aproveitamento por parte do Estado, de todas aquelas normas que lhe servem para a prevenção e repressão da delinqüência.

É conceito amplo(que não se baseia somente as normas abstratas de direito e, sim nas normas concretas determinadas pela Criminologia).

Já se evidenciava-se princípios da Política Criminal em Beccaria, em

Manzini, Filanghier, Jeremias Bentham, Voltaire, Fuerbach, Henre, Van Habel, Klinsroad.

A Política Criminal é um ramo de Direito Penal apesar de utilizar

dados da Antropologia Criminal, da Estatística Criminal, não se

confunde com a Criminologia.

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A suspensão condicional (sursis), o livramento condicional e o sistema hoje praticado no mundo todo, como por exemplo, o tratamento tutelar dos menores delinqüentes também são conquistas da Escola da Política Criminal. Enfim, a Criminologia focaliza o fenômeno do crime de maneira bem diversificada, prescrutando-lhe as causas, enquanto que a Política Criminal tem como objetivo a descoberta e a utilização prática dos processos eficazes de combater ao crime, necessita recorrer à conclusões criminológicas e à Penologia que ausculta os resultados com as sanções penais. Por muitos autores tem-se conceituado a Política Criminal como ciência e a arte dos meios preventivos e repressivos de que o Estado, no seu tríplice papel de Poder Legislativo, Executivo e Judiciário dispõe para consecução de seus objetivos na luta contra o crime.

Santo Tomás de Aquino: relacionava crime com a pobreza. O crime tem base na desigualdade e a pobreza é a maior incentivadora do delito. Santo Agostinho: a pena deve ser uma medida de defesa social, deve contribuir para a regeneração do criminoso, mas deve conter também implicitamente uma ameaça para aqueles que pretendiam delinqüir.

Hipóteses de paternidade da criminologia:

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1) Beccaria (1764) - “Dos Delitos e das Penas” - Beccaria fez um olhar agudo sobre o fenômeno do crime e do cárcere.

2) Carrara (1859) - Aplicação de um método dedutivo - Foco no

crime como um fato jurídico e não como um problema social. Conceito formal de delito e não o delito como um problema.

3) Lombroso (1876) - “O homem delinqüente” - foco no criminoso e o foco era empírico. Lombroso era positiva, fortemente influenciado por Augusto Comte.

3. Teorias explicativas do delito:

TEORIAS DO CONSENSO:

Partem do princípio do funcionamento das instituições e indivíduos, onde se aceita e se compartilha regras.

Escolas Criminológicas fundadas nas teorias do consenso:

1) Escola Ecológica de Chicago (1930) – Park e Burguen Observa o homem dentro seu habitat.

Método de observação participante: vai até o local e começa a observar o fen6omeno criminal a partir das circunstâncias da própria cidade. Conclusões: grandes cidades são geratrizes de crime, porque:

a) Os controles sociais informais não funcionais. As pessoas têm

menos vínculos familiares e sociais;

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b) Os grupos familiares se deterioram nas grandes cidades;

c) Há uma alta mobilidade, o que enfraquece ainda mais os vínculos

pessoais;

d) Há um estímulo ao consumo excessivo;

e) Há uma proximidade tentadora aos centros comerciais;

f) Superpopulação etc.

2) Escola da Associação ou do Contato Diferencial (1924)– Sutherland Foi pesquisar os criminosos nas empresas. Entre 1920 a 1944 pesquisou 70 grandes empresas nos EUA. Objeto empírico: trustes e cartéis. Premissas:

1ª Crime não é exclusivo de pobre;

2ª Crime não deriva da simples inadaptação da pessoa à sociedade; 3ª Crime exige organização para burlar os controles formais e informais; 4ª Quem delinqüe, delinqüe porque se reconhece no exemplo de quem delinqüiu. Copia o outro que delinqüiu e que se deu bem. Conclusões:

a) O comportamento criminal é aprendido;

b) Aprender a delinqüir depende de comunicação e de imitação. Esse aprendizado também inclui o motivo sobre qual se delinqüe.

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c) O conflito cultural é causa da associação diferencial, ou seja, por não compactuar com as premissas postas na sociedade é que a pessoa se associa ao diferente, ao crime. Adesão a uma vida louca. d) O cometimento o delito depende de situações favoráveis e desfavoráveis, depende, portanto, de um prognóstico que o agente faz a cerca do êxito da sua conduta. Resumindo o seu pensamento:

A complexidade dos crimes + os seus efeitos difusos na sociedade +

a tolerância das autoridades + a impunidade geram as condições

para a delinqüência.

3) Escola da Anomia (ausência de nome) – Durkheim (1890) e Merton (1938)

O problema todo reside na ausência de nomes, ou mesmo, na

ausência de efetividades das normas é gera a possibilidade para delinqüência. As normas não têm efetividade, não existem em número suficiente. Pela teoria da anomia constata-se que a ausência de regras para a

regular as situações sociais gera conflituosidade. A conseqüência disso é o enfraquecimento na consciência coletiva do que é certo e

do

é errado. Fragilização do consciente coletivo.

O

crime é um fenômeno normal e comum em toda a sociedade, só

deixa de sê-lo quando ultrapassa os seus limites e passa a agredir a

própria sociedade.

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A punição é saudável porque ela reafirma no consciente coletivo do

que é certo e do que é errado, reafirma os valores que são caros à sociedade: família, propriedade, ética etc.

A pena aplaca a sede de vingança coletiva, a rivalidade da sociedade

para com aquela pessoa, reduz o desconforto emocional coletivo em face do coletivo;

A impunidade fomenta a criminalidade. Onde não há Estado o

crime prospera.

Formas de reagir à pressão:

1) Conformidade:

2) Ritualismo: o cidadão renuncia aos bens, abre mão das coisas, mas continua se movendo no mundo fenomênico como uma pessoa comum. 3) Retraimento: o cidadão vira praticamente um monge, renuncia a tudo, aos bens e aos ritos que a sociedade considera importante. 4) Invasão: que se redobra na rebelião: o cidadão começa a se tornar forte concorrente a delinqüir.

4) Teoria da Subcultura do delinqüente – Cohen (1950) Subcultura não se confunde com contracultura. Os movimentos de subcultura reproduz os valores tradicionais, mas com sinal

invertido, com sinal negativo, sob o signo da intolerância com quem

é diferente, ex.: nazifacismo. Contracultura renega os valores

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tradicionais e propõe algo para ficar no seu lugar. O movimento hippie é um movimento de contracultura e não de subcultura.

Cohen observou a juventude americana do final dos anos 50 e constatou a frustração do american dreams, o sonho da prosperidade econômica e junto com essa frustração Cohen encontrou segregação racial, desagregação familiar etc. Reconhecimento da cultura do gueto: estabelecimento de novos padrões de comportamento a partir de afinidades grupais e normalmente sob um paradigma violento. As gangues (movimento de subcultura) surgiram como uma reação à inacessibilidade aos bens da vida. Conclusões:

a) a violência das gangues não tem justificativa, não tem utilidade.

b) A conduta é sempre maliciosa para mostrar o quão patética é a

vítima.

c) Não consegue enxergar um horizonte positivo, não conseguem

propror uma solução harmônica para a convivência.

TEORIAS CONFLITIVAS:

Surgem do argumento que a coesão da sociedade é fundada na força e na sujeição, ou seja, não é a cooperação que faz a coesão, mas sim a coerção. O criminoso não aceita os controles, não se ressocializa. O crime é de interesse da sociedade.

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1) Teoria do “Labelling Approach”(Teoria do Etiquetamento):

HOWARD BECKER (1960)

A criminalidade não é a qualidade de determinada conduta, mas o

resultado de um processo através do qual se atribui esta qualidade (um processo de estigmatização). Em outras palavras, criminoso é uma etiqueta que a sociedade prega em alguém.

Sacadas:

a)

Essa teoria desloca o problema criminal da ação para a repressão.

O

problema não está na conduta, mas sim na forma em que se pune

essa conduta;

b) A intervenção da justiça criminal gera mais criminalidade, porque

ela estigmatiza o desviante e impede que ele retorne à sociedade;

c)

Pessoas que sofrem com os mesmos estigmas tendem a agrupar-

se

para reagir a esse processo de estigmatização;

d) O controle social do crime é seletivo e discriminatório. Quem rouba um tostão é ladrão, quem rouba um milhão é barão!

2) Escola Crítica (Criminologia Radical): RUSCHE e KIRCHEIMER (1967) Crítica a criminologia clássica e positivista. Fortemente influenciados pela doutrina marxista.

O processo de criminalização de determinadas condutas se relaciona

com a disciplina da mão de obra no interesse do capital e com a contenção dos movimentos sociais (lock out, greve).

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Alessandro Baratta na Itália Roberto Lira no Brasil Michael Foucault na França

O delito depende do modo de produção capitalista. A lei penal, por

sua vez, deriva e justifica esse modelo.

O

Direito não é ciência, é ideologia.

O

Direito é apenas uma forma de dominação (Foucault).

O

homem tem um livre arbítrio relativo, que é reduzido pela

propaganda e pela educação, isto é pela lavagem cerebral que o modo capitalista produz. O foco é no ter, no possuir.

Se criminaliza as condutas para justificar o monopólio do Estado

sobre a violência.

Vertentes:

1) Neorealismo (Young, Joch): novos aspectos devem ser

considerados: desemprego maciço, o contraste entre a riqueza e a pobreza e o surgimento de novas vítimas até então invisíveis, quais:

as mulheres e as crianças. Eles propõem uma reação ao marxista de que tudo tem a ver com economia.

2) Minimalistas (Martin Sanches): propõe uma contração (redução) do sistema penal em certas áreas. Descriminar determinadas condutas que não são relevantes para a sociedade. O Direito penal

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como a última ratio. Por outro lado, propõe uma maior efetividade do direito penal em outras áreas.

3) Abolicionistas (Mathiensen): Os abolicistas fazem uma crítica arrasadora ao sistema penal. O sistema penal não resolve nada, apenas gera problema. As pessoas saem da cadeia pior do que entraram.

3) Novo Movimento de Defesa Social (Tolerância Zero):

Movimento da lei e da ordem: Rudolf Giuliane (prefeito de NY). Premissas:

Vamos lutar passo-a-passo contra pequenos delitos. Sistema de repressão mais ostensivo. Mais poderes a atividade policial.

DA TEORIA DO “LABELING APPROACH”

A teoria do “labelling approach” 1 se insere no contexto das teorias do processo social, ao lado das teorias de aprendizagem social e de controle social. Para este grupo de teorias psicosociológicas “o crime é uma função das interações psicosociais do indivíduo e dos diversos processos da sociedade” 2

Essas teorias do processo social ganharam importância particular na década de sessenta, como forma de limitação das

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teorias estruturais, que concentravam-se na criminalidade das classes marginalizadas, sendo incapazes de explicar satisfatoriamente três fatos: 1) que existe, também, uma significativa criminalidade nas classes média e privilegiada; 2) que muitos jovens abandonam a criminalidade após um certo amadurecimento pessoal; 3) que nem todo indivíduo das classes marginalizadas rejeita os meios e procedimentos legítimos de acesso aos bens culturais, integrando-se em uma subcultura criminal, do mesmo modo que muitos jovens de classe média e alta rejeitam os valores convencionais e delinquem 3 .

Para os teóricos do chamado “processo social” toda pessoa tem o potencial necessário para tornar-se um criminoso em algum momento de sua vida, sendo que as chances são maiores para os integrantes das classes marginalizadas devido a uma série de

carências tal como pobreza, status social, estudos, etc

Nada

obstante, também os indivíduos das classes privilegiadas podem converter-se em criminosos se seus processos de interação com as instituições resultam pobres ou destrutivos 4 .

Assim, as teorias do processo social abordam diversas respostas ao fenômeno da criminalidade e sua gênesis, sendo pois divididas nas três suborientações citadas, interessando-nos no presente estudo tão somente a teoria do “labelling approach”.

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Pois bem, isto posto diga-se que desde os anos setenta exige- se uma explicação interacionista do crime, a partir dos conceitos de conduta desviada e de reação social 5 .

É neste contexto que surge, nos Estados Unidos, a teoria do etiquetamento (ou teoria do labelling approach). Segundo HERRERO 6 , “se trata de uma corrente criminológica próxima à criminologia radical de cunho marxista, mas sem compartilhar, ao menos necessariamente, o modelo de sociedade configurado por esta”.

Sua pretensão inicial nada mais era do que a busca de uma explicação científica aos processos de criminalização, às carreiras criminosas e ao chamado desvio secundário 7 , adquirindo, sem embargo, com o tempo, o feitio de um modelo teórico explicativo do comportamento criminal 8 .

Insere-se na dogmática como um teoria crítica, posto que desloca a atenção - que antes estava focada no criminoso - para o sistema penal e suas interações, tomando este sistema penal como “o autêntico fundamento da desviance9 .

Por isto é tida por BARATTA 10 como “o novo paradigma criminológico”.

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De acordo com a tese sobre a desviance - exposta primeiramente por HOWARD BECKER 11 - desviante é o sujeito em que foi aplicada com sucesso a etiqueta de desviante.

Tratando do labelling approach MOLINA 12 assevera que “segundo esta perspectiva interacionista, não se pode compreender o crime prescindindo da própria reação social, do processo social de definição ou seleção de certas pessoas e condutas etiquetadas como criminosas. Crime e reação social são conceitos interdependentes, recíprocos, inseparáveis. A infração não é uma qualidade intrínseca da conduta, senão uma qualidade atribuída à mesma através de complexos processos de interação social, processos altamente seletivos e discriminatórios. O labelling approach, consequentemente, supera o paradigma etiológico tradicional, problematizando a própria definição da criminalidade. Esta - se diz - não é como um pedaço de ferro, um objeto físico, senão o resultado de um processo social de interação (definição e seleção): existe somente nos pressuposto normativos e valorativos, sempre circunstanciais, dos membros de uma sociedade. Não lhe interessam as causas da desviação (primária), senão os processos de criminalização e mantém que é o controle social o que cria a criminalidade. Por ele, o interesse da investigação se desloca do infrator e seu meio para aqueles que o definem como infrator, analisando-se fundamentalmente os mecanismos e funcionamento do controle social ou a génesis da norma e não os déficits e carências do

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indivíduo. Este não é senão a vítima dos processos de definição e seleção, de acordo com os postulados do denominado paradigma do controle”. Assim, de acordo com BARATTA 13 , “a distinção entre os dois tipos de comportamento depende menos de uma atitude interior intrinsecamente boa ou má, social ou anti-social, valorável positiva ou negativamente pelos indivíduos, do que da definição legal que, em um dado momento distingue, em determinada sociedade, o comportamento criminoso do comportamento lícito”.

Já na lição de HERRERO 14 : “Se fala de delito e delinquentes como consequência de um processo incriminatório levado a cabo pelos poderes dominantes e projetado, quase que exclusivamente, sobre as classes sociais desfavorecidas, a cujos membros se impõe, por interesses, o rótulo de delinquentes por força de critérios criminalizantes impostos, unilateralmente, pelos que exercem a capacidade de decisão. Isto tudo porque estes marginalizados não se submetem ao poder estabelecido, à sua cultura, aos seus interesses ”.

É claro que estes dois tipos de seleção (o objeto e o sujeito da criminalização) não atendem a algo casual, mas sim a interesses concretos de produção e reprodução do poder. A criminalidade constitui um bem negativo, distribuído desigualmente, ainda que não de modo arbitrário. Ou seja, selecionam-se como delinquentes - ao menos de forma prioritária - os indivíduos que pertencem às

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classes marginalizadas, seja porque o direito penal está estabelecido para proteger sobretudo os interesses das classes superiores, seja em virtude da forma de funcionamento e da operatividade prática das instâncias de controle social, desde a escola e passando pela polícia e pelos tribunais 15 .

Assim, posto que o labeling approach centra seu interesse no elemento definidor da desviação e da criminalidade, destacando que quem condena não constata o delito, senão que o produz, temos que o delito não é uma qualidade de uma conduta, mas sim o resultado de uma definição através das instâncias de controle social. E esta definição, como é notório, recai de modo desigual em prejuízo dos extratos sociais mais baixos. Ainda que as infrações jurídico- criminais sejam ubíquas (é dizer, se dão por igual em todas as classes sociais), a possibilidade de escapar a uma definição juriídico- penal cresce à medida que se sobe na hierarquia social: são os poderosos que se inserem no âmbito da cifra negra 16 .

é

produto da aplicação dos órgãos de controle social” 17 . Segundo BARATTA 18 , “esta direção de pesquisa parte da consideração de que não se pode compreender a criminalidade se não se estuda a ação do sistema penal, que a define e reage contra ela, começando pelas normas abstratas até a ação das instâncias oficiais (polícia, juízes, instituições penitenciárias que as aplicam), e

Para

esta

teoria,

portanto,

“a

desviação

secundária

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que, por isso, o status social de delinquente pressupõe, necessariamente, o efeito da atividade das instâncias oficiais de controle social da delinquência, enquanto não adquire esse status aquele que, apesar de ter realizado o mesmo comportamento punível, não é alcançado, todavia, pela ação daquelas instâncias. Portanto, este não é considerado e tratado pela sociedade como “delinquente”. Nesse sentido, o labeling approach tem se ocupado principalmente com as reações das instâncias oficiais de controle social, consideradas na sua função constitutiva em face da criminalidade. Sob este ponto de vista tem estudado o efeito estigmatizante da atividade da polícia, dos órgãos de acusação pública e dos juízes”.

Segundo MOLINA 19 , os principais postulados do “labeling approach” são:

1)Interativismo simbólico e construtivismo social: “A realidade social é construída sobre a base de certas definições e o significado atribuído às mesmas através de complexos processos sociais de interação. Assim sendo, o comportamento humano seria inseparável da interação social e sua interpretação não pode prescindir desta mediação simbólica. O conceito que o indivíduo tem de si mesmo, de sua sociedade e da sua posição nesta sociedade, são chaves importantes do significado genuíno da conduta criminal”.

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2) Introspecção simpatética como técnica de aproximação à realidade criminal para compreende-la desde o mundo do infrator e captar o verdadeiro sentido que este atribui à sua conduta.

3) Natureza definidora do delito: “O delito é carente de sentido material ou ontológico. Uma conduta não é delitiva em si ou por si (qualidade negativa inerente a ela), nem seu autor criminoso por merecimentos objetivos (nocividade do fato, patologia da personalidade); o caráter criminoso de uma conduta e de seu autor depende de certos processos sociais de definição, que atribuem a esta conduta tal caráter, e de seleção, que etiquetam o autor como delinquente”.

4) Caráter constitutivo do controle social: “Em consequência, a criminalidade é criada pelo controle social. As instâncias ou agências de controle social (polícia, judiciário, etc.) não detectam ou declaram o caráter delitivo de um comportamento senão que o geram ou produzem ao etiqueta-lo”.

5) Seletividade e discriminatoriedade do controle social: “O controle social é altamente discriminatório e seletivo. Ainda que os estudos empíricos demonstrem o caráter majoritário do comportamento criminal, a etiqueta criminosa se manifesta como um bem negativo que os mecanismos de controle social repartem

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com o mesmo critério de distribuição de outros bens positivos (fama, poder, riqueza, etc.): o status das pessoas. De modo que as chances e os riscos de ser etiquetado como delinquente não dependem tanto da conduta executada (delito) como da posição do indivíduo na pirâmide social (status). Os processos de criminalização, ademais, respondem ao estímulo da visibilidade diferencial da conduta desviada em uma sociedade concreta, isto é, se guiam mais pela sintomatologia do conflito do que pela etiologia do mesmo (visibilidade versus latência)”.

6) Efeito criminógeno da pena: “A reação social não somente é injusta senão intrinsecamente racional e criminógena. Longe de fazer justiça, de prevenir a criminalidade e reincluir o infrator, seu real impacto converte a pena em uma resposta intrinsecamente irracional e criminógena. Porque exacerba o conflito social em lugar de resolve-lo; potencia e perpetua a desviação; consolida o infrator em seu estado criminal e gera os esteriótipos e etiologias que se supõe pretender evitar, fechando, desse modo, um lamentável círculo vicioso. A pena, pois, culmina uma escalada ritual e dramática de cerimônias de degradação do condenado, estigmatizando-o com o selo de um status irreversível. O apenado assumirá, assim, uma nova imagem de si mesmo e redefinirá sua personalidade em torno do conceito de infrator, desencadeando-se a chamada dsviação secundária”.

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7) Paradigma de controle: “A natureza definidora da criminalidade impõe a substituição do paradigma etiológico pelo de controle. Os fatores que possam explicar a desviação primária do indivíduo carecem de interesse, como sucede com o próprio enfoque etiológico tradicional. O decisivo será o estudo dos processos de criminalização que atribuem a etiqueta criminal ao indivíduo, os processos de definição e os processos de seleção”.

Assim, na lição de HERRERO 20 , “para o labelling approach, a delinquência, o crime, não é um fenômeno ontológico, mas sim definitorial. É dizer, que não existe tanto a criminalidade quanto a incriminação. Uma incriminação não obediente a critérios objetivos (de proteção ao verdadeiro bem comum) senão dependente de critérios de grupo, parciais, discriminadores e dirigidos contra os que estão longe do êxito, do dinheiro e do poder”.

Consiste, pois, a teoria em foco, numa “revolução científica no âmbito da sociologia criminal” 21 .

Dentro do labelling approach coexistem, sem embargo, duas tendências: uma radical, e outra, moderada 22 .

A tendência radical exacerba a função constitutiva ou criadora de criminalidade exercida pelo controle social: o crime é uma etiqueta que a polícia, os promotores e os juízes (instâncias do

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controle social formal) colocam no infrator, independentemente de sua conduta ou merecimento.

Já para a tendência moderada, sem embargo, somente cabe afirmar que a justiça penal se integra na mecânica do controle social geral da conduta desviada.

É indiscutível que as teorias interacionistas - dentre elas o labeling approach - contêm delineamentos e conclusões plausíveis e avançadas. Todavia, tanto se concrentou na criminalidade que se radicalizou, dirigindo suas críticas e ataques mais demolidores ao Direito Penal. Esta radicalização é compreensível já que, ao concentrar-se na definição da conduta criminosa, se delimitam com maior facilidade as instâncias definidoras. Essas instâncias somos todos, como agentes do controle social informal, na definição da conduta desviada. Mas na definição da conduta criminal não são apenas os agentes de controle social formal que atuam no âmbito de sua competência 23 . Deste modo, o etiquetamento do desviado passa a ser uma atuação natural da vida diária, uma estigmatização dirigida finalisticamente e imposta de um modo sistemático 24 .

Leciona MOLINA 25 que cabe ao labelling approach o indiscutível mérito de haver ampliado o objeto de investigação criminológica, ao ressaltar a importância que tem a ação bastante seletiva e discriminatória das instâncias e mecanismos de seleção do

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controle social. Como consequência do êxito deste enfoque interacionista, não cabe hoje estudar e compreender o problema criminal prescindindo da própria reação social, do processo social de definição e de seleção de certas condutas etiquetadas como delitivas. Ao labelling approach se deve, também, uma interpretação muito mais realista do dogma tradicional da igualdade perante a lei e uma preocupação pelo problema das infrações secundárias e das carreiras criminosas 26 . Sem embargo, uma substituição radical das teorias da criminalidade pelas da criminalização - como pretende um setor do labelling approach - não é aceita pela doutrina majoritária, já que, sem dúvida, emprobeceria a discussão científica. A natureza puramente definidora do delito, o caráter constitutivo do controle social e a opção a favor do paradigma de controle, são postulados que tão pouco contam com um respaldo unânime na comunidade científica, pois conduzem a uma desatenção do problema das infrações primárias (renúncia à análise etiológica) e deixam sem respostas problemas capitais da criminologia e da política criminal de nosso tempo: a prevenção ao delito, a ressocialização do delinquente, etc. 27 .

Segundo o labeling approach, a criminologia tradicional, etiologicamente orientada, tem buscado as causas do delito de um modo incorreto na pessoa que é definida como delinquente, em

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lugar de fazê-lo na pessoa que realiza a definição. Deste modo tem aceitado ingenuamente as perspectivas do Direito Penal, convertendo-se em sua ciência auxiliar e desperdiçando a oportunidade de ser uma ciência básica que formule autonomamente seu interesse e objeto de investigação. Por isso considera o labelling approach que há que dirigir a atenção criminológica aos processos de atribuição da criminalidade, ao invés de a seus resultados 28 .

Leciona BARATTA 29 que “o horizonte de pesquisa dentro do qual o labeling approach se situa é, em grande medida, dominado por duas correntes da sociologia americana, estreitamente ligadas entre si. Em primeiro lugar, realmente, tal enfoque remonta àquela direção da psicologia social e da sociolinguística inspirada em George H. Mead, e comumente indicada como interacionismo simbólico. Em segundo lugar, a etnometodologia, inspirada pela sociologia fenomenológica de Alfred Schutz, concorre para modelar o paradigma epistemológico característico das teorias do labeling”.

Entre os principais representantes desta teoria cabe citar os seguintes: GARFINKEL, GOFFMAN, ERIKSON, CICOUREL, BECKER, SCHUR e SACK 30 .

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Dentre estes seleciona-se a seguinte passagem de BECKER 31 para ilustrar o presente ensaio: “Os grupos sociais criam a desviação mediante a elaboração de normas cuja infração constitui essa desviação, mediante a aplicação de tais normas aos indivíduos e mediante o etiquetamento (labelling) dos mesmos como excluídos (outsiders). Deste ponto de vista, a desviação não é uma qualidade do ato ou da ação cometida pela pessoa, mas sim uma consequência da aplicação, por terceiros, das normas e sanções a um ofensor. O desviado é uma pessoa a quem esse rótulo lhe tenha sido aplicado com êxito, a conduta desviada é o comportamento assim rotulado pela gente”.

Este o conteúdo essencial do labelling approach, que não fica a cavaleiro de críticas. Sintetiza-as HERRERO 32 :

“A teoria do labeling approach não parece que pode sustentar- se em seu conjunto, porque, ainda que se admita que as sociedades

atuais (ao menos as sociedades pós-industrializadas e democráticas) tenham grandes disfunções e que, entre elas, está a do uso do poder nem sempre de forma justa e ponderada, sem embargo, não parece razoável assegurar que determinada delinquência não agrida a bens fundamentais da comunidade em quanto tal (crimes contra a vida,

integridade física, liberdade, etc

exercício do poder se faz em proveito de uns poucos.

e, desde logo, nem sempre o

)

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O labeling approach estaria correto, se denunciasse que os agentes de controle social (legislador, executivo, judiciário, polícia, estabelecimentos penitenciários) nem sempre guiam o exercício de suas próprias funções segundo a exigência do bem comum (“delinquência” e “delinquentes artificiais”), que a lei nem sempre se aplica a todos de acordo com o princípio da igualdade, que existem “privilégios” para determinados infratores. Mas não é sustentável sua postura quanto absolutiza e universaliza tais “déficits”, carências e abusos. Parte da delinquência, segundo a teoria em foco, pode ser fruto de uma reação desproporcionada dos mecanismos sociais de controle (sobretudo os formais), mas outra parte (possivelmente a majoritária) é uma delinquência real, ontológica. O que ocorre é que nem sempre os processos de incriminação e desincriminação se ajustam ao verdadeiro bem comum. E que, desde logo, resulta frequentemente que a delinquência convencional se aborda com mais dureza do que a chamada delinquência não convencional que geralmente é mais perniciosa para a comunidade. Ademais, aos autores desta se trata (ou se parece que) com mais benignidade. Em todo caso, esta teoria, sobretudo em suas origens, nega que haja de se explicar a deliquência de forma etiológica. É afatorial, o que é congruente com sua maneira de analisar tal fenômeno”. À guisa de conclusão diga-se que, de fato, o labelling approach se contrapõem às “Teorias da Criminalidade”, posto que estas, de uma maneira ou de outra, põem a ênfase em estímulos

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psicobiológicos, psicomorais, ou psicosociais, tratando de explicar o fenômeno delinquencial acudindo a um sistema fatorial. Já para a teoria em apreço - que se insere no rol das “Teorias do Processo Social” - se propõe a compreender a delinquência não como fenômeno real, mas sim como fenômeno definitorial. É dizer, como fenômeno atribuído contra os membros das classes sociais marginalizadas por aqueles que manejam o poder. Se trata, por isso, de uma explicação afatorial da criminalidade, já que esta, como se concebe no labeling approach, não existe: é um produto inventado 33 .

TEORIAS CIENTÍFICAS SOBRE O PROBLEMA DO CRIME

1.

1.1. Escola clássica

1.2. Escola positiva

1.2.1. Teorias bioantropológicas

1.2.2. Teorias psicodinâmicas

1.2.3. Teorias psico-sociológicas

1.3. Sociologia criminal

1.3.1. Teorias ecológicas

1.3.2. Teorias da subcultura

1.3.3. Teorias da

2.

nova ou crítica

2.1. Teoria da rotulação

Criminologia

tradicional

anomia
anomia

Criminologia

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2.2. Etnometodologia

2.3.

Criminologia

radical

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A ciência que investiga o problema do crime pode ser classificada

em

Jorge

: o homem delinquente e a sociedade criminógena.

Coimbra: Coimbra Editora, 1997).

A

crítica, também

investigando o fenômeno criminal, indaga porque determinadas pessoas são tratadas como criminosas; quais as conseqüências dessa seleção; como ela é efetivada. Enfim, sobre o mesmo objeto, os cientistas elaboram questões diferentes que reclamam respostas diferentes. Existindo, entre essas vias de explicação do crime, mais uma relação de complementariedade do que de exclusão, fazendo

da

possível prevenir a sua ocorrência. Já a

tradicional procura quais as causas do crime; como é

Costa Andrade

nova ou crítica, segundo

criminologia

de

tradicional e

Dias

criminologia

e

Manuel

Figueiredo

da

(

Criminologia

criminologia

criminologia

uma ciência interdisciplinar que envolve a biologia,

a psicologia e a sociologia. Nessa visão, os autores citados agrupam as teorias criminológicas

da seguinte maneira: 1.

tradicional: escola clássica,

criminologia

Criminologia

escola positiva e sociologia criminal; 2.

Criminologia

 

nova ou

crítica: teoria da rotulação, etnometodologia e

criminologia

radical.

1.1. Para a escola clássica (séc. XVIII / XIX), o crime não é uma entidade de fato, mas de direito. O homem, dotado de razão e livre-

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arbítrio, atua movido pela procura do prazer (hedonismo) e a ordem social resulta de um consenso em torno de valores fundamentais, visando o bem-estar de todos (contrato social). Assim, a conduta criminosa é uma escolha racional, uma opção do criminoso que avalia os riscos e benefícios da empreitada criminosa. Logo, a pena (castigo) é necessária e suficiente para acabar com a criminalidade, sendo determinada segundo a utilidade para manter ou não o pacto social.

1.2. Diante do fracasso das reformas penais inspiradas pelos clássicos, a escola positiva (séc. XIX / XX) propõe outros postulados. Nega o livre-arbítrio e afirma a previsibilidade do comportamento humano (determinismo), passando a investigar as causas dos crimes a partir dos criminosos. O crime é uma entidade de fato. Um fenômeno da natureza, sujeito a leis naturais (biológicas, psicológicas e sociais) que podem ser identificas, estudando-se o homem criminoso. A pena (castigo) é inútil, pois a conduta criminosa é sintoma de uma doença e como tal deve ser tratada, em nome da defesa da sociedade. Atualmente, as teorias que analisam o criminoso, buscando uma explicação para o crime, podem ser agrupadas da seguinte maneira (teorias de controle):

1.2.1. Teorias bioantropológicas. Há pessoas predispostas para o crime. A explicação do crime depende de variáveis congênitas

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(relativas à estrutura orgânica do indivíduo). O criminoso é um ser organicamente diferente do cidadão normal. 1.2.2. Teorias psicodinâmicas. O criminoso é diferente do não- criminoso, mas essa diferença não é congênita. Decorre de falhas no processo de aprendizado e socialização do criminoso, uma vez que o homem é, por natureza, um ser a-social (homo lupus hominis). Para compreender as causas do crime, investiga porque a generalidade das pessoas não comete crimes. O crime decorre do conflito interior entre os impulsos naturais e as resistências adquiridas pela aprendizagem de um sistema de normas. 1.2.3. Teorias psico-sociológicas. Predomínio dos elementos sociais e situacionais sobre a personalidade.

1.3. A sociologia criminal (séc. XIX / XX), por sua vez, busca as causas do crime na sociedade. O crime é analisado como um fenômeno coletivo, sujeito às leis do determinismo sociológico e, por isso, previsível. A sociedade contém em si os germes de todos os crimes. O criminoso é mero instrumento no comportamento criminoso. A solução para o problema do crime está na reforma das estruturas sociais. “A sociedade tem os criminosos que merece.” Atualmente, as teorias que analisam a sociedade criminógena, privilegiando a dimensão causalista na conduta desviada, são denominadas de teorias etiológicas e se subdividem em:

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1.3.1. Teorias ecológicas ou da desorganização social (escola de Chicago). A explicação do crime decorre da antinomia mundo urbano/mundo rural. “O cristianismo proclama o mandamento do

amor ao próximo; (

qualquer próximo.” A cidade moderna caracteriza-se pela ruptura dos mecanismos tradicionais de controle (família, vizinhança, religião, escola) e pela pluralidade das alternativas de conduta.

mas na moderna sociedade não existe

)

1.3.2. Teorias da subcultura delinqüente. O crime resulta da interiorização (aprendizagem, socialização e motivação) de um código moral ou cultural que torna a delinqüência imperativa. “As teorias da subcultura partem do princípio de que delinqüentes são as culturas e não as pessoas.” À semelhança do que acontece com o comportamento conforme à lei, também a delinqüência significa a conversão de um sistema de crenças e valores em ação.

1.3.3. Teorias da

o resultado normal do funcionamento do sistema e da atualização dos seus valores. O sistema produz o crime e o produz como resultado normal (esperado) do seu próprio funcionamento. A

teoria da

ou da estrutura da oportunidade. O crime é

anomia
anomia

caracteriza-se pela sua natureza estrutural, pelo

determinismo sociológico, pela aceitação do caráter normal e funcional do crime e pela adesão à idéia de consenso em torno de valores fundamentais para a sociedade.

anomia
anomia

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2.

mas em outra perspectiva. Ao indagar as causas do crime, pesquisa a reação social: por que determinadas pessoas são tratadas como criminosas? quais as conseqüências dessa seleção? como ela é efetivada? Ampliando, assim, o campo de investigação para abranger as instâncias formais de controle como fator criminógeno (as leis, a Polícia, o Ministério Público e o Tribunal). Ainda segundo os autores citados, representam essa via de explicação do problema do crime:

nova também estuda a sociedade criminógena,

A

criminologia

2.1. Teoria da rotulação ou Labelling Approach (surge na década de 60). O crime não é uma qualidade ontológica da ação, mas o resultado de uma reação social. O crime não existe. O criminoso apenas se distingue do homem normal devido a rotulação que recebe de criminoso pelas instâncias formais de controle. “A sociedade tem os criminosos que quer.”

2.2. Etnometodologia (também surge na década de 60). Com base na fenomenologia, estuda a intersubjetividade do cotidiano, como ele é verdadeiramente vivido por seus participantes. O crime é visto como uma construção social realizada na interação entre o desviante e as agências de controle.

na

década de 70). Baseia-se na análise marxista da ordem social. Critica

2.3.

Criminologia

radical

criminologia

ou

marxista

(surge

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a teoria da rotulação e a etnometodologia, pois, fundamentalmente,

a

conservação da ordem social opressiva. Considera o problema criminal insolúvel em uma sociedade capitalista, sendo necessária a transformação da própria sociedade.

não

diferem

da

criminologia

tradicional,

funcionando

para

Ao final desse resumo sobre as teorias científicas sobre o problema dos crimes, percebe-se que a investigação científica depende de uma prévia visão do homem e da sociedade. Na escola clássica o homem é dotado de livre-arbítrio e vive em uma sociedade consensual (existe um consenso em torno de valores fundamentais). A escola positiva e a sociologia criminal negam o livre-arbítrio e a

nova, o consenso social. É do desdobramento dessas

questões fundamentais em torno da natureza humana e da ordem social que surgem as perguntas e as respostas ao problema do crime, ou seja, as teorias científicas sobre o crime.

criminologia

Daí a conclusão de Sykes: “Ao estudar o crime devemos ter consciência de que as descobertas científicas, normalmente consideradas como impessoais e objetivas, trazem invariavelmente consigo a marca do tempo e do lugar.” Igualmente, quando o profissional do direito penal interpreta e aplica a lei penal também efetiva a sua visão de mundo. São as suas crenças sobre a natureza humana e sobre a ordem social, conscientemente ou não, que determinam a adoção dessa ou

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CRIMINOLOGIA Intensivo III Prof. Procópio Dias

2010

daquela jurisprudência; desse ou daquele entendimento doutrinário – liberdade ou prisão para o seu semelhante!

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